O crime organizado em Itu, um estudo sobre a facção PCC 1533

Durante as eleições presidenciais de 2010 optei por escrever sobre o crime organizado focando no estudo do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Uma noite e uma eleição que não prometia surpresas, assim começou meu estudo sobre o crime organizado e a facção PCC 1533.

Era uma noite escura e quente, como tantas outras que passei em frente a Igreja da Matriz em Itu — quinta-feira, 7 de outubro de 2010.

Foi no plantão daquela noite, enquanto fazia um ponto fixo em local de visibilidade que decidi que escreveria sobre o Primeiro Comando da Capital.

Algo estava diferente, algo estava no ar, mas não sabia exatamente o que era.

Há poucos dias, passamos pelo primeiro turno da eleição presidencial, ficando para o segundo turno Dilma Rousseff e José Serra.

Nada, naquela eleição apontava que passaríamos pelo pesadelo do retorno da extrema direita — os candidatos mais à direita eram nanicos e caricatos.

Beto, o motoqueiro do crime organizado

Foi sob esse céu noturno escuro e quente, como tantos outros que passei em frente à Igreja da Matriz que resolvi mudar meu foco.

Citei a facção pela primeira vez em 2007, mas o PCC só se tornou meu foco a partir daquela noite de quinta-feira de 2010.

O motoqueiro que fazia o tráfico para os usuários do Clube Comerciários naquela noite, era meu velho conhecido.

Beto tinha uns 10 anos quando começou a frequentar minha casa e, certa vez, o retirei do fundo do açude do Itaim, trazendo-o de volta à vida.

Os filósofos, antropólogos, jornalistas, policiais e “cidadãos de bem” discutiam sobre tráfico de drogas, o mundo do crime e políticas de Segurança Pública…

… mas era eu quem conhecia Beto, o motoqueiro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, e não eles.

Noite escura, quente e sem nuvens

O quadro político daquela eleição indicava que a sociedade buscava maneiras de promover Justiça e Segurança Pública através do desenvolvimento de políticas públicas.

Enquanto a sociedade buscava soluções, eu queria conhecer o PCC, para entender melhor a razão pela qual Beto escolheu entrar para a organização criminosa

Achei que negar a importância da facção PCC 1533 na vida e na imaginação do garoto não levaria a lugar nenhum.

O combate frontal e sem conhcimento, ao meu ver, apenas alimentaria uma espiral de vingança entre a sociedade e seus agentes, e mundo do crime.

Mas como enfrentar o PCC? Como mudar uma tradição tão arraigada na sociedade da luta do bem contra o mal?

Perguntas difíceis, a serem respondidas

Conhecer a organização criminosa poderia permitir uma forma de combate que não se baseasse apenas no uso da violência e da brutalidade.

As eleições de 2010 terminaram poucas semanas depois.

Dilma Rousseff venceu, mesmo tendo eu votado em José Serra.

Hoje, ao olhar para trás, noto como aquela noite escura e quente, indicava forte tempestade e poucos notaram.

Nada, naquela eleição apontava que passaríamos pelo pesadelo do retorno da extrema direita — os candidatos mais à direita eram nanicos e caricatos.

Algo estava diferente, algo estava no ar, mas não sabia exatamente o que era.

O que poucos viram, era que Michel Temer, o vice na chapa de Dilma, a vencedora das eleições era o representante da extrema-direita.

Temer trouxe consigo os militares e, poucos anos depois os cidadãos de bem deixavam escorrer sangue pelo canto da boca.

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital virou uma multinacional e o mundo não é mais o mesmo.

Foi nesse contexto que escrevi o texto que republico abaixo citando os três personagens que na época eram referência quando o assunto era o Primeiro Comando da Capital aqui em Itu: o promotor de Justiça Luiz Carlos Ormeleze, o investigador de Polícia Moacir Cova e, o advogado Gerciel Gerson de Lima.

Termino o texto dizendo que nos próximos meses, baseado no trabalho dos três, farei artigos sobre a organização criminosa, no entanto, já se passaram 12 anos e continuo eu aqui, escrevendo sobre o Primeiro Comando da Capital.

Um estudo sobre o crime organizado em Itu

A análise profunda em Segurança Pública não é algo que está ao alcance de qualquer um.

O mundo do crime organizado é assunto de pauta em jornais, academias, órgãos de segurança, botecos e pontos de ônibus.

Cada um explana convicções mas, poucos estudam profundamente com prazer visceral e enfrentando os perigos de pesquisa de campo.

Do mesmo modo que um policial sente orgulho de suas ações nas ruas e se compraz com os perigos que enfrenta e fazem sua adrenalina explodir, o estudioso orgulha-se de sua atividade espiritual cuja função é a de discernir — mesmo que na maior parte do tempo, seu estudo seja trivial e sem graça em que põe o seu talento em jogo.

o sucesso de um estudioso É a paixão pelo tema

Uma forte perspicácia tem que fazer parte do espírito de quem estuda o tema da organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

Alguns podem até confundir a dedicação pelo tema com algo de caráter sobrenatural ou criminoso, mas não, é apenas resultado do espírito dedicado e do método de estudo.

Por isso, os personagens que aqui apresentarei, nada tem de supernatural ou fantástico, mas apenas refletem seu comprometimento com os resultados de seus estudos, seja o representante do Ministério Público, o investigador policial ou o advogado de defesa.

Um jogador de xadrez, por melhor que seja, pode analisar cautelosamente uma partida ou sua próxima jogada, não sendo necessário para isso realmente intuição ou coragem.

Se a vida do enxadrista e a de seus familiares não correm risco, aqueles que se estudam o crime organizado, se colocam constantemente em risco.

Três nomes: Ormeleze, Cova e Gerciel

Alguns nomes se destacam em Itu quando o assunto é crime organizado (especificamente a facção PCC 1533).

São homens cujas mentes engenhosas e analíticas, colocam em xeque a organização criminosa.

Investigador da Polícia Civil Moacir Cova

Moacir Cova prendeu os principais líderes da organização criminosa da cidade de Itu.

Ele é o policial mais conhecido no meio criminoso – existindo constantemente planos para seu extermínio.

Promotor de Justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze

É o nome mais pesquisado dentro desta plataforma, sendo que as buscas sempre partem das áreas onde estão baseadas as lideranças do tráfico nos presídios.

Sua dedicação em conseguir a condenação no Tribunal do Júri é lendária.

Dr. Gerciel Gerson de Lima.

Este por sua vez se destaca pela defesa feita a diversos acusados por tráfico, roubo e participação em organização criminosa.

Seu trabalho como advogado é reconhecido dentro e fora dos presídios, e não foram poucas vezes que presenciei outros defensores buscando seu auxílio para questões específicas sobre o Primeiro Comando da Capital.

O que os três tem em comum é o reconhecimento de seus feitos por uns, e a falta de compreensão por outros.

Não acredito em anjos ou demônios.

Todos os três são profissionais do mais alto nível, e que se destacam pela paixão que nutrem pela execução de um trabalho meticuloso e bem elaborado.

É sobre o trabalho destes três profissionais que basearei minhas pesquisas para este site nos próximos meses enquanto explorarei o tema Primeiro Comando da Capital.

Pedófilos e a lei do Primeiro Comando da Capital (PCC 1533)

Todo pedófilo é punido com extremo rigor pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital. A lei é igual para todos na fação PCC 1533?

A facção PCC 1533 condena a morte pedófilos?

O que diria meu pai e Getúlio Vargas sobre a pedofilia no mundo do crime?

Meu pai repetia direto a frase: “a lei, ora a lei!”.

Não sei se ele sabia que essa frase era de ninguém menos que o político gaúcho.

Getúlio Vargas pronunciou a famosa expressão “Lei! Ora, a Lei!”, querendo dizer que apenas o cidadão comum está sujeito a sofrer as penalidades da lei, enquanto a própria legislação concede imunidades e benefícios a parlamentares e a outras classes privilegiadas.

Talaricos na lei do crime do PCC

A lei brasileira é branda com homens que pegam mulheres de outros homens, mas a lei de Deus (Bíblia) e a da facção PCC, não.

Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera.

Levítico 20:10

1. Ato de Talarico:
Quando o envolvido tenta induzir a companheira de outro e não é correspondido, usa de meios como, mensagens, ligações, ou gestos.
Punição: exclusão sem retorno, fica a cobrança a critério do prejudicado e é analisado pela Sintonia.

Dicionário da Facção 1533 – Regimento Disciplinar

Tanto pela lei mosaica quanto pela lei do crime o homem poderia ser morto pelo adultério ou talaricagem — afinal é a lei.

No entanto, outro dia, contei aqui a história do talarico que se tornou o Sintonía depois que matou o homem que iria denunciá-lo.

“A lei, ora a lei!”, diria meu pai. “A lei, ora a lei!”, diria Getúlio Vargas.

Hoje trago algo na mesma linha. A nossa profunda hipocrisia.

Pedófilos na lei do crime do PCC

Todos aqui concordamos, e se alguém não concordar é melhor guardar para si e dizer que concorda, que a pedofilia é um crime bárbaro.

Quando eu era garoto, me lembro de um pai que saiu matar um cara que, segundo ele, teria mantido relações com sua filha menor.

A garota tinha 20 anos, mas a legislação de então emancipava o homem aos 18 anos e a mulher aos 21 anos.

Vai ter leitor me chamando de dinossauro!

Não houve sequer um para tentar demover o homem desta empreitada, afinal ela era de menor.

Eu conhecia a todos ali e sabia que nenhum deles, inclusive o pai indignado, deixaria de pegar qualquer garota que pudesse.

A piada na época era falar com cara de sério:

Não saio com mulheres com menos de 35!

Para depois abrir um sorriso — todos sabiam que se referiam a 35 quilos.

Hoje a legislação mudou e é bem complexa.

Conheci um empresário que ficou preso por anos por ter saído com uma menina de 13 que ele realmente amava de paixão.

Acompanhei um outro caso onde o irmão do PCC que saiu na primeira audiência, mesmo tendo sido pego pela polícia na cama com uma menina de 13 anos e admitindo na Justiça que ficava direto com ela por diversão.

A juíza dos dois casos foi a mesma. A diferença é que o advogado do irmão provou que ela já saíra com outros homens.

No entanto, se nossa lei é dúbia, e a lei de Deus não fala uma linha sequer de pegar menor, parece que o Todo Poderoso não liga para isso, mas lei do crime é severa:

6 Item:
O comando não admite entre seus integrantes, estupradores, pedófilos, caguetas, aqueles que extorquem, invejam, e caluniam, e os que não respeitam a ética do crime.

Estatuto do PCC 1533

No entanto, apesar de previsto no Estatuto que dá as normas gerais, no Dicionário, assim como na lei mosaica não existe previsão.

Qual a idade mínima para o sexo consentido?

Por vezes me questionam sobre qual é a idade aceita pela facção para que uma garota possa ter relacionamento com um adulto.

Outro dia perguntei para um irmão de responsa que me respondeu na lata que a idade é 16 anos.

Então tá… só que sei que ele mantém relações constantes com garotas de 15, se não menos!

Lembram do caso do “Cria do 15 que assume assassinato que não cometeu”?

Nela conto o caso do armeiro do PCC foi morto poque teria estuprado uma menor de 15 anos?

Só que o tal armeiro foi o único naquela festa de PCCs e políticos que não manteve relações sexuais com ela!

“A lei, ora a lei!”, diria meu pai. “A lei, ora a lei!”, diria Getúlio Vargas.

Eu e a maioria de meus leitores, se revolta com a hipocrisia do “Povo de Deus”, dos “Patriotas” e da “Família de Bem”, mas…

… será que realmente somos tão melhores que eles?

Uma história que eu não devia ter esquecido

A história que publico hoje foi originalmente postada em 10 de abril de 2012.

Eu nem teria me lembrado dela se João Erik e “Vinny do 11” não tivessem me instigado a escrever essa semana sobre o papel das mulheres do mundo do crime e do Primeiro Comando da Capital.

Eu vi a garota dessa história algumas vezes, e sempre ela me deixou uma forte impressão.

Seu cabelo era cortado com máquina 2 ou 3, tanto que achei por algum tempo que se tratava um menino.

Bonitinha, pele clara, olhos sempre atentos e tristes.

Não sei o que aqueles olhos transmitiam, mas nunca vi uma garota como ela.

A lei para a menina

Como repararão, todos ali sabiam e a própria garota admitia que mantinha relações sexuais com os homens daquela casa.

Como repararão, todos ignoraram essa informação: PCCs, policiais e a Justiça.

Ninguém levou em consideração o relacionamento sexual dela com os adultos da casa para isso, afinal…

“A lei, ora a lei!”, diria meu pai. “A lei, ora a lei!”, diria Getúlio Vargas.

a lei para o menino

No texto, também cito um garoto de 13 anos, que também conheci. Parecia bem esperto, com sua cara e jeito de classe média.

Ele foi adotado, por assim dizer, pelo traficante que cuidava muito bem do garoto.

Não pensem besteiras!

O traficane aproveitava aquela sua cara de garoto inocente, gente boa, para mandar buscar de ônibus a droga na mochila em Campinas.

Um dia, o moleque, afinal era um moleque…

…cortou o cabelo escrevendo em baixo relevo: 157 de um lado e 33 do outro.

Na época, o 33 era o código penal para o tráfico.

Na primeira viagem foi abordado pela polícia e perdeu todos os tijolos de drogas.

Anos depois, em um torneio de skate no Aparecida, encontro com este garoto novamente, mas agora já de maior.

Estava cercado de garotos e todos estavam incomodando o evento.

Fui falar direto com ele que sabia que era o líder do grupinho.

Um dos que estava com ele, querendo impressionar, falou com ar de superioridade e orgulho:

Se não sabe que ele é irmão?

Respondi na lata:

Se é irmão devia estar no culto e não aqui!

Acho que até hoje os carinhas estão na dúvida se eu sabia que tipo de “irmão” ele era! O que eu sei é que deu certo!

Mina responsa, respeitada pelos manos de Itu

Os olheiros ficam na esquina e comunicam-se através de celulares, sinais e assobios. Ficam em um bar próximo…

O tal bar, era o trailer Tico e Teco Lanches, localizado na Avenida Caetano Ruggieri em frente ao Supermercado Alvorada.

A casa onde ocorria o comércio de drogas que caiu no Disque Denúncia era a residência de Aparecida, no Bairro Jardim São José.

Várias viaturas da Polícia Militar de São Paulo participam do cerco.

Lá chegando os policiais avistaram dois rapazes no portão da casa, os quais foram abordados e revistados, eram: Denis e Júlio.

Denis estava com dez reais e nada de ilegal consigo. Segundo ele estava lá para dar uns beijinhos em uma garota novinha que morava naquela casa.

Aquela menina tinha doze anos de idade e era uma saltense muito bonita e simpática.

Ela mesma contou aos policiais que “faz coisas” com os homens que conhece na “rua da Bica Dágua” para comprar drogas.

Seu nome é conhecido e respeitado pelos nóias da região, e de fato estava na casa, levada para a delegacia, seu pai foi chamado.

O homem compareceu à delegacia, mas negou-se a retirá-la, pois ela se recusa a obedecer e foge.

Quando o delegado avisou que ele responderia por abandono de incapaz, ele respondeu:

Prefiro responder na Justiça que ficar com essa pestinha em casa.

Alguns frequentadores da casa que abrigava a garota

Todos os que frequentam aquela casa no Bairro Jardim São José são usuários de algum tipo de droga.

Érica, viciada em crack e que frequenta o local há oito anos e que faz companhia para a menina:

… íamos lá para o uso comunitário de entorpecentes e tomar cerveja.

Edson, confirma e conta que não mais usava drogas mas…

…meu filho está com uma espécie de câncer maligno na cabeça… como ouvi dizer que na casa vende drogas, eu vim só para conferir.

Era no portão desta casa que Denis e Júlio estavam sendo revistados.

Com Júlio foram encontrados 59 Reais e uma pedra de crack, o que por si só não configura o tráfico, mas o fato de Denis estar com os dez reais em uma mão e estar segurando uma pedra de crack na outra, foi considerados pelos policiais indícios suficientes que ele estava recebendo a grana e entregando a pedra.

E assim, nossa nina de responsa é presa pela primeira vez

Enquanto ocorria a prisão, uma garota apareceu na porta da casa, e vendo a polícia, voltou correndo para dentro.

No quarto havia duas mulheres com 32 porções de crack embaladas individualmente e 20 ampolas de cocaína.

Posteriormente, espalhados pela casa foram encontrados diversos cachimbos improvisados para uso de drogas e duas porções de maconha, e na edícula no fundo da casa havia duas balanças e dois pacotes de amido de milho utilizados para “batizar” os entorpecentes.

Uma das mulheres era a dona da casa, Aparecida, mãe de Júlio, que havia saído da prisão há apenas meses e segundo ele só estava ali de passagem.

A menina e o tráfico

A menina trabalhava como mula no tráfico.

Júlio, o filho da dona da casa, já havia sido condenado dez anos antes por usar um garoto também de 13 anos em um esquema de tráfico semelhante.

Sua advogada, no entanto, diz que todos os indícios indicam que o tráfico era feito apenas pela garota e pela mulher, e que Júlio…

…estava apenas no local errado e na hora errada, e que ele jamais se associou ao tráfico de drogas.

Drª. Camila de Campos

No fim, mãe e filho ficam em segurança atrás das grades, e a menina foi levada pela mãe, que no dia seguinte me procurou para dizer que a garota fugiu assim que chegou em casa.

Esta foi a última vez que ouvi falar da “Mina responsa, respeitada pelos manos de Itu”.

A Marcola de Saias, a Guerreira do Acre e a cultura sexista do PCC

A Guerreira do Acre: como a mulher conquistou seu lugar na sociedade, e hoje tem o direito de morrer e apodrecer nas prisões como os homens.

A Mulher guerreira, Marcola de Saias, não é a primeira e não será a última

João Erik e Vinny do 11, vamos falar sobre a guerreira do Acre e a tal Marcola de Saias.

Ambos me procuraram essa madrugada para que eu comentasse sobre aquela mulher.

Ela ganhou as capas dos jornais de todo o país e lhes garanto, encontrei referência a ela em várias partes do mundo.

Suliane Abitabile Arantes, a Elektra, a Intocável, a Assombrada, a Kitana, a Mariana, e por fim e mais importante, a Marcola de Saias.

PCC ‘untouchable’ woman did trafficking accounting and registration of new members in the faction
Mujer ‘intocable’ del PCC hizo contabilidad de trata y registro de nuevos integrantes en la facción

Já devem ter notado que sou metódico e fujo das grandes manchetes sobre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).

É uma tentação e rende views repercutir os assuntos do dia, mas eu prefiro as notícias marginais, os detalhes que passam despercebidos do público.

Não me anima escrever sobre “Marcola de Saias” do dia. Sim! Pois é! Ela é a terceira que foi assim citada neste site desde que publico sobre o PCC em 2007!

O sexista Primeiro Comando da Capital

Estou prestes a compartilhar com vocês uma história real de horror que resgatei de uma mulher, guerreira da facção criminosa PCC 1533, realmente forte.

Esta história ilustra bem a mudança cultural a que vocês se referem, e que vocês acreditam estar ocorrendo.

Sei que será difícil de digerir, mas creio que é importante que vocês estejam cientes de que não é o caminho que está sendo seguido.

Vocês, assim como a maioria de nós, refletem no outro suas próprias expectativas, que por vezes vão de encontro à cultura do outro.

Não precisamos olhar no horizonte para ver isso, basta observarmos no nosso grupo de Zap: quantas mulheres há e a diferença do perfil dos homens.

O Primeiro Comando da Capital é um grupo sexista e não existe tendência de mudar essa realidade, existem sim, exceções.

A Guerreira do Acre e a Marcola de Saias são exceções à regra

A história que vou contar é a da Guerreira do Acre.

Não é a primeira história desse tipo e certamente não será a última, mas creio que é um exemplo da culturareal do PCC, que difere de nosso imaginário.

Ela lutou por sua família de sangue e pela Família 1533, acabou sendo perseguida e, em certo momento, nunca mais tive notícias dela.

Admirei a coragem dessa mulher que, possivelmente, nunca saberei se conseguiu sobreviver.

O Primeiro Comando da Capital na época era outro

A facção PCC 1533 investia pesado em ajuda aos guerreiros por mais isolados que estivessem.

Eu, na época, participava de diversos grupos de WhatsApp de “responsa” da facção, e de lá assisti a diversas “movimentações de tropas e armas”.

Foi assim para fortalecer os Amigos dos Amigos (ADA) no Rio de Janeiro, os Guardiões do Estado (GDE) no Ceará, e a Guerreira do Acre.

Hoje vemos a organização criminosa deixando crias para trás isoladas em diversos recantos do país para se focar no lucro seguro.

Esse meu comentário não deve ser entendido como uma crítica, mas como fruto de uma análise dos fatos, e posso estar errado.

Mudança na cultura do Primeiro Comando da Capital

Mas, ao contrário do que vocês possam pensar, a mudança que esperam vai de encontro à cultura da organização da facção paulista 1533.

Hamilton Pozo, com quem tive aula na faculdade, afirmava que uma mudança cultural em uma organização ou sociedade precisaria de 50 anos para se consolidar.

Não é fácil mudar a mentalidade de um grupo social, especialmente quando ela está enraizada em uma cultura que valoriza mais a sexualidade do que o lucro e os direitos humanos.

O imaginário do mundo do crime gira em torno da sexualização tanto do homem quanto da mulher, tornando o estereótipo como regra.

Vocês dois presenciaram ontem, no nosso grupo de Zap uma demonstração no caso do homem que queria contratar alguém para matar a própria mulher.

Sexo, armas e drogas

Nos próximos dias, atendendo a vocês, abordarei aqui no site a questão da sexualidade na facção Primeiro Comando da Capital.

Independente do que pensemos, eu, vocês ou um “cria do 15” do norte de Roraima, nós devemos continuar lutando por aquilo que acreditamos.

Assim como a Guerreira do Acre que lutou por sua causa, que lutou por sua família de sangue, que lutou pela Família 1533.

É isso que nos faz crescer e evoluir como seres humanos. Espero que essa história os inspire a continuar lutando e a não desistir de seus ideais.

o texto a seguir foi publicado neste site em 28 de janeiro de 2018 e na época eu utilizava base acadêmica para meus textos

A acadêmica de Roraima e a guerreira do PCC do Acre

É possível levar a sério um artigo acadêmico sobre a violência e a criminalidade urbana em um estado que é só selva?

E se eu disser ainda que foi escrito por uma mulher?

Este é o caso de Retratos da Violência Urbana e da Criminalidade em Boa Vista — Roraima: A capital mais setentrional do Brasil, de Janaine Voltolini de Oliveira.

Nossa! Me senti agora como Monteiro Lobato!

Você já leu o livro Éramos Seis, de Maria José Dupré?

Quem prefaciou a obra foi ninguém menos que Monteiro Lobato, ícone de nossa literatura e responsável por parte da formação cultural de nossa nação.

Nesse prefácio, Lobato não teve vergonha em contar que recebeu de seu editor o original do livro de Dupré que narrava a vida de uma mulher e de seus filhos, desde nasceram até a fase adulta, e ele inicialmente se recusou a ler a obra, pois tinha sido escrita por uma mulher e a premissa era ridícula.

Monteiro Lobato, eu e nossa misoginia

Após muita insistência do editor, Monteiro Lobato, acabou lendo e se apaixonando pelo trabalho da autora (assim como eu).

Janaine não é Dupré e eu muito menos sou Lobato, mas Dupré não podia prever que Lobato não iria querer lê-la por ser mulher, e Lobato não poderia prever que em cinquenta anos sua obra quase seria proibida por ser sexista e racista.

Assim como Janaine não poderia prever que um leitor se referiria ao seu trabalho dessa forma:

E se eu disser ainda que foi escrito por uma mulher?

A violência e o empoderamento da mulher

O artigo publicado na Revista de Ciências Sociais da UNESP faz uma avaliação do quadro de violência em Roraima e analisa seus números, apresentando as possíveis causas e soluções para o problema.

É um bom resumo do que acontece por lá e um facilitador para quem quer fazer uma análise rápida, mas não profunda, da situação do estado.

A questão da mulher me chamou a atenção assim que peguei o trabalho de Janaine — pensei em criar uma cota para a produção masculina nesse site, pois quase todos os trabalhos que fiz no último mês foram produzidos por mulheres ou cujo assunto eram as mulheres dentro da hierarquia do PCC.

Não acredito no acaso, e muito menos duvido dele.

A pesquisadora demonstra no artigo o aumento brutal do número de mulheres assassinadas — o Mapa da Violência 2015 denunciou o aumento de 500% da quantidade de homicídios de mulheres em Roraima em relação aos anos de 2003 a 2013.

Os números são o resultado do aumento da presença das mulheres, que estão dominando cada vez mais todas as áreas.

Uma escreve e outra derrama sangue

Quando Janaine escreveu o artigo, não poderia prever que trouxesse, a um de seus leitores, a lembrança de maneira tão viva de uma irmã ou companheira do PCC, que teve seu áudio viralizado um pouco antes dos ataques ocorridos no início de agosto de 2017 em Rio Branco:

Aqui o bagulho tá feio mesmo. Eu sou do Acre, só que os irmãos não estão muito unidos não. Mataram meus companheiros lá.

Até perder meu filho já perdi.

Tudo por causa dessa guerra. Agora os irmãos tem que tomar atitude aí.

Tem Irmão encurralado aí. Tem que ajudar Irmão.

Guerreira do Acre

Na voz, uma mulher, fiel de sangue ao Primeiro Comando da Capital, e seu pedido de apoio que mobilizou soldados e recursos da facção de diversas partes do Brasil.

A situação que estava quente, ferveu, sendo necessária uma operação de guerra envolvendo o governo estadual e federal para conter a situação.

A mulher conquistando o direito de matar e morrer

Monteiro Lobato teria que se conformar: a mulher conquistou seu lugar na sociedade, e hoje elas já escrevem tanto quanto os homens sobre a questão criminal, e com o incremento em torno de 1,5% ao mês do número de integrantes femininas nas facções.

Dentro de cinco anos elas possivelmente já estarão em pé de igualdade com os homens.

Eu não vou esperar tanto tempo para parabenizar as mulheres que conquistaram o direito de morrer como se fossem homem. Mary Wollstonecraft e Nísia Floresta devem estar muito satisfeitas com as conquistas das mulheres neste século.

Vídeo da execução de uma integrante do Bonde dos 13 do Acre (B13)

Entrevista do Marcola para o Globo é falsa, mas continua atual

Entrevista do Marcola foi uma criação do articulista Arnaldo Jabor para o jornal O Globo em 2006, no entanto, passados 17 anos ainda repercute

Entrevista do Marcola é citada por deputado na Argentina

Carlos del Frade é conhecido por investigar o tráfico de drogas em Santa Fé, e como especialista foi entrevistado pelo programa Crimen y Misterio.

Frade é jornalista, escritor e deputado provincial pela Frente Social y Popular (FSP) e citou na edição de ontem uma suposta frase dita por Marcola.

Segundo o parlamentar argentino, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, seria o chefe do Primeiro Comando da Capital e teria afirmado que:

…. a única forma que eles têm de nos vencer é dando trabalho, educação, alegria, cultura e esporte.

Não me lembro dessa afirmação de Marcola, e creio ser algum tipo de alteração na famosa entrevista falsa de Marcola para O Globo.

No entanto, independente de ser ou não dele esta frase, o fato é que o mito Marcola continua forte dentro e fora do Brasil

artigo base no El Confidencial Online: El legislador santafesino termina nombrando lo dicho por Marcol, máximo líder del Primer Comando de la Capital que dijo: la única manera que tienen de ganarnos es dando trabajo, educación, alegría, cultura, y deporte.

Entrevista do Marcola é citada por site no Paraguai

Em janeiro de 2017, estava correndo na internet uma suposta entrevista que o Marcola teria dado à Globo.

Na realidade, a falsa entrevista era uma criação do articulista Arnaldo Jabor e de quando em quando volta a viralizar.

A diferença desta vez é que, a entrevista corria o mundo como sendo verdadeira, e um dos sites que reproduziu como sendo uma entrevista verdadeira foi o Moopio.com

O site paraguaio deve ter percebido o erro e já retirou o artigo:

Así piensa ‘Marcola’, el ‘capo’ del PCC

A entrevista produzida por Arnaldo Jabor para O Globo

Eu trago aqui para quem ainda não leu a reportagem no original, se bem que acho que todos já conhecem:

Entrevista com Marcola para O Globo, capa do jornal da época.

Estamos todos no inferno.
Não há solução, pois não conhecemos nem o problema.

O GLOBO: Você é do PCC?

Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos.

Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… e antigamente era mole resolver o problema da miséria…

O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram?

Nada.

O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós?

Nós só apareciamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas…

Agora, estamos ricos com a multinacional do pó, e vocês estão morrendo de medo…

Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu?

Sou culto… leio Dante na prisão…

O GLOBO: Mas… a solução seria…

Solução? Não há mais solução, cara…

A própria ideia de “solução” já é um erro.

Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio?

Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo?

Solução como?

Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições.

Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…).

E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país.

Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: Você não tem medo de morrer?

Vocês é que têm medo de morrer, eu não.

Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. nós somos homens-bomba.

Na favela tem cem mil homens-bomba… estamos no centro do Insolúvel, mesmo…

Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.

Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês.

A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… a morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala…

Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”?

Pois é: chegamos, somos nós!

Há, há!

Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né?

Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país.

Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados.

Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomado nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade.

Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”?

Pois é. É outra língua.

Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso.

A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas.

É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O GLOBO: O que mudou nas periferias?

Grana. A gente hoje tem.

Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda?

Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado?

Somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”…

Há, há…

Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes.

Nós temos métodos ágeis de gestão.

Vocês são lentos e burocráticos.

Nós lutamos em terreno próprio.

Vocês, em terra estranha.

Nós não tememos a morte.

Vocês morrem de medo.

Nós estamos bem armados.

Vocês vão de três-oitão.

Nós estamos no ataque.

Vocês, na defesa.

Vocês têm mania de humanismo.

Nós somos cruéis, sem piedade.

Vocês nos transformam em superstars do crime.

Nós fazemos vocês de palhaços.

Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados.

Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produtos vêm de fora, somos globais.

Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses.

Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

O GLOBO: Mas o que devemos fazer?

Vou dar um toque, mesmo contra mim.

Peguem os barões do pó!

Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas.

Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana?

Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas…

O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas.

O Exército vai lutar contra o PCC e o CV?

Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”.

Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas…

A gente já tem até foguete antitanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí…

Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas…

Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

O GLOBO: Mas… não haveria solução?

Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”.

Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência.

Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel.

Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela.

Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê?

Porque vocês não entendem nem a extensão do problema.

Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!”, ou seja, “Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno”.

publicado originalmente neste site em 1º de janeiro de 2017

Como me matar? Matador de aluguel da facção PCC 1533!

Como me matar? Talvez contratar um matador de aluguel do Primeiro Comando da Capital! Se chegou a essa conclusão, esse texto é para você!

Como me matar? — o PCC seria a solução mais segura?

Há alguns anos, publiquei um artigo sobre um site que oferecia contratos de matadores de aluguel on-line

Na época, demonstrei que o tal site era formado, não por matadores do PCC, mas por golpistas que usavam o nome da facção.

Nunca matariam nenhum inimigo ou desafeto, assim como não resolveriam a questão de quem se perguntava: Como me matar!

Golpe simples. Era como tirar doce de uma criança.

Acreditanto estar em contato direto com matadores de aluguel da poderosa organização criminosa Primeiro Comando da Capital

O contratante acertava pelo site quem deveria morrer e cobravam algum valor para deslocamento para investigar o alvo.

Enquanto isso, coletavam dados do interessado e da vítima, cobrando pequenos valores referente às campanas.

Quando o contratente dava conta que o serviço não seria feito e ameaçava desistir, os tais matadores passavam a extorquir o cliente.

Afirmavam que denunciariam à polícia e à pessoa que seria a vítima do homicídio encaminhando os prints das conversas.

Se a pessoa começava a pagar o suborno, ficava na mão da quadrilha até tirarem a última gota de sangue.

Como me matar> um pedido de ajuda

Encomendando a própria morte

Para resolver a questão, de “como me matar?”, o grupo agia de outra forma, a quadrilha chegava com toda a empatia.

Eram gentis e se aproximavam, mas no final o final era o mesmo: sequestro e extorsão.

Quando fiz a denúncia, os tais matadores de aluguel me procuraram, ameaçando de morte, afinal, eram matadores profissionais!

Pois é. Ainda estou aqui e o tal site não existe mais.

O tempo se passou, no entanto, todos os dias recebo mensagem de alguém que quer contratar um matador de aluguel através desse site.

E não se passa uma semana sem que eu receba um pedido de alguém querendo pagar para ter sua própria vida tirada.

Fico profundamente entristecido ao receber esses pedidos de pessoas que procuram contratar seus próprios assassinatos.

É uma tragédia que alguém sinta que a única opção para escapar da dor e do sofrimento é tirar a própria vida.

Quanto mais, em uma situação já tão difícil, ainda sofrer extorsão.

Me procurando para contratar sua própria morte

Como você deve saber, eu tenho experiência em atuar em casos complexos, mas a questão do suicídio é uma das mais difíceis que enfrento.

É uma situação delicada e desafiadora que requer cuidado, compaixão e uma compreensão profunda das causas e consequências do suicídio.

Eu sei que muitas vezes as pessoas que procuram contratar seus próprios assassinatos estão passando por momentos de profunda tristeza, depressão e desesperança.

O Primeiro Comando da Capital é formado por criminosos de todos os tipos. Existem os que aceitariam e cumpririam o contrato e os que apenas extorquiriam o contratante.

Não contrate matador de aluguel pela internet

Quando me procuram no WhatsApp do site, informo que a pessoa que busca contratar alguém pela internet cairá fatalmente em um golpe e aconselho a procurar o Centro de Valorização da Vida.

Por fim, gostaria de alertar as pessoas que resolveram a procuram contratar seus próprios assassinatos pela internet que desistam desse perigoso caminho.

Infelizmente, há muitos golpes sendo perpetrados por pessoas inescrupulosas que se aproveitam do desespero das pessoas para ganhar dinheiro.

Não caia nessa armadilha e, em vez disso, busque ajuda de uma fonte confiável.

Com todo o meu coração, espero que aqueles que estão enfrentando momentos difíceis encontrem força e esperança para superar seus desafios.

Lembre-se de que você não está só e que há sempre pessoas que se importam e querem ajudar.

Talarico é só rajada: PCC mata para fugir do Tribunal do Crime

Caso real: acusado de ser talarico, matou o acusador, ganhou moral na organização criminosa Primeiro Comando da Capital e assumiu liderança.

Talarico: Quando o envolvido tenta induzir a companheira de outro integrante e não é correspondido, usa de meios como, mensagens, ligações, ou gestos. Punição: exclusão sem retorno, fica a cobrança a critério do prejudicado e é analisado pela Sintonia. — Dicionário da facção PCC 1533

Talarico é uma palavra que carrega peso no submundo do crime, em especial dentro da organização do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Infringir esse código moral pode significar uma sentença de morte, sancionada pela própria organização. Neste contexto complexo e tenso, convido você a ler mais sobre as nuances e as ramificações deste conceito no mundo criminoso.

Após a leitura, e passado o carrossel de matérias relacionadas, você encontrará uma série de análises feitas por Inteligência Artificial sobre o texto e os temas tratados. Sinta-se à vontade para comentar, curtir e compartilhar em suas redes sociais.

Talarico é só rajada, e Lelé sabia disso.

O talarico de onde estava, podia contemplar a sinistra beira do precipício, o qual seria seu destino final.

Cada passo dado pelo pobre coitado o aproximava cada vez mais da sua derradeira sentença. A realidade macabra se impunha sem piedade.

O infeliz Lelé, um sujeito de Mirassol D’Oeste, no Mato Grosso, já havia enfrentado inúmeros momentos de tensão em seus trinta anos de existência.

Mas, Lelé confiava em sua astúcia para salvá-lo do juízo final. A facção criminosa PCC 1533 não colocaria os seus olhos nele.

Além disso, ele sabia como ninguém como lidar com as regras do Primeiro Comando da Capital — no mundo do crime ele nadava com um peixe na água.

Não seria graças às acusações feitas por um tal de Beleza que ele morreria.

Primeiro ele precisaria estar sempre um passo à frente do inimigo e usar táticas que possam desestabilizar sua influência ou elimaná-la.

O uso de agentes infiltrados

E foi assim, com uma informação recebida de um chegado seu no lava-jato de propriedade do o impiedoso Disciplina irmão Narizinho, que soube que Beleza marcara um encontro para entregá-lo ao Tribunal do Crime do PCC.

Analisou qual o ponto mais fraco para agir. Jamais poderia se contrapor ao irmão Disciplina ou ao Tribunal do Crime. O ponto fraco era justamente o acusador: o Beleza.

O motivo do medo de Lelé

As aventuras amorosas do infeliz com mulheres casadas, uma ofensa que a lei do PCC punia com severidade.

A talaricagem é o primeiro dos 45 mandamentos da organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

1. Ato de Talarico:
Quando o envolvido tenta induzir a companheira de outro e não é correspondido, usa de meios como, mensagens, ligações, ou gestos.
Punição: exclusão sem retorno, fica a cobrança a critério do prejudicado e é analisado pela Sintonia.

Dicionário do Primeiro Comando da Capital

Lelé, contudo, não assistiria de braços cruzados à sua própria queda, empurrado pelas mãos vingativas de Beleza por uma questão pessoal: Lelé se engraçou com a filha de Beleza.

Mostraria a Beleza que com ele não se brinca… no entanto, sabia que não poderia fazer o serviço ele mesmo.

Gordão e Pezão eram homens de sua confiança, e chegaram para conversar com ele no sobrado de blocos vermelhos de esquina, localizado no Portal do Éden em Itu.

Tudo foi acertado. Beleza nunca falaria com o Disciplina da Facção PCC. Beleza nunca mais falaria.

De talarico à líder da facção PCC

Uma semana depois, a notícia da morte de Beleza na Cidade Nova se espalhou rapidamente pelo submundo do crime.

Lelé estava a salvo e ninguém mais iria denunciá-lo ao Primeiro Comando da Capital.

No mundo do crime, apenas os mais fortes sobrevivem e Lelé havia provado ser um lobo em pele de cordeiro.

A partir daquele dia, Lelé ganhou o respeito de seus pares no mundo do crime e passou a ser temido e respeitado.

Ele sabia que teria que continuar a jogar sujo e a pisar em quem fosse necessário para manter seu lugar na hierarquia.

Mas ele estava pronto para isso, afinal, no submundo do crime, só os mais fortes sobrevivem.

história postada originalmente nesse site em 16 de agosto de 2011

O Primeiro Comando da Capital não é para os fracos

Você pode ficar indignado com Lelé e achar impossível que ele tenha assumido a Sintonia da quebrada depois do que ocorreu, mas a vida é assim.

Para o mundo do crime, aquele homem, talarico ou não, reunia algumas características essenciais para liderar criminosos:

Astúcia: Lelé é descrito como um homem astuto, que já enfrentou inúmeros momentos de tensão ao longo de sua vida. Essa habilidade de lidar com situações difíceis sugere que ele tem um bom grau de inteligência e sagacidade.

Autoconfiança: Lelé mostra uma forte autoconfiança em sua capacidade de lidar com as situações de perigo e proteger a si mesmo. Isso é evidente em sua decisão de buscar ajuda para se proteger contra Beleza e na forma como ele resolve seus problemas.

Vingança: Lelé não é um homem que se contenta em ser passivo diante de ameaças. Ele mostra uma forte tendência para buscar vingança quando se sente ameaçado. Isso é evidente em sua decisão de matar Beleza depois de descobrir que ele estava tentando entregá-lo à facção criminosa.

Ambição: Lelé parece ser ambicioso em seu desejo de se estabelecer no mundo do crime. Ele está disposto a fazer o que for preciso para manter seu lugar na hierarquia e ganhar respeito entre seus pares. Isso é sugerido pela forma como ele joga sujo e pisa em quem for necessário para manter sua posição.

Falta de empatia: Lelé parece não ter empatia por aqueles que cruzam seu caminho ou que ele considera uma ameaça. Ele não hesita em tomar medidas extremas para se proteger, mesmo que isso signifique matar alguém.

O segredo do sucesso da facção PCC 1533

Pode rir, ri, mas não desacredita não

Conhecidos meus diziam que o Primeiro Comando da Capital era um grupo violento de criminosos semi-analfabetos.

Verdade, mas não são os bancos escolares que ensinam as coisas mais importantes da vida, e a vida não é para os fracos.

A guerra na qual os PCCs vivem exige estratégia, tática e habilidade para se obter a vitória.

Apesar de o caso de Lelé e o PCC não envolver uma guerra convencional, ainda é possível avaliar esse caso segundo um conceito estratégico.

Aimportância de conhecer o seu inimigo

No caso de Lelé e o PCC, é importante entender as motivações e estratégias do PCC para poder lidar com ele de forma eficaz.

Isso pode incluir a análise da hierarquia e estrutura da facção paulista, suas redes de comunicação e sua presença geográfica.

Qual teria sido o melhor resultado para a organização criminosa na região da Cidade Nova / Portal do Éden em Itu?

Punir o talarico Lelé e cumprir o seu principal mandamento, ou dar um cargo de liderança para o perigoso e respeitado Lelé?

a importância da flexibilidade e da adaptabilidade

Isso significa que, em vez de adotar uma estratégia fixa e inflexível, é preciso estar preparado para se adaptar às mudanças nas circunstâncias e no comportamento do inimigo.

No caso de Lelé e a organização criminosa, isso pode significar estar sempre vigilante e preparado para se adaptar a novas ameaças e táticas, e ele pareceu por sua atitude capaz desse desafio.

aproveitar as oportunidades e explorar as fraquezas do inimigo

Isso pode envolver o uso de táticas como a criação de armadilhas, a divisão do inimigo ou a exploração de conflitos internos no grupo.

No caso de Lelé e a organização criminosa, ele soube explorar as fraquezas e divisões internas dentro do PCC.

Lelé utilizou seus contatos e sua influência na facção para desestabilizar o grupo que queria sua punição e enfraquecer sua influência.

Análises da AI do artigo: Talarico é só rajada: PCC mata para fugir do Tribunal do Crime

Teses defendidas pelo autor do texto e Contrateses:

O texto retrata uma visão muito específica do mundo do crime organizado, especificamente do Primeiro Comando da Capital, e dos elementos que contribuem para o sucesso ou fracasso dos indivíduos nesse contexto. O personagem central, Lelé, serve como uma lente através da qual vários aspectos do funcionamento do PCC e das características necessárias para sobreviver nesse ambiente são explorados.

Teses Defendidas Pelo Autor do Texto:
  1. Astúcia e Adaptabilidade como Virtudes Criminais: O autor sugere que a inteligência tática e a capacidade de adaptação são essenciais para sobreviver e prosperar no mundo do crime. Lelé é descrito como um indivíduo extremamente astuto que sabe como manobrar dentro das complexidades do PCC.
  2. Moralidade Flexível: O autor argumenta implicitamente que, nesse universo, a moralidade é flexível e depende do contexto. Lelé sobrevive não porque é moralmente superior, mas porque é mais esperto e implacável.
  3. Hierarquia e Regras: Há uma forte ênfase na existência de uma hierarquia e de regras rígidas dentro do PCC, como o mandamento contra a “talaricagem”. O autor sugere que conhecer e saber manipular essas regras pode ser uma questão de vida ou morte.
  4. Importância do Respeito e do Medo: A história de Lelé sugere que respeito e medo são recursos valiosos no mundo do crime. Após eliminar Beleza, Lelé ganha respeito e solidifica seu lugar na hierarquia do crime.
  5. A Vida Não é para os Fracos: A narrativa propõe que o mundo do crime é um ambiente darwiniano, onde apenas os mais fortes (ou mais espertos) sobrevivem.
Contra-Argumentos às Teses:
  1. Astúcia e Adaptabilidade: Embora essas características sejam importantes, elas não garantem a sobrevivência em um ambiente tão volátil e perigoso. Fatores como sorte, circunstâncias e conexões externas também podem ser cruciais.
  2. Moralidade Flexível: Este ponto pode ser problemático porque minimiza as repercussões morais e éticas das ações dos personagens. Isso pode desumanizar os indivíduos envolvidos e ignorar o impacto mais amplo do crime organizado na sociedade.
  3. Hierarquia e Regras: A capacidade de Lelé de manipular as regras sugere que essas diretrizes não são tão infalíveis quanto parecem. Pode haver espaço para corrupção, favoritismo e ineficácia dentro da própria organização.
  4. Importância do Respeito e do Medo: Esses elementos são transitórios e podem ser perdidos devido a fatores fora do controle de um indivíduo. Confiar unicamente neles é perigoso.
  5. A Vida Não é para os Fracos: Este argumento pode ser visto como redutivo, ignorando as complexas redes de influência e poder que podem afetar a sorte de um indivíduo.

É importante mencionar que esta é uma análise literária e não deve ser interpretada como uma representação precisa da realidade do crime organizado ou do PCC. O texto serve mais como um estudo de caráter e um exame dos elementos que podem contribuir para o sucesso em um ambiente criminal específico, conforme retratado pelo autor.

Análise sob o prisma da Sociologia

O texto em questão é um rico material para uma análise sociológica sobre a cultura, estrutura e dinâmicas do mundo do crime organizado, mais especificamente o Primeiro Comando da Capital. Abaixo segue a análise baseada em diferentes ângulos sociológicos:

  1. Estrutura Social e Hierarquia
    O texto destaca a existência de uma estrutura hierárquica e de regras bem definidas dentro da facção criminosa. Lelé, que inicialmente se encontra em uma posição vulnerável devido à acusação de “talaricagem”, consegue subverter esta situação e ascender na hierarquia do grupo. Isso demonstra uma complexidade organizacional que vai além do estigma social frequentemente associado ao mundo do crime como desorganizado ou caótico.
  2. Capital Social
    Lelé não age sozinho; ele usa sua rede de contatos e aliados confiáveis, demonstrando a importância do capital social dentro da facção. Seu acesso a informações privilegiadas e a aliados dispostos a agir em seu favor representa um tipo de capital que ele pode mobilizar para seu benefício.
  3. Normas e Sanções
    O texto também apresenta o conceito de normas e sanções dentro do grupo. No caso do PCC, a “talaricagem” é vista como um crime sério, punido com severidade. Isso reflete uma moralidade própria e um sistema de leis internas, sinalizando aos membros o que é aceitável e o que não é.
  4. Poder e Autoridade
    A narrativa demonstra como o poder e a autoridade dentro do grupo não são estáticos, mas sim dinâmicos. Lelé é um exemplo de como a astúcia e a capacidade de se adaptar podem ser mais valorizadas do que o estrito cumprimento das regras da organização. Essa flexibilidade dentro da rigidez da estrutura sugere uma complexidade que muitas vezes é subestimada em análises externas do crime organizado.
  5. Mecanismos de Sobrevivência
    Lelé exibe uma série de qualidades—astúcia, falta de empatia, vingança, autoconfiança e ambição—que, embora moralmente questionáveis em uma sociedade convencional, são valorizadas dentro da lógica da sobrevivência no mundo do crime.
  6. Subcultura do Crime
    O texto destaca como a facção criminosa tem sua própria subcultura, com valores, códigos e linguagens que diferem significativamente da cultura dominante. Esse fenômeno pode ser entendido como uma forma de resistência ou de construção de identidade coletiva em um ambiente hostil.
  7. Estratégia e Tática
    O texto também ressalta a necessidade de estratégia e tática na guerra não convencional em que os membros do PCC se encontram. A narrativa sugere que o sucesso na vida criminal não é resultado do acaso ou da brutalidade, mas da aplicação inteligente de táticas e estratégias, incluindo o conhecimento profundo do inimigo e a flexibilidade para adaptar-se às circunstâncias.

O relato não apenas oferece uma visão sobre o funcionamento interno do PCC, mas também levanta questões importantes sobre a complexidade e a adaptabilidade das organizações criminosas, as quais, por vezes, refletem e até mesmo espelham as estruturas e dinâmicas do mundo legal.

Análise sob o prisma da teoria do comportamento criminoso

A análise do comportamento criminoso é uma subdisciplina das ciências sociais e da psicologia forense que busca entender os fatores subjacentes que levam os indivíduos a cometerem atos criminosos. Utilizando essa lente, podemos considerar alguns elementos centrais no relato fictício de Lelé e o ambiente do Primeiro Comando da Capital.

  1. Escolha Racional e Avaliação de Risco-Recompensa
    Na teoria do comportamento criminoso, muitas vezes assume-se que o criminoso é um ator racional que pesa os riscos e recompensas de uma ação antes de cometê-la. Lelé avalia cuidadosamente suas opções e escolhe um curso de ação que minimiza o risco para si mesmo enquanto maximiza a recompensa potencial, que, neste caso, é a preservação de sua vida e aumento de status dentro da facção.
  2. Pressão Social e Conformidade às Normas do Grupo
    O PCC tem um conjunto claro de regras e mandamentos que seus membros devem seguir. Neste ambiente, o comportamento criminoso não é apenas aceito, mas também reforçado pelas normas do grupo. Lelé sabe como “nadar” nesse sistema porque ele entende essas regras. Esta conformidade às normas do grupo é um fator importante na perpetuação do comportamento criminoso.
  3. Personalidade Anti-Social e Falta de Empatia
    O texto sugere que Lelé exibe características frequentemente associadas a personalidades anti-sociais, incluindo falta de empatia e disposição para manipular ou prejudicar outros para alcançar seus objetivos. A falta de empatia pode ser um traço que é tanto inato quanto moldado pelo ambiente social e pelas experiências de vida de um indivíduo.
  4. Hierarquia e Poder
    O mundo do crime, e especialmente organizações como o PCC, frequentemente tem uma hierarquia rigorosa. A ascensão nessa hierarquia pode exigir atos de violência e demonstrações de lealdade. Lelé está claramente consciente dessa dinâmica e age de acordo, primeiro ao eliminar a ameaça representada por Beleza e depois ao assumir uma posição de poder dentro do grupo.
  5. Situacionalismo
    Finalmente, a teoria do comportamento criminoso muitas vezes olha para os fatores situacionais que podem precipitar o crime. Lelé estava em uma situação de risco iminente de ser entregue ao “Tribunal do Crime” do PCC. Em resposta a essa situação, ele toma medidas extremas para neutralizar a ameaça.

O comportamento de Lelé, dentro do contexto fictício apresentado, é complexo e multifacetado, mas pode ser analisado eficazmente através da lente da teoria da análise do comportamento criminoso. Ele exibe racionalidade na avaliação de riscos, conformidade às normas sociais do seu grupo, traços de personalidade que são congruentes com comportamentos anti-sociais, e uma habilidade de adaptar-se a situações que exigem ações criminosas para a autopreservação e ascensão dentro da organização criminosa.

Análise sob o prisma da Antropologia

Ao analisar o texto fornecido sob um ponto de vista antropológico, alguns aspectos merecem atenção. Primeiramente, a antropologia muitas vezes examina microcosmos sociais para entender processos mais amplos de formação de comunidades, construção de identidades e regulação social. O texto apresenta um universo social bem específico, o do crime organizado representado pelo Primeiro Comando da Capital.

  1. Códigos Culturais e Normas Sociais
    A narrativa aborda a complexidade das normas sociais dentro da organização criminosa, destacando a noção de “talaricagem” como uma forma de violação dessas regras. Essas normas são internalizadas e respeitadas como códigos culturais não escritos, que guiam o comportamento dos membros e determinam sua inclusão ou exclusão. O termo “talarico”, por exemplo, tem significados muito específicos nesse contexto, representando uma infração grave dentro da cultura da organização.
  2. Estratégias de Sobrevivência e Mobilidade Social
    O texto também fala da mobilidade social dentro dessa organização criminosa, através do personagem Lelé. A escalada dele na hierarquia do PCC reflete não apenas suas habilidades pessoais, mas também como a organização valoriza traços como astúcia, vingança e falta de empatia como mecanismos de ascensão.
  3. O Individual e o Coletivo
    Lelé serve como um estudo de caso de como o individual e o coletivo interagem nesse ambiente específico. Ele tem que navegar um caminho cuidadoso entre seguir as regras da organização (o coletivo) e garantir sua própria sobrevivência (o individual). É uma interação delicada e sua habilidade de fazer isso de forma bem-sucedida fala volumes sobre o tipo de comportamento e características valorizadas dentro deste grupo social específico.
  4. Etnografia do Crime
    O texto também pode ser visto como uma forma de etnografia do crime, destacando as complexas relações de poder, regras sociais e códigos de comportamento que regulam essas comunidades. A antropologia, ao estudar grupos como esses, busca entender os sistemas de significado e a lógica interna que orienta suas ações, sem necessariamente fazer um julgamento moral.
  5. Espaço Geográfico e Social
    A menção a locais específicos como “Cidade Nova / Portal do Éden em Itu” e “Mirassol D’Oeste, no Mato Grosso”, sugere que o espaço geográfico também é um fator relevante. O território não é apenas um lugar físico, mas também um espaço social e culturalmente construído.

Em resumo, o texto oferece um olhar complexo sobre um mundo frequentemente marginalizado, revelando a complexidade e a estrutura subjacentes que regem as vidas dos que nele habitam. Isso tudo pode servir como um campo fértil para análises antropológicas sobre como as normas culturais são formadas, mantidas e transformadas, e como os indivíduos operam dentro dessas estruturas.

Análise sob o prisma factual e de precisão

O texto faz uso de diversos elementos factuais para contextualizar e dar credibilidade à narrativa. Ele cita regras específicas e mecanismos de funcionamento do PCC, como o “Tribunal do Crime” e os “45 mandamentos”, para conferir realismo à trama. No entanto, o texto é uma obra de ficção e, portanto, qualquer análise sobre a precisão dos eventos descritos deve levar isso em consideração.

Além disso, é crucial notar que o texto se desenvolve em torno de uma série de decisões e estratégias empregadas por Lelé para preservar seu lugar na facção criminosa e, eventualmente, subir na hierarquia. Ele demonstra uma profunda compreensão da psicologia dos indivíduos envolvidos, bem como das regras não escritas que governam o comportamento dentro deste tipo de organização. Isso sugere que a história tem um fundo de verdade na forma como o crime organizado realmente funciona, mesmo sendo uma narrativa fictícia.

O texto também reflete sobre as qualidades consideradas valiosas dentro dessa cultura criminal: astúcia, autoconfiança, propensão para a vingança, ambição e falta de empatia. Essas características são consistentes com o que se conhece sobre o comportamento de criminosos de alto nível em organizações ilícitas.

O texto fornece uma visão envolvente e tecnicamente informada sobre o funcionamento interno de uma facção criminosa. Ele faz uso de elementos realistas e factuais para criar uma história que parece crível, mesmo sendo uma obra de ficção. A partir de uma perspectiva de análise do comportamento criminoso, a história de Lelé serve como um estudo de caso interessante sobre como indivíduos dentro dessas organizações operam, adaptam-se e sobrevivem. Ele demonstra uma combinação de características pessoais e habilidades estratégicas que lhe permitem não apenas sobreviver, mas prosperar dentro de um ambiente extremamente hostil e competitivo.

Análise sob o prisma da filosofia

O texto apresenta uma visão profunda e até mesmo distópica da sobrevivência no mundo do crime organizado, focalizando na astúcia e adaptabilidade de Lelé como meios de ascender dentro da hierarquia da organização criminosa Primeiro Comando da Capital. Vários tópicos filosóficos podem ser abordados a partir desta narrativa.

  1. O Existencialismo e a Busca pela Autenticidade
    A vida de Lelé parece refletir elementos do existencialismo, um movimento filosófico que enfatiza a liberdade individual, a escolha e a responsabilidade pessoal. Lelé enfrenta um mundo sem significado intrínseco e o cria através de suas escolhas e ações. Ele é o arquiteto de seu destino, traçando seu caminho com base em sua própria moralidade, que é subjetiva e flui dos seus interesses e desejos.
  2. O Contratualismo Social e o Mundo do Crime
    O texto também traz à tona a ideia de um “contrato social” dentro do mundo do crime, semelhante ao conceito discutido por filósofos como Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau. No entanto, esse contrato social é pervertido. As regras do PCC servem como um conjunto de leis que visam manter a ordem e a hierarquia, mas não refletem necessariamente um senso comum de bem e justiça.
  3. A Natureza Humana e o “Homo Homini Lupus”
    O texto reforça a ideia de que, em determinadas circunstâncias, o ser humano pode tornar-se lobo para o próprio homem, ecoando a famosa frase de Thomas Hobbes: “Homo homini lupus”. Lelé revela sua verdadeira natureza não como um “cordeiro”, mas como um “lobo”, pronto para devorar qualquer um que se coloque em seu caminho para a autoconservação e ascensão.
  4. O Fatalismo e o Determinismo
    Por fim, o texto sugere um ambiente de fatalismo ou determinismo. Lelé, apesar de suas ações, talvez nunca escape realmente do mundo em que vive. Ele pode ter evitado um destino, mas isso o leva a outro, potencialmente igualmente perigoso. Nesse sentido, sua liberdade é ilusória, aprisionada dentro das barreiras invisíveis de um ambiente social e cultural que limita suas opções e escolhas.

O texto é rico em camadas de significado e pode ser analisado de várias perspectivas filosóficas. O ambiente complexo e moralmente ambíguo em que Lelé opera oferece uma lente através da qual se pode examinar questões mais amplas sobre a condição humana, a moralidade, a liberdade e o destino.

Análise sob o prisma político

O texto em questão descreve uma narrativa dentro do mundo do crime, focalizando-se na ascensão de Lelé, um homem que, apesar de violar regras intrínsecas da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, consegue subir na hierarquia desta. Embora o texto possa ser lido como um relato fictício ou como parte de uma crônica, o pano de fundo é altamente político em natureza. Aqui, a política não se restringe aos processos governamentais ou institucionais, mas estende-se à governança e ao controle social exercidos por organizações não-estatais, como o PCC.

  1. Conceito de Poder: O texto apresenta uma representação complexa do poder. Lelé desafia as regras formais da organização, mas não é apenas punido; em vez disso, ele adquire mais poder. Isso coloca questões sobre como o poder é construído e mantido dentro de tais organizações e como isso reflete ou contrasta com estruturas de poder mais tradicionais na sociedade.
  2. Justiça Paralela: O ‘Tribunal do Crime’ do PCC e o sistema de ‘mandamentos’ exemplificam uma forma de justiça paralela que opera fora do sistema judicial estabelecido. Essa realidade lança luz sobre a falha do Estado em manter o monopólio sobre o uso legítimo da força e a administração da justiça, permitindo que tais organizações preencham o vácuo.
  3. Economia Política do Crime: Lelé não atua isoladamente; ele é parte de uma economia criminosa maior que inclui uma variedade de atores, desde “Gordão e Pezão” até o “irmão Disciplina”. Isso aponta para uma estrutura organizacional que vai além do individualismo e requer uma análise política.
  4. Flexibilidade e Adaptabilidade como Estratégias Políticas: O texto também fala sobre a importância da flexibilidade e adaptabilidade, traços que são valiosos tanto em política convencional quanto na clandestina. Lelé é mostrado como alguém capaz de se adaptar às circunstâncias, o que eventualmente lhe confere uma vantagem política dentro da organização.
  5. Questões de Moralidade e Ética: A narrativa questiona os conceitos convencionais de certo e errado, ao mostrar que, dentro desse contexto específico, ações moralmente questionáveis podem resultar em ascensão social e respeito. Isso sugere que a ética e a moralidade são relativas e contextualmente determinadas, algo frequentemente explorado em debates políticos.
  6. Sociedade e Crime: Finalmente, o texto também pode ser visto como uma crítica da sociedade que permite a existência de tais organizações, levantando questões sobre desigualdade social, falha institucional e a complexa relação entre legalidade e legitimidade.

O texto não apenas descreve a ascensão de um indivíduo dentro de uma organização criminosa, mas também provoca reflexões sobre a natureza do poder, da justiça e da governança em espaços onde o Estado é ausente ou ineficaz. Esses são temas intrinsecamente políticos que exigem uma análise mais profunda.

Análise sob o prisma ético e moral

O texto apresentado traz uma narrativa dramática em torno de personagens envolvidos com atividades criminosas, especificamente dentro da organização Primeiro Comando da Capital. A história aborda temas como lealdade, traição, violência e sobrevivência dentro de um ambiente hostil e regulado por suas próprias leis e hierarquias. Vou analisar o texto sob os pontos de vista ético e moral.

Análise Ética

  1. Violação de Princípios Universais: Do ponto de vista ético, a narrativa apresenta múltiplas transgressões de princípios universais como o respeito à vida, à dignidade humana e à justiça. Há um clima de ‘lei do mais forte’, onde o poder é exercido à custa da opressão e violência.
  2. Relativismo Moral Interno: A narrativa revela uma moral interna ao grupo, onde há regras claras (como os 45 mandamentos do PCC). No entanto, essas regras são ética e legalmente questionáveis, pois incitam violência e retribuição em vez de justiça.
  3. Consequencialismo: Lelé, o personagem principal, opera sob um sistema ético fortemente consequencialista. Ele toma decisões baseadas no que beneficiará sua própria posição dentro da organização, mesmo que isso implique em atos de violência extrema.

Análise Moral

  1. Normas e Valores do Submundo: No contexto do mundo criminoso em que Lelé está inserido, ele é retratado como alguém ‘forte’ e ‘astuto’. Seus atos, embora moralmente repreensíveis do ponto de vista da sociedade em geral, são valorizados dentro dessa subcultura.
  2. Questão da Lealdade e Traição: Lelé enfrenta dilemas morais específicos, como a lealdade ao grupo versus a autopreservação. A ‘talaricagem’, por exemplo, é vista como um ato grave de deslealdade, punível de acordo com as regras do grupo.
  3. Desumanização e Falta de Empatia: A narrativa também explora a falta de empatia e a desumanização como traços valorizados nesse ambiente. Isso é evidente quando Lelé toma a decisão de eliminar Beleza para se proteger.
  4. Contraste com a Moral Socialmente Aceitável: O texto faz um esforço em mostrar que, mesmo dentro de um ambiente com normas e regras tão distintas, há um tipo de ordem e hierarquia que faz sentido para os envolvidos, ainda que completamente alheias ao que é socialmente aceitável.

Em suma, a narrativa se encontra em um espaço moral e ético alternativo, regido por princípios muito distintos daqueles que a sociedade em geral considera aceitáveis. Este é um espaço onde a ética da sobrevivência supera a ética da civilidade, e onde a moral é frequentemente flexionada para atender às necessidades ou desejos de poder e segurança individual. O texto, portanto, oferece uma visão perturbadora, mas elucidativa, de como funcionam as dinâmicas de poder e moralidade dentro de organizações criminosas.

Análise sob o Prisma da Cultura

O texto apresenta uma intrincada trama que aborda as complexas dinâmicas dentro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A partir de uma análise cultural, vários aspectos saltam à vista:

  1. Normas e Valores Culturais do PCC
    O texto mergulha na cultura do PCC, explorando seus códigos e regras internas. A “talaricagem”, por exemplo, é retratada como uma ofensa séria, alinhada com as regras da organização. Esse é um reflexo de como certas normas sociais podem ser reconfiguradas ou intensificadas em contextos específicos, como é o caso do mundo do crime organizado.
  2. Linguagem e Terminologia
    O texto utiliza um jargão específico que reflete o ambiente cultural do PCC e do submundo do crime. Termos como “Sintonia”, “Tribunal do Crime”, e “Disciplina” não são apenas títulos ou descrições, mas sim signos culturais que carregam significado e peso dentro dessa comunidade específica.
  3. Mobilidade Social Dentro da Organização
    O protagonista Lelé, através de sua astúcia e habilidades de sobrevivência, consegue ascender dentro da hierarquia do PCC. Isso sugere uma forma particular de mobilidade social dentro dessa cultura, baseada não em educação formal ou origem social, mas em astúcia, coragem e até mesmo brutalidade.

Em resumo, o texto oferece uma visão multifacetada e complexa da cultura do PCC, servindo como um microcosmo que exemplifica as regras, normas, e complexidades desse universo. A análise dessa narrativa através da lente cultural revela não apenas os códigos de conduta dentro dessa organização, mas também os modos de operação e sistemas de crença que sustentam tal subcultura.

Análise sob o prisma da psicologia

Para analisar o texto do ponto de vista psicológico, podemos abordar vários aspectos que caracterizam os personagens e as dinâmicas de poder e sobrevivência dentro da facção criminosa, o Primeiro Comando da Capital.

  1. Astúcia e Inteligência Emocional de Lelé: Lelé é retratado como um indivíduo que entende bem a dinâmica e as regras não escritas do mundo do crime. Ele é astuto e usa essa astúcia para manobrar pelas complexas estruturas do PCC. A inteligência emocional também desempenha um papel crucial aqui, ajudando-o a avaliar rapidamente as situações e as pessoas, permitindo que ele tome decisões que o mantenham vivo.
  2. Autoeficácia e Autoconfiança: Lelé confia em suas próprias habilidades para navegar por situações perigosas. Essa autoconfiança pode ser vista como uma forma de autoeficácia, que é a crença na própria capacidade de executar tarefas e alcançar metas. Esta é uma característica muitas vezes necessária em ambientes de alto risco e incerteza.
  3. Vingança e Agressão: O personagem de Lelé não é apenas um sobrevivente, mas também um predador no ecossistema do crime. Ele sente a necessidade de se vingar quando ameaçado, o que pode ser interpretado como um mecanismo de defesa agressivo para desencorajar futuras ameaças.
  4. Falta de Empatia e Moralidade Flexível: A falta de hesitação em tomar medidas extremas, como o homicídio, reflete uma falta de empatia e uma moralidade flexível que se adapta às necessidades da sobrevivência dentro do contexto criminoso.
  5. Ambição e Motivação para o Poder: Lelé é movido por uma vontade de subir na hierarquia do mundo do crime. Essa motivação extrínseca pode mascarar ou complementar outras necessidades psicológicas, como a busca por respeito, segurança ou mesmo um sentido distorcido de pertencimento.
  6. Adaptação e Flexibilidade: Lelé mostra uma capacidade de adaptar-se às circunstâncias. Esta é uma habilidade psicológica crucial em ambientes instáveis. A capacidade de mudar de tática e estratégia de acordo com a situação é um traço valioso que provavelmente contribui para sua sobrevivência e ascensão dentro do grupo.
  7. Uso Estratégico de Relações Sociais: Lelé utiliza suas relações dentro do grupo para obter informações e apoio. Ele entende o valor do capital social e o usa para sua vantagem.
  8. Pressão Social e Conformidade: Há um conjunto de regras e mandamentos dentro do PCC que todos os membros devem seguir. O medo de punição serve como um forte mecanismo de controle social que influencia o comportamento dos membros, incluindo Lelé.
  9. Realismo e Cognição Situacional: Finalmente, Lelé também demonstra uma percepção muito realista de seu ambiente, entendendo tanto suas limitações quanto suas oportunidades. Este é um aspecto crítico da cognição situacional, que é vital em cenários de alta pressão e risco.

Em resumo, o texto apresenta uma tapeçaria complexa de traços psicológicos, estratégias de sobrevivência e dinâmicas sociais que refletem a realidade brutal e complexa do mundo do crime organizado. Cada decisão feita pelos personagens pode ser vista como um cálculo cuidadoso para maximizar as chances de sobrevivência e poder dentro deste sistema perigoso e instável.

Análise sob o prisma Econômico

A narrativa pode ser analisada sob diversas óticas, incluindo a econômica. Aqui estão alguns pontos que ressaltam as implicações econômicas da história:

  1. Custos de Oportunidade: Lelé pondera os riscos e benefícios de suas ações em termos de sobrevivência e ascensão na hierarquia criminosa. Seu objetivo é maximizar seu próprio ‘lucro’, o que, neste contexto, pode ser a preservação da vida e a elevação de status. Isso envolve o cálculo econômico dos custos e benefícios de cada ação.
  2. Economia de Recursos: Lelé utiliza recursos disponíveis (seus contatos, informações e agentes de confiança como Gordão e Pezão) de forma eficiente para alcançar seus objetivos. Isso reflete uma gestão cuidadosa dos recursos, algo crucial em qualquer sistema econômico.
  3. Mercado de Informações: A informação é tratada como um bem valioso. Lelé recebe informações vitais de um contato no “lava-jato”, que o ajuda a tomar decisões informadas. Essa informação tem valor econômico dentro da narrativa, uma vez que pode significar a diferença entre vida e morte.
  4. Capital Social: Lelé possui um capital social considerável que ele emprega para evitar sua morte e até mesmo ascender na organização. Em termos econômicos, o capital social pode ser muito valioso e é muitas vezes crucial para o sucesso de empreendimentos e negociações.
  5. Análise de Risco: Lelé, conscientemente ou não, faz uma análise de risco ao considerar as consequências potenciais de suas ações. Ele decide que eliminar Beleza seria mais benéfico para ele do ponto de vista de risco e recompensa, algo que é frequentemente calculado em decisões econômicas.
  6. Sistemas de Incentivos: O PCC possui seus próprios sistemas de incentivos e punições, algo que também é característico de sistemas econômicos. O medo da punição e a esperança de recompensa (neste caso, a elevação na hierarquia da organização) são fortes incentivadores do comportamento de Lelé.
  7. Ajustamento de Estratégias: A flexibilidade e adaptabilidade mostradas por Lelé podem ser vistas como uma reação às “condições de mercado” em constante mudança dentro da facção criminosa. O ambiente é dinâmico e requer ajustes constantes, algo comum em economias complexas.
  8. Gestão de Marca e Reputação: Lelé busca ativamente melhorar sua “marca” dentro da organização. No mundo econômico, a marca e a reputação são ativos intangíveis mas extremamente valiosos.

Em resumo, a história de Lelé pode ser vista como um estudo de caso sobre como as decisões são tomadas em um ambiente com recursos limitados, informações incompletas e riscos elevados, temas que são essenciais em economia.

Análise sob o prisma da Segurança Pública

Do ponto de vista da Segurança Pública, o texto traz diversas questões preocupantes que merecem análise detalhada:

  1. Eficácia dos Órgãos de Segurança
    É alarmante que personagens como Lelé consigam operar com tanto grau de complexidade e eficiência dentro da estrutura criminosa, o que leva a questionar a eficácia dos órgãos de segurança em penetrar essas redes e desarticular suas atividades.
  2. Regras Paralelas e Justiça Própria
    A existência de um “Tribunal do Crime” e um código próprio (“os 45 mandamentos”) dentro da facção demonstra que estamos diante de um “Estado paralelo”, onde o grupo criminoso toma para si as funções de legislar, julgar e executar, funções estas que em uma sociedade democrática deveriam ser exclusivas do Estado. Isso mina a autoridade do sistema legal oficial e é uma ameaça direta ao Estado de Direito.
  3. Cultura de Violência
    O texto retrata a naturalização da violência, onde matar um rival é apenas mais um passo na consolidação do poder. Tal cultura não apenas perpetua o ciclo de violência, mas também torna mais desafiador o trabalho de reintegração social desses indivíduos.
  4. Inteligência e Estratégia Criminal
    O personagem Lelé demonstra um alto grau de astúcia e inteligência estratégica. Ele é adaptável e sabe explorar as fraquezas do inimigo, habilidades estas que o tornam um adversário difícil para as forças de segurança. Isso sublinha a necessidade de uma abordagem mais sofisticada por parte das autoridades, que deve incluir inteligência policial avançada e estratégias coordenadas para combater essas redes criminosas.
  5. Dilemas Éticos e Morais
    Por fim, o texto também levanta questões éticas e morais, como a aparente recompensa que o crime organizado oferece a indivíduos que são eficientes, mas imorais e desumanos. Isso cria um cenário onde as normas e valores sociais são invertidos, o que é particularmente problemático do ponto de vista da segurança e bem-estar públicos.

Em resumo, o texto evidencia a complexidade e a multi-dimensionalidade do desafio que o crime organizado representa para a segurança pública. Ele aponta para a necessidade de abordagens multidisciplinares que vão além da simples aplicação da força, exigindo um entendimento mais profundo dos aspectos sociais, psicológicos e estruturais que sustentam essas organizações criminosas.

Análise sob o Prisma Jurídico

Sob o ponto de vista jurídico, é crucial salientar que o texto aborda diversas condutas que seriam criminalmente puníveis sob a legislação brasileira. A seguir, destaco alguns pontos:

Aspectos Jurídicos Abordados no Texto:
  1. Associação Criminosa: O texto faz menção ao PCC como uma facção criminosa, o que poderia ensejar o crime de associação criminosa previsto no artigo 288 do Código Penal Brasileiro.
  2. Homicídio Qualificado: O enredo descreve a morte planejada de um indivíduo chamado Beleza, o que configura homicídio qualificado, dado o aspecto premeditado.
  3. Tráfico de Influência e Corrupção: Há também a sugestão de que Lelé utilizou contatos dentro da facção para se proteger, o que pode ser interpretado como tráfico de influência ou mesmo corrupção, dependendo das circunstâncias.
  4. Vigilantismo e Justiça Paralela: A existência de um “Tribunal do Crime” dentro da facção indica a prática de justiça paralela, o que é totalmente contrário aos princípios do Estado Democrático de Direito.
  5. Ameaça e Coação: A simples ameaça ao indivíduo chamado Beleza, antes de sua morte, também seria classificada como crime sob a lei brasileira.
  6. Regras e Mandamentos do PCC: O texto menciona o termo “talaricagem” como sendo um dos mandamentos do PCC. Do ponto de vista jurídico, a existência dessas “regras” internas pode ser usada como evidência de uma organização criminosa bem estruturada, o que pode levar a penas mais graves.
Análise Jurídica da Estrutura e Organização:

O texto apresenta uma estrutura hierárquica e organizacional da facção, mencionando cargos como “Sintonia” e “Disciplina”. Esse tipo de organização pode ser utilizado pelo sistema de justiça para qualificar a facção como organização criminosa, prevista na Lei n. 12.850/2013, o que leva a sanções mais severas.

Decisões Morais e Éticas versus Jurídicas:

O texto também levanta questões éticas, como a flexibilidade moral de Lelé em cometer atos violentos para ascender ou manter seu status. É importante sublinhar que, do ponto de vista jurídico, a motivação pessoal para cometer um crime geralmente não atenua a responsabilidade penal, salvo em circunstâncias muito específicas previstas em lei.

O Papel do Direito na Regulação da Ordem Social:

O texto em si pode ser visto como uma crítica ou exposição da falha do sistema jurídico em regular eficazmente a ordem social, levando à formação de ‘ordens’ e ‘leis’ paralelas dentro de grupos criminosos. Este é um aspecto que é objeto de estudos no campo da criminologia.

Em resumo, o texto apresenta uma narrativa que, se transposta para a realidade, envolveria múltiplas infrações ao Código Penal Brasileiro e à Lei de Organizações Criminosas. A descrição minuciosa dessas atividades ilícitas e da organização da facção pode fornecer uma visão detalhada que é tanto intrigante quanto perturbadora do ponto de vista jurídico.

Análise sob o prisma da Criminologia

  1. Regras e Hierarquia
    O PCC tem regras e hierarquias bem definidas. Lelé, ciente dessas regras, é representado como alguém que sabe como navegar no mundo do crime, demonstrando sua familiaridade com as leis internas e a estrutura da organização. A hierarquia e o respeito pelas regras parecem ser mecanismos de controle social dentro do grupo, reduzindo o caos e aumentando a eficácia da organização.
  2. Comportamento Desviante
    O ato de “talaricagem”, ou seja, o envolvimento com a parceira de outro membro, é considerado um grave delito dentro do PCC, sujeito a punições sérias. Lelé, portanto, não é apenas um criminoso em um sentido legal mais amplo; ele também é um desviante dentro das regras específicas do submundo em que opera.
  3. Táticas de Sobrevivência
    Lelé utiliza estratégias de sobrevivência que são típicas em organizações criminosas, como a obtenção de informações privilegiadas e o uso de agentes infiltrados. Ele também exibe traços de manipulação e estratégia ao identificar e explorar o ponto fraco de seu adversário, neste caso, Beleza, para neutralizá-lo.
  4. Punição e Vingança
    O desejo de vingança e a aplicação de punições são elementos intrínsecos ao funcionamento de muitas organizações criminosas. Nesse sentido, o ato de Lelé de eliminar Beleza não é apenas uma estratégia de sobrevivência pessoal, mas também um ato que se alinha com as normas de punição e retaliação do grupo.
  5. Liderança e Ascensão Social
    Apesar de suas falhas morais e desvios de conduta, Lelé é apresentado como um indivíduo que, por suas ações, ganha respeito e até uma forma de promoção dentro da estrutura do PCC. Isso ilustra uma forma distorcida de mobilidade social dentro da organização criminosa.
  6. Flexibilidade e Adaptabilidade
    A história também aponta para a importância da flexibilidade e adaptabilidade, tanto para o indivíduo quanto para a organização criminosa como um todo. O PCC, ao não punir Lelé e permitir sua ascensão, mostra um certo pragmatismo que pode ser vital para a sobrevivência e eficácia do grupo.

Em resumo, o texto oferece uma rica tapeçaria de elementos criminológicos que refletem tanto a complexidade dos indivíduos envolvidos quanto a da própria organização criminosa. Ele ilustra como traços psicológicos, táticos e sociais interagem dentro de um ambiente regido por suas próprias regras e normas, que, embora desviantes em relação à sociedade em geral, são rigorosamente aplicadas dentro desse submundo.

Análise sob o prisma Estratégico

Para entender a estratégia empregada por Lelé e a dinâmica do cenário descrito, é preciso considerar vários aspectos.

Estratégia de Lelé
  1. Conhecimento do Inimigo: Lelé conhece bem as regras e as estruturas do PCC. Ele não só entende as regras mas também sabe quem são os players envolvidos – Beleza, Disciplina e outros.
  2. Análise de Pontos Fracos: Ele identifica o ponto mais fraco da estrutura que o ameaça, que é Beleza, e não a estrutura do PCC em si, o que seria um alvo muito grande e perigoso para atacar.
  3. Uso de Informações e Recursos: Lelé usa informantes e recorre aos seus aliados Gordão e Pezão para agir contra Beleza de forma indireta.
  4. Adaptabilidade: O personagem mostra-se disposto a adaptar-se às mudanças e novos desafios, evidenciando uma flexibilidade estratégica.
Organização Criminosa e Seu Contexto Estratégico
  1. Hierarquia e Regras: O PCC tem uma hierarquia e um conjunto de regras bem definidos. Quem as desobedece está sujeito a punições severas. Porém, a organização também valoriza força, audácia e poder.
  2. Flexibilidade Estratégica: Em teoria, a organização deveria punir Lelé por desobedecer uma de suas regras fundamentais. No entanto, Lelé se prova útil e capaz, e isso parece oferecer a ele uma espécie de imunidade.

Então, se formos falar sobre o “melhor resultado” para o PCC na região da Cidade Nova / Portal do Éden em Itu, é uma questão debatível. Depende do que a organização valoriza mais: estrita adesão às regras ou a habilidade de manobrar com eficácia no submundo do crime. O texto sugere que o último pode, em certas circunstâncias, superar o primeiro.

Análise sob o prisma da Teoria da Carreira Criminal

A história ilustra diversas características e princípios que são geralmente estudados na teoria da carreira criminal, uma subárea da criminologia que examina o desenvolvimento de comportamentos criminosos ao longo da vida de um indivíduo.

Características e Decisões Pessoais na Carreira Criminal
  1. Astúcia: A história de Lelé sugere que ele é muito astuto e capaz de navegar pelos perigosos terrenos do mundo do crime. Na teoria da carreira criminal, esses traços podem ser vistos como ativos que permitem a alguém estabelecer e manter uma “carreira” bem-sucedida em atividades ilícitas.
  2. Autoconfiança e Habilidade de Autopreservação: Lelé também é retratado como alguém muito autoconfiante, capaz de se proteger. Isso está em conformidade com teorias que ressaltam a importância da autoeficácia e da habilidade de se adaptar a ambientes hostis na persistência de comportamentos criminosos.
  3. Vingança: A vingança é um fator que impulsiona Lelé a tomar medidas extremas, como matar seu acusador, Beleza. Este aspecto da história toca na teoria da carreira criminal ao ilustrar como motivações pessoais e emocionais podem influenciar a escalada de atividades criminosas.
  4. Ambição e Hierarquia: A história apresenta Lelé como uma pessoa ambiciosa que busca subir na hierarquia do PCC. A escalada na hierarquia é um elemento bem estudado na teoria da carreira criminal, pois reflete o nível de comprometimento do indivíduo com uma vida de atividades criminosas.
  5. Falta de Empatia: A falta de empatia de Lelé é outro traço que a literatura sobre carreiras criminais frequentemente associa a criminosos de longo prazo.
Contexto Organizacional e Adaptabilidade
  1. Conhecimento do Inimigo: Lelé sabe como o PCC funciona e como as decisões são tomadas dentro da organização. Ele usa esse conhecimento para sua vantagem, o que é uma característica da adaptabilidade, um traço frequentemente presente em carreiras criminosas bem-sucedidas.
  2. Flexibilidade e Adaptabilidade: Lelé mostra que está disposto a mudar suas estratégias conforme as circunstâncias exigem. Essa flexibilidade é outra característica que a teoria da carreira criminal identifica como crucial para a longevidade e sucesso em atividades criminosas.
  3. Exploração das Fraquezas do Inimigo: A habilidade de Lelé de identificar e explorar as fraquezas dentro da organização demonstra uma compreensão sofisticada de dinâmicas de grupo e poder, outro indicativo de uma carreira criminal bem-sucedida.

Em resumo, o caso de Lelé apresenta múltiplos elementos que são considerados na teoria da carreira criminal para entender como alguns indivíduos conseguem estabelecer e manter uma “carreira” em atividades ilícitas. Ele demonstra habilidades pessoais e adaptabilidade, bem como uma compreensão profunda do contexto organizacional em que opera, fatores que, segundo a teoria da carreira criminal, são fundamentais para o sucesso neste tipo de “carreira”.

Análise da Linguagem do Texto

Certamente o texto é uma narrativa rica em detalhes, contextos e personagens, refletindo a realidade complexa do mundo do crime organizado no Brasil, mais especificamente sobre o Primeiro Comando da Capital.

  1. Uso de Jargão e Termos Específicos
    O texto faz uso extensivo de termos e jargões específicos ao PCC e ao mundo do crime, como “Talarico”, “Sintonia”, “Tribunal do Crime” e “Disciplina”. Esse uso contextualiza o leitor na subcultura que está sendo apresentada e confere autenticidade à narrativa.
  2. Estilo e Tonalidade
    O estilo é narrativo, e o tom é sombrio e tenso. Isso é evidenciado pelo uso de adjetivos e descrições que invocam um sentimento de perigo e fatalidade (“sinistra beira do precipício”, “realidade macabra”). Há uma mistura de formalidade com coloquialismo que faz o texto parecer mais realista.
  3. Estrutura e Fluxo
    O texto segue uma estrutura que começa com um problema (Lelé sendo um “talarico” e, portanto, em perigo dentro do PCC), se desenvolve com um conflito (a decisão de eliminar Beleza para proteger-se) e termina com uma resolução (Lelé sai não apenas vivo mas também mais forte dentro da organização). Isso mantém o leitor engajado e cria uma narrativa completa com início, meio e fim.
  4. Perspectiva Narrativa
    O texto adota uma terceira pessoa que parece onisciente, oferecendo insights não apenas sobre a situação, mas também sobre os sentimentos e pensamentos de Lelé. Isso ajuda a criar uma conexão mais profunda com o personagem.
  5. Intertextualidade
    O texto faz referência a locais geográficos reais e potencialmente a figuras e estruturas conhecidas dentro do mundo do crime organizado. Isso pode criar um sentimento de realismo e urgência.
  6. Implicações Sociais e Morais
    Apesar de ser uma obra de ficção, o texto aborda questões muito reais sobre crime, ética e sobrevivência em ambientes hostis. Embora não glorifique o crime, não evita os elementos mais sombrios e imorais da vida de Lelé.

Em resumo, o texto faz um excelente trabalho ao mergulhar o leitor no mundo do crime organizado, usando uma linguagem e estilo apropriados para o tema. É uma janela para um universo muito específico, proporcionando não apenas entretenimento mas também uma reflexão sobre a complexidade do mundo que está retratando.

Análise do rítmo do texto

Analisar um texto a partir do ponto de vista do ritmo envolve observar elementos como pausas, velocidade, tensão, variação no uso de palavras, entre outros. O texto sobre Lelé e sua relação com o Primeiro Comando da Capital certamente possui um ritmo que emula a tensão e urgência do mundo criminoso em que está inserido.

  1. Começo e Definição do Contexto: O texto começa com frases curtas e informações concentradas, introduzindo rapidamente o ambiente e o personagem principal. Isso atua como um convite quase imediato à leitura.
  2. Construção da Tensão: O uso de palavras como “precipício”, “derradeira sentença”, “realidade macabra” e “sem piedade” ampliam a sensação de risco e urgência. A progressão da história, delineada em etapas bem definidas, contribui para a construção de uma narrativa tensa.
  3. Picos e Vales: O texto não é monótono; ele tem seus momentos de pico e seus vales. Por exemplo, a seção “O USO DE AGENTES INFILTRADOS” funciona como um pico, revelando um momento crucial. Logo após, temos uma espécie de vale onde o texto entra em uma análise mais detalhada dos traços de personalidade de Lelé.
  4. Uso de Terminologia Específica e Detalhes: A inserção do “Dicionário do Primeiro Comando da Capital” e o uso de nomenclaturas como “Sintonia”, “Tribunal do Crime” e outros termos técnicos do universo criminoso acrescentam profundidade e um tipo de realismo ao texto. Isso pode ser visto como uma mudança de ritmo, pois nos faz pausar e refletir sobre o contexto mais amplo.
  5. Conclusão e Reflexão: O texto termina com um tom quase filosófico, questionando as noções de força, sucesso e moralidade dentro do mundo do PCC. Isso age como um desacelerador do ritmo frenético estabelecido anteriormente, oferecendo ao leitor um momento para reflexão.
  6. Comentários Analíticos: O texto também faz uma pausa no seu ritmo narrativo para entrar em um modo mais analítico. Aqui, o texto avalia as características de Lelé que o tornam apto para sobreviver e prosperar dentro do mundo criminoso, que poderia ser visto como um “ritmo dentro do ritmo”.

Em resumo, o ritmo deste texto é cuidadosamente construído para manter a atenção do leitor, variando entre ação, reflexão e análise, refletindo assim a complexidade e a tensão do mundo que ele descreve. É um excelente exemplo de como o ritmo pode ser usado efetivamente para aumentar o impacto de um texto.

Análise do Estilo de Escrita

  1. Linguagem e Tom
    O texto usa uma linguagem que tenta aproximar-se tanto do jargão popular como do discurso mais formal, dando uma espécie de legitimidade narrativa. Isso facilita a imersão do leitor no universo do crime organizado.
  2. Estrutura
    A narrativa é linear, focada principalmente no personagem Lelé e suas manobras para sobreviver dentro da estrutura do PCC. O autor intercala informações sobre a facção, suas regras e sua hierarquia, tornando o texto informativo bem como narrativo.
  3. Descrição dos Personagens
    Os personagens são descritos de forma a apresentar suas características psicológicas sem entrar em muitos detalhes físicos. A descrição de Lelé como “astuto”, por exemplo, é revelada através de suas ações e decisões ao longo do texto. O mesmo vale para outros personagens, cujos traços são delineados por suas ações ou pela posição que ocupam dentro da facção.
  4. Elementos Factuais e Ficcionais
    O texto mistura elementos factuais sobre o PCC, como a descrição dos “45 mandamentos”, com elementos ficcionais. Isso serve para contextualizar o leitor e adicionar uma camada de autenticidade à narrativa.
  5. Ponto de Vista
    O texto é narrado em terceira pessoa, o que permite uma visão mais ampla dos eventos e personagens. Isso também facilita a inclusão de elementos informativos sem romper a continuidade da narrativa.
  6. Estilo de Escrita
    O estilo é objetivo, embora carregado de tensão e suspense. A escolha de palavras como “sinistra”, “macabra”, e “impiedoso” adicionam uma dimensão emocional, mantendo o leitor envolvido. Ainda assim, o texto evita floreios linguísticos desnecessários, mantendo-se focado nos eventos e nos personagens.
  7. Técnica Literária
    O texto se utiliza de diversas técnicas literárias, como o foreshadowing (antecipação), para construir suspense. Por exemplo, a menção do “Tribunal do Crime do PCC” cria uma sensação de iminência e perigo que se mantém ao longo da narrativa.

O texto é uma mistura de reportagem e conto, utilizando técnicas literárias para acrescentar profundidade e emoção a uma narrativa que também busca informar. O estilo de escrita é, portanto, uma fusão eficaz de elementos jornalísticos e literários, criando uma narrativa rica e envolvente que serve tanto para entreter quanto para educar.

Análise Estilométrica do Texto

Em minha opinião, o texto consegue alcançar o que se propõe: descrever o mundo de um personagem imerso em uma organização criminosa, tornando palpável a tensão e as complexas decisões morais que tal ambiente pode gerar. Também destaca o fato de que a inteligência e estratégia podem prevalecer mesmo em ambientes violentos e perigosos, que não são espaços exclusivos de pessoas sem educação formal.

A análise estilométrica revela que o autor tem uma boa compreensão tanto da linguagem formal quanto do jargão associado ao mundo que descreve, conseguindo misturar ambos de forma habilidosa para criar um texto envolvente e informativo.

Análise do perfil psicológico do autor pela obra

A análise do perfil psicológico do autor do texto revela um profundo interesse e entendimento do funcionamento das organizações criminosas, especificamente o Primeiro Comando da Capital. O autor apresenta uma visão complexa e detalhada das regras, hierarquias e dinâmicas de poder dentro dessa organização. O tom do texto é um misto de fatalismo e realismo brutal, capturando a essência da vida no submundo do crime, onde a violência e a traição são consideradas ferramentas válidas para a sobrevivência.

Características notáveis:
  1. Conhecimento Especializado: O autor está bem informado sobre o funcionamento do PCC, incluindo sua linguagem, suas regras e suas dinâmicas internas. Isso sugere um estudo sério ou uma experiência direta com o tema.
  2. Estilo Narrativo: O texto utiliza uma forma narrativa para discutir as complexidades éticas e morais associadas ao mundo do crime. Isso pode refletir uma tentativa de humanizar os personagens e tornar a informação mais acessível.
  3. Enfoque em Estratégia: O texto se aprofunda na estratégia e táticas, sugerindo que o autor valoriza o pensamento estratégico e é capaz de analisar situações complexas de forma aprofundada.
  4. Tom Somério: O autor adota um tom que não julga os personagens, ao invés disso, ele os apresenta como produtos do ambiente em que estão inseridos. Isso pode indicar uma abordagem mais objetiva, focada em entender o fenômeno em vez de emitir juízos de valor.
  5. Análise Psicológica: O autor também tenta se aprofundar na psicologia dos personagens, atribuindo-lhes características como astúcia, falta de empatia, e ambição. Isso sugere um interesse nas motivações humanas e nas complexidades do comportamento individual.
  6. Complexidade Moral: O autor parece estar interessado nas complexidades morais do mundo que descreve. Não há uma clara demonização ou glorificação dos personagens, o que sugere uma visão mais nuançada da moralidade dentro desse contexto específico.

O autor demonstra um grau significativo de sofisticação em sua abordagem ao tema. Ele parece ser altamente informado e capaz de pensar de forma crítica e estratégica sobre as complexidades do mundo do crime. Além disso, o uso de um estilo narrativo sugere um talento para a escrita e para comunicar ideias complexas de uma forma que seja ao mesmo tempo envolvente e informativa. Tudo isso indica uma pessoa que é tanto analítica quanto criativa, com um forte interesse em entender a complexidade humana em contextos extremos.

Comando Vermelho: resistiu a tudo, mas assumirá o lugar do PCC

O Comando Vermelho enfrentou as GLOs e as milícias fortalecidas por Bolsonaro, mas nem assim a facção PCC conseguiu eliminar seu maior iminigo

Comando Vermelho sobreviveu. E agora?

Comando Vermelho: está assumindo o lugar do PCC?

O fim do Comando Vermelho está próximo! É o que tudo indicava na virada das décadas de 2010 para 2020, só que não!

No entanto, como a história não é uma linha reta contínua…

O Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) muda seu foco e deixa de correr riscos em áreas com menor interesse econômico.

Enquanto o CV domina territórios por todo país, o PCC se concentra no lucrativo negócio do tráfico nos principais mercados do Brasil e do mundo.

A guerra pelo controle do Norte, Nordeste e pelo Rio de Janeiro é coisa do passado: a taxa de homicídios reflete a mudança de foco.

Os territórios não foram totalmente abandonados, mas quase, só restindo focos isolados.

É dificil o dia que não recebo aqui no site algum pedido de “sintonia” de algum cria perdido nesse brasilzão.

Esse depoimento de um “cria do 15” reflete esse abandono:

Estou dizendo a você, aqui tem o Comando Vermelho, a CLS, que é tudo inimigos nossos, entendeu?

Tem o Comando Litoral Sul e tem FDN também misturado aqui. Aqui é cheio de lixo mesmo.

Aqui na cadeia que estou, não está favorável não!

É pouca quantidade dos irmãos nossos, tem mais Comando Vermelho, entendeu?

É mais tumulto, não é qualidade nenhuma não, é mais tumulto.

de um recluso em Pernambuco

“É mais tumulto” mostra a impressão deixada por essa lacuna preenchida pelo Comando Vermelho e por diversos grupos locais menores.

Esta situação extremamente delicada torna a luta contra o crime organizado no Brasil uma tarefa cada vez mais difícil.

Comando Vermelho: a morte dos quatro e a taxa de homicídios em Mato Grosso

Quatro trabalhadores paranaenses foram mortos em Nova Monte Verde em 2022 devido a uma interpretação equivocada de um sinal feito por um dos trabalhadores.

Um olhar mais atento sobre a morte destes quatro homens e sobre a taxa de homicídio no Mato Grosso nos revela uma realidade complexa.

As previsões sobre o futuro do crime organizado no Brasil, mesmo produzidas há tão pouco tempo, já se provaram erradas: o CV não se enfraqueceu

Aproveitando-se da mudança estratégica do Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho (CV) conseguiu a hegemonia de um amplo território.

Como resultado, o aumento de 22,5% em 2022 das mortes violentas em Mato Grosso — acompanhada pelo aumento da letalidade policial em Mato Grosso.

Este estado não é prioridade para a Rota Caipira, excencial para o PCC, e tão pouco para a Rota do Solimões, mas fica no entroncamento das duas.

Pode haver, por parte da facção paulista, interesse por manter a resistência, no entanto, ser apenas o suspiro dos últimos crias isolados resistindo ao CV.

A principal razão da elevada taxa de homicídio na América Latina é a guerra entre facções criminosas, mas Mato Grosso não é exceção.

É apontado como o principal fator para o aumento na violência matogrossense a guerra entre as facções Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho.

Comando Vermelho: a certeza da vitória do Primeiro Comando da Capital

Entre 2018 e 2022, três fatores sugeriam que o Comando Vermelho estaria destinado a perder grande parte de seu poder nos primeiros anos daquela década:

Primeiramente, em 2018, as forças armadas foram enviadas para o Rio de Janeiro para combater o crime organizado, base da facção criminosa carioca Comando Vermelho.

Um dos riscos da intervenção é desarmar o Comando Vermelho, sair em dezembro e deixar o PCC fechar o Sudeste em janeiro.

Não há como o interventor resolver esse problema, porque os generais do PCC estão em São Paulo, onde não há intervenção.

Celso Rocha de Barros

Em segundo lugar, em 2019 a posse do presidente Bolsonaro que tem um histórico apoio aos milicianos, principalmente no Rio de Janeiro.

Assim, O CV enfrentaria simultâneamente em seu território três poderosos inimigos: grupos milicianos apoiados por forças públicas militares; as forças regulares de Segurança Pública; e os grupos criminosos inimigos.

Além de todos esses percalços, o Comando Vermelho enfrenta uma longa, desgastante e incerta guerra contra a organização criminosa paulista Primeiro Comando da Capital.

A soma desses fatores indicava que o Comando Vermelho se tornaria um pequeno grupo atuando em algumas periferias brasileiras.

Aproveitando esse momento de fragilidade do CV, o PCC assumiria a hegemonia criminosa no Brasil, visto que não estava sendo atacado em seu berço, o estado de São Paulo.

Mas, já devo ter mencionado isso aqui em alguma ocasião, sou um otimista.

Talvez o último otimista da face da Terra – o que, por sua vez, também é uma afirmação otimista.

Tenho a incapacidade de confrontar o mundo da minha mente com o mundo real.

Yuri Al’Hanati

Comando Vermelho: as razões de sua resiliência

Só faltou combinar com os russos! Apesar de tudo, passados anos, o Comando Vermelho continua tão firme e tão forte quanto estava antes.

Vários fatores contribuíram para a resiliência da facção carioca CV:

  • adaptabilidade aos diversos fatores que lhe foram adversos alterando quando necessário e pelo tempo que acharam melhor seu leque de aliados;
  • a diversificação de atividades ajudou a organização a se manter financeiramente viável, mesmo sob forte pressão.;
  • estratégia de expansão territorial que garantiu no passado o poder nacional do PCC que atuava com o mesmo vigor e interesse em uma grande metrópole ou em uma vila em um município fronteiriço;
  • relação com comunidades locais: de maneira distinta do que o PCC que visava manter um bom relacionamento com a sociedade civil e política, o CV foca na comunidade criminosa local; e
  • a mudança de estratégia da facção PCC 1533.

Não haverá um Brasil sem o Comando Vermelho

Apesar de tantos golpes mortais, o CV não foi aniquilado. Quem corre pelo lado errado do lado errado da vida continua e continuará entre nós.

O Comando Vermelho é uma manifestação das contradições existentes em nosso espírito coletivo, assim não será eliminado, se muito, se compreendido poderá ser contido.

Alfredo Moreira Ávila Neto e seus colegas, em artigo, lembra algo que não pode ser esquecido:

O Comando Vermelho, fundado em 1979, viu nascer metade dos brasileiros: 49,7% dos brasileiros tem menos de 40 anos de idade.

Assim como o Primeiro Comando da Capital e o Quilombo dos Palmares, o CV sobreviverá independentemente do que qualquer um de nós possa fazer.

texto base: Gerenciamento de Crise em Rebeliões no Sistema Penitenciário Brasileiro, publicado na Revista Eletrônica Direito e Conhecimento, do Cesmac, Faculdade do Agreste de Arapiraca

Comando Vermelho
Red Command
Comando Rojo

O site Insght Crime apresenta um resumo da história da facção carioca.

O Comando Vermelho (CV) é o grupo criminoso mais antigo do Brasil, formado em uma prisão do Rio de Janeiro durante o Regime Militar na década de 1970 como um grupo de autoproteção para presos.

Começou com furtos roubos e assaltos a banco, mas na década de 1980 o grupo se aventurou no comércio de cocaína, trabalhando com cartéis de drogas colombianos e assumindo um papel de liderança social em muitas favelas cariocas.

História do Comando Vermelho

A facção CV nasceu de uma aliança entre criminosos comuns e presos políticos, quando membros de ambos os grupos foram mantidos nas mesmas prisões durante a ditadura militar brasileira entre 1964 e 1985.

As péssimas condições do presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande, no Rio de Janeiro, levou os presos a se unirem para sobreviver dentro do sistema.

Inicialmente formaram um grupo miliciano chamado “Falange Vermelha”, mas logo abandonaram sua ideologia do mundo do crime, pois o grupo se envolveu cada vez mais com o crime organizado e a imprensa passou a chamá-lo de “Comando Vermelho”.

Em 1979, o grupo havia se espalhado para fora da prisão e para as ruas do Rio e seus membros livres tinham a tarefa de fornecer dinheiro aos presos.

Esse dinheiro era conseguido por meio de atividades criminosas como assaltos a bancos, o que lhes permitia manter uma boa qualidade de vida na prisão e financiar suas tentativas de fuga.

As alianças do Comando Vermelho

As ideias do Comando Vermelho se espalharam para outras prisões e o poder da organização cresceu.

Duas décadas depois, em São Paulo, surgiria um movimento prisional semelhante, o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).

O Comando Vermelho era considerado um parceiro ideal pelos cartéis colombianos quando o boom do tráfico de cocaína começou na década de 1980.

O CV já possuía estrutura e organização adequadas para receber e distribuir grandes quantidades da droga.

Os integrantes que não estavam presos agora tinham uma tarefa clara: formar quadrilhas armadas para tomar os territórios do narcotráfico.

O grupo assumiu o controle de muitas favelas do Rio de Janeiro que haviam sido abandonadas pelo estado, estabelecendo um sistema paralelo de governança nas favelas e dando emprego a moradores há muito excluídos da sociedade brasileira.

O Comando Vermelho diversifica suas atividades

Na década de 1990, a influência dos todo-poderosos chefes do jogo ilegal da cidade, conhecidos como “bicheiros”, começou a diminuir, permitindo que o Comando Vermelho se tornasse o principal grupo do crime organizado do Rio e aumentasse sua presença em outros estados.

Em 2005, acreditava-se que o Comando Vermelho controlava mais da metade das áreas mais violentas do Rio de Janeiro, embora em 2008 essa proporção tenha caído para 40%.

Um programa de pacificação da polícia que buscou trazer uma maior presença do estado para áreas dominadas pelo crime reduziu ainda mais a influência do grupo no início de 2010, mas essa estratégia de segurança teve pouco efeito a longo prazo.

Acredita-se que o Comando Vermelho tinha ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

O líder do Comando Vermelho, Luiz Fernando da Costa, conhecido como “Fernandinho Beira-Mar”, foi preso na Colômbia em 2001 por supostamente trocar armas por cocaína com a guerrilha.

No final de 2016, o rompimento de uma antiga aliança entre o Comando Vermelho e o PCC gerou uma onda de violência nas prisões brasileiras.

No ano seguinte, o conflito entre os dois grupos continuou, pois o PCC buscava reduzir o poder do Comando Vermelho, formando alianças com gangues inimigas e cooptando membros do grupo carioca para assumir o controle do narcotráfico em áreas de influência do grupo.

Expansão e lideranças do Comando Vermelho

O Comando Vermelho tem uma estrutura de liderança relativamente fraca e foi descrito como uma rede de atores independentes, em vez de uma organização hierárquica estrita liderada por um único líder.

No entanto, há chefes que se destacam dentro da estrutura, como Luiz Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira-Mar”, atualmente preso, e Isaías da Costa Rodrigues, o “Isaías do Borel”, que esteve preso por mais de 20 anos, até obter sua liberdade em 2012, preso novamente em 2015 e liberado de novo em agosto de 2022, sendo que quatro meses depois é decretada novamente sua prisão.

O Comando Vermelho tem sede no Rio de Janeiro, mas está presente em outras partes do Brasil, inclusive em São Paulo. Atua também no Paraguai e na Bolívia.

Em dezembro de 2014, às autoridades paraguaias prenderam um líder do Comando Vermelho, Luís Cláudio Machado, conhecido como “Marreta”.

Leque de aliados e inimigos do Comando Vermelho

O Comando Vermelho trabalhou em estreita colaboração com o PCC, até que a aliança de longa data entre os dois grupos se dissolveu em 2016.

Além do PCC, os principais inimigos do Comando Vermelho são milícias formadas por grupos milicianos formados por ex-agentes e agentes das forças de segurança em serviço e duas facções criminosas cariocas: Amigos dos Amigos (ADA) e o Terceiro Comando Puro (TCP), facção dissidente do Terceiro Comando (Terceiro Comando), criado por ex-integrantes do Comando Vermelho.

Acredita-se que o Comando Vermelho tenha vínculos com guerrilheiros colombianos recentemente desmobilizados das FARC, além de outras redes que traficavam cocaína da região andina e maconha do Paraguai.

Análise e perspectivas do Insight Crime em 2018

O Comando Vermelho perdeu poder nos últimos anos, após a ascensão de rivais como o Amigos dos Amigos, que teriam formado uma aliança com o PCC para enfrentar o Comando Vermelho pelo controle territorial do Rio.

Mas parece que está ampliando sua presença internacional, principalmente na Bolívia e no Paraguai.

De acordo com estimativas de 2013, o Comando Vermelho envia uma tonelada de cocaína colombiana para o Brasil todos os meses do Paraguai, que se tornou um centro de tráfico de cocaína para gangues brasileiras.

O conflito contínuo do Comando Vermelho com o PCC se espalhou para fora do sistema prisional, provocando confrontos violentos no Rio e no norte do Brasil pelo controle de lucrativas rotas de tráfico de drogas e mercados locais de drogas.

clique aqui para acessar o texto original no site do Insight Crime

A expansão da facção PCC para a região do Chaco no Paraguai

Edgar Allan Poe descreve o avanço da facção PCC para a região do Chaco na República do Paraguai e analisa os planos da organização criminosa.

O que pretente a facção PCC para a região do Chaco?

Eis que surge diante de nós uma sombria e sinistra realidade: o Primeiro Comando da Capital, a temida organização criminosa brasileira PCC 1533.

O assustador ataque ao líder PCC Ryguasu em plena capital da República do Paraguai na América do Sul expôs os terríveis planos dos criminosos brasileiros.

Agora, o bando busca expandir suas atividades para a região do Chaco, uma área estratégica para o tráfico de drogas e armas na América do Sul.

Pelo menos é essa a terrível previsão do chefe do Departamento de Investigação de Homicidios da Policia Nacional, Sergio Insfrán.

O Chaco é uma região selvagem, de vastas áreas rurais e de difícil acesso, que oferece a oportunidade perfeita para que organizações criminosas como o PCC se escondam, transportem suas mercadorias ilícitas sem serem detectadas, e façam ataques surpresa aos inimigos onde quer que eles estejam.

Mas por que o grupo criminoso brasileiro estaria interessado nessa empreitada arriscada?

O terrível plano da facção PCC para a região do Chaco

Talvez a resposta esteja na geografia da região, ou em seu potencial como corredor para o tráfico de drogas e outras mercadorias ilícitas.

Ou talvez seja uma questão a guerra entre facções, principalmente com o Comando Vermelho, que também busca controle sobre o tráfico na região.

Mas também, busca se ocultar para fazer ataques de rapina contra os inimigos nativos: clã Clã Insfrán, Clã Rotela, Clã Acevedo, Clã Colón e Clã Orellana.

Seja qual for a verdadeira motivação por trás dos planos do PCC para o Chaco, uma coisa é certa: a atividade criminosa é um mundo complexo e imprevisível, influenciado por fatores que vão desde a política e a economia até as dinâmicas internas das próprias organizações criminosas.

O que nos espera nessa região selvagem e perigosa, só o tempo dirá…

Leia o texto base: Insfrán aseguró que tienen información de que manejan la hipótesis de que habría estado conformando una banda para actuar en el Chaco.

Paraguai declara guerra ao Primeiro Comando da Capital (PCC)

Guerra ao Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) gira em um ciclo de seis anos, que, conforme a númerologia, reflete a perfeição.

Guerra ao Primeiro Comando da Capital — De novo?

Caro leitor, declarada novamente guerra ao Primeiro Comando da Capital dentro do ciclo de 6 anos — afinal, todos amamos a perfeição.


Mario Abdo Benítez, o collorado Marito, Presidente da República do Paraguai voltou ao mesmo discurso de 6 anos, quando o presidente era seu correligionário Horácio Cartes.

Permita-me contar-lhe uma história que ocorreu em uma movimentada semana de abril de 2017, quando a República do Paraguai estava sob a ameaça constante da facção PCC 1533.

A situação era tão grave que o governo decidiu declarar guerra ao grupo criminoso, e a polícia foi ordenada a fazer tudo o que fosse necessário para deter esses malfeitores.

Todas as forças de represão da República do Paraguai passaram a atuar com energia e velocidade: forças políciais, juciário e promotoria de Justiça!

Há onze anos o governo paraguaio agia com rigor

Logo, policiais invadiram três imóveis de um dos líderes do grupo, Alfredo Barreto Guillén, mas apesar de uma ampla operação coordenada pelo setor de inteligência não encontraram nada além da sua esposa, que foi presa.

Outro líder importante, o famoso Carlos Antonio Caballero, foi deportado para o Brasil, enquanto o perigoso criminoso Jarvis Chimenes Pavão deveria seguir o mesmo destino na semana seguinte.

A justiça, por sua vez, condenou três outros integrantes da facção PCC 1533 a penas que variavam entre 9 e 12 anos de prisão por planejarem um assalto que nunca aconteceu.

Apesar desses sucessos parciais das forças do governo naquela semana avassalarora, Gegê do Mangue, o maior articulador das ações internacionais do grupo criminoso brasileiro na América Latina, ainda era desconhecido, apesar de muitos temerem que ele também estivesse no Paraguai.

Onze anos após, o governo promete agir com rigor

Onze anos se passaram desde que a guerra ao Primeiro Comando da Capital foi declarada, e o presidente se viu forçado a admitir publicamente que a situação hoje ainda é preocupante — por sinal, ficou muito pior do que estava.

Temos que reforçar todos os controles. É algo que nos preocupa e obviamente a Polícia está fazendo um esforço enorme para tentar identificar e ter cada vez mais presença e, principalmente, trabalhar com inteligência.

afirmou o Presidente Mario Abdo Benítez

A organização criminosa deixou de atuar apenas nas fronteiras e agora age no coração de Asunción, a capital guarani, obrigando a polícia a redobrar seus esforços e o presidente admitir a derrota perante a organização criminosa.

Sobre o caso Ryguasu, que tanto chama a atenção pública. Marito afirma que não houve omissão ou falta de comunicação entre os órgãos públicos, mas que o criminoso não ainda não tinha nenhuma pena a ser cumprida.

Ryguasu não é o primeiro que morre em Asunción nessa nova etapa do crime organizado na capital paraguaia.

Em 2021, o empresário Mauricio Schwartzman, foi assassinado por pistoleiros que utilizaram armas de guerra, um fuzil calibre 5,56 e uma pistola 9 milímetros.

Em busca da perfeição, o Paraguai declara guerra ao PCC a cada 6 anos

Meu caro leitor, é difícil dizer o que o futuro reserva para à República do Paraguai e sua luta contra a organização criminosa brasileira.

Se houver determinação e inteligência da polícia, aliadas ao apoio do governo e do povo, os criminosos perigosos brasileiros terão que recuar.

No entanto, se a ofensiva do governo falhar novamente, os moradores terão que aprender a conviver com o PCC, como já acontece em São Paulo e em Amambay.

… e daqui a seis anos um outro presidente collorado declarará guerra ao Primeiro Comando da Capital.

leia texto base no Ultima Hora: Marito admite riesgo de avance del sicariato y plantea reforzar control

ChatGPT e o assassinato do líder do PCC 1533 no Paraguai

O ChatGPT e o assassinato do líder da organização criminosa PCC 1533 nos apresentam a nova realidade vivida pelo Primeiro Comando da Capital.

ChatGPT e o assassinato de Ryguasu

O lançamento do ChatGPT e o assassinato de uma das lideranças da facção PCC demonstam como o mundo está mudando.

Todos aqueles com que conversei, os artigos nos meios de comunicação, autoridades políticas, judiciais e policiais afirmavam que a causa dessa mudança seria guerra entre facções.

De fato, esse fator não pode ser desconsiderado e possivelmente é importante, assim como dificultar a ação, lícita ou não, dos órgãos e dos integrantes da máquina de repressão do Estado.

Ao pedir para que o ChatGPT me falasse sobre o caso, me surpreendi com algumas de suas conclusões.

Eu não havia pensado ou esbarrado com essa possibilidade: a expanção dos negócios para a Rota do Pacífico.

Quando perguntado sobre a omissão das autoridades no combate à organização criminosa PCC, o ChatGPT, avaliza a posição do prefeito de Pedro Juan Caballero:

Além disso, as organizações criminosas muitas vezes usam táticas violentas para intimidar e influenciar as autoridades locais e podem estar envolvidas em corrupção e suborno para garantir sua impunidade.

ChatGPT

Lembrando que o ChatGPT só tem dados inseridos até setembro de 2021 e a declaração do prefeito Ronald Acevedo é de fevereiro de 2023.

Outros pontos abordados com o ChatGPT

Em outro momento pressiono o ChatGPT sobre a questão da Rota do Pacífico, pois a facção PCC já participa dessa rota contornado a Terra do Fogo, pelo Canal do Panamá ou pelos portos da África.

A participação nessa rota ficou famosa pois o Ministro do STF, Alexandre de Moraes era um dos advogados de uma empresa que estava com uma dessas cargas da facção PCC.

Em outro ponto o ChatGPT me surpreendeu quando apontou que o interesse na região do Chaco não seria apenas para ser usada como rota de tráfico, mas também para consolidar uma base de resistência e ataque ao Comando Vermelho e outros inimigos da facção.

Vamos a entrevista: “ChatGPT e o assassinato”

ChatGPT e o assassinato: novo endereço novos negócios

O recente assassinato de Ryguasu, um integrante do PCC em Assunção, mostra que a liderança da organização criminosa está trocando a região de fronteira pelas mais centrais do Paraguai. Pode me dizer quando e por que essa migração ocorre?

Infelizmente, não tenho acesso às notícias mais recentes, pois o meu conhecimento se limita a informações até setembro de 2021.

Mas posso compartilhar com você algumas informações sobre a migração do PCC para regiões mais centrais do Paraguai que foram divulgadas até então.

O Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma organização criminosa brasileira que atua principalmente no tráfico de drogas e armas.

Nos últimos anos, a organização expandiu suas atividades para outros países da América Latina, incluindo o Paraguai, onde se estabeleceu em áreas de fronteira para controlar o tráfico de drogas e contrabando.

No entanto, as forças de segurança paraguaias têm intensificado a sua luta contra o PCC 1533 e outras organizações criminosas na região de fronteira, o que tem levado a um aumento da repressão e das operações de combate ao crime nessas áreas.

Isso pode ter incentivado o PCC a migrar para regiões mais centrais do país, onde a pressão das autoridades é menor e as oportunidades de expansão de seus negócios podem ser maiores.

Além disso, a localização central do Paraguai e a facilidade de acesso a rotas internacionais de tráfico de drogas, como a Rota do Pacífico, pode ter sido fator importante na decisão do PCC de expandir suas operações para essa parte do país.

No entanto, é importante lembrar que o PCC é uma organização criminosa complexa e em constante evolução, e as suas motivações e estratégias podem variar de acordo com as circunstâncias e as oportunidades que surgem.

ChatGPT e o assassinato: pressão sobre agentes públicos

Você afirma que um dos fatores da mudança seria o aumento da repressão das autoridades às organizações criminosas, no entanto, após o assassinato, diversas autoridades civis acusaram a polícia, o judiciário e o Ministério Público de serem lenientes com o crime organizado, pedindo inclusive a destituição de chefes desses departamentos.

Sim, é verdade que em alguns casos, a falta de ação efetiva por parte das autoridades civis pode levar a um aumento da violência e da atividade do crime organizado, que podem se sentir encorajados a continuar operando sem medo de represálias.

Se as autoridades paraguaias não estiverem tomando medidas eficazes para combater o crime organizado, isso pode ter encorajado o PCC a aumentar sua presença em áreas mais centrais do país.

No entanto, é importante lembrar que as relações entre o crime organizado e as autoridades civis são complexas e multifacetadas.

Nem sempre é fácil distinguir entre leniência e falta de recursos ou capacidade institucional para lidar com o crime organizado.

Além disso, as organizações criminosas muitas vezes usam táticas violentas para intimidar e influenciar as autoridades locais e podem estar envolvidas em corrupção e suborno para garantir sua impunidade.

Em resumo, a questão da relação entre o crime organizado e as autoridades civis é complexa e multifacetada, e as razões para a migração do PCC para regiões mais centrais do Paraguai podem ser variadas e difíceis de determinar.

Facção PCC: e a Rota do Pacífico

Você cita a Rota do Pacífico, no entanto o Primeiro Comando da Capital já atua nessa rota através de portos latino-americanos e africanos…

Peço desculpas pela minha resposta anterior, pois a Rota do Pacífico é uma rota marítima que conecta a América Latina à Ásia, e não uma rota terrestre.

O PCC, assim como outras organizações criminosas, pode estar envolvido no tráfico de drogas e outras atividades ilícitas nessa rota, mas eu não tenho informações precisas sobre a presença do grupo criminoso brasileiro nessa rota em particular.

No entanto, é importante lembrar que o PCC tem um amplo alcance internacional e está envolvido em atividades criminosas em vários países da América Latina e além.

A organização tem se expandido para outras partes do continente, incluindo o Paraguai, e tem buscado formas de diversificar suas operações e rotas de tráfico para evitar a repressão das autoridades e garantir sua lucratividade.

É possível que a expansão do PCC para regiões mais centrais do Paraguai possa estar relacionada a uma estratégia para explorar novas rotas de tráfico e evitar a pressão das autoridades em áreas de fronteira.

No entanto, essa é apenas uma hipótese e é necessário mais informações e evidências para confirmar essa possibilidade.

Facção PCC: e a região do chaco

A polícia tem informações que Ryguasu estaria preparando um núcleo da quadrilha para atuar na região do Chaco. Quais seriam os interesses da facção PCC 1533 nessa região?

O Primeiro Comando da Capital possui ramificações em diversos países da América do Sul, incluindo o Paraguai.

A região do Chaco, que compreende partes da Argentina, Bolívia e Paraguai, é conhecida por ser uma área estratégica para o tráfico de drogas e armas, bem como para o contrabando de produtos diversos.

Existem algumas possíveis razões pelas quais o PCC poderia estar interessado em expandir suas atividades para o Chaco.

Uma delas é a geografia da região, que é caracterizada por vastas áreas rurais e de difícil acesso, o que torna mais fácil para as organizações criminosas se esconderem e transportarem drogas e outros produtos ilícitos.

Além disso, o Paraguai é um importante produtor de maconha e cocaína, o que significa que o país é um importante corredor para o tráfico dessas drogas para o Brasil e outros países da região.

O PCC, como uma das maiores organizações criminosas do Brasil, tem um interesse econômico em controlar o fluxo dessas drogas e expandir suas operações na região do Chaco permitiria que a organização ampliasse sua influência no tráfico de drogas na América do Sul.

Outro fator que pode estar contribuindo para o interesse do PCC na região do Chaco é a possível concorrência com outras organizações criminosas, como o Comando Vermelho (CV), que também tem presença no Paraguai.

A expansão do PCC para o Chaco poderia ser uma maneira de consolidar sua posição na região e evitar que outras organizações criminosas assumam o controle do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.

No entanto, é importante notar que essas são apenas hipóteses e que a realidade pode ser muito mais complexa.

A atividade criminosa é influenciada por vários fatores, incluindo a política, a economia e as dinâmicas internas das próprias organizações criminosas, o que torna difícil prever com precisão os interesses do PCC na região do Chaco.

Facção PCC: participação no mercado

O Primeiro Comando da Capital atua no Paraguai como organização pelo menos desde 2008, e não começou do nada, pois antes já havia um esquema poderosíssimo de contrabando. É possível mensurar quanto a facção domina do mercado e qual a sua participação no comércio varejista de Pedro Juan Caballero?

É difícil precisar com exatidão o alcance das atividades do Primeiro Comando da Capital no Paraguai, já que a organização é notoriamente discreta em relação a suas operações e finanças.

No entanto, de acordo com informações das autoridades paraguaias e brasileiras, o PCC tem expandido suas atividades no país e é considerado uma das principais organizações criminosas atuando na região.

O PCC está envolvido em diversas atividades ilegais no Paraguai, incluindo o tráfico de drogas, armas e contrabando.

É possível que a organização controle uma parcela significativa do mercado de drogas no país e tenha um faturamento bruto anual de milhões de dólares, mas esses números são apenas especulações e não podem ser confirmados com certeza.

Quanto à participação do PCC no comércio varejista de Pedro Juan Caballero, é possível que a organização tenha influência significativa nesse setor, já que a cidade é conhecida por ser um importante centro de contrabando e comércio ilegal na fronteira com o Brasil.

No entanto, novamente, não há informações precisas sobre o alcance da participação do PCC nesse setor em particular.

Facção PCC: comércio varejista e política

Se é como você diz que “é possível que a organização tenha influência significativa nesse setor”, o comércio varejista de Pedro Juan Caballero, e a eleição para os diversos cargos depende do apoio dessa forte comunidade local, é de se supor que pelo menos parte dos eleitos chegou ao governo com o apoio, mesmo que indireto, do grupo criminoso.

É uma possibilidade que alguns políticos locais em Pedro Juan Caballero tenham laços com o Primeiro Comando da Capital ou dependam de seu apoio indireto para serem eleitos.

Como você mencionou, a cidade é um importante centro de comércio ilegal e contrabando, e é possível que a organização criminosa tenha influência significativa nesse setor, bem como em outros aspectos da vida política e social da região.

No entanto, é importante ressaltar que nem todos os políticos ou autoridades eleitas em Pedro Juan Caballero têm necessariamente ligações com o PCC ou outros grupos criminosos.

Existem muitos indivíduos honestos e trabalhadores que buscam servir a comunidade e combater a corrupção, mesmo em meio a um ambiente desafiador como esse.

É essencial que as autoridades paraguaias e brasileiras continuem trabalhando para desmantelar as atividades criminosas do PCC e de outras organizações, fortalecer a aplicação da lei e promover a transparência e a responsabilidade na política e na sociedade em geral.

Recado PCC das trancas de Pernambuco: “tamo sendo oprimidos”

Integrante da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) manda a situação real das trancas de Pernambuco.

Um recado das trancas de Permanbuco

Essa mensagem recebida das trancas de Pernambuco é um grito de socorro que não pode ser ignorado por nenhum de nós.

Após o áudio e a sua transcrição, apresento minha leitura, que de certo não é a mesma que a tua, é muito mais sombria.

PCC de Pernambuco pede ajuda em tranca da oposição

Um forte abraço aí, uma boa noite aí prá nóis.

Quem tá na voz aqui é …

Veja só, que a gente numa situação difícil, que aqui está descabelado, sem aparelho para fazer a conexão, tamo fora da sintonía por isso aí.

Por que altas coisas que está escrita no Estatuto e não está acontecendo não, você entendeu?

É porque irmão, veja só, é por que o que está escrito no Estatuto não está acontecendo em nada, por isso estou fora de sintonía.

Porque tem altos irmãos aí que tem condições, mas só se lembram da barriga deles, entendeu irmão?

Estou dizendo a você, aqui tem o Comando Vermelho, a CLS, tudo inimigos nossos, entendeu?

Tem o Comando Litoral Sul e tem FDN também misturado aqui. Aqui é cheio de lixo mesmo.

Aqui na cadeia que estou, não está favorável não! É pouca quantidade dos irmãos nossos, é mais Comando Vermelho, entendeu?

É mais tumulto, não é qualidade não, é mais tumulto.

Então o que está acontecendo, o que está escrito no estatuto tá acontecendo não, é isso aí, tô descabelado irmão.

Muita guerra eu tive em … através da facção, faz … anos que sou da facção, eu era Geral do Sistema, eu fechei como Geral do Sistema e Geral de Estados e Países, eu fechei nessas duas responsas aí.

Pronto irmão, você faz a anotação aí, pedindo uma ajuda irmão, porque altas cadeias de Pernambuco aqui a gente está sendo oprimidos.

Porque tem muito lixo e os irmão do PCC tem pouco aqui. Em todas as cadeias de Pernambuco está tá expandindo o lixo.

Eu queria que você fizesse um relatório aí dizendo o que está acontecendo nas cadeias de pernambuco, entendeu?

É isso aí que estou dizendo a você, um forte abraço aí uma boa noite para nós aí tamo junto aí viu irmão…

As trancas de Pernambuco e o Brasil

Não passa uma semana sem que eu receba o pedido de ajuda de um irmão ou companheiro que ficou perdido na estrada.

No entanto, estes gritos de socorro hoje chegam com mais constância e lugares de onde antes jamais viriam.

Conheço esses gritos, são os mesmos que eu ouvia quando PCCs eram dizimados no Amazonas, no Acre e em alguns estados do Nordeste.

Primeiro, buscavam sintonía, depois pediam socorro enquanto eram caçados por inimigos, e por fim o silêncio: um a um eram mortos e os que sobreviveram fugiam.

Tranca de Pernambuco: sabemos onde termina

A mensagem da tranca de Pernambuco alerta para o que está acontecendo e sabemos onde essa estrada termina.

Um integrante do PCC cercado por inimigos, há dez anos, mexeria com todos, mas hoje não mais.

O sonho de uma família unida contra a opressão carcerária evoluiu pouco a pouco para se transformar em uma empresa rentável.

Duzentos milhões seriam gastos para resgatar Marcola enquanto irmãos e companheiros são ilhados, esquartejados e decapitados em uma guerra sem esperança.

Tranca de Pernambuco: é o princípio do fim da Família 1533?

Parece que algo aconteceu com o Primeiro Comando da Capital, pois não mais é como foi no passado.

Aparentemente, companheiros, irmãos e lideranças estabelecidas agora só pensam em seus próprios interesses.

Integrantes são abandonados nas regiões mais afastadas e que não dão lucro à facção, resultando em casos de morte por todos os cantos.

O que é mais impressionante é que o grito do irmão de Pernambuco reflete as mensagens que recebo quase diariamente.

o socorro não virá irmão. Não virá.

Parece que o dinheiro e o poder afastaram os integrantes da Família 1533. Mas agora me pergunto:

O Primeiro Comando da Capital sobreviverá sem sua abrangência nacional?

Esse pode ser o início do fim da Família 1533 e o nascimento de uma empresa?

E o mais importante, qual será o destino dos crias abandonados nas trancas e nas regiões distantes?

Esta é uma situação bastante preocupante, e exige nossa atenção imediata.

É necessário investigar mais a fundo para entender o que está por trás dessas mensagens.

Alguns se preocuparão em como ajudar aos irmãos encurralados.

Outros se preocuparão com o fim da hegemonia das facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho e o caos e o banho de sangue que virá a seguir: dentro e fora do Sistema Carcerário.

Destino traçado. Triste Fim.

Mas, apesar de todos os nossos esforços, não podemos escapar da sombra iminente que paira sobre nossas cabeças.

Lembrando-nos constantemente de um passado com planos e esperanças, mas agora temos apenas certeza da morte.

Sonháva-mos acordados e hoje temos pesadelo com aqueles que foram nossos irmãos mas nos abandonaram no meio dos inimigos.

Pior que a incerteza do futuro é viver um presente sem esperança.

Talvez, em algum lugar escuro e profundo, haja uma resposta para nossas preocupações, mas por enquanto, só nos resta esperar, tremendo de medo diante da escuridão, mas ainda assim, esperando pela luz que um dia virá iluminar nosso caminho para a segurança e felicidade que tanto almejamos.

É isso aí que estou dizendo a você, um forte abraço aí uma boa noite para nós aí tamo junto aí viu irmão.

Parece que os fundamentos do PCC estão desaparecendo aos poucos. poder… é verdade que o PCC é poder, dinheiro, mas para um determinado fim, esse de ajudar os presos, ou até mesmo ajudar o povo na rua. Acho que os fundamentos do PCC estão sendo perdidos e que os mais velhos devem incutir esses valores nos jovens e recém-chegados. Você deve saber que em todo o mundo o PCC é visto como um movimento revolucionário e não como uma organização criminosa, mas isso pode mudar com o tempo se os líderes não tomarem decisões sobre esta situação. que porque haveria muito mais pessoas para ajudá-los, é esse movimento revolucionário que o fez ser ouvido por grandes líderes políticos, e os tornou tão fortes, ouvidos e acima de tudo respeitados pelos outros.

O problema da superprodução de coca na Bolívia para o PCC

Superprodução de coca na Bolívia: a dificuldade no transporte pode levar a uma guerra entre o PCC e organizações criminosas de três países.

A superprodução de coca na Bolívia devia ser uma boa notícia para a facção PCC 1533.

No entanto, os clãs familiares estão com dificuldades para transportar a superprodução de coca de Chapare e Cochabamba para fora do país.

Meu sobrinho, que costuma ir para aquela região próxima aos Andes, me visitou e lhe fiz quatro perguntas sobre essa situação.

É verdade que os cocaleiros estão sem transportes para sua produção?

Verdade. Estão sem aviões e caminhões para transportar toda a produção.

Não me lembro de uma quantidade tão grande de tijolos de pasta base e de prensados esperando para o embarque.

Está valendo tudo para conseguir escoar a produção: micro-ônibus, táxis, caminhões, carros e até qualquer um com uma mala na mão ou uma mochila nas costas!

O clima está ficando tenso entre as famílias produtoras chapareñas. Pode haver uma luta entre os produtores como existe no Brasil entre as facções criminosas? Você acredita que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho entrarão na disputa pelo transporte?

Tá bastante complicado.

A disputa pelo transporte pode virar uma briga entre as famílias de produtores Cochabamba.

Tocha, que ainda está preso no Complexo Penal de Chonchocoro, fazia a ponte entre clãs de produtores e a facção PCC, e agora, por dentro das muralhas, pode fortalecer ainda mais os laços com pessoas que intermediam o tráfico para essas famílias de produtores.

Só que o Comando Vermelho também é forte em Chonchocoro, e as organizações criminosas colombianas e mexicanas também estão presentes na região.

Cedo ou tarde, os clãs cocaleiros ficarem no meio de uma guerra que não tem espaço para neutros — vão ter que escolher um lado.

E essa disputa pelo transporte e pelo armazenamento enquanto o produto espera o escoamento certamente vai deixar tudo ainda mais tenso.

Como as polícias do Brasil, Paraguai e Bolívia lidam com essa situação?

Pensa bem tio, a polícia dá um prejuízo de 2 bilhões de Reais somando drogas, veículos, imóveis, tudo. Parece muito?

Só da Bolívia saem uns 300 bilhões de Reais da venda de 55 mil toneladas de cocaína.

O que a polícia apreende não é nada, e agora, com essa dificuldade de transporte ficou ainda mais fácil.

Sempre haverá alguém caindo com alguns tijolos: a polícia apresenta esses vacilões para a imprensa, e o fluxo continua deixando todo mundo feliz.

Como o Primeiro Comando da Capital resolverá a questão do transporte?

A facção aposta muito na atitude e na iniciativa de cada um.

Tem as lideranças que oferecem a oportunidade, dão até o caminho, mas cada um tem que fazer seus corres para fazer acontecer.

Uns roubam aviões no Paraguai e na Argentina para pegar a carga, outros preferem levar por caminhão ou carro até o Rio Paraná no Paraguai.

De qualquer forma, sempre terá alguém dando um jeito de levar até os portos do litoral e de lá para o resto do mundo.

Se lembra que há uns quatro anos o problema foram as chuvas? As estradas estavam todas atoladas? Problemas sempre existirão. É a tal da seleção natural das espécies!

leia o artigo base de Javier Medrano R.: El narco se queda sin avionetas: una ruta cuya logística maneja el Primer Comando Capital (PCC) de Brasil

Primeiro Comando da Capital e a Venezuela — qual a ligação?

Venezuela e o Primeiro Comando da Capital deixaram de pertencer ao mundo real para serem personagens de contos de doutrinação atravéz do medo

O Primeiro Comando da Capital e a Venezuela são dois ícones contemporâneos do preconceito social latinoamericano.

Primeiro Comando da Capital e a Venezuela: realidade e preconceito

Prezado Artemiy Semenovskiy,

Escrevo-lhe hoje para expressar minha preocupação com a situação dos imigrantes venezuelanos.

Estes imigrantes refletem, ao meu ver, a mesma realidade de todos os que vivem na periferia de nossa sociedade: das metrópoles às pequenas comunidades.

Assusta-me, no entanto, que alguns estranhem a facilidade como que o Primeiro Comando da Capital tenha tanta facilidade em cooptá-los.

Como você sabe, as desigualdades sociais e econômicas são as principais causas dessa marginalização e criminalidade.

E esta injustiça Social é uma consequência da propriedade privada, que cria uma competição desigual pela riqueza e pelo poder.

Primeiro Comando da Capital e a Venezuela: os outros são o problema

Todos olhamos para a Venezuela negando a triste realidade das periferias sociais de nossos próprios países.

Afinal, a Venezuela é um país em tese governado por um governo de esquerda, só que…

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital nasceu e cresceu em uma nação capitalista líder em desigualdade social: o Brasil.

No entanto, preferimos olhar para além de nossas fronteiras, por isso, reproduzo após minha carta a você o artigo do site Insight Crime.

Desta forma, podemos olhar para além do horizonte, para além de nossas fronteiras e de nossas próprias culpas.

Se olhássemos para os migrantes da região norte e nordeste do Brasil, ou das cidades do interior para as capitais, veríamos o mesmo…

… mas olhemos a Venezuela!

Primeiro Comando da Capital e a Venezuela: como reflexo da crise social

O brasileiro Primeiro Comando da Capital, ao lado de outros grupos criminosos como seu aliado venezuelano Tren de Aragua lucram com esta triste crise social.

Para resolver essa situação, seria necessário que o Estado interviesse garantindo a igualdade de oportunidades e renda para todos os cidadãos, independentemente de sua origem social ou econômica.

No entanto, vejo em minha cidade a revolta de amigos e parentes com o governo federal e a CNBB por estarem falando sobre a fome e as desigualdades sociais.

Negamos a realidade mesmo quando salta as muralhas dos presídios para dominar comunidades inteiras: das metrópoles às pequenas comunidades.

Só eliminaremos a criminalidade decorrente da desigualdade econômica e social enfrentando a realidade que preferimos negar.

Bem, anexo ao final desta, o artigo sobre a situação na Venezuela, afinal, o problema é lá e não aqui.

Com um sincero, forte e leal abraço de seu amigo de longa data, lhe desejo paz, justiça, liberdade, igualdade e união.

Wagner do Site

Livre tradução do artigo do site Insight Crime: Venezuelan Migrants Remain Easy Prey for Organized Crime — include large-scale gangs such as Venezuela’s Tren de Aragua and Brazil’s First Capital Command, which are present in several countries in the region

Imigrantes venezuelanos: presa fácil para o crime organizado

Um novo relatório destaca como grupos do crime organizado estão atacando imigrantes venezuelanos.

Esta que é a maior crise de deslocamento da região está se transformando em uma lucrativa oportunidade de negócios para as organizações criminosas.

Mais de 7 milhões de venezuelanos foram deslocados de seu país após uma crise econômica de longo prazo que foi agravada pela pandemia do COVID-19.

Agora, de acordo com um relatório da Plataforma de Coordenação Interagências para Refugiados e Migrantes na Venezuela, esses migrantes estão sendo explorados em pelo menos sete países da América Latina e Caribe: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Aruba e Curaçao.

Aqui, o InSight Crime analisa as conclusões do relatório e analisa os múltiplos perigos que os grupos do crime organizado representam para os imigrantes venezuelanos.

Imigrantes como vítimas do crime organizado

A saída de migrantes venezuelanos oferece aos grupos criminosos oportunidades constantes.

Segundo o relatório, os migrantes são frequentemente recrutados por grupos criminosos e colocados para trabalhar nos escalões mais baixos da organização.

São esses eles que realizam tarefas como a venda de contrabando, sempre nas posições de baixo nível e com maiores riscos.

Além de tudo, os migrantes em interação com outros criminosos ficam vulneráveis a serem vítimas do tráfico humano.

Apesar de um suprimento abundante de vítimas, grupos criminosos começaram a recrutar migrantes de abrigos humanitários que abrigam populações em trânsito, segundo o relatório.

Uma vez recrutados, os migrantes são forçados a trabalhar em toda a cadeia de abastecimento do narcotráfico.

Os migrantes foram forçados a trabalhar colhendo folha de coca e transportando drogas entre os países de barco ou como mensageiros humanos.

Nas cidades, os migrantes são obrigados a vender drogas para poderem sobreviver e pagar os agenciadores a que estão submetidos.

As redes de contrabando humano na América Latina lucraram e se expandiram com a alta demanda por seus serviços na Venezuela.

Esses grupos oferecem “pacotes” que incluem viagens da Venezuela para o Chile ou Argentina e depois para a Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil.

Os pacotes também incluem hospedagem, transporte e contrabando por rotas perigosas que cruzam as fronteiras nacionais.

algo como os pacotes pagos por brasileiros para entrarem nos EUA, Japão e Europa e que, por vezes, acabam em morte e escravidão sexual

Imigrantes como vítimas do tráfico humano

Essas zonas também são áreas ativas para redes de tráfico humano, que sequestram migrantes.

Imigrantes venezuelanos foram considerados vítimas de tráfico humano em pelo menos 11 outros países, tanto na América Latina quanto em outros lugares.

Como migrantes não autorizados, as vítimas são incapazes de relatar sua situação ou buscar ajuda, aumentando ainda mais sua precariedade.

A maioria das vítimas do tráfico humano para fins de exploração sexual são mulheres e meninas.

Elas são recrutadas predominantemente por meio de redes sociais e falsas ofertas de emprego para trabalhar em residências particulares, restaurantes ou como cabeleireiros.

Assim que as mulheres chegam ao país de destino, os criminosos pegam seus documentos e as obrigam a prestar serviços sexuais para “pagar” pelo transporte e acomodação.

Algumas vítimas são entregues a grupos como o Tren de Aragua, que as exploram ainda mais.

Os migrantes também são vítimas da exploração do trabalho na indústria agrícola, em trabalhos como colheita, construção e trabalho doméstico em países como Brasil, Aruba e Curaçao.

Imigrantes: quem lucra com a miséria?

Muitos tipos de grupos criminosos lucram com a exploração de migrantes, desde redes transnacionais até clãs locais, segundo o relatório.

Entre os grupos identificados estão o Exército de Libertação Nacional (Ejército de Liberación Nacional – ELN), e grupos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além destes, organizações criminosas como o Tren de Aragua da Venezuela e o Primeiro Comando da Capital do Brasil.

O relatório revela também a presença de clãs familiares e gangues criminosas menores, algumas de origem venezuelana, e outras da Bolívia, Argentina, Chile e Colômbia.

Enquanto a maioria desses grupos simplesmente aproveita as rotas migratórias que passam por seu território, a pandemia do COVID-19 atuou como um catalisador para o crescimento de grupos criminosos associados ao contrabando de migrantes e ao tráfico de pessoas, incluindo o já mencionado Tren de Aragua, que tem expandido para outros países.

Imigrantes como vítimas da violência: uma estratégia comum

A violência é uma instituição tão natural como a própria vida humana. Decorre do nosso instinto de sobrevivência, sendo o grande motivo para o homem ter dominado a natureza. Mas essa afirmação não pretende trazer glamour à violência.

Talvez no último estágio da existência humana, a evolução definitiva seja exatamente vencer o instinto natural que nos propala a nos destruirmos mutuamente.

Conexão Teresina: uma crônica sobre a atuação do PCC no Piauí

Os migrantes recrutados e explorados por grupos do crime organizado estão expostos a níveis angustiantes de violência, ameaças, desaparecimento forçado e homicídio.

Segundo o relatório, os migrantes venezuelanos são vítimas frequentes de desaparecimentos forçados, sendo as regiões fronteiriças pontos específicos de perigo.

Os traficantes de seres humanos muitas vezes levam as vítimas por rotas perigosas e frequentemente as abandonam.

Alguns desaparecimentos ocorrem em regiões onde grupos armados lutam pelo controle do território, outros em contextos de violência sexual.

O tráfico humano é uma das principais causas de desaparecimento de migrantes, seja como vítimas de exploração laboral em bares em Aruba e Curaçao, ou em áreas de mineração da Bolívia e do Brasil.

Migrantes recrutados por gangues criminosas também correm o risco de serem mortos em confrontos com outras gangues.

Cerca de 1.000 venezuelanos foram assassinados na Colômbia em 2022, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses da Colômbia.

Mortes violentas ligadas a disputas de tráfico de drogas também ocorreram no Brasil, de acordo com o relatório.

E migrantes cujo status os impede de usar o sistema bancário formal foram vítimas de ameaças, violência física ou sequestro por agiotas na Argentina, Bolívia, Brasil e Colômbia.

Livre tradução do artigo do site Insight Crime: Venezuelan Migrants Remain Easy Prey for Organized Crime — include large-scale gangs such as Venezuela’s Tren de Aragua and Brazil’s First Capital Command, which are present in several countries in the region

Prisão e penas mais duras: discurso populista reforçam o PCC

O populismo político aponta que a solução para a Segurança Pública é a prisão e penas mais duras, no entanto, essa política gerou o PCC 1533.

Prisão e penas mais duras: o resultado na Argentina

O Estado sempre apoiou o slogan de que a prisão e penas mais duras seriam o fim dos problemas, mas essa nova realidade marca o início de outros, ainda mais delicados, que impactam diretamente nas ruas.

site archyde.com

Meu caro Francesco Guerra,

Permita-me apresentar-lhe a seguinte situação intrigante.

Diversos políticos em todo o mundo, mas principalmente os da direita latinoamericana, em sua crença firmemente arraigada, sustenta que mais prisões e penas severas trariam maior segurança para o povo.

No entanto, suas intenções nobres, se não populistas, foram mal direcionadas.

Pois as organizações criminosas estão usando essas prisões como ferramenta para recrutar, doutrinar e treinar criminosos para seus esquemas ardilosos.

A solução aparentemente simples para combater o aumento da criminalidade revela-se, na verdade, um golpe de mestre da mais formidável organização criminosa, a facção PCC.

Ensinou aos criminosos que prisão não significa que o negócio criminoso acabou, mas muito pelo contrário, que outra etapa se inicia.

Não é possível acabar com a facção PCC sem abordar as questões de superlotação e opressão carcerária, já que estes são fatores que contribuem para a formação e fortalecimento da organização.

A falta de condições adequadas nas prisões, como superlotação, violência e falta de recursos, é um terreno fértil para o crescimento da criminalidade organizada.

Além disso, as condições opressivas nas prisões podem ser usadas pelos líderes da facção para consolidar seu poder e controle sobre seus membros.

Por isso, é importante que sejam implementadas medidas eficazes para melhorar as condições nas prisões, incluindo investimentos em infraestrutura, segurança e programas de ressocialização.

ChatGPT para o site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org

Prisão e penas mais duras: unindo o crime

Além disso, meu caro Francesco,

A política de aprisionamento em massa adotada pelos diversos governos latinoamericanos não só falhou em reduzir a criminalidade e o tráfico de drogas, como fortaleceu ainda mais a influência e o poder do Primeiro Comando da Capital.

Os criminosos recrutados e doutrinados nas prisões apregoam com orgulho que agora fazem parte de uma grande organização criminosa internacional!

Portanto, temos um problema ainda maior em nossas mãos!

Pois a facção PCC está usando sua posição privilegiada dentro das prisões para ameaçar funcionários da Justiça, do Sistema Carcerário e das forças de Segurança Pública.

O criminoso plantou novamente ameaças contra um juiz federal, um promotor federal, um senador provincial e um prefeito.

Ele avisou por meio de outro interlocutor que está detido na prisão de Rawson que iria atacá-los com “balas e granadas”.

“Quem avisa não trai”, alertava a mensagem intimidadora que teve como destinatários uma extensa lista de autoridades judiciais e políticas.

site archyde.com

Prisão e penas mais duras: a revanche

A tudo isso, meu caro Francesco,

As autoridades argentinas pediram conselho para seus pares brasileiros que alertaram que os criminosos se comunicavam por WhatsApp.

O Primeiro Comando da Capital organizava seus asseclas através de troca mensagens de dentro das prisões por todo Brasil.

E assim, os criminosos da organização de dentro das muralhas brasileiras tem contato online com as prisões na Argentina, no Paraguai e na Bolívia.

Atentado ao fato, um juiz de Buenos Aires ordenou uma busca e apreensão de celulares nas celas dos presos — a reação foi imediata e violenta.

Em apenas duas noites mais de dez ônibus foram incendiados com coquetéis molotov.

A Justiça teve que reverter a medida e o Estado teve que assumir que havia subestimado o poder que a comunicação irradiava no crime organizado.

site archyde.com

O Primeiro Comando da Capital está determinado a proteger seu império criminoso, mesmo que isso signifique causar caos e destruição na cidade.

O aprimoramento: a Sintonia Restrita

Francesco, a reportagem sobre a Sintonia Restrita do Metrópoles que você fez a gentileza de encaminhar ao meu escritório é uma das consequências dessa política.

Mostra como a aposta dos políticos populistas na prisão e penas mais duras só profissionalizou a facção paulista PCC.

Graças a essa política prisional o PCC criou um novo exército de criminosos dispostos a seguir suas ordens e a perpetuar seus planos maléficos.

Estratégia, ousadia e muito acesso à informação permeiam um “setor de inteligência” criado pelo Primeiro Comando da Capital.

O grupo funciona como uma ampla rede de criminosos.

As grades e os muros de prisões ao redor do país não são suficientes para brecar o fluxo de informações que movimentam as engrenagens da chamada sintonia restrita – o atual cérebro da facção criminosa.

Carlos Carone e Mirelle Pinheiro para o site Metrópoles

É com grande pesar, meu caro Francesco, que encerro essa minha carta. Lamento, que a cada carta, o mundo se torne cada vez mais incerto.

Atenciosamente, um forte e respeitoso abraço daquele que está até a última gota de sangue disposto a defender a Paz, a Justiça e a Liberdade para todos.

Wagner do Site PCC 1533

leia o artigo base no site archyde.com: The heads of the First Capital Command (PCC) ordered the burning of buses. in just two nights more than ten buses caught fire of public transport with Molotov cocktails…