O PCC e a curva de homicídio no Triângulo Mineiro

Um estudo do impacto na sociedade mineira do PCC que começou em abril de 2021 e deve se encerrar em setembro de 2022.

Gabriel Feltran, é o autor dos livros Irmãos: Uma história do PCCFronteiras de tensão: Política e violência nas periferias de São Paulo, além de ter colaborado em vários outros, é reconhecidamente um dos maiores especialistas quando o assunto é Primeiro Comando da Capital.

Atualmente, Gabriel é o pesquisador responsável por um estudo sobre o impacto da facção paulista no Triângulo Mineiro, no qual orienta Thalia Giovanna Marques de Sousa pelo Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR):

Tragédia e transformação: o PCC e as curvas de homicídio no Triângulo Mineiro/MG

Há vinte anos, o Primeiro Comando da Capital, passou dominar hegemonicamente o mundo do crime no estado de São Paulo, o que reduziu em mais de 66% as taxas de homicídio no estado.

A facção nasceu e se fortaleceu sob um Estado policialesco que utilizou como política de segurança pública o encarceramento em massa das populações periféricas.

Que a facção PCC 1533 também modificou as dinâmicas criminais de modo notável em Minas Gerais não resta dúvida, mas como e quais foram as consequências, como era e no que se tornou o mundo do crime, e como se dará essa expansão, são algumas questões que serão estudadas para se buscar, enfim a resposta para algumas perguntas:

  • Qual a relação entre a flutuação das taxas de homicídios no Triângulo Mineiro e a presença do PCC na região?
  • Como a expansão do PCC para o Triângulo Mineiro impacta as taxas de homicídios da região, comparando três municípios: Uberlândia, Uberaba e Araguari? — Biblioteca Virtual FAPESP

A facção PCC 1533 e Aarão do Complexo de Israel

O que se pode esperar da estratégia de crescimento da Comunidade do Complexo de Israel no intrincado tabuleiro do crime organizado.

O ativista russo de direitos humanos Artemiy Semenovskiy (Артемий Семеновский) comentou no grupo de WhatsApp do site que recebeu informações que Manaus teria sido dominada pelo Comando Vermelho (CV).

Fiquei intrigado.

Há muito rola por lá a guerra entre as facções, mas a definição do conflito não me parecia estar próxima, apesar de me preocupar com a postura de grupos que antes se aliavam ao PCC: Guardiões do Estado GDE e o Bonde dos 40 B-40.

O GDE passou para a neutralidade e o B-40 tornou-se inimigo, matando integrantes e saqueando suas biqueiras do PCC, enquanto a antes poderosa Família do Norte FDN se dissolve.

Fabrício dos Santos Chaves, um dos líderes da Família do Norte, se escondeu com a família em Teresina após a FDN ter desmoronado, mas acabou sendo preso juntamente com sua mãe dele e outras seis pessoas por homicídios cometidos no Maranhão.

A resposta para essa intrincada e bilionária disputa pelo poder e pelos negócios nas regiões Norte e Nordeste pode estar nas comunidades do Complexo de Israel CDI no Rio de Janeiro, como me fez ver o canal Band Net News.

O Complexo de Israel é um grupo criminoso carioca, contrário ao Comando Vermelho, e que, apesar de manter parceria com Primeiro Comando da Capital, é considerado um grupo neutro e não aliado, assim como o GDE.

Comandado pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa (Peixão ou Aarão), o Complexo de Israel tem suas bases nas comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro: Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas, e Pica-pau.

fonte: Canal Band Net News

O futuro do PCC nas mãos do Complexo de Israel

Aarão está mudando o desenho do crime organizado no Brasil.

A neutralidade de Aarão em relação ao PCC, permite que:

  • acesse seus produtos como drogas, armas e cigarros;
  • aproveite sua logística de distribuição e conhecimento;
  • contato com sua liderança do crime em todos os estados e países; e
  • feche parceria com o Terceiro Comando Puro TCP, aliado fiel dos paulistas no Rio de Janeiro.

Essa situação favorece o Primeiro Comando da Capital pois enfraquece o Comando Vermelho em sua base sem ter o custo de manter uma guerra direta no território onde seu inimigo está melhor estruturado.

No entanto, o Complexo de Israel demonstra que pretende despontar como uma força nacional e para isso fechou aliança com duas facções de fora do estado:

Aarão não faz segredo que pretende criar uma rota de transporte de drogas, armas e outros ilícitos a partir do Rio de Janeiro em direção ao Norte e fazer o caminho inverso com outros produtos oriundos da Rota dos Solimões.

Com a derrocada da Família do Norte, esperava-se que o PCC tomasse com certa facilidade a Rota dos Solimões, pois enfrentaria um Comando Vermelho enfraquecido por estar sendo atacado em seu território pelo Terceiro Comando Puro e demais aliados locais da facção paulita, e milicianos que usam as polícias Militar e Civil como tropas de apoio.

A integração da Rota do Solimões e da Rota Caipira sob o monopólio do PCC concentraria o abastecimento de ilícitos dos grupos, bondes, facções e vendedores individuais, e portos para exportação em todo o país.

É possível que a pretensão de Aarão se encaixe nesse plano, pois ao unir o Terceiro Comando Puro (Rio de Janeiro), Guardiões do Estado (Ceará), e Cartel do Norte (Amazonas), cria uma rota ligando Rio de Janeiro à Manaus, ao mesmo tempo em que auxilia os paulistas no enfraquecimento do CV.

Um ex-aliado (GDE), um antigo aliado (TCP), e um novo aliado (CDN) do Primeiro Comando da Capital passam agora a girar em torno do Complexo de Israel, que se torna uma nova força aglutinadora.

Aarão do Complexo de Israel seria o novo Marcola do PCC?

O Marcola era homicida, sequestrador, roubava banco, não tinha nada a ver com a facção, mas é um homem articulado. E quando ele foi levado para o presídio de Tremembé [no interior de SP] começa a conversar com os últimos presos políticos no sistema prisional e aprende com eles sobre como estruturar o tráfico, a gerenciar como uma empresa, ao mesmo tempo em que vende internamente para os detentos a ideia de uma irmandade revolucionária.

desembargadora Ivana David

A prisão e morte das antigas lideranças do Primeiro Comando da Capital podem ter desarticulado seus negociadores, ou as novas lideranças paulistas estão perdendo o contato e o respeito da tropa na base.

O canal Band Net News coloca o dedo na ferida ao afirmar que “as crias do Terceiro Comando Puro … tem o estado de espírito bastante semelhante dos crias do Guardiões do Estado e do Cartel do Norte.

Renato Alves Pereira, o Carioca, um dos líderes do Primeiro Comando Puro, perseguido no Rio de Janeiro, deu fuga para Fortaleza no Ceará, mocozando-se no bairro Vicente Pinzon e nas comunidades de Rosalina, Passaré e Itaperi.

Carioca caiu no campo em que guerreavam o Comando Vermelho e os Guardiões do Estado, e estava junto a eles quando perderam o território para o CV, e teve que retornar ao Rio de Janeiro, mas levou consigo 30 GDEs.

Com esse reforço, o Terceiro Comando Puro e as tropas do Complexo de Israel buscaram expandir seus territórios, assinando na prática um pacto de sangue entre os grupos cariocas e o cearense.

A disputa pelo território no Norte do Brasil Carioca também seguiu então para Manaus, para unir forças com o Cartel do Norte de João Branco, o vulgo JB, já corria com os crias do Primeiro Comando da Capital, para derrotarem juntos o Comando Vermelho que está nas mãos de Gelson Carnaúba, o Mano Gê.

Como em toda a guerra, a disputa pela capital do Amazonas é fundamental para quem quer ter o domínio sobre a Rota dos Solimões e o canal Band Net News mostra como está a divisão do território:

  • Zona Leste
    • Comando Vermelho domina com focos de resistência do Cartel do Norte em: Mozinha, Gilberto Mestrinho, São José e Tancredo Neves;
  • Zona Norte
    • Comando Vermelho domina o bairro Novo Aleixo com uma pequena área sob o domínio de um cria da Família do Norte,
    • Comando Vermelho domina a Cidade Deus e Cidade Nova com poucos focos de resistência do Cartel do Norte, e permanece em disputa o Conjunto Habitacional Viver Melhor e a Comunidade Monte Olimpo;
  • Zona Sul
    • Cartel do Norte controla com pouca resistência do Comando Vermelho em partes do: Alvorada, Morro da Liberdade, Santa Luzia, São Lázaro, São Jorge, e Vila da Prata, Parque 10 de Novembro, Colônia Oliveira Machado;
  • Zona Oeste
    • Comando Vermelho domina em especial no bairro Compensa, local onde a organização criminosa teve origem, mas tem sofrido ataques do Cartel do Norte no Carbraz, Parque São Pedro, Redenção e Bairro da Paz; e
  • Centro
    • Comando Vermelho controla com resistência no Bairro do Céu controlado por um cria chamado Marcelinho da extinta Família do Norte.

O Coroado de Manaus tem uma posição estratégica, é o bairro da Zona Leste que faz fronteira com a região central e é cheio de becos e vielas, que dificultam a a ação da polícia e facilita. — Ayrton Senna Gazel para o emtempo

“Agora é CDN. O coroado é CDN”, gritam eles. Os bandidos ainda aparecem ameaçando os jovens que estavam na quadra.

Um segundo vídeo, gravado no mesmo espaço, feito como “direito de resposta”, mostra membros da facção criminosa rival, Comando Vermelho, apagando as pichações e pintando a própria sigla no muro, também usando armas.

Graças as vitórias do Comando Vermelho sobre os crias dos Guardiões do Estado, vários deles foram para o Rio de Janeiro, onde se somaram aos crias do Complexo de Israel e do Terceiro Comando Puro atacando o CV em sua base.

Agora, com o enfraquecimento do CV carioca, os crias cearenses estão começando a buscar a independência. Nas penitenciárias de segurança máxima do Ceará já houve entrega de camisa de integrantes que se declararam “população”.

A neutralidade valeria também para as comunidades fortalezenses de : Curió, Alagadiço Novo, Lagoa Redonda, Guajerú, Coaçu e Paupina, todos na Grande Messejana, além de Moura Brasil e Itaoca; e para os municípios como Maranguape, Caucaia, Aracati, Crato, Sobral e Barreira. — BenditoJor

Ódio, Limpeza, Repetição — O Ciclo Fútil da Raiva na Polícia do Rio

O caso da chacina do Jacarezinho e uma análise sobre as possíveis consequências.

Artigo de Chris Dalby para o InSight Crime (livre tradução)

Mesmo o que parece ser um massacre liderado pela polícia dificilmente mudará a dinâmica da violência extrajudicial policial no Rio de Janeiro.

O estranho entrou na casa, cambaleando e deixando um rastro de sangue atrás de si. Ele correu para os fundos, para o quarto da menina de nove anos. A polícia não estava muito atrás, gritando para saber onde ele estava. Eles haviam seguido o sangue. As crianças se esconderam atrás da mãe. Os policiais foram para a sala dos fundos e tiros foram disparados.

“Minha filha nunca mais vai querer dormir lá”, disse mais tarde a mãe não identificada aos jornalistas, com pesados ​​rastros de sangue visíveis atrás dela.

Os relatos dos moradores do Jacarezinho são anônimos e difíceis de verificar. Mas todos eles parecem apontar para a mesma conclusão: este foi um massacre.

Em 6 de maio, pelo menos 25 pessoas foram mortas neste bairro da zona norte do Rio de Janeiro, incluindo um policial, no que foi chamado de a pior operação policial da cidade.

No início da manhã, cerca de 200 policiais, apoiados por um helicóptero que transportava um franco-atirador, entraram na favela . A operação foi baseada em “informações concretas de inteligência” de que o Comando Vermelho (CV), uma das maiores gangues do Jacarezinho no Brasil, vinha recrutando menores para suas fileiras, segundo nota da polícia.

Mas, de acordo com depoimentos de testemunhas coletados pela mídia brasileira e internacional, muitos dos mortos foram baleados dentro de casas, muitas vezes não nas suas próprias, enquanto tentavam fugir sem oferecer resistência.

O membro da comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Joel Luiz Costa, postou no Twitter que visitou várias casas no Jacarezinho e viu evidências semelhantes de execuções extrajudiciais em cada uma: “Casas derrubadas, tiros, execução. Não havia sinal de troca de tiros. Um menino morreu sentado em uma cadeira. Isso foi uma execução.”

VEJA TAMBÉM: Licença de Exercício Policial para Matar no Rio de Janeiro, Brasil

Outras organizações internacionais chegaram a uma conclusão semelhante.

“Embora as vítimas fossem suspeitas de associação criminosa (o que não foi provado), execuções sumárias como esta são totalmente injustificadas. A polícia tem o poder de prender, mas os tribunais têm o dever de processar e julgar os suspeitos de cometer crimes”, disse a Anistia Internacional em um comunicado.

Análise de crime InSight

As mortes no Jacarezinho não devem fazer diferença, apesar do grande clamor local e internacional.

Existe um padrão escuro. Em junho de 2018, Marcos Vinicius, 14, foi morto a tiros de um helicóptero da polícia enquanto vestia seu uniforme escolar no bairro carioca da Maré . Uma investigação foi iniciada, mas nada aconteceu.

Em setembro de 2019, uma menina de 8 anos foi baleada nas costas e morreu enquanto voltava para casa em uma van com sua mãe no bairro do Alemão. Uma investigação foi iniciada, mas nada aconteceu.

Esses incidentes de fogo cruzado são comuns, assim como a falta de investigação que se segue. Em 2021 até agora, o Rio viu 30 casos em que três ou mais pessoas foram mortas a tiros, para um total de 139 mortos, de acordo com o Instituto Fogo Cruzado do Brasil. Mas as autoridades se recusam a controlar a polícia.

VEJA TAMBÉM: Aumento de mortes por policiais no Brasil durante a pandemia de Covid-19

Vários fatores consagraram uma cultura de impunidade nas forças de segurança do Rio de Janeiro.

Em primeiro lugar, as declarações de certos políticos e jornalistas glorificaram o assassinato como uma medalha de honra para a polícia. O presidente Jair Bolsonaro deu carta branca às forças de segurança, e o ex-governador do Rio, Wilson Witzel, certa vez disse que a polícia deveria ter permissão para “massacrar … bandidos” de helicópteros.

Mesmo depois dos assassinatos do Jacarezinho, Tino Junior, apresentador do Balanço Geral RJ, programa popular da cidade, deu início a uma tempestade no Twitter, parabenizando os policiais por suas ações, incentivando-os a realizar mais batidas e até sugerindo às mães de as vítimas devem ser “aliviadas”.

“Devido à postura belicosa de “durão com o crime” do presidente, muitos políticos de direita, policiais e membros do público se sentem encorajados, pedindo mais repressão, não menos. Há uma proporção considerável de brasileiros que apoia a repressão aos bandidos . De fato, há um número desconcertante de cidadãos que apoiam chacinas como as que ocorrem no Jacarezinho”, disse à InSight Crime Robert Muggah, fundador e diretor de pesquisa do Instituto Igarapé, um think-tank brasileiro que pesquisa segurança no Brasil.

A palavra chacina não tem uma conotação jurídica como homicídio ou latrocínio, sendo representada no âmbito jurídico como “homicídios múltiplos”. Chacina, portanto, é uma expressão popular que desencadeou um acúmulo de violência contra um grupo de pessoas estereotipadas, seja pela classe social, cor da pele ou ação política.

Camila de Lima Vedovello e Arlete Moysés Rodrigues+

De acordo com Muggah, somente uma mudança real na liderança política pode trazer ações substanciais para melhorar a situação.

“É necessária uma comissão de inquérito sobre o massacre, incluindo a destruição de provas. Ao mesmo tempo, deve haver uma reinstalação dos mecanismos de supervisão da polícia, incluindo restrições mais fortes ao uso discricionário da força, penas disciplinares mais duras, o uso de câmeras corporais e treinamento e apoio para policiais que sofrem de doenças psicológicas. Estes são imensamente desafiadores devido à força das associações policiais, bem como à oposição política mais ampla”, acrescentou.

Em segundo lugar, os esforços dos tribunais para reprimir a violência são rotineiramente ignorados ou rejeitados. Em junho de 2020, o Supremo Tribunal Federal do Brasil proibiu as batidas policiais no Rio de Janeiro durante a pandemia COVID-19. O Ministro Edson Fachin determinou que os ataques só poderiam acontecer em “casos absolutamente excepcionais”.

Embora as operações policiais tenham diminuído significativamente por alguns meses, agora elas voltaram aos níveis anteriores à pandemia. As incursões caíram 64% com relação ao ano anterior entre junho e setembro de 2020, mas a partir de outubro de 2020, aumentaram rapidamente para pelo menos um por dia. Entre junho e março de 2021, a polícia do Rio matou 797 pessoas, segundo relatório da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“É um absurdo. A mais alta corte toma uma decisão e as autoridades políticas não a respeitam, violam-na deliberadamente. Isso é um risco para o Estado de Direito no Brasil”, disse Daniel Hirata, professor de sociologia e autor do relatório, ao Guardian.

De acordo com Benjamin Lessing, professor da Universidade de Chicago que examina o crime organizado, a decisão da Suprema Corte ainda foi um passo na direção certa.

“É difícil imaginar uma decisão judicial que proibisse totalmente os policiais de entrar nas favelas. Devia haver exceções. Mas a violência caiu meses após a decisão. De modo geral, o método que mais consistentemente reduz a violência no Rio é limitar as operações policiais”, disse Lessing à InSight Crime.

“É difícil provar que a operação foi feita deliberadamente para beneficiar as milícias. Mas isso os beneficia, e se em alguns meses o Jacarezinho virar território de milícia, devemos olhar para trás para esse massacre como um passo importante”, disse Lessing.

“Independentemente disso, milícias em todos os lugares podem usar isso como uma forma de obter apoio civil. Esses tiroteios não acontecem em áreas controladas por milícias. Assim, as milícias podem prometer aos moradores que os tiroteios não acontecerão mais”, acrescentou.

“Acho que elas são piores do que as facções. No caso da facção fica muito claro quem é o bandido e quem o mocinho, a milícia transita entre o Estado e o crime, o que é bem pior.”

desembargadora Ivana David

No Jacarezinho, os protestos começaram, com moradores indignados exigindo uma investigação. A polícia afirmou que a operação foi justificada, que os protocolos foram seguidos e coordenados com a Delegação de Proteção à Criança e ao Adolescente do Rio (DPCA). A proteção deles pode não ser muito consoladora para a menina de nove anos que viu um homem morto a tiros em seu quarto.

Com certeza, há uma longa história de crianças sendo recrutadas por grupos do crime organizado no Brasil, na maioria das vezes usadas como mensageiros de drogas. Já em 2002, a Organização Internacional do Trabalho informou sobre crianças sendo recrutadas em gangues de drogas no Rio e usadas como traficantes, vigilantes ou para embalar drogas. Em 2020, o governo do estado de Goiás informou que foram interceptadas mensagens dentro de um centro de detenção de jovens, mostrando adolescentes recrutados pelo CV e seus rivais do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mas é incerto qual impacto essa invasão terá na capacidade do CV de fazê-lo no futuro, se houver.

Artigo de Chris Dalby para o InSight Crime (livre tradução)