Essa mensagem recebida das trancas de Pernambuco é um grito de socorro que não pode ser ignorado por nenhum de nós.
Após o áudio e a sua transcrição, apresento minha leitura, que de certo não é a mesma que a tua, é muito mais sombria.
PCC de Pernambuco pede ajuda em tranca da oposição
Um forte abraço aí, uma boa noite aí prá nóis.
Quem tá na voz aqui é …
Veja só, que a gente numa situação difícil, que aqui está descabelado, sem aparelho para fazer a conexão, tamo fora da sintonía por isso aí.
Por que altas coisas que está escrita no Estatuto e não está acontecendo não, você entendeu?
É porque irmão, veja só, é por que o que está escrito no Estatuto não está acontecendo em nada, por isso estou fora de sintonía.
Porque tem altos irmãos aí que tem condições, mas só se lembram da barriga deles, entendeu irmão?
Estou dizendo a você, aqui tem o Comando Vermelho, a CLS, tudo inimigos nossos, entendeu?
Tem o Comando Litoral Sul e tem FDN também misturado aqui. Aqui é cheio de lixo mesmo.
Aqui na cadeia que estou, não está favorável não! É pouca quantidade dos irmãos nossos, é mais Comando Vermelho, entendeu?
É mais tumulto, não é qualidade não, é mais tumulto.
Então o que está acontecendo, o que está escrito no estatuto tá acontecendo não, é isso aí, tô descabelado irmão.
Muita guerra eu tive em … através da facção, faz … anos que sou da facção, eu era Geral do Sistema, eu fechei como Geral do Sistema e Geral de Estados e Países, eu fechei nessas duas responsas aí.
Pronto irmão, você faz a anotação aí, pedindo uma ajuda irmão, porque altas cadeias de Pernambuco aqui a gente está sendo oprimidos.
Porque tem muito lixo e os irmão do PCC tem pouco aqui. Em todas as cadeias de Pernambuco está tá expandindo o lixo.
Eu queria que você fizesse um relatório aí dizendo o que está acontecendo nas cadeias de pernambuco, entendeu?
É isso aí que estou dizendo a você, um forte abraço aí uma boa noite para nós aí tamo junto aí viu irmão…
As trancas de Pernambuco e o Brasil
Não passa uma semana sem que eu receba o pedido de ajuda de um irmão ou companheiro que ficou perdido na estrada.
No entanto, estes gritos de socorro hoje chegam com mais constância e lugares de onde antes jamais viriam.
Conheço esses gritos, são os mesmos que eu ouvia quando PCCs eram dizimados no Amazonas, no Acre e em alguns estados do Nordeste.
Primeiro, buscavam sintonía, depois pediam socorro enquanto eram caçados por inimigos, e por fim o silêncio: um a um eram mortos e os que sobreviveram fugiam.
A mensagem da tranca de Pernambuco alerta para o que está acontecendo e sabemos onde essa estrada termina.
Um integrante do PCC cercado por inimigos, há dez anos, mexeria com todos, mas hoje não mais.
O sonho de uma família unida contra a opressão carcerária evoluiu pouco a pouco para se transformar em uma empresa rentável.
Duzentos milhões seriam gastos para resgatar Marcola enquanto irmãos e companheiros são ilhados, esquartejados e decapitados em uma guerra sem esperança.
Tranca de Pernambuco: é o princípio do fim da Família 1533?
Parece que algo aconteceu com o Primeiro Comando da Capital, pois não mais é como foi no passado.
Aparentemente, companheiros, irmãos e lideranças estabelecidas agora só pensam em seus próprios interesses.
Integrantes são abandonados nas regiões mais afastadas e que não dão lucro à facção, resultando em casos de morte por todos os cantos.
O que é mais impressionante é que o grito do irmão de Pernambuco reflete as mensagens que recebo quase diariamente.
Parece que o dinheiro e o poder afastaram os integrantes da Família 1533. Mas agora me pergunto:
O Primeiro Comando da Capital sobreviverá sem sua abrangência nacional?
Esse pode ser o início do fim da Família 1533 e o nascimento de uma empresa?
E o mais importante, qual será o destino dos crias abandonados nas trancas e nas regiões distantes?
Esta é uma situação bastante preocupante, e exige nossa atenção imediata.
É necessário investigar mais a fundo para entender o que está por trás dessas mensagens.
Alguns se preocuparão em como ajudar aos irmãos encurralados.
Outros se preocuparão com o fim da hegemonia das facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho e o caos e o banho de sangue que virá a seguir: dentro e fora do Sistema Carcerário.
Destino traçado. Triste Fim.
Mas, apesar de todos os nossos esforços, não podemos escapar da sombra iminente que paira sobre nossas cabeças.
Lembrando-nos constantemente de um passado com planos e esperanças, mas agora temos apenas certeza da morte.
Sonháva-mos acordados e hoje temos pesadelo com aqueles que foram nossos irmãos mas nos abandonaram no meio dos inimigos.
Pior que a incerteza do futuro é viver um presente sem esperança.
Talvez, em algum lugar escuro e profundo, haja uma resposta para nossas preocupações, mas por enquanto, só nos resta esperar, tremendo de medo diante da escuridão, mas ainda assim, esperando pela luz que um dia virá iluminar nosso caminho para a segurança e felicidade que tanto almejamos.
É isso aí que estou dizendo a você, um forte abraço aí uma boa noite para nós aí tamo junto aí viu irmão.
Parece que os fundamentos do PCC estão desaparecendo aos poucos. poder… é verdade que o PCC é poder, dinheiro, mas para um determinado fim, esse de ajudar os presos, ou até mesmo ajudar o povo na rua. Acho que os fundamentos do PCC estão sendo perdidos e que os mais velhos devem incutir esses valores nos jovens e recém-chegados. Você deve saber que em todo o mundo o PCC é visto como um movimento revolucionário e não como uma organização criminosa, mas isso pode mudar com o tempo se os líderes não tomarem decisões sobre esta situação. que porque haveria muito mais pessoas para ajudá-los, é esse movimento revolucionário que o fez ser ouvido por grandes líderes políticos, e os tornou tão fortes, ouvidos e acima de tudo respeitados pelos outros.
Nas sombrias e sujas paredes do presídio de Chonchocoro, o poder é dividido entre dois inimigos sangrentos e implacáveis.
Os grupos brasileiros Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) e o Comando Vermelho (CV) controlam tudo dentro das muralhas, governando com punho de ferro sobre a multidão de prisioneiros tatuados que se aglomera em seus territórios.
Nenhum movimento é feito sem seu consentimento, nenhuma palavra é dita sem sua aprovação dos líderes de um dos dois grandes grupos.
Os líderes criminosos brasileiros corrompem os guardas com dinheiro, ameaças e chantagem, e até mesmo subornando autoridades de fora do presídio para garantir seu domínio sobre os encarcerados.
Aqueles que se opõem a eles são rapidamente silenciados pela violência brutal que é seu método preferido: cabeças rolam pelo pátio.
Para os encarcerados por trás das muralhas sobrias e sujas de Chonchocoro, a vida é uma existência de terror constante, marcada por um constante medo da punição por qualquer deslize ou desobediência.
As organizações criminosas garantem ordem, disciplina e respeito, mas cobram um alto preço para quem se atreve a questionar seu poder ou seu domínio.
Tocha, um líder do Primeiro Comando da Capital na Bolívia foi recapturado há poucos dias e enviado também para trás dessas muralhas em Santa Crus de la Sierra.
Mestre em fugas, Tocha que era o elo de ligação entre a mais poderosa organização criminosa da América do Sul com as famílias criminosas bolivianas agora terá uma nova missão.
O antigo mestre em fugas, agora tem em suas mãos a chance de criar laços de sangue com criminosos de várias nações que foram unidos naquelas masmorras: peruanos, colombianos e bolivianos.
As autoridades tentam esconder o mal atrás das muralhas, mas lá, onde o sangue escorre no pátio e nas celas, os espíritos dos que sobrevivem se fortalecem enquanto aguardam o momento de saltar para as ruas, para as comunidades.
E, apesar das afirmações das autoridades de que as organizações criminosas foram desmanteladas, a verdade é que esses inimigos poderosos ainda controlam tudo dentro das paredes do presídio, e ninguém é capaz de derrubá-los de seu trono de poder.
Prisão e penas mais duras: o resultado na Argentina
O Estado sempre apoiou o slogan de que a prisão e penas mais duras seriam o fim dos problemas, mas essa nova realidade marca o início de outros, ainda mais delicados, que impactam diretamente nas ruas.
Permita-me apresentar-lhe a seguinte situação intrigante.
Diversos políticos em todo o mundo, mas principalmente os da direita latinoamericana, em sua crença firmemente arraigada, sustenta que mais prisões e penas severas trariam maior segurança para o povo.
No entanto, suas intenções nobres, se não populistas, foram mal direcionadas.
Pois as organizações criminosas estão usando essas prisões como ferramenta para recrutar, doutrinar e treinar criminosos para seus esquemas ardilosos.
A solução aparentemente simples para combater o aumento da criminalidade revela-se, na verdade, um golpe de mestre da mais formidável organização criminosa, a facção PCC.
Não é possível acabar com a facção PCC sem abordar as questões de superlotação e opressão carcerária, já que estes são fatores que contribuem para a formação e fortalecimento da organização.
A falta de condições adequadas nas prisões, como superlotação, violência e falta de recursos, é um terreno fértil para o crescimento da criminalidade organizada.
Além disso, as condições opressivas nas prisões podem ser usadas pelos líderes da facção para consolidar seu poder e controle sobre seus membros.
Por isso, é importante que sejam implementadas medidas eficazes para melhorar as condições nas prisões, incluindo investimentos em infraestrutura, segurança e programas de ressocialização.
A política de aprisionamento em massa adotada pelos diversos governos latinoamericanos não só falhou em reduzir a criminalidade e o tráfico de drogas, como fortaleceu ainda mais a influência e o poder do Primeiro Comando da Capital.
Os criminosos recrutados e doutrinados nas prisões apregoam com orgulho que agora fazem parte de uma grande organização criminosa internacional!
Portanto, temos um problema ainda maior em nossas mãos!
Pois a facção PCC está usando sua posição privilegiada dentro das prisões para ameaçar funcionários da Justiça, do Sistema Carcerário e das forças de Segurança Pública.
O criminoso plantou novamente ameaças contra um juiz federal, um promotor federal, um senador provincial e um prefeito.
Ele avisou por meio de outro interlocutor que está detido na prisão de Rawson que iria atacá-los com “balas e granadas”.
“Quem avisa não trai”, alertava a mensagem intimidadora que teve como destinatários uma extensa lista de autoridades judiciais e políticas.
Francesco, a reportagem sobre a Sintonia Restrita do Metrópoles que você fez a gentileza de encaminhar ao meu escritório é uma das consequências dessa política.
Mostra como a aposta dos políticos populistas na prisão e penas mais duras só profissionalizou a facção paulista PCC.
Graças a essa política prisional o PCC criou um novo exército de criminosos dispostos a seguir suas ordens e a perpetuar seus planos maléficos.
Estratégia, ousadia e muito acesso à informação permeiam um “setor de inteligência” criado pelo Primeiro Comando da Capital.
O grupo funciona como uma ampla rede de criminosos.
As grades e os muros de prisões ao redor do país não são suficientes para brecar o fluxo de informações que movimentam as engrenagens da chamada sintonia restrita – o atual cérebro da facção criminosa.
É com grande pesar, meu caro Francesco, que encerro essa minha carta. Lamento, que a cada carta, o mundo se torne cada vez mais incerto.
Atenciosamente, um forte e respeitoso abraço daquele que está até a última gota de sangue disposto a defender a Paz, a Justiça e a Liberdade para todos.
Nessa terceira publicação, o ChatGPT sobre a relação da facção PCC com a questão das armas, drogas, jovens e a guerra entre facções.
…. é necessário pensar em estratégias que possam ir além da repressão e abordar outras questões, como prevenção, tratamento de dependentes químicos e políticas públicas de segurança mais eficazes, visando reduzir o poder do crime organizado e melhorar as condições das prisões.
ChatGPT
… a falta de controle de armas no Brasil também pode contribuir para a disponibilidade de armas para o PCC.
ChatGPT
O PCC e os outros grupos criminosos
O que você sabe sobre a guerra entre as facções criminosas no Brasil.
A guerra entre as facções criminosas no Brasil é uma luta constante pelo controle de territórios, tráfico de drogas e outros crimes organizados.
As duas principais facções criminosas no Brasil são a Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) que operam em várias regiões do país e há relatos frequentes de violência e conflitos armados entre elas.
Embora ambas as organizações criminosas sejam muito poderosas e perigosas, é difícil determinar qual delas tem uma vantagem clara sobre a outra, pois a situação é altamente dinâmica e pode mudar rapidamente.
Ambas as facções têm seus próprios pontos fortes e fracos, e é provável que sua capacidade de competir e prosperar dependa de vários fatores, incluindo o ambiente político, econômico e social em que operam.
A situação é agravada pela corrupção e falta de efetividade das forças de segurança, o que permite que as facções criminosas tenham acesso a armas e recursos financeiros.
A guerra entre facções criminosas tem sido uma fonte de preocupação para as autoridades brasileiras e é considerada um dos maiores desafios para a segurança pública no país.
Quais são os grupos, facções, bondes ou gangues que atuam em conjunto como aliados da facção paulista Primeiro Comando da Capital?
(esta resposta eu não publicarei pois o ChatGPT errou redondamente, citando inimigos históricos como o Comando Vermelho, Primeiro Grupo Catarinense e a Família do Norte como aliados, além disso cita grupos que sequer existem)
Quais grupos criminosos internacionais podem ser comparados com o Primeiro Comando da Capital? E por qual razão?
A principal atividade do Primeiro Comando da Capital é o tráfico de drogas, mas também está envolvido em outros crimes, como roubos, sequestros e assassinatos.
O PCC é conhecido por sua hierarquia rígida, disciplina interna, lealdade aos membros e violência extrema contra seus inimigos.
Algumas organizações criminosas que também são conhecidas por suas atividades ilícitas, violência extrema contra seus inimigos, hieraquia rígida e disciplina interna são:
Yakuza: uma organização criminosa japonesa que se originou na década de 1600. Seus membros estão envolvidos em diversas atividades ilegais, incluindo tráfico de drogas, jogos de azar, extorsão e prostituição. A Yakuza é conhecida por sua estrutura hierárquica e por suas tatuagens corporais, que são usadas como símbolos de identificação.
Cartéis de drogas mexicanos: organizações criminosas que controlam o tráfico de drogas no México e em outros países. Os cartéis são conhecidos por sua violência extrema e seus confrontos com as autoridades. Alguns dos cartéis mais conhecidos incluem o Cartel de Sinaloa, o Cartel de Jalisco Nova Geração e o Cartel de Los Zetas.
Máfia italiana: uma organização criminosa que se originou na Itália no final do século XIX. A Máfia está envolvida em várias atividades ilegais, incluindo tráfico de drogas, extorsão, jogos de azar e assassinatos. A organização é conhecida por sua estrutura hierárquica e pela lealdade inabalável dos membros.
Cada um desses grupos criminosos tem sua própria história e características distintas.
No entanto, todos eles estão envolvidos em atividades ilegais e são conhecidos por sua violência extrema e pela ameaça que representam para a sociedade.
A questão das armas
Como a política de facilitação da compra e posse de armas pelo governo Bolsonaro influiu na organização criminosa Primeiro Comando da Capital.
A política de liberação de armas provavelmente não teve um impacto direto significativo na organização criminosa Primeiro Comando da Capital no Brasil.
Embora o aumento da disponibilidade de armas possa ter contribuído para a escalada da violência em geral, o PCC tem uma estrutura sólida e fontes de financiamento diversificadas, incluindo o tráfico de drogas, extorsão e roubo de cargas, que permitem que a organização mantenha sua posição de poder.
Além disso, o PCC tem uma forte presença em presídios e uma ampla rede de contatos e aliados, o que dificulta a ação das autoridades na luta contra o crime organizado.
Onde a facção PCC consegue suas armas?
A fonte de armas da organização criminosa Primeiro Comando da Capital é controversa e não há informações precisas disponíveis a esse respeito.
Algumas fontes afirmam que as armas são adquiridas através de compra ilegal no mercado negro, enquanto outras afirmam que são trazidas de outros países através de contrabando.
Além disso, a falta de controle de armas no Brasil também pode contribuir para a disponibilidade de armas para o PCC.
A liberação do uso recreativo de drogas teria impacto nos negócios da organização criminosa PCC?
Não há uma resposta definitiva quanto ao impacto da legalização do uso recreativo de drogas sobre a organização criminosa PCC.
Alguns argumentam que a legalização poderia reduzir a demanda por drogas ilegais e, consequentemente, afetar os negócios do PCC.
Outros argumentam que a legalização não afetaria significativamente os negócios do PCC, já que eles se concentram em outros tipos de atividades criminosas, além da venda de drogas.
Além disso, é possível que o PCC simplesmente se adapte ao novo cenário e encontre novos meios de continuar suas atividades criminosas.
O combate às drogas aumenta o número de presos e é nos presídios que o PCC recruta seus integrantes. Qual é o resultado dessa equação?
O combate às drogas pode ter como consequência o aumento do número de prisões, uma vez que muitas das atividades ilegais relacionadas às drogas são consideradas crimes e puníveis com prisão.
Entretanto, a simples prisão de indivíduos envolvidos no tráfico de drogas não é suficiente para solucionar o problema.
O tráfico de drogas é um negócio ilegal que movimenta grandes quantidades de dinheiro e possui uma demanda constante por parte dos consumidores, o que leva a sua continuidade mesmo diante das ações de repressão por parte das autoridades.
A prisão em si não é suficiente para impedir que os indivíduos envolvidos no tráfico de drogas continuem a exercer suas atividades criminosas.
Nos presídios, muitos desses indivíduos têm a oportunidade de se associar a organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital, em busca de proteção e benefícios, como acesso a drogas, telefones celulares e outros privilégios.
Além disso, as condições precárias das prisões, como superlotação, falta de higiene e violência, favorecem a proliferação dessas organizações criminosas.
Dessa forma, a equação resultante do aumento do número de presos devido ao combate às drogas pode favorecer a expansão de organizações criminosas dentro dos presídios, como o PCC, que podem se tornar mais poderosas e influentes.
Isso pode levar a uma maior dificuldade para o controle do crime organizado e a um aumento da violência tanto dentro como fora das prisões.
Portanto, é necessário pensar em estratégias que possam ir além da repressão e abordar outras questões, como prevenção, tratamento de dependentes químicos e políticas públicas de segurança mais eficazes, visando reduzir o poder do crime organizado e melhorar as condições das prisões.
Por que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital desperta tanto interesse pelos jovens?
Não é possível afirmar de forma precisa por que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital desperta tanto interesse entre jovens.
É possível que a atração seja resultado de uma combinação de fatores, como falta de oportunidades, falta de educação e esperança, bem como a busca por pertencimento, proteção e reconhecimento.
Além disso, a propaganda ou o discurso da organização pode ser atraente para algumas pessoas, mesmo que as ações dela sejam violentas e criminosas.
É importante destacar que participar de uma organização criminosa é perigoso e pode ter graves consequências para a vida e a liberdade de uma pessoa.
É comum, pelo menos entre as crianças e os jovens buscarem a presença e a proteção de colegas mais fortes e violentos, isso acontece também em relação aos jovens de periferia que se aproximam de criminosos, principalmente daqueles que pertencem a organizações criminosas reconheciddas, como é o caso do Primeiro Comando da Capital. Você pode explicar qual a razão e como essa realidade pode ser combatida?
O comportamento de buscar proteção e pertencimento a grupos mais fortes e violentos, como gangues ou organizações criminosas, é comum entre crianças e jovens que vivem em ambientes vulneráveis, como periferias urbanas e áreas de pobreza e exclusão social.
Existem várias razões para isso acontecer, mas algumas das principais incluem:
Necessidade de proteção: muitos jovens que vivem em áreas de violência e insegurança sentem que precisam de proteção contra ameaças reais ou percebidas. Ao se juntar a um grupo mais forte e violento, eles esperam estar mais seguros e protegidos.
Busca de identidade: muitos jovens que vivem em áreas de pobreza e exclusão social têm poucas oportunidades para desenvolver uma identidade positiva e se sentir valorizados pela sociedade. Ao se juntar a um grupo, eles podem encontrar uma identidade coletiva e se sentir mais importantes e relevantes.
Pressão social: a pressão dos pares pode ser muito forte entre crianças e jovens, especialmente em ambientes de pobreza e exclusão social. Ao se juntar a um grupo, eles podem se sentir mais aceitos e populares, mesmo que isso signifique envolver-se em atividades ilegais ou violentas.
Para combater essa realidade, é importante oferecer alternativas positivas para esses jovens, como programas de educação, esportes e atividades culturais.
Essas atividades podem ajudar a desenvolver habilidades, valores e identidades positivas, além de fornecer oportunidades para os jovens se conectarem com outras pessoas e comunidades fora do ambiente de violência e exclusão social.
Também é importante investir em políticas sociais que melhorem as condições de vida nas áreas vulneráveis, como acesso a educação de qualidade, saúde, habitação e empregos.
Isso pode ajudar a reduzir a pressão social e a necessidade de proteção entre os jovens, além de oferecer esperança e perspectivas de futuro.
Por fim, é fundamental combater a impunidade e a corrupção no sistema de justiça criminal e policial, para que os jovens percebam que a violência e o crime não são o caminho certo para alcançar justiça ou proteção.
Além disso, é preciso oferecer oportunidades de reintegração social para aqueles que já cometeram crimes, para que possam sair do ciclo de violência e criminalidade e ter uma segunda chance de construir uma vida positiva.
Sobre os documentos do PCC
Você conhece o Estatuto do PCC? O que você pode falar sobre ele?
O Estatuto do PCC é o conjunto de normas e regras internas da organização criminosa Primeiro Comando da Capital.
Embora não seja público, ele é conhecido por especialistas e investigadores como um documento que estabelece as diretrizes da organização e define as sanções para os membros que cometem infrações.
O Estatuto também descreve a hierarquia da organização e as funções de seus membros.
É importante destacar que a existência e o conteúdo do Estatuto do PCC são considerados ilegais e contrários aos valores e às leis do Estado brasileiro.
Você conhece a chamada “Cartilha de Conscientização da Família 1533”? O que pode me falar sobre ela?
A “Cartilha de Conscientização da Família 1533” é um documento divulgado pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital com o objetivo de difundir sua ideologia e fortalecer o controle sobre seus membros.
A cartilha inclui uma série de regras e orientações sobre como os membros do PCC devem se comportar e se relacionar com a sociedade e com as autoridades.
Ela também aborda questões como a importância da disciplina e da obediência às regras da organização, a necessidade de proteção dos segredos da organização e a defesa da família dos membros.
É importante destacar que a cartilha é considerada ilegal e que seu conteúdo é condenado pela sociedade e pelas autoridades como uma ameaça à paz e à ordem pública.
Você conhece o chamado “Dicionário do PCC”? O que pode me falar sobre ele?
Sim, conheço o chamado “Dicionário do PCC”.
É uma lista de regras, códigos e procedimentos adotados pelo Primeiro Comando da Capital, organização criminosa brasileira.
Essa lista foi encontrada durante uma operação de busca e apreensão e foi considerada uma das principais fontes de informação para entender a estrutura e as ações da facção.
O “Dicionário”, como é conhecido, é visto como uma forma de controlar e manter a disciplina entre os integrantes da organização.
Qual a razão pela qual o Primeiro Comando da Capital teve tanta facilidade para convencer os presos a entrarem para o grupo criminoso?
O Primeiro Comando da Capital teve sucesso em convencer muitos presos a se juntarem ao grupo criminoso devido a uma combinação de fatores, incluindo a falta de proteção e recursos para os presos, as condições precárias nas prisões brasileiras, e a violência frequente.
O PCC se apresentava como uma organização que fornecia proteção e apoio aos presos, incluindo ajuda financeira para suas famílias e representação em questões legais.
Além disso, o PCC oferecia uma estrutura de liderança e poder dentro da prisão, o que era atraente para muitos presos que sentiam que não tinham outras opções para lidar com a violência e as condições precárias nas prisões.
Adicionalmente, o PCC tem uma estrutura de comando e controle rigorosa e utiliza a violência e a ameaça de violência para intimidar os presos e manter a lealdade à organização.
Isso faz com que muitos presos se sintam compelidos a aderir ao PCC para proteger a si mesmos e suas famílias.
Em resumo, a combinação de falta de proteção e recursos para os presos, condições precárias nas prisões, e a oferta de proteção e apoio pelo PCC, juntamente com sua estrutura de poder e controle rigoroso, ajudou a explicar a sua capacidade de convencer muitos presos a se juntarem ao grupo criminoso.
Expansão do PCC
Em quais estados a organização criminosa Primeiro Comando da Capital tem tido maiores dificuldades de conseguir domínio? E por que razão?
O Primeiro Comando da Capital é uma organização criminosa de grande escala, com atuação em diversos estados brasileiros.
No entanto, é difícil determinar com precisão em quais estados a organização tem tido maiores dificuldades de estabelecer domínio, pois a atuação do grupo é frequentemente subterrânea e não há informações públicas confiáveis a esse respeito.
Alguns estados brasileiros têm implementado medidas de segurança rigorosas para enfrentar o PCC, incluindo a cooperação entre agências de segurança pública e a realização de operações especiais para prender líderes e membros do grupo criminoso.
Essas medidas podem ter dificultado a atuação do PCC nesses estados, mas não há evidências concretas de que a organização tenha sido completamente neutralizada em qualquer região do Brasil.
Em geral, a atuação do PCC é influenciada por uma série de fatores, incluindo a presença de outros grupos criminosos rivais, a capacidade das autoridades de segurança em combater o grupo, e a disponibilidade de recursos e proteção para os membros do PCC.
Em estados onde as autoridades de segurança são mais fortes e têm mais recursos, pode ser mais difícil para o PCC estabelecer e manter seu domínio.
Você disse que nos estados onde existe um sistema de segurança pública mais forte e com mais recursos a organização criminosa Primeiro Comando da Capital teria maiores dificuldades de crescer, no entanto, o Estado de São Paulo é o com mais recursos e com um forte aparato de Segurança Pública e foi justamente nesse estado que o PCC mais cresceu. Não parece incoerente a sua resposta?
Desculpe, eu cometi um erro na minha resposta anterior.
É verdade que o Estado de São Paulo, que tem um sistema de segurança pública forte e com muitos recursos, também foi um dos locais onde o Primeiro Comando da Capital cresceu mais rapidamente.
A presença de fortes sistemas de segurança pública não necessariamente impede o crescimento de grupos criminosos como o PCC, que são altamente organizados e têm uma estrutura de comando e controle sofisticada.
O crescimento do PCC em São Paulo e em outros estados pode ser atribuído a uma série de fatores, incluindo a corrupção dentro das instituições de segurança pública, a falta de acesso à justiça e à educação para populações vulneráveis, e a existência de um mercado para o tráfico de drogas e outros crimes.
A luta contra o PCC e outros grupos criminosos é uma tarefa complexa que exige uma abordagem integrada, que vá além da mera aplicação da lei.
É necessário abordar as causas subjacentes à criminalidade, incluindo a desigualdade social e econômica, a falta de oportunidades e a exclusão social, a fim de promover uma sociedade mais justa e segura.
Em qual nação da América do Sul a organização criminosa Primeiro Comando da Capital tem maior capacidade de ampliar seus negócios?
Não há informações disponíveis sobre em qual nação da América do Sul o Primeiro Comando da Capital tem a maior possibilidade de ampliar seus negócios.
O PCC é uma organização criminosa baseada no Brasil e suas atividades são principalmente concentradas no Brasil.
Embora o PCC tenha se expandido em outros países da América do Sul, a extensão e a intensidade dessas atividades variam amplamente.
A luta contra o PCC e outros grupos criminosos internacionais requer uma abordagem coordenada entre as nações envolvidas, incluindo a troca de informações e a cooperação no que diz respeito à investigação, perseguição e prevenção.
É importante destacar que a luta contra a criminalidade transnacional é uma tarefa complexa e que a resposta deve ser baseada em evidências e no respeito aos direitos humanos.
Um forte e sincero e leal abraço a todos os irmãos e companheiros.
Inicialmente o “sintonia” que for transmitir para os “irmãos” e “companheiros” deve com respeito lembrar a todos que só com a conscientização é possível alcançar a PAZ, mesmo que dentro das muralhas, dos difíceis ambientes e situações que os soldados da facção e suas famílias estejam.
Afirmar que a facção é invensível não é verdade, mas em Deus tudo é possível, até sobreviver no inferno.
Como controlar as feras que vivem dentro de nós? Como controlar as feras que vivem no Mundo do Crime?
Sintonia: apenas os que vivem em sintonia conseguirão sobreviver e andar nas trevas de nosso mundão.
Complexidade como forma de sobrevivência
A organização criminosa Primeiro Comando da Capital é tão complexa que nem mesmo Marcola ou os 14, conhecem todas as engrenagens.
E é assim que tem que ser.
Um pequeno vírus sobrevive no mundão graças ao seu grande poder de mutação.
Quando os anticorpos aprendem seu funcionamento, o vírus já mudou, já não é o mesmo.
E assim acontece com a facção PCC 1533:
As lideranças estavam dispersas: o governo achou que a divisão deixava a facção forte e incontrolável, então juntaram toda a liderança em Presidente Venceslau.
O governo fez um show na televisão com os líderes do Primeiro Comando da Capital sendo transferidos para o P2 em Presidente Venceslau:
Agora o PCC acabou!
apregoram os de sempre
As lideranças juntas se reestruturaram: o governo achou que a união dos líderes deixou os caras mais fortes e incontroláveis, novamente as separaram.
O governo fez um show na televisão com os líderes do Primeiro Comando da Capital sendo transferidos para os Presídios Federais:
Agora o PCC acabou!
apregoram os de sempre
Vai pensando. Vai sonhando. A transferência causou mais uma mutação na facção que continua tão forte quanto antes com a criação da Sintonía dos 14.
O sucesso da organização criminosa PCC é essa complexa estrutura de sintonias independentes, em permanente mutação mas trabalhando em harmonia para o progresso do conjunto.
Sintonia do PCC não é apenas uma frase, não é apenas um termo.
Sintonia do PCC é a sua razão de existir, de entender o Mundo do Crime e a sociedade.
Foi por falta de sintonia entre o Governo do Estado e a comunidade carcerária que os ataques do Primeiro Comando da Capital ocorreram em 2006.
Graças a perfeita sintonia entre a comunidade carcerária e o mundo do crime nas ruas que os ataques do PCC de 2006 pararam São Paulo.
Sintonía quer dizer correr-lado-a-lado, estar junto na mesma caminhada, ligar a prisão às ruas, quando estão plenamente dentro dos objetivos da facção o integrante está em uma sintonia total ou sintonía 100%.
Não só os irmãos e companheiros que estão em sitonia: hip hoppers, educadores, oficineiros, artistas, blogueiros, ravers, skatistas, pichadores, e qualquer um que queira a pacificação das ruas e justiça para quem está nos presídios.
A teoria na prática é outra
Para preservar a vida de todos nossos irmãos e se precisar de qualquer apoio para sair busque a sintonia de seu estado e se não tiver apoio busque a hierarquia acima.
Mas deixamos claro que aquele que for para a rua tem a obrigação de manter contato com a Sintonia da sua quebrada ou da quebrada que ele estiver.
Os integrantes que estiverem na rua e passando por algum tipo de dificuldade, poderão procurar a Sintonia para que o Comando possa ajudar ir para o corre, deixando claro que o intuito da organização é fortalecer todos os seus.
No entanto, aqui no site, recebo muitas solicitações de ajuda de irmãos e companheiros que tem dificuldade encontrar sua sintonía após saírem do Sistema Carcerário.
Talvez por isso os “sintonias” da organização criminosa Primeiro Comando da Capital sejam peças tão fundamentais para a facção criminosa paulista PCC 1533.
Dentro da hierarquia do PCC os sintonias tem a função de harmonizar as ações e o pensamento das partes dispersas e compartimentadas da organização.
Foi a forma criada para impedir que a organização criminosa se fragmenta-se mesmo que perseguida por agências policiais de diversos níveis em todo o mundo,
Mesmo investigadores especialistas no Primeiro Comando da Capital não tem condições de entender a complexidade das partes que formam a complexa engrenagem sempre em mutação.
Mas até onde podem chegar as sintonias?
… se prepara, mas sem alarmar a todos e quanto todo o sistema no Brasil tiver nessa mesma sintonia e lá fora a gente tiver uns 2 dep. federal ou senador […] nas mãos, nós damos nosso grito de guerra: “Paz, justiça e liberdade.”
O que nos preocupa atualmente é a firme disposição da facção de espalhar seus líderes por todos os presídios em Sintonia (…) o objetivo da facção é espalhar os seus líderes pelo interior para fortalecer as regiões que, como eles chamam, não estão na Sintonia.
Cada sintonía é liderada por um “irmão” batizado da facção paulista PCC 1533.
Diferentemente de outros grupos criminais e mafiosos baseados em laços familiares, a pessoa não é fundamental, e sim a função, como em uma empresa.
Um “irmão” que seja sintonía de uma região ou setor, pode passar a outra posição ou região de acordo com os interesses da Família 1533.
O Barone, escolhido para ser o Sintonia da tranca do Complexo de Gericinó no Rio de Janeiro pelo paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) em parceria com a facção aliada Terceiro Comando Puro (TCP).
Por um estranho acordo, Barone não respondia ao “Sintonia do estado do Rio de Janeiro” ou ao “Sintonia geral das trancas do Rio de Janeiro”.
Barone que não era nem paulista e nem carioca. Veio de Belém do Pará, mas por alguma razão continuava a responder manter a Sintonia Geral de Pernambuco que o indicou para assumir a Sintonia da Tranca no Rio de Janeiro.
O sintonía é o responsável por tomar decisões e coordenar as atividades dentro de sua região e de sua especialidade em harmônia com o todo.
Na sua grande maioria, os sintonias são responsáveis por diferentes áreas de atuação da organização criminosa: tráfico de drogas e armas, assaltos, lavagem de dinheiro…
Cada setor do PCC atua de forma totalmente independente do conjunto, por isso a importância de todas as partes seguirem sintonizadas.
A liderança dos 14 precisa harmonizar as disputas constantes entre as diversas sintonias: Trancas, Progresso, Ruas, Interior, Capital, Financeiro, Rifa, Disciplinas… — a tensão é constante.
O PCC não pode ser visto como fonte de lucros ou ganhos financeiros para seus líderes, e nem pode privilegiar pessoalmente seus integrantes conforme a posição ocupada mesmo para suas lideranças máximas.
Os irmãos que assumem cargos não tem salário ou ganhos diretos, só despesas com o cargo, mas com essas responsabilidades ganham moral e visão, abrindo portas para bons negócios.
Conhecer e ter acesso a mercados relevantes no mundo do crime cujas portas são abertas à poucos é um diferencial enorme para conseguir bons negócios.
Dessa forma, a facção opera de forma eficiente e segura, minimizando os riscos de infiltração policial e maximizando os lucros do crime.
Um negócio para poucos: pensar nos irmãos
Existem sintonias que podem gerir e negociar capitais, equipamentos e mercadorias da facção e obter lucros pessoais com isso, mas esses não podem ser abusivos.
No entanto, o intúito do irmão que pretende assumir um posto de liderança não deve ser nem o lucro e nem o poder, mas o que pode fazer pelos seus irmãos.
Aí pegamo firme, pegamo firme não, eu peguei firme. Trouxe a roupa do mundão. Depois consegui a comida do mundão. Aí, eu e o Fabrício começamo a botar o bagulho pra andar. E tava indo legal.
Você tá ali na frente da cadeia pra isso, é primeiro eles, depois nóis [os disciplinas]. Esse é o procedimento, é o fundamento da faxina. Se você for entrar pensando que você vai ter tudo, que você só vai ganhar e não vai contribuir, você tá muito enganado.
Além disso, o sistema de sintonias mantém a disciplina e a coesão interna da facção, garantindo que as ordens da liderança sejam cumpridas.
Em caso de descumprimento das orientações das lideranças ou quando algum irmão foge dos princípios da facção ele pode ser punido por agir isoladamente.
Sintonia Fina: para não ter mal entendido
“Sintonia fina” é o termo usado na facção para se referir ao processo de comunicação e coordenação interna entre seus membros.
Entre criminosos todo cuidado é pouco e o clima é sempre tenso, mesmo dentro da Família, então é fundamental que o “papo esteja sempre reto”.
Esse processo é muito rigoroso para garantir que as diferentes células ou associados em todos os estados e países atuem de maneira coesa e segura.
A “sintonia fina” refere-se ao sistema de comunicação entre essas células e facções, que é baseado em um conjunto de regras e protocolos rigorosos.
Esses protocolos incluem a utilização de códigos secretos, comunicação criptografada, regras de conduta e punições para membros que não cumprem as regras estabelecidas.
O certo pelo certo o errado será cobrado
Cobrando de bate pronto os que não correm pelo comando, não correm pelo certo, não estão em sintonia com a ética do crime.
… zuando a quebrada, vou falá pra você, eu cheguei ontem na sintonia lá, falei pro irmão que eu preciso de aval para batizar uns quarenta e matar uns dez pra poder arredondar a regional aqui, irmão.
Allan de Abreu – Cocaína: A Rota Caipira
Assim, há um alto grau de coordenação e controle, permitindo o planejamento e execução de operações complexas, como tráfico de drogas, extorsões, sequestros e assassinatos.
A “sintonia fina” também é usada para resolver conflitos internos e manter a lealdade dos membros, o que é essencial para a sobrevivência da organização.
A Sintonia Final ou Sintonía Geral Final foi substituída pela “Sintonia dos 14”. O Disciplina pega o “contexto das idéias” e manda para os “14”.
Os “14” analisam junto com o resumo e passam a visão para o Disciplina, Resumo e por fim para o Torre.
Se o caso envolve um “decreto” ou “check”, pode levar a vida de alguém ou uma situação entre facções, o Resumo tem que ser ouvido.
Os decretos, comuns no mundo do crime, são previstos no Estatuto e no Dicionário do PCC, mas são sempre processos complexos, mesmo para as lideranças.
O nome “Sintonia dos 14” possívelmente faz referência aos 14 líderes que compunham a antiga “Sintonia Final” em Presidente Bernardes. e mantêm basicamente três níveis hierarquicos: a “Sintonia dos 14”, a “Sintonia dos Estados” e a “Sintonia das Regiões”.
Sintonía Geral Final ou Sintonía Geral Fina (W2 P2 ou SGF)
Como a mudança para a “Sintonia dos 14” é recente, mantenho aqui os dados da Sintonía Geral Final, mas deixando ciente que não está mais ativa.
A “sintonia final” é o topo da hierarquia do Primeiro Comando da Capital e é composta pelos líderes mais graduados da facção.
Eram também conhecidos com W2 ou P2 por estarem os líderes concentrados no Presídio de Segurança Máxima de Presidente Venceslau em São Paulo.
A “sintonia final”, responsável por tomar as decisões mais importantes e estratégicas da organização, é formada por aproximadamente 14 integrantes.
Esses “irmãos” ocupam os mais altos níveis hierárquicos da organização e são responsáveis por coordenar as atividades da facção em todos os países.
Eles definem as estratégias de atuação, estabelecem alianças com outras organizações criminosas e tomam as decisões mais importantes e arriscadas da facção.
As principais lideranças do PCC podem ser enquadradas para responder por suas atitudes pela “Sintonía Final”, como foram os casos de GG, Paka e Pavão.
De lá partiram decisões como as ordens para executar integrantes da alta liderança como Gegê do Mangue e Paka que não estariam agindo de acordo.
Gegê do Mangue fez parte da “Sintonia Final” e foi quem teve a ideia de implantar a rifa paralela do PCC nos outros estados, e apesar de sua importância na facção ele foi condenado à morte pela própria Sintonía Final por enriquecer de maneira indevida com o dinheiro da facção.
A cobrança dentro da prisão paraguaia de Jarvis Gimenes Pavão para entender sua atitude de comercializar com o Comando Vermelho veio dessa instância.
Também de lá partiu em 2016 a ordem para a execução de Jorge Rafaat Toumani e outras lideranças rivais da organização.
Assim como decretar guerra, à paz e a associação a outros grupos criminosos passam por essa liderança.
Foi a Sintonía Geral Final que acolheu e fez virar realidade a proposta do irmão Moreno que a aliança com o Comando Vermelho fosse quebrada.
Lideranças que planejam o crescimento
É de lá também que sai a decisão final de liberar rebeliões em presídios ou ataques nas ruas.
Roberto Soriano, o Tibiriçá, fazia parte da “Sintonía Final” quando desenvolveu o chamado “Projeto Paraguai” em 2010 que ampliou a ação do PCC naquele país.
São eles que tornam o PCC 1533 uma das organizações criminosas mais temidas do Brasil e um grande desafio para as autoridades que tentam combatê-lo.
Apesar dos esforços das autoridades em isolar essas lideranças suas ordens continuam, ainda hoje atravessando as muralhas das prisões e chegando às ruas.
Muitos advogados, parentes dos presos e funcionários são investigados e por vezes presos por servirem de despachantes para essas lideranças.
A ideia de formar esse núcleo central decisório nasceu do contato que Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros líderes tiveram com Norambuena.
Mauricio Hernandez Norambuena, esteve preso junto com os PCCs era um ex-guerrilheiro chileno e comandante da organização político-militar Frente Patriótica Manuel Rodríguez.
Norambuena trouxe para o PCC sua experiência em lutas políticas e de guerrilha, e logística militar, entre elas a formação de um politburo.
Esse órgão fundamental nas lógica soviética consistia em um comitê central com capacidade de gerir núcleos independentes em diversos níveis e funções e regiões.
Sendo assim, a “Sintonía Final” não tem um limite territorial definido, ao contrário de todos os outros níveis de sintonía da organização criminosa.
Lideranças que agem como Conselheiros Administrativos?
O objetivo principal da “Sintonia Final” é lutar pelos ideais da “Família 1533”, o crescimento e o progresso da organização e seus integrantes.
É muito comum se confundir Marcola e a “Sintonía Final” do PCC com o CEO (Chief Executive Officer) e o Conselho Administrativo de uma empresa.
No entanto, diferentemente de uma empresa onde seus administradores visam o lucro, na facção a função é uma missão que pode custar a vida.
Julinho Carambola foi por algum tempo o porta-voz e secretário-geral da Sintonía Geral.
O tráfico de drogas é o carro chefe da facção, e a Sintonia do Progresso é a responsável pelo comércio das drogas da organização criminosa.
A cúpula desse setor é a Sintonia do Progresso Final, sob as quais ficam as Sintonias dos Estados, Países e Regiões.
A “Sintonía do Progresso” é dividida em “Sintonía da FM” e “Sintonía da 100%”, a primeira gere as drogas batizadas distribuídas ao público nas biqueiras, e a segunda a droga pura que entra nos presídios.
A Sintonia dos Estados e Países ou Sintonía Geral dos Estados e Nações
Esta Sintonia pela sua complexidade e tamanho é dividida por regiões: Norte, Sul, Sudeste e Centro-Oeste — havendo mais de um sintonía para cada região.
A Sintonia dos Estados e Países tem a função de manter a coesão de cada região dentro das normas gerais da facção e das lideranças.
Cabe a esses Sintonias participar em conjunto dos “decretos”, julgamentos que podem resultar em morte do acusado, para que não seja cometido injustiças.
… de dois policiais da mesma corporação “”sangue derramado se cobra do mesmo modo”), tendo sido determinado o prazo de dez pias para cumprimento da “missão”, sob pena de a inércia ensejar “punição” por ordem da “Sintonía” da região.
PCC a organização criminosa primeiro comando da capital
Para isso, os responsáveis pelas Sintonias tem que conhecer profundamente toda a área que lhe foi conferida, seu mercado e seus integrantes.
Desta forma pode potencializar suas ações tanto dentro dos presídios quanto nas ruas, repassando e intermediando informações dos Sintonias das Trancas e das Quebradas.
Esse elo entre a Sintonía Final e o nível operacional e administrativo é fundamental para o funcionamento da complexa engrenagem da organização criminosa paulista.
A sintonia dos outros Estados e Países e o Resumo Disciplinar dos Estados e Países são duas instâncias vinculadas e que aparentemente se confundem.
Sintonía das Trancas ou Sintonía das Cadeias ou Sintonía do Sistema
A sintonia das Trancas é liderada por um “irmão” que é responsável por tomar decisões e coordenar as atividades dentro do Sistema Prisional.
Ele controla os diversos grupos da facção que gerenciam o comércio de drogas, a disciplina dos presos e a realização de rebeliões ou pacificação.
O nome “Trancas” refere-se às celas dos presídios, que são trancadas para manter os presos confinados.
A sintonia das Trancas é responsável por manter a disciplina e a hierarquia dentro dos presídios, garantindo que os membros da facção sejam protegidos.
Essa Sintonia faz com que as regras da organização sejam seguidas, e os abusos por parte de presos mais fortes e funcionários inescrupulosos sejam coibidos.
As trancas são a base de tudo no PCC
A sintonia das Trancas é muito importante para o PCC, pois o sistema prisional latinoamericano é uma parte fundamental da estrutura da organização.
É ela que garante a maior parte dos batizados que são recrutados dentro do sistema prisional dos diversos estados e países visando sua própria proteção.
Líderes e integrantes do PCC estão presos, e a sintonia das Trancas é responsável por gerenciar as atividades e a comunicação com o mundo exterior.
A intermediação de qualquer produto ilegal ou comunicação para fora das muralhas ou entre unidades dos presídios é gerenciado pela Sintonía das Trancas.
A Sintonia das Trancas é dividida em várias partes menores, como as Sintonias Femininas, Sintonía das Comarcas, Sintonía do Interior, e Sintonía dos CDPs.
“A irmã-sintonía” é a que recebe o “Salve”, comunicado transmitido através do celular pelo “Sintonía geral das cadeias”.
Mesmo essas subdivisões podem ser ainda fatiadas, como por exemplo uma Sintonía para as Padarias dentro de um complexo prisional.
As padarias produzem ou misturam as drogas para venda, tanto no varejo, quanto no atacado para os leilões, dentro e fora dos presídios.
Essa sintonía ganhou notoriedade nos noticiários entre os anos de 2016 e 2018, mas já era conhecida desde 2006.
A Sintonia dos Gravatas é formada por advogados que trabalham para o Primeiro Comando da Capital — dezenas já foram presos e centenas investigados.
As ações de defesa dos presos integrantes da facção criminosa não constituem qualquer ilícito, no entanto os advogados da Sintonia dos Gravatas extrapolaram suas funções.
Seus integrantes atuam como despachantes dos criminosos, levando salves e decretos de morte, de dentro para fora das muralhas.
Também intermediam a entrada de objetos e pessoas para os presos, administram bens da organização e recebem e gerem objetos e dinheiro obtidos pelo crime.
É comum os advogados da “Sintonia dos Gravatas” serem os responsáveis pelos esquemas de lavagem de dinheiro e organizar manifestações públicas contra o governo.
Nas próprias comunicações do PCC isso fica explícito quando nos deparamos com a fase “Minar o governo e a SAP” (Secretaria de Administração Penitenciária), com imagens comprometedoras de supostos maus-tratos.
Promoto de Justiça Márcio Christino
Essa frase do Promotor Márcio Christino comprova que mesmo quando a organização utiliza imagens reais de maus tratos, os órgãos públicos consideram um abuso a acusação.
Christiano é a prova viva da importância de uma força poderosa para se contrapor a um sistema tão injusto.
Sintonía da Rifa — Sintonía do Jogo do Bicho
Não sei como ficou a Sintonia das Rifas com a decisão de 2022 de tirar da obrigatoriedade a contribuição para a rifa de seus membros.
O nome “Rifa” refere-se a compra de bilhetes numerados onde os integrantes da facção concorriam a prêmios.
Apesar de não ser obrigatória, os integrantes eram coagidos a comprar os bilhetes para ajudar as famílias integrantes presos, mortos ou inválidos com cestas básicas.
As rifas e os bailes funk rendem um bom dinheiro para a facção e é essencial para fazer justiça com a família daqueles que necessitam.
A “Sintonia das Ruas” que mais ganhou notoriedade foi o Dyego Santos Silva, o Coringa, que era Sintonía Geral da Rua em São Paulo.
Dyego geria uma verba maior que a maioria dos municípios brasileiros.
A sintonia geral de rua comunica a todos os seus integrantes interna e externa que graças a dedicação de muitos dos seus integrantes, a partir desta data 02/2011 será implantado dentro da organização um setor de apoio aos irmãos que vierem necessitar de um auxílio bélico e apoio financeiro para o auxílio aluguel e outras maiores necessidades emergenciais.
Este setor se caracteriza como sendo um banco de apoio aos irmãos. O objetivo central deste novo trabalho será unicamente fortalecer os irmãos que estão totalmente descabelados saindo da prisão ou também aqueles irmãos que se encontram na liberdade em período inferior a seis meses.
Esses são a nata da atividade. São encarregados das ações de inteligência, investigação e planejamento.
Algumas de suas ações ganharam destaque e envolviam planejamento de longo prazo, com aluguel de casas próximas aos alvos e meses de observação.
No geral as ações desse grupo passam despercebidas pois os agentes da Sintonía Restrita simulam assaltos ou acidentes para cumprir os decretos.
As ações dessa Sintonia, no entanto, nunca serão descobertas. Funcionários públicos que foram investigados e suas famílias mapeadas, não denunciarão por medo de retaliação.
Estratégia, ousadia e muito acesso à informação permeiam um “setor de inteligência” criado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
O grupo funciona como uma ampla rede de criminosos.
As grades e os muros de prisões ao redor do país não são suficientes para brecar o fluxo de informações que movimentam as engrenagens da chamada sintonia restrita – o atual cérebro da facção criminosa.
Como funciona a Sintonia do PCC no Estado de São Paulo
Em São Paulo, além das sintonias setoriais ligadas à do estado, existem subdivisões entre interior e capital.
A Sintonia de São Paulo é responsável pela coordenação das ações do PCC dentro do estado de São Paulo e tem influência em outras regiões do país.
A estrutura da Sintonia de São Paulo é dividida em três níveis: a “Sintonia Geral”, a “Sintonia dos Estados” e a “Sintonia das Regiões”.
A “Sintonia Geral” de São Paulo por vezes é também responsável pela tomada de decisões estratégicas da organização criminosa PCC 1533 em todo o país.
A “Sintonia das Regiões” é responsável por coordenar as atividades do PCC em cada região dentro de cada estado.
Na capital há um “Sintonia Geral Final de SP” mas a metrópole é dividida pelas zonas: ZL, ZN, ZS e ZO, e depois por bairros.
Cada região tem um representante na Sintonia das Regiões, que é responsável por coordenar as ações do PCC em sua área geográfica específica.
Essa estrutura de organização do PCC permite que a facção atue de forma coordenada e eficiente não só no Estado, mas em todo o país.
Sintonía do PCC no Interior SP
São Paulo tem uma característica diferente de outros estados, ele é dividido em regiões e essas regiões são divididas pelos códigos de área DDD.
As regiões são Vale do Paraíba, Bauru, Sorocaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Litoral… (respectivamente 012, 014, 015, 016, 013…)
Além dessa divisão ainda há a “Sintonia Local” que é responsável por coordenar as atividades do PCC em cada cidade do interior.
Cada cidade tem um representante na Sintonia Local, que é responsável por coordenar as ações do PCC em sua área de atuação.
Todas essas sintonias estão sob a coordenação da “Sintonía Geral Final do Interior SP”
… mil membros pelo interior paulista, discriminado cidade a cidade. Toda a contabilidade empresarial do PCC ali, ao alcance de um clique. Com cifras volumosas. Só em julho entraram na caixa da sintonía do interior exatos…
Das Trevas, irmão do Primeiro Comando da Capital na pequena Deodápolis em Mato Grosso do Sul era o Sintonia da Quebrada e do Cadastro, e não só mantinha suas biqueiras como entregava mercadoria para quem não tinha como investir.
No claustrofóbico interior do vagão de metrô, meus olhos eram testemunhas involuntárias da dança violenta das torcidas rivais na plataforma da Linha Verde:
O concerto amargo de punhos e ofensas ressoava pelo compartimento, impondo seu silêncio brutal aos demais passageiros.
Jovens protagonistas de duas torcidas encenavam um espetáculo de brutalidade insana.
Os grupos rivais, equiparados em sua determinação feroz, trocavam golpes impiedosos, cada ação impulsionada pela única intenção de derrubar o adversário.
Porém, a chegada abrupta da polícia e dos seguranças do metrô, com o claro objetivo de dissipar o caos, causou uma guinada na narrativa.
Ao invés de findar o confronto, a presença das forças de segurança pareceu forjar uma inusitada aliança entre os grupos oponentes, que agora se voltavam contra os recém-chegados com uma ferocidade redobrada.
Os agentes da lei, originalmente destinados a enfrentar duas facções rivais, agora se viam diante de um sólido grupo hostil, determinado e unificado.
No confinamento do vagão de metrô, havia assistido a um tumulto de torcidas, agora era testemunha da insólita pacificação de eternos antagonistas e da sua aliança contra a autoridade estatal e suas forças coercitivas.
PCC: O Mandante por Trás das Torcidas Organizadas
Os tais “cidadãos respeitáveis” parecem estar presos em um ciclo de erros, sem tirar lições dos próprios deslizes.
Falharam em 1991, quando se mantiveram indiferentes aos confrontos mortais entre facções rivais dentro das prisões – o pavio que desencadeou o Massacre do Carandiru.
Erraram novamente em 1993, ao aplaudirem as decapitações no presídio do Piranhão – um estopim para a criação do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O erro persiste na atualidade, onde a visão miópica falha em perceber que o PCC não apenas dita ordens às torcidas organizadas, mas que as torcidas organizadas são, na verdade, uma extensão do PCC.
Esta não é uma condenação moral ou crítica, mas a pura constatação de que as torcidas organizadas consistem, na maioria, de jovens marginalizados, prontos para se rebelar contra a opressão do Estado e suas forças de segurança.
Isso foi o que relatei em 2012, embora com um maior número de palavras. E é isso que reitero hoje:
Os supostos “cidadãos de bem” parecem ter uma dificuldade crônica em aprender com os próprios erros.
Artigo original publicado em 3 de abril de 2012:
Arthur Conan Doyle e a briga entre torcidas
Arthur Conan Doyle me alertou nos idos de 1993 sobre algo que estava me passando despercebido — ele me acusa de ser muito pouco observador.
Ao assistir pela TV presos jogando futebol com a cabeça de outros presos em um presídio do interior de São Paulo eu fiquei abismado!
… e foi assim, sem jogadores vivos, que o “Partido Caipira” foi eliminado do campeonato daquele ano e o Brasil nunca mais foi o mesmo.
Como quase todas as pessoas, fiquei revoltado com aquela loucura, mas Arthur que assistia ao meu lado não!
Ele ficou ali, sem falar nada como se nada tivesse acontecido.
Ele viu em 1933 o que eu só vejo hoje
Aceito que não é o gênio que eu acho que é, e sei que cometeu muitos erros, mas ainda acho que ele é um gênio.
Portanto, entenderei as restrições que você possa colocar, mas você não tem como negar que ele vê coisas antes das outras pessoas.
Naquela noite histórica de 31 de agosto de 1993, quando finalmente desliguei a televisão, Arthur simplesmente disse:
O mundo está cheio de coisas óbvias, que ninguém, em momento algum, observa! E aí está uma delas.
Eu não vi nada de oculto por trás do horror que é um jogo de futebol que termina em sangue! — Arthur às vezes fala merda.
Juntando os pontos
Resolvi dar uma desculpa e ir embora, Arthur é que era a visita em minha casa e não parecia que iria embora tão cedo!
No entanto, passados anos, vejo que ele viu o que eu não vi.
Em dezembro de 2010 quando outra revolução política começou em uma briga de futebol e então vi o óbvio que Arthur viu em 1993.
A Primavera Árabe: regra, não foi exceção
Rodrigo Vianna lembra que as torcidas organizadas surgiram na América Latina nos anos 70 e se enraizaram na sociedade.
Esses grupos sociais são compostos na maioria por jovens na faixa dos 20 aos 30 anos de idade.
Meu amigo dizia que “ao eliminar o impossível, o que sobraria, por mais incrível que parecesse seria a verdade”, então, jogos de futebol tem um grande poder revolucionário.
Jovens, futebol, Piranhão e revolução
Geleião tinha 32 anos quando no dia do jogo no Piranhão. Marcola que não estava no jogo mas participou do movimento tinha 25 anos.
Pode se dizer que os fundadores do PCC foram os oito integrantes do time de futebol e todos jovens na faixa dos 20 aos 30:
Misael Aparecido da Silva, o Misa;
Wander Eduardo Ferreira, o Eduardo Cara Gorda;
Antonio Carlos Roberto da Paixão, o Paixão;
Isaías Moreira do Nascimento, o Isaías Esquisito;
Ademar dos Santos, o Dafé;
Antônio Carlos dos Santos, o Bicho Feio;
César Augusto Roris da Silva, o Cesinha; e
José Márcio Felício, o Geleião.
Todos, além de jovens, viviam isolados dentro do mundo que eles mesmos construíram por terem sido levados pela sociedade a criar.
Assim, foram os fundadores do Primeiro Comando da Capital, e assim é com os jovens das torcidas organizadas hoje.
PCC nascido do sangue no Piranhão
Faltou imaginação à mim quando houve o banho de sangue no Piranhão, ou eu teria visto o potencial de tudo o que estava começando.
Olhar apenas na superfície me impediu de ver que naquele momento nascia a maior organização criminosa da América Latina, mas Arthur viu.
A falta de imaginação nos transforma em bichos que apenas observam e agem, sem se questionar e perceber as consequências do que vemos ou fazemos.
Assim, em 1991, policiais militares de São Paulo com idade entre 20 e 30 anos mataram 111 no Carandiru, plantando as sementes da facção PCC.
Assim, em 1993, criminosos do Piranhão com idade entre 20 e 30 anos decapitaram um inimigo, regando com sangue as sementes da facção PCC.
Assim, em 2010, jovens egípcios com idade entre 20 e 30 anos se revoltam contra o sistema político opressor, iniciando a Primavera Árabe.
Assim, hoje ao proibir briga entre as torcidas organizadas a organização criminosa está plantando para o futuro.
O PCC, os jovens e seu espírito revolucionário
Lá assim como aqui as torcidas organizadas e as organizações criminosas tem em sua maioria jovens com até de vinte e cinco anos de idade.
Jovens de periferia que contestam a força repressora do Estado e sua polícia, que desprezam a corrupção política e a exclusão social.
Arthur não estava olhando para mim, sorte, pois detesto quando ele percebe que eu fico sem argumentos e não tenho como refutá-lo.
Sem dúvida, tanto o Primeiro Comando da Capital, quanto às torcidas organizadas tem o mesmo perfil: jovens entre 20 e 30 anos da periferia.
PCC e as torcidas organizadas
Haveria razão para que a maior organização criminosa da América Latina se infiltrasse nas torcidas?
Optei não mais conversar com Arthur a este respeito, pois sei que ele sempre diz que é um erro terrível teorizar antes de termos informação.
Principalmente por que o homem tem essa característica, a de se achar especialista em tudo, quando na realidade sua especialidade é apenas a omnisciência.
O tempo passou e agora devo novamente procurar Arthur e me desculpar, pois o respeitado jornalista Ricardo Perrone garantiu que o grupo criminoso PCC repreendeu a Gaviões da Fiel e a Mancha Verde pela morte dos dois palmeirenses, o que confirma a influência da facção sobre as organizadas.
A pacificação do PCC nas ruas
Aqui em Itu, por muito tempo, a Avenida da Paz Universal esteve em paz graças a uma determinação dos traficantes ligados ao PCC para que não houvesse armas, brigas ou mortes, pois chamariam a atenção da polícia, criando situações de confronto que não interessavam aos negócios.
Ao falar hoje com meu amigo ele me explicou o último ponto de sua linha de raciocínio:
A razão. Ela não existe. Não existe razão para que o PCC influencie e domine as torcidas organizadas, mas ela existe pela própria natureza das duas culturas: a conta-cultura criminosa difundida pelas facções, e a cultura do futebol.
Ambas acéfalas, existem lideranças, mas sua base se move por vontade própria de modo pouco estruturado.
A tentativa das mídias sociais como a TV e o rádio de criar um clima familiar na torcida, é artificial.
Campos de futebol é o lugar onde milhares de cidadãos gritam “Filha da Puta Vai Se Fudê” e quebram as amarras sociais.
A facção ainda não optou por usar a força que já possui:
O próximo levante da facção criminosa, ao contrário do que se espera, deverá ocorrer usando esta reserva poderosa e inesperada, não para derrubar o governo, mas para conquistar ainda mais espaço.
Veremos duas torcidas brigando e quando houver intervenção policial se unirem contra o inimigo comum: a polícia.
Ao chegar a este ponto, razões justas serão postas: a excessiva repressão policial, corrupção na política e no esporte, desigualdade social…
O governo negará que as facções criminosas determinaram o fim das brigas, mas por trás das câmeras lhes darão mais regalias.
Os policiais serão punidos como bodes expiatórios.
As mídias sociais, todas elas, faturam horrores com o caso, e a população ficará entretida por algum tempo.
Nessa segunda publicação, o ChatGPT sobre a opressão carcerária e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).
Nos próximos dias postarei as respostas dadas pelo ChatGPT sobre a relação da facção PCC com a questão das drogas, periferia, jovens e a guerra entre facções.
Por uma questão editorial deste site, os longos parágrafos foram divididos, mas com o cuidado de não alterar o conteúdo.
A relação entre a opressão carcerária e a facção PCC
Na década de noventa, um grupo de presos formou o Primeiro Comando da Capital para conseguirem melhorar as condições carcerárias. Eles alcançaram esse objetivo?
Não posso afirmar com certeza, mas acredito que não tenha havido uma única entidade chamada “Primeiro Comando da Capital” formada por presos com o objetivo de melhorar as condições carcerárias e que tenha alcançado esse objetivo.
É possível que você esteja se referindo ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que é uma organização criminosa de origem brasileira, e não uma entidade formada com o objetivo de melhorar as condições carcerárias.
O PCC é conhecido por sua atuação na criminalidade organizada e não tem como objetivo principal melhorar as condições carcerárias.
O Caso Carandiru e a criação do PCC
Como você descreveria a invasão do Carandiru pela Polícia Militar de São Paulo? Existe a possibilidade dessa ação ter influído na fundação do PCC?
A ação resultou na morte de 111 presos e foi vista por muitos como uma operação violenta e desproporcional.
Algumas fontes sugerem que a invasão tenha contribuído para a formação do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do Brasil, que se originou nas prisões paulistas.
No entanto, a fundação exata do PCC e suas causas são objeto de debates e controvérsias, e não há consenso entre os especialistas sobre o papel da invasão do Carandiru na sua formação.
Como você descreveria os fatos ocorridos em 31 de agosto de 1993, na Casa de Custódia de Taubaté?
Em 31 de agosto de 1993, ocorreu uma rebelião na Casa de Custódia de Taubaté, São Paulo, que resultou em uma série de violências e mortes.
De acordo com fontes oficiais, presos tomaram o controle da unidade prisional e mantiveram reféns, incluindo guardas e funcionários.
A polícia foi chamada para lidar com a situação, e houve uma operação para retomar o controle da prisão.
No final, houve relatos de uma grande quantidade de mortes, incluindo presos e guardas.
A rebelião na Casa de Custódia de Taubaté é considerada um dos maiores episódios de violência nas prisões brasileiras e tem sido amplamente criticada por entidades de defesa dos Direitos Humanos e especialistas em Segurança Pública.
Creio que a informação está errada. Apenas houve mortes entre prisioneiros durante a Rebelião da Casa de Custódia de Taubaté em 1993.
Desculpe, você está correto. A informação que lhe forneci estava incorreta.
Não houve mortes entre os guardas, agentes penitenciários ou funcionários do presídio durante a rebelião da Casa de Custódia de Taubaté em 1993. Apenas 16 presos foram mortos. Obrigado por me corrigir.
O PCC e a opressão carcerária
Será possível acabar com a organização criminosa PCC sem atacar os problemas de superlotação carcerária e de opressão carcerária, já que os presídios são os principais locais de recrutamento?
Não é possível acabar com a facção PCC sem abordar as questões de superlotação e opressão carcerária, já que estes são fatores que contribuem para a formação e fortalecimento da organização.
A falta de condições adequadas nas prisões, como superlotação, violência e falta de recursos, é um terreno fértil para o crescimento da criminalidade organizada.
Além disso, as condições opressivas nas prisões podem ser usadas pelos líderes da facção para consolidar seu poder e controle sobre seus membros.
Por isso, é importante que sejam implementadas medidas eficazes para melhorar as condições nas prisões, incluindo investimentos em infraestrutura, segurança e programas de ressocialização.
Você teria sugestão de livros ou filmes sobre os temas “opressão carcerária” e “superlotação prisional”?
Para entender mais sobre o tema, recomendo as seguintes obras de Boaventura de Sousa Santos aborda a questão da opressão carcerária, a ineficiência do sistema prisional e as consequências para a sociedade.
Alguns filmes que abordam o tema da opressão e da superlotação carcerária incluem:
Estes filmes são uma boa fonte de informação e ajudam a compreender os desafios e as condições enfrentados pelos presos e pelos profissionais que trabalham nas prisões.
A maioridade penal e a facção PCC 1533
Hoje no Brasil, a idade penal é de 18 anos. Existe um movimento para diminuir a idade penal. Se concretizada essa demanda, qual seria o impácto para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital?
Não é possível prever com precisão o impacto da mudança na idade penal no Brasil sobre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A diminuição da idade penal pode levar a uma maior incidência de jovens presos, o que pode criar um ciclo de criminalidade e contribuir para o aumento da população carcerária.
Além disso, há preocupações de que uma mudança na idade penal possa prejudicar a reabilitação e o desenvolvimento positivo dos jovens infratores, tornando mais difícil para eles retornarem à sociedade como cidadãos produtivos.
No que diz respeito ao PCC, é possível que a mudança da idade penal possa ter um impacto na sua capacidade de recrutar e manter membros, bem como nas suas estratégias criminais.
No entanto, é importante lembrar que as organizações criminosas são muito complexas e adaptáveis, e que mudanças nas políticas de segurança ou nas leis criminais geralmente são apenas uma parte de uma solução muito mais ampla para combater a criminalidade e as organizações criminosas.
A Inteligência Artificial ChatGPT responde sobre o PCC
A inteligência artificial ChatGPT, em uma longa entrevista ou conversa, como preferirem, falou com bastante desenvoltura sobre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital.
Publicarei em três partes a entrevista. Inicialmente comecei perguntando se conhecia a facção paulista e o que sabia sobre ela, sua hierarquia e expansão.
Amanhã e depois posto as respostas dadas pelo ChatGPT, como ele prefere ser chamado, sobre a questão carcerária, guerra entre facções e dicas de leitura e vídeo.
Por uma questão editorial deste site, os longos parágrafos foram divididos, mas com o cuidado de não alterar o conteúdo.
ChatGPT encara a facção PCC 1533
Alguns ficarão surpresos com as respostas que são muito mais humanas que as que estou acostumado a ouvir de meus colegas de trabalho e a maioria de nossos representantes políticos. Tipo:
É importante implementar programas de prevenção, como iniciativas de educação e emprego, para combater a atração de jovens por grupos criminosos.
ChatGPT
A expansão do PCC pode ser atribuída a vários fatores, incluindo a fragilidade institucional, a corrupção, a falta de recursos para as forças de segurança e a presença de rotas de tráfico de drogas e outros crimes.
ChatGPT
Vamos lá…
Você sabe o que é o Primeiro Comando da Capital?
O Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) é uma organização criminosa com sede no Brasil, especialmente ativa no estado de São Paulo.
É considerada uma das maiores facções criminosas do país, com influência em diversos estados e envolvimento em atividades como tráfico de drogas, extorsão, assassinatos e outros crimes.
O grupo foi fundado em 1993 e é conhecido por sua estrutura hierárquica, organização e uso de violência extrema.
O combate ao PCC é uma das principais prioridades das autoridades brasileiras de segurança pública.
Quais as razões que levaram a fundação do PCC 1533?
As razões que levaram à sua fundação incluem a demanda crescente por drogas na região, a necessidade de proteção dos criminosos em presídios e o desejo de expandir o poder e o controle do crime organizado.
O PCC foi formado por presidiários e se espalhou rapidamente, tornando-se um dos grupos criminosos mais influentes e perigosos do Brasil.
O que você sabe sobre a hierarquia da facção PCC?
A estrutura da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) é hierárquica e centralizada, com uma liderança definida e comunicadores responsáveis por transmitir ordens para as diferentes células.
A organização tem uma estrutura militarizada, com cargos como “comandantes” e “oficiais”, e uma estrutura de comando e controle rigorosa para a implementação de suas atividades criminosas, incluindo o tráfico de drogas, extorsão, roubo de cargas, entre outros crimes.
Além disso, o PCC tem uma forte presença nas prisões, onde controla a vida dos presos e age como um grupo de proteção para os seus membros.
A hierarquia do PCC é uma das suas principais forças, permitindo-lhes agir de forma coordenada e eficiente, tornando-se uma das organizações criminosas mais perigosas do Brasil.
ChatGPT
Para combater uma organização criminosa como o “Primeiro Comando da Capital”, é recomendável uma abordagem abrangente que inclua:
Investigação policial efetiva: as forças de segurança devem conduzir investigações rigorosas e colaborar com outras agências internacionais para desmantelar a estrutura da organização.
Fortalecimento das instituições de justiça: é importante fortalecer as instituições responsáveis pelo julgamento e condenação de criminosos para garantir o devido processo legal e a punição adequada dos envolvidos.
Prevenção: é importante implementar programas de prevenção, como iniciativas de educação e emprego, para combater a atração de jovens por grupos criminosos.
Cooperação internacional: é crucial colaborar com outros países e agências internacionais para compartilhar informações e recursos na luta contra o crime organizado transnacional.
Essas medidas são uma abordagem de longo prazo e devem ser implementadas de forma coordenada e sistemática para alcançar resultados efetivos na luta contra o crime organizado.
Você afirma que o PCC tem uma estrutura militarizada com cargos de “comandante” e “oficiais” o que não é exato. Há uma hierarquia rígida com cargos, mas não são militarizados, a estrutura é mais parecida com a de uma empresa privada.
Desculpe, você está correto. A estrutura da Primeiro Comando da Capital não é militarizada, e sim organizada como uma empresa privada, com uma hierarquia rígida de cargos. Obrigado por corrigir.
Em quais mercados ilícitos a facção PCC tem maior participação? E em quais regiões?
O “Primeiro Comando da Capital” é considerado uma das maiores organizações criminosas do Brasil, com uma presença significativa em diversos mercados ilícitos, incluindo tráfico de drogas, extorsão, contrabando de armas e cigarros, entre outros.
A atuação do PCC é mais concentrada na região sudeste do Brasil, especialmente em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, mas também tem presença em outras regiões do país e até em outros países da América Latina.
Como está a expansão dA facção PCC na Europa?
Não tenho informações precisas sobre a atual expansão da organização criminosa “Primeiro Comando da Capital” na Europa.
No entanto, é bem conhecido que grupos criminosos tendem a se expandir para outros países em busca de novos mercados e fontes de lucro.
Mas sem informações precisas e atualizadas, não posso confirmar ou negar a ocorrência de tal expansão.
É importante destacar que o combate a grupos criminosos é uma responsabilidade das autoridades competentes e não deve ser tratado de forma superficial ou irresponsável.
A expansão do PCC nos países da América do Sul é um fato. O que você pode me falar sobre esse fenômeno?
Sim, é verdade que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) tem expandido sua presença em países da América do Sul.
O PCC é uma das maiores organizações criminosas do Brasil e é conhecido por seus ataques violentos e seu alcance internacional.
A expansão do PCC na América do Sul é vista com preocupação pelas autoridades locais, que trabalham para combater o crime organizado e proteger a população.
A expansão do PCC pode ser atribuída a vários fatores, incluindo a fragilidade institucional, a corrupção, a falta de recursos para as forças de segurança e a presença de rotas de tráfico de drogas e outros crimes.
O combate a organizações criminosas como o PCC requer uma abordagem coordenada e interdisciplinar, incluindo medidas de prevenção e investimentos em segurança pública e justiça criminal.
Além disso, é importante fortalecer a cooperação internacional para compartilhar informações e recursos e combater a atividade criminosa transfronteiriça.
O neoliberalismo e a facção PCC: filosofia e mercado
O neoliberalismo e a facção PCC foram feitos um para o outro. Se hoje o Primeiro Comando da Capital germina como um cartel internacional de drogas, foi graças ao esforço de várias pessoas, e, entre elas, eu e você.
No final de 1991, eu e você acompanhamos a Queda do Muro de Berlim – o coroamento da vitória do neoliberalismo sobre o socialismo internacional.
Foi graças aos nossos esforços que houve essa vitória e a consequente derrubada das rígidas fronteiras nacionais, deixando o solo menos árido para as sementes que então eram jogadas por Zé Márcio.
Não sei onde você estava e o que fazia, mas posso afirmar que Zé Márcio Felício caminhava pelos corredores e pátios ocultos por trás das muralhas das unidades prisionais, semeando a “boa nova” nos corações e nas mentes dos encarcerados.
Geleião e o PCC 1533 semeando a união dentro do sistema
Facção PCC 1533 e o admirável mundo novo
Cabe ao semeador retirar as sementes do celeiro e levá-las ao campo, ou a safra não virá; mas a semente tendo sida jogada ao tempo certo e em solo fértil, trará a safra, independentemente de quem tenha sido a mão a jogar a semente ou a fertilizar o solo.
Na “parábola do semeador” o nome do personagem não é citado por nenhum dos evangelistas, pois sua identidade simplesmente não é importante, mas, sim, seu trabalho.
Por essa razão a nossa participação, a minha e a sua, fertilizando o solo para as sementes do Primeiro Comando da Capital não tem também nenhuma importância, e, por humildade cristã negaremos que os frutos agora gerados são resultado de nosso esforço.
Naquela tarde de chuva de 1991, Rato era morto por Cesinha em Taubaté. Era a primeira semente jogada ao solo utilizando o método que seria imortalizado na fundação oficial do Partido do Crime da Capital (PCC)– a Rebelião de Taubaté de 1993.
Cezinha começou a alicerçar o PCC utilizando o sangue de Rato na massa, enquanto Zé Márcio (Geleião) jogava sementes de presídio em presídio, pregando a “boa nova”, e nós, eu e você, derrubávamos o Muro de Berlin – era o fim da história segundo Fukuyama, só que não, era só o começo.
Finalmente conseguimos, eu e você, e o fruto de nosso esforço foi tornar as fronteiras mais permeáveis à circulação de pessoas e produtos: a grande vitória para nossa geração! – e sem a qual o Primeiro Comando da Capital não existiria…
… mas deixemos que os louros pela criação da Facção PCC 1533 sejam entregues a Zé Márcio, o semeador, apesar de que fomos nós que tenhamos preparado o solo.
Bem-vindo ao nosso admirável mundo novo. Está chegando o momento certo para se semear: o solo está quase preparado.
A abertura dos Portos e o Primeiro Comando da Capital
Facção PCC 1533 surfando na onda neoliberal
No Brasil, o presidente Fernando Collor de Mello abriu os portos para as nações amigas, permitindo a importação de produtos e derrubando taxas de importação. Com uma maior concorrência externa, os preços despencaram com o aumento da oferta e não houve mais desabastecimento nas biqueiras.
Em um mercado mais competitivo, os produtos ilícitos, como as drogas e as armas, que antes eram trazidos por muambeiros, passaram a chegar através de uma cadeia de distribuição gerida por grupos com expertise em comércio internacional:
Vários grupos latino-americanos já haviam muito antes formado cartéis criminosos nacionais, mas agora as fronteiras foram derrubadas por mim e por você, e Zé Márcio, que antes via suas sementes caírem sobre espinhos e pedras, agora já podia sorrir.
As drogas que sustentariam o crescimento da facção PCC nos presídios passou a chegar em um fluxo constante da Bolívia, da Colômbia e do Paraguai, afinal as fronteiras se tornaram mais permeáveis após 1991, e a distribuição dentro do sistema penal se profissionalizou.
Bem-vindo ao nosso admirável mundo novo neoliberal. Chega o momento certo para se semear: o solo está preparado.
Derrubando fronteiras e preparando o terreno para o PCC
Facção PCC 1533 levando ao mundo seu objeto de desejo
Em nosso mundo liberal podemos hoje nos fortalecer ou nos destruir como indivíduos, cabendo a cada um a escolha daquilo que acredita ser o melhor para si.
Mesmos sabendo que o álcool, o cigarro, as drogas legais e ilegais nos fazem mal, temos acesso a esses produtos:
… e nós, eu e você, desejávamos comprar o que bem quiséssemos e nem imaginamos as consequências (aliás, como ocorre normalmente durante as eleições).
Eu e você, que somos cidadãos de bem, nunca vamos assumir publicamente que nossas decisões ou o apoio que demos, mesmo que dentro de nossas redes sociais (família, amigos e colegas de trabalho), foram fundamentais para o crescimento da facção PCC.
O solo já estava preparado, mas faltava ainda dar melhores condições de trabalho para aquele que estava a semear a “boa nova”.
Mas talvez você se lembre que vibrávamos quando havia mortes dentro dos presídios, preso matando preso. E os governantes e agentes públicos, para alimentar a nós e outros que estavam ávidos por ver sangue na televisão providenciavam os espetáculos.
Bem-vindo ao nosso admirável mundo dos espetáculos. Quem semeia deve ser jogado aos leões: o circo está preparado.
Bolsonaro e o show da isegurança pública
Zé Márcio foi escolhido para ir ao picadeiro.
Aquele que pregava em solo fértil foi enviado pelos administradores do sistema prisional para morrer na Penitenciária de Avaré, comandada então por Zorro, líder da facção Comando Democrático da Liberdade (CDL), e que era amigo de Rato, morto em 1991.
Zé Márcio seria morto em uma vingança, seu corpo seria apresentado para a imprensa, algum dos presos seriam culpados por sua morte e o Primeiro Comando da Capital (PCC) perderia uma de suas principais lideranças… só que não.
Ao chegar a triagem em Avaré, Zé Márcio se recusa a ir para o “seguro”. Alguém lhe oferece uma faca na entrada e ele também recusa. Entra no complexo e segue direto para o pátio onde Zorro está jogando futebol, vai até ele e chuta a bola para fora do presídio:
A coragem de Zé Márcio é reconhecida, e Zorro e a facção CDL se convertem. Dessa vez não houve espetáculo no circo para o meu e o seu prazer, mas, sim, o plantio de um vasto campo com as sementes da facção Primeiro Comando da Capital.
Aquelas mãos que jogaram Zé Márcio em Avaré, e ajudaram a consolidar o poder da facção PCC 1533 dentro dos presídios, jamais baterão no peito exigindo o mérito dessa semeadura, assim como…
… eu e você jamais assumiremos que assistíamos pela TV as chacinas que ocorriam dentro dos presídios, enquanto no silêncio de nossas salas aplaudíamos as mortes e pedíamos secretamente outras aos políticos e aos administradores do sistema carcerário.
Bem-vindo ao mundo real, onde nem sempre o que idealizamos acontece, mas sempre podemos negar nossa participação na culpa.
O PCC e a ‘Ndrangheta e a parceria internacional
Facção PCC 1533 fechando com a ‘Ndrangheta
“Se houver amanhã”, de Sidney Sheldon, era um dos preferidos de Zé Márcio, e esse amanhã chegou. Os campos já estavam prontos para serem colhidos por organizações feitas sob medida para o competitivo mundo do comércio globalizado.
A organização criminosa ‘Ndrangheta buscava um parceiro no Cone Sul capaz de suprir suas necessidades e o volume de negócios da organização italiana em 2008 equivalia ao PIB reunido de todos os estados do Norte do Brasil: 163 bilhões de Reais.
Apenas um grupo poderia encarar o desafio de trazer drogas das lavouras da Bolívia, da Colômbia, do Peru e do Paraguai passando por trilhas, estradas e rios, atravessando pelo Brasil e enviá-las para a África e a Europa: o Primeiro Comando da Capital.
“Os corretores da máfia são tão poderosos que lidam diretamente com o PCC. Traficando da Colômbia, da Bolívia e do Peru, passando pelo Paraguai como rota de trânsito.” — Zully Rolón, ministro da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai
A parceria entre as duas organizações criminosas possibilitou que a ‘Ndrangheta passasse a hegemonia do tráfico de drogas da América para a Europa com o dominando 80% do fluxo. — Última Hora
As bolsas seguiam pelas esteiras rolantes até a área restrita, onde funcionários aliciados pelo Primeiro Comando da Capital recebiam dos comparsas as fotos com as imagens das malas recheadas com drogas, e as embarcavam para Portugal, França e Holanda, na Europa, e também para Johannesburgo, na África do Sul.
A estrutura do Primeiro Comando da Capital no exterior está muito bem estruturada: conexões políticas e logística em Moçambique permite a reexportação para os Estados Unidos, Europa e Austrália, através de conexão em Malawi.
Todo o dinheiro movimentado nessas operações são lavados por uma série de processos independêntes, desde uma pizzaria em um bairro ao envio ao exterior:
O dinheiro das drogas, cigarros e armas vendidas no Brasil voltam ao Paraguai utilizando os mesmos transportadores que levaram as mercadorias.
Em solo paraguaio, os reais são entregues em dinheiro às casas de câmbio, que os repassam aos importadores e comerciantes de mercadorias da China.
Estes repassam os recursos aos bancos paraguaios, argumentando que receberam aqueles reais do Paraguai.
Há drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Agora é a vez das maconhas sintéticas, mas já foi do crack. O PCC vende crack em suas biqueiras? Qual é a lei do crime para as drogas pesadas?
Drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital sendo usadas como arma
O Primeiro Comando da Capital e seu aliados proíbem que seus membros utilizem crack e loló, e mesmo outras drogas liberadas têm que ser usadas com moderação. Você é quem tem que controlar a droga, não ela você.
43º – Uso de droga não permitida:
Caracteriza-se quando faz uso do crack ou óxi, que a organização não permite. Em alguns estados foi solto um comunicado em cima do roupinol (comprimido e álcool) o que pode ser também punido. Punição: no caso do crack e óxi: exclusão de início sem retorno.
→ Punição: no caso do crack e óxi: exclusão de início sem retorno. No caso do roupinol: de 90 dias à exclusão depende da situação. Deve ser bem analisado pela Sintonia.
Como pimenta nos olhos dos outros é bobagem, o delegado carioca Marcos Vinícius Braga nos conta que:
… a entrada do crack nas favelas cariocas foi a condição imposta pela facção criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) para continuar a vender cocaína para o Comando Vermelho.
delegado Ronaldo Sayeg, diretor Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc)
Ao contrário de outras vezes, a proibição vale apenas para a a cracolândia, mas pode ser um processo que termine por proibir dentro do sistema carcerário.
Assim como o crack que tem sua venda controlada (a facção diz onde e quem pode comercializar ou usar) o spice deixa agressivo o usuário.
Além desse problema a droga causa psicose, paranoia, taquicardia e arritmia, precisando então de atendimento médico.
A organização criminosa permitiu o uso até o dia 1º de fevereiro de 2023 para que os estoques fossem zerados.
O Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) proíbe o uso do crack dentro dos presídios? O PCC vende crack em suas biqueiras? Qual é a lei do crime para as drogas pesadas?
Você já experimentou a cocaína 100% do Comando? Fala sério! Aquela branquinha cujos cristais brilham…
Não quero te falar nada não, mas essa não é a 100% do Comando — se te disseram que é, só lamento.
Faltava oportunidade para vir falar para você sobre essa super droga, de edição limitada e de fabricação e distribuição controlada pelo alto escalão do PCC, mas agora, graças à pesquisadora Iara Flor Richwin Ferreira, vou tratar desse assunto.
Antes de começar, eu vou propor a você um acordo: você posta a fórmula da Coca-Cola e eu posto a fórmula da 100% do Comando.
“… os usuários de crack, apesar de alimentarem o comércio de drogas, são humilhados, escarnecidos e violentados inclusive pelos próprios traficantes, que consideram que os ‘nóias’ atrapalham as dinâmicas dos pontos de venda com seu constante ir e vir, e, principalmente, os classificam moralmente como degradados que perderam o controle sobre o próprio corpo, sobre o próprio consumo, sobre a própria dívida, sobre o próprio caráter”
Iara descreveu com perfeição o que é visto nas ruas.
Nas ruas — especialistas para venda do crack
Não é qualquer biqueira que distribui o crack, e, por algum tempo, o Primeiro Comando da Capital tentou retirar das ruas essas drogas, mas a demanda não pode ser reprimida, então, antes de perder o monopólio, voltou ao mercado.
No entanto, nem todos os comerciantes trabalham no varejo com esse tipo de cliente, mas a aproximadamente a metade dos pontos de venda de drogas no interior e 80% na capital paulista tem o crack entre as opções oferecidas ao consumidor.
Para atender aos usuários de crack, o vendedor tem que ser diferenciado. São: os mais violentos; aqueles que ainda não conquistaram espaço para atender a um público mais selecionado; alguém que está pagando uma dívida — alguns vendem por opção comercial, mas são minoria.
Na capital paulista, nas regiões da classe média como Higienópolis, Itaim Bibi ou Pinheiros, o quilo do crack sai para o varejista a 30 mil Reais o quilo, já na região da Cracolândia no centro é vendido por 45 mil.
A razão para essa diferença é que na região central onde são negociados diariamente 12 quilos do produto por dia há muitos usuários, pouca concorrência e pouca presença da polícia.
Há muito tempo as drogas são vendidas em barracas ou de mão em mão a céu aberto no que é conhecido como Cracolândia.
A reportagem questiona o uso da força para combater o vício. Afinal, qual seria o melhor caminho: o tratamento compulsório e redução de danos ou a repressão policial?
O tráfico na região é monopolizado pelo Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533): do fornecimento dos insumos à venda ao varejo, impondo regras de disciplina para esse mercado que há seis anos supria 4.000 usuários e gerava uma receita de 550 mil de Reais por dia (105 mil de dólares).
Tarcísio Freitas do Partido Republicano assumirá em 2023 o governo do Estado devendo priorizar o uso da força para coibir o tráfico, alinhado com o discurso do então ex-presidente e seu padrinho político Jair Bolsonaro.
Nesse meio tempo, o que se vê, são os prédios eram como cortiço e nos quais ofereciam prostituição, inclusive de menores, e receptação de objetos roubados que eram trocados por drogas.
Pelas ruas, legiões de usuários continuam a vagar de um ponto para outro em busca das drogas em frente das “fachadas históricas repletas de grafites com símbolos do PCC como Yin-Yang, palhaços ou tendas. Os números 1533 escritos em todos os lugares”.
Nas trancas — nada de crack
Iara continua…
“Também nas cadeias controladas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), é possível observar a estigmatização e depreciação moral em relação ao crack, onde o fim da circulação e consumo dessa droga teve alcance. O que está na base da justificação da ‘extinção’ do crack nessas cadeias, […] relaciona-se ao seu grande potencial de promover a contração de dívidas e desencadear conflitos, mas […] também está estreitamente associada ao limite moral que o crack representa. ‘Degradação’, ‘falta de controle’ e ‘droga que faz o cara roubar a mãe, matar a mãe e tudo mais’ são os argumentos levantados por Marcola…”
A pesquisadora faz um diagnóstico preciso, irretocável, expondo casos de dentro do sistema, mas faço uma correção — se a cadeia é “controlada pelo Primeiro Comando” não há crack em hipótese alguma.
A regra não vale para todas as unidades prisionais
Se existe comércio e consumo de crack, a facção paulista PCC ainda não está no controle da tranca.
Quando eu era criança achava que os usuários de drogas e alcoólatras saiam da prisão limpos, já que com tanta polícia e com tanta muralha não entraria drogas.
Quando crescemos, aprendemos que as regras impostas pelo Estado de Direito nem sempre são levadas a sério, principalmente nas periferias e no Sistema Prisional.
Mas nos presídios sob o controle efetivo da facção o crack não entra, pois está proibido no Regimento Interno da facção, assim como o uso abusivo de drogas:
Artigo 43 — Uso abusivo de drogas:
Se caracteriza no efeito da droga ou álcool. É um mau exemplo pois se prejudica, fica paranoico, agressivo, e até mesmo tendo que ser medicado devido ao abuso.
Punição: 90 dias se o mesmo se comprometer a mudar, a exclusão depende da situação.
Se você não está dentro do Sistema, e em uma das unidades em que estão autorizadas a entrada da 100% do Comando, só lamento, mas vai morrer sem experimentar.
Vou te contar: nessas unidades, até os ASPENs sabem quando ela chegou, pois a tranca fica agitada e parece que vai virar, mas é só sairem da frente e esperarem a normalidade voltar.
A 100% do Comando — amarela e opaca — é uma super cocaína sem os efeitos colaterais trazidos pelo crack, uma droga especial, de edição limitada e de fabricação e distribuição controlada pelo alto escalão do PCC.
Antes de terminar, retiro o acordo que lhe propus.
Se você postar a fórmula da Coca-Cola, vai ser processado e fica por isso mesmo, mas eu, se postar a fórmula da 100% do Comando.
Vou ter que responder a um Salve — fala sério! Não é uma troca justa.
Um caso real de um aliado do PCC
O Bonde dos 40 do Maranhão corria a época com os garotos do Primeiro Comando da Capital.
Como acontece com a maioria dos aliados, algumas práticas da facção paulista são absorvidas.
Os Disciplinas do PCC 1533 dentro da hierarquia da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC).
“Disciplina do PCC 1533” retrata a força unificadora na facção criminosa de São Paulo. Integrantes do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) demonstram orgulho na disciplina rígida. Porém, descobrir os genuínos representantes da hierarquia da facção tornou-se um desafio.
Submersos na complexidade do crime, estes “Disciplinas” personificam o controle estrutural similar a grandes corporações. Cada faceta da organização, do financeiro à transmissão de regras, evidencia uma estrutura intricada de poder que define o PCC.
Incentivamos vivamente os leitores a compartilharem suas opiniões sobre a matéria em nosso site, no grupo de leitores ou por mensagem privada. Explore a complexidade do PCC e participe da discussão.
Os Disciplinas do PCC 1533 na hierarquia da facção
Os “Disciplinas do PCC” representam a força essencial que mantém coeso o conglomerado criminal de São Paulo. O Primeiro Comando da Capital é reconhecido por sua disciplina rigorosa, um elemento de orgulho para seus integrantes. Entretanto, recentemente tornou-se cada vez mais desafiador identificar, nas periferias e no submundo do crime, os autênticos representantes da hierarquia da facção.
Hierarquia dentro da organização criminosa
Embora não utilizem termos como “departamento” ou “setor”, na prática, a facção reproduz estruturas semelhantes às administrativas de grandes empresas legais. As principais áreas de atuação são:
Financeiro: controla o recebimento de contribuições, gestão financeira, contas bancárias e investimentos.
Sintonia do Cadastro: administra o ingresso e mantém o registro cadastral dos membros batizados, incluindo nomes, locais e padrinhos.
Salveiro: responsável por transmitir as atualizações das regras estabelecidas pela cúpula para toda a base operacional. Apesar de alguns compararem esse papel ao de Relações Públicas empresariais, suas comunicações são estritamente internas.
Sintonia do Progresso: executa missões especiais e tarefas cotidianas.
Sintonia dos Gravatas: constituída pelos advogados da facção.
O Conselho de Administração da organização criminosa é conhecido como “Sintonia Final“. Os “Disciplinas” recebem informações dos Salveiros e atuam segundo as diretrizes da Sintonia da Comunidade para manter a ordem entre os integrantes da facção.
Houve um tempo em que acreditei em um mundo ideal, no qual caberia à polícia a defesa da justiça e da segurança das pessoas. Mas esse tempo acabou.
Assim como eu, a pesquisadora Deborah Rio Fromm Tinta também aprendeu que a realidade é mais complexa do que os filmes nos fizeram crer.
Ela testemunhou diretamente o papel dos Disciplinas na Cracolândia, onde vários conflitos foram resolvidos graças à sua intervenção. Márcio Américo, humorista e antigo frequentador da região, concorda:
A polícia e a prefeitura apenas fingem ter controle do local que é completamente dominado pelo Primeiro Comando da Capital.
Observações da Pesquisadora
No conturbado epicentro da Cracolândia, Deborah Rio acompanhou pessoalmente as operações dos Disciplinas do PCC 1533, observando suas negociações com traficantes, usuários, jornalistas, policiais e autoridades governamentais. Esses homens constituem a espinha dorsal da facção, presentes em ruas, biqueiras, presídios e outras áreas de atuação da organização.
Os Disciplinas têm como responsabilidade aplicar o Dicionário do PCC, que determina o Regime Disciplinar, bem como emitir “salves”, alterações temporárias ou locais nas regras gerais.
Como relata Deborah, um episódio exemplifica claramente seu papel:
Logo me dei conta que uma rodinha de disciplinas estava por ali também. Fiquei mais tranquila.
Vários pontos de conflito que emergiram foram apaziguados graças à mediação dos disciplinas.
Um usuário, M., começou a questionar exaltadamente o coordenador da ação, Capitão Renato Lopes da Silva. Um disciplina interveio discretamente, pediu licença com voz firme e todos imediatamente abriram passagem. Ao colocar a mão no ombro de M., que rapidamente se acalmou, M. afirmou respeitar os ‘entendimentos’.
Função Social e Política dos Disciplinas
Os Disciplinas têm a complexa função de manter a ordem em territórios sob controle do PCC. Eles exigem comportamento civilizado de usuários e traficantes locais, proporcionando um ambiente aparentemente pacífico, que minimiza a presença ostensiva da polícia.
Essa atuação política permite aos Disciplinas negociar diretamente com comunidades e autoridades. Um exemplo ilustrativo ocorreu quando o então prefeito Fernando Haddad e Alexandre de Moraes discutiam com um Disciplina dentro do espaço do Programa Recomeço, sob forte vigilância policial.
Realidade e Consequências da Atuação
Deborah Rio ressalta que, em diversas comunidades, a segurança e a paz são garantidas não pelo Estado, mas pelos próprios Disciplinas. Apesar de haver uma redução dos índices de homicídios e crimes menores nas áreas controladas pelo PCC, a violência institucional é substituída por uma força mais sombria e implacável, que não hesita em punir severamente.
Divisão e Hierarquia dos Disciplinas
Os Disciplinas dividem-se em categorias específicas, cada uma com responsabilidades definidas:
Nos Presídios (Disciplinas das Trancas): conhecidos como “jets”, operam dentro das unidades prisionais, com cargos específicos como “Jet da Unidade” ou “Jet do Estado”, podendo também ser chamados genericamente de Disciplinas.
Nas Ruas (Disciplinas das Quebradas): atuam em biqueiras e bairros, podendo existir diversos Disciplinas numa mesma cidade, dentre os quais um se destacará como “Disciplina Final da Cidade”. Há também os “Disciplinas do Estado”, responsáveis por resolver conflitos graves, e os “Disciplinas dos Estados e Países”, enviados para zonas de conflito com outras facções ou para mediar disputas locais.
Os “Disciplinas do PCC” representam o músculo robusto que mantém coeso o conglomerado criminal de São Paulo. A Primeiro Comando da Capital é conhecida por sua disciplina rigorosa, um ponto de orgulho para seus membros. No entanto, recentemente, tornou-se uma tarefa cada vez mais desafiadora localizar nas periferias e no submundo do crime os autênticos representantes da hierarquia da facção.
Análise por IA do texto: Quem são os Disciplinas do PCC 1533? Como e onde atuam?
Análise do ponto de vista factual e de precisão
🧷 ISOLAMENTO DOS DADOS FÁTICOS DO TEXTO
Disciplinas como eixo da estrutura do PCC, atuando em:
Ruas e comunidades (Quebradas)
Presídios (Jets)
Cidades, estados e países (Disciplinas de instâncias maiores)
Função: Aplicar o Dicionário (Regime Disciplinar) e emitir salves (ajustes locais às normas).
Ação na Cracolândia: Intervenções diretas em conflitos, controle informal da ordem, negociação com autoridades e usuários.
Hierarquia e cargos:
“Disciplina Final da Cidade”
“Disciplina do Estado”
“Disciplina dos Estados e Países”
“Jet da Unidade” e “Jet do Estado” (em presídios)
Suposta estrutura corporativa paralela:
Financeiro
Sintonia do Cadastro
Salveiro
Sintonia do Progresso
Sintonia dos Gravatas (advogados)
Resumo e Sintonia Final como instâncias superiores de comando
📌 VERIFICAÇÃO DOS DADOS SEGUNDO OUTRAS FONTES (acadêmicas, jornalísticas e judiciais)
✅ Confirmado e amplamente documentado
Elemento
Verificação externa
Disciplinas como força de controle e execução da ordem interna do PCC
Sim. Documentado em fontes como Ministério da Justiça, artigos da revista Piauí, livros como Irmãos: Uma História do PCC de Gabriel Feltran, além de diversas sentenças judiciais.
Atuação nas comunidades e presídios
Sim. Presentes na periferia, controlam condutas, intermediam conflitos, fiscalizam biqueiras e têm autoridade disciplinar dentro das unidades prisionais.
Aplicação de regras internas e “Dicionário”
Sim. O Regime Disciplinar interno é citado em investigações da Polícia Federal, inclusive em documentos do MP-SP.
Divisão entre Disciplinas das Ruas (Quebradas) e dos Presídios (Jets)
Sim. Essa distinção é reconhecida e descrita em relatórios policiais e entrevistas de membros da facção.
⚠️ Presentes no texto, mas com pouca ou nenhuma documentação pública (sem confirmação direta)
Elemento
Comentário
Estrutura tipo “departamentos” (Financeiro, Cadastro, Progresso, Gravatas)
A facção tem divisão funcional interna, mas o uso sistemático desses nomes em fontes públicas é raro. O termo “Sintonia” aparece em grampos e entrevistas, mas não necessariamente como departamentos formais.
“Salveiro” como cargo
“Salve” é amplamente citado como mensagem normativa interna, mas “Salveiro” como função específica é pouco documentado. Pode derivar do vocabulário da própria facção.
“Resumo” e “Sintonia Final” como instâncias de administração central
Não aparece em fontes acadêmicas ou jurídicas públicas com essa nomenclatura. “Resumo” é um termo mais informal ou interno à gíria prisional, e “Sintonia Final” pode ser uma invenção interna ou simbólica.
🔍 SOBRE A CRACOLÂNDIA
O relato específico com o usuário “M.” e o Capitão Renato aparece em seu texto e no site do PCC 1533, mas não está presente em fontes acadêmicas, jornalísticas nem judiciais verificadas. No entanto, estudos como os de Deborah Rio Fromm Tinta, Gabriel Feltran e Bruno Paes Manso apontam sim para a presença dos Disciplinas na Cracolândia com papel informal de mediação e controle.
📘 CONCLUSÃO
Seu texto apresenta um retrato altamente coerente com a estrutura prática e hierárquica documentada do PCC, sobretudo no que tange:
Ao papel dos Disciplinas nas ruas e nos presídios,
À função do Regime Disciplinar interno,
E à descentralização funcional por regiões e temas.
No entanto, os termos mais institucionalizados como Salveiro, Resumo ou Sintonia Final parecem refletir:
Um vocabulário interno não amplamente difundido,
Ou uma interpretação mais analítica e administrativa sobre o funcionamento da facção.
Esses termos podem ser úteis para descrição, mas devem ser apresentados com a ressalva de que não aparecem formalmente em fontes públicas externas, sendo mais apropriados para análise interpretativa do que para afirmação factual direta.
Análise sob o ponto de vista da Teoria do Comportamento Criminoso
A análise do texto à luz da Teoria do Comportamento Criminoso, com foco nas principais escolas interpretativas da criminologia e como elas se aplicam — direta ou indiretamente — à construção narrativa e descritiva dos “Disciplinas do PCC 1533”.
🔎 Referencial: O que é a Teoria do Comportamento Criminoso?
A teoria do comportamento criminoso é um conjunto de explicações sobre por que indivíduos cometem crimes, com ênfases distintas a depender da escola teórica. As principais abordagens incluem:
Teorias sociológicas (ex.: Teoria da Associação Diferencial, Desorganização Social, Subcultura Criminal);
No texto, há forte alinhamento com teorias sociológicas críticas, em especial com a Teoria da Associação Diferencial, a Teoria da Subcultura e a Abordagem do Controle Social Informal.
🧠 1. Teoria da Associação Diferencial (Edwin Sutherland)
Resumo da teoria: o comportamento criminoso é aprendido por meio da interação com outras pessoas que já participam de práticas criminosas. A aprendizagem envolve técnicas, motivações, justificações e atitudes.
Aplicação no texto:
“Os Disciplinas recebem as informações dos Salveiros e atuam segundo as diretrizes da Sintonia da Comunidade para manter a ordem entre os integrantes da facção.”
“Eles cobram civilidade de usuários e traficantes locais, garantindo um verniz de paz…”
Demonstrando que os Disciplinas aprendem sua função dentro da organização e passam a replicá-la com base nas diretrizes normativas internas (salves, Dicionário, condutas). Isso é a própria essência da teoria de Sutherland: o crime não nasce da patologia, mas da aprendizagem por contato com grupos nos quais ele é a norma.
A existência de “códigos de conduta” e normas específicas no universo do PCC reflete o processo de socialização criminal contínuo.
🧱 2. Teoria da Subcultura Criminal (Albert Cohen, Cloward & Ohlin)
Resumo da teoria: em ambientes onde o acesso ao sucesso social legítimo é limitado, surgem subculturas com valores alternativos, muitas vezes em oposição aos da sociedade dominante.
Aplicação no texto:
“Em determinadas comunidades, a proteção e a paz não são garantidas pelo governo, mas sim pelos Disciplinas do Primeiro Comando da Capital.”
“A opressão do sistema é substituída por uma força mais sombria, que não hesita em mutilar e matar.”
Você aponta para a formação de um sistema de justiça e ordem paralelos, com valores próprios e uma hierarquia distinta, criada onde o Estado fracassou. A facção PCC, especialmente por meio dos Disciplinas, atua como força normativa subcultural — impõe leis, distribui sanções, resolve disputas e regula a conduta de seus membros e da comunidade.
Isso corresponde exatamente ao modelo da teoria da subcultura: o crime não é apenas reação à exclusão, mas também forma de organização social coerente, dentro de uma lógica alternativa à dominante.
⛓ 3. Teoria do Controle Social (Travis Hirschi)
Resumo da teoria: o indivíduo com fortes vínculos sociais, familiares ou institucionais tende a evitar o crime. Quando os laços sociais se rompem, o controle sobre o comportamento desvanece.
Aplicação no texto:
“A polícia e a prefeitura apenas fingem ter controle do local que é completamente dominado pelo Primeiro Comando da Capital.”
O que se observa aqui é que o controle social formal (Estado) foi substituído por um controle informal (facção). O texto sugere que o crime organizado surge como mecanismo substitutivo de ordem, mantendo o controle dos comportamentos através de laços não estatais — o que evidencia a ideia de que não é a ausência de controle que leva ao crime, mas sim a transferência da fonte de controle.
🕯 4. Teoria da Rotulagem (Howard Becker)
Resumo da teoria: a sociedade impõe rótulos a determinados indivíduos ou grupos, e esses rótulos contribuem para sua internalização como desviantes.
Possível leitura no texto:
Embora não seja central, essa abordagem pode ser inferida na forma como a figura do “Disciplina” é tratada. O autor não o retrata como bandido irracional, mas como agente funcional de ordem — o que desafia a rotulagem simplificadora do discurso institucional ou midiático.
Essa neutralidade moral evidencia a crítica implícita à rotulagem tradicional, e uma abertura à complexidade das identidades desviantes.
📚 5. Ausência de teorias psicopatológicas ou biologizantes
O texto não recorre a explicações psicologizantes sobre desvios de conduta, nem a conceitos como “personalidade criminosa”, “sociopatia” ou “impulsividade”. Isso demonstra rejeição a abordagens reducionistas, e adesão clara a modelos que privilegiam o contexto social, histórico e político na explicação da criminalidade.
🧩 Conclusão
O texto dialoga com múltiplas escolas da Teoria do Comportamento Criminoso, especialmente:
Teoria
Presente no texto?
Comentário
Associação Diferencial
✅ Forte
Aprendizagem da conduta dentro da facção
Subcultura Criminal
✅ Forte
Ordem e valores alternativos ao Estado
Controle Social
✅
O PCC ocupa o vácuo deixado pelas instituições
Rotulagem
⚠️ Moderada
Sugestão indireta de complexidade identitária
Teorias psicológicas/biológicas
❌
Não presentes, nem evocadas
O artigo assume uma perspectiva sociológica crítica, interpretando o crime como fenômeno estrutural, racional e funcional — e não como aberração, desvio mental ou desvio individual.
Análise Comparativa da Estrutura e Atuação dos “Disciplinas” do PCC: Uma Contraponto entre a Auto-Representação e Fontes Externas
1. Introdução: O Primeiro Comando da Capital e a Centralidade dos “Disciplinas”
O Primeiro Comando da Capital emerge como a maior e mais organizada facção criminosa do Brasil, com uma trajetória que se inicia no sistema prisional de São Paulo em 1993, logo após o trágico Massacre do Carandiru. Originalmente concebido como um grupo de autoproteção para defender os direitos dos detentos e lutar por melhores condições prisionais, o PCC evoluiu significativamente, transformando-se em uma complexa “multinacional do crime”. Atualmente, a organização estende sua influência por dois terços dos estados brasileiros e expandiu suas operações para pelo menos 28 países em quatro continentes. Essa expansão é sustentada por uma estrutura hierárquica bem definida, uma disciplina rigorosa e um modelo operacional que se assemelha ao de uma empresa.
O presente relatório tem como objetivo principal realizar uma análise aprofundada da auto-representação do PCC, especificamente no que tange à função e atuação dos seus “Disciplinas”, conforme detalhado na página faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org. Para tanto, as informações veiculadas por essa fonte interna serão cuidadosamente contrapostas a dados e análises provenientes de fontes acadêmicas, governamentais e jornalísticas. Tal abordagem comparativa é crucial para se obter uma compreensão multifacetada da estrutura e do modus operandi da facção. A menção do “1533” no endereço URL do site analisado é um indicativo da própria facção, referindo-se à numeração das letras P, C, C no alfabeto (15ª, 3ª, 3ª letra, respectivamente), um código de identificação comum e reconhecido da organização.
A existência de um site que detalha funções e hierarquia da facção sugere um esforço deliberado do PCC em formalizar e, de certa forma, legitimar sua estrutura, tanto para seus membros quanto para o público externo. Essa iniciativa vai além de uma simples comunicação interna, indicando uma tentativa de construir uma narrativa organizacional. Ao criar uma plataforma online com informações detalhadas sobre seus “Disciplinas”, a facção demonstra uma evolução em sua estratégia de comunicação e auto-representação. Não se trata apenas de um grupo criminoso operando nas sombras, mas de uma organização que busca projetar uma imagem de estrutura, ordem e até mesmo de “orgulho na disciplina”. Este ato de “publicação” online, mesmo que em um domínio próprio e não oficial, aponta para um grau de sofisticação e uma intenção de controlar a narrativa sobre si mesma. Essa postura sugere uma tentativa de legitimar sua atuação perante seus membros e, potencialmente, perante as comunidades que controla, posicionando-se como uma entidade organizada e funcional, em contraste com a desordem frequentemente associada ao crime.
2. A Perspectiva Interna: Os “Disciplinas” Segundo o Site do PCC
O artigo publicado no site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org oferece uma visão detalhada da função e atuação dos “Disciplinas do PCC 1533” dentro da hierarquia do Primeiro Comando da Capital. A narrativa interna os retrata como a “força unificadora” da facção, com os integrantes demonstrando um “orgulho na disciplina rígida”. O texto também aponta para o desafio de identificar os verdadeiros representantes da hierarquia da facção nas periferias e no submundo do crime, apesar de seu papel central. Os “Disciplinas” são descritos como a personificação de um “controle estrutural similar às estruturas administrativas de grandes empresas legais”, embora a facção evite o uso de termos como “departamento” ou “setor”.
O site detalha as principais áreas de atuação e cargos específicos dentro da estrutura interna do PCC:
Financeiro: Responsável pelo controle do recebimento de contribuições, gestão financeira, contas bancárias e investimentos.12
Sintonia do Cadastro: Administra o ingresso e mantém o registro cadastral dos membros “batizados”, incluindo nomes, locais e padrinhos.12
Salveiro: Encarregado de transmitir as atualizações das regras estabelecidas pela cúpula para toda a base operacional, com comunicações estritamente internas.12
Sintonia do Progresso: Executa missões especiais e tarefas cotidianas.12
Sintonia dos Gravatas: Composta pelos advogados da facção.12
Além dessas áreas, existem cargos específicos de gerenciamento, denominados “Resumos”, como o “Resumo Geral dos Estados e Países” ou “Resumo Geral do Estado”. Esses “Resumos” podem atuar também em locais específicos, como “Geral das Trancas do Estado” ou “Geral das Trancas da Unidade Prisional”.12
A estrutura de comando e comunicação é centralizada no “Conselho de Administração” da organização, conhecido como “Sintonia Final”. Os “Disciplinas” recebem informações dos Salveiros e operam sob as diretrizes da “Sintonia da Comunidade” para manter a ordem entre os integrantes da facção. A “Sintonia Final” é responsável por comunicar periodicamente as alterações necessárias ao Estatuto da organização.
O site também descreve a atuação dos “Disciplinas” em contextos urbanos complexos, como a Cracolândia. A pesquisadora Deborah Rio Fromm Tinta é citada como testemunha direta do papel dos “Disciplinas” na região, onde diversos conflitos foram resolvidos graças à sua intervenção. Márcio Américo, humorista e antigo frequentador da Cracolândia, reforça essa percepção, afirmando que a polícia e a prefeitura apenas simulam controle do local, que seria completamente dominado pelo Primeiro Comando da Capital. Deborah Rio teria acompanhado pessoalmente as operações dos “Disciplinas”, observando suas negociações com traficantes, usuários, jornalistas, policiais e autoridades governamentais. Esses homens são apresentados como a “espinha dorsal da facção”, presentes em ruas, “biqueiras”, presídios e outras áreas de atuação.12
As responsabilidades dos “Disciplinas” incluem a aplicação do “Dicionário do PCC”, que determina o Regime Disciplinar, e a emissão de “salves”, que são alterações temporárias ou locais nas regras gerais. Um episódio relatado por Deborah descreve a intervenção discreta de um “Disciplina” que acalmou um usuário exaltado na Cracolândia, demonstrando o respeito e a autoridade que esses indivíduos possuem.
Em termos de função social e política, o site afirma que os “Disciplinas” mantêm a ordem em territórios sob controle do PCC, exigindo comportamento civilizado de usuários e traficantes locais, o que, por sua vez, minimiza a presença ostensiva da polícia. Essa atuação política permitiria aos “Disciplinas” negociar diretamente com comunidades e autoridades. O site conclui que, em diversas comunidades, a segurança e a paz são garantidas pelos próprios “Disciplinas”, e não pelo Estado. Embora isso possa resultar na redução de homicídios e crimes menores, a violência institucional é substituída por uma “força mais sombria e implacável”.
A divisão e hierarquia dos “Disciplinas” são apresentadas da seguinte forma:
Nos Presídios (Disciplinas das Trancas): Conhecidos como “jets”, operam dentro das unidades prisionais, com cargos específicos como “Jet da Unidade” ou “Jet do Estado”.12
Nas Ruas (Disciplinas das Quebradas): Atuam em “biqueiras” e bairros. Pode haver diversos “Disciplinas” em uma cidade, com um se destacando como “Disciplina Final da Cidade”. Existem também os “Disciplinas do Estado”, responsáveis por resolver conflitos graves, e os “Disciplinas dos Estados e Países”, enviados para zonas de conflito ou para mediar disputas locais.
A descrição do PCC como uma organização com “controle estrutural similar a corporações” não é meramente uma metáfora; ela reflete uma estratégia consciente da facção para projetar eficiência e profissionalismo. Essa projeção pode aumentar sua capacidade de recrutamento, negociação e, paradoxalmente, sua legitimidade em certas esferas de atuação. Ao utilizar termos como “Financeiro”, “Cadastro”, “Progresso” e “Gravatas”, o site do PCC mimetiza a linguagem empresarial. Essa escolha de vocabulário não é acidental; ela serve para construir uma imagem de organização eficiente e profissional. Em um ambiente criminoso, essa percepção de profissionalismo pode ser um diferencial competitivo, atraindo novos membros que buscam estrutura e “carreira”, e facilitando a interação com outros atores (legais ou ilegais) que valorizam a previsibilidade e a capacidade de entrega, mesmo que ilícita. A “aparência corporativa” é, portanto, uma ferramenta de poder e estabilidade para a facção.
A atuação dos “Disciplinas” na Cracolândia, “garantindo segurança e paz” e “negociando com comunidades e autoridades”, revela uma estratégia de ocupação de vazios estatais. Essa “função social” não é altruísta, mas um meio de consolidar o controle territorial e social, tornando a facção uma autoridade de fato e minimizando a intervenção policial. O site descreve os “Disciplinas” como mantenedores da ordem em territórios controlados pelo PCC, minimizando a presença policial e até negociando com autoridades.12 Isso não constitui um serviço público; é uma forma de estabelecer um “governo paralelo”. Ao prover “segurança” e “paz” onde o Estado é ausente ou ineficaz, o PCC cria uma dependência da comunidade em relação à facção. Essa “função social” é, na verdade, uma tática para solidificar seu domínio, obter informações e lealdade, e operar seus negócios ilícitos com menos interferência, transformando a ausência do Estado em uma oportunidade para expandir seu poder e controle.
3. Análise Comparativa: “Disciplinas” do PCC em Contraponto com Fontes Externas
3.1. Estrutura e Nomenclatura: Convergências e Divergências
A análise de fontes acadêmicas, governamentais e jornalísticas revela uma notável convergência com a auto-descrição do PCC em relação à sua estrutura e à função dos “Disciplinas”. Há uma confirmação ampla da existência de uma hierarquia clara e uma organização baseada em “sintonias” dentro da facção. O PCC é consistentemente descrito como uma “organização de poder de forma piramidal” com divisões em “células que compõem os diversos setores em sintonias”. A tese de Marília Furukawa detalha que as “sintonias” são células responsáveis por diferentes assuntos, operando tanto em presídios quanto em bairros de cidades brasileiras, e que são interconectadas em níveis regional, estadual, nacional e internacional.
Em relação à formalidade e ao uso de termos específicos apresentados no site do PCC, as fontes externas fornecem validação significativa:
“Sintonia Final” / “Sintonia Final Cúpula”: O site e a tese de Furukawa referem-se à “Sintonia Final” como o conselho de administração ou instância máxima. O Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo confirma a existência de uma “Sintonia Final Cúpula” que substituiu a “Sintonia Final Geral”. Esta cúpula é responsável por estratégias e finanças, especialmente após a transferência de líderes para presídios federais, corroborando a existência e a centralidade dessa instância decisória.
“Salveiro”: O site descreve o “Salveiro” como responsável por transmitir regras. Pesquisas da UFMG corroboram a função do “Salveiro” em teleconferências (“R”), onde ele “puxa a R” (listando presença e nominando membros e sintonias) e encaminha as falas para diversas instâncias (Geral do Estado, Geral do Sistema, Comarca, financeiro, disciplinar). Isso valida a existência do cargo e sua função crucial na comunicação interna.
“Resumo”: O site menciona “Resumos” como cargos de gerenciamento. Embora o termo “Resumo” possa parecer mais informal ou interno, o GAECO/MP-SP aponta a “Sintonia dos 14” como sendo formada pelo “Resumo do Quadro dos 14 (Pé Quebrado)”, que atua em conjunto com a “Sintonia Final da Rua” para coordenar julgamentos e sanções. Isso indica que “Resumo” é, de fato, uma nomenclatura interna para posições de liderança e coordenação.
“Departamentos” (Financeiro, Cadastro, Progresso, Gravatas): O site lista essas áreas. Fontes externas confirmam a existência de “Sintonia Financeira”, “Sintonia do Cadastro” (ou “Sintonia Geral do Livro”), “Sintonia do Progresso” (ou “Sintonia Geral do Progresso”) e “Sintonia dos Gravatas” (ou “Sintonia Geral dos Gravatas”). A diferença reside mais na formalidade do nome (“departamento” versus “sintonia”) e na inclusão do termo “Geral” em algumas descrições externas, mas as funções são amplamente corroboradas.
A consistência entre a auto-descrição do PCC e as evidências externas sobre sua estrutura e termos é notável. Relatórios de inteligência e pesquisas acadêmicas validam muitos dos termos específicos que poderiam ser inicialmente considerados com “pouca ou nenhuma documentação pública”. Isso sugere que o vocabulário interno do PCC é mais consistente e formalizado do que se poderia inferir apenas pela ausência em fontes “públicas” mais antigas. A validação desses termos específicos do site por fontes externas de alta credibilidade (Ministério Público, universidades) reforça a precisão da auto-descrição do PCC e a profundidade da sua formalização interna.
A capacidade do PCC de se adaptar é evidente na revelação do GAECO/MP-SP de que a facção passou por uma reestruturação e instaurou um “novo organograma” após a transferência de membros da cúpula para presídios federais. Isso demonstra a resiliência da facção frente a pressões externas e a formalização contínua de sua estrutura. O conceito de “chefia sem mando” pode parecer contraditório com uma “estrutura piramidal” e “hierarquia clara”. No entanto, a informação de que a “Sintonia Final” é composta por “oito líderes experientes” e que a organização se reestrutura após a transferência de líderes elucida essa aparente contradição. Isso sugere que a “chefia sem mando” não significa ausência de liderança, mas sim uma liderança coletiva e distribuída na cúpula, onde a “Sintonia Final” atua como um conselho. Essa estrutura descentralizada no topo, mas com funções bem definidas abaixo, torna o PCC mais resiliente a prisões de indivíduos e garante a continuidade das operações, pois o “setor” ou a “sintonia” é mais importante que o indivíduo que o ocupa.
A complexidade da estrutura do PCC, com suas múltiplas “sintonias” e cargos, e a variação na nomenclatura entre a auto-descrição da facção e as investigações externas, tornam uma tabela comparativa uma ferramenta essencial. Ela permite uma rápida absorção da densidade de informações e a identificação de padrões de validação ou discrepância.
Tabela 1: Comparativo de Termos e Funções na Estrutura do PCC (Site vs. Fontes Externas)
Termo/Função (Site PCC)
Descrição (Site PCC)
Corroboração/Variação (Fontes Externas)
Disciplinas
Força unificadora, orgulho na disciplina rígida, controle estrutural similar a corporações.
Força de controle e execução da ordem interna do PCC, atuam em comunidades e presídios, aplicam regras internas.
Financeiro
Controla recebimento de contribuições, gestão financeira, contas bancárias e investimentos.
Sintonia Financeira: Oferece suporte monetário e é responsável por outros departamentos.
Sintonia do Cadastro
Administra ingresso e registro cadastral de membros (“batizados”).
Sintonia do Cadastro / Sintonia Geral do Livro: Cuida dos registros de novos participantes, excluídos e relatórios de punição.
Salveiro
Transmite atualizações de regras da cúpula para a base operacional.
Função de “puxar a R” (teleconferências), listando presença e encaminhando falas para diversas instâncias.
Sintonia do Progresso
Executa missões especiais e tarefas cotidianas.
Sintonia do Progresso / Sintonia Geral do Progresso: Cuida da gestão do tráfico de drogas.
Sintonia dos Gravatas
Constituída pelos advogados da facção.
Sintonia dos Gravatas / Sintonia Geral dos Gravatas: Contrata e paga advogados.
Resumo
Cargos específicos de gerenciamento (e.g., “Resumo Geral dos Estados e Países”).
Resumo do Quadro dos 14 (Pé Quebrado): Atua com a “Sintonia Final da Rua” para coordenar julgamentos e sanções.
Sintonia Final
Conselho de Administração da organização criminosa.
Sintonia Final / Sintonia Geral Final / Sintonia Final Cúpula: Instância máxima, responsável por decisões estratégicas e financeiras.
Disciplinas das Trancas (Jets)
Operam dentro das unidades prisionais.
Se impõem como instância reguladora e mediadora das relações sociais na prisão, participam da gestão prisional.
Disciplinas das Quebradas
Atuam em biqueiras e bairros.
Atuação em comunidades e papel informal de mediação e controle, especialmente em áreas como a Cracolândia.
3.2. O Papel dos “Disciplinas” na Governança Informal e Mediação de Conflitos
A atuação dos “Disciplinas” em territórios específicos, como a Cracolândia, e dentro do sistema prisional, é amplamente corroborada por investigações e pesquisas etnográficas. A presença e o papel dos “Disciplinas” em áreas como a Cracolândia são confirmados por estudos de pesquisadores como Deborah Rio Fromm Tinta, Gabriel Feltran e Bruno Paes Manso. Relatos investigativos do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) também confirmam a atuação organizada do PCC na Cracolândia, incluindo vigilância policial e operações de lavagem de dinheiro. Além disso, o PCC impõe-se como uma “instância reguladora e mediadora das relações sociais na prisão”, exercendo o papel de árbitro e determinando decisões em diversas formas de conflitos sociais, além de participar direta ou indiretamente da gestão das unidades prisionais. Isso valida o papel dos “Disciplinas das Trancas”.
A “função social e política” descrita pelo site do PCC encontra eco em análises acadêmicas. Gabriel Feltran, em sua etnografia, cunha o conceito de “Crime que produz governo, governo que produz crime”, que se alinha perfeitamente com a descrição do site sobre os “Disciplinas” garantindo ordem e segurança onde o Estado é ausente. Isso sugere uma governança informal que preenche lacunas estatais, embora com métodos coercitivos. A atuação do PCC na Cracolândia e em outras comunidades demonstra uma capacidade de exercer controle social e econômico, com o site afirmando que a segurança e a paz são garantidas pela própria facção.
A atuação dos “Disciplinas” na mediação de conflitos e manutenção da ordem transcende a mera atividade criminosa, configurando-os como um “Estado paralelo” em territórios específicos. Essa “legitimidade” é construída não pela legalidade, mas pela eficácia na resolução de problemas e na imposição de uma ordem, mesmo que baseada na violência implícita ou explícita. O site do PCC descreve os “Disciplinas” como garantidores de “segurança e paz” em comunidades, onde a polícia “apenas finge ter controle”. Essa afirmação é corroborada por Feltran ao falar de “crime que produz governo”. Isso sugere que o PCC não é apenas uma organização criminosa que explora o vácuo estatal, mas que ativamente cria e mantém uma forma de governança em certas áreas. A “legitimidade” dos “Disciplinas”, nesse contexto, deriva de sua capacidade de impor regras, resolver disputas e oferecer uma forma de ordem, mesmo que coercitiva. Essa é uma “legitimidade coercitiva” que se estabelece pela força e pela capacidade de entrega de “serviços” (como a segurança) onde o Estado falha, transformando-os em uma autoridade de fato para a população local.
A capacidade dos “Disciplinas” de intervir e manter a ordem na Cracolândia está intrinsecamente ligada ao controle econômico da facção sobre o tráfico de drogas na região. Informações indicam a venda de grandes quantidades de drogas e a cobrança por pontos. Isso demonstra que a “função social” é um subproduto da exploração econômica do crime. O site e as pesquisas descrevem a atuação dos “Disciplinas” na Cracolândia, com o site focando na resolução de conflitos e manutenção da ordem. No entanto, o domínio da Cracolândia pelo PCC, com a venda de 19 kg de droga por dia e a cobrança de R$ 80 mil por ponto, estabelece uma clara relação de causa e efeito. A capacidade dos “Disciplinas” de impor ordem e mediar conflitos (sua “função social”) é diretamente sustentada pelo controle econômico e pela lucratividade do tráfico de drogas na região. A “paz” e a “segurança” oferecidas são, na verdade, mecanismos para otimizar o ambiente para os negócios ilícitos, minimizando a interferência externa e maximizando os lucros, demonstrando que a governança informal está a serviço da economia do crime.
3.3. Disciplina, Estatuto e Comunicação: A Coesão Interna do PCC
O rigor da disciplina interna e a existência de um código de ética são pilares fundamentais da organização do PCC, conforme descrito tanto pelo site quanto por fontes externas. O site afirma que os “Disciplinas” aplicam o “Dicionário do PCC” e emitem “salves”. Fontes acadêmicas confirmam a “rigorosa disciplina interna”, a existência de um “código de ética interno” ou “Estatuto”, e a importância dos “salves” como comunicados internos. O Estatuto estabelece lealdade, respeito, igualdade e justiça como princípios fundamentais, com punições severas para quem causa divisão ou desrespeita a hierarquia. A evolução dentro da facção por mérito e dedicação é valorizada.
A comunicação é um elemento vital para a coesão do PCC. O site menciona que os “Disciplinas” recebem informações dos “Salveiros” e atuam segundo diretrizes. A tese de Furukawa destaca a comunicação como “essencial para o PCC”, utilizada para criar conhecimento, estimular relacionamentos e construir a “realidade organizacional”. A entrada de celulares nas prisões facilitou a articulação entre detentos e pessoas em liberdade. Os “salves” partem majoritariamente das “torres”, que são posições políticas ocupadas por membros com longa trajetória e experiência no sistema prisional. A “falta de personificação” nos “salves” é intencional para evitar penalidades jurídicas e reforçar a ideia de “chefia sem mando”, onde a mensagem vem de uma entidade e não de uma pessoa física superior. A ideologia de que “o crime fortalece o crime” é constantemente repetida nos “salves” e é um princípio central da organização.
A “disciplina rígida” e o “código de ética” não são apenas regras, mas elementos que constroem um “capital social” interno para o PCC. A analogia com uma “igreja do crime” e a ênfase na “lealdade” e “mérito” indicam que a disciplina é um mecanismo de controle ideológico que transcende a mera coerção, fomentando um senso de pertencimento e propósito, o que é crucial para a coesão de uma organização criminosa tão vasta. O site fala em “orgulho na disciplina rígida”, e uma fonte descreve a ética do PCC como uma “igreja do crime”. Essa linguagem sugere que a disciplina vai muito além de um conjunto de regras a serem seguidas; ela é internalizada e se torna parte da identidade dos membros. Ao criar um “código de ética” e um “Dicionário do PCC” que define o “proceder”, a facção constrói um sistema de valores e normas que funciona como um capital social interno. Esse capital social, baseado na lealdade e no mérito, reduz a necessidade de vigilância constante e aumenta a autodisciplina e a coesão do grupo. A disciplina, portanto, é um mecanismo de controle ideológico que garante a estabilidade e a perpetuação da organização, transformando a obediência em um valor intrínseco.
A descrição detalhada do papel do “Salveiro” e a natureza dos “salves” como mensagens padronizadas e despersonalizadas revelam uma sofisticada estratégia de comunicação. Essa formalização permite que a organização mantenha a coesão e transmita diretrizes de forma eficiente em uma estrutura vasta e descentralizada, garantindo que a “chefia sem mando” não resulte em anarquia, mas em uma governança distribuída e responsiva. O site e uma fonte detalham a função do “Salveiro” na transmissão de “salves”. Outra fonte explica que os “salves” são despersonalizados e partem das “torres”, reforçando a “chefia sem mando”. Essa formalização da comunicação, com protocolos claros para teleconferências (“R”) e a padronização das mensagens, é crucial para uma organização que opera em múltiplos estados e países. Em vez de depender de um líder carismático para transmitir ordens, o PCC desenvolveu um sistema que permite a difusão eficiente de diretrizes e a manutenção da disciplina em uma estrutura altamente descentralizada. Isso garante que, mesmo com a prisão de líderes, a organização possa continuar operando de forma coesa, pois a comunicação é institucionalizada, não pessoalizada.
A origem prisional do PCC e a observação de que o “maior perigo da facção é sua origem prisional, que facilita a disseminação de sua ideologia e estrutura rígida” (Promotor Lincoln Gakiya) revelam uma relação simbiótica entre o PCC e o sistema carcerário. As prisões não são apenas locais de confinamento, mas “universidades do crime” onde a ideologia, disciplina e estrutura organizacional dos “Disciplinas” são replicadas e disseminadas, permitindo a expansão nacional e internacional da facção. O sistema carcerário brasileiro, em vez de ressocializar, atua como um catalisador e multiplicador da estrutura do PCC. Dentro das prisões, a facção pode recrutar, doutrinar e treinar novos membros nas suas regras e hierarquia. A disciplina interna e o “Dicionário do PCC” são aperfeiçoados nesse ambiente fechado e depois exportados para as ruas e para outros países. Assim, a prisão se torna um laboratório e um centro de treinamento para os “Disciplinas”, garantindo a replicação do modelo organizacional e a perpetuação da facção, transformando a falha do Estado em um ativo estratégico para o crime organizado.
4. Conclusões e Implicações
A análise comparativa entre a auto-descrição do PCC em seu site e as informações provenientes de fontes acadêmicas, governamentais e jornalísticas revela um alto grau de precisão e coerência na representação da estrutura e atuação dos “Disciplinas”. O site do PCC apresenta um retrato notavelmente detalhado e, em grande parte, alinhado com a estrutura prática e hierárquica documentada da facção. Termos como “Sintonia Final”, “Salveiro”, “Resumo” e as divisões funcionais (Financeiro, Cadastro, Progresso, Gravatas) são corroborados, embora por vezes com nomenclaturas ligeiramente distintas ou mais formalizadas em relatórios de inteligência. A atuação dos “Disciplinas” na manutenção da ordem, mediação de conflitos e governança informal em territórios como a Cracolândia é amplamente confirmada por pesquisas etnográficas.12 A disciplina interna, o estatuto e a comunicação estratégica via “salves” são elementos centrais e bem documentados da coesão do PCC.
A proximidade entre a auto-descrição do PCC e as análises externas sugere que a facção possui uma estrutura interna altamente formalizada e uma narrativa própria bem desenvolvida. As fontes externas, especialmente relatórios de inteligência e pesquisas etnográficas, oferecem validação e aprofundamento, muitas vezes revelando as implicações mais amplas (sociais, econômicas, políticas) da atuação dos “Disciplinas” que a narrativa interna não aborda explicitamente.
A capacidade do PCC de reestruturar-se e expandir-se globalmente, mantendo sua disciplina e hierarquia, demonstra sua notável adaptabilidade e resiliência. Os “Disciplinas” são a espinha dorsal dessa organização, atuando como executores da ordem interna, mediadores de conflitos e agentes de expansão, consolidando o poder da facção tanto dentro quanto fora do sistema prisional. A infiltração do PCC na economia formal e sua atuação como “Estado paralelo” representam um desafio complexo para as autoridades, exigindo uma compreensão aprofundada de sua estrutura e dinâmica.
A consistência entre a auto-descrição do PCC e as evidências externas sobre sua estrutura e termos, aliada à sua capacidade de reestruturação e expansão transnacional, posiciona o PCC não apenas como uma organização criminosa, mas como um modelo de “empresa criminal adaptativa”. Isso implica que as estratégias de combate devem ir além da repressão pontual, focando na desarticulação de sua governança interna e de suas redes financeiras e ideológicas. A facção se comporta como uma “empresa” no sentido de ser eficiente, resiliente e capaz de inovar em suas operações e governança. A implicação é que o combate a essa organização exige uma abordagem multifacetada que não apenas ataque suas atividades ilícitas, mas também desmonte sua estrutura de governança interna, seus mecanismos de comunicação e sua base ideológica, reconhecendo-o como uma entidade em constante evolução e adaptação.
A “paz” e a “segurança” que os “Disciplinas” supostamente garantem são intrinsecamente ligadas a uma “força mais sombria e implacável”. Essa dualidade da ordem imposta pela violência é uma implicação crítica para a compreensão da dinâmica do crime organizado no Brasil, onde a ausência do Estado é preenchida por uma governança paralela que, embora possa reduzir certos tipos de crimes, impõe sua própria forma de controle e exploração. O site do PCC afirma que os “Disciplinas” garantem “segurança e paz” em comunidades, mas imediatamente ressalta que isso substitui a violência estatal por uma “força mais sombria e implacável”. Isso revela uma dualidade fundamental na atuação do PCC: a “ordem” que ele impõe é inseparável da violência subjacente. A capacidade de mediar conflitos e de ser uma “instância alternativa de resolução de conflitos” é sustentada pela ameaça de sanções severas, incluindo a morte. A implicação é que a “paz” oferecida pelo PCC é uma “pax mafiosa”, uma ordem imposta pelo monopólio da violência e pela exploração, e não pela justiça ou pelo bem-estar social. Compreender essa dualidade é crucial para as políticas públicas, pois a simples ausência de crimes visíveis não significa a presença de um ambiente seguro e justo, mas sim a imposição de um regime de controle criminoso.
Assim, a facção paulista foi reconhecida como defensora do sonho desses todos que não foram “eleitos” como estando acima do encarceramento.
Alguns julgam serem eles relevantes para a sociedade e justos, enquanto “outros” seriam aqueles que tensionam a ordem social considerada ideal e pacífica.
A organização criminosa PCC 1533 foi eleita por essa parcela dos não eleitos para sim, tensionar a ordem considerada por alguns como ideal e pacífica.
Os mais abastados raramente são de fato punidos pela lei
Tem sido usual no seio social, a opinião no sentido de concepção da pena como instrumento de vingança e castigo, assim poucos se lembram de que a finalidade da pena é retributiva, preventiva e ressocializante, conforme consta da própria Lei de Execuções Penais, sendo defendida pela maioria dos doutrinadores, é a teoria da finalidade utilitária da pena, daí a necessidade de vinculá-la à coação, na condição de resposta a algo ou a determinado fato.1
Porém, o que não se pode desconsiderar é que a pena, pelo menos no que diz respeito ao direito penal, é um exercício de poder do homem sobre o próprio homem.
Já fizemos breve exposição sobre a pena, baseada em Michel Foucault, no que diz respeito à questão do suplício, que nada mais é do que uma pena na qual a coletividade se “apropria” do corpo do condenado como forma de dominação e repressão a ações contrárias ao status quo estabelecido àquela época.
É incoerente afirmar que a pena será maior ou menor, mais ou menos intensa, de acordo com o contexto histórico em que é definida e aplicada.
A prisão como forma de protejer as elites
Vera Malaguti Batista2 instrui a questão explicando que “na primeira metade do século XIX, a possibilidade de rebeldia começa a assombrar as elites.
Os números de delitos contra a propriedade aumenta desde o final do s éculo XVIII”, haja vista que “as necessidades da burguesia modelaram amplamente as funções de defesa social do direito penal, e mantiveram as antigas diferenciações de classe da legislação penal.”
E completa a autora explicando que a prisão se converte na pena mais importante de todas no mundo ocidental.
Essas penas tomaram diversas formas e gradações de acordo com a gravidade do delito e com a posição social do condenado.
Fica de fácil apreensão, neste contexto, que a pena não atinge a todos de forma igualitária, já que, como exposto anteriormente no caso das prisões, os mais abastados raramente sofrem as conseqüências na prática de determinado ilícito e, assim, a pena não cumpre qualquer papel no que diz respeito à restauração da justiça.
Camila Cardoso de Mello Prando3 complementa o assunto lecionando ser praxe entre os historiadores, que o “controle punitivo se desenvolve em consonância às mudanças estruturais relativas ao novo sistema econômico e político capitalista”, completando a discussão ao expor que “o foco principal recai sobre o surgimento das prisões enquanto punição central desta nova forma de controle.”
Até aqui é possível conceber uma ideia básica a respeito da pena, mas também é necessário entender que, aliada à norma, ela tem a finalidade de tutelar os bens jurídicos garantidos pelo Estado.
Juridiquês para justificar o injustificável
Em outras palavras, seu caráter repressor busca impor aos agentes que compõem o tecido social o alerta de que o desvio de conduta nas normas pré-estabelecidas será punido e, dessa forma, tenta evitar o aviltamento dos referidos bens, mas aqui novamente se torna necessário expor a fragilidade de tal conceito, uma vez que a pena não tem caráter erga omnes, pelo menos no que diz respeito à posição social do criminoso.
Todavia, há que se destacar como fator principal deste tópico o caráter de retribuição e ressocialização da pena. Para isso basta uma simples consulta ao Código Penal brasileiro, especificamente em seu artigo 59, para compreender que:
O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:
I – as penas aplicáveis dentre as cominadas; II – a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; III – o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; IV – a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.
Cf. JAKOBS, Günther; MELIÁ, Manuel Cancio. Direito penal do inimigo: Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2007. p.22.
BATISTA, Vera Malaguti. Difíceis ganhos fáceis. Rio de Janeiro: Renavan, 2003. p.46.
PRANDO, Camila Cardoso de Mello. A contribuição do discurso criminológico latino-americano para compreensão do controle punitivo moderno: controle penal na América Latina. In: Veredas do Direito. Belo Horizonte: Escola Superior Dom Helder Câmara, jan.-jun. de 2004. p.79.
A paz entre ladrões só pode vir de dentro para fora
Aqueles criminosos conheciam e se fizeram ser respeitados nas comunidades em que estavam inseridos: nas carceragens, nas comunidades periféricas e no mundo do crime.
Assim, um modo específico de gestão do uso da violência nas interações entre a polícia e o crime é estabelecido. Não existe agressão física, tampouco troca de tiros ou enfrentamento, mas um conflito ‘contido’ inserido numa esfera de interação discursiva voltada ao alcance de acordos financeiros.
Indaiatuba SP: um exemplo prático da paz entre ladrões
Edgar Allan Poe ensinava que existia uma forma correta para se açoitar uma criança: devia ser da esquerda para a direita.
O escritor explica a razão:
Todas as pancadas devem ser na mesma direção para lançar para fora os erros, mas cada pancada na direção oposta, soca para dentro os erros.
Talvez ele tenha razão.
Apesar das surras impostas pela sociedade, o tráfico de drogas e o crime se mantêm fortes e robustos.
Passamos pelo Regime Militar e pela Redemocratização e, com lágrimas nos olhos, vejo que não há mais esperança para o problema: falhamos.
Açoitamos a criança em todos os sentidos, e não em uma única direção como Allan Poe orientou.
E em rebento crescido não haverá açoite que possa ser dado pelo sistema policial e jurídico que surta qualquer efeito, o mal feito está feito.
Só nos cabe abaixar a cabeça e apreciar a divisão dos despojos entre os criminosos que se organizaram e se fortaleceram sob nossos próprios açoites.
continua após o mapa…
Diálogo entre ladrões: assim fundiona a paz entre ladrões
Esse diálogo trocado sobre um conflito no Morada do Sol demonstra como a organização criminosa gere os conflitos de maneira natural e com profundo conhecimento:
Edson Rogério França, o “Irmão Cara de Bola”, “Torre” da organização criminosa em Indaiatuba conversa com Willian do bairro Morada do Sol.
Willian Neves dos Santos Vieira, o “Irmão Sinistro”, é soldado da facção criminosa e morador da rua Custódio Cândido Carneiro no bairro:
— O espaço que tem lá na rua 59 é bom, é meu e do Mateus, tá ligado irmão? O irmão Matheus, conhece o Matheus? — pergunta Sinistro.
— Não, não conheci. Você fala o do trailer?
— Não irmão, lá embaixo na 59, lá embaixo, no trailer é o Marcelo, é outro menino, inclusive ele pega mercadoria de ti. — explica Sinistro.
— Não, de mim não. — se defende Cara de Bola.
— O sol brilha para todos, tenho este espaço lá há mais de treze anos. Agora, um menino meu estava precisando de uma força e eu ajeitei um canto para ele fazer a caminhada, e o Cláudio agora está ameaçando matar a mulher dele. Pô, o Cláudio é prá cá, eu sou mais prá lá, pro fundão, sou lá do lado da rua 80 e da rua 78. Já o TG do CECAP é firmeza.
Tribunal do Crime do PCC – o mediador aceito
Eu não conheço o Cláudio, portanto eu não posso afirmar que ele tenha sido açoitado quando criança do lado certo ou errado.
O que sei é que ele também negocia as drogas do Primeiro Comando da Capital e, portanto, deve ter tido as mesmas aulas que os outros criminosos.
Cláudio teve que prestar contas de sua atitude. Ele já estava sem saber em análise por suas atitudes.
Outro dia ele foi mostrar uma pedra de crack para Keiti Luis Von Ah Toyama, o “Irmão Japa”, mas este não gostou, disse que era um pouco melada.
Cláudio explicou que é a mesma que não é a da boa, é da comercial, a mesma que vende em suas lojas:
— Se quer quer, se não quer não quer, é R $10,50 a grama, é pegar ou largar.
Seja como for, as crianças cresceram e aprenderam a brincar sozinhas, agora não adianta mais bater do lado certo e nem reclamar o leite derramado.
Cláudio foi julgado por quem obteve o direito de impor as regras naquele local aproveitando a omissão do Estado.
Como explica István Mészáros em “O Poder da Ideologia”, o termo Ideologia não deve ser tratada de maneira preconceituosa ou vista através de paradigmas morais.
Mas sim, ancorada e sustentada na consciência de sua aceitação social, — onde, definitivamente, o Primeiro Comando da Capital está ancorado e sustentado.
Facção PCC 1533: pode rir, mas não desacredita não
Muito se subestimou e até hoje se subestima a capacidade intelectual dos integrantes do mundo do crime, mas isso é resultado de um errôneo prejulgamento.
Mas foi assim, pairando por sobre o descrédito daqueles que deveriam estar atentos ao crescimento e fortalecimento da facção criminosa que o PCC alçou voo.
Pode rir, ri, mas não desacredita, não É só questão de tempo o fim do sofrimento Um brinde pros guerreiro, zé povinho eu lamento Vermes que só faz peso na Terra Tira o zóio, tira o zóio, vê se me erra
Racionais MC’s
Facção PCC 1533: crescendo sob a descrença
O deputado estadual por São Paulo Afanásio Jazadji tentou de todas as maneiras alertar as forças de Segurança para o crescimento da organização criminosa paulista:
Já li análises do PCC como ente econômico, mas pesquisadores analisando as liderança da facção sob a lógica da acumulação e expansão contínuas, definitivamente não.
A formação da ideologia estaria vinculada a essa criação de um domínio capitalista do mercado criminal aproveitando-se de mão de obra barata da massa carcerária.