Observando o fluxo: os manos das universidades olham o PCC

Observando o fluxo, colamos na fita do Primeiro Comando da Capital. Vamos trocar ideia sobre violência, crime e políticas públicas, irmão.

Observando o fluxo, cola nessa fita que traz o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), e bora trocar ideia sobre violência, crime e políticas públicas? Pode ser aqui nos comentários do site, no grupo de WhatsApp, ou até no meu MP, quem sabe. Vamo nessa!

A violência é uma instituição tão natural como a própria vida humana. Decorre do nosso instinto de sobrevivência, sendo o grande motivo para o homem ter dominado a natureza. Mas essa afirmação não pretende trazer glamour à violência.

Talvez no último estágio da existência humana, a evolução definitiva seja exatamente vencer o instinto natural que nos propala a nos destruirmos mutuamente.

Conexão Teresina: uma crônica sobre a atuação do PCC no Piauí

Observando o Fluxo: Análise da Facção PCC segundo o mano Dyna

Observando do fluxo, irmão, vou te falar dessa fita: Primeiro Comando da Capital, facção que mexe com a mente. Tamo aí nessa análise, baseada no trampo do pesquisador Eduardo Armando Medina Dyna, que se liga nos “Dois lados da moeda”.

Dyna busca sacar os bagulhos do PCC na segurança pública e na sociedade, sem demonizar como a mídia e a polícia fazem. O cara vê pesquisas e autores que colam nesse assunto, fala de violência, crime, Estado e políticas públicas.

Os manos das universidades, tipo o Núcleo de Estudos da Violência da USP, tão ligadões no PCC. O autor não se deixa levar por ideias pré-concebidas, chama a fita de “Organização”, “Comando”, “Facção”, “Irmandade”, “Grupo” ou “Partido”, de acordo com a parada.

Mano Dyna aborda a fita da desigualdade social e do crime organizado no Brasil, desde os anos 70. Ele cita o pesquisador Michel Misse, que enxerga conexão entre crime, pobreza e violência, e destaca como os crimes dos ricos e dos pobres são tratados de forma diferente, mostrando que tem a ver com a parada do preconceito de classe.

Mas, irmão, eu só tô te dando um resumo do que Dyna e os outros manos estudam. Pra sacar tudo, tem que colar nos estudos deles, vendo a complexidade da parada.

As Faces da Mesma Moeda: uma análise sobre as dimensões do Primeiro Comando da Capital (PCC) — Universdidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Campus de Marília

Desigualdade social e crime organizado no Brasil

Vou continuar falando das fitas da violência e do crime, tipo o trampo do autor Feltran e outros pesquisadores.

Gabriel de Santis Feltran vê a relação entre o mundo legal e ilegal, como a violência nas quebradas e o crime são moldados pelo Estado e pela polícia. Ele examina os termos “bandido” e “criminoso” nas periferias de São Paulo, vendo que o “mundo do crime” é uma nova realidade, com práticas ilícitas normalizadas.

O crime é visto como construção social e problema das relações do Estado com a sociedade, influenciado pelas políticas de segurança pública. Tem vários autores que estudam a história das políticas de segurança pública em São Paulo, tipo Salla e Silvestre.

Fernando Salla examina a passagem do tempo autoritário pro democrático, percebendo que ainda rola uma herança da repressão militar no governo e no pensamento da galera. Ele liga a violência policial, a criação do PCC e os rolês de 2006 às políticas adotadas pelo Estado de São Paulo.

Giane Silvestre dá uma geral no papel das polícias civil e militar na batalha contra o crime, mostrando a polícia militar ganhando força e a civil perdendo espaço. Ela diz que isso acontece por causa da relação entre a grana, política e o poder das armas nas instituições. A corrupção na polícia civil atrapalhava, enquanto a pegada militar da polícia militar impedia esses problemas.

Observando o fluxo: o PCC e a política

Salla e Silvestre dão a fita que as políticas do governo do estado, nas mãos do secretário de segurança pública e de administração penitenciária, deram mó poder pras polícias no corre contra inimigo estigmatizado, tipo Misse falou.

Essa conversa errada fez nascer uns papos sinistros que zoaram a sociedade paulista e criaram um mito em volta do Primeiro Comando da Capital. Esse mito alimenta as conexões no “mundo do crime”, como Feltran falou.

Pra entender o PCC, sua história, líderes e metas, vários corres foram feitos. Josmar Jozino, jornalista que tá na área policial desde os anos 80, traz uma visão firmeza da história do PCC no seu livro. Com entrevistas e histórias, ele mostra as fitas, ideias, alianças e contras do grupo, e a violência no rolê dentro e fora dos presídios.

Mano, a socióloga Camila Caldeira Nunes Dias chega junto nas pesquisas sobre o PCC. Ela tá na área com trabalho de campo e teoria, analisando a história do Comando e as paradas em que eles atuam, até fora dos xadrez.

Na sua fita mais pesada, Dias manda a ideia de que o PCC virou um monopólio da violência, dominando os becos e promovendo um processo doido de paz. Essa teoria vai ser testada na pesquisa e traz um novo olhar pra entender a organização. A mina também investiga os novos códigos morais criados pela facção, que lança suas próprias leis e fortalece a expansão.

Observando o fluxo: o PCC vai à guerra

Que dá o papo reto da consolidação e expansão do PCC tão são Bruno Paes Manso, Camila Dias e Gabriel Feltran, que mandam a real sobre a transformação do Primeiro Comando da Capital numa parada internacional, firmando nos países da América do Sul e quase todas as quebradas do Brasil. Essa expansão fez a guerra entre facções rolar entre 2016 e 2018 nas áreas Norte e Nordeste, levando o PCC pra cena mundial.

Marcos Alan Ferreira e Rodrigo Framento tão ligados na treta de poder entre o PCC e outras fitas do Norte e Nordeste, mostrando uma nova quebrada das paradas no Brasil e no corre das drogas. Allan de Abreu tá na “rota caipira” do tráfico, e outros textos mandam a real sobre as rotas do bagulho ilegal, onde as disputas, com o PCC na liderança, envolvem grana, esquema e infra, levando pra outro nível e trazendo desafio pra segurança.

A mina Karina Biondi, antropóloga, fez um trabalho firmeza sobre as relações internas dos manos da facção e onde eles mandam. Nas entrevistas com os presos, ela descolou uns dilemas novos que a organização enfrenta, tipo conduta, respeito e os princípios que guiam a disciplina da galera. A proibição do crack nas quebradas e cadeias, o respeito com as famílias que visitam os manos e a divisão do corre na lógica do comando são alguns dos pilares da política do PCC.

Carta de uma cunhada do PCC: coragem e esperança de uma mãe

“Carta de uma cunhada” é uma história emocionante e inspiradora de uma mãe corajosa, buscando um futuro melhor para seus filhos e enfrentando as adversidades de ter um marido membro do Primeiro Comando da Capital.

“Carta de uma cunhada” revela a luta de uma mãe determinada em superar desafios, proteger seus filhos e encontrar amor em meio a um cenário complexo que envolve as famílias dos integrantes da facção PCC.

E para quem não é da Família 1533, vai uma explicação necessária:

Na organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o termo “cunhada” é utilizado para se referir às esposas, companheiras ou namoradas dos membros da facção. Essas mulheres geralmente possuem laços afetivos com os integrantes do PCC e podem ou não estar diretamente envolvidas nas atividades criminosas da organização.

Carta de uma cunhada: uma mãe e o bem-estar e a felicidade dos filhos

Escrevo com muita esperança sobre meu futuro e dos meus filhos. Sou mãe de três crianças incríveis – o mais velho tem 13 anos e o mais novo, 9 anos – e enfrento muitos desafios em minha vida, especialmente para sustentar e proteger meus filhos com o fruto do meu trabalho.

Há alguns anos, me mudei para a capital e fui confrontada com a dura realidade das facções criminosas. Moro em um residencial onde muitos têm parentes presos, membros do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Contudo, vale ressaltar aqui que não é porque somos “cunhadas” que vivemos de corre. A maioria de nós trabalha duro para sustentar nossas famílias e promover um furuto melhor para nossos filhos, e não vivemo do dinheiro do crime.

Encontrando amor e esperança em meio às adversidades

Conheci meu marido através de uma vizinha que cuidava dos meus filhos, uma mulher trabalhadora e honesta. Seu marido estava no presídio com o meu atual companheiro, e foi assim que nossa história começou.

Há dois anos atrás eu falei brincando que ia arrumar um marido preso que era pra não me incomodar mais com os de fora. Eu buscava uma nova chance no amor, depois de relacionamentos abusivos e dolorosos no passado.

Vim de dois relacionamentos nos quais sofri agressões e precisei recorrer à Lei Maria da Penha, além de medidas protetivas. Homens, que aparentavam ser bons na sociedade, mostravam sua verdadeira face dentro de casa.

O pai dos meus filhos, por exemplo, era viciado em drogas e me agrediu após muitos anos juntos. Nunca aceitei a violência, e sempre enfrentei essas situações com coragem. Com o passar do tempo, percebi o impacto desses relacionamentos em meus filhos e a importância de proporcionar a eles uma vida mais segura e amorosa.

Essa minha vizinha, um dia depois de uma visita ao seu esposo, falou que ele tinha um amigo que perguntou se não conhecia uma mulher pra ele trocar uma idéia é enfim poder se relacionar. Que no início seria só amizade, mas de desse certo…

Até mesmo você merece uma segunda chance

Aceitei me corresponder por cata com aquele homem, um integrante do PCC 1533. Logo de início já deixei claro meu jeito de pensar e o que eu pretendia. Disse que:

… não quero que você minta para mim, não preciso de você, não preciso do seu dinheiro, não preciso de você. Vim para, meio que, conhecer, de verdade, né? E eu falei para ele que estava fazendo uma caridade, que todos têm direito a um carinho, que estava garantindo minha vaga no céu, falei brincando, mas assim, não foi só por isso. Nem todo mundo que está preso não merece uma chance. Ele já estava lá há cinco anos, sem visitas, já faz cinco anos que ele está aqui.

Aos poucos, nossa amizade evoluiu para algo mais, e hoje já completamos um ano juntos. Aprendi a enxergar além das aparências e descobri que, mesmo na prisão, ele se preocupa comigo e com meus filhos. Sei que ele é uma figura controversa, mas acredito que todos merecem uma segunda chance, afinal, todos merecemos uma segunda chance.

É difícil lidar com a realidade de ter um marido envolvido com uma organização criminosa como o Primeiro Comando da Capital e pensar nas implicações econômicas, afetivas e sociais para meus filhos. No entanto, percebi que não posso generalizar.

Nos dias de visita, encontro mães, trabalhadoras e pessoas que, mesmo diante das circunstâncias difíceis, tentam apoiar e orientar seus entes queridos encarcerados. A tensão do lado de fora das muralhas é apenas superada pela esperança e pelo amor no coração de todas aquelas mulheres, idosos e crianças reunidos ali, levando carinho aos seus pais, filhos e irmãos presos.

Minha vida é uma constante correria, mas atualmente encontrei uma profissão que me apaixona: sou responsável por um setor em uma organização que realiza trabalhos sociais. Meu trabalho me proporciona momentos de reflexão sobre a relevância do caráter e do amor, independentemente das decisões tomadas no passado.

A importância do caráter e da educação para um futuro promissor

Esta carta de uma cunhada é uma história de superação, esperança e busca por um futuro melhor. Aprendi a acreditar nas segundas chances e a valorizar o verdadeiro caráter das pessoas, mesmo diante das adversidades.

Com todos os desafios e experiências, continuo a me esforçar para ser a melhor mãe possível para meus filhos, proporcionando-lhes um lar seguro e cheio de amor. Tenho esperança de que eles cresçam com valores sólidos e possam fazer escolhas melhores na vida.

A segurança econômica, afetiva e social que busco oferecer aos meus filhos é um dos meus maiores objetivos. Entendo que o ambiente em que vivemos pode apresentar riscos, mas acredito que, com amor, orientação e dedicação, é possível superar as dificuldades e criar um futuro mais promissor para eles.

Ter um marido membro do Primeiro Comando da Capital pode despertar julgamentos e estigmas, mas aprendi a seguir em frente e a lutar pelo bem-estar da minha família. Acredito que a educação e a formação moral dos meus filhos são fatores cruciais para evitar que sigam um caminho similar.

Como mãe, minha responsabilidade é ensinar aos meus filhos a importância do trabalho honesto, do respeito ao próximo e do valor da vida. Não abro mão disso, pois sei que o futuro deles depende das minhas decisões. Que Deus me permita fazer sempre as melhores escolhas.

Carta de uma cunhada é uma história real

A cada dia, enfrento desafios e incertezas, mas meu amor pelos meus filhos me dá força para continuar. Eles são minha inspiração e minha motivação para buscar uma vida melhor, longe das influências negativas e do crime. Sei que nem todos os membros da facção PCC são iguais, e que muitos deles enfrentam suas próprias lutas internas.

Esta carta de uma cunhada é um relato sincero de uma mãe que luta por um futuro melhor, tanto para si quanto para seus filhos. É um testemunho de que, mesmo diante das adversidades e das escolhas difíceis, é possível encontrar esperança, amor e resiliência. Continuarei a enfrentar os desafios que a vida coloca no meu caminho, sempre focando no bem-estar e na felicidade dos meus filhos, pois são eles que realmente importam.

A Ética do Crime: Análise do Estatuto da Facção PCC – 6ª parte

Ética do Crime: investigando a conexão entre os valores do Primeiro Comando da Capital e filosofias como liberalismo e existencialismo, destacando a relevância da liberdade, justiça e igualdade no âmbito do crime.

Ética do Crime: explorando a relação entre os valores do Primeiro Comando da Capital e filosofias como liberalismo e existencialismo revelando a importância da liberdade, justiça e igualdade no contexto do crime.

A ética do crime no Estatuto do PCC

Membros do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) costumam dizer que “correr pelo certo pelo lado errado da vida”. A ética no mundo do crime pode parecer estranha para quem está de fora, mas é algo real e presente no estatuto dessa facção.

Nesta fase da análise do Estatuto do PCC, destaco a questão ética presente no documento, tendo como base a ética da teoria utilitarista que garante que “a ação correta é aquela que maximiza a felicidade ou o bem-estar geral”.

Importante frisar que, nem os pensadores e nem eu, fazemos juízo de valor ao analisar o fenômeno, apenas o documentamos. Ao examinar o Estatuto da organização criminosa paulista, percebo vários aspectos utilitaristas em algumas de suas disposições.

O Estatuto do PCC mostra preocupação com o bem-estar geral, especialmente no sistema prisional. Com valores como paz, justiça, liberdade e igualdade, a ética do crime é respeitada. Curiosamente, algumas disposições têm aspectos utilitaristas, mesmo que não tenham sido baseadas em teorias filosóficas.

A liberdade como um valor central no PCC

Eu percebi que a liberdade é um valor importante no PCC. Ninguém é forçado a entrar na facção ou participar de missões. O estatuto defende a liberdade de pensamento, expressão e ação, algo que pode ser relacionado ao liberalismo e ao existencialismo.

  • No item 2, o Estatuto aborda a luta por paz, justiça, liberdade, igualdade e união, sempre buscando o crescimento da organização e respeitando a ética do crime. A preocupação com o bem-estar geral, especialmente no contexto prisional, se manifesta na busca por melhorias nas condições de encarceramento e na denúncia de abusos e opressão por parte das autoridades.
  • No item 5, o Estatuto ressalta a importância de todos os integrantes se dedicarem ao Comando e, quando possível, participarem de projetos que apoiem os membros desamparados, seja em aspectos sociais ou financeiros. Essa preocupação com o bem-estar dos membros da organização indica uma abordagem utilitarista.
  • No item 7, o Estatuto enfatiza que todos os integrantes da facção devem colaborar e participar dos “progressos” do comando, incluindo pagamentos de despesas com defensores, advogados, ajuda para trancas, cesta básica e ajuda financeira aos familiares. Essa disposição demonstra o compromisso com a promoção do bem-estar geral dos membros e suas famílias.

O “debate” é comum na facção para resolver disputas, respeitando a opinião de todos. Essa valorização da liberdade de expressão e responsabilidade pessoal também é um aspecto do existencialismo. Além disso, o estatuto luta contra a opressão e a injustiça, mesmo sendo uma organização criminosa.

A relação entre o PCC e as filosofias do liberalismo e existencialismo

A ética do crime no PCC possui aspectos ligados ao liberalismo e ao existencialismo, como liberdade, justiça e igualdade. Fica claro que os fundadores da organização criminosa não se basearam em teorias filosóficas ou éticas para elaborar o documento.

Porém, o resultado foi um texto que gerou um ambiente bastante positivo, começando com a população carcerária, depois se estendendo à população periférica e, por fim, alcançando diversos grupos sociais que se identificaram com a proposta da “ética do crime”.

Embora o Estatuto do PCC apresente valores relacionados ao liberalismo e ao existencialismo, é importante lembrar que as atividades da facção são ilícitas e violentas. Portanto, há diferenças significativas entre os objetivos do PCC e as intenções originais dessas filosofias.

Irmão excluído da facção PCC 1533 — entrevista de Camila Nunes

Irmão excluído da facção PCC 1533, Primeiro Comando da Capital, conta seu trajeto no mundo do crime até se tornar líder da facção paulista.

A socióloga Camila Nunes Dias

Entrevista com um irmão excluído da facção PCC 1533 dando a real na tv? Fala aí, quantas vezes você viu? Nunca né?

A mídia só mostra um lado do mundo do crime, só vê a violência, o sangue, o tráfico, o terror.

Mas e o que tem por trás de tudo isso? A mídia não fala disso, não.

E as histórias dos manos, as razões que levaram eles a seguir esse caminho?

Aí vem a socióloga Camila Nunes Dias e faz a diferença e por isso ela foi atrás de falar direto com o irmão exlcuído da facção PCC.

Ela mostra que tem mais do que essa gente da imprensa consegue ver: tem um contexto social, político, econômico que tá por trás de tudo isso.

Camila Nunes Dias mostra que os manos não são monstros, que são seres humanos como todo mundo, que tem sonhos, que tem medos, que tem esperanças.

É por isso que a gente fica feliz quando vê Camila falando sobre o Primeiro Comando da Capital em lugares tão importantes mundo afora.

Novo artigo de Camila é a entrevista com o irmão excluído da facção PCC

Agora trombo com ela publicando um trecho de uma entrevista com um irmão excluído da facção PCC no site do Centro Estratégico para Pesquisa do Crime Organizado (SHOC) do Royal United Services Institute (RUSI).

Ela tá dando voz pros manos, tá mostrando a realidade deles, tá desmistificando a imagem que a mídia quer passar.

E é isso que eu tento aqui fazer nesse Site também. A gente tenta mostrar que tem mais do que a violência, que tem um contexto social que explica tudo isso.

Claro que não é pra passar a mão na cabeça do crime, não é pra romantizar a violência.

A gente sabe que o mundo do crime é pesado, que tem muita trairagem, que tem muita injustiça.

Mas a gente também sabe que tem muita gente boa envolvida nisso, muita gente que tá ali por falta de oportunidade, por falta de opção, por falta de alternativa.

Então é isso, mano. A gente fica feliz quando vê a Camila Nunes Dias falando sobre o PCC, porque ela tá dando voz pros manos, tá mostrando a realidade deles, tá humanizando essa galera que a mídia só vê como bandido.

Irmão excluído da facção PCC falando a real

Se quiser ler a entrevista original, com as palavras dela e as resposta do irmão, o link é esse aqui…

A Conversation with Carlos: Former Member of the Primeiro Comando da Capital (PCC), by Camila Nunes Dias

… mas se preferir, acompanha aí minha visão, que não é a mesma coisa, mas também dá para entender.

Irmão excluído da facção, eu entendo a tua situação

Aqui não tem julgamento, não tem condenação

Vamos conversar, vamos trocar ideia

Pode falar a real, sem medo de ser repreendido ou censurado

Aqui o respeito é mútuo, a dignidade é valorizada

Não importa o que você já passou, aqui você é acolhido e respeitado

Então fala, irmão, desabafa, expõe a tua verdade

Aqui nós somos uma família, unidos na busca por paz, justiça e igualdade.

Ele começa falando sobre sua adolescencia e ingresso na facção…

Tive uma infância pobre e simples.

Durante a adolescência, fiquei muito zangado com a minha realidade e suas limitações, descrente de que conseguiria qualquer coisa mesmo que me dedicasse aos estudos.

Naquele momento, as drogas e o contato com o narcotráfico entraram no meu cotidiano, até que perdi de vista meus próprios objetivos.

Na adolescência, me envolvi com drogas e comecei a conhecer membros importantes do PCC que trabalhavam no tráfico local.

Eles logo me recrutaram, identificando o potencial que eu tinha para administrar seus negócios.

Ele fala de como foi sua prisão e crescimento na organização criminosa…

Aos 18 anos fui preso, aos 19 fui batizado no PCC e aos 20 estava no topo da estrutura da organização, no estado mais importante e rico do Brasil no coração da organização criminosa, São Paulo.

O primeiro ano na prisão serviu como um curso intensivo sobre a vida na prisão.

Aprendi como funcionava o PCC e tive alguns mentores.

No meu segundo ano, fui transferido para uma penitenciária para prisioneiros de primeira viagem.

Depois de alguns anos fui dispensado de minhas responsabilidades e, a partir disso, analisei eticamente minha situação e entendi que a vida das drogas não era o que eu queria para o meu futuro.

Saí e fui embora, mas não tive uma segunda chance no meu país e decidi começar uma nova vida fora do Brasil.

Ele conta então de como chegou na liderança da facção PCC…

Eles precisavam de um líder local de confiança e começaram a me dar responsabilidades e poderes.

À medida que fui correspondendo às expectativas, eles me deram mais poder e tarefas mais difíceis até que fui transferido para uma cadeia de liderança do PCC: o depósito dos líderes da organização, onde aconteceu meu batismo.

Depois que fui batizado, fui nomeado padrinho de aproximadamente 60 outras pessoas que foram meus afilhados.

A prisão é um mundo com suas próprias regras, leis e estrutura de liderança.

Nos espaços prisionais, você assume um papel social em uma microssociedade criminosa.

E também sobre a ideologia da Família 1533…

O PCC é uma federação criminosa democrática que parasita o Estado por dentro, organiza o crime em todas as escalas, fornece segurança, proteção, equipamentos, e rede criminal.

Por algum tempo, a ideologia dominante me fez perceber o Estado tradicional como um inimigo e me deu motivos para resistir e lutar.

Quando a liderança local vê que um preso entende e subscreve os ideais do Comando e tem qualidades para avançar nos objetivos da organização, ambas as partes sabem que é hora do batismo.

Não me lembro quando decidi me dedicar totalmente a essa ideologia, simplesmente aconteceu.

No fim, ele termina falando de como virou um irmão excluído da facção

Você só pode sair do PCC por morte, mas pode obter permissão para sair do PCC por motivos religiosos.

Aos olhos do PCC, você sempre será um marginal que pode a qualquer momento tentar uma reviravolta.

No meu caso, fui afastado das minhas funções na sequência de um “processo administrativo” que constatou a minha “falta de responsabilidade” que resultou na perda de dinheiro do Comando.

6. Abandono de responsa:
Quando fecha em uma responsa e deixa de cumpri-la sem motivos (fora do ar, transferências, saúde, etc…). A Sintonia deve analisar todos que serão cadastrados para evitar esses tipos de situações.
Punição: De 90 dias à exclusão (depende da gravidade analisada pela Sintonia).

Dicionário da Facção 1533 – um dos três pilares da organização criminosa Primeiro Comando da Capital – afinal, no PCC é “Tudo 3”

Quebrei uma das regras que estruturam o PCC e fiquei afastado por dois anos. Após esse período, decidi que não queria voltar à organização.

Entendendo a pessoa por trás do criminoso

Sabe, a mídia só mostra a violência e o mal da quebrada, mas nossa irmã Camila Nunes Dias iria mais além.

Ela provavelmente veria, o que eu e você vemos, mas que a imprensa que só pega a visão da polícia e dos políticos não veria nunca.

Olha só…

Uma vida de pobreza e dificuldades pode ter gerado um vazio e falta de oportunidades, levando a desacreditar nas chances de sucesso com estudo e trabalho normal.

Entrando no mundo das drogas e do tráfico, talvez tenha sido uma forma de lidar com essa falta de perspectiva, oferecendo uma solução rápida e aparentemente vantajosa para ganhar dinheiro e status.

Ser recrutado pelo PCC pode ter rolado por ter habilidades de liderança e organização valorizadas pelos chefes do crime.

Esse reconhecimento e posição dentro da organização também pode ter suprido a autoestima e propósito que faltava na vida da pessoa.

Pra resumir, pelo que dá para entender das respostas do irmão excluído da facção PCC, ele vem de uma história de privação e falta de oportunidades, combinada com uma falta de confiança nos governos e na sociedade.

É isso. E não é só ele. Taí o recado.

O Sport Club Corinthians Paulista e o Primeiro Comando da Capital

Corinthians Paulista e o Primeiro Comando Comando da Capital. É mito ou realidade a interferência da facção no clube de futebol de São Paulo?

Mito ou realidade Corinthians Paulista e o Primeiro Comando?

Vincular o Corinthians Paulista com o Primeiro Comando da Capital me parece mais preconceito social que fato.

Meu caro Francesco Guerra,

Bem sabe que não estou mais disposto a me dedicar ao estudo da organização criminosa PCC 1533.

No entanto, ao abrir meu note deparo-me com uma situação intrigante.

O site The Football Lovers, especializado em artigos baseados em opinião, escritos por apaixonados fãs de futebol de todo o mundo, alega que sete clubes estão ligados ao mundo do crime:

  • Juventus e Lazio da Itália;
  • Leeds United e Sheffield Wednesday da Inglaterra;
  • Boca Juniors da Argentina; e
  • Corinthians do Brasil.

Corinthians is a Brazilian club has also been linked to organized crime, with connections to the notorious First Capital Command gang.

Os crimes do Corinthians Paulista

O autor do artigo, Shimil Umesh, lembra que o Corinthians foi implicado no escândalo de corrupção da FIFA em 2015, com alegações de suborno e propinas envolvendo vários dirigentes de alto escalão.

No entanto, a principal acusação seria envolvimento da agremiação futebolística com o Primeiro Comando da Capital.

É fato que, conforme divulgado pela mídia, existe base para levarmos em consideração a possibilidade de que tais informações sejam verdadeiras.

No entanto, precisamos estar atentos às fontes e à veracidade dos fatos antes de tirarmos conclusões precipitadas.

É preciso investigar a fundo cada uma dessas alegações e obter provas concretas para confirmar ou refutar essas afirmações.

É preciso separar os fatos da ficção para chegar à verdade

No entanto, é verdade que existem casos de indivíduos associados ao clube que foram investigados e condenados por envolvimento com organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital, como torcedores organizados e até mesmo alguns ex-jogadores.

Alguns casos que receberam ampla cobertura na mídia incluem a prisão de integrantes da torcida organizada Gaviões da Fiel em operações policiais contra o PCC, bem como acusações de que o ex-jogador corintiano Jorge Henrique teria ligações com o grupo criminoso.

No entanto, é importante ressaltar que tais casos não implicam que o clube Corinthians em si tenha algum envolvimento com atividades criminosas ou com o PCC.

PCC e favelas: tudo junto e misturado

As periferias de São Paulo são áreas historicamente marcadas pela pobreza, a desigualdade social e a violência, o nascedouro do time de futebol, e o berço da maioria daqueles que lotam as prisões paulistas.

O time de futebol Corinthians, foi fundado em 1910 no bairro do Bom Retiro, uma região com grande concentração de imigrantes e operários, populações marginalizadas naquele início de século.

Da mesma forma, a facção criminosa PCC 1533 teve origem nas prisões da capital paulista na década de 1990, onde muitos detentos eram oriundos das mesmas periferias que o time Corinthians Paulista.

O Primeiro Comando da Capital se fortaleceu a partir da união de presos que compartilhavam experiências de exclusão e marginalização social, assim como os torcedores do time, que encontravam no Corinthians uma identidade cultural e esportiva que os unia.

Dessa forma, pode-se entender que a associação entre o nome da facção PCC e o time Corinthians se dá principalmente pela origem e pela identidade social compartilhada pelas duas organizações.

Ambas têm suas raízes nas periferias da capital paulista, e seus membros compartilham uma experiência de exclusão e marginalização social que acaba se refletindo em suas respectivas culturas.

Separando o joio do trigo

Por isso é fundamental separar a conduta de indivíduos específicos da imagem e reputação do clube como um todo.

A grande maioria dos torcedores do Corinthians não tem envolvimento com o Primeiro Comando da Capital, e a associação entre os dois grupos é frequentemente exagerada pela mídia e por discursos preconceituosos.

No entanto, alguns estudos antropológicos têm se dedicado a investigar as relações entre torcidas organizadas de futebol e grupos criminosos.

Essas análises mostram que, em alguns casos, há uma sobreposição entre esses dois corpos sociais, com membros da torcida organizada também fazendo parte do grupo criminoso.

Essa sobreposição pode ser explicada por uma série de fatores, incluindo a cultura de lealdade e solidariedade presente em ambas as organizações, bem como a possibilidade de obter ganhos financeiros por meio do envolvimento em atividades criminosas.

Entre cobras e lagartos: o Corinthians Paulista e o Primeiro Comando da Capital

A relação entre torcidas organizadas e grupos criminosos é complexa e varia de acordo com cada contexto.

Nem todas as torcidas organizadas estão envolvidas com atividades criminosas, e nem todos os membros dessas organizações compartilham dos mesmos valores e práticas, no entanto, a maioria é oriunda da mesma fatia social.

Essa é a razão do preconceito das elites em relação a esses grupos sociais.

Uma série de fatores explicam esse prejulgamento, incluindo estereótipos negativos associados a torcedores de futebol e a grupos criminosos, bem como a visão elitista de que esses grupos representam uma ameaça à ordem social e aos valores civilizados.

Esta prenoção pode ser vista como uma forma de defesa psicológica utilizada por algumas pessoas, entre elas, Shimil Umesh, para preservar sua autoestima e senso de identidade.

Nesse sentido, a identificação de um grupo como “inferior” pode ser uma maneira de reforçar a crença na superioridade do próprio grupo e, consequentemente, proteger a autoimagem.

A imagem do Corinthians está vinculada à facção PCC

Além disso, a vinculação da imagem da facção PCC com o Corinthians pode ser vista como uma forma de estigmatização.

É uma forma de rotular indivíduos ou grupos com base em características estereotipadas ou negativas, contribuindo para a sua exclusão social e marginalização.

A psicologia social também pode contribuir para a compreensão da dinâmica entre grupos e a formação de identidades coletivas.

A identificação com um grupo pode ser uma fonte de apoio social e emocional, bem como de reconhecimento e pertencimento.

No entanto, quando essa identificação é baseada em estereótipos negativos e comportamentos prejudiciais, pode levar à discriminação e ao preconceito em relação a outros grupos.

A diversidade cultural, o Corinthians Paulista e o Primeiro Comando da Capital

Shimil Umesh, através de seu curto e sem dados comprobatórios, nos permitiu analisar como é importante desafiar estereótipos e preconceitos e promover o respeito às diferenças.

Isso pode envolver a conscientização dos indivíduos sobre seus próprios preconceitos e a valorização da diversidade cultural e social como fonte de enriquecimento e aprendizado.

É importante entender que o autor do texto, Shimil Umesh, não é uma ilha.

Ele é apenas mais um que nada no puro caldo do preconceito social que abunda em tempos onde a extrema-direita nada de braçada.

O autor faz uma análise raza sobre uma questão de grande complexidade e ambiguidade que é a relação entre a periferia, as torcidas organizadas e o PCC.

Nem teve Umesh a capacidade de imaginar as múltiplas perspectivas que existem dentro desses grupos e vislumbrar parte da dinâmica social envolvida.

Afora todas essas considerações, o autor da crítica também deixou de levar em consideração as relações entre esses grupos, Corinthians e facção PCC, e outras instituições sociais, como a polícia, a política, a mídia, e o sistema judicial.

O PCC como fruto de dinâmicas sociais e culturais

As relações entre o Corinthians Paulista e o Primeiro Comando Comando da Capital precisam analisar sob uma abordagem multidisciplinar e multifacetada.

Já o artigo no The Football Lovers não passou da soma de algumas palavras acusatórias cercadas de múltiplas imagens dos brasões dos clubes.

O sociólogo Gabriel Feltran que estuda as dinâmicas sociais e culturais nas periferias das grandes cidades, com foco especial na relação entre a juventude, a violência e as gangues, iria ainda mais longe do que eu, relacionando à esse fenômeno as estruturas políticas, socieis e econômicas do país.

Analisar a questão a partir de uma perspectiva histórica e sociológica mais ampla nos permitiria entender como a relação entre esses elementos se desenvolveu ao longo do tempo e como ela é moldada pelas estruturas que moldam a vida nas periferias.

Acusar o centenário Sport Club Corinthians Paulista sem considerar as dinâmicas internas, valores culturais e normas que governam suas torcidas organizadas e sua a administração do clube, não passa de preconceituoso amadorismo pretensioso.

Pedófilos e a lei do Primeiro Comando da Capital (PCC 1533)

Todo pedófilo é punido com extremo rigor pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital. A lei é igual para todos na fação PCC 1533?

A facção PCC 1533 condena a morte pedófilos?

O que diria meu pai e Getúlio Vargas sobre a pedofilia no mundo do crime?

Meu pai repetia direto a frase: “a lei, ora a lei!”.

Não sei se ele sabia que essa frase era de ninguém menos que o político gaúcho.

Getúlio Vargas pronunciou a famosa expressão “Lei! Ora, a Lei!”, querendo dizer que apenas o cidadão comum está sujeito a sofrer as penalidades da lei, enquanto a própria legislação concede imunidades e benefícios a parlamentares e a outras classes privilegiadas.

Talaricos na lei do crime do PCC

A lei brasileira é branda com homens que pegam mulheres de outros homens, mas a lei de Deus (Bíblia) e a da facção PCC, não.

Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera.

Levítico 20:10

1. Ato de Talarico:
Quando o envolvido tenta induzir a companheira de outro e não é correspondido, usa de meios como, mensagens, ligações, ou gestos.
Punição: exclusão sem retorno, fica a cobrança a critério do prejudicado e é analisado pela Sintonia.

Dicionário da Facção 1533 – Regimento Disciplinar

Tanto pela lei mosaica quanto pela lei do crime o homem poderia ser morto pelo adultério ou talaricagem — afinal é a lei.

No entanto, outro dia, contei aqui a história do talarico que se tornou o Sintonía depois que matou o homem que iria denunciá-lo.

“A lei, ora a lei!”, diria meu pai. “A lei, ora a lei!”, diria Getúlio Vargas.

Hoje trago algo na mesma linha. A nossa profunda hipocrisia.

Pedófilos na lei do crime do PCC

Todos aqui concordamos, e se alguém não concordar é melhor guardar para si e dizer que concorda, que a pedofilia é um crime bárbaro.

Quando eu era garoto, me lembro de um pai que saiu matar um cara que, segundo ele, teria mantido relações com sua filha menor.

A garota tinha 20 anos, mas a legislação de então emancipava o homem aos 18 anos e a mulher aos 21 anos.

Vai ter leitor me chamando de dinossauro!

Não houve sequer um para tentar demover o homem desta empreitada, afinal ela era de menor.

Eu conhecia a todos ali e sabia que nenhum deles, inclusive o pai indignado, deixaria de pegar qualquer garota que pudesse.

A piada na época era falar com cara de sério:

Não saio com mulheres com menos de 35!

Para depois abrir um sorriso — todos sabiam que se referiam a 35 quilos.

Hoje a legislação mudou e é bem complexa.

Conheci um empresário que ficou preso por anos por ter saído com uma menina de 13 que ele realmente amava de paixão.

Acompanhei um outro caso onde o irmão do PCC que saiu na primeira audiência, mesmo tendo sido pego pela polícia na cama com uma menina de 13 anos e admitindo na Justiça que ficava direto com ela por diversão.

A juíza dos dois casos foi a mesma. A diferença é que o advogado do irmão provou que ela já saíra com outros homens.

No entanto, se nossa lei é dúbia, e a lei de Deus não fala uma linha sequer de pegar menor, parece que o Todo Poderoso não liga para isso, mas lei do crime é severa:

6 Item:
O comando não admite entre seus integrantes, estupradores, pedófilos, caguetas, aqueles que extorquem, invejam, e caluniam, e os que não respeitam a ética do crime.

Estatuto do PCC 1533

No entanto, apesar de previsto no Estatuto que dá as normas gerais, no Dicionário, assim como na lei mosaica não existe previsão.

Qual a idade mínima para o sexo consentido?

Por vezes me questionam sobre qual é a idade aceita pela facção para que uma garota possa ter relacionamento com um adulto.

Outro dia perguntei para um irmão de responsa que me respondeu na lata que a idade é 16 anos.

Então tá… só que sei que ele mantém relações constantes com garotas de 15, se não menos!

Lembram do caso do “Cria do 15 que assume assassinato que não cometeu”?

Nela conto o caso do armeiro do PCC foi morto poque teria estuprado uma menor de 15 anos?

Só que o tal armeiro foi o único naquela festa de PCCs e políticos que não manteve relações sexuais com ela!

“A lei, ora a lei!”, diria meu pai. “A lei, ora a lei!”, diria Getúlio Vargas.

Eu e a maioria de meus leitores, se revolta com a hipocrisia do “Povo de Deus”, dos “Patriotas” e da “Família de Bem”, mas…

… será que realmente somos tão melhores que eles?

Uma história que eu não devia ter esquecido

A história que publico hoje foi originalmente postada em 10 de abril de 2012.

Eu nem teria me lembrado dela se João Erik e “Vinny do 11” não tivessem me instigado a escrever essa semana sobre o papel das mulheres do mundo do crime e do Primeiro Comando da Capital.

Eu vi a garota dessa história algumas vezes, e sempre ela me deixou uma forte impressão.

Seu cabelo era cortado com máquina 2 ou 3, tanto que achei por algum tempo que se tratava um menino.

Bonitinha, pele clara, olhos sempre atentos e tristes.

Não sei o que aqueles olhos transmitiam, mas nunca vi uma garota como ela.

A lei para a menina

Como repararão, todos ali sabiam e a própria garota admitia que mantinha relações sexuais com os homens daquela casa.

Como repararão, todos ignoraram essa informação: PCCs, policiais e a Justiça.

Ninguém levou em consideração o relacionamento sexual dela com os adultos da casa para isso, afinal…

“A lei, ora a lei!”, diria meu pai. “A lei, ora a lei!”, diria Getúlio Vargas.

a lei para o menino

No texto, também cito um garoto de 13 anos, que também conheci. Parecia bem esperto, com sua cara e jeito de classe média.

Ele foi adotado, por assim dizer, pelo traficante que cuidava muito bem do garoto.

Não pensem besteiras!

O traficane aproveitava aquela sua cara de garoto inocente, gente boa, para mandar buscar de ônibus a droga na mochila em Campinas.

Um dia, o moleque, afinal era um moleque…

…cortou o cabelo escrevendo em baixo relevo: 157 de um lado e 33 do outro.

Na época, o 33 era o código penal para o tráfico.

Na primeira viagem foi abordado pela polícia e perdeu todos os tijolos de drogas.

Anos depois, em um torneio de skate no Aparecida, encontro com este garoto novamente, mas agora já de maior.

Estava cercado de garotos e todos estavam incomodando o evento.

Fui falar direto com ele que sabia que era o líder do grupinho.

Um dos que estava com ele, querendo impressionar, falou com ar de superioridade e orgulho:

Se não sabe que ele é irmão?

Respondi na lata:

Se é irmão devia estar no culto e não aqui!

Acho que até hoje os carinhas estão na dúvida se eu sabia que tipo de “irmão” ele era! O que eu sei é que deu certo!

Mina responsa, respeitada pelos manos de Itu

Os olheiros ficam na esquina e comunicam-se através de celulares, sinais e assobios. Ficam em um bar próximo…

O tal bar, era o trailer Tico e Teco Lanches, localizado na Avenida Caetano Ruggieri em frente ao Supermercado Alvorada.

A casa onde ocorria o comércio de drogas que caiu no Disque Denúncia era a residência de Aparecida, no Bairro Jardim São José.

Várias viaturas da Polícia Militar de São Paulo participam do cerco.

Lá chegando os policiais avistaram dois rapazes no portão da casa, os quais foram abordados e revistados, eram: Denis e Júlio.

Denis estava com dez reais e nada de ilegal consigo. Segundo ele estava lá para dar uns beijinhos em uma garota novinha que morava naquela casa.

Aquela menina tinha doze anos de idade e era uma saltense muito bonita e simpática.

Ela mesma contou aos policiais que “faz coisas” com os homens que conhece na “rua da Bica Dágua” para comprar drogas.

Seu nome é conhecido e respeitado pelos nóias da região, e de fato estava na casa, levada para a delegacia, seu pai foi chamado.

O homem compareceu à delegacia, mas negou-se a retirá-la, pois ela se recusa a obedecer e foge.

Quando o delegado avisou que ele responderia por abandono de incapaz, ele respondeu:

Prefiro responder na Justiça que ficar com essa pestinha em casa.

Alguns frequentadores da casa que abrigava a garota

Todos os que frequentam aquela casa no Bairro Jardim São José são usuários de algum tipo de droga.

Érica, viciada em crack e que frequenta o local há oito anos e que faz companhia para a menina:

… íamos lá para o uso comunitário de entorpecentes e tomar cerveja.

Edson, confirma e conta que não mais usava drogas mas…

…meu filho está com uma espécie de câncer maligno na cabeça… como ouvi dizer que na casa vende drogas, eu vim só para conferir.

Era no portão desta casa que Denis e Júlio estavam sendo revistados.

Com Júlio foram encontrados 59 Reais e uma pedra de crack, o que por si só não configura o tráfico, mas o fato de Denis estar com os dez reais em uma mão e estar segurando uma pedra de crack na outra, foi considerados pelos policiais indícios suficientes que ele estava recebendo a grana e entregando a pedra.

E assim, nossa nina de responsa é presa pela primeira vez

Enquanto ocorria a prisão, uma garota apareceu na porta da casa, e vendo a polícia, voltou correndo para dentro.

No quarto havia duas mulheres com 32 porções de crack embaladas individualmente e 20 ampolas de cocaína.

Posteriormente, espalhados pela casa foram encontrados diversos cachimbos improvisados para uso de drogas e duas porções de maconha, e na edícula no fundo da casa havia duas balanças e dois pacotes de amido de milho utilizados para “batizar” os entorpecentes.

Uma das mulheres era a dona da casa, Aparecida, mãe de Júlio, que havia saído da prisão há apenas meses e segundo ele só estava ali de passagem.

A menina e o tráfico

A menina trabalhava como mula no tráfico.

Júlio, o filho da dona da casa, já havia sido condenado dez anos antes por usar um garoto também de 13 anos em um esquema de tráfico semelhante.

Sua advogada, no entanto, diz que todos os indícios indicam que o tráfico era feito apenas pela garota e pela mulher, e que Júlio…

…estava apenas no local errado e na hora errada, e que ele jamais se associou ao tráfico de drogas.

Drª. Camila de Campos

No fim, mãe e filho ficam em segurança atrás das grades, e a menina foi levada pela mãe, que no dia seguinte me procurou para dizer que a garota fugiu assim que chegou em casa.

Esta foi a última vez que ouvi falar da “Mina responsa, respeitada pelos manos de Itu”.

Entrevista do Marcola para o Globo é falsa, mas continua atual

Entrevista do Marcola foi uma criação do articulista Arnaldo Jabor para o jornal O Globo em 2006, no entanto, passados 17 anos ainda repercute

Entrevista do Marcola é citada por deputado na Argentina

Carlos del Frade é conhecido por investigar o tráfico de drogas em Santa Fé, e como especialista foi entrevistado pelo programa Crimen y Misterio.

Frade é jornalista, escritor e deputado provincial pela Frente Social y Popular (FSP) e citou na edição de ontem uma suposta frase dita por Marcola.

Segundo o parlamentar argentino, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, seria o chefe do Primeiro Comando da Capital e teria afirmado que:

…. a única forma que eles têm de nos vencer é dando trabalho, educação, alegria, cultura e esporte.

Não me lembro dessa afirmação de Marcola, e creio ser algum tipo de alteração na famosa entrevista falsa de Marcola para O Globo.

No entanto, independente de ser ou não dele esta frase, o fato é que o mito Marcola continua forte dentro e fora do Brasil

artigo base no El Confidencial Online: El legislador santafesino termina nombrando lo dicho por Marcol, máximo líder del Primer Comando de la Capital que dijo: la única manera que tienen de ganarnos es dando trabajo, educación, alegría, cultura, y deporte.

Entrevista do Marcola é citada por site no Paraguai

Em janeiro de 2017, estava correndo na internet uma suposta entrevista que o Marcola teria dado à Globo.

Na realidade, a falsa entrevista era uma criação do articulista Arnaldo Jabor e de quando em quando volta a viralizar.

A diferença desta vez é que, a entrevista corria o mundo como sendo verdadeira, e um dos sites que reproduziu como sendo uma entrevista verdadeira foi o Moopio.com

O site paraguaio deve ter percebido o erro e já retirou o artigo:

Así piensa ‘Marcola’, el ‘capo’ del PCC

A entrevista produzida por Arnaldo Jabor para O Globo

Eu trago aqui para quem ainda não leu a reportagem no original, se bem que acho que todos já conhecem:

Entrevista com Marcola para O Globo, capa do jornal da época.

Estamos todos no inferno.
Não há solução, pois não conhecemos nem o problema.

O GLOBO: Você é do PCC?

Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos.

Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… e antigamente era mole resolver o problema da miséria…

O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram?

Nada.

O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós?

Nós só apareciamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas…

Agora, estamos ricos com a multinacional do pó, e vocês estão morrendo de medo…

Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu?

Sou culto… leio Dante na prisão…

O GLOBO: Mas… a solução seria…

Solução? Não há mais solução, cara…

A própria ideia de “solução” já é um erro.

Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio?

Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo?

Solução como?

Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições.

Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…).

E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país.

Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: Você não tem medo de morrer?

Vocês é que têm medo de morrer, eu não.

Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora…. nós somos homens-bomba.

Na favela tem cem mil homens-bomba… estamos no centro do Insolúvel, mesmo…

Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.

Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês.

A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… a morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala…

Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”?

Pois é: chegamos, somos nós!

Há, há!

Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né?

Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país.

Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados.

Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomado nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade.

Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”?

Pois é. É outra língua.

Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso.

A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas.

É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O GLOBO: O que mudou nas periferias?

Grana. A gente hoje tem.

Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda?

Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado?

Somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”…

Há, há…

Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes.

Nós temos métodos ágeis de gestão.

Vocês são lentos e burocráticos.

Nós lutamos em terreno próprio.

Vocês, em terra estranha.

Nós não tememos a morte.

Vocês morrem de medo.

Nós estamos bem armados.

Vocês vão de três-oitão.

Nós estamos no ataque.

Vocês, na defesa.

Vocês têm mania de humanismo.

Nós somos cruéis, sem piedade.

Vocês nos transformam em superstars do crime.

Nós fazemos vocês de palhaços.

Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados.

Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produtos vêm de fora, somos globais.

Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses.

Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.

O GLOBO: Mas o que devemos fazer?

Vou dar um toque, mesmo contra mim.

Peguem os barões do pó!

Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas.

Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana?

Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas…

O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas.

O Exército vai lutar contra o PCC e o CV?

Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a guerra”.

Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas…

A gente já tem até foguete antitanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí…

Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas…

Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

O GLOBO: Mas… não haveria solução?

Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”.

Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência.

Mas vou ser franco…na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel.

Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela.

Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê?

Porque vocês não entendem nem a extensão do problema.

Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogna speranza voi cheentrate!”, ou seja, “Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno”.

publicado originalmente neste site em 1º de janeiro de 2017

Primeiro Comando da Capital e a Venezuela — qual a ligação?

Venezuela e o Primeiro Comando da Capital deixaram de pertencer ao mundo real para serem personagens de contos de doutrinação atravéz do medo

O Primeiro Comando da Capital e a Venezuela são dois ícones contemporâneos do preconceito social latinoamericano.

Primeiro Comando da Capital e a Venezuela: realidade e preconceito

Prezado Artemiy Semenovskiy,

Escrevo-lhe hoje para expressar minha preocupação com a situação dos imigrantes venezuelanos.

Estes imigrantes refletem, ao meu ver, a mesma realidade de todos os que vivem na periferia de nossa sociedade: das metrópoles às pequenas comunidades.

Assusta-me, no entanto, que alguns estranhem a facilidade como que o Primeiro Comando da Capital tenha tanta facilidade em cooptá-los.

Como você sabe, as desigualdades sociais e econômicas são as principais causas dessa marginalização e criminalidade.

E esta injustiça Social é uma consequência da propriedade privada, que cria uma competição desigual pela riqueza e pelo poder.

Primeiro Comando da Capital e a Venezuela: os outros são o problema

Todos olhamos para a Venezuela negando a triste realidade das periferias sociais de nossos próprios países.

Afinal, a Venezuela é um país em tese governado por um governo de esquerda, só que…

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital nasceu e cresceu em uma nação capitalista líder em desigualdade social: o Brasil.

No entanto, preferimos olhar para além de nossas fronteiras, por isso, reproduzo após minha carta a você o artigo do site Insight Crime.

Desta forma, podemos olhar para além do horizonte, para além de nossas fronteiras e de nossas próprias culpas.

Se olhássemos para os migrantes da região norte e nordeste do Brasil, ou das cidades do interior para as capitais, veríamos o mesmo…

… mas olhemos a Venezuela!

Primeiro Comando da Capital e a Venezuela: como reflexo da crise social

O brasileiro Primeiro Comando da Capital, ao lado de outros grupos criminosos como seu aliado venezuelano Tren de Aragua lucram com esta triste crise social.

Para resolver essa situação, seria necessário que o Estado interviesse garantindo a igualdade de oportunidades e renda para todos os cidadãos, independentemente de sua origem social ou econômica.

No entanto, vejo em minha cidade a revolta de amigos e parentes com o governo federal e a CNBB por estarem falando sobre a fome e as desigualdades sociais.

Negamos a realidade mesmo quando salta as muralhas dos presídios para dominar comunidades inteiras: das metrópoles às pequenas comunidades.

Só eliminaremos a criminalidade decorrente da desigualdade econômica e social enfrentando a realidade que preferimos negar.

Bem, anexo ao final desta, o artigo sobre a situação na Venezuela, afinal, o problema é lá e não aqui.

Com um sincero, forte e leal abraço de seu amigo de longa data, lhe desejo paz, justiça, liberdade, igualdade e união.

Wagner do Site

Livre tradução do artigo do site Insight Crime: Venezuelan Migrants Remain Easy Prey for Organized Crime — include large-scale gangs such as Venezuela’s Tren de Aragua and Brazil’s First Capital Command, which are present in several countries in the region

Imigrantes venezuelanos: presa fácil para o crime organizado

Um novo relatório destaca como grupos do crime organizado estão atacando imigrantes venezuelanos.

Esta que é a maior crise de deslocamento da região está se transformando em uma lucrativa oportunidade de negócios para as organizações criminosas.

Mais de 7 milhões de venezuelanos foram deslocados de seu país após uma crise econômica de longo prazo que foi agravada pela pandemia do COVID-19.

Agora, de acordo com um relatório da Plataforma de Coordenação Interagências para Refugiados e Migrantes na Venezuela, esses migrantes estão sendo explorados em pelo menos sete países da América Latina e Caribe: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Aruba e Curaçao.

Aqui, o InSight Crime analisa as conclusões do relatório e analisa os múltiplos perigos que os grupos do crime organizado representam para os imigrantes venezuelanos.

Imigrantes como vítimas do crime organizado

A saída de migrantes venezuelanos oferece aos grupos criminosos oportunidades constantes.

Segundo o relatório, os migrantes são frequentemente recrutados por grupos criminosos e colocados para trabalhar nos escalões mais baixos da organização.

São esses eles que realizam tarefas como a venda de contrabando, sempre nas posições de baixo nível e com maiores riscos.

Além de tudo, os migrantes em interação com outros criminosos ficam vulneráveis a serem vítimas do tráfico humano.

Apesar de um suprimento abundante de vítimas, grupos criminosos começaram a recrutar migrantes de abrigos humanitários que abrigam populações em trânsito, segundo o relatório.

Uma vez recrutados, os migrantes são forçados a trabalhar em toda a cadeia de abastecimento do narcotráfico.

Os migrantes foram forçados a trabalhar colhendo folha de coca e transportando drogas entre os países de barco ou como mensageiros humanos.

Nas cidades, os migrantes são obrigados a vender drogas para poderem sobreviver e pagar os agenciadores a que estão submetidos.

As redes de contrabando humano na América Latina lucraram e se expandiram com a alta demanda por seus serviços na Venezuela.

Esses grupos oferecem “pacotes” que incluem viagens da Venezuela para o Chile ou Argentina e depois para a Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Brasil.

Os pacotes também incluem hospedagem, transporte e contrabando por rotas perigosas que cruzam as fronteiras nacionais.

algo como os pacotes pagos por brasileiros para entrarem nos EUA, Japão e Europa e que, por vezes, acabam em morte e escravidão sexual

Imigrantes como vítimas do tráfico humano

Essas zonas também são áreas ativas para redes de tráfico humano, que sequestram migrantes.

Imigrantes venezuelanos foram considerados vítimas de tráfico humano em pelo menos 11 outros países, tanto na América Latina quanto em outros lugares.

Como migrantes não autorizados, as vítimas são incapazes de relatar sua situação ou buscar ajuda, aumentando ainda mais sua precariedade.

A maioria das vítimas do tráfico humano para fins de exploração sexual são mulheres e meninas.

Elas são recrutadas predominantemente por meio de redes sociais e falsas ofertas de emprego para trabalhar em residências particulares, restaurantes ou como cabeleireiros.

Assim que as mulheres chegam ao país de destino, os criminosos pegam seus documentos e as obrigam a prestar serviços sexuais para “pagar” pelo transporte e acomodação.

Algumas vítimas são entregues a grupos como o Tren de Aragua, que as exploram ainda mais.

Os migrantes também são vítimas da exploração do trabalho na indústria agrícola, em trabalhos como colheita, construção e trabalho doméstico em países como Brasil, Aruba e Curaçao.

Imigrantes: quem lucra com a miséria?

Muitos tipos de grupos criminosos lucram com a exploração de migrantes, desde redes transnacionais até clãs locais, segundo o relatório.

Entre os grupos identificados estão o Exército de Libertação Nacional (Ejército de Liberación Nacional – ELN), e grupos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Além destes, organizações criminosas como o Tren de Aragua da Venezuela e o Primeiro Comando da Capital do Brasil.

O relatório revela também a presença de clãs familiares e gangues criminosas menores, algumas de origem venezuelana, e outras da Bolívia, Argentina, Chile e Colômbia.

Enquanto a maioria desses grupos simplesmente aproveita as rotas migratórias que passam por seu território, a pandemia do COVID-19 atuou como um catalisador para o crescimento de grupos criminosos associados ao contrabando de migrantes e ao tráfico de pessoas, incluindo o já mencionado Tren de Aragua, que tem expandido para outros países.

Imigrantes como vítimas da violência: uma estratégia comum

A violência é uma instituição tão natural como a própria vida humana. Decorre do nosso instinto de sobrevivência, sendo o grande motivo para o homem ter dominado a natureza. Mas essa afirmação não pretende trazer glamour à violência.

Talvez no último estágio da existência humana, a evolução definitiva seja exatamente vencer o instinto natural que nos propala a nos destruirmos mutuamente.

Conexão Teresina: uma crônica sobre a atuação do PCC no Piauí

Os migrantes recrutados e explorados por grupos do crime organizado estão expostos a níveis angustiantes de violência, ameaças, desaparecimento forçado e homicídio.

Segundo o relatório, os migrantes venezuelanos são vítimas frequentes de desaparecimentos forçados, sendo as regiões fronteiriças pontos específicos de perigo.

Os traficantes de seres humanos muitas vezes levam as vítimas por rotas perigosas e frequentemente as abandonam.

Alguns desaparecimentos ocorrem em regiões onde grupos armados lutam pelo controle do território, outros em contextos de violência sexual.

O tráfico humano é uma das principais causas de desaparecimento de migrantes, seja como vítimas de exploração laboral em bares em Aruba e Curaçao, ou em áreas de mineração da Bolívia e do Brasil.

Migrantes recrutados por gangues criminosas também correm o risco de serem mortos em confrontos com outras gangues.

Cerca de 1.000 venezuelanos foram assassinados na Colômbia em 2022, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses da Colômbia.

Mortes violentas ligadas a disputas de tráfico de drogas também ocorreram no Brasil, de acordo com o relatório.

E migrantes cujo status os impede de usar o sistema bancário formal foram vítimas de ameaças, violência física ou sequestro por agiotas na Argentina, Bolívia, Brasil e Colômbia.

Livre tradução do artigo do site Insight Crime: Venezuelan Migrants Remain Easy Prey for Organized Crime — include large-scale gangs such as Venezuela’s Tren de Aragua and Brazil’s First Capital Command, which are present in several countries in the region

Facção PCC 15.3.3: Volksgeist ou Patologia Social?

Erstes Hauptstadt Kommando, volksgeist: o Primeiro Comando da Capital (Facção PCC 15.3.3) como espírito de um povo oprimido e reprimido.

Facção PCC 15.3.3 como força revolucionária

Publicar que os integrantes da facção PCC 15.3.3 são revolucionários já me mandou à delegacia para prestar depoimento, no entanto é um fato.

O Primeiro Comando da Capital age com violência para conquistar visibilidade e se apresentar como alternativa de opção de poder para uma fração da sociedade.

A omissão do poder público em proteger essa fração da sociedade joga-á nos braços de qualquer um que se mostre capaz de lhe defender.

…o PCC esboça reação transgressora perante o exercício daquilo que classificam como alienação, perversão e aceitação passiva da sociedade, perante os valores estabelecidos a partir do conceito de justiça, face aos aspectos representativos do universo do
crime.

Alvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira

Com esse espírito revolucionário, os Crias do 15 se empoderam e enfrentam a sociedade constituída com apoio de grupos marginalizados: criminosos ou não.

Os corpos aprisionados nos cárceres transformaram as prisões em um espaço “vivo” dotado de um “espírito próprio” e esse espectro dominou corpos sociais nas periferias.

Transpondo para o fenômeno PCC o conceito de “cidade dentro das Cidades” de Robert Ezra Park posso afirmar que os Crias do 15 são revolucionários.

Essa fração raivosa da sociedade assume para si a perspectiva da promoção de melhores condições, normas e critérios dentro de hábitos, costumes e práticas comuns da parcela da sociedade a qual pertencem, sejam prisões ou periferias das cidades.

Facção PCC 15.3.3 como uma força interior silenciosa

Volksgeist: o espírito do povo como um ser vivo marcado por forças interiores silenciosas com consciência que é mantida permanentemente sufocada e controlada para não se rebelar.

Em alguns momentos na história esse espírito do povo salta depois de aguentar por muito tempo viver com brasa aos seus pés.

Em maio de 2006 assistimos esse raro fenômeno.

Os ataques da facção PCC obrigaram a sociedade parar e ouvir. A ação, criticada pela sociedade constituída, mas com forte apoio de grupos marginalizados.

Carta para o mundo do crime do país

A facção PCC 15.3.3 não é uma força interior silenciosa

Vai pensando que Primeiro Comando da Capital adormece em sua cidade.

Não, os Crias do 15 não adormecem, são homens e mulheres perseguidos por homens e mulheres, à espera do momento de mudar a sociedade.

Desprezados fora da comunidade, para sobreviver se uniram aos gaviões, aos falcões, e aos seres selvagens que lhe deram acolhida.

Venham olhar de perto e de dentro, venha sentir o sangue pulsando, os dentes rangendo, e os barulho dos tiros nos cárceres e nas periferias.

Definitivamente não há nada de silencioso em sua cidade, mas você não quer ouvir e para que não ouçam o som da mídia badra alto.

Cartilha de Conscientização da Família PCC 1533

para não ver Olhe para fora e para longe

Só ignorando a realidade é possível ignorar a influência da organização criminosa PCC 1533 na construção histórica de sua cidade.

Hoje a urbanidade das grandes cidades levam em consideração as alterações sociais que os ataques do PCC incorporaram no modo como as pessoas se relacionam.

Há quem não tem consciência disso são os que, segundo Étienne de La Boétie em seu Discurso da Servidão Voluntária, se alimentam, se protegem e pastam bovinamente.

Facção PCC 15.3.3 como uma comunidade que se opõe à sociedade

A oposição de uma comunidade se opondo à sociedade é um conceito descrito por Émile Durkheim, Ferdinand Tönnies, Georg Simmel e Max Weber.

Mas foi Tönnies quem melhor descreveu as características de uma comunidade: laços de sangue, relações primárias, consenso entre seus membros, e rígido controle social.

Não há melhor forma de descrever o PCC — será Tönnies leu o Estatuto do Primeiro Comando da Capital, quando ele escreveu “laços de sangue”?

Mas no tempo de Tönnies esse termo tinha um entendimento diferente do que temos hoje.

Facção PCC 15.3.3 um grupo de “communitas”

Max Weber lembra que as cidades ocidentais se formaram da mesma intenção que os fundadores do Primeiro Comando da Capital tiveram para criar a facção:

… uma forma dos excluídos amotinados moradores dos burgos medievais fazerem frente ao poder do príncipe ou do bispo formando irmandades (communitas).

A base desses amotinados seria o interesse mútuo de proteção e eram garantidos por um juramento (conjuratio), ou no caso da facção PCC, o batismo feito para que um integrante se torne “irmão”.

A psicóloga Silvia Ramos garante que a possibilidade da facção manter a ordem é superior ao do Estado de Direito, pois ninguém duvida de sua capacidade de ação.

A força da facção é uma característica típica das comunidades em contraposição com a da sociedade, essa última sim um um ser vivo marcado por forças silenciosas.

Facção PCC 15.3.3 unindo os que fogem da opressão

Os camponeses que fugiram da miséria e se juntaram nas cidades medievais no século 9.

Escravos libertos e exilados europeus empobrecidos que fugiram da miséria se juntaram nas favelas e nas periferias dos centros urbanos no início do século 18.

Seja nos séculos 9, 18 ou 21, essas pessoas empobrecidas eram consideradas “patologias sociais”.

Foram combatidos e mortos como pessoas preguiçosas e criminosas, mas foram eles que enterraram a Idade Média e forjaram a Era Industrial.

O Primeiro Comando da Capital assim como eles é tido como uma patologia social, e talvez o seja, mas não é o que pensa Durkheim.

Émile Durkheim, no entanto, afirma que não há como saber quando uma sociedade está no ponto de ruptura e quais serão os atores dessa mudança.

Sendo assim, ainda não podemos cravar se a facção PCC 1533 é uma relação social de ruptura ou patologia social, pois estamos cegos pela proximidade.

E vamos considerar os Crias do 15 heróis, criminosos dependendo dos interesses da classe social, das condições de vida e comunidade a qual pertencemos.

Texto publicado originalmente em 16 de agosto de 2016.

Liderança do PCC deve garantir o dinheiro da caixinha da facção

Com a prisão dos líderes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital estaria caindo a qualidade se seus líderes.

Você já recebeu uma mensagem de voz no Whatsapp que fizesse você parar e pensar? Eu recebi uma assim, há umas três semanas. Parei o que estava fazendo e repeti a gravação, vinda de dentro de um dos presídios paulistas, na voz alguém que se identificou, mas o nome e a posição dele dentro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) eu não me lembro.

Ele começou mais ou menos assim:

“Sabe qual o problema do Primeiro Comando da Capital hoje? Não tem mais liderança! Ninguém mais é líder, acabou…” – ao fundo, aquele vuco-vuco dos áudios que vem de dentro do sistema.

Logo imaginei o Marcola e o Gegê ouvindo isso, e o cara não parou de falar por mais de dez minutos. O cara realmente é bom, a organização criminosa Primeiro Comando da Capital tem um líder mais preparado do que a maioria das empresas, órgãos governamentais e centros acadêmicos que eu conheço.

Depois do impacto inicial, o cara virou o jogo, sempre transmitindo forte emoção na voz que arrepiaria qualquer irmão 121 ou “157 mil graus”:

“Aqui só tem chefe e ninguém precisa de chefe, o Primeiro Comando não precisa de chefes, nós estamos presentes em vinte e três estados e seis países e o que precisamos são de líderes. Se você quer ser chefe está no lugar errado, precisamos de líderes aqui!”

E assim foi. No último meio século de minha vida, não ouvi um discurso motivacional tão forte quanto o desse cara, que é o cara. Bem, mas não é por causa desse áudio que escrevo esse texto; vim para falar de Liliane, uma irmã do PCC, alguém sabe o vulgo dela?

“Em 2004, Liliane foi presa por roubo, ficando até 2006, época em que conseguiu fugir, pulando o alambrado da cadeia com mais 10 companheiras. Ficou foragida durante 7 anos e, no início, recebia proteção financeira do PCC, que pagava seu aluguel e dava uma ajuda para viver.”

Quem me contou isso foi Leda Fleury Monastero, e esse trecho está em seu trabalho de doutorado apresentado à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP): Mães em Situação de Encarceramento e a Relação com seus Familiares: um estudo em unidades prisionais na cidade de São Paulo.

Citei aqui o áudio d’o cara, porque ele foi feito para fortalecer o engajamento de sua equipe para aumentar a arrecadação do dinheiro da caixinha, da rifa e do pagamento das mensalidades, por meio de um trabalho integrado de todos dos setores – Sintonia, Disciplina, e Financeiro –, além de diminuir a inadimplência e o não engajamento dos irmãos.

Foi essa grana que ajudou Liliane e ainda ajuda outros na mesma situação. Termino com outro trecho d’o cara que era mais ou menos assim:

“Tem muitos aí que reclamam de pagar e contribuir, mas isso não faz parte da ética do crime. Não tem ninguém aqui em cima precisando ou vivendo desse dinheiro, duvido que tenha algum irmão que não tenha sido ajudado ou tenha conhecido alguém que tenha recebido ajuda quando precisou.

Quantas cunhadas e mães não conseguem visitar os filhos e maridos indo com as vans e os ônibus, e de onde vem o dinheiro? Quantos filhos e quantas famílias estariam passando fome e necessidade se não fosse esse dinheiro?

E tem muito irmão que está em liberdade e não quer colaborar, dizendo que está passando dificuldade, mas depois fica gastando dinheiro com as primas e ostentando. Isso não é atitude de bandido que segue a lei do certo, isso é atitude de moleque.

Cadê a liderança para chegar junto? Cadê o Disciplina do PCC? Tá aí só pelo status, é bom cantar de irmão Disciplina do PCC, tem moral em qualquer quebrada mas e aí? Tem medo de cobrar, então sai fora, porque aqui é o Primeiro Comando da Capital.”

Raúl Zibechi e a evolução histórica da organização criminosa PCC 1533

Você se lembra de Ganga-Zumba? Eu nunca tinha ouvido falar, mas era ele quem controlava o Quilombo dos Palmares e, quando viu que a casa ia cair, fez um acordo com a Coroa Portuguesa para evitar o massacre. Não me acuse de spoiler, você já sabe que deu errado, o sobrinho dele, chamado Zumbi, recusou o acordo e o resultado foi uma carnificina.

Estava lendo o trabalho de Raúl Zibechi, Movimientos sociales en América Latina – El “mundo otro” en movimiento, no qual ele faz uma análise dos movimentos sociais da região, em especial os nascidos nos anos noventa – o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) tem sua origem em 31 de agosto de 1993.

Zibechi não analisa o facção PCC 1533, mas cita os ataques feitos pela organização criminosa, definindo-os como mola propulsora da construção de uma nova forma de resistência a partir do posicionamento das Mães de Maio. Em outro trecho do trabalho, ele me fez lembrar do acordo de Ganga-Zumba e o destino de Palmares:

“Nesse contexto, os movimentos que emergiram na década de 1990 sofreram mutações: alguns desapareceram por causa de problemas internos, outros foram cooptados pelos governos ou decidiram se dobrar para as instituições. […] e aqueles que persistem sofreram mudanças notáveis. Digamos que alcançaram o ponto de maturidade, se estabilizaram e já não representam risco de desestabilização para os sistemas políticos que aprenderam a se relacionar com eles. No entanto, alguns conseguiram se reinventar, encontrando novas fontes para rejuvenescer sua militância, manterem-se vivos e reforçar seus perfis antissistêmicos.” (tradução minha).

Bem, o Primeiro Comando da Capital sobreviveu, não desapareceu por causa de seus problemas internos, e tampouco “foram cooptados pelos governos”. Mas será que, de fato, o grupo não se dobrou para as instituições? Há controvérsias.

Só a história poderá esclarecer o quanto e como o governo Alckmin e o Primeiro Comando da Capital cederam, durante o banho de sangue de 2005, para que a violência se encerrasse. A vitória da política de Ganga-Zumba derrubou o índice de mortalidade no estado de São Paulo nos anos seguintes, se contrapondo ao índice nacional. Com isso, o PCC sem oposição do governo paulista pôde se concentrar na expansão para os outros estados.

Em outro ponto do trabalho, Zibechi cita que o Governo Lula derrubou em 25% o índice de mortalidade entre os negros. Tá, não vou discutir. Deixo aqui o link para acesso ao gráfico de mortalidade, a linha verde é o índice nacional e cada um tire suas próprias conclusões.

Eu jamais imaginaria encontrar uma definição melhor da transformação histórica pelo qual passou a organização criminosa PCC depois desses 24 anos de existência. Bastou fazer uma pequena alteração na forma com que Zibechi descreve o que aconteceu com os demais movimentos sociais, e chegamos a:

O Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) … não se dobrou perante os governos, mas sofreu mudanças notáveis, alcançando o ponto de maturidade, se estabilizou, aprendeu a se relacionar com os sistemas políticos e hoje não representam risco de desestabilização (é o caso de São Paulo, mas não o do Rio Grande do Norte), consegue se reinventar, encontrar novas fontes para rejuvenescer sua militância, manter-se vivo e reforçar seus perfis antissistêmicos.

Bauman, as organizações criminosas e a pacificação do Serviluz

Com a entrada no jogo do Primeiro Comando da Capital, a organização criminosa paulista PC 15.3.3 a ruptura era inevitável…

Se quiser assumir meu lugar, toma que o filho é teu!

E no princípio eram trevas, no início do início, e é para lá que eu te levarei, para que você possa me entender, não só a mim, mas também a Aline, e a Lincoln e seus colegas.

Você deve saber de onde nós viemos e o que já superamos, para só então decidir o que você vai fazer. E se você ou o Lincoln e seus colegas quiserem pegar meu lugar, boa sorte, vai firme e vamos ver se vão aguentar.

Não adianta se esconder ou tapar os ouvidos, pois os espíritos das trevas não se calarão até que eu, agora, ou alguém, algum dia, lhe conte essa história. E se já for tarde, e se eu já tiver me juntado a eles nas trevas, só lamento por você e por Lincoln e seus colegas.

Você acha que sabe o que é sofrer, mas poucos viveram nas quebradas trabalhando, de sol a sol, para chegar ao dia do pagamento e virem todo seu suor roubado, ao entrar na favela ou no bairro, pelo moleque da rua de baixo, para pagar o arrego para o policial do tático…

… ou para ser vendido assim que ia para dentro da muralha, para ser usado por um outro preso ou um carcereiro como achassem melhor — geralmente sendo estuprados, obrigando seus familiares a levarem coisas para dentro ou servindo de garagem (não vou explicar).

O site eb.mil.br replica uma reportagem de Aline Ribeiro para O Globo e me obriga a vir até você para lhe levar a esse passado, para que você, por si mesmo, possa vislumbrar o futuro que, assim como eu, Aline e Lincoln e seus colegas já estamos vislumbrando.

Alguém pode temer o fim do PCC?

Meu pai vivia me advertindo: ”tome cuidado com o que você deseja. Você pode acabar por conseguir”.

Os pais de Lincoln e de seus colegas do MP-SP deveriam ter dado o mesmo conselho a eles, pois agora que estão perto de realizar o sonho impossível de acabar com o PCC 15.3.3, parece que começam a ver que talvez tivesse sido melhor ter tido outro desejo. Agora é tarde:

“A ruptura é inevitável. É o início do fim de uma era – diz o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado de Presidente Prudente.” Quatrocentos integrantes da facção fora da cadeia, farão o possível para “tirar o câncer da nossa família” que “não pensa no coletivo e só quer ostentar enquanto os irmãos passam fome em outros estados”.

Lincoln e seus colegas derrotaram a Hidra de Lerna, cortando sua cabeça Uh, Uh!!!

Aline, eu, Lincoln e seus colegas nos lembramos de como eram as trevas antes que Marcos Willians Herbas Camacho e sua equipe assumissem o patriarcado da Família 1533. Se você não se lembra, vou pedir para Deiziane lhe contar um pouco de como era…

A pacificação do PCC na Modernidade Líquida

E no princípio eram trevas, no início do início, antes que a paz chegasse à comunidade do Serviluz em Fortaleza com os acordos firmados entre as gangues de jovens locais, como ela narra após dezenas de entrevistas com moradores e pessoas que atuam na região.

Deiziane Pinheiro Aguiar apresentou suas conclusões ao Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará: Marcado para Morrer: moralidades e socialidades das crianças na comunidade do Serviluz.

Se você realmente quer a paz, deve saber de onde nós viemos e o que nós já superamos, para só então decidir o caminho que deve tomar, e não fazer como o Governo cearense, que creditou a baixa da taxa de homicídios a suas políticas de segurança pública.

Você pode concordar ou não com a realidade, mas ela continuará prevalecendo sobre sua opinião, e Deiziane a analisou e previu o fim desse equilíbrio e da pacificação. muito antes que os governantes cearenses, Aline, eu e Lincoln e seus colegas o fizéssemos.

O amigo e o inimigo moram ao lado

O deputado Ferreira Aragão concorda com Deiziane quanto à influência que as organizações criminosas têm dentro da comunidade:

“No bairro de Serviluz, quando alguém é morto, não se recorre mais à Polícia ou à Justiça.’É o chefe da gang que é buscado para resolver o crime. E vão lá fazer justiça com as próprias mãos’”.

Poucos garotos que vivem naquela comunidade ouviram falar em Zygmunt Bauman, mas Deiziane afirma que o sociólogo e filósofo polonês descreveu com perfeição o que se passa pela mente dos meninos do mundo do crime:

“Existem amigos e inimigos. […] Amigos e inimigos colocam-se em oposição uns aos outros. Os primeiros são o que os segundos não são e vice-versa. Isso, no entanto, não é testemunho de sua igualdade. […] Os inimigos são o que os amigos não são. Os inimigos são amigos falhados; eles são a selvageria que viola a domesticidade dos amigos, a ausência que é uma negação da presença dos amigos. O avesso e assustador “lá fora” dos inimigos é, […] “aqui dentro” dos amigos. […] A oposição entre amigos e inimigos separa a verdade da falsidade, o bem do mal, a beleza da feiura […] o próprio do impróprio, o certo e o errado […].”

Os garotos podem não ter as palavras bonitas de Bauman, porém sabem que quem não corre pelo lado certo do lado errado da vida, é o inimigo. Mas quem traça esses limites, determina a pacificação e decreta a guerra?

O Ceará pode ser aqui

Há poucas semanas, fui à Indaiatuba gravar uma entrevista. A cidade tem uma taxa de homicídios de 0,86 para cada cem mil habitantes – muito diferente do Ceará, com seus 52 para cada cem mil – e, se não bastasse isso, está entre as 80 com maior IDH do país.

Há alguns anos, em um dos meus primeiros estudos a respeito da facção, conheci o bairro Jardim Morada do Sol, hoje com 70 mil habitantes, e que, na época, vivia em clima de incertezas: assaltos, furtos em residências, estupros e guerra de gangues.

Haviam três biqueiras principais que disputavam entre si os limites de atuação, e os garotos, para se garantir, andavam armados em plena luz do dia. Lembre-se que não estou falando do Serviluz no Ceará, e sim do bairro da hoje pacata e progressista cidade paulista.

A ordem para a paz e os limites de cada grupo foram definidos por acordos fechados dentro das muralhas da Penitenciária de Hortolândia, que determinou, inclusive, pena para os crimes cometidos contra a população próxima às biqueiras. Mas quem traça esses limites, determina a pacificação e decreta a guerra?

A vitória dos moderados e o controle das bases

E no princípio eram trevas, no início do início, antes que a paz chegasse às diversas cidades e estados sob a hegemonia do Primeiro Comando da Capital, que sob o controle dos moderados mantém a pacificação e o controle da base.

As mortes de Rogério Geremias Simone, o Gegê do Mangue, Edilson Borges Nogueira, o Birosca, Fabiano Alves de Souza, o Paca, Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, entre outros, comprovam algo que ouvi há alguns anos de um faccionário:

“Eles estão mais seguros lá dentro que na rua. Se sair morre.”

A admiração dos garotos do Primeiro Comando, em especial pelo Marcola, não foi sequer arranhada pela revelação do colega de Lincoln, o Marcio Sergio Christino, que acusou Marcola de ter sido um informante da polícia e ter entregue seus aliados.

No entanto, as rígidas regras impostas pelo grupo liderado por Marcola justificam a indignação, principalmente nos níveis intermediários da organização, que se sente tolhida ao não poder armar as biqueiras para reagir às ações policiais, entre outras limitações.

A vitória de Lincoln e seus colegas e o fim dos moderados

A disputa para ampliação de limites territoriais, influência ou poder acontece em todos os grupos sociais, seja entre as crianças nas creches ou nas ruas, ou entre os adultos nas igrejas, nos locais de trabalho, nas biqueiras, e até mesmo dentro da viatura policial.

Entre os membros de facções que disputam o mesmo território e dentro das organizações criminosas por aqueles que disputam o poder interno isso não poderia ser diferente, essa é uma característica humana.

Há quem prefira não se arriscar e deixar a luta para outros: esses são os cordeiros, que servem de alimento na cadeia alimentar e mantêm nossa estrutura social funcionando com certa estabilidade, como nos ensinou Étienne de La Boétie.

Mas entre os faccionados não existem cordeiros. O mais pacífico é um alfa que tem seu domínio territorial garantido por sua força — não há amigos dentre os aliados, companheiros e irmãos, há o respeito pelo mais forte e pelo grupo.

Lincoln e seus colegas estão agora a um passo da vitória. As ações do MP-SP e do GAECO enfraqueceram o grupo dos Catorze alfas que lideram a facção, e é por essa razão que Lincoln acredita que o PCC se desintegrará nas guerras internas.

arte sobre foto do promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o Leviatã tendo ao fundo a batalha entre o bem e o mal., abaixo do texto "cotada a cabeça da Hidra de Lerna".
PCC fica sem liderança após transferência de líderes

E no final serão as trevas, no fim do fim

A liderança enfraquecida terá que disputar o poder dentro das muralhas de Presidente Prudente, e de lá essa guerra vai se espalhar para o restante do estado.

Enquanto isso, centenas de pequenas facções sem estrutura aterrorizarão os bairros periféricos de vários estados, que hoje já estão pacificados, e muitos deles seguirão o destino dos morros cariocas, com grupos de milicianos disputando o tráfico.

As periferias das cidades paulistas, os cortiços, as ocupações e as biqueiras próximas aos centros das cidades, sem garantias e ordem, vão se armar para garantir suas bases comerciais de tráfico de drogas.

As viaturas policiais, que hoje abordam os cidadãos com certa tranquilidade, pois quase todas as biqueiras paulistas atuam desarmadas, voltarão a enfrentar grupos armados, e a cabeça dos policiais mais ativos ou corruptos voltarão a ser disputadas.

Vencemos o Crime Organizado – Uh, uh!!!

Entregaremos para aqueles que nasceram após a década de 1990 uma São Paulo e um Brasil como eles nunca viram, livre da hegemonia da facção Primeiro Comando da Capital!

Só não entendo por que não senti a empolgação que esse momento merecia por parte da repórter Aline Ribeiro e do promotor de Justiça Lincoln e seus colegas, afinal, vencemos – Uh, uh?

Facção criminosa PCC 1533: terroristas ou criminosos?

O que diria Michael Fredholm sobre o terrorismo e a facção Primeiro Comando da Capital.

A facção paulista é ou não um grupo terrorista?

Você e eu já sabemos a resposta à pergunta: “O Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) é uma organização terrorista ou uma facção criminosa?” — a resposta está na ponta da língua: eles são criminosos. É incrível, mas tem gente que não entende isso, como é o caso do sueco Michael Fredholm.

Fredholm acha que entende das coisas só porque é um analista militar e historiador, especialista em estratégias de defesa, política de segurança internacional, tendo feito estudos profundos sobre a geopolítica da Eurásia, o extremismo islâmico, as causas e as estratégias de defesa para combater o terrorismo, isso tudo e muito mais.

Eu e você sabemos a resposta, e ele, com todo o estudo que fez, ainda tem dúvidas sobre se o PCC 15.3.3 é ou não um grupo terrorista. Eu sei que ele não sabe porque deixou essa dúvida clara no livro Transnational Organized Crime and Jihadist Terrorism: Russian-Speaking Networks in Western Europe (Contemporary Terrorism Studies).

Ele conta que entre os especialistas “atualmente, poucos, se houver algum, argumentam que o crime organizado e o terrorismo são organizações significativamente diferentes […] ambas utilizam os mesmo meios e métodos criminais para adquirir o financiamento necessário [para alcançar seus objetivos ideológicos] (tradução minha).

Facção PCC: inversão total da lógica tradicional

Ambos utilizam-se de métodos e modus operandi semelhantes: a criação do medo como ferramenta estratégica para a captação ou a circulação de recursos ilegais. Essa é a essência do terrorismo, mas também é utilizada pelas facções criminosas. Algo que deveria diferenciar um grupo de outro seria a origem do financiamento da organização, mas não é bem assim.

Os terroristas, para assim serem denominados, deveriam ser sustentados por estados ou grupos de simpatizantes, enquanto o crime organizado seria alimentado pelas ações criminosas, mas na prática, por vezes essa lógica não prevalece.

Um exemplo da inversão na prática desse conceito teórico é que o Primeiro Comando da Capital, que tem como uma importante fonte de recursos as doações feitas por todos os irmãos batizados, que pagam um valor mensal, se contrapondo a organização islâmica Al-Qaeda que tem utilizado como fonte de recursos o contrabando de armas, drogas, e seres humanos na região no Cone Sul.

As organizações terroristas que dependiam dos estados nacionais e simpatizantes para se sustentarem, sofrendo cada vez mais com o controle internacional sobre seus recursos (ONU Resolução 54/109 — International Convention for the Suppression of the Financing of Terrorism), passaram a atuar muitas vezes como as organizações criminosas tradicionais, executando assaltos a bancos ou traficando drogas e armas.

Facção PCC: questão política ou terrorismo


Michael Fredholm utiliza a América Latina para demonstrar quão difícil é saber o limite entre um grupo e outro. Você e eu sabemos que Dilma Rousseff lutou contra a Ditadura Militar, e naquele tempo todos acreditávamos que era a URSS quem sustentava o movimento, mas, na realidade, o caixa vinha dos assaltos a bancos e sequestros.

Ignore seu pensamento político (direita ou esquerda) e responda, pelos critérios técnicos ela seria uma: terrorista ou ladra? Afinal, lutava por uma ideologia, estaria sendo sustentada por um governo que partilharia de seus ideais, recebia recursos de lá, mas reforçava o caixa com ações criminosas.

A fronteira entre um e outro grupo, como tudo no Mundo Líquido de Zygmunt Bauman, está se dissolvendo, se já não se dissolveu e apenas não nos demos conta disso. Só citei até agora um único ponto nebuloso que separa os dois grupos, terroristas e criminosos, Fredholm enumera e discorre a respeito de quase uma dezena.

Outro é a ideologia. Agora sim. Um ponto forte que separa os terroristas dos criminosos é que o primeiro luta por uma causa, e o segundo apenas por lucro. O Primeiro Comando da Capital, desde que foi criado, busca acabar com a opressão dentro do sistema prisional, as desigualdades sociais e a ausência do Estado nas periferias das cidades, então…

O sueco que fique com suas dúvidas

O PCC é uma organização terrorista, não uma organização criminosa, pois utiliza-se de “métodos criminais para adquirir o financiamento necessário [para alcançar seus objetivos ideológicos]”.

“Nem mesmos as armas nucleares podem trazer uma PAZ sólida e duradoura sem que a humanidade enfrente as injustiças sociais. Onde houver dominação, haverá sempre luta pela libertação e pelo fim da opressão. Onde houver violações dos direitos haverá sempre combate e resistência em nome da IGUALDADE, por isso a dificuldade em se manter uma PAZ sólida e duradoura. Por isso nossa luta consciente, nosso lema é PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE, e UNIÃO.” — Trecho da Cartilha de Conscientização do PCC.

Fredholm escreveu um livro todo explicando que hoje não existe uma linha clara que separa um grupo de outro, mas você e eu sabemos a resposta à pergunta: “O Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) é uma organização terrorista ou uma facção criminosa?” — a resposta está na ponta da língua, e o sueco que fique com suas dúvidas.

A Covid-19, o Primeiro Comando da Capital e a comunidade

O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que procuraria as lideranças do tráfico para conseguir que os agentes de saúde chegassem em pontos em que nem a polícia chegava.

O presidente Bolsonaro, que vive em seu mundo fora da realidade, ficou possesso, e o assunto acabou tão rápido como começou e as comunidades foram abandonadas para que se virassem.

As pesquisadoras Ana Carvalho, Thais Duarte, Natália Martino, Ludmila Ribeiro e Valéria Oliveira querem saber como os diversos atores sociais supriram a presença do governo no combate à pandemia e seus efeitos nefastos econômicos.

Também será analisado se houve participação do Primeiro Comando da Capital e qual foi seu grau de envolvimento, já que a facção regula o fluxo de pessoas, o comportamento social e o acesso dos serviços públicos em milhares de comunidades marginalizadas.

Se algum dia imaginamos que o Estado atuaria na proteção das populações que vivem em espaços marginalizados em uma emergência, o governo Bolsonaro provou que, ao contrário do que afirmava Max Weber, o Estado não tem e nunca teve a hegemonia do uso legítimo da capacidade de produzir governança.

Como o poder não admite vácuo, nesses territórios sem lei, e agora sem o serviço de Saúde, às organizações criminosas como a facção PCC ganharam espaço, e as pesquisadoras querem saber como aproveitaram essa oportunidade.

Se por um lado sabemos que em algumas regiões integrantes da facção proibiam a circulação de pessoas em respeito ao distanciamento social e organizavam o transporte para os centro de saúde, em outras promoviam festas, eventos, obrigavam o funcionamento do comércio e proibiam o acesso dos funcionários da saúde às comunidades.

O desafio a que se propõe as pesquisadoras não é simples, principalmente porque os meios de comunicação evitam mencionar a facção por medo de represália, tanto por parte do Estado quanto pelo dos integrantes da organização criminosa.

 

Para conhecer os objetivos, metodologia e cronologia da pesquisa baixe o PDF: