É TD3 passa nada, afirma o Estadão.

Márcio Sérgio Christino conta que o PCC sabe que existe uma lacuna de organizações criminosas na América latina, e que se aproveitará das crises em países vizinhos, como a Venezuela e Bolívia, para preencher este espaço.

Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) passaram a cooptar venezuelanos que entraram no Brasil em busca de uma vida melhor, mas que foram presos por crimes comuns, como roubo de celulares. A situação é verificada na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), a maior do Estado de Roraima. O procurador de Justiça Márcio Sérgio Christino, que estuda a atuação do PCC, diz que o objetivo do grupo é se tornar o primeiro cartel brasileiro internacional, e para isso, precisa estender suas raízes na América do Sul. No entanto, o membro do Ministério Público de São Paulo lembra que uma vez dentro da organização, os venezuelanos não poderão mais sair.

Onde citei neste site o Ministério Público de São Paulo MP-SP → ۞

No PCC homem não chora e corre pelo certo

Em um mundo onde o homem está sendo desconstruído, o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) sustenta a imagem do homem cisgênero.

A questão de gênero dentro do PCC 1533.jpg

Conheci durante minha vida alguns caras muito legais, outros nem tanto. Um deles, aprendi a admirar por estar sempre para cima, trazendo bons conselhos e sendo muito ponderado. Mas outro dia ele disse algo que me surpreendeu — e olha que não é qualquer coisa que me surpreende hoje em dia:

“… que nada, ri muito, enquanto arrancava o coração dele.”

Ele se referia a um vídeo no qual um integrante do Comando Vermelho (CV) teve sua cabeça cortada e seu coração arrancado, bem que achei que tinha reconhecido a voz dele na gravação, mas não imaginava que tinha sido alguém que eu conhecia, esse tipo de coisa nunca é feito por gente que a gente conhece, sempre por desconhecidos..

O que falei neste site sobre a guerra entre facções → ۞

Bem, foi um período em que muitas cabeças rolaram e muitos corações pulsaram ainda vivos nas mãos dos inimigos, mas acho que me lembro daquele em especial.

Poucos dias depois, em um grupo do Facebook, depois de disponibilizar um texto, alguém comentou: “Imagina o mafioso mimimi reclamando dos rivais querendo invadir o território deles, vão fazer textão e colocar as feminazis pra defender eles da opressão dos mafiosos inimigos, e vão reclamar no programa da Fátima Bernardes…kkkkk”

Pois é, enquanto converso com um, converso com outro, fico meio perdido. Não imagino o cara do PCC utilizando palavras como mimimis ou feminazis, ou qualquer outra frescura do gênero. Por outro lado não duvido da masculinidade do facebookiano, cada um apenas age de acordo com o ambiente no qual foi formado.

Como os homens são construídos e desconstruídos é o assunto discutido no livro Gênero, sexualidade e sistemas de justiça e de segurança Pública, da EdiPUCRS, organizado por Patrícia Krieger Grossi, Beatriz Gershenson e Guilherme Gomes Ferreira.

Após receber o link para conhecer a obra, a deixei de molho por uma semana, pois pensei que seria mais uma pregação LGBTTQI, mas não, bem… pelo menos não muito.

Apesar da obra utilizar termos do tipo sociopolítico-espacialmente segregadas e retroalimentação dialética, ela consegue se fazer entender por qualquer um — até por mim — que não aprendeu o que sabe nos livros de referências. Por falar nisso, eles citam em determinado momento:

“Uma maior presença da mulher no tráfico de drogas (…) que tem sido pautada pela discricionariedade policial na tipificação penal, pela ausência de critérios objetivos na diferenciação entre usuárias e traficantes pela seletividade policial e judicial.”

Só pode estar de brincadeira.

A fonte deles foi um profissional de segurança pública altamente gabaritado, mas será que ele conviveu com alguma Arlequina, trocou ideias com as novinhas em uma avenida? Ou apenas tirou sua noção do dia-a-dia policial, do depoimento que elas deram na delegacia e do relatório de seus subordinados?

Convido você que critique esse livro — eu mesmo já dei uma ou duas cutucadas aqui —, mas vivemos em um tempo em que os inimigos e os aliados são conquistados sem o uso da razão, então eu peço que você faça sua crítica somente após ler a obra, e conhecer o ponto de vista dos organizadores — e só depois a critique muito, ou a apoie.

Conheci durante minha vida alguns caras a quem aprendi a admirar, outros nem tanto. Em um trecho do livro, apoiando-se em uma opinião da professora Alda Zaluar, os organizadores destacam que estar sempre para cima, dar bons conselhos e ser muito ponderado nem sempre é sinal de masculinidade:

“… o homem no imaginário cultural coletivo [está relacionado com] … atributos como a ‘coragem’ e sua demanda, a intolerância ou o estímulo a brigas e a confrontos, a defesa da ‘honra’ masculina e a valorização de comportamento de ‘risco’ (relacionados ao uso de ilícitos e ao porte de armas, à velocidade no trânsito, à sensação de adrenalina) com a prevalência de homens cisgêneros como autores e vítimas nos índices de homicídios vinculados ao ‘mundo do crime’.”

Pensando assim, o soldado do PCC, mesmo que arranque rindo corações, por ser cordato, não se encaixa na descrição de Alda Zaluar do modelo de homem. Já o facebookiano que encara o “perigo” e o “risco” de discutir num grupo do Facebook, atacando com veemência os mimimis e as feminazis, esse sim é o cara…

Se bem que acho que o PCC e as novinhas não estão nem aí pra isso.

A mulher do Acre: a acadêmica e a guerreira do PCC

A Segurança Pública em Roraima, através dos dados estatísticos de 2016, e o aparecimento no estado da facção Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).

A mulher conquista seu maior direito matar e morrer.

É possível levar a sério um artigo acadêmico sobre a violência e a criminalidade urbana em um estado que é só selva? E se eu disser ainda que foi escrito por uma mulher? Este é o caso de Retratos da Violência Urbana e da Criminalidade em Boa Vista — Roraima: A capital mais setentrional do Brasil, de Janaine Voltolini de Oliveira.

Nossa! Me senti agora como Monteiro Lobato!

Você já leu o livro Éramos Seis, de Maria José Dupré? Quem prefaciou a edição que li foi ninguém menos que Monteiro Lobato, ícone de nossa história, responsável por parte da formação cultural de nossa nação, que no prefácio não se vexou em contar que recebeu de seu editor o original do livro de Dupré que narrava a vida de uma mulher que cuidava e seus filhos, desde pequenininhos até a fase adulta — ele se recusou a ler a obra, pois tinha sido escrita por uma mulher e a premissa era ridícula.

Após muita insistência do editor, Monteiro Lobato, acabou lendo e se apaixonando pelo trabalho da autora (assim como eu).

Janaine não é Dupré e eu muito menos sou Monteiro Lobato, mas Dupré não podia prever que Lobato não iria querer lê-la por ser mulher, e Lobato não poderia prever que em cinquenta anos sua obra quase seria proibida por ser sexista e racista, assim como Janaine não poderia prever que um leitor seu chegaria a estas conclusões:

O artigo publicado na Revista de Ciências Sociais da UNESP faz uma avaliação do quadro de violência em Roraima e analisa seus números, apresentando as possíveis causas e soluções para o problema. É um bom resumo do que acontece por lá e um facilitador para quem quer fazer uma análise rápida, mas não profunda, da situação do estado.

O que falamos sobre as mulheres neste site → ۞

A questão da mulher me chamou a atenção assim que peguei o trabalho de Janaine para ler — pensei em criar uma cota para a produção masculina nesse site, pois quase todos os trabalhos que fiz no último mês foram produzidos por mulheres ou o assunto eram as mulheres dentro da hierarquia do PCC.

Não acredito no acaso, e muito menos duvido dele.

A pesquisadora demonstra no artigo o aumento brutal do número de mulheres assassinadas — o Mapa da Violência 2015 denunciou o aumento de 500% da quantidade de homicídios de mulheres em Roraima em relação aos anos de 2003 a 2013. Os números demonstram o aumento da presença das mulheres, que estão dominando cada vez mais todas as áreas.

Quando Janaine escreveu o artigo, não poderia prever que trouxesse, a um de seus leitores, a lembrança de maneira tão viva de uma irmã ou companheira do PCC, que teve seu áudio viralizado um pouco antes dos ataques ocorridos no início de agosto de 2017 em Rio Branco:
Aqui o bagulho tá feio mesmo. Eu sou do Acre, só que os irmãos não estão muito unidos não. Mataram meus companheiros lá. Até perder meu filho já perdi. Tudo por causa dessa guerra. Agora os irmãos tem que tomar atitude aí. Tem Irmão encurralado aí.Tem que ajudar Irmão.

Na voz, uma mulher, fiel de sangue ao Primeiro Comando da Capital, e seu pedido de apoio mobilizou soldados e recursos da facção de diversas partes do Brasil — a situação que estava quente, ferveu, sendo necessária uma operação de guerra envolvendo o governo estadual e federal para conter a situação.

Monteiro Lobato teria que se conformar: a mulher conquistou seu lugar na sociedade, e hoje elas já escrevem tanto quanto os homens sobre a questão criminal, e com o incremento em torno de 1,5% ao mês do número de integrantes femininas nas facções. Dentro de cinco anos elas possivelmente já estarão em pé de igualdade com os homens.

Vídeo da execução de uma guerreira inimiga do PCC (CV) → ۞
Vídeo da execução de uma guerreira aliada do PCC (B13) → ۞

Eu não vou esperar tanto tempo para parabenizar as mulheres que conquistaram o direito de morrer como se fossem homem. Mary Wollstonecraft e Nísia Floresta devem estar muito satisfeitas com as conquistas das mulheres neste século.

Publicarei em breve um texto sobre um artigo de Robert Muggah, que assim como Janaine foi publicado na Revista de Ciências Sociais da UNESP, também conta com fontes recentes, e da mesma forma que ela ignorar a importância dos aliados locais.

Creio que ambos tinham conhecimento da existência e da importância das alianças locais, mas optaram por não publicar em um trabalho acadêmico por falta de comprovação científica verificável, desta forma faço um mea culpa e passo a publicar com a tarja Aliados News na página, Últimas Notícias, atualizações dos aliados do PCC: GDE, B13, ADA, e TCA.