Site de notícias, estudos, artigos acadêmicos, fatos, histórias, e estatísticas referentes à facção paulista.
Autor: Ricard Wagner Rizzi
O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)
As vítimas são todas muito jovens com menos de 25 anos, algumas sem ficha criminal, e todas tendo sido mortas a sangue frio, e em pelo menos dois casos tendo sido torturadas sadicamente, depois mutiladas e finalmente mortas.
Outra coisa comum nessas mortes são bilhetes deixados, ora em português, ora em espanhol, direcionados a outros alvos possíveis, explicando, em parte, os motivos dos assassinatos.
Seria uma guerra entre facções ou, como parece mais provável, o trabalho de um novo esquadrão da morte.
O artigo escrito em italiano descreve a ação dos Justiceiros da Fronteira e demonstra a falta de consistência das acusações que o Primeiro Comando da Capital estaria envolvido com os assassinatos cometidos por eles. — leia o artigo de Fancesco Guerra no latinamericando.info
Como funcionava o núcleo do Primeiro Comando da Capital da cidade de Caraguatatuba no litoral de São Paulo
Foi negado o habeas corpus para José Francisco. Nada que o advogado alegou foi aceito pelo Tribunal de Justiça e uma a uma as teses foram caindo.
Para quem não se lembra do caso, José Francisco caiu com outros sete acusados de pertencer a uma célula do Primeiro Comando da Capital que atuava no Morro do Algodão em Caraguatatuba no litoral de São Paulo.
Até outubro de 2019, quando o esquema foi descoberto, ele e os demais, todos moradores do morro ou próximos a ele, foram presos com 43 quilos de maconha, 800 gramas de cocaína e 700 de crack, que estavam uma bela residência na rua São Miguel que era usada como “padaria” e depósito.
A venda das drogas ficava por conta dos moleques que ficavam pelas ruas do “Brejinho” próximo a EMEI, entre as ruas um e dez, e na rua São Marcos — segundo os moradores do bairro, o grupo afirmava que eles eram da facção PCC e se alguém denunciasse morreria.
O Bar do Leão na rua três era o ponto de encontro para relaxar, conversar e passar as mercadorias para a distribuição e o recebimento dos valores das vendas. Era lá que se podia procurar o Véio Lau, cujo padrasto, José Francisco, tentou sem sorte o habeas corpus.
Veio Lau é uma liderança que, não só dominava o comércio de drogas naquela quebrada, mas também era o responsável pela distribuição de armas para quem precisasse no mundo do crime, pela venda e direito de exploração de biqueiras, e até articulava atentados contra a vida de policiais que vivem na região.
Sempre conversando com ele estava seu braço direito, o Nego Bifa, gerente do tráfico e quem controlava os moleques, e o Leandro, que fazia a segurança das biqueiras e do depósito da São Miguel.
Bolão era outro personagem importante no esquema do Véio Lau, era o disciplina do PCC da quebrada, o cara responsável pelo cumprimento do Estatuto e do Dicionário.
A Renata que cuidava do tráfico nos bares do Golfinho e Morro do Algodão, e no Bar do Formiga, que era o ponto mais forte, e o Orelha e o Quadrado faziam os corres para não deixar os moleques na rua sem mercadoria para vender, pegando as coisas na casa da rua São Miguel onde o Rafael ficava organizando o estoque e embalando as paradas.
No dia que a casa caiu para todos eles e o esquema desmorona, foram apreendidos carro, armas, balanças de precisão, prensas, celulares, notebooks, recibos de depósito, uma caminhonete, algum dinheiro, explosivos e armas de airsoft e munição de festim.
Um misterioso esquadrão de vigilantes operando na fronteira entre Brasil e Paraguai está matando suspeitos de ladrões e deixando bilhetes ao lado de seus corpos mutilados, uma mensagem macabra mesmo em uma região atolada na violência das drogas.
Na noite de 1º de agosto, dois irmãos brasileiros foram mortos a tiros na fronteira entre o município brasileiro de Ponta Porã, no estado de Mato Grosso do Sul, e a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, no departamento de Amambay, conforme noticiado pelo G1 Globo.
Segundo a mídia brasileira, esta é a sexta execução na área em menos de uma semana. E como nos assassinatos anteriores, no local dos fatos deixaram 30 balas usadas e uma nota assinada pelos “Justicieros de la Frontera” (Justiceiros da Fronteira), que diz que “não se aceitarão mais roubos na região” .
Essas mortes elevam o número de mortos no lado brasileiro da fronteira para 53 nos primeiros seis meses deste ano, um aumento de 30% em relação às 39 pessoas mortas entre janeiro e julho de 2020, segundo relatório da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP), a que a imprensa brasileira teve acesso.
Por outro lado, 34 pessoas morreram nas mãos de pistoleiros no lado paraguaio da fronteira e outros 21 assassinatos ainda estão sendo investigados, segundo o G1 Globo com base em dados da polícia paraguaia.
“[As execuções se devem] aos contratempos sofridos pelo narcotráfico com o aumento das apreensões. Nos primeiros sete meses de 2021, mais de 480 toneladas de entorpecentes foram apreendidas. [Portanto] alguns traficantes buscam repor seus recursos roubando de outros traficantes ”.
Enquanto os Justicieros de la Frontera já fizeram aparições na região da fronteira entre o Brasil e o Paraguai, a questão permanece: quem exatamente é esse grupo desconhecido?
Os Justicieros de la Frontera surgiram na década de 2010 em resposta ao aumento de roubos e assaltos. No entanto, o grupo permaneceu inativo por vários anos. Então, em maio de 2018, um jovem paraguaio residente na fronteira foi sequestrado e morto. Eles cortam suas mãos, que é como o grupo pune os ladrões. O bilhete que deixaram perto de seu corpo terminou com uma palavra: “voltamos“.
Desde então, o esquadrão da morte esporadicamente assassinou suspeitos de pequenos ladrões em ambos os lados da fronteira. Seu modus operandi sempre foi o mesmo: eles matam suas vítimas e deixam um bilhete ao lado dos corpos.
Proclamando-se como protetores dos habitantes, o grupo parece ser uma versão mais violenta das milícias urbanas de extrema direita do Brasil. As mensagens ao lado dos cadáveres também lembram os grupos de autodefesa do México que há muito buscam conter as ondas de violência geradas pelo tráfico de drogas. Embora relatos da mídia indiquem que os Justiceiros de la Frontera foram formados pelo mesmo símbolo, é impressionante que eles não tenham atacado nenhum traficante de drogas conhecido.
A área de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, disputada por ser uma importante rota de tráfico, é atualmente um reduto indiscutível do PCC. Os membros dessa gangue também exercem forte controle social sobre os habitantes da região e são conhecidos por atacar aqueles que estão em seu caminho. É por isso que é improvável que o esquadrão da morte pudesse operar sem o conhecimento da gangue ou sua aprovação tácita.
Contrapondo a análise do InSight Crime
O primeiro contato que tive com o caso dos Justiceiros da Fronteira foi através de um paraguaio que, estando em uma prisão com PCCs, me fez chegar vídeos e fotos que corriam em grupos de WhatsApp de faccionados com comentários indignados dos integrantes do PCC quanto à injustiça que um grupo estava se cometendo.
“Covardia dos Justiceiros que matam mulheres que não são do crime”.
Busquei contatos com integrantes da organização criminosa desse lado da fronteira e a reação era a mesma:
“… não correm pelo certo. São vendidos para comerciantes. No Paraguai o PCC só corre com o EPP.”
me disse uma liderança
No entanto, não é necessário usar de conhecimento empírico para chegar a conclusão que foi duvidosa a análise do InSight Crime sobre o caso no que tange ao envolvimento do Primeiro Comando da Capital.
Segundo o artigo de Alessandro Ford, o suposto envolvimento da organização criminosa paulista se baseia em informações da polícia brasileira que apresenta para justificar sua posição argumentos no mínimo risíveis.
Um argumento utilizado…
“[As execuções se devem] aos contratempos sofridos pelo narcotráfico com o aumento das apreensões. (…) [Portanto] alguns traficantes buscam repor seus recursos roubando de outros traficantes .”
Secretário de Segurança Pública Antônio Carlos Videira.
O analista do InSigth Crime em seguida dessa frase grafa sem se preocupar em justificar a contradição:
“… é impressionante que eles não tenham atacado nenhum traficante de drogas conhecido.”
Cabe perguntar: conhecido de quem cara pálida?
Os dois irmãos mortos eram bem conhecidos na região. Em um dos vídeos gravados por eles, estavam com o veículo com pelo menos uma dezena de tijolos de drogas.
Outra vítima, um integrante da facção Primeiro Comando da Capital, faz o sinal do três com os dedos enquanto segue com o carro ostentando armamento — essas contradições foram varridas para debaixo do tapete, mas não acabam por aí.
O InSight Crime sequer considerou questionar a razão pela qual, tão desesperadamente o Secretário de Segurança tenta incriminar os integrantes do PCC, mesmo que em uma semana diga que ele declare:
“Os crimes contra o patrimônio causam clamor público e enchem a região de polícia e isso atrapalha o negócio deles (traficantes)”.
… e na semana seguinte declare que eles traficantes estão atacando outros traficantes para compensar as perdas impostas pela polícia.
… o outro argumento utilizado…
“É por isso que é improvável que o esquadrão da morte pudesse operar sem o conhecimento da gangue ou sua aprovação tácita.”
Esse trecho é CtrlC CtrlV utilizado de norte a sul do Cone Sul: do ataque aos indígenas na Amazônia à morte do político Carlos Rubén Sánchez, o “Chicharõ,” no Paraguai — mesmo que o ataque aos Yanomamis tenha usado tática de milícia em uma área de forte influência do Comando Vermelho; e o político paraguaio tenha se desentendido com seu sócio ligado ao grupo criminosos carioca.
… tem mais…
Alessandro Ford também baseia sua conclusão que a facção PCC domina a região fronteiriça do Paraguai, e portanto seria “improvável que o esquadrão … pudesse operar sem seu conhecimento…” em um artigo do próprio InSight Crime.
Por maior que seja o respeito que se deva a Paes Manso e Camila Dias, a realidade mudou após a escrita daquele artigo.
Ainda hoje, toneladas de drogas passam pelo Paraguai em direção aos redutos do Comando Vermelho e outros grupos inimigos da facção paulista, e se, de fato houvesse hegemonia do PCC, isso não ocorreria — também desmonta essa teoria a resistência de grupos locais como o clã Rotela ou o assassinato constante de PCCs em território paraguaio por integrantes do Comando Vermelho.
… apesar desses pequenos detalhes…
A reportagem e análise do site foram bem fundamentadas, fazendo crer que o autor optou, por alguma razão, a aceitar a versão oficial sem apontar os possíveis culpados e aqueles que tentam ocultá-los e protegê-los.
Não me atentei muito na leitura, mas quantos foram mesmos os assassinatos que continuam sem serem esclarecidos? Há quantos anos foi a primeira morte sem esclarecimento? Quem está investigando é a Polícia Civil que está subordinada ao secretario Antônio Carlos Videira?
Citando Sérgio Luiz Souza Ribeiro Filho, crava que as instituições públicas deveriam assumir o controle da imposição de regras dentro dos presídios, algo que hoje está nas mãos das facções criminosas, em especial o Primeiro Comando da Capital.
Chama Leandro Menini de Oliveira para explicar que as organizações criminosas ganharam força nos presídios “ao longo dos anos, irá se intensificar ainda mais se não houver um posicionamento mais eficiente da estrutura de controle do Estado”.
Ari cita meio envergonhadamente, mas com uma pontinha de admiração, a doutrina do alemão Gunther Jakobs conhecida como Direito Penal do Inimigo, que prega em suma, a exclusão dos direitos fundamentais dos encarcerados.
Apesar de eu, particularmente gostar da ideia da família Bolsonaro cumprindo pena por seus crimes nesse sistema penal, eu luto para que ninguém, inclusive ela, seja privada de seus direitos básicos.
O PCC e a realidade do sistema carcerário brasileiro
Ari, no entanto, parece desconhecer a realidade carcerária, a história da facção PCC e da organização dos encarcerados no Brasil.
A facção paulista que dominou os presídios se contrapôs à política enrustida baseada na decrépita teoria Direito Penal do Inimigo, aplicada durante o Regime Militar e no governo de Fleury Filho em São Paulo, e que Ari parece ter uma ponta de admiração.
Durante a política populista de Fleury, cabeças rolavam no interior dos cárceres como protesto contra celas onde presos dormiam sentados, encostados uns nos outros sem banho, sequer de sol, só comiam os mais fortes e os estupros de encarcerados e familiares eram constantes.
Ari e tantos outros que hoje se mostram preocupados com o “controle do Estado” dentro dos presídios, fazem questão de esquecer que foi justamente a falta de “controle do Estado” que causou todo o problema.
O artigo cita a opressão carcerária apenas uma vez, para dizer que o PCC deixou de aplicar aquilo que prometia em sua criação, e a única vez que cita o problema da superlotação, termina com essa pérola:
“O contexto fático-social contemporâneo apresentado pelos presídios nacionais acaba por exigir do Estado uma maior eficiência em face do combate ao crime organizado no País, tendo em vista que as medidas adotadas até o presente momento parecem não ter surtido efeitos positivos”.
Direitos humanos, direitos fundamentais, higiene, condições carcerárias são questões totalmente ignoradas ou relativizadas no texto, em compensação o “controle do Estado” é citado onze vezes e “intervenção” aparece dezenove vezes.
Ari de Moraes Carvalho descobriu a roda, ou melhor, o celular
Foram 51 citações das comunicações telefônicas
Creio que seu texto foi uma ode aos governos do PSDB, do qual deve ser um grande admirador, visto que foram justamente os governadores tucanos paulistas que conseguiram eliminar quase por completo a presença dos celulares nos presídios através de um rígido controle e escaneamento das visitas — pleito que ele agarra com as duas mãos gritando a plenos pulmões que essa é a solução.
Há alguns anos, fui chamado a Delegacia de Polícia para dar explicações sobre esse site. Em determinado momento fui inquirido sobre qual seria a solução problema carcerário, ao que eu respondi que “essa é uma questão complexa, que exige uma solução complexa e interdisciplinar, se fosse algo muito simples, era só perguntar para o presidente Bolsonaro”
A sociedade vive momentos críticos, o que existe de pior em nós está tomando as ruas e os Justiceiros da Fronteira estão aí para provar.
Não presto homenagens a criminosos mortos.
Presto solidariedade às famílias enlutadas, cujos filhos foram engolidos pela podridão que nós deixamos escapar das fossas mais profundas de nossa sociedade.
Descansem em paz guerreiros, torturados e mortos na covardia. Fiquem na certeza que a justiça se fará, porque Deus é fiel e a Família é forte.
Descansem em paz você que está indiferente ou festejando a morte dos garotos e das garotas na fronteira achando que não é um problema seu.
Descansemos em paz todos nós enquanto podemos — com a mente tranquila dos que ignoram a chegada das grandes tempestades.
O mundo do crime não é para os fracos.
Há dez anos, eu e o Primeiro Comando da Capital andamos lado a lado — ele no lado dele, eu no meu lado; ele observa de perto minha caminhada, eu observo de perto a caminhada dele.
Nesses dez anos, assisti muita morte cruel. Vi execuções ordenadas pelo Tribunal do Crime do PCC, mortes em invasões de comunidades rivais e durante operações de assaltos — geralmente chegavam gravadas e ao vivo.
O mundo do crime não é para os fracos, mas o mundo do crime tem sua ética.
A mais cruel de todas havia sido até ontem a decapitação de um integrante do Comando Vermelho com um facão sem fio — uma morte lenta e dolorosa em uma guerra entre facções onde quem entra sabe que é para matar ou morrer.
Considero insana essa guerra e desajustados os integrantes das organizações criminosas beligerantes, no entanto, entendo que ambos os lados consideram uma guerra justa pelo domínio de territórios, mercados e pela própria sobrevivência.
O mundo do crime não é para os fracos, o mundo do crime tem sua ética, mas e “as pessoas de bem”?
Ontem fui surpreendido com a mais cruel e insana de todas as mortes, executada por sádicos que antes da era Bolsonaro se limitavam a se masturbar assistindo filmes de morte em seus computadores e torturar animais domésticos, mas que agora ganharam as ruas.
Os “Justiceiros de la Frontera” ou os “Justiceiros da Fronteira” cortam um garoto ainda vivo, membro por membro, enquanto o jovem grita desesperado, nu, preso por correntes no pescoço, mãos amarradas nas costas e as pernas seguras cada uma por um homem.
A captura e execução não condiz com o modus operandi das milícias e das organizações criminais brasileiras, mais parecendo cenas de filmes de sadismo trashs que os “cidadãos de bens” assistem excitados em suas alcovas.
O mundo do crime não é para os fracos, o mundo do crime tem sua ética, mas as “pessoas de bem” lideradas por Bolsonaro?
De dentro de um presídio no Paraguai me chega a informação de que o boato que corre por trás das muralhas é que esses dementes são patrocinados por comerciantes dos dois lados da fronteira e que suas ações contam com a participação ou facilitação de policiais civis do Mato Grosso do Sul.
Confio que a Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, que está investigando os assassinatos dos Justiceiros, e que está realmente empenhada em descobrir os culpados, assim como, no passado, confiei que o delegado Fleury elucidaria as execuções.
O mundo do crime não é para os fracos, o mundo do crime tem sua ética, mas as “pessoas de bem” lideradas por Bolsonaro, estarão dispostas a entrar nesse mundo?
O Secretário de Segurança do Mato Grosso do Sul Antonio Videira demonstrou que a insanidade do presidente Bolsonaro apodreceu a alma de nossa sociedade, ao relativizar a importância da vida, da ação do Estado e da Justiça, ao mesmo tempo em que ressaltou a importância do patrimônio privado:
“Os crimes contra o patrimônio causam clamor público e enchem a região de polícia e isso atrapalha o negócio deles (traficantes)”.
Videira age da mesma forma que o presidente quando este grava um vídeo condenando a vacina e o isolamento social e depois grava outro vídeo dizendo que nunca foi contra a vacina e o isolamento social e que a culpa é do Supremo que não deixou agir.
Videira sabe que as facções brasileiras e os clã paraguaios não mandam recado em bilhete para outros criminosos, essa é uma ação típica da milícia, mas com uma característica única que só poderia ter sido formada dentro do nosso caldo social:
Videira sabe que traficantes ligados ao Primeiro Comando da Capital estão entre os torturados e mortos.
Videira sabe que está mentindo, mas ao que faz parecer, quer proteger os comerciantes, agentes públicos, e filhotes sádicos da elite que estariam envolvidos nos crimes.
“Cidadãos de Bens” armados, com dinheiro e poder, deixam aflorar o sadismo e a podridão que antes tinham que conter, apoiados por uma mídia muitas vezes manifestamente favorável aos justiçamentos seletivos, com a participação ou complacência dos agentes públicos de Segurança Pública e apoiados por parte ensandecida da população e empoderatos todos pelo discurso do presidente da República e seus asseclas.
O mundo do crime não é para os fracos, o mundo do crime tem sua ética. As “pessoas de bem” lideradas por Bolsonaro estão a entrar para esse mundo, mas aguentarão as consequências?
Antigamente era comum ouvir de um criminoso: “o senhor está fazendo o seu serviço”.
Em maio de 2006 o mais poderoso estado do Brasil parou frente ao poder do Primeiro Comando da Capital, que comandou ataques em todo o estado, matando mais de 59 agentes públicos: policiais, bombeiros, guardas civis municipais e agentes penitenciários
Em torno de mil pessoas, incluindo: agentes públicos, criminosos e civis que nada tinham a ver com o assunto. Quase todas mortas por policiais em serviço ou em horário de folga.
Pouco se fala sobre a causa dessa chacina: a política de justiçamento e de extorsão por parte de agentes da polícia com a complacência da imprensa, das classes políticas, do Ministério Público e da Justiça — acreditaram que não deveria haver lei para os fora da lei.
O caso Castelinho de 2002 foi emblemático: a polícia infiltrou um informante dentro de um grupo criminoso, criou uma falsa oportunidade de assalto, incentivou a reunião de criminosos para a falsa ação, emboscaram e mataram doze integrantes da facção PCC.
Hoje é difícil ouvir de um criminoso: “o senhor está fazendo o seu serviço” — quebrou-se uma ética que existia entre o mundo do crime e as forças de segurança.
A Polícia Militar de São Paulo sentiu isso na prática em 2011 e 2012 quando voltou a ser atacada pela organização criminosa paulista.
Mês passado em São Carlos, foi condenado a 16 anos de prisão um dos últimos integrantes do Primeiro Comando da Capital que ainda aguardavam julgamento pelas mortes de policiais naqueles dois anos — segundo a BBC Brasil, os dados demonstram que a Força Tática e a Rota receberam o recado e diminuíram a taxa de letalidade a partir de 2013.
O mundo do crime não é para os fracos, o mundo do crime tem sua ética. As “pessoas de bem” lideradas por Bolsonaro estão a entrar para esse mundo, mas aguentarão as consequências? Quantos morrerão em uma nova guerra e a quem ela interessa?
Anabel era uma garota que não tinha nenhum envolvimento com o crime, ao contrário de seu namorado o Mateo, e os jovens namorados foram mortos em uma choperia em Pedro Juan Caballero — outros garotos mortos, até para desmentir a ridícula versão do Secretário de Segurança Antônio Videira, não eram assaltantes, mas sim traficantes.
Eu já assisti dezenas de punições de ladrões que roubam em comunidade e são executadas pelo PCC: são espancamentos e muito raramente um tiro ou uma facada no pé ou nos dedos — jamais tortura e execução, e os executores citam o nome da facção.
A população que aplaude e se excita em seus sofás assistindo às mortes pela tv ou em sua segurança pelos celulares e computadores está alimentando um monstro confiando que o mal não irá atingi-las.
Se a retaliação vier, como sempre será sobre as forças de seguranças, principalmente policiais civis e guardas civis municipais que estão na linha de frente e não aqueles que se trancam dentro das delegacias e por trás dos muros de suas residências e comércios.
Uma guerra entre as forças de segurança e o Primeiro Comando da Capital pode interessar justamente a Bolsonaro e os criminosos que o acompanham e sustentam, mas não às centenas famílias de moleques, garotas e agentes públicos que tombarão nas ruas.
O mundo do crime não é para os fracos, o mundo do crime tem sua ética. As “pessoas de bem” lideradas por Bolsonaro estão a entrar para esse mundo, mas aguentarão as consequências? Quantos morrerão em uma nova guerra e a quem ela interessa? Não a mim, não a você e muito menos a todas as famílias enlutadas pela covardia e a podridão dessa onda que está a nos afogar.
O que a alta hierarquia da facção Primeiro Comando da Capital espera dos “gerais do estado” nessa nova fase da organização criminosa.
Meus irmãos, aí um abraço, boa noite para todos da parte do André Júnior, tamô junto meus irmãos?
Bom meus irmãos, a caminhada é a seguinte.
Nós estamos reunindo para trocar um papo com vocês em relação a várias situações que vem acontecendo dentro dos estados, mas principalmente, estar conscientizando e estar tentando trazer uma imagem para vocês em relação a realidade que a gente vive hoje.
O Primeiro Comando da Capital está carente de liderança.
Carente de líderes, mas porque carente de líderes André Júnior, se todos os estados tem a sintonia, se todos os estados tem todo mundo puxando bonde, porque que está dessa forma?
Tá carente irmãos, porque o Comando precisa de líderes e não de chefes. Infelizmente, a gente, tem se deparado com alguns irmãos que não tem levado o Comando tão a sério, da forma que tem que ser.
Do que que a gente precisa? Nós precisamos que vocês tomem ciência da importância que é ser uma liderança, que mostra a direção mais real que a gente tem que seguir, ou seja, a direção aonde leva todo mundo a pregar e viver nossa ideologia.
O Comando hoje, vive um momento delicado em relação às facções, e muitas vezes os irmãos não tá tendo ciência disso aí. Os irmãos tem que procurar trazer a nova cara do PCC para seu estado.
Hoje, a nossa maior dificuldade é fazer os irmãos entender que o Comando é uma organização criminosa que tem que ser levada a sério: o comando não tem que ser tratado como se fosse um clube social.
É como fala no nosso Estatuto: o Comando não tem que ser tratado como se fosse uma quadrilhina ou um bando de vila.
O Comando é uma organização criminosa muito séria por sinal — é compromisso de vida que a gente faz, é a nossa vida que está ali no momento em que você aceita o convite.
Você tem que tomar ciência que ser liderança no seu estado é você deitar planejando o que vai ser melhor para o Comando no outro dia.
Você tem que tomar ciência que ser liderança no seu estado, é você planejar algo que seja em prol do interesse coletivo, e não interesse próprio.
Ser liderança no seu estado é você buscar cada dia mais tá aprimorando conhecimento, evoluindo, crescendo do seu estado em nossa organização.
Ser liderança no seu estado é muitas vezes você ter que se abster da sua família, dos seus corres particular, das suas necessidades pessoais prá viver em prol do Comando.
Isso é ser uma liderança dentro do seu estado.
Eu não estou aqui tentando dizer para vocês pararem de viver, ou deixar de ter família, ou deixar seus corres não. Eu estou querendo dizer que vocês tem que levar o Comando muito mais a sério, do que da forma que tem sido levado.
É inadmissível para nós achar que a Sintonia do Comando é só depois da sete horas da noite. É importante para nós entender que o Comando é uma filosofia de vida, é uma ideologia que a gente segue, que a gente escolheu para nós.
Porque querendo ou não, se nós não tiver de mão dada, se nós não tiver unido, nós infelizmente não vai conseguir alcançar o nosso objetivo.
Então irmão, é primordial que a gente faça uma conscientização de nossa luta para que os irmãos do estado comecem a refletir e seguir a nossa luta da maneira que tem que ser irmão.
Porque não adianta dizer que “sou liderança dentro do meu estado, eu sou isso, eu sou aquilo” mas os resultados não aparecerem — a sua falta de dedicação não pode contaminar os demais irmãos do estado.
Eu canso de falar isso aí! Para você ser uma liderança do estado não precisa você sair gritando: “eu sou PCC, eu sou isso, eu sou aquilo”.
Os irmãos do estado, pela sua atitude, pela forma de você agir, pela forma que você se conduz no dia a dia, eles vão ver que você é um PCC e que você vive a realidade que o Comando exige de você.
Todos os estados que estão com nós hoje passaram por momentos turbulentos.
Todos os estados que estão com nós hoje, vêm das crises do crescimento para a evolução, mas todos tem que dar a mão para continuar lutando e, sem a nossa união e sem nossas mãos dadas é impossível que cheguemos ao nosso objetivo.
Eu, André Júnior, querer, o Príncipe, ou qualquer outro irmão do resumo querer, é uma caminhada, mas vocês querer, e vocês buscar por onde, pode ter certeza que o resultado vai ser bem maior. Porque vocês é que estão dentro do problema. É vocês que estão dentro dos estados. É vocês que vivem a realidade de vocês.
Então irmão, é dedicação irmão! É a seriedade! E hoje a gente vê uma grande quantidade de irmão que não está levando o Comando a sério! Tá levando o Comando na brincadeira, irmão! É sintonia na hora que quer! Conduz do jeito que quer! É pedido um levantamento, não é levado com seriedade! O resumo chega e pede um levantamento, irmão, e parece que os irmãos ficam esperando ser punidos ou ser afastado para daí correr atrás!
E não é isso irmão! O Comando é dedicação, o Comando é seriedade, o Comando é responsabilidade com o compromisso que você tem com o crime! Entendeu irmão?
Então não adianta vocês vir falar, não adianta vocês vir querer fazer as coisas de uma maneira, sendo que a realidade, sendo que as coisas estão acontecendo de outra e muitas vezes o comodismo, a falta de interesse, de comprometimento, de responsabilidade está fazendo com que o Comando começa a abrir um caminho triste no seu estado.
Aonde você acha que o Comando só tem que fortalecer, fortalecer e fortalecer, e não é isso. A nossa realidade é um fortalecer o outro. É o crime fortalecendo o crime. É seriedade, é responsabilidade!
As vezes vocês acham… “Ah! Lá em São Paulo o Comando é isso. Ah! Lá em São Paulo o Comando é aquilo”.
O Comando de São Paulo, o Comando do Paraná, o Comando MS, o Comando do MG, o Comando de qualquer canto do Brasil é um Comando só!
Só que para o Comando ser um pouquinho mais evoluído aqui, um pouquinho mais evoluído aí, dependeu da dedicação, da responsabilidade, do compromisso e do comprometimento dos irmãos!
Hoje, vocês tem acesso muito mais fácil as informações da organização e ao andamento da organização. O entendimento que vocês tem hoje, muitas vezes eu não tive lá atrás quem me trouxesse o entendimento na hora.
Muitas vezes irmão, eu queria ter alguém para falar sobre o PCC mas eu não encontrava porque as pessoas tinham a visão distorcida.
Quantas vezes, chegava em uma cadeia como eu cheguei, e você entrar em um pavilhão com 60 coisas pedindo para você sair se não iam te matar — e hoje é tudo mais fácil, é tudo irmão.
Todos integrantes do PCC tem acesso fácil a sintonia.
Eu fui conseguir falar com um resumo em 2013! Nunca consegui falar com um irmão de hierarquia maior: só Geral do Estado e Geral do Sistema, eu nem sabia como funcionava direito e muitas vezes eu levava o Comando pela Ética do Crime que eu já trazia comigo.
Hoje a gente tem o privilégio de falar com vocês, dividir ideia, de falar do Comando, de falar da nossa criação, de falar do porque que foi criado e muitas vezes isso aí é jogado ao vento! Muitas vezes isso aí não é tratado com a seriedade que tem que ser! Muitas vezes isso aí é tido como loucura, como fanatismo, e não é, é um compromisso que nós assumimos que não é só eu que tem que levar a sério, não é só eu que tem que pensar no Comando 24 horas, não é só eu quem tem que deixar muitas vezes a minha família sentindo falta de mim lá porque estão precisando de mim por alguma situação e eu estar aqui falando com vocês. Sabe porque? Isso é amor a causa, isso é amor ao Comando, isso é amar meus irmãos, isso é amar meus afiliados e querer que o Comando cresça e evolua.
Hoje por exemplo, eu fiquei do meio dia e quarenta até agora a pouco, sete e meia da noite, escrevendo estado por estado as necessidades que está tendo, a dificuldade para que os irmãos possam olhar por nós e depositar mais alguma coisa em nós para que possamos fazer o Comando andar melhor.
E aí a gente olha para os lados e vê os estados acumular ideia em aberto, acumular inadimplência, a sintonia do estado se apagando, os irmãos fazendo ali um pouquinho de corpo mole, porra meus irmãos!
Vamos levar a sério o compromisso que nós tem, vamos nos comprometer com nossa causa, nós não vai chegar a lugar nenhum se cada um procurar se acomodar, se vocês pegar a revolução que teve no mundo, a mudança que teve na história, lá de três mil anos atrás até a data de hoje, você vai ver irmão, que foi através de comprometimento, foi através de suor, foi através de sangue, foi através de muita luta, muitas vidas que se perderam para nós chegar aonde nós chegou!
E dentro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital da qual você faz parte, na qual você exerce uma função dentro, uma responsabilidade dentro, lá atrás nós perdemos muitas vidas para que fosse tomada essa iniciativa e após tomada e criado o Primeiro Comando da Capital, muitas vidas se foram em prol dessa causa e muitos irmãos nossos estão hoje dentro de tranca estadual e tranca federal, muitas vezes sem família, muitas vezes sem notícia de ninguém porque lutavam, lutaram e estão lutando mesmo dentro dessas trancas em prol da causa, irmão.
Hoje é um verdadeiro privilégio pegar um telefone e gritar o nome do Comando nos quatro cantos do Brasil e do mundo e muitas vezes a gente se acomoda por falta de interesse.
Muitas vezes a gente acha melhor ficar aí no Zap namorando, ficar olhando foto de mulher pelada!
Então irmão, é uma responsabilidade muito grande que você carrega e que quando a gente tem o privilégio de ter um minuto falando do PCC, ouvindo nossa história, a gente tem que dar valor nisso aí!
A gente tem que dar valor nisso aí, e não é só ouvir e guardar para nós não! É ouvir, analisar, refletir, e no outro dia você estar falando para seus irmãos e para seus companheiros a importância que eles têm para o Primeiro Comando! A importância que eles tem para nossa organização, como é muito mais importante se eles tiverem se doando de corpo e alma em prol dessa causa.
Há cerca de dois anos e pouco atrás a gente tinha cerca de 2,440 em todos os estados, fora São Paulo, hoje, a gente tem tranquilamente 13.700, 13.800, quase 14 mil irmãos — não tenho o fechamento exato porque vou fechar agora dia 1º (agosto 2021).
Isso não foi uma caminhada que nós começou e falou que nós queria ir e foi, nós tivemos que planejar, tivemos que se articular, nós tivemos que falar do Comando.
Se hoje muitos de vocês estão dentro do Comando, foi porque uma hora alguém encostou e falou do PCC. Eu mesmo quantas vezes não peguei a Cartilha e não fui ler junto com muitos de vocês, dentro da cela, pregando para sete ou oito companheiro ali, irmão?
Acreditando que vocês ia estar passando aquilo para frente, foi o que aconteceu e hoje graças a Deus a gente tem aí 13 mil integrantes para 14 mil integrantes dentro dos estados fora São Paulo.
Hoje vocês pedem um telefone e a gente com muito custo a gente consegue um dinheirinho e consegue colocar vocês no ar. Isso é fruto de união, irmão! Isso é fruto de uma ousada, é nós querer melhor, é nós passar pros irmãos nossa dificuldade e os irmãos acreditar em nós irmão!
Eu peço para vocês de verdade, nós estamos vivendo um momento muito crítico em relação as outras facções e é primordial irmão, que nós estejamos um olhando para o outro, que nós estejamos de mãos dadas.
A gente hoje tem uns quadros que apoiam vocês 24 horas do dia, com apoio nos estados, com apoio do resumo, e está toda hora aí falando com vocês!
Mano, vocês tem que sugar, vocês tem que pegar esses caras aí, mano, e absorver todas as informações, todo o conhecimento, pedir, ajudar, montar projeto para seu estado, e trazer os irmãos para perto de vocês!
Isso não quer dizer que a linha nossa do resumo está fechada para vocês, nossa linha é aberta, todo mundo pode chegar na nossa linha. Se não der para responder na hora, liga de novo irmão, mas nós estamos aqui para compartilhar com vocês essa nossa alegria de ver o Comando crescendo.
Nós queremos compartilhar com vocês essa nova alegria de ver vocês em sintonia, falando da nossa Cartilha e do nosso Estatuto — pregando o Comando!
Dedicação meus irmãos, seriedade, respeito, responsabilidade é o que nós pedimos para vocês, meus irmãos.
Eu peço para vocês de verdade, do fundo do meu coração que vocês comecem a pensar mais na organização, e não é só pensar da boca para fora, não é só pensar em vão. É viver o Comando, irmão. É respirar o Comando!
Nós temos vários irmãos nossos que daria tudo para estar aqui hoje para ver isso acontecer, mas eles estão na tranca, recebendo o mínimo de informação possível daquilo que eles mais sonharam, daquilo que eles mais almejaram.
Vocês estão vivendo um momento histórico, um momento único da facção, da facção não, da organização dentro dos estados e muitas vezes vocês não estão valorizando isso cara!
Vocês vão ter história para contar lá na frente:
“Porra mano, nós tivemos um momento no Comando… eu me lembro quando o Comando estava em 13 mil, eu lembro quando o Comando estava em 14 mil”.
Vocês vão poder escrever a história de vocês no Comando, e eu pergunto, vocês vão querer deixar sua história no Comando em branco? Vocês vão querer escrever uma de fracasso ou de sucesso?
Está nas mãos de vocês! Vocês foram os escolhidos para estar na frente dos estados de vocês, para estar na frente do sistema, na frente de qualquer responsabilidade.
Vocês foram os escolhidos e isso não quer dizer que sua hierarquia é menor do que a outra que você vai se sentir menor e vai querer fazer menos — não quer dizer que a hierarquia minha é maior que a de vocês que eu vou pisar por cima de vocês não, eu quero estar junto, eu quero estar de mãos dadas, eu quero estar abraçado assim como meu quadro quer, assim como os irmãos da financeira quer, como os irmãos do progresso quer!
A importância do pagamento das contribuições: cebola e rifa
Quando a gente fala da Cebola, a gente não está falando que esse dinheiro vai para o meu bolso, vai para o bolso da nossa liderança não! Esse dinheiro ele volta para os irmãos, ele volta em forma de ajuda nas contas de água e de luz, ele volta em forma de cesta básica, ele volta, de alguma forma ele retorna, não fica parado no bolso de ninguém não, esse dinheiro compra munição, esse dinheiro compra arma, esse dinheiro paga transporte de visita para as unidades carentes.
Quando a gente fala da Rifa, tem irmão que tem a capacidade de falar… “ah, mas eu nunca ganhei!”.
Como que você nunca ganhou se não é o premio da rifa? É o seu irmão que está na Federal chegar no final do mês ele não receber a ajuda dele? É a cunhada que está lá na casa de apoio tendo comida, tendo onde morar, tendo água e luz paga, …. ajuda, poder mandar para os filhos do seu irmão! Você quer premio maior que esse da rifa, irmão?
Você quer prêmio maior do que esse, meu irmão, não tem prêmio maior que esse para quem está lutando pela vida!
Para quem compra a rifa, só pensando em carro, só pensando em premiação, não está de verdade na causa! Você tem que comprar a rifa pensando que você está contribuindo!
Se você ganhar, meu irmão, eu fico feliz por você, mas isso aí é segundo plano, o primeiro plano é contribuir com os irmãos menos favorecidos. A premiação que os irmãos estão mandando para nós é uma forma de incentivação, é uma forma de motivação!
O maior premio você vai receber como eu já recebi quando estava lá na Federal e a minha mulher recebia lá no finalzinho do mês os 500 realzinhos dela lá para poder mandar para meus filhos para poder comprar as coisas dela, esse era o maior prêmio da minha vida.
O maior prêmio que eu recebi da RPF foi quando eu estava na Federal, chegava no final do mês aquele único dinheirinho minha mulher conseguia mandar um livro e uma revista para mim ler.
Esse foi o maior prêmio que eu recebi na minha vida! E a gente vê alguns irmãos não levando a sério a rifa, levando o trabalho da rifa na hipocrisia.
Muitas vezes tem irmão levando o subterfúgio para não pagar a rifa para ser afastado da responsa, para ser punido, para não dizer que está fazendo uma para sair do Comando eles ficam usando como subterfúgio.
O irmão usando dinheiro da cebola para falar:
“Ah irmão, eu tenho que me ausentar da cebola por que minha situação tá difícil.”
Então eu não estou entendendo mais, então antes de ser PCC você passava fome na rua? Antes de você ser PCC, até então você andava descalço… não andava, é isso que os irmãos tem que entender! Para contribuir com o Comando é só um passo a mais na luta que ele assumiu, porque comer, beber, comprar roupa, isso daí já tinha antes de ser PCC.
Colocando a ideologia da organização criminosa a frente
Vamos colocar a frente de tudo que o trabalho que o Comando oferece para nós, vamos colocar a frente de tudo a nossa ideologia que é o crime fortalecendo o crime, não vamos mudar o direcionamento dessas ideias irmão. Porque o dia que nós mudar o direcionamento dessas ideias, nós vai enfraquecer nossa causa e nós não pode enfraquecer!
Nós fomos escolhidos para estar a frente dessa luta e nós vai estar de verdade, e é o que nós está pedindo para você irmão! É o coração, põe o coração na frente da causa irmão. Ponha a mente na frente da causa.
Quando eu falo coração, eu falo, é de amor, é querer fazer as coisas com amor, com vontade, não estou falando de fazer as coisas na emoção. De fazer aqui e depois se arrepender, não!
Coloque a causa na frente de tudo o que você for fazer meu irmão. Quando você for comprar a rifa, pensa que um dia você pode estar na tranca e você vai precisar.
Quando você estiver aí para cobrar seus irmãos a cebola, mostra para ele que o dinheiro não vai para nosso bolso. Se você participar de qualquer trabalho, não fica inadimplente, eu peço para vocês, cara, procura pagar o trabalho de vocês em dia. Precisa ter pontualidade, porque nós fazemos compromisso com esse dinheiro.
O Comando não é uma organização capitalista, mas o dinheiro é para o próprio sustento da organização, o dinheiro é uma vertente aonde entra sai, tudo em prol ao crime, entra no bolso do crime e sai do bolso do crime para o próprio crime.
Batizar, batizar, e batizar!
Selecionar os companheiros irmão, trazer os companheiros para perto e ver se não tem mancha no crime, ver se tem uma trajetória da hora, se o cara é bandido, se é criminoso mesmo e trás com nós irmao. Coloca na caminhada e fala para ele:
“A partir de hoje sua vida é o PCC e você vai fazer por onde, você vai escrever a nova história”.
É isso que eu quero passar para vocês e espero que vocês tenham entendido o meu recado. Se alguma palavra minha foi mal colocada eu peço perdão meu irmão, mas eu precisava falar para você que o comando precisa de vocês com mais seriedade, responsabilidade, dedicação e pontualidade.
O pesquisador acompanhou “de perto” as reações das pessoas de Sapopemba, e também “de longe”, via noticiários. Segundo Feltran, a repercussão do evento amplificou a “fala do crime”: a imprensa, sobretudo a sensacionalista, deu subsídios para que a “vingança” contra os “bandidos” fosse consumada. Embora inseridos formalmente num regime político fundado sobre a universalidade dos direitos, processa-se uma disputa simbólica em que o direito universal para “bandidos” seria uma afronta à própria democracia.
Sob fontes acessadas em sua etnografia, o autor revela que a repressão policial após os “ataques do PCC” se voltou para todos aqueles que se “parecem” com “bandidos”.
Nestas “fronteiras de tensão”, não apenas os jovens “do crime”, mas, de forma geral, os jovens das periferias sofrem por parte das instituições públicas um estranhamento de seus rostos e corpos, de seus modos de comportamento, bem como de seus discursos.
Embora a maioria dos jovens busque as alternativas fugazes no mercado de trabalho lícito, e não as atividades ilícitas, a invisibilidade pública facilita a violência contra eles. Nesse contexto, a repressão, o encarceramento e o extermínio dos “bandidos” muitas vezes atingem quem é visto como semelhante.
Trechos da resenha de Paulo Artur Malvasi sobre o livro “Fronteiras de Tensão: política e violência nas periferias de São Paulo” de Gabriel de Santis Feltran.
O Espírito Santo vive uma configuração única de alianças e rivalidades entre facções criminosas. A ausência de separação carcerária sob o governo Casagrande transformou o sistema prisional num laboratório de convivência forçada, refletindo nas ruas uma lógica fluida e instável de acordos, traições e execuções pontuais.
Espírito Santo vive um cenário caótico onde alianças e traições entre facções moldam o cotidiano das periferias. Entenda como a política prisional local influencia essas disputas e o papel do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) nesse intricado tabuleiro de sangue, poder e negociações silenciosas.
A política carcerária de Renato Casagrande promove uma convivência forçada entre facções rivais no Espírito Santo — e o caos, longe de ser exceção, virou regra.
Se você entende o que se passa no estado do Espírito Santo, só agradeço se me procurar no privado para contar, mas acho que nem quem é do mundo do crime consegue entender o que se passa na mente e nos corações dos crias capixabas.
As repórteres Kananda Natielly e Taynara Nascimento do Tribunaonline entrevistaram diversos especialistas e publicaram um artigo repleto de contradições, não por incapacidade ou desleixo, mas porque cada entrevistado apresentou um quadro diferente.
Eu só sei que o sangue continua correndo nas ruas do estado, como aconteceu há poucos dias, quando dois homens em uma moto executaram um rapaz e feriram uma mulher que estavam em um ponto conhecido de tráfico em Vila Velha, e assim como ele, já morreram uns 50 nas disputas sobre o domínio dos pontos de tráfico em tempos recentes.
Vila Velha resume a zona que é o crime organizado no Espírito Santo
Até aí parece ser uma disputa fácil de entender e similar ao que ocorre em outros tantos recantos do Brasil: PCC e CV disputando espaço com seus aliados locais. Só que não! Como tudo é confuso no Espírito Santo esse caso não poderia ser diferente:
Em 2019, uma das principais lideranças do Ulysses Guimarães e do 23 de Maio, seria Catraca da Gangue da Pracinha, como é conhecido Samuel Gonçalves Rodrigues, que era do Comando Vermelho e trocou a camisa para correr pelo Primeiro Comando da Capital.
Após sua prisão, as mortes pararam por um tempo, mas seus domínios que eram com ele do CV e passaram para o PCC, e agora voltaram para o CV sendo disputados pelo PCC e pelo PCV — simples para você? Para mim não, mas pode ficar ainda mais confuso:
Gangue da Pracinha do Catraca rachou após sua prisão. Marcola, como era conhecido Marcos Vinicius Boaventura, gerente de Catraca no Ulysses Guimarães, assim como os outros que não quiseram voltar a vestir a camisa do CV foram expulsos da quebrada.
Como zona pouca é bobagem: tem o Terceiro Comando Puro
Marcola se mocozou no Terra Vermelha do Terceiro Comando Puro (TCP), mesmo Catraca sendo do PCC, e de lá fez ataques aos antigos aliados no Ulysses Guimarães e Morada da Barra, tendo matado em uma única noite quatro integrantes da Gangue da Pracinha, mas como acabou preso por pelo menos uma das mortes, não conseguiu retomar as biqueiras que permaneceram ligadas ao Comando Vermelho.
No Centro de Vila Velha, o Morro da Penha e o Morro do Cobi de Baixo estão sob o domínio do Primeiro Comando de Vitória, que parece ter uma convivência pacífica e comercial com os crias do Comando Vermelho.
Colado ao norte de Vila Velha fica o Porto Santana, também conhecido como Morro do Quiabo no município de Cariacica, local conhecido como um importante centro de distribuição de drogas e disputado à sangue pelos diversos grupos criminosos.
O Porto de Santana está nas mãos do Terceiro Comando Puro (TCP), facção carioca aliada ao Primeiro Comando da Capital de São Paulo, que é aliado do Primeiro Comando de Vitória que disputa com o Terceiro Comando Puro — vixi, olha a zona!!!
Se em Vila Velha TCP e PCV disputam, em Vitória o Terceiro Comando Puro está em várias comunidades, entre elas a de Itararé, onde TCP fecha com o TCV.
“Divide et impera” — separar os inimigos para governar
Muito se discute se a separação dos presos por facção dentro do sistema penitenciário é a melhor opção. Os defensores da secção apontam algumas vantagens na adoção desse procedimento:
redução da violência dos conflitos entre os aprisionados;
redução das mortes violentas no sistema;
menor risco para os agentes prisionais por contar com uma pacificação e hierarquização da comunidade carcerária; e
dividir para governar — a divisão impede que os diversos grupos formem coalizões para agir no mundo do crime fora das muralhas.
Estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul fazem uma rigorosa triagem dos presos, colocando-os cada qual em seus grupos facciosos, medida tomada após a disseminação do Primeiro Comando da Capital pelo sistema prisional.
Criando e disseminando a semente do crime
Até meados da década de 1980, os cárceres paulistas eram entregues aos grupos que se impunham seu domínio pela força e violência — era comum cortar cabeças de presos “sorteados” para protestar contra a superlotação das carceragens, e o sorteio era feito entre os que não faziam parte dos grupos.
Já na época, haviam os que defendiam que esse grupo deveria ficar em uma única unidade prisional, no entanto, o grupo majoritário defendia que o Estado não deveria reconhecer “as autodenominadas facções dos presos”.
E assim foi feito, e as constantes transferências espalharam a filosofia do Primeiro Comando da Capital para todas as unidades do estado de São Paulo, e quando o governo viu o erro, em maio de 2006, já era tarde e o PCC paralisou todo o estado e o deixou refém da criminalidade.
Tudo Junto e Meio Misturado sob o governo de Renato Casagrande do Espírito Santo
Hoje, vários estados adotam a separação, no entanto outros optam por manter os diversos grupos criminosos sob o mesmo teto, alegando que o Estado não pode reconhecer grupos criminosos e que ao concentrar os integrantes em uma unidade os administradores ficam mais vulneráveis às pressões internas.
Todos nós conhecemos o resultado dessa opção.
Os noticiários internacionais, que raramente lembram do Brasil, expuseram o fracasso dessa política prisional tupiniquim adotada no Amazonas e no Rio Grande do Norte após os massacres do COMPAJ e de Alcaçuz e a desmoralização de seus governos.
O estado do Espírito Santo na administração do governador Renato Casagrande segue pelo mesmo caminho:
“Não realiza a separação de internos em galerias ou unidades por auto declaração de participação em facções ou organizações criminosas”
“Lá tá todo mundo junto, tá ligado? Mas é mais essa parada, PCV, PCC, Primeiro Comando do Estado, tem essas paradas todas, fica todo mundo junto desembolando os cauôs, desembolando as tretas.”
me conta um conhecido de dentro do sistema capixaba
A experiência já mostrou mais de uma vez que juntar presos de facções rivais na mesma panela é receita certa para o desastre, mas, curiosamente, parece que o caos criado intencionalmente pelo governo dentro do sistema prisional capixaba está gerando um equilíbrio peculiar — uma espécie de padrão de convivência única no país.
É claro que essa relativa tranquilidade dentro das cadeias não é fruto de nenhuma genialidade administrativa ou ação eficiente do poder público. Pelo contrário, nasce das negociações diárias feitas pelos próprios presos, costurando acordos pontuais e precários para garantir algum nível de convivência.
Esses entendimentos internos entre os crias de facções rivais refletem-se diretamente nas quebradas capixabas, onde negócios improváveis são fechados entre grupos que, em outras regiões do Brasil, estariam trocando tiros. Assim, as tretas que explodem do lado de fora das muralhas acabam sendo resolvidas no varejo, sem escalar a ponto de comprometer o delicado equilíbrio de forças.
É justamente essa dinâmica que pode explicar por que episódios violentos como os de Catraca e Marcola não provocaram uma guerra aberta por toda Vila Velha, não incendiaram o Espírito Santo inteiro, nem explodiram em rebeliões dentro do sistema prisional.
Se em estados como Roraima (71,8 homicídios por 100 mil habitantes), Ceará (54) e Rio Grande do Norte (52,5) a guerra entre facções empilha corpos nas ruas e penitenciárias, e em São Paulo (6,5) a rígida organização e a pacificação ditada pelo PCC conseguiu derrubar drasticamente esses índices, o Espírito Santo paira no meio-termo desconfortável dos 24,8 homicídios por 100 mil habitantes. Por lá, não há guerra total nem paz verdadeira, apenas conflitos pontuais e muito sangue derramado em episódios isolados.
Dúvidas que não querem se calar
O que os casos recentes em Vila Velha e Cariacica parecem sugerir é que a política penitenciária do governador Renato Casagrande pode estar perdendo seu efeito paradoxal de unir inimigos declarados. Estaria o Espírito Santo caminhando para uma nova escalada de violência urbana e penitenciária, ou essas disputas individuais vão se resolver com novos e mais amplos pactos silenciosos entre as facções?
O governo estadual estaria, sem perceber ou talvez com plena consciência, criando uma nova geração de criminosos que correrão juntos, mesmo que separados por siglas e bandeiras? Perguntas que continuam sem respostas claras, enquanto nas periferias capixabas as ruas seguem à espera das próximas vítimas.
Análise do texto “Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?” por IA:
Análise sob o ponto de vista factual e de precisão
Pontos Precisos e Corretos:
Configuração das facções: De fato, no Espírito Santo existem disputas entre facções como o Comando Vermelho (CV), o Primeiro Comando de Vitória (PCV), o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Essas disputas locais envolvem frequentes trocas de alianças e rivalidades instáveis, resultando em um cenário bastante fluído e confuso.
Política Prisional: O texto corretamente aponta que a separação ou não dos presos por facção é um ponto crucial na política penitenciária brasileira. Estados como São Paulo realmente adotam a separação rigorosa por facções após episódios como a rebelião de maio de 2006 liderada pelo PCC. Em contraposição, estados como Amazonas e Rio Grande do Norte sofreram graves consequências pela ausência dessa separação, resultando nos massacres citados de COMPAJ (2017) e Alcaçuz (2017).
Renato Casagrande: O governador Renato Casagrande realmente segue uma política prisional que não separa detentos por facção no Espírito Santo, o que é comprovado pela declaração oficial da Secretaria de Justiça do Estado e por relatos informais de internos e especialistas.
Eventos Específicos: O texto cita corretamente personagens como “Catraca” (Samuel Gonçalves Rodrigues), que foi preso em Itu, São Paulo, após troca de tiros com policiais em 2019. Esses eventos são verídicos e fazem parte do histórico recente das disputas faccionais entre PCC e CV em Vila Velha.
Pontos que exigem cautela ou correção:
Complexidade das Alianças: Embora a descrição das alianças e rivalidades esteja correta, há um risco de imprecisões devido à dinâmica constante dessas relações. Alianças como a mencionada entre TCP e PCC ou entre PCV e PCC são instáveis e frequentemente modificadas, não sendo incomum que tais parcerias sofram alterações ao longo do tempo.
Generalizações de violência: A narrativa cita cerca de 50 mortes recentes relacionadas ao tráfico em Vila Velha sem apontar um período específico ou fonte exata, dificultando a confirmação factual desse dado. Embora o contexto geral de violência esteja correto, essa informação específica precisaria ser validada por estatísticas oficiais para garantir precisão.
Casos específicos e detalhados: O relato sobre “Marcola” (Marcos Vinicius Boaventura) envolvendo o TCP e sua migração para Terra Vermelha exige atenção, pois detalhes sobre tais eventos são frequentemente obscuros ou sujeitos a versões conflitantes. Essas narrativas dependem de relatos locais, que podem variar ou se contradizer dependendo da fonte.
Pontos Fortes da Precisão e Contextualização:
texto compreende corretamente que a política carcerária pode influenciar fortemente as dinâmicas faccionais externas, criando tanto cenários de tensão quanto oportunidades inusitadas para negociações informais entre grupos rivais.
Destaca com precisão histórica o papel fundamental que a política penitenciária adotada em São Paulo na década de 1990 teve na expansão do PCC.
A observação sobre a existência de “acordos pontuais” entre facções é consistente com relatos e análises de especialistas em segurança pública.
Conclusão sobre a análise factual:
O texto é, no geral, preciso e bem fundamentado, com uma correta contextualização histórica e política. No entanto, detalhes específicos devem ser tratados com prudência devido à natureza dinâmica das relações entre as facções criminosas e a escassez ou imprecisão ocasional de dados oficiais.
Análise Aprofundada dos Conflitos entre Facções Criminosas no Espírito Santo
Resumo Executivo
O presente relatório oferece uma análise aprofundada do artigo “Haverá guerra entre facções no Espírito Santo?”, utilizando-a como ponto de partida para investigar a questão central sobre a existência de uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo. Constata-se que a fonte principal, embora seja uma voz direta e intrinsecamente enviesada do Primeiro Comando da Capital (PCC), oferece um vislumbre único da auto-percepção e ideologia da organização, servindo como um documento primário valioso.
A análise de relatórios oficiais e estudos acadêmicos demonstra que uma “guerra” entre facções no Espírito Santo não é uma hipótese futura, mas uma realidade ativa e contínua. Este conflito é marcado por violentas disputas territoriais, concentradas em áreas urbanas específicas da Região Metropolitana da Grande Vitória. O cenário criminal capixaba é caracterizado pela complexa interação de facções nacionais proeminentes, como o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), juntamente com a significativa facção local, o Primeiro Comando de Vitória (PCV). Uma dinâmica central é a afiliação do PCV ao CV, o que o posiciona em rivalidade direta com uma aliança entre PCC e TCP observada em certos territórios.
As políticas de segurança pública e prisional do estado, apesar dos esforços para transferir líderes de alto escalão para unidades federais, enfrentam desafios sistêmicos, como a superlotação carcerária. Além disso, existe um dilema político notável em relação à classificação e separação de indivíduos encarcerados por facção, o que, dependendo de sua implementação, pode inadvertidamente contribuir para o fortalecimento e a perpetuação desses conflitos. A estratégia predominante de “guerra às drogas” é identificada como um fator que afeta desproporcionalmente populações vulneráveis e marginalizadas, fornecendo um fluxo contínuo de recrutas para as organizações criminosas e intensificando o ciclo de violência.
As recomendações para mitigar esses conflitos enfatizam a necessidade de políticas de segurança pública integradas, uma reforma prisional abrangente e programas robustos de inclusão social, visando abordar as causas-raiz do envolvimento criminal.
1. Introdução
1.1. Contexto da Análise: A Questão da Guerra entre Facções no Espírito Santo
Este relatório empreende uma análise abrangente da página web https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/2021/07/20/havera-guerra-entre-faccoes-no-espirito-santo/, com foco na questão central sobre a ocorrência ou iminência de uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo. A investigação transcende as afirmações especulativas, buscando uma avaliação baseada em evidências do cenário criminal, das dinâmicas dos conflitos interfaccionais e da influência das políticas públicas sobre esses fenômenos no estado.
A análise é rigorosamente fundamentada em dados e informações extraídas de diversas fontes autorizadas, incluindo relatórios governamentais oficiais, estudos acadêmicos e relatos de notícias credíveis. O objetivo é fornecer uma compreensão aprofundada da complexidade da violência organizada no Espírito Santo, desmistificando percepções e oferecendo um panorama factual.
1.2. Objetivo e Estrutura do Relatório
O relatório está estruturado para abordar sistematicamente a consulta do usuário, começando com uma avaliação da credibilidade da fonte principal. Em seguida, apresenta um panorama detalhado das facções criminosas atuantes no Espírito Santo, aprofundando-se nas dinâmicas dos conflitos e seu impacto na segurança pública. As seções subsequentes examinam as políticas públicas e o sistema prisional capixaba, culminando em uma conclusão definitiva e recomendações acionáveis para enfrentar o problema.
2. Análise da Credibilidade da Fonte Principal (faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org)
2.1. Natureza e Propósito do Website
A página https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org deve ser interpretada como uma fonte primária direta do Primeiro Comando da Capital. O domínio do site incorpora explicitamente o nome completo da facção, indicando uma afiliação inequívoca. O conteúdo, particularmente o “Estatuto” e o “Manual” da organização, é apresentado na primeira pessoa do plural (“Nós revolucionamos o crime”, “Nossa responsabilidade está crescendo”), o que o posiciona como uma auto-narrativa e uma ferramenta de comunicação interna ou de relações públicas da facção.
A autenticidade dos documentos hospedados no site é corroborada indiretamente por sua citação em trabalhos acadêmicos e jurídicos, onde a URL é referenciada para acesso ao estatuto do PCC. Isso sugere que, embora o site não seja uma fonte noticiosa neutra, seu conteúdo é reconhecido como uma articulação genuína das regulamentações internas e da ideologia do PCC. A informação de que o criador do site, Rizzi, foi eventualmente excluído de grupos de WhatsApp do PCC devido a riscos aponta para uma estratégia calculada de comunicação pública, onde certas informações são disponibilizadas para consumo mais amplo, possivelmente para propagação ideológica ou para projetar uma imagem de controle, enquanto a segurança operacional é mantida.
2.2. Implicações para a Análise do Conteúdo
O valor fundamental deste site reside em sua capacidade de oferecer uma visão não filtrada, embora intrinsecamente tendenciosa, da auto-percepção, dos objetivos declarados e da lógica interna que pode impulsionar as ações do PCC, incluindo sua participação em conflitos. O uso da primeira pessoa do plural nos documentos internos do site confirma que se trata de uma perspectiva interna, não de uma análise externa. A citação desta URL em trabalhos acadêmicos e jurídicos para acessar o estatuto do PCC valida a autenticidade dos documentos como textos genuínos do PCC, mesmo que o próprio site não seja uma publicação neutra ou sancionada pelo Estado. O detalhe sobre a exclusão de Rizzi dos grupos internos do PCC, apesar de manter o site, sugere uma estratégia calculada de comunicação pública, onde informações específicas são tornadas acessíveis para um público mais amplo, talvez para fins de recrutamento, disseminação ideológica ou para projetar uma imagem de legitimidade e controle.
Consequentemente, a credibilidade do site não reside em sua objetividade jornalística ou analítica, mas sim em sua função como uma articulação direta da própria narrativa do PCC. Quaisquer afirmações feitas neste site, especialmente em relação a relações interfaccionais ou “guerras”, devem ser interpretadas dentro desta estrutura auto-servil e rigorosamente verificadas com fontes externas e objetivas, como relatórios policiais, estudos acadêmicos e estatísticas oficiais. A menção do site a “várias guerras” deve ser compreendida como parte da narrativa interna do PCC sobre sua luta e expansão.
3. Panorama das Facções Criminosas no Espírito Santo
3.1. Histórico e Evolução das Redes Criminosas no ES
A dissolução ou enfraquecimento da “Scuderie” em 2002 criou um vácuo de poder significativo no submundo criminal do estado. Esse vácuo impulsionou uma intensa disputa pelo controle de territórios lucrativos, especialmente na Região Metropolitana da Grande Vitória, que é estrategicamente importante devido aos seus portos internacionais, rodovias e aeroporto. Esse período de instabilidade facilitou a expansão e consolidação de facções externas maiores e nacionalmente reconhecidas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, originárias do Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. O Espírito Santo, assim, tornou-se não apenas uma rota vital para o comércio ilícito, mas também um possível refúgio para líderes criminosos procurados.
3.2. O Primeiro Comando de Vitória (PCV): Origem, Estrutura e Atuação
Uma dinâmica evolutiva crucial e complexa do PCV é sua subsequente afiliação ao Comando Vermelho, apesar de sua inspiração inicial e semelhanças estruturais com o PCC, que é um rival direto do CV. Essa mudança estratégica ilustra a natureza pragmática e fluida das alianças criminosas. No universo do crime organizado, a vantagem operacional e o controle territorial frequentemente se sobrepõem a alinhamentos ideológicos iniciais ou laços históricos. A decisão do PCV de se filiar ao CV, um inimigo declarado do PCC, provavelmente se deu pela busca de maior alavancagem operacional, acesso a recursos ou proteção em um cenário de disputa por mercados ilícitos. Essa aliança não apenas solidifica a posição do PCV no estado, mas também estabelece uma linha de confronto clara, posicionando o bloco PCV-CV em rivalidade direta com o PCC e seus eventuais aliados no Espírito Santo, moldando assim o cenário dos conflitos em curso.
O PCV demonstra uma ambição de expansão territorial, não limitando suas operações aos bairros de Vitória, mas estendendo seu alcance para o interior do estado e, de acordo com informações recentes, até para outros estados brasileiros. A organização opera com uma hierarquia sofisticada, incluindo um “comando geral” que pode dirigir operações mesmo de dentro de presídios estaduais e federais, líderes locais atuando como “franquias” que gerenciam operações de bairro, “gerentes” que supervisionam o empacotamento e a distribuição de drogas, e “vapores” como vendedores diretos nas ruas. O grupo também possui um braço armado especializado conhecido como “trem bala”, composto por “faixas pretas”, responsáveis por invasões, homicídios e incursões armadas.
Um aspecto preocupante do modus operandi do PCV é a exploração extensiva de crianças, adolescentes e jovens, que formam a “linha de frente”. Esses indivíduos servem como mão de obra barata e descartável para tarefas como empacotamento de drogas, vigilância e alerta sobre a presença policial. Eles são desproporcionalmente oriundos de famílias empobrecidas com acesso limitado a serviços públicos, tornando-os altamente suscetíveis ao recrutamento e, tragicamente, representados de forma desproporcional entre as vítimas de confrontos com forças estatais ou grupos rivais. Além da distribuição local de drogas, o PCV está ativamente envolvido no tráfico transnacional de drogas, empregando métodos como esconder drogas em navios no porto e fixar tabletes de cocaína nos cascos de embarcações já em trânsito marítimo, utilizando mergulhadores especializados.
3.3. Atuação e Relações do PCC, Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) no ES
Uma dinâmica crucial e definidora no cenário criminal do Espírito Santo é a aliança estratégica observada entre o Primeiro Comando da Capital e o Terceiro Comando Puro em regiões específicas, notadamente Vila Velha. Essa parceria é significativa, pois o TCP historicamente emergiu de uma cisão do Comando Vermelho e é seu rival. A formação dessa aliança entre PCC e TCP, em conjunto com a afiliação estabelecida do PCV ao CV, cria um eixo de conflito multipolar claro e volátil dentro do estado. A rivalidade histórica entre CV e TCP é, portanto, transposta e amplificada no Espírito Santo por meio dessas alianças contemporâneas. Os interesses econômicos, particularmente o controle do comércio ilícito, são os principais impulsionadores dessas alianças e rivalidades, garantindo a persistência e a intensidade do que pode ser caracterizado como uma guerra contínua por territórios e mercados.
A Tabela 2, a seguir, oferece uma visão geral das principais facções criminosas atuantes no Espírito Santo, detalhando suas características, atividades e as complexas relações de aliança e rivalidade que moldam o cenário de conflito no estado.
Tabela 2: Principais Facções Criminosas Atuantes no Espírito Santo: Características e Relações
Facção
Origem/Base Principal
Atuação no ES
Principais Atividades
Alianças/Rivalidades no ES
Primeiro Comando de Vitória (PCV)
Vitória/ES (Complexo da Penha)
Região Metropolitana (Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica), interior do estado, outros estados
Tráfico de drogas (local e transnacional via portos), homicídios, controle territorial, exploração de jovens
Aliado ao Comando Vermelho (CV); Rival do PCC e TCP
Primeiro Comando da Capital (PCC)
São Paulo/SP
Vitória, Vila Velha, Serra, Colatina, e outras regiões do estado
Tráfico de drogas, homicídios (Setor Disciplinar), posse ilegal de armas, controle territorial
Aliado ao Terceiro Comando Puro (TCP); Rival do CV e PCV
Comando Vermelho (CV)
Rio de Janeiro/RJ
Diversas regiões do estado, incluindo Guarapari e áreas ligadas a facções locais
Tráfico de drogas, liderança de disputas territoriais
Aliado ao Primeiro Comando de Vitória (PCV); Rival do PCC e TCP
Terceiro Comando Puro (TCP)
Rio de Janeiro/RJ
Vila Velha e outras regiões do estado, com esquemas financeiros significativos
Tráfico de drogas, participação em esquemas financeiros ilícitos
Aliado ao Primeiro Comando da Capital (PCC); Rival do CV e PCV
4. Dinâmica dos Conflitos e Impacto na Violência no Espírito Santo
4.1. Evidências de Disputas Territoriais e Conflitos Armados
As estruturas internas das próprias facções demonstram uma capacidade para a violência organizada. O PCV, por exemplo, possui um braço armado conhecido como “trem bala”, cujas responsabilidades explícitas incluem invasões, homicídios e incursões armadas, significando um componente estruturado e dedicado ao engajamento em conflitos territoriais violentos. Da mesma forma, o “Setor Disciplinar” do PCC é encarregado da execução de homicídios e do controle do tráfico de drogas, confirmando ainda mais a institucionalização da violência dentro dessas organizações.
4.2. Análise dos Indicadores de Homicídios e Criminalidade (2021-2023)
O Anuário Estadual da Segurança Pública 2024 do Espírito Santo, uma fonte oficial de alta credibilidade, fornece dados cruciais sobre a violência letal, especificamente homicídios. Embora alguns municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória, como Serra, Cariacica e Vila Velha, tenham registrado reduções nos homicídios em 2023 em comparação com 2022 (por exemplo, Serra teve 117 homicídios em 2023, abaixo dos 127 em 2022; Vila Velha registrou 117 em 2023 contra 159 em 2022), esses números ainda representam um nível significativo e preocupante de violência letal.
A capital do estado, Vitória, destaca-se como uma exceção crítica entre os municípios da região metropolitana. Em 2023, a cidade registrou um aumento notável de 21,4% nos homicídios dolosos, com 85 casos em comparação com 70 em 2022. Esse aumento é explicitamente atribuído, no relatório oficial, a “conflitos entre grupos criminosos nas regiões de morro da cidade”. Essa ligação causal direta, proveniente de uma fonte autorizada como o Anuário Estadual da Segurança Pública, fornece evidências contundentes de que uma guerra entre facções está de fato ocorrendo e impactando diretamente a segurança pública em áreas urbanas específicas e de alta relevância. Embora outros municípios tenham apresentado reduções, a situação em Vitória demonstra a intensidade e a localização desses confrontos, confirmando que o termo “guerra” não é uma hipérbole, mas uma descrição precisa da luta violenta e contínua pelo controle territorial.
A Tabela 1, a seguir, detalha os homicídios dolosos nos principais municípios da Grande Vitória entre 2021 e 2023, ilustrando as tendências e a localização da violência letal.
Tabela 1: Homicídios Dolosos em Municípios Selecionados da Grande Vitória (2021-2023)
Município
Homicídios Dolosos 2021
Homicídios Dolosos 2022
Homicídios Dolosos 2023
Variação % (2022-2023)
Vitória
1043 (dado não explícito, inferido do gráfico)
70
85
+21,4%
Serra
1090 (dado não explícito, inferido do gráfico)
127
117
-7,8%
Cariacica
966 (dado não explícito, inferido do gráfico)
114
114
0%
Vila Velha
135
159
117
-25,2%
Nota: Os dados de 2021 para Vitória, Serra e Cariacica são inferidos do gráfico de “Crimes Letais Intencionais” na página 29 do Anuário Estadual da Segurança Pública 2024, que apresenta a série histórica. Os valores exatos para 2022 e 2023 são explicitamente mencionados no texto do documento.
4.3. Consequências Sociais e Humanas da Violência Faccional
A violência generalizada instigada pelas facções criminosas impacta profundamente o tecido social, levando a “novas formas de sociabilidade” dentro das comunidades afetadas e exigindo uma reavaliação fundamental das políticas públicas, particularmente aquelas relacionadas à segurança pública. A estratégia predominante de “guerra às drogas” é criticada por seu impacto desproporcional em bairros pobres e predominantemente negros. Operações policiais, frequentemente conduzidas sob esse paradigma, resultam no “extermínio de uma demografia específica”, exacerbando as desigualdades sociais existentes e as preocupações com os direitos humanos.
Dados estatísticos do Atlas da Violência (IPEA, 2020) ilustram tragicamente esse impacto racializado, indicando que 74% das vítimas de homicídio são indivíduos negros. Isso destaca como as vulnerabilidades sistêmicas são exploradas tanto por grupos criminosos quanto, por vezes, por ações estatais. Para muitos jovens negros, que frequentemente vivem vidas marcadas por extrema pobreza, oportunidades educacionais limitadas e exposição diária a atividades criminosas, ingressar em uma facção pode paradoxalmente oferecer um “senso de propósito” ou pertencimento. Isso os torna altamente suscetíveis ao recrutamento e, tragicamente, desproporcionalmente representados entre as vítimas de conflitos faccionais e intervenções estatais.
5. Políticas Públicas e o Sistema Prisional Capixaba
5.1. A Política Penitenciária Estadual (SEJUS) e seus Desafios
A Secretaria de Estado da Justiça (SEJUS) é o órgão estadual primário responsável pela coordenação, planejamento, implementação e controle da Política Penitenciária Estadual. Sua missão declarada é aplicar a Lei de Execução Penal de forma humanizada, garantindo a segurança do estado e proporcionando condições para a reintegração social.
Um desafio significativo e persistente enfrentado pelo sistema prisional do Espírito Santo é a grave superlotação. O governador Renato Casagrande descreveu abertamente o sistema como “estável, mas com quase nove mil detentos a mais do que comporta. É um sistema frágil, uma bomba relógio, que pode explodir”. Essa situação crítica é sublinhada pelo fato de que seis das 37 unidades prisionais do estado operam com mais do que o dobro de sua capacidade projetada. Essa superlotação crônica não apenas compromete a segurança e a dignidade dos detentos, mas também dificulta severamente os esforços de reabilitação e fomenta um ambiente propício a tratamentos degradantes, impedindo assim a ressocialização genuína.
Em resposta a esses desafios, o governo estadual, sob a gestão do governador Casagrande, iniciou grupos de trabalho interinstitucionais envolvendo o Executivo, o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil. Esses grupos visam propor alternativas inovadoras e coordenar projetos existentes para aprimorar o sistema carcerário e aliviar a superlotação, incluindo esforços para acelerar os processos judiciais para detentos provisórios.
5.2. A Questão da Classificação e Separação de Presos por Facção
Existe uma tensão considerável e um dilema político no Espírito Santo em relação à classificação e separação de presos com base em sua afiliação a facções criminosas. Por um lado, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) e o Poder Judiciário buscam e obtêm ativamente autorização judicial para a transferência de líderes de alto escalão de facções, como os do PCV, para presídios federais de segurança máxima. A justificativa explícita para essas transferências é “interromper o comando exercido pelos detentos mesmo de dentro da Penitenciária de Segurança Máxima II” e “enfraquecer a facção criminosa, reduzindo sua capacidade de articulação e provocando sua fragmentação interna”. Isso demonstra uma abordagem prática e orientada para a segurança, visando separar figuras-chave para desarticular suas estruturas de comando.
No entanto, em contraste com esse imperativo operacional, existem propostas legislativas em nível federal, como os Projetos de Lei 2235/2021 e 2174/2019, que visam expressamente proibir a classificação e a separação de presos por facção. Os defensores desses projetos argumentam que tais práticas transformam inadvertidamente os estabelecimentos prisionais em “autênticas filiais do crime organizado,” consolidando os grupos criminosos dentro das prisões e impedindo fundamentalmente a ressocialização dos detentos. Essas propostas também ressaltam que a Lei de Execuções Penais (LEP) atual não estipula explicitamente a afiliação faccional como critério para a classificação de presos. Historicamente, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Espírito Santo já havia notado que, apesar de ser “proibido por lei,” a separação de presos por facção de fato ocorria, indicando uma prática de longa data que opera em uma área cinzenta da interpretação legal. A Secretaria de Estado da Justiça (SEJUS), por meio de suas Comissões Técnicas de Classificação (CTCs), capacita o pessoal para individualizar as penas com base na culpabilidade e na gravidade do delito, visando a reabilitação, mas o papel explícito da afiliação faccional nesse processo de classificação não é detalhado nas informações fornecidas sobre as CTCs. Essa contradição entre a necessidade operacional de isolar líderes e a preocupação legislativa de não fortalecer facções dentro do sistema prisional representa um desafio significativo. A eficácia da intervenção estatal na mitigação da “guerra” entre facções está diretamente ligada à forma como esse dilema é resolvido, pois a capacidade das facções de manter coesão e comando de dentro das prisões influencia diretamente a perpetuação dos conflitos externos.
5.3. Ações de Combate ao Crime Organizado e Cooperação Interagências
O estado do Espírito Santo demonstra um compromisso no combate ao crime organizado por meio de esforços integrados de aplicação da lei. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (FICCO/ES), um órgão colaborativo que compreende forças policiais federais e estaduais (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria de Estado de Segurança Pública e Guardas Municipais), realiza ativamente operações para desmantelar organizações criminosas. Essa abordagem multiagências destaca a importância da cooperação e do compartilhamento de inteligência no combate eficaz ao crime.
O governador Renato Casagrande tem enfatizado consistentemente a necessidade crítica de cooperação interestadual, particularmente com o Rio de Janeiro. Essa colaboração é considerada essencial porque muitos líderes criminosos atuantes no Espírito Santo frequentemente buscam refúgio ou orquestram atividades a partir do território fluminense, ressaltando a natureza transfronteiriça dessas empresas criminosas. O MPES, por meio de seu GAECO, desempenha um papel fundamental na deflagração de operações direcionadas que visam desmantelar células específicas de grandes facções como o PCC e o PCV. Essas operações se concentram não apenas na prisão de membros, mas também na desarticulação de seus braços armados, no controle do tráfico de drogas e no desmantelamento de seus esquemas financeiros, enfraquecendo assim sua capacidade operacional geral.
6. Conclusões: Haverá Guerra entre Facções no Espírito Santo?
6.1. Síntese das Evidências e Resposta à Questão Central
Com base na análise abrangente de dados oficiais, pesquisas acadêmicas e relatórios policiais, é inequivocamente evidente que uma “guerra” entre facções criminosas no Espírito Santo não é uma hipótese futura, mas uma realidade ativa e contínua. A formulação da pergunta “Haverá guerra?” implica um evento futuro, mas as evidências demonstram que este conflito já está em pleno andamento e profundamente enraizado no cenário de segurança pública do estado.
Essa “guerra” é caracterizada principalmente por violentas disputas territoriais, particularmente concentradas nas “regiões de morro” de Vitória. Dados oficiais atribuem explicitamente o aumento significativo nas taxas de homicídio na capital a esses conflitos contínuos entre grupos criminosos.16 O conflito envolve uma interação complexa e volátil de grandes facções nacionais, incluindo o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e o Terceiro Comando Puro, juntamente com o poderoso e localmente enraizado Primeiro Comando de Vitória . Uma dinâmica definidora é a afiliação estratégica do PCV ao CV, o que o posiciona em rivalidade direta e violenta com uma aliança discernível entre PCC e TCP operando em certos territórios, notadamente Vila Velha.7
A presença de líderes de alto escalão (por exemplo, o “Senhor da Guerra” do CV) e a existência estabelecida de braços armados estruturados dentro dessas organizações (por exemplo, o “trem bala” do PCV, o “Setor Disciplinar” do PCC) sublinham a natureza organizada, estratégica e persistente desses conflitos, que vão além da violência esporádica para uma luta sustentada por domínio e controle sobre mercados ilícitos.
6.2. Fatores Contribuintes e Mitigadores dos Conflitos
Fatores Contribuintes:
Vácuo de Poder Histórico: O enfraquecimento e a eventual dissolução do controle criminal anteriormente centralizado (por exemplo, Scuderie Detetive Le Cocq) criaram um ambiente fértil para o surgimento e a expansão de novas, e frequentemente mais violentas, facções criminosas que disputam o domínio territorial.
Localização Geográfica Estratégica: A posição crucial do Espírito Santo, com portos internacionais e grandes rodovias, torna-o uma rota indispensável para o tráfico transnacional de drogas e armas. Essa importância estratégica alimenta uma intensa competição e disputas territoriais entre facções que buscam controlar esses fluxos ilícitos lucrativos.
Vulnerabilidade Socioeconômica e Paradigma da “Guerra às Drogas”: A estratégia predominante de “guerra às drogas” impacta desproporcionalmente e atinge jovens empobrecidos e predominantemente negros em áreas periféricas. Essa abordagem, frequentemente caracterizada por operações policiais repressivas, cria inadvertidamente um suprimento contínuo de indivíduos vulneráveis que são então suscetíveis ao recrutamento por facções, fornecendo um pool pronto de combatentes para a “guerra”.
Fatores Mitigadores/Esforços:
Operações Policiais Integradas e Baseadas em Inteligência: Os esforços ativos e coordenados de forças multiagências como a FICCO/ES e o GAECO do MPES demonstram uma abordagem concertada e orientada pela inteligência para desmantelar organizações criminosas, prender líderes-chave e desarticular suas capacidades operacionais.
Cooperação Interestadual e Federal: O reconhecimento por parte das autoridades estaduais, incluindo o governador Casagrande, da necessidade de uma cooperação robusta com outros estados (por exemplo, Rio de Janeiro) e agências federais é crucial para atingir líderes criminosos que operam além das fronteiras estaduais, enfraquecendo assim suas redes.
Transferência Estratégica de Líderes: A autorização judicial e a execução de transferências de líderes de facções de alto escalão para presídios federais de segurança máxima têm se mostrado eficazes na desarticulação de estruturas de comando e na fragmentação da capacidade operacional dessas organizações, mitigando assim sua capacidade de dirigir a violência a partir do sistema prisional estadual.
7. Recomendações
7.1. Sugestões para o Fortalecimento da Segurança Pública
Operações Sustentadas e Adaptativas Baseadas em Inteligência: Continuar e intensificar as operações integradas conduzidas pela FICCO/ES e MPES/GAECO. Essas operações devem permanecer altamente adaptáveis, focando estrategicamente na desarticulação da liderança faccional, no desmantelamento de redes financeiras e na neutralização de braços armados. Deve-se dar ênfase à coleta proativa de inteligência para antecipar e prevenir conflitos, em vez de apenas reagir a eles.
Segurança Reforçada em Fronteiras e Pontos Estratégicos: Implementar medidas avançadas de vigilância e interdição em pontos críticos, como portos internacionais, grandes rodovias e aeroportos. Isso é essencial para interromper o fluxo de drogas e armas ilícitas, que são os principais recursos que alimentam as disputas territoriais e a “guerra” geral entre as facções.
Policiamento Comunitário e Construção de Confiança: Desenvolver e expandir estratégias de policiamento comunitário que priorizem a construção de confiança e colaboração com os moradores em territórios vulneráveis. Reduzir a dependência dessas comunidades dos sistemas de “justiça” paralelos impostos pelas facções criminosas é crucial para a segurança a longo prazo e a legitimidade do Estado.
7.2. Propostas para a Melhoria da Política Prisional e Ressocialização
Mitigação Abrangente da Superlotação: Priorizar e implementar reformas estruturais dentro do sistema prisional para aliviar a grave superlotação. Isso inclui explorar e expandir opções de sentenças alternativas, investir em novas instalações de tamanho adequado e acelerar os processos judiciais para detentos provisórios. Abordar a superlotação é fundamental para recuperar o controle estatal sobre as instalações correcionais e minar a influência faccional.
Política Clara e Eficaz de Separação Faccional: Resolver o dilema político existente em relação à classificação e separação de presos por facção. Isso exige um arcabouço legal robusto que equilibre os imperativos de segurança (por exemplo, isolar líderes de alto risco para desarticular o comando) com os princípios dos direitos humanos e da ressocialização. Uma política clara, consistente e legalmente sólida é essencial para evitar que as prisões sirvam como bases operacionais para organizações criminosas.
Fortalecimento dos Programas de Ressocialização e Reabilitação: Aumentar significativamente o investimento em programas abrangentes de educação, formação profissional, apoio psicológico e reabilitação de drogas dentro das prisões. Essas iniciativas são vitais para oferecer genuinamente aos detentos alternativas viáveis à vida criminosa após a libertação, reduzindo assim a reincidência e enfraquecendo o pool de recrutamento para as facções.
Políticas de Inclusão Social Direcionadas: Implementar e expandir políticas públicas robustas destinadas a garantir direitos fundamentais e criar oportunidades genuínas para populações vulneráveis, particularmente jovens negros em áreas urbanas periféricas. Isso inclui garantir acesso equitativo a educação de qualidade, saúde, espaços culturais e oportunidades de emprego, reduzindo assim sua suscetibilidade ao recrutamento por organizações criminosas e promovendo sua integração na sociedade legítima.
Sistemas Robustos de Apoio Pós-Liberação: Desenvolver e fortalecer programas de apoio pós-liberação, incluindo assistência habitacional, serviços de colocação de emprego e apoio psicológico contínuo. Programas de reintegração eficazes são cruciais para quebrar o ciclo de reincidência e evitar que ex-detentos voltem a se juntar a redes criminosas.
Ciclone foi preso e Risadinha e 7,62 foram mortos após um assalto a uma conveniência no Jardim Flórida em Dourados no Mato Grosso do Sul.
O 7,62 foi preso em Itaporã 15 dias antes enquanto circulava armado em uma moto, e apesar de estar a respondendo a 13 processos acabou sendo solto para agora vir a ser morto.
Os três integrantes do Primeiro Comando da Capital atuavam no tráfico, em roubos e na guerra entre as facções.
A equipe da polícia já estava na caça dos PCCs após os ataques que a facção fez a forças policiais e aos incêndios na cidade de Ivinhema como represália a Operação Narco Brasil.
A ação teria começado após a polícia encontrar em uma escola um integrante da facção conhecido como Matemático que teria a função de jogar drogas e celulares para dentro do presídio. — Caderno B – amaralinforma
Os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nueva Generación e seus aliados equatorianos Los Choneros e Los Lagartos estão atentos ao crescimento do Primeiro Comando da Capital na região de Putumayo na Colômbia.
Hoje a Rota do Solimões é utilizada pela facção paulista para suprir o mercado de drogas e armas vindas da Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, a região Norte do Brasil e parcialmente as regiões Centro-Oeste e Nordeste, além da Europa.
O temor dos cartéis internacionais é que a organização paulista tente chegar ao oceano Pacífico e utilizar os portos do Equador para expandir seus negócios para a Ásia — hoje o PCC abastece parte desse mercado através de suas parcerias na África.
Essa disputa já teria causado confrontos entre os grupos pelo controle das rotas do narcotráfico no Equador, especialmente nos portos de Guayaquil, em Guayas, e Puerto Bolívar, em El Oro e dentro dos presídios de Guayaquil, Latacunga e Cuenca. — primicias.ec
Quem disse que alguém que foi dona de biqueira e já teve moral no crime não tem os seus problemas com os filhos?
Quando fui batizada… eu não tenho que esconder quem eu sou, independente de que tá ou quem não tá me lendo, sei que corro risco né?
Só de tá contando isso para você e não saber da onde tu vem, mas em cima de minha pureza aí, em cima de um ítem aí, é que resolvi soltar a voz para você.
Tô com meu filho de 15 anos que tá se envolvendo aí com o mundo do crime, aonde eu parei ele aí várias vezes para não se envolver como nós.
Eu já fui dona de biqueira, do crime, e nós conhece aí a ideologia — eu fui onze anos PCCeia. Hoje trabalho em casa de uma família, mas tô vendo um filho meu aí se ingressar.
Esse filho se encontra aí me desrespeitando, enfrentando, falando palavras para mim que magoam, que não é compatível aí ao nosso crime das antigas.
Porque nós é o certo, o justo e o correto. Eu sou, tenho quase 50 anos e não estou aqui para pagar simpatia para ninguém, mas sim, para passar o que é o certo e não é por que é meu filho que tenho que passar a mão na cabeça.
Tá me dando o maior problema aí. Maltrata a mãe, tendeu? Não tem como trocar umas ideias, rei do tiro e trabalha no crime para vocês, entendeu?
Essa criança que taí me dando problema nem me viu no crime e os outros que me viu no crime me respeita, e ele quer, sem ideologia nenhuma.
A comunidade, por vezes, se sente mais segura em um ambiente onde o uso da violência para o controle social seja fragmentado, com a participação de um agente aceito e formado no caldo cultural local.
A lógica paralela de assassinatos da a polícia e do crime organizado
A maioria de nós traz de nossa formação cultural que é direito do Estado matar, quando necessário, através da ação das forças policiais no cumprimento da manutenção da segurança pública, mas Graham Denyer Willis explica que no Brasil, os assassinatos e a arbitragem da ordem social muitas vezes é conduzida por dois grupos: pela polícia e pelo crime organizado.
Com base em três anos de trabalho de campo etnográfico, o livro de Willis traça como os investigadores policiais categorizam dois tipos de homicídio: o primeiro resultante da resistência à prisão policial e a segunda nas mãos da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC):
A morte nas mãos da polícia acontece de forma contínua e pouco clara, deixando dúvidas sobre o quanto foi necessário ou o quanto foi forjada, e
A comunidade, por vezes, se sente mais segura em um ambiente onde o uso da violência para o controle social seja fragmentado, com a participação de um agente aceito e formado no caldo cultural local.
A violência é uma instituição tão natural como a própria vida humana. Decorre do nosso instinto de sobrevivência, sendo o grande motivo para o homem ter dominado a natureza. Mas essa afirmação não pretende trazer glamour à violência.
Talvez no último estágio da existência humana, a evolução definitiva seja exatamente vencer o instinto natural que nos propala a nos destruirmos mutuamente.
Denyer Willis descobriu que os períodos cíclicos de paz e violência da cidade podem ser melhor compreendidos por meio de um consenso tácito, mas mutuamente observado do direito de matar.
Esse consenso depende de noções comuns e práticas de rua de quem pode morrer, onde, como e por quem, revelando uma configuração distinta de autoridade que Denyer Willis chama de soberania por consenso, ironicamente, tornando a cidade mais segura para a maioria dos residentes.
Dezenove anos depois, o massacre dos integrantes do PCC no Caso Castelinho tem seu desfecho na Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Em 5 de março de 2002, doze integrantes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital foram mortos em um ônibus na Castelinho em situação similar, e ainda mais emblemático, os 111 prisioneiros chacinados durante a rebelião de 1992 no Presídio do Carandiru.
Os policiais militares ultrapassaram o limite socialmente aceito, mas, mesmo assim, não deu em nada e todos acabaram absolvidos pela Justiça em novembro de 2014.
Até o Ministério Público Estadual descreveu a Operação Castelinho como uma “farsa macabra” e “a maior farsa da história policial no Brasil”.
“Os caras da PM, que disseram que trocaram tiros, são tudo pau mandado, trocaram as mães deles!”
interceptação telefônica
Os corpos foram movidos e as armas sumiram do Fórum da Comarca de Itu para que não fosse possível fazer a perícia, e acertos foram feitos para que as farsa fosse encoberta, mas agora, um passo tímido foi dado para o esclarecimento, com a apresentação do relatório de recomendação do Caso Castelinho pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
O caso de José Airton Honorato e outros, se refere à responsabilidade internacional do Estado por uma série de atos que culminaram nos assassinatos por parte dos policiais de:
José Airton Honorato,
José Maia Menezes,
Aleksandro de Oliveira Araújo,
Djalma Fernandes Andrade de Souza,
Fabio Fernandes Andrade de Souza,
Gerson Machado da Silva,
Jeferson Leandro Andrade,
José Cícero Pereira dos Santos,
Laercio Antonio Luis,
Luciano da Silva Barbosa,
Sandro Rogerio da Silva e
Silvio Bernardino do Carmo.
Em 9 de setembro de 2001, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo criou, no âmbito da luta contra o crime organizado, o Grupo de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância (GRADI), que passou a operar com o serviço de inteligência da polícia militar. Neste contexto teriam sido iniciadas diversas práticas ilegais, entre elas o recrutamento de presos condenados, através de promessas de proteção às suas famílias e até de soltura antecipada, e que eram liberados por decisões judiciais para atuar como informantes em organizações criminais, utilizando recursos proporcionados pela própria polícia.
Em 5 de março de 2002, nas proximidades da cidade de Sorocaba, São Paulo, a Polícia Militar realizou uma operação contra o Primeiro Comando da Capital PCC, principal organização criminosa da cidade. Tal operação, conhecida como “Castelinho”, nome da localidade na qual foi realizada, foi planejada e executada pelo GRADI, que instruiu ex-presos informantes a enganarem o PCC sobre a existência de um avião com dinheiro que chegaria ao aeroporto de Sorocaba.
A Polícia Militar cercou o lugar com aproximadamente cem policiais e, sem a presença de testemunhas que pudessem questionar a versão oficial, promoveu um tiroteio que foi justificado como um ato de resistência a um grupo que viajava em um ônibus. Como resultado da operação, na qual foram realizados mais de 700 disparos, foi ferido um policial com lesões leves e morreram as doze vítimas do presente caso.
Em seu Relatório de Mérito, a Comissão analisou se o Estado cumpriu com as obrigações impostas pelo artigo 4 da Convenção Americana em relação ao uso da força. Considerando as regras aplicáveis sobre o ônus da prova, a Comissão concluiu que o Estado não demonstrou que a operação foi planejada de modo adequado e de acordo com um arcabouço jurídico compatível com o uso da força. Tampouco comprovou que o pessoal que participou da operação estivesse capacitado e treinado conforme os parâmetros exigidos pelo direito internacional. Além disso, a Comissão observou que os indícios que apontam para um uso desproporcional da força não foram suficientemente contestados pelo Estado, que não ofereceu uma justificação adequada.
Com relação aos processos iniciados em virtude da operação, a Comissão observou que desconhece o resultado dos processos administrativos. Quanto aos processos civis, observou que alguns estariam finalizados e outros ainda pendentes. Com relação à causa contra dois juízes que teriam autorizado a transferência de prisioneiros para se infiltrar e contra o Secretário de Segurança Pública, sob cuja administração ocorreram os fatos, a Comissão observou que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo considerou desnecessário enviar o caso ao Ministério Público e o declarou arquivado. O único processo penal com sentença definitiva teria sido impulsionado pelo Ministério Público, e cuja sentença absolutória foi confirmada em segunda instância em 4 de dezembro de 2003.
Quanto à devida diligência na investigação, a CIDH observou que o Estado não confirmou a realização de certas diligências essenciais para o esclarecimento dos fatos, conforme os parâmetros interamericanos e seguindo o Protocolo de Minnesota. A Comissão determinou também que as conclusões às quais chegou o tribunal resultaram da impossibilidade de se atribuir responsabilidade penal em face da ausência de uma investigação diligente. Com base nisso, a Comissão concluiu que o Estado não conduziu uma investigação adequada à luz dos parâmetros do devido processo, nem esclareceu os fatos dentro de um prazo razoável, nem reparou os familiares das vítimas. Por último, considerando a forma pela qual as vítimas foram privadas das suas vidas e a forma pela qual transcorreram as investigações, a CIDH considerou que a angústia impactou a integridade dos seus familiares.
Com base em tais determinações, a Comissão concluiu que o Estado brasileiro é responsável pela violação dos direitos estabelecidos nos artigos 4 (direito à vida), 5 (direito à integridade pessoal), 8 (garantias judiciais) e 25 (proteção judicial) da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, em relação com as obrigações estabelecidas nos seus artigos 1.1 e 2.
Em seu Relatório de Mérito, a Comissão recomendou ao Estado:
Reparar integralmente as violações de direitos humanos declaradas no relatório tanto em seu aspecto material como imaterial. O Estado deverá adotar as medidas de compensação econômica e satisfação.
Realizar uma investigação completa, imparcial e efetiva dos fatos por meio de órgãos independentes da polícia civil/militar, com o fim de estabelecer e sancionar as autoridades e funcionários responsáveis pelos fatos referidos no relatório e esclarecer plenamente os fatos que levaram à impunidade. Considerando a gravidade dos fatos e os parâmetros interamericanos pertinentes, a Comissão sublinha que o Estado não pode invocar a garantia do ne bis in idem res judicata ou da prescrição para justificar o descumprimento desta recomendação.
Proporcionar as medidas de cuidados de saúde física e mental necessárias para a reabilitação dos familiares de José Airton Honorato, José Maia Menezes, Aleksandro de Oliveira Araújo, Djalma Fernandes Andrade de Souza, Fabio Fernandes Andrade de Souza, Gerson Machado da Silva, Jeferson Leandro Andrade, José Cícero Pereira dos Santos, Laercio Antonio Luis, Luciano da Silva Barbosa, Sandro Rogerio da Silva e Silvio Bernardino do Carmo, se assim o desejarem e com o seu consentimento.
O Estado deve adotar todas as medidas jurídicas, administrativas e de outra índole necessárias para evitar que voltem a ocorrer fatos semelhantes no futuro; em especial, o Estado deve contar com um arcabouço jurídico sobre o uso da força que seja compatível com os parâmetros apresentados no relatório. Ademais, deve contar com programas permanentes de educação em matéria de direitos humanos para os membros da Polícia Nacional, e, também, com capacitação e treinamento periódicos em todos os níveis hierárquicos, com especial ênfase no uso legítimo da força.
O que significa o 1533 da organização criminosa PCC e como sugiu essa sigla é uma das questões mais levantadas na internet e é simples.
O significado do 1533 do PCC é mais que números; é um código que conta uma história. Ao ler este texto, você vai entender melhor como o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) usa isso para se comunicar. Se você quer saber mais sobre o PCC, esta leitura é para você.
O significado do 1533 do PCC é explorado aqui não só factualmente, mas também por uma análise crítica feita por Inteligência Artificial abrangendo diversos aspectos. Ao fim da leitura, sinta-se convidado a comentar, curtir e se inscrever no nosso grupo de leitores. Compartilhe nas suas redes sociais e ajude a ampliar essa discussão.
Público-Alvo Este texto foi adaptado para um público que já tem algum interesse no crime organizado, mas busca uma leitura mais envolvente. Ideal para estudantes, pesquisadores e profissionais de segurança pública que querem informações factuais com uma abordagem mais coloquial.
Advertência: É importante ressaltar que o conteúdo abordado se refere a organização criminosa Primeiro Comando da Capital e aos seus métodos de comunicação e identificação. A informação é fornecida para fins educacionais e de pesquisa, e não deve ser usada para facilitar atividades ilegais. A compreensão desses aspectos pode ser sensível para alguns leitores. Abordar o tema com a devida cautela é crucial.
A Origem do Código 1533 ou 15.3.3
Você já parou para pensar no poder dos números e das letras? Pegue o número 1533, por exemplo. Pode parecer apenas uma sequência numérica aleatória, mas na verdade, é um código que esconde todo um universo. Estamos falando do Primeiro Comando da Capital, mais conhecido como PCC.
Ah, o código 1533. Sua história é tão curiosa quanto o próprio grupo que ele representa. Surgiu como um meio de driblar a vigilância das autoridades, enquanto servia como um sinal secreto entre os membros do PCC. E você sabia que essa combinação numérica veio do “Alfabeto Congo”? Isso mesmo, uma herança do Comando Vermelho do Rio, lá das décadas de 1970 e 1980.
A numeração representa as letras P, C e C, seguindo o alfabeto brasileiro na década de 1990, antes da inclusão das letras K, W e Y:
15 – P de Primeiro
3 – C de Comando
3 – C de Capital
Na tranca ninguém deu a mínima para esse detalhe. Alguém cantou o abecedário de cabeça e contou nos dedos, deu 15 e “já era“
Aparecimento do Código 1533 nos Documentos do PCC
Talvez você se pergunte: “E daí? Por que isso importa?” Bem, essa sequência de números deixou de ser só um código para virar um símbolo de identidade. Isso mesmo, algo para se orgulhar, a ponto de os integrantes fazerem o símbolo do 3 com os dedos ou dizerem frases como “tudo 3” e “tá 3, tá lindo”. Você acredita nisso?
E, por mais que você vasculhe, não vai encontrar essa numerologia no estatuto do PCC de 1987 ou na edição de 2007. O 1533 só deu as caras pela primeira vez em 2007, na Cartilha de Conscientização da Família, que era uma espécie de manual de orientação interna do PCC. Nela, o grupo se refere a si mesmo como a “Família 15.3.3” e chama para a luta com frases de efeito como “Ousar, Lutar e Vencer”.
Essa é a evolução para uma geração consciente, aperfeiçoando nossas deficiências, suprindo a carência do conhecimento, nos apoiando maciçamente na família 15.3.3 e na nossa família de sangue.
Assim superamos nossas dificuldades e conquistamos o que é nosso por direito.
OUSAR, LUTAR E VENCER. Conscientização, união e família UNIDOS VENCEREMOS — população carcerária do país PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL – PCC 15.3.3
Uso do Código 1533 pelos Integrantes do PCC
Então, o que começou como um código virou uma marca, um rito de passagem, uma linguagem própria que une seus membros. É quase como se esse número encapsulasse a alma do grupo, reafirmando sua identidade e propósito.
E por que isso é relevante? Porque esses detalhes, aparentemente insignificantes, lançam luz sobre como o crime organizado opera e evolui. É um vislumbre de como a cultura, a linguagem e os símbolos podem ser usados, para o bem ou para o mal.
Em uma antiga foto de Evelson de Freitas do motim em um presídio na década de 90 ainda não consta os números, ao contrário de outra imagem captada por ele em 2001.
Bem, é isso que significa o 1533 e esse é um breve histórico da evolução do termo.
Mais do que a reflexão a respeito das diversas questões que certamente decorrerão dos tópicos apresentados, a pretensão de apresentar a realidade extramuros dessa que, em termos territoriais e humanos, é a maior organização criminosa do Brasil, objetivando fomentar a discussão…
Teses defendida nesse artigo e seus contra-argumentos:
Teses:
As teses principais apresentadas pelo autor:
Origem do Código 1533: O código teve sua origem no “Alfabeto Congo”, utilizado pelo Comando Vermelho nas décadas de 1970 e 1980. O autor destaca que o código foi gerado a partir da posição das letras “P”, “C” e “C” no alfabeto brasileiro da década de 1990, que são respectivamente 15, 3 e 3.
Propósito Inicial do Código: O código foi criado para dificultar a compreensão das atividades e comunicações do grupo pelas autoridades carcerárias, ao mesmo tempo em que facilitava a identificação entre os membros da organização.
Evolução Documental do Código: O autor observa que o código 1533 não aparece nos primeiros documentos relativos ao PCC, mas faz sua primeira aparição na Cartilha de Conscientização da Família de 2007.
Significado Simbólico e Identitário: O código 1533 se tornou um símbolo de identidade para os membros do PCC. O autor comenta sobre como os membros da organização passaram a se orgulhar de pertencer à “Família 1533” e incorporaram o número em suas falas, escritas e gestos.
Evolução do Uso do Código: Originalmente, o código deveria ser grafado como “15.3.3”, mas atualmente é mais comumente usado na forma “1533”. A pronúncia pode variar entre “quinze, três três” e “um cinco três três”.
Linha do Tempo Histórica: O autor destaca que a presença do código nas imagens do PCC é uma característica mais recente, mencionando fotos de motins prisionais captadas em diferentes épocas como evidência desta evolução.
Em resumo, o texto oferece um panorama histórico e analítico do código “1533”, explorando sua origem, propósito, evolução e significado dentro do Primeiro Comando da Capital. O autor conclui que o código é mais do que uma simples série de números: ele representa a identidade e união dos membros da organização criminosa.
Contra-argumentos:
Em um exercício de pensamento crítico, podemos levantar algumas contrateses relacionadas ao texto sobre o código “1533” e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Aqui estão algumas possíveis linhas de argumentação que poderiam ser exploradas:
Simplicidade x Complexidade da Codificação: Enquanto o texto sugere que o código foi eficaz em ocultar as atividades do grupo das autoridades, uma contratese poderia argumentar que um código tão simples, baseado apenas na posição alfabética das letras, poderia ser facilmente decifrado por autoridades bem treinadas em linguística ou criptografia.
Eficiência na Comunicação Interna: O texto argumenta que o código facilitou a comunicação entre os membros da organização. Uma contratese poderia questionar quão eficaz seria tal método de codificação em termos de comunicação clara e eficiente dentro de um grupo complexo e multifacetado.
Universalidade do Código: Se o código foi originalmente desenvolvido com base no alfabeto brasileiro da década de 1990, uma contratese poderia discutir se o código seria compreendido ou utilizado por membros da organização que não estão familiarizados com esse contexto específico.
Evolução Documental Contínua: O texto indica que o código apareceu pela primeira vez em documentos oficiais em 2007. Uma contratese poderia explorar se há evidências de uso anterior do código em outros contextos ou por outras organizações, lançando dúvidas sobre sua originalidade ou exclusividade ao PCC.
Simbolismo x Pragmatismo: O texto atribui um alto grau de significado simbólico e identitário ao código. No entanto, uma contratese poderia argumentar que tal simbolismo poderia ser supervalorizado, destacando que a eficácia prática do código (por exemplo, em atividades criminosas ou evasão de autoridades) é mais importante para a organização do que seu valor simbólico.
Autenticidade de Fontes: O texto parece confiar muito em documentos oficiais e registros fotográficos para traçar a evolução do código. Uma contratese poderia questionar a autenticidade e a veracidade dessas fontes.
Monolitismo Organizacional: O texto sugere uma unidade quase monolítica na forma como o código é usado e entendido dentro da organização. Uma contratese poderia explorar as possíveis variações no entendimento ou uso do código entre diferentes “facções” ou subgrupos dentro do PCC.
Essas contrateses não têm como objetivo desacreditar o texto original, mas oferecer diferentes perspectivas que podem enriquecer o entendimento do assunto.
Crítica e Análises sobre o texto: O que significa o 1533 do PCC (PCC 15.3.3)
Histórico
O texto faz um bom trabalho ao fornecer uma perspectiva histórica da evolução do código “1533”. No entanto, ele não se aprofunda na história mais ampla do Primeiro Comando da Capital, como ele se insere no contexto histórico do crime organizado no Brasil, ou como as mudanças sociais e políticas podem ter influenciado o uso desse código.
Sociológico
O texto toca em aspectos sociológicos ao abordar como o código facilita a comunicação dentro do grupo e cria uma sensação de pertencimento. Contudo, não explora o impacto desse fenômeno sobre a sociedade em geral. Fica a questão: Como o uso do código afeta as relações sociais não apenas dentro, mas também fora do PCC?
Antropológico
O texto poderia ter se beneficiado de uma análise antropológica ao examinar como o código serve como um rito ou um símbolo que confere identidade cultural ao grupo. Em que medida esse código é similar ou diferente de outros códigos ou símbolos utilizados em outras culturas ou subculturas?
Filosófico
O texto não aborda as questões filosóficas subjacentes ao uso do código. Poderia ter explorado, por exemplo, o significado da linguagem e simbolismo na construção da realidade para os membros do PCC, ou ainda a ética por trás do uso de códigos em atividades que são, por sua natureza, marginais ou ilegais.
Ético
A ausência de um ponto de vista ético é notável. O texto descreve o código e seu uso sem questionar as implicações éticas deste. Poderia ser relevante discutir as ramificações éticas de usar um código para facilitar atividades que são prejudiciais para a sociedade.
Psicológico
O texto também omite uma discussão sobre os aspectos psicológicos do uso do código. Seria interessante examinar como o uso desse código pode afetar o estado psicológico dos membros, talvez fortalecendo sua identidade grupal ou oferecendo um senso de segurança e pertencimento.
Segurança Pública
O texto oferece uma visão detalhada sobre o surgimento e a evolução do código “1533”, o que pode ser útil para as autoridades de segurança pública que buscam entender a estrutura e os métodos de comunicação do PCC. No entanto, o texto parece carecer de discussão sobre as implicações diretas desse código para a segurança pública. Ele se concentra muito no ‘como’ e ‘por que’ do código, mas não aborda de forma significativa como esse código afeta os esforços para controlar ou mitigar atividades criminosas.
Jurídico
O texto explora a origem e o uso do código, o que pode ser útil para a compreensão jurídica do caso. Porém, ele não explora as potenciais ramificações legais do uso desse tipo de código. Faltam discussões sobre como o código pode ser usado como evidência em casos criminais ou se a codificação é suficiente para justificar acusações mais graves, como a formação de quadrilha.
Criminológico
Embora o texto ofereça um entendimento sobre como o código é uma parte vital da identidade e da operação do PCC, ele faz isso sem um quadro criminológico claro. Ou seja, ele não relaciona esse fenômeno específico com teorias ou conceitos criminológicos mais amplos, como a formação de subculturas criminosas ou o papel da linguagem e símbolos na coesão de grupos criminosos.
Estratégico
O texto destaca a importância estratégica do código “1533” para o PCC, mas não entra em detalhes sobre como isso se traduz em ações ou operações concretas. Como esse código é utilizado nas atividades do dia a dia do grupo? Existe alguma estratégia maior para a disseminação ou proteção desse código? Estas são perguntas estratégicas que o texto não aborda.