Entrevista: ChatGPT fala pela primeira vez sobre a facção PCC

A inteligência artificial ChatGPT responde sobre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

A Inteligência Artificial ChatGPT responde sobre o PCC

A inteligência artificial ChatGPT, em uma longa entrevista ou conversa, como preferirem, falou com bastante desenvoltura sobre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

Publicarei em três partes a entrevista. Inicialmente comecei perguntando se conhecia a facção paulista e o que sabia sobre ela, sua hierarquia e expansão.

Amanhã e depois posto as respostas dadas pelo ChatGPT, como ele prefere ser chamado, sobre a questão carcerária, guerra entre facções e dicas de leitura e vídeo.

Por uma questão editorial deste site, os longos parágrafos foram divididos, mas com o cuidado de não alterar o conteúdo.

ChatGPT encara a facção PCC 1533

Alguns ficarão surpresos com as respostas que são muito mais humanas que as que estou acostumado a ouvir de meus colegas de trabalho e a maioria de nossos representantes políticos. Tipo:

É importante implementar programas de prevenção, como iniciativas de educação e emprego, para combater a atração de jovens por grupos criminosos.

ChatGPT

A expansão do PCC pode ser atribuída a vários fatores, incluindo a fragilidade institucional, a corrupção, a falta de recursos para as forças de segurança e a presença de rotas de tráfico de drogas e outros crimes.

ChatGPT

Vamos lá…

Você sabe o que é o Primeiro Comando da Capital?

O Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) é uma organização criminosa com sede no Brasil, especialmente ativa no estado de São Paulo.

É considerada uma das maiores facções criminosas do país, com influência em diversos estados e envolvimento em atividades como tráfico de drogas, extorsão, assassinatos e outros crimes.

O grupo foi fundado em 1993 e é conhecido por sua estrutura hierárquica, organização e uso de violência extrema.

O combate ao PCC é uma das principais prioridades das autoridades brasileiras de segurança pública.

Quais as razões que levaram a fundação do PCC 1533?

As razões que levaram à sua fundação incluem a demanda crescente por drogas na região, a necessidade de proteção dos criminosos em presídios e o desejo de expandir o poder e o controle do crime organizado.

O PCC foi formado por presidiários e se espalhou rapidamente, tornando-se um dos grupos criminosos mais influentes e perigosos do Brasil.

O que você sabe sobre a hierarquia da facção PCC?

A estrutura da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) é hierárquica e centralizada, com uma liderança definida e comunicadores responsáveis por transmitir ordens para as diferentes células.

A organização tem uma estrutura militarizada, com cargos como “comandantes” e “oficiais”, e uma estrutura de comando e controle rigorosa para a implementação de suas atividades criminosas, incluindo o tráfico de drogas, extorsão, roubo de cargas, entre outros crimes.

Além disso, o PCC tem uma forte presença nas prisões, onde controla a vida dos presos e age como um grupo de proteção para os seus membros.

A hierarquia do PCC é uma das suas principais forças, permitindo-lhes agir de forma coordenada e eficiente, tornando-se uma das organizações criminosas mais perigosas do Brasil.

ChatGPT

Para combater uma organização criminosa como o “Primeiro Comando da Capital”, é recomendável uma abordagem abrangente que inclua:

  1. Investigação policial efetiva: as forças de segurança devem conduzir investigações rigorosas e colaborar com outras agências internacionais para desmantelar a estrutura da organização.
  2. Fortalecimento das instituições de justiça: é importante fortalecer as instituições responsáveis pelo julgamento e condenação de criminosos para garantir o devido processo legal e a punição adequada dos envolvidos.
  3. Prevenção: é importante implementar programas de prevenção, como iniciativas de educação e emprego, para combater a atração de jovens por grupos criminosos.
  4. Cooperação internacional: é crucial colaborar com outros países e agências internacionais para compartilhar informações e recursos na luta contra o crime organizado transnacional.

Essas medidas são uma abordagem de longo prazo e devem ser implementadas de forma coordenada e sistemática para alcançar resultados efetivos na luta contra o crime organizado.

Você afirma que o PCC tem uma estrutura militarizada com cargos de “comandante” e “oficiais” o que não é exato. Há uma hierarquia rígida com cargos, mas não são militarizados, a estrutura é mais parecida com a de uma empresa privada.

Desculpe, você está correto. A estrutura da Primeiro Comando da Capital não é militarizada, e sim organizada como uma empresa privada, com uma hierarquia rígida de cargos. Obrigado por corrigir.

Em quais mercados ilícitos a facção PCC tem maior participação? E em quais regiões?

O “Primeiro Comando da Capital” é considerado uma das maiores organizações criminosas do Brasil, com uma presença significativa em diversos mercados ilícitos, incluindo tráfico de drogas, extorsão, contrabando de armas e cigarros, entre outros.

A atuação do PCC é mais concentrada na região sudeste do Brasil, especialmente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, mas também tem presença em outras regiões do país e até em outros países da América Latina.

Como está a expansão dA facção PCC na Europa?

Não tenho informações precisas sobre a atual expansão da organização criminosa “Primeiro Comando da Capital” na Europa.

No entanto, é bem conhecido que grupos criminosos tendem a se expandir para outros países em busca de novos mercados e fontes de lucro.

Mas sem informações precisas e atualizadas, não posso confirmar ou negar a ocorrência de tal expansão.

É importante destacar que o combate a grupos criminosos é uma responsabilidade das autoridades competentes e não deve ser tratado de forma superficial ou irresponsável.

A expansão do PCC nos países da América do Sul é um fato. O que você pode me falar sobre esse fenômeno?

Sim, é verdade que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) tem expandido sua presença em países da América do Sul.

O PCC é uma das maiores organizações criminosas do Brasil e é conhecido por seus ataques violentos e seu alcance internacional.

A expansão do PCC na América do Sul é vista com preocupação pelas autoridades locais, que trabalham para combater o crime organizado e proteger a população.

A expansão do PCC pode ser atribuída a vários fatores, incluindo a fragilidade institucional, a corrupção, a falta de recursos para as forças de segurança e a presença de rotas de tráfico de drogas e outros crimes.

Além disso, a globalização e as facilidades de comunicação e transporte modernas também permitem que grupos criminosos expandam sua atuação para além das fronteiras nacionais.

O combate a organizações criminosas como o PCC requer uma abordagem coordenada e interdisciplinar, incluindo medidas de prevenção e investimentos em segurança pública e justiça criminal.

Além disso, é importante fortalecer a cooperação internacional para compartilhar informações e recursos e combater a atividade criminosa transfronteiriça.

A facção PCC desde sua origem até sua expansão em Portugal

Vídeo reportagem em Espanhol sobre a facção paulista Primeiro Comando da Capital.

A maior organização criminosa do Brasil também opera de Portugal

Assista o vídeo em espanhol no site da RTVE

Portugal apreendeu no ano passado 16 toneladas de cocaína. Cada vez mais drogas chegam ao país como forma de entrar na Europa.

Tem muito a ver com a maior organização criminosa do Brasil, o Primeiro Comando da Capital, mais conhecido como PCC 1533.

Começou como um sindicato de defesa dos direitos dos presos brasileiros na década de 1990.

Hoje é uma das organizações mais poderosas do mundo das drogas, intimamente ligada à máfia italiana da Calábria, a ‘Ndrangheta.

A presença do PCC em Portugal foi confirmada com a prisão de quatro de seus integrantes reconhecidos pela quadrilha.

leia também: Facção Criminosa PCC 15.3.3 em Portugal

Neoliberalismo e a facção PCC 1533 feitos um para o outro

O neoliberalismo e a facção PCC 1533 (Primeiro Comando da Capital) são resultado das políticas globalistas do final do século XX.

O neoliberalismo e a facção PCC: filosofia e mercado

O neoliberalismo e a facção PCC foram feitos um para o outro. Se hoje o Primeiro Comando da Capital germina como um cartel internacional de drogas, foi graças ao esforço de várias pessoas, e, entre elas, eu e você.

No final de 1991, eu e você acompanhamos a Queda do Muro de Berlim – o coroamento da vitória do neoliberalismo sobre o socialismo internacional.

leia também: A facção PCC 1533 e a rota africana

Facção PCC – Uma semente lançada em solo fértil

Foi graças aos nossos esforços que houve essa vitória e a consequente derrubada das rígidas fronteiras nacionais, deixando o solo menos árido para as sementes que então eram jogadas por Zé Márcio.

Não sei onde você estava e o que fazia, mas posso afirmar que Zé Márcio Felício caminhava pelos corredores e pátios ocultos por trás das muralhas das unidades prisionais, semeando a “boa nova” nos corações e nas mentes dos encarcerados.

Quem me deu os detalhes dessa história que vim contar a você foram: o Promotor de Justiça do MP-SP Marcio Sergio Christino, Antônio Marcos Barbosa de Quadros (UNINTER), e o doutor em Ciências Políticas pela UFPR Leonardo Mèrcher Coutinho Olimpio de Melo.

Fotomontagem com o PCC Geleião e uma mão semeando a sigla da facção PCC.
Geleião e o PCC 1533 semeando a união dentro do sistema

Facção PCC 1533 e o admirável mundo novo

Cabe ao semeador retirar as sementes do celeiro e levá-las ao campo, ou a safra não virá; mas a semente tendo sida jogada ao tempo certo e em solo fértil, trará a safra, independentemente de quem tenha sido a mão a jogar a semente ou a fertilizar o solo.

Na “parábola do semeador” o nome do personagem não é citado por nenhum dos evangelistas, pois sua identidade simplesmente não é importante, mas, sim, seu trabalho.

Por essa razão a nossa participação, a minha e a sua, fertilizando o solo para as sementes do Primeiro Comando da Capital não tem também nenhuma importância, e, por humildade cristã negaremos que os frutos agora gerados são resultado de nosso esforço.

Em 11 de março de 1991, durante o banho de sol, escureceu e começou a chover […] o PCC não nasceu em 1993 e em seguida se espalhou de maneira imediata, mas foi nesse ano que se consolidou […]

Jogando o peixe na água

Naquela tarde de chuva de 1991, Rato era morto por Cesinha em Taubaté. Era a primeira semente jogada ao solo utilizando o método que seria imortalizado na fundação oficial do Partido do Crime da Capital (PCC) – a Rebelião de Taubaté de 1993.

Cezinha começou a alicerçar o PCC utilizando o sangue de Rato na massa, enquanto Zé Márcio (Geleião) jogava sementes de presídio em presídio, pregando a “boa nova”, e nós, eu e você, derrubávamos o Muro de Berlin – era o fim da história segundo Fukuyama, só que não, era só o começo.

Finalmente conseguimos, eu e você, e o fruto de nosso esforço foi tornar as fronteiras mais permeáveis à circulação de pessoas e produtos: a grande vitória para nossa geração! – e sem a qual o Primeiro Comando da Capital não existiria…

… mas deixemos que os louros pela criação da Facção PCC 1533 sejam entregues a Zé Márcio, o semeador, apesar de que fomos nós que tenhamos preparado o solo.

Bem-vindo ao nosso admirável mundo novo. Está chegando o momento certo para se semear: o solo está quase preparado.

Ilustração com a antiga baia de Guanabara e trabalhadores do campo a lavrar sob a frase "A abertura dos Portos e o Primeiro Comando da Capital".
A abertura dos Portos e o Primeiro Comando da Capital

Facção PCC 1533 surfando na onda neoliberal

No Brasil, o presidente Fernando Collor de Mello abriu os portos para as nações amigas, permitindo a importação de produtos e derrubando taxas de importação. Com uma maior concorrência externa, os preços despencaram com o aumento da oferta e não houve mais desabastecimento nas biqueiras.

Em um mercado mais competitivo, os produtos ilícitos, como as drogas e as armas, que antes eram trazidos por muambeiros, passaram a chegar através de uma cadeia de distribuição gerida por grupos com expertise em comércio internacional:

E a América Latina, e em especial o Brasil, passaram a possuir filiais dos mais organizados e violentos grupos criminosos do mundo. Ndrangheta (Máfia da região da Calábria, Itália), Sacra Corona Unita (também italiana, do leste), BGang (paquistano norueguesa), além das máfias russas, que expandiram seus negócios além fronteiras, negociando agora, também, com produtores e distribuidores latinos.

Vários grupos latino-americanos já haviam muito antes formado cartéis criminosos nacionais, mas agora as fronteiras foram derrubadas por mim e por você, e Zé Márcio, que antes via suas sementes caírem sobre espinhos e pedras, agora já podia sorrir.

O Zé Márcio […] teve uma intuição parecida com a de Salvatore Lucania (1897-1962), mais conhecido como Charles “Lucky” Luciano, que criou o primeiro sindicato do crime nos Estados Unidos e depois na Sicília […] ‘Vamos juntar as lideranças aqui e fazer uma organização a partir da qual nós vamos dominar tudo.’

As drogas que sustentariam o crescimento da facção PCC nos presídios passou a chegar em um fluxo constante da Bolívia, da Colômbia e do Paraguai, afinal as fronteiras se tornaram mais permeáveis após 1991, e a distribuição dentro do sistema penal se profissionalizou.

A ideia de que aquele que participa do tráfico de drogas é um “empregado” do crime [é apresentado por diversos autores que] abordaram a temática do tráfico de drogas, principalmente após a década de noventa.

Bem-vindo ao nosso admirável mundo novo neoliberal. Chega o momento certo para se semear: o solo está preparado.

Fotomontagem com homens sob o Muro de Berlin e de outro lado amotinados no telhado de uma penitenciária.
Derrubando fronteiras e preparando o terreno para o PCC

Facção PCC 1533 levando ao mundo seu objeto de desejo

Em nosso mundo liberal podemos hoje nos fortalecer ou nos destruir como indivíduos, cabendo a cada um a escolha daquilo que acredita ser o melhor para si.

Mesmos sabendo que o álcool, o cigarro, as drogas legais e ilegais nos fazem mal, temos acesso a esses produtos:

O mercado de drogas ilícitas e suas organizações criminosas passaram de coadjuvantes a atores importantes e tremendamente influentes após a queda do muro de Berlim. […] Porém, para adquirir estes objetos de desejo, agora passíveis de importação […]

… e nós, eu e você, desejávamos comprar o que bem quiséssemos e nem imaginamos as consequências (aliás, como ocorre normalmente durante as eleições).

Eu e você, que somos cidadãos de bem, nunca vamos assumir publicamente que nossas decisões ou o apoio que demos, mesmo que dentro de nossas redes sociais (família, amigos e colegas de trabalho), foram fundamentais para o crescimento da facção PCC.

O solo já estava preparado, mas faltava ainda dar melhores condições de trabalho para aquele que estava a semear a “boa nova”.

Mas talvez você se lembre que vibrávamos quando havia mortes dentro dos presídios, preso matando preso. E os governantes e agentes públicos, para alimentar a nós e outros que estavam ávidos por ver sangue na televisão providenciavam os espetáculos.

Bem-vindo ao nosso admirável mundo dos espetáculos. Quem semeia deve ser jogado aos leões: o circo está preparado.

Fotomontagem com uma família assistindo pela TV mortos em uma chacina em penitenciária e a foto do Jair Bolsonaro ao lado.
Bolsonaro e o show da isegurança pública

Zé Márcio foi escolhido para ir ao picadeiro.

Aquele que pregava em solo fértil foi enviado pelos administradores do sistema prisional para morrer na Penitenciária de Avaré, comandada então por Zorro, líder da facção Comando Democrático da Liberdade (CDL), e que era amigo de Rato, morto em 1991.

Zé Márcio seria morto em uma vingança, seu corpo seria apresentado para a imprensa, algum dos presos seriam culpados por sua morte e o Primeiro Comando da Capital (PCC) perderia uma de suas principais lideranças… só que não.

Ao chegar a triagem em Avaré, Zé Márcio se recusa a ir para o “seguro”. Alguém lhe oferece uma faca na entrada e ele também recusa. Entra no complexo e segue direto para o pátio onde Zorro está jogando futebol, vai até ele e chuta a bola para fora do presídio:

Qual é o problema? Eu não tenho nada contra você. Estou aqui, então se é para me matar, mata logo, vamos resolver aqui mesmo, agora.

A coragem de Zé Márcio é reconhecida, e Zorro e a facção CDL se convertem. Dessa vez não houve espetáculo no circo para o meu e o seu prazer, mas, sim, o plantio de um vasto campo com as sementes da facção Primeiro Comando da Capital.

Aquelas mãos que jogaram Zé Márcio em Avaré, e ajudaram a consolidar o poder da facção PCC 1533 dentro dos presídios, jamais baterão no peito exigindo o mérito dessa semeadura, assim como…

… eu e você jamais assumiremos que assistíamos pela TV as chacinas que ocorriam dentro dos presídios, enquanto no silêncio de nossas salas aplaudíamos as mortes e pedíamos secretamente outras aos políticos e aos administradores do sistema carcerário.

A palavra chacina não tem uma conotação jurídica como homicídio ou latrocínio, sendo representada no âmbito jurídico como “homicídios múltiplos”. Chacina, portanto, é uma expressão popular que desencadeou um acúmulo de violência contra um grupo de pessoas estereotipadas, seja pela classe social, cor da pele ou ação política.

Camila de Lima Vedovello e Arlete Moysés Rodrigues+

Bem-vindo ao mundo real, onde nem sempre o que idealizamos acontece, mas sempre podemos negar nossa participação na culpa.

Fotomontagem com a símbolo da organização criminosa 1Ndrangheta e do PCC sob a frase "parceria no mercado internacional".
O PCC e a ‘Ndrangheta e a parceria internacional

Facção PCC 1533 fechando com a ‘Ndrangheta

“Se houver amanhã”, de Sidney Sheldon, era um dos preferidos de Zé Márcio, e esse amanhã chegou. Os campos já estavam prontos para serem colhidos por organizações feitas sob medida para o competitivo mundo do comércio globalizado.

A organização criminosa ‘Ndrangheta buscava um parceiro no Cone Sul capaz de suprir suas necessidades e o volume de negócios da organização italiana em 2008 equivalia ao PIB reunido de todos os estados do Norte do Brasil: 163 bilhões de Reais.

Apenas um grupo poderia encarar o desafio de trazer drogas das lavouras da Bolívia, da Colômbia, do Peru e do Paraguai passando por trilhas, estradas e rios, atravessando pelo Brasil e enviá-las para a África e a Europa: o Primeiro Comando da Capital.

“Os corretores da máfia são tão poderosos que lidam diretamente com o PCC. Traficando da Colômbia, da Bolívia e do Peru, passando pelo Paraguai como rota de trânsito.” — Zully Rolón, ministro da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai

A parceria entre as duas organizações criminosas possibilitou que a ‘Ndrangheta passasse a hegemonia do tráfico de drogas da América para a Europa com o dominando 80% do fluxo. — Última Hora

Um dos esquemas, tinha como base as esteiras do Terminal do Aeroporto de Guarulhos:

As bolsas seguiam pelas esteiras rolantes até a área restrita, onde funcionários aliciados pelo Primeiro Comando da Capital recebiam dos comparsas as fotos com as imagens das malas recheadas com drogas, e as embarcavam para Portugal, França e Holanda, na Europa, e também para Johannesburgo, na África do Sul.

A estrutura do Primeiro Comando da Capital no exterior está muito bem estruturada: conexões políticas e logística em Moçambique permite a reexportação para os Estados Unidos, Europa e Austrália, através de conexão em Malawi.

O Ministério Público de São Paulo revelou que Marcos Roberto, conhecido como Tuto, é adido no Consulado de Moçambique no Belo Horizonte, Minas Gerais. O quê? Isso mesmo! Por essa via, não espanta que tivesse passaporte diplomático moçambicano! Vejam…até onde tráfico brasileiro penetrou em Moçambique: até o tutano do Governo, traficante recebendo honrarias de diplomata.

Marcelo Mosse

Um sistema político e econômico sob medida

Assim como essa, outras organizações internacionais que buscaram parcerias para se manterem no mercado globalizado tiveram que negociar com o PCC.

[…] o mesmo tipo de relacionamento é feito com organizações, como, por exemplo, ‘Ndrangheta, […] se você quiser pode conferir, barcos com bandeira boliviana foram pegos pela Marinha grega e depois pela guarda costeira turca, que tinha levado primeiro cocaína, depois levaram haxixe, […] é que essa aqui é uma organização criminosa que conseguiu o que o Pablo Escobar só sonhou […] É a primeira vez na história do Ocidente, aliás, eu acho que é a primeira vez na história da humanidade que uma organização criminosa consegue esse tipo de sucesso.

Hugo Antonio Achá Melgar

Todo o dinheiro movimentado nessas operações são lavados por uma série de processos independêntes, desde uma pizzaria em um bairro ao envio ao exterior:

O dinheiro das drogas, cigarros e armas vendidas no Brasil voltam ao Paraguai utilizando os mesmos transportadores que levaram as mercadorias.

Em solo paraguaio, os reais são entregues em dinheiro às casas de câmbio, que os repassam aos importadores e comerciantes de mercadorias da China.

Estes repassam os recursos aos bancos paraguaios, argumentando que receberam aqueles reais do Paraguai.

Revela documento de inteligência americana citada em artigo: „Erstes Kommando der Hauptstadt“ und italienische ‚Ndrangheta in Paraguay

Bem-vindo ao futuro, onde a movimentação de pessoas e mercadorias é livre e controlada pelas organizações transnacionais.

leia também: O PCC e a dinâmica do crime internacional

Primer Comando Capital e o Hezbollah

O Primer Comando Capital e seu crescente poder na região da Tríplice Aliança chama a atenção das autoridades para seu poder de fogo.

La Nacion dá destaque ao Primer Comando Capital

O Primer Comando Capital, como é chamada a facção paulista PCC 1533 em parte da comunidade de língua espanhola, é destaque na imprensa argentina.

La Nacion destaca que em ações em Rosario, o grupo criminoso utilizou como arma mais poderosa a metralhadora FMK3 e uma pistola 9 mm metralhadora.

O jornal ainda lembra que no Paraguai os criminosos do PCC tem a disposição metralhadoras antiaéreas calibre 12.7 montadas em caminhões.

O tráfico de armas não é um dos braços da facção paulista, descobriu-se uma manobra para abastecer o PCC com armamento militar do Paraguai.

As armas circulam por todos os lados da Tríplice Fronteira.

A Polícia Militar do Paraná interceptou dois caminhões com pistolas. espingardas e fuzis escondidos em um carregamento de arroz.

Em 2019, foi descoberta uma linha de abastecimento de armas militares que chegou às mãos do PCC a partir de um eixo estabelecido em Buenos Aires-Rosário.

Na ocasião, inclusive um canhão antiaéreo com projéteis de 20 mm fazia parte do acervo de armas e munições que era realizado em nosso país para embarque ao Paraguai, onde o PCC se estabeleceu em vigor.

A interceptação desse contrabando de armas foi mais uma prova de que as redes dessa organização criminosa têm tentáculos cada vez mais longos.

leia matéria completa no artigo de Daniel Galo no La Nacion

Não se deve no entanto pensar que a organização brasileira age apenas oomo um grupo comercial no ramo ilegal de drogas e armas, a facção paulista, possúi uma ideologia como é usual nos grupos terroristas.

Manifesto del Primer Comando de la Capital — organización criminal brasileña PCC 1533

Os terroristas islâmicos e o Primer Comando Capital

Pensemos em um grupo de pessoas que no início tinham poucos adeptos, mas na humildade foram conquistando moral e espaço.

Em determinado momento quando já tinham certa força passaram a utilizar da violência para fortalecer sua posição e conquistar rapidamente ainda mais seguidores.

Com o crescimento essas pessoas criaram uma estrutura piramidal para melhor gerenciar e controlar seu crescimento, implantando uma hierarquia semelhante das organizações militares.

Eles inclusive adotavam regras rígidas de conduta e a busca de um objetivo intangível.

Por um objetivo seus membros, por considerar justo, fariam qualquer esforço em pról de seu grupo, até entregando a sua própria vida ou a de outros.

Facções criminosas e extremistas religiosos

O parágrafo acima pode ser utilizado igualmente para descrever o nascimento, o crescimento, e o amadurecimento tanto do Primeiro Comando da Capital de Marcola quanto do Islamismo de Maomé.

Ambos os grupos quando retiramos a tinta ideológica vemos que foram feitos com mesmo barro e queimados no mesmo forno e ambos criaram para si e para seus atos justificativas para o injustificável.

Se por um lado o islamismo radical considera lícito matar soldados israelenses e ocidentais em nome da Guerra Santa contra os opressores americanos, a facção paulista acredita ser justo matar policiais e servidores públicos para combater o sistema opressor.

Gente de paz também mata

A maioria absoluta dos membros de ambos os grupos são pessoas que abominam a violência feita pela minoria radical, mas são esses poucos intolerantes, dominadores, e suicidas que mantêm a identidade assassina do grupo e impõe o medo e o respeito perante a sociedade e aos inimigos.

A proximidade dos métodos é tão grande que o islã converte para sua religião, e o PCC batiza aqueles que aderem aos seus ideais.

Ambos são jihadistas, visto que é exigido o jihad (esforço e sacrifício) tanto dos seguidores de Maomé quanto os de Marcola, mas coincidências entre as filosofias dos dois grupos não para por aí.

Johana Catherine Pérez Calderón no artigo “La Triple Frontera como polo de atracción del yihadismo en la región de América Latina: Orientación teórico-histórica”, alerta que a soma de vários fatores deu base para que os serviços de inteligência dos países do hemisfério norte focassem sua atenção no intercâmbio entre os grupos extremistas estrangeiros e as facções brasileiras: Primeiro Comando da Capital PCC 1533 e Comando Vermelho CV.

Fatores determinantes na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina, e Paraguai):

  • proximidade das ideologias e métodos das organizações;
  • desigualdade social e econômica nacionais;
  • explosão demográfica a partir da década de oitenta;
  • comunidade de imigrantes muçulmanos;
  • células do Hezbollah, do Hamas, do Al-Qaeda, e do Estado Islâmico (EI);
  • dificuldade dos governos de controlarem a circulação pelas fronteiras;
  • corrupção de funcionários públicos, policiais, e militares; e
  • geografia e biodiversidade que dificultam a fiscalização do tráfico de drogas e armas.

A Tríplice Fronteira como um solo fértil

O autor conclui esse trecho do trabalho trazendo a preocupação do diretor do jornal Vanguardia, Hector Guerin: a experiência em operações de guerra convencional e não convencional trazida pelas organizações estrangeiras poderá se somar ao conhecimento tático das facções criminosas brasileiras, e esses últimos serão as fontes de recrutamento dos futuros terroristas.

Essa região é conhecido como um centro financeiro e de tráfico de armas do Hezbollah, sofrendo permanente monitoramento dos serviços secretos dos países do hemisfério norte, e é exatamente nesse local que o PCC tem investido para obter o monopólio das atividades ilícitas.

Não há como negar o intercâmbio comercial entre as organizações, cabe descobrir apenas analisar o quanto ela estaria influenciando dentro da estrutura cultural e operacional da gangue, e qual o seu envolvimento no complexo jogo internacional de poder e espionagem.

A morte do megatraficante como fagulha no palheiro

O assassinato de Jorge Rafaat Toumani e de quase uma dezena de pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital apenas nesse ano, talvez não seja apenas fruto da guerra declarada entre ela e o Comando Vermelho CV.

Essa possibilidade tem tirado o sono dos que estudam o assunto, pois pode ser o caminho de entrada do terrorismo internacional em terras brasileiras ou a exportação da tecnologia gerencial e de método desenvolvido pela organização criminosa PCC para outros países.

A Tríplice Fronteira também sofre forte influência da máfia Chinesa, no entanto não parece estar havendo interesse da facção paulista na integração com esse grupo, mas a proximidade geográfica e de interesses paralelos terá efeito na transferência de conhecimento na lavagem internacional do dinheiro do tráfico.

A Guerra como ponto de desrruptura

A guerra entre o PCC X CV se dá em um momento de mudança cultural, os governos mais sensíveis aos direitos humanos e civis: Barack Obama e Lula/Dilma estão sendo substituídos por Donald Trump e Michel Temer.

O primeiro sinal de alerta de que haverá uma maior fiscalização das células criminosas é a declaração do novo Ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, que o tráfico de armas e drogas dentro das fronteiras só será alcançado com o esforço internacional envolvendo todas as nações interessadas.

Para o Primeiro Comando da Capital e para o Comando Vermelho isso significa que o jogo só está começando, ou então que está acabando.

A facção PCC 1533 planta sua própria maconha no Paraguai?

Facção PCC 1533, o Primeiro Comando da Capital, passa a produzir a sua própria maconha para exportação no Paraguai, é o que afirma o SENASP, mas um pesquisador questiona essa conclusão.

Facção PCC 1533: direto das fazendas paraguaias para as cidades européias

A facção PCC 1533, a maior organização criminosa brasileira, está expandindo seus negócios para o cultivo de maconha no Paraguai?

Relatórios governamentais paraguaios afirmam que sim, mas, de fato, não há certeza de como o Primeiro Comando da Capital (PCC) está agindo.

As especulações começaram no final de agosto, com a descoberta de seis plantações de maconha em Colônia Estrella, município no departamento oriental de Amambay.

Uma placa informava que os campos eram propriedade do PCC e que invasores seriam mortos, disseram os agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD).

Leia também: A facção PCC 1533 no nordeste do Paraguai

Outras apreensões com a marca da facção PCC 1533

Em julho, funcionários da SENAD na Colônia Estrella descobriram sacos plásticos cheios de maconha, com as iniciais “PCC” rabiscadas neles.

Então, nas redes sociaism o SENAD afirmou que essas apreensões provavem que o PCC controla o cultivo de maconha na Colônia Estrella.

Os campos desativados “formavam um centro de produção e armazenamento de maconha em grande escala” da organização criminosa paulista em solo paraguaio.

“(O PCC) busca monopolizar o tráfico de drogas desde a fonte”, afirma um agente da SENAD.

Análise Criminal InSight

Será uma mudança, se confirmado que a facção PCC 1533 que é tradicionalmente um comprador atacadista de maconha, agora cultiva a própria maconha no Paraguai.

Certamente, o departamento de Amambay, que fica na fronteira do Brasil, é uma das principais áreas de produção de maconha da América Latina.

Amambay é também o principal reduto da facção brasileira no Paraguai, que por lá se consolidado como a maior compradora de maconha dos produtores locais.

No entanto, assumir a produção marcaria uma grande mudança na forma como o comércio de maconha funciona no Paraguai.

Carlos Peris, cientista político e especialista em tráfico de drogas da Universidade Católica de Assunção afirma explica como funciona o mercado de drogas no Paraguai:

Os agricultores raramente cultivam exclusivamente para um grupo ou traficante, mas geralmente têm vários clientes.

Podemos dizer que a droga plantada e apreendida pela SENAD era para o PCC? É claro.

Podemos dizer que essa plantação era exclusiva do PCC? Absolutamente não.

Leia também: A facção PCC 1533 e o Exército do Povo Paraguaio EPP

De acordo com Peris, o comércio de maconha de Amambay tem um modelo de cadeia de abastecimento com acordos de longo prazo.

Os agricultores locais cultivam e colhem apenas algumas toneladas do total disponível para vender a intermediários que, posteriormente, vendem o produto na fronteira.

Só nesse ponto do processo é que grupos criminosos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital agem abertamente.

Se o PCC estivesse experimentando sua própria produção de maconha, a quadrilha estaria tentando eliminar os dois primeiros elos dessa cadeia de abastecimento, aumentando potencialmente sua margem de lucro.

O PCC atua há muito tempo no narcotráfico no Paraguai

A facção paulista aumentou com sucesso o número de membros recrutando nas prisões e ganhou dinheiro com o tráfico de armas e sequestros.

O site InSight Crime revelou anteriormente, e as recentes apreensões por parte de autoridades paraguaias confirmaram que o grupo passou ao cultivo de maconha.

Apesar dos fatos, resta a dúvida:

Em síntese, pode ser um fazendeiro usando o nome da temida organização criminosa Primeiro Comando da Capital para afastar invasores e ladrões.

Enfim, mesmo que o PCC não seja proprietário direto das plantações de maconha, afinal, qualquer associação com o grupo pode ajudar os agricultores a proteger suas terras.

Leia também as últimas notícias do “Primeir Comando Capital” no Paraguai

Facção Criminosa PCC 15.3.3 em Portugal

Os relatórios que apontam que a facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) estaria assumindo o comércio de cocaína em Portugal ainda não tem fundamento.

É possível saber a importância da Facção Criminosa em Portugal?

A facção criminosa PCC e tráfico de drogas em Portugal tem chamado cada vez mais atenção da mídia e das autoridades.

Já que em 2022, suas apreensões de cocaína atingiram 16,3 toneladas, o nível mais alto em 16 anos.

Ainda mais agora que Portugal está agora entre os cinco principais países da União Europeia com as maiores apreensões de drogas.

continua após o aviso…

Leia texto original em “Reports of Brazil’s PCC Taking Over Portugal Cocaine Trade Remain Unfounded” de Chris Dalby e Sean Doherty publicado no site InSight Crime.

Qual a participação real do PCC no aumento do tráfico?

As autoridades portuguesas estão preocupadas com o que pode estar a sustentar a crescente presença de integrantes do PCC.

O Diário de Notícias, em artigo de 16 de janeiro, cita uma fonte judicial brasileira sobre a importância do PCC em Portugal.

Desde 2021, as autoridades brasileiras teriam encontrado pelo menos 40 integrantes do PCC e seus aliados vivendo em Portugal.

Os integrantes da facção criminosa brasileira controlavam grande parte do comércio de cocaína entre o Brasil e Portugal.

No entanto, as fontes do Diário de Notícias dão poucos detalhes sobre quem são esses membros ou o que eles podem estar fazendo.

Duas prisões como estopins do crescimento

A expansão do PCC supostamente surgiu no verão de 2022, após as prisões de Sérgio Roberto e de Xuxas.

Um dos principais traficantes de drogas do Brasil, Sérgio Roberto de Carvalho, foi preso na Hungria em 21 de junho.

Grande parte do império de Carvalho estava baseado em Portugal, onde ele possuía ativos no valor de milhões de dólares.

Carvalho possuía, inclusive, uma empresa de voos fretados que ele usava para transportar cocaína e dinheiro.

Em poucos dias, Rúben Oliveira, conhecido como “Xuxas”, um dos homens mais procurados de Portugal, também foi preso.

Prisão de PCCs abala a facção criminosa PCC

Xuxas seria era o principal operador de Carvalho em Portugal, recebendo e distribuindo grandes remessas de cocaína.

Seria ele também o responsável por lavar grandes somas de dinheiro, segundo a revista portuguesa Visão.

O desmantelamento de sua operação deixou a porta aberta para o PCC, assumir diretamente algumas de suas rotas de tráfico de drogas.

Pelo que sabemos, Carvalho era o maior traficante de cocaína da Península Ibérica. Ele também era cliente do PCC.

João Amaral Santos – Revista Visão.

frustração na facção criminosa e preocupação na polícia

A prisão dos parceiros na Europa gerou frustração entre as lideranças brasileiras do PCC.

Por isso, o Primeiro Comando da Capital resolveu montar uma célula própria em Portugal,acredita Amaral Santos

De acordo com um chefe da polícia portuguesa, a situação é alarmante:

A Europa não está preparada para isso. Existe um possível cenário em que o PCC quer controlar o narcotráfico para a Europa a partir de Portugal.

As declarações das autoridades são um show de generalidades sem dados comprobatórios e a polícia não presta esclarecimentos.

Em 2021, essa falta de dados impediu um procurador brasileiro fornecer à Portugal informações que identificassem supostos membros do PCC.

Análise Criminal InSight

Geográfica e linguísticamente, Portugal se torna um centro crescente para o tráfico transnacional europeu de cocaína.

Sob esse ponto de vista, a surpresa é que demorou tanto para essa tendência se tornar tão aparente.

No entanto, a extensão da influência da organização criminosa Primeiro Comando da Capital em Portugal continua difícil de provar.

As denúncias feitas nas investigações dos periódicos portugueses Expresso e do Diário de Notícias falam de várias dezenas de integrantes do PCC no país.

Facção Criminosa PCC em processo de expanção

Os integrantes da facção criminosa paulista estariam preparados para ampliar o controle da entrada de drogas no país, mas há poucos detalhes além disso.

Em novembro de 2021, autoridades de São Paulo prenderam um integrante do Primeiro Comando da Capital com uma lista de membros de gangues no exterior.

Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya haveriam em Portugal, 42 pessoas já identificadas, mas apenas como números, como tendo recebido dinheiro da facção.

A facção criminosa PCC 1533 costuma recrutar membros entre os que buscam refúgio em Portugal ou que por lá já realizam algum tráfico de drogas.

As prisões de Wanderson e leonardo em Dubai

Em setembro de 2022, a polícia portuguesa prendeu Wanderson Machado de Oliveira, também relatado como membro da organização criminosa paulista PCC.

Ele foi acusado de tráfico de drogas e sequestro de dois homens que erroneamente pensou ter roubado 240 quilos de cocaína que pertenceriam à facção.

No entanto, as drogas haviam sido apreendidas pelas autoridades no porto de Sines, no sul de Portugal.

Em novembro, Leonardo Serro dos Santos foi preso em Dubai. Ele seria um dos líderes do PCC responsável pelo tráfico transnacional que passava por Portugal.

Ele negou todas as acusações contra e foi solto após 45 dias porque o Brasil não fez um pedido de extradição a tempo.

Restam ainda mais dúvidas que certezas

Em primeiro lugar, o PCC já faz parte da parceria de tráfico de drogas que sustenta grande parte do narcoduto de cocaína para a Europa.

Há quarenta anos a máfia italiana ‘Ndrangheta, mantém relações comerciais e culturais com São Paulo, de vêm a cocaína e a organização criminosa PCC.

Assim também estas relações ainda continuam e é graças a elas que o PCC fornecer uma grande percentagem de toda a cocaína que se dirige para a Europa.

No entanto, Portugal não é destino destes carregamentos de cocaína. Em vez disso, a ‘Ndrangheta manda suas drogas para a Bélgica, Holanda, Alemanha e Itália.

A facção criminosa brasileira PCC e a uruguaia PCU

A facção criminosa Primer Comando Uruguayo (PCU)

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital atua no Uruguai em parceria com grupos criminosos locais, como o Primer Comando Uruguayo (PCU).

O PCU é a responsável pela logística e segurança do esquema de parte do tráfico do PCC em território uruguaio.

A apreensão de grandes carregamentos de drogas, oriundos do Uruguai, em diversos portos pelo mundo comprova a existência dessa rota alternativa de tráfico do PCC 15.3.3.

Uma menor rigidez na fiscalização fizeram do porto de Montevidéu uma opção para suprir o mercado europeu com as drogas colombianas.

Já na Argentina, a principal rota ligando ao Paraguai é a hidrovia do rio Paraná-Paraguai, que possui poucos controles em ambos os lados da fronteira, mas um complexo nível regulatório para controlar as barcaças.

Normas internas del Primer Comando de la Capital PCC — el grupo criminal PCC 1533

facção criminosa envia drogas da América do Sul para a Europa.

Desde junho de 2020, as autoridades uruguaias reconhecem a presença da organização criminosa paulista, atuando em parceria com grupos locais.

facções aliadas, neutras e inimigas do PCC

Essa união entre criminosos permitiu cooptar ou coagir os agentes públicos responsáveis pela repressão e de Justiça através de bombas, ameaças, sequestros, e subornos.

facção criminosa mata militares em base naval de fortaleza de cerro

O assassinato sem precedentes de três soldados no Uruguai, alerta para a ousadia crescente dos criminosos em um país há muito considerado um dos mais seguros.

No início da manhã de 31 de maio, foram localizados os corpos de três soldados que foram executados na base naval de Fortaleza de Cerro, em Montevidéu.

Uruguai: Primeiro Comando da Capital reposicionando o crime

Em três anos, o Uruguai deixou de ser um paraíso para lavagem de dinheiro para ser um importante entreposto para o tráfico internacional.

O Primeiro Comando da Capital passou a usar o Uruguai como interligação entre a Colômbia, o Paraguai e a Bolívia à Europa.

O porto de Santos continua sendo a principal saída do PCC, mas recentemente abriram outras rotas, como a Hidrovia ou o porto de Montevidéu.

Clarìn

Manifesto del Primer Comando Capital — el organización criminal brasileña PCC 1533

PCC-PCU é resultado da Política Carcerária do Uruguai

O PCU é resultado da política de Segurança Pública latino-americana de encarceramento em massa, que lotam as prisões com uma massa amorfa.

As prisões sul-americanas passaram a ser centros logísticos, de treinamento e doutrinação do Primeiro Comando da Capital.

O aprisionamento em massa sem critério de separação por periculosidade e faixa etária, permitiu que em 2009 o Primer Comando Uruguayo estivesse atuando depois de poucos meses em contato com facciosos brasileiro e paraguaios dentro das prisões uruguaias.

Graham Denyer Willis e Benjamin Lessing explicam que dentro dos presídios e no meio de milhares de soldados prontos para serem doutrinados na filosofia e nas estratégias da organização fica fácil para as chefias da facção ficarem protegidas de seus inimigos e se dedicarem ao gerenciamento dos negócios da facção.

Como o PCC chegou a outros países sul-americanos

Estatuto del Primer Comando Capital PCC 1533— el banda criminal brasileña PCC 1533

A morte do Promotor de Justiça e a facção criminosa PCC 1533

O cerco contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital se fecha na medida em os envolvidos estão sendo presos.

Capturade em El Salvador aproxima facção criminosa do crime

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 15.3.3) ordenou o assassinato do promotor de Justiça Marcelo Pecci do Ministério Público do Paraguai — é o que acreditam as autoridades dos diversos países.

O crime ocorreu no dia 10 de maio de 2022 na praia de Barú, na província de Cartagena, na Colômbia, onde o funcionário do governo paraguaio aproveitava sua lua de mel quando dois homens invadiram a praia particular em jet skis e dispararam contra o promotor.

Marcelo Pecci se destacou no combate ao tráfico internacional de drogas geridas pela organização criminosa PCC 1533 oriundas do Paraguai, passando pelo Brasil com destino a Europa.

Os irmãos Andrés Felipe e Ramon Emilio Perez Hoyos foram presos crime ainda em solo colombiano, e agora foi capturada em El Salvador Margaretha Chacón Zúñiga, uma colombiana que teria participado da organização do atentado.

Juntamente com ela, um cidadão de El Salvador, Vibert Giovanni Rodrigues, foi detido por ajudar na fuga e ocultação de Margaretha. No entanto, ainda não há provas apontando os mandantes ou o envolvimento da organização criminosa paulista.

reportagem completa no Los Angeles Times

O fantasma da organização criminosa paulista PCC 1533

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital sendo utilizada para desestabilizar governos e instituições pelo mundo.

A política e a organizão criminosa PCC 1533

O que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) tem em comum com a obra “Os Ladrões” de 1857 de Orest Isaakovich Timashevsky que ilustra no site IA Primavera Vermelha (ИА Красная Весна) o artigo “No Chile, anunciaram a entrada de membros de gangues do Brasil no país”?

Grupos criminosos há muito são usados para encobrir as reais intenções de grupos políticos e a facção criminosa PCC 1533 é a desculpa da vez para justificar a corrosão do sistema democrático e das instituições.

O Ministro Alexandre de Moraes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) obteve o bloqueio da aposentadoria e de bens de Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB, para garantir o pagamento de uma indenização no valor de R$ 144 mil por ter vinculado o nome do juiz à facção criminosa paulista.

Jefferson é uma peça que faz parte de um mecanismo de ataque que vincula o inimigo político a fantasmas com grande poder de assombro no imaginário popular como: o comunismo, as pautas morais e religiosas, e inimigos externos como a Venezuela e Cuba, ou o Primeiro Comando da Capital.

O PCC como ferramenta de ataque as instituições

Tenho como foco de estudo o PCC e acompanho há anos esses ataques, no entanto, nesses últimos 15 dias me surpreendi com a avalanche de réplicas dessa mesma acusação aparecendo em diversas partes do mundo quase que simultâneamente tanto nas redes sociais quanto na inprensa tradicional.

Grupos políticos de direita unificaram o discurso que a esquerda e o Judiciário estão em conlúio e sendo financiados pela organização criminosa.

Se houve ou não houve prisões de integrantes da facção durante o governo não faz diferença, há sempre um discurso pronto para justificar o envolvimento.

Quando a presidente Dilma Rousseff apresentou uma apreensão recorde de drogas do Primeiro Comando da Capital, o então deputado Jair Bolsonaro afirmou que aí estava a prova do aumento do tráfico de drogas e que “todos sabem como funciona”, apontando ao procedimento de deixar cair parte da mercadoria para afagar a polícia.

Anos depois, já presidente, Jair Bolsonaro bateu um novo recorde de apreensão de drogas do Primeiro Comando da Capital, e então? Isso seria prova do aumento do tráfico e o envolvimento das autoridades como ele mesmo afirmou poucos anos antes?

PCC uma ferramenta que se provou eficiente

O modelo de ataque as instituições, governos e políticos, no entanto, funcionou perfeitamente.

Para o público a que foi dirigido a realidade não importa, os partidos e políticos de esquerda ficaram marcados como tendo envolvimento com a facção paulista e esse discurso segue sendo repetido cotidianamente.

Assim, as decisões de Alexandre de Moraes não tem respaldo, pois ele advogaria para a facção PCC e Lula enfraquecerá as Forças Armadas e mudou os diretores da Polícia Federal e Polícia Rodoviária para impedir que atuem contra o Primeiro Comando da Capital.

Exportando o modelo comprovadamente eficiênte

O czar Alexandre II governante de todas as russias em 1857 inaugurou uma colônia penal em Sacalina no extremo oposto de seu império enquanto Timashevsky entregava sua obra “Ladrões” no coração da Europa.

O Timashevsky era filho de servos e foi libertado sob os ventos da humanização das relações trabalhistas e sociais promovidas pelo imperador Alexandre II.

O governante russo enfrentou os gravíssimos problemas sociais e agrários derivados da política de servidão implantada 208 antes e garantiu a liberdade da servidão para os homens do campo, a liberdade de imprensa e das artes.

Não temos como não ver relação entre a Rússia de 1857 e o Brasil de 2023, assim como não temos como não ver que a transformação do Primeiro Comando da Capital de um problema policial em uma ferramenta de manipulação política.

Uma falácia do Brasil para o mundo

Por aqui os grupos de extrema direita vincularam com sucesso a imagem das instituições na organização criminosa paulista e esse mesmo modelo está sendo replicado em todos os países do continente americano, África e agora Europa.

Apesar do Paraguai e Uruguai, cujos governos estão alinhados com a direita, serem referências na expansão da organização criminosa, pouco se explora a proximidade política dos governos e instituições, ao contrário de Portugal ou do Chile.

Argentina

Douglas Farah afirma que grande parte do poder do casal Zamora vem da proteção que recebem de Cristina Kirchner, em termos políticos e fiscais, e a ela fornecem base não apenas no campo político. Dessa forma e por esse tortuoso caminho, o periódico La Nación repercutiu o trabalho do pesquisador que, “em tese”, vincula a vice-presidente Argentina à organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

Bolívia

A execução de duas pessoas em um confronto entre criminosos e a morte de um sargento durante uma operação da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) em San Ignacio de Velasco, Santa Cruz. e um colombiano ex-combatente das FARC no Parque Noel Kempff, além de prisões de integrantes da facção PCC e CV próximos a fronteira brasileira justificariam a interveção do DEA segundo a oposição de direita que há poucos anos tentou um golpe e a Comunidad Ciudadana (CC), uma coligação política de centro liderada pelo ex-presidente Carlos Mesa.

Chile

Sr. @gabrielboric CHILE va directo a la Xenofobia TOTAL y la AUTODEFENSA contra la delincuencia extranjera.Como no se da cuenta? DEBE ACTUAR RÁPIDAMENTE Y DAR UNA SOLUCIÓN AHORA YA o tendrá un regadío de muertes en las calles de criminales extranjeros #SantiagoAgoniza #expulsion pic.twitter.com/WW0DNQUrl9— Crva 🇨🇱🇨🇱🇨🇱 (@Crva_01) December 2, 2022

Portugal

El aeropuerto de Países Bajos que se posiciona como el punto de llegada de las drogas mexicanas, el juicio de Genaro García Luna en EE. UU. y el análisis sobre el control del PCC en el narcotráfico en Portugal.

Esto fue lo más leído de la semana en https://t.co/101plggnNb 🧵👀 pic.twitter.com/Vmlcx8johR— InSight Crime Español (@InSightCrime_es) January 23, 2023

O futuro a Deus pertençe, ou talvez não

A história talvez não se repita, no entanto, estamos vendo o filme sendo passado novamente em outros prados. A evolução social que ora se processa em vários países pode ser barrada por uma narrativa.

Alexandre II foi morto em um atentado e as reformas por ele implementadas em muito se perderam. Ao escolher a obra de Timashevsky de 1858, quais foram essas as ligações vistas pelos editores do site IA Primavera Vermelha? Seriam essas?

Foragidos do Primeiro Comando da Capital estão em Portugal?

Foragidos da Organização Criminosa Primeiro Comando da Capital teriam Portugal como opção para se abrigar.

PCCs foragidos da Justiça: um novo destino

Foragidos integrantes das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) e Comando Vermelho (CV) estão se escondendo em Portugal — essa hipótese entrou no radar das autoridades lusas após a prisão de alguns integrantes do PCC.

Portugal pode parecer uma escolha óbvia pela facilidade linguística e por ser um ponto de interligação dos países africanos que servem de entreposto de distribuição de drogas vindas da América do Sul para a Europa, mas nem sempre foi assim.

A mudança ocorre pela soma de vários fatores: fugitivos com mais dinheiro; o aumento da importância de Portugal como porta de entrada do tráfico na Europa; e os entraves na legislação lusitana para o repatriamento de brasileiros.

Não é apenas em Portugal que as autoridades estão em alerta por causa da presença de pelo menos 40 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em território luso. Representantes do sistema de segurança dos países que integram a União Europeia não descartam uma possível guerra entre a maior organização criminosa brasileira com traficantes mexicanos que têm criado bases na Espanha.

Rosana Hessel para o Correio Brasiliense

Portugal e suas vantagens aos fugitivos do PCC 1533

Os destinos escolhidos dos foragidos da Justiça brasileira eram principalmente o Paraguai e a Bolívia, e em menor número, para outros países do Cone Sul. Para a África, Moçambique e Angola, e para Europa, Portugal e Espanha, iam os mais estruturados, os que tinham conhecidos por lá ou aqueles que pretendiam construir alguma ponte comercial.

No início, os PCCs que iam para o Paraguai fugindo das autoridades brasileiras chegavam aos poucos, apenas para se esconder, mas hoje é diferente: quem chega já tem trabalho garantido:

“El Primer Comando Capital” é o maior grupo armado atuando naquele país, e possui infraestrutura, armas, muita grana, plantações de maconha, distribuidoras de cigarros, está presente em todas as prisões do país, e influência na política.

A facção PCC 1533 no nordeste do Paraguai

No entanto, as operações conjuntas entre os policiais do setor de investigação e os de imigração e fronteiras perceberam um aumento significativo a partir do final de 2022 no número de fugitivos.

São cada vez mais evidentes os indícios de que brasileiros condenados no Brasil e foragidos da justiça se escondem em território português e que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) já montaram bases do outro lado do Atlântico.

Vicente Nunes para o Trend Detail News: Portugal seeks Brazilian fugitives hiding in the country

Tráfico Internacional: o roteiro da droga peruana da facção PCC

Tráfico internacional disputa o Departamento de Pando. Os peões nesse jogo são jovens que são usados como mulas no transporte da droga do Peru para o Brasil passando pela Bolívia.

O interesse do PCC na Bolívia começou em 2007 com o objetivo de estabelecer relações com narcotraficantes bolivianos e foi implementada inicialmente por aproximadamentes 100 integrantes da facção.

jornalista Allan de Abreu

Maldonado é um dos últimos municípios peruanos na fronteira norte com a Bolívia. Daí chega a cocaína produzida no Vale dos rios Apurímac, Ene e Mantaro (Vraem). Depois segue para Iñapari, que é município fronteiriço com Bolpebra, já em solo boliviano. Na frente está Assis, do lado brasileiro. Lá está a tríplice fronteira, no meio da selva amazônica.

A cocaína passa facilmente até Bolpebra e de lá são apenas 86 quilômetros até Cobija. O percurso é geralmente rápido e com poucos controles. Mukden é uma comunidade em Bolpebra e lá a Polícia realiza algumas operações. Uma recente foi a apreensão de cinco quilos de cocaína que passaram de Iñapari. O destino era Cobija e depois iria para o lado brasileiro. A pessoa que transportava a droga era um jovem que carregava os pacotes na mochila…

Leia a reportagem completa no El Deber de como ao Primeiro Comando da Capital e a gang local dos Choleros trazem para o Brasil, via Bolívia a maconha do Peru.

Bolívia: a facção PCC e o grupo criminal los Choleros de Pando

A disputa entre as organizações criminosas pelo controle do tráfico na fronteira entre o Brasil, o Peru e a Bolívia.

O banda criminal los Choleros disputa o estratégico eixo de tráfico de drogas do Departamento boliviano de Pando com o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) e facção carioca Comando Vermelho (CV).

O interesse do PCC na Bolívia começou em 2007 com o objetivo de estabelecer relações com narcotraficantes bolivianos e foi implementada inicialmente por aproximadamentes 100 integrantes da facção.

jornalista Allan de Abreu

Pando faz fronteira com o Acre, Rondônia, e Peru, além de dar acesso ao centro da Bolívia — controlar essa rota reduz o custo do tráfico devido ao menor risco de perda da liberdade, de investimentos e de vidas.

A capital Cobija se localiza ao lado dos núcleos urbanos brasileiros de Brasiléia e Epitaciolândia, e as organizações lutam também para tomar o controle do comércio local, como ilustra artigo do El Dia:

A comerciante boliviana Maria Eugenia Alavi Burgoa foi assassinada no Mercado Municipal de Epitaciolândia, (…) o crime teria sido executado pela facção Bonde dos 13 (B13) [até então] aliada do PCC. Ela levava produtos de Antofagasta (via El Alto) para a Zona Franca de Cobija e trocando com artigos brasileiros…

Explicando outro caso investigado, o chefe de polícia de Pando explica:

Há conflitos entre essas facções criminosas e eles cometem pistoleiros e acertam contas. Os Choleros se dedicam ao narcotráfico para ter controle ou poder.

Cel. Julio Monroy

O contexto da discórdia: Choleros, PCCs, B13s e CVs

O repórter Ivan Alejandro Paredes (El Deber) no artigo “Choleros, la mafia pandina que declaró la guerra al PCC y Comando Vermelho” que os Choleros se especializaram em aliciar jovens e adolescentes para atravessarem as fronteiras brasileiras com drogas, especialmente cocaína, mas agora o grupo disputa o controle e o poder territorial.

A organização criminosa paulista se associa às famílias e grupos locais bolivianos, seguindo a estratégia elaborada por seu líder Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que privilegia a construção de alianças baseadas em interesses comuns econômicos e de sobrevivência.

conheça o arco de alianças e de inimigos da facção PCC

A aliança com o PCC não vingou em Pando

Dentro desse contexto, como entender a disputa com o grupo criminoso local?

Tudo começa com com o assassinato pelo PCC de Jorge Rafaat Toumani no centro de Pedro Juam Caballero em 15 de junho de 2016 que quebra da antiga aliança PCC/B13/ADA/GDE contra CV/FDN.

Essa ação coroou a tentativa do controle hegemônico do mercado ilegal paraguaio por parte da facção PCC 1533, mas acabou criando dificuldades além das previstas para o grupo paulista.

últimas notícias do Primer Comando de la Capital na Bolívia

As peças se arranjando sem Rafaat Toumani

Ao contrário do que previram os líderes do PCC, a morte do megatraficante paraguaio enfraqueceu, mas não acabou com o Comando Vermelho — essa fragilidade criou problemas colaterais para seu aliado amazonense Família do Norte (FDN).

Passados oito anos, a situação no Paraguai continua indefinida e no Norte, na Rota do Solimões as mudanças não param de acontecer.

Inicialmente, o Primeiro Comando da Capital uniu-se a um grupo desmembrado da Família do Norte, denominada a Cartel do Norte (CDN), para eliminar os crias que resistiam da facção Comando Vermelho e do que sobrou da FDN.

O tempo desgastou essa vantagem inicial e a aliança com a Cartel do Norte foi desfeita. Resultando na retomada de vastas áreas pelo Comando Vermelho, incluindo Manaus e Rio Branco, expulsando crias do PCC parte em direção à Bolívia e outra de volta às suas regiões nativas no sudeste e sul.

Divisão, caos e espaço para Los Choleros

Essa disputa entre os grupos brasileiros e a dificuldade cada vez maior do Primeiro Comando da Capital em fechar novas alianças permitiu que o antigo aliado do Acre, o Bonde dos 13, no lado brasileiro da fronteira do Departamento de Pando, se declarasse neutra.

E do outro lado da fronteira de Pando, na Bolívia, o grupo local Choleros tomasse coragem e fôlego para enfrentar de igual para igual e ao mesmo tempo os dois mais importantes grupos criminais do Cone Sul.

Metodologia para o combate ao crime organizado e a facção PCC

Ciências Sociais estudando o fenômeno Primeiro Comando da Capital facção PCC 15.3.3

PCC 15.3.3 pesquisada pelo mundo

Vou propor um tema para ser estudado pelos acadêmicos: como o fenômeno Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) atrai pesquisadores dos diversos segmentos da ciência de maneira diversa em cada país?

Eu leio em torno de vinte trabalhos acadêmicos por mês, publicados nos mais diversos países e línguas que tratam ou citam o Primeiro Comando da Capital. Chama a atenção o fato de que, no Brasil, esses estudos são produzidos por sociólogos, psicólogos, antropólogos, pedagogos e até por teólogos.

Sendo o PCC 15.3.3 uma organização criminosa transnacional, não seria natural que quem estudasse esse assunto estivesse ligado às ciências criminais, como o direito ou a segurança pública? Li alguns trabalhos feitos no Brasil por profissionais dessas áreas, mas são poucos perto da enxurrada daqueles oriundos de outras ciências sociais.

Fora do Brasil isso não acontece: os trabalhos elaborados que citam o Primeiro Comando da Capital são ligados ao direito penal e carcerário, e no geral são brilhantes. Hoje apresento a tese de doutorado do colombiano Augusto Castañeda Díaz:

La Represión Penal del Crimen Organizado: Estrategias metodológicas para judicializar graves violaciones a los derechos humanos, para a Faculdade de Direito da Universidad Santo Tomás, de Bogotá.

A academia teme falar sobre o crime organizado

Bem, de cara a universidade tira o corpo fora:

“La Universidad Santo Tomás no tiene la intención de dar cualquier aprobación o desaprobación de las opiniones expresadas en esta tesis. Estas opiniones deben ser consideradas como propias de su autor.”

Se ela não endossa o cara, não serei eu a fazê-lo. O que posso dizer é que ele fala pouco, quase nada, sobre o Primeiro Comando da Capital, algo que em suma é isso:

“O PCC é uma organização criminosa focada em suas atividades econômicas e no controle territorial, e para isso utiliza-se de intimidação social, e criação e fortalecimento das conexões políticas. Possui aproximadamente 6.000 membros e tem como base as favelas de São Paulo, controlando de forma brutal a vida carcerária, ditando as lei nos cárceres e, se algum preso se opuser, pode perder a cabeça, literalmente. As ações incluem sequestros, incendiar ônibus, bancos e edifícios públicos, atacar a polícia e criar o caos por onde passa.” (tradução minha)

Díaz explicou que a razão pela qual falou tão pouco sobre o PCC foi que ele concentrou-se na criação de “estratégias gerais de como prever dentro das normas jurídicas” os crimes praticados pelos diversos tipos de grupos criminosos (gangues de rua, facções criminosas, ou grupo paramilitares), focando-se nas raízes metodológicas da investigação jurídica e do processo penal.

O autor afirma que não se preocupou em exemplificar crimes específicos, nem se preocupou em explicar e detalhar a lógica das atividades das organizações criminosas, mas apenas citar a natureza dos comportamentos, objetivos, e métodos, para permitir que o leitor de seu trabalho seguisse com ele o caminho pelo qual chegou às suas conclusões.

A Universidade não pôs a mão no fogo por ele, eu também não o farei, mas são 422 páginas de conteúdo jurídico de qualidade, nas quais o autor não fica por metade do trabalho repetindo velhos conteúdos e citações, se perdendo em contar histórias do dia a dia, mas, sim, foca-se em propor soluções práticas, embasadas em conhecimento jurídico.

Parceria 'Ndrangheta e PCC garante hegemonia no tráfico

Através da organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital a família mafiosa italiana ‘Ndrangheta unificou a rota de distribuição de drogas do Cone Sul para a Europa.

“Os corretores da máfia são tão poderosos que lidam diretamente com o PCC. Traficando da Colômbia, da Bolívia e do Peru, passando pelo Paraguai como rota de trânsito.” — Zully Rolón, ministro da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai

A parceria entre as duas organizações criminosas possibilitou que a ‘Ndrangheta passasse a hegemonia do tráfico de drogas da América para a Europa com o dominando 80% do fluxo.

A droga saída da Bolívia, Peru e Colômbia, chega no Paraguai e é colocado em containers que seguem por via terrestre ou fluvial/marítima para portos na Argentina (Buenos Aires), Uruguai (Montevidéu) e Brasil (Santos e Paranaguá) e desses para os portos europeus. — Última Hora

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