Imagem é tudo: os facciosos do PCC como vilões

A imprensa como construtora do imaginário do membro da facção Primeiro Comando da Capital como vilão e “inimigo público número um”, e os números do Google Trends 2018.

A imprensa e o Primeiro Comando da Capital

Os ataques do PCC acabaram, mas o pior vem agora

Eu aguardei o fim dos ataques promovidos pelo Primeiro Comando da Capital para fazer uma análise sobre dos números referentes ao período de movimentação da facção. Não pretendo me ater aos ataques e suas causas, e sim no interesse popular.

Este site possui uma página com dados estatísticos em tempo real que podem informar sobre as ações dos membros do PCC na linha do tempo e em sua localização geográfica – ferramentas interessantes para quem estuda a organização criminosa.

Outras ferramentas complementares estão disponíveis em outros pontos do site. Então, esperei os dados indicarem que a turbulência havia passado e fui compilar as informações — simples assim.

Antes de postar os resultados, encontrei-me com Reginaldo. Pior viagem. Se arrependimento matasse, eu teria sido fulminado. Reginaldo destruiu, ou melhor, desconstruiu toda minha linha de raciocínio.

Talvez você conheça Reginaldo Osnildo Barbosa por ter lido seu livro “Vidas quebradas: reflexos do crack”. Eu só vim a conhecê-lo por meio de sua tese “Análise do fortalecimento da imagem do vilão mediante o medo expresso nas tecnologias do imaginário” (UNISUL).

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PCC 1533, poder e medo registrado no Google Trends

Tudo me parecia simples com o fim da onda de ataques, no entanto, Reginaldo mostrou que não, o pior viria agora: é preciso entender o que se passou comigo e contigo, mas, principalmente, o que se passou com a imprensa.

“Quando tiros desferidos contra postos policiais, ônibus queimados e outros incidentes levaram medo para dezenas de cidades…” — É quase impossível afirmar quando essa frase foi pronunciada, encaixando-se perfeitamente em diversos momentos após 2002.

Quem nasceu após 1995 apenas o que ouviu falar sobre o poder e o medo que a facção paulista pode gerar. A média de interesse pelo termo “Primeiro Comando da Capital” segundo o Google Trends, em 2018, até o dia 15 de junho, estava em 9,5 pontos, contra uma média histórica de 3,4 pontos de fevereiro de 2004 até dezembro de 2017.

Eu considerava momentos de pico quando as buscas pelo termo alcançavam a marca de 6 pontos — em catorze anos, esse fenômeno ocorreu em 10 ocasiões, sendo que em 2018 apenas o mês de maio ficou abaixo dessa marca.

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Picos históricos de busca para o termo “Primeiro Comando da Capital”

  1. 2006, de maio, 100 pontos — Mega ataque em São Paulo;
  2. 2006, agosto, 29 pontos — Sequestro de repórter da Globo para divulgação do estatuto;
  3. 2018, junho, 14 pontos — queima de ônibus em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte contra tortura e falta de condições nos presídios, ações de inteligência contra a facção;
  4. 2018, de fevereiro a abril, pico de 14 pontos — Assassinato de Gegê do Mangue;
  5. 2004, junho, 10 pontos — (Deus sabe o porquê);
  6. 2012, outubro e novembro, pico de 10 pontos — 20 anos de Carandiru — eleições municipais;
  7. 2005, dezembro, 8 pontos — balanço geral do ano do Mega ataque;
  8. 2017, janeiro, 7 pontos — Massacre no Presídio de Compaj — Guerra contra a coligação FDN–CV no norte do país;
  9. 2017, de dezembro à janeiro de 2018, 7 pontos — Guerra entre PCC e as facções FDN–CV; e
  10. 2006, dezembro, 6 pontos — PCC e as escolas de samba.

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Eu, você, a imprensa, o PCC e a colunista do Estadão

A colunista do jornal O Estado de S. Paulo, Eliane Cantanhêde, chamou-me a atenção para a forma como a imprensa repercute o ponto de vista do Estado e de suas forças policiais sem se preocupar de fato com a verdade:

“Depois dos caminhoneiros […] o Brasil está tentando respirar, e agora, esses ataques do PCC, e isso é muito grave porque não tem reivindicação nenhuma por trás, eles inventam que é por causa das condições dos presídios, mas não é, né? É uma demonstração de força, né?

E é muito preocupante, num país que está aí machucado por uma série de coisas. Foram 24 ônibus queimados em 24 horas em Minas Gerais por ordem do principal e mais perigoso e aterrorizante grupo criminoso do país, que é o PCC. Os estados estão de cabelo em pé preocupados, porque é ordem do PCC.”

Raíssa Benevides Veloso e Francisco Paulo Jamil Marques me chamaram a atenção para a situação no seu artigo “O Papel das Fontes Oficiais na Cobertura sobre Segurança Pública — um estudo do jornal O Povo entre 2011 e 2013”.

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A imprensa e os ataques do PCC de junho de 2018

A imprensa oficial demoniza as facções criminosas e a crise carcerária, utilizando-as como espetáculo de circo televisivo, como já havia nos contado Gilson César Augusto da Silva, no trabalho “Reality Show das Prisões Brasileiras”.

Por outro lado, há a mídia alternativa fortalecendo a imagem do fora da lei Robin Hood, e dessa forma chegam histórias contadas por pessoas como José Carlos Gregório, mas nos ataques em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte ouviu-se apenas uma voz.

O absurdo comentário de Cantanhêde, de que não havia exigência ou consistência nos ataques do PCC, se explica nesse contexto. A autora estava trabalhando, conscientemente ou não, para a construção de um mito, para o reforço de uma imagem do crime organizado (vilão).

À exceção do trabalho da repórter Carolina Linhares, da Folha de S. Paulo, que destacou tanto a causa do conflito quanto a posição do governo e a ação das forças públicas, em mais de uma centena de reportagens só as consequências e a ação das forças públicas foram noticiadas.

Até mesmo o UOL, em uma reportagem assinada por Carlos Eduardo Cherem, replica o discurso oficial e termina informando que: “A PM ainda informou que uma árvore foi queimada no local.” — mas não citou a demanda dos manifestantes.

“As matérias noticiosas são carregadas de imaginários, que por sua vez geram identificação com a imagem que é fortalecida, angústia diante dos acontecimentos, alegria perante as conquistas coletivas; mas também disseminam o medo já existente, levando a uma interpretação comum entre os consumidores.

Enquanto instituição, o jornal faz circular na sociedade sentidos naturalizados a partir da imagem (validada) que projeta na sociedade, como se estivesse propenso a exercer a função de informar, relatar a verdade”

A falta de espaço para apresentação democrática de um pleito leva às manifestações violentas. A história demonstra que o controle da imprensa somado à ação policial apenas protelam e intensificam as ações seguintes, que tendem a ter cada vez mais força.

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Eu e você na construção da imagem do integrante do PCC

Reginaldo demonstra que todos nós somos responsáveis pela construção da imagem do integrante da facção Primeiro Comando da Capital e, ao mesmo tempo que consumimos a ideia, ajudamos a reforçá-la.

Procuramos as notícias sobre a facção que nos agradam, e os meios de comunicação vão produzir para nosso consumo o produto que nós buscamos; assim, a construção e o reforço da imagem é autoalimentada, e se distancia cada vez mais da realidade.

A qual estereótipo você se alinha? Ou talvez você não esteja entre os dois extremos, e sim perdido na bruma existente entre a luz e as trevas:

  • O membro do PCC é aquele que mantém a ordem, a lei e a disciplina nas periferias e nas prisões, e sem sua presença voltamos ao caos?
  • O membro do PCC é o mais perigoso dos bandidos, capaz dos crimes mais brutais e um câncer a ser extirpado mais rapidamente do seio da sociedade?

Os números do Google Trends demonstram que, independente de seu ponto de vista, a presença do membro da organização criminosa paulista, seja como vilão ou como herói, nunca esteve presente de maneira tão intensa e por tanto tempo ininterrupto.

O que isso pode significar? Bem, eu não sei, mas se você quiser pode perguntar para o Lincoln ou Cantanhêde, ele provavelmente vai lhe dizer que estamos assistindo o colapso do PCC, e o início de uma nova era, ou, talvez – apenas talvez – prefira ter a opinião da repórter Carolina Linhares, da Folha de S. Paulo.

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PCC 1533 — aqui homem é homem

Dois psicólogos questionam as razões pelas quais os traficantes são homofóbicos e prezam por sua masculinidade — mas os traficantes não estão nem aí para os dois.

A questão da masculinidade e da homofobia no PCC

A masculinidade e os homens da facção PCC 1533

Saída obrigatória para feministas e gays

Às feministas e aos homens que buscam se libertar das amarras estigmatizantes impostas culturalmente sobre sua sexualidade, indico o podcast “Masculinidade e Sentimentos” do programa Mamilos. Se esse não é seu caso, continue a leitura…

Camila, André e Wiliam, cada um sob sua perspectiva profissional, já haviam puxado esse assunto, mas foi o pastor Anderson Silva da Igreja “Vivo por Ti”, afinal, quem me convenceu a preparar este artigo, quando declarou que…

“… sem homem a vida não funciona, não funciona nada, não funciona a igreja, não funciona a família, não funciona a sociedade, pois o homem é a engrenagem central.”

Tentei imaginar um mundo onde a polícia e os criminosos não fossem homens, mas não consegui — tente você, quem sabe se sai melhor que eu (cuidado para não produzir em sua mente um enredo de pornochanchada brasileira da década de setenta).

A socióloga Camila Nunes Dias foi a primeira a me chamar a atenção para o machismo e a homofobia dentro da estrutura criminosa, quando, em dezembro de 2016, em entrevista para o repórter Guilherme Azevedo da UOL, ressaltou os costumes conservadores da organização:

… a principal atividade do PCC é ganhar dinheiro com meios ilícitos. Mas só o aspecto econômico não define o grupo. O PCC não é revolucionário, é uma organização conservadora e que tem valores como o machismo e o repúdio aos homossexuais.”

Confesso que ao ler o título da matéria, já, de cara, discordei de Camila, afinal, considerar uma facção criminosa como uma “organização conservadora” me pareceu um absurdo, assim como dizer que polícia e bandido são iguais, como fez Tarsila e Anderson Silva.

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Mulher quer homem de verdade (macho alfa)

A doutora em Direitos Humanos Tarsila Flores me irritou quando veio com essa história de “efeito dobradiça”:

[São] como a imagem de uma dobradiça: duas partes de um mesmo conjunto, contrários no que se percebe quando a porta está fechada; mas, quando se abre, a dobradiça coloca as duas partes em pé de igualdade. Quando a porta se abre, a situação entre a legalidade e a ilegalidade se iguala…

Tarsila afirma que a violência e o preconceito são características tanto dos criminosos quanto dos policiais. As duas partes, que se achavam antagônicas, na realidade se espelham, e o pastor Anderson Silva expande esse conceito para a sexualidade:

“Inconscientemente, mulher gosta de bandido. Inconscientemente, mulher gosta de policial. Inconscientemente, mulher gosta de um heroísmo. Porque o bandido é o chefe do bairro, e isso sugere o que? Proteção. O policial militar é símbolo de força, farda significa poder. Olha só o recado que é enviado, é subjetivo.”

No entanto, não foi nem Tarsila, nem Camila, e muito menos Anderson Silva, quem me esclareceu sobre a questão da sexualidade dentro da facção PCC. Foram os psicólogos André Masao Peres Tokuda e Wiliam Siqueira Peres.

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Lobos em busca de suas alcateias

O artigo “As relações de gênero e os sujeitos que atuavam, atuam, no comércio de drogas ilícitas”, escrito por eles e publicado na Revista INTERthesis da UFSC, aborda a necessidade de os integrantes desses grupos sociais provarem que são “homens de verdade”.

Ao escolher essas profissões, o indivíduo busca participar de um grupo social, cujo estereótipo melhor se adequa a sua personalidade, e dessa forma acaba alimentando ainda mais o que seria a “realidade das ruas” no imaginário cultural:

Quando não se sente na pele, a mídia se encarrega de fortalecer o sentimento de medo que está em todas as classes sociais, seja temendo o bandido, o traficante, seja, principalmente na classe pobre e com pessoas negras, a violência da polícia.

Os pesquisadores avisam que focaram seu estudo nos traficantes de drogas, e afirmam que a questão da sexualidade é apenas uma das dezenas que influenciaram a escolha daqueles que optaram por esse caminho, mas é um fator que não pode ser ignorado.

Quase todos os que são presos por tráfico são oriundos de regiões conhecidas por serem “berços da criminalidade”; mas quais fatores biológicos, como aqueles genéticos, neurológicos, bioquímicos e psicofisiológicos, somam-se às conhecidas causas sociais e psicológicas na construção desses indivíduos?

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Garotos sem pais descarregando suas frustrações

Quando eu era garoto, apenas nas periferias se viam casos de famílias desestruturadas, sem a tradicional formação de pai, mãe e filhos, todos vivendo sob o mesmo teto até que os filhos se casassem e fossem viver a própria vida.

Todo problema do ser humano é um problema de paternidade, pode observar, os mais alucinados da sociedade tem um problema básico de orfandade, eu tenho, eu estou aqui todo tatuado por uma questão de orfandade, parece uma escolha, mas não é uma escolha…”

André e Wiliam demonstram que o Estado reforçou a ideia de que o aumento da violência estava vinculada às famílias desestruturadas, que viviam fora da concepção de “família nuclear”. Mas e agora que a classe média também abandonou esse modelo?

A mídia e o Estado já estão adequando seu discurso para refletir esses novos valores aceitos pela sociedade, mas, ao abandonarmos o discurso antigo, verificamos que a causa do problema pode estar na procura da afirmação e da satisfação da libido.

A afirmação de masculinidade, que tanto orgulho traz aos membros da facção PCC 1533 e das corporações policiais, nada mais seria que respostas irracionais, que objetivam resolver seus conflitos pessoais, descarregando, assim, suas tensões e frustrações.

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Você acha que todo preso é infame?

Os pesquisadores quase caíram na arapuca que tanta dor de cabeça deu à Sérgio Buarque de Holanda: chamar os presos de infames ― mas o velho mestre lhes mandou alguém para demovê-los desse intento.

Infames, pela ótica foucaultiana, são as pessoas que tornam-se invisíveis para a população ― como é o caso das pessoas que estão presas. Tudo bem, mas o brasileiro age de forma cordial, na ótica de Sérgio Buarque, e dessa forma desceriam o pau nos pesquisadores antes que eles tivessem tempo de se explicar.

Vale o que parece ser, e não o que realmente é. Até hoje, os estudos sobre a relação entre a masculinidade e os crimes se restringem às questões de gênero e violência doméstica ou contra a mulher ― vemos apenas o que nos interessa ver.

“Todavia, a partir de nosso referencial teórico e das entrevistas realizadas com os sentenciados, acreditamos que as definições do que é ser homem em nossa sociedade tem grande importância quando se pensa nos motivos da entrada para o ‘mundo do crime’.”

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Qual é o seu tipo de macho predileto?

“Muhammad Ali dava entrevista assim, ó! Era um nego folgado, brother! Ele dava entrevista, ó, era forte, brother! Ele insultava outros negros, ele confrontava outros boxeadores que não se posicionavam em relação às questões raciais da época. Então imagina isso na alma feminina? Negão assediado, heroísmo desperta libido!”

Não tem a menor importância qual o tipo de homem que você considera macho, pois Georges Daniel Janja Bloc Boris afirma que cada um de nós terá um conceito diferente sobre a masculinidade ― mas é interessante saber a imagem idealizada nas periferias.

Se aquele ambiente estiver vinculando a imagem do “homem viril” ao profissional do crime, os garotos tentarão se integrar aos grupos criminosos. Por essa razão, André e Wiliam buscam alertar para esse ponto da construção do imaginário.

Nas periferias, o macho procurado pelas arlequinas e pelas novinhas não é “o homem branco, de classe média, heterossexual, viril, procriador, cristão e impenetrável”, como nos fez crer “Robert Connell”; é o ladrão, é o Muhammad Ali tupiniquim.

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Aprendido em casa e nas ruas, e reforçado atrás das muralhas

Simone de Beauvoir afirma que o conceito do que é ser homem e do que é ser mulher é um padrão comportamental construído através da cultura, e temos um ambiente extremamente machista dentro das muralhas.

Nas prisões, cada momento do dia é um “exercício de rivalidades e confrontos de forças entre machos, sobre machos, que garantiam a sobrevivência e o privilégio de deter o poder, dentro do presídio, sobre os outros presidiários; dupla penalidade: do estado sobre seu corpo enquanto criminoso, do líder da prisão sobre seu corpo enquanto inferioridade e submissão.”

A hegemonia do Primeiro Comando da Capital suavizou as relações. Antes do domínio da facção paulista, o homem que não conseguia se garantir, através da força ou do dinheiro, virava “mulherzinha” ou escravo sexual ou laboral atrás das grades.

No entanto, ainda hoje, o interno, seja um menor em uma fundação socioeducativa ou em uma prisão de segurança máxima, seja um primário que acaba de chegar ou o líder da organização criminosa paulista, todos têm que garantir seu lugar dia a dia.

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É assim que funciona — é mais não é

Os pesquisadores concluem, então, que os homens envolvidos no tráfico de drogas são pessoas que têm propensão a atitudes machistas; no entanto, os estudiosos lembram que não é essa a razão de haver crimes ou tráfico de drogas.

Dentro das organizações, não se questionam as razões do ambiente ser homofóbico, machista e conservador. Pode-se dizer que discussão se restringe sociedade extramuros, mas nem os pesquisadores conseguiram achar uma literatura consistente a esse respeito.

Uma visão utilitarista pode argumentar que os facciosos se protegem ao criar mecanismos contra o abuso sexual dentro dos presídios, muito comum antes da hegemonia da facção Primeiro Comando da Capital nas penitenciárias.

Dicionário do PCC 1533 — Regimento interno da facção

36. Pederastia:
Se caracteriza quando se pratica sexo com pessoas do mesmo sexo, difere do homossexualismo porque o praticante é ativo somente e não passivo.
Punição: Exclusão e é cabível cobrança com análise da sintonia.

Para conhecer melhor os argumentos dos pesquisadores, só acessando o trabalho. Destaco, no entanto, um trecho de suas conclusões:

“Desmistifica-se a ideia de que todos trabalhadores do comércio de drogas ilícitas (do dono da boca até o vendedor) são os “terroristas brasileiros”, um olhar alimentado pela “mass media” e que sempre se atualiza no imaginário social. Propomos a ampliação desses olhares para as histórias de vidas destes sujeitos, não os colocando como coitados ou coitadas, mas que a desigual realidade social brasileira fique clara, assim como as normatizações de classes, gêneros, raças e cores que se tem em nossa sociedade e que participam da construção de desejos que inserem esses sujeitos aos contextos demarcados pelo comércio e outras atividades ilegais.”

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Os ataques do PCC: os dois lados da moeda

Preso afirma que as manifestações do PCC foram contra a opressão do sistema carcerário, o jornal O Estado de São Paulo diz que não.

Eliane Cantanhêde e os ataques do PCC em MG e RN

Houve ou não uma justa razão para os ataques do PCC?

Eu não vou entrar nessa discussão, você que ouça de um lado a colunista do jornal O Estado de S. Paulo, diretamente de Brasília, e do outro lado, um ladrão — tire suas próprias conclusões de quem está certo ou errado.

“Errar é humano, mas persistir no erro é burrice.”

Os faccionados dessa vez optaram por não utilizar uma tática que não deu certo no passado — há coisa de um ano, as mulheres dos presos tentaram fazer uma manifestação na Avenida Paulista em São Paulo, para denunciar as atrocidades que ocorriam nas prisões, mas a polícia abriu investigação e mandou interrogar à todas antes das manifestações que acabou não ocorrendo, então dessa vez…

“O plano inicial era fazer uma manifestação pacífica em Natal contra o que os bandidos chamam de opressão no complexo prisional de Alcaçuz [em Nísia Floresta, na Grande Natal]”, afirmou um dos responsáveis pelas investigações…”

O ponto de vista de quem corre pelo certo pelo lado certo da vida

Eliane Cantanhêde afirma:

“Depois dos caminhoneiros […] o Brasil está tentando respirar, e agora, esses ataques do PCC, e isso é muito grave por que não tem reivindicação nenhuma por trás, eles inventam que é por causa das condições dos presídios, mas não é né? É uma demonstração de força, né?

E é muito preocupante, num país que está aí machucado por uma série de coisas. Foram 24 ônibus queimados em 24 horas em Minas Gerais por ordem do principal e mais perigoso e aterrorizante grupo criminoso do país, que é o PCC. Os estados estão de cabelo em pé preocupados, porque é ordem do PCC.”

O ponto de vista de quem corre pelo certo pelo lado errado da vida

“Quem veio zoar nóis foi a polícia, isso foi falta de comunicação da polícia. Onde aqui tem o procedimento, qualquer um que chega na cadeia eles aplicam o procedimento em nós por isso, nós parou, nós resolvemos não enfrentar o terror.

Eles vieram com ameaças, dizendo que iam dar a resposta às cinco horas da tarde. Aguardamos a resposta da direção, onde eles vieram e disseram quem não tinham nada para nós, que era para retornarmos para as celas.

Nós sentamos no final do pátio, todo mundo desarmado, onde eles vieram e dispararam vários tiros contra nós, sem reação alguma. Nós somos do crime, nós lenvantamos, sim, e se precisar, nós vamos levantar de novo.

A polícia não vai oprimir, nós, porque lutamos contra a opressão, estamos todos aí, capacitados, jamais tomando atitudes isoladas, isso nunca. Sabemos as consequências de cada ato, tudo tem uma reunião antes.

Tem qualquer parada, a decisão é de todos, em cima de irmão, de companheiro, e todo mundo está na mesma batida, para não ter consequência para um e outro, para ninguém vir dizer que foi fulano ou sicrano.

Tá todo mundo unido nessa situação, a gente não quer nada mais que uma atenção para nós em cima dessa injustiça dessa máquina opressora.”

Os ASPENs também discordam da colunista do Estadão

O presidente da Associação Mineira dos Agentes e Sistema Prisional rechaça a tese defendida pelo governador que são as duras regras impostas aos encarcerados no estado que esteja causando revolta no Primeiro Comando da Capital.

Ele diz que a reivindicação dos faccionários se deve à falta de condições nos presídios — coisas que a colunista do jornal, O Estado de São Paulo, não pode ver de dentro da segurança de seu lar, mas que ele de trás das muralhas pode perceber.

ASPENs se manifestam no caso dos ônibus queimados