No reino dos vivos, Salvador era um homem de contrastes. Quando sóbrio, era a personificação da gentileza, mas bastava beber um gole e um demônio adormecido acordava dentro dele. Era como se uma maldição o tivesse escolhido para fazer mal aos outros.
E foi assim que ele se envolveu com Pâmela, a esposa de um presidiário. Ninguém sabe ao certo como começou, mas na rua Dona Julia no bairro Alberto Gomes, todos sabiam do caso. E com o tempo, as fofocas e os olhares de reprovação se transformaram em ódio.
Mas Salvador não se importava. Ele estava cego pelo amor proibido e pela luxúria. E, para piorar as coisas, ele espalhava mentiras sobre Pâmela para os vizinhos. Uma palavra que se espalha como fogo e queima tudo à sua frente.
E foi assim que Salvador foi encontrado morto na rua. As suspeitas recaíram sobre os companheiros de cela do marido de Pâmela. Dizem que eles o mataram como vingança pelo relacionamento com a mulher do presidiário.
Mas a verdadeira causa da morte de Salvador, assim como o real teor de seu relacionamento com Pâmela, nunca foi totalmente esclarecido. A verdade se escondeu no mistério, envolvida em sombras que se estendiam por toda a comunidade.
E agora, como resultado dessa tragédia, somos confrontados com a pergunta: é justo que um homem que passa anos fora de casa possa exigir fidelidade de sua parceira?
O Talarico de Itu deveria morrer?
No entanto a lei do Primeiro Comando da Capital é clara quanto ao ato de talaricagem:
1. Ato de Talarico: Quando o envolvido tenta induzir a companheira de outro e não é correspondido, usa de meios como, mensagens, ligações, ou gestos. Punição: exclusão sem retorno, fica a cobrança a critério do prejudicado e é analisado pela Sintonia.
Mas há uma história antiga que pode nos ajudar a entender esse dilema: a lenda de Penélope e Ulisses.
A esposa de Ulisses esperou vinte anos por seu marido, demonstrando uma fidelidade inabalável.
Será que Pâmela poderia fazer o mesmo? Ou ela também seria vítima da talaricagem e da traição?
A resposta, como sempre, permanece oculta no enigma da vida.
E a morte de Salvador continua sendo um mistério, uma história de amor, traição e assassinato que ficará para sempre gravada na história da rua Julia, no Bairro Alberto Gomes, aqui em Itu.
Gostaria de compartilhar com você um caso intrigante que, se devidamente investigado, teria muitos desdobramentos.
Trata-se da morte de um boliviano chamado Ruddy Edil Sandoval Suárez, encontrado em Corumbá, Mato Grosso do Sul, uma cidade próxima à fronteira da Bolívia.
O corpo de Ruddy foi encontrado dentro de um Toyota FJ Cruiser com placa da Bolívia. Ele estava com as mãos amarradas nas costas e com tiros na cabeça.
A perícia ainda não foi concluída; portanto, ele pode ter sido morto na Bolívia e seu corpo trazido para o Brasil ou não.
Deputado vincula a facção PCC e os políticos bolivianos
O mistério se aprofunda ainda mais quando descobrimos que Ruddy era acusado de ser narcotraficante e de ter ligações com políticos na Bolívia.
No entanto, ele sempre negou todas as acusações, embora tenha admitido que apoiava financeiramente tanto os grupos políticos Unidad Cívica Solidaridad (UCS) quanto o Creemos.
Curiosamente, pouco depois de Ruddy ser acusado pelo deputado do Creemos, Erwin Bazán, de ser narcotraficante ligado a políticos de outro partido, surgem fotos nas redes sociais de Ruddy com líderes da aliança de Bazán, o Creemos, e não com opositores.
Bazán agiu como centenas de políticos pelo mundo afora, buscando vincular seus inimigos às bruxas, ao comunismo ou ao Primeiro Comando da Capital.
Grupos políticos buscam criar um ambiente de terror com alguma finalidade específica, seja chegar ao poder ou se manter nele, e parece ser o caso de Bazán.
No entanto, o assassinato de Ruddy coloca-o praticamente dentro do Palácio do Legislativo da Bolívia, e sugere que a facção PCC e os políticos bolivianos poderiam ter ordenado sua morte.
Uma complexa teia de interesses políticos e econômicos envolve os integrantes do cartel de drogas Primeiro Comando da Capital.
Com o lucro do tráfico, a facção paulista investiu em joias, clínicas, restaurantes, fazendas, entre outros, e seus membros passaram a caminhar com segurança pelas ruas de Santa Cruz.
A cidade se tornou o centro de poder do grupo e seus integrantes passaram a financiar candidatos de todas as legendas, como provou o caso Ruddy.
Mas isso ainda é apenas uma especulação, pois a investigação está apenas começando.
Pulando a fronteira
O ex-procurador Joadel Bravo afirma que as organizações criminosas brasileiras atuam na Bolívia e muitos de seus integrantes se refugiam lá quando têm problemas com a justiça brasileira ou com as próprias organizações criminosas.
O Primeiro Comando da Capital teria chegado ao país em 2007 com cerca de 100 integrantes, com o objetivo de estabelecer relações com narcotraficantes e produtores bolivianos.
Desde então, o negócio não parou de crescer e, atualmente, a facção PCC 1533 está aproveitando a localização estratégica de Santa Cruz, que serve como refúgio para os maiores cartéis da Colômbia, para expandir a venda de drogas na Europa, África e Ásia, intermediando parcerias entre esses grupos e organizações criminosas europeias.
Inicialmente, o Primeiro Comando da Capital usava rotas que atravessavam o Brasil por estradas, a chamada Rota Caipira, mas agora também inclui transporte aéreo e fluvial para chegar aos portos da Argentina e do Uruguai.
Com base nessas informações, fica claro que a morte de Ruddy é um mistério complexo que envolve não apenas questões do tráfico transnacional e de negociação entre cartéis de drogas, mas também questões políticas.
É mais complicado que parece
Será que realmente haverá empenho das autoridades para desvendar esse caso, ou os investigadores esbarrarão em alguns políticos intocáveis?
O ex-promotor de Justiça Jodael Bravo afirma que a Bolívia já é um narcoestado, se bem que até mininiza sua afirmação ao vincular a ligação entre tráficantes e políticos nos entes municipais.
Por outro lado, Jodael Bravo, alerta para que o judiciário também está comprometido, já que a escolha dos magistrados passa pelo crivo, justamente desses políticos que deveriam ser investigados.
Se tivesse que apostar, colocaria minhas fichas que alguém será entregue como bode expiatório para que a situação continue a aparentar normalidade.
Espero ter compartilhado informações úteis para saciar sua curiosidade. Por favor, mantenha-me informado sobre qualquer pensamento ou informação que possa ajudar na resolução deste mistério.
Essa história da maconha hibrida da Colômbia é uma realidade fantástica.
Tá tendo uma pá de apreensões de maconha na fronteira da Venezuela com a Colômbia.
Tá na cara que ali virou um corredor pra esse tipo específico de erva que é muito consumida aqui na América Latina.
Em março, a polícia da Colômbia pegou 2,5 toneladas de maconha em um caminhão que tava levando móveis e cozinhas.
Esse carregamento tava indo pra Venezuela e países da América Central, mas a polícia colombiana interceptou.
Já os venezuelanos encontraram 457 quilos de erva abandonados na costa do estado de Falcón, no mar do Caribe.
Essas apreensões se juntaram a outras feitas no final de 2022 e somando tudo, já foram 10 toneladas de maconha que caíram na não das polícias.
A maioria da erva que rola na Venezuela vem das montanhas do norte do departamento de Cauca, na Colômbia.
E é por isso que as autoridades tão atentas na fronteira pra evitar que essa erva chegue na rua e cause mais guerra entre os grupos que dividem o país.
Maconha hibrida da Colômbia é muita demanda!
O tráfico de maconha na Venezuela tá bombando com a demanda alta.
A Colômbia tá produzindo a maconha hibrida da Colômbia, que é forte demais.
E os caras do tráfico tão se aproveitando esse fluxo e inundando o mercado.
A Venezuela é o ponto perfeito de passagem entre a Colômbia e vários mercados na região.
Como todo mundo sabe que lá é corredor de drogas, os traficantes fazem negócio fácil com compradores de fora.
Tem políticos e militares envolvidos nisso tudo, e a segurança é alta pra quem quer exportar.
A localização estratégica do país ajuda muito, a Venezuela tem saída pro Oceano Atlântico, deixando na cara do gol para chutar para a Europa e pro resto do mundo, e também caminho pelos rios e por terra para o Brasil.
A maconha hibrida da Colômbia da região de Cauca é transportada, pelos caminhos colombianos até as principais cidades colombianas para ser distribuída pros departamentos fronteiriços: Norte de Santander, La Guajira e Vichada, e outros.
Pra conseguir a maconha em Cauca, os traficantes negociam com o Comando Coordinador de Occidente (CCO), uma das facções dissidentes das extintas Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC) que domina o cultivo de maconha na região.
Uma vez que a erva adentra o solo venezuelano, embarcada nos estados de Falcón, Sucre ou Nueva Esparta, de onde segue viagem nos barcos, que navegam pelos mares caribenhos de Trinidad e Tobago às Bahamas, são muitos os destinos.
Não é segredo que esse corredor transfronteiriço é uma mina de ouro, com lucros estratosféricos para os chefões do tráfico que operam na região.
A autorização de embarques e controle dos barcos em Falcón, estão nas mãos do Cartel de Camacaro, um grupo com conexões políticas de alto escalão.
As organizações criminosas brasileiras também fazem parte do esquema, com o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, levando a erva colombiana pela bacia do Rio Negro até chegar ao norte do estado de Roraima, onde há muita demanda.
A Família do Norte (FDN), já foi muito grande, mas depois de uma longa guerra com a facção paulista rachou, e hoje é uma gangue menor com presença no Amazonas.
Essa rota usa o rio Orinoco prá transportar a maconha, cruzando a fronteira da Colômbia para a Venezuela, e finalmente chegando ao Brasil, é assim que a droga se movimenta.
Maconha hibrida da Colômbia: muito risco e muito lucro
A Frente Acacio Medina, um outro grupo que de ex-integrantes da FARC controla rotas importantes do estado venezuelano do Amazonas, e garante que as facções brasileiras recebam a quantidade certa pra atender às necessidades dos usuários na região da selva.
Nem tudo é transportado em grandes carregamentos.
Há também redes especializadas que movimentam pequenas quantidades, com compartimentos secretos em veículos particulares, e pessoas cruzando a fronteira ilegalmente, através das “trochas”.
Os custos de transporte são altos, mas não se comparam com os lucros generosos que o tráfico na região gera.
O quilo da maconha hibrida da Colômbia a US$ 42 (214 Reais) nas montanhas do Cauca, mas chega no Brasil a US$ 2.800 (14.266 Reais), o negócio é realmente uma mina de ouro.
Se a facção PCC existira sem o neocapitalismo, pode nem parecer importante para você, mas não é assim não.
O sonho do moleque de enriquecer e ostentar tem mais haver com essa teoria econômica que com as raízes da facção dentro na opressão carcerária e das periferias.
Entendendo se o PCC existira sem o neocapitalismo
O neocapitalismo e o PCC são duas coisas difíceis de entender e totalmente diferentes, né não? Não, é não!
Não teria o Primeiro Comando da Capital se não fosse o mercado globalizado, tá ligado?
É por isso que estou chegando para dar a real numa questão que parece assim ser tão complicada.
Onde o PCC nasceu? Com o Massacre Carandiru em 91,com o Comando Vermelho no Rio ou na Casa de Custória de Taubaté em 93?
Todas as respostas estão certas, mas vou te provar, mano, que o buraco é ainda mais fundo e que tem mais bagulho envolvido aí.
E só vamos entender direito quando descobrirmo se o PCC existira sem o neocapitalismo.
Foi aí na virada dos anos 90 que o mundo viu a queda do Muro de Berlim e a vitória do neocapitalismo sobre o socialismo internacional.
Mas não foi só isso, irmão. Tem o que tinha por trás disso que todo mundo tava olhando.
Essa história da queda do muro abriu as portas do Brasil pro neocapitalismo e pra globalização.
No embalo acabaram com um monte de regras de mercado e veio a privatização de serviços públicos, deixando vários irmãos desamparados e vulneráveis à criminalidade.
E foi aí que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital entrou, irmão.
Com uma estrutura organizacional forte e bem montada, os caras ofereceram proteção e serviços pra uma galera abandonada pelo governo.
E assim, a facção PCC 1533 mostrou que conseguia controlar o comércio de drogas nas comunidades periféricas, nas prisões e até em outros países.
Tá entendo da razão que eu tô questionando você se o PCC existira sem o neocapitalismo?
Mesmo com filosofias diferentes o PCC existira sem o neocapitalismo?
Mas, peraí, isso não quer dizer que o Primeiro Comando da Capital é só uma organização criminosa, que visa lucro.
Li a reportagem mas só quero fazer uma observação que um integrante do 1533 não visa o lucro como prioridade.
Pode ter alguns na organização que visam apenas o lucro, mas eles estão com uma visão equivocada em relação a causa que é maior.
Porque a expansão do Primeiro Comando da Capital veio com muita luta ao longo desses anos.
Se fosse necessário travar outras batalhas para a continuação da filosofia do PCC eu não exitaria, mas a guerra é apenas uma consequência extrema de uma situação quando não se tem concordância….
Fica na paz
Os crias do 15 têm uma filosofia própria, baseada em ideias de solidariedade, justiça e respeito aos direitos humanos.
Eles são uma reação ao individualismo e ao egoísmo que são valores fundamentais do neocapitalismo, mano.
Enquanto a filosofia capitalista promove a competição e o lucro a qualquer custo, o PCC se preocupa com o bem-estar da comunidade e com a proteção dos mais fracos.
Mas não dá pra ficar só falando do PCC sem entender como a organização paulista nasceu, irmão.
Sê vai ver que não tem nada de sonho de riquesa na origem, o que se queria era liberdade, igualdade e justiça. Essa história do lucro e da ostentação só veio depois — muitos ainda, bravamente resistem.
PCC existira sem o neocapitalismo? organização social X empresa de sucesso
O neocapitalismo é um sistema social e econômico que privilegia os mais ricos e poderosos em detrimento dos mais pobres e vulneráveis.
Então, se queremos mesmo entender o Primeiro Comando da Capital, precisamos entender o modelo econômico e político de nosso país, irmão.
A facção PCC nasceu para tentar construir um sistema de solidariedade, justiça social e direitos humanos, e não para acumular poder e dinheiro nas mãos de poucos.
Quando isso mudou? Será que mudou?
Facção PCC: uma semente lançada em solo fértil
Não vem tirar o corpo não! Fomos nós todos que deixamos o solo fértil pras sementes que eram jogadas por Zé Márcio Felício, o Geleião do PCC.
Não sei onde cê tava e o que fazia em 90, mas enquanto isso…
Zé Márcio caminhava pelos corredores e pátios ocultos por trás das muralhas das cadeias, semeando a ideia nos corações e nas mentes dos detentos.
Quem me deu os detalhes dessa história foram: Marcio Sergio Christino, Antônio Marcos Barbosa de Quadros, e Leonardo Mèrcher Coutinho Olimpio de Melo.
Cabe ao semeador retirar as sementes do celeiro e levá-las ao campo, ou a safra não virá; mas se ele jogar no tempo certo e num solo fértil, a colheita vem, não importa quem jogou a semente ou quem botou adubo no solo.
Na parada do semeador, o nome do cara que jogou a semente nem é falado, o que vale é o trampo que ele fez.
E aí, mano, quando a gente ajuda a fertilizar o solo pras sementes do Primeiro Comando da Capital, a nossa participação é importante, mas nosso nome também não.
A gente fica na humildade, negando que o resultado da nossa participação, mas cara, no fundo tamo ligado que ajudamos também.
Cada um de nós ajudamos a construir a facção PCC, mesmo que a gente tenha só escolhido o Collor pra presidente achando que ia ser uma coisa.
Collor implantou fortaleceu a organização criminosa ao abrir os portos para o mundo e derrubar barreiras. Simples assim.
O Partido do Crime da Capital é fundado no sangue de Rato
Mano, no dia 11 de março de 1991, as sementes do PCC foram plantadas em solo fértil durante um banho de sol no presídio do Carandiru.
O PCC não brotou em 1993 lá no Piranhão e se espalhou de uma vez só, mas na real, ele já tinha começado lá atrás, mas foi nesse ano que ele se consolidou…
Naquela tarde de chuva de 93, o Rato caiu morto pelas mãos do Geleião no Piranhão, como era chamado a Casa de Custódia de Taubaté.
Gelião fundava o PCC, regando-o com o sangue do Rato, enquanto o Zé Márcio (Geleião) jogava sementes de presídio em presídio, pregando a “boa nova”.
E assim foi a fundação oficial do “Partido do Crime da Capital – PCC”, mas também se definia o método que viria a ser adotado pela organização criminosa prá poder dominar territórios: botar terror sobre as lideranças inimigas para dominar todo o grupo que eles lideram.
Morte alimentando o fim do ciclo da opressão carcerária
Eram espetáculos de morte dentro dos presídios, preso matando preso, que alimentavam nossa sede por sangue na televisão.
Os governantes e agentes públicos providenciavam tais espetáculos, mas sem saber fortaleciam a divulgação da “boa nova” de Geleião e do PCC.
O solo tava pronto, mas quem planta deve se arriscar e era hora de começar mais o show.
Zé Márcio foi escolhido e mandado pra Avaré, pra morrer, mas a história não foi fácil assim
Os administradores da prisão queriam vingança e botaram Geleião no meio dos inimigos, jogaram ele na cova dos leões.
Mas Zé Márcio não se acovardou, foi até o campo de futebol onde Zorro, líder da facção Comando Democrático da Liberdade (CDL) jogava, chutou a bola pra fora e desafiou:
O que você quer? Se quer me matar, então me mata agora, resolve aqui mesmo!
A atitude corajosa de Geleião não foi ignorada e Zorro e sua gangue CDL se converteram naquela hora para o Primeiro Comando da Capital.
E mais um campo fértil foi plantado pro PCC florescer, mas não se engane, a culpa pelas chacinas é nossa também.
Nós e as chacinas nos presídios
Todo mundo aplaudia a violência nos presídios e pedimos mais morte em segredo.
“Chacina” pode ser uma palavra popular, mas no mundo jurídico é só um jeito que descreve a violência contra um grupo de pessoas por outra que se acha superior.
Enquanto isso, os “cidadãos de bem”, podem escolher seu caminho superior ao nosso.
Mas essa liberdade tem um preço, e somos nós quem vendemos para eles as drogas que, mesmo sabendo que fazem mal, eles consomem porque é difícil resistir ao seu apelo fatal.
Mas é o livre mercado de um mundo sem fronteiras, não era isso que queriam? Então, enquanto se achavam mais inteligentes, foram os PCCs que dominaram o mercado.
E o mercado negro de drogas tá aí, é poderoso e influente.
A semente foi plantada, o PCC cresceu e se consolidou nos presídios, mas quem deu as sementes que jogou Zé Márcio em Avaré nunca vai assumir sua culpa.
E nós, que negamos nossa participação nas chacinas, também temos nossa parte obscura.
E aí a gente se pergunta: onde foi que erramos, como chegamos aqui?
É só lembrar como tudo isso começou, com a ganância de uns e o sofrimento de outros.
Será que alguém quer o fim da opressão carcerária, e um mundo mais justo e mais humano, enfim?
Será que o Primeiro Comando da Capital esqueceu suas origens se curvando para o lucro prometido pelo neocapitalismo das fronteiras abertas?
O ex-irmão do 31 afirma que não, que continuam fiéis, mas o que eu vejo, é cada vez mais é o sonho por riqueza, poder e ostentação predominar.
A nova geração do PCC vai me fazer mudar? Sei não. Acho que nem eu vou mudar os moleques e nem eles vão me fazer mudar.
Cê tá ligado que eu já tô sacando qual é a treta que separa a mente dos mano da nova e da antiga escola do Primeiro Comando da Capital, né?
Antigamente, a maioria dos caras que entrava na facção tava preso e precisava se juntar com os irmãos pra garantir o mínimo de sobrevivência no cárcere e na rua. Mas hoje em dia, a rapaziada nova que tá entrando no crime tá sonhando em ficar rico e subir na vida, e vê no PCC uma porta pra alcançar esse objetivo.
Lá em casa funciona assim…
Vou te falar a real da lei aqui de casa, e é mais importante do que muito maluco imagina.
Aqui é regra: nada de roupa de bandido. Nem esses short, camiseta ou blusa cheio de Charadas, Arlequinas, Yin-yang, carpas e essas paradas.
Não tô afim de chamar atenção dos vizinhos, da população e muito menos da polícia pra minha quebrada. Aqui é só paz e tranquilidade.
Todo mundo aqui segue na moral minhas regras e os mais velhos já puxaram essas ideias também para suas casas.
Só louvando o lucro do crime
Só que meu sobrinho novo ainda rateia, é verdade que não chega aqui com roupa de malandro, mas vem na ostentação, cheio de: Tio Patinhas, diamante, dinheiro.
Só tô te contando isso para você se ligar em uma parada muito maior.
Uma parada que você não vai ver nas quebradas e nem nos corres do crime mesmo que teja de frente e olhando pro bagulho.
A nova geração do PCC e o mundo do crime mudaram
É importante botar na cabeça que entre os das antigas e os novos chegados da facção PCC 1533 tem um mundo de diferença.
Mesmo eu convivendo de boa com gente das antigas e da nova geração do PCC, eu não tinha sacado essa parada.
Cada geração tem sua visão própria do corre do crime, mas o mais loko ainda, é que cada uma vê de forma diferente o seu lugar no Primeiro Comando da Capital e quem merece ou não ser da Família 1533.
Mano, foi mó sinistro, mas dois leitores aqui do site, o “irmão do 31” e o “Jerick do 11” e meu sobrinho mais novo, é que me ligaram a atenção pra essa parada…
Só que ela não encaixa nas ideias que recebi de “sintonía do pé quebrado”, agora vai daí.
Eu vou jogar as ideias aqui, se alguém quiser depois me procura para esclarecer melhor as ideias.
Eu entendi o que o “irmão do 31” queria, ele deixou bem clara a ideia:
Ele quer “poder melhorar, poder expandir”.
O irmão tá ciente que tá cercado em um campo minado e que mesmo entre os que falam que fecham junto, nas atitudes do dia a dia, não condizem.
Mas tudo isso ele está disposto a enfrentar e esse não é o problema, o que trocar ideia para poder fortalecer os negócios.
… eu e o “Jerick do 11”
Minha resposta foi seca ao “irmão do 31” não teve nada a ver com o que ele queria.
Eu foquei no problema e não na solução que ele buscava. Eu vi o inimigo e a falta de fortalecimento das lideranças da família.
Faz uns anos, se alguém mandava um salve de Minas Gerais, já chegava de uma pá de lugar irmãos e companheiros querendo colar pra acalmar a quebrada junto com o irmão.
Mas hoje em dia não é assim, e eu meti a boa criticando essa falta de união da família.
A ganância tomou conta da Família 1533? O bagulho é o seguinte:
Tá parecendo que a liderança do Primeiro Comando da Capital só tá ligada nos grandes negócios e tão se afastando dos irmãos nas trancas e nas quebradas.
Mas é perigoso demais seguir por esse caminho, sem cada um, em cada canto, todo mundo fica mais fraco, até mesmo os que hoje tão no topo.
Mas agora eu vejo que eu estava errado. O que o “irmão do 31” não era isso que queria.
Ele, assim como a nova geração do PCC, tá ligado que o corre é fortalecer o negócio, não é querer treta.
Claro que ele vê a disputa como parada normal, mas não tá afim de abrir guerra não.
Quem me abriu os olhos para essa realidade foi o “Jerick do 11”
… o “Jerick do 11”
O comando está passando por uma metamorfose.
Hoje em dia as pessoas estão associando luxos com o Primeiro Comando da Capital.
Por exemplo:
Quando alguém via um “noia” na rua já pensavam, esse aí deve ser do pcc, mas agora eles pensam isso quando vêem alguém passando de Landrover preta blindada em um condomínio de luxo.
O comando está crescendo muito e se afastando das raízes. Não sei até que ponto isso é bom.
Crescer sempre é bom mas sem perder a humildade e sem esquecer o que te levou o que levou o comando até lá.
Então. Eu com minha cabeça das antigas me foquei no problema enquanto a nova geração está focada no progresso.
Entendo de boa. Aceitar… fazer o que?
Mano, eu conheço essa história faz um tempo já.
Desde 2007, trombando com aqueles irmãos dos corres do tráfico e do crime, já rolava a uberização do trampo deles.
Aí agora vem os caras falando que oferecem serviços on-demand para consumidores como se isso fosse novidade.
Que isso, irmão, lá atrás já tinha moleque da facção PCC nos bairros parados esperando uma ligação pra fazer uma entrega ou ir buscar o bagulho lá no Paraguai.
Eles falam em conectar prestadores de serviços independentes com consumidores que precisam desses serviços.
Mas isso é a mesma coisa que rola no tráfico, usam trabalho precarizado e sem direitos trabalhistas e ainda pior, porque pode perder a liberdade.
As lideranças, os patrões e gerentes pegam o moleque que faz o serviço melhor pelo preço mais barato, fazendo uma disputa entre os moleques pra ver quem oferece mais vantagem pra pegar os corres.
Todo mundo se achando empresário autônomo, mas seja UBER,
Tanto na correria quanto no UBER, as crianças ficam olhando pra chefia dos grupos, sonhando em um dia ser líder e ficar rico.
Daí vem as roupas de ostentação do meu sobrinho, daí o sonho de muitos.
“Jerick do 11” acaba por resumir o que é o pensamento da nova geração do PCC que vivem e sonham com a vida do crime.
O que eu to ligado do PCC hoje em dia é que os caras cresceram muito, mano. Expansão de área, dinheiro rolando solto pra certos membros. E aí já viu, né, isso tudo aparece na mídia direto. Sempre tem um suposto membro do comando indo em cana com uma coleção de carros de luxo, imóveis, helicóptero, iates e tudo mais.
E isso é parada que eu já vi de perto também, irmão. Há muitos anos atrás conheci um mano do comando (hoje ele saiu e tá na igreja) que morava numa casa gigante de 500 metros quadrados num condomínio fechado. Tinha coleção de carros, caminhão avaliado em 400 mil e jetskis. Só descobri o que o cara fazia de verdade depois de anos de convivência e confiança.
Isso me fez pensar sobre o perfil dos membros do PCC, mano. Será que é só favelado ou também tem os chiques de condomínio? E agora a referência que a gente tem dos membros do PCC (pelo menos a referência que eu tenho e que a mídia mostra) é que eles são milionários e se passam por empresários na baixada santista e tal.
Será que o comando virou um cartel, irmão? E os membros que são considerados de “baixo nível”, ficam pra trás? Ou o comando se dividiu entre alta e baixa cúpula?
Pois é. Faço minha a dúvida de “Jerick do 11”.
Faz uns tempos já que eu soltei um texto sobre como o Primeiro Comando da Capital entrou nesse mundo do neoliberalismo com sua uberização que ilude com sonhos de jardins, carros de luxo e muitas mulheres e entrega trabalho explorado e vida atás das muralhas.
E só agora vejo que era óbvio onde íamos parar se continuássemos caminhando nessa em direção a esse liberalismo concervador onde chegaríamos.
Sei que o “Vinny do 11” vai falar para mim que “isso aí é coisa de caduco”, mas fazê o que?
Até pago pau para os novos que não querem guerra, mas não acho certo não abandonar todos aliados pelo Brasil que deram o sangue pela Família 1533.
O PCC tá querendo expandir no atacado e deixar o varejo só em certas áreas, principalmente em São Paulo, deixando outras regiões nas mãos de uma molecada.
Mas essa escolha pode trazer problemas pro futuro da facção, porque essa rapaziada não tá pronta pra administrar as quebradas de São Paulo.
E essa parada de deixar a base de lado pode ser um problema no futuro, porque tá rolando uma administração muito amadora em vários lugares.
A galera tá empolgada com o atacado, onde já tá com uma participação majoritária nas rotas NarcoSur e na Rota Caipira.
E esse esforço tá valendo a pena, pelo menos por enquanto. O próprio Promotor de Justiça Lincoln Gakiya já disse que o PCC tá no patamar de um cartel internacional de droga.
A gente ainda não pode afirmar que a facção vai continuar nesse caminho, mas tudo indica que vão manter essa rota.
E apesar de tudo, São Paulo deve continuar sendo mantido como berço da facção, mas o Tribunal do Crime pode ficar mais fraco nessa mudança porque muitas vezes ele é formado por membros que não tão tão na linha da facção.
Quem me mandou essas ideias foi um leitor do site lá do 31, irmão dos corres e que tem a quebrada no seu coração.
Valeu grandão irmão do 31, pela inspiração e pelas ideias!
Vai um aviso aí! O irmão não falou nada disso, eu que estou dizendo, ele só passou a real do que acontece na quebrada e eu meti o loco nas ideias.
A ganância tomou conta da Família 1533?
O bagulho é o seguinte:
Tá parecendo que a liderança do Primeiro Comando da Capital só tá ligada nos grandes negócios e tão se afastadando dos irmãos nas trancas e nas quebradas.
Mas é perigoso demais seguir por esse caminho, sem cada um, em cada canto, todo mundo fica mais fraco, até mesmo os que hoje tão no topo.
O problema é que, enquanto isso, tem muita gente simples, muita família espalhada por aí sendo abandonada.
Não passa dia sem que alguém fala aqui prá mim que tá abandonado, sem suporte, sem apoio, sem condições de lutar por seus direitos e sua dignidade.
No começo eu só via aqui, mas agora é em todo o mundo, em todas as linguas.
Tá todo mundo vendo as mortes e o fogo no Rio Grande do Norte, consequência do abandono, da divisão da Família 15, e o fim da família forte e paz nas quebradas.
Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade e UNIÃO
Família forte e paz nas quebradas não pode ser a solução, mas não existe vácuo no universo, tá ligado?
A união é a chave pra fortalecer a família, pra proteger os nossos irmãos e irmãs em todas as quebradas, em todas as favelas, em todos os cantos desse mundão.
Não é a união pelo crime não.
É a união pela paz e pela liberdade de não ser oprimido pelo mundo do crime, por políticos e pelo estado quando estes só querem sugar nosso sangue.
Então bora fortalecer a família, bora botar em prática a ideia de que um por todos e todos por um é a única forma de vencer as paradas difíceis.
Tamo junto, família!
Essa frase é a que mais ouço, mas é só uma frase que está cada vez mais vazia, mas não pode ser assim não.
Queremos um mundo sem espaço para o Primeiro Comando da Capital
Sabe, quando a gente pensa em um mundo ideal, vem logo à mente um monte de coisas:
não teria criminosos,
político miliciano,
trairagem,
guerra entre irmãos,
inocentes mortos,
opressão do estado e da polícia.
Seria tudo bonito, tudo perfeito, mas aí a gente acorda e se dá conta de que a realidade é bem diferente.
A gente queria ver nossas crianças crescer em bairros bonitos, com escolas boas e saúde pública de qualidade.
A gente queria bons empregos prá nós e para todos, mas isso tudo parece tão distante, tão difícil.
Ainda vai rolar muito sangue e choro antes de chegarmos a um mundo ideal.
É triste, mas é verdade. Enquanto isso, o que podemos fazer é fortalecer a nossa família, nos unir, nos proteger.
Lembra quando a família tava unida, tava forte? Era melhor, não era? Não né!
Tava melhor quando os filhos da periferia eram presos e mortos, sem dó nem piedade, enquanto o avião do presidente Bolsonaro levava de boa drogas da milícia para a Europa. Tá então tá, tua cara, não a minha,
Pode não gostar, mas respeito é bom
Você podia até não gostar da “hegemonia do PCC 1533” no mundo do crime, mas não tinha o que aconteceu no Rio Grande do Norte, não tinha essa violência sem sentido que tá rolando por aí.
Na onde o Primeiro Comando da Capital tá fortalecido, todo mundo ganha com a paz nas ruas.
Tem gente que não liga quando morre um ou dois ou 111, mas cada um que morre nas quebradas ou nas trancas tem famílias, tem crianças, tem pais.
Todo mundo perde, e o mundo fica sempre pior, mais violento, mais triste.
A gente sabe que em um mundo ideal não teria uma organização criminosa como o Primeiro Comando da Capital.
Mas enquanto não chegamos lá, a família garante a segurança, a proteção nas periferias e nas quebradas.
E um dia, quem sabe, a sociedade poderá viver em paz sem a Família 1533, mas para isso, ela vai ter que acordar de seu sonho dourado de achar que só com opressão vai conseguir trazer paz e justiça para todos.
O dinheiro e o poder estão dividindo a Familia 1533
Eu tô ligado que tá difícil, que tá cercado de inimigos, que tem aliados que não seguem as regras, mas mano, é hora de fortalecer nossa comunidade, de unir mais, de ter mais disciplina.
Não é fácil, eu sei, mas a gente não pode deixar a peteca cair. Temos que estar juntos nessa, unidos, firmes e fortes.
A família é o que temos de mais importante e, mesmo cercados de inimigos, não podemos deixar que eles nos destruam.
Temos que mostrar que somos mais fortes, mais unidos, mais disciplinados. Queremos um mundo sem o crime organizado cuidando das comunidades, mas quem e como estão fazendo isso?
A hegemonia do PCC não é boa para a sociedade, eu sei, nós sabemos, mas e aí?
O que você colocou no lugar para poder criticar?
Só ódio nas palavras, imóveis comprados em dinheiro e militares com viagra e leite condensado dentro das escolas.
Família de verdade se protege
Que somos todos uma família de verdade, que se ajuda, que se protege, que luta junto. É isso que vai nos fortalecer, que vai fazer a diferença.
E eu sei que tem vários irmãos buscando uma solução. Então, vamos ouvir uns aos outros, vamos nos ajudar, vamos nos apoiar.
Juntos, somos fortes, unidos somos invencíveis. Então, meu irmão, não desanima. Continua firme, continua lutando, mas não valila.
Se liga na importância da estrutura, do suporte, do apoio. Isso é o que vai fazer a diferença na caminhada do cotidiano.
Isso é o que vai nos permitir expandir, desenvolver e primeiro conquistar um mundo sem inimigos e opressão, e depois, um mundo com justiça e paz.
Mais verdadeiro do que nunca nos tempos de guerra entre irmão em que vivemos.
A máquina opressora tá cada vez mais tentando fechar os espaços, tá cada vez mais forte, mais agressiva.
Não pode deixar que ela nos domine, que ela nos tire a voz, a liberdade, a dignidade.
Tem muito cara por aí que só visa lucro, que só pensa em si mesmo, que não tá nem aí pra população, pode ser político, empresário e até líderança de comunidade.
Mas a gente não pode deixar que essa gente nos enfraqueça, que nos divida, que nos faça desistir.
Para vencer só com muita luta e união
Temos que ser inteligentes, estratégicos, astutos.
Temos que saber onde pisamos, onde colocamos nossos pés.
Temos que estar atentos, vigilantes, preparados.
Temos que ter a inteligência como nossa arma mais poderosa.
Não é fácil, eu sei. A guerra é dura, implacável. Mas a gente não pode baixar a guarda, não pode se render.
Temos que resistir, lutar, batalhar. E a inteligência é a nossa melhor aliada nessa luta.
Então, meu mano, não desanima. Continua firme, continua lutando. A gente vai vencer essa guerra, a gente vai superar todos os desafios. Com inteligência, com garra, com determinação.
A vida na quebrada é dura, é complicada. Tem muitos obstáculos, muitas barreiras. Mas com estrutura, com apoio, com um quadro firme, a gente consegue superar tudo.
Já falei pra você um monte sobre os ataques que o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).
É tudo coisa do passado, não rola mais, a coisa já não funciona mais assim. mano.
Geral sabe que eu não curto falar de assunto polêmico, mas dessa vez não rolou de ficar na minha.
Vai a real!
Não é que a facção PCC 1533 parou de atacar por medo das autoridades, oxê!
Continua até hoje, mas as lideranças sabem onde pisam e escolhem com critério, para dar um recado forte, mas sem chamar atenção de mais.
Nem foi por falta de força, lembra do Jorge Rafaat Toumani, nem três carros blindados com 12 escoltas pesados garantiram o cara.
Mas a jogada é simples, entende aí:
Para a droga continuar fluindo pelos estados e países, e dezenas de irmãos e companheiros não perderem a liberdade o Primeiro Comando da Capital fica na contesão, para não ficar aí chamando a atenção da imprensa e do governo.
A parada é conhecida como pacificação ou paz entre ladrões, e isso rola demais nos grupos criminosos tipo o PCC, sacou?
Funciona assim:
O Primeiro Comando da Capital nem faz um acordo com as autoridades, só não fazem nada que chame a atenção, deixando na tranquilidade as áreas que tão agindo.
Aí não tem opressão da polícia. Todo mundo ganha com a paz nas quebradas.
O comércios continua fluindo porque ninguém vai chamar atenção dos mano do governo, que vai cobrar atitude dos policias, entendeu?
Aí vem essa que facção PCC ia matar Sérgio Moro .
De uma hora para outra o Primeiro Comando da Capital. Entendeu, agora vamo desfilar na avenida com melancia no pescoço?
Não se engane, mano. A política é um jogo sujo e o crime organizado é só mais um jogador nesse tabuleiro.
Políticos são capazes de tudo para manter ou ampliar seu poder e influência, até envolver uma grande organização criminosa no rolo.
Daí, vem alguém e me fala:
Caiu o esquema que a facção PCC ia matar Sérgio Moro !
A facção já executou diversos agentes públicos após ponderar o custo e o benefício da ação, cansei de dar a real aqui neste site. Vixi! Um monte.
Um diretor de presídio ou um agente penitenciário que tente interferir na visita íntima correria o risco de retaliação.
Uma Policial Militar ou Civil que vai pra cima da quebrada na covardia, também, pode até ser morto, mas aé tem todo um esquema.
Tipo assim, forjando uma simulação de assalto em um local longe da comunidade em que o policia atua, sacou?
Os ataques devem dar um recado sem que o custo causado pela da represália do governo e dos policiais seja maior que o resultado esperado: causar medo e garantir o respeito dos outros funcionários e policiais, e até do próprio governo.
A quem interessa a notícia que facção PCC ia matar Sérgio Moro ?
Aí quando vi aquele auê afirmando que a facção PCC ia matar Sérgio Moro , pensei:
Não, mano, não! Não é desse jeito que a facção atua.
A morte de Moro só beneficiaria o grupo político e criminoso para o qual ele ajudou a eleger, os milicianos do Clã Bolsonaro.
Fala sério! Se acha que a liderança da Família 1533 ia jogar todo mundo na opressão para entrar num cano furado desse? Pare!
Os inimigos já tomaram o governo uma vez na trairagem. Agora vão usar a mesma estratégia para tomar o poder de novo.
Uma ação na qual a facção PCC ia matar Sérgio Moro serviria para reerguer o político e tirar do esgoto no qual foram jogados bolsonaro e seus milicianos.
Da outra vez foi aquela história do esfaqueamento do Bolsonaro, que fez ele ganhar a eleição.
Olha aí. Vamo vê esse filme ruim de novo.
Daí eu vi. Pô, não é só eu que estou pensando isso. O Presidente Lula disse o que eu pensei.
Todo mundo desceu o pau no Lula por ter falado o que muita gente estava pensando, até eu.
A juíza que tornou público o processo e decretou as ações contra o PCC nesse planejamento para atacar Moro chama-se Gabriela Hardt.
Vou pesquisar o porquê da sentença. Fiquei sabendo que a juíza não estava nem em atividade quando deu o parecer para ele.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
E não é só eu e o Lula que tamo nessa, o Prerrô também vê trairagem aí.
Mano, o grupo Prerrogativas (Prerrô) é composto por advogados, juristas e defensores públicos, falô na direta que isso aí pode ser “uma treta” do ex-juiz.
Agora acabou. Não falo mais sobre isso. Vou colocar aí na sequencia um texto antigo sobre os ataques do PCC.
No paiol do PCC: lançadores de granadas e foguetes
Os irmãos do PCC usam esses artefatos pra atacar a polícia de emboscada.
Os mano do PCC 1533 usam bombas e granadas, tudo que é explosivo pra assaltar os mercado, bancos e empresas de transporte de dinheiro, e quando tão presos em segurança máxima, eles mandam explodir tudo.
São ousados e perigosos, os malucos, bate o olho aí no relatório da Polícia Federal:
O Primeiro Comando da Capital (PCC) possui granadas, lançadores de granadas, petardos (tipo de explosivo), foguetes, lançadores de foguetes, metralhadoras, pistolas e artefatos explosivos improvisados.
A apreensão desses artefatos foi feita pelo DPF em Pradópolis/SP, a 320 km da capital do estado, e chamou a atenção da mídia e autoridades de segurança pública quanto ao alto poder de fogo e destruição dos explosivos.
A facção PCC 1533 tem um arsenal de armas e explosivos: granadas, petardos, foguetes, tudo que é artefato destrutivo, metralhadoras, pistolas, e ainda tem profissionais que fabricam suas próprias bombas caseiras.
No início, os mano do crime colaram de verdade com os bagulho pesado contra a segurança pública em 2006, quando pararam São Paulo, mas os atentados com bomba foi uma tragédia.
Cê pode nem lembrar, mas o PCC já tinha colocado dois dias de terror no peito em 2002, em São Paulo, que seria lenda mundial do crime se tivessem rolado os atentados da BOVESPA e do Fórum da Barra Funda.
Atentado na Bolsa de Valores (BOVESPA)
Mano, deu ruim! A Polícia pegou a Petronilha, a Primeira Dama do PCC, que tava planejando colocar uma bomba na Bolsa de Valores no centro de São Paulo.
A ideia era causar impacto tanto na área jurídica quanto na econômica, com repercussão mundial.
Se o ataque rolasse, ia afetar os mercados e causar um monte de consequências doidas, explica o Marcio Sérgio Christino e o Claudio Tognolli no livro Laços de Sangue.
Mas, infelizmente pra eles, a parada não foi pra frente. A Polícia interceptou a Petronilha antes que ela pudesse agir, e os outros envolvidos no plano sumiram. Eles abandonaram o carro com os explosivos, que foi encontrado pela polícia.
Ataque no Fórum da Barra Funda
A PM do Estado de São Paulo soltava preso pra se infiltrar e levar seus parceiros do Mundo do Crime pra morte certa.
Foi o que rolou na “Chacina da Castelinho”, onde o infiltrado deu a falsa de que uma grana pesada tava chegando num aeroporto, mas era só treta da polícia pra exterminar os bandidos.
O PCC, puto com a manobra dos tiras, mandou recado que não ia mais tolerar essa patifaria: um carro lotado de bomba no estacionamento do Fórum da Barra Funda na capital do estado.
O carro, um Ford-Escort bege, ficou no estacionamento cheio de explosivos: 20 cartuchos Mg-gel e 5kg granulados, totalizando 46kg. Também tinha um cilindro de gás acetileno, que ia causar muito fogo, explosão e bagunça. Seria a maior explosão da história do Brasil.
Mas deu ruim. O detonador falhou e o carro ficou parado por 2 dias até a polícia ir checar e descobrir que era um carro-bomba.
A treta iria rolar no dia do julgamento dos sequestradores do patrão da propaganda Washington Olivetto, que tavam ligados aos terroristas chilenos Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR) e a Frente Patriótica Manuel Rodriguez (FPMR).
O PCC mandaria seu recado na surdina, enquanto ia ficando de boa fora da mídia, e até que rolou: a tropa que caçava os malucos infiltrados pra matar os bandido foi desmantelada.
Bolsonaro e seus milicianos tentam fazer o povo acreditar que o PCC mandou Adélio Bispo pra matar o presidente, mas isso não foi verdade.
A verdade é que o Primeiro Comando da Capital queria chamar atenção pro sistema carcerário e planejaram atentados.
Ia rolar explodir carros em estados vários e foi Fernandinho Beira-Mar quem planejou.
A facção paulista usaria tecnologia das FARCs, até ia ter sequestro de autoridades, rebelião em presídios, e tal.
Mas a parada foi abortada, por causa dos negócios. Agora tão tentando fazer acreditar que essa mesma organização criminosa, o PCC contra o Senador Sérgio Moro
A facção decidiu se manter nas sombras E as autoridades falam que descobriram tudo Graças ao setor de inteligência E impediram a ação antes do ocorrido.
As duas paradas têm valor…
… mas a parada que o PCC recrutou Adélio Bispo com uma faca só recebeu valor do Bolsonaro e dos seus fiéis, que depois começaram a falar com convicção que ele foi contratado pelo PT, PSOL, PSDB, China, Venezuela, CV…
O bonde do PCC 1533 usando explosivos
De vez em quando tem uns casos isolados em que os irmão usa explosivos caseiros pra fazer uns atentado local, mas agora a parada tá profissional, um irmão fica no paiol responsável por tudo.
O estoque e distribuição de armamento pesado e explosivo fica na mão de um irmão ou companheiro que avalia o risco e o lucro de cada investida que os equipamentos vão ser usados.
Tiago Mesquita Feitoza e José Alves Júnior falam no artigo sobre a história da evolução do uso de explosivos pelas organizações criminosas, desde os anos 60 até 2000, quando os malucos começaram a usar isso de boa.
De um lado, os caras contam que o uso de explosivos pra roubar caixa eletrônico começou no sul do país e depois chegou em São Paulo, mas de outro lado eles não falam que o PCC manda os criminosos treinados no uso de explosivos pra repassar o conhecimento e ganhar uma grana em cima dos assaltos ou por um preço fixo – e se eles não falam isso, muito menos eu.
Entrevista com um irmão excluído da facção PCC 1533 dando a real na tv? Fala aí, quantas vezes você viu? Nunca né?
A mídia só mostra um lado do mundo do crime, só vê a violência, o sangue, o tráfico, o terror.
Mas e o que tem por trás de tudo isso? A mídia não fala disso, não.
E as histórias dos manos, as razões que levaram eles a seguir esse caminho?
Aí vem a socióloga Camila Nunes Dias e faz a diferença e por isso ela foi atrás de falar direto com o irmão exlcuído da facção PCC.
Ela mostra que tem mais do que essa gente da imprensa consegue ver: tem um contexto social, político, econômico que tá por trás de tudo isso.
Camila Nunes Dias mostra que os manos não são monstros, que são seres humanos como todo mundo, que tem sonhos, que tem medos, que tem esperanças.
É por isso que a gente fica feliz quando vê Camila falando sobre o Primeiro Comando da Capital em lugares tão importantes mundo afora.
Novo artigo de Camila é a entrevista com o irmão excluído da facção PCC
Agora trombo com ela publicando um trecho de uma entrevista com um irmão excluído da facção PCC no site do Centro Estratégico para Pesquisa do Crime Organizado (SHOC) do Royal United Services Institute (RUSI).
Ela tá dando voz pros manos, tá mostrando a realidade deles, tá desmistificando a imagem que a mídia quer passar.
E é isso que eu tento aqui fazer nesse Site também. A gente tenta mostrar que tem mais do que a violência, que tem um contexto social que explica tudo isso.
Claro que não é pra passar a mão na cabeça do crime, não é pra romantizar a violência.
A gente sabe que o mundo do crime é pesado, que tem muita trairagem, que tem muita injustiça.
Mas a gente também sabe que tem muita gente boa envolvida nisso, muita gente que tá ali por falta de oportunidade, por falta de opção, por falta de alternativa.
Então é isso, mano. A gente fica feliz quando vê a Camila Nunes Dias falando sobre o PCC, porque ela tá dando voz pros manos, tá mostrando a realidade deles, tá humanizando essa galera que a mídia só vê como bandido.
Irmão excluído da facção PCC falando a real
Se quiser ler a entrevista original, com as palavras dela e as resposta do irmão, o link é esse aqui…
… mas se preferir, acompanha aí minha visão, que não é a mesma coisa, mas também dá para entender.
Irmão excluído da facção, eu entendo a tua situação
Aqui não tem julgamento, não tem condenação
Vamos conversar, vamos trocar ideia
Pode falar a real, sem medo de ser repreendido ou censurado
Aqui o respeito é mútuo, a dignidade é valorizada
Não importa o que você já passou, aqui você é acolhido e respeitado
Então fala, irmão, desabafa, expõe a tua verdade
Aqui nós somos uma família, unidos na busca por paz, justiça e igualdade.
Ele começa falando sobre sua adolescencia e ingresso na facção…
Tive uma infância pobre e simples.
Durante a adolescência, fiquei muito zangado com a minha realidade e suas limitações, descrente de que conseguiria qualquer coisa mesmo que me dedicasse aos estudos.
Naquele momento, as drogas e o contato com o narcotráfico entraram no meu cotidiano, até que perdi de vista meus próprios objetivos.
Na adolescência, me envolvi com drogas e comecei a conhecer membros importantes do PCC que trabalhavam no tráfico local.
Eles logo me recrutaram, identificando o potencial que eu tinha para administrar seus negócios.
Ele fala de como foi sua prisão e crescimento na organização criminosa…
Aos 18 anos fui preso, aos 19 fui batizado no PCC e aos 20 estava no topo da estrutura da organização, no estado mais importante e rico do Brasil no coração da organização criminosa, São Paulo.
O primeiro ano na prisão serviu como um curso intensivo sobre a vida na prisão.
Aprendi como funcionava o PCC e tive alguns mentores.
No meu segundo ano, fui transferido para uma penitenciária para prisioneiros de primeira viagem.
Depois de alguns anos fui dispensado de minhas responsabilidades e, a partir disso, analisei eticamente minha situação e entendi que a vida das drogas não era o que eu queria para o meu futuro.
Saí e fui embora, mas não tive uma segunda chance no meu país e decidi começar uma nova vida fora do Brasil.
Ele conta então de como chegou na liderança da facção PCC…
Eles precisavam de um líder local de confiança e começaram a me dar responsabilidades e poderes.
À medida que fui correspondendo às expectativas, eles me deram mais poder e tarefas mais difíceis até que fui transferido para uma cadeia de liderança do PCC: o depósito dos líderes da organização, onde aconteceu meu batismo.
Depois que fui batizado, fui nomeado padrinho de aproximadamente 60 outras pessoas que foram meus afilhados.
A prisão é um mundo com suas próprias regras, leis e estrutura de liderança.
Nos espaços prisionais, você assume um papel social em uma microssociedade criminosa.
O PCC é uma federação criminosa democrática que parasita o Estado por dentro, organiza o crime em todas as escalas, fornece segurança, proteção, equipamentos, e rede criminal.
Por algum tempo, a ideologia dominante me fez perceber o Estado tradicional como um inimigo e me deu motivos para resistir e lutar.
Quando a liderança local vê que um preso entende e subscreve os ideais do Comando e tem qualidades para avançar nos objetivos da organização, ambas as partes sabem que é hora do batismo.
Não me lembro quando decidi me dedicar totalmente a essa ideologia, simplesmente aconteceu.
No fim, ele termina falando de como virou um irmão excluído da facção
Você só pode sair do PCC por morte, mas pode obter permissão para sair do PCC por motivos religiosos.
Aos olhos do PCC, você sempre será um marginal que pode a qualquer momento tentar uma reviravolta.
No meu caso, fui afastado das minhas funções na sequência de um “processo administrativo” que constatou a minha “falta de responsabilidade” que resultou na perda de dinheiro do Comando.
6. Abandono de responsa: Quando fecha em uma responsa e deixa de cumpri-la sem motivos (fora do ar, transferências, saúde, etc…). A Sintonia deve analisar todos que serão cadastrados para evitar esses tipos de situações. Punição: De 90 dias à exclusão (depende da gravidade analisada pela Sintonia).
Sabe, a mídia só mostra a violência e o mal da quebrada, mas nossa irmã Camila Nunes Dias iria mais além.
Ela provavelmente veria, o que eu e você vemos, mas que a imprensa que só pega a visão da polícia e dos políticos não veria nunca.
Olha só…
Uma vida de pobreza e dificuldades pode ter gerado um vazio e falta de oportunidades, levando a desacreditar nas chances de sucesso com estudo e trabalho normal.
Entrando no mundo das drogas e do tráfico, talvez tenha sido uma forma de lidar com essa falta de perspectiva, oferecendo uma solução rápida e aparentemente vantajosa para ganhar dinheiro e status.
Ser recrutado pelo PCC pode ter rolado por ter habilidades de liderança e organização valorizadas pelos chefes do crime.
Esse reconhecimento e posição dentro da organização também pode ter suprido a autoestima e propósito que faltava na vida da pessoa.
Pra resumir, pelo que dá para entender das respostas do irmão excluído da facção PCC, ele vem de uma história de privação e falta de oportunidades, combinada com uma falta de confiança nos governos e na sociedade.
E aí, tá ligado na tecnologia dos equipamentos da firma?
Pois é, os narco-submarinos do Primeiro Comando da Capital é construído pelos próprios caras.
O PCC arrumou um jeito de construir seus próprios submarinos, que tão sendo usados pra levar um monte de drogas pra Europa e outros lugares.
Os manos sacaram que usar submarinos é uma forma de diversificar as operações e diminuir a dependência de rotas terrestres ou aéreas, que são mais fácil de cair na mão dos polícias.
E ainda por cima, esses submarinos permitem que a organização transporte grande quantidade de drogas de forma discreta e segura.
Emprego nos narco-submarinos do Primeiro Comando da Capital
Sobre os narco-submarinos do Primeiro Comando da Capital. Olha só, tá rolando muita conversa.
Aí é isso, não queria nem entrar nessa, mas vamos lá. Não tem como negar que os equipamentos da firma estão chamando atenção.
Se você está pensando em entrar nessa parada, é bom abrir o olho, porque o esquema é cabuloso.
Pra mandar esses bagulhos pra frente, a tripulação precisa ter de três a cinco manos na parada.
Os caras são escolhidos pelo trampo deles e pela capacidade de operar o submarino na responsa, sacou? Não é qualquer um, assim que chega e vai entrando.
Os moleques ficam encarregados de tudo, desde a preparação da nave até a navegação e a entrega das paradas no destino certo.
Sonharam com malote, glória e fama, mas acordaram mortos
Tem várias fatalidades envolvendo esses equipamentos do tráfico, Os narco-submarinos do Primeiro Comando da Capital também são cabulosos.
Mano, só lamento, mas é triste morrer assim, para alimentar ganância de viciado e de líder que fica, um só no vício e outro só no lucro.
Nem ligam para a vida dos manos que tão precisando do trampo para alimentar a família.
Os caras constroem as paradas usando alta tecnologia, mas fazem de qualquer jeito, sem ligar pra se os parceiros que vão nele morrem.
Quanto mais cheio, mais lucro, menos seguro. O que os caras vão escolher? Bidu!
Situações que rolaram e ninguém pode negar
Teve uma vez em 2010 que a Marinha colombiana interceptou um submarino cheio de drogas no Oceano Pacífico.
A polícia chegou e prenderam três dos moleques da nave, mas outros quatro morreram por causa dos gases tóxicos dentro do bagulho.
Imagina só! Você viajando com o corpo de seus manos!
Teve outro caso em 2011, mano, que um submarino cheio de drogas afundou no Caribe, perto da costa da Colômbia. Só um dos quatro manos que tavam lá dentro sobreviveu, foi resgatado por uns pescadores locais.
E não é só isso não, tem outras histórias de acidentes e mortes ligados aos submarinos do tráfico em todo canto desse mundão.
Mesmo com as mortes na caminhada, o fluxo continua
Mano, a Organização das Nações Unidas ONUDC soltou um relatório que está deixando a polícia de toda Europa arrepiada. E não é à toa.
Olha só, em março, lá na Normandia, surgiram do mar 2,3 toneladas de cocaína em bolsas brasileiras, algumas até presas em colete salva-vidas brasileiros, usados normalmente em barquinhos ou veleiros.
E tem mais, um narco-submarino abandonado foi encontrado na costa da Espanha, carregando cocaína do Brasil!
Lá dentro, só tinha roupas, mantas e comida, tudo de fabricação brasileira.
E sabe o que isso confirma? O papel cada vez maior do nosso país no tráfico internacional de cocaína.
A gente precisa ficar ligado, porque o bagulho está ficando cada vez mais louco. Os narco-submarinos do Primeiro Comando da Capital tão rodando o mundo, mano!
A História dos submarinos do tráfico
Olha só, irmão, se você quer saber tudo sobre esse assunto, eu te recomendo dar uma olhada no artigo da companheira Irene Hernández Velasco.
Ela manda muito bem, e consegue explicar tudo com mais clareza do que eu poderia fazer.
A gente só ouviu falar desses submarinos usados pelo tráfico de drogas na década de 90.
Fala sério! O que você estava fazendo naquele tempo? Lembra aí! Comenta aqui!
O que você fazia enquanto já tinha mano traficando debaixo d’água.
Os colombianos pularam na frente
Lá em 97, a Colômbia pegou um submarininho, no Equador na fronteira da Colômbia caiu outro.
Foram os primeiros apreendido dos traficantes tramsportando cocaína pros EUA e tinham capacidade pra transportar umas duas toneladas de pó. Esse do Equador foi o primeiro a ser pego em águas internacionais.
Nos anos seguintes, as autoridades de vários países, tipo a Colômbia, Estados Unidos, México e Espanha, relataram que pegaram vários submarinos do tráfico de drogas em rotas marítimas diferentes.
Essas paradas eram cada vez mais feitas com uma tecnologia mais sofisticada, capaz de levar muito pó por distâncias cada vez maior.
De lá pra cá, essa prática de usar submarinos virou moda entre as organizações criminosas que querem traficar drogas internacionalmente, sempre procurando formas cada vez mais modernas e difíceis de serem detectadas.
Esse novo equipamento é mais moderno, mas continua matando nossos irmãos
Mano, as informações sobre a tecnologia dos submarinos do tráfico de drogas são muito limitadas, já que essas embarcações são construídas em segredo.
Mas sabe-se que esses submarinos agora são equipados com tecnologia sofisticada pra serem eficientes e seguros.
Os narco-submarinos do Primeiro Comando da Capital usados pra traficar geralmente são feitos com materiais leves e resistentes, como fibra de vidro e kevlar, pra ficarem mais leves e difíceis de serem detectados pelos radares das autoridades.
Além disso, essas organizações criminosas utilizam tecnologia de comunicação via satélite e sistemas de navegação por GPS para monitorar a localização dos submarinos e garantir que eles cheguem ao destino final sem serem detectados pelas autoridades.
Eles também têm motores silenciosos e sistemas de filtragem de ar pra garantir que a tripulação possa respirar debaixo d’água por bastante tempo.
Só que tô ligado que para colocar mais carga, muitas vezes a chefia tira espaço do ar interno e daí os respiradores não tem nem o que limpar.
Esses submarinos são foda, alguns baixam até 30 metros no oceâno e navegam mais de 5.000 quilômetros.
De três a cinco moleques bem treinados conseguem transportar várias toneladas de drogas por viagem.
Mas, ó, pra construir essas embarcações é preciso gastar uma grana preta, porque eles usam tecnologia sofisticada e materiais de alta qualidade, além de exigir mão de obra especializada e treinada.
quando você chega eu já fui
E aí, irmãos, para terminar vou te falar sobre as rotas dos narco-submarinos do Primeiro Comando da Capital.
Como todas as rotas usadas pelo tráfico de drogas, tem que variar e mudar bastante e constantemente, se não cai.
Quando a autoridade descobre onde a gente vai chegar, nós já não vamos mais, já fomos, ficam no vácuo caçando ar.
Macaco velho não trepa sempre no mesmo galho.
Algumas rotas são bastante conhecidas até das autoridades, porque aí não tem jeito não, mas vai da sorte.
Uma dessas é a que parte das costas da Colômbia, Equador ou Peru e segue em direção à América Central, com destino aos Estados Unidos ou México.
Essa rota, os submarinos são usados para transportar grandes quantidades de cocaína, que é produzida nas regiões andinas da América do Sul e traficada para o mercado norte-americano, mas aí é coisa dos carteis lá de cima.
Ó prá terminar, vou soltar um versinho aí:
Os manos tão no controle, mas é fato Que os militares tão fracos, não fazem nada Tem submarino saindo do Amazonas Eles sabem, mas não conseguem controlar É a vergonha do país, a situação é triste As autoridades falham, e a população que assiste O tráfico de drogas ganha força e se expande E as autoridades nada fazem, só ficam de bobeira É difícil entender, a situação é crítica Enquanto os mano nadam de braçada Os militares ficam no leite condeçado e no viagra
E assim, vem droga voando de todo o canto. Quem dominava tudo os caminhos do Peru e Colômbia era o Cabeça Branca.
Alguns líderes das comunidades nativas de Ucayali no Peru estimaram que havia 10 e até 15 voos diários trabalhando para os narcotraficantes e pousando na região. Isso, no entanto, não foi confirmado pelas autoridades antinarcóticos.
Além dos narcotraficantes peruanos e bolivianos, existem “enviados especiais” do temido Primeiro Comando da Capital que fiscalizam o transporte de drogas para o Brasil.
O ministro do Interior do Peru, Vicente Romero, explicou que a destruição dos aeroportos clandestinos (narcoportos) tem um grande impacto no combate ao narcotráfico, porque neutraliza os embarques de drogas para o exterior, especialmente para a Bolívia.
“Isso nos permite cortar as asas do narcotráfico e deter seu avanço.”
Enquanto o Cabeça Branca passava, dentro dos quartéis…
Os milicos ficam sonhando com porta aviões enquanto o céu do Brasil é cheio de buraco: tudo mané de farda engomada.
Enquanto os vacilões da Força Aérea sonham, os voos clandestinos vêm da Bolívia (65%), seguida pelo Paraguai (17%), Peru (8%), Colômbia (6%) e Venezuela (4%).
pelo rio Paraná-Paraguai ou por rodovias
A Colômbia domina as rotas do narcotráfico para a América do Norte, mas a Rota do NarcoSul e a Rota Caipira transportam cocaína da Bolívia e Peru através do Paraguai e do Brasil para a Europa.
A liderança é do grupo criminoso brasileiro mais importante, o Primeiro Comando da Capital, é tudo 3 e não tem para ninguém.
A facção PCC 1533 utiliza a hidrovia Paraná-Paraguai e as estradas brasileiras para chegar aos portos litorâneos da Argentina, Brasil e Uruguai.
Os criminosos brasileiros usam duas fases para transportar cocaína.
Primeiro, a droga é transportada de avião para atravessar as fronteiras para chegar no Brasil e no Paraguai.
Depois, a cocaína é transferida para navios e navegada por via fluvial ou rodoviária até os portos do Atlântico.
Fim! Simples assim.
O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.
Há alguns meses eu me encontrava mais uma vez na sala de interrogatório da Delegacia Central de Itu.
Um dos investigadores adentrou a sala, fechando a porta com um baque seco e arrastando uma cadeira para bloqueá-la.
Com um sorriso irônico no rosto, ele sentou-se, deixando claro que sua intenção era me intimidar.
Eu já estava acostumado com aquela situação. Afinal, não era a primeira vez que eu era convocado para prestar depoimento sobre este site. E, infelizmente, eu sabia que talvez não seria a última.
Sinceramente, sentia-me honrado
Sentado diante de mim, havia um escrivão ocupado em seus afazeres, enquanto o delegado permanecia em silêncio, digitando em seu computador sem olhar para mim.
Tudo estava tão silencioso que era possível ouvir o som de cada tecla sendo pressionada. Mas eu não me sentia acuado, há muito estava preparado para esse embate.
Com olhar acusador, o escrivão indagou se as histórias que eu escrevia neste site eram verídicas.
Respondi-lhe com toda a sinceridade que, sentia-me honrado que um profissional da polícia tenha ficado em dúvida se as histórias publicadas por mim eram reais.
Disse-lhe que quando preparava os textos para o site, jamais imaginei que alguém acreditaria que eram verdadeiras as histórias que aqui conto.
Afirmei que, de fato, as narrativas que eu aqui relato têm suas raízes firmemente plantadas na realidade, mas apenas suas raízes eram reais.
O investigador retirou de sua pasta uma pilha de papéis impressos com meus textos, determinado a provar ou refutar a veracidade das histórias que eu criara.
É verdade que eu escrevo sobre minhas próprias experiências com o Primeiro Comando da Capital, a facção PCC 1533.
Contudo, também é verdade que, por vezes, eu me deixo levar pela imaginação e crio contos inspirados em relatos que ouvi ou li em algum lugar.
Mas quem pode julgar onde termina a realidade e começa a ficção?
A mente humana é um abismo profundo e misterioso, cujas fronteiras são indistintas e imprecisas.
Relembrando como tudo começou
Nas últimas madrugadas, eu escrevi aqui no site as razões que me levaram a relatar a história da organização criminosa Primeiro Comando da Capital.
Uma sensação de angústia que tomou conta de mim, enquanto eu revivia cenas que preferiria ter esquecido, e daí veio a certeza que teria que enterrar definitivamente aquele passado.
Hoje, minha vida é pacata e tranquila, vivendo sob os preceitos da lei. Mas nem sempre foi assim.
Houve um tempo em que eu caminhava pela estrada tortuosa da ilegalidade, mergulhando cada vez mais fundo no mundo do crime.
Não me arrependo de muita coisa que fiz, mas também me restam as lembranças de atitudes que eu preferiria apagar.
Arrependimentos do passado me perseguem, lembranças de crimes por vezes sórdidos cometidos contra inocentes e que deixaram marcada para sempre minha alma.
Quero enterrar esse passado, para que nunca mais paire sobre mim essa sombra.
Rever meu passado, rever aqueles que viveram comigo, poderia ser a maneira redentora capaz de enterrar de vez essas experiências obscuras.
Dessa vez, no entanto, nenhum investigador adentrará a sala da Delegacia Central de Itu, fechando a porta com um baque seco e arrastando uma cadeira para bloqueá-la.
Também não verei nenhum sorriso irônico tentando me intimidar. Nenhum escrivão ocupado em seus afazeres. Nenhum delegado em silêncio digitando em seu computador sem olhar para mim.
Mas, confesso que sentiria-me honrado se um profissional da polícia tivesse ficado em dúvida se essa história que eu escrevo agora é verdadeira.
Vou entrar me despedir da mulher e das lembranças que me incomodam, e em breve tudo estará tão silencioso que será possível ouvir o som de alguém enterrando seu passado em uma terra encharcada.
Bem sabe que não estou mais disposto a me dedicar ao estudo da organização criminosa PCC 1533.
No entanto, ao abrir meu note deparo-me com uma situação intrigante.
O site The Football Lovers, especializado em artigos baseados em opinião, escritos por apaixonados fãs de futebol de todo o mundo, alega que sete clubes estão ligados ao mundo do crime:
O autor do artigo, Shimil Umesh, lembra que o Corinthians foi implicado no escândalo de corrupção da FIFA em 2015, com alegações de suborno e propinas envolvendo vários dirigentes de alto escalão.
No entanto, a principal acusação seria envolvimento da agremiação futebolística com o Primeiro Comando da Capital.
É fato que, conforme divulgado pela mídia, existe base para levarmos em consideração a possibilidade de que tais informações sejam verdadeiras.
No entanto, precisamos estar atentos às fontes e à veracidade dos fatos antes de tirarmos conclusões precipitadas.
É preciso investigar a fundo cada uma dessas alegações e obter provas concretas para confirmar ou refutar essas afirmações.
É preciso separar os fatos da ficção para chegar à verdade
No entanto, é verdade que existem casos de indivíduos associados ao clube que foram investigados e condenados por envolvimento com organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital, como torcedores organizados e até mesmo alguns ex-jogadores.
Alguns casos que receberam ampla cobertura na mídia incluem a prisão de integrantes da torcida organizada Gaviões da Fiel em operações policiais contra o PCC, bem como acusações de que o ex-jogador corintiano Jorge Henrique teria ligações com o grupo criminoso.
No entanto, é importante ressaltar que tais casos não implicam que o clube Corinthians em si tenha algum envolvimento com atividades criminosas ou com o PCC.
PCC e favelas: tudo junto e misturado
As periferias de São Paulo são áreas historicamente marcadas pela pobreza, a desigualdade social e a violência, o nascedouro do time de futebol, e o berço da maioria daqueles que lotam as prisões paulistas.
O time de futebol Corinthians, foi fundado em 1910 no bairro do Bom Retiro, uma região com grande concentração de imigrantes e operários, populações marginalizadas naquele início de século.
Da mesma forma, a facção criminosa PCC 1533 teve origem nas prisões da capital paulista na década de 1990, onde muitos detentos eram oriundos das mesmas periferias que o time Corinthians Paulista.
O Primeiro Comando da Capital se fortaleceu a partir da união de presos que compartilhavam experiências de exclusão e marginalização social, assim como os torcedores do time, que encontravam no Corinthians uma identidade cultural e esportiva que os unia.
Dessa forma, pode-se entender que a associação entre o nome da facção PCC e o time Corinthians se dá principalmente pela origem e pela identidade social compartilhada pelas duas organizações.
Ambas têm suas raízes nas periferias da capital paulista, e seus membros compartilham uma experiência de exclusão e marginalização social que acaba se refletindo em suas respectivas culturas.
Por isso é fundamental separar a conduta de indivíduos específicos da imagem e reputação do clube como um todo.
A grande maioria dos torcedores do Corinthians não tem envolvimento com o Primeiro Comando da Capital, e a associação entre os dois grupos é frequentemente exagerada pela mídia e por discursos preconceituosos.
No entanto, alguns estudos antropológicos têm se dedicado a investigar as relações entre torcidas organizadas de futebol e grupos criminosos.
Essas análises mostram que, em alguns casos, há uma sobreposição entre esses dois corpos sociais, com membros da torcida organizada também fazendo parte do grupo criminoso.
Essa sobreposição pode ser explicada por uma série de fatores, incluindo a cultura de lealdade e solidariedade presente em ambas as organizações, bem como a possibilidade de obter ganhos financeiros por meio do envolvimento em atividades criminosas.
Entre cobras e lagartos: o Corinthians Paulista e o Primeiro Comando da Capital
A relação entre torcidas organizadas e grupos criminosos é complexa e varia de acordo com cada contexto.
Nem todas as torcidas organizadas estão envolvidas com atividades criminosas, e nem todos os membros dessas organizações compartilham dos mesmos valores e práticas, no entanto, a maioria é oriunda da mesma fatia social.
Essa é a razão do preconceito das elites em relação a esses grupos sociais.
Uma série de fatores explicam esse prejulgamento, incluindo estereótipos negativos associados a torcedores de futebol e a grupos criminosos, bem como a visão elitista de que esses grupos representam uma ameaça à ordem social e aos valores civilizados.
Esta prenoção pode ser vista como uma forma de defesa psicológica utilizada por algumas pessoas, entre elas, Shimil Umesh, para preservar sua autoestima e senso de identidade.
Nesse sentido, a identificação de um grupo como “inferior” pode ser uma maneira de reforçar a crença na superioridade do próprio grupo e, consequentemente, proteger a autoimagem.
A imagem do Corinthians está vinculada à facção PCC
Além disso, a vinculação da imagem da facção PCC com o Corinthians pode ser vista como uma forma de estigmatização.
É uma forma de rotular indivíduos ou grupos com base em características estereotipadas ou negativas, contribuindo para a sua exclusão social e marginalização.
A psicologia social também pode contribuir para a compreensão da dinâmica entre grupos e a formação de identidades coletivas.
A identificação com um grupo pode ser uma fonte de apoio social e emocional, bem como de reconhecimento e pertencimento.
No entanto, quando essa identificação é baseada em estereótipos negativos e comportamentos prejudiciais, pode levar à discriminação e ao preconceito em relação a outros grupos.
A diversidade cultural, o Corinthians Paulista e o Primeiro Comando da Capital
Shimil Umesh, através de seu curto e sem dados comprobatórios, nos permitiu analisar como é importante desafiar estereótipos e preconceitos e promover o respeito às diferenças.
Isso pode envolver a conscientização dos indivíduos sobre seus próprios preconceitos e a valorização da diversidade cultural e social como fonte de enriquecimento e aprendizado.
É importante entender que o autor do texto, Shimil Umesh, não é uma ilha.
Ele é apenas mais um que nada no puro caldo do preconceito social que abunda em tempos onde a extrema-direita nada de braçada.
O autor faz uma análise raza sobre uma questão de grande complexidade e ambiguidade que é a relação entre a periferia, as torcidas organizadas e o PCC.
Nem teve Umesh a capacidade de imaginar as múltiplas perspectivas que existem dentro desses grupos e vislumbrar parte da dinâmica social envolvida.
Afora todas essas considerações, o autor da crítica também deixou de levar em consideração as relações entre esses grupos, Corinthians e facção PCC, e outras instituições sociais, como a polícia, a política, a mídia, e o sistema judicial.
As relações entre o Corinthians Paulista e o Primeiro Comando Comando da Capital precisam analisar sob uma abordagem multidisciplinar e multifacetada.
Já o artigo no The Football Lovers não passou da soma de algumas palavras acusatórias cercadas de múltiplas imagens dos brasões dos clubes.
O sociólogo Gabriel Feltran que estuda as dinâmicas sociais e culturais nas periferias das grandes cidades, com foco especial na relação entre a juventude, a violência e as gangues, iria ainda mais longe do que eu, relacionando à esse fenômeno as estruturas políticas, socieis e econômicas do país.
Analisar a questão a partir de uma perspectiva histórica e sociológica mais ampla nos permitiria entender como a relação entre esses elementos se desenvolveu ao longo do tempo e como ela é moldada pelas estruturas que moldam a vida nas periferias.
Acusar o centenário Sport Club Corinthians Paulista sem considerar as dinâmicas internas, valores culturais e normas que governam suas torcidas organizadas e sua a administração do clube, não passa de preconceituoso amadorismo pretensioso.
Lugar de fala sobre as péssimas condições carcerárias
Escrever sobre as péssimas condições carcerárias é sempre um desafio.
Poucos conseguem retratar o que ocorre por trás das muralhas sem temer errar ou sofrer represálias.
O mundo por trás dos encarcerados não é assunto para leigos, se bem que, todos acreditam saber de como o Estado deveria agir.
Uns, defendendo o uso indiscriminado da força para manter a disciplina, outros que se permita uma autogestão nos presídios, mas entre o preto e o branco há uma infinita gradação de tons de cinza, nos quais a minha, a sua e a opinião de todos se encaixa.
Já Dr. Gerciel Gerson de Lima trata deste assunto com conhecimento de quem atuou dos dois lados das muralhas…
O conhecido advogado criminalista, foi por nove anos no 14º Batalhão da Polícia Militar na cidade de Osasco; primeiramente como segurança nas muralhas do presídio e depois no pelotão de escolta do Fórum.
Era ele que eu e mais dois aguardávamos em uma mesa de um bar na esquina da rua Santana em Itu, próximo ao escritório do tal Dr. Gerciel.
Quando chegou, nem abriu as portas de vidro preta de seu escritório, quando chegamos e o abordamos.
Sempre me espanta a naturalidade com que o Dr. Gerciel, mesmo tendo deixado os quadros da polícia há tantas décadas, quando decidiu se dedicar aos estudos de Direito, e se tornar um advogado na área criminal, não se altera quando cercado daquela forma.
Ao longo dos anos, Gerciel viu muitas coisas do mundo do crime, um universo sombrio, mas nada poderia prepará-lo para o que testemunhou em suas visitas aos presídios do estado de São Paulo.
Não é possível dizer que não veja o ódio que corre no sangue daqueles que não consegue soltar ou diminuir as penas.
Ódio alimentado na péssimas condições carcerárias
Os que o abordam quando Dr. Gerciel chega ou sai de seu escritório, vivenciaram o estado deplorável das instalações carcerárias, com suas celas superlotadas e condições precárias de higiene.
A violência, companheira constante, com presos brigando uns com os outros e até mesmo com os guardas que os mantinham sob custódia, poderiam virar contra ele a qualquer momento.
Por isso, sempre me surpreende a naturalidade como chega e sai.
Já li nos olhos de advogados tão cheios de boas intenções, medo e perda de inocência, quando se depararam com cobranças duras, cheias de ódio e ameaças de integrantes do mundo do crime.
Dr. Gerciel sabe que o sistema prisional do estado continua em um estado de calamidade, e que algo precisaria ser feito para mudar essa situação, no entanto, os anos de estrada ensinaram a separar o idealismo do mundo real.
Ele também sabia que as normas de exceção não escritas, mas aceitas na prática pelo Judiciário, tinham criado um ambiente propício para a formação e fortalecimento das organizações criminosas.
Sonhar é preciso, vive a realidade também é preciso
Nos primeiros anos, quando chega ou sai de seu escritório, Dr. Gerciel refletia sobre como poderia ajudar a mudar essa situação.
Ele sabia que não seria fácil, mas estava determinado a fazer a sua parte para melhorar a vida dos presos e daqueles que trabalhavam no sistema prisional.
Nos anos que se seguiram, Gerciel identificou as áreas mais críticas do sistema prisional e elaborou propostas concretas para melhorar as condições nos cárceres.
Eu, no início da década de 2010, nas páginas deste site, publiquei várias de suas propostas e lutas, mas ele, mais do que eu, sabia que não poderia resolver estas questões.
Comprometido em fazer o possível para criar um futuro melhor para aqueles que estavam atrás das grades, fazia grandes defesas que chamaram a minha atenção.
Ele, e outros advogados trabalharam para pressionar as autoridades a tomarem medidas concretas para melhorar as condições carcerárias e combater a violência dentro do sistema prisional.
O motivo das revoltas e rebeliões: as péssimas condições carcerárias
Avaliando hoje, essa última década, desde que acompanho a questão carcerária e o trabalho do Dr. Gerciel, considero que não avançamos.
Se por um lado, o advogado pode ser abordado em frente ao seu escritório sem temer o mundo do crime, por outro há a falta de resultados na luta pela melhoria das condições dos encarcerados.
Não foram as primeiras décadas do século 21 que produziram um mundo menos injusto.
Não foi nesse quarto da história que nos apercebemos que quanto mais apagarmos luzes, mais nas trevas nos encontraremos.
O Dr. Gerciel, em 2010 me chamava a atenção que o sistema carcerário paulista era tido como ultrapassado tanto no aspecto estrutural quanto na política de ressocialização do preso.
As constantes violações dos direitos básicos e fundamentais da pessoa humana é motivo de revoltas, rebeliões e manifestações que, na maioria das vezes, são combatidas com métodos e punições violentas.
Essa prática classificada por um relatório da Organização das Nações Unidas como “tortura sistemática”, teve como ápice o Massacre do Carandiru e a criação do Primeiro Comando da Capital.
O antigo policial e hoje advogado criminalista ressalta também que o sistema prisional paulista não é uma exceção, pois no restante do país a situação não é muito diferente.
Em alguns estados a situação vivida diz respeito a um verdadeiro “caos”, com presos amontoados, tornando, assim, o ambiente propício à proliferação de doenças como a escabiose em função da superlotação.
Sem espaço suficiente para sequer dormir na “horizontal”, o preso comum, serviçal da cela, dorme muitas vezes em pé, naquilo que os próprios chamam de “dormir no boi”.
Tal expressão, antiga no meio da população carcerária, remete ao fato de que, ao dormir em posição vertical, o preso amanhece com os pés em forma arredondada pelo inchaço, assemelhando a pata do referido bovino.
Nesse ambiente, não há repressão policial que consiga controlar a massa carcerária e o fortalecimento de uma ideologia criminosa.
Enquanto o “cidadão de bem” com sua alma inundada de perversidade moral defende o endurecimento das penas e as condições duras do cárcere.
O resultado prático demonstra o danoso resultado dessa política carcerária, algo que já, há muito, era defendido por Dr. Gerciel e outros defensores dos Direitos Humanos.
O caos e o nascimento da facção PCC
Desta forma, Dr. Gerciel associa o caos do sistema prisional com o nascimento da facção criminosa intitulada Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) no interior dos presídios paulistas.
Tal surgimento é atribuído exatamente ao histórico desrespeito que se pratica contra o preso, não se observando sequer direitos e princípios consagrados mundialmente, como o da dignidade humana.
Segundo ele, esta cultura que marginaliza a população carcerária e não lhe oferece as mínimas condições de ressocialização e posterior inserção no tecido social faz parte de um sistema estruturado com este objetivo.