O sombrio relato de um servidor que ousou negar-se à colaborar com o PCC desvela a batalha contra a corrupção e o domínio do crime organizado no Aeroporto Internacional de São Paulo, bem como a escassez de amparo por parte das autoridades aos indivíduos assediados.
Colaborar com o PCC ou morrer, essa é a realidade macabra quando olhamos o reino sombrio da facção PCC 1533:
Os irmãos e companheiros da organização criminosa não são obrigados a qualquer missão, sendo livres para aceitar ou não uma responsabilidade, enquanto funcionários do governo e das esferas privadas, bem como os agentes da lei e da justiça, podem encontrar seu fim caso não se submetam às ordens recebidas.
Se colaboram são regiamente pagos, se não colaboram podem morrer. Tal foi o destino de Arisson, que, desafiou o Primeiro Comando da Capital, e pagou o mais alto tributo por sua valentia.
Convido os leitores do site a comentar aqui ou nos grupos de Zap, para contradigam minha certeza que diz que, enquanto algumas autoridades tecem enredos inacreditáveis, tal qual o Senador Sergio Moro, e asseguram para si uma legião de seguranças, aqueles funcionários condenados a lidar diretamente com os interesses do Primeiro Comando da Capital são abandonados à mercê de seu próprio destino cruel e incerto.
Venho para compartilhar com os leitores deste site uma história perturbadora e trágica que ocorreu recentemente no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Como você bem sabe e eu já citei inúmeras vezes neste site, a corrupção e a influência da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, são problemas generalizados na américa do Sul. Mas, meu amigo, essa história em particular ressalta o quão profunda é a luta de alguns indivíduos para resistir a essa corrupção e sobreviver em meio à violência e ao medo.
Arisson, um operador de esteira no aeroporto, teve a coragem e a integridade de cumprir seu dever, barrando duas malas suspeitas que continham 60 kg de cocaína. Essa ação heroica impediu que uma quantia considerável de drogas chegasse à Europa, privando a facção PCC de lucros estimados em até R$ 30 milhões. Contudo, sua honestidade teve um preço terrível.
O trágico destino de um homem corajoso e íntegro
O medo de colaborar com o PCC é uma realidade diária para muitos servidores públicos e funcionários de empresas privadas. Essas pessoas frequentemente se veem coagidas a colaborar com atividades criminosas, não por ganância, mas como uma forma desesperada de garantir a sobrevivência de si mesmas e de suas famílias. No caso de Arisson, ele enfrentou esse medo e se recusou a colaborar com a facção criminosa, um ato de bravura que, infelizmente, resultou em sua morte.
Após sua recusa em entregar as malas, Arisson foi abordado e ameaçado por Márcio do PCC. Poucos dias depois, em um ato brutal de vingança, Arisson foi assassinado a tiros em seu carro.
Dois dias após a apreensão da droga, Márcio abordou Arisson em um ponto de ônibus e lhe afirmado: “Você, eu já passei para os caras”, referindo-se ao fato de ter relatado ao PCC sobre a apreensão das malas, decorrente da ação da vítima.
Por volta das 18h50 do dia 13 de janeiro, Arisson voltava para casa, em seu carro, quando foi interceptado no bairro São João, em Guarulhos, por um Ford Ranger, ocupado por três criminosos. O aeroportuário foi fuzilado e morreu ainda no local.
Os assassinos abandonaram o carro, com placas adulteradas, alguns quarteirões adiante. Foi constatado que o veículo era roubado, do Rio de Janeiro, um outro funcionário do aeroporto foi preso por envolvimento no homicídio, e três criminosos permanecem foragidos.
Sua morte é uma lembrança sombria do poder e da influência do PCC e da corrupção que assola nosso país e a forma como o estado atua em defesa de seus cidadãos.
…as bolsas seguiam pelas esteiras rolantes até a área restrita, onde funcionários aliciados pelo Primeiro Comando da Capital recebiam dos comparsas as fotos com as imagens das malas recheadas com drogas, e as embarcavam para Portugal, França e Holanda, na Europa, e também para Johannesburgo, na África do Sul.
A expansão do PCC inclui incursões na Bolívia, onde o grupo pode comprar cocaína diretamente dos produtores daquele país, segundo a Americas Quarterly.
Uma vasta rede criminosa operava, e Arisson tentou, solitariamente, obstruir seu avanço. Quiçá tenha buscado auxílio ou relatado a situação a seus superiores ou autoridades, mas somente ele encontrou seu fim. Apenas ele, sinceramente, acreditou que poderia impedir que os criminosos paulistas atendessem seus clientes na Europa, onde equipes se preparavam e investiam para descarregar e distribuir a droga sem retaliações.
Ao chegarem os carregamentos, a ‘Ndrangheta colabora com traficantes italianos, que transportam os entorpecentes para distribuição abrangente por todo o território europeu, auxiliados por grupos da máfia sérvia e inúmeras facções independentes.
A facção paulista teve de explicar aos seus parceiros europeus a falha no processo e indenizá-los pelos prejuízos, além de dar uma resposta à altura. Por isso, Arisson pagou com sua vida; contudo, mesmo assim, a organização brasileira perdeu parte da confiança de seus clientes.
Arisson foi um herói, inegavelmente, e presto aqui minha homenagem. Entretanto, tratava-se de um herói solitário, abandonado pelo sistema que tentou defender. Assim como ele, centenas, senão milhares de funcionários e agentes públicos e privados são ameaçados pelo Primeiro Comando da Capital, enquanto as autoridades não se empenham minimamente em protegê-los.
A logística do crime deste esquema no Aeroporto Internacional de São Paulo
Deixa eu te contar como tudo está funcionando por lá. O esquema já tem uns oito anos, então mudou muita coisa desde o começo até aqui, cada pouco evolui um pouco, e cada pouco muda um pouco para dificultar que a Polícia Federal que investiga um esquema derrube tudo.
O Primeiro Comando da Capital, percebeu que dava pra mandar malas cheias de cocaína pro outro lado do oceano quando a fiscalização de remessas em pacotes apertou. Em 2015, foi a primeira vez que um lance assim foi descoberto pelas autoridades, quando um casal de idosos teve as malas trocadas por outras cheias de droga, mas por um acaso tudo foi descoberto.
Pontualidade e motoristas de aplicativos
Então, tudo começa com os motoristas de aplicativo, que são contratados pra não dar bandeira, mas eles sabem muito bem o que tão fazendo e quem tão levando pro aeroporto. Eles levam os criminosos, que geralmente usam uniformes de companhias aéreas pra disfarçar, e deixam eles em horários e locais combinados por mensagem.
A pontualidade é chave, porque, segundo a PF, isso faz com que as malas com drogas sejam despachadas bem rápido, sem que os funcionários que não tão no esquema percebam a movimentação suspeita.
O esquema geralmente usa os mesmos carros e motoristas pra levar as malas com cocaína até o aeroporto. As bagagens são entregues na área de embarque pra funcionários do aeroporto uniformizados ou pessoas disfarçadas como se fossem eles. As malas vão direto pras esteiras de voos nacionais, sem passar por fiscalização, porque as bagagens de voos domésticos não precisam passar pelo raio-X. Só quando rola uma suspeita.
Na maioria das vezes, as malas já chegam com etiquetas preenchidas à mão. Essas identificações são chamadas de “rush” e, na moral, servem pra enviar bagagens perdidas ou extraviadas para os donos reais. Os criminosos aproveitam essa brecha pra colocar as malas com drogas nos embarques, sem precisar de um passageiro pra fazer o check-in.
Aí, dentro da área restrita, os funcionários que foram cooptados pelo PCC manuseiam as malas pra driblar a fiscalização e colocam elas em voos internacionais que já tão combinados. As bagagens geralmente vão pra Lisboa e Porto, em Portugal, ou pra Amsterdã, na Holanda. Sacou?
Comunicação e tecnologia no crime: celular
A galera do crime se comunica o tempo todo por mensagens e ligações no celular. Segundo a PF, os celulares são fornecidos pela própria facção criminosa, que recolhe os aparelhos logo depois que as operações ilegais acabam, pra dificultar a vida da polícia.
A atuação do PCC na Europa e o risco de apreensão da droga
Mesmo com a droga embarcada no Brasil rumo à Europa, ainda rola o risco de ser pega pelas polícias de lá, sacou?
Pra não deixar isso acontecer, o PCC tem gente nos países pra onde eles mandam a cocaína, responsáveis por cooptar funcionários nos aeroportos locais.
A reportagem descobriu que os aliciadores lá de fora recebem, em média, cinco mil euros (uns R$ 27 mil) por quilo de droga que chega ao destino. Parte dessa grana é usada pra corromper funcionários dos aeroportos, principalmente os que ganham pouco.
Aqui no Brasil é a mesma fita: os funcionários do Aeroporto de Guarulhos levam mais de um ano de salário por cada mala com droga embarcada, como mostrou o Metrópoles. É muita grana envolvida, meu irmão!
A história do PCC na Operação Trigger IX, uma ação conjunta de 15 países liderada pela Interpol, focada em combater o tráfico ilícito de armas e drogas. A operação resultou em prisões e apreensões significativas, mostrando a força do trabalho conjunto no combate ao crime organizado.
PCC na Operação Trigger IX marcou as quebradas, mas deixa eu te mostrar a fita que rolou não só aqui, mas em várias partes da América Latina, mano. A Interpol comandou essa ação, unindo 15 países na batalha contra o tráfico de armas e drogas. Várias prisões e apreensões foram feitas, tentando dar um fim no fluxo de armas que só fortalece a violência nas nossas comunidades. Essa é a história de uma guerra que afeta os guetos, onde a busca por justiça e paz é a nossa voz.
Era tipo uma guerra, irmão. A polícia da América Latina, unida, numa missão pra acabar com o tráfico. Operação Trigger IX, coordenada pela Interpol, mexeu com o mundo. De norte a sul, do México à Argentina, 15 países trocando informações, tentando derrubar grupos poderosos. Eles apreenderam 25,4 bilhões de Reais em drogas, 8.000 armas de fogo e prenderam quase 15.000 pessoas.
Em Foz do Iguaçu, especialistas se reuniram pra traçar estratégias, mirando no Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) e na Mara Salvatrucha. O objetivo era interromper o fluxo de armas de fogo ilícitas que alimentavam a violência nas quebradas.
A Conexão entre Armas e Drogas
A Interpol já sabia que o contrabando de armas fortalecia às organizações criminosas e aumentava a criminalidade.
O fato de uma operação visando armas de fogo ilícitas ter resultado em apreensões de drogas em massa é mais uma prova, se necessário, de que esses crimes estão interligados.
Jürgen Stock, secretário-geral da Interpol
Gangues criminosas na América Central e do Sul tão cada vez mais armadas, e a polícia local não consegue dar conta. No Brasil e no Paraguai, o PCC organizou assaltos a bancos em grande escala e fugas de prisões. A facção, que começou aqui no Brasil, e agora até se meteu no assassinato de um promotor paraguaio.
A Luta contra o Tráfico e a Violência
Mara Salvatrucha, ou MS-13, continua controlando grande parte do tráfico humano, drogas e armas na América Central. A Operação Trigger IX levou à apreensão de grandes quantidades de munição, até em países que não eram associados à violência armada em larga escala. A polícia do Uruguai conseguiu 100.000 munições, a maior quantidade já apreendida no país. Foram contrabandeadas por dois cidadãos europeus, mostrando a importância do compartilhamento internacional de inteligência.
Nesta emocionante história, acompanhe a inspetora Rogéria Mota em sua missão no Paraguai para combater o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao explorar as conexões entre as eleições no Paraguai e a crescente influência do PCC, Rogéria Mota e seus aliados enfrentam desafios para desvendar a realidade do crime organizado.
A eleição no Paraguai e a luta contra o crime organizado! Acompanhe a inspetora Rogéria Mota em uma jornada de cooperação internacional para combater o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).
A crescente influência na eleição no Paraguai do Primeiro Comando da Capital
O que intrigava a investigadora do GAECO de São Paulo, Rogéria Mota, era a aparente onipresença do Primeiro Comando da Capital no Paraguai, apesar das crescentes apreensões.
Se antes sua presença e influência ´na eleição no Paraguai em especial na cidade de Pedro Juan Caballero, eram ostensivas, agora havia notícias da organização criminosa em todos os cantos da nação guarani.
A facção criminosa deixou de ser uma gangue de ladrões e, após investir em empresas legais para lavar dinheiro e financiar políticos e entidades sociais, passou a ser um player importante no xadrez social, influenciando as diretrizes políticas das corporações policiais e judiciais, que em tese deveriam coibir e ameaçar sua existência.
O Primeiro Comando da Capital hoje é como um polvo, cujos tentáculos se estendem por todos os aspectos da sociedade paraguaia, se não de toda sociedade sul-americana.
Cooperação Internacional e Ação no Paraguai
Em uma ação de cooperação internacional de combate ao crime organizado, Rogéria Mota, ao encerrar a investigação do “Estranho Caso dos Dois Reais de Pau de Ferros”, seguiu direto para o Paraguai a convite da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad).
Com sua vasta experiência e talento investigativo, a inspetora Rogéria Mota unia forças com os agentes paraguaios para desvendar os segredos e desmantelar as operações da facção paulista PCC 1533 no país vizinho.
Funcionária da Polícia Civil de São Paulo, Rogéria Mota há anos atua no GAECO do Ministério Público de São Paulo em investigações comandadas pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya.
A Emoção da Investigação
A força conjunta, a expertise de Rogéria Mota e a determinação dos parceiros da Senad a enchiam de esperança, mesmo porque, ela acreditava que pelo menos parte dos planos para o assassinato de Gakiya estavam escondidos na província de Assunção no Paraguai.
A emoção da investigação consumia Rogéria Mota, que mergulhava no submundo do Paraguai, desvendando os segredos por trás das conexões do PCC e do tráfico de drogas que chegariam a influenciar na eleição no Paraguai.
A inspetora testemunhava as vidas quebradas, os sonhos despedaçados e as esperanças desaparecidas, enquanto pessoas comuns eram atraídas para o negócio sujo do narcotráfico.
Camponeses, populações indígenas e moradores das periferias eram lançados aos tubarões e consumidos pelo engodo do dinheiro fácil.
Rogéria Mota enfrentava a dor e o sofrimento das vítimas e de seus entes queridos com um olhar calmo e compreensivo, mas sua determinação em desmantelar a organização criminosa PCC.
O Crescimento do PCC e o Desafio da Sociedade Paraguaia
Apesar de todos os esforços das autoridades sul-americanas, incluindo os de Rogéria Mota, o poder econômico, social e político do Primeiro Comando da Capital continuava a crescer.
A história se desenrolava como uma sinfonia sombria, trazendo mais emoção, tensão e complexidade a cada nota.
A inspetora Rogéria Mota enfrentou o que mais temia: o verdadeiro desafio era a própria sociedade paraguaia.
Enquanto mergulhava na escuridão do crime organizado, buscando aplicar a lei com rigor e proteger os mais vulneráveis, a sociedade se fechava cada vez mais para ela.
Com habilidade e perspicácia, Rogéria descobriu as motivações por trás do PCC e seus planos sinistros. A luta contra o crime e a corrupção se intensificou, mas a inspetora estava sozinha.
A solidariedade e coragem dos paraguaios ajudavam-na a enfrentar o mal, mas eles entendiam melhor do que ela a dinâmica da sociedade guarani.
Por mais que seus colegas paraguaios demonstrassem boa vontade, todos tinham famílias e contas a pagar, além de uma vida a viver.
Rogéria conheceu agentes públicos e privados que trabalhavam para organizações criminosas, muitos motivados pela proximidade com esses criminosos no dia a dia.
Para Rogéria, era fácil agir e voltar para sua cidade e sua vida, no entanto, convencer funcionários a colaborar significava colocar em risco suas vidas e as de seus filhos.
A sombra dessas forças ocultas pairava sobre a aparente boa vontade de seus colegas paraguaios.
A parceria entre o PCC e outros grupos criminosos no Paraguai tem raízes históricas, iniciadas após a Guerra do Paraguai, também conhecida como “Guerra de la Triple Alianza” ou “Guerra contra la Triple Alianza”. Rogéria Mota sabia que não mudaria a cultura política e social do Paraguai sozinha.
Relatório da Inspetora Rogéria Mota para o GAECO Aponta Problemas Estruturais
Rogéria enviou um relatório à sua chefia em São Paulo, detalhando suas investigações e levantando questões sobre a confiabilidade das forças policiais paraguaias. O documento também apontava problemas estruturais que precisavam ser enfrentados para combater o crime organizado no país:
A eleição no Paraguai é diferente da que ocorre no Brasil. Lá os candidatos ficam mais vulneráveis à influência do poder econômico de lobbies legais e ilegais. Um especialista afirmou: “Isso efetivamente levou a financiamento ilegal, financiamento disfarçado e, a realidade nos mostra que muito desse financiamento vem do dinheiro das drogas”;
O narcotráfico cresce e se complexifica devido aos espaços dentro do Estado e daqueles que administram a esfera pública; e
O narcotráfico se expande como opção de sobrevivência e alternativa de trabalho para pessoas à margem da sociedade, como setores camponeses e populações indígenas.
Não é só que o narcotráfico esteja apenas ganhando mais mercados, mas está atingindo uma parcela maior da população paraguaia: a pobreza, os programas fracassados de substituição de cultivos, a escassa presença do estado e a corrupção policial contribuíram para a continuação da produção de maconha em Amambay, e a Família 1533, como se intitulam os integrantes da facção paulista, não para de crescer.
Rogéria Mota investiga a Operação Roma, realizada em Pau dos Ferros, que tinha como objetivo desarticular o PCC na região, mas acabou virando piada na internet.
Operação Roma, a ação policial que virou piada na internet? Venha desvendar os mistérios deste caso intrigante com a investigação da famosa detetive Rogéria Mota!
O Mistério por Trás da Operação que Virou Piada na Internet
No Domingo de Páscoa, dia em que a ressurreição de Jesus Cristo é celebrada, uma operação batizada de “Operação Roma” tinha como objetivo principal desarticular uma das ramificações do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).
No entanto, a operação na microrregião de Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte gerou polêmica, colocando a polícia e o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) em evidência negativa.
Rogéria Mota é Convocada e Explora Pau dos Ferros
Rogéria aceita o desafio e se depara com Pau dos Ferros, uma cidade de beleza natural e cultura rica. A cidade, situada no semiárido nordestino, enfrenta desafios como a escassez de água e a criminalidade.
Os dados apontam um aumento da violência na região, contudo, a população de Pau dos Ferros luta pela preservação da cultura e do patrimônio local.
Rogéria reconhece a importância de solucionar o caso para limpar o nome das instituições envolvidas e reconquistar confiança do povo potiguar.
A Reflexão de Rogéria Mota e a Busca por Respostas
A detetive reflete sobre o caso e chega à conclusão de que a razão da Operação Roma era provar que as autoridades estavam em condições de enfraquecer a atuação do PCC na região e garantir a segurança da população de Pau dos Ferros.
No entanto, algo deu errado.
A foto com os dois reais e dois celulares apreendidos com o suposto chefe do PCC mostrava uma quantidade insuficiente de drogas, aproximadamente 20 mil reais, que é ridícula até para um ponto de distribuição de drogas em uma zona rural.
A foto divulgada ridicularizou a polícia e o Ministério Público do Rio Grande do Note perante a opinião pública.
Determinada a encontrar respostas, Rogéria decide investigar se o homem preso era realmente tão poderoso na organização criminosa, se os policiais antes de apresentar o material apreendido não sumiram com parte dele, e quem divulgou aquela foto que gerou tanta polêmica.
Com sua habilidade investigativa e a determinação de desvendar esse mistério, Rogéria Mota se aprofunda no caso da Operação Roma, buscando a verdade e a justiça para os moradores de Pau dos Ferros e para as autoridades envolvidas no episódio.
Comparação entre as organizações criminosas MS-13 e PCC, analisando a expansão territorial, estrutura, atividades criminosas, impacto social e político, além do envelhecimento das lideranças. Rizzi enfatiza a crescente influência desses grupos e a preocupação que isso representa para a sociedade.
Espero que não se importe que lhe responda publicamente.
Recentemente, dediquei algum tempo à análise e comparação de dois grupos criminosos de grande notoriedade: o MS-13 e o PCC, já que minha análise e comparação de dois outros grupos, o Tren de Aragua e o Primeiro Comando da Capital, não lhe agradou.
Mas, acredito que os pontos em comum entre essas organizações possam ser de seu interesse e, por isso, compartilho minhas descobertas.
Origens e Expansão das Gangues MS-13 e PCC
O MS-13, também conhecido como Mara Salvatrucha, teve suas raízes em Los Angeles na década de 1980, formado principalmente por imigrantes salvadorenhos.
Com o tempo, a gangue se espalhou por diversos países da América Central, como El Salvador, Honduras e Guatemala.
Por outro lado, o Primeiro Comando da Capital foi fundado em São Paulo, Brasil, em 1993.
Esta organização criminosa cresceu e consolidou-se no sistema prisional brasileiro, expandindo-se para outros estados e até mesmo se espalhou por diversos países da América do Sul, como Bolívia, Paraguai e Argentina.
Ambos os grupos têm mostrado uma expansão territorial notável, buscando novos territórios e estabelecendo alianças com outras organizações criminosas, acumulando poder militar, econômico e político, na medida em que agora representam ameaças existenciais aos estados em que atuam.
Os dois grupos emergiram de bairros pobres e nas prisões onde o estado historicamente manteve uma presença brutal, repressiva e corrupta.
Estrutura e Organização das Organizações Criminosas
Francesco, é interessante notar que tanto o MS-13 quanto o PCC têm uma estrutura hierárquica bem definida. No MS-13, a liderança é composta por “palabreros”, que coordenam as atividades da gangue e supervisionam os membros mais jovens. O PCC, por sua vez, possui uma estrutura complexa com líderes, gerentes e soldados, organizados de forma a garantir a continuidade das operações mesmo com a prisão de membros-chave, comparei certa vez esse sistema a grama, não sei se se lembra:
Assim é a facção criminosa paulista. Cada unidade dessa estrutura gramínea é autônoma, mas suas raízes se emaranham por todo o jardim — por menor que seja a unidade, ela ainda é parte importante no fortalecimento do todo.
Os líderes coordenam por meio de órgãos conhecidos como sintonias (PCC) e ranflas (MS-13), mas os grupos locais têm liberdade significativa para implementar as decisões tomadas pela liderança.
Atividades criminosas
A violência é uma instituição tão natural como a própria vida humana. Decorre do nosso instinto de sobrevivência, sendo o grande motivo para o homem ter dominado a natureza. Mas essa afirmação não pretende trazer glamour à violência.
Talvez no último estágio da existência humana, a evolução definitiva seja exatamente vencer o instinto natural que nos propala a nos destruirmos mutuamente.
As principais atividades criminosas em que o MS-13 e o PCC estão envolvidos incluem tráfico de drogas, extorsão, sequestro e assassinatos.
Além disso, ambos os grupos utilizam violência brutal e demonstrações de força para intimidar rivais, autoridades e comunidades onde atuam, e tem conexões e atividade em três continentes: África, América e Europa.
Ambos compram cocaína diretamente de fornecedores atacadistas na Colômbia, Venezuela, Bolívia ou Equador para revenda na cadeia de valor. Ambos os grupos também fizeram incursões no controle de partes da cadeia de fornecimento de precursores químicos usados na fabricação de drogas sintéticas.
Impacto social e político
Os dois grupos exercem um impacto social e político significativo nos países onde atuam. Eles afetam a vida das comunidades locais, alimentando o medo e a violência, e muitas vezes corrompendo as instituições governamentais. Isso resulta em uma deterioração da ordem pública e da estabilidade social.
O PCC tem um amplo alcance multicontinental, vínculos diretos com o tráfico e distribuição de cocaína na América do Sul, amplo controle territorial e capacidade militar no país economicamente mais significativo da América Latina, uma capacidade demonstrada de realizar ações espetaculares multimilionárias roubos de dólares e a capacidade de obter legitimidade social por meio da música e da mídia social.
Por outro lado, o estudo apresentado pelo Centro de Estudios Estratégicos del Ejército del Perú CEEEP:
Em muitos lugares, eles são vistos como autoridades mais legítimas do que o Estado. (…) O resultado final deixa os grupos armados não estatais substituindo funções estatais, controle territorial e legitimidade percebida.
Os “crias” brasileiros, assim os integrantes do grupo criminoso salvadorenho, são fruto de fragmentação familiar e crescente desemprego juvenil e em ambos os casos, em ambos os casos, homens são mais de 90% de sua composição.
As organizações criminosas fornecem uma alternativa à economia formal e aos tradicionais mercados econômicos informais — mal remunerados e sem perspectiva de crescimento.
Em resumo, meu caro Francesco, as semelhanças entre o MS-13 e o PCC são notáveis. Ambos são organizações criminosas altamente estruturadas e violentas, com atividades que abrangem diversos países.
Legitimidade política
Francesco, como você sabe, o Primeiro Comando da Capital tem conquistado espaço nos governos da Bolívia, Argentina e Brasil.
Da mesma forma, o estudo do CEEEP mostra que o MS-13 também tem ganhado espaço dentro dos sistemas de governança locais, municipais e nacionais:
Ambas tornaram-se importantes impulsionadores da corrupção, do colapso do Estado e do controle criminoso de instituições e funções estatais no hemisfério.
Nosso trabalho de campo com o MS-13 nos últimos três anos descobriu que, à medida que os líderes e membros de gangues envelhecem e criam famílias, eles desejam cada vez mais um estilo de vida diferente e menos violento para seus filhos e netos, enquanto permanecem ativos no mundo do crime.
Os especialistas do Primeiro Comando da Capital disseram que a mesma tendência geral também está ocorrendo dentro desse grupo.
A crescente influência desses grupos deve ser motivo de preocupação para as autoridades e a sociedade em geral. Espero que minhas descobertas possam ser úteis para futuras investigações.
Atenciosamente,
Rícard Wagner Rizzi
Ah! Sugiro a leitura do artigo base deste texto, onde, além do que foi mencionado aqui, os autores também abordam as diferenças entre os dois grupos criminosos:
Era uma noite escura e quente, como tantas outras que passei em frente a Igreja da Matriz em Itu — quinta-feira, 7 de outubro de 2010.
Foi no plantão daquela noite, enquanto fazia um ponto fixo em local de visibilidade que decidi que escreveria sobre o Primeiro Comando da Capital.
Algo estava diferente, algo estava no ar, mas não sabia exatamente o que era.
Há poucos dias, passamos pelo primeiro turno da eleição presidencial, ficando para o segundo turno Dilma Rousseff e José Serra.
Nada, naquela eleição apontava que passaríamos pelo pesadelo do retorno da extrema direita — os candidatos mais à direita eram nanicos e caricatos.
Beto, o motoqueiro do crime organizado
Foi sob esse céu noturno escuro e quente, como tantos outros que passei em frente à Igreja da Matriz que resolvi mudar meu foco.
Citei a facção pela primeira vez em 2007, mas o PCC só se tornou meu foco a partir daquela noite de quinta-feira de 2010.
O motoqueiro que fazia o tráfico para os usuários do Clube Comerciários naquela noite, era meu velho conhecido.
Beto tinha uns 10 anos quando começou a frequentar minha casa e, certa vez, o retirei do fundo do açude do Itaim, trazendo-o de volta à vida.
Os filósofos, antropólogos, jornalistas, policiais e “cidadãos de bem” discutiam sobre tráfico de drogas, o mundo do crime e políticas de Segurança Pública…
… mas era eu quem conhecia Beto, o motoqueiro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, e não eles.
O quadro político daquela eleição indicava que a sociedade buscava maneiras de promover Justiça e Segurança Pública através do desenvolvimento de políticas públicas.
Enquanto a sociedade buscava soluções, eu queria conhecer o PCC, para entender melhor a razão pela qual Beto escolheu entrar para a organização criminosa
Achei que negar a importância da facção PCC 1533 na vida e na imaginação do garoto não levaria a lugar nenhum.
O combate frontal e sem conhcimento, ao meu ver, apenas alimentaria uma espiral de vingança entre a sociedade e seus agentes, e mundo do crime.
Mas como enfrentar o PCC? Como mudar uma tradição tão arraigada na sociedade da luta do bem contra o mal?
Perguntas difíceis, a serem respondidas
Conhecer a organização criminosa poderia permitir uma forma de combate que não se baseasse apenas no uso da violência e da brutalidade.
As eleições de 2010 terminaram poucas semanas depois.
Dilma Rousseff venceu, mesmo tendo eu votado em José Serra.
Hoje, ao olhar para trás, noto como aquela noite escura e quente, indicava forte tempestade e poucos notaram.
Nada, naquela eleição apontava que passaríamos pelo pesadelo do retorno da extrema direita — os candidatos mais à direita eram nanicos e caricatos.
Algo estava diferente, algo estava no ar, mas não sabia exatamente o que era.
O que poucos viram, era que Michel Temer, o vice na chapa de Dilma, a vencedora das eleições era o representante da extrema-direita.
Temer trouxe consigo os militares e, poucos anos depois os cidadãos de bem deixavam escorrer sangue pelo canto da boca.
A organização criminosa Primeiro Comando da Capital virou uma multinacional e o mundo não é mais o mesmo.
Foi nesse contexto que escrevi o texto que republico abaixo citando os três personagens que na época eram referência quando o assunto era o Primeiro Comando da Capital aqui em Itu: o promotor de Justiça Luiz Carlos Ormeleze, o investigador de Polícia Moacir Cova e, o advogado Gerciel Gerson de Lima.
Termino o texto dizendo que nos próximos meses, baseado no trabalho dos três, farei artigos sobre a organização criminosa, no entanto, já se passaram 12 anos e continuo eu aqui, escrevendo sobre o Primeiro Comando da Capital.
A análise profunda em Segurança Pública não é algo que está ao alcance de qualquer um.
O mundo do crime organizado é assunto de pauta em jornais, academias, órgãos de segurança, botecos e pontos de ônibus.
Cada um explana convicções mas, poucos estudam profundamente com prazer visceral e enfrentando os perigos de pesquisa de campo.
Do mesmo modo que um policial sente orgulho de suas ações nas ruas e se compraz com os perigos que enfrenta e fazem sua adrenalina explodir, o estudioso orgulha-se de sua atividade espiritual cuja função é a de discernir — mesmo que na maior parte do tempo, seu estudo seja trivial e sem graça em que põe o seu talento em jogo.
o sucesso de um estudioso É a paixão pelo tema
Uma forte perspicácia tem que fazer parte do espírito de quem estuda o tema da organização criminosa Primeiro Comando da Capital.
Alguns podem até confundir a dedicação pelo tema com algo de caráter sobrenatural ou criminoso, mas não, é apenas resultado do espírito dedicado e do método de estudo.
Por isso, os personagens que aqui apresentarei, nada tem de supernatural ou fantástico, mas apenas refletem seu comprometimento com os resultados de seus estudos, seja o representante do Ministério Público, o investigador policial ou o advogado de defesa.
Um jogador de xadrez, por melhor que seja, pode analisar cautelosamente uma partida ou sua próxima jogada, não sendo necessário para isso realmente intuição ou coragem.
Se a vida do enxadrista e a de seus familiares não correm risco, aqueles que se estudam o crime organizado, se colocam constantemente em risco.
Alguns nomes se destacam em Itu quando o assunto é crime organizado (especificamente a facção PCC 1533).
São homens cujas mentes engenhosas e analíticas, colocam em xeque a organização criminosa.
Investigador da Polícia Civil Moacir Cova
Moacir Cova prendeu os principais líderes da organização criminosa da cidade de Itu.
Ele é o policial mais conhecido no meio criminoso – existindo constantemente planos para seu extermínio.
Promotor de Justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze
É o nome mais pesquisado dentro desta plataforma, sendo que as buscas sempre partem das áreas onde estão baseadas as lideranças do tráfico nos presídios.
Sua dedicação em conseguir a condenação no Tribunal do Júri é lendária.
Este por sua vez se destaca pela defesa feita a diversos acusados por tráfico, roubo e participação em organização criminosa.
Seu trabalho como advogado é reconhecido dentro e fora dos presídios, e não foram poucas vezes que presenciei outros defensores buscando seu auxílio para questões específicas sobre o Primeiro Comando da Capital.
O que os três tem em comum é o reconhecimento de seus feitos por uns, e a falta de compreensão por outros.
Não acredito em anjos ou demônios.
Todos os três são profissionais do mais alto nível, e que se destacam pela paixão que nutrem pela execução de um trabalho meticuloso e bem elaborado.
É sobre o trabalho destes três profissionais que basearei minhas pesquisas para este site nos próximos meses enquanto explorarei o tema Primeiro Comando da Capital.
Caro leitor, declarada novamente guerra ao Primeiro Comando da Capital dentro do ciclo de 6 anos — afinal, todos amamos a perfeição.
Mario Abdo Benítez, o collorado Marito, Presidente da República do Paraguai voltou ao mesmo discurso de 6 anos, quando o presidente era seu correligionário Horácio Cartes.
Permita-me contar-lhe uma história que ocorreu em uma movimentada semana de abril de 2017, quando a República do Paraguai estava sob a ameaça constante da facção PCC 1533.
A situação era tão grave que o governo decidiu declarar guerra ao grupo criminoso, e a polícia foi ordenada a fazer tudo o que fosse necessário para deter esses malfeitores.
Todas as forças de represão da República do Paraguai passaram a atuar com energia e velocidade: forças políciais, juciário e promotoria de Justiça!
Há onze anos o governo paraguaio agia com rigor
Logo, policiais invadiram três imóveis de um dos líderes do grupo, Alfredo Barreto Guillén, mas apesar de uma ampla operação coordenada pelo setor de inteligência não encontraram nada além da sua esposa, que foi presa.
Outro líder importante, o famoso Carlos Antonio Caballero, foi deportado para o Brasil, enquanto o perigoso criminoso Jarvis Chimenes Pavão deveria seguir o mesmo destino na semana seguinte.
A justiça, por sua vez, condenou três outros integrantes da facção PCC 1533 a penas que variavam entre 9 e 12 anos de prisão por planejarem um assalto que nunca aconteceu.
Apesar desses sucessos parciais das forças do governo naquela semana avassalarora, Gegê do Mangue, o maior articulador das ações internacionais do grupo criminoso brasileiro na América Latina, ainda era desconhecido, apesar de muitos temerem que ele também estivesse no Paraguai.
Onze anos se passaram desde que a guerra ao Primeiro Comando da Capital foi declarada, e o presidente se viu forçado a admitir publicamente que a situação hoje ainda é preocupante — por sinal, ficou muito pior do que estava.
Temos que reforçar todos os controles. É algo que nos preocupa e obviamente a Polícia está fazendo um esforço enorme para tentar identificar e ter cada vez mais presença e, principalmente, trabalhar com inteligência.
afirmou o Presidente Mario Abdo Benítez
A organização criminosa deixou de atuar apenas nas fronteiras e agora age no coração de Asunción, a capital guarani, obrigando a polícia a redobrar seus esforços e o presidente admitir a derrota perante a organização criminosa.
Sobre o caso Ryguasu, que tanto chama a atenção pública. Marito afirma que não houve omissão ou falta de comunicação entre os órgãos públicos, mas que o criminoso não ainda não tinha nenhuma pena a ser cumprida.
Ryguasu não é o primeiro que morre em Asunción nessa nova etapa do crime organizado na capital paraguaia.
Em 2021, o empresário Mauricio Schwartzman, foi assassinado por pistoleiros que utilizaram armas de guerra, um fuzil calibre 5,56 e uma pistola 9 milímetros.
Em busca da perfeição, o Paraguai declara guerra ao PCC a cada 6 anos
Meu caro leitor, é difícil dizer o que o futuro reserva para à República do Paraguai e sua luta contra a organização criminosa brasileira.
Se houver determinação e inteligência da polícia, aliadas ao apoio do governo e do povo, os criminosos perigosos brasileiros terão que recuar.
No entanto, se a ofensiva do governo falhar novamente, os moradores terão que aprender a conviver com o PCC, como já acontece em São Paulo e em Amambay.
… e daqui a seis anos um outro presidente collorado declarará guerra ao Primeiro Comando da Capital.
Prisão e penas mais duras: o resultado na Argentina
O Estado sempre apoiou o slogan de que a prisão e penas mais duras seriam o fim dos problemas, mas essa nova realidade marca o início de outros, ainda mais delicados, que impactam diretamente nas ruas.
Permita-me apresentar-lhe a seguinte situação intrigante.
Diversos políticos em todo o mundo, mas principalmente os da direita latinoamericana, em sua crença firmemente arraigada, sustenta que mais prisões e penas severas trariam maior segurança para o povo.
No entanto, suas intenções nobres, se não populistas, foram mal direcionadas.
Pois as organizações criminosas estão usando essas prisões como ferramenta para recrutar, doutrinar e treinar criminosos para seus esquemas ardilosos.
A solução aparentemente simples para combater o aumento da criminalidade revela-se, na verdade, um golpe de mestre da mais formidável organização criminosa, a facção PCC.
Não é possível acabar com a facção PCC sem abordar as questões de superlotação e opressão carcerária, já que estes são fatores que contribuem para a formação e fortalecimento da organização.
A falta de condições adequadas nas prisões, como superlotação, violência e falta de recursos, é um terreno fértil para o crescimento da criminalidade organizada.
Além disso, as condições opressivas nas prisões podem ser usadas pelos líderes da facção para consolidar seu poder e controle sobre seus membros.
Por isso, é importante que sejam implementadas medidas eficazes para melhorar as condições nas prisões, incluindo investimentos em infraestrutura, segurança e programas de ressocialização.
A política de aprisionamento em massa adotada pelos diversos governos latinoamericanos não só falhou em reduzir a criminalidade e o tráfico de drogas, como fortaleceu ainda mais a influência e o poder do Primeiro Comando da Capital.
Os criminosos recrutados e doutrinados nas prisões apregoam com orgulho que agora fazem parte de uma grande organização criminosa internacional!
Portanto, temos um problema ainda maior em nossas mãos!
Pois a facção PCC está usando sua posição privilegiada dentro das prisões para ameaçar funcionários da Justiça, do Sistema Carcerário e das forças de Segurança Pública.
O criminoso plantou novamente ameaças contra um juiz federal, um promotor federal, um senador provincial e um prefeito.
Ele avisou por meio de outro interlocutor que está detido na prisão de Rawson que iria atacá-los com “balas e granadas”.
“Quem avisa não trai”, alertava a mensagem intimidadora que teve como destinatários uma extensa lista de autoridades judiciais e políticas.
Francesco, a reportagem sobre a Sintonia Restrita do Metrópoles que você fez a gentileza de encaminhar ao meu escritório é uma das consequências dessa política.
Mostra como a aposta dos políticos populistas na prisão e penas mais duras só profissionalizou a facção paulista PCC.
Graças a essa política prisional o PCC criou um novo exército de criminosos dispostos a seguir suas ordens e a perpetuar seus planos maléficos.
Estratégia, ousadia e muito acesso à informação permeiam um “setor de inteligência” criado pelo Primeiro Comando da Capital.
O grupo funciona como uma ampla rede de criminosos.
As grades e os muros de prisões ao redor do país não são suficientes para brecar o fluxo de informações que movimentam as engrenagens da chamada sintonia restrita – o atual cérebro da facção criminosa.
É com grande pesar, meu caro Francesco, que encerro essa minha carta. Lamento, que a cada carta, o mundo se torne cada vez mais incerto.
Atenciosamente, um forte e respeitoso abraço daquele que está até a última gota de sangue disposto a defender a Paz, a Justiça e a Liberdade para todos.
Guerra entre facções no Paraguai não tem prazo para acabar.
A Guerra entre facções foi manchete no site Ultima Hora, e a conclusão do editorialista ninguém ousa questionar.
Em letras garrafais, a manchete afirma que a guerra entre as facções não cessará tão cedo em terras guaranis.
À crescente importância do país no mercado internacional de drogas acirra a disputa territorial entre as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) e o Comando Vermelho, e os grupos criminosos paraguaios: Clã Insfrán e o Clã Rotela.
As organizações criminosas, cada vez mais poderosas, contam agora com armas pesadas, adquiridas clandestinamente do mercado negro das Forças Armadas.
A situação parece desesperadora para as autoridades paraguaias, que não tem conseguido acompanhar o rítimo de crecimento do crime organizado.
Seria necessário o fortalecimento de mecanismos multinacionais para desvendar e combater intrincada rede de corrupção e violência que acompanham essas poderosas organizações criminosas.
Restaurar a ordem nos paises do Cone Sul só será uma realidade se os governos de todos os países envolvidos abandonarem os discursos e ações populistas.
O uso político da facção PCC e a caça ao inimigo imaginário
A organização criminosa PCC e a caça à organização que grupos políticos de direita apregoam fazem parte da mesma narrativa de ódio.
Grupos criminosos há muito são usados para encobrir as reais intenções de grupos políticos e a bola da vez é o Primeiro Comando da Capital.
Por todo o mundo partidos de direita afirmam que a facção brasileira chegou à seu pais trazendo insegurança graças a conivência dos partidos de esquerda.
É o fantasma utilizado como desculpa da vez para justificar governos como Trump e Bolsonaro, baseados em uma falsa moralidade e segurança do povo cristão.
Tomado o poder sob esse falso argumento, começam o processo de corrosão do sistema democrático e de suas instituições.
Medo: ferramenta de sobrevivência da espécie
O medo é um sentimento poderoso intimamente ligado à nossa sobrevivência, e para nós humanos é impossível separar um medo real de um imaginário.
Grupos políticos e sociais em todas as nações e em todas as épocas de nossa história utilizaram de nossos medos para dominar e conduzir.
Há 3,7 milhões de anos, deixamos pegadas nas cinzas vulcânicas em Laetoli liderados por algum de nós que apontou a iminente erupção vulcânica: sobrevivêmos.
Desde os tempo bíblicos até hoje, adeptos de crenças judaico-cristãs caçam: bruxas, adivinhos, mães e pais de santos — levados por medo ou razões insanas.
Novecentos anos antes de Cristo, Saul consultava a pitoniza que seu povo tanto combatia — o ser humano não é pródigo em aprender com seus erros.
O medo do imaginário é tão forte que ultrapassa gerações, fronteiras e culturas.
No passado eram apenas as bruxas e pitonizas, e hoje são os comunistas e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).
Como seres humanos, estamos programados para detectar e responder ao perigo.
Quando percebemos uma ameaça, o nosso sistema nervoso autônomo desencadeia uma resposta de “luta ou fuga”, que nos prepara para enfrentar ou escapar do perigo.
Devido a essa conexão com a sobrevivência, o medo pode ser um gatilho poderoso para a ação.
Medo: como ferramenta política no Brasil
Políticos e outras autoridades frequentemente usam o medo como ferramenta para motivar as pessoas a tomar determinadas ações ou apoiar determinadas políticas.
Eles podem criar narrativas que exploram as emoções mais profundas das pessoas, como o medo de perder a segurança, o medo da incerteza ou o medo da ameaça à identidade e ao bem-estar.
Infelizmente, às vezes essas narrativas são exageradas ou usadas para manipular as pessoas, muitas vezes para fins políticos.
Quando os políticos usam o medo dessa maneira, é importante que as pessoas mantenham um senso crítico e procurem informações precisas e confiáveis para tomar suas próprias decisões informadas.
No Brasil, o político da direita cristã, Roberto Jefferson representa esse grupo que constroi narrativas exageradas para manipular o medo de bruxas.
Jeffersom soube usar como poucos narrativa com grande poder de assombro no imaginário popular como: o comunismo, pautas morais e religiosas, inimigos externos como a Venezuela e Cuba, e o Primeiro Comando da Capital.
O PCC e a caça às Bruxas garantem voz para aqueles que precisam de um inimigo, mesmo que imaginário.
Passada a onda pelos Estados Unidos e Brasil, chega ao Chile, onde deputados do União Democrática Independente (UDI) bradam: “Malles Maleficarum, as bruxas chegaram!”
Uma das ferramentas utilizadas com brilho por esses grupos políticos é a apropriação de mecanismos investigatórios e cooptação de profissionais de segurança pública.
Dados da Comissão de Investigação sobre Crime no Norte do Chile justificariam a crença na presença do Primeiro Comando da Capital no país.
O deputado Juan Manuel Fuenzalida é um dos que defendem que a segurança nacional e da população estão ameaçadas pela presença da facção brasileira PCC.
Os parlamentares pediram ao governo que revelasse as informações a esse respeito. O executivo preferiu minimizar a essa grave situação pela qual estamos passando.
No entanto, o governo tem a obrigação da transparencia. Deve apontar a situação que estamos vivendo, embora isso implique reconhecer que o cenário é sério.
Deputado Juan Manuel Fuenzalida
PCC e a caça às Bruxas: nem aqui, nem no Chile
O PCC e a caça às Bruxas sempre foram usados como pretesto para ações violentas dos órgãos de repressão policiais e sociais.
Políticos de direita unificaram o discurso que os governos e o Judiciário estão acobertando a real situação por estarem em conlúio com a organização criminosa.
Estudo o PCC e acompanho há anos esses ataques, mas nesses últimos meses me surpreendo com a avalanche de réplicas dessa mesma acusação pelo mundo.
Se houve ou não houve prisões de integrantes da facção durante o governo não faz diferença, há sempre um discurso pronto para justificar o envolvimento.
Essas afirmações são absolutamente irresponsáveis.
Eles cobram transparência do governo e forçam uma situação para a qual não têm experiência ou relevância.
A única coisa que eles pretendem é gerar medo na população.
Raúl Leiva da Comissão de Segurança da Câmara Baixa
É irresponsável que toda semana seja um parlamentar ou parlamentar anunciando a chegada de uma nova banda criminosa ao país.
Parece -me que é uma agenda construída para semear medo na população e eu pediria a esses parlamentares que cumpram suas posições.
Deputada Alejandra Placencia
Já o deputado Jaime Araya (tucano, muito provavelmente) pede que se encontre um meio termo: “com seriedade, responsabilidade, rigor, sem minimizar e sem exagerar o problema que temos, porque o que as pessoas precisam é que você sabe o que o estado vai fazer para enfrentar o crime organizado .”
Nessa terceira publicação, o ChatGPT sobre a relação da facção PCC com a questão das armas, drogas, jovens e a guerra entre facções.
…. é necessário pensar em estratégias que possam ir além da repressão e abordar outras questões, como prevenção, tratamento de dependentes químicos e políticas públicas de segurança mais eficazes, visando reduzir o poder do crime organizado e melhorar as condições das prisões.
ChatGPT
… a falta de controle de armas no Brasil também pode contribuir para a disponibilidade de armas para o PCC.
ChatGPT
O PCC e os outros grupos criminosos
O que você sabe sobre a guerra entre as facções criminosas no Brasil.
A guerra entre as facções criminosas no Brasil é uma luta constante pelo controle de territórios, tráfico de drogas e outros crimes organizados.
As duas principais facções criminosas no Brasil são a Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) que operam em várias regiões do país e há relatos frequentes de violência e conflitos armados entre elas.
Embora ambas as organizações criminosas sejam muito poderosas e perigosas, é difícil determinar qual delas tem uma vantagem clara sobre a outra, pois a situação é altamente dinâmica e pode mudar rapidamente.
Ambas as facções têm seus próprios pontos fortes e fracos, e é provável que sua capacidade de competir e prosperar dependa de vários fatores, incluindo o ambiente político, econômico e social em que operam.
A situação é agravada pela corrupção e falta de efetividade das forças de segurança, o que permite que as facções criminosas tenham acesso a armas e recursos financeiros.
A guerra entre facções criminosas tem sido uma fonte de preocupação para as autoridades brasileiras e é considerada um dos maiores desafios para a segurança pública no país.
Quais são os grupos, facções, bondes ou gangues que atuam em conjunto como aliados da facção paulista Primeiro Comando da Capital?
(esta resposta eu não publicarei pois o ChatGPT errou redondamente, citando inimigos históricos como o Comando Vermelho, Primeiro Grupo Catarinense e a Família do Norte como aliados, além disso cita grupos que sequer existem)
Quais grupos criminosos internacionais podem ser comparados com o Primeiro Comando da Capital? E por qual razão?
A principal atividade do Primeiro Comando da Capital é o tráfico de drogas, mas também está envolvido em outros crimes, como roubos, sequestros e assassinatos.
O PCC é conhecido por sua hierarquia rígida, disciplina interna, lealdade aos membros e violência extrema contra seus inimigos.
Algumas organizações criminosas que também são conhecidas por suas atividades ilícitas, violência extrema contra seus inimigos, hieraquia rígida e disciplina interna são:
Yakuza: uma organização criminosa japonesa que se originou na década de 1600. Seus membros estão envolvidos em diversas atividades ilegais, incluindo tráfico de drogas, jogos de azar, extorsão e prostituição. A Yakuza é conhecida por sua estrutura hierárquica e por suas tatuagens corporais, que são usadas como símbolos de identificação.
Cartéis de drogas mexicanos: organizações criminosas que controlam o tráfico de drogas no México e em outros países. Os cartéis são conhecidos por sua violência extrema e seus confrontos com as autoridades. Alguns dos cartéis mais conhecidos incluem o Cartel de Sinaloa, o Cartel de Jalisco Nova Geração e o Cartel de Los Zetas.
Máfia italiana: uma organização criminosa que se originou na Itália no final do século XIX. A Máfia está envolvida em várias atividades ilegais, incluindo tráfico de drogas, extorsão, jogos de azar e assassinatos. A organização é conhecida por sua estrutura hierárquica e pela lealdade inabalável dos membros.
Cada um desses grupos criminosos tem sua própria história e características distintas.
No entanto, todos eles estão envolvidos em atividades ilegais e são conhecidos por sua violência extrema e pela ameaça que representam para a sociedade.
A questão das armas
Como a política de facilitação da compra e posse de armas pelo governo Bolsonaro influiu na organização criminosa Primeiro Comando da Capital.
A política de liberação de armas provavelmente não teve um impacto direto significativo na organização criminosa Primeiro Comando da Capital no Brasil.
Embora o aumento da disponibilidade de armas possa ter contribuído para a escalada da violência em geral, o PCC tem uma estrutura sólida e fontes de financiamento diversificadas, incluindo o tráfico de drogas, extorsão e roubo de cargas, que permitem que a organização mantenha sua posição de poder.
Além disso, o PCC tem uma forte presença em presídios e uma ampla rede de contatos e aliados, o que dificulta a ação das autoridades na luta contra o crime organizado.
Onde a facção PCC consegue suas armas?
A fonte de armas da organização criminosa Primeiro Comando da Capital é controversa e não há informações precisas disponíveis a esse respeito.
Algumas fontes afirmam que as armas são adquiridas através de compra ilegal no mercado negro, enquanto outras afirmam que são trazidas de outros países através de contrabando.
Além disso, a falta de controle de armas no Brasil também pode contribuir para a disponibilidade de armas para o PCC.
A liberação do uso recreativo de drogas teria impacto nos negócios da organização criminosa PCC?
Não há uma resposta definitiva quanto ao impacto da legalização do uso recreativo de drogas sobre a organização criminosa PCC.
Alguns argumentam que a legalização poderia reduzir a demanda por drogas ilegais e, consequentemente, afetar os negócios do PCC.
Outros argumentam que a legalização não afetaria significativamente os negócios do PCC, já que eles se concentram em outros tipos de atividades criminosas, além da venda de drogas.
Além disso, é possível que o PCC simplesmente se adapte ao novo cenário e encontre novos meios de continuar suas atividades criminosas.
O combate às drogas aumenta o número de presos e é nos presídios que o PCC recruta seus integrantes. Qual é o resultado dessa equação?
O combate às drogas pode ter como consequência o aumento do número de prisões, uma vez que muitas das atividades ilegais relacionadas às drogas são consideradas crimes e puníveis com prisão.
Entretanto, a simples prisão de indivíduos envolvidos no tráfico de drogas não é suficiente para solucionar o problema.
O tráfico de drogas é um negócio ilegal que movimenta grandes quantidades de dinheiro e possui uma demanda constante por parte dos consumidores, o que leva a sua continuidade mesmo diante das ações de repressão por parte das autoridades.
A prisão em si não é suficiente para impedir que os indivíduos envolvidos no tráfico de drogas continuem a exercer suas atividades criminosas.
Nos presídios, muitos desses indivíduos têm a oportunidade de se associar a organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital, em busca de proteção e benefícios, como acesso a drogas, telefones celulares e outros privilégios.
Além disso, as condições precárias das prisões, como superlotação, falta de higiene e violência, favorecem a proliferação dessas organizações criminosas.
Dessa forma, a equação resultante do aumento do número de presos devido ao combate às drogas pode favorecer a expansão de organizações criminosas dentro dos presídios, como o PCC, que podem se tornar mais poderosas e influentes.
Isso pode levar a uma maior dificuldade para o controle do crime organizado e a um aumento da violência tanto dentro como fora das prisões.
Portanto, é necessário pensar em estratégias que possam ir além da repressão e abordar outras questões, como prevenção, tratamento de dependentes químicos e políticas públicas de segurança mais eficazes, visando reduzir o poder do crime organizado e melhorar as condições das prisões.
Por que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital desperta tanto interesse pelos jovens?
Não é possível afirmar de forma precisa por que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital desperta tanto interesse entre jovens.
É possível que a atração seja resultado de uma combinação de fatores, como falta de oportunidades, falta de educação e esperança, bem como a busca por pertencimento, proteção e reconhecimento.
Além disso, a propaganda ou o discurso da organização pode ser atraente para algumas pessoas, mesmo que as ações dela sejam violentas e criminosas.
É importante destacar que participar de uma organização criminosa é perigoso e pode ter graves consequências para a vida e a liberdade de uma pessoa.
É comum, pelo menos entre as crianças e os jovens buscarem a presença e a proteção de colegas mais fortes e violentos, isso acontece também em relação aos jovens de periferia que se aproximam de criminosos, principalmente daqueles que pertencem a organizações criminosas reconheciddas, como é o caso do Primeiro Comando da Capital. Você pode explicar qual a razão e como essa realidade pode ser combatida?
O comportamento de buscar proteção e pertencimento a grupos mais fortes e violentos, como gangues ou organizações criminosas, é comum entre crianças e jovens que vivem em ambientes vulneráveis, como periferias urbanas e áreas de pobreza e exclusão social.
Existem várias razões para isso acontecer, mas algumas das principais incluem:
Necessidade de proteção: muitos jovens que vivem em áreas de violência e insegurança sentem que precisam de proteção contra ameaças reais ou percebidas. Ao se juntar a um grupo mais forte e violento, eles esperam estar mais seguros e protegidos.
Busca de identidade: muitos jovens que vivem em áreas de pobreza e exclusão social têm poucas oportunidades para desenvolver uma identidade positiva e se sentir valorizados pela sociedade. Ao se juntar a um grupo, eles podem encontrar uma identidade coletiva e se sentir mais importantes e relevantes.
Pressão social: a pressão dos pares pode ser muito forte entre crianças e jovens, especialmente em ambientes de pobreza e exclusão social. Ao se juntar a um grupo, eles podem se sentir mais aceitos e populares, mesmo que isso signifique envolver-se em atividades ilegais ou violentas.
Para combater essa realidade, é importante oferecer alternativas positivas para esses jovens, como programas de educação, esportes e atividades culturais.
Essas atividades podem ajudar a desenvolver habilidades, valores e identidades positivas, além de fornecer oportunidades para os jovens se conectarem com outras pessoas e comunidades fora do ambiente de violência e exclusão social.
Também é importante investir em políticas sociais que melhorem as condições de vida nas áreas vulneráveis, como acesso a educação de qualidade, saúde, habitação e empregos.
Isso pode ajudar a reduzir a pressão social e a necessidade de proteção entre os jovens, além de oferecer esperança e perspectivas de futuro.
Por fim, é fundamental combater a impunidade e a corrupção no sistema de justiça criminal e policial, para que os jovens percebam que a violência e o crime não são o caminho certo para alcançar justiça ou proteção.
Além disso, é preciso oferecer oportunidades de reintegração social para aqueles que já cometeram crimes, para que possam sair do ciclo de violência e criminalidade e ter uma segunda chance de construir uma vida positiva.
Sobre os documentos do PCC
Você conhece o Estatuto do PCC? O que você pode falar sobre ele?
O Estatuto do PCC é o conjunto de normas e regras internas da organização criminosa Primeiro Comando da Capital.
Embora não seja público, ele é conhecido por especialistas e investigadores como um documento que estabelece as diretrizes da organização e define as sanções para os membros que cometem infrações.
O Estatuto também descreve a hierarquia da organização e as funções de seus membros.
É importante destacar que a existência e o conteúdo do Estatuto do PCC são considerados ilegais e contrários aos valores e às leis do Estado brasileiro.
Você conhece a chamada “Cartilha de Conscientização da Família 1533”? O que pode me falar sobre ela?
A “Cartilha de Conscientização da Família 1533” é um documento divulgado pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital com o objetivo de difundir sua ideologia e fortalecer o controle sobre seus membros.
A cartilha inclui uma série de regras e orientações sobre como os membros do PCC devem se comportar e se relacionar com a sociedade e com as autoridades.
Ela também aborda questões como a importância da disciplina e da obediência às regras da organização, a necessidade de proteção dos segredos da organização e a defesa da família dos membros.
É importante destacar que a cartilha é considerada ilegal e que seu conteúdo é condenado pela sociedade e pelas autoridades como uma ameaça à paz e à ordem pública.
Você conhece o chamado “Dicionário do PCC”? O que pode me falar sobre ele?
Sim, conheço o chamado “Dicionário do PCC”.
É uma lista de regras, códigos e procedimentos adotados pelo Primeiro Comando da Capital, organização criminosa brasileira.
Essa lista foi encontrada durante uma operação de busca e apreensão e foi considerada uma das principais fontes de informação para entender a estrutura e as ações da facção.
O “Dicionário”, como é conhecido, é visto como uma forma de controlar e manter a disciplina entre os integrantes da organização.
Qual a razão pela qual o Primeiro Comando da Capital teve tanta facilidade para convencer os presos a entrarem para o grupo criminoso?
O Primeiro Comando da Capital teve sucesso em convencer muitos presos a se juntarem ao grupo criminoso devido a uma combinação de fatores, incluindo a falta de proteção e recursos para os presos, as condições precárias nas prisões brasileiras, e a violência frequente.
O PCC se apresentava como uma organização que fornecia proteção e apoio aos presos, incluindo ajuda financeira para suas famílias e representação em questões legais.
Além disso, o PCC oferecia uma estrutura de liderança e poder dentro da prisão, o que era atraente para muitos presos que sentiam que não tinham outras opções para lidar com a violência e as condições precárias nas prisões.
Adicionalmente, o PCC tem uma estrutura de comando e controle rigorosa e utiliza a violência e a ameaça de violência para intimidar os presos e manter a lealdade à organização.
Isso faz com que muitos presos se sintam compelidos a aderir ao PCC para proteger a si mesmos e suas famílias.
Em resumo, a combinação de falta de proteção e recursos para os presos, condições precárias nas prisões, e a oferta de proteção e apoio pelo PCC, juntamente com sua estrutura de poder e controle rigoroso, ajudou a explicar a sua capacidade de convencer muitos presos a se juntarem ao grupo criminoso.
Expansão do PCC
Em quais estados a organização criminosa Primeiro Comando da Capital tem tido maiores dificuldades de conseguir domínio? E por que razão?
O Primeiro Comando da Capital é uma organização criminosa de grande escala, com atuação em diversos estados brasileiros.
No entanto, é difícil determinar com precisão em quais estados a organização tem tido maiores dificuldades de estabelecer domínio, pois a atuação do grupo é frequentemente subterrânea e não há informações públicas confiáveis a esse respeito.
Alguns estados brasileiros têm implementado medidas de segurança rigorosas para enfrentar o PCC, incluindo a cooperação entre agências de segurança pública e a realização de operações especiais para prender líderes e membros do grupo criminoso.
Essas medidas podem ter dificultado a atuação do PCC nesses estados, mas não há evidências concretas de que a organização tenha sido completamente neutralizada em qualquer região do Brasil.
Em geral, a atuação do PCC é influenciada por uma série de fatores, incluindo a presença de outros grupos criminosos rivais, a capacidade das autoridades de segurança em combater o grupo, e a disponibilidade de recursos e proteção para os membros do PCC.
Em estados onde as autoridades de segurança são mais fortes e têm mais recursos, pode ser mais difícil para o PCC estabelecer e manter seu domínio.
Você disse que nos estados onde existe um sistema de segurança pública mais forte e com mais recursos a organização criminosa Primeiro Comando da Capital teria maiores dificuldades de crescer, no entanto, o Estado de São Paulo é o com mais recursos e com um forte aparato de Segurança Pública e foi justamente nesse estado que o PCC mais cresceu. Não parece incoerente a sua resposta?
Desculpe, eu cometi um erro na minha resposta anterior.
É verdade que o Estado de São Paulo, que tem um sistema de segurança pública forte e com muitos recursos, também foi um dos locais onde o Primeiro Comando da Capital cresceu mais rapidamente.
A presença de fortes sistemas de segurança pública não necessariamente impede o crescimento de grupos criminosos como o PCC, que são altamente organizados e têm uma estrutura de comando e controle sofisticada.
O crescimento do PCC em São Paulo e em outros estados pode ser atribuído a uma série de fatores, incluindo a corrupção dentro das instituições de segurança pública, a falta de acesso à justiça e à educação para populações vulneráveis, e a existência de um mercado para o tráfico de drogas e outros crimes.
A luta contra o PCC e outros grupos criminosos é uma tarefa complexa que exige uma abordagem integrada, que vá além da mera aplicação da lei.
É necessário abordar as causas subjacentes à criminalidade, incluindo a desigualdade social e econômica, a falta de oportunidades e a exclusão social, a fim de promover uma sociedade mais justa e segura.
Em qual nação da América do Sul a organização criminosa Primeiro Comando da Capital tem maior capacidade de ampliar seus negócios?
Não há informações disponíveis sobre em qual nação da América do Sul o Primeiro Comando da Capital tem a maior possibilidade de ampliar seus negócios.
O PCC é uma organização criminosa baseada no Brasil e suas atividades são principalmente concentradas no Brasil.
Embora o PCC tenha se expandido em outros países da América do Sul, a extensão e a intensidade dessas atividades variam amplamente.
A luta contra o PCC e outros grupos criminosos internacionais requer uma abordagem coordenada entre as nações envolvidas, incluindo a troca de informações e a cooperação no que diz respeito à investigação, perseguição e prevenção.
É importante destacar que a luta contra a criminalidade transnacional é uma tarefa complexa e que a resposta deve ser baseada em evidências e no respeito aos direitos humanos.
Dez meses após a criação do Plano “Z” para combater o crime organizado em Pando, Bolívia, grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho e Los Choleros continuam atuando livremente na região. O plano tinha como objetivo localizar criminosos e controlar a fronteira com o Brasil. A deputada Ariana Gonzales, presidente da Brigada Parlamentar Pando, destacou a preocupação com o recrutamento de menores de idade pelos criminosos na época da criação do plano.
Na ocasião, a Brigada Parlamentar e o Comando da Polícia Departamental do Departamento de Pando apresentaram um plano para ação conjunta de combate aos grupos criminosos: o Plano “Z”
A ideia era localizar criminosos e controlar áreas de fronteira com o Brasil impedindo a presença de criminosos brasileiros em Cobija.
O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.
No entanto, quase um ano depois s grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, e o grupo boliviano Los Choleros continuam atuando livremente em Pando.
O recrutamento de menores de idade por criminosos foi, na época, considerado uma das prioridades:
“É preocupante que menores de idade estejam envolvidos em atos criminosos, são bolivianos comandados por brasileiros que estão à frente das quadrilhas”.
Deputada Ariana Gonzales (MAS) presidente da Brigada Parlamentar Pando
Ratinho, Cria do 15 assume assassinato de assessor de deputado e líder comunitário
Trago hoje um crime onde um Cria do 15 assume assassinato de um assessor de deputado federal da bancada evangélica.
Francesco Guerra pediu que eu resgatasse essa antiga história que aqui contei em 16 de março de 2017.
Primeiro eu conto o caso como hoje contaria, e na segunda parte coloco o texto original de 2017 com detalhes que hoje eu omito.
O Caso “Cria do 15 assume assassinato”: Estupro, Morte, Política e a Culpa Forjada
Meu caro “Frans do +39”,
Estou relendo um caso bastante complexo e intrincado que pode te interessar que envolve uma série de personagens desonestos e desesperados em busca de vantagens.
Tudo começa com um indivíduo conhecido como Rodrigo, que era líder comunitário, presidente da Associação dos Moradores da Cidade Nova, e ex-assessor do Deputado Missionário José Olímpio.
Mas além de ser essa figura pública admirada também era armeiro da poderosa organização criminal Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).
Rodrigo teria cometido um crime terrível ao estuprar “Gabi”, uma garota de 13 anos, durante uma festa regada à álcool e drogas em sua mansão.
Por esse crime ele seria condenado à morte pelo próprio PCC que não tolera esse tipo de atitude.
6 Item:
O comando não admite entre seus integrantes, estupradores, pedófilos, caguetas, aqueles que extorquem, invejam, e caluniam, e os que não respeitam a ética do crime.
Estatuto do Primeiro Comando da Capital — PCC 1533
No entanto, ninguém é condenado no Tribunal do Crime sem ter tido o direito a se defender.
13. Decreto:
Para confirmar um decreto a Sintonia tem que analisar com cautela, por se tratar de uma situação de vida.
Tem situações que é claro o decreto, como traição, abandono as demais situações como mão na cumbuca, caguetagem e estupros, a Sintonia analisa num contexto geral.
Quando um decretado chegar em uma quebrada nossa tem que ser cobrado de bate pronto.
Dicionário do PCC 1533 — Regimento Disciplinar 45 ítens
A situação se complica ainda mais quando o Inspetor Moacir Cova é pressionado pela imprensa e por políticos a encontrar um culpado pelo crime.
O Inspetor avisa ao Mundo do Crime que a organização criminosa irá sofrer as consequências se o caso não for esclarecido.
Nesse contexto, a polícia consegue prender um indivíduo chamado “Ratinho RT”, que assume o crime perante o Investigador e o Delegado de Polícia.
Mas qual teria sido a culpa de Ratinho RT?
No entanto, durante o julgamento, o advogado de defesa de Ratinho RT argumentou que ele não foi o responsável pelo crime.
Ele teria sido forçado a assumir a culpa pelo PCC a troco de moral na facção, vantagens para a família e perdão de dívidas.
Ninguém é obrigado a nada pela lei da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, por isso ele teria que aceitar a tarefa.
Agora, o caso se torna ainda mais complicado, já que é necessário determinar a verdadeira identidade do criminoso e o grau de culpa de Ratinho.
Detalhes que podem não ser só detalhes
Eles passaram pelas câmeras de monitoramento às 20:16 e voltaram depois de chegar ao local do julgamento, ouvir o acusado, e executá-lo em menos de dez minutos.
Ata do Tribunal do Júri de Itu
“Eles passaram” — Ratinho não sabe dirigir e a câmera de monitoramento do “portal da cidade” prova que ele estava no banco do passageiro.
Quem pode garantir que o homen que dirigia o carro não foi quem puxou o gatilho?
Ratinho afirma que: foi ele que decidiu executar, que atirou, e que não sabe quem dirigia o carro.
Segundo as regras do Primeiro Comando da Capital, para um sujeito ser executado deve passar pelo Tribunal do Crime com direito a defesa e contraditório.
Rodrigo seguiu com Ratinho e com o outro indivíduo por vontade própria. Ele tinha certeza que era inocente e acreditava que podia provar.
O assessor de deputado e armeiro do PCC nunca negou que conhecia e tinha relacionamento com a menina e todos ali tinham relações sexuais com ela.
Gabi teria acusado Rodrigo porque ele se recusou a se relacionar com ela, uma amiga da garota que estava naquela noite com ela confirma isso.
O Promotor de Justiça não negou que Ratinho RT foi obrigado pela organização criminosa a assumir o crime, mas afirma que ele cometeu realmente o crime, e teve que se entregar porque não deu o direito de defesa à Rodrigo durante o Tribunal do Crime.
Em um mundo de certezas só restam dúvidas
Meu caro “Franz do +39”
Como um articulista que preza pela lógica e pelo raciocínio dedutivo, estou ansioso para ver você mergulhar mais fundo nesse caso e descobrir a verdade por trás desses eventos.
No entanto, eu temo que haja muitas camadas de engano e subterfúgio que devem ser desvendadas antes que possamos descobrir a verdadeira identidade do culpado.
Resta agora a nós, meu amigo, reunir todas as informações que temos sobre esse caso e analisá-las com cuidado, para que possamos finalmente trazer a justiça que a vítima merece.
E como pode ver, meu caro Franz, um líder comunitário e assessor de um deputado federal da Bancada Evangélica, defensor da tradicional família brasileira e dos cidadãos de bem, dava uma festa em uma mansão regada a bebidas e drogas e nenhum político foi mencionado durante o julgamento.
Se Ratinho RT (Bruno Augusto Ramos) cumpriu a regra do Primeiro Comando da Capital de “sumariar” o acusado Rodrigo antes de executá-lo, eu não sei.
Mas esse foi o foco do debate entre o advogado de defesa e a Promotoria de Justiça, no caso do assassinato de Rodrigo Teixeira Lima.
Rodrigo é líder comunitário, presidente da Associação dos Moradores da Cidade Nova, e ex-assessor do Deputado Missionário José Olímpio.
Cria do 15 assume assassintato: abandonando as ilusões
Graham Denyer Willis em seu livro “The Killing Consensus: Police, Organized Crime, and the Regulation of Life and Death in Urban Brazil” nos convida a abandonar nossas ilusões.
Segundo ele, devemos enfrentar o fato que policiais e facções criminosas mantêm uma normalidade dentro de nossa sociedade.
Existem mecanismos de justiças que não apenas são conhecidos, mas reconhecidos e parcialmente aceitos pela sociedade.
O Cria do 15 assume assinato e foi condenado a 18 anos de prisão, mas restou a dúvida: ele realmente executou a vítima?
Mas o que mais se discutiu no Tribunal do Júri foi se cumpriu as regras da facção Primeiro Comando da Capital ao cumprir a execução.
Os fatos como foram apresentados no Tribunal do Júri:
Gabi, uma garota de 13 ou 14 anos, “ficou” com o Rodrigo em uma das muitas festas que ele promovia e onde álcool e drogas circulavam em abundância, mas ele não estava afim dela e a “chutou para fora”.
Ela também se relacionava com um irmão da facção chamado Zóio da Cidade Nova em Itu, e como não aceitou ter sido desprezada por Rodrigo contaminou Zóio dizendo que tinha sido estuprada.
Zóio teria cuidado ele mesmo, mas foi morto em troca de tiros com a polícia…
… mas o veneno já estava no ar, na boca do povo, e nas redes sociais, daí alguém pediu providência ao Comando para aplicar a Lei do Crime que pune com a morte estupradores.
No entanto, o acusado deve ser “sumariado”, isto é ouvido e julgado pelo Tribunal do Crime, não pode ser uma decisão individual de um integrante.
Foi decidido que Ratinho RT ia “sumariar” Rodrigo e se o Tribunal do Crime decidisse ele seria executado.
Gabi comemora o assassinato de Rodrigo
Quando Rodrigo morreu Gabi comemorou nas redes sociais, mas depois caiu a ficha e viu a besteira que tinha feito.
Ela sabia a caca que fez , é mil vezes certeza que ela não foi estuprada.
palavras do Investigador de Polícia Moacir Cova
Não tinha cabimento o que ela dizia: com ela tinha uma amiga que não quis ficar com o Rodrigo e foi embora e ele não impediu.
Gabi ficou porque quis na casa dele, e lá ele teve todas as chances possíveis de fazer com ela o que quisesse e nada fez.
Ela disse que ele tentou a estuprar no carro quando estava a levando embora, o que não tem lógica.
Outra coisa que chamou a atenção é que o Rodrigo em nenhum momento negou que tivesse ficado com ela e sequer negou o relacionamento.
Rodrigo estranhou que falassem em estupro e confiou que indo dar a sua versão para o Tribunal do Primeiro Comando da Capital tudo ficaria esclarecido.
Pelo que os policiais apuraram no caso, Rodrigo não teve tempo de se defender.
Eles passaram pelas câmeras de monitoramento às 20:16 e voltaram depois de chegar ao local do julgamento, ouvir o acusado, e executá-lo em menos de dez minutos.
O companheiro que estava dirigindo declarou que depois que Ratinho e Rodrigo desceram do carro foi o tempo dele manobrar o carro e o cara já estava morto.
Ratinho é um molecão novo querendo subir rápido no Partido. Essa morte tinha que acontecer para ele ser respeitado e parecer poderoso no bairro e no crime.
contou o Investigador Moacir Cova
Quando o Cria do 15 assume assassinato ele ganha respeiro na facção, mas leva de lambuja uma pena de 18 anos pelo assassinato e mais 8 por tráfico de drogas.
São Paulo fechará 2022 com o mais baixo índice de homicídio do Brasil, aproximadamente 5,2 para cada 100.000 habitantes.
Segundo levantamento do site Insight Crime, São Paulo, se fosse um país, seria tão seguro quanto o Chile e a Argentina com índices: 4,6.
A exceção do Suriname que não possui grupos de crimes organizados expressivos, todas as outras nações sofreram com a guerra entre organizações criminosas.
Em pouco menos de um mês de governo Tarcísio de Freitas as milícias tentam o domino áreas pacificadas pelo Primeiro Comando da Capital.
A tendência para 2023 será o ressurgimento da guerra entre facções criminosas com o aumento da taxa de homicídios que será justificada como combate ao crime.
A taxa de homicídios no Brasil em 2022 é impulsionada pela guerra entre facções criminosas
Brasil: 18,8 por 100.000* (Pop. 214.326.223)
Nos primeiros nove meses de 2022, o Brasil teve uma leve queda de 3% nos homicídios em relação a 2021, com 30.187 homicídios.
A expectativa era terminar 2022 com 40.000 homicídios, marcando uma ligeira queda geral em relação aos 41.069 registrados em 2021 pelo mesmo índice.
Guerra entre facções criminosas como causa
A violência é uma instituição tão natural como a própria vida humana. Decorre do nosso instinto de sobrevivência, sendo o grande motivo para o homem ter dominado a natureza. Mas essa afirmação não pretende trazer glamour à violência.
Talvez no último estágio da existência humana, a evolução definitiva seja exatamente vencer o instinto natural que nos propala a nos destruirmos mutuamente.
O nordeste do Brasil, que há muito é um epicentro da violência da guerra entre grupos criminosos que buscam controlar as rotas do narcotráfico para a Europa, registrou uma queda de 5% nos homicídios.
A Bahia, o maior estado da região, liderou o ranking, mas também teve uma queda geral de 11%, talvez devido aos investimentos em segurança pública.
O Amapá, um pequeno estado do norte, teve uma queda de 34% nos homicídios, provavelmente devido a uma queda natural na violência após um 2021 particularmente sangrento, quando grandes facções criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) lutaram pelo controle do tráfico de drogas contra vários grupos criminosos locais.
Rondônia, estado que faz fronteira com a Bolívia, registrou um aumento de 29% nos homicídios, o maior do país por estar no centro da disputa entre o PCC e seu arquirrival cariocas, o Comando Vermelho (Comando Vermelho – CV), pelo controle da rota hiper lucrativa da cocaína Bolívia-Brasil.
Embora as facções do tráfico de drogas possam ter impulsionado grande parte da violência, a polícia do Brasil, notoriamente ágil no gatilho, também contribuiu.
Enquanto no primeiro semestre de 2022 as mortes causadas pela polícia caíram, milhares de brasileiros continuam sendo mortos pelas forças de segurança.
Em 2021, 84% desses assassinatos cometidos por policiais foram direcionados a negros.
Países da América Latina e do Caribe continuaram a registrar altas taxas de homicídios em 2022.
À medida que a produção de cocaína atingiu novos patamares, a fragmentação das gangues continuou e o fluxo de armas na região se agravou.
A situação no Equador foi absolutamente catastrófica.
Quantidades históricas de cocaína entrando no país alimentaram a violência, com assassinatos disparando à medida que os grupos criminosos atacavam funcionários judiciais e matavam policiais em taxas recordes.
Essa cocaína veio em grande parte da Colômbia, onde o recém-empossado presidente Gustavo Petro prometeu se afastar da guerra contra as drogas em favor dos esforços para alcançar uma “Paz Total” com os grupos rebeldes e criminosos do país.
A mudança da estratégia de combate aos grupos criminosos implementada pelo novo governo colombiano, até agora, porém, os níveis de violência permaneceram estagnados.
Em El Salvador, uma repressão decisiva às organizações criminosas reduziu enormemente a taxa de homicídios, embora à custa de supostos abusos sistemáticos dos direitos humanos.
No Haiti, uma quase total falta de capacidade política permitiu que a violência aumentasse, enquanto os bandos criminais paralisavam a capital do país, Port-au-Prince.
O Caribe se tornou o foco de assassinatos da região
A taxa de homicídios da Jamaica aumentou ainda mais, ainda assim o tráfico de armas continuou, mesmo os criminosos já estando fortemente armados.
As Ilhas Turks e Caicos provaram ser o país mais mortal da região per capita, pois os assassinatos mais que dobraram.
Em 2022 o InSight Crime incluiu nações e territórios menores do Caribe, muitos dos quais tiveram um aumento acentuado nos assassinatos.
Embora cientes de suas populações comparativamente pequenas e números de homicídios, nós os incluímos no ranking abaixo para mostrar como os padrões de violência estão afetando toda a região.
Ilhas Turks e Caicos: 77,6 por 100.000 (Pop. 45.114)
Embora 35 assassinatos possam parecer pouco motivo de preocupação, representam um salto de 150% em relação aos 14 assassinatos ocorridos em 2021 em um país com uma população total de pouco mais de 45.000 habitantes.
Muitos dos homicídios se concentraram no último terço do ano, com 21 homicídios ocorridos entre 3 de setembro e 8 de novembro, culminando com um triplo homicídio em 1º de novembro. ilha mais populosa.
Guerra entre facções Criminosas como causa
Embora os motivos para o aumento da violência permaneçam incertos, o chefe de estado nomeado pelo Reino Unido, Nigel Dakin, disse em um post no Instagram que os grupos criminosos jamaicanos estão “tentando remover toda a competição criminosa no território” usando “níveis sem precedentes de violência direcionada”.
Ele culpou a proximidade das ilhas com vizinhos instáveis “inundados de armas e drogas… onde os criminosos aparentemente conseguem se mover facilmente por toda a região”.
Pela primeira vez em três anos, a ilha caribenha não liderou as tabelas regionais de taxas de homicídios.
Infelizmente, isso tem menos a ver com o sucesso em erradicar a própria violência na Jamaica e mais a ver com taxas terrivelmente altas testemunhadas em outras partes do Caribe.
A Força Policial da Jamaica (JCF) registrou 1.498 assassinatos em 2022, 24 mortos a mais que no ano anterior.
Esse resultado coloca a taxa de homicídios da Jamaica em quase 53 mortos por 100.000, uma alta não vista desde 2017.
Vários fatores influenciam a violência implacável da Jamaica e a aparente incapacidade do governo de detê-la.
O tráfico de armas é desenfreado no país insular, com armas pequenas dos EUA inundando o mercado.
Em fevereiro, o primeiro-ministro Andrew Holness reciclou uma estratégia familiar de reprimir o porte ilegal de armas.
À medida que 2022 chegava ao fim, as ações do governo não reduziram os assassinatos na Jamaica.
Juntamente com as consequências crescentes para os proprietários de armas ilegais, o governo recorreu a outra abordagem testada e comprovada e geralmente nada assombrosa: decretar repetidamente estados de emergência em grande parte da ilha.
Aparentemente sem respostas, a Jamaica recorreu publicamente às Nações Unidas em busca de assistência para reduzir o tráfico de armas no país.
De forma desencorajadora, as apreensões recordes de armas e munições parecem ter feito pouco para virar a maré.
Santa Lúcia: 42,3 por 100.000 (Pop. 179.651)
Um total de 76 assassinatos pode não parecer muito.
Mas para Santa Lúcia, com uma população de pouco menos de 180.000 pessoas, isso o coloca perto do topo do ranking regional.
Em 2021, Santa Lúcia registrou 74 assassinatos, um recorde para a época.
O aumento em 2022 para 76 assassinatos significa que o país quebrou seu recorde de homicídios pelo segundo ano consecutivo e levou a pedidos do Partido Unido dos Trabalhadores para que o primeiro-ministro Philip J. Pierre renunciasse ao cargo de ministro da Segurança Nacional.
Guerra entre facções Criminosas como causa
Ao se tornar um centro de trânsito para a cocaína sul-americana para os EUA e Europa, as gangues locais passaram a disputar a hegemonia criminosa.
Isso foi agravado por um influxo de armas americanas: um homem da Pensilvânia preso em março passado por traficar quase 40 armas para Santa Lúcia.
Funcionários eleitos condenaram a “anarquia em nosso país” e prometeram “penalidades draconianas”, mas poucos detalhes foram divulgados.
Venezuela: 40,4 por 100.000 (Pop. 28.199.867)
As mortes violentas na Venezuela permaneceram relativamente estáveis em 2022 após vários anos de declínio, com a taxa geral caindo apenas 0,5%.
O número inclui homicídios comprovados, homicídios cometidos por policiais, mortes ainda sob investigação e desaparecimentos.
Se os desaparecimentos não forem incluídos no cálculo, a taxa geral cai para 35,3 mortos por 100.000 habitantes.
Houve um total de 10.737 mortes violentas em 2022 ou uma média de 29 por dia.
Cinco dos sete principais estados com as taxas mais altas estão localizados na zona centro-norte do país.
O crime organizado venezuelanos
Entre eles estão Aragua, lar da gangue local mais notória da Venezuela, Tren de Aragua, Miranda, onde gangues ultravioletas dedicadas a sequestros e extorsões tomaram conta de faixas de território, e Caracas.
Grande parte da violência está sendo conduzida não pelos maiores grupos do crime organizado, mas por pequenas gangues de rua predatórias.
A dolarização de fato do país criou grandes oportunidades para as gangues, pois indivíduos e empresas usam dólares americanos para transações em dinheiro, mas não podem depositá-los em contas bancárias nacionais, deixando-os na posse de grandes quantidades de dinheiro que os tornam alvos de roubos.
Das mais de 10.000 mortes violentas registradas no ano passado, aproximadamente 13% resultaram de intervenções policiais.
Entre a violência das gangues e da polícia
Essa alta taxa provavelmente está ligada à violência indiscriminada empregada em operações de segurança na Venezuela, onde a polícia se tornou conhecida por cometer execuções extrajudiciais, conforme documentado por agências internacionais de direitos humanos.
Três dos cinco estados com as maiores taxas de mortes resultantes de intervenções policiais, Aragua, Miranda e Guárico, tiveram operações de segurança em grande escala em 2022, acompanhadas por denúncias generalizadas de abusos de direitos humanos, incluindo execuções extrajudiciais.
Além disso, houve 1.370 denúncias de desaparecimentos em 2022.
Algumas áreas da Venezuela tornaram-se notórias por desaparecimentos ligados a atividades criminosas, sobretudo a região mineradora de Bolívar, onde gangues fortemente armadas, conhecidas como sindicatos, disputam o controle do comércio de ouro.
Esses grupos se tornaram notórios pelo desaparecimento de suas vítimas, como mostra a descoberta de várias valas comuns no final de 2022.
São Vicente e Granadinas: 40,3 por 100.000 (Pop. 104.332)
As razões para a alta taxa de homicídios em São Vicente e Granadinas em 2022 não são tão diferentes dos tradicionais focos de violência da região:
Muito disso está entrelaçado com o comércio de cocaína e outros derivados com retaliação.
primeiro-ministro Ralph Gonsalves
Em novembro, as forças de segurança destruíram 135 quilos de cocaína e 18 toneladas de maconha apreendidas nos últimos três anos.
Traficantes de Trinidad e Tobago, que enfrenta um grande problema de violência causada pelas drogas, estão por trás de algumas dessas importações de cocaína.
A maioria dos mortos são por armas de fogo
O governo trinitário-tobagenses está reunindo aliados regionais para impedir que as armas cheguem dos Estados Unidos.
Os EUA precisam fazer algo sobre … o fácil acesso a armas e a fácil exportação de armas. Eles têm os recursos para nos ajudar nisso.
primeiro-ministro Ralph Gonsalves
Poucos cidadãos e empresas acreditam que a polícia tenha condições de investigar e combater os criminosos e menos da metade dos crimes são denunciados.
Trinidad e Tobago: 39,4 por 100.000 (Pop. 1.525.663)
A taxa de homicídios de Trinidad e Tobago saltou mais de 22% em 2022 em relação a 2021.
Após um ano de derramamento de sangue em que os grupos criminosos da duas ilhas ganharam notoriedade em todo o mundo.
Dados do Serviço de Polícia de Trinidad e Tobago mostram que 502 assassinatos foram cometidos no país entre janeiro e outubro.
Policiais disseram ao InSight Crime que outros 47 homicídios foram cometidos em novembro e mais 52 em dezembro, elevando o total de 2022 para 601.
Este é o maior número de assassinatos no país, muito acima dos 550 registrados em 2008.
As várias razões para o aumento da violência
O assassinato de Anthony Boney, líder de um crupo criminoso muçulmano, quebrou o equilíbrio que havia no mundo do crime trinitário-tobagenses.
O resultado foi a fragmentação caótica das grandes organizações criminosas e grupos menores e muito mais violentos.
Essas facções estão lutando pelo controle das múltiplas economias criminosas do país, incluindo contrabando humano, extração de pedreiras e roubo organizado.
Cerca de 12 mil armas circulam no país
A falta de confiança na polícia é reconhecida por ela mesma, principalmente entre a população mais pobre.
Honduras: 35,8 por 100.000 (Pop. 10.278.345)
Honduras continua como o país mais mortal da América Central em 2022, com uma taxa de homicídios de 35,8 mortos por 100.000 pessoas.
Apesar do resultado, o país conseguiu reduzir os homicídios em 12,7% em relação a 2021, o menor número de homicídios desde 2006.
O presidente Xiomara Castro gerou polêmica perto do final do ano ao implementar uma repressão anti-gangues que prendeu 652 supostos membros de gangues e desmantelou 38 gangues.
Muitas das mortes violentas em Honduras são atribuídas a grupos criminosos conhecidos por tráfico de drogas e extorsão.
O setor de transporte de Honduras tem sido particularmente perseguido por extorsão e violência subsequente, com pelo menos 60 trabalhadores perdendo suas vidas em 2022.
Embora o estado de exceção tenha como alvo esses grupos criminosos, é muito cedo para dizer como a estratégia afetará os homicídios do país.
As Bahamas terminaram 2022 com 128 assassinatos, quando o comissário de polícia Clayton Fernander, que esperava terminar o ano com menos de 100 homicídios.
Guerra entre facções Criminosas como causa
O país continua como centro de tráfico de cocaína, e em março, o governo admitiu que há disputa pelo narcotráfico na ilha de New Providence.
Chegando em 2023, o governo do primeiro-ministro Philip Davis está enfrentando uma reação negativa.
A oposição baamesa critica a política pública pelo aumento dos crimes: tráfico de drogas, e assaltos e homicídios com o uso de armas de fogo.
O governo por sua vez afirma que são criminosos libertados sob fiança que voltaram a cometer crimes.
Colômbia: 26,1 por 100.000 (Pop. 51.516.562)
Os 13.442 homicídios registrados em 2022 pela Polícia Nacional da Colômbia deram ao país uma taxa de homicídios de 26,1 por 100.000 no ano, ligeiramente abaixo dos 26,8 por 100.000 em 2021.
Talvez não surpreendentemente, os homicídios foram maiores em regiões onde predominam os grupos armados, de acordo com um relatório da Universidad Externado de Colombia.
Os departamentos de Arauca, Putumayo, Cauca, Chocó, Guaviare e Valle del Cauca tiveram a maior concentração de homicídios.
Guerra entre facções Criminosas como causa
A maioria desses departamentos são corredores estratégicos do narcotráfico sobre os quais grupos criminosos lutam pelo controle e pelas receitas do crime.
Desde o início de 2022, o Exército de Libertação Nacional (Ejército de Liberación Nacional – ELN) e grupos mafiosos das ex-FARC travam uma sangrenta batalha pelo controle de Arauca, no sul do país, ao longo da fronteira com o Equador, Peru e Brasil.
Os assassinatos de líderes sociais continuaram inabaláveis em 2022.
Até dezembro do ano passado, 33 líderes sociais foram assassinados em Nariño, enquanto outros 25 foram mortos em Cauca.
O ELN e a ex-máfia das FARC estão presentes em ambos os departamentos, assim como as Autodefesas Gaitanistas da Colômbia (Autodefesas Gaitanistas de Colombia – AGC), também conhecidas como Urabeños ou Clã do Golfo (Clan del Golfo).
O presidente Gustavo Petro chegou ao poder com ambições de “Paz Total”.
Vários grandes grupos armados assinaram um cessar-fogo bilateral que deve vigorar nos primeiros seis meses de 2023, embora o ELN seja uma ausência notável.
Resta saber como a medida vai se desenrolar.
Equador: 25,9 por 100.000 (Pop. 17.797.737)
Pelo segundo ano consecutivo, o Equador teve uma das taxas de homicídios que mais cresceram na região.
Guerra entre facções Criminosas como causa
Em 2022, o país foi dilacerado por grupos criminosos que brigavam por quantidades impressionantes de cocaína vindas da Colômbia e registraram 4.603 assassinatos.
Isso representa um aumento de algo em torno de 82% e 86,3% em relação ao ano anterior, de acordo com a base de cálculos.
Os especialistas atribuem a culpa diretamente à violência associada ao narcotráfico. Isso é amplamente correto.
Choneros e Lobos na disputa
Duas organizações criminosas, Choneros e Lobos, reuniram em torno de si aliados para disputarem o mercado criminoso com extrema violência.
]O foco é dominar áreas de controle da infraestrutura do narcotráfico, incluindo o porto marítimo de Guayaquil, o epicentro da violência no país, e Esmeraldas, uma província que faz fronteira com a Colômbia e é um centro de trânsito de drogas.
Em Esmeraldas os assassinatos atingiram um novo recorde, com corpos sendo deixados pendurados em pontes e assassinatos em larga escala ocorreram em todo o país.
Grupos menores, mas altamente organizados, estão aparecendo agora, esculpindo brutalmente sua própria fatia do bolo do narcotráfico.
O tráfico de armas está aumentando constantemente, com armas semiautomáticas, revólveres e munições inundando o país, principalmente dos Estados Unidos e do Peru.
E a influência do crime organizado mexicano e colombiano apenas estimula ainda mais a violência.
Com uma ligeira queda nos homicídios em 2022, os homicídios no México ultrapassaram 30.000 pelo quinto ano consecutivo.
No ano passado, ocorreram menos 30.968 homicídios, ou 85 por dia, além de 947 feminicídios — valores são calculados separadamente.
Somando 31.915 assassinatos, 25,2 por 100.000 habitantes, uma ligeira queda em relação à taxa de 2021.
Quase 50% desses assassinatos se concentraram nos mesmos seis estados de 2021: Guanajuato, com 3.260, Baja California, Chihuahua, Jalisco, Michoacán, o estado do México.
Guerra entre facções criminosas como causa
Há muito tempo os estados fronteiriços de Baja California e Chihuahua convivem com a violência dos grupos do crime organizado que disputam o controle das rotas do narcotráfico para os Estados Unidos.
Já Jalisco está localizada ao norte de Michoacán e Colima, cujos portos – Lázaro Cárdenas e Manzanillo – são pontos de chegada de precursores químicos da Ásia necessários para a produção de drogas sintéticas.
Belize: 25 por 100.000 (Pop. 400.031)
Belize encerrou 2022 com 113 assassinatos, uma queda em relação aos 125 em 2021, para uma taxa de homicídios de 25 por 100.000 pessoas.
O comissário de polícia Chester Williams disse à mídia local que o país agora saiu da lista dos dez países mais assassinos do mundo.
No entanto, o governo americano alerta que muitos dos crimes violentos em Belize ocorreram no lado sul de Belize e estão “relacionados a gangues”.
Os crimes violentos, incluindo assaltos à mão armada, são “comuns mesmo durante o dia e em áreas turísticas”.
Porto Rico: 17,4 por 100.000 (Pop. 3.263.584)
O território dos EUA viu uma queda bem-vinda na violência em 2022, registrando 567 homicídios, ante 616 em 2021, segundo a mídia local.
A disponibilidade de armas de fogo continua sendo um problema para as autoridades de Porto Rico, com crimes relacionados a armas permanecendo muito mais altos do que nos estados dos EUA e em outros territórios.
Traficantes ilegais de armas trouxeram milhares de armas para o país, enquanto a Lei de Armas de Porto Rico de 2020 tornou a obtenção e o porte legal de uma arma de fogo muito mais fácil.
E o tráfico de cocaína, responsável por grande parte da violência no território, continuou em ritmo acelerado com apreensões maciças feitas regularmente em 2022.
Os 3.004 homicídios registrados na Guatemala em 2022 deram ao país uma taxa de homicídios de 17,3 por 100.000 habitantes.
Foi um aumento de 5,7% em relação aos 2.843 homicídios registrados no ano passado.
De acordo com a ONG de Direitos Humanos, Grupo de Apoio Mutuo – GAM, foram 3.609 assassinatos, houve um aumento de 7% nos homicídios entre janeiro e outubro de 2022.
As descobertas do GAM também revelaram um salto preocupante no número de vítimas de assassinato que apresentaram sinais de tortura, de 104 em todo o ano de 2021 para 164 nos primeiros 10 meses de 2022.
Guerra entre facções criminosas como causa
A atividade criminosa provavelmente está por trás desses aumentos.
Em outubro, pelo menos sete pessoas foram mortas a tiros na piscina de um hotel em El Semillero, na costa do Pacífico da Guatemala, e o crime estaria relacionado ao Barrio 18.
Também em outubro, cinco nicaraguenses foram encontrados mortos com as mãos amarradas nas suas costas no município de Atescatempa.
Barbados: 15,3 por 100.000 (Pop. 281.200)
Assim como em seus vizinhos caribenhos, a pronta disponibilidade de armas de fogo foi responsabilizada por um aumento acentuado nos assassinatos em Barbados em 2022.
Dos 43 homicídios registrados, mais de 75% foram cometidos com armas de fogo.
Isso apesar da polícia de Barbados alegar sucesso em uma campanha contínua de recuperação de armas, com 75 armas apreendidas até setembro de 2022.
Isso foi superior às 36 recuperadas em todo o ano de 2021.
Um aumento persistente nos assassinatos, apesar de mais armas serem coletadas, só pode significar uma coisa: muitas armas estão entrando em Barbados.
Em junho, três homens americanos foram condenados por enviar pelo menos 30 armas de fogo para Barbados por meio de serviços de correio.
Em setembro, o comissário de polícia de Barbados confirmou que o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) dos EUA estava trabalhando com Barbados para conter o fluxo de armas.
Mas há uma confusão persistente sobre o cenário do crime organizado do país, apesar de seu tamanho modesto.
Em uma entrevista para a televisão em novembro, o membro do gabinete de prevenção ao crime, Corey Lane, afirmou que havia apenas duas gangues em Barbados e não 52, como afirmam algumas fontes não especificadas.
O Panamá conseguiu reverter sua tendência recente de aumentar gradualmente os assassinatos.
Os 501 homicídios registrados em 2022 representam uma queda de 8,9% no número de homicídios em relação aos 550 de 2021.
Antes de 2022, a taxa de homicídios do país vinha subindo lentamente, de 9,6 por 100.000 em 2018 para 12,8 por 100.000 em 2021.
Enquanto alguns países continuaram a adotar uma abordagem militarizada para combater o crime, a polícia do Panamá adotou uma estratégia diferente.
O diretor da polícia nacional do Panamá, John Dornheim, destacou a importância de a aplicação da lei incorporar soluções tecnológicas e contar com informações.
“Você não persegue o crime com músculos, persegue-o com inteligência”
John Dornheim
A decisão parece estar valendo a pena, com um quarto das acusações contra suspeitos de homicídio ocorrendo graças à vigilância por vídeo.
Ainda existem áreas problemáticas
Com cerca de 7% da população, a província costeira de Colón foi responsável por 21% dos assassinatos — taxa de homicídios próxima à de Honduras.
Assassinatos indiscriminados ligados ao crime organizado na província resultaram em homicídios em hospitais e escolas, disputas territoriais e aumento do desemprego também estão entre as causas das mortes que assolam a região.
Guerra entre facções criminosas como causa
Colón detém o ponto de entrada do Atlântico para o Canal do Panamá e é um ponto crucial para a logística do tráfico de cocaína.
O país quebrou novamente seu recorde anual de apreensão de drogas, em meio a notícias de que atuava como um importante centro de envio de cocaína para uma coalizão de grandes traficantes de drogas na Europa.
O principal traficante de drogas do Panamá, Jorge Rubén Camargo Clarke, chefe da federação de gangues de Bagdá, foi preso em fevereiro de 2022, mas os números não sugerem que tenha ocorrido uma luta sangrenta pelo controle do mercado entre os rivais.
Uruguai: 11,2 por 100.000 (Pop. 3.426.260)
Houve 383 homicídios registrados no Uruguai em 2022, um aumento de 25% nos homicídios de 2021, que reverte alcançada em 2021.
Os cálculos do InSight Crime mostram um aumento ligeiramente maior de 27,6%.
Guerra entre facções criminosas como causa
O presidente Luis Lacalle Pou colocou diretamente a culpa pelo aumento da violência nos confrontos de gangues relacionados ao tráfico de drogas.
As brigas entre grupos criminosos pelo controle do tráfico de drogas em Montevidéu, capital do país, parecem ter aumentado.
Em junho, a polícia uruguaia informou ter identificado até 45 clãs familiares criminosos em Montevidéu e, em novembro, tiroteios entre alguns desses clãs confinaram moradores de Villa Española e Peñarol em suas casas.
Uruguai na rota das drogas
Essas gangues também foram cruciais para o crescente perfil do Uruguai como nação de trânsito para o comércio de cocaína.
As conexões com o Brasil, Paraguai e Argentina têm visto uma maior quantidade de drogas fluindo pelo Uruguai, trazendo maiores índices de violência criminal.
Enquanto isso, o surgimento do Primeiro Cartel Uruguaio (Primer Cartel Uruguayo – PCU), liderado pelo misterioso narcotraficante Sebastián Marset, aumentou a pressão sobre as forças de segurança do país e levantou a tampa da corrupção generalizada nas fileiras políticas do país.
Paraguai: 8 por 100.000* (Pop. 6.703.799)
Foram 489 homicídios entre janeiro e novembro de 2022, o que levará a superar a taxa de 2021 de 7,4 para 100.000 habitantes.
Guerra entre facções criminosas como causa
O ano passado viu mais da mesma violência, já que assassinatos de alto escalão e assassinatos entre gangues pareciam encerrar o ano.
A disputa entre Primeiro Comando da Capital e o clã local Rotela monopolizaram as mortes na disputa pelo domínio territorial dos corredores de tráfico de drogas e armas, particularmente a província de Amambay, no Paraguai, na fronteira leste com o Brasil.
Gangues menores e clãs familiares também contribuem para os assassinatos nas áreas mais violentas do Paraguai.
O conhecido Clã Insfrán teria sido ligado ao assassinato em maio de 2022 do promotor paraguaio Marcelo Pecci.
A violência do país é ajudada em parte pelo fato de que armas e munições fornecidas aos militares acabam rotineiramente nas mãos de organizações criminosas.
O papel ascendente do Paraguai como um nó-chave no drogoduto de cocaína da Europa significa que o conflito entre as principais gangues do país provavelmente continuará a transbordar.
Foram 495 homicídios em 2022 contra 1.147 no ano anterior, mantendo uma tendência de baixa desde 2015, quando o índice era de 103 por 100.000 habitantes, o que fazia de El Salvador o país mais violento do Hemisfério Ocidental.
A queda nos assassinatos no ano passado ocorreu em meio a uma das repressões anti-gangues mais brutais já vistas na América Latina.
Um violento assassinato de gangues em março que custou 87 vidas respaldou a política de forte repressão aos grupos criminais do presidente Nayib Bukele.
O governo alavancou poderes de emergência para atacar as principais gangues de rua do país, a MS13 e a Barrio 18, prendendo cerca de 60.000 pessoas, ou quase 2% da população adulta no processo.
Os resultados foram surpreendentes, com assassinatos e extorsões caindo drasticamente. A repressão forçou as gangues a se esconderem, embora continuem bem armadas.
Suriname: 7,7 por 100.000 (Pop. 612.985)
O menor país sulamericano registrou 47 assassinatos entre janeiro e meados de dezembro de 2022 — taxa de 7,7 por 100.000 habitantes.
Este é um aumento acentuado em comparação com os 32 assassinatos registrados em 2021, mas inferior aos 54 registrados em 2020.
O aumento da taxa de homicídios pode ser em decorrência do papel do Suriname como país de trânsito para a cocaína.
O presidente Chandrika Persad Santochi disse ao InSight Crime em outubro de 2022 que o tráfico de drogas afetou seriamente o crime violento no Suriname.
Especialistas identificaram o tráfico de cocaína como a maior ameaça à segurança nacional do Suriname e responsável por alguns dos eventos mais violentos recentes.
Em julho de 2021, três corpos carbonizados foram encontrados no oeste de Paramaribo, capital do Suriname. Um dos supostos autores do crime declarou que foi morto em relação à apreensão de cerca de 1 tonelada de cocaína pelas autoridades.
Mas em comparação com seus vizinhos, principalmente no Caribe, o Suriname tem uma baixa taxa de homicídios.
Um dos fatores que possivelmente explicam a diferença entre o Suriname e países como Jamaica, Trinidad e Tobago e Santa Lúcia é que o Suriname não possui gangues urbanas sofisticadas.
Nicarágua: 6,7 por 100.000 (Pop. 6.850.540)
A total falta de dados confiáveis ou relatórios sobre homicídios na Nicarágua, mais uma vez, dificulta um levantamento de homicídios para o país.
Fontes oficiais colocam a contagem de homicídios no país em 460, mas esses números “não são confiáveis”.
A falta de transparência do país parece improvável que mude em breve.
Em novembro de 2022, o presidente Daniel Ortega conquistou um quarto mandato em uma eleição duramente criticada pela comunidade internacional.
O presidente dos EUA, Joe Biden, chamou de “eleição de pantomima”. Durante o governo de Ortega, 160 jornalistas foram forçados ao exílio.
Chile: 4,6 por 100.000 (Pop. 19.493.184)
Os homicídios cresceram mais de 32% no Chile em 2022 em relação a 2021, marcando o ano como um dos mais mortais do país.
Os números da polícia mostram que 960 assassinatos foram cometidos no ano passado, em comparação com 726 no ano anterior.
A região norte de Tarapacá viu novamente a criminalidade elevar as taxas de homicídio a novos patamares, enquanto o contrabando de migrantes controlado pela mega-gangue venezuelana Tren de Aragua emergiu como uma séria ameaça à segurança nacional.
O tráfico de drogas no país cresceu, o roubo de cobre se expandiu e as máfias madeireiras que controlam a extração ilegal de madeira se tornaram mais violentas.
Embora o aumento de assassinatos seja alarmante, as autoridades alertaram que o retorno às regulamentações e à vida pré-pandêmica favoreceu o aumento da criminalidade, que foi artificialmente baixo em 2020 e 2021.
Os aumentos registrados em 2022 são irregulares porque, à medida que a vida cotidiana foi retomada , o número de crimes ocorridos também normalizou para antes da pandemial.
coronel Gutiérrez, comandante da polícia militar do Chile
O Chile com 4,6 homicídios para 100.000 habitantes continua entre as nações menos violentas da América Latina.
A Argentina normalmente publica suas estatísticas anuais de crimes em abril do ano seguinte.
Em 2021, o Ministério da Segurança registrou 2.092 assassinatos, para uma taxa de homicídios de 4,6 por 100.000 habitantes, continuando sua tendência de queda nos assassinatos desde um ano particularmente violento em 2014.
Guerra entre facções criminosas como causa
Certos focos de violência, porém, são acessíveis, principalmente na província de Santa Fé.
Na Santa Fé, que abriga a cidade de Rosario, 406 pessoas mortas em 2022, o maior número desde 2015, elevando a taxa de homicídios da província para 11,31 por 100.000.
O ano sangrento de Rosario cativou as manchetes, dado o fato de que sua taxa de homicídios quadruplica a média nacional.
Uma rivalidade entre gangues locais de tráfico de drogas, os Monos e o Clã Alvarado, alimenta grande parte dos assassinatos da cidade.
A leste de Santa Fé, a província de Entre Ríos registrou seu terceiro ano consecutivo de redução de homicídios, com as autoridades elogiando uma postura dura contra o narcotráfico como a chave para o sucesso.
O tráfico de cocaína de fato tem aumentado na província, mas as autoridades locais intensificaram os esforços para combater os traficantes na esperança de evitar uma nova queda na violência.
Bolívia: N/A (Pop. 12.079.472)
As autoridades bolivianas não divulgaram estatísticas oficiais de homicídios nos últimos três anos, mas os interesses criminosos de grupos locais e regionais – particularmente em relação à expansão da capacidade de produção de cocaína da Bolívia – garantiram que a violência continuasse.
Guerra entre facções criminosas como causa
Em fevereiro do ano passado, o assassinato de dois traficantes de drogas brasileiros no departamento de Santa Cruz destacou a ameaça contínua do Primeiro Comando da Capital do Brasil (Primer Comando Capital – PCC) e rival, companheiro de gangue brasileira, o Comando Vermelho CV, para a Bolívia. Santa Cruz é um importante centro de tráfico de cocaína sendo contrabandeada para o Brasil ou Paraguai da Bolívia e do Peru.
Em julho do ano passado, o povoado de Porongo, na periferia de Santa Cruz de la Sierra, capital do departamento de Santa Cruz, foi palco de uma violência incomum contra policiais na Bolívia.
Três foram mortos a tiros depois de tentar prender um homem local. O suspeito do assassinato era genro de um narcotraficante local.
A violência das gangues causou a morte de 2.183 pessoas em 2022, um aumento de 35,2% em comparação com o ano passado.
Mas esses números quase não fazem sentido.
A catástrofe de segurança na ilha atingiu níveis sem precedentes que acredita-se que nenhum funcionário eleito em nível nacional permaneça lá.
Desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021, evaporou-se qualquer influência política que pudesse conter as gangues do país.
A guerra de gangues que antes se opunha às duas maiores organizações criminosas do país, G9 e G-PEP, se dissolveu ainda mais em uma colcha de retalhos de guerras territoriais ao redor da capital, Porto Príncipe, que viu a maior parte dos assassinatos, incluindo execuções sumárias e adolescentes portando armas de nível militar.
Os sequestros mais que dobraram. A violência sexual e o estupro também são comuns.
Acho que é a primeira vez que vimos esse nível de ilegalidade, esse nível de violência de gangues em que a vida das pessoas não importa.
Cécile Accilien, professora de estudos haitianos na Kennesaw State University
Peru: N/A (Pop. 33.715.471)
O Peru não divulgou números oficiais de homicídios para 2022 e os números do Ministério da Saúde parecem não ter base na realidade histórica.
Segundo o Ministério da Saúde houve 1.307 assassinatos — uma taxa de homicídios de apenas 3,9 por 100.000 habitantes.
Em 2021, houve 2.166 mortes — uma taxa de 6,6 por 100.000, um aumento em relação a 2020, mas ainda menor do que em qualquer ano desde 2013.
Embora o governo tenha declarado vários estados de emergência com o objetivo de combater a criminalidade em Lima, mas os corpos continuaram se acumulando.
No início do ano, um legista disse à TV Perú que os assassinatos em partes da capital dobraram ou até quadruplicaram.
Guerra entre facções criminosas como causa
Em outros lugares, uma série de assassinatos resultantes de gangues que lutam pela mineração ilegal em La Libertad, uma região na costa oeste, levou as autoridades a impor estado de emergência.
Quatro líderes de comunidades indígenas que se opunham à mineração ilegal e ao tráfico de drogas foram mortos em uma única semana de março.
Em meio à agitação social após a deposição do ex-presidente Pedro Castillo em dezembro, a Procuradoria-Geral de Ayacucho confirmou que havia aberto investigações de homicídio contra militares e chefes de polícia após a morte de manifestantes.
*As estimativas para esses países são projeções. Os dados do ano inteiro não estavam disponíveis para esses países no momento da publicação. As taxas de homicídio calculadas pelo InSight Crime são baseadas nos melhores dados de homicídio disponíveis e na população estimada do país para 2021, de acordo com o Banco Mundial. Quaisquer pontos de dados não calculados por este método foram atribuídos às suas fontes. Esta lista será atualizada à medida que mais dados estiverem disponíveis.
**Parker Asmann, Douwe den Held, Alex Papadovassilakis e Juan Diego Posada contribuíram para este artigo.