No claustrofóbico interior do vagão de metrô, meus olhos eram testemunhas involuntárias da dança violenta das torcidas rivais na plataforma da Linha Verde:
O concerto amargo de punhos e ofensas ressoava pelo compartimento, impondo seu silêncio brutal aos demais passageiros.
Jovens protagonistas de duas torcidas encenavam um espetáculo de brutalidade insana.
Os grupos rivais, equiparados em sua determinação feroz, trocavam golpes impiedosos, cada ação impulsionada pela única intenção de derrubar o adversário.
Porém, a chegada abrupta da polícia e dos seguranças do metrô, com o claro objetivo de dissipar o caos, causou uma guinada na narrativa.
Ao invés de findar o confronto, a presença das forças de segurança pareceu forjar uma inusitada aliança entre os grupos oponentes, que agora se voltavam contra os recém-chegados com uma ferocidade redobrada.
Os agentes da lei, originalmente destinados a enfrentar duas facções rivais, agora se viam diante de um sólido grupo hostil, determinado e unificado.
No confinamento do vagão de metrô, havia assistido a um tumulto de torcidas, agora era testemunha da insólita pacificação de eternos antagonistas e da sua aliança contra a autoridade estatal e suas forças coercitivas.
PCC: O Mandante por Trás das Torcidas Organizadas
Os tais “cidadãos respeitáveis” parecem estar presos em um ciclo de erros, sem tirar lições dos próprios deslizes.
Falharam em 1991, quando se mantiveram indiferentes aos confrontos mortais entre facções rivais dentro das prisões – o pavio que desencadeou o Massacre do Carandiru.
Erraram novamente em 1993, ao aplaudirem as decapitações no presídio do Piranhão – um estopim para a criação do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O erro persiste na atualidade, onde a visão miópica falha em perceber que o PCC não apenas dita ordens às torcidas organizadas, mas que as torcidas organizadas são, na verdade, uma extensão do PCC.
Esta não é uma condenação moral ou crítica, mas a pura constatação de que as torcidas organizadas consistem, na maioria, de jovens marginalizados, prontos para se rebelar contra a opressão do Estado e suas forças de segurança.
Isso foi o que relatei em 2012, embora com um maior número de palavras. E é isso que reitero hoje:
Os supostos “cidadãos de bem” parecem ter uma dificuldade crônica em aprender com os próprios erros.
Artigo original publicado em 3 de abril de 2012:
Arthur Conan Doyle e a briga entre torcidas
Arthur Conan Doyle me alertou nos idos de 1993 sobre algo que estava me passando despercebido — ele me acusa de ser muito pouco observador.
Ao assistir pela TV presos jogando futebol com a cabeça de outros presos em um presídio do interior de São Paulo eu fiquei abismado!
… e foi assim, sem jogadores vivos, que o “Partido Caipira” foi eliminado do campeonato daquele ano e o Brasil nunca mais foi o mesmo.
Como quase todas as pessoas, fiquei revoltado com aquela loucura, mas Arthur que assistia ao meu lado não!
Ele ficou ali, sem falar nada como se nada tivesse acontecido.
Ele viu em 1933 o que eu só vejo hoje
Aceito que não é o gênio que eu acho que é, e sei que cometeu muitos erros, mas ainda acho que ele é um gênio.
Portanto, entenderei as restrições que você possa colocar, mas você não tem como negar que ele vê coisas antes das outras pessoas.
Naquela noite histórica de 31 de agosto de 1993, quando finalmente desliguei a televisão, Arthur simplesmente disse:
O mundo está cheio de coisas óbvias, que ninguém, em momento algum, observa! E aí está uma delas.
Eu não vi nada de oculto por trás do horror que é um jogo de futebol que termina em sangue! — Arthur às vezes fala merda.
Juntando os pontos
Resolvi dar uma desculpa e ir embora, Arthur é que era a visita em minha casa e não parecia que iria embora tão cedo!
No entanto, passados anos, vejo que ele viu o que eu não vi.
Em dezembro de 2010 quando outra revolução política começou em uma briga de futebol e então vi o óbvio que Arthur viu em 1993.
A Primavera Árabe: regra, não foi exceção
Rodrigo Vianna lembra que as torcidas organizadas surgiram na América Latina nos anos 70 e se enraizaram na sociedade.
Esses grupos sociais são compostos na maioria por jovens na faixa dos 20 aos 30 anos de idade.
Meu amigo dizia que “ao eliminar o impossível, o que sobraria, por mais incrível que parecesse seria a verdade”, então, jogos de futebol tem um grande poder revolucionário.
Jovens, futebol, Piranhão e revolução
Geleião tinha 32 anos quando no dia do jogo no Piranhão. Marcola que não estava no jogo mas participou do movimento tinha 25 anos.
Pode se dizer que os fundadores do PCC foram os oito integrantes do time de futebol e todos jovens na faixa dos 20 aos 30:
Misael Aparecido da Silva, o Misa;
Wander Eduardo Ferreira, o Eduardo Cara Gorda;
Antonio Carlos Roberto da Paixão, o Paixão;
Isaías Moreira do Nascimento, o Isaías Esquisito;
Ademar dos Santos, o Dafé;
Antônio Carlos dos Santos, o Bicho Feio;
César Augusto Roris da Silva, o Cesinha; e
José Márcio Felício, o Geleião.
Todos, além de jovens, viviam isolados dentro do mundo que eles mesmos construíram por terem sido levados pela sociedade a criar.
Assim, foram os fundadores do Primeiro Comando da Capital, e assim é com os jovens das torcidas organizadas hoje.
PCC nascido do sangue no Piranhão
Faltou imaginação à mim quando houve o banho de sangue no Piranhão, ou eu teria visto o potencial de tudo o que estava começando.
Olhar apenas na superfície me impediu de ver que naquele momento nascia a maior organização criminosa da América Latina, mas Arthur viu.
A falta de imaginação nos transforma em bichos que apenas observam e agem, sem se questionar e perceber as consequências do que vemos ou fazemos.
Assim, em 1991, policiais militares de São Paulo com idade entre 20 e 30 anos mataram 111 no Carandiru, plantando as sementes da facção PCC.
Assim, em 1993, criminosos do Piranhão com idade entre 20 e 30 anos decapitaram um inimigo, regando com sangue as sementes da facção PCC.
Assim, em 2010, jovens egípcios com idade entre 20 e 30 anos se revoltam contra o sistema político opressor, iniciando a Primavera Árabe.
Assim, hoje ao proibir briga entre as torcidas organizadas a organização criminosa está plantando para o futuro.
O PCC, os jovens e seu espírito revolucionário
Lá assim como aqui as torcidas organizadas e as organizações criminosas tem em sua maioria jovens com até de vinte e cinco anos de idade.
Jovens de periferia que contestam a força repressora do Estado e sua polícia, que desprezam a corrupção política e a exclusão social.
Arthur não estava olhando para mim, sorte, pois detesto quando ele percebe que eu fico sem argumentos e não tenho como refutá-lo.
Sem dúvida, tanto o Primeiro Comando da Capital, quanto às torcidas organizadas tem o mesmo perfil: jovens entre 20 e 30 anos da periferia.
PCC e as torcidas organizadas
Haveria razão para que a maior organização criminosa da América Latina se infiltrasse nas torcidas?
Optei não mais conversar com Arthur a este respeito, pois sei que ele sempre diz que é um erro terrível teorizar antes de termos informação.
Principalmente por que o homem tem essa característica, a de se achar especialista em tudo, quando na realidade sua especialidade é apenas a omnisciência.
O tempo passou e agora devo novamente procurar Arthur e me desculpar, pois o respeitado jornalista Ricardo Perrone garantiu que o grupo criminoso PCC repreendeu a Gaviões da Fiel e a Mancha Verde pela morte dos dois palmeirenses, o que confirma a influência da facção sobre as organizadas.
A pacificação do PCC nas ruas
Aqui em Itu, por muito tempo, a Avenida da Paz Universal esteve em paz graças a uma determinação dos traficantes ligados ao PCC para que não houvesse armas, brigas ou mortes, pois chamariam a atenção da polícia, criando situações de confronto que não interessavam aos negócios.
Ao falar hoje com meu amigo ele me explicou o último ponto de sua linha de raciocínio:
A razão. Ela não existe. Não existe razão para que o PCC influencie e domine as torcidas organizadas, mas ela existe pela própria natureza das duas culturas: a conta-cultura criminosa difundida pelas facções, e a cultura do futebol.
Ambas acéfalas, existem lideranças, mas sua base se move por vontade própria de modo pouco estruturado.
A tentativa das mídias sociais como a TV e o rádio de criar um clima familiar na torcida, é artificial.
Campos de futebol é o lugar onde milhares de cidadãos gritam “Filha da Puta Vai Se Fudê” e quebram as amarras sociais.
A facção ainda não optou por usar a força que já possui:
O próximo levante da facção criminosa, ao contrário do que se espera, deverá ocorrer usando esta reserva poderosa e inesperada, não para derrubar o governo, mas para conquistar ainda mais espaço.
Veremos duas torcidas brigando e quando houver intervenção policial se unirem contra o inimigo comum: a polícia.
Ao chegar a este ponto, razões justas serão postas: a excessiva repressão policial, corrupção na política e no esporte, desigualdade social…
O governo negará que as facções criminosas determinaram o fim das brigas, mas por trás das câmeras lhes darão mais regalias.
Os policiais serão punidos como bodes expiatórios.
As mídias sociais, todas elas, faturam horrores com o caso, e a população ficará entretida por algum tempo.
In this mini-documentary we discuss the formation, operations and economics of Primeiro Comando da Capital (PCC), or the First Command of the Capital. Established in 1993. This is Brazil’s Largest and most successful criminal organization.
A ‘Ndrangheta e o PCC (Primeiro Comando da Capital) são duas organizações criminosas com origens e pensamento muito distintos.
Além das diferenças das culturas organizacionais e de suas bases, tem origens em países diferentes e operando em continentes diferentes.
A ‘Ndrangheta é uma organização criminosa com sede na região italiana da Calábria, enquanto o PCC fica na região sudeste do Brasil.
Embora as duas organizações sejam distintas e operem em diferentes partes do mundo, elas estabeleceram conexões e colaborações em atividades criminosas, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A parceria entre a ‘Ndrangheta e do PCC nos últimos anos levou toneladas de cocaína da América do Sul para a Europa.
Além disso, ambas as organizações são consideradas entre as maiores e mais poderosas do mundo, o que sugere que, mesmo sem estabelecer uma conexão direta, podem ter influência mútua indireta em atividades criminosas em todo o mundo.
A Agência Latinapress destaca o leque de alianças da organização mafiosa ‘Ndrangheta na América Latina, o que lembra muito o método de aliciamento de aliados da facção PCC:
Nos últimos anos, a ‘Ndrangheta esteve ligada a vários grupos criminosos na América Latina, disse Sergi.
Entre eles estão o grupo paramilitar colombiano Los Urabeños, mais conhecido como Clã do Golfo, facção Primeiro Comando da Capital Brasileira (PCC), e também grupos criminosos como os cartéis de Cali e Medellín, Los Zetas do México e as Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (FARC).
As recentes capturas de dois membros da ‘Ndrangheta, em São Paulo, revelaram mais uma vez a proximidade entre a máfia italiana e o PCC brasileiro, dois dos grupos criminosos mais poderosos do mundo.
Em 8 de julho, a Polícia Federal do Brasil prendeu Nicola e Patrick Assisi em São Paulo por suspeita de tráfico de drogas.
Nicola Assis é supostamente o principal contato da ‘Ndrangheta na América do Sul e trabalhou com o grupo brasileiro Primeiro Comando da Capital (PCC) para introduzir a cocaína na Europa, segundo pesquisa publicada no jornal Expresso.
Os corretores da máfia são tão poderosos que lidam diretamente com o PCC. Traficando da Colômbia, da Bolívia e do Peru, passando pelo Paraguai como rota de trânsito.
Zully Rolón, ministro da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai
Unir para crescer no mundo do crime
A parceria entre as duas organizações criminosas possibilitou que a ‘Ndrangheta passasse a hegemonia do tráfico de drogas da América para a Europa com o dominando 80% do fluxo. — Última Hora
Essas prisões não são mais do que os mais recentes indícios de que os dois grupos coordenam de perto suas atividades de tráfico de drogas.
Uma investigação policial constatou que o chefe do clã Pelle de la ‘Ndrangheta, Domenico Pelle, viajou a São Paulo pelo menos duas vezes entre 2016 e 2017.
Durante esse período, acredita-se que ele tenha se encontrado com Gilberto Aparecido dos Santos, também conhecido como Fuminho, o mão direita do líder preso do PCC Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.
Fuminho foi durante anos, um dos criminosos mais procurados no Brasil e acredita-se que coordena as remessas internacionais de cocaína da Bolívia para o PCC.
…as bolsas seguiam pelas esteiras rolantes até a área restrita, onde funcionários aliciados pelo Primeiro Comando da Capital recebiam dos comparsas as fotos com as imagens das malas recheadas com drogas, e as embarcavam para Portugal, França e Holanda, na Europa, e também para Johannesburgo, na África do Sul.
A expansão do PCC inclui incursões na Bolívia, onde o grupo pode comprar cocaína diretamente dos produtores daquele país, segundo a Americas Quarterly.
Desvendando a rota
Fontes policiais no Brasil, falando sob condição de anonimato, disseram à InSight Crime que Fuminho está desempenhando um papel crucial na presença do PCC na Bolívia.
Então, a cocaína é transferida para o Paraguai, um destino importante para mercadorias ilegais sob cujo controle o PCC travou uma dura batalha .
Do Paraguai, o grupo direciona a cocaína para cidades brasileiras de fronteira, como Ponta Porã e Foz do Iguaçu, segundo uma investigação do UOL.
No entanto, fontes consultadas pela InSight Crime revelaram que Foz do Iguaçu foi em grande parte substituída por outros cruzamentos, especialmente pequenos atrelados entre Ponta Porã, no estado do Mato Grosso do Sul, e Guaíra, no estado do Paraná, onde há menos segurança. .
O caso do Porto de Santos
A droga é então transferida para o interior do país e, finalmente, para o porto de Santos (22,7 toneladas de cocaína apreendidas em 2018), Paranaguá (4,3 toneladas) e Itajaí (0,46 toneladas) no sudeste do Brasil.
O porto de Santos é um dos maiores centros portuários de toda a América Latina e um importante canal de narcóticos para a Europa.
Nenhum outro grupo criminoso no Brasil conseguiu uma rede logística que cubra toda a região, o que permite ao grupo controlar o movimento e a venda de cocaína para organizações estrangeiras, como a ‘Ndrangheta.
Naquela década, o clã Morabito de ‘Ndrangheta, dirigido por Giuseppe Morabito, coordenava as remessas de drogas de São Paulo para a cidade italiana de Milão.
Agora, o grupo tem cúmplices em toda a Europa, com a capacidade de descarregar drogas em portos de importância crucial, como Antuérpia, Hamburgo e Roterdã.
Quando os carregamentos chegam, o ‘Ndrangheta trabalha com traficantes italianos , que transportam os narcóticos para uma distribuição mais ampla em toda a Europa.
Embora ambos os grupos tenham outras fontes de renda, esse canal transnacional desempenhou um papel importante no sucesso e expansão de cada um dos grupos.
O crescimento exponencial do PCC
Documentos apreendidos pelas autoridades em 2018 mostraram que a renda anual dos grupos poderia chegar a US$ 200 milhões.
Os documentos também revelaram que as afiliadas do grupo em todo o Brasil e outros países se multiplicaram, passando de pouco mais de 3.000 em 2014 para mais de 20.000 em 2018.
Ter um fluxo contínuo de cocaína do Brasil também tem sido crucial para a ‘Ndrangheta.
O grupo pode controlar até 80% de toda a cocaína que entra na Europa, a principal fonte dos enormes ganhos criminosos do grupo, estimados em US$ 60 bilhões por ano, comparável ao PIB da Croácia ou da Bulgária, segundo a CNN.
Este artigo aborda os riscos de contratar supostos matadores de aluguel do PCC e como evitar golpes relacionados. Serão discutidas histórias reais de pessoas enganadas e as ações adequadas a serem tomadas em caso de suspeita de uso indevido do nome da facção.
Ao considerar contratar um matador de aluguel, é importante lembrar que muitos golpistas se aproveitam do nome do Primeiro Comando da Capital, a facção PCC 1533.
Aqui, neste site, aproximadamente 25% dos contatos são de pessoas buscando um matador de aluguel. No entanto, contratar um através de um site pode levar a ser vítima de extorsão.
Perfil dos matadores de aluguel do PCC
Os matadores de aluguel, também chamados de “pistoleiros”, são membros ou associados do PCC 1533 contratados para realizar assassinatos. Frequentemente, esses crimes são motivados por disputas internas, vingança ou retaliação. Esses matadores são temidos por sua rapidez, precisão e brutalidade.
Histórias de golpes envolvendo o PCC
É comum o uso indevido do nome do Primeiro Comando da Capital em golpes. Assim como Aline, muitos já foram enganados. Por isso, é importante sempre estar alerta. Ninguém cai em um golpe intencionalmente, e todos nós somos suscetíveis a erros e armadilhas.
Cuidado, não se engane, muitos utilizam o nome da facção para enganar, mas aí, Ricardo Araújo Pereira me mostrou o absurdo que seria isso.
Casos reais de golpes e armadilhas
Para ilustrar a realidade desses golpes, compartilharemos dois casos. Um narrado por Aline e outro testemunhado pessoalmente. Em ambos, o nome da facção paulista foi usado para impor força e respeito, mostrando a importância de se manter atento e cuidadoso ao lidar com essa questão.
Matador de aluguel: A história de Aline
Aline decidiu eliminar alguém que a ameaçava e, sem envolvimento no crime, procurou um matador profissional no Google. O primeiro resultado foi um site chamado matadordealuguelprofissional.tk, que oferecia o serviço por R$5.000 com garantia de anonimato. Apesar de parecer um golpe óbvio, é importante lembrar que todos nós podemos ser enganados de diferentes maneiras.
A relação entre golpes e a facção PCC
Muitas pessoas acreditam que podem usar a força do PCC para se vingar após caírem em golpes. No entanto, não é assim que funciona. Ninguém neste site possui ligação com a facção paulista, e mesmo que tivessem, o Dicionário do PCC estabelece punições apenas para membros que utilizam inadequadamente o nome da organização.
Fica caracterizado quando o integrante foge do que rege a nossa disciplina, não passando uma imagem nítida da organização, quando se coloca como faccionário diante da massa, desrespeitando e agindo totalmente oposto ao que é pregado pela facção.
Punição: exclusão e fica sendo analisado pela irmandade local e pela Sintonia.
O artigo 33 do Dicionário do PCC descreve a punição para membros que desrespeitam a organização, mas essa regra não se aplica a golpistas não afiliados. Portanto, o PCC não se envolverá nesse tipo de questão. Aline também não recorrerá à polícia, já que pagou por um assassinato não realizado.
Golpes e consequências
Assim, o site fraudulento continuará ativo, hospedado em um provedor na Oceania, e vítimas desavisadas continuarão depositando dinheiro na conta do golpista em uma agência do Itaú na Avenida Paulista. A história de Aline serve como alerta para todos que buscam matadores de aluguel e os perigos envolvidos nessa escolha.
Há alguns anos, um conhecido fechou um negócio lucrativo no Paraguai, e ansioso, compartilhou comigo. Cético, comecei a questionar a situação. Em setembro do ano passado, iniciei minha viagem rumo a Foz do Iguaçu, ansioso para ver as cachoeiras.
Desfrutando da jornada
No caminho, parei em Maringá, perto da Catedral, para almoçar e aproveitar o passeio. Se tudo ocorresse conforme o planejado, o conhecido chegaria a Foz de avião no mesmo dia e ficaria no mesmo hotel que eu.
Monitoramento e precauções
Embora não tivéssemos contato direto em Foz, já estava rastreando seu aparelho há dois dias. Os fornecedores buscariam meu conhecido no hotel e o levariam a algum lugar em Pedro Juan Caballero. Minha função era segui-lo à distância e, se necessário, tentar garantir sua segurança neste mundo perigoso.
Matador de aluguel: Todos nós somos enganados
As armadilhas da vida
Após almoçar em Maringá, soube que a operação havia sido cancelada. Wagner Amantino Maciel, um importante membro da facção, foi encontrado morto após uma emboscada no Paraguai. Se até ele, envolvido em complexas operações do Primeiro Comando da Capital, foi traído, quem somos nós para escapar?
Lições de ingenuidade e traição
Aline agiu ingenuamente ao contratar um matador de aluguel pela internet. Quem burla a lei, como Wagner, pode ser enganado e morto. Acreditamos na lei do retorno, mas somos todos iludidos por políticos a cada dois anos. Roubados e vitimados pela criminalidade e falta de serviços básicos, enfrentamos um mundo cruel.
A lista de Ricardo Araújo Pereira
O cronista da Folha, Ricardo Araújo Pereira, menciona alguns motivos pelos quais não se deve aconselhar calma a quem a perdeu. Eu não vou deturpar suas palavras, mas vou usá-las para mostrar por que não devo dizer que você não deve acreditar em alguém que se diz PCC:
Cair em um blefe não depende de nossa vontade. Raramente acreditamos em um golpe porque queremos. “Vou ser enganado agora, que legal” ou “eu vou fazer um grande negócio, parece até enganação, vou arriscar só para conferir”. Não é a razão que estará no comando da pessoa, mas sim a emoção, e meus argumentos não têm o poder de influir nas decisões emocionais de ninguém.
A pessoa que recomenda o cuidado se sente superior àquela que está sendo aconselhada e, no geral, nem se dá conta das inúmeras vezes em que foi enganada em sua vida.
É fácil dizer a alguém que é um absurdo comprar drogas e armas de um novo fornecedor ou contratar um matador de aluguel pela internet quando não se tem uma ameaça à sua vida ou à de seus familiares, no aconchego do lar e lendo um texto na internet. Só quem já passou por momentos de desespero, nos quais a razão se cala diante da emoção, pode julgar os desafortunados.
Existem alguns cartazes dizendo que se deve tomar cuidado, mas “nenhum conselho digno de ser seguido é formulado num meme”.
Ah! Antes que me esqueça, o acordo com aquele fornecedor de Pedro Juan Caballero, com quem meu colega deixou de fazer negócios, não era uma armadilha. Outro conhecido se arriscou mais e acabou fazendo bons negócios ― até que a casa caiu por outros motivos.
Análise de IA do artigo: Contratar matador de aluguel do PCC ou assassino do PCC
Análise factual e de precisão
📌 Dados factuais
O artigo afirma que há um modelo de golpe em que sites falsos oferecem “matador de aluguel do PCC”, cobrando valores como R$ 5 000, usando suposto anonimato; muitos contatos no site são de pessoas buscando contratar assassinato (~25 %).
Relata o caso fictício ou narrativo de “Aline”, que buscou assassino via Google, acessou site, pagou, mas só foi extorquida.
Menciona que o PCC não é responsável por isso, e que o “Artigo 33” do Regimento Disciplinar pune membros que usam indevidamente o nome do PCC, mas não se aplica a golpistas não afiliados.
Um segundo relato descreve uma viagem ao Paraguai, com menção à morte de “Wagner Amantino Maciel”, suposto membro do PCC traído e assassinado no Paraguai, com a narrativa de risco e traição.
O autor declara que não tem vínculo com o PCC, que o site já foi tirado do ar, e alerta que muitos pedidos continuam chegando para contratar assassinato ou suicídio assistido por extorsão.
🔍 Comparação com informações independentes verificadas
Golpes ligados a suposto “matador do PCC” são frequentemente reportados por autoridades, e caracterizam extorsão ou charlatanismo, não contratos genuínos com faccionários. A ideia de contratação online de assassinato é improvável em grupos criminais do porte do PCC. Há relatos de extorsões reais em que golpistas exigem dinheiro fingindo conexão com facções.
A presença real do PCC no Paraguai é bem documentada: o PCC expandiu sua atuação no país como rota logística e força criminosa na fronteira, mas não há evidência de venda de serviços de exterminação via internet. Operações no Paraguai focam tráfico de drogas, armas, contrabando, e ações violentas, mas de natureza corporativa ou territorial, não “serviços sob encomenda” via site.
O caso da “Patroa do PCC”, Elaine Souza Garcia, e sua relação com assassinatos encomendados mostra que o PCC tem envolvimento real com “matadores de aluguel”, porém dentro de estrutura hierárquica e operacional, não comércio aberto e público via páginas web. Esse tipo de arranjo é investigado pela polícia e tem confirmação documental, mas não semelhante ao formato exposto no artigo.
A jurisprudência jornalística (Folha, ND Mais) inclui casos de pessoas presas por contratarem assassinos de aluguel (por recurso financeiro, herança etc.), mas raramente há conexão com facções; trata-se de crime privado com executores avulsos, não PCC.
✅ Conclusão factual e análise de precisão
Elementos factuais plausíveis:
Golpes que usam o nome do PCC como fachada para extorsão.
Pessoas realmente buscando “matador de aluguel” via internet e sofrendo golpes financeiros.
A facção só pune membros que usam seu nome indevidamente, segundo seus regimentos internos.
Elementos factuais sem comprovação:
A história detalhada de “Aline” e seu pagamento por assassino de aluguel – não há fonte externa que confirme esse caso.
A narrativa de “Wagner Amantino Maciel” morrendo no Paraguai – não há registro público ou policial oficial correlato.
Proporção de “25 % dos contatos do site buscando matador” – não há dado externo ou estatística independente que valide esse percentual.
Conclusão:
O artigo se baseia na lógica de golpes reais em que o nome do PCC é cooptado por estelionatários, o que é concretamente verificado nas investigações policiais. No entanto, as histórias específicas narradas—Aline, viagem ao Paraguai, morte de Wagner—são relatos não corroborados por fontes confiáveis ou investigações externas. Portanto, a parte geral de alerta ao golpe é legítima, mas os detalhes narrativos devem ser interpretados como indício ou dramatização, não como eventos comprovados.
Análise Aprofundada sobre a Alegada Oferta de Assassinos de Aluguel pelo Primeiro Comando da Capital (PCC)
Resumo Executivo
Este relatório apresenta uma análise aprofundada do artigo “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC”, publicado no site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org, contrastando suas alegações com dados verificados de fontes acadêmicas, governamentais e jornalísticas. A análise visa determinar a veracidade das afirmações sobre o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em assassinatos por encomenda para terceiros e contextualizar essa atividade no panorama do crime organizado brasileiro.
Embora os documentos formais do PCC não corroborem a existência de um “Artigo 33” ou de uma política oficial de oferta de serviços de matadores de aluguel para não-membros, há evidências jornalísticas, como a entrevista de um matador de aluguel que se declara afiliado ao PCC, que sugerem a atuação de indivíduos ligados à facção nesse mercado. O PCC, comprovadamente, utiliza a violência letal para disciplina interna e em disputas territoriais. O mercado de matadores de aluguel no Brasil é uma realidade, com ofertas inclusive online, e suas motivações são diversas, indo além das dinâmicas das facções.
A complexidade da atuação do PCC, que mescla um discurso de “resistência” com práticas brutais, e a crescente digitalização do crime organizado, exigem abordagens multifacetadas para a segurança pública. A disseminação de informações ambíguas ou falsas sobre o crime organizado online representa um desafio significativo para a compreensão pública e para as estratégias de combate.
1. Introdução: Contexto e Objetivos da Análise
1.1 Apresentação do Artigo Alvo e do Site
O foco desta análise é o artigo “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC”, datado de 14 de fevereiro de 2023, e acessível através da URL https://faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org/2023/02/14/contratar-matador-aluguel-assassino-pcc/. Este artigo constitui o objeto central da investigação, cujas alegações são minuciosamente examinadas.
O artigo está publicado no domínio faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org. Este site se descreve como um “Site de notícias, estudos, artigos acadêmicos, fatos, histórias, e estatísticas referentes à facção paulista”. Essa autodefinição sugere uma plataforma dedicada à análise e divulgação de informações sobre o PCC, o que exige uma avaliação cuidadosa de sua credibilidade e propósito.
Ricard Wagner Rizzi, o autor do site, faz uma declaração explícita e crucial: “Este site, seu autor, e seus colaboradores não possuem nenhuma vinculação com a facção Primeiro Comando da Capital PCC”. Rizzi tem um histórico de escrita sobre histórias policiais e, notavelmente, conseguiu se integrar a grupos de WhatsApp do PCC, o que lhe permitiu obter informações de primeira mão antes de ser excluído devido aos riscos inerentes a essa proximidade. A dualidade entre o acesso a informações internas e a negação de afiliação é vital para a interpretação de seu conteúdo.
Tentativas de realizar uma busca WHOIS direta para o domínio faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org resultaram na mensagem “This website is inaccessible”. Essa inacessibilidade, embora não impeça a análise do conteúdo já extraído, adiciona uma camada de opacidade à infraestrutura do site e à identidade de seus operadores. A escolha de um domínio que sugere uma afiliação direta com o PCC, combinada com um aviso explícito de desvinculação e a dificuldade em rastrear a propriedade do site, cria um perfil de credibilidade complexo e ambíguo. O site não atua como um canal de comunicação oficial do PCC, nem como uma plataforma acadêmica ou jornalística puramente desvinculada. Em vez disso, ele ocupa um espaço intermediário, disseminando informações sobre o PCC, possivelmente extraídas de fontes internas genuínas, enquanto se distancia legalmente da organização. Essa abordagem pode ser uma salvaguarda legal para o autor ou uma estratégia para evitar a atenção direta das autoridades. A opacidade do registro do domínio reforça a necessidade de cautela ao avaliar o conteúdo, sugerindo um esforço deliberado para ocultar a identidade do registrador, prática comum em domínios que tratam de assuntos sensíveis ou ilícitos. Para os propósitos deste relatório, o conteúdo do site deve ser tratado com um alto grau de escrutínio, pois as afirmações nele contidas não podem ser aceitas como pronunciamentos oficiais do PCC, mas sim como informações filtradas por uma terceira parte não afiliada, embora aparentemente informada.
1.2 Metodologia de Análise e Fontes de Dados
A metodologia empregada nesta análise é fundamentalmente crítica e comparativa. Inicia-se com uma dissecação detalhada das alegações contidas no artigo-alvo. Em seguida, essas alegações são sistematicamente contrapostas a um corpus de dados provenientes de fontes consideradas confiáveis e verificadas.
Para garantir a robustez da análise, foram consultadas diversas categorias de fontes: estudos acadêmicos sobre a estrutura, ideologia e atuação do PCC, que fornecem um embasamento teórico e empírico sobre a facção; relatórios oficiais de organizações internacionais, como o relatório da UNODC sobre homicídios, e dados do governo federal brasileiro sobre segurança pública, que oferecem estatísticas e análises macro; e reportagens investigativas de veículos de imprensa reconhecidos por seu jornalismo investigativo, como Jovem Pan, R7, O Povo e Band, que trazem informações sobre casos específicos e tendências criminais.
2. Análise do Artigo “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC”
2.1 Principais Alegações e Conteúdo
O título do artigo, “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC”, sugere diretamente que o Primeiro Comando da Capital oferece serviços de assassinato por encomenda. A implicação é que a facção atua como um provedor de violência letal para clientes externos, além de suas operações internas e disputas territoriais. Embora o conteúdo específico do artigo não esteja detalhado nos dados fornecidos, o contexto da consulta (“Contraponha com dados disponiveis em seu banco e com informações de fontes confiáveis na internet”) sugere que o artigo possa fazer referência a um suposto “Artigo 33” do PCC. A existência desse “Artigo 33” implicaria uma regulamentação formal dentro da facção para a oferta de tais serviços, conferindo-lhes uma base “legal” interna.
2.2 Linguagem, Propósito e Implicações
Sem acesso direto ao texto completo do artigo, infere-se que a linguagem utilizada é provavelmente direta e potencialmente sensacionalista, dada a natureza do tema e o título provocativo. O tom pode variar entre informativo e alarmista, visando capturar a atenção do leitor.
O propósito primário do artigo parece ser o de informar, ou desinformar, o público sobre uma suposta faceta da atuação do PCC. Isso pode ter múltiplos objetivos, como amplificar a imagem de poder da facção, reforçando a percepção do PCC como uma organização onipresente e capaz de oferecer uma gama diversificada de “serviços” criminosos. Outro objetivo pode ser atrair audiência, capitalizando sobre o interesse público e a curiosidade em torno de organizações criminosas e crimes violentos. Mesmo com o aviso de não afiliação, a publicação de tal conteúdo pode, inadvertidamente ou intencionalmente, servir como uma forma de propaganda indireta para a facção, projetando uma imagem de eficiência e alcance.
A ausência do texto completo nos dados fornecidos impede uma análise direta de chamadas explícitas para ação ou oferta de serviços. No entanto, o título por si só (“Contratar Matador de Aluguel”) já sugere uma oferta implícita ou explícita de serviços, mesmo que seja apenas para fins de reportagem ou dramatização. A existência de um artigo com tal título em um site que se apresenta como fonte de notícias sobre o PCC, mesmo negando afiliação, reflete a complexa dinâmica de disseminação de informações, e desinformação, sobre o crime organizado na internet. Tais artigos podem servir para propaganda, intimidação, ou mesmo para atrair clientes para o mercado de crimes por encomenda, independentemente de serem diretamente operados pelo PCC. A mera sugestão da capacidade do PCC de fornecer esses serviços já contribui para a construção de uma narrativa de poder e controle. Essa dinâmica é um desafio significativo para a segurança pública e para a aplicação da lei, pois borra as linhas entre o jornalismo factual, o sensacionalismo e a potencial solicitação ativa de serviços ilícitos. Isso torna cada vez mais difícil para o público discernir informações confiáveis de narrativas criminosas, e para as autoridades efetivamente combater e desarticular essas manifestações digitais do crime organizado. O artigo, ao enquadrar o assassinato por encomenda como um serviço do PCC, potencialmente normaliza ou legitima essa forma extrema de violência dentro de um mercado criminal mais amplo.
3. O Primeiro Comando da Capital (PCC): Estrutura, Ideologia e Atuação
3.1 Origens e Princípios Fundamentais (Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade, União)
O Primeiro Comando da Capital (PCC) foi fundado em 1993, com sua data de aniversário celebrada anualmente em 31 de agosto. Esta data marca o início de uma das mais influentes organizações criminosas do Brasil. Os princípios centrais que guiam o PCC, e que são reiterados em seus documentos internos, são PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE e UNIÃO (PJLIU). Estes termos são apresentados como pilares de sua ideologia.
O “Guidebook of the First Command of the Capital” (Guia do Primeiro Comando da Capital), um documento interno disponível no site analisado, é descrito como um programa motivacional. Seu propósito é fomentar a unidade do grupo e legitimar o PCC como um representante da resistência contra um sistema opressor que, segundo a facção, impede a inserção dos mais pobres na sociedade. Este discurso busca dar uma roupagem social e política à organização. O guia detalha o significado desses princípios dentro do contexto da facção: PAZ é interpretada como o fim das injustiças e opressões sofridas pelos presos; JUSTIÇA representa a luta pelos direitos e respeito; LIBERDADE é vista como a libertação de dominadores e injustiças, sendo o principal objetivo a liberdade da prisão e a luta para mantê-la na rua; UNIÃO é a consolidação da união já existente entre os membros; e IGUALDADE é o significado consolidado da união, onde a “Família” do PCC funciona como uma engrenagem de assistência e proteção para presos e familiares.
3.2 Dinâmicas de Poder e Uso da Violência Interna
Nas prisões paulistas, o PCC expandiu-se como uma instância reguladora de conflitos e uma fonte de elaboração de normas de convívio. Seu domínio é baseado tanto em um discurso de união e solidariedade quanto no exercício da violência física. A utilização da violência pelo PCC não é estática; estudos indicam que a organização passou por três momentos distintos em sua forma de empregar a violência, adaptando-se às suas necessidades e ao contexto.
Desde 2002, o PCC adota uma estrutura que se autodenomina “chefia sem mando”, onde o comando não reside em figuras únicas e poderosas. Em vez disso, a organização se consolida através de “sintonias” (coordenadores), que atuam como o modo de organização predominante. Essa descentralização visa garantir coesão, solidariedade e disciplina entre seus integrantes para a exploração de negócios ilícitos.
O Estatuto do PCC, conforme apresentado no site analisado, detalha rigorosas regras de conduta e lealdade. O “Item 9” do Estatuto é particularmente enfático: membros que desfrutam dos benefícios, mas se afastam por medo de perder a liberdade ou falta de interesse, são avaliados, e o oportunismo pode ser caracterizado como traição, cujo “preço da traição é a morte”. O “Item 17” reforça que quem “mexer com nossa família” terá a família exterminada, e que “vida é paga com vida e sangue deve ser pago com sangue”. Há casos comprovados de execuções de indivíduos considerados “delatores” ou “traidores” da facção. A Polícia Civil revelou que o assassinato de Vinícius Gritzbach, um delator do PCC, pode ter sido encomendado por um “consórcio” de integrantes da própria facção. De forma mais geral, o PCC é conhecido por “cobrar traições com assassinatos”, com corpos sendo “desovados no meio da rua”.
Existe uma clara dissonância entre o discurso do PCC, que projeta uma imagem de “resistência” e “justiça”, e sua atuação, que envolve violência brutal para manter a disciplina interna e o controle territorial. Essa dicotomia é fundamental para entender a complexidade da facção. A “justiça” que promovem é uma justiça interna, voltada para a manutenção de sua própria ordem e negócios ilícitos, não uma justiça social ampla. Essa narrativa ideológica serve para cooptar membros e justificar suas ações, enquanto a violência é a ferramenta pragmática de controle. A execução de delatores e traidores não é um ato aleatório de violência, mas um componente fundamental e calculado do aparato de governança e segurança do PCC. Serve como um impedimento poderoso e inequívoco contra a deserção, a delação ou qualquer ato percebido como desleal. Essa aplicação rigorosa das regras internas por meio da violência letal garante a segurança operacional da organização, mantém a coesão interna e reforça a autoridade absoluta das “sintonias”. É uma aplicação estratégica da violência para preservar a integridade e o poder da empresa criminosa. Essa violência disciplinar interna generalizada ressalta a lealdade extrema exigida pelo PCC e as severas consequências para a desobediência, tornando os esforços de coleta de informações e infiltração excepcionalmente desafiadores e arriscados.
3.3 Expansão e Conflitos com Outras Facções
O PCC e o Comando Vermelho (CV), outra grande facção criminosa brasileira, estão em guerra aberta pelo domínio do tráfico de drogas. Essa disputa se manifesta intensamente nas regiões de fronteira do Brasil com países produtores como Paraguai, Bolívia e Colômbia, e também pela hegemonia do tráfico em diversos estados brasileiros. Essas disputas frequentemente resultam em confrontos violentos, inclusive dentro do sistema prisional, como evidenciado por rebeliões com múltiplas mortes.
O Estatuto do PCC afirma que a facção não possui limite territorial. Todos os membros “batizados” (iniciados) são considerados parte do Primeiro Comando da Capital, independentemente de sua localização em qualquer cidade, estado ou país, e são obrigados a seguir sua disciplina e hierarquia. Isso sublinha a ambição e a capacidade de projeção da facção para além das fronteiras estaduais e nacionais. A busca por domínio territorial e de rotas de tráfico é um motor primário da violência do PCC, seja contra facções rivais ou para consolidar seu controle. Esta expansão global demonstra a sofisticação e a ambição da organização, transformando-a em um ator transnacional que exige cooperação internacional para ser combatido. A violência é, portanto, um meio para atingir objetivos econômicos e de poder. A natureza transnacional do PCC significa que os esforços de aplicação da lei em nível nacional, por si só, são insuficientes. O combate eficaz a uma organização como essa requer cooperação internacional robusta, compartilhamento de inteligência e estratégias coordenadas em múltiplas jurisdições. A violência decorrente dessas disputas territoriais tem consequências de longo alcance, impactando a segurança pública não apenas em focos criminais tradicionais, mas também potencialmente influenciando a estabilidade geopolítica em regiões fronteiriças e além, à medida que as economias criminosas se tornam cada vez mais interconectadas.
4. Assassinatos por Encomenda no Brasil: Panorama e Envolvimento do Crime Organizado
4.1 Estatísticas Nacionais de Homicídios e Tendências
O Brasil tem historicamente enfrentado altos índices de violência letal. Em 2017, o país registrou uma taxa de 30,5 homicídios a cada 100 mil habitantes, sendo a segunda maior da América do Sul, superada apenas pela Venezuela. O período entre 1991 e 2017 foi marcado por um total alarmante de cerca de 1,2 milhão de mortes por homicídios dolosos. Dados mais recentes indicam uma melhora no cenário. Em 2023, o Brasil alcançou o menor número de assassinatos dos últimos 14 anos, o que sugere um declínio na violência letal geral, embora o desafio do crime organizado persista.
Um relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) identifica diversos fatores que impulsionam os homicídios, além do crime organizado. Entre eles estão a disponibilidade de armas de fogo, o consumo de drogas e álcool, a desigualdade social, o desemprego, a instabilidade política e estereótipos de gênero. O governo federal tem enfatizado a importância do investimento em inteligência para enfrentar a “indústria internacional do crime organizado”, que é caracterizada por sua complexidade e poder, envolvendo recursos como aviões, navios e influência em instâncias de governos.
A alta taxa histórica de homicídios no Brasil cria um ambiente de violência endêmica, que, por sua vez, é propício para a proliferação de crimes por encomenda. Em um contexto onde a violência letal é uma realidade social e a percepção de impunidade pode ser alta, a contratação de matadores de aluguel pode ser vista como uma solução viável para a resolução de conflitos ou a eliminação de rivais. A recente queda nas taxas é um avanço, mas não elimina a base estrutural que permite a existência desse mercado. A natureza generalizada da violência letal no Brasil estabelece um terreno fértil para o mercado de assassinatos por encomenda. Em um ambiente onde a violência é tragicamente normalizada e onde os mecanismos formais de justiça podem ser percebidos como lentos, ineficientes ou inacessíveis em certas regiões, indivíduos e grupos são mais propensos a recorrer a meios extralegais, incluindo a contratação de assassinos profissionais, para resolver disputas, cobrar dívidas ou eliminar rivais. O volume de homicídios sugere um contexto social em que o ato de matar para fins específicos não é uma anomalia, mas um componente trágico da paisagem criminal. Compreender o contexto mais amplo da violência é crucial para abordar eficazmente os assassinatos por encomenda. Isso destaca que os assassinatos por encomenda não são um fenômeno isolado, mas sim um sintoma de questões sociais mais profundas, incluindo a presença arraigada do crime organizado, a disponibilidade de meios ilícitos para resolver conflitos e as desigualdades sistêmicas. Portanto, as estratégias de aplicação da lei e de políticas públicas devem ser multifacetadas, visando não apenas os perpetradores diretos, mas também os fatores subjacentes da violência e os ecossistemas criminais que permitem tais serviços. A ênfase do governo na inteligência é particularmente relevante dada a natureza sofisticada do crime organizado e sua adaptabilidade.
4.2 Modus Operandi de Matadores de Aluguel
A figura do matador de aluguel é uma realidade no Brasil há décadas. Júlio Santana, conhecido como “Julião”, é um exemplo emblemático. Ele é considerado o maior serial killer do Brasil em número de vítimas, tendo assassinado ao menos 492 pessoas na região fronteiriça entre Tocantins e Maranhão. Santana mantinha um caderno detalhado de suas execuções e, curiosamente, rezava antes ou depois dos crimes, pedindo “perdão a Deus”. Este caso ilustra a existência de profissionais da morte com métodos e rituais próprios.
Uma tendência recente e preocupante é a digitalização do mercado de assassinatos por encomenda. A polícia brasileira descobriu que matadores de aluguel estão oferecendo seus serviços abertamente na internet, utilizando grupos online para solicitar e oferecer os serviços. Alguns anúncios prometem sigilo e a ausência de rastros. Os valores cobrados por esses serviços variam consideravelmente. Em um caso documentado, um homem contratou um matador de aluguel por R$ 15.000. Em uma simulação policial, um suspeito da cidade de Goiás cobrou R$ 3.500 pelo serviço, além de passagens e hospedagem. No entanto, um matador de aluguel que afirma trabalhar para o PCC, em entrevista à Jovem Pan, mencionou que seus serviços podem custar até 50 mil dólares, indicando um segmento de alto valor, possivelmente para alvos de maior perfil ou que exigem a “garantia” de uma facção poderosa.
A existência de figuras como Júlio Santana demonstra uma história de profissionalização do assassinato por encomenda. A recente descoberta de ofertas online indica uma modernização e digitalização desse mercado ilícito, tornando-o mais acessível e potencialmente mais difícil de rastrear. Essa transição para o ambiente digital sugere uma adaptação dos criminosos às novas tecnologias para expandir suas operações e alcançar um público mais amplo. Essa evolução significa uma mudança significativa no modus operandi dos assassinatos por encomenda. O mercado passou de redes puramente clandestinas e boca a boca para serviços abertamente anunciados online, aproveitando o anonimato e o alcance percebidos da internet. Isso indica uma “comodificação” da violência, onde serviços letais são comercializados e adquiridos com um grau de abertura anteriormente não visto. A ampla gama de preços sugere um mercado em camadas, com preços mais altos sendo cobrados por aqueles afiliados a organizações poderosas como o PCC, implicando um prêmio pela percepção de eficiência, confiabilidade ou pelo efeito dissuasor do nome da facção. Essa digitalização apresenta novos desafios substanciais para a aplicação da lei, exigindo o desenvolvimento de capacidades avançadas de ciberinteligência para monitorar, infiltrar e desarticular essas redes criminosas online.
4.3 Atores Envolvidos e Motivações
O cenário dos assassinatos por encomenda no Brasil não se restringe apenas às grandes facções criminosas. Embora o crime organizado seja um impulsionador significativo de homicídios, há também a atuação de indivíduos e grupos menores, bem como de matadores de aluguel autônomos, como Júlio Santana. As motivações para a contratação de assassinatos são variadas e complexas, indo além das disputas de tráfico ou da disciplina interna de facções. O relatório da UNODC aponta que, além do crime organizado, outros fatores como a disponibilidade de armas de fogo, o consumo de drogas e álcool, a desigualdade social, o desemprego, a instabilidade política e estereótipos de gênero contribuem para o problema geral de homicídios. Em casos específicos de contratação, as motivações podem incluir disputas pessoais, como o caso em Chapecó, onde um indivíduo contratou um matador por R$ 15 mil para assassinar outro homem devido a uma disputa não especificada. Também se incluem execuções internas de facções, como o PCC, que comprovadamente ordena a morte de delatores e traidores para manter sua disciplina e sigilo, e interesses econômicos, como disputas por controle de territórios de tráfico ou outros negócios ilícitos, que levam a guerras entre facções.
Os assassinatos por encomenda não são motivados apenas por disputas de facções ou tráfico de drogas; podem envolver uma gama de conflitos pessoais e sociais, evidenciando a instrumentalização da violência para diversos fins. Isso demonstra que a demanda por esses serviços é multifacetada e reflete patologias sociais mais amplas, onde a vida humana é desvalorizada em prol de interesses diversos. Isso indica que os assassinatos por encomenda não são um fenômeno monolítico impulsionado apenas por grandes organizações criminosas. Em vez disso, representam uma intersecção complexa de diversas motivações — vinganças pessoais, rivalidades comerciais, ações disciplinares internas e disputas territoriais — e envolvem uma gama diversificada de atores, desde esquadrões de extermínio altamente organizados até freelancers individuais. Isso sugere que a violência é instrumentalizada em diferentes estratos sociais e para objetivos variados, refletindo uma cultura pervasiva onde a força letal é uma solução prontamente disponível para conflitos. As estratégias de aplicação da lei devem ser altamente matizadas e adaptáveis. Um foco singular nos principais grupos do crime organizado pode negligenciar uma parte significativa dos assassinatos por encomenda impulsionados por motivos pessoais ou realizados por redes menores e menos visíveis. A intervenção eficaz exige uma compreensão profunda dos impulsionadores específicos em diferentes contextos, integrando a inteligência sobre o crime organizado com análises sociais e econômicas mais amplas para abordar as causas-raiz e as diversas manifestações da violência letal.
5. O PCC e os Homicídios por Encomenda: Uma Análise Comparativa
5.1 Envolvimento do PCC em Execuções Internas (Delatores, Traidores)
A execução de membros considerados traidores ou delatores é uma política interna fundamental do PCC. O Estatuto da facção, em seu “Item 9”, é explícito ao afirmar que “o preço da traição é a morte” para aqueles que demonstram oportunismo ou falta de interesse após desfrutar dos benefícios da organização. O “Item 17” reforça essa postura, declarando que quem “mexer com nossa família” terá a família exterminada e que “vida é paga por vida e sangue deve ser pago com sangue”.2 Essa regra interna é consistentemente aplicada. A Polícia Civil, por exemplo, revelou que o assassinato de Vinícius Gritzbach, um delator do PCC, foi encomendado por um “consórcio” de integrantes da própria facção. De forma mais ampla, a facção é conhecida por “cobrar traições com assassinatos”, com a desova de corpos em locais públicos como forma de intimidação e demonstração de poder.
A execução de delatores e traidores é uma prática central do PCC para manter a coesão, disciplina e o sigilo da organização. Essa violência é interna e estratégica, garantindo a sobrevivência e o poder da facção. É uma manifestação brutal de sua “justiça” interna e um mecanismo de controle social sobre seus membros, reforçando a lealdade e o medo das consequências da desobediência. As execuções internas não são atos aleatórios de violência, mas um componente fundamental e calculado do aparato de governança e segurança do PCC. Elas servem como um impedimento poderoso e inequívoco contra a deserção, a delação ou qualquer ato percebido como desleal. Essa aplicação rigorosa das regras internas por meio da violência letal garante a segurança operacional da organização, mantém a coesão interna e reforça a autoridade absoluta das “sintonias” (coordenadores). É uma aplicação estratégica da violência para preservar a integridade e o poder da empresa criminosa. Essa violência disciplinar interna generalizada sublinha a lealdade extrema exigida pelo PCC e as severas consequências para a desobediência, tornando os esforços de coleta de informações e infiltração excepcionalmente desafiadores e arriscados.
5.2 Alegada Oferta de Serviços de Matadores de Aluguel para Terceiros: Confronto com Evidências
O artigo sob análise sugere que o PCC oferece serviços de matadores de aluguel para terceiros, possivelmente sob a égide de um “Artigo 33”. A evidência mais direta que corrobora a alegação de oferta de serviços de matadores de aluguel por indivíduos ligados ao PCC vem de uma entrevista exclusiva da Jovem Pan. Um matador de aluguel, que se declara trabalhando para o PCC, detalhou como funciona a contratação de seus serviços e mencionou que os custos podem chegar a 50 mil dólares. Esta é uma peça crucial de informação, pois sugere que, mesmo que não seja uma política formal da facção, indivíduos com afiliação ao PCC podem estar monetizando suas habilidades e a reputação da organização nesse mercado.
Contraditoriamente, uma análise minuciosa do “Statute of the First Command of the Capital” (Estatuto do PCC) e do “Guidebook of the First Command of the Capital” (Guia do PCC), ambos disponíveis no próprio site analisado, revela que nenhum deles contém um “Artigo 33” ou qualquer menção explícita a serviços de assassinato por encomenda oferecidos a não-membros. Além disso, glossários de termos do PCC compilados por forças de segurança também não fazem referência a um “Artigo 33” com essa finalidade. Isso sugere que a menção a esse artigo específico no artigo-alvo pode ser uma invenção ou uma interpretação equivocada de uma regra informal.
É importante notar que o mercado de matadores de aluguel existe no Brasil independentemente de uma formalização pelo PCC. Há casos documentados de contratação de matadores não explicitamente ligados à facção, com preços variados (como R$ 15.000 em um caso de Chapecó, e R$ 3.500 em uma simulação policial com ofertas online). Isso demonstra que a demanda e a oferta de assassinatos por encomenda são fenômenos mais amplos, que podem ou não envolver diretamente as grandes facções.
A ausência de um “Artigo 33” ou de menção a serviços de matadores de aluguel nos documentos formais do PCC sugere que, se essa atividade existe, ela não é uma política oficial ou codificada da facção, ou é uma prática informal e oportunista. No entanto, a entrevista do Jovem Pan não pode ser ignorada, indicando que indivíduos afiliados ao PCC podem sim oferecer esses serviços, talvez sem a chancela formal da “chefia”, mas aproveitando a reputação da facção para cobrar valores mais altos. Isso aponta para uma descentralização da execução de violência, onde a marca PCC agrega valor. Essa observação é crucial, pois estabelece uma distinção crítica: embora o PCC, como organização, possa não codificar ou anunciar formalmente “assassinatos por encomenda” como um serviço sob um artigo específico, membros individuais ou células que operam sob o amplo guarda-chuva do PCC podem, de fato, se engajar em tais atividades. Eles aproveitam a temível reputação, a rede e as capacidades violentas do PCC para oferecer esses serviços, possivelmente como um meio de gerar renda pessoal ou recursos para sua célula específica, sem a sanção direta do comando central. O preço elevado de 50 mil dólares sugere um prêmio pela percepção de eficiência, confiabilidade ou pelo poder de dissuasão associado ao nome do PCC. Isso indica uma adaptação mais fluida e oportunista das capacidades criminosas. Essa constatação tem implicações significativas para a aplicação da lei e a inteligência. Significa que, embora processar o PCC como uma entidade formal por “serviços de assassinato por encomenda” possa ser difícil sem evidências diretas do envolvimento do comando central, membros individuais provavelmente estão monetizando a “marca” violenta da organização. Isso borra as linhas entre as ações disciplinares internas (que são claramente sancionadas) e os serviços criminais externos, tornando desafiador atribuir assassinatos por encomenda diretamente à liderança máxima do PCC, a menos que um vínculo direto com a “sintonia” seja estabelecido.
5.3 Credibilidade da Fonte: Avaliação do Site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org
O site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org apresenta um posicionamento ambíguo. Por um lado, seu domínio e o conteúdo que hospeda (como o Estatuto e o Guia do PCC) sugerem uma proximidade com a facção. Por outro, o autor, Ricard Wagner Rizzi, explicitamente nega qualquer vinculação com o PCC.
O fato de o autor ter tido acesso a grupos de WhatsApp do PCC indica uma capacidade de obter informações “de dentro” da facção, mesmo que essas informações não sejam oficiais ou representem a totalidade da visão da liderança. Essa proximidade, combinada com sua experiência em escrever histórias policiais, sugere que o site opera em uma zona cinzenta entre o jornalismo investigativo e a divulgação de material “insider”.
A publicação de artigos como o analisado, mesmo com o aviso de não afiliação, pode servir a múltiplos propósitos. Pode ser uma forma de manter a “aura” de poder e alcance do PCC, explorando a curiosidade pública e a notoriedade da facção. Indiretamente, ao divulgar seus estatutos e supostas atividades, o site contribui para a construção da narrativa do PCC, seja ela de “resistência” ou de uma organização criminosa multifacetada. A inoperância do WHOIS direto também contribui para essa aura de mistério e desafio às autoridades. Mesmo sem afiliação direta, o site contribui para a narrativa do PCC, seja por meio da divulgação de seus “estatutos” ou de artigos que amplificam sua imagem de poder e capacidade de ação. Isso pode ser uma forma indireta de “marketing” para a facção, ou uma exploração jornalística de seu universo. A publicação de informações não verificadas, como a menção a um “Artigo 33” para serviços de matadores de aluguel, pode ser uma forma de desinformação controlada, visando reforçar a imagem de uma organização onipotente e misteriosa. A ambiguidade do site permite que ele sirva como um canal para informações sobre o PCC, o que, independentemente de sua precisão, contribui para a imagem pública e a “marca” da organização. Isso pode ser uma estratégia deliberada do autor para atrair tráfego, aproveitando a notoriedade do PCC.
Conclusões
A análise do artigo “Contratar Matador de Aluguel: Assassino PCC” e sua contraposição com dados de fontes confiáveis revelam uma complexa tapeçaria de informações sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital e o mercado de assassinatos por encomenda no Brasil.
Primeiramente, é fundamental distinguir entre a violência interna do PCC e a suposta oferta de serviços de matadores de aluguel para terceiros. A violência interna, direcionada a delatores e traidores, é uma característica intrínseca e bem documentada da facção, explicitamente prevista em seu Estatuto como um mecanismo de disciplina e coesão. Essa aplicação letal de sua “justiça” interna é um pilar para a manutenção do poder e da segurança operacional da organização.
Em contraste, a alegação de que o PCC oferece formalmente serviços de matadores de aluguel para não-membros, possivelmente sob um “Artigo 33”, não encontra respaldo nos documentos oficiais da facção disponíveis. No entanto, a existência de entrevistas com indivíduos que se declaram matadores de aluguel afiliados ao PCC e que detalham a contratação e os custos desses serviços sugere que, embora não seja uma política codificada centralmente, membros ou células da facção podem, de fato, se engajar nessa prática. Essa atuação oportunista se beneficia da reputação de violência e eficiência do PCC, permitindo que esses indivíduos cobrem valores significativamente mais altos.
O cenário mais amplo dos assassinatos por encomenda no Brasil é multifacetado, impulsionado por uma combinação de crime organizado, disputas pessoais e fatores socioeconômicos. A digitalização desse mercado, com ofertas explícitas online, representa uma evolução preocupante, tornando a contratação de violência letal mais acessível e desafiadora para as autoridades.
A natureza do site faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org é um elemento crucial para a interpretação de seu conteúdo. Embora negue afiliação, sua proximidade com informações internas e a publicação de artigos como o analisado contribuem para a construção da narrativa do PCC, seja como uma forma de “branding” indireto ou de exploração jornalística de um universo criminoso. Essa ambiguidade e a potencial disseminação de informações não verificadas exigem um olhar crítico sobre o conteúdo veiculado.
Em suma, o PCC é uma organização que utiliza a violência de forma estratégica para seus próprios fins de controle e expansão. Embora a oferta formal de “matadores de aluguel” para terceiros não seja evidente em seus documentos oficiais, a capacidade de indivíduos afiliados à facção de atuar nesse mercado, alavancando a “marca” PCC, é uma realidade que complexifica o combate ao crime organizado e à violência letal no Brasil. A compreensão dessa dinâmica exige uma abordagem que vá além da superfície das alegações e se aprofunde nas estruturas, ideologias e práticas operacionais das organizações criminosas, bem como nas tendências de digitalização do crime.
Os relatórios que sugerem que a facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) estaria assumindo o comércio de cocaína em Portugal ainda não possuem fundamentação sólida.
O jornalista João Amaral dos Santos, em artigo na Revista Visão, demonstra que a principal prova da ação do PCC em Portugal era inverídica.
Leonardo: o elo que liga o PCC à Portugal?
Leonardo Serro dos Santos, o Carioca, seria o suposto líder da facção paulista responsável pela logística do tráfico dos portos brasileiros para os europeus.
No entanto, as investigações estão provando que, na realidade, ele gerenciaria a logística em nome da organização criminosa carioca Comando Vermelho (CV).
Geográfica e linguísticamente, Portugal se torna um centro crescente para o tráfico transnacional europeu de cocaína.
Sob esse ponto de vista, a surpresa é que demorou tanto para essa tendência se tornar tão aparente.
No entanto, a extensão da influência da organização criminosa Primeiro Comando da Capital em Portugal continua difícil de provar.
As denúncias feitas nas investigações dos periódicos portugueses Expresso e do Diário de Notícias falam de várias dezenas de integrantes do PCC no país.
Facção Criminosa PCC em processo de expanção
Os integrantes da facção criminosa paulista estariam preparados para ampliar o controle da entrada de drogas no país, mas há poucos detalhes além disso.
Em novembro de 2021, autoridades de São Paulo prenderam um integrante do Primeiro Comando da Capital com uma lista de membros de gangues no exterior.
Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya haveriam em Portugal, 42 pessoas já identificadas, mas apenas como números, como tendo recebido dinheiro da facção.
A facção criminosa PCC 1533 costuma recrutar membros entre os que buscam refúgio em Portugal ou que por lá já realizam algum tráfico de drogas.
As prisões de Wanderson e leonardo em Dubai
Em setembro de 2022, a polícia portuguesa prendeu Wanderson Machado de Oliveira, também relatado como membro da organização criminosa paulista PCC.
Ele foi acusado de tráfico de drogas e sequestro de dois homens que erroneamente pensou ter roubado 240 quilos de cocaína que pertenceriam à facção.
No entanto, as drogas haviam sido apreendidas pelas autoridades no porto de Sines, no sul de Portugal.
Em novembro, Leonardo Serro dos Santos foi preso em Dubai. Ele seria um dos líderes do PCC responsável pelo tráfico transnacional que passava por Portugal.
Ele negou todas as acusações contra e foi solto após 45 dias porque o Brasil não fez um pedido de extradição a tempo.
E posteriormente descobriu-se que nem ele, e nem a droga apreendida eram do Primeiro Comando da Capital, e sim do Comando Vermelho.
No entanto, Portugal não é destino destes carregamentos de cocaína. Em vez disso, a ‘Ndrangheta manda suas drogas para a Bélgica, Holanda, Alemanha e Itália.
Anos depois, já presidente, Jair Bolsonaro bateu um novo recorde de apreensão de drogas, e então? Isso seria prova do aumento do tráfico e o envolvimento das autoridades como ele mesmo afirmou poucos anos antes?
Após quatro anos de governo Bolsonaro, a jornalista Maria Zuppello lembra que o porto de Santos hoje é controlado pelo Primeiro Comando da Capital que…
… um exército de mais de 112 mil bandidos ferozes (…) que no tráfico de cocaína e maconha, faturam cerca de 600 milhões de dólares anuais.
Maria Zuppello
O especialista Antonio Nicasco afirma que a facção PCC nesse período fortaleceu as relações que já tinha com a organização mafiosa ‘Ndrangheta:
Com a perda do controle do governo federal pelo grupo político que dominava o porto de Santos e a transferência de seus integrantes para o governo do Estado de São Paulo, a Polícia Federal deixa de ser um instrumento disponível.
É nesse contexto que a discussão da privatização do porto de Santos acontece com o governador Tarcísio de Freitas, ex-ministro de Jair Bolsonaro, tentando agilizar a pivatização do porto de Santos:
“… está pronto, vai ser um espetáculo e vai criar muitos empregos.”
Atrair novos integrantes com o fim da cobrança da caixinha do PCC e chamar de volta antigos companheiros excluídos são algumas das estratégias da facção criminosa para um novo tempo.
A caixinha do PCC e as mudanças na facção paulista
O fim da caixinha do PCC 1533 não é apenas uma mudança no fluxo de caixa, é o sinal de uma nova Era do PCC.
Várias vezes nessas duas décadas, policiais e promotores de Justiça afirmam que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital esteve com seus dias contados.
Faz muito tempo, muito tempo mesmo, o Secretário de Segurança de São Paulo afirmou que o então “Partido do Crime” tinha acabado — isso em 1997.
Depois dele, Secretários de Segurança, promotores de Justiça e políticos de plantão afirmam: É questão de tempo o fim do PCC!
Essa família impediu que os Secretários de Segurança, promotores de Justiça e políticos cumprissem suas promessas de acabar com a organização criminosa paulista.
Como toda a família, no Primeiro Comando da Capital também tiveram aqueles que não correram pelo certo, que erram e faltaram com a Família 1533.
Uma das faltas mais comum era a dos integrantes inadimplentes com o caixinha do PCC que eram expulsos.
Agora, como o filho pródigo da Bíblia, eles estão sendo recebidos de volta ao ceio da Família do Primeiro Comando da Capital.
A facção criminosa está indo atrás de cada um, em cada canto do Brasil para chamar para correr junto.
Atuando em quatro continentes, o Primeiro Comando da Capital é hoje a maior e mais abrangente organização de todas as Américas — dependendo do critério utilizado.
Ao conquistar um espaço territorial muito grande e sabendo que ainda tem todo um mundo à conquistar, as lideranças tiveram que mudar algumas estratégias.
Todos os integrantes da facção tem os mesmos direitos e obrigações, o que é motivo de orgulho para os seus “crias”.
Todos são iguais e não deve se cometer injustiça com ninguém.
Essa igualdade é a grande força da facção, mas também é o seu ponto mais fraco — seu calcanhar de Aquiles.
Todos os integrantes pagavam a caixinha, era o justo e o correto, no entanto, também era a maneira mais fácil das autoridades mapearem os integrantes.
O fortalecimento alcançado pela organização criminosa permite que não se cobre mais de seus integrantes a mensalidade que colocava em risco toda a estrutura.
Agora, os Secretários de Segurança, promotores de Justiça e políticos que quiserem acabar com o Primeiro Comando da Capital terão também que se reinventar.
A cada baixa de uma liderança, novas surgem como um acender de lâmpada, e cada uma delas traz novas ideias, novas estratégias, novos arranjos pessoais e familiares.
A facção sobreviveu a tantos ataques das autoridades, pois foi unida por sangue e forjada no fogo, e para cada um que cai há dez querendo entrar.
Uma estória que contei há exatos 11 anos, em fevereiro de 2012
Eu sabia que não devia ter me metido naquela enrascada.
Sempre disse que vira-latas não se mete em briga de pit-bull, mas falar é fácil, e eu entrei naquele assunto para o qual não tinha sido chamado.
Não podia dar outra coisa, dancei.
Desmaiei pouco tempo depois de começar a chutes de todos os lados.
Primeiro aquela dor indescritível, minha cabeça voava de um lado para outro, eu ainda sentia isso, não tinha perdido totalmente a consciência.
Não procurarei definir, ou descrever o que restava dela. Não era sonho, delírio, desfalecimento ou morte. Havia dor e imobilidade.
Sentia meu sangue quente fluir pelo meu nariz e escorre pelo meu rosto. O gosto do sangue agora era o único que sentia.
Sei que respirava, pois a cada inspiração havia muita dor, minhas costelas pareciam facas aguçadas querendo chegar cada vez mais fundo em meus pulmões.
Pronto, fui apresentado ao PCC, eu sabia disso.
Em meio a morte, em meio aquela teia de sonhos e alucinações acredito ter ouvido conversas, vozes que contavam histórias e discutiam seus assuntos como se eu não estivesse ali.
Um diálogo cabuloso definindo meu destino
Talvez imaginassem que eu não sobreviveria, ou talvez só estivessem esperando minha morte para poderem ir embora com a certeza da missão cumprida.
― Entendeu, eu acredito que você vai fazer o que é certo, o que se acha que é certo, entendeu irmão e, estou fechando junto e, é isso. Entendeu, por que tá demais, o mole que tá demais mesmo, né meu a gente sabe que a gente tem certo limite pra fazer as coisas, mas tem uns caras que tiram da linha, esse daí é o tipo que tira da linha. Eu vi ele trabalhando com o irmão Neizinho, ele tá trabalhando sim. Ta inclusive eu te liguei irmão, por que é o seguinte, tem um outro menino lá que tá trabalhando pro irmão Neizinho. Que é o Maicon, não sei se você já ouviu falar. Outro dia foi numa biqueira aí irmão e pegou lá parece um quilo de mercadoria lá no nome do irmão Pimenta, entendeu, moleque? Sem o conhecimento do irmão, moleque? – falou Luiz Carlos do Nascimento, o irmão Piloto.
― Vai vendo. – respondeu o outro.
― Até uns dias atrás ele trabalhava com o irmão Neizinho. Então é um problema, viu, esses meninos, esses funcionários do irmão Neizinho. Aí moleque. Não, e essa aí é grave, pô, que o movimento tá muito descabeçado lá moleque. – falou piloto.
― Então tá usando o nome do irmão aí, colocando o irmão em BO, aí. – concordou o outro.
― Entendeu meu irmão. Aí amanhã eu pego o irmão, eu coloco ele na linha pá nóis pode trocar uma idéia, e aí, cê faz uma viagem só prá lá, já vai e já explica o bê-á-bá prá eles irmão, vê o que eles querem né irmão. Por que pelo simples fato deles estarem todos eles trabalhando com o irmão, pô eles estão totalmente errados… Mas corre com o irmão, então tem que ser no mínimo o bem comportado. Sê viu o outro empregado do Neizinho, o Fuscão, as caminhadas erradas que ele seguiu, num sabe?… – continuava Piloto.
Sabia eu que os dois falavam a respeito dos problemas das biqueiras de Salto, Maicon pegando mercado sem autorização de Pimenta. Ouvi também Piloto dizendo para Edson Rogério França, o irmão Cara de Bola alguma coisa, mas sei como este respondeu:
― Aí o cara já foi pondo o dedo no peito do “M”, aí o bagulho ficou louco. (Marcelo José Marques, o Tio ou “M”)
― Aí imagino né, não. – Piloto.
― Aí soco prá lá, soco prá cá, aí os seguranças rápido já fecho, já fui embora também irmão.
Acho que eles falavam sobre o Fuscão que estava no hospital mando de Cara de Bola, não tinha adiantado o cara dizer que tinha um salve passado por Sandro no papel.
Piloto e Cara de Bola estavam em ordem com a família, Bad Boy estava morto, Fuscão tinha tido sua lição, e eu não sabia onde estava.
Sei que o corvo sobe para quem está com a situação, e que volta a cobrar com quem fechou a caixinha em atraso.
Sobrevivi, narrei aqui o que vi e senti naquela noite, hoje já não pertenço àquele mundo, do qual fui brutalmente retirado, e mesmo se quisesse não mais poderia voltar a pertencer.
Pai e filho envolvidos com o Primeiro Comando da Capital são atacado em um intervalo de poucas horas. O pai foi morto na Bolívia e o filho sobreviveu no Brasil.
O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.
O neoliberalismo e a facção PCC: filosofia e mercado
O neoliberalismo e a facção PCC foram feitos um para o outro. Se hoje o Primeiro Comando da Capital germina como um cartel internacional de drogas, foi graças ao esforço de várias pessoas, e, entre elas, eu e você.
No final de 1991, eu e você acompanhamos a Queda do Muro de Berlim – o coroamento da vitória do neoliberalismo sobre o socialismo internacional.
Foi graças aos nossos esforços que houve essa vitória e a consequente derrubada das rígidas fronteiras nacionais, deixando o solo menos árido para as sementes que então eram jogadas por Zé Márcio.
Não sei onde você estava e o que fazia, mas posso afirmar que Zé Márcio Felício caminhava pelos corredores e pátios ocultos por trás das muralhas das unidades prisionais, semeando a “boa nova” nos corações e nas mentes dos encarcerados.
Geleião e o PCC 1533 semeando a união dentro do sistema
Facção PCC 1533 e o admirável mundo novo
Cabe ao semeador retirar as sementes do celeiro e levá-las ao campo, ou a safra não virá; mas a semente tendo sida jogada ao tempo certo e em solo fértil, trará a safra, independentemente de quem tenha sido a mão a jogar a semente ou a fertilizar o solo.
Na “parábola do semeador” o nome do personagem não é citado por nenhum dos evangelistas, pois sua identidade simplesmente não é importante, mas, sim, seu trabalho.
Por essa razão a nossa participação, a minha e a sua, fertilizando o solo para as sementes do Primeiro Comando da Capital não tem também nenhuma importância, e, por humildade cristã negaremos que os frutos agora gerados são resultado de nosso esforço.
Naquela tarde de chuva de 1991, Rato era morto por Cesinha em Taubaté. Era a primeira semente jogada ao solo utilizando o método que seria imortalizado na fundação oficial do Partido do Crime da Capital (PCC)– a Rebelião de Taubaté de 1993.
Cezinha começou a alicerçar o PCC utilizando o sangue de Rato na massa, enquanto Zé Márcio (Geleião) jogava sementes de presídio em presídio, pregando a “boa nova”, e nós, eu e você, derrubávamos o Muro de Berlin – era o fim da história segundo Fukuyama, só que não, era só o começo.
Finalmente conseguimos, eu e você, e o fruto de nosso esforço foi tornar as fronteiras mais permeáveis à circulação de pessoas e produtos: a grande vitória para nossa geração! – e sem a qual o Primeiro Comando da Capital não existiria…
… mas deixemos que os louros pela criação da Facção PCC 1533 sejam entregues a Zé Márcio, o semeador, apesar de que fomos nós que tenhamos preparado o solo.
Bem-vindo ao nosso admirável mundo novo. Está chegando o momento certo para se semear: o solo está quase preparado.
A abertura dos Portos e o Primeiro Comando da Capital
Facção PCC 1533 surfando na onda neoliberal
No Brasil, o presidente Fernando Collor de Mello abriu os portos para as nações amigas, permitindo a importação de produtos e derrubando taxas de importação. Com uma maior concorrência externa, os preços despencaram com o aumento da oferta e não houve mais desabastecimento nas biqueiras.
Em um mercado mais competitivo, os produtos ilícitos, como as drogas e as armas, que antes eram trazidos por muambeiros, passaram a chegar através de uma cadeia de distribuição gerida por grupos com expertise em comércio internacional:
Vários grupos latino-americanos já haviam muito antes formado cartéis criminosos nacionais, mas agora as fronteiras foram derrubadas por mim e por você, e Zé Márcio, que antes via suas sementes caírem sobre espinhos e pedras, agora já podia sorrir.
As drogas que sustentariam o crescimento da facção PCC nos presídios passou a chegar em um fluxo constante da Bolívia, da Colômbia e do Paraguai, afinal as fronteiras se tornaram mais permeáveis após 1991, e a distribuição dentro do sistema penal se profissionalizou.
Bem-vindo ao nosso admirável mundo novo neoliberal. Chega o momento certo para se semear: o solo está preparado.
Derrubando fronteiras e preparando o terreno para o PCC
Facção PCC 1533 levando ao mundo seu objeto de desejo
Em nosso mundo liberal podemos hoje nos fortalecer ou nos destruir como indivíduos, cabendo a cada um a escolha daquilo que acredita ser o melhor para si.
Mesmos sabendo que o álcool, o cigarro, as drogas legais e ilegais nos fazem mal, temos acesso a esses produtos:
… e nós, eu e você, desejávamos comprar o que bem quiséssemos e nem imaginamos as consequências (aliás, como ocorre normalmente durante as eleições).
Eu e você, que somos cidadãos de bem, nunca vamos assumir publicamente que nossas decisões ou o apoio que demos, mesmo que dentro de nossas redes sociais (família, amigos e colegas de trabalho), foram fundamentais para o crescimento da facção PCC.
O solo já estava preparado, mas faltava ainda dar melhores condições de trabalho para aquele que estava a semear a “boa nova”.
Mas talvez você se lembre que vibrávamos quando havia mortes dentro dos presídios, preso matando preso. E os governantes e agentes públicos, para alimentar a nós e outros que estavam ávidos por ver sangue na televisão providenciavam os espetáculos.
Bem-vindo ao nosso admirável mundo dos espetáculos. Quem semeia deve ser jogado aos leões: o circo está preparado.
Bolsonaro e o show da isegurança pública
Zé Márcio foi escolhido para ir ao picadeiro.
Aquele que pregava em solo fértil foi enviado pelos administradores do sistema prisional para morrer na Penitenciária de Avaré, comandada então por Zorro, líder da facção Comando Democrático da Liberdade (CDL), e que era amigo de Rato, morto em 1991.
Zé Márcio seria morto em uma vingança, seu corpo seria apresentado para a imprensa, algum dos presos seriam culpados por sua morte e o Primeiro Comando da Capital (PCC) perderia uma de suas principais lideranças… só que não.
Ao chegar a triagem em Avaré, Zé Márcio se recusa a ir para o “seguro”. Alguém lhe oferece uma faca na entrada e ele também recusa. Entra no complexo e segue direto para o pátio onde Zorro está jogando futebol, vai até ele e chuta a bola para fora do presídio:
A coragem de Zé Márcio é reconhecida, e Zorro e a facção CDL se convertem. Dessa vez não houve espetáculo no circo para o meu e o seu prazer, mas, sim, o plantio de um vasto campo com as sementes da facção Primeiro Comando da Capital.
Aquelas mãos que jogaram Zé Márcio em Avaré, e ajudaram a consolidar o poder da facção PCC 1533 dentro dos presídios, jamais baterão no peito exigindo o mérito dessa semeadura, assim como…
… eu e você jamais assumiremos que assistíamos pela TV as chacinas que ocorriam dentro dos presídios, enquanto no silêncio de nossas salas aplaudíamos as mortes e pedíamos secretamente outras aos políticos e aos administradores do sistema carcerário.
Bem-vindo ao mundo real, onde nem sempre o que idealizamos acontece, mas sempre podemos negar nossa participação na culpa.
O PCC e a ‘Ndrangheta e a parceria internacional
Facção PCC 1533 fechando com a ‘Ndrangheta
“Se houver amanhã”, de Sidney Sheldon, era um dos preferidos de Zé Márcio, e esse amanhã chegou. Os campos já estavam prontos para serem colhidos por organizações feitas sob medida para o competitivo mundo do comércio globalizado.
A organização criminosa ‘Ndrangheta buscava um parceiro no Cone Sul capaz de suprir suas necessidades e o volume de negócios da organização italiana em 2008 equivalia ao PIB reunido de todos os estados do Norte do Brasil: 163 bilhões de Reais.
Apenas um grupo poderia encarar o desafio de trazer drogas das lavouras da Bolívia, da Colômbia, do Peru e do Paraguai passando por trilhas, estradas e rios, atravessando pelo Brasil e enviá-las para a África e a Europa: o Primeiro Comando da Capital.
“Os corretores da máfia são tão poderosos que lidam diretamente com o PCC. Traficando da Colômbia, da Bolívia e do Peru, passando pelo Paraguai como rota de trânsito.” — Zully Rolón, ministro da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai
A parceria entre as duas organizações criminosas possibilitou que a ‘Ndrangheta passasse a hegemonia do tráfico de drogas da América para a Europa com o dominando 80% do fluxo. — Última Hora
As bolsas seguiam pelas esteiras rolantes até a área restrita, onde funcionários aliciados pelo Primeiro Comando da Capital recebiam dos comparsas as fotos com as imagens das malas recheadas com drogas, e as embarcavam para Portugal, França e Holanda, na Europa, e também para Johannesburgo, na África do Sul.
A estrutura do Primeiro Comando da Capital no exterior está muito bem estruturada: conexões políticas e logística em Moçambique permite a reexportação para os Estados Unidos, Europa e Austrália, através de conexão em Malawi.
Todo o dinheiro movimentado nessas operações são lavados por uma série de processos independêntes, desde uma pizzaria em um bairro ao envio ao exterior:
O dinheiro das drogas, cigarros e armas vendidas no Brasil voltam ao Paraguai utilizando os mesmos transportadores que levaram as mercadorias.
Em solo paraguaio, os reais são entregues em dinheiro às casas de câmbio, que os repassam aos importadores e comerciantes de mercadorias da China.
Estes repassam os recursos aos bancos paraguaios, argumentando que receberam aqueles reais do Paraguai.
Ele seria julgado e condenado a morte pelo Tribunal do Crime do PCC, mas para evitar a sentença, matou seus antigos parceiros de negócios.
Assim, em 2021, matou um dos Sintonias da Rua, Anselmo Santa Fausta, o “Cara Preta”, e o seu braço direito, conhecido como “Sem Sangue”.
O contador foi o mandante e dois os executores. Um deles foi morto no ano seguinte e o outro, um agente penitenciário continua desaparecido.
Agora Vinícius quer dar uma de Theodorelli e se propôs a entregar toda a cúpula da facção ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo.
Há drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Agora é a vez das maconhas sintéticas, mas já foi do crack. O PCC vende crack em suas biqueiras? Qual é a lei do crime para as drogas pesadas?
Drogas proibidas pelo Primeiro Comando da Capital sendo usadas como arma
O Primeiro Comando da Capital e seu aliados proíbem que seus membros utilizem crack e loló, e mesmo outras drogas liberadas têm que ser usadas com moderação. Você é quem tem que controlar a droga, não ela você.
43º – Uso de droga não permitida:
Caracteriza-se quando faz uso do crack ou óxi, que a organização não permite. Em alguns estados foi solto um comunicado em cima do roupinol (comprimido e álcool) o que pode ser também punido. Punição: no caso do crack e óxi: exclusão de início sem retorno.
→ Punição: no caso do crack e óxi: exclusão de início sem retorno. No caso do roupinol: de 90 dias à exclusão depende da situação. Deve ser bem analisado pela Sintonia.
Como pimenta nos olhos dos outros é bobagem, o delegado carioca Marcos Vinícius Braga nos conta que:
… a entrada do crack nas favelas cariocas foi a condição imposta pela facção criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) para continuar a vender cocaína para o Comando Vermelho.
delegado Ronaldo Sayeg, diretor Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc)
Ao contrário de outras vezes, a proibição vale apenas para a a cracolândia, mas pode ser um processo que termine por proibir dentro do sistema carcerário.
Assim como o crack que tem sua venda controlada (a facção diz onde e quem pode comercializar ou usar) o spice deixa agressivo o usuário.
Além desse problema a droga causa psicose, paranoia, taquicardia e arritmia, precisando então de atendimento médico.
A organização criminosa permitiu o uso até o dia 1º de fevereiro de 2023 para que os estoques fossem zerados.
O Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) proíbe o uso do crack dentro dos presídios? O PCC vende crack em suas biqueiras? Qual é a lei do crime para as drogas pesadas?
Você já experimentou a cocaína 100% do Comando? Fala sério! Aquela branquinha cujos cristais brilham…
Não quero te falar nada não, mas essa não é a 100% do Comando — se te disseram que é, só lamento.
Faltava oportunidade para vir falar para você sobre essa super droga, de edição limitada e de fabricação e distribuição controlada pelo alto escalão do PCC, mas agora, graças à pesquisadora Iara Flor Richwin Ferreira, vou tratar desse assunto.
Antes de começar, eu vou propor a você um acordo: você posta a fórmula da Coca-Cola e eu posto a fórmula da 100% do Comando.
“… os usuários de crack, apesar de alimentarem o comércio de drogas, são humilhados, escarnecidos e violentados inclusive pelos próprios traficantes, que consideram que os ‘nóias’ atrapalham as dinâmicas dos pontos de venda com seu constante ir e vir, e, principalmente, os classificam moralmente como degradados que perderam o controle sobre o próprio corpo, sobre o próprio consumo, sobre a própria dívida, sobre o próprio caráter”
Iara descreveu com perfeição o que é visto nas ruas.
Nas ruas — especialistas para venda do crack
Não é qualquer biqueira que distribui o crack, e, por algum tempo, o Primeiro Comando da Capital tentou retirar das ruas essas drogas, mas a demanda não pode ser reprimida, então, antes de perder o monopólio, voltou ao mercado.
No entanto, nem todos os comerciantes trabalham no varejo com esse tipo de cliente, mas a aproximadamente a metade dos pontos de venda de drogas no interior e 80% na capital paulista tem o crack entre as opções oferecidas ao consumidor.
Para atender aos usuários de crack, o vendedor tem que ser diferenciado. São: os mais violentos; aqueles que ainda não conquistaram espaço para atender a um público mais selecionado; alguém que está pagando uma dívida — alguns vendem por opção comercial, mas são minoria.
Na capital paulista, nas regiões da classe média como Higienópolis, Itaim Bibi ou Pinheiros, o quilo do crack sai para o varejista a 30 mil Reais o quilo, já na região da Cracolândia no centro é vendido por 45 mil.
A razão para essa diferença é que na região central onde são negociados diariamente 12 quilos do produto por dia há muitos usuários, pouca concorrência e pouca presença da polícia.
Há muito tempo as drogas são vendidas em barracas ou de mão em mão a céu aberto no que é conhecido como Cracolândia.
A reportagem questiona o uso da força para combater o vício. Afinal, qual seria o melhor caminho: o tratamento compulsório e redução de danos ou a repressão policial?
O tráfico na região é monopolizado pelo Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533): do fornecimento dos insumos à venda ao varejo, impondo regras de disciplina para esse mercado que há seis anos supria 4.000 usuários e gerava uma receita de 550 mil de Reais por dia (105 mil de dólares).
Tarcísio Freitas do Partido Republicano assumirá em 2023 o governo do Estado devendo priorizar o uso da força para coibir o tráfico, alinhado com o discurso do então ex-presidente e seu padrinho político Jair Bolsonaro.
Nesse meio tempo, o que se vê, são os prédios eram como cortiço e nos quais ofereciam prostituição, inclusive de menores, e receptação de objetos roubados que eram trocados por drogas.
Pelas ruas, legiões de usuários continuam a vagar de um ponto para outro em busca das drogas em frente das “fachadas históricas repletas de grafites com símbolos do PCC como Yin-Yang, palhaços ou tendas. Os números 1533 escritos em todos os lugares”.
Nas trancas — nada de crack
Iara continua…
“Também nas cadeias controladas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), é possível observar a estigmatização e depreciação moral em relação ao crack, onde o fim da circulação e consumo dessa droga teve alcance. O que está na base da justificação da ‘extinção’ do crack nessas cadeias, […] relaciona-se ao seu grande potencial de promover a contração de dívidas e desencadear conflitos, mas […] também está estreitamente associada ao limite moral que o crack representa. ‘Degradação’, ‘falta de controle’ e ‘droga que faz o cara roubar a mãe, matar a mãe e tudo mais’ são os argumentos levantados por Marcola…”
A pesquisadora faz um diagnóstico preciso, irretocável, expondo casos de dentro do sistema, mas faço uma correção — se a cadeia é “controlada pelo Primeiro Comando” não há crack em hipótese alguma.
A regra não vale para todas as unidades prisionais
Se existe comércio e consumo de crack, a facção paulista PCC ainda não está no controle da tranca.
Quando eu era criança achava que os usuários de drogas e alcoólatras saiam da prisão limpos, já que com tanta polícia e com tanta muralha não entraria drogas.
Quando crescemos, aprendemos que as regras impostas pelo Estado de Direito nem sempre são levadas a sério, principalmente nas periferias e no Sistema Prisional.
Mas nos presídios sob o controle efetivo da facção o crack não entra, pois está proibido no Regimento Interno da facção, assim como o uso abusivo de drogas:
Artigo 43 — Uso abusivo de drogas:
Se caracteriza no efeito da droga ou álcool. É um mau exemplo pois se prejudica, fica paranoico, agressivo, e até mesmo tendo que ser medicado devido ao abuso.
Punição: 90 dias se o mesmo se comprometer a mudar, a exclusão depende da situação.
Se você não está dentro do Sistema, e em uma das unidades em que estão autorizadas a entrada da 100% do Comando, só lamento, mas vai morrer sem experimentar.
Vou te contar: nessas unidades, até os ASPENs sabem quando ela chegou, pois a tranca fica agitada e parece que vai virar, mas é só sairem da frente e esperarem a normalidade voltar.
A 100% do Comando — amarela e opaca — é uma super cocaína sem os efeitos colaterais trazidos pelo crack, uma droga especial, de edição limitada e de fabricação e distribuição controlada pelo alto escalão do PCC.
Antes de terminar, retiro o acordo que lhe propus.
Se você postar a fórmula da Coca-Cola, vai ser processado e fica por isso mesmo, mas eu, se postar a fórmula da 100% do Comando.
Vou ter que responder a um Salve — fala sério! Não é uma troca justa.
Um caso real de um aliado do PCC
O Bonde dos 40 do Maranhão corria a época com os garotos do Primeiro Comando da Capital.
Como acontece com a maioria dos aliados, algumas práticas da facção paulista são absorvidas.
A Polícia Militar do Paraná interceptou dois caminhões com pistolas. espingardas e fuzis escondidos em um carregamento de arroz.
Em 2019, foi descoberta uma linha de abastecimento de armas militares que chegou às mãos do PCC a partir de um eixo estabelecido em Buenos Aires-Rosário.
Na ocasião, inclusive um canhão antiaéreo com projéteis de 20 mm fazia parte do acervo de armas e munições que era realizado em nosso país para embarque ao Paraguai, onde o PCC se estabeleceu em vigor.
A interceptação desse contrabando de armas foi mais uma prova de que as redes dessa organização criminosa têm tentáculos cada vez mais longos.
Não se deve no entanto pensar que a organização brasileira age apenas oomo um grupo comercial no ramo ilegal de drogas e armas, a facção paulista, possúi uma ideologia como é usual nos grupos terroristas.
Manifesto del Primer Comando de la Capital — organización criminal brasileña PCC 1533
Os terroristas islâmicos e o Primer Comando Capital
Pensemos em um grupo de pessoas que no início tinham poucos adeptos, mas na humildade foram conquistando moral e espaço.
Em determinado momento quando já tinham certa força passaram a utilizar da violência para fortalecer sua posição e conquistar rapidamente ainda mais seguidores.
Com o crescimento essas pessoas criaram uma estrutura piramidal para melhor gerenciar e controlar seu crescimento, implantando uma hierarquia semelhante das organizações militares.
Eles inclusive adotavam regras rígidas de conduta e a busca de um objetivo intangível.
Por um objetivo seus membros, por considerar justo, fariam qualquer esforço em pról de seu grupo, até entregando a sua própria vida ou a de outros.
Facções criminosas e extremistas religiosos
O parágrafo acima pode ser utilizado igualmente para descrever o nascimento, o crescimento, e o amadurecimento tanto do Primeiro Comando da Capital de Marcola quanto do Islamismo de Maomé.
Ambos os grupos quando retiramos a tinta ideológica vemos que foram feitos com mesmo barro e queimados no mesmo forno e ambos criaram para si e para seus atos justificativas para o injustificável.
Se por um lado o islamismo radical considera lícito matar soldados israelenses e ocidentais em nome da Guerra Santa contra os opressores americanos, a facção paulista acredita ser justo matar policiais e servidores públicos para combater o sistema opressor.
Gente de paz também mata
A maioria absoluta dos membros de ambos os grupos são pessoas que abominam a violência feita pela minoria radical, mas são esses poucos intolerantes, dominadores, e suicidas que mantêm a identidade assassina do grupo e impõe o medo e o respeito perante a sociedade e aos inimigos.
A proximidade dos métodos é tão grande que o islã converte para sua religião, e o PCC batiza aqueles que aderem aos seus ideais.
Ambos são jihadistas, visto que é exigido o jihad (esforço e sacrifício) tanto dos seguidores de Maomé quanto os de Marcola, mas coincidências entre as filosofias dos dois grupos não para por aí.
Fatores determinantes na Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina, e Paraguai):
proximidade das ideologias e métodos das organizações;
desigualdade social e econômica nacionais;
explosão demográfica a partir da década de oitenta;
comunidade de imigrantes muçulmanos;
células do Hezbollah, do Hamas, do Al-Qaeda, e do Estado Islâmico (EI);
dificuldade dos governos de controlarem a circulação pelas fronteiras;
corrupção de funcionários públicos, policiais, e militares; e
geografia e biodiversidade que dificultam a fiscalização do tráfico de drogas e armas.
A Tríplice Fronteira como um solo fértil
O autor conclui esse trecho do trabalho trazendo a preocupação do diretor do jornal Vanguardia, Hector Guerin: a experiência em operações de guerra convencional e não convencional trazida pelas organizações estrangeiras poderá se somar ao conhecimento tático das facções criminosas brasileiras, e esses últimos serão as fontes de recrutamento dos futuros terroristas.
Essa região é conhecido como um centro financeiro e de tráfico de armas do Hezbollah, sofrendo permanente monitoramento dos serviços secretos dos países do hemisfério norte, e é exatamente nesse local que o PCC tem investido para obter o monopólio das atividades ilícitas.
Não há como negar o intercâmbio comercial entre as organizações, cabe descobrir apenas analisar o quanto ela estaria influenciando dentro da estrutura cultural e operacional da gangue, e qual o seu envolvimento no complexo jogo internacional de poder e espionagem.
A morte do megatraficante como fagulha no palheiro
O assassinato de Jorge Rafaat Toumani e de quase uma dezena de pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital apenas nesse ano, talvez não seja apenas fruto da guerra declarada entre ela e o Comando Vermelho CV.
Essa possibilidade tem tirado o sono dos que estudam o assunto, pois pode ser o caminho de entrada do terrorismo internacional em terras brasileiras ou a exportação da tecnologia gerencial e de método desenvolvido pela organização criminosa PCC para outros países.
A Tríplice Fronteira também sofre forte influência da máfia Chinesa, no entanto não parece estar havendo interesse da facção paulista na integração com esse grupo, mas a proximidade geográfica e de interesses paralelos terá efeito na transferência de conhecimento na lavagem internacional do dinheiro do tráfico.
A Guerra como ponto de desrruptura
A guerra entre o PCC X CV se dá em um momento de mudança cultural, os governos mais sensíveis aos direitos humanos e civis: Barack Obama e Lula/Dilma estão sendo substituídos por Donald Trump e Michel Temer.
O primeiro sinal de alerta de que haverá uma maior fiscalização das células criminosas é a declaração do novo Ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, que o tráfico de armas e drogas dentro das fronteiras só será alcançado com o esforço internacional envolvendo todas as nações interessadas.
Para o Primeiro Comando da Capital e para o Comando Vermelho isso significa que o jogo só está começando, ou então que está acabando.
Facção PCC 1533, o Primeiro Comando da Capital, passa a produzir a sua própria maconha para exportação no Paraguai, é o que afirma o SENASP, mas um pesquisador questiona essa conclusão.
Facção PCC 1533: direto das fazendas paraguaias para as cidades européias
A facção PCC 1533, a maior organização criminosa brasileira, está expandindo seus negócios para o cultivo de maconha no Paraguai?
Relatórios governamentais paraguaios afirmam que sim, mas, de fato, não há certeza de como o Primeiro Comando da Capital (PCC) está agindo.
As especulações começaram no final de agosto, com a descoberta de seis plantações de maconha em Colônia Estrella, município no departamento oriental de Amambay.
Uma placa informava que os campos eram propriedade do PCC e que invasores seriam mortos, disseram os agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD).
Em julho, funcionários da SENAD na Colônia Estrella descobriram sacos plásticos cheios de maconha, com as iniciais “PCC” rabiscadas neles.
Então, nas redes sociaism o SENAD afirmou que essas apreensões provavem que o PCC controla o cultivo de maconha na Colônia Estrella.
Os campos desativados “formavam um centro de produção e armazenamento de maconha em grande escala” da organização criminosa paulista em solo paraguaio.
“(O PCC) busca monopolizar o tráfico de drogas desde a fonte”, afirma um agente da SENAD.
Análise Criminal InSight
Será uma mudança, se confirmado que a facção PCC 1533 que é tradicionalmente um comprador atacadista de maconha, agora cultiva a própria maconha no Paraguai.
Certamente, o departamento de Amambay, que fica na fronteira do Brasil, é uma das principais áreas de produção de maconha da América Latina.
Amambay é também o principal reduto da facção brasileira no Paraguai, que por lá se consolidado como a maior compradora de maconha dos produtores locais.
No entanto, assumir a produção marcaria uma grande mudança na forma como o comércio de maconha funciona no Paraguai.
Carlos Peris, cientista político e especialista em tráfico de drogas da Universidade Católica de Assunção afirma explica como funciona o mercado de drogas no Paraguai:
Os agricultores raramente cultivam exclusivamente para um grupo ou traficante, mas geralmente têm vários clientes.
Podemos dizer que a droga plantada e apreendida pela SENAD era para o PCC? É claro.
Podemos dizer que essa plantação era exclusiva do PCC? Absolutamente não.
De acordo com Peris, o comércio de maconha de Amambay tem um modelo de cadeia de abastecimento com acordos de longo prazo.
Os agricultores locais cultivam e colhem apenas algumas toneladas do total disponível para vender a intermediários que, posteriormente, vendem o produto na fronteira.
Só nesse ponto do processo é que grupos criminosos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital agem abertamente.
Se o PCC estivesse experimentando sua própria produção de maconha, a quadrilha estaria tentando eliminar os dois primeiros elos dessa cadeia de abastecimento, aumentando potencialmente sua margem de lucro.
O PCC atua há muito tempo no narcotráfico no Paraguai
A facção paulista aumentou com sucesso o número de membros recrutando nas prisões e ganhou dinheiro com o tráfico de armas e sequestros.
O site InSight Crime revelou anteriormente, e as recentes apreensões por parte de autoridades paraguaias confirmaram que o grupo passou ao cultivo de maconha.
Apesar dos fatos, resta a dúvida:
Em síntese, pode ser um fazendeiro usando o nome da temida organização criminosa Primeiro Comando da Capital para afastar invasores e ladrões.
Enfim, mesmo que o PCC não seja proprietário direto das plantações de maconha, afinal, qualquer associação com o grupo pode ajudar os agricultores a proteger suas terras.