A Marcola de Saias, a Guerreira do Acre e a cultura sexista do PCC

A Guerreira do Acre: como a mulher conquistou seu lugar na sociedade, e hoje tem o direito de morrer e apodrecer nas prisões como os homens.

A Mulher guerreira, Marcola de Saias, não é a primeira e não será a última

João Erik e Vinny do 11, vamos falar sobre a guerreira do Acre e a tal Marcola de Saias.

Ambos me procuraram essa madrugada para que eu comentasse sobre aquela mulher.

Ela ganhou as capas dos jornais de todo o país e lhes garanto, encontrei referência a ela em várias partes do mundo.

Suliane Abitabile Arantes, a Elektra, a Intocável, a Assombrada, a Kitana, a Mariana, e por fim e mais importante, a Marcola de Saias.

PCC ‘untouchable’ woman did trafficking accounting and registration of new members in the faction
Mujer ‘intocable’ del PCC hizo contabilidad de trata y registro de nuevos integrantes en la facción

Já devem ter notado que sou metódico e fujo das grandes manchetes sobre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).

É uma tentação e rende views repercutir os assuntos do dia, mas eu prefiro as notícias marginais, os detalhes que passam despercebidos do público.

Não me anima escrever sobre “Marcola de Saias” do dia. Sim! Pois é! Ela é a terceira que foi assim citada neste site desde que publico sobre o PCC em 2007!

O sexista Primeiro Comando da Capital

Estou prestes a compartilhar com vocês uma história real de horror que resgatei de uma mulher, guerreira da facção criminosa PCC 1533, realmente forte.

Esta história ilustra bem a mudança cultural a que vocês se referem, e que vocês acreditam estar ocorrendo.

Sei que será difícil de digerir, mas creio que é importante que vocês estejam cientes de que não é o caminho que está sendo seguido.

Vocês, assim como a maioria de nós, refletem no outro suas próprias expectativas, que por vezes vão de encontro à cultura do outro.

Não precisamos olhar no horizonte para ver isso, basta observarmos no nosso grupo de Zap: quantas mulheres há e a diferença do perfil dos homens.

O Primeiro Comando da Capital é um grupo sexista e não existe tendência de mudar essa realidade, existem sim, exceções.

A Guerreira do Acre e a Marcola de Saias são exceções à regra

A história que vou contar é a da Guerreira do Acre.

Não é a primeira história desse tipo e certamente não será a última, mas creio que é um exemplo da culturareal do PCC, que difere de nosso imaginário.

Ela lutou por sua família de sangue e pela Família 1533, acabou sendo perseguida e, em certo momento, nunca mais tive notícias dela.

Admirei a coragem dessa mulher que, possivelmente, nunca saberei se conseguiu sobreviver.

O Primeiro Comando da Capital na época era outro

A facção PCC 1533 investia pesado em ajuda aos guerreiros por mais isolados que estivessem.

Eu, na época, participava de diversos grupos de WhatsApp de “responsa” da facção, e de lá assisti a diversas “movimentações de tropas e armas”.

Foi assim para fortalecer os Amigos dos Amigos (ADA) no Rio de Janeiro, os Guardiões do Estado (GDE) no Ceará, e a Guerreira do Acre.

Hoje vemos a organização criminosa deixando crias para trás isoladas em diversos recantos do país para se focar no lucro seguro.

Esse meu comentário não deve ser entendido como uma crítica, mas como fruto de uma análise dos fatos, e posso estar errado.

Mudança na cultura do Primeiro Comando da Capital

Mas, ao contrário do que vocês possam pensar, a mudança que esperam vai de encontro à cultura da organização da facção paulista 1533.

Hamilton Pozo, com quem tive aula na faculdade, afirmava que uma mudança cultural em uma organização ou sociedade precisaria de 50 anos para se consolidar.

Não é fácil mudar a mentalidade de um grupo social, especialmente quando ela está enraizada em uma cultura que valoriza mais a sexualidade do que o lucro e os direitos humanos.

O imaginário do mundo do crime gira em torno da sexualização tanto do homem quanto da mulher, tornando o estereótipo como regra.

Vocês dois presenciaram ontem, no nosso grupo de Zap uma demonstração no caso do homem que queria contratar alguém para matar a própria mulher.

Sexo, armas e drogas

Nos próximos dias, atendendo a vocês, abordarei aqui no site a questão da sexualidade na facção Primeiro Comando da Capital.

Independente do que pensemos, eu, vocês ou um “cria do 15” do norte de Roraima, nós devemos continuar lutando por aquilo que acreditamos.

Assim como a Guerreira do Acre que lutou por sua causa, que lutou por sua família de sangue, que lutou pela Família 1533.

É isso que nos faz crescer e evoluir como seres humanos. Espero que essa história os inspire a continuar lutando e a não desistir de seus ideais.

o texto a seguir foi publicado neste site em 28 de janeiro de 2018 e na época eu utilizava base acadêmica para meus textos

A acadêmica de Roraima e a guerreira do PCC do Acre

É possível levar a sério um artigo acadêmico sobre a violência e a criminalidade urbana em um estado que é só selva?

E se eu disser ainda que foi escrito por uma mulher?

Este é o caso de Retratos da Violência Urbana e da Criminalidade em Boa Vista — Roraima: A capital mais setentrional do Brasil, de Janaine Voltolini de Oliveira.

Nossa! Me senti agora como Monteiro Lobato!

Você já leu o livro Éramos Seis, de Maria José Dupré?

Quem prefaciou a obra foi ninguém menos que Monteiro Lobato, ícone de nossa literatura e responsável por parte da formação cultural de nossa nação.

Nesse prefácio, Lobato não teve vergonha em contar que recebeu de seu editor o original do livro de Dupré que narrava a vida de uma mulher e de seus filhos, desde nasceram até a fase adulta, e ele inicialmente se recusou a ler a obra, pois tinha sido escrita por uma mulher e a premissa era ridícula.

Monteiro Lobato, eu e nossa misoginia

Após muita insistência do editor, Monteiro Lobato, acabou lendo e se apaixonando pelo trabalho da autora (assim como eu).

Janaine não é Dupré e eu muito menos sou Lobato, mas Dupré não podia prever que Lobato não iria querer lê-la por ser mulher, e Lobato não poderia prever que em cinquenta anos sua obra quase seria proibida por ser sexista e racista.

Assim como Janaine não poderia prever que um leitor se referiria ao seu trabalho dessa forma:

E se eu disser ainda que foi escrito por uma mulher?

A violência e o empoderamento da mulher

O artigo publicado na Revista de Ciências Sociais da UNESP faz uma avaliação do quadro de violência em Roraima e analisa seus números, apresentando as possíveis causas e soluções para o problema.

É um bom resumo do que acontece por lá e um facilitador para quem quer fazer uma análise rápida, mas não profunda, da situação do estado.

A questão da mulher me chamou a atenção assim que peguei o trabalho de Janaine — pensei em criar uma cota para a produção masculina nesse site, pois quase todos os trabalhos que fiz no último mês foram produzidos por mulheres ou cujo assunto eram as mulheres dentro da hierarquia do PCC.

Não acredito no acaso, e muito menos duvido dele.

A pesquisadora demonstra no artigo o aumento brutal do número de mulheres assassinadas — o Mapa da Violência 2015 denunciou o aumento de 500% da quantidade de homicídios de mulheres em Roraima em relação aos anos de 2003 a 2013.

Os números são o resultado do aumento da presença das mulheres, que estão dominando cada vez mais todas as áreas.

Uma escreve e outra derrama sangue

Quando Janaine escreveu o artigo, não poderia prever que trouxesse, a um de seus leitores, a lembrança de maneira tão viva de uma irmã ou companheira do PCC, que teve seu áudio viralizado um pouco antes dos ataques ocorridos no início de agosto de 2017 em Rio Branco:

Aqui o bagulho tá feio mesmo. Eu sou do Acre, só que os irmãos não estão muito unidos não. Mataram meus companheiros lá.

Até perder meu filho já perdi.

Tudo por causa dessa guerra. Agora os irmãos tem que tomar atitude aí.

Tem Irmão encurralado aí. Tem que ajudar Irmão.

Guerreira do Acre

Na voz, uma mulher, fiel de sangue ao Primeiro Comando da Capital, e seu pedido de apoio que mobilizou soldados e recursos da facção de diversas partes do Brasil.

A situação que estava quente, ferveu, sendo necessária uma operação de guerra envolvendo o governo estadual e federal para conter a situação.

A mulher conquistando o direito de matar e morrer

Monteiro Lobato teria que se conformar: a mulher conquistou seu lugar na sociedade, e hoje elas já escrevem tanto quanto os homens sobre a questão criminal, e com o incremento em torno de 1,5% ao mês do número de integrantes femininas nas facções.

Dentro de cinco anos elas possivelmente já estarão em pé de igualdade com os homens.

Eu não vou esperar tanto tempo para parabenizar as mulheres que conquistaram o direito de morrer como se fossem homem. Mary Wollstonecraft e Nísia Floresta devem estar muito satisfeitas com as conquistas das mulheres neste século.

Vídeo da execução de uma integrante do Bonde dos 13 do Acre (B13)

Recado PCC das trancas de Pernambuco: “tamo sendo oprimidos”

Integrante da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) manda a situação real das trancas de Pernambuco.

Um recado das trancas de Permanbuco

Essa mensagem recebida das trancas de Pernambuco é um grito de socorro que não pode ser ignorado por nenhum de nós.

Após o áudio e a sua transcrição, apresento minha leitura, que de certo não é a mesma que a tua, é muito mais sombria.

PCC de Pernambuco pede ajuda em tranca da oposição

Um forte abraço aí, uma boa noite aí prá nóis.

Quem tá na voz aqui é …

Veja só, que a gente numa situação difícil, que aqui está descabelado, sem aparelho para fazer a conexão, tamo fora da sintonía por isso aí.

Por que altas coisas que está escrita no Estatuto e não está acontecendo não, você entendeu?

É porque irmão, veja só, é por que o que está escrito no Estatuto não está acontecendo em nada, por isso estou fora de sintonía.

Porque tem altos irmãos aí que tem condições, mas só se lembram da barriga deles, entendeu irmão?

Estou dizendo a você, aqui tem o Comando Vermelho, a CLS, tudo inimigos nossos, entendeu?

Tem o Comando Litoral Sul e tem FDN também misturado aqui. Aqui é cheio de lixo mesmo.

Aqui na cadeia que estou, não está favorável não! É pouca quantidade dos irmãos nossos, é mais Comando Vermelho, entendeu?

É mais tumulto, não é qualidade não, é mais tumulto.

Então o que está acontecendo, o que está escrito no estatuto tá acontecendo não, é isso aí, tô descabelado irmão.

Muita guerra eu tive em … através da facção, faz … anos que sou da facção, eu era Geral do Sistema, eu fechei como Geral do Sistema e Geral de Estados e Países, eu fechei nessas duas responsas aí.

Pronto irmão, você faz a anotação aí, pedindo uma ajuda irmão, porque altas cadeias de Pernambuco aqui a gente está sendo oprimidos.

Porque tem muito lixo e os irmão do PCC tem pouco aqui. Em todas as cadeias de Pernambuco está tá expandindo o lixo.

Eu queria que você fizesse um relatório aí dizendo o que está acontecendo nas cadeias de pernambuco, entendeu?

É isso aí que estou dizendo a você, um forte abraço aí uma boa noite para nós aí tamo junto aí viu irmão…

As trancas de Pernambuco e o Brasil

Não passa uma semana sem que eu receba o pedido de ajuda de um irmão ou companheiro que ficou perdido na estrada.

No entanto, estes gritos de socorro hoje chegam com mais constância e lugares de onde antes jamais viriam.

Conheço esses gritos, são os mesmos que eu ouvia quando PCCs eram dizimados no Amazonas, no Acre e em alguns estados do Nordeste.

Primeiro, buscavam sintonía, depois pediam socorro enquanto eram caçados por inimigos, e por fim o silêncio: um a um eram mortos e os que sobreviveram fugiam.

Tranca de Pernambuco: sabemos onde termina

A mensagem da tranca de Pernambuco alerta para o que está acontecendo e sabemos onde essa estrada termina.

Um integrante do PCC cercado por inimigos, há dez anos, mexeria com todos, mas hoje não mais.

O sonho de uma família unida contra a opressão carcerária evoluiu pouco a pouco para se transformar em uma empresa rentável.

Duzentos milhões seriam gastos para resgatar Marcola enquanto irmãos e companheiros são ilhados, esquartejados e decapitados em uma guerra sem esperança.

Tranca de Pernambuco: é o princípio do fim da Família 1533?

Parece que algo aconteceu com o Primeiro Comando da Capital, pois não mais é como foi no passado.

Aparentemente, companheiros, irmãos e lideranças estabelecidas agora só pensam em seus próprios interesses.

Integrantes são abandonados nas regiões mais afastadas e que não dão lucro à facção, resultando em casos de morte por todos os cantos.

O que é mais impressionante é que o grito do irmão de Pernambuco reflete as mensagens que recebo quase diariamente.

o socorro não virá irmão. Não virá.

Parece que o dinheiro e o poder afastaram os integrantes da Família 1533. Mas agora me pergunto:

O Primeiro Comando da Capital sobreviverá sem sua abrangência nacional?

Esse pode ser o início do fim da Família 1533 e o nascimento de uma empresa?

E o mais importante, qual será o destino dos crias abandonados nas trancas e nas regiões distantes?

Esta é uma situação bastante preocupante, e exige nossa atenção imediata.

É necessário investigar mais a fundo para entender o que está por trás dessas mensagens.

Alguns se preocuparão em como ajudar aos irmãos encurralados.

Outros se preocuparão com o fim da hegemonia das facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho e o caos e o banho de sangue que virá a seguir: dentro e fora do Sistema Carcerário.

Destino traçado. Triste Fim.

Mas, apesar de todos os nossos esforços, não podemos escapar da sombra iminente que paira sobre nossas cabeças.

Lembrando-nos constantemente de um passado com planos e esperanças, mas agora temos apenas certeza da morte.

Sonháva-mos acordados e hoje temos pesadelo com aqueles que foram nossos irmãos mas nos abandonaram no meio dos inimigos.

Pior que a incerteza do futuro é viver um presente sem esperança.

Talvez, em algum lugar escuro e profundo, haja uma resposta para nossas preocupações, mas por enquanto, só nos resta esperar, tremendo de medo diante da escuridão, mas ainda assim, esperando pela luz que um dia virá iluminar nosso caminho para a segurança e felicidade que tanto almejamos.

É isso aí que estou dizendo a você, um forte abraço aí uma boa noite para nós aí tamo junto aí viu irmão.

Parece que os fundamentos do PCC estão desaparecendo aos poucos. poder… é verdade que o PCC é poder, dinheiro, mas para um determinado fim, esse de ajudar os presos, ou até mesmo ajudar o povo na rua. Acho que os fundamentos do PCC estão sendo perdidos e que os mais velhos devem incutir esses valores nos jovens e recém-chegados. Você deve saber que em todo o mundo o PCC é visto como um movimento revolucionário e não como uma organização criminosa, mas isso pode mudar com o tempo se os líderes não tomarem decisões sobre esta situação. que porque haveria muito mais pessoas para ajudá-los, é esse movimento revolucionário que o fez ser ouvido por grandes líderes políticos, e os tornou tão fortes, ouvidos e acima de tudo respeitados pelos outros.

Penal de Chonchocoro nas mãos do Primero Comando da Capital

O complexo penal de Chonchocoro nas mãos do Primeiro Comando da Capital é uma realidade possível após a prisão de Tocha na Bolívia.

Nas sombrias e sujas paredes do presídio de Chonchocoro, o poder é dividido entre dois inimigos sangrentos e implacáveis.

Os grupos brasileiros Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) e o Comando Vermelho (CV) controlam tudo dentro das muralhas, governando com punho de ferro sobre a multidão de prisioneiros tatuados que se aglomera em seus territórios.

Nenhum movimento é feito sem seu consentimento, nenhuma palavra é dita sem sua aprovação dos líderes de um dos dois grandes grupos.

Os líderes criminosos brasileiros corrompem os guardas com dinheiro, ameaças e chantagem, e até mesmo subornando autoridades de fora do presídio para garantir seu domínio sobre os encarcerados.

Aqueles que se opõem a eles são rapidamente silenciados pela violência brutal que é seu método preferido: cabeças rolam pelo pátio.

Para os encarcerados por trás das muralhas sobrias e sujas de Chonchocoro, a vida é uma existência de terror constante, marcada por um constante medo da punição por qualquer deslize ou desobediência.

As organizações criminosas garantem ordem, disciplina e respeito, mas cobram um alto preço para quem se atreve a questionar seu poder ou seu domínio.

Tocha, um líder do Primeiro Comando da Capital na Bolívia foi recapturado há poucos dias e enviado também para trás dessas muralhas em Santa Crus de la Sierra.

Mestre em fugas, Tocha que era o elo de ligação entre a mais poderosa organização criminosa da América do Sul com as famílias criminosas bolivianas agora terá uma nova missão.

O antigo mestre em fugas, agora tem em suas mãos a chance de criar laços de sangue com criminosos de várias nações que foram unidos naquelas masmorras: peruanos, colombianos e bolivianos.

As autoridades tentam esconder o mal atrás das muralhas, mas lá, onde o sangue escorre no pátio e nas celas, os espíritos dos que sobrevivem se fortalecem enquanto aguardam o momento de saltar para as ruas, para as comunidades.

E, apesar das afirmações das autoridades de que as organizações criminosas foram desmanteladas, a verdade é que esses inimigos poderosos ainda controlam tudo dentro das paredes do presídio, e ninguém é capaz de derrubá-los de seu trono de poder.

leia matéria base no FM Bolívia: “Facciones” del Primer Comando de la Capital PCC y el Comando Rojo mandan en el penal de Chonchocoro

Prisão e penas mais duras: discurso populista reforçam o PCC

O populismo político aponta que a solução para a Segurança Pública é a prisão e penas mais duras, no entanto, essa política gerou o PCC 1533.

Prisão e penas mais duras: o resultado na Argentina

O Estado sempre apoiou o slogan de que a prisão e penas mais duras seriam o fim dos problemas, mas essa nova realidade marca o início de outros, ainda mais delicados, que impactam diretamente nas ruas.

site archyde.com

Meu caro Francesco Guerra,

Permita-me apresentar-lhe a seguinte situação intrigante.

Diversos políticos em todo o mundo, mas principalmente os da direita latinoamericana, em sua crença firmemente arraigada, sustenta que mais prisões e penas severas trariam maior segurança para o povo.

No entanto, suas intenções nobres, se não populistas, foram mal direcionadas.

Pois as organizações criminosas estão usando essas prisões como ferramenta para recrutar, doutrinar e treinar criminosos para seus esquemas ardilosos.

A solução aparentemente simples para combater o aumento da criminalidade revela-se, na verdade, um golpe de mestre da mais formidável organização criminosa, a facção PCC.

Ensinou aos criminosos que prisão não significa que o negócio criminoso acabou, mas muito pelo contrário, que outra etapa se inicia.

Não é possível acabar com a facção PCC sem abordar as questões de superlotação e opressão carcerária, já que estes são fatores que contribuem para a formação e fortalecimento da organização.

A falta de condições adequadas nas prisões, como superlotação, violência e falta de recursos, é um terreno fértil para o crescimento da criminalidade organizada.

Além disso, as condições opressivas nas prisões podem ser usadas pelos líderes da facção para consolidar seu poder e controle sobre seus membros.

Por isso, é importante que sejam implementadas medidas eficazes para melhorar as condições nas prisões, incluindo investimentos em infraestrutura, segurança e programas de ressocialização.

ChatGPT para o site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org

Prisão e penas mais duras: unindo o crime

Além disso, meu caro Francesco,

A política de aprisionamento em massa adotada pelos diversos governos latinoamericanos não só falhou em reduzir a criminalidade e o tráfico de drogas, como fortaleceu ainda mais a influência e o poder do Primeiro Comando da Capital.

Os criminosos recrutados e doutrinados nas prisões apregoam com orgulho que agora fazem parte de uma grande organização criminosa internacional!

Portanto, temos um problema ainda maior em nossas mãos!

Pois a facção PCC está usando sua posição privilegiada dentro das prisões para ameaçar funcionários da Justiça, do Sistema Carcerário e das forças de Segurança Pública.

O criminoso plantou novamente ameaças contra um juiz federal, um promotor federal, um senador provincial e um prefeito.

Ele avisou por meio de outro interlocutor que está detido na prisão de Rawson que iria atacá-los com “balas e granadas”.

“Quem avisa não trai”, alertava a mensagem intimidadora que teve como destinatários uma extensa lista de autoridades judiciais e políticas.

site archyde.com

Prisão e penas mais duras: a revanche

A tudo isso, meu caro Francesco,

As autoridades argentinas pediram conselho para seus pares brasileiros que alertaram que os criminosos se comunicavam por WhatsApp.

O Primeiro Comando da Capital organizava seus asseclas através de troca mensagens de dentro das prisões por todo Brasil.

E assim, os criminosos da organização de dentro das muralhas brasileiras tem contato online com as prisões na Argentina, no Paraguai e na Bolívia.

Atentado ao fato, um juiz de Buenos Aires ordenou uma busca e apreensão de celulares nas celas dos presos — a reação foi imediata e violenta.

Em apenas duas noites mais de dez ônibus foram incendiados com coquetéis molotov.

A Justiça teve que reverter a medida e o Estado teve que assumir que havia subestimado o poder que a comunicação irradiava no crime organizado.

site archyde.com

O Primeiro Comando da Capital está determinado a proteger seu império criminoso, mesmo que isso signifique causar caos e destruição na cidade.

O aprimoramento: a Sintonia Restrita

Francesco, a reportagem sobre a Sintonia Restrita do Metrópoles que você fez a gentileza de encaminhar ao meu escritório é uma das consequências dessa política.

Mostra como a aposta dos políticos populistas na prisão e penas mais duras só profissionalizou a facção paulista PCC.

Graças a essa política prisional o PCC criou um novo exército de criminosos dispostos a seguir suas ordens e a perpetuar seus planos maléficos.

Estratégia, ousadia e muito acesso à informação permeiam um “setor de inteligência” criado pelo Primeiro Comando da Capital.

O grupo funciona como uma ampla rede de criminosos.

As grades e os muros de prisões ao redor do país não são suficientes para brecar o fluxo de informações que movimentam as engrenagens da chamada sintonia restrita – o atual cérebro da facção criminosa.

Carlos Carone e Mirelle Pinheiro para o site Metrópoles

É com grande pesar, meu caro Francesco, que encerro essa minha carta. Lamento, que a cada carta, o mundo se torne cada vez mais incerto.

Atenciosamente, um forte e respeitoso abraço daquele que está até a última gota de sangue disposto a defender a Paz, a Justiça e a Liberdade para todos.

Wagner do Site PCC 1533

leia o artigo base no site archyde.com: The heads of the First Capital Command (PCC) ordered the burning of buses. in just two nights more than ten buses caught fire of public transport with Molotov cocktails…

O que é o sintonia do PCC? O que significa sintonias no PCC?

Sintonia do PCC. Sintonia não é apenas uma palavra, uma idéia ou uma função dentro da organização criminosa. Sintonia é a base de tudo no PCC

Sintonia do PCC: luz guia nas trevas

Assim começa o comunicado de um Sintonia do PCC:

Um forte e sincero e leal abraço a todos os irmãos e companheiros.

Inicialmente o “sintonia” que for transmitir para os “irmãos” e “companheiros” deve com respeito lembrar a todos que só com a conscientização é possível alcançar a PAZ, mesmo que dentro das muralhas, dos difíceis ambientes e situações que os soldados da facção e suas famílias estejam.

Introdução da Cartilha do Primeiro Comando da Capital

Afirmar que a facção é invensível não é verdade, mas em Deus tudo é possível, até sobreviver no inferno.

Como controlar as feras que vivem dentro de nós? Como controlar as feras que vivem no Mundo do Crime?

Sintonia: apenas os que vivem em sintonia conseguirão sobreviver e andar nas trevas de nosso mundão.

Complexidade como forma de sobrevivência

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital é tão complexa que nem mesmo Marcola ou os 14, conhecem todas as engrenagens.

E é assim que tem que ser.

Um pequeno vírus sobrevive no mundão graças ao seu grande poder de mutação.

Quando os anticorpos aprendem seu funcionamento, o vírus já mudou, já não é o mesmo.

E assim acontece com a facção PCC 1533:

As lideranças estavam dispersas: o governo achou que a divisão deixava a facção forte e incontrolável, então juntaram toda a liderança em Presidente Venceslau.

O governo fez um show na televisão com os líderes do Primeiro Comando da Capital sendo transferidos para o P2 em Presidente Venceslau:

Agora o PCC acabou!

apregoram os de sempre

As lideranças juntas se reestruturaram: o governo achou que a união dos líderes deixou os caras mais fortes e incontroláveis, novamente as separaram.

O governo fez um show na televisão com os líderes do Primeiro Comando da Capital sendo transferidos para os Presídios Federais:

Agora o PCC acabou!

apregoram os de sempre

Vai pensando. Vai sonhando. A transferência causou mais uma mutação na facção que continua tão forte quanto antes com a criação da Sintonía dos 14.

O sucesso da organização criminosa PCC é essa complexa estrutura de sintonias independentes, em permanente mutação mas trabalhando em harmonia para o progresso do conjunto.

Sintonía do PCC é a base da facção

Sintonia do PCC não é apenas uma frase, não é apenas um termo.

Sintonia do PCC é a sua razão de existir, de entender o Mundo do Crime e a sociedade.

Foi por falta de sintonia entre o Governo do Estado e a comunidade carcerária que os ataques do Primeiro Comando da Capital ocorreram em 2006.

Graças a perfeita sintonia entre a comunidade carcerária e o mundo do crime nas ruas que os ataques do PCC de 2006 pararam São Paulo.

Sintonía quer dizer correr-lado-a-lado, estar junto na mesma caminhada, ligar a prisão às ruas, quando estão plenamente dentro dos objetivos da facção o integrante está em uma sintonia total ou sintonía 100%.

Não só os irmãos e companheiros que estão em sitonia: hip hoppers, educadores, oficineiros, artistas, blogueiros, ravers, skatistas, pichadores, e qualquer um que queira a pacificação das ruas e justiça para quem está nos presídios.

A teoria na prática é outra

Para preservar a vida de todos nossos irmãos e se precisar de qualquer apoio para sair busque a sintonia de seu estado e se não tiver apoio busque a hierarquia acima.

Mas deixamos claro que aquele que for para a rua tem a obrigação de manter contato com a Sintonia da sua quebrada ou da quebrada que ele estiver.

Os integrantes que estiverem na rua e passando por algum tipo de dificuldade, poderão procurar a Sintonia para que o Comando possa ajudar ir para o corre, deixando claro que o intuito da organização é fortalecer todos os seus.

No entanto, aqui no site, recebo muitas solicitações de ajuda de irmãos e companheiros que tem dificuldade encontrar sua sintonía após saírem do Sistema Carcerário.

Com exceção de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, é comum receber mensagens de integrantes perdidos sem conseguir sintonizar o comando.

Lembrando que o irmão ou Disciplina de uma quebrada ou cidade tem acesso ao Sintonía de sua região e não ao Sintonía dos Estados, e assim por diante.

Sintonia do PCC é tudo e nada existe sem sintonía

Talvez por isso os “sintonias” da organização criminosa Primeiro Comando da Capital sejam peças tão fundamentais para a facção criminosa paulista PCC 1533.

Dentro da hierarquia do PCC os sintonias tem a função de harmonizar as ações e o pensamento das partes dispersas e compartimentadas da organização.

Foi a forma criada para impedir que a organização criminosa se fragmenta-se mesmo que perseguida por agências policiais de diversos níveis em todo o mundo,

Mesmo investigadores especialistas no Primeiro Comando da Capital não tem condições de entender a complexidade das partes que formam a complexa engrenagem sempre em mutação.

Mas até onde podem chegar as sintonias?

… se prepara, mas sem alarmar a todos e quanto todo o sistema no Brasil tiver nessa mesma sintonia e lá fora a gente tiver uns 2 dep. federal ou senador […] nas mãos, nós damos nosso grito de guerra: “Paz, justiça e liberdade.”

O que nos preocupa atualmente é a firme disposição da facção de espalhar seus líderes por todos os presídios em Sintonia (…) o objetivo da facção é espalhar os seus líderes pelo interior para fortalecer as regiões que, como eles chamam, não estão na Sintonia.

Espalhai-vos sobre os presídios abundantemente

O Sintonía do PCC: metodologia do caos

Cada sintonía é liderada por um “irmão” batizado da facção paulista PCC 1533.

Diferentemente de outros grupos criminais e mafiosos baseados em laços familiares, a pessoa não é fundamental, e sim a função, como em uma empresa.

Um “irmão” que seja sintonía de uma região ou setor, pode passar a outra posição ou região de acordo com os interesses da Família 1533.

O Barone, escolhido para ser o Sintonia da tranca do Complexo de Gericinó no Rio de Janeiro pelo paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) em parceria com a facção aliada Terceiro Comando Puro (TCP).

Por um estranho acordo, Barone não respondia ao “Sintonia do estado do Rio de Janeiro” ou ao “Sintonia geral das trancas do Rio de Janeiro”.

Barone que não era nem paulista e nem carioca. Veio de Belém do Pará, mas por alguma razão continuava a responder manter a Sintonia Geral de Pernambuco que o indicou para assumir a Sintonia da Tranca no Rio de Janeiro.

Um flash sobre a expansão do PCC no Rio de Janeiro

O Sintonía do PCC: integrando as partes

O sintonía é o responsável por tomar decisões e coordenar as atividades dentro de sua região e de sua especialidade em harmônia com o todo.

Na sua grande maioria, os sintonias são responsáveis por diferentes áreas de atuação da organização criminosa: tráfico de drogas e armas, assaltos, lavagem de dinheiro…

Cada setor do PCC atua de forma totalmente independente do conjunto, por isso a importância de todas as partes seguirem sintonizadas.

A liderança dos 14 precisa harmonizar as disputas constantes entre as diversas sintonias: Trancas, Progresso, Ruas, Interior, Capital, Financeiro, Rifa, Disciplinas… — a tensão é constante.

SintonIa do PCC: segurança, lucro e Família

O PCC não pode ser visto como fonte de lucros ou ganhos financeiros para seus líderes, e nem pode privilegiar pessoalmente seus integrantes conforme a posição ocupada mesmo para suas lideranças máximas.

Os irmãos que assumem cargos não tem salário ou ganhos diretos, só despesas com o cargo, mas com essas responsabilidades ganham moral e visão, abrindo portas para bons negócios.

Conhecer e ter acesso a mercados relevantes no mundo do crime cujas portas são abertas à poucos é um diferencial enorme para conseguir bons negócios.

Dessa forma, a facção opera de forma eficiente e segura, minimizando os riscos de infiltração policial e maximizando os lucros do crime.

Um negócio para poucos: pensar nos irmãos

Existem sintonias que podem gerir e negociar capitais, equipamentos e mercadorias da facção e obter lucros pessoais com isso, mas esses não podem ser abusivos.

No entanto, o intúito do irmão que pretende assumir um posto de liderança não deve ser nem o lucro e nem o poder, mas o que pode fazer pelos seus irmãos.

Aí pegamo firme, pegamo firme não, eu peguei firme. Trouxe a roupa do mundão. Depois consegui a comida do mundão. Aí, eu e o Fabrício começamo a botar o bagulho pra andar. E tava indo legal.

Você tá ali na frente da cadeia pra isso, é primeiro eles, depois nóis [os disciplinas]. Esse é o procedimento, é o fundamento da faxina. Se você for entrar pensando que você vai ter tudo, que você só vai ganhar e não vai contribuir, você tá muito enganado.

Coesão e Cobrança

Além disso, o sistema de sintonias mantém a disciplina e a coesão interna da facção, garantindo que as ordens da liderança sejam cumpridas.

Em caso de descumprimento das orientações das lideranças ou quando algum irmão foge dos princípios da facção ele pode ser punido por agir isoladamente.

Sintonia Fina: para não ter mal entendido

“Sintonia fina” é o termo usado na facção para se referir ao processo de comunicação e coordenação interna entre seus membros.

Entre criminosos todo cuidado é pouco e o clima é sempre tenso, mesmo dentro da Família, então é fundamental que o “papo esteja sempre reto”.

Esse processo é muito rigoroso para garantir que as diferentes células ou associados em todos os estados e países atuem de maneira coesa e segura.

A “sintonia fina” refere-se ao sistema de comunicação entre essas células e facções, que é baseado em um conjunto de regras e protocolos rigorosos.

Esses protocolos incluem a utilização de códigos secretos, comunicação criptografada, regras de conduta e punições para membros que não cumprem as regras estabelecidas.

O certo pelo certo o errado será cobrado

Cobrando de bate pronto os que não correm pelo comando, não correm pelo certo, não estão em sintonia com a ética do crime.

… zuando a quebrada, vou falá pra você, eu cheguei ontem na sintonia lá, falei pro irmão que eu preciso de aval para batizar uns quarenta e matar uns dez pra poder arredondar a regional aqui, irmão.

Allan de Abreu – Cocaína: A Rota Caipira

Assim, há um alto grau de coordenação e controle, permitindo o planejamento e execução de operações complexas, como tráfico de drogas, extorsões, sequestros e assassinatos.

A “sintonia fina” também é usada para resolver conflitos internos e manter a lealdade dos membros, o que é essencial para a sobrevivência da organização.

Os diversos níveis e setores das Sintonias do PCC

Os 14 — A Sintonia dos 14

A Sintonia Final ou Sintonía Geral Final foi substituída pela “Sintonia dos 14”. O Disciplina pega o “contexto das idéias” e manda para os “14”.

Os “14” analisam junto com o resumo e passam a visão para o Disciplina, Resumo e por fim para o Torre.

Se o caso envolve um “decreto” ou “check”, pode levar a vida de alguém ou uma situação entre facções, o Resumo tem que ser ouvido.

Os decretos, comuns no mundo do crime, são previstos no Estatuto e no Dicionário do PCC, mas são sempre processos complexos, mesmo para as lideranças.

O nome “Sintonia dos 14” possívelmente faz referência aos 14 líderes que compunham a antiga “Sintonia Final” em Presidente Bernardes. e mantêm basicamente três níveis hierarquicos: a “Sintonia dos 14”, a “Sintonia dos Estados” e a “Sintonia das Regiões”.

Sintonía Geral Final ou Sintonía Geral Fina (W2 P2 ou SGF)

Como a mudança para a “Sintonia dos 14” é recente, mantenho aqui os dados da Sintonía Geral Final, mas deixando ciente que não está mais ativa.

A “sintonia final” é o topo da hierarquia do Primeiro Comando da Capital e é composta pelos líderes mais graduados da facção.

Eram também conhecidos com W2 ou P2 por estarem os líderes concentrados no Presídio de Segurança Máxima de Presidente Venceslau em São Paulo.

A “sintonia final”, responsável por tomar as decisões mais importantes e estratégicas da organização, é formada por aproximadamente 14 integrantes.

Esses “irmãos” ocupam os mais altos níveis hierárquicos da organização e são responsáveis por coordenar as atividades da facção em todos os países.

Eles definem as estratégias de atuação, estabelecem alianças com outras organizações criminosas e tomam as decisões mais importantes e arriscadas da facção.

Líderes que decretam a morte de outros líderes

As principais lideranças do PCC podem ser enquadradas para responder por suas atitudes pela “Sintonía Final”, como foram os casos de GG, Paka e Pavão.

De lá partiram decisões como as ordens para executar integrantes da alta liderança como Gegê do Mangue e Paka que não estariam agindo de acordo.

Gegê do Mangue fez parte da “Sintonia Final” e foi quem teve a ideia de implantar a rifa paralela do PCC nos outros estados, e apesar de sua importância na facção ele foi condenado à morte pela própria Sintonía Final por enriquecer de maneira indevida com o dinheiro da facção.

A cobrança dentro da prisão paraguaia de Jarvis Gimenes Pavão para entender sua atitude de comercializar com o Comando Vermelho veio dessa instância.

Também de lá partiu em 2016 a ordem para a execução de Jorge Rafaat Toumani e outras lideranças rivais da organização.

Assim como decretar guerra, à paz e a associação a outros grupos criminosos passam por essa liderança.

Foi  a Sintonía Geral Final que acolheu e fez virar realidade a proposta do irmão Moreno que a aliança com o Comando Vermelho fosse quebrada.

Lideranças que planejam o crescimento

É de lá também que sai a decisão final de liberar rebeliões em presídios ou ataques nas ruas.

Roberto Soriano, o Tibiriçá, fazia parte da “Sintonía Final” quando desenvolveu o chamado “Projeto Paraguai” em 2010 que ampliou a ação do PCC naquele país.

São eles que tornam o PCC 1533 uma das organizações criminosas mais temidas do Brasil e um grande desafio para as autoridades que tentam combatê-lo.

Apesar dos esforços das autoridades em isolar essas lideranças suas ordens continuam, ainda hoje atravessando as muralhas das prisões e chegando às ruas.

Muitos advogados, parentes dos presos e funcionários são investigados e por vezes presos por servirem de despachantes para essas lideranças.

Lideranças que foram treinadas pelo melhor

A ideia de formar esse núcleo central decisório nasceu do contato que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros líderes tiveram com Norambuena.

Mauricio Hernandez Norambuena, esteve preso junto com os PCCs era um ex-guerrilheiro chileno e comandante da organização político-militar Frente Patriótica Manuel Rodríguez.

Norambuena trouxe para o PCC sua experiência em lutas políticas e de guerrilha, e logística militar, entre elas a formação de um politburo. 

Esse órgão fundamental nas lógica soviética consistia em um comitê central com capacidade de gerir núcleos independentes em diversos níveis e funções e regiões.

Sendo assim, a “Sintonía Final” não tem um limite territorial definido, ao contrário de todos os outros níveis de sintonía da organização criminosa.

Lideranças que agem como Conselheiros Administrativos?

O objetivo principal da “Sintonia Final” é lutar pelos ideais da “Família 1533”, o crescimento e o progresso da organização e seus integrantes.

É muito comum se confundir Marcola e a “Sintonía Final” do PCC com o CEO (Chief Executive Officer) e o Conselho Administrativo de uma empresa.

No entanto, diferentemente de uma empresa onde seus administradores visam o lucro, na facção a função é uma missão que pode custar a vida.

Julinho Carambola foi por algum tempo o porta-voz e secretário-geral da Sintonía Geral.

A Sintonia do Progresso

O tráfico de drogas é o carro chefe da facção, e a Sintonia do Progresso é a responsável pelo comércio das drogas da organização criminosa.

A cúpula desse setor é a Sintonia do Progresso Final, sob as quais ficam as Sintonias dos Estados, Países e Regiões.

A “Sintonía do Progresso” é dividida em “Sintonía da FM” e “Sintonía da 100%”, a primeira gere as drogas batizadas distribuídas ao público nas biqueiras, e a segunda a droga pura que entra nos presídios.

A Sintonia dos Estados e Países ou Sintonía Geral dos Estados e Nações

Esta Sintonia pela sua complexidade e tamanho é dividida por regiões: Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste — havendo mais de um sintonía para cada região.

A Sintonia dos Estados e Países tem a função de manter a coesão de cada região dentro das normas gerais da facção e das lideranças.

Cabe a esses Sintonias participar em conjunto dos “decretos”, julgamentos que podem resultar em morte do acusado, para que não seja cometido injustiças.

… de dois policiais da mesma corporação “”sangue derramado se cobra do mesmo modo”), tendo sido determinado o prazo de dez pias para cumprimento da “missão”, sob pena de a inércia ensejar “punição” por ordem da “Sintonía” da região.

PCC a organização criminosa primeiro comando da capital

Para isso, os responsáveis pelas Sintonias tem que conhecer profundamente toda a área que lhe foi conferida, seu mercado e seus integrantes.

Desta forma pode potencializar suas ações tanto dentro dos presídios quanto nas ruas, repassando e intermediando  informações dos Sintonias das Trancas e das Quebradas.

Esse elo entre a Sintonía Final e o nível operacional e administrativo é fundamental para o funcionamento da complexa engrenagem da organização criminosa paulista.

A sintonia dos outros Estados e Países e o Resumo Disciplinar dos Estados e Países são duas instâncias vinculadas e que aparentemente se confundem.

Sintonía das Trancas ou Sintonía das Cadeias ou Sintonía do Sistema

A sintonia das Trancas é liderada por um “irmão” que é responsável por tomar decisões e coordenar as atividades dentro do Sistema Prisional.

Ele controla os diversos grupos da facção que gerenciam o comércio de drogas, a disciplina dos presos e a realização de rebeliões ou pacificação.

O nome “Trancas” refere-se às celas dos presídios, que são trancadas para manter os presos confinados.

A sintonia das Trancas é responsável por manter a disciplina e a hierarquia dentro dos presídios, garantindo que os membros da facção sejam protegidos.

Essa Sintonia faz com que  as regras da organização sejam seguidas, e os abusos por parte de presos mais fortes e funcionários inescrupulosos sejam coibidos.

As trancas são a base de tudo no PCC

A sintonia das Trancas é muito importante para o PCC, pois o sistema prisional latinoamericano é uma parte fundamental da estrutura da organização.

É ela que garante a maior parte dos batizados que são recrutados dentro do sistema prisional dos diversos estados e países visando sua própria proteção.

Líderes e integrantes do PCC estão presos, e a sintonia das Trancas é responsável por gerenciar as atividades e a comunicação com o mundo exterior.

A intermediação de qualquer produto ilegal ou comunicação para fora das muralhas ou entre unidades dos presídios é gerenciado pela Sintonía das Trancas.

A Sintonia das Trancas é dividida em várias partes menores, como as Sintonias Femininas, Sintonía das Comarcas, Sintonía do Interior, e Sintonía dos CDPs.

“A irmã-sintonía” é a que recebe o “Salve”, comunicado transmitido através do celular pelo “Sintonía geral das cadeias”.

Mesmo essas subdivisões podem ser ainda fatiadas, como por exemplo uma Sintonía para as Padarias dentro de um complexo prisional.

As padarias produzem ou misturam as drogas para venda, tanto no varejo, quanto no atacado para os leilões, dentro e fora dos presídios.

Sintonia dos Gravatas

Essa sintonía ganhou notoriedade nos noticiários entre os anos de 2016 e 2018, mas já era conhecida desde 2006.

A Sintonia dos Gravatas é formada por advogados que trabalham para o Primeiro Comando da Capital — dezenas já foram presos e centenas investigados.

As ações de defesa dos presos integrantes da facção criminosa não constituem qualquer ilícito, no entanto os advogados da Sintonia dos Gravatas extrapolaram suas funções.

Seus integrantes atuam como despachantes dos criminosos, levando salves e decretos de morte, de dentro para fora das muralhas.

Também intermediam a entrada de objetos e pessoas para os presos, administram bens da organização e recebem e gerem objetos e dinheiro obtidos pelo crime.

É comum os advogados da “Sintonia dos Gravatas” serem os responsáveis pelos esquemas de lavagem de dinheiro e organizar manifestações públicas contra o governo.

Nas próprias comunicações do PCC isso fica explícito quando nos deparamos com a fase “Minar o governo e a SAP” (Secretaria de Administração Penitenciária), com imagens comprometedoras de supostos maus-tratos.

Promoto de Justiça Márcio Christino

Essa frase do Promotor Márcio Christino comprova que mesmo quando a organização utiliza imagens reais de maus tratos, os órgãos públicos consideram um abuso a acusação.

Christiano é a prova viva da importância de uma força poderosa para se contrapor a um sistema tão injusto.

Sintonía da Rifa  — Sintonía do Jogo do Bicho

Não sei como ficou a Sintonia das Rifas com a decisão de 2022 de tirar da obrigatoriedade a contribuição para a rifa de seus membros.

O nome “Rifa” refere-se a compra de bilhetes numerados onde os integrantes da facção concorriam a prêmios.

Apesar de não ser obrigatória, os integrantes eram coagidos a comprar os bilhetes para ajudar as famílias integrantes presos, mortos ou inválidos com cestas básicas.

As rifas e os bailes funk rendem um bom dinheiro para a facção e é essencial para fazer justiça com a família daqueles que necessitam.

Sintonía das Ruas

A “Sintonia das Ruas” que mais ganhou notoriedade foi o Dyego Santos Silva, o Coringa, que era Sintonía Geral da Rua em São Paulo.

Dyego geria uma verba maior que a maioria dos municípios brasileiros.

A sintonia geral de rua comunica a todos os seus integrantes interna e externa que graças a dedicação de muitos dos seus integrantes, a partir desta data 02/2011 será implantado dentro da organização um setor de apoio aos irmãos que vierem necessitar de um auxílio bélico e apoio financeiro para o auxílio aluguel e outras maiores necessidades emergenciais.

Este setor se caracteriza como sendo um banco de apoio aos irmãos. O objetivo central deste novo trabalho será unicamente fortalecer os irmãos que estão totalmente descabelados saindo da prisão ou também aqueles irmãos que se encontram na liberdade em período inferior a seis meses.

Revista Piauí – A GUERRA: Como o PCC deflagrou uma crise nas prisões brasileiras ao tentar ganhar poder fora de São Paulo

Sintonía Restrita — Progresso Restrito

Esses são a nata da atividade. São encarregados das ações de inteligência, investigação e planejamento.

Algumas de suas ações ganharam destaque e envolviam planejamento de longo prazo, com aluguel de casas próximas aos alvos e meses de observação.

No geral as ações desse grupo passam despercebidas pois os agentes da Sintonía Restrita simulam assaltos ou acidentes para cumprir os decretos.

As ações dessa Sintonia, no entanto, nunca serão descobertas. Funcionários públicos que foram investigados e suas famílias mapeadas, não denunciarão por medo de retaliação.

Estratégia, ousadia e muito acesso à informação permeiam um “setor de inteligência” criado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

O grupo funciona como uma ampla rede de criminosos.

As grades e os muros de prisões ao redor do país não são suficientes para brecar o fluxo de informações que movimentam as engrenagens da chamada sintonia restrita – o atual cérebro da facção criminosa.

Carlos Carone e Mirelle Pinheiro para o Metrópoles

Como funciona a Sintonia do PCC no Estado de São Paulo 

Em São Paulo, além das sintonias setoriais ligadas à do estado, existem subdivisões entre interior e capital.

A Sintonia de São Paulo é responsável pela coordenação das ações do PCC dentro do estado de São Paulo e tem influência em outras regiões do país.

A estrutura da Sintonia de São Paulo é dividida em três níveis: a “Sintonia Geral”, a “Sintonia dos Estados” e a “Sintonia das Regiões”.

A “Sintonia Geral” de São Paulo por vezes é também responsável pela tomada de decisões estratégicas da organização criminosa PCC 1533 em todo o país.

A “Sintonia das Regiões” é responsável por coordenar as atividades do PCC em cada região dentro de cada estado.

Na capital há um “Sintonia Geral Final de SP” mas a metrópole é dividida pelas zonas: ZL, ZN, ZS e ZO, e depois por bairros.

Cada região tem um representante na Sintonia das Regiões, que é responsável por coordenar as ações do PCC em sua área geográfica específica.

Essa estrutura de organização do PCC permite que a facção atue de forma coordenada e eficiente não só no Estado, mas em todo o país.

Sintonía do PCC no Interior SP

São Paulo tem uma característica diferente de outros estados, ele é dividido em regiões e essas regiões são divididas pelos códigos de área DDD.

As regiões são Vale do Paraíba, Bauru, Sorocaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Litoral… (respectivamente 012, 014, 015, 016, 013…)

Além dessa divisão ainda há a “Sintonia Local” que é responsável por coordenar as atividades do PCC em cada cidade do interior.

Cada cidade tem um representante na Sintonia Local, que é responsável por coordenar as ações do PCC em sua área de atuação.

Todas essas sintonias estão sob a coordenação da “Sintonía Geral Final do Interior SP”

… mil membros pelo interior paulista, discriminado cidade a cidade. Toda a contabilidade empresarial do PCC ali, ao alcance de um clique. Com cifras volumosas. Só em julho entraram na caixa da sintonía do interior exatos…

Allan de Abreu – Cocaína: A Rota Caipira

Outras sintonias dentro da organização criminosa PCC

  • Sintonia do Financeiro – administração de bens e recursos;
  • Sintonia da Cebola ou Sintonía da Caixinha – arrecadação das mensalidades dos batizados;
  • Sintonia das Ajudas ou Sintonía do Apoio – administra o pagamento das cestas básicas ou pensões;
  • Sintonia dos Ônibus – garante transporte para a visita dos presos;
  • Sintonia do Pé de Borracha – administra os veículos da facção;
  • Sintonía dos Cigarros – um dos principais negócios da facção em várias regiões;
  • Sintonia das FM – controle de pontos de drogas que são cedidos a terceiros; e
  • Sintonia Bob Esponja ou Sintonía das drogas – Sintonía das IML que é da cocaína batizada)
  • Sintonia do Cadastro

Curiosidade:

A palavra sintonia é repedita 43 vezes no Dicionário do PCC; 17 vezes no Estatuto do PCC de 2017; e 4 vezes na Cartilha do PCC.

Das Trevas, irmão do Primeiro Comando da Capital na pequena Deodápolis em Mato Grosso do Sul era o Sintonia da Quebrada e do Cadastro, e não só mantinha suas biqueiras como entregava mercadoria para quem não tinha como investir.

Além de tudo o que foi dito, Sintonia também está na Netflix.

Tocha, o elo da facção brasileira PCC na Bolívia

A facção brasileira PCC tem seu elo de ligação com grupos Bolivianos recapturado, mas Tocha é recordista em fugas.

Líder da facção brasileira PCC capturado na Bolívia

O líder da facção brasileira Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), o Tocha, chegou a Santa Cruz de la Sierra na Bolívia no final de 2021 para organizar o tráfico de cocaína para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC, grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

A Polícia Federal brasileira estava em seu encalço porque no dia 14 de setembro ele havia fugido pela terceira vez de um presídio em Pernambuco.

Felipe Edvardo Menezes Iglesias coleciona três fugas no Brasil e duas na Bolívia — agora está na prisão de segurança máxima de Chonchocoro, em La Paz.

leia a narração das fugas de Tocha no artigo de Jaime Iturri Salmão: Torchinha, uno de los cuadros principales del Primer Comando de la Capital

Primeiro Comando da Capital eleito pelos não eleitos

O Primeiro Comando da Capital foi eleito pelos não eleitos como força capaz de lutar contra as injustiças do sistema de Justiça.

Primeiro Comando da Capital e o mundo ideal e pacífico

O Primeiro Comando da Capital foi eleito pela parcela dos não “eleitos” para tensionar a ordem considerada por alguns como sendo a ideal e pacífica.

A organização criminosa PCC 1533 conquistou os corações não apenas do mundo do crime, mas de toda uma parte da sociedade alijada de seus direitos.

Enquanto uma parcela da sociedade defende que os “Direitos humanos para os humanos” — de forma a garantir seus direitos enquanto negá-os à outros.

Quando os “direitos humanos” deveriam ser inalienáveis para todos — não apenas para os “eleitos”, se bem que nunca foi em lugar algum.

Gerciel afirma que o mundo não é ideal e e nem pacífico

Gerciel Gerson de Lima, cujo artigo posto abaixo desse texto, lembra que a pena é um instrumento de vingança e castigo — nós só douramos a pílula.

Alguns tem seus corpos apropriados e dominados e pagam pelos seus erros quando condenados, enquanto outros não, estão acima do encarceramento.

Todos vimos poderosos cometendo crimes e sabemos que ficarão impunes, enquanto nas comunidades periféricas pessoas são aprisionados por quase nada.

Os pesquisadores Álvaro e Renato em seu artigo apontam que a criação do Primeiro Comando da Capital só foi possível graças a essa trágica realidade.

Alvaro de Souza Vieira Renato Pires Moreira
Análise de inteligência: das ações ideológicas disciplinares e correcionais promovidas pelo Primeiro Comando da Capital.

Sonhar é preciso, mesmo para os não eleitos

Essa camada alijada por uma parcela de seus direitos e até de seus corpos passaram a sonhar com paz, justiça, liberdade, igualdade e união.

Assim, a facção paulista foi reconhecida como defensora do sonho desses todos que não foram “eleitos” como estando acima do encarceramento.

Alguns julgam serem eles relevantes para a sociedade e justos, enquanto “outros” seriam aqueles que tensionam a ordem social considerada ideal e pacífica.

A organização criminosa PCC 1533 foi eleita por essa parcela dos não eleitos para sim, tensionar a ordem considerada por alguns como ideal e pacífica.

Cartilha de Conscientização da Família da organização criminosa PCC 15.3.3

Os mais abastados raramente são de fato punidos pela lei

Tem sido usual no seio social, a opinião no sentido de concepção da pena como instrumento de vingança e castigo, assim poucos se lembram de que a finalidade da pena é retributiva, preventiva e ressocializante, conforme consta da própria Lei de Execuções Penais, sendo defendida pela maioria dos doutrinadores, é a teoria da finalidade utilitária da pena, daí a necessidade de vinculá-la à coação, na condição de resposta a algo ou a determinado fato.1

Porém, o que não se pode desconsiderar é que a pena, pelo menos no que diz respeito ao direito penal, é um exercício de poder do homem sobre o próprio homem.

Já fizemos breve exposição sobre a pena, baseada em Michel Foucault, no que diz respeito à questão do suplício, que nada mais é do que uma pena na qual a coletividade se “apropria” do corpo do condenado como forma de dominação e repressão a ações contrárias ao status quo estabelecido àquela época.

É incoerente afirmar que a pena será maior ou menor, mais ou menos intensa, de acordo com o contexto histórico em que é definida e aplicada.

A prisão como forma de protejer as elites

Vera Malaguti Batista2  instrui a questão explicando que “na primeira metade do século XIX, a possibilidade de rebeldia começa a assombrar as elites.

Os números de delitos contra a propriedade aumenta desde o final do s éculo XVIII”, haja vista que “as necessidades da burguesia modelaram amplamente as funções de defesa social do direito penal, e mantiveram as antigas diferenciações de classe da legislação penal.

E completa a autora explicando que a prisão se converte na pena mais importante de todas no mundo ocidental.

Essas penas tomaram diversas formas e gradações de acordo com a gravidade do delito e com a posição social do condenado.

Fica de fácil apreensão, neste contexto, que a pena não atinge a todos de forma igualitária, já que, como exposto anteriormente no caso das prisões, os mais abastados raramente sofrem as conseqüências na prática de determinado ilícito e, assim, a pena não cumpre qualquer papel no que diz respeito à restauração da justiça.

Camila Cardoso de Mello Prando3 complementa o assunto lecionando ser praxe entre os historiadores, que o “controle punitivo se desenvolve em consonância às mudanças estruturais relativas ao novo sistema econômico e político capitalista”, completando a discussão ao expor que “o foco principal recai sobre o surgimento das prisões enquanto punição central desta nova forma de controle.”

Até aqui é possível conceber uma ideia básica a respeito da pena, mas também é necessário entender que, aliada à norma, ela tem a finalidade de tutelar os bens jurídicos garantidos pelo Estado.

Juridiquês para justificar o injustificável

Em outras palavras, seu caráter repressor busca impor aos agentes que compõem o tecido social o alerta de que o desvio de conduta nas normas pré-estabelecidas será punido e, dessa forma, tenta evitar o aviltamento dos referidos bens, mas aqui novamente se torna necessário expor a fragilidade de tal conceito, uma vez que a pena não tem caráter erga omnes, pelo menos no que diz respeito à posição social do criminoso.

Todavia, há que se destacar como fator principal deste tópico o caráter de retribuição e ressocialização da pena. Para isso basta uma simples consulta ao Código Penal brasileiro, especificamente em seu artigo 59, para compreender que:

O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:

I – as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II – a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III – o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV – a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.

Fonte e Biografia

Este texto é um trecho da Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, do Dr. Gerciel Gerson de Lima, sob orientação da Professora Doutora Ana Lúcia Sabadell da Silva do Núcleo de Estudos de Direitos Fundamentais e da Cidadania em 2009 – SISTEMA PRISIONAL PAULISTA E ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS: A PROBLEMÁTICA DO PCC – PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL.

  1. Cf. JAKOBS, Günther; MELIÁ, Manuel Cancio. Direito penal do inimigo: Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. p.22.
  2. BATISTA, Vera Malaguti. Difíceis ganhos fáceis. Rio de Janeiro: Renavan, 2003. p.46.
  3. PRANDO, Camila Cardoso de Mello. A contribuição do discurso criminológico latino-americano para compreensão do controle punitivo moderno: controle penal na América Latina. In: Veredas do Direito.  Belo Horizonte: Escola Superior Dom Helder Câmara, jan.-jun. de 2004. p.79.

Pacificação: a paz entre entre ladrões

A paz entre os ladrões foi conquistado pela pacificação do Primeiro Comando da Capital após o massacre do Carandirú.

A Pacificação PCC como gestora da “paz entre ladrões”

Paz entre ladrões é uma missão impossível, apesar de teóricos imaginarem há milênios formas de controlá-los…

Estamos no ano 1993 depois de Cristo. Todo o mundo do crime está em guerra… Todo? Não! Uma Casa de Custódia povoada por irredutíveis sobreviventes do Carandiru ainda resiste ao opressor.

Se considerarmos apenas nossa realidade recente podemos ver duas experiências bastante distintas: a do Regime Militar e os do Período Democrático:

Conheça a Carta do PCC ao Mundo do Crime de 3 de agosto de 2017

Quem poderá trazer a pacificação ao mundo do crime

Ambos os regimes tentaram cada um a seu modo controlar, sem sucesso, a violência nas comunidades dominadas pelo crime.

… o governo, não conhece a realidade das cadeias, o PCC criou raízes em todo o sistema carcerário paulista.

Nas prisões, diretores ultrapassados, da época repressão, tentavam resolver o problema de maneira que em foram doutrinados: porretes, choques, água fria, porrada…

Não foi suficiente. Em menos de três anos, já eram três mil. Em menos de dez anos, 40 mil.

Carlos Amorim

Álvaro e Renato, policiais e pesquisadores, afirmam que foi aí que o a facção PCC 1533 aproveitou a lacuna deixada pelo poder público.

Análise de inteligência: das ações ideológicas disciplinares e correcionais promovidas pelo Primeiro Comando da Capital — Álvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira

A paz entre ladrões só pode vir de dentro para fora

Aqueles criminosos conheciam e se fizeram ser respeitados nas comunidades em que estavam inseridos: nas carceragens, nas comunidades periféricas e no mundo do crime.

Esses grupos, por milênios, foram excluídos do controle social do Estado, sendo deixados à própria sorte para viverem sob o julgo dos mais fortes.

Nesse meio o Primeiro Comando da Capital assumiu a “gestão da violência”, dentro do conceito aceito do “monopólio do uso da força pelo Estado”.

Gabriel Feltran nos conta que as comunidades periféricas, criminosas ou carcerárias, terminaram se adequando às normas da facção e não colaborando mais com a polícia.

Assim, um modo específico de gestão do uso da violência nas interações entre a polícia e o crime é estabelecido. Não existe agressão física, tampouco troca de tiros ou enfrentamento, mas um conflito ‘contido’ inserido numa esfera de interação discursiva voltada ao alcance de acordos financeiros.

Indaiatuba SP: um exemplo prático da paz entre ladrões

Em 27 de fevereiro de 2012 produzi um dos primeiros artigos onde descrevi a pacificação promovida pelo Primeiro Comando da Capital em uma comunidade periférica:

Edgar Allan Poe ensinava que existia uma forma correta para se açoitar uma criança: devia ser da esquerda para a direita.

O escritor explica a razão:

Todas as pancadas devem ser na mesma direção para lançar para fora os erros, mas cada pancada na direção oposta, soca para dentro os erros.

Talvez ele tenha razão.

Apesar das surras impostas pela sociedade, o tráfico de drogas e o crime se mantêm fortes e robustos.

Passamos pelo Regime Militar e pela Redemocratização e, com lágrimas nos olhos, vejo que não há mais esperança para o problema: falhamos.

Açoitamos a criança em todos os sentidos, e não em uma única direção como Allan Poe orientou.

E em rebento crescido não haverá açoite que possa ser dado pelo sistema policial e jurídico que surta qualquer efeito, o mal feito está feito.

Só nos cabe abaixar a cabeça e apreciar a divisão dos despojos entre os criminosos que se organizaram e se fortaleceram sob nossos próprios açoites.

continua após o mapa…

Diálogo entre ladrões: assim fundiona a paz entre ladrões

Esse diálogo trocado sobre um conflito no Morada do Sol demonstra como a organização criminosa gere os conflitos de maneira natural e com profundo conhecimento:

Edson Rogério França, o “Irmão Cara de Bola”, “Torre” da organização criminosa em Indaiatuba conversa com Willian do bairro Morada do Sol.

Willian Neves dos Santos Vieira, o “Irmão Sinistro”, é soldado da facção criminosa e morador da rua Custódio Cândido Carneiro no bairro:

— O espaço que tem lá na rua 59 é bom, é meu e do Mateus, tá ligado irmão? O irmão Matheus, conhece o Matheus? — pergunta Sinistro.

— Não, não conheci. Você fala o do trailer?

— Não irmão, lá embaixo na 59, lá embaixo, no trailer é o Marcelo, é outro menino, inclusive ele pega mercadoria de ti. — explica Sinistro.

— Não, de mim não. — se defende Cara de Bola.

— O sol brilha para todos, tenho este espaço lá há mais de treze anos. Agora, um menino meu estava precisando de uma força e eu ajeitei um canto para ele fazer a caminhada, e o Cláudio agora está ameaçando matar a mulher dele. Pô, o Cláudio é prá cá, eu sou mais prá lá, pro fundão, sou lá do lado da rua 80 e da rua 78. Já o TG do CECAP é firmeza.

Tribunal do Crime do PCC – o mediador aceito

Eu não conheço o Cláudio, portanto eu não posso afirmar que ele tenha sido açoitado quando criança do lado certo ou errado.

O que sei é que ele também negocia as drogas do Primeiro Comando da Capital e, portanto, deve ter tido as mesmas aulas que os outros criminosos.

Cláudio teve que prestar contas de sua atitude. Ele já estava sem saber em análise por suas atitudes.

Outro dia ele foi mostrar uma pedra de crack para Keiti Luis Von Ah Toyama, o “Irmão Japa”, mas este não gostou, disse que era um pouco melada.

Cláudio explicou que é a mesma que não é a da boa, é da comercial, a mesma que vende em suas lojas:

— Se quer quer, se não quer não quer, é R $10,50 a grama, é pegar ou largar.

Seja como for, as crianças cresceram e aprenderam a brincar sozinhas, agora não adianta mais bater do lado certo e nem reclamar o leite derramado.

Cláudio foi julgado por quem obteve o direito de impor as regras naquele local aproveitando a omissão do Estado.

Conheça o Dicionário do PCC (Regulamento Disciplinar da facção)

Ideologia do Primeiro Comando da Capital

A ideologia do PCC 15.3.3, ou a ideologia da “Família 1533”, é peça fundamental na criação da imagem dessa organização criminosa.

Ideologia PCC: buscando aceitação social

A ideologia do PCC 1533 e a criação de uma imagem forte como um grupo que luta pela “Paz, Justiça e Liberdade” garantiu sua aceitação social.

Como explica István Mészáros em “O Poder da Ideologia”, o termo
Ideologia não deve ser tratada de maneira preconceituosa ou vista através de paradigmas morais.

Mas sim, ancorada e sustentada na consciência de sua aceitação social, — onde, definitivamente, o Primeiro Comando da Capital está ancorado e sustentado.

Facção PCC 1533: pode rir, mas não desacredita não

Muito se subestimou e até hoje se subestima a capacidade intelectual dos integrantes do mundo do crime, mas isso é resultado de um errôneo prejulgamento.

De acordo com estes, os criminosos não teriam capacidade de estruturar uma ideologia e um contrato social capazes de sustentar uma organização criminosa transnacional poderosa.

… Subestimado pelo governo, que não conhece a realidade das cadeias, o PCC criou raízes em todo o sistema carcerário paulista.

Nas prisões, diretores ultrapassados, da época repressão [no regime
militar], tentavam resolver o problema de maneira que em foram doutrinados: porretes, choques, água fria, porrada…

Não foi suficiente.

Em menos de três anos, já eram três mil. Em menos de dez anos, 40 mil.

Carlos Amorim

Mas foi assim, pairando por sobre o descrédito daqueles que deveriam estar atentos ao crescimento e fortalecimento da facção criminosa que o PCC alçou voo.

Pode rir, ri, mas não desacredita, não
É só questão de tempo o fim do sofrimento
Um brinde pros guerreiro, zé povinho eu lamento
Vermes que só faz peso na Terra
Tira o zóio, tira o zóio, vê se me erra

Racionais MC’s

Facção PCC 1533: crescendo sob a descrença

O deputado estadual por São Paulo Afanásio Jazadji tentou de todas as maneiras alertar as forças de Segurança para o crescimento da organização criminosa paulista:

Nossas autoridades das áreas de segurança e sistema prisional não deram crédito àquelas constatações, chegando mesmo a ridicularizar a nós, integrantes da CPI da Assembléia Legislativa que investigava o Crime Organizado no Estado, como se estivéssemos mal informados ou “vendo fantasmas”.

E enquanto isso, a facção criminosa ia crescendo e se fortalecendo.

Ideologia do PCC: aceitação social ou capitalismo puro?

Os pesquisadores Álvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira analisam o crescimento do PCC sob o conceito do metabolismo social de Karl Marx.

Análise de inteligência: das ações ideológicas disciplinares e correcionais promovidas pelo Primeiro Comando da Capital

Já li análises do PCC como ente econômico, mas pesquisadores analisando as liderança da facção sob a lógica da acumulação e expansão contínuas, definitivamente não.

A formação da ideologia estaria vinculada a essa criação de um domínio capitalista do mercado criminal aproveitando-se de mão de obra barata da massa carcerária.

Facção PCC 1533: mecanismo de criação do crime organizado

Um grupo do crime organizado não nasce com propósito criminoso. Pode parecer incrível, mas o Primeiro Comando da Capital está aí para provar essa teoria.

Crime Organizado: que mecanismo o gera?

O Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3) não foi sonhado e criado para ser uma organização do crime organizado.

Tudo começou no cárcere em 1992 com o fato mais bárbaro, cruel, e covarde: o massacre de 111 detentos no Carandiru, por Policiais Militares…

Cartilha do PCC – Conscientização, união e família

No entanto, o sonho de uns virou o pesadelo de muitos em três continentes, mas a culpa não pode ser atribuída aos sonhadores.

O sonho presente na criação do PCC também é o seu maior pesadelo: enfrentar o sistema carcerário que, quanto mais duro, mais forte o torna.

Sistema Penal X Sistema Prisional — Razão X Emoção

Se alguma dúvida restava quanto a esse ponto, tive certeza ainda mais quando li o artigo de Alvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira.

Pois é o que os dois policiais e pesquisadores mineiros dão a entender em artigo publicado na Revista Científica de Segurança Pública da PM-RN:

Análise de inteligência: das ações ideológicas disciplinares e correcionais promovidas pelo Primeiro Comando da Capital.

… não se pode precisar sobre a origem das instituições criminosas. Todavia, algumas organizações surgiram da necessidade das pessoas em se reunir, não objetivando – ordinariamente – a prática de crimes, e sim, como tática para o combate de possíveis desigualdades sociais vigentes, em tese, pactuadas pelo Estado.

Alvaro de Souza Vieira e Renato Pires Moreira

Mas os pesquisadores não se referiram à atuação da Polícia Militar de São Paulo, que com sua ação no Carandiru gerou a facção PCC.

Apesar dos policiais militares negarem a paternidade do Primeiro Comando da Capital, três acadêmicos afirmam que eles são os pais da criança.

PCC um filho indesejado da PM-SP

Tão pouco a direção da Casa de Custódia de Taubaté quando autorizou o jogo de futebol entre os presos que gerou a facção PCC 1533.

… Rato foi morto por Cesinha: a primeira semente jogada ao solo fértil utilizando o método que seria imortalizado na fundação oficial da facção criminosa.

O neoliberalismo e a facção PCC 1533

Na realidade, se refere aos fundadores do Partido do Crime da Capital (PCC), que desceram para campo naquela tarde de chuva em 1991, no Piranhão.

Aqueles oito presos entraram em campo capitaneados por José Márcio Felício, o Geleião, para defender o time da Capital contra o time do Partido Caipira.

Sob fortes provocações mútuas, tais como “Eu vou beber teu sangue”, a rixa inicial degenerou em um briga sangrenta na qual cabeças rolaram (literalmente).

Afinal, quanto mais sangrento, o simbolísmo da ruptura passa a ser mais marcante e duradouro.

Organização criminosa PCC: uma parto difícil

Como afirmaram Álvaro e Renato, aqueles homens não começaram aquele dia o mais poderoso grupo do crime organizado sul-americano com o objetivo criminoso.

Chegaram para aquele jogo após uma série de crimes cometidos pelo Estado e seus representantes e, naquele dia, com a conivência da direção do Piranhão.

… e saíram dos presídios passando a aplicar fora das muralhas o que aprenderam lá dentro:

“sozinhos somos fortes, unidos somos invencíveis”, “todos contra um”, e “até a última gota de sangue”.

Tudo para defender os irmãos contra a opressão do Estado.

Pesquisa sobre o Primeiro Comando da Capital

Crime organizado uma como soma de erros

A direção imaginou que os “Caipiras” eliminariam os remanescentes do Massacre do Carandiru, sepultando de vez os rebeldes que buscavam melhoria nas condições carcerárias.

… já atuando como advogado foi possível constatar in loco, a situação de calamidade por que passam as instalações e condições carcerárias do sistema penal.

O PCC como fruto das condições carcerárias.

Deu errado. A Polícia Militar de São Paulo, a diretoria do presídio, e aqueles oito presos não pretendiam, mas criaram o Primeiro Comando da Capital.

Afinal, se Georges Balandier teorizou, foi o octógono de Geleião que tornou real as imagens, as construções simbólicas e as narrativas míticas da facção PCC.

Tudo começou naquele jogo, mas os elementos construtivos da dominação foram se agregando: a sua fundação, o batismo e as execuções de inimigos e traidores.

A História lentamente se desenrola diante de nossos olhos. Precisamos apenas olhar e compreender de onde vêm e para onde vai e que mecanismo move.

Aniversário 55 anos de Marcola do PCC

No aniversário de 55 anos de Marcola do PCC, republico uma matéria antiga sobre o líder do Primeiro Comando da Capital.

Marcos Willians Herbas Camacho: mito ou realidade?

Neste ano de 2023, Marcola completa 55 anos bem vividos. Ele mudou o Brasil ao estruturar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3).

Foi ele que trouxe para dentro da facção conceitos como a pacificação e a união dos criminosos para trabalharem pelo progresso comum.

Muito falei sobre ele nesses 11 anos de publicações nesse site fiz dezenas de textos, mas qual será o futuro desse líder? Será que ainda lidera?

No entanto, hoje só passo aqui para lembrar a data e para isso estou repostando esse antigo texto publicado originalmente no dia 13 de março de 2017.

Comentando sobre o mito Marcola

Quem são de fato o Marcola e o Gegê do Mangue entre outros líderes do Primeiro comando da Capital PCC 1533?

Hoje é quase impossível separar o mito da realidade, e quem criou esses personagens idolatrados por multidão de fãs por um lado e odiado por outros tantos.

Ludimilla de Lima em um trabalho para a Universidade do Rio de Janeiro chamada “Construção de mitos da criminalidade sob a luz da imprensa carioca” parece ter achado a resposta.

O Marcola da imprensa é real?

O Marcola que conhecemos através da imprensa ou das conversas é um mito, isso é, ele é apenas uma representação exagerada pela imaginação daqueles que contam sua história e relatam seus feitos.

Mas existe algo de real sobre o qual esse mito foi criado e principalmente, essa personalidade criada é aceita por um ou mais grupos de pessoas.

Os deuses da antiguidade greco-romana eram como Marcola, não eram perfeitos, não eram santos, todos tinham seus pontos fortes e pontos fracos.

Marcola preso no Tártaro

Marcola está preso em uma das cavernas do Tártaro, o Mundo Inferior, mas assim como Hades, fez do mundo dos mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo e da sociedade são enviados e onde são castigados por seus crimes, o seu reino, no qual criou um exército que assusta o mundo dos humanos e atemoriza os deuses e governantes.

Mito e realidade se cruzando. A mesma história que foi contada no passado é agora novamente contada, coube a imprensa através dos jornais e da televisão, com boa parte de ajuda do governo e da internet a criação desse novo mito.

E mitos não morrem, pior, com a morte daqueles que os encarnam eles se imortalizam e se fortalecem. Antes de Marcola e seus parceiros PCCs, Fernandinho Beira-Mar e seus CVs, houveram muitos outros no Brasil: Lúcio Flávio, Cara de Cavalo, EscadinhaBandido da Luz Vermelha, entre outros.

A grande diferença é que os novos mitos são fortalecidos por não serem isolados, mas pertencerem e liderarem homens fortes e dispostos a morrer.

Marcola não é Hércules

Eles não são como Hércules que enfrentam os inimigos sozinhos, mas sim como Leônidas o general que comandou os 300 contra o grande exército persa de Xerxes. Poucos homens em desvantagem numérica, econômica, e militar, assim como os soldados do PCC e CV, contra um grande governo opressor.

Novamente o mito parece renascido e pode ser claramente visto. O mito foi criado pela imprensa, acolhido pela sociedade em sua cultura e agora imortal continua sendo alimentado pelo tráfico de drogas e passou a ter papel preponderante na política e sobre a própria sociedade que a criou. Bem, durmam todos com essa história e tenham bons sonhos.

Nota oficial do Primeiro Comando da Capital: sem paz com o CV

É verdade que houve um acordo entre as facções rivais: PCC e CV?

Através das redes sociais, o Primeiro Comando da Capital (facção PCC) divulga nota desmentindo o relatório da Polícia Federal, divulgada pela UOL, que alertava para a formação de uma aliança entre as organizações criminosas PCC e Comando Vermelho (CV) para atacar autoridades públicas.

☯ PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL🇧🇷 ☯
NOTA ESCLARECEDORA
  1. Nós do PCC, viemos deixar claro que não temos e nunca teremos nenhum tipo de aliança com Comando Vermelho, não existe a mínima chance de uma coisa dessas acontecer.
  2. Seria fora da ética PCC fechar aliança com o Comando Vermelho, esquecendo quanta mães de famílias, crianças, irmãos de sangue, e cidadãos eles assassinaram, e também nossos eternos irmãos, heróis que lutaram na guerra e acabaram caindo em prol de melhorias para todo o crime.
  3. Sabemos que o Comando Vermelho tem aliança com a Polícia Militar, Civil, e Federal, e também com os governos e diretores de penitenciárias.
  4. Eles usam dessas alianças para tentar prejudicar nossa Família PCC 1533, sem saber que a nossa luta e a nossa ideologia são exatamente contra essa raça opressora, que cada gota de suor e de sangue que estamos derramando é para que tenhamos um crime com ética em cima do justo, certo, e correto.
  5. A Família PCC completou 24 anos de luta em todo Brasil e outros países. Somos a facção mais perseguida dentro do Sistema porque batemos de frene com qualquer tipo de opressão que nossos integrantes ou nossos familiares possam sofrer.
  6. Mais uma vez o Comando Vermelho fechou acordo com diretores dos presídios federais e estaduais para terem visitas enquanto todos os outros criminosos do Brasil que estão sofrendo nesses presídios não tivessem visitas. É muita coincidência o PCC ser acusado de matar agentes federais e sofrer opressão nos presídios enquanto o CV tem privilégios nesses presídios federais se diferenciando dos demais criminosos tendo suas visitas asseguradas pelo governo.
  7. O Primeiro Comando da Capital é puro e verdadeiro e mesmo aqueles que nos acusam, reconhecem nossa luta contra a opressão e o governo que é clara e objetiva dentro de todos os estados e sem nunca se esconder.
  8. Agradecemos a todos os criminosos do estado do Ceará por juntar as forças, lutando nas ruas contra o Comando Vermelho. Sabemos quão é grande o mal que sofremos com eles aqui no estado e vamos todos juntos acabar com todos eles.
  9. Comando Vermelho, vocês e seus aliadados, policiais, diretores de presídios, e governo, não fiquem inventando mentiras, porque nascemos para combater vocês e estamos lutando contra todos.
☯ PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL – 24 ANOS DE LUTA CONTRA OPRESSÃO E OPRESSORES – PCC 1533 ☯

Estaremos firmes e fortes a cada dia até derrubar o último de vocês, pois somos o Primeiro Comando da Capital – 1533.

Metodologia para o combate ao crime organizado e a facção PCC

Ciências Sociais estudando o fenômeno Primeiro Comando da Capital facção PCC 15.3.3

PCC 15.3.3 pesquisada pelo mundo

Vou propor um tema para ser estudado pelos acadêmicos: como o fenômeno Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) atrai pesquisadores dos diversos segmentos da ciência de maneira diversa em cada país?

Eu leio em torno de vinte trabalhos acadêmicos por mês, publicados nos mais diversos países e línguas que tratam ou citam o Primeiro Comando da Capital. Chama a atenção o fato de que, no Brasil, esses estudos são produzidos por sociólogos, psicólogos, antropólogos, pedagogos e até por teólogos.

Sendo o PCC 15.3.3 uma organização criminosa transnacional, não seria natural que quem estudasse esse assunto estivesse ligado às ciências criminais, como o direito ou a segurança pública? Li alguns trabalhos feitos no Brasil por profissionais dessas áreas, mas são poucos perto da enxurrada daqueles oriundos de outras ciências sociais.

Fora do Brasil isso não acontece: os trabalhos elaborados que citam o Primeiro Comando da Capital são ligados ao direito penal e carcerário, e no geral são brilhantes. Hoje apresento a tese de doutorado do colombiano Augusto Castañeda Díaz:

La Represión Penal del Crimen Organizado: Estrategias metodológicas para judicializar graves violaciones a los derechos humanos, para a Faculdade de Direito da Universidad Santo Tomás, de Bogotá.

A academia teme falar sobre o crime organizado

Bem, de cara a universidade tira o corpo fora:

“La Universidad Santo Tomás no tiene la intención de dar cualquier aprobación o desaprobación de las opiniones expresadas en esta tesis. Estas opiniones deben ser consideradas como propias de su autor.”

Se ela não endossa o cara, não serei eu a fazê-lo. O que posso dizer é que ele fala pouco, quase nada, sobre o Primeiro Comando da Capital, algo que em suma é isso:

“O PCC é uma organização criminosa focada em suas atividades econômicas e no controle territorial, e para isso utiliza-se de intimidação social, e criação e fortalecimento das conexões políticas. Possui aproximadamente 6.000 membros e tem como base as favelas de São Paulo, controlando de forma brutal a vida carcerária, ditando as lei nos cárceres e, se algum preso se opuser, pode perder a cabeça, literalmente. As ações incluem sequestros, incendiar ônibus, bancos e edifícios públicos, atacar a polícia e criar o caos por onde passa.” (tradução minha)

Díaz explicou que a razão pela qual falou tão pouco sobre o PCC foi que ele concentrou-se na criação de “estratégias gerais de como prever dentro das normas jurídicas” os crimes praticados pelos diversos tipos de grupos criminosos (gangues de rua, facções criminosas, ou grupo paramilitares), focando-se nas raízes metodológicas da investigação jurídica e do processo penal.

O autor afirma que não se preocupou em exemplificar crimes específicos, nem se preocupou em explicar e detalhar a lógica das atividades das organizações criminosas, mas apenas citar a natureza dos comportamentos, objetivos, e métodos, para permitir que o leitor de seu trabalho seguisse com ele o caminho pelo qual chegou às suas conclusões.

A Universidade não pôs a mão no fogo por ele, eu também não o farei, mas são 422 páginas de conteúdo jurídico de qualidade, nas quais o autor não fica por metade do trabalho repetindo velhos conteúdos e citações, se perdendo em contar histórias do dia a dia, mas, sim, foca-se em propor soluções práticas, embasadas em conhecimento jurídico.

Os turistas russos e a caça à Máfia Russa no Brasil

Máfia russa no Brasil, depoimento de um preso no Amazonas

As operações de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro da Máfia Russa no Brasil, até o momento, não passam de uma suposição, que transformou nossos policiais federais em agentes “russofóbicos”, e a vida dos turistas russos um inferno. Pelo menos é o que afirma o empresário e aventureiro Moris Wind ou Artemiy Semenovskiy (Артемий Семеновский).

Encontrei uma pérola sem preço: Рycckий Кokaиh b Бpaзилии – Рaзoблaчaem ЛoжЬ (Cocaína russa no Brasil – Explicando as mentiras), cujo autor se auto denomina representante do CPLCRB (ОКОРГБ). Sei que você sabe que o CPLCRB é o Comitê Público para a Libertação dos Cidadãos Russos no Brasil, então nem preciso te dizer.

A maneira como ele escreve me agrada, é como se estivesse contando um caso. O que deve ser novidade para os russos, para nós é uma velha história: como nasceu, e onde chegou o Primeiro Comando da Capital. Artemiy Semenovskiy não economiza tintas de cores fortes para descrever o PCC, o sistema carcerário brasileiro, e a Polícia Federal:

“Paroxismo engraçado: o próprio poder gerou e criou seu inimigo mais terrível, porque o PCC surgiu como uma reação ao caos da polícia, à desumanidade do sistema prisional, à indiferença de juízes e funcionários.” — até o russo já percebeu isso, mas nós queremos insistir mais no mesmo caminho para ver se chegaremos a um destino diferente.

Artemiy se interessa pela política brasileira, mas não parece ter uma ideia clara do que acontece por aqui, apesar de estar mais bem informado que eu — enquanto eu o entrevistava, ele comentou que a Dilma estava em St. Petersburgo. Eu fui conferir, e: “Dilma, na Rússia, ressuscita slides e se irrita com tradução de sua palestra”.

 

Governos desmoronando e uma polícia perdida e desmotivada, sem ter como controlar a criminalidade, pois prender um indivíduo significa colocá-lo dentro de uma organização criminosa na qual ele poderá determinar a morte do próprio policial que o prendeu. É assim em todos os estados, só muda a sigla da facção, e a virulência da gangue. — é a avaliação de Artemiy.

Nós brasileiros não aprendemos com o passado, mas Artemiy Semenovskiy, que é russo, vê aqui o que já aconteceu em sua terra com Lênin, ou na Alemanha com Hitler: a necessidade de um bode-expiatório. Para Artemiy a bola da vez são as facções criminosas, de preferência o PCC, mas para que o plano seja perfeito é preciso que o inimigo seja externo:

A Máfia Russa — cumpre duas funções: o inimigo externo, que não pode ser tocado e nem mensurado. E o atual governo ainda pode acusar o anterior de conspirar com a Rússia, pois os governos Lula e Dilma tentaram aproximação com o país. O inimigo perfeito, pois até os PCCs, por fazerem parte da sociedade brasileira, têm seus defensores.

Em uma campanha eleitoral o mérito das propostas dos candidatos não fará diferença, mas sim o poder de vender a ilusão que o inimigo imaginário possa ser contido, e para isso qualquer governo pode atacar um grupo minoritário. Para Artemiy a escolha já foi feita: desta vez serão as pessoas presas no sistema penal, e os russos.

Quando me deparei com o texto desse russo, achei que era um garoto que estava criando uma teoria da conspiração com o seu Comitê Público para a Libertação dos Cidadãos Russos no Brasil (CPLCRB), mas depois de dois dias de intensa pesquisa vi que realmente o cara ficou preso em Manaus e tem conhecimento de causa.

Agora, cabe a você analisar com o seu conhecimento, somado aos dados passados por Artemiy, e concluir se ele realmente tem razão, total ou parcial, nas conclusões as quais chegou. Quanto a mim, outro dia volto aqui para contar as aventuras e desventuras passadas por ele nesse caso, assim como de outros russos que estão presos no Brasil.

 

 

Russos presos pedem indenização de 7,7 milhões