O Plano “Z” de combate ao PCC em Pando na Bolívia

Dez meses após a criação do Plano “Z” para combater o crime organizado em Pando, Bolívia, grupos criminosos como o Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho e Los Choleros continuam atuando livremente na região. O plano tinha como objetivo localizar criminosos e controlar a fronteira com o Brasil. A deputada Ariana Gonzales, presidente da Brigada Parlamentar Pando, destacou a preocupação com o recrutamento de menores de idade pelos criminosos na época da criação do plano.

Plano “Z” tem zero de resultado prático

Dez meses depois dos problemas apontados pela comissão da Câmara dos Deputados da Bolívia que debatia o problema do crime organizado no Departamento de Pando em 4 de abril de 2022.

Na ocasião, a Brigada Parlamentar e o Comando da Polícia Departamental do Departamento de Pando apresentaram um plano para ação conjunta de combate aos grupos criminosos: o Plano “Z”

A ideia era localizar criminosos e controlar áreas de fronteira com o Brasil impedindo a presença de criminosos brasileiros em Cobija.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

Comado Vermelho (CV), Primer Comando de la Capital (PCC) y el B13, preocupó a pobladores de Pando. Ante esta situación, autoridades pandinas y del Estado de Acre (Brasil) se reunieron para reforzar el control en el paso fronterizo que une ambos países.

No entanto, quase um ano depois s grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, e o grupo boliviano Los Choleros continuam atuando livremente em Pando.

O recrutamento de menores de idade por criminosos foi, na época, considerado uma das prioridades:

“É preocupante que menores de idade estejam envolvidos em atos criminosos, são bolivianos comandados por brasileiros que estão à frente das quadrilhas”.

Deputada Ariana Gonzales (MAS) presidente da Brigada Parlamentar Pando

Bolívia como Santuário do Cartel de Drogas PCC 1533

Cartel de Drogas PCC: reportagem afirma que a Bolívia se tornou um reduto de PCCs foragidos do Brasil.

Cartel de drogas PCC na Bolívia

Integrantes do Cartel de Drogas PCC investem em joias, clínicas, restaurantes, fazendas, entre outros, e caminham com segurança pelas ruas de Santa Cruz, que se tornou o centro de poder do grupo.

Uma reportagem revelando que a Bolívia se tornou nos últimos anos o santuário do Narcosul, o cartel de drogas do temível Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em extensa reportagem, o jornal brasileiro aponta que Narcosul é o nome dado por especialistas da Polícia Federal (PF) brasileira ao cartel que reúne representantes do PCC e seus associados no tráfico internacional de drogas.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

A reportagem indica que de Santa Cruz os traficantes brasileiros viajam de avião e helicóptero para passar férias nas praias nordestinas, onde fecham contratos milionários de drogas, famílias da máfia calabresa ‘Ndrangheta, a mais poderosa organização criminosa. Itália, que concentra 40% do narcotráfico da Europa.

A Bolívia ainda é refúgio de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, outro investigado na Operação Tubarões.

Tuta era adido comercial do consulado de Moçambique em Belo Horizonte e é apontado pela inteligência prisional como chefe da facção nas ruas.

O país africano era destino de um carregamento de 5 toneladas de cocaína que a PF surpreendeu no último dia 5, no porto do Rio. Escondido em caixas de sabão em pó, o carregamento foi a maior apreensão da história do Rio de Janeiro.

Tocha, o elo da facção brasileira PCC na Bolívia

A facção brasileira PCC tem seu elo de ligação com grupos Bolivianos recapturado, mas Tocha é recordista em fugas.

Líder da facção brasileira PCC capturado na Bolívia

O líder da facção brasileira Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), o Tocha, chegou a Santa Cruz de la Sierra na Bolívia no final de 2021 para organizar o tráfico de cocaína para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC, grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

A Polícia Federal brasileira estava em seu encalço porque no dia 14 de setembro ele havia fugido pela terceira vez de um presídio em Pernambuco.

Felipe Edvardo Menezes Iglesias coleciona três fugas no Brasil e duas na Bolívia — agora está na prisão de segurança máxima de Chonchocoro, em La Paz.

leia a narração das fugas de Tocha no artigo de Jaime Iturri Salmão: Torchinha, uno de los cuadros principales del Primer Comando de la Capital

First Command of the Capital is most successful criminal organization

Neste minidocumentário em Inglês apresentando a formação, funcionamento e economia do Primeiro Comando da Capital (PCC),

This is Gangs of Brazil Episode 3.

In this mini-documentary we discuss the formation, operations and economics of Primeiro Comando da Capital (PCC), or the First Command of the Capital. Established in 1993. This is Brazil’s Largest and most successful criminal organization.

Guidebook of the First Command of the Capital — Brazilian criminal organization PCC 15.3.3

Internal Rules of First Command of the Capital — Brazil’s criminal group PCC

Statute of the First Command of the Capital — Brazilian gang PCC 15.3.3

Bolívia: ataque à envolvidos com o Primeiro Comando da Capital

Pai e filho envolvidos com o Primeiro Comando da Capital são atacado em um intervalo de poucas horas. O pai foi morto na Bolívia e o filho sobreviveu no Brasil.

O ataque a envolvidos com o Primeiro Comando da Capital foi realizado por duas equipes de criminosos em dois países.

Mapa mostra local dos dois atentados contra pai e filho envolvidos com a facção criminosa PCC.

O ataque foi a pai e filho, ambos advogados e empresários

Flavio Verdum de Almeida Júnior, foi baleado ao meio-dia na cidade de San Ignacio de Velasco, no Departamento de Santa Cruz, na Bolívia.

Ele estava ao celular falando com parentes no Brasil para saber sobre as condições de saúde de seu filho atacado uma hora antes.

Felipe Carlos de Almeida, seu filho, alvejado na cidade de Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, no Brasil, a seis horas de distância.

Ambas as ações foram executadas por duplas de pistoleiros e a ação orquestrada indica o nível do crime organizado na região.

Em poucos meses, outros três familiares de Flávio foram alvos de ataques, o que leva os investigadores a trabalhar com a hipótese do envolvimento com o crime organizado.

mais notícias sobre o Primer Comando de la Capital na Bolívia

O envolvimento do pai e do filho na facção

Flávio esteve envolvido diretamente com a facção PCC 1533, estava foragido da Justiça brasileira, e foi atacado em uma oficina onde veio a falecer.

Já seu filho Felipe está respondendo criminalmente por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Felipe foi atacado quando chegava pela manhã em seu escritório, mas sobreviveu aos ferimentos.

Ainda não se pode afirmar se os crimes foram por desentendimento dentro da facção, guerra entre facções, ou cobrança de dívidas.

As autoridades policiais de ambos os países tem ciência da presença e atuação das facções criminosas na região da fronteira.

No entanto, outros ataques relatados pela repórter Daniela Romero L. do Página Sete provam que a facção paulista atua também na capital e em outras regiões.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

A facção PCC desde sua origem até sua expansão em Portugal

Vídeo reportagem em Espanhol sobre a facção paulista Primeiro Comando da Capital.

A maior organização criminosa do Brasil também opera de Portugal

Assista o vídeo em espanhol no site da RTVE

Portugal apreendeu no ano passado 16 toneladas de cocaína. Cada vez mais drogas chegam ao país como forma de entrar na Europa.

Tem muito a ver com a maior organização criminosa do Brasil, o Primeiro Comando da Capital, mais conhecido como PCC 1533.

Começou como um sindicato de defesa dos direitos dos presos brasileiros na década de 1990.

Hoje é uma das organizações mais poderosas do mundo das drogas, intimamente ligada à máfia italiana da Calábria, a ‘Ndrangheta.

A presença do PCC em Portugal foi confirmada com a prisão de quatro de seus integrantes reconhecidos pela quadrilha.

Preso integrante do PCC no Paraguai: Cara Gorda ou Cezinha

No Departamento de Canindeyú foi preso integrante do PCC no Paraguai Cara Gorda ou Cezinha, como é conhecido Orlandino César Moreira.

Preso integrante do PCC no Paraguai Orlandino César Moreira foi expulso do país assim que foi preso — ele já era procurado no Brasil onde fugiu da prisão.

No Paraguai ele estava sendo investigado por tráfico de armas e drogas na região da fronteira.

Essa é a quarta etapa de uma investigação que ocorre em toda a fronteira com o Brasil para combater os integrantes do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533)

leia matéria completa no La Nacion: Jefe del PCC fue capturado durante allanamientos en Canindeyú

Emprego de Risco: Lavar dinheiro da facção PCC 1533

Estar sendo acusado de lavar dinheiro da facção PCC Primeiro Comando da Capital é hoje a menor preocupação de empresário de segurança privada.

Preso empresário acusado de lavar dinheiro da facção PCC

Lavar dinheiro da facção PCC 1533 (Primeiro Comando da Capital) é uma das atividades mais rentáveis e tem muitos integrantes querendo essa função.

Todos querem para si colocar as mãos nesse dinheiro, mesmo sabendo que os próprios colegas cobrarão qualquer desvio.

Todos querem para si essa posição, mesmo sabendo que as autoridades estão de olho para pegar como informante.

É muito dinheiro. É muita tentação. É muita informação.

Certa vez, um contador da facção criminosa Primeiro Comando da Capital caiu e para reduzir a pena entregou a estrutura da facção.

Theodorelli, o cagueta X9, garantiu a prisão de nada menos que 175 integrantes, entre eles a alta cúpula do PCC, incluindo o próprio Marcola.

Dicionário da Facção PCC – Regimento Disciplinar da Organização Criminosa

  1. Caguetagem:
    Fica caracterizado quando são exibidas provas concretas ou reconhecimento do envolvido. A
    sintonia deve analisar todos os ângulos, porque se trata de uma situação muito delicada.
    Punição: Exclusão, cobrança a critério do prejudicado.

Não prestou. Theodorelli não foi preso e entrou no Programa de Proteção às Vítimas e Testemunhas (Provita).

Por algum motivo ele saiu do Provita e foi assassinado logo em seguida no bairro Pedregal, em Novo Gama, Goiás, no entorno do Distrito Federal.

leia também como são os setores da facção e qual a função dos Disciplinas

Contador resolve Matar para não morrer

Pense em um lugar onde se pode procurar proteção contra o crime: algo assim como uma empresa de segurança.

Vinícius é o dono da empresa que conta com a colaboração de agentes públicos como policiais e agentes penitenciários.

Para não morrer Vinícius mata “Cara Preta” e “Sem Sangue”, integrantes do PCC — não em nome do combate ao crime, mas para salvar a própria pele.

O empresário era responsável por lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital, mas como a ganância é incontrolável acabou metendo a mão na cumbuca.

Tem como fugir da punição da facção PCC?

Dicionário da Facção PCC – Regimento Disciplinar da Organização Criminosa

  1. Mão na cumbuca:
    É caracterizado quando rouba algo da organização, dinheiro, drogas, armas, etc… Trata de uma situação grave.
    Punição: exclusão e morte, depende da situação com análise da Sintonia.

Ele seria julgado e condenado a morte pelo Tribunal do Crime do PCC, mas para evitar a sentença, matou seus antigos parceiros de negócios.

Assim, em 2021, matou um dos Sintonias da Rua, Anselmo Santa Fausta, o “Cara Preta”, e o seu braço direito, conhecido como “Sem Sangue”.

O contador foi o mandante e dois os executores. Um deles foi morto no ano seguinte e o outro, um agente penitenciário continua desaparecido.

Agora Vinícius quer dar uma de Theodorelli e se propôs a entregar toda a cúpula da facção ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo.

Boa sorte.

leia matéria completa no R7

Imprensa e Redes Sociais ligam PCC 1533 aos governos de esquerda

Grupos da extrema direita internacional se organizam e difundem pelo mundo a ideia que a facção Primeiro Comando da Capital se expande em países de esquerda.

Imprensa e redes sociais ligadas à grupos de extrema direita difundem pelo mundo notícias vinculando a expansão da facção Primeiro Comando da Capital nos países onde são oposição. Argentina e Chile são o foco no momento, ao mesmo tempo, não se faz mensão ao Uruguai e Paraguai onde o aumento de casos é mais expressivo, mas os governos são considerados de direita.

As reportagens e postagens são um show de generalidades sem dados comprobatórios ou notícias de casos pontuais que visam estabelecer um vínculo entre membros do governo e integrantes da facção paulista ou demonstrar a inabilidade ou falta de comprometimento no combate ao crime.

texto no The Rio Times

Leia mais em: A organização criminosa Primeiro Comando da Capital sendo utilizada para desestabilizar governos e instituições pelo mundo.

Leia também: O Primeiro Comando da Capital ajudou na eleição de Jair Bolsonaro

Facção PCC: podcast em Inglês

The Underworld Podcast

The Brazilian Prison Gang Dominating South America: The PCC

Em menos de 3 décadas, uma gangue brasileira formada durante um torneio de futebol na prisão se tornou uma das, senão a mais poderosa gangue de toda a América Latina, ramificando-se das celas das prisões, para as ruas de São Paulo, para toda a América Latina. América e trabalhando de mãos dadas com grupos como Ndranghetta, mafiosos russos e quem é quem do crime organizado global. Esta é a história de como o PCC, ou Primeiro Comando da Capital, assumiu o estado brasileiro com tudo, desde motins a ataques a delegacias de polícia, mantendo toda a cidade de São Paulo, população de 20 milhões, refém e desde então cresceu para o exterior em expansão sem igual.

A morte do Promotor de Justiça e a facção criminosa PCC 1533

O cerco contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital se fecha na medida em os envolvidos estão sendo presos.

Capturade em El Salvador aproxima facção criminosa do crime

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 15.3.3) ordenou o assassinato do promotor de Justiça Marcelo Pecci do Ministério Público do Paraguai — é o que acreditam as autoridades dos diversos países.

O crime ocorreu no dia 10 de maio de 2022 na praia de Barú, na província de Cartagena, na Colômbia, onde o funcionário do governo paraguaio aproveitava sua lua de mel quando dois homens invadiram a praia particular em jet skis e dispararam contra o promotor.

Marcelo Pecci se destacou no combate ao tráfico internacional de drogas geridas pela organização criminosa PCC 1533 oriundas do Paraguai, passando pelo Brasil com destino a Europa.

Os irmãos Andrés Felipe e Ramon Emilio Perez Hoyos foram presos crime ainda em solo colombiano, e agora foi capturada em El Salvador Margaretha Chacón Zúñiga, uma colombiana que teria participado da organização do atentado.

Juntamente com ela, um cidadão de El Salvador, Vibert Giovanni Rodrigues, foi detido por ajudar na fuga e ocultação de Margaretha. No entanto, ainda não há provas apontando os mandantes ou o envolvimento da organização criminosa paulista.

reportagem completa no Los Angeles Times

Foragidos do Primeiro Comando da Capital estão em Portugal?

Foragidos da Organização Criminosa Primeiro Comando da Capital teriam Portugal como opção para se abrigar.

PCCs foragidos da Justiça: um novo destino

Foragidos integrantes das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) e Comando Vermelho (CV) estão se escondendo em Portugal — essa hipótese entrou no radar das autoridades lusas após a prisão de alguns integrantes do PCC.

Portugal pode parecer uma escolha óbvia pela facilidade linguística e por ser um ponto de interligação dos países africanos que servem de entreposto de distribuição de drogas vindas da América do Sul para a Europa, mas nem sempre foi assim.

A mudança ocorre pela soma de vários fatores: fugitivos com mais dinheiro; o aumento da importância de Portugal como porta de entrada do tráfico na Europa; e os entraves na legislação lusitana para o repatriamento de brasileiros.

Não é apenas em Portugal que as autoridades estão em alerta por causa da presença de pelo menos 40 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em território luso. Representantes do sistema de segurança dos países que integram a União Europeia não descartam uma possível guerra entre a maior organização criminosa brasileira com traficantes mexicanos que têm criado bases na Espanha.

Rosana Hessel para o Correio Brasiliense

Portugal e suas vantagens aos fugitivos do PCC 1533

Os destinos escolhidos dos foragidos da Justiça brasileira eram principalmente o Paraguai e a Bolívia, e em menor número, para outros países do Cone Sul. Para a África, Moçambique e Angola, e para Europa, Portugal e Espanha, iam os mais estruturados, os que tinham conhecidos por lá ou aqueles que pretendiam construir alguma ponte comercial.

No início, os PCCs que iam para o Paraguai fugindo das autoridades brasileiras chegavam aos poucos, apenas para se esconder, mas hoje é diferente: quem chega já tem trabalho garantido:

“El Primer Comando Capital” é o maior grupo armado atuando naquele país, e possui infraestrutura, armas, muita grana, plantações de maconha, distribuidoras de cigarros, está presente em todas as prisões do país, e influência na política.

A facção PCC 1533 no nordeste do Paraguai

No entanto, as operações conjuntas entre os policiais do setor de investigação e os de imigração e fronteiras perceberam um aumento significativo a partir do final de 2022 no número de fugitivos.

São cada vez mais evidentes os indícios de que brasileiros condenados no Brasil e foragidos da justiça se escondem em território português e que integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) já montaram bases do outro lado do Atlântico.

Vicente Nunes para o Trend Detail News: Portugal seeks Brazilian fugitives hiding in the country

Tráfico Internacional: o roteiro da droga peruana da facção PCC

O tráfico internacional disputa o controle do Departamento de Pando, Bolívia, utilizando jovens como mulas no transporte de drogas do Peru para o Brasil. O interesse do PCC na região começou em 2007, visando estabelecer relações com narcotraficantes bolivianos. A cocaína produzida no Vale dos rios Apurímac, Ene e Mantaro (Vraem) chega à tríplice fronteira entre Peru, Bolívia e Brasil, onde é transportada para Cobija e, em seguida, o Brasil. A reportagem do El Deber detalha o envolvimento do PCC e da gangue boliviana Los Choleros no tráfico de drogas através da Bolívia.

Tráfico internacional disputa o Departamento de Pando. Os peões nesse jogo são jovens que são usados como mulas no transporte da droga do Peru para o Brasil passando pela Bolívia.

O interesse do PCC na Bolívia começou em 2007 com o objetivo de estabelecer relações com narcotraficantes bolivianos e foi implementada inicialmente por aproximadamentes 100 integrantes da facção.

jornalista Allan de Abreu

Maldonado é um dos últimos municípios peruanos na fronteira norte com a Bolívia. Daí chega a cocaína produzida no Vale dos rios Apurímac, Ene e Mantaro (Vraem). Depois segue para Iñapari, que é município fronteiriço com Bolpebra, já em solo boliviano. Na frente está Assis, do lado brasileiro. Lá está a tríplice fronteira, no meio da selva amazônica.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

A cocaína passa facilmente até Bolpebra e de lá são apenas 86 quilômetros até Cobija. O percurso é geralmente rápido e com poucos controles. Mukden é uma comunidade em Bolpebra e lá a Polícia realiza algumas operações. Uma recente foi a apreensão de cinco quilos de cocaína que passaram de Iñapari. O destino era Cobija e depois iria para o lado brasileiro. A pessoa que transportava a droga era um jovem que carregava os pacotes na mochila…

Leia a reportagem completa no El Deber de como ao Primeiro Comando da Capital e a gang local dos Choleros trazem para o Brasil, via Bolívia a maconha do Peru.

HSBC e o dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital

Meu falecido avô dizia que esse mundo é pequeno, e eu preciso concordar com ele. Outro dia, navegando por aí, me deparei pela primeira vez com Robert Evan Ellis – um analista de economia, política e segurança latino-americana –, que, da bela cidade de Montgomery, no Alabama, fazia suas considerações sobre a evolução do crime organizado brasileiro.

Para minha surpresa, me deparo, hoje, novamente com Robert; só que dessa vez ele está falando sobre o aumento da influência da China na América Latina, em uma coletânea de David Denoon: China, The United States, and the Future of Latin America: U.S.–China Relations.

“Certos escritores se desculpam de não haverem forjado coisas excelentes por falta de liberdade – talvez ingênuo recurso de justificar inépcia ou preguiça. Liberdade completa ninguém desfruta […]” – escreveu Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere.

O escritor-analista Robert Evan Ellis produz muitos artigos doutrinantes, que apontam para um caminho já conhecido por muitos de nós brasileiros e, em especial, por Graciliano Ramos – que em 1935 foi demitido do serviço público, deportado em um porão de navio e preso, sem acusação, durante o Governo Vargas: eram os ventos do New Deal soprando.

“América para os americanos” – slogan da doutrina Monroe.

Durante a Era Vargas, vivíamos sob a influência da “política de boa vizinhança”, do presidente americano Franklin Delano Roosevelt, onde o Departamento de Estado americano através do Office of the Coordinator of Inter-American Affairs (OCIAA), influenciava abertamente  o governo brasileiro (ou pelo menos tentava), como mandava a velha cartilha da Doutrina Monroe.

A volta ao velho sistema de influência econômica e cultural, o Big Stick, é a proposta para hoje de Robert para o governo americano.

Somado a outros argumentos, há o de que o The Hong Kong and Shanghai Banking Corporation (HSBC) está administrando o dinheiro da organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC), e alerta que esse fato pode não parecer tão perigoso quanto a presença de tropas chinesas em outros países latino-americanos, mas, na verdade, é até mais grave.

É no varejo, nas ações diárias, comerciais e financeiras, que a China está conquistando espaço na América Latina; isso faria parte de um planejamento a longo prazo, e se os Estados Unidos da América não se atentarem, terão corroída sua posição global, ficando vulneráveis – até mesmo militarmente – em regiões muito próximas ao seu território.

Bem, Robert Evan Ellis aponta como solução para os Estados Unidos o retorno aos tempos do New Deal. Meu falecido avô, além de achar esse mundo pequeno, também era um grande admirador do presidente Getúlio Vargas. Eu lamento pelo o que passou Graciliano Ramos, mas Vargas soube, a seu tempo, explorar o medo americano como ninguém.