Primeiro Comando da Capital eleito pelos não eleitos

O Primeiro Comando da Capital foi eleito pelos não eleitos como força capaz de lutar contra as injustiças do sistema de Justiça.

Primeiro Comando da Capital e o mundo ideal e pacífico

O Primeiro Comando da Capital foi eleito pela parcela dos não “eleitos” para tensionar a ordem considerada por alguns como sendo a ideal e pacífica.

A organização criminosa PCC 1533 conquistou os corações não apenas do mundo do crime, mas de toda uma parte da sociedade alijada de seus direitos.

Enquanto uma parcela da sociedade defende que os “Direitos humanos para os humanos” — de forma a garantir seus direitos enquanto negá-os à outros.

Quando os “direitos humanos” deveriam ser inalienáveis para todos — não apenas para os “eleitos”, se bem que nunca foi em lugar algum.

Gerciel afirma que o mundo não é ideal e e nem pacífico

Gerciel Gerson de Lima, cujo artigo posto abaixo desse texto, lembra que a pena é um instrumento de vingança e castigo — nós só douramos a pílula.

Alguns tem seus corpos apropriados e dominados e pagam pelos seus erros quando condenados, enquanto outros não, estão acima do encarceramento.

Todos vimos poderosos cometendo crimes e sabemos que ficarão impunes, enquanto nas comunidades periféricas pessoas são aprisionados por quase nada.

Os pesquisadores Álvaro e Renato em seu artigo apontam que a criação do Primeiro Comando da Capital só foi possível graças a essa trágica realidade.

Alvaro de Souza Vieira Renato Pires Moreira
Análise de inteligência: das ações ideológicas disciplinares e correcionais promovidas pelo Primeiro Comando da Capital.

Sonhar é preciso, mesmo para os não eleitos

Essa camada alijada por uma parcela de seus direitos e até de seus corpos passaram a sonhar com paz, justiça, liberdade, igualdade e união.

Assim, a facção paulista foi reconhecida como defensora do sonho desses todos que não foram “eleitos” como estando acima do encarceramento.

Alguns julgam serem eles relevantes para a sociedade e justos, enquanto “outros” seriam aqueles que tensionam a ordem social considerada ideal e pacífica.

A organização criminosa PCC 1533 foi eleita por essa parcela dos não eleitos para sim, tensionar a ordem considerada por alguns como ideal e pacífica.

Cartilha de Conscientização da Família da organização criminosa PCC 15.3.3

Os mais abastados raramente são de fato punidos pela lei

Tem sido usual no seio social, a opinião no sentido de concepção da pena como instrumento de vingança e castigo, assim poucos se lembram de que a finalidade da pena é retributiva, preventiva e ressocializante, conforme consta da própria Lei de Execuções Penais, sendo defendida pela maioria dos doutrinadores, é a teoria da finalidade utilitária da pena, daí a necessidade de vinculá-la à coação, na condição de resposta a algo ou a determinado fato.1

Porém, o que não se pode desconsiderar é que a pena, pelo menos no que diz respeito ao direito penal, é um exercício de poder do homem sobre o próprio homem.

Já fizemos breve exposição sobre a pena, baseada em Michel Foucault, no que diz respeito à questão do suplício, que nada mais é do que uma pena na qual a coletividade se “apropria” do corpo do condenado como forma de dominação e repressão a ações contrárias ao status quo estabelecido àquela época.

É incoerente afirmar que a pena será maior ou menor, mais ou menos intensa, de acordo com o contexto histórico em que é definida e aplicada.

A prisão como forma de protejer as elites

Vera Malaguti Batista2  instrui a questão explicando que “na primeira metade do século XIX, a possibilidade de rebeldia começa a assombrar as elites.

Os números de delitos contra a propriedade aumenta desde o final do s éculo XVIII”, haja vista que “as necessidades da burguesia modelaram amplamente as funções de defesa social do direito penal, e mantiveram as antigas diferenciações de classe da legislação penal.

E completa a autora explicando que a prisão se converte na pena mais importante de todas no mundo ocidental.

Essas penas tomaram diversas formas e gradações de acordo com a gravidade do delito e com a posição social do condenado.

Fica de fácil apreensão, neste contexto, que a pena não atinge a todos de forma igualitária, já que, como exposto anteriormente no caso das prisões, os mais abastados raramente sofrem as conseqüências na prática de determinado ilícito e, assim, a pena não cumpre qualquer papel no que diz respeito à restauração da justiça.

Camila Cardoso de Mello Prando3 complementa o assunto lecionando ser praxe entre os historiadores, que o “controle punitivo se desenvolve em consonância às mudanças estruturais relativas ao novo sistema econômico e político capitalista”, completando a discussão ao expor que “o foco principal recai sobre o surgimento das prisões enquanto punição central desta nova forma de controle.”

Até aqui é possível conceber uma ideia básica a respeito da pena, mas também é necessário entender que, aliada à norma, ela tem a finalidade de tutelar os bens jurídicos garantidos pelo Estado.

Juridiquês para justificar o injustificável

Em outras palavras, seu caráter repressor busca impor aos agentes que compõem o tecido social o alerta de que o desvio de conduta nas normas pré-estabelecidas será punido e, dessa forma, tenta evitar o aviltamento dos referidos bens, mas aqui novamente se torna necessário expor a fragilidade de tal conceito, uma vez que a pena não tem caráter erga omnes, pelo menos no que diz respeito à posição social do criminoso.

Todavia, há que se destacar como fator principal deste tópico o caráter de retribuição e ressocialização da pena. Para isso basta uma simples consulta ao Código Penal brasileiro, especificamente em seu artigo 59, para compreender que:

O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:

I – as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II – a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III – o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV – a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.

Fonte e Biografia

Este texto é um trecho da Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, do Dr. Gerciel Gerson de Lima, sob orientação da Professora Doutora Ana Lúcia Sabadell da Silva do Núcleo de Estudos de Direitos Fundamentais e da Cidadania em 2009 – SISTEMA PRISIONAL PAULISTA E ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS: A PROBLEMÁTICA DO PCC – PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL.

  1. Cf. JAKOBS, Günther; MELIÁ, Manuel Cancio. Direito penal do inimigo: Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. p.22.
  2. BATISTA, Vera Malaguti. Difíceis ganhos fáceis. Rio de Janeiro: Renavan, 2003. p.46.
  3. PRANDO, Camila Cardoso de Mello. A contribuição do discurso criminológico latino-americano para compreensão do controle punitivo moderno: controle penal na América Latina. In: Veredas do Direito.  Belo Horizonte: Escola Superior Dom Helder Câmara, jan.-jun. de 2004. p.79.

Pacificação: a paz entre entre ladrões

A paz entre os ladrões foi conquistado pela pacificação do Primeiro Comando da Capital após o massacre do Carandirú.

A Pacificação PCC como gestora da “paz entre ladrões”

Paz entre ladrões é uma missão impossível, apesar de teóricos imaginarem há milênios formas de controlá-los…

Estamos no ano 1993 depois de Cristo. Todo o mundo do crime está em guerra… Todo? Não! Uma Casa de Custódia povoada por irredutíveis sobreviventes do Carandiru ainda resiste ao opressor.

Se considerarmos apenas nossa realidade recente podemos ver duas experiências bastante distintas: a do Regime Militar e os do Período Democrático:

Conheça a Carta do PCC ao Mundo do Crime de 3 de agosto de 2017

Quem poderá trazer a pacificação ao mundo do crime

Ambos os regimes tentaram cada um a seu modo controlar, sem sucesso, a violência nas comunidades dominadas pelo crime.

… o governo, não conhece a realidade das cadeias, o PCC criou raízes em todo o sistema carcerário paulista.

Nas prisões, diretores ultrapassados, da época repressão, tentavam resolver o problema de maneira que em foram doutrinados: porretes, choques, água fria, porrada…

Não foi suficiente. Em menos de três anos, já eram três mil. Em menos de dez anos, 40 mil.

Carlos Amorim

Álvaro e Renato, policiais e pesquisadores, afirmam que foi aí que o a facção PCC 1533 aproveitou a lacuna deixada pelo poder público.

Análise de inteligência: das ações ideológicas disciplinares e correcionais promovidas pelo Primeiro Comando da Capital — Álvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira

A paz entre ladrões só pode vir de dentro para fora

Aqueles criminosos conheciam e se fizeram ser respeitados nas comunidades em que estavam inseridos: nas carceragens, nas comunidades periféricas e no mundo do crime.

Esses grupos, por milênios, foram excluídos do controle social do Estado, sendo deixados à própria sorte para viverem sob o julgo dos mais fortes.

Nesse meio o Primeiro Comando da Capital assumiu a “gestão da violência”, dentro do conceito aceito do “monopólio do uso da força pelo Estado”.

Gabriel Feltran nos conta que as comunidades periféricas, criminosas ou carcerárias, terminaram se adequando às normas da facção e não colaborando mais com a polícia.

Assim, um modo específico de gestão do uso da violência nas interações entre a polícia e o crime é estabelecido. Não existe agressão física, tampouco troca de tiros ou enfrentamento, mas um conflito ‘contido’ inserido numa esfera de interação discursiva voltada ao alcance de acordos financeiros.

Indaiatuba SP: um exemplo prático da paz entre ladrões

Em 27 de fevereiro de 2012 produzi um dos primeiros artigos onde descrevi a pacificação promovida pelo Primeiro Comando da Capital em uma comunidade periférica:

Edgar Allan Poe ensinava que existia uma forma correta para se açoitar uma criança: devia ser da esquerda para a direita.

O escritor explica a razão:

Todas as pancadas devem ser na mesma direção para lançar para fora os erros, mas cada pancada na direção oposta, soca para dentro os erros.

Talvez ele tenha razão.

Apesar das surras impostas pela sociedade, o tráfico de drogas e o crime se mantêm fortes e robustos.

Passamos pelo Regime Militar e pela Redemocratização e, com lágrimas nos olhos, vejo que não há mais esperança para o problema: falhamos.

Açoitamos a criança em todos os sentidos, e não em uma única direção como Allan Poe orientou.

E em rebento crescido não haverá açoite que possa ser dado pelo sistema policial e jurídico que surta qualquer efeito, o mal feito está feito.

Só nos cabe abaixar a cabeça e apreciar a divisão dos despojos entre os criminosos que se organizaram e se fortaleceram sob nossos próprios açoites.

continua após o mapa…

Diálogo entre ladrões: assim fundiona a paz entre ladrões

Esse diálogo trocado sobre um conflito no Morada do Sol demonstra como a organização criminosa gere os conflitos de maneira natural e com profundo conhecimento:

Edson Rogério França, o “Irmão Cara de Bola”, “Torre” da organização criminosa em Indaiatuba conversa com Willian do bairro Morada do Sol.

Willian Neves dos Santos Vieira, o “Irmão Sinistro”, é soldado da facção criminosa e morador da rua Custódio Cândido Carneiro no bairro:

— O espaço que tem lá na rua 59 é bom, é meu e do Mateus, tá ligado irmão? O irmão Matheus, conhece o Matheus? — pergunta Sinistro.

— Não, não conheci. Você fala o do trailer?

— Não irmão, lá embaixo na 59, lá embaixo, no trailer é o Marcelo, é outro menino, inclusive ele pega mercadoria de ti. — explica Sinistro.

— Não, de mim não. — se defende Cara de Bola.

— O sol brilha para todos, tenho este espaço lá há mais de treze anos. Agora, um menino meu estava precisando de uma força e eu ajeitei um canto para ele fazer a caminhada, e o Cláudio agora está ameaçando matar a mulher dele. Pô, o Cláudio é prá cá, eu sou mais prá lá, pro fundão, sou lá do lado da rua 80 e da rua 78. Já o TG do CECAP é firmeza.

Tribunal do Crime do PCC – o mediador aceito

Eu não conheço o Cláudio, portanto eu não posso afirmar que ele tenha sido açoitado quando criança do lado certo ou errado.

O que sei é que ele também negocia as drogas do Primeiro Comando da Capital e, portanto, deve ter tido as mesmas aulas que os outros criminosos.

Cláudio teve que prestar contas de sua atitude. Ele já estava sem saber em análise por suas atitudes.

Outro dia ele foi mostrar uma pedra de crack para Keiti Luis Von Ah Toyama, o “Irmão Japa”, mas este não gostou, disse que era um pouco melada.

Cláudio explicou que é a mesma que não é a da boa, é da comercial, a mesma que vende em suas lojas:

— Se quer quer, se não quer não quer, é R $10,50 a grama, é pegar ou largar.

Seja como for, as crianças cresceram e aprenderam a brincar sozinhas, agora não adianta mais bater do lado certo e nem reclamar o leite derramado.

Cláudio foi julgado por quem obteve o direito de impor as regras naquele local aproveitando a omissão do Estado.

Conheça o Dicionário do PCC (Regulamento Disciplinar da facção)

Ideologia do Primeiro Comando da Capital

A ideologia do PCC 15.3.3, ou a ideologia da “Família 1533”, é peça fundamental na criação da imagem dessa organização criminosa.

Ideologia PCC: buscando aceitação social

A ideologia do PCC 1533 e a criação de uma imagem forte como um grupo que luta pela “Paz, Justiça e Liberdade” garantiu sua aceitação social.

Como explica István Mészáros em “O Poder da Ideologia”, o termo
Ideologia não deve ser tratada de maneira preconceituosa ou vista através de paradigmas morais.

Mas sim, ancorada e sustentada na consciência de sua aceitação social, — onde, definitivamente, o Primeiro Comando da Capital está ancorado e sustentado.

Facção PCC 1533: pode rir, mas não desacredita não

Muito se subestimou e até hoje se subestima a capacidade intelectual dos integrantes do mundo do crime, mas isso é resultado de um errôneo prejulgamento.

De acordo com estes, os criminosos não teriam capacidade de estruturar uma ideologia e um contrato social capazes de sustentar uma organização criminosa transnacional poderosa.

… Subestimado pelo governo, que não conhece a realidade das cadeias, o PCC criou raízes em todo o sistema carcerário paulista.

Nas prisões, diretores ultrapassados, da época repressão [no regime
militar], tentavam resolver o problema de maneira que em foram doutrinados: porretes, choques, água fria, porrada…

Não foi suficiente.

Em menos de três anos, já eram três mil. Em menos de dez anos, 40 mil.

Carlos Amorim

Mas foi assim, pairando por sobre o descrédito daqueles que deveriam estar atentos ao crescimento e fortalecimento da facção criminosa que o PCC alçou voo.

Pode rir, ri, mas não desacredita, não
É só questão de tempo o fim do sofrimento
Um brinde pros guerreiro, zé povinho eu lamento
Vermes que só faz peso na Terra
Tira o zóio, tira o zóio, vê se me erra

Racionais MC’s

Facção PCC 1533: crescendo sob a descrença

O deputado estadual por São Paulo Afanásio Jazadji tentou de todas as maneiras alertar as forças de Segurança para o crescimento da organização criminosa paulista:

Nossas autoridades das áreas de segurança e sistema prisional não deram crédito àquelas constatações, chegando mesmo a ridicularizar a nós, integrantes da CPI da Assembléia Legislativa que investigava o Crime Organizado no Estado, como se estivéssemos mal informados ou “vendo fantasmas”.

E enquanto isso, a facção criminosa ia crescendo e se fortalecendo.

Ideologia do PCC: aceitação social ou capitalismo puro?

Os pesquisadores Álvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira analisam o crescimento do PCC sob o conceito do metabolismo social de Karl Marx.

Análise de inteligência: das ações ideológicas disciplinares e correcionais promovidas pelo Primeiro Comando da Capital

Já li análises do PCC como ente econômico, mas pesquisadores analisando as liderança da facção sob a lógica da acumulação e expansão contínuas, definitivamente não.

A formação da ideologia estaria vinculada a essa criação de um domínio capitalista do mercado criminal aproveitando-se de mão de obra barata da massa carcerária.

Facção PCC 1533: mecanismo de criação do crime organizado

Um grupo do crime organizado não nasce com propósito criminoso. Pode parecer incrível, mas o Primeiro Comando da Capital está aí para provar essa teoria.

Crime Organizado: que mecanismo o gera?

O Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) não foi sonhado e criado para ser uma organização do crime organizado.

Tudo começou no cárcere em 1992 com o fato mais bárbaro, cruel, e covarde: o massacre de 111 detentos no Carandiru, por Policiais Militares…

Cartilha do PCC – Conscientização, união e família

No entanto, o sonho de uns virou o pesadelo de muitos em três continentes, mas a culpa não pode ser atribuída aos sonhadores.

O sonho presente na criação do PCC também é o seu maior pesadelo: enfrentar o sistema carcerário que, quanto mais duro, mais forte o torna.

Sistema Penal X Sistema Prisional — Razão X Emoção

Se alguma dúvida restava quanto a esse ponto, tive certeza ainda mais quando li o artigo de Alvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira.

Pois é o que os dois policiais e pesquisadores mineiros dão a entender em artigo publicado na Revista Científica de Segurança Pública da PM-RN:

Análise de inteligência: das ações ideológicas disciplinares e correcionais promovidas pelo Primeiro Comando da Capital.

… não se pode precisar sobre a origem das instituições criminosas. Todavia, algumas organizações surgiram da necessidade das pessoas em se reunir, não objetivando – ordinariamente – a prática de crimes, e sim, como tática para o combate de possíveis desigualdades sociais vigentes, em tese, pactuadas pelo Estado.

Alvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira

Mas os pesquisadores não se referiram à atuação da Polícia Militar de São Paulo, que com sua ação no Carandiru gerou a facção PCC.

Apesar dos policiais militares negarem a paternidade do Primeiro Comando da Capital, três acadêmicos afirmam que eles são os pais da criança.

PCC um filho indesejado da PM-SP

Tão pouco a direção da Casa de Custódia de Taubaté quando autorizou o jogo de futebol entre os presos que gerou a facção PCC 1533.

… Rato foi morto por Cesinha: a primeira semente jogada ao solo fértil utilizando o método que seria imortalizado na fundação oficial da facção criminosa.

O neoliberalismo e a facção PCC 1533

Na realidade, se refere aos fundadores do Partido do Crime da Capital (PCC), que desceram para campo naquela tarde de chuva em 1991, no Piranhão.

Aqueles oito presos entraram em campo capitaneados por José Márcio Felício, o Geleião, para defender o time da Capital contra o time do Partido Caipira.

Sob fortes provocações mútuas, tais como “Eu vou beber teu sangue”, a rixa inicial degenerou em um briga sangrenta na qual cabeças rolaram (literalmente).

Afinal, quanto mais sangrento, o simbolísmo da ruptura passa a ser mais marcante e duradouro.

Organização criminosa PCC: uma parto difícil

Como afirmaram Álvaro e Renato, aqueles homens não começaram aquele dia o mais poderoso grupo do crime organizado sul-americano com o objetivo criminoso.

Chegaram para aquele jogo após uma série de crimes cometidos pelo Estado e seus representantes e, naquele dia, com a conivência da direção do Piranhão.

… e saíram dos presídios passando a aplicar fora das muralhas o que aprenderam lá dentro:

“sozinhos somos fortes, unidos somos invencíveis”, “todos contra um”, e “até a última gota de sangue”.

Tudo para defender os irmãos contra a opressão do Estado.

Pesquisa sobre o Primeiro Comando da Capital

Crime organizado uma como soma de erros

A direção imaginou que os “Caipiras” eliminariam os remanescentes do Massacre do Carandiru, sepultando de vez os rebeldes que buscavam melhoria nas condições carcerárias.

… já atuando como advogado foi possível constatar in loco, a situação de calamidade por que passam as instalações e condições carcerárias do sistema penal.

O PCC como fruto das condições carcerárias.

Deu errado. A Polícia Militar de São Paulo, a diretoria do presídio, e aqueles oito presos não pretendiam, mas criaram o Primeiro Comando da Capital.

Afinal, se Georges Balandier teorizou, foi o octógono de Geleião que tornou real as imagens, as construções simbólicas e as narrativas míticas da facção PCC.

Tudo começou naquele jogo, mas os elementos construtivos da dominação foram se agregando: a sua fundação, o batismo e as execuções de inimigos e traidores.

A História lentamente se desenrola diante de nossos olhos. Precisamos apenas olhar e compreender de onde vêm e para onde vai e que mecanismo move.

Facção Criminosa PCC 15.3.3 em Portugal

Os relatórios que apontam que a facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) estaria assumindo o comércio de cocaína em Portugal ainda não tem fundamento.

É possível saber a importância da Facção Criminosa em Portugal?

A facção criminosa PCC e tráfico de drogas em Portugal tem chamado cada vez mais atenção da mídia e das autoridades.

Já que em 2022, suas apreensões de cocaína atingiram 16,3 toneladas, o nível mais alto em 16 anos.

Ainda mais agora que Portugal está agora entre os cinco principais países da União Europeia com as maiores apreensões de drogas.

continua após o aviso…

Leia texto original em “Reports of Brazil’s PCC Taking Over Portugal Cocaine Trade Remain Unfounded” de Chris Dalby e Sean Doherty publicado no site InSight Crime.

Qual a participação real do PCC no aumento do tráfico?

As autoridades portuguesas estão preocupadas com o que pode estar a sustentar a crescente presença de integrantes do PCC.

O Diário de Notícias, em artigo de 16 de janeiro, cita uma fonte judicial brasileira sobre a importância do PCC em Portugal.

Desde 2021, as autoridades brasileiras teriam encontrado pelo menos 40 integrantes do PCC e seus aliados vivendo em Portugal.

Os integrantes da facção criminosa brasileira controlavam grande parte do comércio de cocaína entre o Brasil e Portugal.

No entanto, as fontes do Diário de Notícias dão poucos detalhes sobre quem são esses membros ou o que eles podem estar fazendo.

Duas prisões como estopins do crescimento

A expansão do PCC supostamente surgiu no verão de 2022, após as prisões de Sérgio Roberto e de Xuxas.

Um dos principais traficantes de drogas do Brasil, Sérgio Roberto de Carvalho, foi preso na Hungria em 21 de junho.

Grande parte do império de Carvalho estava baseado em Portugal, onde ele possuía ativos no valor de milhões de dólares.

Carvalho possuía, inclusive, uma empresa de voos fretados que ele usava para transportar cocaína e dinheiro.

Em poucos dias, Rúben Oliveira, conhecido como “Xuxas”, um dos homens mais procurados de Portugal, também foi preso.

Prisão de PCCs abala a facção criminosa PCC

Xuxas seria era o principal operador de Carvalho em Portugal, recebendo e distribuindo grandes remessas de cocaína.

Seria ele também o responsável por lavar grandes somas de dinheiro, segundo a revista portuguesa Visão.

O desmantelamento de sua operação deixou a porta aberta para o PCC, assumir diretamente algumas de suas rotas de tráfico de drogas.

Pelo que sabemos, Carvalho era o maior traficante de cocaína da Península Ibérica. Ele também era cliente do PCC.

João Amaral Santos – Revista Visão.

frustração na facção criminosa e preocupação na polícia

A prisão dos parceiros na Europa gerou frustração entre as lideranças brasileiras do PCC.

Por isso, o Primeiro Comando da Capital resolveu montar uma célula própria em Portugal,acredita Amaral Santos

De acordo com um chefe da polícia portuguesa, a situação é alarmante:

A Europa não está preparada para isso. Existe um possível cenário em que o PCC quer controlar o narcotráfico para a Europa a partir de Portugal.

As declarações das autoridades são um show de generalidades sem dados comprobatórios e a polícia não presta esclarecimentos.

Em 2021, essa falta de dados impediu um procurador brasileiro fornecer à Portugal informações que identificassem supostos membros do PCC.

Análise Criminal InSight

Geográfica e linguísticamente, Portugal se torna um centro crescente para o tráfico transnacional europeu de cocaína.

Sob esse ponto de vista, a surpresa é que demorou tanto para essa tendência se tornar tão aparente.

No entanto, a extensão da influência da organização criminosa Primeiro Comando da Capital em Portugal continua difícil de provar.

As denúncias feitas nas investigações dos periódicos portugueses Expresso e do Diário de Notícias falam de várias dezenas de integrantes do PCC no país.

Facção Criminosa PCC em processo de expanção

Os integrantes da facção criminosa paulista estariam preparados para ampliar o controle da entrada de drogas no país, mas há poucos detalhes além disso.

Em novembro de 2021, autoridades de São Paulo prenderam um integrante do Primeiro Comando da Capital com uma lista de membros de gangues no exterior.

Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya haveriam em Portugal, 42 pessoas já identificadas, mas apenas como números, como tendo recebido dinheiro da facção.

A facção criminosa PCC 1533 costuma recrutar membros entre os que buscam refúgio em Portugal ou que por lá já realizam algum tráfico de drogas.

As prisões de Wanderson e leonardo em Dubai

Em setembro de 2022, a polícia portuguesa prendeu Wanderson Machado de Oliveira, também relatado como membro da organização criminosa paulista PCC.

Ele foi acusado de tráfico de drogas e sequestro de dois homens que erroneamente pensou ter roubado 240 quilos de cocaína que pertenceriam à facção.

No entanto, as drogas haviam sido apreendidas pelas autoridades no porto de Sines, no sul de Portugal.

Em novembro, Leonardo Serro dos Santos foi preso em Dubai. Ele seria um dos líderes do PCC responsável pelo tráfico transnacional que passava por Portugal.

Ele negou todas as acusações contra e foi solto após 45 dias porque o Brasil não fez um pedido de extradição a tempo.

Restam ainda mais dúvidas que certezas

Em primeiro lugar, o PCC já faz parte da parceria de tráfico de drogas que sustenta grande parte do narcoduto de cocaína para a Europa.

Há quarenta anos a máfia italiana ‘Ndrangheta, mantém relações comerciais e culturais com São Paulo, de vêm a cocaína e a organização criminosa PCC.

Assim também estas relações ainda continuam e é graças a elas que o PCC fornecer uma grande percentagem de toda a cocaína que se dirige para a Europa.

No entanto, Portugal não é destino destes carregamentos de cocaína. Em vez disso, a ‘Ndrangheta manda suas drogas para a Bélgica, Holanda, Alemanha e Itália.

A facção criminosa brasileira PCC e a uruguaia PCU

A facção criminosa Primer Comando Uruguayo (PCU)

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital atua no Uruguai em parceria com grupos criminosos locais, como o Primer Comando Uruguayo (PCU).

O PCU é a responsável pela logística e segurança do esquema de parte do tráfico do PCC em território uruguaio.

A apreensão de grandes carregamentos de drogas, oriundos do Uruguai, em diversos portos pelo mundo comprova a existência dessa rota alternativa de tráfico do PCC 15.3.3.

Uma menor rigidez na fiscalização fizeram do porto de Montevidéu uma opção para suprir o mercado europeu com as drogas colombianas.

Já na Argentina, a principal rota ligando ao Paraguai é a hidrovia do rio Paraná-Paraguai, que possui poucos controles em ambos os lados da fronteira, mas um complexo nível regulatório para controlar as barcaças.

Normas internas del Primer Comando de la Capital PCC — el grupo criminal PCC 1533

facção criminosa envia drogas da América do Sul para a Europa.

Desde junho de 2020, as autoridades uruguaias reconhecem a presença da organização criminosa paulista, atuando em parceria com grupos locais.

facções aliadas, neutras e inimigas do PCC

Essa união entre criminosos permitiu cooptar ou coagir os agentes públicos responsáveis pela repressão e de Justiça através de bombas, ameaças, sequestros, e subornos.

facção criminosa mata militares em base naval de fortaleza de cerro

O assassinato sem precedentes de três soldados no Uruguai, alerta para a ousadia crescente dos criminosos em um país há muito considerado um dos mais seguros.

No início da manhã de 31 de maio, foram localizados os corpos de três soldados que foram executados na base naval de Fortaleza de Cerro, em Montevidéu.

Uruguai: Primeiro Comando da Capital reposicionando o crime

Em três anos, o Uruguai deixou de ser um paraíso para lavagem de dinheiro para ser um importante entreposto para o tráfico internacional.

O Primeiro Comando da Capital passou a usar o Uruguai como interligação entre a Colômbia, o Paraguai e a Bolívia à Europa.

O porto de Santos continua sendo a principal saída do PCC, mas recentemente abriram outras rotas, como a Hidrovia ou o porto de Montevidéu.

Clarìn

Manifesto del Primer Comando Capital — el organización criminal brasileña PCC 1533

PCC-PCU é resultado da Política Carcerária do Uruguai

O PCU é resultado da política de Segurança Pública latino-americana de encarceramento em massa, que lotam as prisões com uma massa amorfa.

As prisões sul-americanas passaram a ser centros logísticos, de treinamento e doutrinação do Primeiro Comando da Capital.

O aprisionamento em massa sem critério de separação por periculosidade e faixa etária, permitiu que em 2009 o Primer Comando Uruguayo estivesse atuando depois de poucos meses em contato com facciosos brasileiro e paraguaios dentro das prisões uruguaias.

Graham Denyer Willis e Benjamin Lessing explicam que dentro dos presídios e no meio de milhares de soldados prontos para serem doutrinados na filosofia e nas estratégias da organização fica fácil para as chefias da facção ficarem protegidas de seus inimigos e se dedicarem ao gerenciamento dos negócios da facção.

Como o PCC chegou a outros países sul-americanos

Estatuto del Primer Comando Capital PCC 1533— el banda criminal brasileña PCC 1533

A morte do Promotor de Justiça e a facção criminosa PCC 1533

O cerco contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital se fecha na medida em os envolvidos estão sendo presos.

Capturade em El Salvador aproxima facção criminosa do crime

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 15.3.3) ordenou o assassinato do promotor de Justiça Marcelo Pecci do Ministério Público do Paraguai — é o que acreditam as autoridades dos diversos países.

O crime ocorreu no dia 10 de maio de 2022 na praia de Barú, na província de Cartagena, na Colômbia, onde o funcionário do governo paraguaio aproveitava sua lua de mel quando dois homens invadiram a praia particular em jet skis e dispararam contra o promotor.

Marcelo Pecci se destacou no combate ao tráfico internacional de drogas geridas pela organização criminosa PCC 1533 oriundas do Paraguai, passando pelo Brasil com destino a Europa.

Os irmãos Andrés Felipe e Ramon Emilio Perez Hoyos foram presos crime ainda em solo colombiano, e agora foi capturada em El Salvador Margaretha Chacón Zúñiga, uma colombiana que teria participado da organização do atentado.

Juntamente com ela, um cidadão de El Salvador, Vibert Giovanni Rodrigues, foi detido por ajudar na fuga e ocultação de Margaretha. No entanto, ainda não há provas apontando os mandantes ou o envolvimento da organização criminosa paulista.

reportagem completa no Los Angeles Times

O fantasma da organização criminosa paulista PCC 1533

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital sendo utilizada para desestabilizar governos e instituições pelo mundo.

A política e a organizão criminosa PCC 1533

O que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) tem em comum com a obra “Os Ladrões” de 1857 de Orest Isaakovich Timashevsky que ilustra no site IA Primavera Vermelha (ИА Красная Весна) o artigo “No Chile, anunciaram a entrada de membros de gangues do Brasil no país”?

Grupos criminosos há muito são usados para encobrir as reais intenções de grupos políticos e a facção criminosa PCC 1533 é a desculpa da vez para justificar a corrosão do sistema democrático e das instituições.

O Ministro Alexandre de Moraes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) obteve o bloqueio da aposentadoria e de bens de Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB, para garantir o pagamento de uma indenização no valor de R$ 144 mil por ter vinculado o nome do juiz à facção criminosa paulista.

Jefferson é uma peça que faz parte de um mecanismo de ataque que vincula o inimigo político a fantasmas com grande poder de assombro no imaginário popular como: o comunismo, as pautas morais e religiosas, e inimigos externos como a Venezuela e Cuba, ou o Primeiro Comando da Capital.

O PCC como ferramenta de ataque as instituições

Tenho como foco de estudo o PCC e acompanho há anos esses ataques, no entanto, nesses últimos 15 dias me surpreendi com a avalanche de réplicas dessa mesma acusação aparecendo em diversas partes do mundo quase que simultâneamente tanto nas redes sociais quanto na inprensa tradicional.

Grupos políticos de direita unificaram o discurso que a esquerda e o Judiciário estão em conlúio e sendo financiados pela organização criminosa.

Se houve ou não houve prisões de integrantes da facção durante o governo não faz diferença, há sempre um discurso pronto para justificar o envolvimento.

Quando a presidente Dilma Rousseff apresentou uma apreensão recorde de drogas do Primeiro Comando da Capital, o então deputado Jair Bolsonaro afirmou que aí estava a prova do aumento do tráfico de drogas e que “todos sabem como funciona”, apontando ao procedimento de deixar cair parte da mercadoria para afagar a polícia.

Anos depois, já presidente, Jair Bolsonaro bateu um novo recorde de apreensão de drogas do Primeiro Comando da Capital, e então? Isso seria prova do aumento do tráfico e o envolvimento das autoridades como ele mesmo afirmou poucos anos antes?

PCC uma ferramenta que se provou eficiente

O modelo de ataque as instituições, governos e políticos, no entanto, funcionou perfeitamente.

Para o público a que foi dirigido a realidade não importa, os partidos e políticos de esquerda ficaram marcados como tendo envolvimento com a facção paulista e esse discurso segue sendo repetido cotidianamente.

Assim, as decisões de Alexandre de Moraes não tem respaldo, pois ele advogaria para a facção PCC e Lula enfraquecerá as Forças Armadas e mudou os diretores da Polícia Federal e Polícia Rodoviária para impedir que atuem contra o Primeiro Comando da Capital.

Exportando o modelo comprovadamente eficiênte

O czar Alexandre II governante de todas as russias em 1857 inaugurou uma colônia penal em Sacalina no extremo oposto de seu império enquanto Timashevsky entregava sua obra “Ladrões” no coração da Europa.

O Timashevsky era filho de servos e foi libertado sob os ventos da humanização das relações trabalhistas e sociais promovidas pelo imperador Alexandre II.

O governante russo enfrentou os gravíssimos problemas sociais e agrários derivados da política de servidão implantada 208 antes e garantiu a liberdade da servidão para os homens do campo, a liberdade de imprensa e das artes.

Não temos como não ver relação entre a Rússia de 1857 e o Brasil de 2023, assim como não temos como não ver que a transformação do Primeiro Comando da Capital de um problema policial em uma ferramenta de manipulação política.

Uma falácia do Brasil para o mundo

Por aqui os grupos de extrema direita vincularam com sucesso a imagem das instituições na organização criminosa paulista e esse mesmo modelo está sendo replicado em todos os países do continente americano, África e agora Europa.

Apesar do Paraguai e Uruguai, cujos governos estão alinhados com a direita, serem referências na expansão da organização criminosa, pouco se explora a proximidade política dos governos e instituições, ao contrário de Portugal ou do Chile.

Argentina

Douglas Farah afirma que grande parte do poder do casal Zamora vem da proteção que recebem de Cristina Kirchner, em termos políticos e fiscais, e a ela fornecem base não apenas no campo político. Dessa forma e por esse tortuoso caminho, o periódico La Nación repercutiu o trabalho do pesquisador que, “em tese”, vincula a vice-presidente Argentina à organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

Bolívia

A execução de duas pessoas em um confronto entre criminosos e a morte de um sargento durante uma operação da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) em San Ignacio de Velasco, Santa Cruz. e um colombiano ex-combatente das FARC no Parque Noel Kempff, além de prisões de integrantes da facção PCC e CV próximos a fronteira brasileira justificariam a interveção do DEA segundo a oposição de direita que há poucos anos tentou um golpe e a Comunidad Ciudadana (CC), uma coligação política de centro liderada pelo ex-presidente Carlos Mesa.

Chile

Sr. @gabrielboric CHILE va directo a la Xenofobia TOTAL y la AUTODEFENSA contra la delincuencia extranjera.Como no se da cuenta? DEBE ACTUAR RÁPIDAMENTE Y DAR UNA SOLUCIÓN AHORA YA o tendrá un regadío de muertes en las calles de criminales extranjeros #SantiagoAgoniza #expulsion pic.twitter.com/WW0DNQUrl9— Crva 🇨🇱🇨🇱🇨🇱 (@Crva_01) December 2, 2022

Portugal

El aeropuerto de Países Bajos que se posiciona como el punto de llegada de las drogas mexicanas, el juicio de Genaro García Luna en EE. UU. y el análisis sobre el control del PCC en el narcotráfico en Portugal.

Esto fue lo más leído de la semana en https://t.co/101plggnNb 🧵👀 pic.twitter.com/Vmlcx8johR— InSight Crime Español (@InSightCrime_es) January 23, 2023

O futuro a Deus pertençe, ou talvez não

A história talvez não se repita, no entanto, estamos vendo o filme sendo passado novamente em outros prados. A evolução social que ora se processa em vários países pode ser barrada por uma narrativa.

Alexandre II foi morto em um atentado e as reformas por ele implementadas em muito se perderam. Ao escolher a obra de Timashevsky de 1858, quais foram essas as ligações vistas pelos editores do site IA Primavera Vermelha? Seriam essas?

Foragidos do Primeiro Comando da Capital estão em Portugal?

Foragidos da Organização Criminosa Primeiro Comando da Capital teriam Portugal como opção para se abrigar.

PCCs foragidos da Justiça: um novo destino

Foragidos integrantes das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) e Comando Vermelho (CV) estão se escondendo em Portugal — essa hipótese entrou no radar das autoridades lusas após a prisão de alguns integrantes do PCC.

Portugal pode parecer uma escolha óbvia pela facilidade linguística e por ser um ponto de interligação dos países africanos que servem de entreposto de distribuição de drogas vindas da América do Sul para a Europa, mas nem sempre foi assim.

A mudança ocorre pela soma de vários fatores: fugitivos com mais dinheiro; o aumento da importância de Portugal como porta de entrada do tráfico na Europa; e os entraves na legislação lusitana para o repatriamento de brasileiros.

Não é apenas em Portugal que as autoridades estão em alerta por causa da presença de pelo menos 40 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em território luso. Representantes do sistema de segurança dos países que integram a União Europeia não descartam uma possível guerra entre a maior organização criminosa brasileira com traficantes mexicanos que têm criado bases na Espanha.

Rosana Hessel para o Correio Brasiliense

Portugal e suas vantagens aos fugitivos do PCC 1533

Os destinos escolhidos dos foragidos da Justiça brasileira eram principalmente o Paraguai e a Bolívia, e em menor número, para outros países do Cone Sul. Para a África, Moçambique e Angola, e para Europa, Portugal e Espanha, iam os mais estruturados, os que tinham conhecidos por lá ou aqueles que pretendiam construir alguma ponte comercial.

No início, os PCCs que iam para o Paraguai fugindo das autoridades brasileiras chegavam aos poucos, apenas para se esconder, mas hoje é diferente: quem chega já tem trabalho garantido:

“El Primer Comando Capital” é o maior grupo armado atuando naquele país, e possui infraestrutura, armas, muita grana, plantações de maconha, distribuidoras de cigarros, está presente em todas as prisões do país, e influência na política.

A facção PCC 1533 no nordeste do Paraguai

No entanto, as operações conjuntas entre os policiais do setor de investigação e os de imigração e fronteiras perceberam um aumento significativo a partir do final de 2022 no número de fugitivos.

São cada vez mais evidentes os indícios de que brasileiros condenados no Brasil e foragidos da justiça se escondem em território português e que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) já montaram bases do outro lado do Atlântico.

Vicente Nunes para o Trend Detail News: Portugal seeks Brazilian fugitives hiding in the country

Bolívia: a facção PCC e o grupo criminal los Choleros de Pando

A disputa entre as organizações criminosas pelo controle do tráfico na fronteira entre o Brasil, o Peru e a Bolívia.

O banda criminal los Choleros disputa o estratégico eixo de tráfico de drogas do Departamento boliviano de Pando com o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) e facção carioca Comando Vermelho (CV).

Pando faz fronteira com o Acre, Rondônia, e Peru, além de dar acesso ao centro da Bolívia — controlar essa rota reduz o custo do tráfico devido ao menor risco de perda da liberdade, de investimentos e de vidas.

A capital Cobija se localiza ao lado dos núcleos urbanos brasileiros de Brasiléia e Epitaciolândia, e as organizações lutam também para tomar o controle do comércio local, como ilustra artigo do El Dia:

A comerciante boliviana Maria Eugenia Alavi Burgoa foi assassinada no Mercado Municipal de Epitaciolândia, (…) o crime teria sido executado pela facção Bonde dos 13 (B13) [até então] aliada do PCC. Ela levava produtos de Antofagasta (via El Alto) para a Zona Franca de Cobija e trocando com artigos brasileiros…

Explicando outro caso investigado, o chefe de polícia de Pando explica:

Há conflitos entre essas facções criminosas e eles cometem pistoleiros e acertam contas. Os Choleros se dedicam ao narcotráfico para ter controle ou poder.

Cel. Julio Monroy

O contexto da discórdia: Choleros, PCCs, B13s e CVs

O repórter Ivan Alejandro Paredes (El Deber) no artigo “Choleros, la mafia pandina que declaró la guerra al PCC y Comando Vermelho” que os Choleros se especializaram em aliciar jovens e adolescentes para atravessarem as fronteiras brasileiras com drogas, especialmente cocaína, mas agora o grupo disputa o controle e o poder territorial.

A organização criminosa paulista se associa às famílias e grupos locais bolivianos, seguindo a estratégia elaborada por seu líder Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que privilegia a construção de alianças baseadas em interesses comuns econômicos e de sobrevivência.

conheça o arco de alianças e de inimigos da facção PCC

A aliança com o PCC não vingou em Pando

Dentro desse contexto, como entender a disputa com o grupo criminoso local?

Tudo começa com com o assassinato pelo PCC de Jorge Rafaat Toumani no centro de Pedro Juam Caballero em 15 de junho de 2016 que quebra da antiga aliança PCC/B13/ADA/GDE contra CV/FDN.

Essa ação coroou a tentativa do controle hegemônico do mercado ilegal paraguaio por parte da facção PCC 1533, mas acabou criando dificuldades além das previstas para o grupo paulista.

As peças se arranjando sem Rafaat Toumani

Ao contrário do que previram os líderes do PCC, a morte do megatraficante paraguaio enfraqueceu, mas não acabou com o Comando Vermelho — essa fragilidade criou problemas colaterais para seu aliado amazonense Família do Norte (FDN).

Passados oito anos, a situação no Paraguai continua indefinida e no Norte, na Rota do Solimões as mudanças não param de acontecer.

Inicialmente, o Primeiro Comando da Capital uniu-se a um grupo desmembrado da Família do Norte, denominada a Cartel do Norte (CDN), para eliminar os crias que resistiam da facção Comando Vermelho e do que sobrou da FDN.

O tempo desgastou essa vantagem inicial e a aliança com a Cartel do Norte foi desfeita. Resultando na retomada de vastas áreas pelo Comando Vermelho, incluindo Manaus e Rio Branco, expulsando crias do PCC parte em direção à Bolívia e outra de volta às suas regiões nativas no sudeste e sul.

Divisão, caos e espaço para Los Choleros

Essa disputa entre os grupos brasileiros e a dificuldade cada vez maior do Primeiro Comando da Capital em fechar novas alianças permitiu que o antigo aliado do Acre, o Bonde dos 13, no lado brasileiro da fronteira do Departamento de Pando, se declarasse neutra.

E do outro lado da fronteira de Pando, na Bolívia, o grupo local Choleros tomasse coragem e fôlego para enfrentar de igual para igual e ao mesmo tempo os dois mais importantes grupos criminais do Cone Sul.

Nota oficial do Primeiro Comando da Capital: sem paz com o CV

É verdade que houve um acordo entre as facções rivais: PCC e CV?

Através das redes sociais, o Primeiro Comando da Capital (facção PCC) divulga nota desmentindo o relatório da Polícia Federal, divulgada pela UOL, que alertava para a formação de uma aliança entre as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho (CV) para atacar autoridades públicas.

☯ PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL🇧🇷 ☯
NOTA ESCLARECEDORA
  1. Nós do PCC, viemos deixar claro que não temos e nunca teremos nenhum tipo de aliança com Comando Vermelho, não existe a mínima chance de uma coisa dessas acontecer.
  2. Seria fora da ética PCC fechar aliança com o Comando Vermelho, esquecendo quanta mães de famílias, crianças, irmãos de sangue, e cidadãos eles assassinaram, e também nossos eternos irmãos, heróis que lutaram na guerra e acabaram caindo em prol de melhorias para todo o crime.
  3. Sabemos que o Comando Vermelho tem aliança com a Polícia Militar, Civil, e Federal, e também com os governos e diretores de penitenciárias.
  4. Eles usam dessas alianças para tentar prejudicar nossa Família PCC 1533, sem saber que a nossa luta e a nossa ideologia são exatamente contra essa raça opressora, que cada gota de suor e de sangue que estamos derramando é para que tenhamos um crime com ética em cima do justo, certo, e correto.
  5. A Família PCC completou 24 anos de luta em todo Brasil e outros países. Somos a facção mais perseguida dentro do Sistema porque batemos de frene com qualquer tipo de opressão que nossos integrantes ou nossos familiares possam sofrer.
  6. Mais uma vez o Comando Vermelho fechou acordo com diretores dos presídios federais e estaduais para terem visitas enquanto todos os outros criminosos do Brasil que estão sofrendo nesses presídios não tivessem visitas. É muita coincidência o PCC ser acusado de matar agentes federais e sofrer opressão nos presídios enquanto o CV tem privilégios nesses presídios federais se diferenciando dos demais criminosos tendo suas visitas asseguradas pelo governo.
  7. O Primeiro Comando da Capital é puro e verdadeiro e mesmo aqueles que nos acusam, reconhecem nossa luta contra a opressão e o governo que é clara e objetiva dentro de todos os estados e sem nunca se esconder.
  8. Agradecemos a todos os criminosos do estado do Ceará por juntar as forças, lutando nas ruas contra o Comando Vermelho. Sabemos quão é grande o mal que sofremos com eles aqui no estado e vamos todos juntos acabar com todos eles.
  9. Comando Vermelho, vocês e seus aliadados, policiais, diretores de presídios, e governo, não fiquem inventando mentiras, porque nascemos para combater vocês e estamos lutando contra todos.
☯ PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL – 24 ANOS DE LUTA CONTRA OPRESSÃO E OPRESSORES – PCC 1533 ☯

Estaremos firmes e fortes a cada dia até derrubar o último de vocês, pois somos o Primeiro Comando da Capital – 1533.

Bauman, as organizações criminosas e a pacificação do Serviluz

Com a entrada no jogo do Primeiro Comando da Capital, a organização criminosa paulista PC 15.3.3 a ruptura era inevitável…

Se quiser assumir meu lugar, toma que o filho é teu!

E no princípio eram trevas, no início do início, e é para lá que eu te levarei, para que você possa me entender, não só a mim, mas também a Aline, e a Lincoln e seus colegas.

Você deve saber de onde nós viemos e o que já superamos, para só então decidir o que você vai fazer. E se você ou o Lincoln e seus colegas quiserem pegar meu lugar, boa sorte, vai firme e vamos ver se vão aguentar.

Não adianta se esconder ou tapar os ouvidos, pois os espíritos das trevas não se calarão até que eu, agora, ou alguém, algum dia, lhe conte essa história. E se já for tarde, e se eu já tiver me juntado a eles nas trevas, só lamento por você e por Lincoln e seus colegas.

Você acha que sabe o que é sofrer, mas poucos viveram nas quebradas trabalhando, de sol a sol, para chegar ao dia do pagamento e virem todo seu suor roubado, ao entrar na favela ou no bairro, pelo moleque da rua de baixo, para pagar o arrego para o policial do tático…

… ou para ser vendido assim que ia para dentro da muralha, para ser usado por um outro preso ou um carcereiro como achassem melhor — geralmente sendo estuprados, obrigando seus familiares a levarem coisas para dentro ou servindo de garagem (não vou explicar).

O site eb.mil.br replica uma reportagem de Aline Ribeiro para O Globo e me obriga a vir até você para lhe levar a esse passado, para que você, por si mesmo, possa vislumbrar o futuro que, assim como eu, Aline e Lincoln e seus colegas já estamos vislumbrando.

Alguém pode temer o fim do PCC?

Meu pai vivia me advertindo: ”tome cuidado com o que você deseja. Você pode acabar por conseguir”.

Os pais de Lincoln e de seus colegas do MP-SP deveriam ter dado o mesmo conselho a eles, pois agora que estão perto de realizar o sonho impossível de acabar com o PCC 15.3.3, parece que começam a ver que talvez tivesse sido melhor ter tido outro desejo. Agora é tarde:

“A ruptura é inevitável. É o início do fim de uma era – diz o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado de Presidente Prudente.” Quatrocentos integrantes da facção fora da cadeia, farão o possível para “tirar o câncer da nossa família” que “não pensa no coletivo e só quer ostentar enquanto os irmãos passam fome em outros estados”.

Lincoln e seus colegas derrotaram a Hidra de Lerna, cortando sua cabeça Uh, Uh!!!

Aline, eu, Lincoln e seus colegas nos lembramos de como eram as trevas antes que Marcos Willians Herbas Camacho e sua equipe assumissem o patriarcado da Família 1533. Se você não se lembra, vou pedir para Deiziane lhe contar um pouco de como era…

A pacificação do PCC na Modernidade Líquida

E no princípio eram trevas, no início do início, antes que a paz chegasse à comunidade do Serviluz em Fortaleza com os acordos firmados entre as gangues de jovens locais, como ela narra após dezenas de entrevistas com moradores e pessoas que atuam na região.

Deiziane Pinheiro Aguiar apresentou suas conclusões ao Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará: Marcado para Morrer: moralidades e socialidades das crianças na comunidade do Serviluz.

Se você realmente quer a paz, deve saber de onde nós viemos e o que nós já superamos, para só então decidir o caminho que deve tomar, e não fazer como o Governo cearense, que creditou a baixa da taxa de homicídios a suas políticas de segurança pública.

Você pode concordar ou não com a realidade, mas ela continuará prevalecendo sobre sua opinião, e Deiziane a analisou e previu o fim desse equilíbrio e da pacificação. muito antes que os governantes cearenses, Aline, eu e Lincoln e seus colegas o fizéssemos.

O amigo e o inimigo moram ao lado

O deputado Ferreira Aragão concorda com Deiziane quanto à influência que as organizações criminosas têm dentro da comunidade:

“No bairro de Serviluz, quando alguém é morto, não se recorre mais à Polícia ou à Justiça.’É o chefe da gang que é buscado para resolver o crime. E vão lá fazer justiça com as próprias mãos’”.

Poucos garotos que vivem naquela comunidade ouviram falar em Zygmunt Bauman, mas Deiziane afirma que o sociólogo e filósofo polonês descreveu com perfeição o que se passa pela mente dos meninos do mundo do crime:

“Existem amigos e inimigos. […] Amigos e inimigos colocam-se em oposição uns aos outros. Os primeiros são o que os segundos não são e vice-versa. Isso, no entanto, não é testemunho de sua igualdade. […] Os inimigos são o que os amigos não são. Os inimigos são amigos falhados; eles são a selvageria que viola a domesticidade dos amigos, a ausência que é uma negação da presença dos amigos. O avesso e assustador “lá fora” dos inimigos é, […] “aqui dentro” dos amigos. […] A oposição entre amigos e inimigos separa a verdade da falsidade, o bem do mal, a beleza da feiura […] o próprio do impróprio, o certo e o errado […].”

Os garotos podem não ter as palavras bonitas de Bauman, porém sabem que quem não corre pelo lado certo do lado errado da vida, é o inimigo. Mas quem traça esses limites, determina a pacificação e decreta a guerra?

O Ceará pode ser aqui

Há poucas semanas, fui à Indaiatuba gravar uma entrevista. A cidade tem uma taxa de homicídios de 0,86 para cada cem mil habitantes – muito diferente do Ceará, com seus 52 para cada cem mil – e, se não bastasse isso, está entre as 80 com maior IDH do país.

Há alguns anos, em um dos meus primeiros estudos a respeito da facção, conheci o bairro Jardim Morada do Sol, hoje com 70 mil habitantes, e que, na época, vivia em clima de incertezas: assaltos, furtos em residências, estupros e guerra de gangues.

Haviam três biqueiras principais que disputavam entre si os limites de atuação, e os garotos, para se garantir, andavam armados em plena luz do dia. Lembre-se que não estou falando do Serviluz no Ceará, e sim do bairro da hoje pacata e progressista cidade paulista.

A ordem para a paz e os limites de cada grupo foram definidos por acordos fechados dentro das muralhas da Penitenciária de Hortolândia, que determinou, inclusive, pena para os crimes cometidos contra a população próxima às biqueiras. Mas quem traça esses limites, determina a pacificação e decreta a guerra?

A vitória dos moderados e o controle das bases

E no princípio eram trevas, no início do início, antes que a paz chegasse às diversas cidades e estados sob a hegemonia do Primeiro Comando da Capital, que sob o controle dos moderados mantém a pacificação e o controle da base.

As mortes de Rogério Geremias Simone, o Gegê do Mangue, Edilson Borges Nogueira, o Birosca, Fabiano Alves de Souza, o Paca, Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, entre outros, comprovam algo que ouvi há alguns anos de um faccionário:

“Eles estão mais seguros lá dentro que na rua. Se sair morre.”

A admiração dos garotos do Primeiro Comando, em especial pelo Marcola, não foi sequer arranhada pela revelação do colega de Lincoln, o Marcio Sergio Christino, que acusou Marcola de ter sido um informante da polícia e ter entregue seus aliados.

No entanto, as rígidas regras impostas pelo grupo liderado por Marcola justificam a indignação, principalmente nos níveis intermediários da organização, que se sente tolhida ao não poder armar as biqueiras para reagir às ações policiais, entre outras limitações.

A vitória de Lincoln e seus colegas e o fim dos moderados

A disputa para ampliação de limites territoriais, influência ou poder acontece em todos os grupos sociais, seja entre as crianças nas creches ou nas ruas, ou entre os adultos nas igrejas, nos locais de trabalho, nas biqueiras, e até mesmo dentro da viatura policial.

Entre os membros de facções que disputam o mesmo território e dentro das organizações criminosas por aqueles que disputam o poder interno isso não poderia ser diferente, essa é uma característica humana.

Há quem prefira não se arriscar e deixar a luta para outros: esses são os cordeiros, que servem de alimento na cadeia alimentar e mantêm nossa estrutura social funcionando com certa estabilidade, como nos ensinou Étienne de La Boétie.

Mas entre os faccionados não existem cordeiros. O mais pacífico é um alfa que tem seu domínio territorial garantido por sua força — não há amigos dentre os aliados, companheiros e irmãos, há o respeito pelo mais forte e pelo grupo.

Lincoln e seus colegas estão agora a um passo da vitória. As ações do MP-SP e do GAECO enfraqueceram o grupo dos Catorze alfas que lideram a facção, e é por essa razão que Lincoln acredita que o PCC se desintegrará nas guerras internas.

arte sobre foto do promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o Leviatã tendo ao fundo a batalha entre o bem e o mal., abaixo do texto "cotada a cabeça da Hidra de Lerna".
PCC fica sem liderança após transferência de líderes

E no final serão as trevas, no fim do fim

A liderança enfraquecida terá que disputar o poder dentro das muralhas de Presidente Prudente, e de lá essa guerra vai se espalhar para o restante do estado.

Enquanto isso, centenas de pequenas facções sem estrutura aterrorizarão os bairros periféricos de vários estados, que hoje já estão pacificados, e muitos deles seguirão o destino dos morros cariocas, com grupos de milicianos disputando o tráfico.

As periferias das cidades paulistas, os cortiços, as ocupações e as biqueiras próximas aos centros das cidades, sem garantias e ordem, vão se armar para garantir suas bases comerciais de tráfico de drogas.

As viaturas policiais, que hoje abordam os cidadãos com certa tranquilidade, pois quase todas as biqueiras paulistas atuam desarmadas, voltarão a enfrentar grupos armados, e a cabeça dos policiais mais ativos ou corruptos voltarão a ser disputadas.

Vencemos o Crime Organizado – Uh, uh!!!

Entregaremos para aqueles que nasceram após a década de 1990 uma São Paulo e um Brasil como eles nunca viram, livre da hegemonia da facção Primeiro Comando da Capital!

Só não entendo por que não senti a empolgação que esse momento merecia por parte da repórter Aline Ribeiro e do promotor de Justiça Lincoln e seus colegas, afinal, vencemos – Uh, uh?

Parceria 'Ndrangheta e PCC garante hegemonia no tráfico

Através da organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital a família mafiosa italiana ‘Ndrangheta unificou a rota de distribuição de drogas do Cone Sul para a Europa.

“Os corretores da máfia são tão poderosos que lidam diretamente com o PCC. Traficando da Colômbia, da Bolívia e do Peru, passando pelo Paraguai como rota de trânsito.” — Zully Rolón, ministro da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai

A parceria entre as duas organizações criminosas possibilitou que a ‘Ndrangheta passasse a hegemonia do tráfico de drogas da América para a Europa com o dominando 80% do fluxo.

A droga saída da Bolívia, Peru e Colômbia, chega no Paraguai e é colocado em containers que seguem por via terrestre ou fluvial/marítima para portos na Argentina (Buenos Aires), Uruguai (Montevidéu) e Brasil (Santos e Paranaguá) e desses para os portos europeus. — Última Hora

Cristina Kirchner e a facção PCC

As ligações políticas da vice-presidente Cristina Kirchner com o casal Zamora a envolveria com a facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital?

Por um estranho e tortuoso caminho…

O Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) está na porta de entrada da Argentina, na “Madre de Ciudades”, como é conhecida Santiago del Estero, a mais antiga cidade platina fundada por colonizadores espanhóis. É o que afirma o jornalista americano Douglas Farah no relatório intitulado “Un caso de estudio de la convergencia criminal internacional: Santiago del Estero, Argentina”.

Farah é especialista em segurança internacional na América Latina e presta consultoria em sua área ao Banco Mundial, FMI, Departamento de Estado dos EUA, Departamento de Defesa, DEA e OEA, entre outras instituições e é frequentemente requerido como testemunha pelo Congresso dos Estados Unidos.

Segundo Farah, os narcotraficantes da facção brasileira PCC estão em conluio com a polícia provincial e as autoridades políticas, trocando proteção uns aos outros em suas esferas de poder e o governador da província, Geraldo Zamora, e sua mulher Claudia Ledesma Abdala, que também já foi governadora da província, se alimentam e alimentam essa estrutura.

Para Farah, grande parte do poder do casal Zamora vem da proteção que recebem de Cristina Kirchner, em termos políticos e fiscais, e a ela fornecem base não apenas no campo político. Dessa forma e por esse tortuoso caminho, o periódico La Nación repercutiu o trabalho do pesquisador que, “em tese”, vincula a vice-presidente Argentina à organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

Grandes organizações criminosas como as Farc na Colômbia ou a Mara Salvatrucha na América Central sempre se envolveram com as forças policiais e as elites políticas, no entanto, apesar de ocasionalmente utilizarem o território argentino não criaram. Já a facção PCC 1533 ameaça estender seu poder não só nas periferias e prisões, como também pela nata da sociedade platina.

reportagem completa El malabarista de la ilegalidad dos articulistas Alberto Fernández e Alfredo Sábat

%d blogueiros gostam disto: