O PCC e a caça às Bruxas: medo, política e crime organizado

O uso político do nome PCC e a caça às bruxas são produtos da mesma lógica política de domínio social através de uma narrativa de medo.

O uso político da facção PCC e a caça ao inimigo imaginário

A organização criminosa PCC e a caça à organização que grupos políticos de direita apregoam fazem parte da mesma narrativa de ódio.

Grupos criminosos há muito são usados para encobrir as reais intenções de grupos políticos e a bola da vez é o Primeiro Comando da Capital.

Por todo o mundo partidos de direita afirmam que a facção brasileira chegou à seu pais trazendo insegurança graças a conivência dos partidos de esquerda.

É o fantasma utilizado como desculpa da vez para justificar governos como Trump e Bolsonaro, baseados em uma falsa moralidade e segurança do povo cristão.

Tomado o poder sob esse falso argumento, começam o processo de corrosão do sistema democrático e de suas instituições.

Medo: ferramenta de sobrevivência da espécie

O medo é um sentimento poderoso intimamente ligado à nossa sobrevivência, e para nós humanos é impossível separar um medo real de um imaginário.

Grupos políticos e sociais em todas as nações e em todas as épocas de nossa história utilizaram de nossos medos para dominar e conduzir.

Há 3,7 milhões de anos, deixamos pegadas nas cinzas vulcânicas em Laetoli liderados por algum de nós que apontou a iminente erupção vulcânica: sobrevivêmos.

Desde os tempo bíblicos até hoje, adeptos de crenças judaico-cristãs caçam: bruxas, adivinhos, mães e pais de santos — levados por medo ou razões insanas.

Novecentos anos antes de Cristo, Saul consultava a pitoniza que seu povo tanto combatia — o ser humano não é pródigo em aprender com seus erros.

Medo: inimigo atemporal

O medo do imaginário é tão forte que ultrapassa gerações, fronteiras e culturas.

No passado eram apenas as bruxas e pitonizas, e hoje são os comunistas e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).

Como seres humanos, estamos programados para detectar e responder ao perigo.

Quando percebemos uma ameaça, o nosso sistema nervoso autônomo desencadeia uma resposta de “luta ou fuga”, que nos prepara para enfrentar ou escapar do perigo.

Devido a essa conexão com a sobrevivência, o medo pode ser um gatilho poderoso para a ação.

Medo: como ferramenta política no Brasil

Políticos e outras autoridades frequentemente usam o medo como ferramenta para motivar as pessoas a tomar determinadas ações ou apoiar determinadas políticas.

Eles podem criar narrativas que exploram as emoções mais profundas das pessoas, como o medo de perder a segurança, o medo da incerteza ou o medo da ameaça à identidade e ao bem-estar.

Infelizmente, às vezes essas narrativas são exageradas ou usadas para manipular as pessoas, muitas vezes para fins políticos.

Quando os políticos usam o medo dessa maneira, é importante que as pessoas mantenham um senso crítico e procurem informações precisas e confiáveis para tomar suas próprias decisões informadas.

No Brasil, o político da direita cristã, Roberto Jefferson representa esse grupo que constroi narrativas exageradas para manipular o medo de bruxas.

Jeffersom soube usar como poucos narrativa com grande poder de assombro no imaginário popular como: o comunismo, pautas morais e religiosas, inimigos externos como a Venezuela e Cuba, e o Primeiro Comando da Capital.

Medo: como ferramenta política no Chile

O PCC e a caça às Bruxas garantem voz para aqueles que precisam de um inimigo, mesmo que imaginário.

Passada a onda pelos Estados Unidos e Brasil, chega ao Chile, onde deputados do União Democrática Independente (UDI) bradam: “Malles Maleficarum, as bruxas chegaram!”

Uma das ferramentas utilizadas com brilho por esses grupos políticos é a apropriação de mecanismos investigatórios e cooptação de profissionais de segurança pública.

Dados da Comissão de Investigação sobre Crime no Norte do Chile justificariam a crença na presença do Primeiro Comando da Capital no país.

O deputado Juan Manuel Fuenzalida é um dos que defendem que a segurança nacional e da população estão ameaçadas pela presença da facção brasileira PCC.

Os parlamentares pediram ao governo que revelasse as informações a esse respeito. O executivo preferiu minimizar a essa grave situação pela qual estamos passando.

No entanto, o governo tem a obrigação da transparencia. Deve apontar a situação que estamos vivendo, embora isso implique reconhecer que o cenário é sério.

Deputado Juan Manuel Fuenzalida

PCC e a caça às Bruxas: nem aqui, nem no Chile

O PCC e a caça às Bruxas sempre foram usados como pretesto para ações violentas dos órgãos de repressão policiais e sociais.

Políticos de direita unificaram o discurso que os governos e o Judiciário estão acobertando a real situação por estarem em conlúio com a organização criminosa.

Estudo o PCC e acompanho há anos esses ataques, mas nesses últimos meses me surpreendo com a avalanche de réplicas dessa mesma acusação pelo mundo.

Se houve ou não houve prisões de integrantes da facção durante o governo não faz diferença, há sempre um discurso pronto para justificar o envolvimento.

Essas afirmações são absolutamente irresponsáveis.

Eles cobram transparência do governo e forçam uma situação para a qual não têm experiência ou relevância.

A única coisa que eles pretendem é gerar medo na população.

Raúl Leiva da Comissão de Segurança da Câmara Baixa

É irresponsável que toda semana seja um parlamentar ou parlamentar anunciando a chegada de uma nova banda criminosa ao país.

Parece -me que é uma agenda construída para semear medo na população e eu pediria a esses parlamentares que cumpram suas posições.

Deputada Alejandra Placencia 

Já o deputado Jaime Araya (tucano, muito provavelmente) pede que se encontre um meio termo: “com seriedade, responsabilidade, rigor, sem minimizar e sem exagerar o problema que temos, porque o que as pessoas precisam é que você sabe o que o estado vai fazer para enfrentar o crime organizado .”

fonte: Diputados UDI advierten la presencia de banda criminal brasileña Primer Comando Capital en Chile — Canal Sur Patagonia

Argentina: golpe militar e a facção PCC

Golpe militar e a facção PCC como estopim — as organizações como desculpa para retirar os militares das casernas.

Preparação de um golpe militar e a facção PCC como estopim

Um golpe militar e a facção PCC como desculpa é o que vejo meu caro Francesco Guerra.

Permita-me descrever a você um caso que acabo de ler em um periódico portenho.

Uma nação chamou para combater o Primeiro Comando da Capital e outras organizações criminosas as suas Forças Armadas.

Usando a Lei da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), as Forças Armadas subiram os morros do Rio de Janeiro caçando criminosos perigosos.

O objetivo era eliminar o poder do tráfico de drogas e devolver o controle de áreas dominadas por eles de volta ao controle do Estado.

O Poder do PCC e o Mistério das Forças Armadas Incompetentes

Infelizmente, as Forças Armadas foram incapazes de cumprir sua missão e, ainda pior, tentaram tomar o poder da nação.

Primeiro ajudaram a eleger um governante fantoche retirado justamente daquele meio político e região para o qual foram chamados a intervir.

E depois da queda daquele governante, articulando um golpe onde seriam chamados pelo novo governante que ficaria então sob sua tutela, como o anterior.

Curiosamente, agora, a nação vizinha daquela está enfrentando problemas semelhantes com a mesma organização criminosa.

O Primeiro Comando da Capital estaria ganhando poder político e econômico em território argentino.

E o mais surpreendente é que essa nação também está considerando chamar as Forças Armadas que já se mostraram incompetentes em eliminar a organização criminosa.

Este caso levanta várias questões

Por que as Forças Armadas não conseguiram eliminar os criminosos e devolver o território para o controle do Estado e mesmo assim saíram politicamente fortalecidas?

Como as Forças Armadas deixaram de ser um órgão de Governo para se tornar um vírus capaz de contaminar e quase levar a óbito todo um sistema político-social?

E o que faz com que a nação vizinha pense que as suas Forças Armadas seriam capazes de combater o crime organizado em seu território?

São essas dúvidas que me afligiram ao ler a entrevista de Carlos Fernández do Centro de Estudos de Defesa e Segurança e ex-deputado nacional.

leia a entrevista original de Carlos Fernández: “La defensa nacional debe constituirse en una política de Estado”

Idiomas diferentes, métodos iguais

Grupos políticos de direita tentam uzar na Argentina o mesmo processo de tomada de poder usado no Brasil.

A desculpa é a mesma: o avanço do narcotráfico com a influência e poder econômico e político cada vez maior.

Acompanhe a linha de raciocínio do político

Carlos Fernández explica que hoje a droga para entrar na Europa tem que fazer um complexo caminho que inclui os portos argentinos.

Após sair da América do Sul pela Argentina, as drogas seguem para portos na África para de lá seguirem rumo a Europa.

Dessa forma, a Argentina ficou no caminho entre as drogas da Colômbia, do Peru e da Bolívia para os portos africanos e europeus.

De rota para destino

O aumento de fluxo trouxe diversas consequências para o país.

Um deles foi o aumento do consumo de drogas: os argentinos alcançaram o patamar de consumo dos americanos.

As maiores apreensões de drogas que ocorreram recentemente nos portos da Europa saíram pa hidrovia que corta a Argentina centralmente, e que é uma das principais rotas do narcotráfico hoje.

É aí que se começa a ver avanços crescentes dos principais cartéis do narcotráfico a nível sul-americano que passam a atuar cada vez com mais força na Argentina e falo, especificamente, do ‘Primeiro Comando da Capital’, que já marca presença em Rosário, em Santa Fé; há um forte avanço nos portos do rio Paraná; começam a haver ‘bombas de cocaína’ em Pergamino ou em Zárate; as coisas começam a ficar cada vez mais preocupantes em decorrência desse deslocamento e isso tem implicado no aumento da demanda por segurança interna por parte de nossa população.

Carlos Fernández

A solução, segundo o ex-deputado, seria utilizar as Forças Armadas no combate ao narcotráfico.

No entanto, o próprio político floreia sua intenção ao responder ao repórter:

Site Nuevos Papeles:

A rigor, o combate ao narcotráfico e corrijam-me se não for o caso, não é responsabilidade das Forças Armadas e sim das forças de segurança.

Político Carlos Fernández responde:

Sim, claro, está correto. Mas tudo está relacionado com tudo e no seguinte sentido.

Não estamos falando de um Estado que se possa dividir em compartimentos estanques, apesar dos nossos enormes esforços para que assim funcione, o que é um disparate total!

No campo se diz ‘o leite vem da mesma vaca’ e, portanto, o que eu dedico a uma coisa eu não coloco em outra e assim por diante.

Não é que existam recursos infinitos, mas sim necessidades infinitas e recursos escassos. Assim, diante da demanda da sociedade, diferentes caminhos foram tentados que falharam.

Uma das formas inventadas foi transferir para as províncias parte do esforço de combate ao narcotráfico.

Chegando uma nova eleição…

A coalizão de partidos oposicionistas na Argentina apresenta o documento “Unidos pelo Progresso da Justiça”, enfatizando o papel do Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa brasileira, no agravamento do narcotráfico no país. O documento alerta sobre a situação crítica em Rosario, que pode se espalhar por todo o território argentino caso não haja uma ação conjunta entre a nação e as províncias.

A coalizão também menciona o encerramento do programa “Argentina Sem Narcotráfico”, implementado pelos Ministérios da Justiça e Segurança na gestão anterior, como um fator que contribuiu para o avanço das organizações criminosas, incluindo a facção PCC. Conforme esses grupos ganham território, corrompem mais funcionários e fortalecem seus recursos.

O documento destaca a atuação do PCC, em conjunto com o Comando Vermelho, no tráfico de drogas através da Hidrovia, representando uma ameaça à costa argentina. leia no site Sonido Uno 90,7

Elementary my dear “Franz do +43”

Rícard Wagner Rizzi

A pivatização do porto de Santos e a facção paulista PCC 1533

Se a privatização do Porto de Santos é de interesse da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, qual a pressa do governo em agir?

Privatização do porto de Santos e o interesse dos grupos criminosos

A jornalista italiana Maria Zuppello chama a atenção para um possível interesse do Primeiro Comando da Capital na pivatização do porto de Santos.

“Primer Comando Capital y la ‘ndrangheta buscan una oportunidad para controlar toda la cadena logística” — leia reportagem completa no Infobae

É inegável que o porto de Santos é o principal escoadouro da organização criminosa paulista, no entanto é apenas um elo na cadeia portuária.

No Atlântico a facção paulista utiliza portos da Argentina e Uruguai, além de portos espalhados por toda a costa brasileira de norte a sul.

Roberto Bueno, especialista em gestão de segurança pública, explica que há fortes interesses políticos envolvendo os portos:

… o que leva a suspeitar do vastíssimo interesse de autoridades na região, cuja intervenção no modelo de operações mafiosas é central, servindo de muros de contenção às autoridades tanto quanto elaboradoras de rotas de fuga aos percalços de “outsiders” do esquema criminoso pactuado com segmentos delas.

Basta lembrar que uma das primeiras providências do presidente Jair Bolsonaro foi trocar o superintendente da Polícia Federal de Santos.

Bolsonnaro foi muito criticado a época pois a corporação vinha batendo recordes em apreensão de drogas.

Quando a presidente Dilma Rousseff apresentou uma apreensão recorde de drogas, o então deputado Jair Bolsonaro afirmou que aí estava a prova do aumento do tráfico de drogas, pois “todos sabem como funciona”.

Bolsonaro sugeria que os traficantes deixavam “cair” propositadamente parte da mercadoria para encobrir seus acordos as forças policiais.

Anos depois, já presidente, Jair Bolsonaro bateu um novo recorde de apreensão de drogas, e então? Isso seria prova do aumento do tráfico e o envolvimento das autoridades como ele mesmo afirmou poucos anos antes?

Após quatro anos de governo Bolsonaro, a jornalista Maria Zuppello lembra que o porto de Santos hoje é controlado pelo Primeiro Comando da Capital que…

… um exército de mais de 112 mil bandidos ferozes (…) que no tráfico de cocaína e maconha, faturam cerca de 600 milhões de dólares anuais.

Maria Zuppello

O especialista Antonio Nicasco afirma que a facção PCC nesse período fortaleceu as relações que já tinha com a organização mafiosa ‘Ndrangheta:

O poder do PCC cresceu muito nos últimos anos. Uma das novas rotas estudadas pela ‘Ndrangheta junto com o PCC é a do Equador ao Panamá pelo Oceano Pacífico. Do Panamá, os contêineres são desviados para o Atlântico.

Com a perda do controle do governo federal pelo grupo político que dominava o porto de Santos e a transferência de seus integrantes para o governo do Estado de São Paulo, a Polícia Federal deixa de ser um instrumento disponível.

É nesse contexto que a discussão da privatização do porto de Santos acontece com o governador Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Jair Bolsonaro, tentando agilizar a pivatização do porto de Santos:

“… está pronto, vai ser um espetáculo e vai criar muitos empregos.”

Imprensa e Redes Sociais ligam PCC 1533 aos governos de esquerda

Grupos da extrema direita internacional se organizam e difundem pelo mundo a ideia que a facção Primeiro Comando da Capital se expande em países de esquerda.

Imprensa e redes sociais ligadas à grupos de extrema direita difundem pelo mundo notícias vinculando a expansão da facção Primeiro Comando da Capital nos países onde são oposição. Argentina e Chile são o foco no momento, ao mesmo tempo, não se faz mensão ao Uruguai e Paraguai onde o aumento de casos é mais expressivo, mas os governos são considerados de direita.

As reportagens e postagens são um show de generalidades sem dados comprobatórios ou notícias de casos pontuais que visam estabelecer um vínculo entre membros do governo e integrantes da facção paulista ou demonstrar a inabilidade ou falta de comprometimento no combate ao crime.

texto no The Rio Times

Leia mais em: A organização criminosa Primeiro Comando da Capital sendo utilizada para desestabilizar governos e instituições pelo mundo.

Leia também: O Primeiro Comando da Capital ajudou na eleição de Jair Bolsonaro

Os turistas russos e a caça à Máfia Russa no Brasil

Máfia russa no Brasil, depoimento de um preso no Amazonas

As operações de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro da Máfia Russa no Brasil, até o momento, não passam de uma suposição, que transformou nossos policiais federais em agentes “russofóbicos”, e a vida dos turistas russos um inferno. Pelo menos é o que afirma o empresário e aventureiro Moris Wind ou Artemiy Semenovskiy (Артемий Семеновский).

Encontrei uma pérola sem preço: Рycckий Кokaиh b Бpaзилии – Рaзoблaчaem ЛoжЬ (Cocaína russa no Brasil – Explicando as mentiras), cujo autor se auto denomina representante do CPLCRB (ОКОРГБ). Sei que você sabe que o CPLCRB é o Comitê Público para a Libertação dos Cidadãos Russos no Brasil, então nem preciso te dizer.

A maneira como ele escreve me agrada, é como se estivesse contando um caso. O que deve ser novidade para os russos, para nós é uma velha história: como nasceu, e onde chegou o Primeiro Comando da Capital. Artemiy Semenovskiy não economiza tintas de cores fortes para descrever o PCC, o sistema carcerário brasileiro, e a Polícia Federal:

“Paroxismo engraçado: o próprio poder gerou e criou seu inimigo mais terrível, porque o PCC surgiu como uma reação ao caos da polícia, à desumanidade do sistema prisional, à indiferença de juízes e funcionários.” — até o russo já percebeu isso, mas nós queremos insistir mais no mesmo caminho para ver se chegaremos a um destino diferente.

Artemiy se interessa pela política brasileira, mas não parece ter uma ideia clara do que acontece por aqui, apesar de estar mais bem informado que eu — enquanto eu o entrevistava, ele comentou que a Dilma estava em St. Petersburgo. Eu fui conferir, e: “Dilma, na Rússia, ressuscita slides e se irrita com tradução de sua palestra”.

 

Governos desmoronando e uma polícia perdida e desmotivada, sem ter como controlar a criminalidade, pois prender um indivíduo significa colocá-lo dentro de uma organização criminosa na qual ele poderá determinar a morte do próprio policial que o prendeu. É assim em todos os estados, só muda a sigla da facção, e a virulência da gangue. — é a avaliação de Artemiy.

Nós brasileiros não aprendemos com o passado, mas Artemiy Semenovskiy, que é russo, vê aqui o que já aconteceu em sua terra com Lênin, ou na Alemanha com Hitler: a necessidade de um bode-expiatório. Para Artemiy a bola da vez são as facções criminosas, de preferência o PCC, mas para que o plano seja perfeito é preciso que o inimigo seja externo:

A Máfia Russa — cumpre duas funções: o inimigo externo, que não pode ser tocado e nem mensurado. E o atual governo ainda pode acusar o anterior de conspirar com a Rússia, pois os governos Lula e Dilma tentaram aproximação com o país. O inimigo perfeito, pois até os PCCs, por fazerem parte da sociedade brasileira, têm seus defensores.

Em uma campanha eleitoral o mérito das propostas dos candidatos não fará diferença, mas sim o poder de vender a ilusão que o inimigo imaginário possa ser contido, e para isso qualquer governo pode atacar um grupo minoritário. Para Artemiy a escolha já foi feita: desta vez serão as pessoas presas no sistema penal, e os russos.

Quando me deparei com o texto desse russo, achei que era um garoto que estava criando uma teoria da conspiração com o seu Comitê Público para a Libertação dos Cidadãos Russos no Brasil (CPLCRB), mas depois de dois dias de intensa pesquisa vi que realmente o cara ficou preso em Manaus e tem conhecimento de causa.

Agora, cabe a você analisar com o seu conhecimento, somado aos dados passados por Artemiy, e concluir se ele realmente tem razão, total ou parcial, nas conclusões as quais chegou. Quanto a mim, outro dia volto aqui para contar as aventuras e desventuras passadas por ele nesse caso, assim como de outros russos que estão presos no Brasil.

 

 

Russos presos pedem indenização de 7,7 milhões

 

 

 

Bolívia: uso político da facção PCC 1533

Baseado no artigo da jornalista Karem Mendoza para o site El Delber: Alertan que bandas criminales de Brasil tratan de asentarse en Bolivia.

O grupo criminoso Primeiro Comando da Capital, assim como as bruxas e o comunismo, é utilizado para que grupos políticos, que estão no poder ou desejam chegar a ele, criem um ambiente de terror com alguma finalidade específica.

Aparentemente é o que voltou a acontecer agora na Bolívia, onde parte do governo do presidente Luis Arce deseja facilitar a ação no país da  Drug Control Administration (DEA), apesar de há muito a facção PCC 1533 ter caído no esquecimento pela população boliviana.

Os números do Google Trends não deixam dúvidas de que o fantasma está sendo alimentado artificialmente para então poder ser combatido.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

Facção PCC: os dois lados da questão

Quem se opõe a essa narrativa para justificar uma intervenção americana no país, que no geral não acaba bem, é o vice-ministro de Substâncias Controladas, Jaime Mamani Espíndola, que afirma que se fosse significativa a presença da facção paulista no país as autoridades não poderiam circular livremente como o fazem.

Quem apoia e alimenta essa narrativa e pede a presença do DEA, que no geral acaba trazendo dólares para o país e holofotes para políticos e agentes do Estado através de políticas de “intercâmbio”, é a oposição de direita que há poucos anos tentou tomar o país a força e a Comunidad Ciudadana (CC), uma coligação política de centro liderada pelo ex-presidente Carlos Mesa.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

Em San Matías, capital da Província boliviana de Ángel Sandóval no departamento de Santa Cruz, situado na fronteira com o Brasil, é comum a prisão de estrangeiros com ligação com as facções brasileiras, mas segundo o ministro de Governo, Carlos Eduardo Del Castillo Del Carpio, nada que a polícia boliviana já não esteja preparada para atuar.

Já seus opositores, mesmo contrariando os dados estatísticos, apresentam exceções como regra, como a execução de duas pessoas naquela cidade em um confronto entre criminosos e, a morte de um sargento durante uma operação da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) em San Ignacio de Velasco, Santa Cruz. e um colombiano ex-combatente das FARC no Parque Noel Kempff.

Lula e a expansão do PCC no Paraguai

Mito ou realidade?

Em minha pesquisa me deparo constantemente com mitos tratados como realidade. Matéria assinada por Rosendo Duarte no prestigiado site ABC Color garante que o crime organizado espera incrementar suas ações em Canindeyú após a posse do presidente brasileiro Luiz Inácio da Silva:

E as perspectivas de negócios na fronteira são crescentes porque acreditam que o presidente Lula será mais dócil que seu antecessor.

Cristina Kirchner e a facção PCC

As ligações políticas da vice-presidente Cristina Kirchner com o casal Zamora a envolveria com a facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital?

Por um estranho e tortuoso caminho…

O Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) está na porta de entrada da Argentina, na “Madre de Ciudades”, como é conhecida Santiago del Estero, a mais antiga cidade platina fundada por colonizadores espanhóis. É o que afirma o jornalista americano Douglas Farah no relatório intitulado “Un caso de estudio de la convergencia criminal internacional: Santiago del Estero, Argentina”.

Farah é especialista em segurança internacional na América Latina e presta consultoria em sua área ao Banco Mundial, FMI, Departamento de Estado dos EUA, Departamento de Defesa, DEA e OEA, entre outras instituições e é frequentemente requerido como testemunha pelo Congresso dos Estados Unidos.

Segundo Farah, os narcotraficantes da facção brasileira PCC estão em conluio com a polícia provincial e as autoridades políticas, trocando proteção uns aos outros em suas esferas de poder e o governador da província, Geraldo Zamora, e sua mulher Claudia Ledesma Abdala, que também já foi governadora da província, se alimentam e alimentam essa estrutura.

Para Farah, grande parte do poder do casal Zamora vem da proteção que recebem de Cristina Kirchner, em termos políticos e fiscais, e a ela fornecem base não apenas no campo político. Dessa forma e por esse tortuoso caminho, o periódico La Nación repercutiu o trabalho do pesquisador que, “em tese”, vincula a vice-presidente Argentina à organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

Grandes organizações criminosas como as Farc na Colômbia ou a Mara Salvatrucha na América Central sempre se envolveram com as forças policiais e as elites políticas, no entanto, apesar de ocasionalmente utilizarem o território argentino não criaram. Já a facção PCC 1533 ameaça estender seu poder não só nas periferias e prisões, como também pela nata da sociedade platina.

reportagem completa El malabarista de la ilegalidad dos articulistas Alberto Fernández e Alfredo Sábat

Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?

O Espírito Santo vive uma configuração única de alianças e rivalidades entre facções criminosas. A ausência de separação carcerária sob o governo Casagrande transformou o sistema prisional num laboratório de convivência forçada, refletindo nas ruas uma lógica fluida e instável de acordos, traições e execuções pontuais.

Espírito Santo vive um cenário caótico onde alianças e traições entre facções moldam o cotidiano das periferias. Entenda como a política prisional local influencia essas disputas e o papel do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) nesse intricado tabuleiro de sangue, poder e negociações silenciosas.


A política carcerária de Renato Casagrande promove uma convivência forçada entre facções rivais no Espírito Santo — e o caos, longe de ser exceção, virou regra.

Se você entende o que se passa no estado do Espírito Santo, só agradeço se me procurar no privado para contar, mas acho que nem quem é do mundo do crime consegue entender o que se passa na mente e nos corações dos crias capixabas.

As repórteres Kananda Natielly e Taynara Nascimento do Tribunaonline entrevistaram diversos especialistas e publicaram um artigo repleto de contradições, não por incapacidade ou desleixo, mas porque cada entrevistado apresentou um quadro diferente.

Eu só sei que o sangue continua correndo nas ruas do estado, como aconteceu há poucos dias, quando dois homens em uma moto executaram um rapaz e feriram uma mulher que estavam em um ponto conhecido de tráfico em Vila Velha, e assim como ele, já morreram uns 50 nas disputas sobre o domínio dos pontos de tráfico em tempos recentes.

Vila Velha resume a zona que é o crime organizado no Espírito Santo

O ataque ocorreu entre dois bairros em disputa na Zona Sul entre Comando Vermelho (CV) domina que o Ulysses Guimarães com as Gangue da Favela do Beco e a Gangue da Carroça, e o Terra Vermelha que já foi quase todo tomado pelo Primeiro Comando de Vitória (PCV) aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Até aí parece ser uma disputa fácil de entender e similar ao que ocorre em outros tantos recantos do Brasil: PCC e CV disputando espaço com seus aliados locais. Só que não! Como tudo é confuso no Espírito Santo esse caso não poderia ser diferente:

Em 2019, uma das principais lideranças do Ulysses Guimarães e do 23 de Maio, seria Catraca da Gangue da Pracinha, como é conhecido Samuel Gonçalves Rodrigues, que era do Comando Vermelho e trocou a camisa para correr pelo Primeiro Comando da Capital.

Por esses caminhos estranhos da vida, Catraca veio aqui em Itu no estado de São Paulo para comprar drogas e distribuir em Vila Velha, mas foi preso após trocar tiros com a Polícia Civil no Portal Éden — não sei como eu não cruzei com ele por aqui, ou talvez até eu tenha até cruzado, quem sabe?

Após sua prisão, as mortes pararam por um tempo, mas seus domínios que eram com ele do CV e passaram para o PCC, e agora voltaram para o CV sendo disputados pelo PCC e pelo PCV — simples para você? Para mim não, mas pode ficar ainda mais confuso:

Gangue da Pracinha do Catraca rachou após sua prisão. Marcola, como era conhecido Marcos Vinicius Boaventura, gerente de Catraca no Ulysses Guimarães, assim como os outros que não quiseram voltar a vestir a camisa do CV foram expulsos da quebrada.

Como zona pouca é bobagem: tem o Terceiro Comando Puro

Marcola se mocozou no Terra Vermelha do Terceiro Comando Puro (TCP), mesmo Catraca sendo do PCC, e de lá fez ataques aos antigos aliados no Ulysses Guimarães e Morada da Barra, tendo matado em uma única noite quatro integrantes da Gangue da Pracinha, mas como acabou preso por pelo menos uma das mortes, não conseguiu retomar as biqueiras que permaneceram ligadas ao Comando Vermelho.

No Centro de Vila Velha, o Morro da Penha e o Morro do Cobi de Baixo estão sob o domínio do Primeiro Comando de Vitória, que parece ter uma convivência pacífica e comercial com os crias do Comando Vermelho.

Colado ao norte de Vila Velha fica o Porto Santana, também conhecido como Morro do Quiabo no município de Cariacica, local conhecido como um importante centro de distribuição de drogas e disputado à sangue pelos diversos grupos criminosos.

O Porto de Santana está nas mãos do Terceiro Comando Puro (TCP), facção carioca aliada ao Primeiro Comando da Capital de São Paulo, que é aliado do Primeiro Comando de Vitória que disputa com o Terceiro Comando Puro — vixi, olha a zona!!!

Se em Vila Velha TCP e PCV disputam, em Vitória o Terceiro Comando Puro está em várias comunidades, entre elas a de Itararé, onde TCP fecha com o TCV.

“Divide et impera” — separar os inimigos para governar

Muito se discute se a separação dos presos por facção dentro do sistema penitenciário é a melhor opção. Os defensores da secção apontam algumas vantagens na adoção desse procedimento:

  • redução da violência dos conflitos entre os aprisionados;
  • redução das mortes violentas no sistema;
  • menor risco para os agentes prisionais por contar com uma pacificação e hierarquização da comunidade carcerária; e
  • dividir para governar — a divisão impede que os diversos grupos formem coalizões para agir no mundo do crime fora das muralhas.

Estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul fazem uma rigorosa triagem dos presos, colocando-os cada qual em seus grupos facciosos, medida tomada após a disseminação do Primeiro Comando da Capital pelo sistema prisional.

Criando e disseminando a semente do crime

Até meados da década de 1980, os cárceres paulistas eram entregues aos grupos que se impunham seu domínio pela força e violência — era comum cortar cabeças de presos “sorteados” para protestar contra a superlotação das carceragens, e o sorteio era feito entre os que não faziam parte dos grupos.

Essa política fez com que grupos se estabelecessem das cadeias públicas aos complexos prisionais, e com o massacre do Carandiru pela Polícia Militar paulista e posteriormente com o envio de suas lideranças para Casa de Custódia de Taubaté, nasceu o Primeiro Comando da Capital, inicialmente chamado de Partido do Crime da Capital (daí o PCC).

Já na época, haviam os que defendiam que esse grupo deveria ficar em uma única unidade prisional, no entanto, o grupo majoritário defendia que o Estado não deveria reconhecer “as autodenominadas facções dos presos”.

E assim foi feito, e as constantes transferências espalharam a filosofia do Primeiro Comando da Capital para todas as unidades do estado de São Paulo, e quando o governo viu o erro, em maio de 2006, já era tarde e o PCC paralisou todo o estado e o deixou refém da criminalidade.

Tudo Junto e Meio Misturado sob o governo de Renato Casagrande do Espírito Santo

Hoje, vários estados adotam a separação, no entanto outros optam por manter os diversos grupos criminosos sob o mesmo teto, alegando que o Estado não pode reconhecer grupos criminosos e que ao concentrar os integrantes em uma unidade os administradores ficam mais vulneráveis às pressões internas.

Todos nós conhecemos o resultado dessa opção.

Os noticiários internacionais, que raramente lembram do Brasil, expuseram o fracasso dessa política prisional tupiniquim adotada no Amazonas e no Rio Grande do Norte após os massacres do COMPAJ e de Alcaçuz e a desmoralização de seus governos.

O estado do Espírito Santo na administração do governador Renato Casagrande segue pelo mesmo caminho:

“Não realiza a separação de internos em galerias ou unidades por auto declaração de participação em facções ou organizações criminosas”

informa a Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo

“Lá tá todo mundo junto, tá ligado? Mas é mais essa parada, PCV, PCC, Primeiro Comando do Estado, tem essas paradas todas, fica todo mundo junto desembolando os cauôs, desembolando as tretas.

me conta um conhecido de dentro do sistema capixaba

“Porque semeiam ventos e colherão tormentas”… mas será mesmo?

A experiência já mostrou mais de uma vez que juntar presos de facções rivais na mesma panela é receita certa para o desastre, mas, curiosamente, parece que o caos criado intencionalmente pelo governo dentro do sistema prisional capixaba está gerando um equilíbrio peculiar — uma espécie de padrão de convivência única no país.

É claro que essa relativa tranquilidade dentro das cadeias não é fruto de nenhuma genialidade administrativa ou ação eficiente do poder público. Pelo contrário, nasce das negociações diárias feitas pelos próprios presos, costurando acordos pontuais e precários para garantir algum nível de convivência.

Esses entendimentos internos entre os crias de facções rivais refletem-se diretamente nas quebradas capixabas, onde negócios improváveis são fechados entre grupos que, em outras regiões do Brasil, estariam trocando tiros. Assim, as tretas que explodem do lado de fora das muralhas acabam sendo resolvidas no varejo, sem escalar a ponto de comprometer o delicado equilíbrio de forças.

É justamente essa dinâmica que pode explicar por que episódios violentos como os de Catraca e Marcola não provocaram uma guerra aberta por toda Vila Velha, não incendiaram o Espírito Santo inteiro, nem explodiram em rebeliões dentro do sistema prisional.

Se em estados como Roraima (71,8 homicídios por 100 mil habitantes), Ceará (54) e Rio Grande do Norte (52,5) a guerra entre facções empilha corpos nas ruas e penitenciárias, e em São Paulo (6,5) a rígida organização e a pacificação ditada pelo PCC conseguiu derrubar drasticamente esses índices, o Espírito Santo paira no meio-termo desconfortável dos 24,8 homicídios por 100 mil habitantes. Por lá, não há guerra total nem paz verdadeira, apenas conflitos pontuais e muito sangue derramado em episódios isolados.

Dúvidas que não querem se calar

O que os casos recentes em Vila Velha e Cariacica parecem sugerir é que a política penitenciária do governador Renato Casagrande pode estar perdendo seu efeito paradoxal de unir inimigos declarados. Estaria o Espírito Santo caminhando para uma nova escalada de violência urbana e penitenciária, ou essas disputas individuais vão se resolver com novos e mais amplos pactos silenciosos entre as facções?

O governo estadual estaria, sem perceber ou talvez com plena consciência, criando uma nova geração de criminosos que correrão juntos, mesmo que separados por siglas e bandeiras? Perguntas que continuam sem respostas claras, enquanto nas periferias capixabas as ruas seguem à espera das próximas vítimas.

Análise do texto “Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?” por IA:

Análise sob o ponto de vista factual e de precisão
Pontos Precisos e Corretos:
  • Configuração das facções: De fato, no Espírito Santo existem disputas entre facções como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando de Vitória (PCV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Essas disputas locais envolvem frequentes trocas de alianças e rivalidades instáveis, resultando em um cenário bastante fluído e confuso.
  • Política Prisional: O texto corretamente aponta que a separação ou não dos presos por facção é um ponto crucial na política penitenciária brasileira. Estados como São Paulo realmente adotam a separação rigorosa por facções após episódios como a rebelião de maio de 2006 liderada pelo PCC. Em contraposição, estados como Amazonas e Rio Grande do Norte sofreram graves consequências pela ausência dessa separação, resultando nos massacres citados de COMPAJ (2017) e Alcaçuz (2017).
  • Renato Casagrande: O governador Renato Casagrande realmente segue uma política prisional que não separa detentos por facção no Espírito Santo, o que é comprovado pela declaração oficial da Secretaria de Justiça do Estado e por relatos informais de internos e especialistas.
  • Eventos Específicos: O texto cita corretamente personagens como “Catraca” (Samuel Gonçalves Rodrigues), que foi preso em Itu, São Paulo, após troca de tiros com policiais em 2019. Esses eventos são verídicos e fazem parte do histórico recente das disputas faccionais entre PCC e CV em Vila Velha.
Pontos que exigem cautela ou correção:
  • Complexidade das Alianças: Embora a descrição das alianças e rivalidades esteja correta, há um risco de imprecisões devido à dinâmica constante dessas relações. Alianças como a mencionada entre TCP e PCC ou entre PCV e PCC são instáveis e frequentemente modificadas, não sendo incomum que tais parcerias sofram alterações ao longo do tempo.
  • Generalizações de violência: A narrativa cita cerca de 50 mortes recentes relacionadas ao tráfico em Vila Velha sem apontar um período específico ou fonte exata, dificultando a confirmação factual desse dado. Embora o contexto geral de violência esteja correto, essa informação específica precisaria ser validada por estatísticas oficiais para garantir precisão.
  • Casos específicos e detalhados: O relato sobre “Marcola” (Marcos Vinicius Boaventura) envolvendo o TCP e sua migração para Terra Vermelha exige atenção, pois detalhes sobre tais eventos são frequentemente obscuros ou sujeitos a versões conflitantes. Essas narrativas dependem de relatos locais, que podem variar ou se contradizer dependendo da fonte.
Pontos Fortes da Precisão e Contextualização:
  • texto compreende corretamente que a política carcerária pode influenciar fortemente as dinâmicas faccionais externas, criando tanto cenários de tensão quanto oportunidades inusitadas para negociações informais entre grupos rivais.
  • Destaca com precisão histórica o papel fundamental que a política penitenciária adotada em São Paulo na década de 1990 teve na expansão do PCC.
  • A observação sobre a existência de “acordos pontuais” entre facções é consistente com relatos e análises de especialistas em segurança pública.
Conclusão sobre a análise factual:

O texto é, no geral, preciso e bem fundamentado, com uma correta contextualização histórica e política. No entanto, detalhes específicos devem ser tratados com prudência devido à natureza dinâmica das relações entre as facções criminosas e a escassez ou imprecisão ocasional de dados oficiais.


Análise Aprofundada dos Conflitos entre Facções Criminosas no Espírito Santo

Resumo Executivo

O presente relatório oferece uma análise aprofundada do artigo “Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?”, utilizando-a como ponto de partida para investigar a questão central sobre a existência de uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo. Constata-se que a fonte principal, embora seja uma voz direta e intrinsecamente enviesada do Primeiro Comando da Capital (PCC), oferece um vislumbre único da auto-percepção e ideologia da organização, servindo como um documento primário valioso.

A análise de relatórios oficiais e estudos acadêmicos demonstra que uma “guerra” entre facções no Espírito Santo não é uma hipótese futura, mas uma realidade ativa e contínua. Este conflito é marcado por violentas disputas territoriais, concentradas em áreas urbanas específicas da Região Metropolitana da Grande Vitória. O cenário criminal capixaba é caracterizado pela complexa interação de facções nacionais proeminentes, como o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), juntamente com a significativa facção local, o Primeiro Comando de Vitória (PCV). Uma dinâmica central é a afiliação do PCV ao CV, o que o posiciona em rivalidade direta com uma aliança entre PCC e TCP observada em certos territórios.

As políticas de segurança pública e prisional do estado, apesar dos esforços para transferir líderes de alto escalão para unidades federais, enfrentam desafios sistêmicos, como a superlotação carcerária. Além disso, existe um dilema político notável em relação à classificação e separação de indivíduos encarcerados por facção, o que, dependendo de sua implementação, pode inadvertidamente contribuir para o fortalecimento e a perpetuação desses conflitos. A estratégia predominante de “guerra às drogas” é identificada como um fator que afeta desproporcionalmente populações vulneráveis e marginalizadas, fornecendo um fluxo contínuo de recrutas para as organizações criminosas e intensificando o ciclo de violência.

As recomendações para mitigar esses conflitos enfatizam a necessidade de políticas de segurança pública integradas, uma reforma prisional abrangente e programas robustos de inclusão social, visando abordar as causas-raiz do envolvimento criminal.

1. Introdução
1.1. Contexto da Análise: A Questão da Guerra entre Facções no Espírito Santo

Este relatório empreende uma análise abrangente da página web https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/2021/07/20/havera-guerra-entre-faccoes-no-espirito-santo/, com foco na questão central sobre a ocorrência ou iminência de uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo. A investigação transcende as afirmações especulativas, buscando uma avaliação baseada em evidências do cenário criminal, das dinâmicas dos conflitos interfaccionais e da influência das políticas públicas sobre esses fenômenos no estado.

A análise é rigorosamente fundamentada em dados e informações extraídas de diversas fontes autorizadas, incluindo relatórios governamentais oficiais, estudos acadêmicos e relatos de notícias credíveis. O objetivo é fornecer uma compreensão aprofundada da complexidade da violência organizada no Espírito Santo, desmistificando percepções e oferecendo um panorama factual.

1.2. Objetivo e Estrutura do Relatório

O relatório está estruturado para abordar sistematicamente a consulta do usuário, começando com uma avaliação da credibilidade da fonte principal. Em seguida, apresenta um panorama detalhado das facções criminosas atuantes no Espírito Santo, aprofundando-se nas dinâmicas dos conflitos e seu impacto na segurança pública. As seções subsequentes examinam as políticas públicas e o sistema prisional capixaba, culminando em uma conclusão definitiva e recomendações acionáveis para enfrentar o problema.

2. Análise da Credibilidade da Fonte Principal (faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org)
2.1. Natureza e Propósito do Website

A página https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org deve ser interpretada como uma fonte primária direta do Primeiro Comando da Capital. O domínio do site incorpora explicitamente o nome completo da facção, indicando uma afiliação inequívoca. O conteúdo, particularmente o “Estatuto” e o “Manual” da organização, é apresentado na primeira pessoa do plural (“Nós revolucionamos o crime”, “Nossa responsabilidade está crescendo”), o que o posiciona como uma auto-narrativa e uma ferramenta de comunicação interna ou de relações públicas da facção.

A autenticidade dos documentos hospedados no site é corroborada indiretamente por sua citação em trabalhos acadêmicos e jurídicos, onde a URL é referenciada para acesso ao estatuto do PCC. Isso sugere que, embora o site não seja uma fonte noticiosa neutra, seu conteúdo é reconhecido como uma articulação genuína das regulamentações internas e da ideologia do PCC. A informação de que o criador do site, Rizzi, foi eventualmente excluído de grupos de WhatsApp do PCC devido a riscos aponta para uma estratégia calculada de comunicação pública, onde certas informações são disponibilizadas para consumo mais amplo, possivelmente para propagação ideológica ou para projetar uma imagem de controle, enquanto a segurança operacional é mantida.

2.2. Implicações para a Análise do Conteúdo

O valor fundamental deste site reside em sua capacidade de oferecer uma visão não filtrada, embora intrinsecamente tendenciosa, da auto-percepção, dos objetivos declarados e da lógica interna que pode impulsionar as ações do PCC, incluindo sua participação em conflitos. O uso da primeira pessoa do plural nos documentos internos do site confirma que se trata de uma perspectiva interna, não de uma análise externa. A citação desta URL em trabalhos acadêmicos e jurídicos para acessar o estatuto do PCC valida a autenticidade dos documentos como textos genuínos do PCC, mesmo que o próprio site não seja uma publicação neutra ou sancionada pelo Estado. O detalhe sobre a exclusão de Rizzi dos grupos internos do PCC, apesar de manter o site, sugere uma estratégia calculada de comunicação pública, onde informações específicas são tornadas acessíveis para um público mais amplo, talvez para fins de recrutamento, disseminação ideológica ou para projetar uma imagem de legitimidade e controle.

Consequentemente, a credibilidade do site não reside em sua objetividade jornalística ou analítica, mas sim em sua função como uma articulação direta da própria narrativa do PCC. Quaisquer afirmações feitas neste site, especialmente em relação a relações interfaccionais ou “guerras”, devem ser interpretadas dentro desta estrutura auto-servil e rigorosamente verificadas com fontes externas e objetivas, como relatórios policiais, estudos acadêmicos e estatísticas oficiais. A menção do site a “várias guerras” deve ser compreendida como parte da narrativa interna do PCC sobre sua luta e expansão.

3. Panorama das Facções Criminosas no Espírito Santo
3.1. Histórico e Evolução das Redes Criminosas no ES

O cenário criminal no Espírito Santo possui uma história complexa, marcada pela presença de grupos armados poderosos que antecederam as grandes facções atuais. Nas décadas de 1960 e 1970, o “Esquadrão da Morte” atuou no estado, sendo responsável por execuções extrajudiciais. Posteriormente, surgiu a “Scuderie Detetive Le Cocq”, composta por policiais, políticos e membros do judiciário, que manteve um controle centralizado sobre as redes de tráfico de drogas e armas desde os anos 1970 até o início dos anos 2000.

A dissolução ou enfraquecimento da “Scuderie” em 2002 criou um vácuo de poder significativo no submundo criminal do estado. Esse vácuo impulsionou uma intensa disputa pelo controle de territórios lucrativos, especialmente na Região Metropolitana da Grande Vitória, que é estrategicamente importante devido aos seus portos internacionais, rodovias e aeroporto. Esse período de instabilidade facilitou a expansão e consolidação de facções externas maiores e nacionalmente reconhecidas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, originárias do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. O Espírito Santo, assim, tornou-se não apenas uma rota vital para o comércio ilícito, mas também um possível refúgio para líderes criminosos procurados.

3.2. O Primeiro Comando de Vitória (PCV): Origem, Estrutura e Atuação

O Primeiro Comando de Vitória (PCV) começou a estruturar-se por volta de 2010-2013, principalmente na capital, Vitória, com suas origens no bairro da Penha. Os princípios fundadores e o modelo organizacional do PCV foram fortemente influenciados pelo PCC, fato evidente em seu nome e na adoção de um estatuto que espelha o do PCC, completo com regras estabelecidas, um conselho governante e uma hierarquia de liderança clara. Essa inspiração foi notavelmente derivada de Carlos Alberto Furtado, que teria tido contato com membros do PCC enquanto estava encarcerado em um presídio federal.

Uma dinâmica evolutiva crucial e complexa do PCV é sua subsequente afiliação ao Comando Vermelho, apesar de sua inspiração inicial e semelhanças estruturais com o PCC, que é um rival direto do CV. Essa mudança estratégica ilustra a natureza pragmática e fluida das alianças criminosas. No universo do crime organizado, a vantagem operacional e o controle territorial frequentemente se sobrepõem a alinhamentos ideológicos iniciais ou laços históricos. A decisão do PCV de se filiar ao CV, um inimigo declarado do PCC, provavelmente se deu pela busca de maior alavancagem operacional, acesso a recursos ou proteção em um cenário de disputa por mercados ilícitos. Essa aliança não apenas solidifica a posição do PCV no estado, mas também estabelece uma linha de confronto clara, posicionando o bloco PCV-CV em rivalidade direta com o PCC e seus eventuais aliados no Espírito Santo, moldando assim o cenário dos conflitos em curso.

O PCV demonstra uma ambição de expansão territorial, não limitando suas operações aos bairros de Vitória, mas estendendo seu alcance para o interior do estado e, de acordo com informações recentes, até para outros estados brasileiros. A organização opera com uma hierarquia sofisticada, incluindo um “comando geral” que pode dirigir operações mesmo de dentro de presídios estaduais e federais, líderes locais atuando como “franquias” que gerenciam operações de bairro, “gerentes” que supervisionam o empacotamento e a distribuição de drogas, e “vapores” como vendedores diretos nas ruas. O grupo também possui um braço armado especializado conhecido como “trem bala”, composto por “faixas pretas”, responsáveis por invasões, homicídios e incursões armadas.

Um aspecto preocupante do modus operandi do PCV é a exploração extensiva de crianças, adolescentes e jovens, que formam a “linha de frente”. Esses indivíduos servem como mão de obra barata e descartável para tarefas como empacotamento de drogas, vigilância e alerta sobre a presença policial. Eles são desproporcionalmente oriundos de famílias empobrecidas com acesso limitado a serviços públicos, tornando-os altamente suscetíveis ao recrutamento e, tragicamente, representados de forma desproporcional entre as vítimas de confrontos com forças estatais ou grupos rivais. Além da distribuição local de drogas, o PCV está ativamente envolvido no tráfico transnacional de drogas, empregando métodos como esconder drogas em navios no porto e fixar tabletes de cocaína nos cascos de embarcações já em trânsito marítimo, utilizando mergulhadores especializados.

3.3. Atuação e Relações do PCC, Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) no ES

Uma dinâmica crucial e definidora no cenário criminal do Espírito Santo é a aliança estratégica observada entre o Primeiro Comando da Capital e o Terceiro Comando Puro em regiões específicas, notadamente Vila Velha. Essa parceria é significativa, pois o TCP historicamente emergiu de uma cisão do Comando Vermelho e é seu rival. A formação dessa aliança entre PCC e TCP, em conjunto com a afiliação estabelecida do PCV ao CV, cria um eixo de conflito multipolar claro e volátil dentro do estado. A rivalidade histórica entre CV e TCP é, portanto, transposta e amplificada no Espírito Santo por meio dessas alianças contemporâneas. Os interesses econômicos, particularmente o controle do comércio ilícito, são os principais impulsionadores dessas alianças e rivalidades, garantindo a persistência e a intensidade do que pode ser caracterizado como uma guerra contínua por territórios e mercados.

A Tabela 2, a seguir, oferece uma visão geral das principais facções criminosas atuantes no Espírito Santo, detalhando suas características, atividades e as complexas relações de aliança e rivalidade que moldam o cenário de conflito no estado.

Tabela 2: Principais Facções Criminosas Atuantes no Espírito Santo: Características e Relações

FacçãoOrigem/Base PrincipalAtuação no ESPrincipais AtividadesAlianças/Rivalidades no ES
Primeiro Comando de Vitória (PCV)Vitória/ES (Complexo da Penha)Região Metropolitana (Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica), interior do estado, outros estadosTráfico de drogas (local e transnacional via portos), homicídios, controle territorial, exploração de jovensAliado ao Comando Vermelho (CV); Rival do PCC e TCP
Primeiro Comando da Capital (PCC)São Paulo/SPVitória, Vila Velha, Serra, Colatina, e outras regiões do estadoTráfico de drogas, homicídios (Setor Disciplinar), posse ilegal de armas, controle territorialAliado ao Terceiro Comando Puro (TCP); Rival do CV e PCV
Comando Vermelho (CV)Rio de Janeiro/RJDiversas regiões do estado, incluindo Guarapari e áreas ligadas a facções locaisTráfico de drogas, liderança de disputas territoriaisAliado ao Primeiro Comando de Vitória (PCV); Rival do PCC e TCP
Terceiro Comando Puro (TCP)Rio de Janeiro/RJVila Velha e outras regiões do estado, com esquemas financeiros significativosTráfico de drogas, participação em esquemas financeiros ilícitosAliado ao Primeiro Comando da Capital (PCC); Rival do CV e PCV
4. Dinâmica dos Conflitos e Impacto na Violência no Espírito Santo
4.1. Evidências de Disputas Territoriais e Conflitos Armados

Relatórios oficiais da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (FICCO/ES) confirmam a existência de “violenta disputa por territórios” em regiões como Jacaraípe, localizada na Serra/ES. Essas disputas são significativas o suficiente para justificar ações policiais, levando à prisão de líderes de facções diretamente envolvidos no comando desses conflitos.

A cobertura da mídia e a percepção pública também refletem essa realidade. Vídeos no YouTube utilizam títulos alarmantes como “GUERRAS ENTRE FACÇÕES ATERRORIZAM O ESPÍRITO SANTO” e vinculam a “Guerra por territórios” diretamente ao trágico fenômeno de jovens sendo atraídos para a criminalidade em idades cada vez mais precoces. Isso indica que o termo “guerra” não é meramente retórico, mas descreve uma realidade tangível e aterrorizante para os moradores.

As estruturas internas das próprias facções demonstram uma capacidade para a violência organizada. O PCV, por exemplo, possui um braço armado conhecido como “trem bala”, cujas responsabilidades explícitas incluem invasões, homicídios e incursões armadas, significando um componente estruturado e dedicado ao engajamento em conflitos territoriais violentos. Da mesma forma, o “Setor Disciplinar” do PCC é encarregado da execução de homicídios e do controle do tráfico de drogas, confirmando ainda mais a institucionalização da violência dentro dessas organizações.

4.2. Análise dos Indicadores de Homicídios e Criminalidade (2021-2023)

O Anuário Estadual da Segurança Pública 2024 do Espírito Santo, uma fonte oficial de alta credibilidade, fornece dados cruciais sobre a violência letal, especificamente homicídios. Embora alguns municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória, como Serra, Cariacica e Vila Velha, tenham registrado reduções nos homicídios em 2023 em comparação com 2022 (por exemplo, Serra teve 117 homicídios em 2023, abaixo dos 127 em 2022; Vila Velha registrou 117 em 2023 contra 159 em 2022), esses números ainda representam um nível significativo e preocupante de violência letal.

A capital do estado, Vitória, destaca-se como uma exceção crítica entre os municípios da região metropolitana. Em 2023, a cidade registrou um aumento notável de 21,4% nos homicídios dolosos, com 85 casos em comparação com 70 em 2022. Esse aumento é explicitamente atribuído, no relatório oficial, a “conflitos entre grupos criminosos nas regiões de morro da cidade”. Essa ligação causal direta, proveniente de uma fonte autorizada como o Anuário Estadual da Segurança Pública, fornece evidências contundentes de que uma guerra entre facções está de fato ocorrendo e impactando diretamente a segurança pública em áreas urbanas específicas e de alta relevância. Embora outros municípios tenham apresentado reduções, a situação em Vitória demonstra a intensidade e a localização desses confrontos, confirmando que o termo “guerra” não é uma hipérbole, mas uma descrição precisa da luta violenta e contínua pelo controle territorial.

Além dos homicídios, a criminalidade geral registrada pelas autoridades policiais em 2023 apresentou um aumento de 8% em comparação com o ano anterior, dando continuidade a uma tendência de alta observada desde 2021.

A Tabela 1, a seguir, detalha os homicídios dolosos nos principais municípios da Grande Vitória entre 2021 e 2023, ilustrando as tendências e a localização da violência letal.

Tabela 1: Homicídios Dolosos em Municípios Selecionados da Grande Vitória (2021-2023)

MunicípioHomicídios Dolosos 2021Homicídios Dolosos 2022Homicídios Dolosos 2023Variação % (2022-2023)
Vitória1043 (dado não explícito, inferido do gráfico)7085+21,4%
Serra1090 (dado não explícito, inferido do gráfico)127117-7,8%
Cariacica966 (dado não explícito, inferido do gráfico)1141140%
Vila Velha135159117-25,2%

Nota: Os dados de 2021 para Vitória, Serra e Cariacica são inferidos do gráfico de “Crimes Letais Intencionais” na página 29 do Anuário Estadual da Segurança Pública 2024, que apresenta a série histórica. Os valores exatos para 2022 e 2023 são explicitamente mencionados no texto do documento.

4.3. Consequências Sociais e Humanas da Violência Faccional

A violência generalizada instigada pelas facções criminosas impacta profundamente o tecido social, levando a “novas formas de sociabilidade” dentro das comunidades afetadas e exigindo uma reavaliação fundamental das políticas públicas, particularmente aquelas relacionadas à segurança pública. A estratégia predominante de “guerra às drogas” é criticada por seu impacto desproporcional em bairros pobres e predominantemente negros. Operações policiais, frequentemente conduzidas sob esse paradigma, resultam no “extermínio de uma demografia específica”, exacerbando as desigualdades sociais existentes e as preocupações com os direitos humanos.

Dados estatísticos do Atlas da Violência (IPEA, 2020) ilustram tragicamente esse impacto racializado, indicando que 74% das vítimas de homicídio são indivíduos negros. Isso destaca como as vulnerabilidades sistêmicas são exploradas tanto por grupos criminosos quanto, por vezes, por ações estatais. Para muitos jovens negros, que frequentemente vivem vidas marcadas por extrema pobreza, oportunidades educacionais limitadas e exposição diária a atividades criminosas, ingressar em uma facção pode paradoxalmente oferecer um “senso de propósito” ou pertencimento. Isso os torna altamente suscetíveis ao recrutamento e, tragicamente, desproporcionalmente representados entre as vítimas de conflitos faccionais e intervenções estatais.

5. Políticas Públicas e o Sistema Prisional Capixaba
5.1. A Política Penitenciária Estadual (SEJUS) e seus Desafios

A Secretaria de Estado da Justiça (SEJUS) é o órgão estadual primário responsável pela coordenação, planejamento, implementação e controle da Política Penitenciária Estadual. Sua missão declarada é aplicar a Lei de Execução Penal de forma humanizada, garantindo a segurança do estado e proporcionando condições para a reintegração social.

Um desafio significativo e persistente enfrentado pelo sistema prisional do Espírito Santo é a grave superlotação. O governador Renato Casagrande descreveu abertamente o sistema como “estável, mas com quase nove mil detentos a mais do que comporta. É um sistema frágil, uma bomba relógio, que pode explodir”. Essa situação crítica é sublinhada pelo fato de que seis das 37 unidades prisionais do estado operam com mais do que o dobro de sua capacidade projetada. Essa superlotação crônica não apenas compromete a segurança e a dignidade dos detentos, mas também dificulta severamente os esforços de reabilitação e fomenta um ambiente propício a tratamentos degradantes, impedindo assim a ressocialização genuína.

Em resposta a esses desafios, o governo estadual, sob a gestão do governador Casagrande, iniciou grupos de trabalho interinstitucionais envolvendo o Executivo, o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil. Esses grupos visam propor alternativas inovadoras e coordenar projetos existentes para aprimorar o sistema carcerário e aliviar a superlotação, incluindo esforços para acelerar os processos judiciais para detentos provisórios.

5.2. A Questão da Classificação e Separação de Presos por Facção

Existe uma tensão considerável e um dilema político no Espírito Santo em relação à classificação e separação de presos com base em sua afiliação a facções criminosas. Por um lado, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) e o Poder Judiciário buscam e obtêm ativamente autorização judicial para a transferência de líderes de alto escalão de facções, como os do PCV, para presídios federais de segurança máxima. A justificativa explícita para essas transferências é “interromper o comando exercido pelos detentos mesmo de dentro da Penitenciária de Segurança Máxima II” e “enfraquecer a facção criminosa, reduzindo sua capacidade de articulação e provocando sua fragmentação interna”. Isso demonstra uma abordagem prática e orientada para a segurança, visando separar figuras-chave para desarticular suas estruturas de comando.

No entanto, em contraste com esse imperativo operacional, existem propostas legislativas em nível federal, como os Projetos de Lei 2235/2021 e 2174/2019, que visam expressamente proibir a classificação e a separação de presos por facção. Os defensores desses projetos argumentam que tais práticas transformam inadvertidamente os estabelecimentos prisionais em “autênticas filiais do crime organizado,” consolidando os grupos criminosos dentro das prisões e impedindo fundamentalmente a ressocialização dos detentos. Essas propostas também ressaltam que a Lei de Execuções Penais (LEP) atual não estipula explicitamente a afiliação faccional como critério para a classificação de presos. Historicamente, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Espírito Santo já havia notado que, apesar de ser “proibido por lei,” a separação de presos por facção de fato ocorria, indicando uma prática de longa data que opera em uma área cinzenta da interpretação legal. A Secretaria de Estado da Justiça (SEJUS), por meio de suas Comissões Técnicas de Classificação (CTCs), capacita o pessoal para individualizar as penas com base na culpabilidade e na gravidade do delito, visando a reabilitação, mas o papel explícito da afiliação faccional nesse processo de classificação não é detalhado nas informações fornecidas sobre as CTCs. Essa contradição entre a necessidade operacional de isolar líderes e a preocupação legislativa de não fortalecer facções dentro do sistema prisional representa um desafio significativo. A eficácia da intervenção estatal na mitigação da “guerra” entre facções está diretamente ligada à forma como esse dilema é resolvido, pois a capacidade das facções de manter coesão e comando de dentro das prisões influencia diretamente a perpetuação dos conflitos externos.

5.3. Ações de Combate ao Crime Organizado e Cooperação Interagências

O estado do Espírito Santo demonstra um compromisso no combate ao crime organizado por meio de esforços integrados de aplicação da lei. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (FICCO/ES), um órgão colaborativo que compreende forças policiais federais e estaduais (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria de Estado de Segurança Pública e Guardas Municipais), realiza ativamente operações para desmantelar organizações criminosas. Essa abordagem multiagências destaca a importância da cooperação e do compartilhamento de inteligência no combate eficaz ao crime.

O governador Renato Casagrande tem enfatizado consistentemente a necessidade crítica de cooperação interestadual, particularmente com o Rio de Janeiro. Essa colaboração é considerada essencial porque muitos líderes criminosos atuantes no Espírito Santo frequentemente buscam refúgio ou orquestram atividades a partir do território fluminense, ressaltando a natureza transfronteiriça dessas empresas criminosas. O MPES, por meio de seu GAECO, desempenha um papel fundamental na deflagração de operações direcionadas que visam desmantelar células específicas de grandes facções como o PCC e o PCV. Essas operações se concentram não apenas na prisão de membros, mas também na desarticulação de seus braços armados, no controle do tráfico de drogas e no desmantelamento de seus esquemas financeiros, enfraquecendo assim sua capacidade operacional geral.

6. Conclusões: Haverá Guerra entre Facções no Espírito Santo?
6.1. Síntese das Evidências e Resposta à Questão Central

Com base na análise abrangente de dados oficiais, pesquisas acadêmicas e relatórios policiais, é inequivocamente evidente que uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo não é uma hipótese futura, mas uma realidade ativa e contínua. A formulação da pergunta “Haverá guerra?” implica um evento futuro, mas as evidências demonstram que este conflito já está em pleno andamento e profundamente enraizado no cenário de segurança pública do estado.

Essa “guerra” é caracterizada principalmente por violentas disputas territoriais, particularmente concentradas nas “regiões de morro” de Vitória. Dados oficiais atribuem explicitamente o aumento significativo nas taxas de homicídio na capital a esses conflitos contínuos entre grupos criminosos.16 O conflito envolve uma interação complexa e volátil de grandes facções nacionais, incluindo o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro, juntamente com o poderoso e localmente enraizado Primeiro Comando de Vitória . Uma dinâmica definidora é a afiliação estratégica do PCV ao CV, o que o posiciona em rivalidade direta e violenta com uma aliança discernível entre PCC e TCP operando em certos territórios, notadamente Vila Velha.7

A presença de líderes de alto escalão (por exemplo, o “Senhor da Guerra” do CV) e a existência estabelecida de braços armados estruturados dentro dessas organizações (por exemplo, o “trem bala” do PCV, o “Setor Disciplinar” do PCC) sublinham a natureza organizada, estratégica e persistente desses conflitos, que vão além da violência esporádica para uma luta sustentada por domínio e controle sobre mercados ilícitos.

6.2. Fatores Contribuintes e Mitigadores dos Conflitos

Fatores Contribuintes:

  • Vácuo de Poder Histórico: O enfraquecimento e a eventual dissolução do controle criminal anteriormente centralizado (por exemplo, Scuderie Detetive Le Cocq) criaram um ambiente fértil para o surgimento e a expansão de novas, e frequentemente mais violentas, facções criminosas que disputam o domínio territorial.
  • Localização Geográfica Estratégica: A posição crucial do Espírito Santo, com portos internacionais e grandes rodovias, torna-o uma rota indispensável para o tráfico transnacional de drogas e armas. Essa importância estratégica alimenta uma intensa competição e disputas territoriais entre facções que buscam controlar esses fluxos ilícitos lucrativos.
  • Falhas Sistêmicas Prisionais: A grave superlotação carcerária e os desafios inerentes à gestão eficaz da presença faccional dentro das unidades prisionais permitem que líderes criminosos mantenham o comando e orquestrem a violência por trás das grades. O dilema político existente em relação à classificação e separação de presos por facção exacerba ainda mais esse controle, potencialmente consolidando o poder criminoso dentro do sistema.
  • Vulnerabilidade Socioeconômica e Paradigma da “Guerra às Drogas”: A estratégia predominante de “guerra às drogas” impacta desproporcionalmente e atinge jovens empobrecidos e predominantemente negros em áreas periféricas. Essa abordagem, frequentemente caracterizada por operações policiais repressivas, cria inadvertidamente um suprimento contínuo de indivíduos vulneráveis que são então suscetíveis ao recrutamento por facções, fornecendo um pool pronto de combatentes para a “guerra”.

Fatores Mitigadores/Esforços:

  • Operações Policiais Integradas e Baseadas em Inteligência: Os esforços ativos e coordenados de forças multiagências como a FICCO/ES e o GAECO do MPES demonstram uma abordagem concertada e orientada pela inteligência para desmantelar organizações criminosas, prender líderes-chave e desarticular suas capacidades operacionais.
  • Cooperação Interestadual e Federal: O reconhecimento por parte das autoridades estaduais, incluindo o governador Casagrande, da necessidade de uma cooperação robusta com outros estados (por exemplo, Rio de Janeiro) e agências federais é crucial para atingir líderes criminosos que operam além das fronteiras estaduais, enfraquecendo assim suas redes.
  • Transferência Estratégica de Líderes: A autorização judicial e a execução de transferências de líderes de facções de alto escalão para presídios federais de segurança máxima têm se mostrado eficazes na desarticulação de estruturas de comando e na fragmentação da capacidade operacional dessas organizações, mitigando assim sua capacidade de dirigir a violência a partir do sistema prisional estadual.
7. Recomendações
7.1. Sugestões para o Fortalecimento da Segurança Pública
  • Operações Sustentadas e Adaptativas Baseadas em Inteligência: Continuar e intensificar as operações integradas conduzidas pela FICCO/ES e MPES/GAECO. Essas operações devem permanecer altamente adaptáveis, focando estrategicamente na desarticulação da liderança faccional, no desmantelamento de redes financeiras e na neutralização de braços armados. Deve-se dar ênfase à coleta proativa de inteligência para antecipar e prevenir conflitos, em vez de apenas reagir a eles.
  • Segurança Reforçada em Fronteiras e Pontos Estratégicos: Implementar medidas avançadas de vigilância e interdição em pontos críticos, como portos internacionais, grandes rodovias e aeroportos. Isso é essencial para interromper o fluxo de drogas e armas ilícitas, que são os principais recursos que alimentam as disputas territoriais e a “guerra” geral entre as facções.
  • Policiamento Comunitário e Construção de Confiança: Desenvolver e expandir estratégias de policiamento comunitário que priorizem a construção de confiança e colaboração com os moradores em territórios vulneráveis. Reduzir a dependência dessas comunidades dos sistemas de “justiça” paralelos impostos pelas facções criminosas é crucial para a segurança a longo prazo e a legitimidade do Estado.
7.2. Propostas para a Melhoria da Política Prisional e Ressocialização
  • Mitigação Abrangente da Superlotação: Priorizar e implementar reformas estruturais dentro do sistema prisional para aliviar a grave superlotação. Isso inclui explorar e expandir opções de sentenças alternativas, investir em novas instalações de tamanho adequado e acelerar os processos judiciais para detentos provisórios. Abordar a superlotação é fundamental para recuperar o controle estatal sobre as instalações correcionais e minar a influência faccional.
  • Política Clara e Eficaz de Separação Faccional: Resolver o dilema político existente em relação à classificação e separação de presos por facção. Isso exige um arcabouço legal robusto que equilibre os imperativos de segurança (por exemplo, isolar líderes de alto risco para desarticular o comando) com os princípios dos direitos humanos e da ressocialização. Uma política clara, consistente e legalmente sólida é essencial para evitar que as prisões sirvam como bases operacionais para organizações criminosas.
  • Fortalecimento dos Programas de Ressocialização e Reabilitação: Aumentar significativamente o investimento em programas abrangentes de educação, formação profissional, apoio psicológico e reabilitação de drogas dentro das prisões. Essas iniciativas são vitais para oferecer genuinamente aos detentos alternativas viáveis à vida criminosa após a libertação, reduzindo assim a reincidência e enfraquecendo o pool de recrutamento para as facções.
  • Políticas de Inclusão Social Direcionadas: Implementar e expandir políticas públicas robustas destinadas a garantir direitos fundamentais e criar oportunidades genuínas para populações vulneráveis, particularmente jovens negros em áreas urbanas periféricas. Isso inclui garantir acesso equitativo a educação de qualidade, saúde, espaços culturais e oportunidades de emprego, reduzindo assim sua suscetibilidade ao recrutamento por organizações criminosas e promovendo sua integração na sociedade legítima.
  • Sistemas Robustos de Apoio Pós-Liberação: Desenvolver e fortalecer programas de apoio pós-liberação, incluindo assistência habitacional, serviços de colocação de emprego e apoio psicológico contínuo. Programas de reintegração eficazes são cruciais para quebrar o ciclo de reincidência e evitar que ex-detentos voltem a se juntar a redes criminosas.

A Terceira Geração da facção PCC 1533

Não há quem acredite em outra hipótese para a morte de Gegê do Mangue que não a de uma disputa dentro da estrutura do Primeiro Comando da Capital, a facção PCC 1533. Há divergência quanto as razões, mas não quanto aos possíveis mandantes.

O que representa essa morte para futuro político da facção?

O texto a seguir já estava pronto antes do assassinato, trata em resumo da tendência do Primeiro Comando de se infiltrar discretamente e utilizando contatos pessoais na estrutura política, administrativa e social — com a retirada de Gegê do tabuleiro, essa tendência da facção paulista ficaria fortalecida, se contrapondo as ações de guerrilha.

Essa é a chamada Terceira Geração do PCC

Artemiy Semenovskiy, Luis Carlos Valois, Geraldo Alckmin e eu temos ligações com o PCC — pelo menos é o que aqueles policiais comentavam nos grupos de WhatsApp e Facebook; no entanto a diferença entre nós e eles é que nós continuamos em liberdade, e eles, agora, estão presos.

Diorgeres de Assis Victorio foi a primeira pessoa que tenho conhecimento de ter dado destaque ao termo Terceira Geração do PCC, em 24 de janeiro de 2018, no artigo PCC: Terceira Geração, no site Ciências Criminais. No dia seguinte, no site Small Wars Journal, os pesquisadores John P. Sullivan, José de Arimatéia da Cruz e Robert Bunker publicaram a matéria Third Generation Gangs Strategic Note No. 9.

Falta um elo entre ambas as publicações.

O texto do Ciências Criminais apresenta a mudança que se deu com a elaboração do chamado Terceiro Estatuto do PCC para uma nova realidade, menos confrontante e mais voltada ao lucro, à estruturação organizacional e às relações com a comunidade. Já o texto do Small Wars Journal atenta para a estratégia de infiltração na política e na estrutura social adotada pela facção paulista. A ligação entre os dois trabalhos é a Cartilha do PCC — documento chave da organização, que instiga seus membros e suas famílias a estudar e buscar apoio da sociedade para as justas reivindicações da facção:

Aposte e acredite no aperfeiçoamento e na conscientização para diminuir as perdas nas lutas, para vencer procurem estudar, procurem conhecimento e principalmente procurem aprender essa nova mudança, essa nova era.
Os políticos que promovem candidaturas baseando seu discurso no combate ao crime e só constroem presídios como depósitos de homens, mentindo para a sociedade, dizendo que estão acabando com a criminalidade e resolvendo o problema de superlotação. Mentem descaradamente: os governos dos estados, as secretarias de segurança pública, as administrações penitenciárias, os serviços de inteligência da polícia e da promotoria pública, o Denarc e o GAECO.
Acompanhem as trocas dos cargos políticos: quem são são essas autoridades, governos, secretários de segurança, administração penitenciário. Fiquem sempre atentos a política deles pois são essas pessoas as diretamente responsáveis pelo sistema penitenciário. Exponham nossas dificuldades e com isso conquistaremos nossos direitos como presos usando as mesmas armas que eles usam contra nós.
A propaganda, a divulgação, a mídia vamos maciçamente nos expressar à sociedade, mostrar esse lado esquecido, em cenário de tantas injustiças e violência.

Artemiy Semenovskiy, um russo que certa vez esteve preso em COMPAJ, ninho do Comando Vermelho (CV), lembrou-me que o juiz Dr. Luis Carlos Valois, que negociou com o FDN e CV o fim das matanças nos presídios de Manaus e hoje é ameaçado de morte pelo PCC, o governador Geraldo Alckmin, que bateu todos os recordes de prisão de PCCs, mas que a oposição lhe atribui um acordo com a facção, e eu estamos no mesmo barco…

… nós temos ligações com o Primeiro Comando da Capital.

Já alguns daqueles policiais que comentavam nos grupos de WhatsApp e Facebook sobre nós estão presos por corrupção e envolvimento com a facção criminosa. Como isso se deu?

Nós e nossas verdades vivemos em um mundo imaginário.

Para entender o mundo todos nós analisamos os fatos que nos chegam utilizando nosso raciocínio, mas ele não consegue dar significado às conclusões; para isso utilizamos uma outra ferramenta que temos: a imaginação — não vou me alongar nesse ponto, em caso de dúvidas procure Gilbert Durand.

A leitura do artigo do Small Wars Journal reflete a realidade do envolvimento do crime organizado na política como é apresentado em todas as culturas: filmes como o brasileiro Tropa de Elite II, os indianos Raees e Kabali, o francês Marseille, o russo Ladrões na Lei [Воры в законе (фильм)], e séries de TV como a Brigada (Бригада).

No entanto, aqueles policiais que foram presos enquanto nós outros ficamos em liberdade não se conformam, afinal, eles não tinham envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, e, sim, nós — pelo menos dentro do imaginário que nossa sociedade criou através de suas produções cinematográficas.

A vida é diferente do que nos mostra o cinema.

Em verdade, a facção Primeiro Comando da Capital não organiza ações políticas como são mostradas no cinema e no artigo citado. Não existe um poder controlador supremo que articula as candidaturas: pela própria natureza e estrutura da organização o envolvimento com a política se dá de outra forma, muito mais celular, muito mais pessoal…

… o jornalista Renato Oliveira do site Verbo Online que o diga!

Os policiais foram presos por aceitarem uns trocos de conhecidos para passarem informações ou pegarem dinheiro de garotos ou de gerentes de biqueira. Eles jamais imaginariam (pois não faz parte do imaginário popular sobre o envolvimento com uma organização criminosa) que seus nomes seriam lançados na contabilidade da facção — o mesmo se dá com alguns políticos, mas isso rende outro artigo.

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UPA Morada do Ouro — quem causou: PCC ou CV?

Estou acompanhando o debate entre as reportagens que apontam de um lado a possibilidade de que o culpado pelo sangue dos inocentes escorrido no chão do UPA Morada do Sol em Cuiabá sejam membros das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) ou Comando Vermelho (CV).

Se por um lado o PCC teria razão para resgatar um líder da facção, por outro o CV tinha motivos para matá-lo, portanto, qualquer um dos dois poderia ser o responsável pelo bebê, a enfermeira, o agente penitenciário, e por todos que foram baleados na unidade de saúde.

A Polícia Militar pegou um garoto que havia assaltado uma residência, e como ele havia nascido na mesma cidade que o PCC José Edmilson Bezerra Filho e o entregou na delegacia todo arrebentado, os policiais acreditaram que ele estaria envolvido com o caso.

A repórter Celly Silva da Gazeta Digital explica que o buraco é mais embaixo.

Link para o artigo “Bloqueador de sinal de R$ 2,5 milhões não funciona e CGE investiga”

Quem causou o derramamento de sangue foram aqueles que sumiram com os dois milhões e meio de reais que deveriam estar impedindo a comunicação dos presos, seja do PCC ou do CV com seus comparsas do lado de fora do presídio, e que esse dinheiro que já foi pago no ano passado virou pó, pelo menos até o momento.

A repórter até que tentou contato com a empresa responsável pela instalação, mas os caras vazaram, agora seria a hora de mandar a equipe que conduziu o garoto que nasceu na mesma cidade que José Edmilson Bezerra Filho até o escritório da empresa para levarem os responsáveis, para a delegacia, afinal está nas mãos deles o sangue dos inocentes…

… mas não é assim que as coisas funcionam no Brasil, razões técnicas farão que esse dinheiro venha um dia a sumir dentro de um túnel insondável. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

PCC 1533 – 24 ANOS – PARABÉNS E FELIZ ANIVERSÁRIO!

A evolução do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Da origem do PCC no Regime Militar e às decisões dos governos subsequentes, culminando na atual situação de crime organizado no Brasil, e o papel da sociedade em permitir o crescimento dessas facções e revela a evolução do pensamento e da condução da facção desde seus primeiros dias.

Aaniversário do PCC: uma oportunidade para refletirmos sobre sua origem e impacto na sociedade, mas primeiramente, permita-me parabenizar as várias gerações que presenciaram o nascimento e a ascensão do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).

Aniversário do PCC: os militares e as sementes vermelhas cariocas

O Primeiro Comando da Capital nasceu das sementes plantadas durante o Regime Militar. Este período histórico proporcionou o ambiente ideal para o surgimento da Falange Vermelha, que surgio em 1979 na Prisão da Ilha Grande, durante o governo do último presidente do Regime Militar, o General Figueiredo..

Foi nessa prisão que bandidos comuns de alta periculosidade foram colocados na mesma cela que prisioneiros políticos, dando origem à Falange Vermelha, precursora da facção PCC e de tntos outros grupos criminosos do Brasil.

Os governantes paulistas

Os governadores do estado de São Paulo, que tanto se esmeraram em criar o grupo criminoso paulista e fortalecê-lo, não podem deixar de serem lembrados. No final desse artigo faço um resumo da contribuição de cada um deles, ou podem ler a matéria sobre o sunto no site.

Agora, a nova geração enfrenta o desafio de conviver com facções criminosas profissionalizadas e violentas. Infelizmente, a vitória contra essa ameaça parece estar além do alcance, devido à atual cultura brasileira.

Embora seja tentador nos excluir da lista de culpados, a verdade é que todos nós, enquanto população, tivemos um papel em sua formação. Nossa participação veio através de ação ou inação, permitindo a perpetuação da situação.

Por fim, vale mencionar que o lema original do PCC, “Liberdade! Justiça! e Paz!“, se originou do Comando Vermelho, segundo Diorgeres de Assis Victorio do Canal Ciências Criminais. A importância desse lema para a identidade do PCC não pode ser subestimada.

Governadores do Estado de São Paulo e suas políticas carcerárias e de Segurança Pública

15 de março de 1983 até 15 de março de 1987
humanizou os presídios na sua gestão, priorizando a democracia, a transparência e os direitos dos detentos
Franco Montoro

15 de março de 1987 até 15 de março de 1991
estratégia violenta e repressiva de lidar com a criminalidade, foi a primeira grande ruptura na era democrática
Massacre do 42º DP – fevereiro de 89
Orestes Quércia

15 de março de 1991 até 1 de janeiro de 1995
massacre do Carandiru – 2 de outubro de 1992
desativação e demolição do Carandiru
política de interiorização e divisão dos presídios
fundação do PCC – 31 de agosto de 1993
Luiz Antônio Fleury

1 de janeiro de 1995 até 6 de março de 2001
criticou a ausência de direitos humanos nos governos anteriores e optou por políticas de negociação e patrulhas mais brandas
criação de vagas no sistema penitenciário como uma de suas principais ações políticas
Mário Covas

6 de março de 2001 até 31 de março de 2006
política de aumento da repressão policial e mais mortes em confrontos
mega rebelião em 29 unidades prisionais – fevereiro 2001
PCC ganha visibilidade pública e demonstra eficácia em suas ações
massacre Operação Castelinho – fevereiro de 2002
Regime Disciplina Diferenciado RDD – dezembro de 2003
muitos que trabalharam na repressão ganharam fama na vida política
Geraldo Alckmin

31 de março de 2006 até 1 de janeiro de 2007
mega rebelião e ataques do PCC – maio de 2006
Cláudio Lembo

1 de janeiro de 2007 até 2 de abril de 2010
manutenção da política de Segurança Pública de Alckmin
hegemonia do PCC com queda da taxa de homicídios
Crescimento progressivo da população carcerária
Fotalecimento da ROTA e investimentos na PM
José Serra

2 de abril de 2010 até 1 de janeiro de 2011
Alberto Goldman

1 de janeiro de 2011 até 6 de abril de 2018
aumento da população carcerária
investimento em ferramentas de investigação contra as organizações criminosas
número alarmante de encarcerados durante a gestão de Alckmin, com aumento de mais de 50.000 presos em apenas 4 anos
aumento da violência e letalidade policial
Geraldo Alckmin

6 de abril de 2018 até 1 de janeiro de 2019
Márcio Franca

1 de janeiro de 2019 até 1 de abril de 2022
João Doria

1 de abril de 2022 até 1 de janeiro de 2023
População carcerária: O Brasil é o terceiro país com maior população carcerária do mundo, com mais de 773.000 presos. Só no Estado de São Paulo são 231.287 presos
Rodrigo Garcia

1 de janeiro de 2023 a
Tarcísio de Freitas

Cartilha do Primeiro Comando da Capital PCC 1533.

PROCEDIMENTO PARA A LEITURA NOS GRUPOS.

Inicialmente o “sintonia” que for transmitir para os “irmãos” e “companheiros” deve com respeito lembrar a todos que só com a conscientização é possível alcançar a PAZ, mesmo que dentro das muralhas, dos difíceis ambientes e situações que os soldados da facção e suas famílias estejam.

Antes de começar a leitura deve lembrar que as famílias daqueles que estão privados de liberdade devem ser apresentados a Cartilha, para que tenham consciência e apoiem a luta, que a vida no recluso é penosa, e para superar esse momento os familiares devem estar ao lado com consciência, só assim os presos poderão

O “sintonia” deve lembrar que cada um deve ler, analisar, e discutir a Cartilha, para que haja uma constante evolução do entendimento e a disseminação aconteça dentro e fora de cada unidade prisional em todos os estados brasileiros e nos países onde a facção esteja presente.

CARTILHA DE CONSCIENTIZAÇÃO, UNIÃO, E FAMÍLIA.
Para uma Geração Consciente

O que buscamos para um melhor sistema carcerário não são regalias e sim inovações, mudanças e direitos como preso. Embora seja extremamente longa, árdua e difícil a estrada que nos conduz a esta realidade não se pode mas adiar os fatos dessa caminhada.

O primeiro passo tem início na conscientização de nossos familiares que sofrem com as injustiças desigualdade, descasos do abandono em que vivemos. Unidos lutaremos pelo cumprimento da justiça e de nossos direitos, mas para isso será precisamos estar unidos e mobilizados pela construção de uma novo amanhã.

Essa é a evolução para uma geração consciente, aperfeiçoando nossas deficiências, suprindo a carência do conhecimento, nos apoiando maciçamente na família 15.3.3 e na nossa família de sangue. Assim superamos nossas dificuldades e conquistamos o que é nosso por direito.

Nem mesmos as armas nucleares podem trazer uma PAZ sólida e duradoura sem que a humanidade enfrente as injustiças sociais. Onde houver dominação, haverá sempre luta pela libertação e pelo fim da opressão. Onde houver violações dos direitos haverá sempre combate e resistência em nome da IGUALDADE, por isso a dificuldade em se manter uma PAZ sólida e duradoura.

Por isso nossa luta consciente, nosso lema é PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE, e UNIÃO.

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CARTILHA DE CONSCIENTIZAÇÃO, UNIÃO, E FAMÍLIA
Original revisto e corrigido 2017.

Tudo começou no cárcere no ano de 1992 com o fato mas bárbaro, cruel, e covarde: o massacre de 111 detentos no Carandiru, por Policiais Militares a mando de governo e da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

PAZ

Lembrar e analisar o antes e o agora basta para sabermos o sentido dessa paz:

Antes ao chegar na prisão, fora as injustiças sofrida pela “Justiça”, o preso tinha que lutar dia a dia pela sua própria vida e moral arriscando-se a matar ou morrer a todo instante. Hoje através da PAZ no cárcere, as facas se tranformaram em ganchos para a fuga, o craque foi expressamente proibido nas prisões, os presos malandrões que cometiam assaltos, extorsões, estupros, e conflitos foram assinados, mandados para cadeias de seguros, ou estão fora do alcance do crime que corre em favor do certo pelo certo.

Essa foi uma das nossas primeiras evoluções no crime em prol a todos, por isso à importância da PAZ e o seu significado no Sistema Penitenciário.

JUSTIÇA

Justiça é o combate na luta pelos nossos direitos, pelo nosso respeito, por tudo que no crime é justo e certo. Lutar pela Justiça, é empenhar-se na conquista dos nossos espaços, respeitando para sermos respeitados. Sempre conscientes no aprendizado, no desenvolvimento, e no amadurecimento completo: corpo, alma, e coração. Sempre visando nossa causa: a luta justa que acreditamos e que vivemos.

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LIBERDADE

Libertação dos dominadores,dos exploradores, e das injustiças. Liberdade pela porta da frente ou pelas dos fundos, e o nosso principal objetivo é o que todos nós dentro de um cárcere almejamos dia e noite, ganhar a liberdade e estando na rua lutaremos para não perdê-la.

UNIÃO

Já existe e seria muito mais espontânea se as antigas diretrizes visassem o idealismo da causa em prol a todos para condições de dias melhores, mas em vez disso o que eles queriam era se aproveitar de sua lealdade por dinheiro para uso próprio, essa ganância e egoísmo só poderiam levar a um caminho, o da divisão de pensamentos e atitudes, como não poderia ser diferente ou de outra forma, o certo vence e prevalece, e foi a primeira parte dessa divisão, que a família criou, e a nossa principal evolução para o crime em geral implantando também como lema a palavra.

IGUALDADE

É o significado consolidado e espontâneo dessa União que temos hoje já conquistado significa o trabalho de todos. A Família funcionando como uma engrenagem rotativa de ajuda e assistência à todos, de amparo para presos e familiares, e um conhecimento pela luta e pelo crime certo e justo, e é essa Igualdade que de forma extraordinária nos trouxe essa UNIÃO que tanto nos fortalece para sobrevivência e superação.

Igualdade também significa a valorização da vida humana no cárcere porque foi através dela que foi conquistado o direito de falar e ouvir a verdade, o errado e a mentira e mesmo assim para que uma vida seja tirada só por motivos de naturezas graves, como traição ou pilantragem.

Por tudo isso o lema do Primeiro Comando da Capital é Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade, e União – PJLIU.

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PERSISTIR E RESISTIR

Não temos tempo para lamentações e pensamentos negativos, estes só servem para enfraquecer nosso espírito, temos que persistir e acreditar com determinação e coragem, por que nossa luta é justa e temos que seguir em frente.

Os momentos mais difíceis não são para lamentar, pelo contrário são para fortalecer, para superar, e por isso persistam e resistam com força, com coragem, com dignidade, com hombridade e com consciência. Lembrando que a luta é por todos. O preso que agir de forma contrária a essa luta não pode ser considerado um guerreiro, ou ele se auto corrige respeitando a todos com a verdade e a coragem ou encontrará sua própria ruína.

Sem preparação a superioridade não é realmente superioridade, sendo assim não haveria iniciativa própria e nem criatividade no momento de crise. O conhecimento poderá vencer com ações inteligentes e atitudes inesperadas, surpreendendo o inimigo e o vencendo, e por isso a importância da preparação, e da conscientização.

Um exército sem cultura é um exército de ignorantes e não poderá vencer o inimigo, e nada é mais importante que a compreensão, o apoio, e a lealdade que motiva em todas as circunstâncias, sejam elas boas ou ruins, fáceis ou quase insuperáveis. Com essas atitudes estaremos sempre nos fortalecendo, mas que essas atitudes sejam espontâneas, um por todos e todos por um.

OBJETIVOS E METAS

A luta pelos direitos de cidadania abrangerá todo o país ou seja será uma luta que se iniciará em São Paulo que contará com todo o sistema prisional de todos os estados, mas para chegarmos a este ponto, temos que mover toda uma preparação primeiro, por hora lutamos é pela dignidade, respeito e direitos do preso e por um sistema humanizado.

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LUTA POR DIGNIDADE E RESPEITO
  • presídios sem superlotação, com trabalho que nos deem oportunidade de profissionalização, sem a exploração hoje existente;
  • cursos profissionalizantes sérios, com mais tempo e qualidade para as aula, e o reconhecimento na Secretaria de Ensino dos diplomas após a formação;
  • sistema judiciário interno e externo com acompanhamento de profissionais sérios e responsáveis para assistência ao preso e a sua família;
  • possibilidade de integração de outras pessoas além de nossos filhos, irmãos, e esposas, temos outros entes queridos que podem nos ajuda em nossa reabilitação, e reintegração a sociedade;
  • direito de comprir pena perto da nossa casa e de nossos familiares; e
  • fim dos maus tratos, degradantes, desumanos, humilhantes, e cruéis por parte de funcionários, diretores, e polícias ao fazerem as revistas.

Quando conquistarmos nossas reivindicações, acreditem, teremos maiores chances de mudar nossas vidas com dignidade e respeito. Com essas conquistas, outros descasos e abandonos também serão vencidos automaticamente. Todas essas mudanças afetam diretamente nosso futuro por quê como profissionais ao sairmos da prisão teremos como escolha caminhos que não nos levarão novamente para a criminalidade.

Dentro dos presídios com essas mudanças já começaram. A humanização já está começando ali, os estados e as autoridades são obrigados a suprirem nossas necessidades e respeitarem nossos direitos.

A criminalidade funciona como uma rotação cada vez maior, vai e vem cada vez mais rápido e com mais violência. Todos os esforços que o preso fizer para se recuperar são anulados pela injustiça, pela opressão, pelo castigos, pelos abusos, pelo descasos, pelo abandono, e pela injustiça que residem no sistema carcerário, só nos restando ao preso ao sair retornar ao mundo do crime.

Nossos familiares que de maneira igual sofrem as mesmas injustiças sociais pelo desumano sistema carcerário.  A família que está lá para nos ajudar e apoiar pois o sistema carcerário brasileiro só mata as expectativas para o futuro do preso, sofre, e esse sofrimento causa mais revolta, mais ódio, e mais violência.

Isso precisa mudar, queremos respeito pelos nossos direitos, dignidade como seres humanos, e chance de crescimento, conseguindo maliciosamente aprender o que não compreendemos, conseguiremos destruir o mundo velho e construir um mundo novo, com aperfeiçoamento e consciência para se tornar um sistema carcerário humanizado.

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AUTORIDADES OMISSAS

Os políticos que promovem candidaturas baseando seu discurso no combate ao crime e só constroem presídios como depósitos de homens, mentindo para a sociedade, dizendo que estão acabando com a criminalidade e resolvendo o problema de superlotação. Mentem descaradamente: os governos dos estados, as secretarias de segurança pública, as administrações penitenciárias, os serviços de inteligência da polícia e da promotoria pública,  o Denarc, e o GAECO.

Políticos que querem votos nos atacam promovendo mais injustiças e opressões dentro dos presídios, esperando nossas reações e revolta, com isso aparecem como salvadores da pátria, e sempre usando a força e a violência descontrolada dentro e fora dos presídios para acabar com a revolta que eles mesmo causaram, em seguida eles usam o poder da mídia contra nós, precisamos aprender urgentemente a lutar contra a conotação e vencer as formas de estratégias que as autoridades usam contra nós, assim os superaremos conhecendo seus métodos de agir.

Muitos braços que nos apoiam estão no Poder Judiciário, através de sua intelectualidade,da sua coerência, e da sua sensatez, tentam conter a opressão e fazer valer os direitos dos encarcerados, combatendo a superlotação dos presídios fazendo valer a justiça para os pobres e para os miseráveis, não só para para os ricos endinheirados.

Ao poder judiciários pedimos justiça e respeito aos nossos diretores, ou vocês não perceberam todas essas perseguições e injustiças que estamos sofrendo? Esse recado tem que ser dado dentro um poder judiciário.

Muitos exploram o trabalho do detento se aproveitando de mão de obra barata. Precisamos de instrumentos de trabalho para nossa profissionalização de maneira responsável e eficiente. Um preso fica décadas dentro do Sistema Carcerário e quando ele sai não tem nem uma profissão, não tem nem um estudo, nao tem nada, como vai competir no mercado de trabalho?

As portas se fecham para aquele de deixa o sistema, o que nos resta é o crime novamente, isso tem que mudar. Temos que exigir condições de trabalho e crescimento humano melhor, se for preciso lutar por essas mudanças, acreditem a luta será justa e valiosa não se lamentem, resistam e persistam.

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AQUELES QUE NOS PREJUDICAM

Esses são os opressores que mentem e exploram através da mídia, provocam e perseguem a nós e nossas famílias, são essas pessoas que tem o poder para mudar o sistema carcerário falido e desumano, mas não fazem nada por ganância e interesses pessoais pois lucram com a violência seja por poder, ou por dinheiro:

  • Secretarias de Administração Penitenciária,
  • a Secretarias de Segurança Pública,
  • os governadores dos estado,
  • o ministério público,
  • o poder judiciário,
  • os executivos da empresas que exploram nosso serviço, e as
  • as direções dos presídios.

São eles os maiores responsáveis pelo aumento da criminalidade, que com suas mentiras e articulações levaram o sistema carcerário e a segurança pública ao caos que vivemos hoje.

Clareza aos nossos objetivo, que as metas ativem a consciência de todos, não queremos regalias mas sim um sistema humanizado para um futuro melhor para toda a sociedade, pois nossas famílias, nossos filhos, assim como as famílias e filhos de todos aqueles que estão fora dos muros depende do respeito aos nossos direitos.

Mas o nosso sacrifícios é pela consciência da nossa luta, e que tem o significado de tudo por que lutamos e acreditamos que esse significado é pela mais bela prova de amor, a liberdade, coragem e crença pela luta.

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MINIMIZANDO AS PERDAS

Aposte e acredite no aperfeiçoamento e na conscientização para diminuir as perDas nas lutas, para vencer procurem estudar, procurem conhecimento e principalmente procurem aprender essa nova mudança, essa nova era.

Acompanhem as trocas dos cargos políticos: quem sao são essas autoridades, governos, secretários de segurança, administração penitenciário. Fiquem sempre atentos a política deles pois são essas pessoas as diretamente responsáveis pelo sistema penitenciário. Exponham nossas dificuldades e com isso conquistaremos nossos direitos como presos usando as mesmas armas que eles usam contra nós.

A propaganda, a divulgação, a mídia vamos maciçamente nos expressar à sociedade, mostrar esse lado esquecido, em cenário de tantas injustiças e violência.

DIVULGAÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR

Através desta união que já é conquistada a arma mais poderosa e a que temos é através de nossos familiares, juntamente com a conscientização nos tornamos mais forte, ainda que a longo prazo afirmo, que conseguimos tudo que pretendemos e almejamos, vamos maciçamente nos juntarmos com nossos familiares buscando de todas as formas mostrar para a sociedade os motivos que lutamos e o porquê da nossa luta, o que queremos, e só assim vamos conseguir o apoio e simpatia da sociedade que muito nos interessa e nos importa.

Precisamos fazê-los entender que não somos os monstros que a mídia divulga propositalmente, deixar todos cientes que somos usados e o que pretendemos conquistar somente nossos direitos e sermos tratados como seres humanos por isso precisamos compreender também que para essa propaganda e divulgação surtirem efeitos, temos que nos unir para que a sociedade entenda nossos motivos e nos apoiem, cobrando das autoridades e do governo procedências e o fim desse sistema carcerário falido e apreensivo.

Vamos acompanhar as TVs educativas, informativas, culturais e os debates. Conseguiremos vários nomes e endereços, a família pode ajudar também para que possamos enviar cartas com textos explicativos, nossos motivos o que queremos contar conscientes, e só seguir essa cartilha como base, à partir disso a criatividade é infinita, mas seguindo uma linha de mensagens positivas.

Que nossas cartas sejam divulgadas pelas visitas e pela sociedade, podemos também escrever para vários personalidades, artistas, escritores, jornalistas, jogadores, médicos, sociólogo, psicólogos, empresários, em faculdades, escolas, órgãos internacionais, consulados, embaixadas de países democráticos, mas tudo isso será feito com democracia determinações e consciência de nossas necessidades e para que nossas mensagens e cartas sejam aceitas, e entendidas.

Temos que enviar cartas contando exemplos para conseguirmos espaço nos rádios, e nas emissoras de televisão. Cada um dos órgãos possíveis, OAB, pastoral carcerária, ONU, direitos humanos, e a cúpula que pertence ao “MV Bill”.

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TEREMOS GRANDES CHANCES DE MUDAR ESSA HISTÓRIA.

Os sindicato dos agentes penitenciários, dos empregados no comércio, nos serviços, e nas indústrias também poderão ser conscientizados de nossa luta, que não é contra a sociedade e sim contra o sistema que oprime a eles tanto quanto oprime a nós mesmos.

Nossos familiares devem se portar com coerência e personalidade, não podem manchar nossa imagem ao mesmo tempo que tem que se expor ao máximo, todos os dias e em todos os lugares. Nosso lugar não é nas sombras escondidos da sociedade, mas ao lado dela.

Todos os meios de divulgação devem ser aproveitados: texto por manifesto, faixas escritas, redes sociais, mas nunca se esqueçam que as mensagens tem q ser educativos, mostrando o que a cartilha está ensinando temos q mostrar para a sociedade os problemas que vivemos

PLANTANDO UM NOVO FUTURO

Seguindo esta carta informativa e educativa vamos refletir e analisar, o que conseguimos através dessa nossa luta, e se nos unirmos nesse propósito tivermos bons resultados, nos jornais escritos e revistas como conscientização de um sistema humanizado, e que respeitem nossos direitos como presos, nos dando oportunidade de crescimento humano, teremos uma história linda e merecida, porque com essas renovações e mudanças, podemos de uma forma consciente escolher outros caminhos para nossas vidas e seremos felizes juntamente com nossos familiares, após a conquista do sistema humanizado continua a luta por cidadania.

Analisem e reflitam nessas duas pequenas palavras: PERSISTIR e RESISTIR.

Nelas se encontram a grandeza da nossa luta e a importância de vencermos, mesmo que sejam sacrifícios, resistir e lutar com coragem, lealdade e determinação, união e consciência.

Que a partir dessa nova era, busquem mais conhecimento e aprendizado, compreensão para entender os nossos problemas, principalmente para superá-los, lutando todos de forma igual consciente e responsável.

OUSAR, LUTAR E VENCER.
Conscientização união e família.
UNIDOS VENCEREMOS – população carcerária do país.
PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL – PCC 15.3.3.

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Resultado das Eleições 2014 para Deputado Federal em Itu.

Metade dos votos nominais (49,665%) depositados nas urnas da cidade de Itu, 59ª Zona Eleitoral, foram divididos entre seis candidatos:

Herculano Passos
— 11.295 votos —
16% dos votos válidos

Celso Russomanno
— 6.899 votos válidos —
10% dos votos válidos

Missionário José Olímpio
— 6.540 votos —
9% dos votos válidos

Tiririca
— 3.008 votos —
4% dos votos válidos

Jorge Tadeu
— 2.468 votos —
3% dos votos válidos

Vitor Lippi
— 1.768 votos —
2% dos votos válidos