A facção PCC, o PM ferido em Criciúma e o novo cangaço

Alguns comparam os ataques feitos pelo Primeiro Comando da Capital às pequenas e médias cidades de uma versão do cangaço do século 21 – gangues de bandidos ao estilo Robin Hood que vagavam pelo sertão nordestino no início do século passado sob a liderança de um lendário salteador chamado Lampião.

Macacos, como eram chamados os soldados do governo pelos cangaceiros de Lampião foram torturados e mortos, e hoje, passados cem anos, policiais continuam sendo mortos por esses grupos criminosos.

Sandra Aparecida Nunes, mãe do Policial Militar Jeferson Luiz Esmeraldino que teve seu fígado, pulmão, estômago e baço perfurados por um tiro de fuzil que varou seu colete balístico está aí para nos lembrar dessa realidade.

O site Gaúcha Zero Hora repercute o dramático apelo da senhora que teve que montar em sua casa uma UTI para cuidar do filho e tem que buscar ajuda na sociedade para cobrir as despesas.

O PM Esmeraldino foi ferido durante um mega assalto ao Banco do Brasil em Criciúma em Santa Catarina na noite do dia 30 de novembro e madrugada do dia 1º de dezembro de 2020, quando os criminosos raparam 125 milhões de Reais.

Inicialmente, alguns especialistas afirmavam que o assalto não tinha sido organizado pelo Primeiro Comando da Capital, como a lógica indicava, mas com a prisão do PCC Buda, Márcio Geraldo Alves Ferreira, terminam as dúvidas, como explicam Gabriela Clemente e Lilian Lima.

Com o avançar das investigações, a polícia conseguiu determinar que foram Kauane Rafaela Dutra e Alex Sandro Siqueira Antônio, conhecidos como “Bonnie e Clyde”, que planejaram e deram apoio logístico com a aquisição de veículos e locação de casas e galpões que foram utilizados como base para assalto do Banco do Brasil em Criciúma em Santa Catarina, e dos 30 criminosos que participaram da ação, 16 já foram identificados e 15 estão presas, sendo a maioria de São Paulo e integrantes da facção PCC. — Sul em Destaque

Tanto o assalto em si quanto o drama e a comoção pública do Policial Militar ferido levantam a questão de como a narrativa dessas ações criminosas podem retroalimentar tanto a violência pelos grupos criminosos quanto dos policiais:

Para a antropóloga Jânia de Aquino, a repercussão via redes sociais interessa aos criminosos. Quando desfilam com armamentos pesados, disparam tiros sem necessidade e berram frases aterrorizantes, eles almejam paralisar a população. “Os vídeos e áudios trocados pelas redes sociais assustam não só os habitantes do município onde ocorre o assalto como os das cidades vizinhas. Em decorrência, todo mundo fica dentro de casa”, afirma a pesquisadora. “Quanto mais negativa a imagem que os ladrões passam, melhor. Eles querem parecer rudimentares, impulsivos e brutais, capazes de perder o controle a qualquer momento e atirar em quem se aproximar.” — Tiago Coelho para a Revista Piauí

No entanto, essas ações não apenas se retroalimentam como também são sementes que se espalham e se fortalecem com enxertos, mutações e aprimoramentos genéticos:

Dá a ideia errônea de que eles são fruto sempre do mesmo grupo. Na verdade, não é bem assim. Os delinquentes profissionais aprendem tanto pela participação nos crimes quanto por meio de conversas, na cadeia ou fora dela. Portanto, o mais provável é que indivíduos que participam de um desses assaltos ganhem know how e passem a montar o próprio grupo de assaltantes. E aí a bola de neve cresce até a polícia também ganhar expertise e parar a avalanche que desponta no horizonte. — Guaracy Mingardi para o site Terra

Autor: Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

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