Facção Família do Norte (FDN) — história e análise

Tem uma pedra no caminho… Família do Norte (FDN), uma pedra no caminho do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Rota do Solimões.

A principal pedra no caminho para o controle da Rota do Solimões pelo Primeiro Comando da Capital é a facção amazônica Família do Norte. O site InSight Crime apresenta um resumo histórico e analisa as perspectivas desse grupo criminoso. (link para texto original)

A organização criminosa Família do Norte (FDN)

A Família do Norte (FDN) é o terceiro maior grupo criminoso do Brasil. Possui forte presença no norte do país, embora não seja igual ao do Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho em nível nacional.

O FDN foi criado entre 2006 e 2007 por José Roberto Fernandes Barbosa, apelido “ Zé Roberto da Compensa ” e Gelson Carnaúba, apelido “ Mano G ”.

Além de dominar rapidamente o narcotráfico e outras economias criminosas no estado do noroeste do Amazonas, o FDN procurou interromper o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) ao longo do rio Solimões, uma importante rota de narcotráfico que conecta a tríplice fronteira do Brasil, Colômbia e Peru com o Oceano Atlântico. Embora o FDN permaneça enraizado na Amazônia, estabeleceu conexões com outros estados brasileiros e até com a Venezuela, já tendo feito alianças com outras quadrilhas criminosas no Brasil.

No início de 2020, o FDN recebeu ataques constantes do Comando Vermelho (Comando Vermelho, CV) em Manaus, capital do Amazonas, e embora as consequências reais dessa guerra sejam desconhecidas, é provável que o FDN tenha sido bastante enfraquecido.

Resumo da história da facção Família do Norte (FDN)

O FDN foi formado entre 2006 e 2007 e, como o PCC e o CV, foi organizado por seus dois fundadores e principais líderes no sistema penitenciário brasileiro. No entanto, o grupo só se consolidou quando Fernandes Barbosa e Carnaúba foram libertados da prisão.

A FDN tentou recrutar membros através da luta contra condições perigosas e insalubres dentro das prisões; ofereceu ajuda aos prisioneiros em troca de ingressar na gangue.

Como o PCC e o CV, o FDN mantém controle estrito sobre a identificação de seus membros, a cada um dos quais é atribuído um número de registro. A FDN também é regida por um conjunto de regras, conhecidas como “Doutrinas da Família”, que são zelosamente guardado por um Conselho, que foi feita anteriormente por seus dois fundadores e outros membros de alto escalão.

Conheça a ficha de cadastro da facção Primeiro Comando da Capital

Essas bases permitiram que o grupo se espalhasse rapidamente dentro e fora das prisões do norte do Brasil e se tornasse a terceira maior estrutura criminal do país, mas sem presença em nível nacional. A Procuradoria Geral da República declarou em 2015, após a Operação Muralha, que o FDN estava assumindo dimensões semelhantes às do PCC e do CV, dada a sua estrutura de liderança, suas regras internas, a diversidade de economias criminais e conexões locais, nacional e internacional.

Para impedir a disseminação do PCC no norte, especialmente no Amazonas, o FDN e o CV formaram uma aliança em 2015. Durou três anos, após o qual foi dissolvido e, em 2018, o fundador do FDN, Gelson Carnaúba, mudou de lado e ingressou no CV.

O grupo já havia se separado em 2017, quando um de seus principais membros, João Pinto Carioca, conhecido como “João Branco”, fundou um grupo dissidente, a Família do Norte Pura; Desde então, as duas facções entraram em conflito violento. Os distúrbios nas prisões entre os dois grupos foram particularmente violentos. Em um deles, entre 26 e 27 de maio de 2019,   no qual 55 presos foram mortos.

Quem é quem na liderança da facção Família do Norte (FDN)

No início, os principais líderes do FDN eram Zé Roberto da Compensa e Gelson Carnaúba, seguidos pelos pseudônimos Roque, Copinho, Nanico e João Branco. Além desses líderes, o Conselho da FDN era composto por 13 membros, todos com pleno conhecimento das operações da organização. No entanto, essa liderança foi dividida depois que Carnaúba e João Branco deixaram o grupo.

Alguns vídeos dos membros da FDN, respondendo aos ataques do CV em janeiro de 2020, mostram que o que resta do grupo está sob o firme comando de Zé Roberto da Compensa e seu filho Luciano da Silva Barbosa, também conhecido como “L7“, que está emergindo como um novo líder.

VEJA TAMBÉM: Guerra entre facções: Família do Norte nas prisões brasileiras

Onde atua a facção Família do Norte (FDN)

O FDN foi estabelecido principalmente no estado do Amazonas e opera dentro e fora do sistema prisional. O grupo concentra suas principais ações na manutenção do controle do narcotráfico ao longo do rio Solimões, que liga a fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru a Manaus, a maior cidade do norte e o Oceano Atlântico. Enquanto o PCC e o CV avançaram suas operações no estado do Amazonas, o FDN manteve sua presença na maioria das cidades e municípios e na região de fronteira. No entanto, é provável que sua expansão geográfica tenha sido afetada pelos recentes ataques provocados pelo CV e por  lutas internas.

Aliados e inimigos da facção Família do Norte (FDN)

Inicialmente, o FDN buscou uma aliança com o Comando Vermelho para conter o avanço do PCC no Amazonas. No entanto, a aliança FDN-CV, que durou de 2015 a 2018, foi rompida após um desacordo dentro da própria FDN, entre Gelson Carnaúba e Zé da Compensa. Após o colapso desta aliança, a disputa pelo domínio das rotas comerciais ilegais no Amazonas, especialmente pelo rio Solimões, foi violentamente disputada pelas três facções criminosas. Isso levou a tumultos frequentes nas prisões do Amazonas, nas quais centenas de presos foram brutalmente assassinados.

VEJA TAMBÉM: Massacre na prisão no Brasil mostra mudanças na dinâmica criminal

Uma investigação realizada pela Procuradoria Geral da República e pela polícia federal também descobriu que o FDN mantinha contatos com Nelson Flores Collantes, um conhecido fornecedor de drogas e armas para as Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC). Também há evidências de que o FDN desenvolveu um relacionamento com gangues criminosas na Colômbia, incluindo a Oficina de Envigado e Los Caqueteños, o que permitiu que esses grupos explorassem conjuntamente o tráfico de drogas transfronteiriço por rotas terrestres e fluviais no estado do Amazonas. .

Análise InSight Crime: Família do Norte (FDN)

As perspectivas para o FDN não são boas, principalmente depois que o CV conseguiu tomar, com relativa facilidade, a capital do Amazonas, Manaus. O que está em jogo é o fluxo de entorpecentes que chega ao estado do Amazonas da Colômbia e do Peru, por rotas terrestres e fluviais. Isso também poderia levar o FDN a perder o controle de seu precioso rio Solimões, através do qual envia cocaína para distribuição dentro e fora do Brasil.

As perdas de João Branco e Gelson Carnaúba foram duras, especialmente porque o último aparentemente está muito envolvido nas tentativas do CV de assumir Manaus.

(link para texto original no site InSight Crime)

Análise do site faccaopcc1533

Administrar um site tido por muitos como oficial do Primeiro Comando da Capital (PCC) tem suas peculiaridades, e uma delas são as correspondências recebidas.

Após um tempo na doutrinação dentro do sistema prisional ou vivendo em cidades maiores, o egresso volta para sua quebrada de origem disposto a correr “pelo lado certo do lado errado da vida” e divulgar a “filosofia do 15”.

Um quinto das mensagens chegam de cidades pequenas da Região Norte do Brasil. São companheiros ou aliados que foram introduzidos na Família 1533, mas que agora se vêem abandonados e pedem minha ajuda.

Em terras inimigas, essas “crias do 15”, sem apoio do Primeiro Comando da Capital, acabam por rasgar a camisa ou terem seus corpos rasgados e seus corações e cabeças arrancados.

Santa Rosa, Peru. A cinco minutos de barco de Letícia e Tabatinga, as crianças brincam na água ao lado das casas de palafitas que mantêm suas casas à tona. Um policial patrulha a única rua de paralelepípedos da região, enquanto seus outros cinco companheiros se sentam ao redor de uma mesa, talvez se perguntando como poderão cobrir os mais de quinhentos quilômetros da margem do rio que separam Santa Rosa de Iquitos, o destacamento mais próximo no território peruano.

Três pequenas cidades adjacentes e interconectadas, cercadas por milhares de quilômetros de selva, acessíveis apenas por via aérea ou navegando por horas pelos fluxos da Amazônia. Um contexto de fronteiras porosas, onde em dez minutos você pode transitar pelos três Estados sem precisar passar pela imigração ou pelo controle de fronteiras. Em frente, grupos criminosos que lucram com negócios ilegais extremamente lucrativos: dezenas de laboratórios clandestinos de pasta de cocaína, toneladas de maconha a caminho dos mercados das grandes metrópoles brasileiras, dezenas de dragas ilegais que extraem ouro dos leitos dos rios, e centenas de espécies amazônicas coloridas contrabandeadas para os Estados Unidos e Europa.

E, assim como o rio arrasta seu fluxo, as atividades ilegais são acompanhadas por um fluxo lento, contínuo e ainda mais sombrio: o fluxo de armas e munições. O mesmo fluxo sombrio que matou…

Manuel Martínez Miralles —El País (leia o texto na integra)

A estratégia do 15 no Norte

Não são poucos ou fracos os núcleos dos PCCs na região Norte do Brasil, que tem quase 4 milhões de quilômetros quadrados — uma área equivalente aos territórios da Índia e do Paquistão somados.

O PCC aparentemente optou por se concentrar na disputa pelo controle da Rota do Solimões, das fronteiras e das capitais, e fortalecer os aliados, entre piratas ribeirinhos, quadrilhas locais e facções estruturadas, como o Bonde dos 13 (B13) no Acre.

O Primeiro Comando da Capital há tempos mina as fontes de insumos da Família do Norte (FDN), enquanto o Comando Vermelho (CV) toma suas biqueiras e mata seus integrantes.

No meio dessa guerra, os companheiros e os aliados recém-convertidos e egressos a suas comunidades não podem ser cobertos em núcleos isolados, mas os ventos estão mudando.

O enfraquecimento da Família do Norte

Enfrentando essa guerra de guerrilha das facções do sudeste, a FDN se enfraqueceu e se dividiu, e dividida a Família se enfraqueceu ainda mais — acelerando sua derrocada, até sobrar apenas um núcleo forte no bairro da Compensa, em Manaus.

Famílias que corriam com o Família do Norte estão sendo expulsas em Manaus

Estamos assistindo ao Primeiro Comando da Capital dar mais um passo em sua escalada para o controle hegemônico do mundo do crime sul-americano e a criação de uma eficiente cadeia transnacional de tráfico.

Com o quase desaparecimento dos FDNs, a guerra com o CV só seria evitada com uma nova pacificação, o que seria desinteressante para o Primeiro Comando da Capital nesse momento.

O Comando Vermelho enfrenta derrotas no Rio de Janeiro graças a dois fatores recentes: o fortalecimento das milícias pelo governo Jair Bolsonaro; e uma nova estratégia adotada pelo PCC, que está facilitando que seu aliado carioca Terceiro Comando Puro (TCP) tome comunidades do CV.

A prisão de Thiago Monteiro da Silva demonstrou que se atravessa um momento de transição, no qual os empresários locais, envolvidos com as organizações criminosas mantêm relações comerciais com as duas facções, esperando que elas definam quem sobreviverá.

No Paraguai, o assassinato do empresário Jorge Rafaat Toumani, demonstrou que há um ponto onde essa dualidade deixa de ser aceita, o que ainda não é o caso do Amazonas pós FDN.

O que muda com o domínio da Rota do Solimões

Com o controle da Rota do Solimões, da Rota Caipira, das centenas de distribuidores autônomos, a logística do tráfico internacional gerenciado pela facção paulista passa a integrar toda a cadeia do narcotráfico, desde os produtores rurais sul-americanos até a entrega do produto acabado nos portos da Europa e da África — o mercado interno de drogas do Cone Sul ajuda e também se beneficia dessa logística.

A Facção PCC 1533 e o uso de explosivos

O uso de explosivos pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital — dos atentados com carros-bomba aos assaltos com granadas e lançadores de foguetes.

No paiol do PCC: lançadores de granadas e foguetes

Artefatos explosivos são amplamente utilizados pelo PCC 1533: desde uma granada atirada contra uma viatura durante uma fuga, passando por assaltos à caixas eletrônicos em supermercados, até as megaoperações contra empresas de transportes de valores e em resgate de presos em penitenciárias de segurança máxima no Brasil e no exterior.

“O Primeiro Comando da Capital (PCC) foi assinalado pelo Departamento de Polícia Federal (DPF) por possuir granadas, lançadores de granadas, petardos (tipo de explosivo), foguetes, lançadores de foguetes, metralhadoras, pistolas e artefatos explosivos improvisados. A apreensão desses artefatos foi feita pelo DPF em Pradópolis/SP, a 320 km da capital do estado, e chamou a atenção da mídia e autoridades de segurança pública quanto ao alto poder de fogo e destruição dos explosivos.”

É o que nos conta os pesquisadores Tiago Mesquita Feitoza e José Alves Júnior, especialistas em segurança pública, sendo um civil e outro militar, em um trecho de um artigo sobre o uso de explosivos por criminosos.

Uma análise sobre o uso criminoso de explosivos no Brasil de 2013 a 2017: o estado do amazonas em perspectiva — Revista Brasileira de Operações Antibombas

A facção PCC 1533 e os atentados a bomba

É preciso “fazer como os mexicanos” e não apenas ficar “contratando doutor”

líder PCC RJ Fernandinho Beira-Mar

O Primeiro Comando da Capital não executa grandes atentados terroristas, ao estilo das organizações criminosas de seu porte no restante do mundo, para não chamar atenção sobre si, atrapalhando os negócios — o fluxo segue suave.

Enquanto as facções aliadas Terceiro Comando Puro (TCP), os Guardiões do Estado (GDE) e o Bonde dos 13 (B13), e as facções inimigas cariocas buscam visibilidade midiática, o PCC procura as sobras fora das muralhas: na sociedade civil e na política.

Em sua origem, o grupo criminosos buscou e conseguiu notoriedade com os violentos ataques contra as forças de segurança pública em 2006, quando pararam São Paulo, no entanto, suas empreitadas terroristas com bombas foram um fiasco.

Talvez você não se lembre, mas o Primeiro Comando da Capital organizou dois grandes atentados, em 2002, na capital paulista, que teriam entrado para a história do terrorismo mundial se tivessem funcionado: BOVESPA e Fórum da Barra Funda.

Atentado na Bolsa de Valores (BOVESPA)

A bomba tem que ser colocada na Bolsa de Valores, que fica no centro de São Paulo. — diz Petronilha, a Primeira Dama do PCC.

“A intenção era clara: gerar impacto não somente no âmbito jurídico, mas também no econômico. Um atentado na Bolsa de Valores teria repercussão mundial. No fórum talvez tivesse, mas na Bolsa afetaria os mercados, provocaria consequências das mais diversas.”

explicam Marcio Sérgio Christino e Claudio Tognolli.

Deu xabú. Petrolina estava sob grampo e a polícia conseguiu prendê-la antes que o atentado ocorresse. Seus comparsas não foram localizados, mas abortaram o plano e abandonaram o veículo com os explosivos para ser encontrado pela polícia.

Atentado no Fórum da Barra funda

A Polícia Militar do Estado de São Paulo oferecia liberdade a presos para se infiltrarem na organização e conduzirem os comparsas para serem mortos.

Foi o caso da “Chacina da Castelinho”, na qual o infiltrado passou a falsa informação para os criminosos de que uma grande quantidade de dinheiro estaria chegando em um aeroporto, mas era apenas um plano da polícia para executar os bandidos.

A facção Primeiro Comando da Capital, descontente com a estratégia dos agentes do Estado, enviou uma mensagem que não aceitaria mais esse tipo de covardia: um carro repleto de explosivos no estacionamento do Fórum da Barra Funda na capital do estado.

O veículo foi deixado no estacionamento do Fórum, “um Ford-Escort, de cor bege. Em seu porta-mala foram colocados 20 cartuchos de autoexplosivo comercial da marca Mg-gel e cinco quilos de autoexplosivo comercial granulado. O peso aproximado dos cartuchos era de 30 quilos de explosivo plásticos. Havia também um cilindro de gás acetileno que iria gerar muita chama, fogo, impacto e deslocamento de ar. Perfazendo um total de 46 quilos de material explosivo, seria a maior explosão da história do Brasil.” — Marcio Sérgio Christino e Cláudio Tognolli.

Deu xabú. Possivelmente por uma falha no sistema do detonador, o automóvel não explodiu, permanecendo estacionado por dois dias até que a polícia fosse chamada para verificar o veículo. Só então perceberam se tratar de um carro bomba.

A explosão ocorreria no dia do julgamento dos sequestradores do publicitário Washington Olivetto, vinculados às organizações terroristas chilenas Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR) e a Frente Patriótica Manuel Rodriguez (FPMR).

O PCC enviaria sua mensagem ao mesmo tempo que ficaria fora holofote, o que em parte ocorreu: foi dissolvida a equipe policial que realizava as operações com presos infiltrados para o extermínio de criminosos.

O atentado na eleição de 2018

Só Jair Bolsonaro e seus mentecaptos seguidores acreditaram que o Primeiro Comando da Capital teria recrutado Adélio Bispo para matá-lo, como o próprio presidente chegou a anunciar.

A facção planejou atentados para a eleição de 2018 que visariam chamar a atenção para as péssimas condições do sistema carcerário — assim como no caso do Fórum João Mendes, a autoria recairia sobre outro grupo, dessa vez seria o Comando Vermelho (CV).

Fernandinho Beira-Mar foi o responsável pelo planejamento:

A facção paulista utilizaria tecnologia das FARCs: explodindo simultaneamente 5 carros bombas em estados diferentes, enquanto haveriam sequestros de autoridades e rebeliões em presídios em todos os estados do país.

A megaoperação foi abortada: a facção afirma que abandonou o plano para se manter nas sombras e não atrapalhar os negócios. Já as autoridades afirmam que foi graças ao setor de inteligência que descobriram o plano e impediram a ação dos criminosos antes que ele acontecesse.

Ambas as hipóteses merecem crédito…

… mas a hipótese que organização criminosa PCC recrutou Adélio Bispo com uma faca só recebeu crédito de Bolsonaro e de seu séquito de mentecaptos, que depois passaram a afirmar com certeza que ele foi contratado pelo PT, PSOL, PSDB, China, Venezuela, CV…

O uso de explosivos pela facção PCC 1533

Fora alguns casos esporádicos, nos quais isoladamente, integrantes utilizam explosivos caseiros para pequenos atentados locais, a organização criminosa passou a administrar de maneira profissional o uso desses artefatos, ficando um irmão responsável pelo paiol.

A estocagem e distribuição de armamentos pesados e explosivos do paiol de cada região ficou sob a responsabilidade de um irmão ou companheiro, que avalia o risco e o retorno de cada empreendimento nos quais os equipamentos devem ser usados.

Tiago Mesquita Feitoza e José Alves Júnior descrevem em seu artigo a evolução histórica do uso dos explosivos por organizações criminosas, desde a década de 1960 até o ano 2000, quando houve a banalização do uso desses materiais pelos criminosos.

Se por um lado eles contam que a utilização de explosivos para roubo de caixas eletrônicos começou no sul do país, chegando posteriormente a São Paulo, por outro lado eles não contam que o PCC envia criminosos treinados no uso de explosivos para repassar o conhecimento em troca de parte dos lucros nos assaltos ou por um valor fixo — e se eles não vão contar esse fato, muito menos eu o farei.

Para conhecer em detalhes de onde e como os artefatos explosivos são utilizados pelos criminosos, continue a leitura na Revista Brasileira de Operações Antibombas.

Quem controlará o covid19 no sistema prisional?

Para impedir a disseminação do coronavírus pelas prisões da região, vários departamentos de justiça da América Latina retiram criminosos de baixo nível de periculosidade colocándo-os em prisão domiciliar.

A facção PCC 1533 e o covid-19

No dia 16 de março o Primeiro Comando da Capital determinou rebeliões e fugas em diversas unidades prisionais; no dia 17 de março o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a Recomendação 62, que determina a soltura seletiva por conta do covid-19.

Encarcerados do grupo de risco e daqueles que não tenham sido julgados e que não estejam respondendo por crimes violentos devem ser soltos e aguardar o julgamento. Não foi apenas no Brasil que os governos escolheram soltar presos de baixa periculosidade para evitar a propagação do vírus dentro dos presídios.

Enquanto nas ruas latino-americanas, muitos esperavam que as medidas de distanciamento social adotadas para retardar a disseminação do coronavírus também levassem a uma diminuição da violência persistente e da atividade criminosa. Em vez disso, um crime violento recorde foi registrado em países como o México e o Brasil. Pior ainda, enquanto o governo brasileiro insistia em negar a crise, grupos criminosos entraram no vazio fornecendo pacotes de ajuda, emprego, segurança e até serviços de resolução de disputas. Casos de caridade criminal têm sido especialmente proeminentes no México, Colômbia e Brasil.

O pesquisador Steven Dudley no artigo Latin America’s Prison Gangs Draw Strength From the Pandemic analisa esse fenômeno.

A pandemia e o fortalecimento da facção PCC 1533

Trechos do artigo de Dudley:

– linque para o artigo original no Foreign Affairs

A América Latina enfrenta uma potencial crise em suas prisões à medida que a pandemia desce. As instalações prisionais na região estão transbordando.

Os presos na América Latina dependem principalmente de amigos, familiares e companheiros de prisão para fornecer bens e serviços essenciais que o Estado não fornece. Isso inclui alimentos, roupas, escovas de dentes e cobertores, além de proteção física contra o pior que a prisão tem a oferecer.

Várias organizações criminosas latino-americanas se fortaleceram precisamente porque preenchem essas lacunas.

O Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior e mais poderosa quadrilha prisional do Brasil, é um exemplo disso. O PCC foi criado em 1993 em resposta a esse incidente e cresceu constantemente depois, porque satisfez as necessidades básicas dos prisioneiros e estabeleceu a ordem onde o estado não o fazia.

A organização fornece ajuda às famílias dos membros da facção presos para que possam visitar nos fins de semana seus entes. Para isso coletam dinheiro através de rifas e contribuições mensais de seus integrantes que tenham condições de colaborar, e esse dinheiro paga ou subsidia: ônibus, casas ou hotéis perto das prisões.

O PCC fornece também fornece advogados, negocia melhores condições de saúde e de vida com as autoridades penitenciárias, e dentro das prisões garante a segurança e serviços críticos aos seus membros, assim como outras gangues criminosas da região assumiram também papéis semelhantes:

As gangues MS-13 e 18th Street estão entre os principais fornecedores e protetores de membros de gangues nas prisões guatemaltecas, hondurenhas e salvadorenhas. As organizações criminosas colombianas fornecem os mesmos serviços de linha de suprimento e proteção a seus membros detidos. Até gangues de prisão extremamente predatórias – como as da Venezuela – entendem que seu papel é preencher lacunas quando o estado estiver ausente.

Se os governos latino-americanos não puderem lidar efetivamente com a pandemia em suas prisões, as gangues intervirão para explorar suas falhas. Ao fazer isso, as gangues fortalecerão seu poder dentro e fora dos muros da prisão. Afinal, a quarentena em massa não é uma aberração ou obstáculo às suas operações: já é um modo de vida, tornando-as mais prontas para os efeitos econômicos e sociais do vírus.

Na falta de ações do poder público, as facções criminosas assumirão a linha de frente na tentativa de conter a propagação do vírus dentro das prisões, escolhendo os infectados receberão tratamento e os que deverão morrer, fortalecendo ainda mais seu poder dentro e fora das muralhas.