Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533)

Resumo histórico da formação da facção paulista Primeiro Comando da Capital.

A influência das facções criminosas no sistema penitenciário brasileiro, foi o tema do TCC de José Talles Guedes Pinheiro apresentado ao Instituto de Pesquisa e Ensino Objetivo, e em determinado ponto, ele se detêm para contar um pouco da história da facção paulista:

O Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista, surgiu em agosto de 1993, na Casa de Custódia e Tratamento “Dr. Arnaldo Ferreira”, em Taubaté, interior de São Paulo, conforme preconiza Roberto Porto em seu livro:

“Originariamente, o Primeiro Comando da Capital era o nome de um time de futebol que disputava o campeonato interno do presídio de Taubaté, na época estabelecimento apelidado pelos detentos como “Piranhão” ou “masmorra”, por ser considerado o mais severo do sistema. Os detentos da Casa de Custódia tomavam banho de sol apenas uma hora por dia, ao lado de um pequeno grupo de encarcerados, no máximo dez. Todos permaneciam em celas individuais, sem direito a visita íntima”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Continuando, Porto relata que

“Consta que ao chegar à final do campeonato, o time Primeiro Comando da Capital, integrado pelos presos denominados fundadores José Marcio Felício, o Geleião, Cezar Augusto Roriz, o Cezinha, José Eduardo Moura da Silva, o Bandeijão, Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra, dentre outros, resolveu, em vez de jogar futebol, acertar as contas com dois integrantes do time adversário, resultando na morte destes presos. Deste ato, que 24 tomou contorno de reivindicação contra as precárias condições do sistema prisional, se originou a facção criminosa”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Porto menciona um trecho, em seu livro, do relatório dos promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), quanto ao nascimento do PCC.

“Assim nasceu o PCC, cuja meta inicial era a prática de extorsões contra detentos e seus familiares, bem como determinar a realizar execuções de outros presos visando dominar o sistema carcerário, realizando o tráfico de entorpecentes no interior dos presídios e cadeias públicas. Com o passar dos anos a organização criminosa estendeu suas operações, passando também a realizar inúmeros crimes fora do sistema prisional”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Ao longo dos tempos a facção criminosa, PCC, manteve-se a mesma estrutura, basicamente piramidal, contando em seu topo com os chamados “Fundadores”, ou aqueles que, em virtude de seu mister criminoso, alcançaram uma posição de prestígio dentro da entidade criminosa, quer por matarem outros presos, quer por executarem ações cujo retorno fosse especialmente proveitoso para a organização.

Afirma Porto que essa estrutura piramidal do PCC fora alterada ao longo dos anos. “Esta estrutura piramidal foi alterada ao longo dos anos. Hoje, o Primeiro Comando da Capital é dividido em células, de modo a permitir a continuidade das atividades criminosas mesmo com o isolamento dos líderes”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Nesta base piramidal, ainda se compõe de integrantes em escala hierárquica inferior, os chamados “batizados”, denominados assim por aderirem ao estatuto da facção, estes membros são considerados ativos da sociedade criminosa. Ante a expansão da facção, foram criados, ainda, dentro dos presídios os cargos de “pilotos” e “torres”, presidiários que detém de poder dentro do presidio ou pavilhão como representantes dos fundadores.

O ano do apogeu desta facção foi em 2001, como afirma Roberto Porto:

“O apogeu desta facção criminosa adveio quando ocorreu a maior rebelião prisional da qual se tem notícia no mundo, a chamada “Megarrebelião”, em 18 de fevereiro de 2001. Tal rebelião envolveu 29 presídios com ações simultâneas. O governo estima em 28 mil o número de rebelados reunidos pelo Primeiro Comando da Capital, em 19 municípios”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

A proliferação desta facção, segundo o Ministério Público Paulista MP-SP, também foi possível devido a existência das chamadas “centrais telefônicas”.

“Ainda, segundo o Ministério Publico Paulista (MP-SP), a proliferação do Primeiro Comando da Capital só foi possível graças à existência das chamadas “centrais telefônicas”, expressão hoje já popularizada, e que consiste sempre em linhas telefônicas instaladas em locais quaisquer, programadas com o escopo de efetuarem a transferência de chamadas ou o que se denomina “teleconferência” (três pessoas falando ao mesmo tempo)”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

A facção criminosa, PCC, não se encontra delimitada somente no território paulista, mas já se encontra em outros estados, isto devido a transferência de lideranças do desta facção para outros estados, conforme Porto.

“Todavia, esta facção criminosa não se encontra delimitada em território paulista. A transferência de lideranças do Primeiro Comando da Capital para outros Estados permitiu uma expansão e sobretudo uma consolidação de alianças que resultaram em uma estrutura hoje nacional. Mas não somente a parte material e operacional foi desenvolvida; também a parte ideológica sofreu grandes alterações”.


Roberto Porto — Crime Organizado e Sistema Prisional

Atualmente, a nova liderança do Primeiro Comando da Capital é centrada na figura do detento Marcos Wilians Herbas Camacho, o “Marcola”, como menciona a revista ISTO É.

“Líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcola, 48 anos, nasceu na Vila Yolanda, em Osasco (SP). Órfão de mãe, não conheceu o pai e já roubava aos 9 anos, no Centro de São Paulo. Sua primeira condenação foi em 1987 por assalto à mão armada. Só foi preso em 1999 por participar de dois roubos a banco e cumpre pena em presídio de segurança máxima em Presidente Venceslau”.


Revista ISTO ÉOs donos do crime

Google Trends 2018 e a facção PCC 1533

O que os usuários do Google interessados na facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) buscaram em 2018 e o que podemos concluir destes resultados.

O Primeiro Comando da Capital prossegue firme e forte

Apesar do grande esforço da mídia, dos órgãos de segurança e dos políticos durante a campanha eleitoral, a facção PCC 1533 se manteve exatamente dentro de sua média histórica na década – 31 pontos:

 

PCC

CV

FDN

2018

31

13

10

2017

ano atípico

 

 

2016

32

13

6

2015

34

12

6

2014

46

16

2

2013

36

12

2012

29

5

2011

18

14

2010

22

6

Durante 2017 houve as grandes chacinas dentro do sistema prisional que se iniciaram com o ataque perpetuado pela facção Família do Norte (FDN) em Compaj, no Amazonas, culminando com a guerra dentro da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, e batalhas e assassinatos em carceragens por todo o país subvertendo o resultado, por essa razão optei por excluir os números desse ano na tabela.

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A facção PCC 1533 e seus aliados e inimigos

Em 2017 ironizei as facções inimigas:

“… os usuários do Google não vinculam o Comando Vermelho ao tema [crime organizado]… desculpa aí 2, no Google é tudo 3!!!”

Em 2018 os usuários do Google continuaram relacionando apenas o Primeiro Comando da Capital ao termo “Crime Organizado”; não por menos, este ano se aprofundou o racha dentro Família do Norte, e o Comando Vermelho (CV) perdeu espaço com a intervenção militar no Rio de Janeiro – E aí 2, valeu ostentar os pesadões nas biqueiras?

“Eu estou a lembrar da siciliana Letizia Battaglia, ela ficou famosa pelas suas fotorreportagens sobre a máfia siciliana, a secular Cosa Nostra, para as revistas norte-americanas que lhe pedem fotografias sobre a máfia, ela tem sempre a mesma resposta: ‘Eu não sei mais como fotografá-la, porque não a encontro mais’. Fotografias de máfia hoje não existem, a máfia siciliana ficou invisível, não mais promove ações espetaculares, não mais atacam as forças de ordem, e não mais produzem excelentíssimos cadáveres.”


Wálter Fanganiello Maierovitch

Os usuários do Google deixaram de referenciar as facções criminosas cariocas Comando Vermelho e Amigo dos Amigos (ADA) ao termo “facção criminosa”, o que pode estar refletindo perda de importância desses dois grupos após a intervenção federal no Rio e a guerra pelo domínio da favela da Rocinha:

Termo: “facção criminosa”

2018

2017

Primeiro Comando da Capital

11

12

Família do Norte

7

Comando Vermelho

1

5

Amigo dos Amigos

2

Primeiro Grupo Catarinense

2

Terceiro Comando Puro

1

O interesse do internauta reflete o poder midiático das facções

As facções criminosas no Brasil se dividem em nacionais, regionais e locais. As facções nacionais PCC, CV e FDN mantêm rotas de importação e exportação e abastecem as facções regionais e locais com armas e drogas.

Os números do Trends 2018 confirmam a previsão de Camila Nunes Dias de que a hegemonia da facção paulista nas prisões se refletiria nas ruas, afinal imagem é tudo. Os garotos querem pertencer a um grupo de sucesso e a pouca pesquisa das outras facções nacionais demonstram que está havendo a quebra do interesse por elas, inclusive nas quebradas onde suas crias são captadas.

O Rio de Janeiro continua lindo, mas não tão amigo

A surpresa dos números do Trends 2018 se deu pela desimportância atribuída pelo internauta ao Comando Vermelho enquanto facção criminosa, que passou a ter tanta relevância na rede quanto o Terceiro Comando Puro (TCP), outra facção regional aliada do Primeiro Comando da Capital que sequer apareceu no Trends 2017.

A expectativa de crescimento da facção Amigo dos Amigos, outra aliada regional do PCC no Rio de Janeiro, não se concretizou; ao contrário, devido ao apoio dado pelas forças de segurança para as milícias, somado à batalhas nos morros contra as facções inimigas em 2018.

A utilização dos braços regionais permitiu ao PCC ser ignorado pelo carioca que pesquisa “facção criminosa”, mas os dois aliados regionais da facção, pela primeira vez, superaram individualmente o Comando Vermelho:

Terceiro Comando Puro

78

Amigo dos Amigos

50

Comando Vermelho

43

Primeiro Comando da Capital

21

Os usuários perderam interesse na facção inimiga Primeiro Grupo Catarinense (PGC) que chegou a aparecer na listagem de 2017, quando a facção capixaba que tentou barrar o Primeiro Comando da Capital, que buscava garantir o livre trânsito dos insumos oriundos do Paraguai, criar novas rotas alternativas para a exportação pelos portos de Santa Catarina e dominar os presídios.

Trends capixaba

2018

2017

Primeiro Comando da Capital

35

7

Primeiro Grupo Catarinense

24

21

Listagem das facções aliadas, inimigas e neutras → ۞

O internauta que se interessou em pesquisar sobre o PCC em 2019 queria saber mais a respeito do seu líder, do funcionamento do grupo criminoso e sobre os principais inimigos da facção.

Assim como no ano anterior, as pesquisas feitas por meio das palavras “homicídio”, “roubo”, “assalto”, “insegurança”, “assassinato”, “morte” não foram vinculadas ao PCC ou ao crime organizado, mas…

… diferentemente de 2017, o Primeiro Comando da Capital deixou também de ser uma referência nas pesquisas feitas sobre os termos “sistema prisional” e “sistema carcerário”, refletindo a pacificação imposta pela facção sobre as trancas sob seu domínio, a separação mais criteriosa feita pelos agentes públicos e o acordo tácito com as facções inimigas.

Personagens ligados à facção paulista

Apenas os nomes de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, tiveram relevância nas pesquisas vinculadas ao PCC, além é claro do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Qual é a música?

Pelo segundo ano consecutivo, o grupo musical Facção Central supera os Racionais MC’s e Mc Zóio de Gato nas pesquisas feitas pelos usuários.

A imprensa e a facção PCC

Nenhum órgão de imprensa se destacou esse ano, em oposição ao que aconteceu em de 2017, quando a UOL chegou a ser citada como referência de busca para questões sobre a facção criminosa paulista.

A pesquisa pela facção por estado da federação

Os sul-matogrossenses, que sequer pesquisavam sobre o termo “Primeiro Comando da Capital” em 2017, passaram a liderar como os usuários que mais procuram sobre o tema. Além das ações policiais tentando desarticular o braço da Rota Caipira que passa por lá, também houve destaque nas mídias das ligações da facção paulista com as forças policiais, que chegavam a disponibilizar escolta com viaturas oficiais para caminhões com contrabando de cigarros.

O Ceará manteve a posição de destaque devido à guerra entre facções que ainda impera por lá, onde o Primeiro Comando da Capital e seu aliado Guardiões do Estado (GDE) disputam palmo a palmo os corações e as almas dos jovens nas periferias.

Mato Grosso do Sul

100

Ceará

77

São Paulo

55

Alagoas

46

Bahia

29

Pará

29

Amazonas

28

Goiás

27

Santa Catarina

26

Maranhão

23

Paraíba

23

Minas Gerais

21

Paraná

21

Mato Grosso

20

Rio Grande do Norte

20

Distrito Federal

18

Espírito Santo

17

Rio de Janeiro

17

Pernambuco

16

Rio Grande do Sul

8

Os estados do Acre, Maranhão, Piauí, Rondônia, Roraima, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Tocantins, devido à baixa taxa de acesso à rede, não tiveram relevância na pontuação, por isso ficaram de fora da listagem. No entanto, o Alagoas teve um número significativo de pesquisas pelos termos “facção PPC” e “PCC 1533″.

O nome da facção paulista no Brasil e no mundo

O termo “Primeiro Comando da Capital” se tornou mais homogêneo, sendo preferido pela metade dos usuários em todas as regiões do país, ao contrário de 2017, quando os termos “Facção PCC” e “PCC 1533” tinham o mesmo índice de busca.

A tendência entre os povos de língua espanhola segue no caminho da unificação do termo para “Primer Comando Capital” em vez de “Primer Comando de la Capital”, que hoje só é predominante na Colômbia e ocasionalmente na Argentina e no Chile.

As nações latinas que mais buscam informações sobre o grupo criminoso foram: Paraguai (100), Bolívia (24), Argentina (5) e Colômbia (?).

A busca pelos termos em inglês “First Commander of the Capital” e “First Capital Commander” não tiveram relevância em 2018, esse segundo ainda foi consultado com alguma frequência este ano no Reino Unido e no ano passado na Dinamarca.

No exterior as pesquisas pelo termo em português “Primeiro Comando da Capital” foram feitas em 2018 principalmente em Portugal, Países Baixos, Taiwan e Itália. A surpresa ficou por conta da entrada na lista do país asiático que desbancou a tradicional Argentina.

A facção PCC, a polícia e o Contrato Social

A polícia e o Primeiro Comando da Capital gerenciando as normas nas comunidades carentes paulistas.

São Paulo, Zona Norte, dia molhado

A vida não é difícil e nem fácil, mas é cheia de regras que precisam ser seguidas para se caminhar em paz. Isso vale para mim, para você, para os crias do 15 e para a população das comunidades da periferia, mas para os que seguem as regras está suave.

É a lei do certo pelo certo e o que é errado será cobrado.

Toda vez que vou à região do Jaraguá na Zona Norte de São Paulo eu me perco. Por isso planejo cada passo antes de sair:

“… chegando na pracinha ‘que dá pros’ predinhos deixo o carro, vou o resto do caminho a pé, encontro o aliado, entro e saio da comunidade (um pé lá e um pé cá) – simples assim.”

Já estava escurecendo quando cheguei. Havia um grupo de garotos tomando cerveja próximo de onde eu havia planejado deixar o carro. De boa, quem não é visto não é lembrado, e se eu deixasse o carro ali toda viatura que passasse iria consultar a placa – melhor não.

Rodei mais dois quarteirões e parei na Lourenço Matielli, ali ninguém botaria reparo na placa de fora.

Onde citei nesse site favelas e comunidades → ۞

A imprensa obriga a polícia apresentar resultados

Deixei o carro, segui a pé até a entrada da comunidade onde o aliado estava me esperando, e entramos na comunidade.

Ao contornar o campinho, escorreguei em uma tábua molhada: ninguém riu, ninguém ajudou, ninguém disse nada – me levantei, seguimos e resolvemos a parada.

Eu só estava lá de passagem, jogo rápido, mas o aliado aconselhou que eu ficasse ali até seus familiares irem para o culto. O clima estava pesado e não dava para sair de lá sem trombar com alguma viatura, e eu sendo de fora de certo seria parado.

Não carregava nenhum bagulho comigo, mas regras são regras, e é melhor não dar sorte para o azar. Normas de conduta existem para serem seguidas, elas garantem a paz na comunidade e a segurança de todos.

A quebrada estava molhada, e desde que começaram a procurar Amanda qualquer deslize poderia entornar o caldo.

Era polícia para todo o lado depois que o caso ganhou espaço na televisão e chamou a atenção da mídia para a comunidade, e isso é ruim para todos.

A polícia querendo resultados pressionava até morador que nunca se envolveu com a criminalidade – patifaria com a população, a cara deles.

Ninguém comentou nada quando escorreguei, assim como ninguém falaria nada sobre o caso do desaparecimento de Amanda, a ex do irmão Vampirinho do PCC, principalmente depois que começou a correr o boato que ela estaria pagando de X9 para a Civil:

Dicionário da facção PCC 1533

42. Traição:

Caracterizado quando um integrante da organização leva informações para outras facções ou para a polícia…

A punição para caguetagem é a morte

Enquanto a polícia não encontrasse os corpos a pressão continuaria. Alguém teria que vazar a informação para dar chance para os agentes acharem o local, mas se nem assim isso fosse resolvido, alguém ia ter que pular na frente e assumir o B.O. para restabelecer a paz. – é assim que funcionam as coisas da ponte para cá.

A imprensa teria cenas para colocar no noticiário, os policiais iam pousar de Charles Bronson, os negócios voltariam a fluir suave e a população não ia ficar mais na pressão – só que alguém ia ter que assumir o B.O. voluntariamente, é a lei do PCC 1533.

Onde citei nesse site a imprensa → ۞

O proceder do certo pelo certo

Alguns dizem que ela não morreu por passar informações à polícia.

Amanda, ao romper o relacionamento com Vampirinho, se envolveu com Dentinho, um outro homem do mundo do crime, mas não é assim que se “corre pelo lado certo da vida errada”, e ela conhecia o proceder da facção.

“Assim como as mulheres são consideradas propriedade do homem, sua vida e sua morte são mantidas pelo homem.”

Existe todo um proceder a ser seguido para estar dentro do código de ética do crime, e Dentinho, sendo criminoso, também tinha a obrigação de conhecer:

  • Para não cair na talaricagem, Dentinho teria que ir falar com o ex-companheiro de Amanda para tirar a limpo a história da separação, para só então ficar com ela.

A facção Primeiro Comando da Capital é por sua natureza machista, e uma mulher ao se unir a um companheiro não pode simplesmente lhe dar as costas e trocá-lo por outro – a cobrança pela talaricagem fica a critério do prejudicado após a análise do Sintonia.

Eu não sei o que aconteceu por lá, o que sei é que Amanda e Dentinho desapareceram e que quatro corpos foram localizados enterrados na mata depois que a Guarda Civil Municipal recebeu uma dica de onde eles estariam – vamos ver se agora diminui a pressão.

Como o PCC lida com as mulheres → ۞

Contrato Social: a etiqueta da sobrevivência

Por estar circulando fora da minha quebrada, eu poderia até morrer ou ser preso, com sorte apenas levar um esculacho ou tomar um salve, ou, no mínimo, ter que dar explicações para os integrantes da facção ou da polícia. Tô fora!

  • Você imagina que só é morto, preso ou leva esculacho da polícia quem corre pelo lado errado da vida? – garoto inocente.
  • Você imagina que só pode tomar um salve ou ter que dar explicações para integrantes da facção quem for do crime? – acorda para a vida.

As pessoas que conheci naquela comunidade não sabem o que Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau disseram sobre o Contrato Social, mas elas sabem que não devem rir, ajudar ou fazer comentários quando uma visita escorrega numa tábua.

Ao abrir mão dessas pequenas liberdades privadas a comunidade garante em troca proteção contra aqueles que possam roubar, extorquir, matar ou estuprar na favela e nos predinhos.

Hobbes, Locke e Rousseau chamariam isso de Contrato Social, mas aquela gente que mora ali não chama de nada, apenas segue as regras, e todos continuam sem problemas – simples assim.

Eu, sendo uma visita naquela comunidade, tinha meus privilégios, mas deveria evitar encontrar com os representantes do Estado constituído (polícia) ou do Estado paralelo (facciosos) – se um me parasse e o outro visse, sujaria para meu lado. Tô fora!

Onde citei nesse site o Estado paralelo → ۞

Finn e Monique explicando nossas escolhas

Sabemos que é assim que a coisa funciona, mas Finn Stepputat e Monique Nuijten no artigo Antropologia e o enigma do Estado, publicado na obra Handbook of Political Anthopology, explicam as razões pelas quais as coisas acontecerem dessa forma.

Se você duvida que as coisas acontecem como estou lhe contando ou que Finn e Monique não estão certos em suas conclusões, não se preocupe, afinal os pesquisadores se basearam em Giorgio Agamben, que afirmou certa vez:

“Acredite em tudo que eu disse, não acredite em nada. Aprenda a diferenciar fatos e opiniões pessoais. Faça sua PRÓPRIA pesquisa, então, ESCOLHA no que acreditar.”

… ou talvez Giorgio não tenha dito isso – talvez seja uma opinião pessoal minha ou de outra pessoa qualquer. Pensando bem, é melhor você fazer sua própria pesquisa e só então escolher se acredita ou não em mim e em Finn e Monique.

A banalização da morte

Quando da morte de Marielle Franco, circularam pelas redes sociais fotos com uma garota sentada no colo de um homem e a frase: “Marielle e Marcinho VP, a santa da Globo e seu namorado” – tem gente boa que vai arder no inferno por ter compartilhado essa foto.

“Será possível que algumas vidas sejam consideradas merecedoras de luto, e outras não?”

Há quem comemore quando um ladrão, traficante, talarico, político, policial, inimigo, pederastra, empresário ou comerciante é morto pela ação legal ou ilegal do Estado: pelas mãos de policiais ou membros de facções criminosas – talvez seja este o seu caso.

O fato de aceitarmos cada vez com maior naturalidade que o outro seja morto é uma consequência natural de nossa paulatina imersão em um Estado de exceção – aquela história do sapo na água fervendo.

Ninguém daria a mínima se eu desaparecesse naquela quebrada da Zona Norte, assim como ninguém está preocupado com toda aquela população que vive à sombra de dois Estados, que impõem suas regras em troca de uma suposta garantia de segurança.

Para horror de Judith Butler, matar deixou de ser o ápice da desigualdade social para se tornar uma ferramenta de controle social aceita tanto por aqueles que vivem nas áreas de risco quanto por aqueles que assistem de longe, pelas telinhas da tv ou pela internet.

Martin Buber explica como funciona esse poder intrínseco do homem de negociar na prática sua liberdade em relação ao outro dentro de cada ambiente, tipo assim: não rir de uma visita que escorrega ou não comentar o que se sabe para quem não se deve.

Pode parecer hipocrisia ou foucaultionismo, mas esse nosso poder de gerir de forma calculista nossa vida é o que aos poucos nos trouxe para esse ponto onde estamos.

Onde citei nesse site Marielle Franco → ۞

Os efeitos de 11 de setembro da ponte para cá

Erra quem acredita que nós não fomos atingidos pelos aviões em 11 de setembro de 2001.

Aquele clima pesado que pairava sobre a comunidade na Zona Norte de São Paulo e que me obrigava a esperar o melhor momento para sair era apenas um dos reflexos na comunidade do ataque às Torres Gêmeas – se bem que ninguém por lá dava conta disso.

Há tempos, os Estados paralelos passaram paulatinamente a criar regras e a cobrar obediência para garantir a segurança das comunidades às quais pertencem, sob os aplausos de muitos e o silêncio da maioria, isso mesmo antes de 11 de setembro, mas…

… após o atentado da Al Qaeda, o Estado Constituído em diversos países, aos poucos, passou a questionar direitos e a tolerar abusos por parte de seus agentes, sob os aplausos de muitos e o silêncio da maioria, com o pretexto de manter a paz.

Por causa disso, policiais e facciosos estavam ainda mais empoderados para cobrar de mim e de qualquer outro que seguisse suas regras de comportamento, e eu estava lá, entre um e outro, mas a quem recorrer? Ao Chapolin Colorado?

Meu soberano deve me proteger, e é por isso que aceito seu jugo e suas ameaças – pelo menos é o que Hobbes me garantiu. Pode parecer uma posição hipócrita, mas, conscientemente ou não, é o que eu e você fazemos todos os dias.

Como foi descrito por Charles Tilly, a população da comunidade da Zona Norte sabe que deve obediência aos policiais que representam o poder da legalidade, mas também devem aos criminosos locais que efetivamente garantem a segurança no dia a dia.

Eu não preciso que Charles me diga que nesses tempos pós 11/9 a vida é menos valorizada, tanto pelos agentes do governo quanto pelos faccioso, e por isso esperei para sair em um momento em que não encontrasse nenhum deles pelo caminho.

Onde citei nesse site sociólogos → ۞

Nem todos podem ser mortos assim sem mais nem menos

Giorgio Agamben afirma que eu, Amanda, Dentinho e os garotos das favelas e das comunidades estamos na lista dos matáveis, mas nem todos têm “vidas nuas”, desprotegidas, que estão sujeitas à execução sem a punição dos matadores.

Giorgio só não negou o inegável

Enquanto alguns, entre eles talvez você, negam que estejam sob o jugo de algum poder soberano, Giorgio analisou os limites que essa elite se impõe e descobriu a lógica aplicada por esses grupos para separar quem pode ou não ser morto.

“Elite” talvez não seja como você descreveria um grupo pequeno de policiais ou criminosos que advogam para si o poder de decidir quem vive e quem morre, mas são eles que controlam os bens mais preciosos dos homens: sua vida e sua liberdade.

Giorgio chuta para o escanteio a noção de que o soberano é aquele que detém o poder legal, reconhecendo a soberania naquele que tem a “capacidade de matar, punir e disciplinar com impunidade”.

A vida nua não pode ser magra

Caroline Humphrey no entanto alerta que a vida pode “ser nua”, como afirma Giorgio, mas que esse conceito não pode ser entendido sem uma análise profunda de cada “modo de vida” em cada comunidade.

Eu sabia, mesmo sem que Caroline me dissesse, que naquela comunidade eu poderia ser punido por infringir uma das normas não escritas mas aceitas por algum daqueles soberanos, e ficaria por isso mesmo, sem punição para meus algozes.

Onde citei nesse site o Tribunal do Crime → ۞

A tênue separação entre a realidade e a utopia

Em um mashrut na Mongólia ou em uma van irregular nas periferias brasileiras existe um universo real colorido convivendo com a utopia dos que enxergam o mundo em preto e branco – Lei! Ora, a lei.

Dentro de cada um daqueles veículos, assim como nas comunidades, as regras de conduta são aceitas ou toleradas pelos passageiros, acima mesmo das leis formais da sociedade, para que essa tênue película que separa o real do utópico não seja rasgada.

  • Experimente tirar a camiseta em uma van e se sentar ao lado de uma garota: a regra de conduta daquela comunidade não aceita. Diga que você está amparado pela Constituição Cidadã de 1988 (desculpe se me rio: kkk).

Cada proprietário de van ou de mashrut é um pouco soberano, mas responde a um grupo maior que garante sua soberania. Da mesma forma ocorre em comunidades urbanas e rurais com soberanos locais, ligados ou não ao governo oficial.

Cada nicho social abandonado pelo Estado de direito a sua própria sorte cria sua malha social com soberanos locais chancelados pela autoridade do Primeiro Comando da Capital ou alguma outra organização criminosa, como ressalta Graham Willis:

“[Impondo] sua própria violência estrutural, toda institucionalizada e simbólica”.

Assim, seus representantes, da mesma forma que os policiais, têm autoridade para fazer o uso da força e decidir quem poderá entrar na lista das vidas (in)desejáveis ​​e “mortais”.

A morte por consenso desnudada por Graham vale tanto para policiais quanto para criminosos, tanto para vítimas como para algozes. Aqueles que decidem sobre quem vive ou morre em uma comunidade também são mortos impunemente.

Do ponto de vista de Graham, não há dois soberanos, mas sim uma soberania consensual, em que o Estado de direito aceita a regulação da violência por “outros regimes” apenas quando é de seu interesse.

Então tá, mas, para mim, não muda nada. Vou ter que baixar a cabeça e responder às perguntas dos representantes do soberano ou do suserano, que podem decidir impunemente sobre minha vida ou minha liberdade.

Onde citei nesse site realidade e utopia → ۞

Junto com os crentes para evitar a polícia

Eu só pensava em sair de lá de boa e o mais rápido possível. Chegou a hora do culto e a família do aliado com seus trajes de igreja caminharam comigo a reboque – eu não estava muito no estilo “crente”, mas dava para passar batido.

Para quem mora em condomínio parece natural ter seguranças para impedir a ação de criminosos dentro de suas muralhas, assim como para quem mora em uma comunidade também parece natural que os traficantes locais mantenham a ordem na quebrada.

Isso não acontece apenas aqui – afirmam Finn e Monique.

O que horroriza não é o fato da facção PCC 1533 tomar para si parte da segurança pública, mas desnudar esse acordo tácito entre o Estado de direito e o poder paralelo, que desde sempre esteve nas mãos de policiais corruptos, vigilantes, milicianos ou gangues locais.

O Estado se apresenta como representante único e legítimo, mas os detentores da soberania local, mesmo que na ilegalidade, por vezes estão mais afinados ao “sistema de valores locais compartilhados” pelas comunidades, e daí sua aceitação tácita.

Ao contornarmos os predinhos passamos por um grupo de rapazes sendo abordados por duas viaturas da força-tática. Nem preciso descrever a cara que o policial que fazia a segurança da equipe fez em nossa direção.

Acostumados, o casal e as crianças nem ligaram – normal para eles, para mim, te conto o que pensei:

“É assim que pensam em formar um Estado unificado, onde o cidadão trabalhador se sente protegido pelo poder legal? Firmeza, vai nessa! Ponto para a criminalidade.”

No mundo real da comunidade, as pessoas andam dentro das regras de um Estado dividido e terceirizado, enquanto a mídia e os burocratas ficam atrás de suas mesas escondidos sob montanhas de procedimentos, ideologias e números, vivendo em um mundo utópico.

Onde citei nesse site a opressão do sistema → ۞

Glauco e o novo membro da Família 1533

Me despeço da família e agradeço pela companhia, que me livrou do possível transtorno e do constrangimento de passar por uma geral da polícia ou ser chamado para o debate pelos garotos da comunidade.

No caminho de casa, já na Rodovia Castelo Branco, me lembrei de Glauco, não o cartunista, mas de Glauco Barsalini, que escreveu “Estado de exceção permanente: soberania, violência e direito na obra de Giorgio Agamben”.

  • “OK Google, me lembre amanhã de perguntar ao Dr. Barsalini na padaria Santo Antônio se o Glauco da PUC-Campinas é parente dele.”

O que me fez lembrar da tese de Glauco foi a cara de satisfação de dois rapazes que estavam de farda naquela abordagem policial na Zona Norte de São Paulo enquanto conduziam um dos aviõezinhos preso por tráfico de drogas na quebrada.

O trabalho do acadêmico aponta como consequência desse encarceramento em massa o surgimento e a expansão das organizações criminosas e o que aquelas “pessoas que vivem em comunidades pobres pensam sobre o crime e o policiamento”.

Assim como Finn e Monique, Glauco busca entender o crime organizado em um contexto global e contemporâneo, evitando se contaminar pelo ambiente provinciano que acredita que o fenômeno PCC 1533 é uma criação fora da realidade mundial e de seu tempo.

Ao chegar na segurança de meu lar, depois de resolver as responsas que tinha acertado com o aliado, fui para meu merecido descanso, tão satisfeito quanto aqueles dois policiais que levaram o garoto para ser doutrinado na filosofia da Familia 1533.

Como diria minha velha amiga Odete de Almeida: “É prá cá bá”

Onde citei nesse site a opressão do sistema → ۞

Falta cocaína no varejo – causas e consequências

Está faltando pó nas biqueiras paulistas, e as consequências já podem ser sentidas dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).

Um atraso inesperado na fronteira

Quem não tem nada para falar deve ficar de boca fechada, e por isso não te dei mais notícias. Então, vim aqui só para dizer que meus dois parceiros morreram e te aconselhar a tomar cuidado para não seguir o mesmo destino.

“Descansem em paz, guerreiros, onde estiverem, sei que estarão olhando por nós aqui.”

Eu estava de mau humor quando almocei pela última vez com Brunão e o De Lua. Eu gosto de almoçar nesses restaurantes na beira da estrada, próximo à janela, vendo a liberdade lá fora – liberdade é tudo de bom, mas eles decidiram que iríamos almoçar na cidade.

Pararam no Restaurante da Dona Ilda em Coronel Sapucaia. O lugar era perfeito: ambiente familiar com pessoas tranquilas. Chances de sermos abordados ali: zero. Além disso, nunca comi um prato caseiro tão bom, e ainda fomos muito bem atendidos por lá.

Não havia pressa, teríamos que esperar até o dia seguinte para acompanhar o caminhão que traria mercadoria da fronteira do Paraguai para São Paulo.

O plano inicial era escoltar o caminhão do momento em que a carga chegasse de Capitán Bado até encostar no galpão na Zona Leste de São Paulo. Sairíamos no final da tarde e chegaríamos antes do dia clarear, só parando para abastecer.

Percorrer 1.200 quilômetros à luz do dia não me parecia muito promissor, mas a paga seria boa, e não dava para voltar atrás.

Onde citei nesse site o Paraguai → ۞

Chuva forte na Bolívia seca as biqueiras paulistas

Já no Restaurante da Dona Nina conheci alguns brasileiros que trabalhavam na Bolívia e estavam por lá de passagem, e o que me contaram me pareceu mentira, mas não era: a falta de cocaína em São Paulo estava sendo causada pela chuva na Bolívia.

Eles  que dos cinco caminhões que haviam conseguido carregar com as folhas de coca, apenas dois chegaram ao seu destino. Os demais acabaram atolados, e suas cargas foram perdidas ou se tornaram imprestáveis.

Milhares de hectares de plantação da coca foram dizimadas pelas tempestades, muitas delas de granizo, destruindo todo o esforço dos campesinos para a contenção de danos às plantações – este foi o ano mais chuvoso dos últimos 50 anos.

As tempestades conseguiram o que Lincoln Gakiya e seus colegas do MP-SP há muito prometem: derrubar o tráfico de cocaína em solo paulista e colocar em risco toda a estrutura da facção Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).

Antes de seguir para Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul, fomos avisados que os militares estavam tomando a região da fronteira, o que poderia dificultar o acesso. Quanto a isso estávamos preparados, mas não tínhamos como nos contrapor ao clima.

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Tombou: toneladas de maconha pelo solo

Nosso trunfo para burlar a fiscalização e os militares acabou sendo a causa de nosso fracasso. Não que ele não tenha feito sua parte, mas foi por orientação dele que pegamos a estrada durante o dia e não à noite, como pretendíamos.

A engrenagem entrou em movimento às nove e meia da manhã e só deveria parar às onze da noite. À uma da manhã já estaríamos em casa.

O Ecosport prata seguido do caminhão entrou na MS-289 em direção à Amambaí, e nós passamos a escoltá-los à certa distância. O batedor havia garantido que não seríamos parados pela fiscalização na estrada, pelo menos no Mato Grosso do Sul.

A manhã estava nublada, sem chuva, mas a pista estava escorregadia – foi o que bastou para que tudo desse errado logo no começo da viagem.

Vimos apenas o caminhão fazendo uma manobra brusca e saindo da pista, sem mais nem menos – talvez tenha sido uma distração do motorista com o celular, um buraco ou um animal –, nós o vimos apenas entrar no barreiro e tombar, simples assim.

Chegamos juntos com o batedor que voltou pela pista de ré. Ele levou o motorista do caminhão para a Ecosport e deu pinote enquanto nós recolhemos o que deu em nosso veículo – De Lua queria recolher mais, mas Brunão ameaçou deixá-lo por lá.

Dias depois ficamos sabendo que o motorista do caminhão e o batedor acabaram sendo presos na primeira barreira policial ainda em Amambaí. Nós caímos pelo Paraná e chegamos em segurança – pelo menos o que recolhemos deu para garantir o nosso.

Onde citei nesse site o Mato Grosso do Sul → ۞

Seu aliado agora pode ser seu inimigo – Brunão morre

Essa foi a última vez que vi os dois com vida. De Lua e Brunão continuaram juntos em diversos corres de roubo de carga e tinham o mesmo fornecedor fixo de pó, mas agora estavam com problemas para receber a mercadoria.

Ambos resolveram procurar, através dos irmãos conhecidos, outros fornecedores, mas cada um fez seus corres sem falar com o outro:

  • De Lua acabou chegando a uma companheira chamada Equidna. Deixa eu explicar, “companheira” não é a mulher de um irmão do PCC, estas são conhecidas como cunhadas: companheiras são as garotas que correm junto nas fitas.
  • Brunão chegou a um irmão que ficou de fazer a entrega em Sorocaba.

Brunão, o primeiro a rodar.

Chegou no local combinado, mas caiu nas idéias do irmão: entregou o dinheiro e ficou aguardando enquanto ele ia buscar a mercadoria.

Estaria esperando até hoje se ainda estivesse vivo.

Quando percebeu que caiu em um golpe, voltou sem nada para casa, furioso. Tentou recuperar o prejuízo, mas já era tarde, acabou sendo encontrado morto em seu carro.

Talvez o dinheiro que ele perdeu não fosse dele, talvez ele ameaçou quem não devia, ninguém sabe – o fato é que foi morto.

A trairagem e os golpes sempre existiram dentro da Família 1533, como acontece em qualquer outra família. A facção para controlar o sangue dos criminosos que ferve dentro de cada membro da organização criou regras de conduta, mas um lobo sempre será um lobo.

→ conheça o Estatuto do Primeiro Comando da Capital

→ conheça o Dicionário do PCC (Código Penal do Crime)

Agora os lobos estão esfomeados, e os carneiros estão escassos, e esse é o momento em que Charles Darwin fala mais alto: “a seleção natural não é a lei do mais forte, é seleção daqueles que estão mais bem adaptados para sobreviver”.

Brunão, você não foi selecionado, só lamento, guerreiro. Aqueles que colavam contigo prometeram vingança, mas o tempo e as dificuldades resfriam os ânimos, e mesmo agora, poucos dias depois de sua morte, poucos ainda falam sobre te vingar.

Onde citei nesse site trairagens e golpes → ۞

Peloponeso fica na Zona Sul de São Paulo

De Lua, por sua vez, foi à Zona Leste de São Paulo buscar sua encomenda: trinta mil reais de puro pó, sobre o qual ele já havia feito o teste e comprovado a qualidade. Mas em época de crise não se pode confiar nem mesmo na própria sombra.

O que lhe foi entregue era puro lixo. Sequer deveria ter 20% de pureza, mal poderia substituir a maizena como mistura. Trinta mil reais jogados fora. Porém, ao contrário de Brunão, De Lua tinha um nome para correr atrás: a companheira Equidna.

Eu pensei que Equidna fosse nordestina, por causa do nome, mas ela é paulista mesmo, e mãe de perigosos membros da facção. Quem me contou mais sobre ela foi Hesíodo, e foi ele quem contou a De Lua como encontrá-la:

“No Jardim Solange, na Zona Sul de São Paulo, vai pela Estrada do M’Boi Mirim até o COPAGAZ, daí quebra à esquerda em uma rua sem saída. Tem uns galpões do lado esquerdo, mas ela fica mocosada mesmo no morro no fim da rua Peloponeso.”

Não foi por falta de aviso. Hesíodo e seus amigos disseram para De Lua deixar quieto, que ela era mais perigosa até mesmo que seus filhos mais perigosos, mas ele não escutou, ele não era disso. Pegou sua moto e partiu para trocar umas idéias com a companheira.

Dessa viagem apenas seu corpo voltou. Acredito que tenha ainda sido socorrido com vida, pois Leonardo chegou a publicar com detalhes em seu site o que aconteceu, desde que ele chegou ao Peloponeso até quando perdeu a consciência.

Onde falei nesse site sobre as companheiras do PCC → ۞

Os últimos passos do guerreiro

Acredito que Leonardo tenha tido acesso aos registros policiais e às declarações do pessoal do resgate do SAMU, pois têm muitos detalhes que só De Lua poderia ter contado. Leonardo escreveu algo mais ou menos assim:

“Ninguém que entrava naquela parte do Peloponeso em busca de Equidna retornou com vida. De Lua, um pequeno traficante do interior resolveu realizar tal façanha, para alguns foi coragem, para outros mera estupidez.

Assim que parou sua moto, se dirigiu para um grupo de rapazes que ali estavam. Quando citou o nome de Equidna, ele percebeu que o clima fechou. Sabia que devia ter saído de lá naquele momento, ou melhor, nem devia ter ido até lá.

Atrás dos garotos havia uma passagem para dentro da favela, e para qual seguiu sem ser impedido ou seguido.

Seria entrar e sair, afinal aquela favela não podia ser muito grande: havia a estrada do M’Boi Mirim e do outro uma vasta área verde que devia ser um parque de manancial.”

“Nas comunidades normalmente tem muita gente pelas vielas, se ouvem vozes, música e o som dos rádios e televisores, mas ali quanto mais seguia pelas vielas, maior ficava o silêncio.

A noite era de lua, e em São Paulo não há escuridão. A própria luz da cidade ilumina até as ruas onde não há nenhum poste ou janela aberta, mas aqueles becos pareciam cada vez mais escuros.

Parou, tentou se orientar pelos sons, mas não conseguiu. Acendeu a lanterna do seu celular, e colocou a mão em seu 38 que estava sob a camiseta. Queria sacar a arma, mas sabia que podia encontrar uma criança na comunidade – melhor não.

Estava preparado para qualquer desafio, mas sentia algo que não era normal. Não era medo, era uma ansiedade muito forte, uma angústia que ele não conseguia descrever mas que parecia uma bola no seu peito.

A luz da lanterna de seu celular brilhava forte, mas não conseguia iluminar mais que as paredes de alvenaria da favela. O caminho se inclinava para baixo, e depois de descer por alguns minutos ele já estava totalmente perdido.

Primeiro bateu em algumas portas, depois as esmurrava e chutava, mas ninguém respondia. Nenhuma luz saía por de baixo das portas ou pelos vãos das janelas.”

Seguindo em frente, mas sem rumo

“Quanto mais o guerreiro andava, mais parecia que havia para andar. Chegou a virar em curvas que sequer existiam, indo de encontro a paredes – nada o ameaçava, mas sua angústia e seu desespero já o sufocavam.

Caminhava cada vez mais rápido, mas de repente parou, e uma rajada de ar arrepiou seu corpo e gelou sua alma, fazendo-o questionar se sua decisão de entrar ali teve algum mínimo de sensatez.

Deu mais um ou dois passos e viu que estava na beira de um barranco. Se virou para voltar, mas ficou parado no escuro, sentia que havia mais alguém ali mas não conseguia enxergar nada naquele breu.

Sacou a arma e apontou para frente. Esticou o braço que segurava a lanterna do celular para tentar ver um pouco à frente.”

O encontro com Equidna

“Um rosto feminino apareceu, iluminado apenas por sua lanterna, era Equidna. Eles se olharam, olhos nos olhos. Ela sorriu mostrando dentes irregulares e sem ameaças, mas ele tremeu pela primeira vez na sua vida.

De Lua sentiu uma fisgada, apenas uma, mas conta que caiu no chão gritando de dor. Ninguém apareceu por muito tempo até que perdeu a consciência.

Ele foi encontrado próximo à ponte do Aracati, à beira da Represa do Guarapiranga, na manhã do dia seguinte, ainda com vida, mas acabou morrendo naquele mesmo dia sem que sua família tivesse sido localizada.”

Texto original de Fernando sobre Equidna → ۞

Policiais corruptos ou polícia corrupta — a dúvida

OMG - OH MY GOD!Akshay Kumar e Umesh Shukla tiveram que trazer Deus (Krishna) em pessoa para me fazer mudar de ideia. Eu, diferentemente de você, sou o tipo de cara com muitas certezas e poucas dúvidas, e eu, assim como toda a população de Mumbai e de toda a Índia, crucifiquei logo nos primeiros momentos Kanji Lalji Mehta por querer processar Deus.

Essa é a trama do filme indiano OMG – Oh My God!, mas descreve bem como por vezes podemos estar errados em defender um dos lado da questão, por mais nobres que sejam nossas intenções — o caso da Nota de Repúdio emitida pelo SINDEPOMINASNota de Repúdio emitida pelo SINDEPOMINAS — Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de Minas Gerais me trouxe esse filme à mente.

Em cada batalhão da PM tem um grupo de extermínioNo passado defendi com unhas e dentes que se devia fazer vistas grossas ao uso das abordagens de rotina e truculência policial, mesmo tendo quase morrido nas mãos de PMs durante o período dos exterminadores Mão Branca na Zona Sul da capital paulista. Sorte que aqui no estado minha opinião não prevaleceu, ao contrário do que aconteceu no Rio de Janeiro.

Lá, com apoio popular, governos populistas fecharam os olhos para o uso indevido da força e do envolvimento da polícia com a criminalidade. Se em São Paulo foram combatidas, após a Era do delegado Fleury, no Rio, se fortaleceram, como nos contou o canadense Robert Muggahno no artigo A state of insecurity: the case of Rio de Janeiro.

O resultado do abuso de poder policial se reflete no número de homicídios.
Gráfico Comparativo de Homicídios 1980 a 2016

Nunca defendi à permissão do uso da violência fora dos limites da lei, seja pelos Tribunais do Crime do Primeiro Comando da Capital e as outras facções criminosas, seja por grupos de extermínio paramilitares e de milicianos, mas consigo entender que houve uma necessidade social criada pelo abandono da população pelo estado de direito.

O que falanos nesse site sobre o Tribunal do Crime → ۞

É fácil para alguém que mora longe das áreas de risco ser contra a atuação das facções no controle da própria criminalidade, assim como é cômodo aplaudir o abuso policial nas periferias de seu condomínio, mas a sociedade se organiza e se protege como pode, e foi com um ou outro desses abusos que conseguimos manter uma certa paz social.

Nas últimas semanas dezenas de policiais, oficiais do exército, advogados, agentes penitenciários e criminosos do PCC 1533 ligados aos Tribunais do Crime foram presos em em todo o Brasil — a maioria no Estado de São Paulo. A sociedade aplaudiu, e nem o comando do Primeiro, nem as associações dos agentes de segurança ou a OAB protestaram.

O que falanos neste site sobre corrupção → ۞

No filme indiano OMG – Oh My God!, Kanji, para processar Deus, entra na Justiça contra seus representantes na terra: os líderes das principais igrejas e seitas. Eu acredito que as instituições religiosas, no caso do filme, deviam ser preservadas, mas Deus pessoalmente talvez não acredite nisso — é o que nos conta Akshay Kumar e Umesh Shukla.

Quando um ou outro membro de uma corporação, seja ela qual for, tem sua máscara retirada e a atitude deplorável do colega é repudiada pela classe, verificamos ser uma atitude isolada; mas se ao contrário os representantes da corporação tentam achar subterfúgios, não temos como não imaginar que tal prática está disseminada no grupo.

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“Operação Fênix” visava manchar a imagem da Polícia Civil, diz nota do CONCPC

Veja a nota na íntegra — retirado do site paranaibaagora.com.br:

O Sindpol/MG em pleno uso de suas atribuições, entidade sindical, com registro no Ministério Trabalho e Emprego (MTE), sob o número 24000.000807/92-10, CNPJ 255773700001/17, por meio de sua representação legal, vem a público repudiar a ação abusiva, panfletária e espetaculosa, com a qual o Ministério Público (MP) de Uberlândia, em conjunto e escudado, pelo comando local da Polícia Militar (PM) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), perpetraram a operação denominada Fênix e Efésios, com o fito de além de cumprimento de mandados de prisões preventivos de policiais civis, depreciar e macular a Instituição Polícia Civil de Minas Gerais.

Necessário destacar que ao contrário dos procedimentos adotados de praxe em apuração de atos ilegais, em tese praticados por policiais, nessa fase da operação, se desconsiderou e alijou de pronto a participação da Corregedoria Geral de Polícia, usurpando a competência do controle interno Institucional. Necessário também salientar que aos agentes da PM e da PRF, é vedado a prática de exercício de Polícia Judiciária, vício insanável que muito além de usurpação de função, caracteriza improbidade administrativa e nulidade processual, haja vista os antecedentes recentes de operações da Polícia Federal (PF) e do MP, como é o caso da operação Satiagraha.

É de valia também salientar que a observância das premissas Constitucionais, antes da exposição e degradação da imagem e da dignidade da pessoa humana, em nenhum momento fôra observado nessa operação, mormente no que tange ao devido processo legal o contraditório e a ampla defesa, componentes essenciais no conjunto probatório para qualquer cidadão, mormente para aqueles legitimados pelo cargo e carreira típica de Estado.

Sem entrar no mérito das condutas imputadas aos envolvidos, o Sindpol/MG também argui o descumprimento do disposto no artigo 48, III da Lei Complementar 129/2013 (LOPC), no qual estabelece que a condução em prisão e processamento específico dos policiais civis se dão pelo órgão específico da Instituição, e nesse caso, em nenhum momento a Corregedoria Geral da PC foi acionada para tal. A forma com a qual se concluiu a referida operação macula não apenas a Instituição PC, mas sim uma política pública continuada, denominada integração, que com muita dificuldade e recursos do erário tem se buscado consolidar em âmbito Estadual e Nacional, logo a sacia punitiva e midiática de um órgão com competências específicas como é o caso do MP, não pode sobrepor a necessária convivência republicana entre as Instituições do mesmo sistema de Justiça criminal. Haja vista, o Estado brasileiro e suas Instituições são signatários de tratados e resoluções Internacionais de garantias e preservação de direitos fundamentais da pessoa humana, dos quais não se pode negligenciar sob qualquer pretexto.

A quem interessa o descrédito, a depreciação, a exposição ao escárnio público de uma Instituição permanente do Estado? Quais são os valores ou interesses que estão por trás dessas atitudes? A quem interessa o enfraquecimento da Polícia Civil em Uberlândia e em Minas? Por que não acionaram a Corregedoria Geral de Polícia órgão legitimado por força de lei, para a apuração conjunta dos fatos? O Sindpol/MG reafirma o seu total interesse na rigorosa apuração da procedência ou não de todos esses fatos imputados, bem como o restabelecimento da ordem e da Segurança Pública, a comunidade uberlandense, bem como a todo povo mineiro e para tanto estará acionando e cobrando de todas as autoridades competentes, as providências necessárias para o restabelecimento da regularidade e do respeito às prerrogativas institucionais, bem como da reparação de possíveis prejuízos causados ao erário e cada um dos particulares.

Pesquisas no Google em 2017 — a facção PCC 1533

Vou lhe contar o que o Google pode nos dizer sobre o que foi pesquisado sobre o Primeiro Comando da Capital em 2017 e o que mudou nos últimos anos. Ao pesquisar sobre o assunto para mostrá-lo a você, me surpreendi com alguns dados que encontrei, mas começo este artigo com um trecho de um conto de Atenéia Araújo:

Quem me conhece, sabe bem que não tenho medo de cachorros, mesmo os de porte grande e, embora pouca gente acredite, quase todos os que encontrei sempre foram amistosos e, embora eu tenha dito isso a pessoas que têm medo deles para convencê-las de que não devemos ter medo deles, ouço muito que confio demais e que cachorros são traiçoeiros e não devemos confiar neles.

Há anos este site monitora os termos que envolvem a facção paulista, e este ano resolvi mostrar para você algumas das conclusões a que cheguei. Caso queira dar uma olhada em alguns dos gráficos, eles estão disponibilizados na página Estatísticas, com dados fornecidos on-line pelo Google Trends — se clicar nos gráficos dinâmicos eles direcionarão você para outra página cheia de opções de refinamento de dados.

Acesso para a página de Estatísticas → ۞

Aliados e Inimigos

Nós dois sabemos que não se pode falar de “crime organizado” no Brasil sem citar o Primeiro Comando da Capital. Acho que o que me surpreendeu foi descobrir que os usuários do Google não vinculam o Comando Vermelho ao tema… desculpa aí 2, no Google é tudo 3!!!

Nas buscas utilizando o termo “facção criminosa” aparecem apenas três gangues: PCC com 45 pontos, CV com 35 pontos, e a ADA com 11 pontos — tentei buscar os estados individualmente para analisar os dados das facções regionais, no entanto o banco de dados não teve fluxo suficiente para disponibilizar o resultado.

Tanto o PCC quanto o CV são buscados em todo o país, já os aliados do Primeiro Comando têm destaque apenas regional, sendo pouco comum pesquisas fora de seu reduto: Amigos dos Amigos (ADA, Rio de Janeiro), Bonde dos 13 (B13, Acre), e Guardiões do Estado (GDE, Ceará), e o Bonde do Maluco (BDM, Bahia).

Sendo assim, sabemos que o diabo existe e é conhecido, mas o Google diz que a população acha que ele não é tão feio quanto as autoridades e a imprensa tentam pintar.

As buscas quando o assunto é insegurança, segurança pública, violência, prisão, morte e medo foram relacionados pelos usuários do Google com fatos específicos como: homicídios, crimes, assaltos, polícia, violência sexual e de gênero e crimes domésticos — o Primeiro Comando da Capital só foi lembrado quando se pergunta sobre os motins no sistema prisional.

Curiosidade: quem pesquisa sobre cocaína no Google procura pelo Primeiro Comando da Capital ou pelo Comando Vermelho? É, meu caro, você errou! As buscas recaem sobre: Aécio Neves, Ivete Sangalo e Blairo Maggi.

O PCC só é lembrado pelo seu líder e pelos motins, e no dia a dia para conhecer como é seu funcionamento e estatuto.

Prova dessa tendência são os momentos em que o termo Primeiro Comando da Capital teve aumento nas buscas: as chacinas de janeiro no COMPAJ de Manaus e seus desdobramentos na Região Norte, e a de Alcaçuz no Rio Grande do Norte; e em novembro o motim no presídio de Cascavel.

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola também foi protagonista de dois momentos de pico nas pesquisas, no entanto, não por preocupação, mas, sim, por curiosidade popular. Uma delas se deu em dezembro, quando ocorreu sua transferência para Presidente Venceslau, e a outra foi por causa de uma notícia sem fundamento, vazada de forma irresponsável, em abril, dando conta de um plano de fuga.

O que falei neste site sobre Marcola → ۞

As buscas feitas referentes ao PCC se baseiam principalmente no conhecimento de seu estatuto e em suas relações com o seu arqui-inimigo Comando Vermelho e seu aliado Amigo dos Amigos.

O que falei neste site sobre o Comando Vermelho → ۞

Nas artes, na mídia e na mente da garotada.

O grupo musical Facção Central não é o que já foi, mas ainda é o único vínculado pelos usuários à facção paulista. Não sei você, mas eu esperava encontrar também referência aos Racionais MCs e ao MC Zoi de Gato, mas não, só deu a Facção Central — a banda Racionais MCs tem 7 vezes mais consultas, no entanto não teve sua imagem vinculada ao PCC, e, sim, à luta contra a opressão do sistema sem vestir uma camisa. Algo que me surpreendeu foi o fato de que o público alvo dos dois grupos está majoritariamente fora do eixo Sul-Sudeste.

Os garotos também procuram bastante as frases referentes à facção de seu coração.

Merece destaque o trabalho jornalístico do site UOL Notícias para diversas ações de combate à facção, com artigos meticulosos, agradáveis e elaborados com cuidado para entender o assunto, sem aceitar apenas um ponto de vista. O trabalho foi reconhecido e o UOL foi o único que aparece vinculado pelo Google Trends à facção.

As matérias do UOL que foram citadas aqui neste site → ۞

Quem diria que Rogério 157 mudaria o comportamento de milhares de pessoas em todo o país? Você diria isso? Eu não.

Antes do conflito na Rocinha, o termo Primeiro Comando da Capital só era buscado ocasionalmente no Youtube, mas, durante a guerra pelo domínio da comunidade, vários youtubers cariocas passaram a incluir notícias e histórias da facção paulista — e hoje já são dezenas de páginas espalhadas por todo o país, que criaram um fluxo estável que não mais buscam fatos isolados sobre a facção, mas sim conhecer e divulgar a cultura do PCC 1533.

O que publiquei aqui neste site sobre a Rocinha → ۞

O brasileiro se preocupa cada vez menos com o PCC, principalmente o paulista.

Pela primeira vez o paulista pesquisa menos sobre o PCC — houve uma queda de 34 pontos. Muitos fatores podem ter levado a isso, mas a atuação discreta da facção contendo o número de mortes, as ações feitas exclusivamente contra instituições econômicas e a garantia de paz em áreas com pouca atuação do estado estão entre eles.

No Brasil, no geral, a facção está também chamando menos a atenção, havendo uma diminuição média de 11,5 pontos em relação ao registro histórico das 10 regiões que mais pesquisaram sobre o tema — exceções são as áreas onde está sendo travada a guerra entre os PCC e seus inimigos, como no Amazonas, Ceará, Rio Grande do Norte e Acre. Esses últimos dois não aparecem na lista dos TOP 10 possivelmente pela baixa população e acesso à rede, no entanto, pode-se perceber seu efeito quando se estuda a média geral e não a restrita.

Os 10 estados com maior volume de pesquisas 2017 MÉDIA

últimos 5 anos

MÉDIA
édia dos últimos 13 anos
Amazonas 70 100 69
Bahia 39 46 39
Ceará 100 61 76
Goiás 9 33 35
Minas Gerais 26 67 21
Paraná 40 56 45
Rio de Janeiro 19 38 22
Rio Grande do Sul 19 33 24
Santa Catarina 21 19 39
São Paulo 66 95 100

Cada povo pesquisa o PCC com um nome diferente.

Quando é alguém de casa, um amigo, temos costume de chamar pelo apelido ou apenas pelo seu prenome, e é por isso que em São Paulo, no Paraná e na Bahia a facção é mais pesquisada por PCC 1533; já para os que não são tão íntimos, como os que pesquisam do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, preferem chamar a facção pelo nome correto: Primeiro Comando da Capital; agora, quando você não gosta de uma pessoa de jeito nenhum, você não quer nem falar o nome dela — e talvez seja por isso que só o Amazonas, terra da Família do Norte, as pessoas pesquisam utilizando-se da terceira pessoa: a Facção PCC.

Fora do Brasil, neste ano, o termo Primeiro Comando da Capital foi pesquisado principalmente em Portugal, na Argentina e na Holanda.

Na América do Sul, no Paraguai e no Uruguai, o termo buscado é Primer Comando Capital, enquanto na Bolívia e na Argentina eles preferem Primer Comando de la Capital.

Em inglês as pesquisas pelo termo First Commander of the Capital começaram a ser realizadas por ocasião dos ataques de maio de 2006, e eram feitas exclusivamente nos Estados Unidos, assim como, ao mesmo tempo e com muito mais intensidade, se pesquisava sobre o First Capital Command. Após uma matéria publicada pelo News Times, sobre as mortes de policiais em São Paulo na onda de 2012, o padrão utilizado pelo jornal acabou se tornando quase que hegemônico para as pesquisas (First Capital Command), contradizendo a lógica, pois existem três vezes mais material utilizando a outra opção.

O exército de 200 mil homens da facção PCC 1533

PCC, onde estão, quantos são, e qual sua força?, este foi o título de um artigo que publiquei no início do ano passado — sua base foi um levantamento feito pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, muito coerente com a realidade das ruas e, sendo assim, o comparei com o mapa do sistema carcerário e o publiquei.

Confio no número passado pelo MP-SP (20 mil — 2016); também creio no resultado dos levantamentos de órgãos de segurança pública (40 mil no início de 2017 com expectativa de 80 mil para o encerramento do ano); e abono a quantidade apontada pelo Gabinete de Segurança da Presidência da República (200 mil) — também acredito no site DefesaNet quando informa que o total do efetivo das forças armadas não chega a 30 mil homens.

A que ponto chegamos?

Considerando uma taxa de dependentes de 50% e de desemprego de 10%, e levando em conta que o Brasil possui 200 milhões de habitantes, concluímos que o Gabinete da Presidência trabalha com a possibilidade de que o Primeiro Comando da Capital sustente de maneira direta 320.000 habitantes.

Não fique aí só lendo — veja se tem lógica pelo que você conhece da sua cidade.

Corte três zeros do número de habitantes do seu município ou bairro……
Salto de Pirapora SP (40.132 = 40)
Sorocaba SP (586.625 = 586)
Campinas SP (1.080.113 = 1080)

… Lembre dos pontos de vendas de drogas, calcule dois por biqueira. Veja, esse é só um chutão, pois existem biqueiras que nem tem envolvidos com o Comando, por outro lado alguns tem vários, assim como tem aqueles que não se dedicam ao tráfico como os assaltantes, e tem aqueles que nem aparecem nas ruas, cuidando do administrativo, o operacional, e outros profissionais.

Sorocaba coloquei como exemplo propositalmente — apenas uma das unidades prisionais abriga outras facções, e são milhares de presos nas unidades PCCs. Não estou tentando provar que o número do Gabinete de Segurança da Presidência da República é válido ou não — essa parte estou deixando para você fazer, e caso queira, me diga a que conclusão chegou.

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, afirmou que ele e a facção paulista não chegam aos pés do que a imprensa pinta, e em 2017, em duas ocasiões, il capo ma non troppo do PCC 1533 provou estar certo — mas não se engane, não vim aqui para criticar a mídia, mas, sim, para fazer um mea culpa: Pater, peccavi, pois me calei diante da injustiça.

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Por trás do silêncio existe um ser dizendo que é melhor do que o outro porque não falou ou expressou tamanha barbaridade. Isso é a arrogância do silêncio… Eu sou melhor do que ele porque não falo tantas besteiras! Talvez o indivíduo possa ser um falastrão, mas ele tem a sinceridade e a sensibilidade para expor quem ele é e não esconder sua arrogância por trás do silêncio. Bispo Sérgio Correia

Em uma das ocasiões, foi apresentado um plano de fuga para o Marcola quando até as pedras sabiam que a estratégia não seria essa, mas a outra situação foi ainda mais inusitada.

O repórter Flávio Costa publicou o artigo Em guerra contra rivais, PCC afrouxa regras de “batismo” para ter cada vez mais membros, no qual torna pública a campanha para o ingresso de novos membros para a facção, mas, ao contrário do que afirmou, a razão principal para o recrutamento é econômica, e não para aumentar o poder ofensivo.

Não é necessário ser um irmão batizado para ser enviado para as zonas onde o PCC está em guerra com o Comando Vermelho (CV), a Família do Norte (FDN) e o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte (SDC RN) — companheiros, aliados e até simpatizantes podem lutar e morrer, mas contribuir para o caixa da facção é só para os irmãos.

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O que falei neste site sobre Sindicato do Crime → ۞

O sol nem se tinha posto no dia em que a matéria foi publicada e o site amazônico Brasil Norte Comunicação (BDC) aproveitou a chance para colocar uma chamada para a matéria, destacando a criação de um “exército” do crime: PCC cria exército para enfrentar FDN e novo massacre é ameaça.

O sol nem havia nascido novamente e o exército do crime, que foi criado a poucas publicações, duplicou na manchete do site português Jornal de Notícias: Grupo criminoso duplica “exército” para enfrentar guerra com rival em 2018.

Os repórteres Clayton Neves e Arlindo Florentino, do site MidiaMax, foram atrás da informação e produziram o sóbrio artigo Cada vez mais presente em Mato Grosso do Sul, PCC faz mutirão de filiações — foi a última reportagem que se pôde levar a sério sobre o assunto, as demais ou replicaram, ou acrescentaram mais pontos ao contar o conto.

Esta manhã acordo com essa manchete no Estadão, Uso do Exército para combater o crime nos Estados cresce pelo menos 3 vezes, na qual o repórter Marcelo Godoy expõe os dados que coletou sobre a utilização das forças armadas como ferramenta complementar das forças de segurança pública.

Gato escaldado tem medo de água fria, e eu gelei…

Em determinado ponto da reportagem, Godoy entrevista o cientista político Eliezer Rizzo de Oliveira, que afirma que o Gabinete de Segurança Institucional estima em 200 mil só os adeptos do Primeiro Comando da Capital (PCC) no País.

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, tinha razão, o diabo talvez não seja tão preto quanto o estão pintando, mas desta vez, ao menos, não terei que vir até você para fazer um mea culpa: pois diante do perigo eu venho trazer o alerta e o esclarecimento:

Existem, sim, 200 mil pessoas envolvidas ao PCC no Brasil, que não formam um exército, muito longe disso — esse número compreende batizados e companheiros, se acrescentarmos aliados e simpatizantes, talvez esse número dobre, se acrescentarmos inimigos e criminosos sem camisa que aceitariam participar de ações, talvez esse número quadruplique, mas…

… nem esquenta, qualquer coisa é só colocar os 30 mil homens das forças armadas nas ruas, 20 mil se tirarmos os administrativos e os impossibilitados de ações de campo, 10 mil se tiramos os que tem que manter os postos e quartéis seguros e os que cuidam da logística e, no fim, se não errei nas contas, seria algo como dois soldados para cada cidade do país.