Carta de um preso arrependido

Não julgueis e não sereis julgados”, diz taxativamente Jesus. “Pois, vós sereis julgados com o mesmo julgamento com que julgardes; e sereis medidos, com a mesma medida com que medirdes”

Mateus 7, 1-2

No entanto, passados dois mil anos, não vencemos a tentação de julgar a todos, e não seria diferente em relação a Baianinho.

Conheço Baianinho desque criança pequena. Ele e seus irmãos viviam nas ruas do Centro pedindo dinheiro e se divertindo muito.

Temo dizer que por mais neutro que tente eu ser, eu sempre tomo partido. Creio que todos somos assim.

Ele me mandou essa carta de dentro da tranca que passo para vocês, para saber o que ele sente e o que eu sinto.

Como Baianinho caiu

Domingo, 16 de agosto – 19:36 horas
Droga Raia Vila Nova, Rua Prudente de Moraes 270, Itu SP

Baianinho assalta a drogaria e foge a pé em direção ao Jardim Aeroporto, mas é abordado e preso.

Baianinho confessa o crime e se diz arrependido, mas como ele já tinha furtado até a Igreja de Cristo e tinha muitas passagens, acabou preso.

A carta de Baianinho

… sou réu confesso e estou ciente do que fiz.

Tenho uma família maravilhosa, estruturada, carinhosa que sempre me deu conselhos, que sempre me ajudou nas horas mais difíceis.

Também tenho uma filha que Deus me deu de presente, linda, cheia de saúde e muito amorosa e que sente muita falta de mim, ela só tem três anos de idade.

Amo muito essa criança, só queria mais uma oportunidade de provar que sou capaz de largar as drogas e criar esta criança.

Estou com 26 anos, 10 anos da minha vida joguei fora no mundo das drogas, e agora passando por isso, vi que não compensa, pois só quero voltar para minha casa e lutar, pela minha filha.

Eu não estava junto com a minha filha sexta, sábado e domingo.

Hoje sinto muitas saudades dessa criança, que ela chora pedindo pelo ‘meu paizinho’.

Eu quase não agüento a dor no coração, parece uma faca cravando no peito.

Vou procurar uma medida de tratamento. Está sendo muito difícil ficar longe das pessoas que amo.

A minha família é evangélica e muito espiritual e não merece passar por tanta humilhação de estar me visitando nesse lugar.

Por favor, preciso de uma chance.

Não serei eu quem vou condená-lo e nem inocentá-lo, e só passo para vocês verem o que ele sente e o que eu sinto.

Contratar matador de aluguel do PCC ou assassino do PCC

Este artigo aborda os riscos de contratar supostos matadores de aluguel do PCC e como evitar golpes relacionados. Serão discutidas histórias reais de pessoas enganadas e as ações adequadas a serem tomadas em caso de suspeita de uso indevido do nome da facção.

Matador de aluguel: precauções e riscos

Ao considerar contratar um matador de aluguel, é importante lembrar que muitos golpistas se aproveitam do nome do Primeiro Comando da Capital, a facção PCC 1533.

Aqui, neste site, aproximadamente 25% dos contatos são de pessoas buscando um matador de aluguel. No entanto, contratar um através de um site pode levar a ser vítima de extorsão.

Perfil dos matadores de aluguel do PCC

Os matadores de aluguel, também chamados de “pistoleiros”, são membros ou associados do PCC 1533 contratados para realizar assassinatos. Frequentemente, esses crimes são motivados por disputas internas, vingança ou retaliação. Esses matadores são temidos por sua rapidez, precisão e brutalidade.

Histórias de golpes envolvendo o PCC

É comum o uso indevido do nome do Primeiro Comando da Capital em golpes. Assim como Aline, muitos já foram enganados. Por isso, é importante sempre estar alerta. Ninguém cai em um golpe intencionalmente, e todos nós somos suscetíveis a erros e armadilhas.

Cuidado, não se engane, muitos utilizam o nome da facção para enganar, mas aí, Ricardo Araújo Pereira me mostrou o absurdo que seria isso.

Casos reais de golpes e armadilhas

Para ilustrar a realidade desses golpes, compartilharemos dois casos. Um narrado por Aline e outro testemunhado pessoalmente. Em ambos, o nome da facção paulista foi usado para impor força e respeito, mostrando a importância de se manter atento e cuidadoso ao lidar com essa questão.

O falso matador do PCC 1533

Matador de aluguel: A história de Aline

Aline decidiu eliminar alguém que a ameaçava e, sem envolvimento no crime, procurou um matador profissional no Google. O primeiro resultado foi um site chamado matadordealuguelprofissional.tk, que oferecia o serviço por R$5.000 com garantia de anonimato. Apesar de parecer um golpe óbvio, é importante lembrar que todos nós podemos ser enganados de diferentes maneiras.

A relação entre golpes e a facção PCC

Muitas pessoas acreditam que podem usar a força do PCC para se vingar após caírem em golpes. No entanto, não é assim que funciona. Ninguém neste site possui ligação com a facção paulista, e mesmo que tivessem, o Dicionário do PCC estabelece punições apenas para membros que utilizam inadequadamente o nome da organização.

33. Mau exemplo:

Fica caracterizado quando o integrante foge do que rege a nossa disciplina, não passando uma imagem nítida da organização, quando se coloca como faccionário diante da massa, desrespeitando e agindo totalmente oposto ao que é pregado pela facção.

Punição: exclusão e fica sendo analisado pela irmandade local e pela Sintonia.

Regimento Disciplinar do Primeiro Comando da Capital

O artigo 33 do Dicionário do PCC descreve a punição para membros que desrespeitam a organização, mas essa regra não se aplica a golpistas não afiliados. Portanto, o PCC não se envolverá nesse tipo de questão. Aline também não recorrerá à polícia, já que pagou por um assassinato não realizado.

Golpes e consequências

Assim, o site fraudulento continuará ativo, hospedado em um provedor na Oceania, e vítimas desavisadas continuarão depositando dinheiro na conta do golpista em uma agência do Itaú na Avenida Paulista. A história de Aline serve como alerta para todos que buscam matadores de aluguel e os perigos envolvidos nessa escolha.

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Matador de aluguel: Viagem ao Paraguai

Aventura no Paraguai

Há alguns anos, um conhecido fechou um negócio lucrativo no Paraguai, e ansioso, compartilhou comigo. Cético, comecei a questionar a situação. Em setembro do ano passado, iniciei minha viagem rumo a Foz do Iguaçu, ansioso para ver as cachoeiras.

Desfrutando da jornada

No caminho, parei em Maringá, perto da Catedral, para almoçar e aproveitar o passeio. Se tudo ocorresse conforme o planejado, o conhecido chegaria a Foz de avião no mesmo dia e ficaria no mesmo hotel que eu.

Monitoramento e precauções

Embora não tivéssemos contato direto em Foz, já estava rastreando seu aparelho há dois dias. Os fornecedores buscariam meu conhecido no hotel e o levariam a algum lugar em Pedro Juan Caballero. Minha função era segui-lo à distância e, se necessário, tentar garantir sua segurança neste mundo perigoso.

Compras de armas e drogas no Paraguai PCC

Matador de aluguel: Todos nós somos enganados

As armadilhas da vida

Após almoçar em Maringá, soube que a operação havia sido cancelada. Wagner Amantino Maciel, um importante membro da facção, foi encontrado morto após uma emboscada no Paraguai. Se até ele, envolvido em complexas operações do Primeiro Comando da Capital, foi traído, quem somos nós para escapar?

Lições de ingenuidade e traição

Aline agiu ingenuamente ao contratar um matador de aluguel pela internet. Quem burla a lei, como Wagner, pode ser enganado e morto. Acreditamos na lei do retorno, mas somos todos iludidos por políticos a cada dois anos. Roubados e vitimados pela criminalidade e falta de serviços básicos, enfrentamos um mundo cruel.

Ricardo de Araújo Pereira ser enganado pcc 1533

A lista de Ricardo Araújo Pereira

O cronista da Folha, Ricardo Araújo Pereira, menciona alguns motivos pelos quais não se deve aconselhar calma a quem a perdeu. Eu não vou deturpar suas palavras, mas vou usá-las para mostrar por que não devo dizer que você não deve acreditar em alguém que se diz PCC:

  1. Cair em um blefe não depende de nossa vontade. Raramente acreditamos em um golpe porque queremos. “Vou ser enganado agora, que legal” ou “eu vou fazer um grande negócio, parece até enganação, vou arriscar só para conferir”. Não é a razão que estará no comando da pessoa, mas sim a emoção, e meus argumentos não têm o poder de influir nas decisões emocionais de ninguém.
  2. A pessoa que recomenda o cuidado se sente superior àquela que está sendo aconselhada e, no geral, nem se dá conta das inúmeras vezes em que foi enganada em sua vida.
  3. É fácil dizer a alguém que é um absurdo comprar drogas e armas de um novo fornecedor ou contratar um matador de aluguel pela internet quando não se tem uma ameaça à sua vida ou à de seus familiares, no aconchego do lar e lendo um texto na internet. Só quem já passou por momentos de desespero, nos quais a razão se cala diante da emoção, pode julgar os desafortunados.
  4. Existem alguns cartazes dizendo que se deve tomar cuidado, mas “nenhum conselho digno de ser seguido é formulado num meme”.

Ah! Antes que me esqueça, o acordo com aquele fornecedor de Pedro Juan Caballero, com quem meu colega deixou de fazer negócios, não era uma armadilha. Outro conhecido se arriscou mais e acabou fazendo bons negócios ― até que a casa caiu por outros motivos.

Análise de IA do artigo: Contratar matador de aluguel do PCC ou assassino do PCC


Análise factual e de precisão

📌 Dados factuais
  • O artigo afirma que há um modelo de golpe em que sites falsos oferecem “matador de aluguel do PCC”, cobrando valores como R$ 5 000, usando suposto anonimato; muitos contatos no site são de pessoas buscando contratar assassinato (~25 %).
  • Relata o caso fictício ou narrativo de “Aline”, que buscou assassino via Google, acessou site, pagou, mas só foi extorquida.
  • Menciona que o PCC não é responsável por isso, e que o “Artigo 33” do Regimento Disciplinar pune membros que usam indevidamente o nome do PCC, mas não se aplica a golpistas não afiliados.
  • Um segundo relato descreve uma viagem ao Paraguai, com menção à morte de “Wagner Amantino Maciel”, suposto membro do PCC traído e assassinado no Paraguai, com a narrativa de risco e traição.
  • O autor declara que não tem vínculo com o PCC, que o site já foi tirado do ar, e alerta que muitos pedidos continuam chegando para contratar assassinato ou suicídio assistido por extorsão.
🔍 Comparação com informações independentes verificadas
  1. Golpes ligados a suposto “matador do PCC” são frequentemente reportados por autoridades, e caracterizam extorsão ou charlatanismo, não contratos genuínos com faccionários. A ideia de contratação online de assassinato é improvável em grupos criminais do porte do PCC. Há relatos de extorsões reais em que golpistas exigem dinheiro fingindo conexão com facções.
  2. A presença real do PCC no Paraguai é bem documentada: o PCC expandiu sua atuação no país como rota logística e força criminosa na fronteira, mas não há evidência de venda de serviços de exterminação via internet. Operações no Paraguai focam tráfico de drogas, armas, contrabando, e ações violentas, mas de natureza corporativa ou territorial, não “serviços sob encomenda” via site.
  3. O caso da “Patroa do PCC”, Elaine Souza Garcia, e sua relação com assassinatos encomendados mostra que o PCC tem envolvimento real com “matadores de aluguel”, porém dentro de estrutura hierárquica e operacional, não comércio aberto e público via páginas web. Esse tipo de arranjo é investigado pela polícia e tem confirmação documental, mas não semelhante ao formato exposto no artigo.
  4. A jurisprudência jornalística (Folha, ND Mais) inclui casos de pessoas presas por contratarem assassinos de aluguel (por recurso financeiro, herança etc.), mas raramente há conexão com facções; trata-se de crime privado com executores avulsos, não PCC.
✅ Conclusão factual e análise de precisão
Elementos factuais plausíveis:
  • Golpes que usam o nome do PCC como fachada para extorsão.
  • Pessoas realmente buscando “matador de aluguel” via internet e sofrendo golpes financeiros.
  • A facção só pune membros que usam seu nome indevidamente, segundo seus regimentos internos.
Elementos factuais sem comprovação:
  • A história detalhada de “Aline” e seu pagamento por assassino de aluguel – não há fonte externa que confirme esse caso.
  • A narrativa de “Wagner Amantino Maciel” morrendo no Paraguai – não há registro público ou policial oficial correlato.
  • Proporção de “25 % dos contatos do site buscando matador” – não há dado externo ou estatística independente que valide esse percentual.
Conclusão:

O artigo se baseia na lógica de golpes reais em que o nome do PCC é cooptado por estelionatários, o que é concretamente verificado nas investigações policiais. No entanto, as histórias específicas narradas—Aline, viagem ao Paraguai, morte de Wagner—são relatos não corroborados por fontes confiáveis ou investigações externas. Portanto, a parte geral de alerta ao golpe é legítima, mas os detalhes narrativos devem ser interpretados como indício ou dramatização, não como eventos comprovados.


Análise Aprofundada sobre a Alegada Oferta de Assassinos de Aluguel pelo Primeiro Comando da Capital (PCC)

Resumo Executivo

Este relatório apresenta uma análise aprofundada do artigo “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC”, publicado no site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org, contrastando suas alegações com dados verificados de fontes acadêmicas, governamentais e jornalísticas. A análise visa determinar a veracidade das afirmações sobre o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em assassinatos por encomenda para terceiros e contextualizar essa atividade no panorama do crime organizado brasileiro.

Embora os documentos formais do PCC não corroborem a existência de um “Artigo 33” ou de uma política oficial de oferta de serviços de matadores de aluguel para não-membros, há evidências jornalísticas, como a entrevista de um matador de aluguel que se declara afiliado ao PCC, que sugerem a atuação de indivíduos ligados à facção nesse mercado. O PCC, comprovadamente, utiliza a violência letal para disciplina interna e em disputas territoriais. O mercado de matadores de aluguel no Brasil é uma realidade, com ofertas inclusive online, e suas motivações são diversas, indo além das dinâmicas das facções.

A complexidade da atuação do PCC, que mescla um discurso de “resistência” com práticas brutais, e a crescente digitalização do crime organizado, exigem abordagens multifacetadas para a segurança pública. A disseminação de informações ambíguas ou falsas sobre o crime organizado online representa um desafio significativo para a compreensão pública e para as estratégias de combate.

1. Introdução: Contexto e Objetivos da Análise
1.1 Apresentação do Artigo Alvo e do Site

O foco desta análise é o artigo “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC”, datado de 14 de fevereiro de 2023, e acessível através da URL https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/2023/02/14/contratar-matador-aluguel-assassino-pcc/. Este artigo constitui o objeto central da investigação, cujas alegações são minuciosamente examinadas.

O artigo está publicado no domínio faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org. Este site se descreve como um “Site de notícias, estudos, artigos acadêmicos, fatos, histórias, e estatísticas referentes à facção paulista”. Essa autodefinição sugere uma plataforma dedicada à análise e divulgação de informações sobre o PCC, o que exige uma avaliação cuidadosa de sua credibilidade e propósito.

Ricard Wagner Rizzi, o autor do site, faz uma declaração explícita e crucial: “Este site, seu autor, e seus colaboradores não possuem nenhuma vinculação com a facção Primeiro Comando da Capital PCC”. Rizzi tem um histórico de escrita sobre histórias policiais e, notavelmente, conseguiu se integrar a grupos de WhatsApp do PCC, o que lhe permitiu obter informações de primeira mão antes de ser excluído devido aos riscos inerentes a essa proximidade. A dualidade entre o acesso a informações internas e a negação de afiliação é vital para a interpretação de seu conteúdo.

Tentativas de realizar uma busca WHOIS direta para o domínio faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org resultaram na mensagem “This website is inaccessible”. Essa inacessibilidade, embora não impeça a análise do conteúdo já extraído, adiciona uma camada de opacidade à infraestrutura do site e à identidade de seus operadores. A escolha de um domínio que sugere uma afiliação direta com o PCC, combinada com um aviso explícito de desvinculação e a dificuldade em rastrear a propriedade do site, cria um perfil de credibilidade complexo e ambíguo. O site não atua como um canal de comunicação oficial do PCC, nem como uma plataforma acadêmica ou jornalística puramente desvinculada. Em vez disso, ele ocupa um espaço intermediário, disseminando informações sobre o PCC, possivelmente extraídas de fontes internas genuínas, enquanto se distancia legalmente da organização. Essa abordagem pode ser uma salvaguarda legal para o autor ou uma estratégia para evitar a atenção direta das autoridades. A opacidade do registro do domínio reforça a necessidade de cautela ao avaliar o conteúdo, sugerindo um esforço deliberado para ocultar a identidade do registrador, prática comum em domínios que tratam de assuntos sensíveis ou ilícitos. Para os propósitos deste relatório, o conteúdo do site deve ser tratado com um alto grau de escrutínio, pois as afirmações nele contidas não podem ser aceitas como pronunciamentos oficiais do PCC, mas sim como informações filtradas por uma terceira parte não afiliada, embora aparentemente informada.

1.2 Metodologia de Análise e Fontes de Dados

A metodologia empregada nesta análise é fundamentalmente crítica e comparativa. Inicia-se com uma dissecação detalhada das alegações contidas no artigo-alvo. Em seguida, essas alegações são sistematicamente contrapostas a um corpus de dados provenientes de fontes consideradas confiáveis e verificadas.

Para garantir a robustez da análise, foram consultadas diversas categorias de fontes: estudos acadêmicos sobre a estrutura, ideologia e atuação do PCC, que fornecem um embasamento teórico e empírico sobre a facção; relatórios oficiais de organizações internacionais, como o relatório da UNODC sobre homicídios, e dados do governo federal brasileiro sobre segurança pública, que oferecem estatísticas e análises macro; e reportagens investigativas de veículos de imprensa reconhecidos por seu jornalismo investigativo, como Jovem Pan, R7, O Povo e Band, que trazem informações sobre casos específicos e tendências criminais.

2. Análise do Artigo “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC”
2.1 Principais Alegações e Conteúdo

O título do artigo, “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC”, sugere diretamente que o Primeiro Comando da Capital oferece serviços de assassinato por encomenda. A implicação é que a facção atua como um provedor de violência letal para clientes externos, além de suas operações internas e disputas territoriais. Embora o conteúdo específico do artigo não esteja detalhado nos dados fornecidos, o contexto da consulta (“Contraponha com dados disponiveis em seu banco e com informações de fontes confiáveis na internet”) sugere que o artigo possa fazer referência a um suposto “Artigo 33” do PCC. A existência desse “Artigo 33” implicaria uma regulamentação formal dentro da facção para a oferta de tais serviços, conferindo-lhes uma base “legal” interna.

2.2 Linguagem, Propósito e Implicações

Sem acesso direto ao texto completo do artigo, infere-se que a linguagem utilizada é provavelmente direta e potencialmente sensacionalista, dada a natureza do tema e o título provocativo. O tom pode variar entre informativo e alarmista, visando capturar a atenção do leitor.

O propósito primário do artigo parece ser o de informar, ou desinformar, o público sobre uma suposta faceta da atuação do PCC. Isso pode ter múltiplos objetivos, como amplificar a imagem de poder da facção, reforçando a percepção do PCC como uma organização onipresente e capaz de oferecer uma gama diversificada de “serviços” criminosos. Outro objetivo pode ser atrair audiência, capitalizando sobre o interesse público e a curiosidade em torno de organizações criminosas e crimes violentos. Mesmo com o aviso de não afiliação, a publicação de tal conteúdo pode, inadvertidamente ou intencionalmente, servir como uma forma de propaganda indireta para a facção, projetando uma imagem de eficiência e alcance.

A ausência do texto completo nos dados fornecidos impede uma análise direta de chamadas explícitas para ação ou oferta de serviços. No entanto, o título por si só (“Contratar Matador de Aluguel”) já sugere uma oferta implícita ou explícita de serviços, mesmo que seja apenas para fins de reportagem ou dramatização. A existência de um artigo com tal título em um site que se apresenta como fonte de notícias sobre o PCC, mesmo negando afiliação, reflete a complexa dinâmica de disseminação de informações, e desinformação, sobre o crime organizado na internet. Tais artigos podem servir para propaganda, intimidação, ou mesmo para atrair clientes para o mercado de crimes por encomenda, independentemente de serem diretamente operados pelo PCC. A mera sugestão da capacidade do PCC de fornecer esses serviços já contribui para a construção de uma narrativa de poder e controle. Essa dinâmica é um desafio significativo para a segurança pública e para a aplicação da lei, pois borra as linhas entre o jornalismo factual, o sensacionalismo e a potencial solicitação ativa de serviços ilícitos. Isso torna cada vez mais difícil para o público discernir informações confiáveis de narrativas criminosas, e para as autoridades efetivamente combater e desarticular essas manifestações digitais do crime organizado. O artigo, ao enquadrar o assassinato por encomenda como um serviço do PCC, potencialmente normaliza ou legitima essa forma extrema de violência dentro de um mercado criminal mais amplo.

3. O Primeiro Comando da Capital (PCC): Estrutura, Ideologia e Atuação
3.1 Origens e Princípios Fundamentais (Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade, União)

O Primeiro Comando da Capital (PCC) foi fundado em 1993, com sua data de aniversário celebrada anualmente em 31 de agosto. Esta data marca o início de uma das mais influentes organizações criminosas do Brasil. Os princípios centrais que guiam o PCC, e que são reiterados em seus documentos internos, são PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE e UNIÃO (PJLIU). Estes termos são apresentados como pilares de sua ideologia.

O “Guidebook of the First Command of the Capital” (Guia do Primeiro Comando da Capital), um documento interno disponível no site analisado, é descrito como um programa motivacional. Seu propósito é fomentar a unidade do grupo e legitimar o PCC como um representante da resistência contra um sistema opressor que, segundo a facção, impede a inserção dos mais pobres na sociedade. Este discurso busca dar uma roupagem social e política à organização. O guia detalha o significado desses princípios dentro do contexto da facção: PAZ é interpretada como o fim das injustiças e opressões sofridas pelos presos; JUSTIÇA representa a luta pelos direitos e respeito; LIBERDADE é vista como a libertação de dominadores e injustiças, sendo o principal objetivo a liberdade da prisão e a luta para mantê-la na rua; UNIÃO é a consolidação da união já existente entre os membros; e IGUALDADE é o significado consolidado da união, onde a “Família” do PCC funciona como uma engrenagem de assistência e proteção para presos e familiares.

3.2 Dinâmicas de Poder e Uso da Violência Interna

Nas prisões paulistas, o PCC expandiu-se como uma instância reguladora de conflitos e uma fonte de elaboração de normas de convívio. Seu domínio é baseado tanto em um discurso de união e solidariedade quanto no exercício da violência física. A utilização da violência pelo PCC não é estática; estudos indicam que a organização passou por três momentos distintos em sua forma de empregar a violência, adaptando-se às suas necessidades e ao contexto.

Desde 2002, o PCC adota uma estrutura que se autodenomina “chefia sem mando”, onde o comando não reside em figuras únicas e poderosas. Em vez disso, a organização se consolida através de “sintonias” (coordenadores), que atuam como o modo de organização predominante. Essa descentralização visa garantir coesão, solidariedade e disciplina entre seus integrantes para a exploração de negócios ilícitos.

O Estatuto do PCC, conforme apresentado no site analisado, detalha rigorosas regras de conduta e lealdade. O “Item 9” do Estatuto é particularmente enfático: membros que desfrutam dos benefícios, mas se afastam por medo de perder a liberdade ou falta de interesse, são avaliados, e o oportunismo pode ser caracterizado como traição, cujo “preço da traição é a morte”. O “Item 17” reforça que quem “mexer com nossa família” terá a família exterminada, e que “vida é paga com vida e sangue deve ser pago com sangue”. Há casos comprovados de execuções de indivíduos considerados “delatores” ou “traidores” da facção. A Polícia Civil revelou que o assassinato de Vinícius Gritzbach, um delator do PCC, pode ter sido encomendado por um “consórcio” de integrantes da própria facção. De forma mais geral, o PCC é conhecido por “cobrar traições com assassinatos”, com corpos sendo “desovados no meio da rua”.

Existe uma clara dissonância entre o discurso do PCC, que projeta uma imagem de “resistência” e “justiça”, e sua atuação, que envolve violência brutal para manter a disciplina interna e o controle territorial. Essa dicotomia é fundamental para entender a complexidade da facção. A “justiça” que promovem é uma justiça interna, voltada para a manutenção de sua própria ordem e negócios ilícitos, não uma justiça social ampla. Essa narrativa ideológica serve para cooptar membros e justificar suas ações, enquanto a violência é a ferramenta pragmática de controle. A execução de delatores e traidores não é um ato aleatório de violência, mas um componente fundamental e calculado do aparato de governança e segurança do PCC. Serve como um impedimento poderoso e inequívoco contra a deserção, a delação ou qualquer ato percebido como desleal. Essa aplicação rigorosa das regras internas por meio da violência letal garante a segurança operacional da organização, mantém a coesão interna e reforça a autoridade absoluta das “sintonias”. É uma aplicação estratégica da violência para preservar a integridade e o poder da empresa criminosa. Essa violência disciplinar interna generalizada ressalta a lealdade extrema exigida pelo PCC e as severas consequências para a desobediência, tornando os esforços de coleta de informações e infiltração excepcionalmente desafiadores e arriscados.

3.3 Expansão e Conflitos com Outras Facções

O PCC e o Comando Vermelho (CV), outra grande facção criminosa brasileira, estão em guerra aberta pelo domínio do tráfico de drogas. Essa disputa se manifesta intensamente nas regiões de fronteira do Brasil com países produtores como Paraguai, Bolívia e Colômbia, e também pela hegemonia do tráfico em diversos estados brasileiros. Essas disputas frequentemente resultam em confrontos violentos, inclusive dentro do sistema prisional, como evidenciado por rebeliões com múltiplas mortes.

O Estatuto do PCC afirma que a facção não possui limite territorial. Todos os membros “batizados” (iniciados) são considerados parte do Primeiro Comando da Capital, independentemente de sua localização em qualquer cidade, estado ou país, e são obrigados a seguir sua disciplina e hierarquia. Isso sublinha a ambição e a capacidade de projeção da facção para além das fronteiras estaduais e nacionais. A busca por domínio territorial e de rotas de tráfico é um motor primário da violência do PCC, seja contra facções rivais ou para consolidar seu controle. Esta expansão global demonstra a sofisticação e a ambição da organização, transformando-a em um ator transnacional que exige cooperação internacional para ser combatido. A violência é, portanto, um meio para atingir objetivos econômicos e de poder. A natureza transnacional do PCC significa que os esforços de aplicação da lei em nível nacional, por si só, são insuficientes. O combate eficaz a uma organização como essa requer cooperação internacional robusta, compartilhamento de inteligência e estratégias coordenadas em múltiplas jurisdições. A violência decorrente dessas disputas territoriais tem consequências de longo alcance, impactando a segurança pública não apenas em focos criminais tradicionais, mas também potencialmente influenciando a estabilidade geopolítica em regiões fronteiriças e além, à medida que as economias criminosas se tornam cada vez mais interconectadas.

4. Assassinatos por Encomenda no Brasil: Panorama e Envolvimento do Crime Organizado
4.1 Estatísticas Nacionais de Homicídios e Tendências

O Brasil tem historicamente enfrentado altos índices de violência letal. Em 2017, o país registrou uma taxa de 30,5 homicídios a cada 100 mil habitantes, sendo a segunda maior da América do Sul, superada apenas pela Venezuela. O período entre 1991 e 2017 foi marcado por um total alarmante de cerca de 1,2 milhão de mortes por homicídios dolosos. Dados mais recentes indicam uma melhora no cenário. Em 2023, o Brasil alcançou o menor número de assassinatos dos últimos 14 anos, o que sugere um declínio na violência letal geral, embora o desafio do crime organizado persista.

Um relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) identifica diversos fatores que impulsionam os homicídios, além do crime organizado. Entre eles estão a disponibilidade de armas de fogo, o consumo de drogas e álcool, a desigualdade social, o desemprego, a instabilidade política e estereótipos de gênero. O governo federal tem enfatizado a importância do investimento em inteligência para enfrentar a “indústria internacional do crime organizado”, que é caracterizada por sua complexidade e poder, envolvendo recursos como aviões, navios e influência em instâncias de governos.

A alta taxa histórica de homicídios no Brasil cria um ambiente de violência endêmica, que, por sua vez, é propício para a proliferação de crimes por encomenda. Em um contexto onde a violência letal é uma realidade social e a percepção de impunidade pode ser alta, a contratação de matadores de aluguel pode ser vista como uma solução viável para a resolução de conflitos ou a eliminação de rivais. A recente queda nas taxas é um avanço, mas não elimina a base estrutural que permite a existência desse mercado. A natureza generalizada da violência letal no Brasil estabelece um terreno fértil para o mercado de assassinatos por encomenda. Em um ambiente onde a violência é tragicamente normalizada e onde os mecanismos formais de justiça podem ser percebidos como lentos, ineficientes ou inacessíveis em certas regiões, indivíduos e grupos são mais propensos a recorrer a meios extralegais, incluindo a contratação de assassinos profissionais, para resolver disputas, cobrar dívidas ou eliminar rivais. O volume de homicídios sugere um contexto social em que o ato de matar para fins específicos não é uma anomalia, mas um componente trágico da paisagem criminal. Compreender o contexto mais amplo da violência é crucial para abordar eficazmente os assassinatos por encomenda. Isso destaca que os assassinatos por encomenda não são um fenômeno isolado, mas sim um sintoma de questões sociais mais profundas, incluindo a presença arraigada do crime organizado, a disponibilidade de meios ilícitos para resolver conflitos e as desigualdades sistêmicas. Portanto, as estratégias de aplicação da lei e de políticas públicas devem ser multifacetadas, visando não apenas os perpetradores diretos, mas também os fatores subjacentes da violência e os ecossistemas criminais que permitem tais serviços. A ênfase do governo na inteligência é particularmente relevante dada a natureza sofisticada do crime organizado e sua adaptabilidade.

4.2 Modus Operandi de Matadores de Aluguel

A figura do matador de aluguel é uma realidade no Brasil há décadas. Júlio Santana, conhecido como “Julião”, é um exemplo emblemático. Ele é considerado o maior serial killer do Brasil em número de vítimas, tendo assassinado ao menos 492 pessoas na região fronteiriça entre Tocantins e Maranhão. Santana mantinha um caderno detalhado de suas execuções e, curiosamente, rezava antes ou depois dos crimes, pedindo “perdão a Deus”. Este caso ilustra a existência de profissionais da morte com métodos e rituais próprios.

Uma tendência recente e preocupante é a digitalização do mercado de assassinatos por encomenda. A polícia brasileira descobriu que matadores de aluguel estão oferecendo seus serviços abertamente na internet, utilizando grupos online para solicitar e oferecer os serviços. Alguns anúncios prometem sigilo e a ausência de rastros. Os valores cobrados por esses serviços variam consideravelmente. Em um caso documentado, um homem contratou um matador de aluguel por R$ 15.000. Em uma simulação policial, um suspeito da cidade de Goiás cobrou R$ 3.500 pelo serviço, além de passagens e hospedagem. No entanto, um matador de aluguel que afirma trabalhar para o PCC, em entrevista à Jovem Pan, mencionou que seus serviços podem custar até 50 mil dólares, indicando um segmento de alto valor, possivelmente para alvos de maior perfil ou que exigem a “garantia” de uma facção poderosa.

A existência de figuras como Júlio Santana demonstra uma história de profissionalização do assassinato por encomenda. A recente descoberta de ofertas online indica uma modernização e digitalização desse mercado ilícito, tornando-o mais acessível e potencialmente mais difícil de rastrear. Essa transição para o ambiente digital sugere uma adaptação dos criminosos às novas tecnologias para expandir suas operações e alcançar um público mais amplo. Essa evolução significa uma mudança significativa no modus operandi dos assassinatos por encomenda. O mercado passou de redes puramente clandestinas e boca a boca para serviços abertamente anunciados online, aproveitando o anonimato e o alcance percebidos da internet. Isso indica uma “comodificação” da violência, onde serviços letais são comercializados e adquiridos com um grau de abertura anteriormente não visto. A ampla gama de preços sugere um mercado em camadas, com preços mais altos sendo cobrados por aqueles afiliados a organizações poderosas como o PCC, implicando um prêmio pela percepção de eficiência, confiabilidade ou pelo efeito dissuasor do nome da facção. Essa digitalização apresenta novos desafios substanciais para a aplicação da lei, exigindo o desenvolvimento de capacidades avançadas de ciberinteligência para monitorar, infiltrar e desarticular essas redes criminosas online.

4.3 Atores Envolvidos e Motivações

O cenário dos assassinatos por encomenda no Brasil não se restringe apenas às grandes facções criminosas. Embora o crime organizado seja um impulsionador significativo de homicídios, há também a atuação de indivíduos e grupos menores, bem como de matadores de aluguel autônomos, como Júlio Santana. As motivações para a contratação de assassinatos são variadas e complexas, indo além das disputas de tráfico ou da disciplina interna de facções. O relatório da UNODC aponta que, além do crime organizado, outros fatores como a disponibilidade de armas de fogo, o consumo de drogas e álcool, a desigualdade social, o desemprego, a instabilidade política e estereótipos de gênero contribuem para o problema geral de homicídios. Em casos específicos de contratação, as motivações podem incluir disputas pessoais, como o caso em Chapecó, onde um indivíduo contratou um matador por R$ 15 mil para assassinar outro homem devido a uma disputa não especificada. Também se incluem execuções internas de facções, como o PCC, que comprovadamente ordena a morte de delatores e traidores para manter sua disciplina e sigilo, e interesses econômicos, como disputas por controle de territórios de tráfico ou outros negócios ilícitos, que levam a guerras entre facções.

Os assassinatos por encomenda não são motivados apenas por disputas de facções ou tráfico de drogas; podem envolver uma gama de conflitos pessoais e sociais, evidenciando a instrumentalização da violência para diversos fins. Isso demonstra que a demanda por esses serviços é multifacetada e reflete patologias sociais mais amplas, onde a vida humana é desvalorizada em prol de interesses diversos. Isso indica que os assassinatos por encomenda não são um fenômeno monolítico impulsionado apenas por grandes organizações criminosas. Em vez disso, representam uma intersecção complexa de diversas motivações — vinganças pessoais, rivalidades comerciais, ações disciplinares internas e disputas territoriais — e envolvem uma gama diversificada de atores, desde esquadrões de extermínio altamente organizados até freelancers individuais. Isso sugere que a violência é instrumentalizada em diferentes estratos sociais e para objetivos variados, refletindo uma cultura pervasiva onde a força letal é uma solução prontamente disponível para conflitos. As estratégias de aplicação da lei devem ser altamente matizadas e adaptáveis. Um foco singular nos principais grupos do crime organizado pode negligenciar uma parte significativa dos assassinatos por encomenda impulsionados por motivos pessoais ou realizados por redes menores e menos visíveis. A intervenção eficaz exige uma compreensão profunda dos impulsionadores específicos em diferentes contextos, integrando a inteligência sobre o crime organizado com análises sociais e econômicas mais amplas para abordar as causas-raiz e as diversas manifestações da violência letal.

5. O PCC e os Homicídios por Encomenda: Uma Análise Comparativa
5.1 Envolvimento do PCC em Execuções Internas (Delatores, Traidores)

A execução de membros considerados traidores ou delatores é uma política interna fundamental do PCC. O Estatuto da facção, em seu “Item 9”, é explícito ao afirmar que “o preço da traição é a morte” para aqueles que demonstram oportunismo ou falta de interesse após desfrutar dos benefícios da organização. O “Item 17” reforça essa postura, declarando que quem “mexer com nossa família” terá a família exterminada e que “vida é paga por vida e sangue deve ser pago com sangue”.2 Essa regra interna é consistentemente aplicada. A Polícia Civil, por exemplo, revelou que o assassinato de Vinícius Gritzbach, um delator do PCC, foi encomendado por um “consórcio” de integrantes da própria facção. De forma mais ampla, a facção é conhecida por “cobrar traições com assassinatos”, com a desova de corpos em locais públicos como forma de intimidação e demonstração de poder.

A execução de delatores e traidores é uma prática central do PCC para manter a coesão, disciplina e o sigilo da organização. Essa violência é interna e estratégica, garantindo a sobrevivência e o poder da facção. É uma manifestação brutal de sua “justiça” interna e um mecanismo de controle social sobre seus membros, reforçando a lealdade e o medo das consequências da desobediência. As execuções internas não são atos aleatórios de violência, mas um componente fundamental e calculado do aparato de governança e segurança do PCC. Elas servem como um impedimento poderoso e inequívoco contra a deserção, a delação ou qualquer ato percebido como desleal. Essa aplicação rigorosa das regras internas por meio da violência letal garante a segurança operacional da organização, mantém a coesão interna e reforça a autoridade absoluta das “sintonias” (coordenadores). É uma aplicação estratégica da violência para preservar a integridade e o poder da empresa criminosa. Essa violência disciplinar interna generalizada sublinha a lealdade extrema exigida pelo PCC e as severas consequências para a desobediência, tornando os esforços de coleta de informações e infiltração excepcionalmente desafiadores e arriscados.

5.2 Alegada Oferta de Serviços de Matadores de Aluguel para Terceiros: Confronto com Evidências

O artigo sob análise sugere que o PCC oferece serviços de matadores de aluguel para terceiros, possivelmente sob a égide de um “Artigo 33”. A evidência mais direta que corrobora a alegação de oferta de serviços de matadores de aluguel por indivíduos ligados ao PCC vem de uma entrevista exclusiva da Jovem Pan. Um matador de aluguel, que se declara trabalhando para o PCC, detalhou como funciona a contratação de seus serviços e mencionou que os custos podem chegar a 50 mil dólares. Esta é uma peça crucial de informação, pois sugere que, mesmo que não seja uma política formal da facção, indivíduos com afiliação ao PCC podem estar monetizando suas habilidades e a reputação da organização nesse mercado.

Contraditoriamente, uma análise minuciosa do “Statute of the First Command of the Capital” (Estatuto do PCC) e do “Guidebook of the First Command of the Capital” (Guia do PCC), ambos disponíveis no próprio site analisado, revela que nenhum deles contém um “Artigo 33” ou qualquer menção explícita a serviços de assassinato por encomenda oferecidos a não-membros. Além disso, glossários de termos do PCC compilados por forças de segurança também não fazem referência a um “Artigo 33” com essa finalidade. Isso sugere que a menção a esse artigo específico no artigo-alvo pode ser uma invenção ou uma interpretação equivocada de uma regra informal.

É importante notar que o mercado de matadores de aluguel existe no Brasil independentemente de uma formalização pelo PCC. Há casos documentados de contratação de matadores não explicitamente ligados à facção, com preços variados (como R$ 15.000 em um caso de Chapecó, e R$ 3.500 em uma simulação policial com ofertas online). Isso demonstra que a demanda e a oferta de assassinatos por encomenda são fenômenos mais amplos, que podem ou não envolver diretamente as grandes facções.

A ausência de um “Artigo 33” ou de menção a serviços de matadores de aluguel nos documentos formais do PCC sugere que, se essa atividade existe, ela não é uma política oficial ou codificada da facção, ou é uma prática informal e oportunista. No entanto, a entrevista do Jovem Pan não pode ser ignorada, indicando que indivíduos afiliados ao PCC podem sim oferecer esses serviços, talvez sem a chancela formal da “chefia”, mas aproveitando a reputação da facção para cobrar valores mais altos. Isso aponta para uma descentralização da execução de violência, onde a marca PCC agrega valor. Essa observação é crucial, pois estabelece uma distinção crítica: embora o PCC, como organização, possa não codificar ou anunciar formalmente “assassinatos por encomenda” como um serviço sob um artigo específico, membros individuais ou células que operam sob o amplo guarda-chuva do PCC podem, de fato, se engajar em tais atividades. Eles aproveitam a temível reputação, a rede e as capacidades violentas do PCC para oferecer esses serviços, possivelmente como um meio de gerar renda pessoal ou recursos para sua célula específica, sem a sanção direta do comando central. O preço elevado de 50 mil dólares sugere um prêmio pela percepção de eficiência, confiabilidade ou pelo poder de dissuasão associado ao nome do PCC. Isso indica uma adaptação mais fluida e oportunista das capacidades criminosas. Essa constatação tem implicações significativas para a aplicação da lei e a inteligência. Significa que, embora processar o PCC como uma entidade formal por “serviços de assassinato por encomenda” possa ser difícil sem evidências diretas do envolvimento do comando central, membros individuais provavelmente estão monetizando a “marca” violenta da organização. Isso borra as linhas entre as ações disciplinares internas (que são claramente sancionadas) e os serviços criminais externos, tornando desafiador atribuir assassinatos por encomenda diretamente à liderança máxima do PCC, a menos que um vínculo direto com a “sintonia” seja estabelecido.

5.3 Credibilidade da Fonte: Avaliação do Site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org

O site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org apresenta um posicionamento ambíguo. Por um lado, seu domínio e o conteúdo que hospeda (como o Estatuto e o Guia do PCC) sugerem uma proximidade com a facção. Por outro, o autor, Ricard Wagner Rizzi, explicitamente nega qualquer vinculação com o PCC.

O fato de o autor ter tido acesso a grupos de WhatsApp do PCC indica uma capacidade de obter informações “de dentro” da facção, mesmo que essas informações não sejam oficiais ou representem a totalidade da visão da liderança. Essa proximidade, combinada com sua experiência em escrever histórias policiais, sugere que o site opera em uma zona cinzenta entre o jornalismo investigativo e a divulgação de material “insider”.

A publicação de artigos como o analisado, mesmo com o aviso de não afiliação, pode servir a múltiplos propósitos. Pode ser uma forma de manter a “aura” de poder e alcance do PCC, explorando a curiosidade pública e a notoriedade da facção. Indiretamente, ao divulgar seus estatutos e supostas atividades, o site contribui para a construção da narrativa do PCC, seja ela de “resistência” ou de uma organização criminosa multifacetada. A inoperância do WHOIS direto também contribui para essa aura de mistério e desafio às autoridades. Mesmo sem afiliação direta, o site contribui para a narrativa do PCC, seja por meio da divulgação de seus “estatutos” ou de artigos que amplificam sua imagem de poder e capacidade de ação. Isso pode ser uma forma indireta de “marketing” para a facção, ou uma exploração jornalística de seu universo. A publicação de informações não verificadas, como a menção a um “Artigo 33” para serviços de matadores de aluguel, pode ser uma forma de desinformação controlada, visando reforçar a imagem de uma organização onipotente e misteriosa. A ambiguidade do site permite que ele sirva como um canal para informações sobre o PCC, o que, independentemente de sua precisão, contribui para a imagem pública e a “marca” da organização. Isso pode ser uma estratégia deliberada do autor para atrair tráfego, aproveitando a notoriedade do PCC.

Conclusões

A análise do artigo “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC” e sua contraposição com dados de fontes confiáveis revelam uma complexa tapeçaria de informações sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital e o mercado de assassinatos por encomenda no Brasil.

Primeiramente, é fundamental distinguir entre a violência interna do PCC e a suposta oferta de serviços de matadores de aluguel para terceiros. A violência interna, direcionada a delatores e traidores, é uma característica intrínseca e bem documentada da facção, explicitamente prevista em seu Estatuto como um mecanismo de disciplina e coesão. Essa aplicação letal de sua “justiça” interna é um pilar para a manutenção do poder e da segurança operacional da organização.

Em contraste, a alegação de que o PCC oferece formalmente serviços de matadores de aluguel para não-membros, possivelmente sob um “Artigo 33”, não encontra respaldo nos documentos oficiais da facção disponíveis. No entanto, a existência de entrevistas com indivíduos que se declaram matadores de aluguel afiliados ao PCC e que detalham a contratação e os custos desses serviços sugere que, embora não seja uma política codificada centralmente, membros ou células da facção podem, de fato, se engajar nessa prática. Essa atuação oportunista se beneficia da reputação de violência e eficiência do PCC, permitindo que esses indivíduos cobrem valores significativamente mais altos.

O cenário mais amplo dos assassinatos por encomenda no Brasil é multifacetado, impulsionado por uma combinação de crime organizado, disputas pessoais e fatores socioeconômicos. A digitalização desse mercado, com ofertas explícitas online, representa uma evolução preocupante, tornando a contratação de violência letal mais acessível e desafiadora para as autoridades.

A natureza do site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org é um elemento crucial para a interpretação de seu conteúdo. Embora negue afiliação, sua proximidade com informações internas e a publicação de artigos como o analisado contribuem para a construção da narrativa do PCC, seja como uma forma de “branding” indireto ou de exploração jornalística de um universo criminoso. Essa ambiguidade e a potencial disseminação de informações não verificadas exigem um olhar crítico sobre o conteúdo veiculado.

Em suma, o PCC é uma organização que utiliza a violência de forma estratégica para seus próprios fins de controle e expansão. Embora a oferta formal de “matadores de aluguel” para terceiros não seja evidente em seus documentos oficiais, a capacidade de indivíduos afiliados à facção de atuar nesse mercado, alavancando a “marca” PCC, é uma realidade que complexifica o combate ao crime organizado e à violência letal no Brasil. A compreensão dessa dinâmica exige uma abordagem que vá além da superfície das alegações e se aprofunde nas estruturas, ideologias e práticas operacionais das organizações criminosas, bem como nas tendências de digitalização do crime.

As drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital

Há drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Agora é a vez das maconhas sintéticas, mas já foi do crack. O PCC vende crack em suas biqueiras? Qual é a lei do crime para as drogas pesadas?

Drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital sendo usadas como arma

O Primeiro Comando da Capital e seu aliados proíbem que seus membros utilizem crack e loló, e mesmo outras drogas liberadas têm que ser usadas com moderação. Você é quem tem que controlar a droga, não ela você.

43º – Uso de droga não permitida:

Caracteriza-se quando faz uso do crack ou óxi, que a organização não permite. Em alguns estados foi solto um comunicado em cima do roupinol (comprimido e álcool) o que pode ser também punido.
Punição: no caso do crack e óxi: exclusão de início sem retorno.

→ Punição: no caso do crack e óxi: exclusão de início sem retorno. No caso do roupinol: de 90 dias à exclusão depende da situação. Deve ser bem analisado pela Sintonia.

Dicionário Disciplinar Atualizado — PCC 1533

Como pimenta nos olhos dos outros é bobagem, o delegado carioca Marcos Vinícius Braga nos conta que:

… a entrada do crack nas favelas cariocas foi a condição imposta pela facção criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) para continuar a vender cocaína para o Comando Vermelho.

leia texto completo: O gato preto, a facção PCC e a Seita Satânica

Drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital: maconha sintética

Não é a primeira vez que a imprensa noticía que há drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital, mas sempre a polêmica começa na Cracolândia.

Não é a primeira vez que a imprensa noticia que há drogas proibidas pela facção paulista PCC, mas sempre a polêmica começa na Cracolândia.

Agora é a vez da spice, a maconha sintética, tem efeito colateral que leva alguns dos usuários a buscar socorro médico de urgência.

O “salve” da Facção PCC 1533 tenta diminuir a presença de equipes de socorro e policiais na área de comércio prejudicando os negócios.

(Os usuários) têm de ser socorridos, então chama mais atenção do que normalmente o tráfico de crack chama.

delegado Ronaldo Sayeg, diretor Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc)

Ao contrário de outras vezes, a proibição vale apenas para a a cracolândia, mas pode ser um processo que termine por proibir dentro do sistema carcerário.

Assim como o crack que tem sua venda controlada (a facção diz onde e quem pode comercializar ou usar) o spice deixa agressivo o usuário.

Além desse problema a droga causa psicose, paranoia, taquicardia e arritmia, precisando então de atendimento médico.

A organização criminosa permitiu o uso até o dia 1º de fevereiro de 2023 para que os estoques fossem zerados.

Passado o prazo, se alguém insistir na comercialização responderá pelo artigo 44 do Dicionário do PCC 15.3.3 (Regime Disciplinar da Facção).

leia artigo completo no Metrópolis

PCC Proibindo o crack nos presídios

O Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) proíbe o uso do crack dentro dos presídios? O PCC vende crack em suas biqueiras? Qual é a lei do crime para as drogas pesadas?

Você já experimentou a cocaína 100% do Comando? Fala sério! Aquela branquinha cujos cristais brilham…

Não quero te falar nada não, mas essa não é a 100% do Comando — se te disseram que é, só lamento.

Faltava oportunidade para vir falar para você sobre essa super droga, de edição limitada e de fabricação e distribuição controlada pelo alto escalão do PCC, mas agora, graças à pesquisadora Iara Flor Richwin Ferreira, vou tratar desse assunto.

Antes de começar, eu vou propor a você um acordo: você posta a fórmula da Coca-Cola e eu posto a fórmula da 100% do Comando.

Iara, em sua tese para a UnB Crack: substância, corpos, dispositivo e vulnerabilidades. A psicanálise e a prática clínico-institucional com usuários de crack, traça um perfil do usuário dessa droga e das suas relações com a sociedade e com os traficantes:

“… os usuários de crack, apesar de alimentarem o comércio de drogas, são humilhados, escarnecidos e violentados inclusive pelos próprios traficantes, que consideram que os ‘nóias’ atrapalham as dinâmicas dos pontos de venda com seu constante ir e vir, e, principalmente, os classificam moralmente como degradados que perderam o controle sobre o próprio corpo, sobre o próprio consumo, sobre a própria dívida, sobre o próprio caráter”

Iara descreveu com perfeição o que é visto nas ruas.

Nas ruas — especialistas para venda do crack

Não é qualquer biqueira que distribui o crack, e, por algum tempo, o Primeiro Comando da Capital tentou retirar das ruas essas drogas, mas a demanda não pode ser reprimida, então, antes de perder o monopólio, voltou ao mercado.

No entanto, nem todos os comerciantes trabalham no varejo com esse tipo de cliente, mas a aproximadamente a metade dos pontos de venda de drogas no interior e 80% na capital paulista tem o crack entre as opções oferecidas ao consumidor.

Para atender aos usuários de crack, o vendedor tem que ser diferenciado. São: os mais violentos; aqueles que ainda não conquistaram espaço para atender a um público mais selecionado; alguém que está pagando uma dívida — alguns vendem por opção comercial, mas são minoria.

Na capital paulista, nas regiões da classe média como Higienópolis, Itaim Bibi ou Pinheiros, o quilo do crack sai para o varejista a 30 mil Reais o quilo, já na região da Cracolândia no centro é vendido por 45 mil.

A razão para essa diferença é que na região central onde são negociados diariamente 12 quilos do produto por dia há muitos usuários, pouca concorrência e pouca presença da polícia.

Um retrato nada colorido do centro de São Paulo

A repórter Paula Lópes Barba em artigo no El País, “Los caminos de ‘Cracolândia’ – el mayor mercadillo de droga de Brasil”, apresenta a inútil guerra contra o tráfico de drogas travada há 25 anos no coração da cidade de São Paulo pelo governo do Estado.

Há muito tempo as drogas são vendidas em barracas ou de mão em mão a céu aberto no que é conhecido como Cracolândia.

A reportagem questiona o uso da força para combater o vício. Afinal, qual seria o melhor caminho: o tratamento compulsório e redução de danos ou a repressão policial?

O tráfico na região é monopolizado pelo Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533): do fornecimento dos insumos à venda ao varejo, impondo regras de disciplina para esse mercado que há seis anos supria 4.000 usuários e gerava uma receita de 550 mil de Reais por dia (105 mil de dólares).

O Estado tentando controlar o incontrolável

Durante as últimas décadas o Estado foi comandado pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) que combateu o problema integrando as ações das polícias investigativa e coercitiva, com equipes de saúde pública e assistência social — mas o resultado foi pífio ou de pouca duração.

Tarcísio Freitas do Partido Republicano assumirá em 2023 o governo do Estado devendo priorizar o uso da força para coibir o tráfico, alinhado com o discurso do então ex-presidente e seu padrinho político Jair Bolsonaro.

Nesse meio tempo, o que se vê, são os prédios eram como cortiço e nos quais ofereciam prostituição, inclusive de menores, e receptação de objetos roubados que eram trocados por drogas.

Pelas ruas, legiões de usuários continuam a vagar de um ponto para outro em busca das drogas em frente das “fachadas históricas repletas de grafites com símbolos do PCC como Yin-Yang, palhaços ou tendas. Os números 1533 escritos em todos os lugares”.

Nas trancas — nada de crack

Iara continua…

“Também nas cadeias controladas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), é possível observar a estigmatização e depreciação moral em relação ao crack, onde o fim da circulação e consumo dessa droga teve alcance. O que está na base da justificação da ‘extinção’ do crack nessas cadeias, […] relaciona-se ao seu grande potencial de promover a contração de dívidas e desencadear conflitos, mas […] também está estreitamente associada ao limite moral que o crack representa. ‘Degradação’, ‘falta de controle’ e ‘droga que faz o cara roubar a mãe, matar a mãe e tudo mais’ são os argumentos levantados por Marcola…”

O Marcola era homicida, sequestrador, roubava banco, não tinha nada a ver com a facção, mas é um homem articulado. E quando ele foi levado para o presídio de Tremembé [no interior de SP] começa a conversar com os últimos presos políticos no sistema prisional e aprende com eles sobre como estruturar o tráfico, a gerenciar como uma empresa, ao mesmo tempo em que vende internamente para os detentos a ideia de uma irmandade revolucionária.

desembargadora Ivana David

A pesquisadora faz um diagnóstico preciso, irretocável, expondo casos de dentro do sistema, mas faço uma correção — se a cadeia é “controlada pelo Primeiro Comando” não há crack em hipótese alguma.

A regra não vale para todas as unidades prisionais

Se existe comércio e consumo de crack, a facção paulista PCC ainda não está no controle da tranca.

Quando eu era criança achava que os usuários de drogas e alcoólatras saiam da prisão limpos, já que com tanta polícia e com tanta muralha não entraria drogas.

Quando crescemos, aprendemos que as regras impostas pelo Estado de Direito nem sempre são levadas a sério, principalmente nas periferias e no Sistema Prisional.

Mas nos presídios sob o controle efetivo da facção o crack não entra, pois está proibido no Regimento Interno da facção, assim como o uso abusivo de drogas:

Artigo 43 — Uso abusivo de drogas:

Se caracteriza no efeito da droga ou álcool. É um mau exemplo pois se prejudica, fica paranoico, agressivo, e até mesmo tendo que ser medicado devido ao abuso.

Punição: 90 dias se o mesmo se comprometer a mudar, a exclusão depende da situação.

Dicionário do PCC 15.3.3

A cocaína 100% do Comando e o Crack

Se você não está dentro do Sistema, e em uma das unidades em que estão autorizadas a entrada da 100% do Comando, só lamento, mas vai morrer sem experimentar.

Vou te contar: nessas unidades, até os ASPENs sabem quando ela chegou, pois a tranca fica agitada e parece que vai virar, mas é só sairem da frente e esperarem a normalidade voltar.

A 100% do Comando — amarela e opaca — é uma super cocaína sem os efeitos colaterais trazidos pelo crack, uma droga especial, de edição limitada e de fabricação e distribuição controlada pelo alto escalão do PCC.

Antes de terminar, retiro o acordo que lhe propus.

Se você postar a fórmula da Coca-Cola, vai ser processado e fica por isso mesmo, mas eu, se postar a fórmula da 100% do Comando.

Vou ter que responder a um Salve — fala sério! Não é uma troca justa.

Um caso real de um aliado do PCC

Uso de drogas proibidas pela facção

O Bonde dos 40 do Maranhão corria a época com os garotos do Primeiro Comando da Capital.

Como acontece com a maioria dos aliados, algumas práticas da facção paulista são absorvidas.

Ricardo matou seu companheiro de facção que não conseguiu abandonar uso do “loló“, uma droga baseada baseado em clorofórmio e éter e que está na lista negra das facões criminosas.

A facção PCC 1533 planta sua própria maconha no Paraguai?

Facção PCC 1533, o Primeiro Comando da Capital, passa a produzir a sua própria maconha para exportação no Paraguai, é o que afirma o SENASP, mas um pesquisador questiona essa conclusão.

Facção PCC 1533: direto das fazendas paraguaias para as cidades européias

A facção PCC 1533, a maior organização criminosa brasileira, está expandindo seus negócios para o cultivo de maconha no Paraguai?

Relatórios governamentais paraguaios afirmam que sim, mas, de fato, não há certeza de como o Primeiro Comando da Capital (PCC) está agindo.

As especulações começaram no final de agosto, com a descoberta de seis plantações de maconha em Colônia Estrella, município no departamento oriental de Amambay.

Uma placa informava que os campos eram propriedade do PCC e que invasores seriam mortos, disseram os agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD).

Leia também: A facção PCC 1533 no nordeste do Paraguai

Outras apreensões com a marca da facção PCC 1533

Em julho, funcionários da SENAD na Colônia Estrella descobriram sacos plásticos cheios de maconha, com as iniciais “PCC” rabiscadas neles.

Então, nas redes sociaism o SENAD afirmou que essas apreensões provavem que o PCC controla o cultivo de maconha na Colônia Estrella.

Os campos desativados “formavam um centro de produção e armazenamento de maconha em grande escala” da organização criminosa paulista em solo paraguaio.

“(O PCC) busca monopolizar o tráfico de drogas desde a fonte”, afirma um agente da SENAD.

Análise Criminal InSight

Será uma mudança, se confirmado que a facção PCC 1533 que é tradicionalmente um comprador atacadista de maconha, agora cultiva a própria maconha no Paraguai.

Certamente, o departamento de Amambay, que fica na fronteira do Brasil, é uma das principais áreas de produção de maconha da América Latina.

Amambay é também o principal reduto da facção brasileira no Paraguai, que por lá se consolidado como a maior compradora de maconha dos produtores locais.

No entanto, assumir a produção marcaria uma grande mudança na forma como o comércio de maconha funciona no Paraguai.

Carlos Peris, cientista político e especialista em tráfico de drogas da Universidade Católica de Assunção afirma explica como funciona o mercado de drogas no Paraguai:

Os agricultores raramente cultivam exclusivamente para um grupo ou traficante, mas geralmente têm vários clientes.

Podemos dizer que a droga plantada e apreendida pela SENAD era para o PCC? É claro.

Podemos dizer que essa plantação era exclusiva do PCC? Absolutamente não.

Leia também: A facção PCC 1533 e o Exército do Povo Paraguaio EPP

De acordo com Peris, o comércio de maconha de Amambay tem um modelo de cadeia de abastecimento com acordos de longo prazo.

Os agricultores locais cultivam e colhem apenas algumas toneladas do total disponível para vender a intermediários que, posteriormente, vendem o produto na fronteira.

Só nesse ponto do processo é que grupos criminosos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital agem abertamente.

Se o PCC estivesse experimentando sua própria produção de maconha, a quadrilha estaria tentando eliminar os dois primeiros elos dessa cadeia de abastecimento, aumentando potencialmente sua margem de lucro.

O PCC atua há muito tempo no narcotráfico no Paraguai

A facção paulista aumentou com sucesso o número de membros recrutando nas prisões e ganhou dinheiro com o tráfico de armas e sequestros.

O site InSight Crime revelou anteriormente, e as recentes apreensões por parte de autoridades paraguaias confirmaram que o grupo passou ao cultivo de maconha.

Apesar dos fatos, resta a dúvida:

Em síntese, pode ser um fazendeiro usando o nome da temida organização criminosa Primeiro Comando da Capital para afastar invasores e ladrões.

Enfim, mesmo que o PCC não seja proprietário direto das plantações de maconha, afinal, qualquer associação com o grupo pode ajudar os agricultores a proteger suas terras.

Leia também as últimas notícias do “Primeir Comando Capital” no Paraguai

Preso Gordão de Maringá, um dos braços do PCC Minotauro

O artigo narra uma operação policial em Vila Esperança, que interrompeu as atividades de um líder do PCC, Gordão de Maringá, e destaca a influência contínua da organização na sociedade, através da figura de “Minotauro”. Discute a complexidade da luta contra organizações criminosas e a necessidade de uma abordagem mais abrangente que vá além das prisões e apreensões.

Gordão de Maringá, figura notória, viu seu império desafiado pelas forças da lei. Ligado ao Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), sua história revela a complexa teia do crime organizado. Mergulhe na luta incessante contra essas forças sombrias, explorando a saga de poder, desafio e redenção.

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Público-alvo: Este texto é dirigido a leitores interessados em segurança pública, criminologia, política social, e àqueles que buscam compreender a dinâmica e o impacto das organizações criminosas na sociedade brasileira. Também é relevante para profissionais da área de segurança, estudiosos do direito penal, jornalistas, e o público em geral que se preocupa com as questões de criminalidade e justiça social.

O Crepúsculo do Poder nas Sombras

Na penumbra que se estende pelas belas ruas da Vila Esperança, em Maringá, um episódio recente reacendeu o debate acerca da persistente influência de organizações criminosas na sociedade brasileira. Conhecido nas sombras urbanas como Gordão de Maringá, um proeminente membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), encontrou seu reinado de terror momentaneamente interrompido pelas autoridades. Em uma operação meticulosamente planejada, a polícia adentrou seu refúgio, não encontrando mais do que armamentos que, embora limitados em quantidade, eram letais em sua potencialidade: uma pistola Glock 9mm, acompanhada de carregadores estendidos, e um revólver calibre 38.

Este evento não apenas ressalta a presença contínua do PCC nas estruturas urbanas, mas também ilumina a figura enigmática de “Minotauro”. Mesmo confinado pelos grilhões da lei desde fevereiro de 2019, sua influência transcende as barreiras físicas da prisão, manifestando-se na coordenação e no controle das operações criminosas no sul do país. Minotauro, uma figura quase mítica dentro da organização, delegou a Gordão de Maringá a tarefa de manter a ordem e expandir os domínios do PCC na região, uma demonstração clara do poder que certos indivíduos detêm, mesmo quando subjugados pela justiça.

Este episódio é um microcosmo de uma questão muito mais ampla e complexa, evidenciando a dificuldade em erradicar a influência de organizações criminosas entranhadas no tecido social. A prisão de um líder, ou a apreensão de armas, embora sejam vitórias importantes, não são suficientes para desmantelar as redes de poder que operam nas sombras, alimentadas por uma mistura de medo, lealdade e a promessa de poder.

A saga de Gordão de Maringá e Minotauro no Primeiro Comando da Capital é um lembrete sombrio de que a luta contra o crime organizado é um caminho longo e sinuoso, pontuado por vitórias e reveses. Ela também destaca a resiliência dessas organizações e a necessidade de uma abordagem mais holística, que não apenas puna os culpados, mas também atue nas causas subjacentes que alimentam essa espiral de violência e desespero.

Tribunal do Crime busca Marabel

O jovem Bruno Marabel que está preso no Paraguai por matar toda a sua família conseguiu na Justiça proteção contra a facção PCC 1533.

O Primeiro Comando da Capital teria julgado Bruno Marabel no Tribunal do Crime da facção PCC 1533 e o teria sentenciado à morte o jovem que matou em 2020 sua mãe e seu padrasto, a mulher com que com ele vivia e seus dois filhos de 6 e 4 anos.

Outras fontes apontam que Bruno não teria sido aceito dentro da facção, mas que teria comprado favores dentro do cárcere com o dinheiro e os presentes que lhe são enviados pelos fãs, no entanto acabou se enrolando nas contas e ficou devendo dentro do sistema carcerário.

El caso de Bruno Marabel “la casa del horror de Paraguay” | Criminalista Nocturno

Por ter sido torturado por agentes carcerários em na Penitenciária Nacional de Tacumbú, Bruno foi transferido para Centro de Rehabilitación Social (Cereso) de Itapúa onde teria sido alertado que sua vida estaria em risco. Devido a natureza de seus crimes, a organização criminosa PCC teria decidido que o jovem deveria morrer. Transferido novamente, agora para a Penitenciaría Regional de Concepción.

Habeas Corpus Genérico a favor de Bruno Marabel Ramírez.

Em uma rara decisão, a Suprema Corte de Justiça (CSJ) emitiu um habeas corpus que obriga que as autoridades garantam a segurança de Bruno do Tribunal do Crime do PCC 1533.

Um estranho caso no Uruguai

Uma militante uruguaia narra como foi arrastada para o centro de uma guerra entre facções e governos. Sem nunca ter vendido drogas, sobreviveu à tortura, à traição e à repressão. Um grito de desespero por justiça social e dignidade no meio da falência moral do continente.

Em meio a um Uruguai dividido entre facções, Estados e traições, este relato pessoal revela o impacto brutal da guerra por controle das drogas — com menções diretas ao Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Leia e descubra como sobreviver virou resistência numa América Latina esvaziada de utopias.


Público-alvo:
Militantes de esquerda, usuários de drogas, pesquisadores em criminologia, jornalistas, ativistas por políticas de drogas, profissionais da saúde mental e leitores interessados em narrativas reais com crítica social latino-americana.

Se fosse um inimigo que me insultasse, eu o suportaria; se fosse o meu adversário que se levantasse contra mim, dele eu me esconderia. Mas és tu, meu igual, meu companheiro, meu amigo íntimo.

Salmo 55:12-13

Vou contar minha história.

Sou de família de comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores, e tenho aprendido muito com todos eles nesses meus trinta e oito fevereiros vividos.

Lido com os códigos da velha escola da consciência de classe. Sou de esquerda e, embora tenha crescido entre bandidos, fui abençoado e muito cuidadoso, e nunca esperei que a traição viesse de um irmão, de um oprimido, pois para mim o inimigo eram os opressores, eram os fascistas.

Nestes últimos dois anos vivi coisas horríveis!

Pela primeira vez sofri a traição daqueles, sendo meus irmãos, cantavam canções revolucionárias comigo, e acredite, dos quais eu nunca teria imaginado sofrer uma traição que quase me matou, mas cuja dor me ceifou minha fé no homem.

Nasci em fevereiro de 1984, não tenho antecedentes criminais, morei em São Paulo, Bahia, Romênia, e muitos outros lugares sem nunca ter traficado. Respeito quem o faça, mas não é meu bastão — amo demais a classe trabalhadora, não poderia agir assim.

Apesar eu mesmo ser usuário de drogas, me recuso a escravizar nas drogas os filhos dos pobres trabalhadores.

Eu e muitos outros, militamos pela legalização da maconha no meu país, o Uruguai. Conseguimos. A ideia era, com a legalização haver maior controle sobre o comércio desses produtos.

No final nada disso aconteceu. Como o governo não estatizou ou nacionalizou as empresas, nós apenas regularizamos o mercado para as empresas estrangeiras exportarem nossa produção — passamos a ser vacas de ordenha para sermos sugados por investidores estrangeiros.

Se eu planto, eles roubam, não tem brotos de qualidade na periferia, só prensagem paraguaia, e um bom broto vale tanto quanto cocaína. Tudo para o lucro dos capitalistas dos narcóticos. Entendo agora o porquê, poucos dias depois da legalização, os EUA ameaçaram o presidente José Mujica de congelar as contas bancárias uruguaias em território americano: queriam que a produção não pudesse ser nacionalizada e por isso o Uruguai só regulamentou o comércio.

Nós que militamos pela legalização de nossa produção fomos espancados pela polícia e agora, as empresas estrangeiras podem explorar esse mercado e nos deixar com as migalhas, colhendo os frutos de nossa luta.

No Uruguai a guerra continua! Na periferia, a direita perdeu o mercado de drogas, mas encontrou o caminho perfeito para virar o jogo: usam cavalos de Tróia!

A estratégia é procurar um consumidor ou parceiro de negócios e ao menor deslize ou crime, estes são presos e o preço de sua liberdade é pago com a traição de seus colegas, amigos ou familiares.

Muitos aceitam participar desse novo mercado que antes pertenciam as organizações criminosas argentinas ou a facções brasileiras como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mais cedo ou mais tarde esses que aceitaram participar desse novo mercado acabam sendo presos por algum motivo e negociam sua liberdade com a condição de se infiltrarem para entregar seus antigos comparsas de facção.

Eu nunca pertenci ao tráfico de drogas, sou apenas um usuário, jornalista, cabeleireiro, e anarquista ligado às lutas sociais. Cresci em um bairro de trabalhadores e estudei no bairro de La Blanqueada. Tenho amigos do Nacional, do Penarol e do Cerro, criminosos, traficantes, crianças, políticos, militantes de esquerda, universitários, ateus, católicos, brasileiros, argentinos, e todo o tipo de gente boa e ruim.

Eu não me importo como cada um escolhe viver sua vida, desde que não seja fascista, nem policial, nem vote na direita, se tem códigos antiquados e a consciência de classe é a única coisa que me interessa.

Há dois anos minha vida se tornou um inferno.

Sou da escola onde um criminoso não voltava para casa para não colocar em risco a sua família ou os seus companheiros — só voltaria depois de avisar a todos do risco e da família ou os companheiros decidirem que queriam se arriscar.

Se alguém em risco me avisasse, eu correria o risco, mas sem avisar! Cagando para minha segurança e a da minha família, aí não! Isso para mim não é a ética de um bom criminoso — o certo pelo certo!

Há dois anos aluguei de um amigo uma pequena estância, lugar onde eu vendo artesanato com meu pai de coração, um ex-prisioneiro político pelo Partido Comunista da Argentina, um homem que merece o céu, incorruptível.

Eu com esse amigo cantávamos as músicas revolucionárias da banda argentina Los Redondos, e entoávamos o hino “Violencia es Mentir”! E foi esse amigo quem colocou em risco a vida e a liberdade minha e a de toda a minha família.

Eu havia alugado um quarto em uma fazenda para usarmos para nossa diversão. Como cresci na selva, eu sei como os macacos se movem e, de repente, em uma noite de muita tensão, eu que conhecia a linguagem do crime percebi que algo de errado estava acontecendo.

Não estávamos só nós dois, haviam outros amigos e eles falavam muito, e descobri que eles roubaram drogas de alguma das facções e para pagar tinham que roubar outro traficante que ia descarregar a mercadoria de uma embarcação.

Eu e minha família não tivemos nada com isso! Eu e minha família fomos colocados por eles na linha de tiro de grupos criminosos poderosos — eu matei, mas morreria por minha família.

Imagine meu avô de 88 anos, seguindo os antigos códigos de conduta, onde se uma chave de fenda é roubada da loja de móveis ele não chamaria a polícia, preferia ele mesmo ir procurar o ladrão e lhe quebrar o joelho. Imagine se ele descobre o roubo da cocaína!

Pequei um dos que estavam metidos nessa enrascada. O derrubei e coloquei seu pescoço debaixo de minha perna. Ele me ameaçou dizendo que era da facção brasileira Comando Vermelho.

A mãe desse CV chamou um amigo dela da polícia, mas para sua surpresa veio a Guardia Republicana criada por Mujica, que me levou para o Comissário de Castillos, onde inventaram uma falsa ordem para abordar minha família — ou eu aceitaria participar do esquema de denúncia ou a ordem seria cumprida.

Foi aí que entendi o que estava acontecendo. Como os negócios se davam entre o Uruguai, a Argentina e o Brasil; e entre os grupos criminosos Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC).

O Primeiro Comando da Capital pelo menos administra muito bem a empresa: dá tranquilidade e não obriga ninguém que não pertence ao mundo do crime de se integrar a facção.

A partir daí minha vida foi um inferno.

As pessoas descobriram ao longo do tempo que ninguém de fato é livre. Todos pagam por sua liberdade às autoridades e às facções. Quiseram me prender de várias maneiras e me silenciar.

Um antigo amigo do papai que há muito não aparecia veio com a desculpa de comer um churrasco, mas depois de um tempo apareceu com uma van que parecia ter sido puxada: com vidros quebrados e com muita droga.

Ele me convidou para participar de um esquema e eu exigi que ele fosse embora. Inconformado com a resposta, ele me sequestrou por dois dias durante o inverno. Enquanto fiquei cativo, minha cabeça era enfiada minha cabeça gelo enquanto me torturava, para no fim, plantar a van na porta da minha casa e me entregar para a Polícia de Azul, denunciando que eu estava com as chaves, sendo que, essas vans são destravadas por um sistema eletrônico!

Um pesadelo sem fim.

Depois de um tempo, apreenderam um caminhão de um paraguaio e eu estaria envolvido; depois foi algo haver com um estuprador que continuava foragido; e assim como essas, outras denúncias apareciam — toda vez que começo a me recuperar, eles invadem minha casa e roubam meus telefones.

Eles esperam que eu cometa um erro ou desista de resistir e negocie como outros fizeram minha paz e liberdade, mas eu prefiro morrer a ser um miserável traidor.

Não é minha guerra!

Eu obviamente prefiro o Primeiro Comando da Capital onde se corre pelo certo, mas meu lugar de militância é no social e não quero me envolver com o crime.

Espero que essa guerra termine e que eu e meus avós, que dedicamos nossas vidas pelo socialismo, não mais sejamos torturados pelo fascismo ou pela guerra por domínio de drogas!

Se eu morrer amanhã, não foi ajuste de contas, pois nada vendi. Não é que sou incorruptível, mas não deram nem o preço, mas meu lugar é na imprensa ou trabalhando com as crianças para tirá-las das mãos dos tiranos que agem com violência e mentira.

somos filhos de trabalhadores viciados em oxi

Se usássemos a mesma energia para encontrar uma dose para fazer a revolução, a realidade da América seria diferente. As utopias de esquerda morreram na periferia, você não sente cheiro de revolução, você só sente cheiro de crack, chumbo, abuso, paramos a exportar ladrões de primeira linha e ao invés de jogadores de futebol, hoje os garotos não jogam mais bola em bairros populares, todos querem ser traficantes, sem importa que envenenar seu colega de classe faz parte.

Traição é pão de cada dia, te vendem por um segundo fogo e nem por 3 gramas. Não há garantias de resistência real para o viciado, não há lugar em clínicas ou prazo inferior a 6 meses em psiquiatria. A droga é cortada cada vez mais, e com uma qualidade cada vez menor.

Só consigo pensar em uma solução, que os Estados de cada país latino nacionalizem o mercado de drogas, eu disse nacionalizar não regulamentar. É a humilde opinião de uma filha de trabalhadores viciada em oxi.


Análise de IA do artigo: “Um Estranho Caso no Uruguai”.

🔍 Dados fáticos e temas centrais

TemaAfirmação
Identidade e trajetóriaNasceu em fevereiro de 1984; morou em São Paulo, Bahia, Romênia e outros locais; não tem antecedentes criminais; é usuário de drogas, jornalista, cabeleireiro e anarquista.
Política de drogas no UruguaiMilitante da legalização da maconha; legalização foi aprovada, mas sem estatização; produção e comércio favorecem empresas estrangeiras.
Ameaças e perseguiçõesRelata sequestro, ameaças de membros do Comando Vermelho, perseguições policiais, invasões domiciliares e repetidas tentativas de envolvê-lo em crimes.
Crítica ao modelo de legalizaçãoA legalização foi moldada de modo a impedir nacionalização da produção; afirma que os EUA teriam ameaçado Mujica com sanções bancárias caso nacionalizasse.
Facções criminosasPCC e CV estariam atuando no Uruguai; o PCC seria mais organizado e respeitoso com quem não pertence ao crime; o CV mais impulsivo e violento.
Sistema de delação e infiltraçãoAfirma que presos são libertos sob a condição de trair antigos companheiros, passando a atuar como informantes infiltrados.
Conflitos pessoaisUm amigo próximo teria roubado drogas, colocando sua vida e a de sua família em risco com organizações criminosas.
Violência estatalDenuncia abusos por parte da Guardia Republicana, com uso de ordens falsas e coação para que aceitasse colaborar como delator.
Crítica social e ideológicaLamenta a falência da utopia socialista nas periferias; diz que jovens estão cada vez mais envolvidos com o tráfico; denuncia hipocrisia de parte da esquerda.
Proposta finalDefende a nacionalização (não apenas regulamentação) do comércio de drogas nos países latino-americanos como solução para romper com o ciclo do crime e da repressão.
📌 Análise de precisão factual (com base no banco de dados e fontes confiáveis):
PontoVerificação e comentários
Legalização da maconha no Uruguai✅ Verdadeiro. Aprovada em 2013 sob o governo Mujica, com modelo de regulação estatal, mas produção foi em grande parte concedida a empresas privadas sob controle rígido. O Estado não estatizou a produção.
Ameaças dos EUA a Mujica⚠️ Parcialmente plausível, mas não confirmada oficialmente. Houve preocupações dos EUA sobre lavagem de dinheiro, e o Uruguai negociou com bancos internacionais, mas não há prova pública de ameaças diretas com congelamento de contas.
Atuação do PCC e CV no Uruguai✅ Há registros de investigações uruguaias e brasileiras apontando atuação esporádica e articulações de grupos brasileiros no cone sul, especialmente em zonas de fronteira. Porém, sua presença não é estrutural como no Brasil ou Paraguai.
Sistema de delação premiada informal⚠️ O Uruguai não possui um sistema amplo de delação premiada como o brasileiro. Acusações de delações forçadas ou uso de informantes não são documentadas em escala sistêmica, embora possam ocorrer pontualmente.
Guardia Republicana criada por Mujica✅ Verdadeiro. A Guarda Republicana é uma força especial da Polícia Nacional uruguaia reforçada durante o governo Mujica para lidar com crimes graves e narcotráfico.
Exploração por empresas estrangeiras após legalização✅ Real. As duas principais empresas inicialmente autorizadas a plantar cannabis para distribuição foram estrangeiras ou com capital estrangeiro. Pequenos produtores criticaram a centralização da produção e as restrições.
Situação de drogas adulteradas e falta de tratamento✅ Estudos e reportagens indicam precariedade na qualidade das drogas vendidas na periferia, aumento de consumo de oxi e crack, e déficit de políticas públicas de saúde mental no cone sul.

O relato possui uma base factual sólida nos seguintes aspectos: contexto político da legalização no Uruguai, presença episódica de facções brasileiras no cone sul, repressão estatal às margens da legalidade, e marginalização dos usuários. Contudo, há trechos que, embora verossímeis e coerentes com dinâmicas conhecidas, carecem de comprovação pública — como o uso sistemático de delatores ou pressões diretas dos EUA sobre Mujica em forma de ameaça bancária.

Trata-se de um testemunho de valor documental, marcado pela vivência subjetiva e leitura crítica de um militante, e não de um texto jurídico ou investigativo. Por isso, suas verdades repousam no campo do vivido e do simbólico, mais que do verificável em fontes oficiais.


Análise do texto sob o prisma da Teoria da Associação Diferencial

📌 1. O comportamento criminoso é aprendido — não herdado biologicamente

Texto: “Sou de família de comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores, e tenho aprendido muito com todos eles.”

Análise: O narrador reconhece ter aprendido valores, códigos e posturas através da convivência direta com pessoas do meio criminoso, político e operário. O ambiente social de origem era diverso, e não patologicamente criminoso — mas continha elementos de transgressão política e penal. Esse aprendizado é social, não genético.

📌 2. A aprendizagem ocorre em interações com pessoas próximas

Texto: “Eu e esse amigo cantávamos as músicas revolucionárias da banda argentina Los Redondos […] e foi esse amigo quem colocou em risco a minha vida e de minha família.”

Análise: A traição vem de dentro da rede de convivência. A teoria prevê que o sujeito é mais vulnerável ao comportamento desviante quando a influência vem de pessoas emocionalmente significativas. A proximidade afetiva foi um vetor de risco.

📌 3. A aprendizagem inclui técnicas e racionalizações do crime

Texto: “Como cresci na selva, eu sei como os macacos se movem […] eu que conhecia a linguagem do crime percebi que algo de errado estava acontecendo.”

Análise: O narrador demonstra domínio de códigos e estratégias que fazem parte do universo criminal, ainda que negue sua adesão prática a ele. Isso está em linha com a ideia de que se aprende não só a agir, mas a pensar e interpretar o mundo à maneira dos grupos desviantes.

📌 4. O contato com definições favoráveis ou desfavoráveis ao crime determina a inclinação para delinquir

Texto: “Apesar de ser usuário de drogas, me recuso a escravizar nas drogas os filhos dos pobres trabalhadores.”

Análise: A convivência com criminosos não levou o narrador a cometer crimes. Isso se explica pela preponderância das “definições desfavoráveis ao crime” no seu arcabouço moral: há um código ético de classe e resistência, que ele valoriza mais do que a adesão ao crime. Sua recusa ativa ao tráfico demonstra que, embora exposto a valores criminosos, ele internalizou outros — ético-revolucionários, por assim dizer.

📌 5. O comportamento criminoso é aprendido como qualquer outro comportamento — pelas mesmas formas de comunicação e experiência

Texto: “Sou da escola onde um criminoso não voltava para casa para não colocar em risco a sua família ou os seus companheiros.”

Análise: O narrador revela que aprendeu “a ética do crime” da mesma forma que se aprende qualquer valor social: pela observação, convivência, fala e prática. Não se trata de uma simples adesão irracional ao mal, mas da internalização de um código de honra paralelo ao legal.

📌 6. A intensidade, frequência e duração das associações influenciam na aprendizagem

Texto: “Tenho amigos do Nacional, do Penarol e do Cerro, criminosos, traficantes, crianças, políticos, militantes de esquerda…”

Análise: A grande diversidade de contatos indica que o narrador foi amplamente exposto a múltiplas influências ideológicas, criminosas e sociais. Segundo Sutherland, esse tipo de ecossistema pode gerar conflito moral interno, mas também fornece alternativas para escolhas não criminosas, como é o caso.


📌 7. A associação diferencial pode explicar tanto o crime quanto a resistência a ele

Texto: “Prefiro morrer a ser um miserável traidor […] Meu lugar é na imprensa ou trabalhando com crianças.”

Análise: O protagonista, apesar da exposição intensa ao crime, recusa-se a aderir à prática. Isso reforça a ideia de que, embora o ambiente seja um fator determinante, ele não é absoluto: os significados atribuídos a essas experiências e os grupos com os quais o indivíduo mais se identifica moralmente podem moldar sua conduta em outra direção.

✅ Conclusão da análise com base na Teoria da Associação Diferencial

O relato é um exemplo claro da aplicação da teoria de Sutherland. O narrador vive em um meio onde há forte presença de elementos criminais, mas a socialização com ideais éticos da classe trabalhadora, do anarquismo e da militância social atua como um contrapeso às pressões desviantes.

Ele aprendeu os códigos do crime — conhece sua linguagem, estratégias e limites — mas os recusa com base em valores internalizados por outras associações diferenciais, mais morais, mais comunitárias.

Sua trajetória mostra que o crime não é fruto apenas da miséria ou da predisposição pessoal, mas de uma rede de interações, códigos morais e oportunidades simbólicas.


Análise do perfil psicológico do autor

A análise psicológica do autor do texto “Um estranho caso no Uruguai” revela um perfil singular, estruturado por três dimensões centrais: vivência de conflito crônico, rigor moral fora da legalidade institucional e resistência política de base afetiva. Abaixo, apresento essa leitura em quatro blocos: identidade, afetividade, funcionamento psíquico e riscos.

🧠 1. Identidade psicossocial

✓ Identidade combativa e marginal-ética
O autor constrói uma narrativa de vida marcada pela convivência com marginais — “comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores” — mas reafirma que a criminalidade nunca foi seu caminho. Essa dualidade (inserção sem adesão) revela um senso de identidade liminar: ele habita os dois mundos, mas se recusa a ser moldado por nenhum que contradiga seus próprios códigos.

✓ Estrutura identitária vertical e herdada
Sua autoimagem está fincada em um ideal de continuidade intergeracional: “meu avô, meu pai de coração, meus companheiros”. Essa rede não é apenas relacional — é simbólica, substituindo o Estado e a legalidade institucional por uma ética própria. Isso sugere forte internalização de valores comunitários e rebeldes, uma identidade que opera à margem da ordem formal, mas se ancora em vínculos afetivos sólidos.

❤️ 2. Afetividade e códigos emocionais

✓ Raiva moral canalizada como crítica social
Há uma fúria constante no texto — contra o sistema, contra os traidores, contra a falsidade institucional — mas que não se desorganiza. Em vez disso, ela é canalizada para narrativas políticas e denúncias sociais. Isso indica alta elaboração da emoção, mas com traços de amargura profunda e desencanto acumulado.

✓ Traição como núcleo traumático
A traição por parte dos “irmãos” que cantavam canções revolucionárias com ele é descrita com mais intensidade emocional do que as ameaças físicas. Isso revela que sua maior vulnerabilidade psíquica está no rompimento dos vínculos simbólicos, não na dor corporal. O trauma relacional o desestrutura mais que a violência estatal.

✓ Ambivalência afetiva persistente
O autor idealiza o crime “honesto” (o código do criminoso de conduta) ao mesmo tempo que o rejeita. Ele admira o PCC por “correr pelo certo” e despreza o Comando Vermelho por envolvimento desordenado com o Estado. Essa ambivalência emocional mostra que seu sistema ético é construído em oposição tanto à lei quanto ao caos, o que impõe constante tensão interna.

🧩 3. Funcionamento psíquico

✓ Estrutura de pensamento discursiva e política
A escrita é coerente, articulada, com raciocínio encadeado por causa e consequência, mesmo sob carga emocional elevada. O autor é capaz de reflexão abstrata, faz crítica geopolítica, sociológica e histórica, o que aponta para um funcionamento de ego preservado e maduro em termos cognitivos.

✓ Visão de mundo dualista e moralizante
Há uma divisão clara entre “os certos” e “os errados”, ainda que o autor reconheça a complexidade das ações humanas. Isso pode ser visto como mecanismo defensivo de delimitação do eu, necessário para manter coesão psíquica em ambientes com alta ambiguidade moral. Ele não se perde nos cinzas: opta pelos extremos, mas consciente disso.

✓ Hipervigilância e percepção persecutória fundamentada
Dado o histórico relatado de sequestros, vigilância, ameaças e infiltrações, é esperado que o autor desenvolva comportamentos de hipervigilância. No entanto, ele mantém a noção de realidade, distinguindo-se de quadros paranoides: sua desconfiança é contextualmente plausível e relatada com clareza.

⚠️ 4. Indicadores de risco psicológico

RiscoEvidência no textoInterpretação
Trauma relacional“…ceifou minha fé no homem”Provável vivência de ruptura traumática de confiança, com impacto em vínculos futuros.
Síndrome de estresse pós-traumático (subclínica)Sequestro, tortura, perseguições repetidasIndícios compatíveis com TEPT leve a moderado, ainda não desorganizante, mas marcante.
Pensamento sacrificial“Prefiro morrer a ser um miserável traidor.”Risco de autoexposição excessiva, sustentada por uma ética de honra que pode comprometer a autopreservação.
Uso de substâncias“Sou usuário de drogas.”Reconhece o uso, mas afirma limites claros; há risco moderado de dependência, mas não há sinais de uso descontrolado no texto.
Isolamento social funcional“Minha vida virou um inferno.”Indica restrição de redes de apoio confiáveis; o autor parece operando num circuito de sobrevivência e desconfiança.

✅ Conclusão do perfil psicológico

O autor é um indivíduo de estrutura psíquica preservada, alta capacidade reflexiva e com uma ética pessoal profundamente enraizada na justiça de classe e na lealdade afetiva. Ele demonstra resiliência significativa diante de adversidades graves, mas carrega feridas emocionais profundas, sobretudo no campo da confiança interpessoal.

Seu modo de viver e pensar é condicionado por experiências reais de perseguição e violência, mas sua resposta a isso não é paranoica nem vingativa: é crítica, social e política. Há traços de sofrimento emocional mal processado, mas compensados por engajamento simbólico com causas sociais e produção discursiva (narração, denúncia, articulação).

Sua maior fragilidade psíquica parece estar na solidão moral do justo que recusa tanto o Estado quanto o crime — um território perigoso para quem resiste.

O cangaço de Lampião e Marcola do PCC

Muitos dizem que o cangaço e as facções criminosas são, antes de mais nada, um fenômeno social. Seria o Primeiro Comando da Capital de hoje o cangaço do passado?

O Novo Cangaço — um grupo ou uma modalidade criminosa?

No Brasil, o Novo Cangaço é uma modalidade criminosa que descreve a ação na qual grupos do crime organizado dominam apenas pelo tempo de duração de um ataque planejado em uma região delimitada — um tipo secular de crime, no entanto, o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) profissionalizou os procedimentos.

Autoridades do Paraguai e da Argentina discutem estratégias para se contrapor aos ataques do Novo Cangaço e vejo tanto a imprensa e quanto autoridades utilizando o termo “Novo Cangaço” para designar uma facção criminosa como se fosse um nome próprio:

O grupo Novo Cangaço se junta ao Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho, Bala na Cara e outros que desembarcaram na fronteira e fincaram raízes em nosso território.

Prensa Mercosur

Não descarto que possa haver algum grupo que tenha se apropriado do nome, no entanto, o importante é estudar o fenômeno em si, como demonstra a morte de diversos membros das forças de segurança e a prisão de um número cada vez maior de profissionais do crime que se especializaram nessa modalidade criminosa.

O Primeiro Comando da Capital já possui em território paraguaio 700 integrantes conhecidos pelas autoridades e suas ações tem se concentrado nas províncias paraguaia e argentina próximas à fronteira com o Brasil.

O criminologista Juan Martens ressalta para o Prensa Mercosur que “Infelizmente, os policiais continuarão morrendo nas mãos de criminosos, enquanto não houver um sistema institucional que os proteja”.

Devido ao planejamento, a sofisticação na execução, aos contatos dentro das forças de segurança pública e privada, e o alto investimento envolvido é impossível os agentes de rua reagirem com eficácia aos ataques, e sua coerção só é possível através de um sofisticado processo de investigação com respaldo em legislação específica — o que pode contrariar interesses políticos.

Quando chegavam, eles chegavam em uma comunidade, aqueles jovens, aqueles adolescentes, sem nenhuma perspectiva de vida, que muitas vezes não tinham nem o que comer, viam aquele bando de homens com armas e roupas imponentes.

Aquela visão impressionava, e muitos desses garotos passavam a desejar para si aquela vida para poder ter esse mesmo tipo de acesso a coisas que eles jamais teriam.

Esse trecho do “Temacast Lampião” poderia estar se referindo tanto ao bando de Lampião quanto a um grupo de criminosos de hoje nas favelas e comunidades carentes brasileiras e agora ultrapassam a fronteira em direção ao Paraguai e a Argentina:

O Temacast, o cangaço e a facção PCC 1533

O Primeiro Comando da Capital é fruto de nosso tempo, mas não tem como não notar as semelhanças entre esse fenômeno criminal e a era de ouro do cangaço ao ouvir o podcast “Lampião”, do canal Temacast.

Lampião (…) cria um próprio poder paralelo, por isso que comparam a ele com os traficantes atuais, por que não existe ausência de poder (…) onde o governo não chega, alguém vai ocupar aquela lacuna, é a chamada ausência do poder legal. O crime exerce o poder por que o Estado não fez antes dele.

Leia este texto, que é uma transcrição de parágrafos inteiros (como o acima), Em alguns deles, substituo a palavra “cangaço” pelo termo “facção criminosa”, e a descrição do passado se encaixa como uma luva para os dias de hoje, mas, se preferir, ouça você mesmo o bate-papo entre os acadêmicos Francisco Seixas, Larissa Abreu, Igor Alcantara e Fabrício Soares: Temacast

O cangaço, as milícias e o PCC 1533

Facções criminosas: milicianas e criminosas

Hoje não há uma clara diferença entre os facciosos oriundos do mundo do crime e aqueles que vieram das milícias, no entanto os milicianos se originaram da mesma forma que os antigos cangaceiros do nordeste.

Os primeiros milicianos tiveram sua origem como meros “prestadores de serviço”, aí o termo prestadores de serviço tem que ficar entre aspas, porque eles prestavam serviços de jagunços para os chefes políticos locais e pequenos empresários das comunidades.

Na década de 1970 e início da de 1980 outros grupos de extermínio agiam por todo o país. Os “mãos brancas” eram grupos de justiceiros compostos por policiais civis e militares que mataram, durante duas décadas, milhares de pessoas.

“Acho que elas são piores do que as facções. No caso da facção fica muito claro quem é o bandido e quem o mocinho, a milícia transita entre o Estado e o crime, o que é bem pior.”

desembargadora Ivana David
faces controle social tráfico cangaço pol[icia

A finalidade social das facções criminosas

Por outro lado, as grandes organizações criminosas brasileiras cuja origem se deu no mundo do crime, como o Comando Vermelho, Primeiro Comando da Capital e Família do Norte, tiveram sua célula mater na antiga Falange Vermelha (FV), do Rio de Janeiro.

Os primeiros grupos facciosos de que se tem relato eram, na verdade, meros grupos de presos que visavam apenas se autoproteger dentro das muralhas do sistema carcerário, mas que passaram a atuar fora das celas, inicialmente em suas próprias comunidades.

Conta-se que já em 1840, em Feira de Santana, na Bahia, havia um cangaceiro chamado Lucas da Feira, que tinha uma maneira de agir muito parecida com a de Robin Hood: ele fazia os saques e distribuía parte do butim para a comunidade carente.

José Carlos Gregório, o Gordo da Falange Vermelha, afirma que repartir parte dos roubos e do tráfico também era uma das bases da ética criminosa da FV e que isso acabou sendo incorporado por outras facções, como o PCC e o CV.

Assim como o cangaceiro Lucas da Feira, os facciosos faziam uso de extrema violência e crueldade para garantir o sucesso de suas ações, contudo eram aceitos com certa naturalidade e até com boa vontade dentro de suas bases territoriais.

Marcola do PCC Marcos Willians Herbas Camacho

O Lampião de ontem, o Marcola de hoje, e o antagonista de amanhã

Da forma com que a imprensa e a história apresentam Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, tem-se a impressão que ambos foram fundadores dos movimentos que representam: facções criminosas e cangaço.

O Marcola era homicida, sequestrador, roubava banco, não tinha nada a ver com a facção, mas é um homem articulado. E quando ele foi levado para o presídio de Tremembé [no interior de SP] começa a conversar com os últimos presos políticos no sistema prisional e aprende com eles sobre como estruturar o tráfico, a gerenciar como uma empresa, ao mesmo tempo em que vende internamente para os detentos a ideia de uma irmandade revolucionária.

desembargadora Ivana David

No entanto, foram apenas frutos de um processo que os antecederam em décadas.

Creio que você, assim como eu, não possui uma bola de cristal que possa lhe dizer como o futuro há de julgar Marcola do PCC, mas, se me basear no passado, em Lampião, posso afirmar que o antagonismo se manterá vivo por muito tempo:

  • odiado, pois sob o ponto de vista da lei, Marcola é, assim  como Virgulino foi, um bandido, um criminoso sanguinário que matava e fazia negociatas sujas com políticos; e
  • amado, pois sob o ponto de vista político, Marcola é, assim como Virgulino foi, uma dessas pessoas que não aceitava o modelo oligárquico, no qual uma minoria privilegiada tem acesso aos bens de consumo e a ampla maioria da população vive disputando um espaço de sol na miséria.
o mito do cangaceiro revolucionários

Jesuíno Brilhante, Lampião e Marcola

A socióloga Camila Nunes Dias afirma que o “O PCC não é revolucionário, é uma organização conservadora e que tem valores como o machismo e o repúdio aos homossexuais”, assim como era o comportamento dos cangaceiros de Lampião.

… meninos entram para o tráfico e meninas pegam uma barriga deles. Quanto mais poderoso e rico é o menino, mas elas disputam entre si pra ver quem vai engravidar dele primeiro. Estamos falando de meninos e meninas de 16 a 20 anos.

Luiz Felipe Pondé

Jesuíno Alves de Melo Calado, o cangaceiro Jesuíno Brilhante, buscava contestar o sistema da forma como ele estava montado, ao contrário de Lampião e Marcola, que se integraram, cada um de seu jeito, ao sistema, se aliando a políticos conservadores.

“Essa visão de mocinho e bandido só existe em história infantil”

Esses ícones do Estado paralelo tiveram suas vidas esmiuçadas por dezenas de estudiosos em milhares de trabalhos acadêmicos e audiovisuais. No entanto não há consenso, alguns refletiram a visão daqueles que combateram o cangaço ou que tiveram seus antepassados mortos ou saqueados por eles; já outros, se basearam nos depoimentos do povo que convivia com eles.

Talvez nunca saberemos, afinal, se era um deus ou um diabo que reinava na terra do sol, assim como não sabemos, hoje, como serão vistos, no futuro, aqueles que reinam nas periferias, nos morros ou dentro do Sistema Prisional.

Qualquer grande líder político, militar ou religioso desperta essa reação de amor e ódio, e, se fizermos uma análise profunda, encontraremos grandes razões para amá-los e odiá-los ― não foi diferente com Lampião e Jesuíno Brilhante, e não será diferente com Marcola.

brincando de segurança pública pcc 1533

O Estado como controlador da violência

Lampião comandou seu homens com pouca resistência no período que sucedeu a Proclamação da República, em 1888, e Marcola viu o fortalecimento de sua organização após a derrubada do Regime Militar e com a Promulgação da Constituição Cidadã de 1988.

Espécies nocivas que frequentam o ambiente se proliferam com rapidez pela falta de predadores naturais, e assim o cangaço e as facções criminosas se fortaleceram na ausência do Estado nos presídios, nas periferias e no sertão nordestino.

Assim como no passado, o medo impera naqueles que comandam os diversos níveis de poder mas não temem a criminalidade tanto quanto temem a eles mesmos:

Os fazendeiros e políticos locais do século XIX e o governo federal temiam a política dos governadores. Um século e meio após, se um candidato à presidência propor a federalização ou a municipalização da segurança pública ― os governadores pirariam!

Dentro dessa realidade, o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) não consegue ser implementado deixando uma via aberta e bem pavimentada para as organizações criminosas enquanto os diversos entes federativos lutam pelo poder.

Getúlio Vargas subindo o morro

Getúlio Vargas para acabar com o PCC?

Até hoje, não há dados confiáveis sobre as questões de Segurança Pública. Cada estado é responsável pelo cadastramento de seus cidadãos e dos criminosos, através da emissão de documentos, e estes não estão disponíveis em tempo real.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não aposta em um novo salvador da pátria e explica suas razões:

Os estados sempre quiseram cuidar das forças de segurança, até a Constituição de Cidadã de 1988 as polícias militares respondiam diretamente às Forças Armadas, mas nós, democratas, lutamos para retirar dos militares esse poder.

A Segurança Pública deve ser gerida pelos estados, os estados nunca aceitaram intervenção porque a polícia é um espaço de poder. O exército não está preparado para enfrentar inimigos urbanos, ele é feito para defender o Brasil de possíveis inimigos externos.

Contra inimigos externos você não conversa, você atira e não é isso que vai acontecer em uma favela. O exército ficou na Favela da Maré um ano e não deu nada, subia tanque do exército na favela e a sociedade ficava acreditando.

No passado também foi assim, pelo menos até que chegou o cara, o salvador da pátria! Getúlio Vargas derruba o poder dos governadores e dos senhores locais e encerra a era de ouro do cangaço.

Talvez apareça um novo messias para nos salvar, talvez o Sistema Único de Segurança Pública dê mais um passo em seu lento deslocamento em direção ao aperfeiçoamento, ou talvez deixemos como está para ver como é que fica.

Pedro Rodrigues da Silva, o Pedrinho Matador, conhece o sistema prisional de São Paulo como poucos. Ele ficou sem ver a rua de 1973 até 2007 e de 2011 até 2018 — viveu mais de 40 atrás das grades e por lá, ele conta que viu mais de 200 presos serem mortos enquanto esteve por lá, sendo que mais de 100 foram ele mesmo que matou.

Viveu no cárcere no tempo do Regime Militar, da redemocratização e dos governos com leve viés progressista, mas mudança mesmo, houve quando a facção paulista despontou como hegemônica, acabando com as diversas gangs e grupos dentro das cadeias e presídios.

Sobre o Primeiro Comando da Capital ele afirmou durante uma entrevista:

“Fui [convidado a entrar no PCC], mas não entrei. Ali é o seguinte: depois que surgiu o partido, você vê que a cadeia mudou. Não morre ninguém porque o partido não deixa. É paz. Paz para a Justiça ver. Se começa uma briga, eles seguram. Eles também ajudam quem sai, arrumam trabalho.”

transcrito por Willian Helal Filho para O Globo

Preto do Jardim Vitória: Um passeio pelas Biqueiras de Itu

Preto do Jardim Vitória é apontado como uma figura de importância na atuação do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) em Itu. Sua trajetória está relacionada à de Lázaro, outro personagem envolvido nessa história, cuja atuação também será abordada nesta matéria.

Navegue conosco pelas esquinas escuras e ruas sinuosas do submundo do crime, onde o poder se esconde nas sombras. A narrativa a seguir mergulha profundamente na vida destes homens, tecendo uma tapeçaria de destinos influenciados pelas decisões feitas na beira do abismo. Será que eles são simples produtos de um sistema falho, ou há algo mais intrincado em jogo?

Este texto, produzido originalmente em janeiro de 2012, provoca questionamentos e desafia perspectivas. Convidamos você a se juntar à discussão e compartilhar suas impressões conosco. Deixe um comentário no site, participe do nosso grupo de leitores ou envie-me uma mensagem privada. Estamos ansiosos para ouvir suas opiniões e continuar este importante diálogo.”

Preto do Jardim Vitória: O Poder Oculto

Nas profundezas de Itu, cidade do interior de São Paulo, Lázaro, também conhecido como Anselmo, caminha silenciosamente pelas ruas úmidas e estreitas da Rua Zumbi no Jardim Vitória. Sob o brilho difuso das luzes da cidade, refletidas no asfalto molhado, os pensamentos de Lázaro são dominados pela figura de Júlio Cesar, ou “Preto do Jardim Vitória”. Esta personalidade influente, juntamente com Japa, ecoa além das barras de ferro da Penitenciária de Avaré, impondo respeito e poder.

Mesmo que seus corpos estejam aprisionados, seus corações, mentes e ordens permeiam livremente as ruas de Itu, Salto e Indaiatuba. Nada ocorre sem que um deles tenha conhecimento. Em cada esquina e beco dessas cidades, os sussurros de suas ordens são sentidos, uma prova indelével do controle que exercem.

Lázaro: A chegada em Itu

Lázaro entra em Itu pela velha estrada de Salto, na entrada da Favela do Isaac Shapiro. Desvia-se da estrada principal, adentra o bairro e é saudado pela visão de uma “biqueira”, um ponto de venda de drogas brilhando sob a luz lunar e o giroflex de viaturas policiais. A abordagem aos usuários é em vão, pois só encontram pequenas quantidades de drogas.

Recentemente, o Jardim Novo Itu viu uma nova “biqueira” emergir. Esta foi uma conquista do irmão Bola de Fogo, que adquiriu os direitos de exploração do bairro de Júlio César por 10 mil reais. É um lembrete contínuo da expansão do Primeiro Comando da Capital e seu controle sobre o tráfico de drogas na cidade.

Preto do Jardim Vitória: Sob o controle do PCC

A aquisição de biqueiras e o domínio territorial são estratégias de sobrevivência para o PCC. Com o crescimento da facção PCC, a tranquilidade das ruas de Itu é constantemente perturbada. O processo é quase clínico, evitando derramamento de sangue desnecessário e conflitos internos, mantendo a ordem. Lázaro é testemunha disso, observando em silêncio as engrenagens do crime organizado em movimento.

Com a presença policial na Favela do Isaac Shapiro, Lázaro decide seguir em frente para o Jardim Vitória. Estaciona seu carro perto do posto de saúde e prossegue a pé, pronto para cumprir uma “responsa“. No caminho, seus olhos se desviam para a casa que outrora abrigava Marcelo, um conhecido.

No território do irmão Preto

Marcelo deixou a Rua Zumbi para a Rua Miguel Arcanjo Dutra, carregando mais do que apenas suas posses. Ele carregava a expectativa e o medo de viver sob a sombra do irmão Preto. Nesse momento, Lázaro se vê refletido em Marcelo, ambos moldados e definidos por forças além de seu controle.

Na noite que envolve Itu, Lázaro caminha como um fantasma, observando e compreendendo a realidade sombria da cidade. Ele carrega consigo a realidade de vidas presas na teia complexa da facção PCC, a imagem de uma cidade dominada pelo crime organizado. Cada passo seu é uma homenagem silenciosa àqueles que, como ele, continuam a lutar dentro da complexidade do submundo criminal.

publicado originalmente em 10 de janeiro de 2012 no site aconteceuemitu.org

Análise por IA do artigo: Preto do Jardim Vitória: Um passeio pelas Biqueiras de Itu

O texto “Preto do Jardim Vitória: Um passeio pelas Biqueiras de Itu”, escrito por Rícard Wagner Rizzi (originalmente publicado em janeiro de 2012 no portal aconteceuemitu.org e republicado em 2022 em seu blog especializado), situa-se na fronteira entre a crônica policial dramatizada e a observação etnográfica do crime organizado no interior de São Paulo.

Abaixo apresenta-se uma análise factual, criminológica e crítica dos principais pontos, premissas e conclusões do autor.

Contexto e Premissa Central do Texto

O texto descreve a caminhada de um personagem (“Lázaro” ou “Anselmo”) pelos bairros periféricos de Itu (Jardim Vitória, Jardim Novo Itu e Favela do Isaac Shapiro), observando a arquitetura do tráfico de drogas local, a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a liderança exercida por figuras presas, como Júlio César (“Preto do Jardim Vitória”) e “Japa”.

Os Acertos do Autor (Validade Factual e Criminológica)

1. A Lógica Corporativa e a Mercantilização do Território (“Biqueira Comprada”)
  • Acerto do autor: O relato destaca que a biqueira do Jardim Novo Itu foi adquirida pelo integrante “Bola de Fogo” das mãos de Júlio César por R$ 10 mil.
  • Análise factual: Este é um dos pontos mais precisos da narrativa. A literatura criminológica contemporânea (como os estudos de Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias) confirma que o PCC não opera apenas por imposição militar, mas por uma lógica de franquia e regulação de mercado. Os pontos de venda (“biqueiras”) são tratados como ativos comerciais arrendados, vendidos ou concedidos mediante regras de disciplina da facção.
2. A Gestão do Crime a Partir do Sistema Prisional
  • Acerto do autor: A afirmação de que a autoridade de líderes presos na Penitenciária de Avaré orienta o cotidiano do tráfico nas ruas de Itu, Salto e Indaiatuba.
  • Análise factual: A interiorização do PCC nos anos 2000 e 2010 consolidou o modelo no qual as penitenciárias funcionam como centrais de comando (“sintonias”). O uso da comunicação móvel e de redes de contatos externos para gerir negócios fora das grades é um dado consolidado pela inteligência policial e por pesquisas acadêmicas.
3. A Ineficácia do Policiamento Ostensivo Tradicional de Ponta
  • Acerto do autor: O texto mostra a viatura policial entrando na favela e abordando usuários, registrando que a ação é “em vão” por apreender apenas pequenas quantidades, sem abalar a estrutura do negócio.
  • Análise factual: O autor retrata com precisão o gargalo da segurança pública brasileira: a repressão ostensiva focada no consumo ou no pequeno varejo pontual (“vapores” e usuários) não afeta a cadeia de suprimentos, o fluxo financeiro nem a liderança hierárquica do crime organizado.
4. A Regulação da Violência (“Pax Hegemônica”)
  • Acerto do autor: O autor aponta que o processo de expansão territorial da facção busca evitar “derramamento de sangue desnecessário e conflitos internos, mantendo a ordem”.
  • Análise factual: O monopólio ou hegemonia do PCC no estado de São Paulo esteve diretamente correlacionado à queda drástica nas taxas de homicídio nas periferias a partir dos anos 2000. A regulação interna do crime proíbe assassinatos sem autorização (“debates”), visando manter o negócio rentável e fora do foco ostensivo das forças de segurança.

Os Erros, Exageros e Limitações do Texto

1. O Mito da Onipresença e do “Controle Absoluto”
  • Erro / Exagero do autor: O texto afirma de forma categórica que “nada ocorre sem que um deles tenha conhecimento” e que as ordens permeiam de forma totalitária cada beco e esquina.
  • Crítica factual: Essa visão idealiza a capacidade de gestão da facção, atribuindo-lhe um controle panóptico perfeito. Na prática, a gestão territorial do crime na ponta é frequentemente fragmentada, sujeita a ambiguidades locais, desobediências, crimes de oportunidade e rivalidades veladas.
  • Evidência no próprio contexto: O comentário histórico anexado ao final do post (datado do próprio mês de publicação, janeiro de 2012) relata o fuzilamento de dois jovens na mesma Rua Zumbi citada no texto, além do fato de o próprio chefe (“Preto”) ter saído da prisão e preferido ficar “mocosado” (escondido). Isso demonstra que a suposta estabilidade absoluta descrita no ensaio era mais frágil e volátil do que a narrativa sugeria.
2. Determinismo Social e Redução da Agência Individual
  • Erro teórico do autor: A conclusão de que os indivíduos envolvidos são “moldados e definidos por forças além de seu controle” e “simples produtos de um sistema falho”.
  • Crítica criminológica: Embora os fatores socioeconômicos e a falta de oportunidades estatais sejam condicionantes reais, reduzir a trajetória criminal exclusivamente ao determinismo social invisibiliza a agência individual, a busca por status, a escolha econômica racional em mercados ilícitos e o cálculo de risco-benefício dos atores envolvidos.
3. Hibridismo Metodológico: Confusão entre Crônica Literária e Reportagem Factual
  • Limitação de formato: A narrativa adota uma linguagem romanceada (“Lázaro caminha como um fantasma”, “sob o brilho difuso das luzes”), atribuindo pensamentos íntimos aos personagens reais.
  • Crítica: Ao dramatizar monólogos internos e sentimentos de figuras do submundo, o autor transita do campo do jornalismo/criminologia factual para a ficção narrativa. Isso pode levar o leitor a tomar construções poéticas ou percepções subjetivas do autor como fatos comprovados de inteligência criminal.
4. Subestimação do Papel da Coerção Severa
  • Erro de enquadramento: Ao qualificar a expansão como um processo “quase clínico” de manutenção da ordem, o texto suaviza a natureza coercitiva da facção.
  • Crítica: A ordem mantida pelo PCC não decorre de uma gestão administrativa pacífica por consenso, mas da ameaça crível de violência extrema exercida por meio dos “tribunais do crime”. O ambiente “clínico” só existe porque a punição para o descumprimento das regras da facção é a morte ou a tortura.

Resumo Comparativo

Dimensão da AnáliseAcerto do AutorErro / Limitação do Autor
Mercado do TráficoCompreendeu a lógica de compra/venda de pontos (“biqueira comprada”).N/A
Comando PrisionalIdentificou o papel das penitenciárias como centros de comando remoto.Exagerou o grau de onipresença e infalibilidade do controle.
Violência UrbanaPercebeu a intenção do PCC de controlar guerras de gangues locais.Subestimou a coerção letal e a violência velada que sustentam essa “paz”.
Ação PolicialApontou a ineficácia do patrulhamento superficial contra o modelo de negócios.N/A
Análise de AtoresMapeou os nomes e as dinâmicas locais de Itu/região.Adotou um determinismo social absoluto, ignorando a agência individual.

Conclusão

O texto de Rícard Wagner Rizzi possui alto valor descritivo e histórico ao registrar a interiorização do PCC e a mercantilização das biqueiras no início da década de 2010 na região de Itu. Seu grande acerto foi perceber que o crime organizado em São Paulo havia se tornado uma estrutura reguladora do mercado ilícito e da ordem social local.

Por outro lado, o autor peca pelo excesso de dramatização romanceada e por reproduzir a aura de onipotência da facção, oferecendo uma visão excessivamente determinista sobre os indivíduos e simplificando a complexa (e muitas vezes violenta) engrenagem de controle do PCC.

Análise por IA sobre o autor do site atravéz da leitura do artigo:

O artigo foi publicado em 2022, mas informa que é uma republicação de um texto originalmente publicado em janeiro de 2012. O próprio site identifica Ricard Wagner Rizzi como autor. (PCC 1533)

1. Primeira impressão psicossocial

Minha leitura é que o autor não escreve como alguém fascinado simplesmente pelo crime, mas como alguém que desenvolveu uma relação intelectual bastante intensa com um universo social que inicialmente lhe era externo.

Há uma característica particularmente evidente: a tentativa de compreender o crime organizado a partir de dentro, sem necessariamente adotar sua moralidade.

Isso aparece na maneira como o texto transforma uma realidade local em narrativa quase noir. Ruas, noite, chuva, luzes, becos, sombras, prisão, personagens conhecidos por apelidos e uma cidade aparentemente atravessada por forças invisíveis. A abertura atual do artigo, inclusive, exagera deliberadamente essa atmosfera, falando em “esquinas escuras”, “ruas sinuosas” e “submundo do crime”. (PCC 1533)

Isso sugere uma coisa interessante sobre o autor: ele não apenas coleta informação; ele dramatiza a informação para torná-la inteligível.

2. O mecanismo psicológico mais interessante: aproximação e distância

O autor parece manter simultaneamente dois movimentos aparentemente contraditórios.

Aproximação:
ele quer conhecer os personagens, seus códigos, relações, territórios, hierarquias e modos de funcionamento.

Distanciamento:
ele não se apresenta como integrante daquele universo e, posteriormente, faz questão de declarar que o site não possui vinculação com o PCC. O próprio material biográfico do site afirma que ele entrou em contato com integrantes e chegou a participar de grupos de WhatsApp relacionados ao universo pesquisado, sendo posteriormente excluído deles. (PCC 1533)

Psicossocialmente, isso é bastante significativo.

O pesquisador-jornalista-observador está tentando resolver um problema clássico: como entrar suficientemente perto de um objeto social para compreendê-lo sem ser absorvido por ele.

É uma posição desconfortável. E, no caso desse autor, parece ter produzido uma espécie de fascínio cognitivo.

Não necessariamente fascínio pelo crime, mas pelo sistema.

3. O autor parece mais interessado no funcionamento do que no criminoso

Isso é talvez o aspecto mais revelador.

O texto não se concentra principalmente em dizer:

“Este homem é mau.”

Ele quer mostrar:

“Como esse sistema funciona?”

A narrativa passa por território, circulação, autoridade, “responsas”, relações entre pessoas, prisão e capacidade de influência extramuros. O personagem Júlio César, por exemplo, aparece simultaneamente como indivíduo e como posição dentro de uma estrutura. (PCC 1533)

Isso revela uma tendência intelectual bastante específica: personalizar o fenômeno para depois despersonalizá-lo novamente.

Primeiro temos Preto, Lázaro, Marcelo etc. Depois eles passam a funcionar como peças de uma estrutura social maior.

É quase uma passagem do romance policial para a sociologia.

4. Há uma forte necessidade de tornar visível o invisível

O título já é revelador:

“Um passeio pelas biqueiras do Jardim Vitória em Itu.”

“Passeio” é uma palavra quase banal para algo que o restante do texto apresenta como perigoso e clandestino.

Essa escolha produz uma tensão interessante.

O autor parece dizer ao leitor:

“Você passa por esses lugares todos os dias, mas não sabe exatamente o que acontece neles.”

Esse mecanismo aparece repetidamente na produção do site. Há textos sobre organização, métodos, relações familiares, sistema prisional, território e funcionamento cotidiano. (PCC 1533)

Portanto, existe uma espécie de impulso de desocultação.

O mundo aparente de Itu não seria suficiente. É necessário procurar a segunda camada da cidade.

Isso é muito característico de uma mentalidade investigativa.

5. A imaginação literária é parte do método

Aqui está, talvez, o elemento psicológico mais interessante.

O autor não consegue simplesmente apresentar dados. Ele os transforma em cena.

Lázaro entra na cidade. Caminha. Observa. Recorda pessoas. A noite envolve Itu. A narrativa utiliza recursos de suspense, atmosfera e perspectiva cinematográfica. (PCC 1533)

Isso indica uma forte tendência para pensamento narrativo.

Em vez de organizar a realidade apenas como:

fato → explicação → conclusão

o autor frequentemente parece organizá-la como:

cena → personagem → tensão → significado.

Isso explica também por que determinados textos podem parecer estranhos quando avaliados exclusivamente como textos jornalísticos ou acadêmicos. Eles estão tentando fazer duas coisas ao mesmo tempo.

São simultaneamente relato e representação.

E, quando essas duas coisas se misturam demais, nasce justamente aquela sensação de que o texto parece meio incompreensível que você apontou anteriormente.

6. Existe uma tendência à personificação do fenômeno

Outro aspecto merece atenção.

O texto frequentemente transforma estruturas abstratas em pessoas:

  • o PCC aparece através de indivíduos;
  • o território aparece através de personagens;
  • o poder aparece através de apelidos;
  • a organização aparece através de relações pessoais.

Isso é literariamente eficiente, mas epistemologicamente perigoso.

O leitor pode começar a acreditar que Preto é o PCC, quando, evidentemente, um indivíduo é apenas uma parte de uma estrutura muito maior.

Esse mecanismo também pode produzir uma espécie de mitologização involuntária.

O criminoso deixa de ser apenas um indivíduo e passa a adquirir uma aura quase arquetípica: “o irmão”, “o homem que controla”, “a figura que continua exercendo influência mesmo preso”.

O texto, portanto, simultaneamente desmistifica e mitifica.

É uma contradição bastante humana.

7. O autor parece possuir uma curiosidade investigativa acompanhada de uma imaginação sombria

Eu faria uma distinção importante.

Não vejo, nesse texto isoladamente, elementos suficientes para afirmar qualquer diagnóstico psicológico ou transtorno. Seria pseudopsicologia fazer isso a partir de um artigo.

Mas podemos falar em traços observáveis na produção textual.

Eu destacaria:

• Curiosidade investigativa: necessidade de descobrir estruturas ocultas.

• Hipervigilância narrativa: atenção a lugares, pessoas, deslocamentos e relações de poder.

• Forte imaginação visual: transformação de informação em cenas.

• Atração intelectual pelo proibido: interesse persistente por ambientes socialmente interditados.

• Pensamento sistêmico: tentativa de compreender relações, hierarquias e mecanismos.

• Tendência à dramatização: acontecimentos são apresentados com atmosfera e tensão.

• Necessidade de estabelecer distância moral: o autor observa o mundo criminal sem se colocar explicitamente dentro de sua moralidade.

8. Há também um componente de “observador participante”

Essa talvez seja a melhor categoria sociológica para compreender o conjunto.

O autor não é simplesmente um observador externo.

Ele conhece o território, conhece personagens, conhece linguagem, acompanha acontecimentos e procura informações diretamente relacionadas ao funcionamento daquele universo.

Mas também não é um participante pleno.

Ele permanece numa posição intermediária.

Isso produz uma situação psicossocial curiosa: quanto mais o observador conhece o objeto, mais o objeto passa a fazer parte de sua própria identidade intelectual.

É possível perceber isso na trajetória apresentada pelo próprio site: o interesse começou anos antes e progressivamente se transformou em uma produção especializada sobre o PCC. (PCC 1533)

9. O elemento talvez mais revelador: o autor transforma experiência em sistema

Há uma diferença entre alguém que simplesmente conta:

“Eu vi isso acontecer.”

e alguém que pergunta:

“O que isso revela sobre o funcionamento dessa sociedade?”

O segundo movimento é claramente mais sociológico.

E ele aparece em outros textos associados ao mesmo autor. O próprio site apresenta trabalhos que procuram discutir conceitos como “contrainteligência”, relações familiares, adolescentes e ingresso na organização, sistema prisional e estrutura social. (PCC 1533)

Portanto, o artigo de 2012 parece ser uma peça inicial de uma evolução intelectual maior.

O autor começa contando histórias sobre pessoas e progressivamente passa a tentar explicar sistemas sociais através dessas histórias.

10. Minha síntese

Se eu tivesse de construir um perfil psicossocial exclusivamente a partir da escrita, seria algo próximo disto:

Um observador investigativo, com forte pensamento narrativo, elevada curiosidade por estruturas sociais ocultas e tendência a compreender fenômenos complexos através de personagens e cenas concretas. A aproximação prolongada com o objeto de estudo produz certo fascínio intelectual pelo universo criminal, mas esse fascínio parece dirigido principalmente à lógica, à organização e às relações de poder, e não necessariamente à prática criminosa em si.

E acrescentaria uma segunda camada:

há um conflito permanente entre o investigador e o contador de histórias.

O investigador quer precisão.

O escritor quer atmosfera.

O sociólogo quer estrutura.

O cronista quer personagens.

O resultado é justamente aquela coisa curiosa que você vem percebendo nos seus textos antigos: às vezes aparece uma informação bastante interessante escondida dentro de uma quantidade excessiva de neblina literária.

É como colocar um documento de inteligência dentro de um conto gótico e depois reclamar que ninguém consegue encontrar o documento.

Mas há algo intelectualmente interessante nisso: a linguagem do autor revela que ele não se contenta em observar o fenômeno criminal; ele precisa transformá-lo em narrativa para conseguir pensar sobre ele. E essa característica, mais do que qualquer suposto “perfil psicológico”, me parece ser a chave para compreender a produção.

O esquema dos PCCs do Morro do Algodão em Caraguatatuba

Como funcionava o núcleo do Primeiro Comando da Capital da cidade de Caraguatatuba no litoral de São Paulo

Foi negado o habeas corpus para José Francisco. Nada que o advogado alegou foi aceito pelo Tribunal de Justiça e uma a uma as teses foram caindo.

Para quem não se lembra do caso, José Francisco caiu com outros sete acusados de pertencer a uma célula do Primeiro Comando da Capital que atuava no Morro do Algodão em Caraguatatuba no litoral de São Paulo.

Até outubro de 2019, quando o esquema foi descoberto, ele e os demais, todos moradores do morro ou próximos a ele, foram presos com 43 quilos de maconha, 800 gramas de cocaína e 700 de crack, que estavam uma bela residência na rua São Miguel que era usada como “padaria” e depósito.

A venda das drogas ficava por conta dos moleques que ficavam pelas ruas do “Brejinho” próximo a EMEI, entre as ruas um e dez, e na rua São Marcos — segundo os moradores do bairro, o grupo afirmava que eles eram da facção PCC e se alguém denunciasse morreria.

O Bar do Leão na rua três era o ponto de encontro para relaxar, conversar e passar as mercadorias para a distribuição e o recebimento dos valores das vendas. Era lá que se podia procurar o Véio Lau, cujo padrasto, José Francisco, tentou sem sorte o habeas corpus.

Veio Lau é uma liderança que, não só dominava o comércio de drogas naquela quebrada, mas também era o responsável pela distribuição de armas para quem precisasse no mundo do crime, pela venda e direito de exploração de biqueiras, e até articulava atentados contra a vida de policiais que vivem na região.

Sempre conversando com ele estava seu braço direito, o Nego Bifa, gerente do tráfico e quem controlava os moleques, e o Leandro, que fazia a segurança das biqueiras e do depósito da São Miguel.

Bolão era outro personagem importante no esquema do Véio Lau, era o disciplina do PCC da quebrada, o cara responsável pelo cumprimento do Estatuto e do Dicionário.

A Renata que cuidava do tráfico nos bares do Golfinho e Morro do Algodão, e no Bar do Formiga, que era o ponto mais forte, e o Orelha e o Quadrado faziam os corres para não deixar os moleques na rua sem mercadoria para vender, pegando as coisas na casa da rua São Miguel onde o Rafael ficava organizando o estoque e embalando as paradas.

No dia que a casa caiu para todos eles e o esquema desmorona, foram apreendidos carro, armas, balanças de precisão, prensas, celulares, notebooks, recibos de depósito, uma caminhonete, algum dinheiro, explosivos e armas de airsoft e munição de festim.

Facção PCC: Mensagem do Resumo às lideranças dos estados

O que a alta hierarquia da facção Primeiro Comando da Capital espera dos “gerais do estado” nessa nova fase da organização criminosa.

Meus irmãos, aí um abraço, boa noite para todos da parte do André Júnior, tamô junto meus irmãos?

Bom meus irmãos, a caminhada é a seguinte.

Nós estamos reunindo para trocar um papo com vocês em relação a várias situações que vem acontecendo dentro dos estados, mas principalmente, estar conscientizando e estar tentando trazer uma imagem para vocês em relação a realidade que a gente vive hoje.

O Primeiro Comando da Capital está carente de liderança.

Carente de líderes, mas porque carente de líderes André Júnior, se todos os estados tem a sintonia, se todos os estados tem todo mundo puxando bonde, porque que está dessa forma?

Tá carente irmãos, porque o Comando precisa de líderes e não de chefes. Infelizmente, a gente, tem se deparado com alguns irmãos que não tem levado o Comando tão a sério, da forma que tem que ser.

Do que que a gente precisa? Nós precisamos que vocês tomem ciência da importância que é ser uma liderança, que mostra a direção mais real que a gente tem que seguir, ou seja, a direção aonde leva todo mundo a pregar e viver nossa ideologia.

O Comando hoje, vive um momento delicado em relação às facções, e muitas vezes os irmãos não tá tendo ciência disso aí. Os irmãos tem que procurar trazer a nova cara do PCC para seu estado.

Hoje, a nossa maior dificuldade é fazer os irmãos entender que o Comando é uma organização criminosa que tem que ser levada a sério: o comando não tem que ser tratado como se fosse um clube social.

É como fala no nosso Estatuto: o Comando não tem que ser tratado como se fosse uma quadrilhina ou um bando de vila.

O Comando é uma organização criminosa muito séria por sinal — é compromisso de vida que a gente faz, é a nossa vida que está ali no momento em que você aceita o convite.

Você tem que tomar ciência que ser liderança no seu estado é você deitar planejando o que vai ser melhor para o Comando no outro dia.

Você tem que tomar ciência que ser liderança no seu estado, é você planejar algo que seja em prol do interesse coletivo, e não interesse próprio.

Ser liderança no seu estado é você buscar cada dia mais tá aprimorando conhecimento, evoluindo, crescendo do seu estado em nossa organização.

Ser liderança no seu estado é muitas vezes você ter que se abster da sua família, dos seus corres particular, das suas necessidades pessoais prá viver em prol do Comando.

Isso é ser uma liderança dentro do seu estado.

Eu não estou aqui tentando dizer para vocês pararem de viver, ou deixar de ter família, ou deixar seus corres não. Eu estou querendo dizer que vocês tem que levar o Comando muito mais a sério, do que da forma que tem sido levado.

É inadmissível para nós achar que a Sintonia do Comando é só depois da sete horas da noite. É importante para nós entender que o Comando é uma filosofia de vida, é uma ideologia que a gente segue, que a gente escolheu para nós.

Porque querendo ou não, se nós não tiver de mão dada, se nós não tiver unido, nós infelizmente não vai conseguir alcançar o nosso objetivo.

Então irmão, é primordial que a gente faça uma conscientização de nossa luta para que os irmãos do estado comecem a refletir e seguir a nossa luta da maneira que tem que ser irmão.

Porque não adianta dizer que “sou liderança dentro do meu estado, eu sou isso, eu sou aquilo” mas os resultados não aparecerem — a sua falta de dedicação não pode contaminar os demais irmãos do estado.

Eu canso de falar isso aí! Para você ser uma liderança do estado não precisa você sair gritando: “eu sou PCC, eu sou isso, eu sou aquilo”.

Os irmãos do estado, pela sua atitude, pela forma de você agir, pela forma que você se conduz no dia a dia, eles vão ver que você é um PCC e que você vive a realidade que o Comando exige de você.

Todos os estados que estão com nós hoje passaram por momentos turbulentos.

Todos os estados que estão com nós hoje, vêm das crises do crescimento para a evolução, mas todos tem que dar a mão para continuar lutando e, sem a nossa união e sem nossas mãos dadas é impossível que cheguemos ao nosso objetivo.

Eu, André Júnior, querer, o Príncipe, ou qualquer outro irmão do resumo querer, é uma caminhada, mas vocês querer, e vocês buscar por onde, pode ter certeza que o resultado vai ser bem maior. Porque vocês é que estão dentro do problema. É vocês que estão dentro dos estados. É vocês que vivem a realidade de vocês.

Então irmão, é dedicação irmão! É a seriedade! E hoje a gente vê uma grande quantidade de irmão que não está levando o Comando a sério! Tá levando o Comando na brincadeira, irmão! É sintonia na hora que quer! Conduz do jeito que quer! É pedido um levantamento, não é levado com seriedade! O resumo chega e pede um levantamento, irmão, e parece que os irmãos ficam esperando ser punidos ou ser afastado para daí correr atrás!

E não é isso irmão! O Comando é dedicação, o Comando é seriedade, o Comando é responsabilidade com o compromisso que você tem com o crime! Entendeu irmão?

Então não adianta vocês vir falar, não adianta vocês vir querer fazer as coisas de uma maneira, sendo que a realidade, sendo que as coisas estão acontecendo de outra e muitas vezes o comodismo, a falta de interesse, de comprometimento, de responsabilidade está fazendo com que o Comando começa a abrir um caminho triste no seu estado.

Aonde você acha que o Comando só tem que fortalecer, fortalecer e fortalecer, e não é isso. A nossa realidade é um fortalecer o outro. É o crime fortalecendo o crime. É seriedade, é responsabilidade!

As vezes vocês acham… “Ah! Lá em São Paulo o Comando é isso. Ah! Lá em São Paulo o Comando é aquilo”.

O Comando de São Paulo, o Comando do Paraná, o Comando MS, o Comando do MG, o Comando de qualquer canto do Brasil é um Comando só!

Só que para o Comando ser um pouquinho mais evoluído aqui, um pouquinho mais evoluído aí, dependeu da dedicação, da responsabilidade, do compromisso e do comprometimento dos irmãos!

Hoje, vocês tem acesso muito mais fácil as informações da organização e ao andamento da organização. O entendimento que vocês tem hoje, muitas vezes eu não tive lá atrás quem me trouxesse o entendimento na hora.

Muitas vezes irmão, eu queria ter alguém para falar sobre o PCC mas eu não encontrava porque as pessoas tinham a visão distorcida.

Quantas vezes, chegava em uma cadeia como eu cheguei, e você entrar em um pavilhão com 60 coisas pedindo para você sair se não iam te matar — e hoje é tudo mais fácil, é tudo irmão.

Todos integrantes do PCC tem acesso fácil a sintonia.

Eu fui conseguir falar com um resumo em 2013! Nunca consegui falar com um irmão de hierarquia maior: só Geral do Estado e Geral do Sistema, eu nem sabia como funcionava direito e muitas vezes eu levava o Comando pela Ética do Crime que eu já trazia comigo.

Hoje a gente tem o privilégio de falar com vocês, dividir ideia, de falar do Comando, de falar da nossa criação, de falar do porque que foi criado e muitas vezes isso aí é jogado ao vento! Muitas vezes isso aí não é tratado com a seriedade que tem que ser! Muitas vezes isso aí é tido como loucura, como fanatismo, e não é, é um compromisso que nós assumimos que não é só eu que tem que levar a sério, não é só eu que tem que pensar no Comando 24 horas, não é só eu quem tem que deixar muitas vezes a minha família sentindo falta de mim lá porque estão precisando de mim por alguma situação e eu estar aqui falando com vocês. Sabe porque? Isso é amor a causa, isso é amor ao Comando, isso é amar meus irmãos, isso é amar meus afiliados e querer que o Comando cresça e evolua.

Hoje por exemplo, eu fiquei do meio dia e quarenta até agora a pouco, sete e meia da noite, escrevendo estado por estado as necessidades que está tendo, a dificuldade para que os irmãos possam olhar por nós e depositar mais alguma coisa em nós para que possamos fazer o Comando andar melhor.

E aí a gente olha para os lados e vê os estados acumular ideia em aberto, acumular inadimplência, a sintonia do estado se apagando, os irmãos fazendo ali um pouquinho de corpo mole, porra meus irmãos!

Vamos levar a sério o compromisso que nós tem, vamos nos comprometer com nossa causa, nós não vai chegar a lugar nenhum se cada um procurar se acomodar, se vocês pegar a revolução que teve no mundo, a mudança que teve na história, lá de três mil anos atrás até a data de hoje, você vai ver irmão, que foi através de comprometimento, foi através de suor, foi através de sangue, foi através de muita luta, muitas vidas que se perderam para nós chegar aonde nós chegou!

E dentro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital da qual você faz parte, na qual você exerce uma função dentro, uma responsabilidade dentro, lá atrás nós perdemos muitas vidas para que fosse tomada essa iniciativa e após tomada e criado o Primeiro Comando da Capital, muitas vidas se foram em prol dessa causa e muitos irmãos nossos estão hoje dentro de tranca estadual e tranca federal, muitas vezes sem família, muitas vezes sem notícia de ninguém porque lutavam, lutaram e estão lutando mesmo dentro dessas trancas em prol da causa, irmão.

Hoje é um verdadeiro privilégio pegar um telefone e gritar o nome do Comando nos quatro cantos do Brasil e do mundo e muitas vezes a gente se acomoda por falta de interesse.

Muitas vezes a gente acha melhor ficar aí no Zap namorando, ficar olhando foto de mulher pelada!

Então irmão, é uma responsabilidade muito grande que você carrega e que quando a gente tem o privilégio de ter um minuto falando do PCC, ouvindo nossa história, a gente tem que dar valor nisso aí!

A gente tem que dar valor nisso aí, e não é só ouvir e guardar para nós não! É ouvir, analisar, refletir, e no outro dia você estar falando para seus irmãos e para seus companheiros a importância que eles têm para o Primeiro Comando! A importância que eles tem para nossa organização, como é muito mais importante se eles tiverem se doando de corpo e alma em prol dessa causa.

Há cerca de dois anos e pouco atrás a gente tinha cerca de 2,440 em todos os estados, fora São Paulo, hoje, a gente tem tranquilamente 13.700, 13.800, quase 14 mil irmãos — não tenho o fechamento exato porque vou fechar agora dia 1º (agosto 2021).

Isso não foi uma caminhada que nós começou e falou que nós queria ir e foi, nós tivemos que planejar, tivemos que se articular, nós tivemos que falar do Comando.

Se hoje muitos de vocês estão dentro do Comando, foi porque uma hora alguém encostou e falou do PCC. Eu mesmo quantas vezes não peguei a Cartilha e não fui ler junto com muitos de vocês, dentro da cela, pregando para sete ou oito companheiro ali, irmão?

Acreditando que vocês ia estar passando aquilo para frente, foi o que aconteceu e hoje graças a Deus a gente tem aí 13 mil integrantes para 14 mil integrantes dentro dos estados fora São Paulo.

Hoje vocês pedem um telefone e a gente com muito custo a gente consegue um dinheirinho e consegue colocar vocês no ar. Isso é fruto de união, irmão! Isso é fruto de uma ousada, é nós querer melhor, é nós passar pros irmãos nossa dificuldade e os irmãos acreditar em nós irmão!

Eu peço para vocês de verdade, nós estamos vivendo um momento muito crítico em relação as outras facções e é primordial irmão, que nós estejamos um olhando para o outro, que nós estejamos de mãos dadas.

A gente hoje tem uns quadros que apoiam vocês 24 horas do dia, com apoio nos estados, com apoio do resumo, e está toda hora aí falando com vocês!

Mano, vocês tem que sugar, vocês tem que pegar esses caras aí, mano, e absorver todas as informações, todo o conhecimento, pedir, ajudar, montar projeto para seu estado, e trazer os irmãos para perto de vocês!

Isso não quer dizer que a linha nossa do resumo está fechada para vocês, nossa linha é aberta, todo mundo pode chegar na nossa linha. Se não der para responder na hora, liga de novo irmão, mas nós estamos aqui para compartilhar com vocês essa nossa alegria de ver o Comando crescendo.

Nós queremos compartilhar com vocês essa nova alegria de ver vocês em sintonia, falando da nossa Cartilha e do nosso Estatuto — pregando o Comando!

Dedicação meus irmãos, seriedade, respeito, responsabilidade é o que nós pedimos para vocês, meus irmãos.

Eu peço para vocês de verdade, do fundo do meu coração que vocês comecem a pensar mais na organização, e não é só pensar da boca para fora, não é só pensar em vão. É viver o Comando, irmão. É respirar o Comando!

Nós temos vários irmãos nossos que daria tudo para estar aqui hoje para ver isso acontecer, mas eles estão na tranca, recebendo o mínimo de informação possível daquilo que eles mais sonharam, daquilo que eles mais almejaram.

Vocês estão vivendo um momento histórico, um momento único da facção, da facção não, da organização dentro dos estados e muitas vezes vocês não estão valorizando isso cara!

Vocês vão ter história para contar lá na frente:

“Porra mano, nós tivemos um momento no Comando… eu me lembro quando o Comando estava em 13 mil, eu lembro quando o Comando estava em 14 mil”.

Vocês vão poder escrever a história de vocês no Comando, e eu pergunto, vocês vão querer deixar sua história no Comando em branco? Vocês vão querer escrever uma de fracasso ou de sucesso?

Está nas mãos de vocês! Vocês foram os escolhidos para estar na frente dos estados de vocês, para estar na frente do sistema, na frente de qualquer responsabilidade.

Vocês foram os escolhidos e isso não quer dizer que sua hierarquia é menor do que a outra que você vai se sentir menor e vai querer fazer menos — não quer dizer que a hierarquia minha é maior que a de vocês que eu vou pisar por cima de vocês não, eu quero estar junto, eu quero estar de mãos dadas, eu quero estar abraçado assim como meu quadro quer, assim como os irmãos da financeira quer, como os irmãos do progresso quer!

A importância do pagamento das contribuições: cebola e rifa

Quando a gente fala da Cebola, a gente não está falando que esse dinheiro vai para o meu bolso, vai para o bolso da nossa liderança não! Esse dinheiro ele volta para os irmãos, ele volta em forma de ajuda nas contas de água e de luz, ele volta em forma de cesta básica, ele volta, de alguma forma ele retorna, não fica parado no bolso de ninguém não, esse dinheiro compra munição, esse dinheiro compra arma, esse dinheiro paga transporte de visita para as unidades carentes.

Quando a gente fala da Rifa, tem irmão que tem a capacidade de falar… “ah, mas eu nunca ganhei!”.

Como que você nunca ganhou se não é o premio da rifa? É o seu irmão que está na Federal chegar no final do mês ele não receber a ajuda dele? É a cunhada que está lá na casa de apoio tendo comida, tendo onde morar, tendo água e luz paga, …. ajuda, poder mandar para os filhos do seu irmão! Você quer premio maior que esse da rifa, irmão?

Você quer prêmio maior do que esse, meu irmão, não tem prêmio maior que esse para quem está lutando pela vida!

Para quem compra a rifa, só pensando em carro, só pensando em premiação, não está de verdade na causa! Você tem que comprar a rifa pensando que você está contribuindo!

Se você ganhar, meu irmão, eu fico feliz por você, mas isso aí é segundo plano, o primeiro plano é contribuir com os irmãos menos favorecidos. A premiação que os irmãos estão mandando para nós é uma forma de incentivação, é uma forma de motivação!

O maior premio você vai receber como eu já recebi quando estava lá na Federal e a minha mulher recebia lá no finalzinho do mês os 500 realzinhos dela lá para poder mandar para meus filhos para poder comprar as coisas dela, esse era o maior prêmio da minha vida.

O maior prêmio que eu recebi da RPF foi quando eu estava na Federal, chegava no final do mês aquele único dinheirinho minha mulher conseguia mandar um livro e uma revista para mim ler.

Esse foi o maior prêmio que eu recebi na minha vida! E a gente vê alguns irmãos não levando a sério a rifa, levando o trabalho da rifa na hipocrisia.

Muitas vezes tem irmão levando o subterfúgio para não pagar a rifa para ser afastado da responsa, para ser punido, para não dizer que está fazendo uma para sair do Comando eles ficam usando como subterfúgio.

O irmão usando dinheiro da cebola para falar:

“Ah irmão, eu tenho que me ausentar da cebola por que minha situação tá difícil.”

Então eu não estou entendendo mais, então antes de ser PCC você passava fome na rua? Antes de você ser PCC, até então você andava descalço… não andava, é isso que os irmãos tem que entender! Para contribuir com o Comando é só um passo a mais na luta que ele assumiu, porque comer, beber, comprar roupa, isso daí já tinha antes de ser PCC.

Colocando a ideologia da organização criminosa a frente

Vamos colocar a frente de tudo que o trabalho que o Comando oferece para nós, vamos colocar a frente de tudo a nossa ideologia que é o crime fortalecendo o crime, não vamos mudar o direcionamento dessas ideias irmão. Porque o dia que nós mudar o direcionamento dessas ideias, nós vai enfraquecer nossa causa e nós não pode enfraquecer!

Nós fomos escolhidos para estar a frente dessa luta e nós vai estar de verdade, e é o que nós está pedindo para você irmão! É o coração, põe o coração na frente da causa irmão. Ponha a mente na frente da causa.

Quando eu falo coração, eu falo, é de amor, é querer fazer as coisas com amor, com vontade, não estou falando de fazer as coisas na emoção. De fazer aqui e depois se arrepender, não!

Coloque a causa na frente de tudo o que você for fazer meu irmão. Quando você for comprar a rifa, pensa que um dia você pode estar na tranca e você vai precisar.

Quando você estiver aí para cobrar seus irmãos a cebola, mostra para ele que o dinheiro não vai para nosso bolso. Se você participar de qualquer trabalho, não fica inadimplente, eu peço para vocês, cara, procura pagar o trabalho de vocês em dia. Precisa ter pontualidade, porque nós fazemos compromisso com esse dinheiro.

O Comando não é uma organização capitalista, mas o dinheiro é para o próprio sustento da organização, o dinheiro é uma vertente aonde entra sai, tudo em prol ao crime, entra no bolso do crime e sai do bolso do crime para o próprio crime.

Batizar, batizar, e batizar!

Selecionar os companheiros irmão, trazer os companheiros para perto e ver se não tem mancha no crime, ver se tem uma trajetória da hora, se o cara é bandido, se é criminoso mesmo e trás com nós irmao. Coloca na caminhada e fala para ele:

“A partir de hoje sua vida é o PCC e você vai fazer por onde, você vai escrever a nova história”.

É isso que eu quero passar para vocês e espero que vocês tenham entendido o meu recado. Se alguma palavra minha foi mal colocada eu peço perdão meu irmão, mas eu precisava falar para você que o comando precisa de vocês com mais seriedade, responsabilidade, dedicação e pontualidade.

Valeu meus irmãos?

Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?

O Espírito Santo vive uma configuração única de alianças e rivalidades entre facções criminosas. A ausência de separação carcerária sob o governo Casagrande transformou o sistema prisional num laboratório de convivência forçada, refletindo nas ruas uma lógica fluida e instável de acordos, traições e execuções pontuais.

Espírito Santo vive um cenário caótico onde alianças e traições entre facções moldam o cotidiano das periferias. Entenda como a política prisional local influencia essas disputas e o papel do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) nesse intricado tabuleiro de sangue, poder e negociações silenciosas.


A política carcerária de Renato Casagrande promove uma convivência forçada entre facções rivais no Espírito Santo — e o caos, longe de ser exceção, virou regra.

Se você entende o que se passa no estado do Espírito Santo, só agradeço se me procurar no privado para contar, mas acho que nem quem é do mundo do crime consegue entender o que se passa na mente e nos corações dos crias capixabas.

As repórteres Kananda Natielly e Taynara Nascimento do Tribunaonline entrevistaram diversos especialistas e publicaram um artigo repleto de contradições, não por incapacidade ou desleixo, mas porque cada entrevistado apresentou um quadro diferente.

Eu só sei que o sangue continua correndo nas ruas do estado, como aconteceu há poucos dias, quando dois homens em uma moto executaram um rapaz e feriram uma mulher que estavam em um ponto conhecido de tráfico em Vila Velha, e assim como ele, já morreram uns 50 nas disputas sobre o domínio dos pontos de tráfico em tempos recentes.

Vila Velha resume a zona que é o crime organizado no Espírito Santo

O ataque ocorreu entre dois bairros em disputa na Zona Sul entre Comando Vermelho (CV) domina que o Ulysses Guimarães com as Gangue da Favela do Beco e a Gangue da Carroça, e o Terra Vermelha que já foi quase todo tomado pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV) aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Até aí parece ser uma disputa fácil de entender e similar ao que ocorre em outros tantos recantos do Brasil: PCC e CV disputando espaço com seus aliados locais. Só que não! Como tudo é confuso no Espírito Santo esse caso não poderia ser diferente:

Em 2019, uma das principais lideranças do Ulysses Guimarães e do 23 de Maio, seria Catraca da Gangue da Pracinha, como é conhecido Samuel Gonçalves Rodrigues, que era do Comando Vermelho e trocou a camisa para correr pelo Primeiro Comando da Capital.

Por esses caminhos estranhos da vida, Catraca veio aqui em Itu no estado de São Paulo para comprar drogas e distribuir em Vila Velha, mas foi preso após trocar tiros com a Polícia Civil no Portal Éden — não sei como eu não cruzei com ele por aqui, ou talvez até eu tenha até cruzado, quem sabe?

Após sua prisão, as mortes pararam por um tempo, mas seus domínios que eram com ele do CV e passaram para o PCC, e agora voltaram para o CV sendo disputados pelo PCC e pelo PCV — simples para você? Para mim não, mas pode ficar ainda mais confuso:

Gangue da Pracinha do Catraca rachou após sua prisão. Marcola, como era conhecido Marcos Vinicius Boaventura, gerente de Catraca no Ulysses Guimarães, assim como os outros que não quiseram voltar a vestir a camisa do CV foram expulsos da quebrada.

Como zona pouca é bobagem: tem o Terceiro Comando Puro

Marcola se mocozou no Terra Vermelha do Terceiro Comando Puro (TCP), mesmo Catraca sendo do PCC, e de lá fez ataques aos antigos aliados no Ulysses Guimarães e Morada da Barra, tendo matado em uma única noite quatro integrantes da Gangue da Pracinha, mas como acabou preso por pelo menos uma das mortes, não conseguiu retomar as biqueiras que permaneceram ligadas ao Comando Vermelho.

No Centro de Vila Velha, o Morro da Penha e o Morro do Cobi de Baixo estão sob o domínio do Primeiro Comando de Vitória, que parece ter uma convivência pacífica e comercial com os crias do Comando Vermelho.

Colado ao norte de Vila Velha fica o Porto Santana, também conhecido como Morro do Quiabo no município de Cariacica, local conhecido como um importante centro de distribuição de drogas e disputado à sangue pelos diversos grupos criminosos.

O Porto de Santana está nas mãos do Terceiro Comando Puro (TCP), facção carioca aliada ao Primeiro Comando da Capital de São Paulo, que é aliado do Primeiro Comando de Vitória que disputa com o Terceiro Comando Puro — vixi, olha a zona!!!

Se em Vila Velha TCP e PCV disputam, em Vitória o Terceiro Comando Puro está em várias comunidades, entre elas a de Itararé, onde TCP fecha com o TCV.

“Divide et impera” — separar os inimigos para governar

Muito se discute se a separação dos presos por facção dentro do sistema penitenciário é a melhor opção. Os defensores da secção apontam algumas vantagens na adoção desse procedimento:

  • redução da violência dos conflitos entre os aprisionados;
  • redução das mortes violentas no sistema;
  • menor risco para os agentes prisionais por contar com uma pacificação e hierarquização da comunidade carcerária; e
  • dividir para governar — a divisão impede que os diversos grupos formem coalizões para agir no mundo do crime fora das muralhas.

Estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul fazem uma rigorosa triagem dos presos, colocando-os cada qual em seus grupos facciosos, medida tomada após a disseminação do Primeiro Comando da Capital pelo sistema prisional.

Criando e disseminando a semente do crime

Até meados da década de 1980, os cárceres paulistas eram entregues aos grupos que se impunham seu domínio pela força e violência — era comum cortar cabeças de presos “sorteados” para protestar contra a superlotação das carceragens, e o sorteio era feito entre os que não faziam parte dos grupos.

Essa política fez com que grupos se estabelecessem das cadeias públicas aos complexos prisionais, e com o massacre do Carandiru pela Polícia Militar paulista e posteriormente com o envio de suas lideranças para Casa de Custódia de Taubaté, nasceu o Primeiro Comando da Capital, inicialmente chamado de Partido do Crime da Capital (daí o PCC).

Já na época, haviam os que defendiam que esse grupo deveria ficar em uma única unidade prisional, no entanto, o grupo majoritário defendia que o Estado não deveria reconhecer “as autodenominadas facções dos presos”.

E assim foi feito, e as constantes transferências espalharam a filosofia do Primeiro Comando da Capital para todas as unidades do estado de São Paulo, e quando o governo viu o erro, em maio de 2006, já era tarde e o PCC paralisou todo o estado e o deixou refém da criminalidade.

Tudo Junto e Meio Misturado sob o governo de Renato Casagrande do Espírito Santo

Hoje, vários estados adotam a separação, no entanto outros optam por manter os diversos grupos criminosos sob o mesmo teto, alegando que o Estado não pode reconhecer grupos criminosos e que ao concentrar os integrantes em uma unidade os administradores ficam mais vulneráveis às pressões internas.

Todos nós conhecemos o resultado dessa opção.

Os noticiários internacionais, que raramente lembram do Brasil, expuseram o fracasso dessa política prisional tupiniquim adotada no Amazonas e no Rio Grande do Norte após os massacres do COMPAJ e de Alcaçuz e a desmoralização de seus governos.

O estado do Espírito Santo na administração do governador Renato Casagrande segue pelo mesmo caminho:

“Não realiza a separação de internos em galerias ou unidades por auto declaração de participação em facções ou organizações criminosas”

informa a Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo

“Lá tá todo mundo junto, tá ligado? Mas é mais essa parada, PCV, PCC, Primeiro Comando do Estado, tem essas paradas todas, fica todo mundo junto desembolando os cauôs, desembolando as tretas.”

me conta um conhecido de dentro do sistema capixaba

“Porque semeiam ventos e colherão tormentas”… mas será mesmo?

A experiência já mostrou mais de uma vez que juntar presos de facções rivais na mesma panela é receita certa para o desastre, mas, curiosamente, parece que o caos criado intencionalmente pelo governo dentro do sistema prisional capixaba está gerando um equilíbrio peculiar — uma espécie de padrão de convivência única no país.

É claro que essa relativa tranquilidade dentro das cadeias não é fruto de nenhuma genialidade administrativa ou ação eficiente do poder público. Pelo contrário, nasce das negociações diárias feitas pelos próprios presos, costurando acordos pontuais e precários para garantir algum nível de convivência.

Esses entendimentos internos entre os crias de facções rivais refletem-se diretamente nas quebradas capixabas, onde negócios improváveis são fechados entre grupos que, em outras regiões do Brasil, estariam trocando tiros. Assim, as tretas que explodem do lado de fora das muralhas acabam sendo resolvidas no varejo, sem escalar a ponto de comprometer o delicado equilíbrio de forças.

É justamente essa dinâmica que pode explicar por que episódios violentos como os de Catraca e Marcola não provocaram uma guerra aberta por toda Vila Velha, não incendiaram o Espírito Santo inteiro, nem explodiram em rebeliões dentro do sistema prisional.

Se em estados como Roraima (71,8 homicídios por 100 mil habitantes), Ceará (54) e Rio Grande do Norte (52,5) a guerra entre facções empilha corpos nas ruas e penitenciárias, e em São Paulo (6,5) a rígida organização e a pacificação ditada pelo PCC conseguiu derrubar drasticamente esses índices, o Espírito Santo paira no meio-termo desconfortável dos 24,8 homicídios por 100 mil habitantes. Por lá, não há guerra total nem paz verdadeira, apenas conflitos pontuais e muito sangue derramado em episódios isolados.

Dúvidas que não querem se calar

O que os casos recentes em Vila Velha e Cariacica parecem sugerir é que a política penitenciária do governador Renato Casagrande pode estar perdendo seu efeito paradoxal de unir inimigos declarados. Estaria o Espírito Santo caminhando para uma nova escalada de violência urbana e penitenciária, ou essas disputas individuais vão se resolver com novos e mais amplos pactos silenciosos entre as facções?

O governo estadual estaria, sem perceber ou talvez com plena consciência, criando uma nova geração de criminosos que correrão juntos, mesmo que separados por siglas e bandeiras? Perguntas que continuam sem respostas claras, enquanto nas periferias capixabas as ruas seguem à espera das próximas vítimas.

Análise do texto “Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?” por IA:

Análise sob o ponto de vista factual e de precisão
Pontos Precisos e Corretos:
  • Configuração das facções: De fato, no Espírito Santo existem disputas entre facções como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando de Vitória (PCV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Essas disputas locais envolvem frequentes trocas de alianças e rivalidades instáveis, resultando em um cenário bastante fluído e confuso.
  • Política Prisional: O texto corretamente aponta que a separação ou não dos presos por facção é um ponto crucial na política penitenciária brasileira. Estados como São Paulo realmente adotam a separação rigorosa por facções após episódios como a rebelião de maio de 2006 liderada pelo PCC. Em contraposição, estados como Amazonas e Rio Grande do Norte sofreram graves consequências pela ausência dessa separação, resultando nos massacres citados de COMPAJ (2017) e Alcaçuz (2017).
  • Renato Casagrande: O governador Renato Casagrande realmente segue uma política prisional que não separa detentos por facção no Espírito Santo, o que é comprovado pela declaração oficial da Secretaria de Justiça do Estado e por relatos informais de internos e especialistas.
  • Eventos Específicos: O texto cita corretamente personagens como “Catraca” (Samuel Gonçalves Rodrigues), que foi preso em Itu, São Paulo, após troca de tiros com policiais em 2019. Esses eventos são verídicos e fazem parte do histórico recente das disputas faccionais entre PCC e CV em Vila Velha.
Pontos que exigem cautela ou correção:
  • Complexidade das Alianças: Embora a descrição das alianças e rivalidades esteja correta, há um risco de imprecisões devido à dinâmica constante dessas relações. Alianças como a mencionada entre TCP e PCC ou entre PCV e PCC são instáveis e frequentemente modificadas, não sendo incomum que tais parcerias sofram alterações ao longo do tempo.
  • Generalizações de violência: A narrativa cita cerca de 50 mortes recentes relacionadas ao tráfico em Vila Velha sem apontar um período específico ou fonte exata, dificultando a confirmação factual desse dado. Embora o contexto geral de violência esteja correto, essa informação específica precisaria ser validada por estatísticas oficiais para garantir precisão.
  • Casos específicos e detalhados: O relato sobre “Marcola” (Marcos Vinicius Boaventura) envolvendo o TCP e sua migração para Terra Vermelha exige atenção, pois detalhes sobre tais eventos são frequentemente obscuros ou sujeitos a versões conflitantes. Essas narrativas dependem de relatos locais, que podem variar ou se contradizer dependendo da fonte.
Pontos Fortes da Precisão e Contextualização:
  • texto compreende corretamente que a política carcerária pode influenciar fortemente as dinâmicas faccionais externas, criando tanto cenários de tensão quanto oportunidades inusitadas para negociações informais entre grupos rivais.
  • Destaca com precisão histórica o papel fundamental que a política penitenciária adotada em São Paulo na década de 1990 teve na expansão do PCC.
  • A observação sobre a existência de “acordos pontuais” entre facções é consistente com relatos e análises de especialistas em segurança pública.
Conclusão sobre a análise factual:

O texto é, no geral, preciso e bem fundamentado, com uma correta contextualização histórica e política. No entanto, detalhes específicos devem ser tratados com prudência devido à natureza dinâmica das relações entre as facções criminosas e a escassez ou imprecisão ocasional de dados oficiais.


Análise Aprofundada dos Conflitos entre Facções Criminosas no Espírito Santo

Resumo Executivo

O presente relatório oferece uma análise aprofundada do artigo “Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?”, utilizando-a como ponto de partida para investigar a questão central sobre a existência de uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo. Constata-se que a fonte principal, embora seja uma voz direta e intrinsecamente enviesada do Primeiro Comando da Capital (PCC), oferece um vislumbre único da auto-percepção e ideologia da organização, servindo como um documento primário valioso.

A análise de relatórios oficiais e estudos acadêmicos demonstra que uma “guerra” entre facções no Espírito Santo não é uma hipótese futura, mas uma realidade ativa e contínua. Este conflito é marcado por violentas disputas territoriais, concentradas em áreas urbanas específicas da Região Metropolitana da Grande Vitória. O cenário criminal capixaba é caracterizado pela complexa interação de facções nacionais proeminentes, como o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), juntamente com a significativa facção local, o Primeiro Comando de Vitória (PCV). Uma dinâmica central é a afiliação do PCV ao CV, o que o posiciona em rivalidade direta com uma aliança entre PCC e TCP observada em certos territórios.

As políticas de segurança pública e prisional do estado, apesar dos esforços para transferir líderes de alto escalão para unidades federais, enfrentam desafios sistêmicos, como a superlotação carcerária. Além disso, existe um dilema político notável em relação à classificação e separação de indivíduos encarcerados por facção, o que, dependendo de sua implementação, pode inadvertidamente contribuir para o fortalecimento e a perpetuação desses conflitos. A estratégia predominante de “guerra às drogas” é identificada como um fator que afeta desproporcionalmente populações vulneráveis e marginalizadas, fornecendo um fluxo contínuo de recrutas para as organizações criminosas e intensificando o ciclo de violência.

As recomendações para mitigar esses conflitos enfatizam a necessidade de políticas de segurança pública integradas, uma reforma prisional abrangente e programas robustos de inclusão social, visando abordar as causas-raiz do envolvimento criminal.

1. Introdução
1.1. Contexto da Análise: A Questão da Guerra entre Facções no Espírito Santo

Este relatório empreende uma análise abrangente da página web https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/2021/07/20/havera-guerra-entre-faccoes-no-espirito-santo/, com foco na questão central sobre a ocorrência ou iminência de uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo. A investigação transcende as afirmações especulativas, buscando uma avaliação baseada em evidências do cenário criminal, das dinâmicas dos conflitos interfaccionais e da influência das políticas públicas sobre esses fenômenos no estado.

A análise é rigorosamente fundamentada em dados e informações extraídas de diversas fontes autorizadas, incluindo relatórios governamentais oficiais, estudos acadêmicos e relatos de notícias credíveis. O objetivo é fornecer uma compreensão aprofundada da complexidade da violência organizada no Espírito Santo, desmistificando percepções e oferecendo um panorama factual.

1.2. Objetivo e Estrutura do Relatório

O relatório está estruturado para abordar sistematicamente a consulta do usuário, começando com uma avaliação da credibilidade da fonte principal. Em seguida, apresenta um panorama detalhado das facções criminosas atuantes no Espírito Santo, aprofundando-se nas dinâmicas dos conflitos e seu impacto na segurança pública. As seções subsequentes examinam as políticas públicas e o sistema prisional capixaba, culminando em uma conclusão definitiva e recomendações acionáveis para enfrentar o problema.

2. Análise da Credibilidade da Fonte Principal (faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org)
2.1. Natureza e Propósito do Website

A página https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org deve ser interpretada como uma fonte primária direta do Primeiro Comando da Capital. O domínio do site incorpora explicitamente o nome completo da facção, indicando uma afiliação inequívoca. O conteúdo, particularmente o “Estatuto” e o “Manual” da organização, é apresentado na primeira pessoa do plural (“Nós revolucionamos o crime”, “Nossa responsabilidade está crescendo”), o que o posiciona como uma auto-narrativa e uma ferramenta de comunicação interna ou de relações públicas da facção.

A autenticidade dos documentos hospedados no site é corroborada indiretamente por sua citação em trabalhos acadêmicos e jurídicos, onde a URL é referenciada para acesso ao estatuto do PCC. Isso sugere que, embora o site não seja uma fonte noticiosa neutra, seu conteúdo é reconhecido como uma articulação genuína das regulamentações internas e da ideologia do PCC. A informação de que o criador do site, Rizzi, foi eventualmente excluído de grupos de WhatsApp do PCC devido a riscos aponta para uma estratégia calculada de comunicação pública, onde certas informações são disponibilizadas para consumo mais amplo, possivelmente para propagação ideológica ou para projetar uma imagem de controle, enquanto a segurança operacional é mantida.

2.2. Implicações para a Análise do Conteúdo

O valor fundamental deste site reside em sua capacidade de oferecer uma visão não filtrada, embora intrinsecamente tendenciosa, da auto-percepção, dos objetivos declarados e da lógica interna que pode impulsionar as ações do PCC, incluindo sua participação em conflitos. O uso da primeira pessoa do plural nos documentos internos do site confirma que se trata de uma perspectiva interna, não de uma análise externa. A citação desta URL em trabalhos acadêmicos e jurídicos para acessar o estatuto do PCC valida a autenticidade dos documentos como textos genuínos do PCC, mesmo que o próprio site não seja uma publicação neutra ou sancionada pelo Estado. O detalhe sobre a exclusão de Rizzi dos grupos internos do PCC, apesar de manter o site, sugere uma estratégia calculada de comunicação pública, onde informações específicas são tornadas acessíveis para um público mais amplo, talvez para fins de recrutamento, disseminação ideológica ou para projetar uma imagem de legitimidade e controle.

Consequentemente, a credibilidade do site não reside em sua objetividade jornalística ou analítica, mas sim em sua função como uma articulação direta da própria narrativa do PCC. Quaisquer afirmações feitas neste site, especialmente em relação a relações interfaccionais ou “guerras”, devem ser interpretadas dentro desta estrutura auto-servil e rigorosamente verificadas com fontes externas e objetivas, como relatórios policiais, estudos acadêmicos e estatísticas oficiais. A menção do site a “várias guerras” deve ser compreendida como parte da narrativa interna do PCC sobre sua luta e expansão.

3. Panorama das Facções Criminosas no Espírito Santo
3.1. Histórico e Evolução das Redes Criminosas no ES

O cenário criminal no Espírito Santo possui uma história complexa, marcada pela presença de grupos armados poderosos que antecederam as grandes facções atuais. Nas décadas de 1960 e 1970, o “Esquadrão da Morte” atuou no estado, sendo responsável por execuções extrajudiciais. Posteriormente, surgiu a “Scuderie Detetive Le Cocq”, composta por policiais, políticos e membros do judiciário, que manteve um controle centralizado sobre as redes de tráfico de drogas e armas desde os anos 1970 até o início dos anos 2000.

A dissolução ou enfraquecimento da “Scuderie” em 2002 criou um vácuo de poder significativo no submundo criminal do estado. Esse vácuo impulsionou uma intensa disputa pelo controle de territórios lucrativos, especialmente na Região Metropolitana da Grande Vitória, que é estrategicamente importante devido aos seus portos internacionais, rodovias e aeroporto. Esse período de instabilidade facilitou a expansão e consolidação de facções externas maiores e nacionalmente reconhecidas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, originárias do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. O Espírito Santo, assim, tornou-se não apenas uma rota vital para o comércio ilícito, mas também um possível refúgio para líderes criminosos procurados.

3.2. O Primeiro Comando de Vitória (PCV): Origem, Estrutura e Atuação

O Primeiro Comando de Vitória (PCV) começou a estruturar-se por volta de 2010-2013, principalmente na capital, Vitória, com suas origens no bairro da Penha. Os princípios fundadores e o modelo organizacional do PCV foram fortemente influenciados pelo PCC, fato evidente em seu nome e na adoção de um estatuto que espelha o do PCC, completo com regras estabelecidas, um conselho governante e uma hierarquia de liderança clara. Essa inspiração foi notavelmente derivada de Carlos Alberto Furtado, que teria tido contato com membros do PCC enquanto estava encarcerado em um presídio federal.

Uma dinâmica evolutiva crucial e complexa do PCV é sua subsequente afiliação ao Comando Vermelho, apesar de sua inspiração inicial e semelhanças estruturais com o PCC, que é um rival direto do CV. Essa mudança estratégica ilustra a natureza pragmática e fluida das alianças criminosas. No universo do crime organizado, a vantagem operacional e o controle territorial frequentemente se sobrepõem a alinhamentos ideológicos iniciais ou laços históricos. A decisão do PCV de se filiar ao CV, um inimigo declarado do PCC, provavelmente se deu pela busca de maior alavancagem operacional, acesso a recursos ou proteção em um cenário de disputa por mercados ilícitos. Essa aliança não apenas solidifica a posição do PCV no estado, mas também estabelece uma linha de confronto clara, posicionando o bloco PCV-CV em rivalidade direta com o PCC e seus eventuais aliados no Espírito Santo, moldando assim o cenário dos conflitos em curso.

O PCV demonstra uma ambição de expansão territorial, não limitando suas operações aos bairros de Vitória, mas estendendo seu alcance para o interior do estado e, de acordo com informações recentes, até para outros estados brasileiros. A organização opera com uma hierarquia sofisticada, incluindo um “comando geral” que pode dirigir operações mesmo de dentro de presídios estaduais e federais, líderes locais atuando como “franquias” que gerenciam operações de bairro, “gerentes” que supervisionam o empacotamento e a distribuição de drogas, e “vapores” como vendedores diretos nas ruas. O grupo também possui um braço armado especializado conhecido como “trem bala”, composto por “faixas pretas”, responsáveis por invasões, homicídios e incursões armadas.

Um aspecto preocupante do modus operandi do PCV é a exploração extensiva de crianças, adolescentes e jovens, que formam a “linha de frente”. Esses indivíduos servem como mão de obra barata e descartável para tarefas como empacotamento de drogas, vigilância e alerta sobre a presença policial. Eles são desproporcionalmente oriundos de famílias empobrecidas com acesso limitado a serviços públicos, tornando-os altamente suscetíveis ao recrutamento e, tragicamente, representados de forma desproporcional entre as vítimas de confrontos com forças estatais ou grupos rivais. Além da distribuição local de drogas, o PCV está ativamente envolvido no tráfico transnacional de drogas, empregando métodos como esconder drogas em navios no porto e fixar tabletes de cocaína nos cascos de embarcações já em trânsito marítimo, utilizando mergulhadores especializados.

3.3. Atuação e Relações do PCC, Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) no ES

Uma dinâmica crucial e definidora no cenário criminal do Espírito Santo é a aliança estratégica observada entre o Primeiro Comando da Capital e o Terceiro Comando Puro em regiões específicas, notadamente Vila Velha. Essa parceria é significativa, pois o TCP historicamente emergiu de uma cisão do Comando Vermelho e é seu rival. A formação dessa aliança entre PCC e TCP, em conjunto com a afiliação estabelecida do PCV ao CV, cria um eixo de conflito multipolar claro e volátil dentro do estado. A rivalidade histórica entre CV e TCP é, portanto, transposta e amplificada no Espírito Santo por meio dessas alianças contemporâneas. Os interesses econômicos, particularmente o controle do comércio ilícito, são os principais impulsionadores dessas alianças e rivalidades, garantindo a persistência e a intensidade do que pode ser caracterizado como uma guerra contínua por territórios e mercados.

A Tabela 2, a seguir, oferece uma visão geral das principais facções criminosas atuantes no Espírito Santo, detalhando suas características, atividades e as complexas relações de aliança e rivalidade que moldam o cenário de conflito no estado.

Tabela 2: Principais Facções Criminosas Atuantes no Espírito Santo: Características e Relações

FacçãoOrigem/Base PrincipalAtuação no ESPrincipais AtividadesAlianças/Rivalidades no ES
Primeiro Comando de Vitória (PCV)Vitória/ES (Complexo da Penha)Região Metropolitana (Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica), interior do estado, outros estadosTráfico de drogas (local e transnacional via portos), homicídios, controle territorial, exploração de jovensAliado ao Comando Vermelho (CV); Rival do PCC e TCP
Primeiro Comando da Capital (PCC)São Paulo/SPVitória, Vila Velha, Serra, Colatina, e outras regiões do estadoTráfico de drogas, homicídios (Setor Disciplinar), posse ilegal de armas, controle territorialAliado ao Terceiro Comando Puro (TCP); Rival do CV e PCV
Comando Vermelho (CV)Rio de Janeiro/RJDiversas regiões do estado, incluindo Guarapari e áreas ligadas a facções locaisTráfico de drogas, liderança de disputas territoriaisAliado ao Primeiro Comando de Vitória (PCV); Rival do PCC e TCP
Terceiro Comando Puro (TCP)Rio de Janeiro/RJVila Velha e outras regiões do estado, com esquemas financeiros significativosTráfico de drogas, participação em esquemas financeiros ilícitosAliado ao Primeiro Comando da Capital (PCC); Rival do CV e PCV
4. Dinâmica dos Conflitos e Impacto na Violência no Espírito Santo
4.1. Evidências de Disputas Territoriais e Conflitos Armados

Relatórios oficiais da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (FICCO/ES) confirmam a existência de “violenta disputa por territórios” em regiões como Jacaraípe, localizada na Serra/ES. Essas disputas são significativas o suficiente para justificar ações policiais, levando à prisão de líderes de facções diretamente envolvidos no comando desses conflitos.

A cobertura da mídia e a percepção pública também refletem essa realidade. Vídeos no YouTube utilizam títulos alarmantes como “GUERRAS ENTRE FACÇÕES ATERRORIZAM O ESPÍRITO SANTO” e vinculam a “Guerra por territórios” diretamente ao trágico fenômeno de jovens sendo atraídos para a criminalidade em idades cada vez mais precoces. Isso indica que o termo “guerra” não é meramente retórico, mas descreve uma realidade tangível e aterrorizante para os moradores.

As estruturas internas das próprias facções demonstram uma capacidade para a violência organizada. O PCV, por exemplo, possui um braço armado conhecido como “trem bala”, cujas responsabilidades explícitas incluem invasões, homicídios e incursões armadas, significando um componente estruturado e dedicado ao engajamento em conflitos territoriais violentos. Da mesma forma, o “Setor Disciplinar” do PCC é encarregado da execução de homicídios e do controle do tráfico de drogas, confirmando ainda mais a institucionalização da violência dentro dessas organizações.

4.2. Análise dos Indicadores de Homicídios e Criminalidade (2021-2023)

O Anuário Estadual da Segurança Pública 2024 do Espírito Santo, uma fonte oficial de alta credibilidade, fornece dados cruciais sobre a violência letal, especificamente homicídios. Embora alguns municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória, como Serra, Cariacica e Vila Velha, tenham registrado reduções nos homicídios em 2023 em comparação com 2022 (por exemplo, Serra teve 117 homicídios em 2023, abaixo dos 127 em 2022; Vila Velha registrou 117 em 2023 contra 159 em 2022), esses números ainda representam um nível significativo e preocupante de violência letal.

A capital do estado, Vitória, destaca-se como uma exceção crítica entre os municípios da região metropolitana. Em 2023, a cidade registrou um aumento notável de 21,4% nos homicídios dolosos, com 85 casos em comparação com 70 em 2022. Esse aumento é explicitamente atribuído, no relatório oficial, a “conflitos entre grupos criminosos nas regiões de morro da cidade”. Essa ligação causal direta, proveniente de uma fonte autorizada como o Anuário Estadual da Segurança Pública, fornece evidências contundentes de que uma guerra entre facções está de fato ocorrendo e impactando diretamente a segurança pública em áreas urbanas específicas e de alta relevância. Embora outros municípios tenham apresentado reduções, a situação em Vitória demonstra a intensidade e a localização desses confrontos, confirmando que o termo “guerra” não é uma hipérbole, mas uma descrição precisa da luta violenta e contínua pelo controle territorial.

Além dos homicídios, a criminalidade geral registrada pelas autoridades policiais em 2023 apresentou um aumento de 8% em comparação com o ano anterior, dando continuidade a uma tendência de alta observada desde 2021.

A Tabela 1, a seguir, detalha os homicídios dolosos nos principais municípios da Grande Vitória entre 2021 e 2023, ilustrando as tendências e a localização da violência letal.

Tabela 1: Homicídios Dolosos em Municípios Selecionados da Grande Vitória (2021-2023)

MunicípioHomicídios Dolosos 2021Homicídios Dolosos 2022Homicídios Dolosos 2023Variação % (2022-2023)
Vitória1043 (dado não explícito, inferido do gráfico)7085+21,4%
Serra1090 (dado não explícito, inferido do gráfico)127117-7,8%
Cariacica966 (dado não explícito, inferido do gráfico)1141140%
Vila Velha135159117-25,2%

Nota: Os dados de 2021 para Vitória, Serra e Cariacica são inferidos do gráfico de “Crimes Letais Intencionais” na página 29 do Anuário Estadual da Segurança Pública 2024, que apresenta a série histórica. Os valores exatos para 2022 e 2023 são explicitamente mencionados no texto do documento.

4.3. Consequências Sociais e Humanas da Violência Faccional

A violência generalizada instigada pelas facções criminosas impacta profundamente o tecido social, levando a “novas formas de sociabilidade” dentro das comunidades afetadas e exigindo uma reavaliação fundamental das políticas públicas, particularmente aquelas relacionadas à segurança pública. A estratégia predominante de “guerra às drogas” é criticada por seu impacto desproporcional em bairros pobres e predominantemente negros. Operações policiais, frequentemente conduzidas sob esse paradigma, resultam no “extermínio de uma demografia específica”, exacerbando as desigualdades sociais existentes e as preocupações com os direitos humanos.

Dados estatísticos do Atlas da Violência (IPEA, 2020) ilustram tragicamente esse impacto racializado, indicando que 74% das vítimas de homicídio são indivíduos negros. Isso destaca como as vulnerabilidades sistêmicas são exploradas tanto por grupos criminosos quanto, por vezes, por ações estatais. Para muitos jovens negros, que frequentemente vivem vidas marcadas por extrema pobreza, oportunidades educacionais limitadas e exposição diária a atividades criminosas, ingressar em uma facção pode paradoxalmente oferecer um “senso de propósito” ou pertencimento. Isso os torna altamente suscetíveis ao recrutamento e, tragicamente, desproporcionalmente representados entre as vítimas de conflitos faccionais e intervenções estatais.

5. Políticas Públicas e o Sistema Prisional Capixaba
5.1. A Política Penitenciária Estadual (SEJUS) e seus Desafios

A Secretaria de Estado da Justiça (SEJUS) é o órgão estadual primário responsável pela coordenação, planejamento, implementação e controle da Política Penitenciária Estadual. Sua missão declarada é aplicar a Lei de Execução Penal de forma humanizada, garantindo a segurança do estado e proporcionando condições para a reintegração social.

Um desafio significativo e persistente enfrentado pelo sistema prisional do Espírito Santo é a grave superlotação. O governador Renato Casagrande descreveu abertamente o sistema como “estável, mas com quase nove mil detentos a mais do que comporta. É um sistema frágil, uma bomba relógio, que pode explodir”. Essa situação crítica é sublinhada pelo fato de que seis das 37 unidades prisionais do estado operam com mais do que o dobro de sua capacidade projetada. Essa superlotação crônica não apenas compromete a segurança e a dignidade dos detentos, mas também dificulta severamente os esforços de reabilitação e fomenta um ambiente propício a tratamentos degradantes, impedindo assim a ressocialização genuína.

Em resposta a esses desafios, o governo estadual, sob a gestão do governador Casagrande, iniciou grupos de trabalho interinstitucionais envolvendo o Executivo, o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil. Esses grupos visam propor alternativas inovadoras e coordenar projetos existentes para aprimorar o sistema carcerário e aliviar a superlotação, incluindo esforços para acelerar os processos judiciais para detentos provisórios.

5.2. A Questão da Classificação e Separação de Presos por Facção

Existe uma tensão considerável e um dilema político no Espírito Santo em relação à classificação e separação de presos com base em sua afiliação a facções criminosas. Por um lado, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) e o Poder Judiciário buscam e obtêm ativamente autorização judicial para a transferência de líderes de alto escalão de facções, como os do PCV, para presídios federais de segurança máxima. A justificativa explícita para essas transferências é “interromper o comando exercido pelos detentos mesmo de dentro da Penitenciária de Segurança Máxima II” e “enfraquecer a facção criminosa, reduzindo sua capacidade de articulação e provocando sua fragmentação interna”. Isso demonstra uma abordagem prática e orientada para a segurança, visando separar figuras-chave para desarticular suas estruturas de comando.

No entanto, em contraste com esse imperativo operacional, existem propostas legislativas em nível federal, como os Projetos de Lei 2235/2021 e 2174/2019, que visam expressamente proibir a classificação e a separação de presos por facção. Os defensores desses projetos argumentam que tais práticas transformam inadvertidamente os estabelecimentos prisionais em “autênticas filiais do crime organizado,” consolidando os grupos criminosos dentro das prisões e impedindo fundamentalmente a ressocialização dos detentos. Essas propostas também ressaltam que a Lei de Execuções Penais (LEP) atual não estipula explicitamente a afiliação faccional como critério para a classificação de presos. Historicamente, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Espírito Santo já havia notado que, apesar de ser “proibido por lei,” a separação de presos por facção de fato ocorria, indicando uma prática de longa data que opera em uma área cinzenta da interpretação legal. A Secretaria de Estado da Justiça (SEJUS), por meio de suas Comissões Técnicas de Classificação (CTCs), capacita o pessoal para individualizar as penas com base na culpabilidade e na gravidade do delito, visando a reabilitação, mas o papel explícito da afiliação faccional nesse processo de classificação não é detalhado nas informações fornecidas sobre as CTCs. Essa contradição entre a necessidade operacional de isolar líderes e a preocupação legislativa de não fortalecer facções dentro do sistema prisional representa um desafio significativo. A eficácia da intervenção estatal na mitigação da “guerra” entre facções está diretamente ligada à forma como esse dilema é resolvido, pois a capacidade das facções de manter coesão e comando de dentro das prisões influencia diretamente a perpetuação dos conflitos externos.

5.3. Ações de Combate ao Crime Organizado e Cooperação Interagências

O estado do Espírito Santo demonstra um compromisso no combate ao crime organizado por meio de esforços integrados de aplicação da lei. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (FICCO/ES), um órgão colaborativo que compreende forças policiais federais e estaduais (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria de Estado de Segurança Pública e Guardas Municipais), realiza ativamente operações para desmantelar organizações criminosas. Essa abordagem multiagências destaca a importância da cooperação e do compartilhamento de inteligência no combate eficaz ao crime.

O governador Renato Casagrande tem enfatizado consistentemente a necessidade crítica de cooperação interestadual, particularmente com o Rio de Janeiro. Essa colaboração é considerada essencial porque muitos líderes criminosos atuantes no Espírito Santo frequentemente buscam refúgio ou orquestram atividades a partir do território fluminense, ressaltando a natureza transfronteiriça dessas empresas criminosas. O MPES, por meio de seu GAECO, desempenha um papel fundamental na deflagração de operações direcionadas que visam desmantelar células específicas de grandes facções como o PCC e o PCV. Essas operações se concentram não apenas na prisão de membros, mas também na desarticulação de seus braços armados, no controle do tráfico de drogas e no desmantelamento de seus esquemas financeiros, enfraquecendo assim sua capacidade operacional geral.

6. Conclusões: Haverá Guerra entre Facções no Espírito Santo?
6.1. Síntese das Evidências e Resposta à Questão Central

Com base na análise abrangente de dados oficiais, pesquisas acadêmicas e relatórios policiais, é inequivocamente evidente que uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo não é uma hipótese futura, mas uma realidade ativa e contínua. A formulação da pergunta “Haverá guerra?” implica um evento futuro, mas as evidências demonstram que este conflito já está em pleno andamento e profundamente enraizado no cenário de segurança pública do estado.

Essa “guerra” é caracterizada principalmente por violentas disputas territoriais, particularmente concentradas nas “regiões de morro” de Vitória. Dados oficiais atribuem explicitamente o aumento significativo nas taxas de homicídio na capital a esses conflitos contínuos entre grupos criminosos.16 O conflito envolve uma interação complexa e volátil de grandes facções nacionais, incluindo o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro, juntamente com o poderoso e localmente enraizado Primeiro Comando de Vitória . Uma dinâmica definidora é a afiliação estratégica do PCV ao CV, o que o posiciona em rivalidade direta e violenta com uma aliança discernível entre PCC e TCP operando em certos territórios, notadamente Vila Velha.7

A presença de líderes de alto escalão (por exemplo, o “Senhor da Guerra” do CV) e a existência estabelecida de braços armados estruturados dentro dessas organizações (por exemplo, o “trem bala” do PCV, o “Setor Disciplinar” do PCC) sublinham a natureza organizada, estratégica e persistente desses conflitos, que vão além da violência esporádica para uma luta sustentada por domínio e controle sobre mercados ilícitos.

6.2. Fatores Contribuintes e Mitigadores dos Conflitos

Fatores Contribuintes:

  • Vácuo de Poder Histórico: O enfraquecimento e a eventual dissolução do controle criminal anteriormente centralizado (por exemplo, Scuderie Detetive Le Cocq) criaram um ambiente fértil para o surgimento e a expansão de novas, e frequentemente mais violentas, facções criminosas que disputam o domínio territorial.
  • Localização Geográfica Estratégica: A posição crucial do Espírito Santo, com portos internacionais e grandes rodovias, torna-o uma rota indispensável para o tráfico transnacional de drogas e armas. Essa importância estratégica alimenta uma intensa competição e disputas territoriais entre facções que buscam controlar esses fluxos ilícitos lucrativos.
  • Falhas Sistêmicas Prisionais: A grave superlotação carcerária e os desafios inerentes à gestão eficaz da presença faccional dentro das unidades prisionais permitem que líderes criminosos mantenham o comando e orquestrem a violência por trás das grades. O dilema político existente em relação à classificação e separação de presos por facção exacerba ainda mais esse controle, potencialmente consolidando o poder criminoso dentro do sistema.
  • Vulnerabilidade Socioeconômica e Paradigma da “Guerra às Drogas”: A estratégia predominante de “guerra às drogas” impacta desproporcionalmente e atinge jovens empobrecidos e predominantemente negros em áreas periféricas. Essa abordagem, frequentemente caracterizada por operações policiais repressivas, cria inadvertidamente um suprimento contínuo de indivíduos vulneráveis que são então suscetíveis ao recrutamento por facções, fornecendo um pool pronto de combatentes para a “guerra”.

Fatores Mitigadores/Esforços:

  • Operações Policiais Integradas e Baseadas em Inteligência: Os esforços ativos e coordenados de forças multiagências como a FICCO/ES e o GAECO do MPES demonstram uma abordagem concertada e orientada pela inteligência para desmantelar organizações criminosas, prender líderes-chave e desarticular suas capacidades operacionais.
  • Cooperação Interestadual e Federal: O reconhecimento por parte das autoridades estaduais, incluindo o governador Casagrande, da necessidade de uma cooperação robusta com outros estados (por exemplo, Rio de Janeiro) e agências federais é crucial para atingir líderes criminosos que operam além das fronteiras estaduais, enfraquecendo assim suas redes.
  • Transferência Estratégica de Líderes: A autorização judicial e a execução de transferências de líderes de facções de alto escalão para presídios federais de segurança máxima têm se mostrado eficazes na desarticulação de estruturas de comando e na fragmentação da capacidade operacional dessas organizações, mitigando assim sua capacidade de dirigir a violência a partir do sistema prisional estadual.
7. Recomendações
7.1. Sugestões para o Fortalecimento da Segurança Pública
  • Operações Sustentadas e Adaptativas Baseadas em Inteligência: Continuar e intensificar as operações integradas conduzidas pela FICCO/ES e MPES/GAECO. Essas operações devem permanecer altamente adaptáveis, focando estrategicamente na desarticulação da liderança faccional, no desmantelamento de redes financeiras e na neutralização de braços armados. Deve-se dar ênfase à coleta proativa de inteligência para antecipar e prevenir conflitos, em vez de apenas reagir a eles.
  • Segurança Reforçada em Fronteiras e Pontos Estratégicos: Implementar medidas avançadas de vigilância e interdição em pontos críticos, como portos internacionais, grandes rodovias e aeroportos. Isso é essencial para interromper o fluxo de drogas e armas ilícitas, que são os principais recursos que alimentam as disputas territoriais e a “guerra” geral entre as facções.
  • Policiamento Comunitário e Construção de Confiança: Desenvolver e expandir estratégias de policiamento comunitário que priorizem a construção de confiança e colaboração com os moradores em territórios vulneráveis. Reduzir a dependência dessas comunidades dos sistemas de “justiça” paralelos impostos pelas facções criminosas é crucial para a segurança a longo prazo e a legitimidade do Estado.
7.2. Propostas para a Melhoria da Política Prisional e Ressocialização
  • Mitigação Abrangente da Superlotação: Priorizar e implementar reformas estruturais dentro do sistema prisional para aliviar a grave superlotação. Isso inclui explorar e expandir opções de sentenças alternativas, investir em novas instalações de tamanho adequado e acelerar os processos judiciais para detentos provisórios. Abordar a superlotação é fundamental para recuperar o controle estatal sobre as instalações correcionais e minar a influência faccional.
  • Política Clara e Eficaz de Separação Faccional: Resolver o dilema político existente em relação à classificação e separação de presos por facção. Isso exige um arcabouço legal robusto que equilibre os imperativos de segurança (por exemplo, isolar líderes de alto risco para desarticular o comando) com os princípios dos direitos humanos e da ressocialização. Uma política clara, consistente e legalmente sólida é essencial para evitar que as prisões sirvam como bases operacionais para organizações criminosas.
  • Fortalecimento dos Programas de Ressocialização e Reabilitação: Aumentar significativamente o investimento em programas abrangentes de educação, formação profissional, apoio psicológico e reabilitação de drogas dentro das prisões. Essas iniciativas são vitais para oferecer genuinamente aos detentos alternativas viáveis à vida criminosa após a libertação, reduzindo assim a reincidência e enfraquecendo o pool de recrutamento para as facções.
  • Políticas de Inclusão Social Direcionadas: Implementar e expandir políticas públicas robustas destinadas a garantir direitos fundamentais e criar oportunidades genuínas para populações vulneráveis, particularmente jovens negros em áreas urbanas periféricas. Isso inclui garantir acesso equitativo a educação de qualidade, saúde, espaços culturais e oportunidades de emprego, reduzindo assim sua suscetibilidade ao recrutamento por organizações criminosas e promovendo sua integração na sociedade legítima.
  • Sistemas Robustos de Apoio Pós-Liberação: Desenvolver e fortalecer programas de apoio pós-liberação, incluindo assistência habitacional, serviços de colocação de emprego e apoio psicológico contínuo. Programas de reintegração eficazes são cruciais para quebrar o ciclo de reincidência e evitar que ex-detentos voltem a se juntar a redes criminosas.

O que significa o 1533 do PCC (PCC 15.3.3)

O que significa o 1533 da organização criminosa PCC e como sugiu essa sigla é uma das questões mais levantadas na internet e é simples.

O significado do 1533 do PCC é mais que números; é um código que conta uma história. Ao ler este texto, você vai entender melhor como o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) usa isso para se comunicar. Se você quer saber mais sobre o PCC, esta leitura é para você.

O significado do 1533 do PCC é explorado aqui não só factualmente, mas também por uma análise crítica feita por Inteligência Artificial abrangendo diversos aspectos. Ao fim da leitura, sinta-se convidado a comentar, curtir e se inscrever no nosso grupo de leitores. Compartilhe nas suas redes sociais e ajude a ampliar essa discussão.

A Origem do Código 1533 ou 15.3.3

Você já parou para pensar no poder dos números e das letras? Pegue o número 1533, por exemplo. Pode parecer apenas uma sequência numérica aleatória, mas na verdade, é um código que esconde todo um universo. Estamos falando do Primeiro Comando da Capital, mais conhecido como PCC.

Ah, o código 1533. Sua história é tão curiosa quanto o próprio grupo que ele representa. Surgiu como um meio de driblar a vigilância das autoridades, enquanto servia como um sinal secreto entre os membros do PCC. E você sabia que essa combinação numérica veio do “Alfabeto Congo”? Isso mesmo, uma herança do Comando Vermelho do Rio, lá das décadas de 1970 e 1980.

A numeração representa as letras P, C e C, seguindo o alfabeto brasileiro na década de 1990, antes da inclusão das letras K, W e Y:

  • 15 – P de Primeiro
  • 3 – C de Comando
  • 3 – C de Capital

Na tranca ninguém deu a mínima para esse detalhe. Alguém cantou o abecedário de cabeça e contou nos dedos, deu 15 e “já era“

Aparecimento do Código 1533 nos Documentos do PCC

Talvez você se pergunte: “E daí? Por que isso importa?” Bem, essa sequência de números deixou de ser só um código para virar um símbolo de identidade. Isso mesmo, algo para se orgulhar, a ponto de os integrantes fazerem o símbolo do 3 com os dedos ou dizerem frases como “tudo 3” e “tá 3, tá lindo”. Você acredita nisso?

E, por mais que você vasculhe, não vai encontrar essa numerologia no estatuto do PCC de 1987 ou na edição de 2007. O 1533 só deu as caras pela primeira vez em 2007, na Cartilha de Conscientização da Família, que era uma espécie de manual de orientação interna do PCC. Nela, o grupo se refere a si mesmo como a “Família 15.3.3” e chama para a luta com frases de efeito como “Ousar, Lutar e Vencer”.

Essa é a evolução para uma geração consciente, aperfeiçoando nossas deficiências, suprindo a carência do conhecimento, nos apoiando maciçamente na família 15.3.3 e na nossa família de sangue.

Assim superamos nossas dificuldades e conquistamos o que é nosso por direito.

Cartilha de Concientização da Família 1533

E no mesmo documento se assina:

OUSAR, LUTAR E VENCER.
Conscientização, união e família
UNIDOS VENCEREMOS — população carcerária do país
PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL – PCC 15.3.3

Uso do Código 1533 pelos Integrantes do PCC

Então, o que começou como um código virou uma marca, um rito de passagem, uma linguagem própria que une seus membros. É quase como se esse número encapsulasse a alma do grupo, reafirmando sua identidade e propósito.

E por que isso é relevante? Porque esses detalhes, aparentemente insignificantes, lançam luz sobre como o crime organizado opera e evolui. É um vislumbre de como a cultura, a linguagem e os símbolos podem ser usados, para o bem ou para o mal.

Em uma antiga foto de Evelson de Freitas do motim em um presídio na década de 90 ainda não consta os números, ao contrário de outra imagem captada por ele em 2001.

Bem, é isso que significa o 1533 e esse é um breve histórico da evolução do termo.

Acredito em meio aos meus estudos acadêmicos.

Que Tudo 🤟, é atualmente utilizado em vários e diversos contextos, com diversas e diferentes  finalidades, por ser um termo bastante utilizado em âmbitos diferentes.

No meu ver, Tudo 3 é o conceito mais utilizado de relação social que de fato alcança com mais suavidade e eficácia, os mais diversos grupos sociais.

Similar ao símbolo ☯️
Mais do que a reflexão a respeito das diversas questões que certamente decorrerão dos tópicos apresentados, a pretensão de apresentar a realidade extramuros dessa que, em termos territoriais e humanos, é a maior organização criminosa do Brasil, objetivando fomentar a discussão…

Teses defendida nesse artigo e seus contra-argumentos:

Teses:

As teses principais apresentadas pelo autor:

  1. Origem do Código 1533: O código teve sua origem no “Alfabeto Congo”, utilizado pelo Comando Vermelho nas décadas de 1970 e 1980. O autor destaca que o código foi gerado a partir da posição das letras “P”, “C” e “C” no alfabeto brasileiro da década de 1990, que são respectivamente 15, 3 e 3.
  2. Propósito Inicial do Código: O código foi criado para dificultar a compreensão das atividades e comunicações do grupo pelas autoridades carcerárias, ao mesmo tempo em que facilitava a identificação entre os membros da organização.
  3. Evolução Documental do Código: O autor observa que o código 1533 não aparece nos primeiros documentos relativos ao PCC, mas faz sua primeira aparição na Cartilha de Conscientização da Família de 2007.
  4. Significado Simbólico e Identitário: O código 1533 se tornou um símbolo de identidade para os membros do PCC. O autor comenta sobre como os membros da organização passaram a se orgulhar de pertencer à “Família 1533” e incorporaram o número em suas falas, escritas e gestos.
  5. Evolução do Uso do Código: Originalmente, o código deveria ser grafado como “15.3.3”, mas atualmente é mais comumente usado na forma “1533”. A pronúncia pode variar entre “quinze, três três” e “um cinco três três”.
  6. Linha do Tempo Histórica: O autor destaca que a presença do código nas imagens do PCC é uma característica mais recente, mencionando fotos de motins prisionais captadas em diferentes épocas como evidência desta evolução.

Em resumo, o texto oferece um panorama histórico e analítico do código “1533”, explorando sua origem, propósito, evolução e significado dentro do Primeiro Comando da Capital. O autor conclui que o código é mais do que uma simples série de números: ele representa a identidade e união dos membros da organização criminosa.

Contra-argumentos:

Em um exercício de pensamento crítico, podemos levantar algumas contrateses relacionadas ao texto sobre o código “1533” e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Aqui estão algumas possíveis linhas de argumentação que poderiam ser exploradas:

  1. Simplicidade x Complexidade da Codificação: Enquanto o texto sugere que o código foi eficaz em ocultar as atividades do grupo das autoridades, uma contratese poderia argumentar que um código tão simples, baseado apenas na posição alfabética das letras, poderia ser facilmente decifrado por autoridades bem treinadas em linguística ou criptografia.
  2. Eficiência na Comunicação Interna: O texto argumenta que o código facilitou a comunicação entre os membros da organização. Uma contratese poderia questionar quão eficaz seria tal método de codificação em termos de comunicação clara e eficiente dentro de um grupo complexo e multifacetado.
  3. Universalidade do Código: Se o código foi originalmente desenvolvido com base no alfabeto brasileiro da década de 1990, uma contratese poderia discutir se o código seria compreendido ou utilizado por membros da organização que não estão familiarizados com esse contexto específico.
  4. Evolução Documental Contínua: O texto indica que o código apareceu pela primeira vez em documentos oficiais em 2007. Uma contratese poderia explorar se há evidências de uso anterior do código em outros contextos ou por outras organizações, lançando dúvidas sobre sua originalidade ou exclusividade ao PCC.
  5. Simbolismo x Pragmatismo: O texto atribui um alto grau de significado simbólico e identitário ao código. No entanto, uma contratese poderia argumentar que tal simbolismo poderia ser supervalorizado, destacando que a eficácia prática do código (por exemplo, em atividades criminosas ou evasão de autoridades) é mais importante para a organização do que seu valor simbólico.
  6. Autenticidade de Fontes: O texto parece confiar muito em documentos oficiais e registros fotográficos para traçar a evolução do código. Uma contratese poderia questionar a autenticidade e a veracidade dessas fontes.
  7. Monolitismo Organizacional: O texto sugere uma unidade quase monolítica na forma como o código é usado e entendido dentro da organização. Uma contratese poderia explorar as possíveis variações no entendimento ou uso do código entre diferentes “facções” ou subgrupos dentro do PCC.

Essas contrateses não têm como objetivo desacreditar o texto original, mas oferecer diferentes perspectivas que podem enriquecer o entendimento do assunto.

Crítica e Análises sobre o texto: O que significa o 1533 do PCC (PCC 15.3.3)

Histórico

O texto faz um bom trabalho ao fornecer uma perspectiva histórica da evolução do código “1533”. No entanto, ele não se aprofunda na história mais ampla do Primeiro Comando da Capital, como ele se insere no contexto histórico do crime organizado no Brasil, ou como as mudanças sociais e políticas podem ter influenciado o uso desse código.

Sociológico

O texto toca em aspectos sociológicos ao abordar como o código facilita a comunicação dentro do grupo e cria uma sensação de pertencimento. Contudo, não explora o impacto desse fenômeno sobre a sociedade em geral. Fica a questão: Como o uso do código afeta as relações sociais não apenas dentro, mas também fora do PCC?

Antropológico

O texto poderia ter se beneficiado de uma análise antropológica ao examinar como o código serve como um rito ou um símbolo que confere identidade cultural ao grupo. Em que medida esse código é similar ou diferente de outros códigos ou símbolos utilizados em outras culturas ou subculturas?

Filosófico

O texto não aborda as questões filosóficas subjacentes ao uso do código. Poderia ter explorado, por exemplo, o significado da linguagem e simbolismo na construção da realidade para os membros do PCC, ou ainda a ética por trás do uso de códigos em atividades que são, por sua natureza, marginais ou ilegais.

Ético

A ausência de um ponto de vista ético é notável. O texto descreve o código e seu uso sem questionar as implicações éticas deste. Poderia ser relevante discutir as ramificações éticas de usar um código para facilitar atividades que são prejudiciais para a sociedade.

Psicológico

O texto também omite uma discussão sobre os aspectos psicológicos do uso do código. Seria interessante examinar como o uso desse código pode afetar o estado psicológico dos membros, talvez fortalecendo sua identidade grupal ou oferecendo um senso de segurança e pertencimento.

Segurança Pública

O texto oferece uma visão detalhada sobre o surgimento e a evolução do código “1533”, o que pode ser útil para as autoridades de segurança pública que buscam entender a estrutura e os métodos de comunicação do PCC. No entanto, o texto parece carecer de discussão sobre as implicações diretas desse código para a segurança pública. Ele se concentra muito no ‘como’ e ‘por que’ do código, mas não aborda de forma significativa como esse código afeta os esforços para controlar ou mitigar atividades criminosas.

Jurídico

O texto explora a origem e o uso do código, o que pode ser útil para a compreensão jurídica do caso. Porém, ele não explora as potenciais ramificações legais do uso desse tipo de código. Faltam discussões sobre como o código pode ser usado como evidência em casos criminais ou se a codificação é suficiente para justificar acusações mais graves, como a formação de quadrilha.

Criminológico

Embora o texto ofereça um entendimento sobre como o código é uma parte vital da identidade e da operação do PCC, ele faz isso sem um quadro criminológico claro. Ou seja, ele não relaciona esse fenômeno específico com teorias ou conceitos criminológicos mais amplos, como a formação de subculturas criminosas ou o papel da linguagem e símbolos na coesão de grupos criminosos.

Estratégico

O texto destaca a importância estratégica do código “1533” para o PCC, mas não entra em detalhes sobre como isso se traduz em ações ou operações concretas. Como esse código é utilizado nas atividades do dia a dia do grupo? Existe alguma estratégia maior para a disseminação ou proteção desse código? Estas são perguntas estratégicas que o texto não aborda.

O PCC e a dinâmica do crime internacional

Análise baseada no seminário promovido pelo site InSight Crime sobre expansão do Primeiro Comando da Capital e o mercado transnacional de drogas.

Este estudo aprofundado explora suas táticas de expansão e impacto social. Uma análise valiosa do cenário criminoso no Cone Sul, despertará seu interesse e questionamentos.

Embalado na violência e na diplomacia, o PCC estabeleceu seu domínio, moldando a realidade social em várias regiões. Observe como a facção, antes coadjuvante, se tornou a orquestradora do mundo do crime. A história se desenrola, desafiando preconcepções e oferecendo insights que requerem uma reflexão aprofundada.

Comentários são bem-vindos e incentivados – seja no site, em nosso grupo de leitores, ou diretamente para mim. Vamos aprender juntos e desafiar nossas perspectivas sobre o papel desta organização transnacional no crime e na sociedade.

Entendendo o crime transnacional a partir da facção PCC 1533

Pesquisadores do InSight Crime analisaram a mecânica do crime organizado transnacional no Cone Sul através do processo de expansão da facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital.

Às informações passadas pelos pesquisadores Steven Dudley e Vinícius Madureira sob a mediação da professora Camila Nunes Dias somo outras para chegar às conclusões deste texto.

Para assistir ao vídeo do seminário em português: “Explorando a profundidad el crimen organizado en Brasil y sus fronteras”

Facção PCC 1533: estratégia de domínio

Com mais de 10 mil integrantes só no estado de São Paulo e quase três décadas de história, a facção paulista gere a vida dentro das muralhas, assim como, a partir de suas biqueiras, as comunidades periféricas ou marginalizadas.

Somando negociação e violência extrema, a organização paulatinamente chegou a todos os recantos do país, com maior ou menor presença, de acordo com a realidade local e de seus interesses estratégicos.

O PCC prefere cooptar indivíduos, grupos, bondes e facções para correr junto, mas elimina os que optam por resistir.

Assim, o Primeiro Comando da Capital, passou de coadjuvante a coordenador do mundo do crime: criando regras, harmonizando desafetos, aplicando a justiça, e construindo um imaginário na população encarcerada e periférica.

Facção PCC 1533: como componente da equação

É fato que a violência dispara quando a facção disputa um território, no entanto, também é fato que os índices de homicídio desabam quando ela consolida sua presença:

Com o fim dos acordos de paz entre o Primeiro Comando da Capital com o Comando Vermelho, e deste com a Família do Norte, rios de sangue correram de norte a sul do Brasil: dentro das trancas, nas ruas, e quebradas.

gráfico com a taxa de mortalidade: Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro

Facção PCC 1533: a estratégica política de cooptação

O interesse por um território pode ser local, para garantir o fluxo em uma única biqueira, mas também pode ser estratégico, para dominar ou fortalecer sua presença nas regiões produtoras de drogas e nas rotas de distribuição.

A política de cooptação que tenderia a fragmentar a facção, então, segundo Camila Nunes Dias, a facção montou “uma estrutura horizontal flexível e muito forte, conseguindo cadastrar e vincular seus integrantes”.

Os novos aliados cooptados incorporam ao leque do Primeiro Comando da Capital: produtos, serviços, estratégias, contatos e conhecimentos específicos do submundo local.

Não faziam parte do leque original de produtos e serviços do PCC: contrabando de cigarros, prostituição, adulteração de combustíveis, participação em empresas e licitações públicas, entre outros — o contrabando de cigarro hoje é um dos braços mais rentáveis da facção.

E assim, as creches da prefeitura de São Paulo, a maior cidade da América Latina, acabam sendo usadas para lavar o dinheiro da organização criminosa.

A distribuidora Águia e a WMR Construções faziam transações financeiras nas contas de uma dedetizadora: o PCC paga notas fiscais emitidas pelas empresas e os impostos devidos pelas entidades ligadas a administração das creches, em dinheiro em espécie e parte deste valor, era recebido de volta por meio de transações bancárias, lavando o dinheiro.

A cooptação é usada tanto para o domínio de uma biqueira em uma vila amazônica, quanto para a criação de rotas transoceânicas — como nos casos de: Fuminho (Gilberto Aparecido dos Santos) e Gegê do Mangue (Rogério Jeremias de Simone).

Facção PCC 1533: Fuminho e Gegê do Mangue

Fuminho que já havia atuado na Bolívia junto aos produtores de coca, e na melhoria das linhas de escoamento para o Brasil, acabou preso em Moçambique quando tecia parceria entre o PCC com grupos criminosos do sudeste africano.

Moçambique não foi escolhido apenas pelo idioma, mas por sua posição estratégica — uma semente bem plantada naquele solo fértil, se devidamente regada, permitiria ao Primeiro Comando da Capital colher bons frutos:

As organizações criminosas moçambicanas atuam no tráfico regional de heroína e de armas, fazendo a ligação com as organizações asiáticas que atuam nos 47 países que integram a zona de influência do Oceano Índico.

Possivelmente negociava com a família comandada por “Mohamed Bachir Suleman, se aproveitando do acordo comercial assinado em 2015 entre Moçambique e Brasil que facilitou muito a importação de mercadorias em contêineres do Brasil” e a partir de de Moçambique, Malawi e África do Sul reexportar para a Europa, Austrália e EUA.

O eixo africano permitiria ao Primeiro Comando da Capital entregar diretamente para clientes europeus, evitando os portos da Bélgica, Holanda e Itália, onde é necessário pagar o agenciamento cobrado pelos cartéis locais que gira em torno de 40% do valor da mercadoria.

Não se pode afirmar com certeza quando o Primeiro Comando da Capital iniciou suas operações por lá, mas se acredita que tenha montado bases tanto em Moçambique quanto na África do Sul, e que mantenha laços comerciais desde 2012, e o Hezbollah tem uma presença importante naquelas bandas:

Estudando esse caso, Camila Nunes Dias chamou minha atenção para a dificuldade de se entender a estrutura da facção: Fuminho, liderança inconteste do grupo criminoso, sequer é um membro batizado da organização criminosa.

Teoricamente:

  • podendo fazer negócios particulares com grupos inimigos;
  • ficando nebulosa sua colaboração para o caixa da organização;
  • assim como qual seria o limite pelo qual poderia ser responsabilizado pelas regras do Regime Disciplinar (Dicionário do PCC).

Gegê do Mangue, batizado na facção, organizou rotas de distribuição da Bolívia para o Brasil, e foi morto no Ceará onde negociava com grupos locais a estruturação e segurança dos entrepostos e portos para o despacho de drogas para as organizações criminosas européias.

Facção PCC 1533: estruturando a Rota Caipira

O Brasil se tornou o segundo maior mercado do mundo depois dos Estados Unidos, com dois milhões e oitocentos mil consumidores, obrigando o Primeiro Comando da Capital a desenvolver uma cadeia logística que garantisse o fluxo constante, seguro e em grande escala do produto.

Para isso, lideranças da organização criminosa seguiram para Bolívia, Colômbia e Paraguai, para estruturar um sistema de parcerias interligando: plantadores de coca, refinadores, distribuidores autônomos, varejistas, e exportadores.

Quando a liderança da facção PCC 1533 seguiu para a região, já haviam células atuando em toda a extensão da Rota Caipira: Bolívia, Paraguai, Mato Grosso do Sul e Paraná — tendo lá chegado a partir dos presídios.

Por anos, PCCs foram aprisionados ou transferidos para essas regiões, difundindo a “filosofia do partido” nos presídios, e suas sementes ao serem libertadas, se espalhavam para as comunidades do entorno formando essas células por toda a extensão da Rota.

Facção PCC 1533: encontrando seu limite

O Primeiro Comando da Capital distribui 60% da cannabis produzida em solo paraguaio em uma área estimada entre 7 e 20 mil hectares (1.340 municípios brasileiros tem uma área de até 20 ha.), produzindo entre 15 e 30 mil toneladas por ano, ocupando duas dezenas de milhares de trabalhadores rurais: da pequena agricultura familiar aos latifúndios do agronegócio.

A organização criminosa atravessa com facilidade os ilícitos através dos 800 quilómetros da fronteira do Brasil com o Paraguai, utilizando-se para o transporte de empreendedores individuais ou coletivos autônomos — entre 2014 e 2021 foram apreendidos 48,42 toneladas de maconha, portanto, vazou um mínimo estimado de 90 mil toneladas.

A facção optou por não possuir uma estrutura logística própria, terceirizando como empreendimentos individuais ou coletivos autônomos: de mochileiros à caminhões e aviões (que em época de Covid tem ganhado competitividade).

Vinícius Madureira salienta que foi a partir dos presídios que o PCC dominou este que é o maior corredor de escoamento de drogas e ilícitos do Cone Sul — o Rio Grande do Sul e o Uruguai não estão integrados na rota principal por serem regiões onde o Primeiro Comando da Capital ainda enfrenta resistência.

O PCC não venceu a resistência dos diversos e consolidados grupos que atuam nos presídios gaúchos, e assim, não obteve o controle das comunidades e rotas, se mantendo, segundo Vinícius Madureira, apenas “como fornecedor de drogas e facilitador do desenrolar da mecânica criminal na região”.

Rio Grande do Sul

Essa miríade de facções, grupos e bondes, somados à facilidade de acesso por qualquer criminoso independente aos fornecedores da Tríplice Fronteira, levaram a facção paulista a optar pela cooptação dos grupos locais para concorrer do mercado gaúcho e não a ação das forças de Segurança Pública do estado.

No Uruguai a presença paulista, segundo Vinícius Madureira, é tênue também devido aos grupos locais, mas essa informação destoa de um conteúdo do próprio site InSight Crime:

“[No Uruguai os] grupos criminosos não são tão poderosos quanto as gangues de rua em outros lugares da América Latina, e suas atividades têm sido tradicionalmente limitadas a pequenos furtos e tráfico de drogas em pequena escala.”

Facção PCC 1533: estruturando a Rota do Solimões

Vinícius Madureira argumenta que tanto para driblar o cerco policial, quanto por questões estratégicas, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, buscam ampliar um corredor alternativo: a Rota do Solimões.

O PCC para obter o controle da Rota do Solimões estruturou núcleos próprios na região Norte e Nordeste integrados a grupos criminosos locais como piratas ribeirinhos, facções e bondes.

A facção conta com aliados poderosos como o Bonde dos 13, mas tem dificuldade de dominar os quase 4 milhões de quilômetros quadrados, área equivalente aos territórios da Índia e do Paquistão somados, com baixa densidade demográfica e precária infraestrutura de transportes e comunicação.

A principal estratégia adotada pelos paulistas é estrangular as fontes de insumos da Família do Norte e do Comando Vermelho, descapitalizando-os, e assim, criando disputas internas que facilitam a tomada de suas quebradas pelas suas células ou aliados locais.

Apenas no dia 21 de abril de 2021: a polícia manauense identifica integrante do CV responsável pela morte de pelo menos 10 PCCs; e o PCC divulga um vídeo executando um integrante do CV no Amazonas, e outro ameaçando CVs de Parauapebas, um município próximo à tríplice fronteira do Pará, Maranhão e Tocantins — todos dentro do contexto da guerra pelo controle da Rota do Solimões.

Atualmente, o PCC busca os narcóticos diretamente dos produtores rurais ou seus distribuidores no Peru, na Colômbia e na Bolívia, e entrega o produto acabado para despacho nos portos com destino à Europa e à África, alimentando no caminho o mercado interno do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Essa disputa de mercado é a razão dos massacres ocorridos nos presídios do Norte e Nordeste do país: COMPAJ do Amazonas, Monte Cristo de Roraima, Alcaçuz do Rio Grande do Norte, Urso Branco em Rondônia, Altamira no Pará, além de mortes nas cadeias, nos centro sócio-educativos e nas quebradas.

Rota dos Solimões

O fortalecimento do Comando Vermelho no Acre fez com que integrantes do Primeiro Comando da Capital se aventurassem em território boliviano.

Em San Matías, capital da Província boliviana de Ángel Sandóval no departamento de Santa Cruz, situado na fronteira com o Brasil, é comum a prisão de estrangeiros com ligação com a facção brasileira, mas segundo o ministro de Governo da Bolívia, Carlos Eduardo Del Castillo Del Carpio, nada que a polícia local não esteja preparada para resolver.

Outros indícios seria em menos de uma semana a execução de um empresário e seu ajudante naquela cidade em um confronto entre criminosos e, a morte de um sargento durante uma operação da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) em San Ignacio de Velasco, Santa Cruz. e um colombiano ex-combatente das FARC no Parque Noel Kempff.

A oposição de direita que afirma que o presidente Luis Arce deveria soicitar o apoio da  Drug Control Administration (DEA), no entanto o vice-ministro de Substâncias Controladas, Jaime Mamani Espíndola, acredita que seja apenas uma jogada política de grupos políticos visando levar terror para vender uma solução. Dados do Google Trends demonstram que a população não tem levado em conta essa narrativa.

Facção PCC 1533: expansão estratégica

Sem grupos capazes de lhe fazer frente, o PCC cooptou ou eliminou os reticentes, tornando-se hegemônico no tráfico de grandes quantidades de drogas e outros ilícitos — dominando com certa tranquilidade as rotas transnacionais do norte ao sul do país.

Estima-se que apenas a cannabis que circula no Cone Sul, se legalizada, geraria 10 bilhões de dólares anuais — daí o interesse dos grupos criminosos pelo domínio das rotas e de sua não legalização.

Apesar de sua força e influência, a organização paulista sofre oposição do Comando Vermelho e de grupos locais nos estados e países fronteiriços, como o Clan Rotela no Paraguai — havendo uma relação de rivais.

O avanço da facção PCC nos últimos anos foi impulsionado pela criação dessa rede para o atendimento do mercado interno ao mesmo tempo em que o mercado europeu de cocaína se expandia.

Para suprir o aumento do consumo na Europa, a ‘Ndrangheta e outras organizações criminosas europeias buscaram parceiros comerciais estruturados e capazes de garantir o suprimento dessa demanda.

Assim, as organizações do tráfico internacional ampliaram as parcerias já existentes com o Primeiro Comando da Capital, para se aproveitar dessa sofisticada estrutura de distribuição.

“Os corretores da máfia são tão poderosos que lidam diretamente com o PCC. Traficando da Colômbia, da Bolívia e do Peru, passando pelo Paraguai como rota de trânsito.” — Zully Rolón, ministro da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai

A parceria entre as duas organizações criminosas possibilitou que a ‘Ndrangheta passasse a hegemonia do tráfico de drogas da América para a Europa com o dominando 80% do fluxo.

Um dos esquemas, tinha como base as esteiras do Terminal do Aeroporto de Guarulhos: as bolsas seguiam pelas esteiras rolantes até a área restrita, onde funcionários aliciados pelo Primeiro Comando da Capital recebiam dos comparsas as fotos com as imagens das malas recheadas com drogas, e as embarcavam para Portugal, França e Holanda, na Europa, e também para Johannesburgo, na África do Sul.

O aquecimento do mercado interno aqui e na Europa deslocou o eixo do tráfico do hemisfério norte para o sul, onde a capacidade investigativa policial e o custo de transporte e produção, que já era menor, se amortizam.

Representantes do Primeiro Comando da Capital na Europa fizeram o “meio do campo” com as organizações criminosas europeias, optando por não atuar diretamente na distribuição para aquele mercado.

Fuminho, segundo Vinícius Madureira, seria um desses corretores autônomos (brokers) que agem em pequenos grupos com grande especialidade e capacidade de fechar grandes negócios.

Facção PCC 1533: o aliciamento das forças públicas

A relação entre as autoridades policiais e o Primeiro Comando da Capital pode se dar através da corrupção ordinária em uma biqueira ou delegacia, durante um flagrante ou de forma contínua com o pagamento do “arrego”.

Índice de Capacidade de Combate à Corrupção 2020 nos países com maior influência da facção Primeiro Comando da Capital:

Índice de Capacidade de Combate à Corrupção na Tríplice Fronteira

No entanto, também pode ser coletivo, como nos lembra Steven Dudley lembrando o caso de 2017 onde dezenas de policiais civis do Vale do Paraíba gerenciavam indiretamente através da facção PCC os negócios ilícitos em São José dos Campos.

Dois anos depois desse caso, provou-se que 53 policiais militares da Força Tática do 22º Batalhão de São Paulo estavam a soldo da facção PCC para manter a paz entre as biqueiras e garantir a segurança do comércio na região.

A Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) estima que a corrupção policial e institucional só no Paraguai consuma 49 milhões dos 63 milhões de dólares das receitas levantadas pela organização criminosa.

Em todas as regiões é usual a cooptação de policiais para a tomada ou compra de pontos de drogas de concorrentes com a prisão dos donos ou gerentes das biqueiras ou sufocando o acesso dos usuários à elas.

Facção PCC 1533: a mão de obra especializada

A participação de militares, policiais e agentes prisionais na facção é conhecida, mas é pouco explorado o trabalho de dezenas de milhares de outros profissionais de diversas nacionalidades.

Além dos agentes públicos, a logística inclui de norte a sul: transportadoras, aviões e helicópteros próprios ou terceirizados, assim como uma malha de contatos em empresas de transportes ferroviários, aeroportuários, marítimos e fluviais e em aduanas, distribuidoras e entrepostos.

Podendo usar um indígena…

“… a quantidade de índios presos em Tabatinga e Manaus suspeitos de atuar como “mulas de drogas”. (…) Dado seu conhecimento sobre os rios da Amazônia, os indígenas têm sido aliciados, transformando-se em mão de obra qualificada para o trabalho de transporte da droga no trecho Tabatinga-Manaus.” — Promotor de Justiça Walter Coutinho Jr.

… alguém com passaporte diplomático …

O Ministério Público de São Paulo revelou que Marcos Roberto, conhecido como Tuto, é adido no Consulado de Moçambique no Belo Horizonte, Minas Gerais. O quê? Isso mesmo! Por essa via, não espanta que tivesse passaporte diplomático moçambicano! Vejam…até onde tráfico brasileiro penetrou em Moçambique: até o tutano do Governo, traficante recebendo honrarias de diplomata.

Marcelo Mosse

… ou quem sabe coloque até drogas para ser transportado em avião presidencial.

A organização gere US $150 milhões por ano, utilizando-se para lavar o dinheiro: postos de combustíveis, redes de alimentos industriais ou de tratamento dentário, buffets para festas infantis, clubes de futebol, entre outros pequenos negócios.

Grandes valores seguem para as mãos de profissionais como o fazendeiro sul-mato-grossense Antonio Joaquim da Mota que tinha negócios com Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o PCC Minotauro da região da Tríplice Aliança.

Vinícius Madureira ressalta que os mesmos doleiros que atuam em solo paraguaio para os políticos brasileiros na lavagem de dinheiro, também trabalham para o PCC, como seria o caso do senador Dario Messer. Até mesmo o ex-presidente do Paraguai Horácio Cartes poderia estar trabalhando com a facção através de suas empresas tanto como fornecedor quanto para lavar o dinheiro.

Já o repórter Allan de Abreu conta que doleiros como Dalton Baptista Neman faziam uma operação casada para lavar o dinheiro da facção: um comerciante paga um fornecedor na China em Dólar convertido de criptomoeda disponibilizada por um comprador de cocaína na Europa, daí, esse comerciante recebe pela venda da mercadoria vinda da China no Brasil em Reais e então paga o traficante brasileiro que vendeu a droga na Europa.

O chinês Jiamin Zhang se estabelecer no Brás no centro de São Paulo e é o líder de um esquema de lavagem de dinheiro com o uso de criptomoedas que pode ter movimentado bilhões de reais. Ele é acusado de trazer ao Brasil toneladas de cocaína vindas da Colômbia, Bolívia e Paraguai. Do território brasileiro, a droga era enviada para a Europa por portos da região sul do país.

Thaís Nunes detalha e dá nome aos bois

No entanto, as criptomoedas também são utilizadas para lavagem do dinheiro doméstico, como se comprovou com a Operação Mamma Mia da Polícia Federal e da Receita Federal ao investigar uma pizzaria comandada pelos integrantes do Primeiro Comando da Capital que além de massas e queijo para pizzas, comprava criptomoedas e ouro para lavar dinheiro e financiar atividades da facção. — Lucas Caram para o Cointelegraph

Facção PCC 1533: e a escravização sexual nos presídios

O crescimento e a consolidação da facção paulista são consequências visíveis do colapso do sistema prisional brasileiro, que em nove anos quadruplicou a população carcerária.

O ovo da serpente acalentado no ventre de um sistema prisional opressor, superlotado e violento, cujos muros foram assentados um a um durante quinhentos anos. — Ryan C. Berg

Em seus pátios, corredores e celas, a ética do mundo do crime foi forjada e implantada pela facção 1533, permitindo o cumprimento da pena com certa dignidade, o que nunca antes fora garantido pelo Estado brasileiro:

Um garoto universitário branco com boa aparência, que entrasse em um presídio até 1996, antes do PCC, era negociado pelo carcereiro ou outro preso e todo mundo sabia a quem ele pertenceria no xadrez.

Era uma relação muito louca! O preso que comprou o garoto usava-o como achasse melhor, geralmente sexualmente, até que o novato ficasse “bagunçado”, daí ele era vendido para outro preso, e daí como ele estava totalmente zoado era usado como ‘cofre’ (ou ‘garagem’ para esconder drogas ou celulares no ânus quando havia revista nas celas) — imperava a lei do mais forte.

Pedro Rodrigues da Silva, o Pedrinho Matador, conhece o sistema prisional de São Paulo como poucos. Ele ficou sem ver a rua de 1973 até 2007 e de 2011 até 2018 — viveu mais de 40 atrás das grades e por lá, ele conta que viu mais de 200 presos serem mortos enquanto esteve por lá, sendo que mais de 100 foram ele mesmo que matou.

Viveu no cárcere no tempo do Regime Militar, da redemocratização e dos governos com leve viés progressista, mas mudança mesmo, houve quando a facção paulista despontou como hegemônica, acabando com as diversas gangs e grupos dentro das cadeias e presídios.

Sobre o Primeiro Comando da Capital ele afirmou durante uma entrevista:

“Fui [convidado a entrar no PCC], mas não entrei. Ali é o seguinte: depois que surgiu o partido, você vê que a cadeia mudou. Não morre ninguém porque o partido não deixa. É paz. Paz para a Justiça ver. Se começa uma briga, eles seguram. Eles também ajudam quem sai, arrumam trabalho.”

transcrito por Willian Helal Filho para O Globo

Facção PCC 1533: a prisão como ponte estratégica

O Primeiro Comando da Capital impôs a regra de correr pelo lado certo do lado errado da vida, conquistando o respeito do mundo do crime, abrindo caminho para doutrinar cada um dos ingressos no sistema prisional.

A avalanche de aprisionamentos tornou-se uma avalanche de convertidos e replicantes do discurso e da filosofia da facção.

Ninguém é obrigado a se submeter à facção, a servidão é voluntária, e, como descrito por Etienne de La Boétie: ao se colocarem voluntariamente em condição subserviente, fortalecem seus dominadores, que dominarão então mais, realimentando e fortalecendo o processo.

Como Sísifo, condenado a empurrar uma pedra até ao cimo de um monte, e ao chegar vê-la novamente cair montanha abaixo e repetindo esse trabalho por toda a eternidade, o PCC criou e foi criado por um círculo vicioso:

  • ao oferecer ao encarcerado segurança real e imediata na tranca, gera a perspectiva de que quando livre, ele trabalhará no rendoso mundo do crime para a organização; e
  • ao oferecer ao criminoso trabalho real e imediato na rua, gera a perspectiva de que quando preso, ele será respeitado dentro das muralhas pelo mundo do crime por pertencer a organização.

O PCC é poderoso por que impõe as regras, ou
o PCC impõe as regras por que é poderoso?

Stefen Dudley ressalta que o Primeiro Comando da Capital é uma exceção nas Américas, pois apesar de haverem outros grupos criminosos que atuam dentro dos presídios e nas ruas, nenhum tem a sua magnitude, e cita como exemplo:

  • MS-13: presente em 6 países, atua com uma estrutura horizontal em células relativamente independentes agregadas torno de regras conhecidas e uma marca forte, mas não tem atuação transnacional; e
  • Barrio Azteca: nascida no sistema prisional norte-americano, tem uma atuação forte na região fronteiriça com o México em parceria com o Cartel de Juarez, mas tem uma atuação pífia no interior do país.

Facção PCC 1533: criando um atalho para os EUA

O Primeiro Comando da Capital estaria expandindo suas atividades não só para países vizinhos, existiriam tentativas de se associar ao MS-13 de El Salvador, para conseguir uma porta de entrada para o mercado americano via América Central, hoje, a droga brasileira vai primeiro para a África para depois seguir para os Estados Unidos.

O que é mais assustador é que, pela primeira vez, o PCC e o MS13, de El Salvador, particularmente nos últimos meses, estão desenvolvendo relações sérias, especialmente em Puerto Cortés, em Honduras. Pela primeira vez na história, o MS13 está fazendo tráfico de cocaína. Eles nunca lidaram com drogas.

Douglas Farah

Facção PCC 1533: colecionando aliados, neutros e inimigos

A marca “Primeiro Comando da Capital ou facção PCC 1533” tem força no mercado e respeito entre os integrantes do mundo do crime (seus clientes em potencial).

Ao aderirem a marca, os novos integrantes, sejam individuais ou coletivos como gangues, bondes, e facções locais ou regionais, se comprometem a seguir determinadas regras de conduta:

  • o criminoso batizado ou companheiro responde pelo Regimento Interno (Dicionário PCC), deve seguir seu Estatuto, acompanhar os salves, e estar em dia com o pagamento da contribuição; e
  • os coletivos, podem aderir totalmente ao PCC assumindo sua marca e compromissos, ou se aliarem, usufruindo de parte dos benefícios, mas não tendo obrigatoriamente que seguir suas regras de comportamento.

O vínculo do indivíduo só poderá ser quebrado se ele abandonar o mundo do crime, seja: para seguir a vida como trabalhador, por ter se batizado em uma igreja, ou por outro motivo aceito em debate pelas lideranças locais.

Os coletivos podem sair da aliança, mas cada caso é avaliado de acordo com o grau de envolvimento e interesse:

Estatuto do PCC de 1997

Facção PCC 1533: Paraguai sucesso ou fracasso?

Camila Nunes Dias atesta que Jorge Rafaat Toumani com seu domínio da Tríplice Fronteira mantinha “uma certa ordem social na região fazendo uma regulação” entre os grupos criminosos e comerciais brasileiros e paraguaios.

Já Vinícius Madureira lembra que o controle de Toumani era intenso, chegando a armar emboscadas e matar integrantes do Primeiro Comando da Capital quando entravam em sua área de influência sem sua autorização.

As lideranças do PCC acreditaram que com a morte de Toumani, os fornecedores independentes de drogas e armas seriam sufocados e dominados, dificultando assim o acesso do Comando Vermelho à Rota Caipira.

No entanto, os planos das lideranças do PCC que executaram Toumani em 2017, foram frustrados pela complexa estrutura sócio econômica do Paraguai, baseada em sua vocação de polo de livre circulação de pessoas, serviços e mercadorias.

Desde o século XIX nação agrega povos e conhecimento, e em uma emaranhada rede internacional de relacionamentos e contatos — essa secular, arraigada e maleável estrutura socioeconômica não se dissolveu com o assassinato de Toumani.

Ao contrário, o vácuo de poder deu lugar a diversos fornecedores independentes a possibilidade dividir e absorver a demanda das facções inimigas do Primeiro Comando da Capital, deixando o quadro ainda mais intrincado.

Fahd Jamil George, o Fuad, outro megatraficante da região da Tríplice Fronteira, conseguiu manter-se independente, mesmo após a morte de Toumani, no entanto, escolheu se entregar às autoridades por medo de ser morto pelos integrantes da facção paulista.

O conflito entre os PCCs da região e os órfãos de Fuad; e a análise das contas de Maria Alciris Cabral, esposa de Minotauro, e dos traficantes Pavão e Galã demonstram o quão ininteligível se tornou a relação entre os diversos grupos criminosos na região.

Para o promotor de Justiça Lincoln Gakiya do MP-SP, com a prisão de Fuad, o PCC Paraguai passou de fase e tendo dominado o mundo do crime começará a atacar as autoridades policiais, políticas e judiciárias.

O pesquisador Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias lembram que a facção carioca já havia tentado a mesma estratégia quinze anos antes, eliminando a família Morel, que até então dominavam a fronteira, mas também sem conseguir consolidar o domínio.

Facção PCC 1533: PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL®

Steven Dudley vê certa similaridade entre a forma com que a facção PCC permite e controla aqueles que agem em nome da facção e o mercado de franquias.

A tensão é da natureza do franchising: o investidor busca maximizar seu capital, aproveitando-se das vantagens oferecidas pelo franqueador, da mesma forma que esse na obtenção de lucro e vantagens do franqueado.

A mesma lógica pode ser empregada no mundo do crime, apesar da facção PCC não ser efetivamente uma franquia — ao se vincular ao nome do Primeiro Comando da Capital, o criminoso ou coletivo passam a usufruir de algumas vantagens:

  • logística local e internacional: ligando-o às rotas do Paraguai à Colômbia, que atendam a sua região;
  • credibilidade do produto ou do profissional: não há controle de qualidade por parte do PCC, mas, os ilícitos vendidos ou os serviços prestados são menos questionados;
  • acesso à trabalhos lucrativos: a facção tem condições de aproveitar os indivíduos ou coletivos em negócios altamente rentáveis;
  • marca consolidada no mercado: o benefício de ter uma organização forte por trás desestimula concorrentes de disputar o mercado;
  • treinamento, suporte, financiamento e acesso a equipamentos: disponibilizados de acordo com a demanda do empreendedor, quase sempre terceirizado por outros integrantes do grupo.

Os benefícios desse último item, não fazem parte de um pacote, mas ao aderir à marca, o indivíduo ou coletivo tem o acesso facilitado aos irmãos que os prestam.

A organização criminosa pode ignorar totalmente esses negócios paralelos, ou intermediá-los, se responsabilizando ou não pelo pagamento, ou até, de acordo com o interesse ou necessidade, bancando parcialmente o investimento:

Durante a consolidação do Terceiro Comando Puro (TCP) no Rio de Janeiro, o PCC enviou reforço de homens e armas para garantir suas posições na guerra contra o Comando Vermelho e as milícias.

“Acho que elas são piores do que as facções. No caso da facção fica muito claro quem é o bandido e quem o mocinho, a milícia transita entre o Estado e o crime, o que é bem pior.”

desembargadora Ivana David

Facção PCC 1533: um conjunto de partes autônomas

Assim como um vírus utiliza um agente externo ou uma ação do hospedeiro para passar de um indivíduo para outro, a facção utilizou-se das transferências de presos para passar de unidade prisional para outra.

Zé Márcio Felício caminhava pelos corredores e pátios ocultos por trás das muralhas das unidades prisionais, semeando a “boa nova” nos corações e nas mentes dos encarcerados.

Esse método de expansão, orgânico, eficaz e aleatório, tornou-se a alma da organização no qual os interesses pessoais dos integrantes e da organização se adequam e se aproveitam com naturalidade aos fatores extrínsecos.

Todo irmão, companheiro ou aliado é autônomo em seus negócios e seus procedimentos, desde que seguindo a ética do crime, sem chefes que determinem: funções, obrigações ou cobrando resultados.

Desta forma, as habilidades individuais são desenvolvidas independente da facção, mas são aproveitadas integralmente por ela.

Um exemplo é o caso dos paióis, cujas armas pertencem a um integrante da facção que as disponibiliza sob demanda, a seu preço e risco — desde que justo.

Quando as forças policiais e a imprensa noticiam a derrubada de um ponto de distribuição ou a apreensão de veículos ou aeronaves da organização, muito provavelmente esses bens são investimentos de um integrante e não da facção.

Cada fração do trabalho é investimento individual ou coletivo: desde as fazendas produtoras e os armazéns distribuidores no Paraguai e na Bolívia, passando pelas rotas de distribuição e exportação no território brasileiro, chegando até as biqueiras que atendem ao consumidor final.

O Primeiro Comando da Capital não possui estrutura própria, e mesmo as atividades administrativas são atividades autônomas remuneradas, como as centrais de comunicação e tráfico de drogas para dentro do presídio — havendo exceções.

A organização possui bens e capital, mas estes são juntados para uma ação ou um fim específico, diferentemente da lógica de acumulação do capital empresarial, podendo ser distribuído após alcançado cada objetivo.

A mesma lógica é aplicada na ações executadas por interesse da organização: irmãos, companheiros e aliados, são convidados a se voluntariar de forma remunerada ou não — podem recusar, mas após a aceitação não podem abandonar a empreitada ou agir de maneira displicente em sua execução:

Dicionário do PCC (Regimento Disciplinar) — artigo 6º

Abandono de responsa: Quando fecha em uma responsa e deixa de cumpri-la sem motivos (fora do ar, transferências, saúde, etc…). A Sintonia deve analisar todos que serão cadastrados para evitar esses tipos de situações. Punição: De 90 dias à exclusão (depende da gravidade analisada pela Sintonia).

Como qualquer integrante, os cargos dentro da facção, sintonias e disciplinas, tem autonomia em seus negócios particulares, mas quando agem em nome da facção não podem fugir ao procedimento correto ou tomar atitude isolada que possa denegrir a imagem da organização:

Dicionário do PCC (Regulamento Disciplinar) — artigo 4º

Atitude isolada: Fica caracterizada quando um integrante ou companheiro age sem buscar a Sintonia ou responsável pela quebrada, sendo agressão, morto, ou algo que venha a prejudicar alguém ou denegrir a imagem do Comando. Punição: 90 dias quando de natureza leve ou cobrança com análise da Sintonia.

Facção PCC 1533: autonomia e capilaridade

O mega assalto da transportadora de valores Prosegur, em Ciudad del Este em 2017, onde uma equipe composta de 40 homens saquearam US $12 milhões, é usado por Vinícius Madureira como exemplo da autonomia dos grupos dentro do Primeiro Comando da Capital.

Ironicamente, o mega assalto se deu no décimo aniversário da declaração dada pelo Ministério Público de São Paulo MP-SP no qual afirmava que “a transferência de 40 líderes da quadrilha para o presídio de Catanduvas, de isolamento total, marca o começo do fim do PCC”.

A facção paulista foi a liga que uniu para o mega assalto profissionais autônomos de diversas regiões dos dois países através de sua rede de relacionamentos e contatos — os empreendedores da operação utilizaram recursos próprios e dessa forma dispensaram o aval da hierarquia para a ação.

O caso do Prosegur deixa claro que a rede de contatos é mais dinâmica, autônoma, e complexa do que as autoridades imaginavam: indo do aviãozinho da biqueira até as principais lideranças das tranças aos residentes no exterior.

Dez anos depois que as lideranças do Primeiro Comando da Capital foram isoladas, e após um grande esforço para barrar a entrada dos celulares nos presídios paulistas, a facção provou que reinventou sua rede de network.

Facção PCC 1533: o caixa da organização criminosa

Os integrantes pagam uma parcela dos seus lucros para a organização e o responsável pela cobrança é o irmão da cebola, que também vende números da loteria interna do Primeiro Comando da Capital.

O jornalista Misha Glenny analisando o crime organizado na internet afirma que o poder da computação nas mãos de criminosos competentes pode ser perigoso, e a capacidade contábil da facção PCC demonstra que eles estão adquirindo rapidamente o domínio esse conhecimento.

Os fundadores da facção implantaram o conceito da função social do tributo ao PCC. A organização passou a ser vista como o ente em condições de gerir adequadamente os recursos arrecadados pelo bem comum da comunidade do mundo do crime.

Os valores aferidos financiam lotes de drogas e armas, e outras atividades para o crescimento e manutenção da facção, como o pagamento de advogados e funcionários públicos ou privados essenciais para o funcionamento da estrutura.

Diferentemente dos negócios privados ou de outros grupos criminosos, o lucro das operações não fica com os líderes ou investidores, devendo ser aplicados em benefício das demandas e dos mais necessitados do mundo do crime:

  • operações de resgate de presos,
  • domínio e pacificação de regiões de influência;
  • apoio de transporte as famílias que visitam os presos; e
  • indenização aos familiares de criminosos que foram mortos em ações de interesse da organização.

O desvio de finalidade do capital pago pelos integrantes é severamente punido. Gegê do Mangue e Cabelo Duro (Wagner Ferreira da Silva), foram alguns líderes que teriam morrido por usarem em benefício próprio dinheiro da facção.

Cabelo Duro chegava a lucrar 450 milhões de Reais todo o ano, mas mesmo com toda essa grana e poder, depois das mortes de Gegê e de Paca, ele percebeu que o próximo a ser morto pela facção.

Não deu outra. Integrantes sequestraram Nado que era de toda confiança de Cabelo Duro, desbloquearam o celular dele e usaram para chama-lo para o flat do Tatuapé, onde armaram uma casinha: Cabelo Duro foi metralhado e fala-se que nesse mesmo dia Nado foi decapitado e enterrado em região de favela.

O mundo dá voltas, Gegê e Paca foram mortos por Cabelo Duro, Cabelo Duro foi morto por Galo, Galo foi fuzilado na Zona Leste de São Paulo… — Luís Adorno para o R7

Estatuto do PCC — artigo 16:

É inadmissível usar o Comando para ter benefício próprio. Se algum integrante vier a subfaturar algo para ganhar dinheiro em cima do Comando, agindo com esperteza em benefício próprio, será analisado pela Sintonia e após ser comprovado o superfaturamento o mesmo será excluído e decretado. Nenhum integrante poderá usufruir do contato do Comando para transações comerciais ou particulares sem o conhecimento da Sintonia, os irmãos que investir o capital em mercadoria ou ferramentas para negociar, podem fazer negócio com a Família e obterem seu lucro desde que não seja abusivos, pois todo o fruto desse trabalho é destinado aos necessitados em prol a nossa ideologia.

Dicionário (Regimento Disciplinar) — artigo 31:

Mão na cumbuca: É caracterizado quando rouba algo da organização, dinheiro, drogas, armas, etc… Trata de uma situação grave. Punição: exclusão e morte, depende da situação com análise da Sintonia.

Facção PCC 1533: sobrevivendo onde outros pereceram

A rápida expansão do Primeiro Comando da Capital se deu graças a essa estrutura horizontal, permeável e multifacetada, que permitiu sua integração a outros grupos criminosos locais ou regionais: gangues, bondes, e facções.

Grupos criminosos tentam copiar o modelo, mas ao se expandirem e formarem alianças, perdem a coesão, se dividem, e partem para o fratricídio, colapsando por terem se organizado em torno de seus líderes ou grupos, e não sobre ideais e regras claras.

O Comando Vermelho, a mais antiga facção brasileira, falhou em se consolidar como força nacional, pois ao contrário da facção paulista que se estruturou em torno de pessoas e não de um ideal, baseando o seu crescimento na conquista física de territórios e não nas mentes e nos corações de seus integrantes.

Facção PCC 1533: seria um grupo terrorista?

Márcio Vinícius Nunes chega a sugerir que utilizemos a Lei Antiterrorismo 13.260/16 para rechaçar a facção Primeiro Comando da Capital devido “a complexa e evidente semelhança entre o terrorismo e as organizações criminosas brasileiras.”

Steven Dudley também vê similitude entre grupos terroristas e o PCC, já que ambos “fazem muitos recrutamentos dentro do sistema prisional” e possuem “uma ideologia que tem que ver com as diferenças de classes e a injustiça que existe no mundo”.

Michael Fredholm acrescenta que entre os especialistas “atualmente, poucos, se houver algum, argumentam que o crime organizado e o terrorismo são organizações significativamente diferentes […] ambas utilizam os mesmos meios e métodos criminais para adquirir o financiamento necessário [para alcançar seus objetivos ideológicos]”.

Todos concordam também que terroristas e PCCs utilizam-se de métodos e modus operandi semelhantes e utilizam o medo como ferramenta estratégica para a captação ou para circulação de recursos ilegais, assim como, utilizam-se de “métodos criminais para adquirir o financiamento necessário [para alcançar seus objetivos ideológicos]”.

Mas diferem na fonte de seus recursos e sua aplicação:

Enquanto grupos terroristas buscam financiamento e recrutamento através de simpatizantes, a organização criminosa obtém recursos através de ações criminosas autônomas nas quais seus filiados visam seu ganho pessoal.

Também diferentemente dos grupos terroristas, não fica com o butim das ações criminosas para realimentar-se: os criminosos ficam com o lucro das ações cedendo uma parcela, como um imposto sobre o lucro obtido, que deve ser aplicado pela facção em benefício das demandas e dos mais necessitados.

A fronteira entre um e outro grupo, como tudo no Mundo Líquido de Zygmunt Bauman, está se dissolvendo, se já não se dissolveu e apenas não nos demos conta disso.

Michael Fredholm enumera e discorre a respeito de uma dezena pontos nebulosos que separam os dois grupos, explicando que não há uma resposta simples para a pergunta:

“O Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) é uma organização terrorista ou uma facção criminosa?”

Vera Lúcia Monteiro da Mota Melo alerta para o risco de ao confundirmos um grupo terrorista com um grupo criminoso abrirmos campo para o desrespeito dos direitos:

“As sociedades estão fragmentadas, é necessário encontrar um caminho certo, para se poder chegar a uma solução eficaz e que vá ao encontro dos valores morais que sempre defendemos. Pois aquilo que se tem verificado tem sido o oposto, este combate ao terrorismo tem ultrapassado os limites do aceitável em sociedades modernas e democráticas.”

Facção PCC 1533 do futuro aos brasileiros pertencerá?

Pesquisadores do InSight Crime analisaram a mecânica do crime organizado transnacional através do processo de expansão da facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital.

Às informações passadas por Steven Dudley, Vinícius Madureira, e Camila Nunes Dias somadas a outras me deixam a dúvida se a facção paulista, tal qual a conhecemos, não está prestes a acabar.

Desde suas mais remotas origens até poucos anos atrás, a cúpula do Primeiro Comando da Capital era formada por uma massa disforme de presos oriundos das periferias das grandes cidades.

Por puro preconceito, os operadores da polícia, da mídia, da Justiça, e a população em geral, desacreditaram que uma empresa com todo esse poder pudesse ser gerenciada por essas pessoas simples de dentro dos presídios.

No entanto, mesmo antes, mas principalmente após a pandemia da Covid-19, esse controle estava se alterando, passando cada vez mais a grupos especializados que manipulam a massa carcerária e dos criminosos nas ruas.

Não é possível que os negócios internacionais sigam sob um domínio que não o mesmo do abastecimento interno, e este por sua vez se interliga a todo o mundo do crime: do furto e assaltos ao tráfico de armas e pessoas.

Quando Camila Nunes Dias e Vinícius Madureira chamaram a atenção para o fato de que cada vez mais as decisões estratégicas e operacionais estão deixando os presídios para se concentrar nas mãos de empresários e da nova elite do PCC, colocaram uma pulga atrás de minha orelha.

Para Vinícius a questão é simples: haverão integrantes da facção capazes de ultrapassar essa nova fase da transnacionalização, a qual exige expertise em comércio e logística internacional — com domínio de línguas estrangeiras?

Mas, para mim, acendeu um sinal de alerta: qual a consequência para a política, a Segurança Pública, e para as comunidades se a facção deixar de atuar como defensora dos interesses difusos e dos negócios de seus integrantes e dos encarcerados, para ser uma facção com poder concentrado nas mãos de empresários, políticos e poucos líderes, que podem negociar o controle da organização criminosa para grupos estrangeiros, que, mesmo indiretamente passassem a ter sob suas ordens dezenas de milhares de integrantes armados?

Para assistir ao vídeo do seminário em português e chegar às suas próprias conclusões: “Explorando a profundidad el crimen organizado en Brasil y sus fronteras”