Aniversário 55 anos de Marcola do PCC

No aniversário de 55 anos de Marcola do PCC, republico uma matéria antiga sobre o líder do Primeiro Comando da Capital.

Marcos Willians Herbas Camacho: mito ou realidade?

Neste ano de 2023, Marcola completa 55 anos bem vividos. Ele mudou o Brasil ao estruturar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3).

Foi ele que trouxe para dentro da facção conceitos como a pacificação e a união dos criminosos para trabalharem pelo progresso comum.

Muito falei sobre ele nesses 11 anos de publicações nesse site fiz dezenas de textos, mas qual será o futuro desse líder? Será que ainda lidera?

No entanto, hoje só passo aqui para lembrar a data e para isso estou repostando esse antigo texto publicado originalmente no dia 13 de março de 2017.

Comentando sobre o mito Marcola

Quem são de fato o Marcola e o Gegê do Mangue entre outros líderes do Primeiro comando da Capital PCC 1533?

Hoje é quase impossível separar o mito da realidade, e quem criou esses personagens idolatrados por multidão de fãs por um lado e odiado por outros tantos.

Ludimilla de Lima em um trabalho para a Universidade do Rio de Janeiro chamada “Construção de mitos da criminalidade sob a luz da imprensa carioca” parece ter achado a resposta.

O Marcola da imprensa é real?

O Marcola que conhecemos através da imprensa ou das conversas é um mito, isso é, ele é apenas uma representação exagerada pela imaginação daqueles que contam sua história e relatam seus feitos.

Mas existe algo de real sobre o qual esse mito foi criado e principalmente, essa personalidade criada é aceita por um ou mais grupos de pessoas.

Os deuses da antiguidade greco-romana eram como Marcola, não eram perfeitos, não eram santos, todos tinham seus pontos fortes e pontos fracos.

Marcola preso no Tártaro

Marcola está preso em uma das cavernas do Tártaro, o Mundo Inferior, mas assim como Hades, fez do mundo dos mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo e da sociedade são enviados e onde são castigados por seus crimes, o seu reino, no qual criou um exército que assusta o mundo dos humanos e atemoriza os deuses e governantes.

Mito e realidade se cruzando. A mesma história que foi contada no passado é agora novamente contada, coube a imprensa através dos jornais e da televisão, com boa parte de ajuda do governo e da internet a criação desse novo mito.

E mitos não morrem, pior, com a morte daqueles que os encarnam eles se imortalizam e se fortalecem. Antes de Marcola e seus parceiros PCCs, Fernandinho Beira-Mar e seus CVs, houveram muitos outros no Brasil: Lúcio Flávio, Cara de Cavalo, EscadinhaBandido da Luz Vermelha, entre outros.

A grande diferença é que os novos mitos são fortalecidos por não serem isolados, mas pertencerem e liderarem homens fortes e dispostos a morrer.

Marcola não é Hércules

Eles não são como Hércules que enfrentam os inimigos sozinhos, mas sim como Leônidas o general que comandou os 300 contra o grande exército persa de Xerxes. Poucos homens em desvantagem numérica, econômica, e militar, assim como os soldados do PCC e CV, contra um grande governo opressor.

Novamente o mito parece renascido e pode ser claramente visto. O mito foi criado pela imprensa, acolhido pela sociedade em sua cultura e agora imortal continua sendo alimentado pelo tráfico de drogas e passou a ter papel preponderante na política e sobre a própria sociedade que a criou. Bem, durmam todos com essa história e tenham bons sonhos.

O fantasma da organização criminosa PCC

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital sendo utilizada para desestabilizar governos e instituições pelo mundo.

A política e a organizão criminosa PCC 1533

O que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) tem em comum com a obra “Os Ladrões” de 1857 de Orest Isaakovich Timashevsky que ilustra no site IA Primavera Vermelha (ИА Красная Весна) o artigo “No Chile, anunciaram a entrada de membros de gangues do Brasil no país”?

Grupos criminosos há muito são usados para encobrir as reais intenções de grupos políticos e a facção criminosa PCC 1533 é a desculpa da vez para justificar a corrosão do sistema democrático e das instituições.

O Ministro Alexandre de Moraes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) obteve o bloqueio da aposentadoria e de bens de Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB, para garantir o pagamento de uma indenização no valor de R$ 144 mil por ter vinculado o nome do juiz à facção criminosa paulista.

Jefferson é uma peça que faz parte de um mecanismo de ataque que vincula o inimigo político a fantasmas com grande poder de assombro no imaginário popular como: o comunismo, as pautas morais e religiosas, e inimigos externos como a Venezuela e Cuba, ou o Primeiro Comando da Capital.

O PCC como ferramenta de ataque as instituições

Tenho como foco de estudo o PCC e acompanho há anos esses ataques, no entanto, nesses últimos 15 dias me surpreendi com a avalanche de réplicas dessa mesma acusação aparecendo em diversas partes do mundo quase que simultâneamente tanto nas redes sociais quanto na inprensa tradicional.

Grupos políticos de direita unificaram o discurso que a esquerda e o Judiciário estão em conlúio e sendo financiados pela organização criminosa.

Se houve ou não houve prisões de integrantes da facção durante o governo não faz diferença, há sempre um discurso pronto para justificar o envolvimento.

Quando a presidente Dilma Rousseff apresentou uma apreensão recorde de drogas do Primeiro Comando da Capital, o então deputado Jair Bolsonaro afirmou que aí estava a prova do aumento do tráfico de drogas e que “todos sabem como funciona”, apontando ao procedimento de deixar cair parte da mercadoria para afagar a polícia.

Anos depois, já presidente, Jair Bolsonaro bateu um novo recorde de apreensão de drogas do Primeiro Comando da Capital, e então? Isso seria prova do aumento do tráfico e o envolvimento das autoridades como ele mesmo afirmou poucos anos antes?

PCC uma ferramenta que se provou eficiente

O modelo de ataque as instituições, governos e políticos, no entanto, funcionou perfeitamente.

Para o público a que foi dirigido a realidade não importa, os partidos e políticos de esquerda ficaram marcados como tendo envolvimento com a facção paulista e esse discurso segue sendo repetido cotidianamente.

Assim, as decisões de Alexandre de Moraes não tem respaldo, pois ele advogaria para a facção PCC e Lula enfraquecerá as Forças Armadas e mudou os diretores da Polícia Federal e Polícia Rodoviária para impedir que atuem contra o Primeiro Comando da Capital.

Exportando o modelo comprovadamente eficiênte

O czar Alexandre II governante de todas as russias em 1857 inaugurou uma colônia penal em Sacalina no extremo oposto de seu império enquanto Timashevsky entregava sua obra “Ladrões” no coração da Europa.

O Timashevsky era filho de servos e foi libertado sob os ventos da humanização das relações trabalhistas e sociais promovidas pelo imperador Alexandre II.

O governante russo enfrentou os gravíssimos problemas sociais e agrários derivados da política de servidão implantada 208 antes e garantiu a liberdade da servidão para os homens do campo e garantiu liberdade de imprensa e das artes.

Não temos como não ver relação entre a Rússia de 1857 e o Brasil de 2023, assim como não temos como não ver que a transformação do Primeiro Comando da Capital de um problema policial em uma ferramenta de manipulação política.

Uma falácia do Brasil para o mundo

Por aqui os grupos de extrema direita vincularam com sucesso a imagem das instituições na organização criminosa paulista e esse mesmo modelo está sendo replicado em todos os países do continente americano, África e agora Europa.

Apesar do Paraguai e Uruguai, cujos governos estão alinhados com a direita, serem referências na expansão da organização criminosa, pouco se explora a proximidade política dos governos e instituições, ao contrário de Portugal ou do Chile.

Argentina

Douglas Farah afirma que grande parte do poder do casal Zamora vem da proteção que recebem de Cristina Kirchner, em termos políticos e fiscais, e a ela fornecem base não apenas no campo político. Dessa forma e por esse tortuoso caminho, o periódico La Nación repercutiu o trabalho do pesquisador que, “em tese”, vincula a vice-presidente Argentina à organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

Bolívia

A execução de duas pessoas em um confronto entre criminosos e a morte de um sargento durante uma operação da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) em San Ignacio de Velasco, Santa Cruz. e um colombiano ex-combatente das FARC no Parque Noel Kempff, além de prisões de integrantes da facção PCC e CV próximos a fronteira brasileira justificariam a interveção do DEA segundo a oposição de direita que há poucos anos tentou um golpe e a Comunidad Ciudadana (CC), uma coligação política de centro liderada pelo ex-presidente Carlos Mesa.

Chile

Sr. @gabrielboric CHILE va directo a la Xenofobia TOTAL y la AUTODEFENSA contra la delincuencia extranjera.Como no se da cuenta? DEBE ACTUAR RÁPIDAMENTE Y DAR UNA SOLUCIÓN AHORA YA o tendrá un regadío de muertes en las calles de criminales extranjeros #SantiagoAgoniza #expulsion pic.twitter.com/WW0DNQUrl9— Crva 🇨🇱🇨🇱🇨🇱 (@Crva_01) December 2, 2022

Portugal

El aeropuerto de Países Bajos que se posiciona como el punto de llegada de las drogas mexicanas, el juicio de Genaro García Luna en EE. UU. y el análisis sobre el control del PCC en el narcotráfico en Portugal.

Esto fue lo más leído de la semana en https://t.co/101plggnNb 🧵👀 pic.twitter.com/Vmlcx8johR— InSight Crime Español (@InSightCrime_es) January 23, 2023

O futuro a Deus pertençe, ou talvez não

A história talvez não se repita, no entanto, estamos vendo o filme sendo passado novamente em outros prados. A evolução social que ora se processa em vários países pode ser barrada por uma narrativa.

Alexandre II foi morto em um atentado e as reformas por ele implementadas em muito se perderam. Ao escolher a obra de Timashevsky de 1858, quais foram essas as ligações vistas pelos editores do site IA Primavera Vermelha? Seriam essas?

Raúl Zibechi e a evolução histórica do PCC 1533

Você se lembra de Ganga-Zumba? Eu nunca tinha ouvido falar, mas era ele quem controlava o Quilombo dos Palmares e, quando viu que a casa ia cair, fez um acordo com a Coroa Portuguesa para evitar o massacre. Não me acuse de spoiler, você já sabe que deu errado, o sobrinho dele, chamado Zumbi, recusou o acordo e o resultado foi uma carnificina.

Estava lendo o trabalho de Raúl Zibechi, Movimientos sociales en América Latina – El “mundo otro” en movimiento, no qual ele faz uma análise dos movimentos sociais da região, em especial os nascidos nos anos noventa – o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) tem sua origem em 31 de agosto de 1993.

Zibechi não analisa o facção PCC 1533, mas cita os ataques feitos pela organização criminosa, definindo-os como mola propulsora da construção de uma nova forma de resistência a partir do posicionamento das Mães de Maio. Em outro trecho do trabalho, ele me fez lembrar do acordo de Ganga-Zumba e o destino de Palmares:

“Nesse contexto, os movimentos que emergiram na década de 1990 sofreram mutações: alguns desapareceram por causa de problemas internos, outros foram cooptados pelos governos ou decidiram se dobrar para as instituições. […] e aqueles que persistem sofreram mudanças notáveis. Digamos que alcançaram o ponto de maturidade, se estabilizaram e já não representam risco de desestabilização para os sistemas políticos que aprenderam a se relacionar com eles. No entanto, alguns conseguiram se reinventar, encontrando novas fontes para rejuvenescer sua militância, manterem-se vivos e reforçar seus perfis antissistêmicos.” (tradução minha).

Bem, o Primeiro Comando da Capital sobreviveu, não desapareceu por causa de seus problemas internos, e tampouco “foram cooptados pelos governos”. Mas será que, de fato, o grupo não se dobrou para as instituições? Há controvérsias.

Só a história poderá esclarecer o quanto e como o governo Alckmin e o Primeiro Comando da Capital cederam, durante o banho de sangue de 2005, para que a violência se encerrasse. A vitória da política de Ganga-Zumba derrubou o índice de mortalidade no estado de São Paulo nos anos seguintes, se contrapondo ao índice nacional. Com isso, o PCC sem oposição do governo paulista pôde se concentrar na expansão para os outros estados.

Em outro ponto do trabalho, Zibechi cita que o Governo Lula derrubou em 25% o índice de mortalidade entre os negros. Tá, não vou discutir. Deixo aqui o link para acesso ao gráfico de mortalidade, a linha verde é o índice nacional e cada um tire suas próprias conclusões.

Eu jamais imaginaria encontrar uma definição melhor da transformação histórica pelo qual passou a organização criminosa PCC depois desses 24 anos de existência. Bastou fazer uma pequena alteração na forma com que Zibechi descreve o que aconteceu com os demais movimentos sociais, e chegamos a:

O Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) … não se dobrou perante os governos, mas sofreu mudanças notáveis, alcançando o ponto de maturidade, se estabilizou, aprendeu a se relacionar com os sistemas políticos e hoje não representam risco de desestabilização (é o caso de São Paulo, mas não o do Rio Grande do Norte), consegue se reinventar, encontrar novas fontes para rejuvenescer sua militância, manter-se vivo e reforçar seus perfis antissistêmicos.

É verdade que houve um acordo entre o PCC e o CV?

Através das redes sociais, o Primeiro Comando da Capital (facção PCC) divulga nota desmentindo o relatório da Polícia Federal, divulgada pela UOL, que alertava para a formação de uma aliança entre as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho (CV) para atacar autoridades públicas.

☯ PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL🇧🇷 ☯
NOTA ESCLARECEDORA
  1. Nós do PCC, viemos deixar claro que não temos e nunca teremos nenhum tipo de aliança com Comando Vermelho, não existe a mínima chance de uma coisa dessas acontecer.
  2. Seria fora da ética PCC fechar aliança com o Comando Vermelho, esquecendo quanta mães de famílias, crianças, irmãos de sangue, e cidadãos eles assassinaram, e também nossos eternos irmãos, heróis que lutaram na guerra e acabaram caindo em prol de melhorias para todo o crime.
  3. Sabemos que o Comando Vermelho tem aliança com a Polícia Militar, Civil, e Federal, e também com os governos e diretores de penitenciárias.
  4. Eles usam dessas alianças para tentar prejudicar nossa Família PCC 1533, sem saber que a nossa luta e a nossa ideologia são exatamente contra essa raça opressora, que cada gota de suor e de sangue que estamos derramando é para que tenhamos um crime com ética em cima do justo, certo, e correto.
  5. A Família PCC completou 24 anos de luta em todo Brasil e outros países. Somos a facção mais perseguida dentro do Sistema porque batemos de frene com qualquer tipo de opressão que nossos integrantes ou nossos familiares possam sofrer.
  6. Mais uma vez o Comando Vermelho fechou acordo com diretores dos presídios federais e estaduais para terem visitas enquanto todos os outros criminosos do Brasil que estão sofrendo nesses presídios não tivessem visitas. É muita coincidência o PCC ser acusado de matar agentes federais e sofrer opressão nos presídios enquanto o CV tem privilégios nesses presídios federais se diferenciando dos demais criminosos tendo suas visitas asseguradas pelo governo.
  7. O Primeiro Comando da Capital é puro e verdadeiro e mesmo aqueles que nos acusam, reconhecem nossa luta contra a opressão e o governo que é clara e objetiva dentro de todos os estados e sem nunca se esconder.
  8. Agradecemos a todos os criminosos do estado do Ceará por juntar as forças, lutando nas ruas contra o Comando Vermelho. Sabemos quão é grande o mal que sofremos com eles aqui no estado e vamos todos juntos acabar com todos eles.
  9. Comando Vermelho, vocês e seus aliadados, policiais, diretores de presídios, e governo, não fiquem inventando mentiras, porque nascemos para combater vocês e estamos lutando contra todos.
☯ PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL – 24 ANOS DE LUTA CONTRA OPRESSÃO E OPRESSORES – PCC 1533 ☯

Estaremos firmes e fortes a cada dia até derrubar o último de vocês, pois somos o Primeiro Comando da Capital – 1533.

Quem tem medo do Primeiro Comando da Capital?

É melhor, apesar do medo, saber o que nos ameaça!

Se você mora na cidade de São Paulo, pode sentir o cheiro da morte — houve 42% mais homicídios na capital paulista que no ano anterior.

  A maioria foram negros e pobres das periferias, logo, nada que incomode. Georges Duby lembra que quando o Príncipe causa um problema, ele deve procurar bodes expiatórios, seja entre os judeus, os leprosos, os caminhoneiros ou entre os membros da facção Primeiro Comando da Capital.

 O secretário de Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho, afirma não saber a razão do aumento dos homicídios em maio, acrescentando que foi nesse mês a greve dos caminhoneiros: “mas, sinceramente, não vejo relação”, completa.

 O medo é uma importante forma de controle social. A criminalidade de fato existe, então, o “príncipe deve proceder ante seus súditos” com o discurso do herói, condenando migrantes ou miseráveis e impondo punições severas.

 O anúncio do aumento de pessoas assassinadas na capital se deu poucos dias após a Promotoria de Justiça afirmar que a desarticulação do PCC 1533 e o fim da pacificação imposta pela facção não teriam efeitos colaterais.

De quem você tem medo: dos PCCs, da polícia ou do escuro?

Você, ou alguém que você conhece, já foi ameaçado ou extorquido por um membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital?

  Você, ou alguém que você conhece, já foi ameaçado ou extorquido por um policial ou um funcionário público?

 Ambas as possibilidades existem, mas você temerá o grupo que estiver mais distante de seu convívio, aquele sobre o qual você tenha menos conhecimento ou informações, sejam PCCs ou policiais.

 Quem mora em alguma quebrada em um bairro afastado, mesmo sendo um honesto trabalhador ou estudante, temerá mais quando cruzar com a polícia durante a madrugada do que quando encontrar um grupo de moleques.

 Quem mora em um bairro estruturado ou em um condomínio, mesmo que seja desonesto e viva de mesada dos pais ou de corres, temerá mais quando cruzar com um grupo de moleques do que quando vir uma viatura da polícia.

  Zygmunt Bauman explica que tememos o escuro, que nos traz a sensação de impotência e que nos causa horror, pois, para nós, é inadministrável aquilo que foge de nosso controle — tememos aquilo que não conhecemos.

Os perigos de utilizar o medo como ferramenta

É o lobo! É o lobo!, é a técnica de administração que cria o medo do inimigo para poder oferecer a proteção e a ação do salvador. Porém, às vezes, essa tática não funciona, e as consequências podem ser imprevisíveis.

  Reginaldo Osnildo Barbosa, em sua tese “Análise do fortalecimento da imagem do vilão mediante o medo expresso nas tecnologias do imaginário” (UNISUL), buscou compreender como o medo é utilizado na construção do imaginário social dos criminosos e do governo salvador (O Príncipe).

 Ele conta que durante o Grande Medo de 1789, milhares de pessoas, não conseguindo oportunidades de trabalho onde moravam, saíram em busca de emprego nas cidades, trazendo consigo a fome, a miséria e o banditismo.

 Temerosa que as turbas atacassem, a sociedade, cujos cidadãos de bem acreditavam estar cumprindo seu dever cívico, exigia que as autoridades reprimissem de maneira exemplar aqueles que não conheciam:

“Um indivíduo suspeito, uma coluna de poeira, menos que isto: um ruído, um vislumbre, uma sombra bastava para persuadi-los […] Assim se desencadeavam os pânicos […], de preferência à noite…” Georges Lefebvre.

Consequência: castelos depredados, expansão do banditismo, crise econômica e política, hostilidade entre as camadas sociais — substitua a palavra castelos, usual em 1789, por ônibus, e terá uma descrição clara do que ocorreu este ano.

Na origem de tudo, há o medo

O medo é algo insano, gerido pela parte mais primitiva de nossa mente, que busca nos manter vivos a qualquer custo, sem frescuras sociológicas ou antropológicas ― e, por isso, não falamos abertamente sobre o que tememos, como explica Roland Barthes.

  Afinal, quando o homem resolve entender o medo, depara-se com algo tão complexo quanto senti-lo. O medo paralisa o desejo que o homem tem de seguir em frente e catalisa o sentimento de sobrevivência, o que passa a ser sua única motivação.

  O Príncipe pode então livrá-lo desse medo e libertá-lo para correr atrás de seus desejos e sonhos, mas, para isso, o perigo apresentado deve ser algo que o Príncipe possa enfrentar.

É fundamental para o bem estar social que o medo exista, mas, também, que possa ser controlado pela autoridade do governante, e que essa, por sua vez, possa apresentar publicamente e constantemente resultados favoráveis.

“para construir uma protecção constante relativa à ameaça que imagina localizada ‘lá fora’ […], se não existissem estranhos eles teriam que ser inventados. E eles são inventados, ou construídos, diariamente…”

A imprensa amplificando o medo a serviço do governo

A imprensa mostra diariamente a ação das forças do príncipe e apresenta prisioneiros, ao vivo e em rede nacional. Nem Nicolau Maquiavel previu esse grau de sofisticação para satisfazer nosso desejo primitivo de fugir do perigo.

 “O medo é uma forma de controle social e as punições devem ser feitas ao ar livre […] Dentro do repositório de imagens do imaginário social, o medo possui uma constelação própria, com imagens disseminadas, construídas, e impulsionadas pelas tecnologias do imaginário.

A sociedade precisa do PCC, dos judeus e dos negros

Economicamente, o medo é um bom negócio. Se não há medo, há quem o crie. Em um ciclo de consumo e produção de consumidores, o medo é materializado para poder ser destruído.

  Em pleno ataque do PCC de 2006, foram mortas pelos membros da facção criminosa 46 pessoas e pelas forças policiais 505. Em maio de 2018, em tempo de paz, 66 pessoas foram mortas só na cidade de São Paulo.

 E você nem precisa se preocupar, a maioria dos mortos foram negros e pobres das periferias, logo, nada que realmente incomode.

 Você, que nunca cruzou o caminho de um PCC, está agora se sentindo mais seguro, afinal, o Príncipe, por meio de Lincoln Gakiya e seus colegas, afirma que está tudo bem, o Primeiro Comando da Capital está sendo desarticulado.

 Você já pode dormir mais tranquilo já que, como pode ser visto pela mídia, os criminosos estão sendo presos. Bem-vindo a um novo momento na história da Segurança Pública em São Paulo, em que o Estado volta a assumir seu papel de guardião da vida dos cidadãos ― por sinal, algo que nunca fez nas periferias e nos bolsões de pobreza do centro.

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PCC 1533 – 24 ANOS – PARABÉNS E FELIZ ANIVERSÁRIO!

Parabenizo pelo aniversário, inicialmente, a geração que viveu o Regime Militar – regime que criou o ambiente propício para o nascimento da organização PCC –, que cuidou e alimentou a filha mais velha da família do Crime Organizado, a Falange Vermelha, em seus primeiros anos de vida. Essa, por sua vez, depois de crescidinha, ensinou os primeiros passos a seus irmãos mais novos em todo o país.

Parabenizo também a geração que viveu durante os regimes democráticos, a princípio com os governos moderados do PMDB e PSDB que, sob o manto da moderação, acalentaram as facções em sua infância; depois, os governos de caráter popular do Partido dos Trabalhadores fortaleceram esse grupo em sua pior fase: a adolescência.

Parabenizo, finalmente, essa nova geração que tem que conviver com ou enfrentar a questão das facções criminosas – agora profissionalizadas, violentas, mais organizadas e com proteção social e midiático. Quanto maior o desafio, maior será o louro da vitória – seria uma vitória e tanto, mas, pelas características culturais brasileiras, provavelmente não será alcançada, ainda.

Claro, podemos nos “incluir fora” do rol dos causadores dos problemas, como se nós, enquanto população, não tivéssemos participado por ação ou omissão no que está aí. Seguimos, então, acusando os governos, o destino, a globalização, a chegada do Apocalipse…

Os admiradores do Regime Militar e os democratas de todos os matizes jamais admitirão que são os pais do Primeiro Comando da Capital, chamado pelos colegas de PCC 1533; eu, comodamente, também negarei a paternidade.

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Mas o fato é que tudo começou assim:

Nasceu em 1979 a Falange Vermelha na Prisão da Ilha Grande, localizada na formosíssima Angra dos Reis, durante o governo do último presidente da república do Regime Militar, o General João Batista Figueiredo, já com as bandeiras de apelo social do fim da opressão do sistema carcerário e o abandono pelo Estado dos morros cariocas.

Para que uma criança nasça, é necessária a união de duas pessoas de gêneros distintos, e os militares resolveram essa questão colocando em uma mesma cela bandidos comuns de alta periculosidade e prisioneiros políticos – nove meses depois nasceu a Falange Vermelha.

Amanhã postarei uma antiga entrevista de alguém que participou dos primeiros anos da Falange Vermelha, contando mais sobre as características dessa organização em seus primórdios. Desta forma, será possível analisarmos a evolução de pensamento e de condução da facção até os dias de hoje.

Confesso a Deus Onipotente, à bem-aventurada sempre Virgem Maria, aos santos apóstolos, a todos os Santos e a vós, Padre, porque pequei, por que aplaudi e me calei quando em 1979 o governo colocou os “bandidos políticos e comuns” em uma mesma cela, e eu em pensamentos e palavras apoiei, mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa, portanto, rogo a ti Padre, que rogueis por mim a Deus Nosso Senhor.

O estudioso Diorgeres de Assis Victorio do Canal Ciências Criminais me lembra que originalmente o lema Paz, Justiça, e Liberdade, era utilizado apenas pelo Comando Vermelho, enquanto o Primeiro Comando da Capital adotou o “Liberdade! Justiça! E Paz!”, conforme consta nos primeiros estatutos apreendidos pelas autoridades policiais.

SOBRE ESSE ASSUNTO MAIS DOIS TEXTOS:

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O garoto do Bonde dos 13 (B13) e o SISFRON/ENAFRON

Alguém se lembra do esperanto? Sei que quando eu era moleque, cheguei a me inscrever em um curso dessa desconhecida língua, em uma suja e secundária rua do bairro da Lapa e, para minha surpresa, dando uma olhada no Google Street View, vi que a escola ainda está lá, e a rua está ainda mais suja e secundária.

A ideia por trás do esperanto é fazer com que as pessoas de todo o mundo fiquem mais próximas umas das outras, acabando com conflitos e criando um sentimento compartilhado de humanidade que garantiria a paz”. Legal, né? Mas não funcionou, assim como não funcionaram o Plano Estratégico Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (ENAFRON) e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) para combater os crimes transnacionais.

Bem, o ENAFRON e o SISFRON são programas que integram nossas forças de segurança às dos países vizinhos, e já funcionam há mais de uma década, “só que não” – essa semana, o PCC arrebentou nos noticiários de nossos vizinhos sul-americanos com ações de sucesso e alguns fracassos.

Pela enésima vez, o Ministro do Governo boliviano Carlos Romero Bonifaz tentou se entender com as autoridades brasileiras:

“Hemos insistido mucho en tener oficiales de alta graduación de la Policía Federal de Brasil y se aceptó la designación para una lucha conjunta contra el crimen”. 

Não quero falar nada, não, mas a coisa, provavelmente, não sairá do papel. Quem, de fato, combate o crime organizado das facções criminosas no Brasil não é a Polícia Federal ou as Forças Armadas, mas, sim, a Polícia Militar e a Promotoria de Justiça por meio de seu braço investigativo: a Polícia Civil. São os estados, não a União, que combatem, de verdade, as facções. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Enquanto a alta cúpula civil, militar e policial reuniam-se com Romero, assim como foi feito no passado com o Rei Luiz XVI, o Primeiro Comando da Capital infiltrou-se , utilizando-se de pessoas simples, nas ruas sujas e escuras, assim como os revolucionários franceses fizeram no passado.
Na pequena cidade de Cobija, um dos líderes pego pelas autoridades sequer era do Primeiro Comando da Capital, mas do Bonde dos 13 (B13), facção aliada do estado do Acre. Os garotos estão dominando as ruas, enquanto a cúpula, há décadas, se reúne.

A ideia por trás do esperanto, assim como a sede na rua da Lapa e o sonho da União por uma polícia de fronteira efetiva continuam aí, mas os governos caem antes de alcançar seus objetivos, afinal, são divididos, loucos para provarem que suas perucas são mais importantes que as dos outros.

Polícia Federal, Forças Armadas, Polícia Civil, Policiais Militares, Guardas Civis, Polícias Rodoviárias, Ministério Público (isso só dentro do Brasil)… enquanto isso, Jorge Pisco da Silva, o rapaz do Bonde dos 13, invade a Bolívia com ou sem o SISFRON/ENAFRON.

“Cada governo deve adotar uma política de cooperação bilateral e multilateral sincera e profunda, isso é crucial para alcançar os resultados desejados.” – Mariano Bartolomé, Profesor Titular, Licenciatura en Relaciones Internacionales en Universidad Austral, Argentina.

O lado bom é que a Bolívia ainda é um dos países com as menores taxas de insegurança cidadã na América Latina, de acordo com dados estatísticas das Nações Unidas, como lembrou o Secretário Romero. Agora, se ele não conseguir resultados rápidos o lado bom mudará de lado.

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Os garotos do PCC são tão bons quanto pensam ser?

“…Infectado por um complexo de superioridade insalubre. […] Antes de continuar a prosar sobre esse “nobilíssimo” povo, muito gostaria eu de saber em que é que ele nos beneficiou até hoje. Naturalmente que muitos irão objectar sobre que bicho me mordeu para começar desta maneira tão contundente e sarcástica.”

Assim começa António Figueiredo e Silva sua crônica O egocentrismo de um povo, e da mesma forma que quero começar este texto.

Na crônica, Figueiredo e Silva se refere aos ingleses, mas o conteúdo, palavra por palavra, serve também para os integrantes do Primeiro Comando da Capital, que são, sim, um povo, pois vivem sob leis, regras, costumes e linguagem própria.

Agora, esses seriam motivos para que eles se achem superiores?

Segurança Internacional e Defesa da Universidade Nacional de Lanús (UNLA), Mariano Bartolomé, dá uma ideia da resposta:

“Os protagonistas do crime organizado forjam organizações complexas e disciplinadas, extremamente eficientes e com impressionantes recursos econômicos, com estruturas sólidas e ao mesmo tempo altamente adaptáveis às mudanças. E estas entidades constituem nós de uma rede de alcance planetário com múltiplas ramificações. […] exibem uma alta capacidade de adaptação e diversificação horizontal, gerando um duplo efeito: por um lado, tem acesso rapidamente a muito dinheiro; e por outro, se colocam sempre um passo adiante dos esforços do governo pelo qual são combatidos.” (tradução minha)

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Bartolomé não está se referindo especificamente aos membros do PCC, pois adverte, logo no início de seu artigo – La Criminalidad Organizada, un Severo Problema de Seguridad para el Hemisferio, para a Revista del Colegio Interamericano de Defensa –, que as regras servem, basicamente, para todas as organizações que se inter-relacionam pontualmente.

No entanto, o pesquisador acaba citando o Primeiro Comando, apenas uma vez, para ressaltar que não temos ideia do que poderá acontecer no futuro com a incorporação da cultura guerrilheira, trazida para dentro da facção paulista pelos membros incorporados nos últimos anos da antiga FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Assim como o mais humilde súdito de Sua Majestade Elizabeth II sente como sendo seu todo o poder do Império Britânico, os vaporzinhos, que vendem baseado na esquina, também se orgulham de ser do PCC e sentem, como se fosse deles, todo o poder da facção criminosa. Bem, só que não.

Esse sentimento compartilhado por ingleses e PCCs nada mais é que o conceito de nação, de povo, que nós brasileiros deixamos de ter; o orgulho de pertencer a algo maior: patriotismo. Eles estão errados, não são tudo que pensam. Bem, só que não!

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Dados inéditos da mortandade dentro de presídios

Todos nós sabemos que essa turma vai passar, por isso não citarei nomes, pois eles vão mudar e esse texto ficará aí, parado, e não mais fará sentido. Sempre houve aquele que seria o salvador, que iria acabar com o crime por meio da força. Esse paladino se chamou, por muito tempo, Paulo Maluf. Qual será o nome daquele de seu tempo, leitor?

Ah! Por outro lado, também existe o defensor dos Direitos Humanos, que quer combater o crime utilizando técnicas e estratégias elaboradas, analisando as condições sociais e políticas do momento, esse paladino se chamou, por muito tempo, Paulo Evaristo Arns. Novamente pergunto: qual será o nome daquele de seu tempo, leitor?

É, de fato, uma discussão típica da sociedade infantilizada em que vivemos, na qual é normal acontecer brigas e mortes entre flamenguistas e fluminenses, ou palmeirenses e corinthianos. São garotos correndo desesperadamente atrás de suas pipas, assim como os facas-na-caveira “correm” contra os ativistas dos direitos humanos e vice-versa.

Cada lado querendo que o Estado assuma o controle moral da sociedade, exigindo um domínio rígido sobre o outro lado.

Integralistas exigem aumento de penas para os infratores da lei e liberdade para polícia e professores exercerem suas funções. Já os humanistas exigem aumento do controle das forças policiais, um ensino mais humano e penas alternativas e socioeducativas. Henry David Thoreau, há duzentos anos, já dizia que não devemos cobrar do Estado a nossa parte.

“O melhor governo é o que não governa. Quando os homens estiverem devidamente preparados, terão esse governo” – ou será que não precisarão mais dele?

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Bem, não estou aqui para trabalhar nem para um nem para outro lado, mas permitam-me entregar, a cada um desses, uma afiadíssima faca para atingir o outro, assim como conceder um tempo para que eles fiquem a sós em uma sala fechada e com a luz apagada.

Mais informações sobre esse tema podem ser lidas gratuitamente clicando no link do trabalho de Amanda Assis Ferreira e Roberto Barbosa de Moura, intitulado Mortos nos Cárceres de Alagoas entre 2012 e 2015: a dinâmica prisional e a função de morte no Biopoder.

Lá, a pesquisadora relata os desencontros e a falta de informações sobre o Sistema Carcerário, daqueles que estão lá administrando e trabalhando dentro do sistema, além de apresentar números sobre a mortandade em prisões brasileiras, obtidos com muito custo, muitos deles inéditos, até onde eu saiba.

Amanda apresenta, também, algumas pérolas, como o depoimento de um preso que explica o motivo de ter arrancado as orelhas, a língua e os dedos e, finalmente, matando outro interno com uma escova de dente:

“[…] por ter quebrado uma pia da cela em que moravam no dia anterior […], porque baforou fumaça de maconha no rosto da enfermeira e por constantemente se masturbar na cela.”

Bem, é nesse ambiente que Amanda, citando Graham Willis, destaca o que aconteceu quando o Primeiro Comando da Capital chegou, estabelecendo uma ordem forte do que pode ou não ser feito.

Ops… acho que citei um dos nomes que, antes, disse que não iria citar, mas não tem problema, os futuros leitores não saberão quem essa pessoa é ou o que ela pensou, pois terão os seus facas-na-caveira e seus humanistas com os quais se preocupar.
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O PCC faz segurança terceirizada em São Paulo

Outro dia, descobri que é possível assistir a filmes da Netflix que não são aqueles que os algoritmos escravizantes nos indicam; beleza, então resolvi escolher algum país diferente, para fugir do arroz com feijão cinematográfico, e optei pelos filmes indianos. Legal, assisti Kabali, Sarkar, Raees, entre outros; esses dois últimos me lembraram muito o Brasil, diferente “pero no mucho”.

Lá, e não aqui, existem gangues às quais a população mais pobre vai recorrer quando precisar que a justiça seja feita. É interessante ver que a estrutura geral de regras, costumes e brigas pelo domínio de áreas lá não é muito diferente daqui.

Em todos os filmes, o tráfico está, de certa forma, aliado aos políticos. Ainda bem que isso não acontece aqui, mas em Raees, que se passa na província de Gujarate, existe uma estrutura organizacional que gere os traficantes e, sendo assim, não existem, a princípio, mortes desnecessárias.

Bem, isso acontece lá na Índia, vamos voltar para nosso assunto aqui no Brasil…

O pesquisador Roberto Cordoville Efrem de Lima Filho, em seu trabalho MATA-MATA: reciprocidades constitutivas entre classe, gênero, sexualidade e território, afirma:

“[…] Na Paraíba, inexiste uma organização equiparável ao Primeiro Comando da Capital, o PCC, cujas estratégias de controle de conflitos e do mercado de drogas minimizam contundentemente os números de mortes nas periferias de São Paulo, como Gabriel Feltran demonstrou. […] Em 2002 e 2012, os números de homicídios em João Pessoa cresceram vertiginosamente.
[…]
Práticas de Estado não são excludentes do crime, não necessariamente se antagonizam ao crime. Pelo contrário, participam do crime, compõem a criminalização, negociam ou cumpliciam com o crime. Mais explicitamente em determinados contextos, como aqueles investigados por Gabriel Feltram, o crime produz governo, governo produz crime.”

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Depois de ler esse trecho final do trabalho de Lima Filho, acho que ele assistiu aos mesmos filmes que eu. Ah! Coloco aqui um gráfico que demonstra a queda do número de homicídios desde o início do período Alckmin. Ei!, isso não é uma afirmação minha, apenas é o que demonstra o gráfico.não sou nem deixo de ser estou mostrando o gráfico.

Dizem alguns que houve um acordo com o Primeiro Comando da Capital para diminuir o número de mortes no estado. Eu não sei se é verdade, mas no vídeo que coloquei no início deste texto é falado sobre a prisão de membros do PCC que executaram um rapaz, pois ele cometeu um assassinato mesmo sabendo que isso é proibido. Cada um que tire suas conclusões, mas o que sei é que Lima Filho tirou a seguinte::

“De acordo com Feltran, a substancial diminuição dos números de homicídios em São Paulo entre os anos de 2006 e 2011 resultou do estabelecimento de um único dispositivo de gestão da violência letal, produzido nas tensões entre políticas estatais e criminais – sendo essas última, sobretudo, as do Primeiro Comando da Capital. Os regimes de governo e crime – distintos e pretensamente autônomos, mas coexistentes – sofreram choques entre si bastante funcionais para ambos: ‘observa-se que deste conflito entre políticas do crime e políticas estatais produz-se uma espécie de ‘terceirização’ da segurança pública, na qual o governo segue sendo o ator central da tomada de decisões e o crime aquele que ordena territórios e grupos específicos nas periferias da cidade”.
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Primeiro Comando deixa Carta para o Crime do País.

Eu havia agendado para hoje a primeira parte de um estudo sobre a religiosidade e a facção paulista Primeiro Comando da Capital PCC 1533, no entanto, por um problema técnico, acabei optando por atualizar a lista de aliados e inimigos da facção. Quem procura acha e eu achei um interessante comunicado oficial.

A crescente e violência contra os familiares dos Pccs e mesmo contra pessoas da população culminou com o assassinato de uma mulher tetraplégica exclusivamente por ser familiar de um membro do Primeiro Comando no Rio Grande do Norte.

Só lamento pela situação de horror vivida ainda hoje naquele estado, ninguém merece o que está acontecendo por lá, mas fé em Deus que Ele é justo.

“PARA O CRIME DO PAÍS

O PCC vem deixar a todos os criminosos do país ciente que o nosso objetivo de expansão pelos estados tem por prioridade fortalecer o crime contra a opressão, covardia e inveja imposta dentro e fora do regime prisional, não buscando inimizades de ninguém, muito pelo contrário, somos de unir forças e buscar nossos objetivos em prol de todos, e tudo para os fracos e oportunistas somos um obstáculo para suas intenções capitalistas, não deixaremos de aplicar nossa ideologia por vantagem nenhuma que não seja proporcionada ou por qualquer obstáculo no caminho.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Estamos vivendo tempos conturbados onde facções e oposição estão se manifestando contra inocentes para protestar nossa evolução, lamentavelmente as ações covardes estão sendo investidas de maneira cruel contra pessoas que não tem nenhuma responsabilidade, e o quadro que se apresenta temos como exemplo a execução sumária de uma senhora tetraplégica no Rio grande do norte por ser mãe de criminoso, pois os pais de integrantes do PCC são assassinados por nada no Maranhão, uma menina de 14 anos em Santa Catarina assassinada somente por ser ADMIRADORA e ai vai…

Temos vários atos covardes a citar, esses estão violando o direito ao inocente agindo covardemente sem escrúpulos e sem razão.

Não entendemos esses comportamentos e tão pouco aceitaremos passivos, mais ao nosso ver esses tipos de atentados a pessoas inocentes só demonstrarão a fraqueza e postura e falta de objetivo dentro do crime, para estes a resposta chegará na direta e será implacável, estamos espalhados pelo país, somos mais de milhares integrantes em busca de Liberdade, Paz, Justiça, União e Igualdade.

Vivemos a realidade de cada estado e nos envolvemos na necessidade para encontrar soluções igualdade para todos, não a extinção e desigualdade do maior ao menor para nos todos estão envolvidos numa conquista entre direitos e deveres, muitos criminosos em São Paulo nas cadeias que predominamos e tudo que precisa tem nosso apoio pois o lema Igualdade é aplicada na íntegra sem extinção, respeitamos todas as facções criminosas que respeite a igualdade, fizemos a amizades, lutamos em batalhas em prol objetivos a todos e , conquistamos o respeito respeitando a todos os espaços, não forçamos ninguém a nos seguir, apenas damos exemplos de como pensamos e agimos.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Assim nossas fileiras crescem cada dia mais, pensamos que nossos inimigos são aqueles que dirigem e impõem as regras no sistema e a polícia nas ruas, contra esses e somos sempre ousado e abrindo portas para atingi-los, nossa forma de lutar contra esses é diretas e não procuramos atingir aleatoriamente desferindo o patrimônio que a própria população carente necessita, nosso alvo é o opressor e contra esses, unimos toda nossa inteligência e violência, não colocamos fogos em escolas ou carro de populares que no amanhã prejudica e só prejudicaria quem se utiliza desse serviço, nesse caso é a população, aprendemos com nossos erros e acertos, nosso alvo é direto ao opressor.

Não se conquista com patifarias a população, e tem crescido nos estados a onde outras facções sem ética tem tomado lojas, morros, favelas, e aterrorizando de pessoas que não são do crime, visando somente o poder. Aprendemos que o alvo é o opressor e representante contra esses vai toda a fúria.

Deixamos claro que respeitamos aqueles que merece respeito do crime e continuaremos a crescer e fortalecer os que nos respeitarem de igual, e mostrarmos que somos de fortalecer o crime e trataremos sempre com a igualdade todos criminosos que defendem a ideologia, acreditamos e estaremos juntos para lutar contra todos opressores, somos de cobrar diretamente nas forças opressores, acreditamos nessa resposta, onde estaremos não importa a região e o número de integrantes, a polícia e os agentes do governo sabe que não terão paz conosco, se não respeitarem nós como seres humanos, com tudo, o PCC está progredindo e cada vez mais enxergamos o quanto estamos no caminho certo.

Deixamos o nosso respeito a todos integrantes, amigos, companheiros e conhecedores da nossa filosofia e nos colocamos a disposição para qualquer esclarecimento.

Um abraço para todos.
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Estudo internacional vincula PCC ao Hezbollah

Caso você venha a dar uma passada por Basingstoke no Reino Unido posso indicar dois lugares para se conhecer: um deles é o Milestones Museum, no qual você pode voltar ao passado e andar nas ruas como elas eram em 1930, mas isso é para os fracos.

Em segundo lugar, indico para os leitores desse site indico darem uma passada pela Editora Palgrave Macmillan, que editou, agora em 2017, um estudo profundo sobre terrorismo e contra-terrorismo onde é analisado, entre outras coisas o envolvimento do Primeiro Comando da Capital PCC 1533 com grupos terroristas islâmicos:

The Palgrave Handbook of Global Counterterrorism Policy.

Scott Nicholas Romaniuk, Francis Grice, Daniela Irrera, e Stewart T. Webb examinam diversos tipos de estratégias e práticas terroristas e contra-terroristas em dezenas de países. O lado forte desta obra é sua abordagem multidisciplinar, incluindo, por exemplo, ciências políticas e relações internacionais, sociologia e história, além de examinar a teoria e a prática caso a caso.

Segundo a obra, a facção paulista deixou de ser um “simples bando de criminosos”, pois. devido à ausência do Estado, ela ocupou outras áreas, adquirindo importância política e ganhando significado social. Também é ressaltada a ação do PCC na região da tríplice fronteira” entre Brasil, Paraguai e Argentina.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Nessa região, vários fatores, como lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, drogas, e armas, unidos a comunidade local libanesa xiita, contribuíram para que a facção se aliasse aos grupos terroristas islâmicos na cidade brasileira de Foz do Iguaçu.

A Polícia Federal descobriu o pacto entre traficantes do Hezbollah e do PCC: contrabando e explosivos em troca de proteção para os soldados muçulmanos nas prisões brasileiras. As autoridades do Brasil (que normalmente não se preocupam com os terroristas) durante a Copa do Mundo 2014 temeram que a soma da força do Primeiro Comando e às técnicas do Hezbollah colocassem em risco o evento, caso o líder da facção fosse transferido para uma prisão de segurança máxima.

Em  The Palgrave Handbook of Global Counterterrorism Policy, as consequências desses fatos são analisadas, resultando em um levantamento histórico e estratégico sobre a influência dos diversos grupos terroristas árabes, incluindo a Al-Qaeda, dentro do território brasileiro e suas relações com as facções locais.
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Marcola, eu, e o português João Pereira Coutinho.

Marcola está preso, eu, por enquanto, não, e o colunista da Folha de São Paulo é estrangeiro. Bem, nossas histórias se cruzam em diversos momentos, apesar dos dois nunca terem ouvido falar em mim, e do fato de João Pereira Coutinho ser mais inteligente do que eu.

Outro dia uma repórter me questionou acerca de quais fontes privilegiadas que me forneceram informações sobre a opinião de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola do Primeiro Comando da Capital PCC 1533, e citando trechos das matérias que redigi. Bem… eu não queria contar, mas…

Ontem, recebi um trabalho feito por Graziela do Lago Maciel, para o Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, no qual ela abre o bico e conta sua fonte (que é a mesma que a minha) então eu já posso revelar meu segredo.

Uma dica: o título do trabalho dela é “Comportamento da Câmara dos Deputados em Relação ao Sistema Penitenciário Brasileiro”, uma análise sobre os projetos votados na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Pois é, minha fonte é a mesma.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Marcola depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, e a transcrição do depoimento está disponível para qualquer um ler. Só que poucos querem “perdem tempo” fazendo isso. Eu não ira contar a ninguém, mas como Graziela contou, eu conto também.

A mesma repórter insistiu na razão pela qual eu continuo a escrever se não estou ganhando nada com isso. Seria eu um ativista contra a injustiça de nosso sistema carcerário por possuir uma grande massa de negros e pobres? Seria eu um defensor das minorias?

Como aconteceu em quase todas as minhas matérias nos últimos meses, Coutinho me instigou com sua crônica “Direitos das Minorias’ nem sempre respeitam os ‘direitos das maiorias”, e, com isso, ele quase me obrigou a publicar a pesquisa da Graziela.

As minorias que me perdoem, mas não estou nem aí para com elas. Estou mais preocupado com as maiorias que Graziela apresenta em seu trabalho: 99% das pessoas encarceradas no Ceará estão presas há mais de três meses sem terem sido julgadas. E tem muito mais lá!

Enquanto isso, mantemos um sistema que criou a Audiência de Custódia, na qual o preso precisa ser ouvido em até 24 horas após a prisão para ser analisada a legalidade e a necessidade de manutenção da prisão, embora nessa situação o caso em si não seja devidamente analisado.

Pegue ao acaso uma centena de processos criminais e veja quantos defensores, durante o processo, apresentaram fatos que pudessem mudar de verdade o destino dos presos. Vamos ver, me deixe fazer as contas aqui… Quase nenhum!

O sistema foi montado para que o preso fique lá, apodrecendo enquanto espera a audiência que poderá ou não provar sua inocência, afinal, alguém tem que sustentar milhares de advogados criminais (mas eu já tinha falado sobre isso aqui).

Bem, Marcola fala disso o tempo todo, mas ele já está preso, eu, por enquanto, não, e o colunista da Folha de São Paulo é estrangeiro e, sendo muito mais esperto do que eu. prefere falar da opressão da minoria LGBT na Inglaterra em vez da inJustiça no Brasil.
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PCC um problema de fronteiras no Brasil.

Recebo, todos os dias, mensagens e ligações criticando meu trabalho, tanto por parte das forças de segurança quando por parte de integrantes da facção. Parece ser mais fácil o governo federal fechar os quase 248 mil quilômetros de fronteiras do que meus críticos chegarem a um consenso.

Pessoal, se decidam!!!

João Pereira Coutinho, nessa semana estava falando sobre esse tipo de comportamento: são pessoas que criticam o capitalismo, mas não vivem sem seu iPhone ou seus Androids de última geração. Assim se faz quando se fala sobre o Primeiro Comando da Capital PCC 1533: as pessoas criticam o sistema e os métodos, mas não vivem sem eles e não aceitam mudar a receita.

Enquanto os cães ladram, a caravana passa. Vamos aproveitar o mote e falar sobre as fronteiras.

O pesquisador Alex Jorge das Neves, capitão da Polícia Militar de Goiás, apresentou um trabalho para o Programa de Pós-Graduação em Estudos Fronteiriços, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que vale a pena ser lido: “Plano Estratégico de Fronteira, rumos e desafios da integração e cooperação em Segurança Pública no contexto dos Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteiras.”

Quando eu vi esse título já imaginei um texto chato e sem pé na realidade, mas, depois, me surpreendi com a facilidade de leitura e com a análise bastante clara do problema e das possíveis soluções. Nas próximas semanas destrincharei aqui esse trabalho, aos poucos.
O pesquisador analisa que o Primeiro Comando da Capital ganhou as ruas e se ramificou para o Paraguai e Bolívia por conta de uma nova configuração das organizações criminosas transnacionais, possibilitada pela globalização.

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Analiso e público trabalhos acadêmicos assim como processos criminais há seis anos nesse site, e isso, por vezes, me deixa triste. Alex que me perdoe, mas esse filme eu já vi. Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma, e agora Michel Temer. Mudam os nomes dos presidentes e dos programas que eles criam, mas na prática…
Assim como eu aqui do meu canto vejo os cães latirem e as caravanas passarem, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, viu a todos esses políticos e burocratas criarem programas e falharem, pois não vivem na realidade das ruas. Ele sim.
Ah! João Pereira Coutinho termina sua matéria falando sobre a Amazon, e eu lembro aqui que ela é parceira nossa aqui no site: quem quiser dê uma olhada na nossa seleção de produtos: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL.

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