HSBC e o dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital

Meu falecido avô dizia que esse mundo é pequeno, e eu preciso concordar com ele. Outro dia, navegando por aí, me deparei pela primeira vez com Robert Evan Ellis – um analista de economia, política e segurança latino-americana –, que, da bela cidade de Montgomery, no Alabama, fazia suas considerações sobre a evolução do crime organizado brasileiro.

Para minha surpresa, me deparo, hoje, novamente com Robert; só que dessa vez ele está falando sobre o aumento da influência da China na América Latina, em uma coletânea de David Denoon: China, The United States, and the Future of Latin America: U.S.–China Relations.

“Certos escritores se desculpam de não haverem forjado coisas excelentes por falta de liberdade – talvez ingênuo recurso de justificar inépcia ou preguiça. Liberdade completa ninguém desfruta […]” – escreveu Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere.

O escritor-analista Robert Evan Ellis produz muitos artigos doutrinantes, que apontam para um caminho já conhecido por muitos de nós brasileiros e, em especial, por Graciliano Ramos – que em 1935 foi demitido do serviço público, deportado em um porão de navio e preso, sem acusação, durante o Governo Vargas: eram os ventos do New Deal soprando.

“América para os americanos” – slogan da doutrina Monroe.

Durante a Era Vargas, vivíamos sob a influência da “política de boa vizinhança”, do presidente americano Franklin Delano Roosevelt, onde o Departamento de Estado americano através do Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA), influenciava abertamente  o governo brasileiro (ou pelo menos tentava), como mandava a velha cartilha da Doutrina Monroe.

A volta ao velho sistema de influência econômica e cultural, o Big Stick, é a proposta para hoje de Robert para o governo americano.

Somado a outros argumentos, há o de que o The Hong Kong and Shanghai Banking Corporation (HSBC) está administrando o dinheiro da organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC), e alerta que esse fato pode não parecer tão perigoso quanto a presença de tropas chinesas em outros países latino-americanos, mas, na verdade, é até mais grave.

É no varejo, nas ações diárias, comerciais e financeiras, que a China está conquistando espaço na América Latina; isso faria parte de um planejamento a longo prazo, e se os Estados Unidos da América não se atentarem, terão corroída sua posição global, ficando vulneráveis – até mesmo militarmente – em regiões muito próximas ao seu território.

Bem, Robert Evan Ellis aponta como solução para os Estados Unidos o retorno aos tempos do New Deal. Meu falecido avô, além de achar esse mundo pequeno, também era um grande admirador do presidente Getúlio Vargas. Eu lamento pelo o que passou Graciliano Ramos, mas Vargas soube, a seu tempo, explorar o medo americano como ninguém.

A segurança das fronteiras nas mãos do PCC 1533


Enquanto quem não conseguia enxergar o que estava acontecendo batia palmas e postava seus kkks nas redes sociais após a morte de Gegê do Mangue e Paca, o Promotor de Justiça Lincoln Gakiya colocava suas barbas de molho e alertava que nuvens escuras estavam despontando no horizonte.

Às  nuvens que Gakiya já havia notado somaram-se outras, se somaram a outras, ainda mais pesadas. Coube ao ministro Hugo Vera, chefe da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD), teve que contrariar os garotos que batiam palmas e postavam seus kkks nas redes sociais após a prisão de Galã.

A história da morte de Gegê começou a ser mal contada com o estranho surgimento do bilhete que auxiliou as autoridades a desvendarem todo o caso, o que leva à questão; desde quando as autoridades já estavam cientes do plano de eliminar os líderes do Primeiro Comando da Capital e quais serão as consequências dessas mortes?

A proteção militar!
Para aqueles que imaginam que os militares no Rio de Janeiro vão resolver o problema do tráfico de drogas e armas, é preciso lembrar que as fronteiras nacionais são garantidas há anos pelo sistema ENAFRON/SISFRON das forças armadas em ação conjunta às forças policiais dos países fronteiriços.
As belas fotos dos soldados atuando no Rio já são velhas conhecidas nossas da Operação Ágata.

É ela que impede que nossas fronteiras sejam invadidas por traficantes de armas e drogas, com direito a belas fotos com militares nas estradas e helicópteros sobrevoando as matas e os rios — show.

Só valem pelo show. Gakiya e Vera sabem disso, e por isso se preocupam com as nuvens no horizonte.
A rota das armas e drogas, apesar dos militares, tem funcionado de maneira cada vez mais estável depois que o Primeiro Comando da Capital (PCC) assumiu a logística após a eliminação de Jorge Rafaat Toumani.

O PCC e a política de fronteiras!

Gegê do Mangue teria criado um sistema que sufocaria as facções Comando Vermelho (CV) e Família do Norte (FDN), sem a necessidade de enfrentamento direto entre as facções, deixando os garotos da base se matando, mas segurando as ações contra a polícia e o Estado.

Além de manter e solidificar a tradicional linha de fornecimento do Paraguai, a equipe de estrategistas da organização criminosa desenvolveu uma estratégia para contaminar a tradicional rota norte, via rio Solimões, forçando a Família do Norte e o Comando Vermelho a buscar meios alternativos.

A exportação das drogas também deixou de ser centralizada e passou a ser operada através de diversos portos — tudo sob o olhar de Gegê do Mangue. Elton Rumich da Silva, o Galã, é uma figura ainda nebulosa dentro desse estratagema, todavia era personagem chave nesse jogo estratégico.

As possibilidades:

  1. apesar de ter assumido o controle da distribuição da rota paraguaia com o apoio da facção paulista, Galã vendia com sobrepreço para a facção carioca Comando Vermelho, com o aval de Gegê, como forma de evitar uma guerra direta, ao mesmo tempo que fragilizava seu caixa, e conseguia informações estratégicas do inimigo;
  2. que ele só comercializava com o PCC e seus aliados; e
  3. ele comerciante autônomo, agindo sem se reportar ao Primeiro Comando, mas garantindo paz na fronteira e rota livre para seus insumos.
O terror nas ruas!

Enquanto a atual política de não enfrentamento do narcotráfico contra o Estado constituído e suas forças policiais persistirem, como tem sido a orientação do Primeiro Comando da Capital, há possibilidade de enfrentamento sem levar terror às ruas e à população através da polícia investigativa e ostensiva.

Para quem imagina que o ideal seria outro, é só ver como as coisas estão no Rio de Janeiro, onde o Comando Vermelho está no poder.

O mal maior!

A possibilidade de que Gegê do Mangue e Paca estivessem negociando com os inimigos do CV e FDN um acordo ou a mudança de camisa seria um tsunami para a segurança institucional latino-americano.

Se o maremoto foi evitado, as nuvens não foram dissipadas. A Família do Norte e o Comando Vermelho poderão tentar retomar a rota do Paraguai e restabelecer a hegemonia no Solimões, e, se isso acontecer, muito sangue poderá correr, tanto de membros das facções, quanto de policiais.

A hora é agora!

O momento não poderia ser mais propício para mudança dentro da estratégia paulista.

Com ajuda do Governo Federal, que com a intervenção militar no Rio de Janeiro criou dificuldades organizacionais para a organização carioca, o PCC poderá solidificar seus negócios com a Venezuela.

Hoje, devido às dificuldades econômicas da Venezuela, armas pesadas podem ser compradas por um preço bem abaixo do mercado.

Quando vamos ter outra oportunidade de comprar AR-15 e AK-47 por até US$ 5.000???

Militares e guerrilheiros estão vendendo as armas de suas organizações e aceitando oportunidades de serviço dentro e fora do país, e apesar da Família do Norte ter um vínculo mais antigo com os venezuelanos, a organização paulista tem condições econômicas e estratégicas para dominar a fronteira norte.

A rota boliviana como alternativa

Os paulistas conhecem desde o tempo dos bandeirantes a rota boliviana, que por algum tempo quase foi esquecida, e transportar via Mato Grosso do Sul maconha, cocaína e armamento era coisa para quem queria fugir do grande fluxo.

Há quem diga que o próprio Marcola havia proibido a utilização desse caminho — mas eu nunca vi esse salve. Seja como for, a estrada foi reaberta e está em funcionamento, como rota alternativa. Quem teria capacidade de gerenciar tal logística internacional?

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Sob nova direção!

Por mais incrível que possa parecer, o futuro da estabilidade da América-Latina repousa nos braços de Fuminho, o Gilberto Aparecido dos Santos, que assumiu a gestão e a logística internacionais em nome da Família 1533.
Há quem consiga dormir tranquilo, sabendo que nossas fronteiras estão seguras pelo ENAFRAN/SISFRON e sua Operação Ágata, da mesma forma que o Rio de Janeiro agora dorme em paz com os militares no combate ao tráfico de drogas.
Boa sorte para todos nós, e agora sim é hora de bater palmas e postar kkks.

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Bolívia quer combater o PCC, mas não o narconegócio

Peço a todos que me perdoem, mas não consigo sentir firmeza no recém formado Primer Gabinete Binacional de Seguridad Bolivia-Brasil. Talvez seja a forte luz vinda dos holofotes que estão iluminando o palco, ou as sombras que estão por detrás dele, mas algo está me impedindo de ver com clareza aonde esse Gabinete Binacional vai nos levar.

O inferno está repleto de boas intenções, e tenho acompanhado pelas últimas décadas a formação de inúmeras comissões, reuniões, sistemas, planos – se bem que com nome de gabinete é o primeiro. Será que realmente há uma boa intenção por parte dos governos?

Quem coloca essa dúvida não sou eu, é Robert Evan Ellis no artigo La stratégie des États-Unis pour l’Amérique latine et les Caraïbes, no qual apresenta o governo boliviano como um ávido combatente dos interesses norte-americanos e aliado militar e comercial da China e da Rússia. Conjuntamente com esse último país, segundo Ellis, o governo da Bolívia estaria montando um reator nuclear experimental, perto de El Alto.

O pesquisador faz crer que a recusa boliviana em aceitar apoio do governo americano na luta contra o narcotráfico foi uma forma discreta de manter o país como um dos principais produtores mundiais de coca. A agência noticiosa Vise publicou a declaração de um camponês produtor da folha, que demonstra a ação do Estado:

“Agora é diferente. A polícia é nossa amiga. Antigamente, nós desviávamos os olhos quando eles passavam. Agora paramos sempre para dizer um ‘olá’”, afirma o agricultor.

últimas notícias do Primer Comando de la Capital na Bolívia

Quando incentivou uma economia baseada no narconegócio, Evo Morales não contava com o ingresso do Primeiro Comando da Capital no país: a facção paulista está conseguindo desconstruir os acordos feitos pelo governo com as diversas etnias e grupos sociais, o que está colocando em risco o mandato do presidente da Bolívia.

O interesse do PCC na Bolívia começou em 2007 com o objetivo de estabelecer relações com narcotraficantes bolivianos e foi implementada inicialmente por aproximadamentes 100 integrantes da facção.

jornalista Allan de Abreu

Peço a todos que me perdoem, mas se for para ter minha vista ofuscada pela forte luz vinda dos holofotes, que seja aquela que está iluminando Luana, a belíssima modelo brasileira que é a mensageira do Primeiro Comando da Capital – e nem vou me preocupar com as sombras que estão por detrás dela.

Já o juiz suspenso de San Pedro de La Paz, que beneficiou com a prisão domiciliar um possível brasileiro integrante do Primeiro Comando da Capital, não conseguiu provar que sua vista estava ofuscada pelo brilho do processo, e o Ministério Público da Bolívia solicitou formalmente sua prisão preventiva. Pelo menos é o que nos conta o noticioso El Deber.

O PCC ameaça a estabilidade latino-americana?

Talvez você se imagine como uma pessoa inteligente e pense que é difícil alguém enganar você. Bem, se você for assim, bem vindo ao clube: eu também tinha muitas “certezas” até ler o artigo do analista em economia, política e segurança latino-americana Robert Evan Ellis, La stratégie des États-Unis pour l’Amérique latine et les Caraïbes.

Apesar de não ser um trabalho que chame a atenção por sua qualidade, profundidade ou conteúdo, ele fez com que eu questionasse minhas certezas.

Robert me quebrou logo de cara, pois começa dizendo que o Donald Trump não tem nenhum fundamento em ver ameaça aos Estados Unidos vinda da América Latina. Então, eu deduzi, que o texto seguiria nesse caminho, mas… Ledo engano (e esse foi apenas meu primeiro e menor engano).

O analista, no decorrer de seu trabalho, derrubou minha crença em um mundo no qual a Guerra Fria foi substituída por outro pós-história (Fukuyama), quando apontou para uma melhora na segurança no Cone Sul com Temer na presidência do Brasil, se contrapondo ao governo boliviano de Morales, que estaria recebendo armas e recursos da China e da URSS (ops… Da Rússia).

O trabalho de Robert também apontou que eu estava errado ao acreditar que o Primeiro Comando da Capital tinha uma matiz diferente das Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), do Exército de Libertação Nacional (ELN), e do Sendero Luminoso. Há, segundo Robert, uma característica que une essas organizações criminosas que também está presente no PCC 1533:

“Cometem ataques em nome de objetivos políticos” – no caso da organização paulista, é a luta pelo fim da opressão carcerária e desigualdade social.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A última certeza que Robert derrubou foi a mais intrigante e preocupante, pois eu nunca levei em consideração que a democracia e a segurança de toda América poderiam estar em risco por causa do Primeiro Comando da Capital, mas pesquisador aponta para as semelhanças entre o que está acontecendo aqui e o que acontecia no oriente antes da Primavera Árabe:

“Não foi devido a conflitos internos, mas como na América Latina, as tensões sócio-econômicas alimentadas pela dinâmica da globalização, instituições fracas e passivas que se mostraram incapazes de gerenciar a crise. […] escondem a mesma capacidade explosiva, podendo pôr em risco a segurança nacional dos Estados Unidos.” (tradução e negrito meus)

Ellis diz ter chegado a essa conclusão devido à incapacidade dos governos de vencerem o crime organizado e à rápida transmissão dos efeitos pelo mundo por uma possível perda de controle sobre o criminalidade, pois, assim como aconteceu na Primavera Árabe, o caos se espalharia rapidamente para os países vizinhos até invadir as fronteiras americanas.

Ainda batendo na tecla desse cenário de Guerra Fria em um mundo globalizado, o analista adverte que o crime organizado aumentou a vulnerabilidade , como na época da Guerra Fria, levando à instabilidade das políticas conservadoras e ao avanço das populistas. Ele não cita nomes, mas no ano que vem tem eleições por aqui.

Talvez você imagine que é uma pessoa inteligente, que é difícil alguém enganá-lo. Bem, se você for assim, Robert vai provar que você, assim como eu, está errado. Aposto que você acreditou quando alguém na escola lhe ensinou que o Macartismo tinha morrido na metade do século passado. Só que não. O analista, no mais puro estilo Macartista, declara:

“Conscientes das percepções do poder e da autoridade moral dos Estados Unidos no mundo, o país deve atuar para o estabelecimento de instituições regionais fortes para o rígido cumprimento das leis do Estado de Direito, para atingir a maioria dos seus objetivos na região, incluindo a promoção da democracia e dos direitos humanos, o desenvolvimento e a justiça social ou para combater a influência maliciosa de certos atores estrangeiros. As instituições fracas são mais vulneráveis ​​à exploração de empresas estrangeiras e elites nacionais, bem como à deriva de líderes populistas…”

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Os garotos do PCC são tão bons quanto pensam ser?

“…Infectado por um complexo de superioridade insalubre. […] Antes de continuar a prosar sobre esse “nobilíssimo” povo, muito gostaria eu de saber em que é que ele nos beneficiou até hoje. Naturalmente que muitos irão objectar sobre que bicho me mordeu para começar desta maneira tão contundente e sarcástica.”

Assim começa António Figueiredo e Silva sua crônica O egocentrismo de um povo, e da mesma forma que quero começar este texto.

Na crônica, Figueiredo e Silva se refere aos ingleses, mas o conteúdo, palavra por palavra, serve também para os integrantes do Primeiro Comando da Capital, que são, sim, um povo, pois vivem sob leis, regras, costumes e linguagem própria.

Agora, esses seriam motivos para que eles se achem superiores?

Segurança Internacional e Defesa da Universidade Nacional de Lanús (UNLA), Mariano Bartolomé, dá uma ideia da resposta:

“Os protagonistas do crime organizado forjam organizações complexas e disciplinadas, extremamente eficientes e com impressionantes recursos econômicos, com estruturas sólidas e ao mesmo tempo altamente adaptáveis às mudanças. E estas entidades constituem nós de uma rede de alcance planetário com múltiplas ramificações. […] exibem uma alta capacidade de adaptação e diversificação horizontal, gerando um duplo efeito: por um lado, tem acesso rapidamente a muito dinheiro; e por outro, se colocam sempre um passo adiante dos esforços do governo pelo qual são combatidos.” (tradução minha)

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Bartolomé não está se referindo especificamente aos membros do PCC, pois adverte, logo no início de seu artigo – La Criminalidad Organizada, un Severo Problema de Seguridad para el Hemisferio, para a Revista del Colegio Interamericano de Defensa –, que as regras servem, basicamente, para todas as organizações que se inter-relacionam pontualmente.

No entanto, o pesquisador acaba citando o Primeiro Comando, apenas uma vez, para ressaltar que não temos ideia do que poderá acontecer no futuro com a incorporação da cultura guerrilheira, trazida para dentro da facção paulista pelos membros incorporados nos últimos anos da antiga FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Assim como o mais humilde súdito de Sua Majestade Elizabeth II sente como sendo seu todo o poder do Império Britânico, os vaporzinhos, que vendem baseado na esquina, também se orgulham de ser do PCC e sentem, como se fosse deles, todo o poder da facção criminosa. Bem, só que não.

Esse sentimento compartilhado por ingleses e PCCs nada mais é que o conceito de nação, de povo, que nós brasileiros deixamos de ter; o orgulho de pertencer a algo maior: patriotismo. Eles estão errados, não são tudo que pensam. Bem, só que não!

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PCC um problema de fronteiras no Brasil.

Recebo, todos os dias, mensagens e ligações criticando meu trabalho, tanto por parte das forças de segurança quando por parte de integrantes da facção. Parece ser mais fácil o governo federal fechar os quase 248 mil quilômetros de fronteiras do que meus críticos chegarem a um consenso.

Pessoal, se decidam!!!

João Pereira Coutinho, nessa semana estava falando sobre esse tipo de comportamento: são pessoas que criticam o capitalismo, mas não vivem sem seu iPhone ou seus Androids de última geração. Assim se faz quando se fala sobre o Primeiro Comando da Capital PCC 1533: as pessoas criticam o sistema e os métodos, mas não vivem sem eles e não aceitam mudar a receita.

Enquanto os cães ladram, a caravana passa. Vamos aproveitar o mote e falar sobre as fronteiras.

O pesquisador Alex Jorge das Neves, capitão da Polícia Militar de Goiás, apresentou um trabalho para o Programa de Pós-Graduação em Estudos Fronteiriços, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que vale a pena ser lido:

Plano Estratégico de Fronteira, rumos e desafios da integração e cooperação em Segurança Pública no contexto dos Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteiras.

Quando eu vi esse título já imaginei um texto chato e sem pé na realidade, mas, depois, me surpreendi com a facilidade de leitura e com a análise bastante clara do problema e das possíveis soluções. Nas próximas semanas destrincharei aqui esse trabalho, aos poucos.

O pesquisador analisa que o Primeiro Comando da Capital ganhou as ruas e se ramificou para o Paraguai e Bolívia por conta de uma nova configuração das organizações criminosas transnacionais, possibilitada pela globalização.

O Paraguai é hoje o principal produtor de maconha da região e o maior corredor de cocaína da Bolívia para a Europa. A coca boliviana é misturada no Paraguai com precursores químicos ilegais que chegam de outros países.

Em seguida, é escondido em caminhões e contêineres para ser transportado para a África e a Europa. Cabo Verde e Roterdã são os principais portos de destino, segundo a Secretaria Antidrogas do Paraguai (Senad).

Catalina Oquendo – El País

Analiso e público trabalhos acadêmicos assim como processos criminais há seis anos nesse site, e isso, por vezes, me deixa triste. Alex que me perdoe, mas esse filme eu já vi. Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma, e agora Michel Temer. Mudam os nomes dos presidentes e dos programas que eles criam, mas na prática…

Assim como eu aqui do meu canto vejo os cães latirem e as caravanas passarem, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, viu a todos esses políticos e burocratas criarem programas e falharem, pois não vivem na realidade das ruas. Ele sim.

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