Prostituição na Amazônia, a facção PCC 1533 e uma sobrevivente

Mergulhe na complexa realidade da Prostituição na Amazônia, onde exploramos as histórias ocultas de exploração do Primeiro Comando da Capital.

Prostituição na Amazônia revela um cenário sórdido e desesperançado. A vida ali é marcada por exploração, pobreza e violência, envolta num nevoeiro de invisibilidade social. Detalhes chocantes são narrados por mulheres que, frequentemente, são as únicas testemunhas dessas realidades ocultas.

No coração desse submundo, a presença perturbadora do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) é um indicativo da complexidade e profundidade do problema. Sua interferência na região é parte crucial dessa história, uma peça inquietante num quebra-cabeça de desumanização.

Convidamos você, leitor, a mergulhar conosco nesse relato. Comente suas impressões no nosso site, em nosso grupo de leitores, ou diretamente conosco, em mensagem privada. A sua participação é fundamental para iluminarmos essa realidade.

Prostituição na Amazônia: sobrevivência na selva

Em meio à vasta selva da Amazônia, onde a natureza se revela em todo o seu esplendor e brutalidade, aninha-se uma realidade selvagem e desumana, onde a inocência é vendida ao preço da sobrevivência: a prostituição. E uma das mãos que manipulam os fios desta obscena marionete é uma organização tão impiedosa quanto eficaz – o Primeiro Comando da Capital.

A trama começa com uma sombra que se move silenciosamente nos bastidores da economia subterrânea, estendendo seus tentáculos criminosos para além do tráfico de drogas, atingindo o submundo da exploração sexual. A prostituição na Amazônia tem sido o campo de colheita mais recente para o PCC, uma área onde o vulnerável se torna presa fácil.

As cidades situadas ao longo do rio Amazonas, com suas luzes cintilantes refletindo na água escura como olhos de gato na noite, proporcionam o cenário ideal para um romance policial. No entanto, ao contrário dos filmes americanos, não existe aqui um detetive brilhante nem uma força policial eficaz para solucionar o mistério. Aqui, os autores dos crimes são conhecidos e as vítimas, juntamente com o seu sofrimento, estão expostas a todos.

Projetos de infraestrutura que não levam em conta o meio ambiente trazem homens de todas as partes do Brasil e até de outros países para a região amazônica. A facção PCC, vê nessa movimentação uma chance de expandir seus negócios. A pobreza e a falta de oportunidades tornam-se as ferramentas de recrutamento, transformando as mulheres locais em mercadorias.

A exploração sexual e as organizações criminosas

A exploração da prostituição na Amazônia pelas organizações criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital não é apenas um drama criminal, mas também uma tragédia humana, onde cada vítima tem sua própria história, cada uma carregando um fardo de dor que ultrapassa os limites do tolerável e onde cada algoz também tem sua história.

Essa realidade se torna ainda mais cruel quando percebemos que muitos que outrora foram vítimas acabam por se tornar algozes. A batalha para reverter essa situação parece um desafio esmagador. A solução não se encontrará somente nas leis ou na repressão policial, mas também na mobilização social, no entendimento do mecanismo dos interesses humanos e na criação de oportunidades para aqueles que, no momento, possuem escassas.

Em meio a esta trama densa e sombria, as organizações de direitos humanos e a sociedade civil têm um papel importante a desempenhar. No entanto é importante ressaltar que a exploração sexual pelo crime organizado é algo tão antigo quanto a civilização humana, e apesar de não ser de meu conhecimento quando o Primeiro Comando da Capital começou nesse negócio, posso arriscar que se deu com a incorporação nas operações da facção de grupos que já atuavam até mesmo antes da existência das facções criminosas no Brasil.

Minha experiência com a prostituição

Desde a distante época de 1982, minha rota me levou a muitos prostíbulos, cada um com suas luzes ofuscantes e sussurros secretos, antes mesmo de a facção criminosa assombrar as esquinas. Alguns deles persistem, não apenas no pulsar contínuo da capital paulista, mas também na quietude do interior. Hoje, porém, as sombras do PCC se infiltraram em cada um deles, deixando a sua marca indelével.

Recordo-me de uma ocasião em particular, em Sorocaba. Ao lado de um integrante da facção, testemunhei a negociação para a compra de um prostíbulo. Sua postura e olhar determinado eram impenetráveis. Até hoje, me pergunto se a motivação por trás daquela decisão foi puramente econômica, ou se o que realmente estava em jogo era uma demonstração crua de masculinidade e poder. Naquele momento, vi refletido em seus olhos o mesmo brilho sombrio que encontrei em tantos outros ao longo desses anos: o anseio por controle, o desejo de domínio.

Porém, a sombra da facção não era a única presente naqueles locais. Também conheci jovens mulheres, algumas praticamente meninas, que se entregavam a homens por quem não sentiam a menor afeição. Trocavam carícias falsas por dinheiro real, garantindo assim a sobrevivência, não apenas delas, mas também de seus filhos inocentes. Algumas, porém, se submetiam a essa vida sombria, não para alimentar os pequenos corpos que dependiam delas, mas para alimentar seus próprios vícios insaciáveis – álcool, drogas, as maldições modernas.

Entre as vítimas, 62% são mulheres e 23% são meninas, e em torno de 80% das vezes o objetivo é explorá-las sexualmente.

El País: Pelos ‘prostibares’ da Amazônia, como funcionam as redes de prostituição na selva

Depoimento de um leitor do site

Entre as vozes que ecoam nos corredores dessas casas, está Mclovin, um leitor fiel deste relato. Ele me presenteou com um testemunho, um fragmento da realidade que ele viveu…

Eu tenho uma amiga no Pará que tá nesse corre. Ela já foi presa e tudo, mas as coisas estão feias por lá e ela não tá tendo oportunidade de ganhar dinheiro, aí o caminho é a prostiuição. Essa amiga ela passou por isso.

Foi presa, aí solta mas hoje está de preventiva, é mãe solteira e como não encontra oportunidade no crime por ser mulher e a região está em guerra, ela decidiu se prostituir pois nem emprego normal consegue.

Recebeu um convite de melhoria para se prostituir no garimpo, embora ela seja explorada e passe por condições desumanas, ainda assim ela prefere está lá pois tem o que comer e dá para seu filho.

Na voz quem viveu na pele a prostituição na Amazônia

Na reportagem do site Sumaúma – Jornal do Centro do Mundo, uma conversa com uma dessas mulheres que compõem essa teia de prostituição é apresentada ao leitor. A jornalista Marcela Ulhoa, versada em Resposta Humanitária, migração, questões de gênero e populações indígenas, nos guia através da história de vida de Patri. Uma mulher cujo nome é mascarado para proteger sua identidade, mas cuja existência é tão real quanto a nossa, ainda que viva uma realidade que nenhum de nós pode verdadeiramente compreender.

A seguir um resumo do texto do artigo do site Sumaúma, para ler a reportagem completa com as fotos clique no link!

No coração da floresta amazônica, a sobrevivência tem suas próprias regras. Encontramo-nos com a história de Patri, uma venezuelana que buscou nos garimpos brasileiros a promessa de uma vida mais próspera. Deixando seu filho para trás, ela penetrou em um mundo regido pela busca insaciável de lucro, onde a vida humana torna-se uma moeda e o PCC, uma facção criminosa de renome, exerce um poder ameaçador.

Dentro da paisagem inóspita, Patri se agarra a um fio de esperança: um caderno de capa azul. As páginas do caderno absorvem suas experiências no garimpo, narrando casos de abuso, exploração e violência. O garimpo, um barril de pólvora onde a cobiça e o perigo fervem, se tornou seu novo lar – um lugar onde a vida balança perigosamente entre a sobrevivência e a brutalidade.

Iludida pela promessa de um Eldorado, uma terra repleta de oportunidades, Patri se aventurou na direção de Homoxi e Xitei, na Terra Indígena Yanomami. Levava consigo uma fé ingênua e uma esperança cintilante no brilho do ouro. No entanto, o Eldorado que ela encontrou era uma amarga caricatura do que ela havia sonhado.

O ouro e a prostituição na Amazônia

Na luta pelo ouro na densa selva da Amazônia, existe uma realidade sórdida que muitos escolhem ignorar: a prostituição na Amazônia. A história que se desenrola a seguir mergulha nos detalhes sombrios da experiência de uma trabalhadora sexual em um garimpo, onde a realidade é cruel, perigosa e vivida à margem da sociedade.

A descoberta de ouro na região desencadeou uma corrida frenética que atraiu indivíduos de todos os cantos, cada um ansiando por um pedaço do tesouro escondido na floresta. Mas com a riqueza, veio a exploração. Nesse cenário, surgiram os cabarés – lugares onde se vende sexo aos trabalhadores exaustos e desesperados, entre outras mercadorias.

Com o passar do tempo, Patri colecionou cerca de 25 gramas de ouro, o que equivalia a aproximadamente 5.000 reais. Não era o Eldorado que ela havia sonhado, mas era uma recompensa pelo sacrifício que havia feito. Ela retornou de sua odisséia ao garimpo carregando consigo um relato marcante de sobrevivência e coragem.

A saga de Patri ressoa como um aviso, uma visão indomada da realidade encarada por tantas mulheres em situações análogas. Sua luta é um testemunho da tenacidade do espírito humano, uma prova de que a esperança e a dignidade podem perseverar até nas condições mais desumanas. Ela sonha com o dia em que suas memórias serão impressas, tornando-se uma luz guia para outras mulheres que atravessam adversidades semelhantes.

Neste idílico povoado as alunas do Internato Indígena de San Francisco de Loretoyaco são o alvo de muitos olhares de desejo. Homens bem mais velhos que elas as seduzem na saída do colégio…

El País: Pelos ‘prostibares’ da Amazônia, como funcionam as redes de prostituição na selva

a realidade brutal registrada dia à dia

A saga de Patri é um testemunho sombrio da crueldade humana, mas também de uma resiliência surpreendente. Suas lembranças, meticulosamente gravadas nas páginas de um caderno azul, clamam por nossa atenção e ação. A resolução desta história está por ser decidida e, certamente, depende do envolvimento de todos nós. O grito silencioso de Patri, ecoando na selva, serve como lembrete perene do valor da vida humana, mesmo quando ofuscado pelo brilho do ouro.

Patri nos conduz através de sua experiência no garimpo com um realismo que roça o brutal. Ao desembarcar naquele ambiente, ela percebeu rapidamente que sua autonomia estava à mercê da proprietária do cabaré, uma mulher que controlava desde os clientes até a comida. Esta mulher decidia os parceiros de Patri, a remuneração por cada encontro e até mesmo o tempo que cada um duraria.

A trabalhar na sala do cabaré, Patri estudava a dinâmica entre as trabalhadoras sexuais e seus clientes. Notou que um “contrato” mais longo, onde a mulher coabitava e servia a um homem por um período determinado, geralmente implicava mais do que a simples troca de favores sexuais. Esperava-se que essas mulheres cozinhassem, lavassem roupa e garantissem exclusividade.

A prostituição nos fuscons

Patri também detalha o “fuscon”, a denominação dada ao local onde ocorriam os programas. Ela conjectura que o termo possa ter origens na língua indígena local. Estes “fuscones” eram recintos pequenos, improvisados com troncos e lona. Ocasionalmente, as trabalhadoras recebiam uma cama, mas, em outros momentos, apenas uma rede lhes servia de leito.

A realidade inóspita do garimpo se estendia muito além do trabalho sexual. As condições de higiene eram desastrosas, os alimentos exorbitantes e havia uma cultura arraigada de consumo excessivo de álcool e de tiroteios casuais. Para acessar a internet, as mulheres eram forçadas a pagar taxas exorbitantes. Patri também fez questão de relatar a onipresença de drogas, armas de fogo, munições, ouro e gasolina no garimpo.

A discriminação sofrida pelas trabalhadoras sexuais venezuelanas se manifestava intensamente. Patri, sendo uma delas, estava frequentemente à mercê de comentários depreciativos, sendo rotulada de forma depreciativa como “mira”.

Refletindo sobre sua experiência, Patri revela um pesar profundo pelas decisões que a levaram ao garimpo. Ela detalha como as condições árduas de trabalho e de vida corroeram sua saúde mental e física. Comenta o medo persistente da violência e a pressão constante para manter um semblante de dignidade. A dinâmica de poder no garimpo, em sua visão, assemelhava-se à do tráfico de pessoas, uma comparação que ecoa com contundência em suas palavras.

A quem recorrer nesse mundo?

O relato de Patri lança uma luz impiedosa sobre as cruéis realidades de uma vida no garimpo, marcadas pela exploração, pela precariedade e por uma distribuição de poder grotescamente desequilibrada. Ela não poupa críticas ao sistema que perpetua essas condições, nutrindo a esperança de que sua história possa agir como um catalisador para uma mudança necessária.

Certo dia, um cliente regular, empregado do proprietário do cabaré, apresentou-se bêbado. Acabou por adormecer na cama da trabalhadora sexual, deixando-a sem alternativa senão buscar um outro lugar para repousar. No meio da noite, foi abruptamente despertada por outro cliente que lhe propunha um encontro.

As coisas pioraram quando o homem embriagado acordou e, num estado de fúria alcoolizada, confrontou-a com uma faca. Ele a ameaçou com a morte, semeando o terror em seu coração. Nesse momento, a trabalhadora sexual compreendeu que estava absolutamente desprotegida, mesmo dos supostos donos do estabelecimento.

Um cliente mais velho e experiente a advertiu que deveria deixar o cabaré, já que sua vida estava em risco ali. Para tal fuga, o proprietário exigiu o pagamento em ouro, moeda corrente naquela parte isolada do mundo.

A decisão de abandonar esse mundo

Decidiu, então, rumar para outro garimpo, conduzida por indígenas locais, que a auxiliaram respeitosamente em sua odisseia. Ela encontrou em seu tratamento um contraste marcante em relação ao que recebia dos rudes mineiros com os quais normalmente se relacionava.

Apesar de nunca ter testemunhado diretamente a exploração de mulheres indígenas, ouviu histórias dos próprios mineiros, que confidenciavam suas ações repugnantes. No garimpo, a prostituição é apenas uma das muitas facetas da exploração, que inclui ainda a degradação ambiental e o desrespeito aos direitos indígenas.

A narrativa da trabalhadora sexual revela a realidade tenebrosa e oculta que acompanha a corrida do ouro na Amazônia. As histórias de exploração sexual se entrelaçam com a destruição ambiental, tecendo um cenário sombrio de cobiça e desrespeito aos seres humanos e à natureza. Nesse contexto, a prostituição na Amazônia continua a ser uma questão alarmante e urgente, que demanda ação e atenção a nível mundial.

Patri relata que testemunhou índios, sob efeito da cachaça, transformarem-se de tal maneira que chegavam a matar por razões fúteis, evidenciando a triste realidade do alcoolismo em suas comunidades. As mulheres sofriam, assim como as crianças. Foi então que compreendeu o desejo das índias de pôr fim ao comércio de cachaça, visto que os homens, quando embriagados, se metamorfoseavam em criaturas monstruosas. Nesse momento, ela entendeu a importância crucial do respeito à cultura e à integridade das comunidades indígenas. A prostituição na Amazônia, apesar de ser um trabalho para muitas mulheres, tem um impacto direto sobre a vida destas comunidades.

O Cabaré Pequena Sereia

Os garimpeiros, cegos pela cobiça do ouro, ignoravam o efeito destrutivo de suas ações sobre o meio ambiente, as comunidades indígenas, e cada mulher presa à prostituição. “Se todos pudessem ver o que eu vi, sentir o que eu senti, talvez as coisas pudessem mudar”, supõe Patri. Talvez a prostituição na Amazônia pudesse ser vista sob uma luz diferente, uma luz de respeito, compreensão e empatia. Uma luz que revela a dura realidade enfrentada por tantas mulheres e comunidades indígenas na Amazônia.

Os dias passados no cabaré Pequena Sereia continuam impressos na mente de Patri, vívidos como se fossem ontem. Os rostos das índias, dos garimpeiros, dos amigos e colegas de profissão no mundo da prostituição dançam em suas memórias. Com eles, recebeu lições sobre a existência – o embate pela sobrevivência, a dor intrínseca à vida, a resistência necessária para encarar cada dia. Acima de tudo, compreendeu a relevância do respeito e da empatia para com o próximo.

As mulheres indígenas e a prostituição

As mulheres indígenas envolvidas na prostituição são mães, cuidadoras de seus filhos. Ao dar à luz outra criança, a mais velha é confiada às irmãs, às tias, às avós – a responsabilidade pela criação dos pequenos recai sobre as mulheres da tribo. Enquanto os homens se empenham na lavoura e na caça, as mulheres se dedicam à difícil tarefa de educar os jovens.

Em uma ocasião, Patri informou a uma dessas mulheres, mãe de oito filhos e incapaz de ter mais, que o hospital público realizava a esterilização de forma gratuita. No entanto, a mulher recusou-se a ir, alegando que os funcionários do hospital a tratavam mal por sua origem indígena. Patri percebeu que a vergonha marcava a mulher, agravada pelo desprezo com que os indígenas, sobretudo as mulheres, eram tratados.

A mulher estava visivelmente desolada, seus olhos expressando uma angústia profunda. Patri se ofereceu para levá-la até a cidade, falar com um médico, arranjar a cirurgia. Contudo, a mulher recusou, aterrorizada pela ideia de ser maltratada, de sofrer ainda mais. À beira do desespero, suas lágrimas silenciosamente imploravam por socorro. E, diante dessa cena, Patri se viu impotente, incapaz de fornecer o auxílio de que a mulher tanto precisava.

Patri se viu imersa na tristeza da indígena, compartilhando a sua dor. A mulher se afastou, carregando seu bebê nos braços, e Patri a observou ir, sem nada poder fazer. Foi a primeira vez que ela presenciou uma indígena em lágrimas. Sempre as via fortes, corajosas, lutadoras. Mas naquela ocasião, a vulnerabilidade e fragilidade daquela mulher ficaram expostas. E aquilo a tocou de forma inesquecível.

Patri voltou do inferno para contar ao mundo

Ao ingressar na vida do garimpo, Patri não tinha ideia do que a esperava. Ela não imaginava que seria testemunha de tanta dor, de tanta tristeza. Ela não previa que encontraria a exploração, a degradação, a violência. Ela não antevia que se depararia com a prostituição na Amazônia.

Ela viu a exploração dos indígenas pelos garimpeiros, usados como ferramentas na busca pelo ouro. Viu a degradação da floresta, a destruição da natureza. Viu a violência, a agressão, a exploração sexual. Viu a prostituição, a exploração das mulheres.

Ela viu tudo.

Análise do Comunicado Geral Estados e Países PCC Região Norte

A situação das facções criminosas na Região Norte do Brasil, explorando as alianças e rivalidades entre elas, e considerando as possíveis estratégias e táticas para lidar com essa conjuntura. A análise abrange a ascensão e queda de organizações como Família do Norte, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital.

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Análise do Comunicado: a gente aprende muito com a experiência de cada um! Conto com vocês pra compartilhar o que sabem e o que pensam sobre isso nos nossos grupos ou me mandando uma mensagem privada. Valeu!

Mudanças Inesperadas na Guerra entre Facções

Recentemente, postei o “Comunicado Geral Estados e Países – 04/04/2023 – Região Norte”, e agora, analisarei seu conteúdo.

A Região Norte presencia reviravoltas surpreendentes no conflito, tornando-se difícil acompanhar os eventos, mas, afinal, o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) conseguirá ameaçar a presença do Comando Vermelho (CV) na Região Norte?

O Comando Vermelho no Norte do Brasil

A poderosa Família do Norte estabeleceu uma aliança com o Comando Vermelho, proveniente do Rio de Janeiro.

A facção criminosa carioca, renomada por sua habilidade em guerrilha urbana, demonstrou também ser mestre no controle territorial e nos negócios obscuros do submundo do crime organizado.

Além disso, esse grupo possui vasto conhecimento do mercado internacional, o que lhes conferiu uma vantagem estratégica inestimável aos associados do FDN.

Esta aliança formidável entre as duas facções gerou um impacto significativo na dinâmica do crime na região, tornando-se uma força a ser reconhecida e temida por outros grupos criminosos.

Mas, utilizaram-se de inteligência e terror, investindo em jovens da região e enviando reforços do Nordeste e Sudeste, surpreendentemente, o Primeiro Comando da Capital ameaçou a hegemonia da aliança FDN e CV.

A ação de guerrilha da facção PCC deu resultado depois de muito sangue derramado pelas ruas de Manaus e por todo interior do Amazonas.

Táticas que tradicionalmente são usadas pelo Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho não terão resultado naquela região com tantos grupos criminosos espalhados por uma área tão extensa, no o mapeamento, ações surpresa, emboscadas e intimidação podem dar resultado.

Desestabilização gera mudança de poder

A desestabilização da FDN foi resultado de várias ações coordenadas pelas autoridades públicas, como investigações, operações policiais e transferências de lideranças.

Ao isolar as lideranças da FDN, o poder público conseguiu minar a capacidade de comando e articulação do grupo criminoso, e essas divisões internas contribuíram para o seu enfraquecimento.

Sem uma liderança unificada e com disputas internas pelo poder, a organização criminosa ficou mais vulnerável a ações do poder público e ao avanço de outras facções.

O Primeiro Comando da Capital, por sua vez, soube aproveitar a oportunidade para expandir seu território e consolidar-se como a maior facção criminosa do Brasil.

Com uma estrutura organizacional mais sólida e uma liderança mais coesa, o PCC foi capaz de preencher o vácuo deixado pela FDN e estabelecer-se na região amazônica.

A derrocada do Primeiro Comando da Capital

O poder público auxiliou a vitória do PCC ao isolar líderes da FDN, causando divisões internas. Grupos como o Cartel do Norte surgiram e se aliaram ao PCC contra a FDN e o CV.

Entretanto, algo ocorreu. Hoje, grupos nativos e do CV dizimam o que restou da facção paulista na região.

Aqui no site, acompanhei vários jovens isolados reclamando do isolamento e sendo mortos ou fugindo com suas famílias.

Análise do Comunicado: O desafio atual do Primeiro Comando da Capital

O documento da Sintonia Fina do PCC afirma que não tolerará mais ataques. Mas como transformar essa ameaça em prática?

Mas em vez de enfrentar dois grandes grupos organizados e hierárquicos como no passado, a facção de São Paulo agora lida com vários grupos fragmentados, enraizados na comunidade local e unidos somente por interesses compartilhados com o Comando Vermelho.

A abordagem de guerrilha e a promoção da divisão não serão tão eficazes quanto antes.

Tentativas anteriores de estabelecer pontos de apoio em áreas estratégicas, como a realizada em Manaus há alguns anos, não tiveram sucesso, mesmo com o suporte do aliado daquele tempo, o Cartel do Norte.

Para ter alguma chance de vitória, o PCC precisará reconstruir pontes com antigos aliados ou conquistar novos.

Por alguma razão, o CV manteve uma aliança com a FDN, enquanto o PCC não conseguiu manter ao seu lado grupos tradicionais.

Todos os lados nessa guerra buscam vitórias através do desgaste e exaustão do oponente, com ataques persistentes e prolongados, sem grandes ações de retomada de áreas.

Uma guerra de informação e desinformação

Eu diria que o Primeiro Comando da Capital só conseguirá competir na região através de um sólido trabalho de inteligência e contrainteligência, com foco em cooptar líderes-chave para causar divisões ou fazer com que grupos mudem de lado.

Empregar ataques diretos para dominar áreas e rotas em uma região tão vasta e repleta de locais de difícil acesso tornaria essas ações muito caras e ineficazes, além de provocar o descontentamento da população local, que provavelmente possui parentes envolvidos nos grupos inimigos do PCC.

Disseminar informações e desinformações aos grupos isolados por meio de agentes infiltrados pode incentivar essa divisão e facilitar acordos com líderes dispostos a cooperar, além de levar o adversário a realizar ações que resultem em baixas.

Aguardo vossos comentários e opiniões sobre esta análise do comunicado, enriquecendo o debate e expandindo nosso conhecimento.

Comunicado Geral Estados e Países – 04/04/2023 – Região Norte

Comunicado Geral do PCC a respeito de conflitos com outras gangues e milícias, como o Comando Vermelho CV, que têm atacado familiares e pessoas inocentes. O Primeiro Comando da Capital expressa indignação, condena essas ações violentas e sinaliza que irá reagir para proteger sua família e membros.

Ataque dos inimigos na Região Amazônica

Primeiramente, um abraço a todos os irmãos (as) e companheiros (as).

Vamos abordar uma questão que vem acontecendo há algum tempo e, nos últimos dias, vem ocorrendo com frequência.

Vamos direto ao ponto:

Uma milícia chamada Comando Vermelho e algumas gangues que agem igual a eles, que não têm autonomia e controle sobre seus integrantes, vêm tirando a vida de familiares nossos e também de pessoas inocentes que não têm nada a ver com a nossa guerra, com o objetivo de intimidar nossos irmãos (as) e companheiros (as) dentro dos estados, como Amazonas, entre outros.

Um recado importante

Pois bem, vamos mandar aqui um recado para vocês que compactuam com esses tipos de atitudes covardes contra pessoas inocentes.

Nós, do Primeiro Comando da Capital, fomos criados em cima de opressões por parte do governo e, até hoje, estamos firmes e fortes na luta, lutando sem parar.

Com vocês não será diferente

As atitudes desses covardes estão gerando ódio e revolta. Portanto, com toda nossa indignação perante todos os fatos que vêm sendo apurados, daremos um recado para essa milícia do CV e outras gangues que compactuam com as atitudes deles:

Aquele que vier mexer com nossa família, iremos usar de todos os recursos que temos e vamos cobrar de igual.

Não é nosso objetivo, muito menos o que queremos, mas não vamos aceitar que a vida de nossos familiares e pessoas inocentes sejam tiradas por esses animais sem cérebros.

Então, aqui está toda nossa indignação, deixando claro que não iremos mais aceitar tais fatos apurados e narrados neste comunicado.

Deixamos um abraço a todos os irmãos (as), companheiros (as) e a todo o crime do Brasil que corre com o certo, sem exceção.

Assinado: Apoio S.F, Primeiro Comando da Capital – Estados e Países.

histórico da disputa do PCC na Região Norte e posíveis estratégias apontadas nesse comunicado geral

análise aprofundada do documento: Comunicado Geral Estados e Países – 04/04/2023 – Região Norte

A Marcola de Saias, a Guerreira do Acre e a cultura sexista do PCC

A Guerreira do Acre: como a mulher conquistou seu lugar na sociedade, e hoje tem o direito de morrer e apodrecer nas prisões como os homens.

A Mulher guerreira, Marcola de Saias, não é a primeira e não será a última

João Erik e Vinny do 11, vamos falar sobre a guerreira do Acre e a tal Marcola de Saias.

Ambos me procuraram essa madrugada para que eu comentasse sobre aquela mulher.

Ela ganhou as capas dos jornais de todo o país e lhes garanto, encontrei referência a ela em várias partes do mundo.

Suliane Abitabile Arantes, a Elektra, a Intocável, a Assombrada, a Kitana, a Mariana, e por fim e mais importante, a Marcola de Saias.

PCC ‘untouchable’ woman did trafficking accounting and registration of new members in the faction
Mujer ‘intocable’ del PCC hizo contabilidad de trata y registro de nuevos integrantes en la facción

Já devem ter notado que sou metódico e fujo das grandes manchetes sobre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).

É uma tentação e rende views repercutir os assuntos do dia, mas eu prefiro as notícias marginais, os detalhes que passam despercebidos do público.

Não me anima escrever sobre “Marcola de Saias” do dia. Sim! Pois é! Ela é a terceira que foi assim citada neste site desde que publico sobre o PCC em 2007!

O sexista Primeiro Comando da Capital

Estou prestes a compartilhar com vocês uma história real de horror que resgatei de uma mulher, guerreira da facção criminosa PCC 1533, realmente forte.

Esta história ilustra bem a mudança cultural a que vocês se referem, e que vocês acreditam estar ocorrendo.

Sei que será difícil de digerir, mas creio que é importante que vocês estejam cientes de que não é o caminho que está sendo seguido.

Vocês, assim como a maioria de nós, refletem no outro suas próprias expectativas, que por vezes vão de encontro à cultura do outro.

Não precisamos olhar no horizonte para ver isso, basta observarmos no nosso grupo de Zap: quantas mulheres há e a diferença do perfil dos homens.

O Primeiro Comando da Capital é um grupo sexista e não existe tendência de mudar essa realidade, existem sim, exceções.

A Guerreira do Acre e a Marcola de Saias são exceções à regra

A história que vou contar é a da Guerreira do Acre.

Não é a primeira história desse tipo e certamente não será a última, mas creio que é um exemplo da culturareal do PCC, que difere de nosso imaginário.

Ela lutou por sua família de sangue e pela Família 1533, acabou sendo perseguida e, em certo momento, nunca mais tive notícias dela.

Admirei a coragem dessa mulher que, possivelmente, nunca saberei se conseguiu sobreviver.

O Primeiro Comando da Capital na época era outro

A facção PCC 1533 investia pesado em ajuda aos guerreiros por mais isolados que estivessem.

Eu, na época, participava de diversos grupos de WhatsApp de “responsa” da facção, e de lá assisti a diversas “movimentações de tropas e armas”.

Foi assim para fortalecer os Amigos dos Amigos (ADA) no Rio de Janeiro, os Guardiões do Estado (GDE) no Ceará, e a Guerreira do Acre.

Hoje vemos a organização criminosa deixando crias para trás isoladas em diversos recantos do país para se focar no lucro seguro.

Esse meu comentário não deve ser entendido como uma crítica, mas como fruto de uma análise dos fatos, e posso estar errado.

Mudança na cultura do Primeiro Comando da Capital

Mas, ao contrário do que vocês possam pensar, a mudança que esperam vai de encontro à cultura da organização da facção paulista 1533.

Hamilton Pozo, com quem tive aula na faculdade, afirmava que uma mudança cultural em uma organização ou sociedade precisaria de 50 anos para se consolidar.

Não é fácil mudar a mentalidade de um grupo social, especialmente quando ela está enraizada em uma cultura que valoriza mais a sexualidade do que o lucro e os direitos humanos.

O imaginário do mundo do crime gira em torno da sexualização tanto do homem quanto da mulher, tornando o estereótipo como regra.

Vocês dois presenciaram ontem, no nosso grupo de Zap uma demonstração no caso do homem que queria contratar alguém para matar a própria mulher.

Sexo, armas e drogas

Nos próximos dias, atendendo a vocês, abordarei aqui no site a questão da sexualidade na facção Primeiro Comando da Capital.

Independente do que pensemos, eu, vocês ou um “cria do 15” do norte de Roraima, nós devemos continuar lutando por aquilo que acreditamos.

Assim como a Guerreira do Acre que lutou por sua causa, que lutou por sua família de sangue, que lutou pela Família 1533.

É isso que nos faz crescer e evoluir como seres humanos. Espero que essa história os inspire a continuar lutando e a não desistir de seus ideais.

o texto a seguir foi publicado neste site em 28 de janeiro de 2018 e na época eu utilizava base acadêmica para meus textos

A acadêmica de Roraima e a guerreira do PCC do Acre

É possível levar a sério um artigo acadêmico sobre a violência e a criminalidade urbana em um estado que é só selva?

E se eu disser ainda que foi escrito por uma mulher?

Este é o caso de Retratos da Violência Urbana e da Criminalidade em Boa Vista — Roraima: A capital mais setentrional do Brasil, de Janaine Voltolini de Oliveira.

Nossa! Me senti agora como Monteiro Lobato!

Você já leu o livro Éramos Seis, de Maria José Dupré?

Quem prefaciou a obra foi ninguém menos que Monteiro Lobato, ícone de nossa literatura e responsável por parte da formação cultural de nossa nação.

Nesse prefácio, Lobato não teve vergonha em contar que recebeu de seu editor o original do livro de Dupré que narrava a vida de uma mulher e de seus filhos, desde nasceram até a fase adulta, e ele inicialmente se recusou a ler a obra, pois tinha sido escrita por uma mulher e a premissa era ridícula.

Monteiro Lobato, eu e nossa misoginia

Após muita insistência do editor, Monteiro Lobato, acabou lendo e se apaixonando pelo trabalho da autora (assim como eu).

Janaine não é Dupré e eu muito menos sou Lobato, mas Dupré não podia prever que Lobato não iria querer lê-la por ser mulher, e Lobato não poderia prever que em cinquenta anos sua obra quase seria proibida por ser sexista e racista.

Assim como Janaine não poderia prever que um leitor se referiria ao seu trabalho dessa forma:

E se eu disser ainda que foi escrito por uma mulher?

A violência e o empoderamento da mulher

O artigo publicado na Revista de Ciências Sociais da UNESP faz uma avaliação do quadro de violência em Roraima e analisa seus números, apresentando as possíveis causas e soluções para o problema.

É um bom resumo do que acontece por lá e um facilitador para quem quer fazer uma análise rápida, mas não profunda, da situação do estado.

A questão da mulher me chamou a atenção assim que peguei o trabalho de Janaine — pensei em criar uma cota para a produção masculina nesse site, pois quase todos os trabalhos que fiz no último mês foram produzidos por mulheres ou cujo assunto eram as mulheres dentro da hierarquia do PCC.

Não acredito no acaso, e muito menos duvido dele.

A pesquisadora demonstra no artigo o aumento brutal do número de mulheres assassinadas — o Mapa da Violência 2015 denunciou o aumento de 500% da quantidade de homicídios de mulheres em Roraima em relação aos anos de 2003 a 2013.

Os números são o resultado do aumento da presença das mulheres, que estão dominando cada vez mais todas as áreas.

Uma escreve e outra derrama sangue

Quando Janaine escreveu o artigo, não poderia prever que trouxesse, a um de seus leitores, a lembrança de maneira tão viva de uma irmã ou companheira do PCC, que teve seu áudio viralizado um pouco antes dos ataques ocorridos no início de agosto de 2017 em Rio Branco:

Aqui o bagulho tá feio mesmo. Eu sou do Acre, só que os irmãos não estão muito unidos não. Mataram meus companheiros lá.

Até perder meu filho já perdi.

Tudo por causa dessa guerra. Agora os irmãos tem que tomar atitude aí.

Tem Irmão encurralado aí. Tem que ajudar Irmão.

Guerreira do Acre

Na voz, uma mulher, fiel de sangue ao Primeiro Comando da Capital, e seu pedido de apoio que mobilizou soldados e recursos da facção de diversas partes do Brasil.

A situação que estava quente, ferveu, sendo necessária uma operação de guerra envolvendo o governo estadual e federal para conter a situação.

A mulher conquistando o direito de matar e morrer

Monteiro Lobato teria que se conformar: a mulher conquistou seu lugar na sociedade, e hoje elas já escrevem tanto quanto os homens sobre a questão criminal, e com o incremento em torno de 1,5% ao mês do número de integrantes femininas nas facções.

Dentro de cinco anos elas possivelmente já estarão em pé de igualdade com os homens.

Eu não vou esperar tanto tempo para parabenizar as mulheres que conquistaram o direito de morrer como se fossem homem. Mary Wollstonecraft e Nísia Floresta devem estar muito satisfeitas com as conquistas das mulheres neste século.

Vídeo da execução de uma integrante do Bonde dos 13 do Acre (B13)

Comunidade dominada pelo CV teme ataque de PCCs e seus aliados

A morte de Cláudio, Gabriel e Thiago no bairro Teixeirão em Porto Velho em Rondônia está levando pânico a comunidade dos predinhos do Residencial Orgulho do Madeira que fica a 5 quilómetros, mas que é ninho do Comando Vermelho.

Rondônia é um estado estratégico como porta de entrada para as drogas vindas da Bolívia e do Peru, e é disputado palmo à palmo pelo Primeiro Comando da Capital e seus aliados locais Bonde dos 13 e Primeiro Comando Panda, contra o Comando Vermelho e que sobrou da Família do Norte. — NewsRondônia

Menor preso com celular roubado é o matador do PCC RO

Rondônia não é para fracos e aquele menor que estava andando pela Avenida Dedimes Cechinel em Vilhena estava lá para provar isso.

O moleque tem uma ficha corrida que poucos criminosos brasileiros possuem, são dezenas de assaltos, furtos e assassinatos — ele é, segundo dizem o matador do Primeiro Comando da Capital na cidade.

Entre outros, ele já confessou a morte do agente prisional André Borges Mendes, e apesar de estar tendo que cumprir medida restritiva ele circulava livremente pela avenida com um celular roubado. — fonte: Extra de Rondônia

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