Galera do 7 do Primeiro Comando da Capital: Proceder do Crime

Explorando o submundo de São Paulo, o artigo narra as experiências de Luh e um jovem da ‘Galera do 7’, revelando as perigosas interseções entre a vida digital e o crime real, e a influência do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) na vida dos jovens.

Galera dos 7, um grupo intrinsecamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), é o centro deste fascinante relato. A narrativa detalha as complexidades e os riscos que os jovens enfrentam ao se enredarem no crime organizado, tanto nas ruas quanto no ciberespaço. Ao mergulhar nesta história, o leitor é convidado a explorar a realidade sombria e as consequências arriscadas do envolvimento com a facção paulista. Este texto promete não apenas informar, mas também oferecer uma profunda reflexão sobre os caminhos tortuosos do crime e suas repercussões na vida dos envolvidos.

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Galera do 7 na Realidade do PCC 1533

Luh, ao adentrar aquele corredor sombrio de um prédio esquecido na periferia de São Paulo, viu-se paralisada. Seu sorriso, sempre tão luminoso, desapareceu abruptamente, substituído por uma expressão de pavor. Era como se um vento gelado e invisível tivesse arrepiado sua pele.

Dias antes, ela conheceu aquele jovem na internet, em um grupo de WhatsApp onde os ‘crias do 15’, integrantes leais do Primeiro Comando da Capital, se entrelaçam na Galera dos 7 com jovens de diversos estratos sociais, abrangendo ambos os sexos e uma ampla faixa etária. Unidos por um desejo comum de risco, aventura e sensação de pertencimento, estes jovens se lançam audaciosamente em busca de lucros que, em sua ingenuidade, acreditam ser fáceis e de baixo risco.

A Galera do 7 aprendendo sobre o proceder da Família 1533

Levada mais pelo espírito de aventura que por qualquer outro interesse, ela fora conhecer aquele jovem naquele dia, e ao entrar no corredor, encontrou-o com uma lata de tinta marrom escura aos pés, um pincel em uma das mãos e sangue no rosto. O olhar de medo e dor do rapaz da Galera do 7 contrastava com a expressão de ironia do homem que estava filmando a cena, possivelmente transmitindo ao vivo, para alguém que determinara a ação em um Tribunal do Crime do PCC.

Luh, profunda conhecedora do proceder no mundo do crime, compreendeu a razão daquela cena desoladora: o jovem, impregnado pela arrogância e audácia, marcas registradas da juventude, havia audaciosamente marcado o corredor do prédio com o símbolo da temida facção criminosa paulista. Este ato de desafio, uma provocação direta às autoridades, não o colocava em perigo apenas a si mesmo, mas também ameaçava outros integrantes do Primeiro Comando da Capital que operavam no prédio, expondo-os ao risco.

O rapaz da Galera do 7, que atrás de seu teclado se via como um membro respeitado da organização criminosa, foi abruptamente confrontado com uma dura realidade. Enfrentando um castigo que, para os padrões do PCC, poderia até ser considerado brando, ele teve a revelação amarga de que não passava de um mero peão, apenas tolerado e distante do núcleo impiedoso e intransigente da facção.

Revelações Sobre o Grupo do 7 e a Fragilidade do PCC

O poder das trevas não reside em resistir à luz, mas em devorá-la. As muralhas impenetráveis da organização criminosa Primeiro Comando da Capital engolem as luzes pulsantes dos giroflex das viaturas e das lanternas táticas dos patrulheiros; o negro profundo de suas pedras absorve toda a luz que tenta iluminá-las. Contudo, até na mais escura das fortalezas, uma única pedra mais clara pode sinalizar um iminente colapso, revelando que a força da estrutura é tão vulnerável quanto seu elo mais frágil.

O comportamento do jovem impetuoso revelava sua imprudência tanto no mundo real, onde audaciosamente grafitou um yin-yang na parede do prédio, quanto no ciberespaço, onde confiava precipitadamente em estranhos conhecidos através das redes sociais, revelando sem cautela os detalhes do esquema criminoso.

Luh, sabia que continuando com essa imprudência, o destino do rapaz da Galera do 7 no mundo do crime estaria inexoravelmente traçado. Enquanto isso, suas palavras, escritas sob uma falsa sensação de segurança, já flutuavam sem rumo na vastidão digital, após serem postadas, ressoando como um sussurro perdido na imensidão da rede.

Eu conheço a galera do 7. Quem é forte mesmo no 7 é o meu irmão, entendeu? Ele que tá em fora de São Paulo, né. E… O trampo que os irmãos tem, assim… Tá rodando pra lá, no entorno de Brasília… É… Pra esses lados assim, né? E tá chegando aqui pra São Paulo também. Os trampos do Mercado Pago. Que já tinha um tempo, né? Mas já tá estourando de novo. Os caras descobriram um jeito de fazer pagamento por lá. Né? Que é o que eu sei. É… Quem tem CNPJ, os caras conseguem fazer os trampos lá das contas jurídicas também, né?

A Ilusória Imunidade no Crime Cibernético: Do Mito à Realidade

Mateus, Marcos e João, em seus relatos, concordam que Jesus, em sua jornada, caminhou apenas uma vez sobre as águas. No entanto, o Messias não evitava o contato com a água; imergia nela no batismo pelas mãos de João, nas águas que desciam do Monte Hermon, molhava os pés à beira do Mar da Galileia e enfrentava as chuvas torrenciais do inverno palestino.

Os membros da ‘Galera do 7’, jovens ousados no reino do crime cibernético, podem se iludir com a ideia de que, tal como Jesus caminhou sobre as águas, podem flutuar acima das tramas ilícitas que tecem no ciberespaço. Contudo, a realidade do crime exige um mergulho nas complexidades do mundo físico, onde as consequências são palpáveis e o risco é tangível — uma verdade que contrasta drasticamente com as fantasias glamorosas dos criminosos da internet retratadas nas telinhas.

Para que a engrenagem da corrupção opere com eficiência, gerentes e operadores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil são seduzidos pelos tentáculos da ilegalidade, recebendo uma ‘comissão’ de 10% sobre o valor de cada operação fraudulenta envolvendo ‘laranjas’. Estes ‘laranjas’, meros peões em um tabuleiro de interesses escusos, são fundamentais para a aprovação de créditos ilícitos.

Paralelamente, funcionários do governo e de corporações privadas, sedentos por uma fatia deste obscuro bolo financeiro, facilitam a liberação de documentos ou a aprovação de créditos, movidos pela ganância e pelo descaso ético.

Os veículos subtraídos de locadoras, como a Localiza, seguem por um longo e tortuoso caminho: são contrabandeados para além das fronteiras nacionais ou destinados a desmanches ilegais, onde são despedaçados como se despedaça a integridade daqueles envolvidos.

Neste cenário de fraudes, as lojas lesadas acabam entregando produtos em endereços físicos de casas ou empresas, locais que se tornam peças de um quebra-cabeça criminoso. E, como se não bastasse, até as contas de luz e outros serviços são manipulados, oferecidos por metade do preço numa espécie de ‘promoção da ilegalidade’, embora os contratantes sejam tão facilmente rastreados quanto ratos em um labirinto.

A Dualidade do Cibercrime e suas Consequências 

Assim como Jesus, que caminhou sobre as águas, os cibercriminosos da Galera dos 7 podem até se aventurar em façanhas que desafiam a realidade, mas, inevitavelmente, acabarão por se molhar. A razão é simples: todas essas figuras, pilares do esquema, movem-se no mundo tangível, no universo palpável do real. O cibercriminoso, por sua vez, é forçado a encarar pessoalmente cada um desses colaboradores, a olhar nos olhos daqueles que depositaram suas vidas e o futuro de suas famílias nas engrenagens de um esquema fraudulento.

Essa interação direta carrega um peso imenso, uma vez que se trata de rostos conhecidos, de famílias que, embora possam se beneficiar temporariamente das tramas ilícitas, também estão fadadas a sofrer com o eventual colapso desses esquemas. É uma dança perigosa, um jogo de espelhos onde a confiança e o risco se entrelaçam, revelando a fragilidade e a ambiguidade moral dessas relações. Como podem conviver com a consciência de que, ao mesmo tempo que enriquecem, estão colocando em xeque o futuro e a segurança daqueles que lhes são próximos?

Esta é a dura realidade dos cibercriminosos da Galera dos 7: embora operem em um mundo dos golpes digitais, as consequências de seus atos recaem inexoravelmente sobre o mundo real, afetando vidas humanas de maneira profunda e muitas vezes trágica.

Consequências e Ensinos do mundo criminoso do PCC

O homem, aparentemente satisfeito, interrompeu a filmagem e guardou seu celular. Sem dirigir uma palavra ao rapaz da Galera do 7 que aplicava tinta marrom escura na parede do corredor, ele se virou, notando Luh pela primeira vez, parada logo atrás. Seu rosto permanecia inexpressivo, exibindo, talvez, um traço de tédio – mas qualquer emoção era quase imperceptível. Ele passou por ela, deixando o prédio com uma calma desinteressada, sem olhar para trás.

Luh aproximou-se do rapaz, que só então percebeu a ausência do homem. Ele continuava, de forma quase robótica, a pintar a parede, mas agora seus olhos, antes contendo meras lágrimas reprimidas, eram avenidas de medo, ódio, impotência e profunda desilusão.

Não havia mais nenhum sinal da antiga arte em grafite naquela parede.

Luh conduziu o jovem para seu apartamento. Abriu uma Coca Zero, o único item em sua geladeira, e começou a cuidar das feridas do rapaz da Galera do 7, tanto físicas quanto emocionais, enquanto falava sobre como seria o Primeiro Comando da Capital na ausência da disciplina rígida do Estatuto e da Cartilha de Conscientização. Enfatizou a importância crucial do sigilo e da consistência nas atividades criminosas e como a exposição desnecessária poderia embaraçar as operações, afetando a todos, inclusive a ele mesmo.

Simpática e habilidosa no diálogo, Luh passou o resto da tarde compartilhando suas experiências com o jovem, pontuando que, há vinte e cinco anos, a punição por uma ação como a dele seria muito mais severa do que simplesmente cobrir uma pichação. Suas histórias serviram para ilustrar a complexidade, a violência e a imprevisibilidade desse mundo subterrâneo, um universo muito mais intrincado e perigoso do que a ingênua filosofia do jovem poderia supor.

Análise de IA do artigo: “Galera do 7 do Primeiro Comando da Capital: Proceder do Crime”

TESES DEFENDIDAS PELO AUTOR E AS RESPECTIVAS CONTRATESES

Teses Principais do Texto
  • Atração pela Aventura e Sensação de Pertencimento
    O texto argumenta que os jovens são atraídos pelo crime por causa da busca por aventura e sensação de pertencimento. Essa busca os leva a ignorar os riscos associados ao envolvimento com organizações criminosas.
  • Realidade Brutal versus Percepção Romantizada
    A obra contrasta a percepção romantizada de um jovem sobre o crime com a realidade brutal e implacável do mundo do crime. Isso é ilustrado pelo castigo do jovem que pichou um símbolo do PCC, mostrando a discrepância entre a expectativa e a realidade no mundo do crime.
  • Fragilidade e Vulnerabilidade do PCC
    O autor destaca que, apesar de sua aparência imponente, o PCC tem suas fragilidades, principalmente quando membros agem de forma imprudente, colocando em risco a organização.
  • Ilusão de Imunidade no Crime Cibernético
    O texto sugere que os envolvidos em crimes cibernéticos, como fraudes financeiras, podem se sentir falsamente seguros, ignorando as consequências reais e palpáveis de suas ações.
  • Impacto Ético e Moral dos Atos Criminosos
    O autor aborda a questão moral e ética dos envolvidos no crime, destacando o peso das consequências de suas ações no mundo real, afetando vidas e famílias.
Contra-Teses aos Argumentos
  1. Complexidade das Motivações Juvenis
    A atração dos jovens pelo crime pode não ser apenas pela aventura ou pertencimento, mas também por fatores socioeconômicos, como pobreza, falta de oportunidades e influência do ambiente.
  2. A Realidade do Crime Não é Sempre Brutal
    Nem todos os jovens envolvidos com o crime enfrentam uma realidade brutal. Alguns podem ter experiências diferentes, dependendo de sua posição na hierarquia criminosa e do contexto em que estão inseridos.
  3. Resiliência das Organizações Criminosas
    Organizações como o PCC podem ser mais resilientes do que o texto sugere. Elas se adaptam e sobrevivem apesar das imprudências e desafios, mostrando uma capacidade de evolução e adaptação.
  4. Crime Cibernético e Suas Complexidades
    A percepção de imunidade no crime cibernético pode ser mais complexa, envolvendo não só a ilusão de segurança, mas também a dificuldade de aplicação da lei e a natureza globalizada da internet.
  5. Diversidade de Impactos Éticos e Morais
    O impacto ético e moral dos atos criminosos pode variar. Alguns indivíduos podem justificar seus atos com uma lógica distorcida ou não perceber totalmente as implicações de suas ações, especialmente em um contexto de crime organizado.

Análise do ponto de vista sociológico

  1. Dinâmicas de Grupo e Identidade Social: O texto explora como os jovens se integram à Galera do 7, um grupo associado ao Primeiro Comando da Capital. Sociologicamente, isso reflete a busca por identidade e pertencimento, comum em jovens. Eles se unem em torno de valores compartilhados, como a busca por aventura e lucro fácil, características que são frequentemente glamorizadas pela sociedade. Esta união de indivíduos de diferentes estratos sociais ilustra como a identidade de grupo pode transcender outras divisões sociais.
  2. Criminalidade e Sociedade: O envolvimento dos jovens com o crime organizado e cibernético revela as falhas e desafios da sociedade em fornecer oportunidades legítimas e seguras para todos. A atração pelo crime pode ser vista como uma resposta a um sistema social percebido como excludente ou injusto. O texto, ao descrever o envolvimento desses jovens com atividades criminosas, destaca as complexas interações entre escolha individual e influência social.
  3. Consequências do Crime no Mundo Real: A experiência do jovem que é punido pela facção ilustra o choque entre a realidade idealizada do crime e sua brutalidade real. Sociologicamente, isso reflete a desilusão quando as expectativas, muitas vezes baseadas em representações sociais e culturais do crime, colidem com a realidade. Isso também aponta para a socialização dentro do grupo, onde as normas e expectativas do PCC moldam comportamentos e estabelecem consequências para desvios.
  4. Ambiguidade Moral e Ética no Crime: O texto mostra a complexidade das decisões morais e éticas dentro do mundo do crime. Os personagens se encontram em situações onde linhas morais são turvas, refletindo a complexa interação entre ética pessoal e as demandas do grupo. A sociologia considera isso como parte do estudo sobre como os indivíduos negociam suas crenças e valores em diferentes contextos sociais.
  5. Cibercrime e Anonimato: A discussão sobre o cibercrime revela o desafio da sociedade moderna em lidar com novas formas de criminalidade. O anonimato e a distância física do cibercrime podem criar uma falsa sensação de segurança e desvinculação das consequências, um fenômeno interessante do ponto de vista sociológico.
  6. A Influência das Estruturas Sociais no Comportamento Individual: A descrição das interações entre os membros da Galera do 7, as autoridades e as vítimas de seus crimes demonstra como as estruturas sociais mais amplas – como a lei, a economia e a tecnologia – moldam as ações e interações individuais.

Análise sob o ponto de vista factual e de precisão


Para analisar o texto “Galera do 7 do Primeiro Comando da Capital: Proceder do Crime” sob o ponto de vista factual e verificar sua precisão com base em meu banco de dados, considerarei vários aspectos apresentados:

  1. Primeiro Comando da Capital (PCC)
    O PCC é uma organização criminosa real e conhecida, que opera principalmente em São Paulo, Brasil. Fundada na década de 1990 no sistema prisional, ela tem se envolvido em várias atividades criminosas, incluindo tráfico de drogas, assaltos, sequestros e lavagem de dinheiro. O retrato do PCC no texto parece alinhar-se com o que é conhecido publicamente sobre a facção.
  2. Recrutamento e Comunicação via Redes Sociais
    A menção de jovens sendo recrutados e interagindo via WhatsApp ou outras plataformas digitais é plausível. Organizações criminosas têm utilizado cada vez mais as redes sociais para comunicação e recrutamento.
  3. Cibercrime e Crime Organizado
    A integração do cibercrime com o crime organizado tradicional, como retratado no texto, é uma realidade atual. O uso de tecnologias digitais para facilitar atividades criminosas está em ascensão, incluindo fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.
  4. Relações Interpessoais no Crime Organizado
    As descrições das interações e dinâmicas dentro da facção, como a hierarquia, a lealdade e a punição, são consistentes com o que se sabe sobre organizações criminosas similares.
  5. Detalhes Específicos
    Alguns elementos específicos do texto, como a menção de locais e procedimentos específicos do PCC, podem ser difíceis de verificar em termos de precisão. Isso se deve à natureza clandestina e mutável das operações criminosas.
  6. Aspectos Psicológicos e Sociais
    A descrição das motivações e experiências emocionais dos personagens, embora plausíveis, são ficcionais e servem mais para adicionar profundidade narrativa do que como relatos factuais.

Em resumo, o texto mistura elementos verossímeis sobre a operação de organizações criminosas como o PCC com narrativas ficcionais para criar uma história envolvente. Embora certos aspectos se alinhem com o que se conhece sobre o crime organizado no Brasil, outros detalhes são mais especulativos ou artísticos, refletindo a intenção do autor de criar uma narrativa dramática e envolvente.

Análise sob o ponto de vista da psicologia jurídica

  1. Influência do Grupo e Identidade Social: A psicologia jurídica examinaria como a identidade de Luh e do jovem estão ligadas à sua associação com a Galera do 7 e o PCC. Isso incluiria a análise de como a pressão do grupo e a necessidade de pertencimento influenciam suas decisões e comportamentos, levando-os a correr riscos que normalmente não assumiriam.
  2. Motivação para o Crime: A motivação dos jovens para se envolver em atividades criminosas, como mencionado no texto (aventura, sensação de pertencimento), seria um ponto focal. A psicologia jurídica explora as razões subjacentes que levam indivíduos a se envolver em atividades ilegais, frequentemente ligadas a questões de autoestima, busca por excitação, ou até mesmo influências socioeconômicas.
  3. Consequências Emocionais do Envolvimento no Crime: O texto ilustra o medo, a impotência e a desilusão experimentados pelo jovem, o que seria de grande interesse na psicologia jurídica. As reações emocionais a atos criminosos, especialmente quando confrontados com as realidades duras e muitas vezes violentas do crime organizado, são cruciais para entender o impacto psicológico do crime nos indivíduos.
  4. Cognição Moral e Tomada de Decisão: A psicologia jurídica também analisaria como os indivíduos justificam suas ações dentro de um contexto criminoso. Isso incluiria examinar a cognição moral de Luh e do jovem, ou seja, como eles percebem o certo e o errado e como justificam suas ações dentro do contexto da organização criminosa.
  5. Dissociação e Despersonalização: A descrição do homem filmando a cena com indiferença e a reação quase robótica do jovem ao pintar a parede podem ser interpretadas como mecanismos de defesa psicológica, como dissociação ou despersonalização, frequentemente utilizados por indivíduos para lidar com situações extremamente estressantes ou traumáticas.
  6. Realidade do Cibercrime e a Desconexão Psicológica: O texto aborda a ilusão de imunidade no cibercrime, um aspecto relevante na psicologia jurídica, especialmente em relação à desconexão entre ações online e suas consequências reais. A falsa sensação de segurança e anonimato no ciberespaço pode levar a uma maior disposição para cometer crimes, subestimando as consequências reais e palpáveis.
  7. Impacto a Longo Prazo das Ações Criminosas: Por fim, a psicologia jurídica consideraria o impacto a longo prazo das ações criminosas nos envolvidos, incluindo questões de arrependimento, trauma e a possibilidade de reforma ou reabilitação.
Análise psicológica dos personagens do texto
  1. Luh
    Luh apresenta uma reação de paralisia frente ao perigo, um indicativo clássico de resposta ao estresse extremo ou trauma, conhecido como a reação de “luta, fuga ou congelamento”. Sua transição de um estado de contentamento para o pavor sugere uma alta sensibilidade emocional e talvez uma predisposição a reações intensas frente a situações ameaçadoras. Seu envolvimento com o grupo e o desejo de aventura podem indicar uma busca por significado, emoção ou um senso de pertencimento, aspectos muitas vezes ausentes em sua vida cotidiana.
  2. O Jovem Membro da Galera do 7
    O jovem exibe traços de arrogância e audácia, comuns na juventude, mas que também podem ser interpretados como uma tentativa de autoafirmação e procura por identidade dentro do grupo. Sua imprudência e a subsequente confrontação com a realidade do crime refletem a falta de julgamento maduro e a dificuldade em prever as consequências de suas ações, características típicas do desenvolvimento psicológico na juventude. A emoção de medo, ódio e impotência após ser punido pode ser uma resposta à perda de controle e ao reconhecimento da própria vulnerabilidade.
  3. Dinâmica Grupal e Influência Peer
    A dinâmica dentro da Galera do 7 e sua associação ao PCC apontam para a influência significativa do grupo sobre o comportamento individual. A psicologia social sugere que a pressão dos pares e o desejo de pertencer podem levar indivíduos a adotar comportamentos e atitudes que estão em conformidade com as normas do grupo, mesmo que esses comportamentos sejam arriscados ou contrários aos seus valores pessoais.
  4. Cibercrime e Desconexão Psicológica
    A participação no cibercrime indica uma possível desconexão psicológica entre as ações virtuais e suas consequências no mundo real. Isso pode ser compreendido como um mecanismo de defesa, onde a distância física e a natureza digital do crime proporcionam um senso distorcido de anonimato e impunidade.
  5. Impacto Emocional e Moral do Crime
    O texto sugere uma luta interna com questões morais e éticas. O confronto direto com as consequências de suas ações no crime organizado leva a um questionamento profundo sobre suas escolhas e suas implicações morais, refletindo a complexidade do desenvolvimento moral e a capacidade de empatia e arrependimento.

Em suma, os personagens do texto demonstram uma gama complexa de características psicológicas, incluindo a influência da dinâmica grupal, desenvolvimento moral e emocional na juventude, e as respostas psicológicas à participação em atividades criminosas. Estes aspectos são cruciais para entender os fatores subjacentes que motivam o comportamento dentro de contextos criminais.

Perfil psicológico do autor do texto
  1. Conhecimento Profundo do Tema: O autor demonstra um entendimento detalhado da vida interna e das dinâmicas de uma facção criminosa. Isso sugere que ele pode ter realizado pesquisas aprofundadas ou ter uma familiaridade pessoal com o assunto. Essa familiaridade pode vir de experiências pessoais, estudo acadêmico, ou um interesse intenso no tema.
  2. Empatia pelos Personagens: O autor apresenta os personagens de uma maneira que sugere empatia e compreensão profunda de suas motivações e conflitos internos. Isso pode indicar uma tendência do autor para a empatia e um desejo de explorar a complexidade humana, além de uma habilidade para entender e comunicar experiências e perspectivas diversas.
  3. Interesse em Questões Sociais e Morais: O texto aborda questões de moralidade, escolhas, consequências das ações e o impacto do crime na sociedade. Isso pode refletir um interesse do autor em questões sociais mais amplas, como a justiça, a ética e o impacto do crime na comunidade.
  4. Capacidade de Análise Crítica: A forma como o autor descreve as situações, especialmente as complexidades do envolvimento em atividades criminosas, mostra uma capacidade de análise crítica. Ele não só relata eventos, mas também os explora de maneira que sugere uma reflexão profunda sobre suas implicações.
  5. Sensibilidade às Realidades Sociais: O autor demonstra uma consciência das realidades sociais, especialmente as que envolvem comunidades marginalizadas e a vida no crime. Isso pode indicar uma sensibilidade às questões de desigualdade e injustiça social.
  6. Abordagem Narrativa Realista: O uso de uma narrativa realista e detalhada, combinada com elementos dramáticos, sugere que o autor valoriza uma representação autêntica e envolvente da realidade, procurando imergir o leitor na experiência dos personagens.
  7. Uso de Linguagem e Tom: A escolha de palavras e o tom geral do texto revelam um autor que procura transmitir uma atmosfera tensa e carregada. Isso pode indicar um interesse em provocar uma resposta emocional no leitor e um desejo de transmitir a gravidade dos temas abordados.
Análise sob o ponto de vista da Teoria do Comportamento Criminoso
  1. Socialização e Influência do Grupo: O texto mostra como os jovens são atraídos para o crime organizado através da busca por aventura, pertencimento e lucros percebidos como fáceis. Isso reflete teorias criminológicas que enfatizam o papel da socialização e influência de pares na adoção de comportamentos criminosos.
  2. Teoria da Aprendizagem Social
    A interação de Luh com os jovens sugere que o comportamento criminoso é aprendido através da observação e imitação de outros, especialmente de membros mais experientes da facção. Esse processo está alinhado com a teoria da aprendizagem social de Bandura, que postula que as pessoas aprendem comportamentos sociais principalmente através da observação.
  3. Teoria da Associação Diferencial
    A narrativa ilustra a teoria da associação diferencial, que propõe que as pessoas se envolvem em comportamentos criminosos porque estão expostas a mais influências que favorecem a violação da lei do que influências que favorecem o cumprimento da lei.
  4. Teoria da Anomia
    A busca por lucros e aventuras reflete a teoria da anomia de Durkheim e Merton, que sugere que o crime ocorre quando há uma desconexão entre as metas culturalmente aprovadas e os meios disponíveis para alcançá-las, levando as pessoas a utilizar meios ilegítimos para atingir seus objetivos.
  5. Subculturas Criminosas
    O texto também aborda a existência de subculturas criminosas, onde valores e normas que são desviantes em relação à sociedade maior são compartilhados e reforçados dentro do grupo, criando um senso de identidade e justificação para o comportamento criminoso.
  6. Desensibilização e Banalização da Violência
    A descrição do rapaz da Galera do 7 sendo punido por suas ações reflete como a violência e o crime se tornam banalizados e desensibilizados em certos ambientes, um fenômeno comum em organizações criminosas.
  7. Racionalização e Justificação
    O texto demonstra como os personagens racionalizam e justificam suas ações criminosas, um aspecto importante no estudo da psicologia do comportamento criminoso. Eles podem ver suas ações como necessárias ou justificadas dentro do contexto de suas experiências de vida e do ambiente em que estão inseridos.

Análise sob o ponto de vista da Antropologia

  1. Cultura das Facções Criminosas
    O texto descreve o universo do Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa real no Brasil. A antropologia pode explorar como tais grupos criam suas próprias normas, valores e sistemas de crenças, muitas vezes em contraposição à sociedade dominante. Isso inclui o entendimento de conceitos como lealdade, poder, hierarquia e justiça dentro da facção.
  2. Identidade e Pertencimento
    O envolvimento dos jovens com a “Galera do 7”, um subgrupo do PCC, reflete questões antropológicas de identidade e pertencimento. O desejo de ser parte de um grupo, especialmente entre os jovens, pode ser uma motivação forte para o envolvimento com organizações criminosas. Este aspecto é fundamental para entender a atração de tais grupos e como eles recrutam e mantêm seus membros.
  3. Ritos de Passagem e Iniciação
    O texto sugere que o envolvimento no crime, como marcar um corredor com o símbolo da facção, pode ser visto como um rito de passagem. Em muitas culturas, ritos de passagem marcam a transição de um estado social ou etário para outro. No contexto do crime organizado, esses atos podem simbolizar a aceitação no grupo e a passagem para um status mais ‘adulto’ ou respeitado.
  4. Interação Entre o Mundo Digital e Real
    A narrativa aborda a interação entre o mundo digital (comunicação via WhatsApp) e o mundo real (ações no território físico). Isso reflete um fenômeno antropológico contemporâneo, onde as fronteiras entre o virtual e o real se tornam cada vez mais tênues, influenciando comportamentos sociais e identidades.
  5. Consequências Sociais do Crime Organizado
    As descrições das operações criminosas e suas consequências sobre indivíduos e comunidades refletem os impactos sociais e culturais do crime organizado. A antropologia pode examinar como essas atividades afetam a estrutura social, a economia local, e a percepção de segurança e ordem.
  6. Símbolos e Linguagem
    O uso de símbolos (como a arte em grafite) e a linguagem específica (jargões e códigos da facção) são importantes para a antropologia, pois ajudam a entender como os grupos se comunicam e reforçam sua identidade e coesão.
  7. Ambiguidade Moral e Ética
    A história revela a complexidade das escolhas morais e éticas enfrentadas pelos personagens, um tema comum na antropologia, especialmente em contextos de marginalização e ilegalidade.

Análise sob o ponto de vista Jurídico

  1. Atos Ilegais e Responsabilidade Criminal
    O texto menciona várias atividades, como a pichação de símbolos de facções criminosas e o envolvimento em fraudes financeiras. Essas ações configuram delitos conforme as leis brasileiras, incluindo vandalismo, formação de quadrilha, fraude e lavagem de dinheiro.
  2. Jurisprudência sobre Crime Organizado
    O Primeiro Comando da Capital é reconhecido como uma organização criminosa. A legislação brasileira, através da Lei nº 12.850/2013, define e pune as atividades de organizações criminosas, enfatizando a colaboração entre membros e a prática de infrações penais.
  3. Punição e Disciplina Interna
    A narrativa destaca a disciplina rígida e as punições internas dentro do PCC. Juridicamente, essas ações podem constituir crimes adicionais, como lesão corporal, se ocorrerem agressões físicas. No entanto, o sistema jurídico pode enfrentar desafios para intervir, devido à natureza clandestina e à falta de denúncias formais.
  4. Aspectos de Justiça Restaurativa
    A abordagem de Luh ao cuidar das feridas físicas e emocionais do jovem sugere elementos de justiça restaurativa. Esta abordagem foca na recuperação da vítima e na reintegração do ofensor à sociedade, contrastando com a punição punitiva.
  5. Cibercrime e Legislação
    A menção a atividades criminosas cibernéticas alinha-se com a crescente preocupação jurídica em relação ao cibercrime. No Brasil, leis como o Marco Civil da Internet e o Código Penal abordam crimes digitais, mas a rápida evolução da tecnologia continua a desafiar os marcos legais existentes.
  6. Implicações Éticas e Morais
    O texto também aborda a ambiguidade moral de envolver-se em atividades criminosas e as justificativas psicológicas que os indivíduos podem usar. Do ponto de vista jurídico, isso ressalta a importância da ética e da moralidade na formação e aplicação da lei.
  7. Desafios de Execução da Lei
    A complexidade das operações criminosas descritas no texto, que abrangem desde o crime de rua até esquemas financeiros sofisticados, ilustra os desafios enfrentados pelas autoridades na execução da lei e no desmantelamento de organizações criminosas complexas.

Análise sob o ponto de vista da Segurança Pública

  1. Natureza do Crime Organizado
    O texto aborda as atividades do Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa conhecida por suas operações complexas e hierarquizadas. Isso reflete a dificuldade enfrentada pela segurança pública em combater estruturas criminosas bem organizadas e adaptativas.
  2. Diversidade de Crimes
    A narrativa inclui uma variedade de crimes, desde vandalismo (pichação) até fraudes financeiras e cibernéticas. Isso demonstra a necessidade de uma abordagem multifacetada na segurança pública, que combine táticas tradicionais de policiamento com estratégias avançadas de combate ao cibercrime.
  3. Desafios de Inteligência e Infiltração
    O texto descreve a infiltração de jovens de diferentes estratos sociais na Galera do 7, o que pode representar um desafio para as forças de segurança em termos de coleta de inteligência e identificação de membros da facção.
  4. Impacto Social do Crime Organizado
    A inclusão de jovens na criminalidade e a consequente perda de potencial humano e social são problemas significativos. Isso ressalta a importância de políticas de prevenção ao crime, educação e oportunidades de emprego como parte das estratégias de segurança pública.
  5. Interseção de Crime Físico e Digital
    A narrativa evidencia a intersecção entre o crime físico e digital, destacando como a segurança pública deve adaptar-se para combater crimes em múltiplas frentes, especialmente no ambiente online.
  6. Cultura de Violência e Punição
    O texto aborda a cultura de violência e as punições internas dentro da organização criminosa, indicando a necessidade de ações de segurança pública que não apenas previnam crimes, mas também protejam indivíduos vulneráveis dentro dessas organizações.
  7. Estratégias de Cooperação e Inteligência
    A complexidade das atividades criminosas descritas sugere a necessidade de estratégias integradas de cooperação entre diferentes agências de segurança pública e inteligência, tanto a nível nacional quanto internacional.
  8. Impacto nas Comunidades Locais
    O texto também chama atenção para o impacto do crime organizado nas comunidades locais, destacando a importância de abordagens de segurança comunitária e a necessidade de fortalecer a confiança entre a população e as forças de segurança.
  9. Enfoque na Reabilitação e Reintegração
    A abordagem de Luh em cuidar das feridas emocionais e físicas de um membro da gangue sublinha a necessidade de programas de reabilitação e reintegração como parte da estratégia de segurança pública, visando a redução da reincidência.

Em resumo, o texto apresenta uma visão abrangente dos desafios enfrentados pela segurança pública no combate ao crime organizado. Ele destaca a necessidade de uma abordagem holística, envolvendo não apenas táticas de policiamento e investigação, mas também iniciativas sociais e de prevenção ao crime para lidar com essas questões complexas e multifacetadas.

Análise sob o ponto de vista da teologia

  1. Caminhada de Jesus sobre as Águas
    No texto, há uma comparação entre os membros da ‘Galera do 7’, envolvidos em crime cibernético, e a narrativa bíblica de Jesus caminhando sobre as águas. Esse episódio bíblico, relatado em Mateus 14:22-33, Marcos 6:45-52 e João 6:16-21, é frequentemente interpretado como um milagre que demonstra a divindade de Jesus e sua autoridade sobre as leis naturais. Ao comparar criminosos cibernéticos com essa figura, o texto pode estar sugerindo que esses indivíduos veem a si mesmos como capazes de operar fora das leis e restrições convencionais, uma percepção equivocada que ignora a realidade tangível e as consequências de suas ações.
  2. Imersão de Jesus nas Águas
    A menção ao batismo de Jesus pelas mãos de João Batista e a sua relação com a água destaca a importância do contato direto e da experiência vivencial. No contexto bíblico, o batismo é um símbolo de purificação e renovação. No texto analisado, essa referência pode ser vista como uma metáfora para a necessidade de enfrentar as realidades e consequências do mundo físico, contrastando com a falsa sensação de imunidade experimentada no mundo digital.
  3. Luz e Trevas
    A metáfora do poder das trevas que não reside em resistir à luz, mas em devorá-la, pode ser contextualizada com a dualidade bíblica entre luz e trevas, frequentemente usada para representar o bem e o mal, respectivamente. Essa metáfora no texto pode ser interpretada como uma representação da maneira como as organizações criminosas operam, consumindo e subvertendo as forças do bem para seus próprios fins.
  4. Fragilidade e Força Estrutural
    A ideia de que uma única pedra mais clara pode sinalizar um colapso iminente reflete a narrativa bíblica de que mesmo as estruturas mais poderosas podem ser vulneráveis. Isso ressoa com a ideia de que, no crime organizado, a aparente força pode esconder pontos de fraqueza significativos.

Em resumo, as referências religiosas no texto oferecem uma camada de interpretação simbólica que enriquece a narrativa. Elas servem para destacar a dissonância entre a percepção de invulnerabilidade dos criminosos e a realidade de suas ações, além de enfatizar a inevitabilidade das consequências reais no mundo físico. Essas metáforas e símbolos são coerentes com os ensinamentos bíblicos e oferecem uma perspectiva profunda sobre a natureza e os impactos do comportamento criminoso.

Análise sob o ponto de vista da linguagem

A análise do texto sob a perspectiva da linguagem revela uma rica tapeçaria de estilos e técnicas narrativas que contribuem para a profundidade e o impacto da história.

  1. Estilo Descritivo e Atmosférico
    O texto abre com uma descrição vívida de Luh entrando num corredor sombrio, imediatamente estabelecendo um tom tenso e inquietante. O uso de imagens visuais (“vento gelado e invisível”, “prédio esquecido na periferia”) e a transformação do estado emocional da personagem (de um sorriso luminoso para uma expressão de pavor) criam uma atmosfera densa e envolvente.
  2. Diálogo e Linguagem Coloquial
    A inclusão de um print de WhatsApp e o diálogo capturam a informalidade e a espontaneidade da comunicação digital contemporânea. Essa abordagem confere autenticidade ao texto e ajuda a estabelecer a contemporaneidade do cenário e dos personagens.
  3. Contraste e Juxtaposição
    O texto emprega o contraste efetivamente, especialmente na transição entre o mundo digital e as realidades físicas mais duras. A descrição do jovem impetuoso no mundo virtual em comparação com sua vulnerabilidade no mundo real ressalta a desconexão entre a percepção e a realidade.
  4. Metáforas e Simbolismos
    As referências religiosas e metafóricas (como a caminhada de Jesus sobre as águas) são usadas para transmitir temas mais amplos de ilusão versus realidade e a inevitabilidade das consequências das ações. Esses elementos simbólicos enriquecem a narrativa, oferecendo camadas adicionais de significado.
  5. Narrativa em Primeira Pessoa
    Embora a história seja contada em terceira pessoa, há momentos em que as percepções e pensamentos internos dos personagens são destacados, aproximando o leitor de suas experiências e perspectivas.
  6. Uso de Temas Sombrios e Realistas
    O texto não evita abordar temas difíceis, como crime, violência e a complexidade moral do mundo criminoso. Isso é feito de uma maneira que não romantiza esses aspectos, mas os apresenta como uma dura realidade.
  7. Linguagem Figurativa
    O uso de linguagem figurativa, especialmente metáforas e comparações, é prevalente ao longo do texto. Por exemplo, a comparação da organização criminosa com uma fortaleza escura cujas pedras absorvem a luz é uma metáfora poderosa para descrever a natureza impenetrável e absorvente da criminalidade organizada.

Em suma, a linguagem do texto é cuidadosamente elaborada para criar um retrato vívido e envolvente do mundo criminoso, enquanto explora temas complexos de identidade, realidade e consequência.

Análise por AI da imagem de capa

A imagem apresenta um corredor iluminado apenas pela luz ao fundo, criando uma atmosfera sombria e misteriosa. Um indivíduo, de costas para a câmera e com um capuz sobre a cabeça, segura o que parece ser uma lata de tinta, dando a entender que ele pode estar prestes a grafitar ou já tenha grafitado a parede do corredor.

O texto em primeiro plano – “GALERA DO 7 DO PCC” – e o subtítulo – “almas seduzidas pelo canto da sereia do cibercrime” – sugerem que o indivíduo pertence a um grupo especializado em crimes cibernéticos dentro do Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa conhecida. A frase “audaciosamente grafitou um yin-yang na parede do prédio” pode indicar que a ação de grafitar é simbólica ou representativa das ações do grupo, talvez refletindo uma dualidade ou o equilíbrio entre o mundo físico e o digital no contexto do crime.

A silhueta de outro indivíduo observa a cena, o que pode insinuar vigilância ou uma audiência para o ato. A iluminação, a postura dos personagens e o texto criam um conjunto que transmite tensão e uma sensação de transgressão iminente.

Organizações Criminosas no Paraguai: A Facção PCC 1533

Este artigo explora a influência e as atividades do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) no Paraguai, destacando seu impacto político, social e na segurança pública. Analisa a interação complexa entre organizações criminosas e estruturas estatais, revelando desafios e dinâmicas contemporâneas do crime organizado na região.


Organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), desenham uma realidade inquietante no Paraguai. Este texto revela suas sinistras estratégias e o impacto devastador no tecido social. Descubra como essas entidades nebulosas remodelam o poder e a ordem, desafiando a soberania do Estado. Aventure-se nesta leitura profunda e esclarecedora sobre a influência obscura do PCC no Paraguai.

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Este texto foi inspirado no artigo ‘Presencia y actuación del Primer Comando de la Capital (PCC): Implicancias políticas y sociales’, de Juan Alberto Martens Molas, INECIP-Universidad Nacional de Pilar/CONACYT.filiado ao INECIP e à Universidad Nacional de Pilar/CONACYT. É importante salientar, contudo, que as interpretações e elaborações presentes neste texto são de minha autoria, podendo não coincidir integralmente com as ideias ou intenções originais de Martens Molas.

Público-Alvo:
Acadêmicos e estudantes de ciências sociais e políticas
Especialistas em segurança pública e análise criminal
Leitores interessados em criminologia e estudos latino-americanos
Jornalistas e pesquisadores focados em organizações criminosas

O Avanço das Organizações Criminosas no Paraguai

Imersas em uma atmosfera densa de incertezas e sombras, as autoridades paraguaias vagam perdidas, como quem se aventura sem uma bússola por uma floresta obscura e sem trilhas. Neste cenário, o crime organizado, qual serpente astuta, infiltra-se sutilmente na realidade sul-americana – desde as mais humildes vielas até os corredores mais suntuosos dos palácios dos governos nacionais.

Em cada recanto, às organizações criminosas estrangeiras e os clãs paraguaios expandem seus domínios, entrelaçando-se de maneira complexa com as estruturas políticas e sociais das comunidades e nações. Diante deste quadro perturbador, emergem medidas administrativas e legislativas, poderosas e aterrorizantes como o prenúncio de uma tempestade, que, na prática, o vento leva para desaguar no oceano.

Diante da crescente influência dessas organizações nos palácios do poder executivo, legislativo, judiciário e policial, as medidas tomadas revelam-se, na prática, pouco mais que retórica vazia. Como folhas arrastadas por uma correnteza implacável, esses grupos criminosos, ora manifestando-se com violência brutal, ora operando com astúcia sorrateira, continuam a avançar. Sua determinação desafia os esforços para contê-los, como se cada ação contra eles apenas os fortalecesse, evidenciando a complexidade e a profundidade de seu enraizamento nas estruturas de poder.

O Labirinto das Organizações Criminosas e o Desafio ao Estado Paraguaio

A real magnitude dos danos econômicos, políticos e sociais provocados pelas organizações criminosas é praticamente inconcebível. Esta falta de compreensão detalhada transforma as medidas implementadas em ações quase teatrais, cujos efeitos dissipam-se na névoa da incerteza, permanecendo imensuráveis e indeterminados.

O governo paraguaio, talvez inadvertidamente, talvez por escolha deliberada, parece perambular em um labirinto escuro, onde cada passo é um misto de fé e um salto no desconhecido. A incapacidade contínua de identificar esses grupos, que operam como sombras espectrais, e a falha em fornecer uma descrição clara e objetiva, permitem que setores da sociedade manipulados por esses criminosos vendam soluções ilusórias, encenadas para deslumbrar e distrair o público.

Enquanto isso, no palco turbulento do crime organizado, alguns grupos se destacam pela audácia, astúcia e brutalidade de suas ações. Estes grupos, como o Primeiro Comando da Capital, desdobram-se em um espetáculo de poder e guerra, realizando atos com uma impunidade chocante que paralisa cidades e capitais departamentais.

Estas organizações criminosas imobilizam e até tomam de assalto unidades policiais inteiras, num desafio flagrante ao Estado. Essas ações revelam uma verdade desconcertante: as políticas proclamadas para controlá-los são insuficientes, deixando-os livres para alcançar seus objetivos estratégicos. A facção paulista PCC 1533, emergindo como um dos protagonistas nesse cenário sombrio, demonstra uma capacidade de influência e domínio que desafia a ordem estabelecida, levando a questionamentos sobre a eficácia e a resolução das forças que buscam contê-lo.

Lua Crescente e Queda de Toumani: O Amanhecer do PCC no Paraguai

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital se revelou ao Paraguai sob o manto de uma lua em quarto crescente, no dia 15 de junho de 2016, em um ato memorável de brutalidade e demonstração de poder.

A lua em quarto crescente, assim como a execução de Jorge Rafaat Toumani pelas mãos implacáveis do PCC, simbolizam crescimento e transformação. Assim como a lua crescente indica uma transição, a morte de Toumani sinalizou o início de uma nova era, na qual velhos poderes caíram e novos atores ascenderam, redefinindo o cenário do crime organizado com novas regras e hierarquias.

A morte deste empresário do tráfico repercutiu muito além do ato em si, provocando uma mudança significativa no equilíbrio de poder. Esta fase lunar, com metade da esfera celestial iluminada e a outra metade na sombra, refletiu a nova realidade nas esferas sombrias do crime organizado. A queda do líder paraguaio não representou apenas o fim de um reinado, mas o começo de uma nova era de poder e influência.

Toumani, que controlava a sempre complexa e, por vezes, violenta região da fronteira entre o Brasil e o Paraguai com mãos de ferro, mantinha o monopólio das atividades ilegais em Pedro Juan Caballero, uma área estratégica e rota de entrada para maconha, cocaína, cigarros e outros produtos destinados ao mercado brasileiro. Sob a influência de ‘El Capo’, até os comerciantes do mercado legal eram obrigados a pagar uma taxa de cerca de 5% do valor das mercadorias, e ele tinha poder para vetar a entrada de pessoas ou bens.

Para ilustrar o alcance do poder deste líder criminoso, certa vez, por razões conhecidas apenas por Deus ou pelo Diabo, Toumani chegou a proibir a venda de capas para automóveis, um item antes comercializado legalmente na fronteira.

A Morte de Rafaat: A Ascensão do PCC e o Amanhecer do Crime Organizado

Em uma tarde de quarta-feira, a vida de Rafaat encontrou seu fim abrupto e violento. Eram 18h44 quando, no cruzamento das ruas Tenente Herrero e Elisa Lynch, diante do mercado municipal e à esquina de um centro educacional, a emboscada meticulosamente orquestrada pelo Primeiro Comando da Capital foi executada. O relato do prefeito da cidade na época, José Carlos Acevedo, descreve a operação como cara e grandiosa.

O comboio de Rafaat, composto por quatro Hummers 250 – veículos utilitários imponentes, blindados e montados sobre chassi de caminhões –, revelou-se ineficaz contra o poder devastador de um fuzil calibre .50, estrategicamente posicionado em um Toyota Fortuner. Em uma saraivada de balas, com mais de 120 disparos atingindo seu alvo, o líder criminoso paraguaio foi brutalmente assassinado.

Na confusão e terror do tiroteio, seus guardas, em um ato de desespero ou instinto de sobrevivência, abandonaram Rafaat ao seu destino cruel. Surpreendentemente, apesar da hora e do local movimentado do ataque, não houve vítimas colaterais – apenas os visados pelo ataque sofreram as consequências fatais daquele crepúsculo sangrento.

Tal qual os governadores do estado de São Paulo antes dos ataques do Primeiro Comando da Capital, que pararam a maior metrópole sul-americana, overnador da província de Amambay, Pedro González, diante deste show de força e poder demonstrado pela organização criminosa teve que admitir:

 O crime organizado tem mais poder de fogo e estrutura do que a própria Polícia Nacional.

Diante das críticas à política de segurança, como forma de minimizar o ocorrido, as autoridades nacionais imediatamente divulgaram que a morte de Rafaat foi uma ação conjunta entre diversas facções criminosas locais e internacionais, no entanto, nada poderia impedir que após aquela lua minguante, as noites não se tornassem ainda mais escuras sob a lua nova que, agora mais que nunca, fatalmente a substituiria.

Noite de Terror em Ciudad del Este: O Audacioso Assalto que Sacudiu o Paraguai

Na madrugada de 24 de abril de 2017, Ciudad del Este, coração comercial do Paraguai e sua segunda maior cidade, viu-se transformada no palco de um assalto de proporções cinematográficas, tão audacioso que mais parecia ter sido arrancado de um roteiro de Hollywood.

O silêncio daquela noite, invadida por uma atmosfera de tensão, medo e incredulidade, um contingente de pelo menos 50 criminosos exibiu uma força e ousadia sem precedentes ao dominar as ruas da cidade. Por aproximadamente 30 minutos, eles lançaram uma sombra ameaçadora sobre a então adormecida Ciudad del Este. A execução desse roubo espetacular, com a precisão e ousadia de uma produção hollywoodiana, gravou-se na memória coletiva, destinado a ser narrado por gerações de paraguaios, um marco histórico comparável ao impacto do 11 de setembro.

Ciudad del Este, cravada no coração do departamento de Alto Paraná e na fronteira que respira o caos entre Paraguai e Brasil, com suas 300 mil almas que durante o dia perambulam por um labirinto de ruas comerciais. Enquanto aqueles espíritos cansados repousavam, recobrando forças para mais um dia tedioso, o silêncio que os envolviam foi quebrado por um terror sonoro de tiros, gritos e explosões. Os assaltantes, figuras sombrias de determinação impiedosa, não apenas visavam, mas devoravam o cofre da Prosegur com uma fome insaciável por dinheiro, papéis e jóias.

A dimensão do ataque alertou o outro lado da fronteira paraguaia. A Polícia Federal brasileira implantou patrulhas terrestres e uma  barco armado ao longo do rio Paraná, para impedir a fuga dos ladrões  por água, além de dois helicópteros. O governo argentino, entretanto, anunciou que reforçaram a fronteira e ofereceram ajuda policial.

conta o jornalista Federico Rivas Molina do periódico El País

O roubo, uma sinfonia de audácia e brutalidade, fez com que milhões se dissipassem na escuridão opressiva da noite. A ousadia do ataque, qual espectro lúgubre, imprimiu um rastro indelével de choque e consternação, inscrevendo um novo e audacioso capítulo na narrativa sombria do crime organizado. Enquanto isso, Ciudad del Este, engolindo o medo que a sufocava, observava suas autoridades reduzidas a meros espectadores de um macabro teatro de horrores. Paralisadas e indefesas, assemelhavam-se a marionetes desgovernadas, joguetes nas mãos do Primeiro Comando da Capital.

A amarga ironia residia no fato de que aguardavam o término do assalto para, só então, se aventurarem pelas ruas – uma resposta tardia e quase caricata. O som estridente das sirenes, o fulgor cegante dos holofotes, e o frenesi das viaturas em movimento não passavam de um concerto ruidoso, uma encenação vazia que apenas servia para ecoar, em alto e bom som, o fantasma de sua própria impotência.

Do Presídio San Pedro às Praias das Lagoa de Bella Vista Norte

Em 2019, o Primeiro Comando da Capital voltou a dominar as manchetes, reafirmando sua presença intimidadora e seu poder incontestável. Em 15 de junho, um motim na Penitenciária Regional de San Pedro desencadeou um episódio de violência brutal e chocante, um reflexo da influência crescente do PCC no sistema carcerário paraguaio.

Dez detentos de uma facção rival foram subjugados a um destino terrível: cinco decapitados, três queimados vivos, e os restantes brutalmente assassinados com facas e armas de fogo. Este ato de selvageria, similar à morte de Jorge Rafaat Toumani, marcou um divisor de águas na dinâmica das prisões paraguaias. A partir desse momento, a neutralidade tornou-se uma opção inviável, com o PCC impondo sua lei e ordem, redefinindo o equilíbrio de poder nas sombrias entranhas das carceragens.

Poucos dias após esse banho de sangue, em 7 de julho, o PCC executou mais um ato de audácia: o roubo do cofre do Banco Visión. Numa demonstração de poder e ousadia, dinamitaram as instalações do banco, criando um cenário de caos e destruição. Antes do assalto, um grupo habilmente imobilizou a polícia local, cercando e disparando armas de alto calibre contra a delegacia. Apesar das autoridades policiais e até o ministro do Interior inicialmente negarem a participação do PCC, a realidade incontestável dos fatos os obrigou a reconhecer, alguns dias depois, a mão da organização criminosa nesses eventos perturbadores.

Mesmo as almas mais desatentas, que perambulam pelas idílicas praias das lagoas do distrito de Bella Vista Norte, perceberam, pelos sussurros dos ventos, o prenúncio de uma tempestade iminente. Contudo, paradoxalmente, as mais altas autoridades paraguaias encontram-se perdidas em um labirinto de sombras, incapazes de definir ou entender claramente a natureza e a magnitude do Primeiro Comando da Capital. Esta incapacidade de compreender objetivamente a atuação e presença do PCC no Paraguai deixa-os sem uma bússola, vagando cegamente por uma floresta densa e sem caminhos definidos, em busca de uma saída que parece cada vez mais distante e obscura.

Análise de IA do artigo: “Organizações Criminosas no Paraguai: A Facção PCC 1533”

TESES DEFENDIDAS PELO AUTOR E AS RESPECTIVAS CONTRATESES

Teses:

  1. As organizações criminosas, em especial o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533), têm infiltrado a sociedade paraguaia de maneira profunda e multifacetada, afetando desde as áreas mais humildes até as instituições de governo.
  2. As medidas administrativas e legislativas adotadas pelo governo paraguaio para combater as organizações criminosas são ineficazes e resultam em ações que não possuem base empírica sólida, tornando-se apenas gestos simbólicos sem impacto real.
  3. O PCC 1533, através de suas ações, como o assassinato de Jorge Rafaat Toumani e outros atos de violência, impõe um novo equilíbrio de poder, desafiando a autoridade estatal e remodelando as hierarquias dentro das prisões e na sociedade paraguaia.

Contrateses:

  1. As ações do PCC no Paraguai podem ser exageradas ou mal interpretadas por autoridades e observadores, levando a uma percepção distorcida da verdadeira situação de segurança no país.
  2. As estratégias e políticas de segurança, embora criticadas, podem ter eficácia não reconhecida imediatamente ou efeitos de longo prazo que ainda não são visíveis.
  3. A dinâmica do poder dentro das prisões e na sociedade pode ser mais complexa e menos diretamente influenciada pelo PCC do que a tese sugere, com outros fatores e atores desempenhando papéis significativos que ainda não foram totalmente analisados ou compreendidos.

Essas teses e contrateses são inferidas a partir do conteúdo e da perspectiva apresentada no texto. A discussão em torno das organizações criminosas no Paraguai, especialmente em relação ao PCC, é complexa e multifacetada, envolvendo uma variedade de fatores sociais, econômicos e políticos.

Análise sob o ponto de vista factual e de precisão

  1. Fontes e Inspiração: O texto declara ter sido inspirado por um artigo acadêmico de Juan Alberto Martens Molas, um nome que parece credível e associado a instituições de pesquisa, o que pode conferir uma camada de legitimidade. No entanto, a precisão dos detalhes e a representação das conclusões do artigo original precisariam ser verificadas contra o texto fonte para assegurar a fidelidade.
  2. Descrições e Linguagem: O texto utiliza uma linguagem rica e metafórica, o que pode sugerir uma narrativa mais literária do que um relatório factual. Termos como “serpente astuta” e “prenúncio de uma tempestade” são estilísticos e podem não refletir uma descrição objetiva dos eventos. Isso pode influenciar a percepção do leitor, adicionando um tom dramático que pode ou não corresponder à realidade.
  3. Teses Apresentadas: As teses sobre a ineficácia das respostas governamentais e o aumento do poder do PCC no Paraguai são apresentadas de maneira assertiva. Para verificar a precisão, seria necessário acesso a dados concretos e estatísticas de fontes confiáveis que confirmem ou refutem essas afirmações.
  4. Eventos Específicos: O texto faz referência a eventos específicos, como o assassinato de Jorge Rafaat Toumani e um assalto em Ciudad del Este. A precisão dessas descrições pode ser verificada através de registros de notícias e relatórios de segurança que documentam esses incidentes.
  5. Contexto Histórico e Social: A discussão sobre o impacto social e político das organizações criminosas exige uma análise contextual abrangente, considerando uma variedade de fatores e perspectivas. É importante que as conclusões apresentadas sejam apoiadas por evidências e não apenas por especulações ou opiniões.
  6. Contrastes e Perspectivas: O texto não apresenta explicitamente contrapontos ou perspectivas alternativas, o que poderia ser importante para uma análise equilibrada. A presença de contrateses ou de uma discussão sobre possíveis falhas nas políticas de segurança poderia fornecer uma visão mais holística e menos enviesada.
  7. Tom e Intenção: A intenção do autor parece ser destacar a gravidade da situação e a urgência de ação, o que pode ser uma interpretação válida, mas a precisão requer o equilíbrio com pontos de vista que possam oferecer uma imagem mais complexa.

Para uma análise completa e precisa, seria recomendável cruzar as informações apresentadas com fontes adicionais, dados oficiais e perspectivas de diversos stakeholders envolvidos na questão das organizações criminosas no Paraguai.

Análise sob o ponto de vista da sociologia

  1. Incerteza e Desordem Social: A descrição de um estado de incerteza e a metáfora de autoridades vagando perdidas apontam para uma desordem social e um vácuo de poder, onde as instituições estatais são incapazes de exercer controle efetivo, o que é característico de sociedades onde o crime organizado tem influência significativa.
  2. Infiltração nas Estruturas Sociais: O texto aborda a penetração das organizações criminosas nas estruturas sociais e políticas, indicando uma relação complexa entre crime e poder que é central para estudos sociológicos sobre a criminalidade e sua relação com a governança.
  3. Impacto nas Políticas Públicas: A alegação de que as medidas adotadas contra essas organizações são “quase teatrais” sugere uma crítica sociológica à eficácia das políticas públicas e à sua capacidade de lidar com problemas estruturais complexos, como o crime organizado.
  4. Dinâmica de Poder e Controle: O destaque à violência e à capacidade das organizações criminosas de desafiar o Estado sugere uma alteração na dinâmica tradicional de poder e controle, um tema de grande interesse na sociologia política.
  5. Transformações Sociais: A referência à morte de Jorge Rafaat Toumani como um ponto de inflexão para o início de uma nova era reflete sobre as transformações sociais e o deslocamento de poder dentro da sociedade. A analogia com a lua crescente simboliza mudança e crescimento, sugerindo uma evolução na estrutura social e no poder dessas organizações.
  6. A Resposta do Estado: A reação do governo e a percepção de impotência diante dos eventos criminosos levantam questões sobre a legitimidade e a capacidade do Estado de proteger seus cidadãos, um ponto crítico na sociologia do Estado e da lei.
  7. Influência Cultural e Mídia: A descrição de um assalto com a precisão e ousadia de uma produção hollywoodiana sugere a influência da mídia e da cultura popular na percepção pública da criminalidade e como esses eventos são narrados e entendidos pela sociedade.
  8. Consequências Societais: A narrativa aponta para uma sociedade paraguaia impactada pelo medo e pela incerteza, com implicações para o tecido social, incluindo a confiança nas instituições, a coesão comunitária e a ordem social.
  9. Paradoxos e Contradições Sociais: A incapacidade das autoridades de entender ou definir a natureza do Primeiro Comando da Capital reflete paradoxos dentro da sociedade paraguaia e a ambiguidade em sua luta contra o crime organizado.

De uma perspectiva sociológica, o texto é um rico estudo de caso sobre a intersecção entre crime, política, sociedade e cultura, e como esses fatores se entrelaçam para formar a realidade social complexa em que organizações criminosas como o PCC operam e influenciam.

Análise do texto sob o ponto de vista da Psicología Jurídica

Percepção e Cognição: O texto descreve as autoridades como perdidas e sem direção, o que pode refletir um estado de confusão cognitiva e falta de preparo psicológico para enfrentar a complexidade e a sutileza da criminalidade organizada. Isso pode indicar falhas na formação e no treinamento dos responsáveis pela segurança pública.

Influência e Manipulação: As organizações criminosas expandem seu domínio de maneira complexa, o que pode sugerir táticas de manipulação psicológica e influência social que transcendem a violência direta. A psicologia jurídica estuda como essas táticas afetam não apenas os indivíduos, mas também as instituições.

Estresse e Trauma: A brutalidade dos atos criminosos, a impunidade e o medo geram estresse e traumas coletivos. A psicologia jurídica pode ajudar a entender as consequências psicológicas dessas experiências para as vítimas, a população em geral e até mesmo os agentes da lei.

Dinâmica de Grupo e Identidade: O PCC, como grupo, demonstra uma identidade coletiva forte e uma hierarquia que desafia a ordem estabelecida. Psicólogos jurídicos estudam como a identidade de grupo e a coesão podem contribuir para comportamentos criminosos e como eles podem ser desmantelados.

Mudança Social e Psicológica: A morte de Toumani é descrita como o início de uma nova era. A psicologia jurídica pode investigar como as mudanças no poder do crime organizado afetam a psique coletiva e as normas sociais.

Resiliência e Adaptação: A reação das autoridades, que parece tardia e ineficaz, pode indicar uma falta de resiliência psicológica e de estratégias de adaptação ao enfrentamento do crime organizado. A psicologia jurídica pode contribuir com estratégias para melhorar a adaptação e a resiliência das instituições.

Autoridade e Poder: A ironia amarga da espera pelo fim do assalto para agir sugere uma análise psicológica do poder e da autoridade, e como esses são percebidos pelo público em relação ao Estado e aos criminosos.

Psicopatologia: A presença de ações brutais e o aparente desrespeito pela vida humana podem levar a questionamentos sobre traços psicopáticos ou outras psicopatologias dentro de organizações criminosas.

Políticas Públicas: A ineficácia das políticas públicas pode ser analisada sob a ótica da psicologia da decisão e da política, questionando como crenças, preconceitos e a psicologia das massas influenciam a criação e implementação de políticas efetivas de combate ao crime.

Análise sob o ponto de vista da antropologia

  1. Cultura do Crime Organizado
    O texto aponta para uma cultura distinta dentro das organizações criminosas que inclui códigos de conduta, linguagem e rituais próprios. A antropologia pode explorar como esses elementos são criados, mantidos e transformados, e como eles influenciam a identidade dos membros da organização.
  2. Poder e Resistência
    A narrativa destaca o desafio ao poder estatal imposto pela facção PCC 1533. A antropologia pode investigar como o PCC exerce poder não apenas através da força, mas também através da influência econômica e política, criando uma contra-ordem dentro do próprio Estado.
  3. Simbolismo e Metafórica
    O uso de símbolos, como a lua em quarto crescente e a figura da serpente, pode ser analisado em termos de como o PCC constrói sua narrativa e se posiciona dentro do imaginário social tanto no Paraguai quanto no contexto mais amplo do crime transnacional.
  4. Identidade e Fronteiras
    A antropologia pode examinar as identidades em jogo na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, onde a influência do PCC é significativa. As identidades são moldadas em resposta ao crime organizado, à violência e às políticas de segurança.
  5. Estruturas de Governança Alternativa
    O PCC e outras organizações criminosas às vezes assumem papéis que normalmente caberiam ao Estado, como a imposição de ordem e a distribuição de recursos. A antropologia pode analisar essas formas de governança alternativa e seu impacto nas comunidades locais.
  6. Economia Ilícita e Globalização
    A maneira como o PCC se integra na economia global ilícita pode ser estudada para entender as redes de troca e o impacto dessas atividades na economia local e global.
  7. Violência e Sociabilidade
    O texto fala da brutalidade nas prisões e do assalto cinematográfico em Ciudad del Este, eventos que podem ser analisados para compreender as formas de sociabilidade que emergem em contextos de violência extrema.
  8. Respostas do Estado
    A antropologia pode questionar as respostas do Estado ao crime organizado, explorando as tensões entre medidas de segurança, direitos humanos e a eficácia das políticas públicas.
  9. Narrativas e Conhecimento Local
    A percepção das “almas desatentas” e das “autoridades perdidas” pode ser vista como uma forma de conhecimento local que desafia ou confirma as narrativas oficiais sobre segurança e criminalidade.
  10. Mitologia e Contos Modernos
    A ascensão e queda de figuras criminosas como Rafaat podem ser vistas como mitos modernos que moldam as percepções de justiça, poder e ordem social.

Análise da imagem de capa deste texto

Organizações Criminosas no Paraguai PCC

A imagem mostra um homem de frente, com expressão séria e determinada, vestindo uma camisa de mangas compridas, gravata e mochila, sugerindo que poderia ser um profissional ou estudante. Ele está em pé em uma rua estreita e escura, que lembra um beco histórico, possivelmente dentro de uma cidade antiga, com edifícios que parecem ser de arquitetura colonial europeia. O céu noturno acima dele é iluminado por uma lua crescente, que pode simbolizar mudança e transição, um tema comum em discussões sobre organizações criminosas e sua influência em mudanças de poder e estrutura social.

A atmosfera geral da imagem é sombria e tensa, acentuada pela iluminação escura e a arquitetura antiga, o que pode evocar sentimentos de mistério e perigo. O contraste entre a aparência cotidiana do homem e o ambiente que o envolve pode sugerir uma dualidade, indicando que mesmo indivíduos comuns podem estar envolvidos ou afetados pelas atividades das organizações criminosas.

O texto na imagem destaca “ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS” em letras grandes e ousadas, seguido por “o poder do grupo criminoso PCC 1533 no Paraguai” e “das mais escuras vielas até os mais iluminados palácios do governo”, indicando que o tema da imagem e do texto é a penetração abrangente e a influência profunda do PCC em diferentes níveis da sociedade. A frase final pode indicar que o alcance dessa organização vai desde as partes mais humildes e escondidas da sociedade até o topo do poder estatal.

A Verdade por Trás da “Senhora do Fuzil”: Luxo, Crime e PCC

A “Senhora do Fuzil” chamou a atenção das autoridades ao ostentar luxo nas redes sociais. A investigação revelou sua ligação com a facção PCC 1533 e o papel desempenhado na guarda de armas da facção.

“Senhora do Fuzil”: descubra como a vida luxuosa de Mariana nas redes sociais levou à revelação de sua conexão com a organização criminosa paulista.

“Senhora do Fuzil” e seu envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (Facção PCC 1533) chocaram a opinião pública. A jovem, aparentemente desfrutando de uma vida luxuosa, escondia um segredo perigoso: guardar armas para a facção criminosa.

Em contraste, armeiros do PCC são responsáveis pela compra e manutenção das armas fornecidas aos membros da facção. Contudo, pessoas como Mariana, atuam como guardiões temporários dessas armas, mantendo-as escondidas.

No mundo do crime, frequentemente vemos mulheres escondendo armas para seus companheiros, pois elas tendem a ser ignoradas durante abordagens policiais, que costumam focar nos homens.

Entretanto, algumas guarnições policiais incluem policiais femininas que realizam revistas nas mulheres suspeitas. Nesses casos, é possível que essas garotas acabem presas por porte de armas e drogas que, na verdade, pertencem a outras pessoas.

O caso da “Senhora do Fuzil”

O estilo de vida ostensivo de Mariana nas redes sociais chamou a atenção das autoridades. Afinal, seus gastos exorbitantes não condiziam com seu emprego como auxiliar administrativa em uma clínica médica.

Mariana aparece em lanchas e casas luxuosas nas fotos que compartilhava com os seus mais de 11 mil seguidores. Essas postagens nas redes sociais geraram desconfiança sobre os rendimentos da jovem.

Isabelle Amaral, do R7

Após a prisão da “Senhora do Fuzil”, um verdadeiro arsenal foi encontrado em seu apartamento. Inclusive, um dos fuzis apreendidos teria sido usado em um duplo homicídio, conforme registrado pelas câmeras de segurança de um bar em São Paulo.

Preservando sua lealdade à facção, Mariana não revelou os verdadeiros donos das armas durante seu depoimento. Entretanto, a polícia acredita que, ao analisar seu celular apreendido, conseguirão obter informações cruciais para a investigação.

O caso da “Senhora do Fuzil” ressalta a complexidade das operações do Primeiro Comando da Capital. A facção criminosa recruta pessoas de diferentes perfis, incluindo mulheres que, como Mariana, desempenham papéis-chave na logística do crime organizado.

Uruguai no caminho do PCC é trampolim para alcançar o mundo

O Primeiro Comando da Capital está utilizando o Uruguai no caminho do PCC para o envio das drogas pelos seus portos para a Europa e África.

Mano, os caras da ONU tão falando que o cultivo de coca cresceu pra caramba, tipo 35% só de 2020 pra 2021, é um recorde desde 2016.

A demanda pela cocaína também tá subindo, e com essa produção enorme, a parada pode até chegar na África e na Ásia, saca?

Mas o Uruguai tá em uma situação sinistra, tipo, Primeiro Comando da Capital, tá voando com avião cheio de droga lá e deixando os pacotes lá em pista de pouso clandestina, nos departamentos de Artigas, Salto e Paysandu, mano.

Tem outra rota que vai do Peru e Bolívia até o Rio da Prata, aí os caras descem na costa atlântica na Argentina ou Uruguai, muitas vezes pelo Paraguai, e usam o Hidrovía Paraguai-Paraná pra levar a droga pelos barcos, junto com voos clandestinos, sacou?

E os portos de Montevidéu tão sendo usados pelos grupos criminosos pra transferir a droga pros navios, às vezes a cocaína é consolidada no Uruguai antes de ser embarcada pra fora, é o que a ONU falou.

Uma carta recebida do Uruguai de PERIODISMO OREJANO

Uma menina que estava fazendo o dever de casa na escola em um confronto ocorrido entre facções há um ano, creio eu, morreu sentada em uma cadeira com uma bala que atravessou a chapa e rachou seu crânio.

Morreu com o caderno escolar, pedimos que isso não volte a acontecer, mire no alvo, por favor não nos deixe morrer.

As balas estão voando na periferia nos confrontos e muitas das bocas do PCU não exigem a disciplina do PCC.

Quando vão aplicar o Estatutos e a Disciplina do Primeiro Comando da Capital aqui no Uruguai para seus aliados?

Um estranho caso no Uruguai

Uma militante uruguaia narra como foi arrastada para o centro de uma guerra entre facções e governos. Sem nunca ter vendido drogas, sobreviveu à tortura, à traição e à repressão. Um grito de desespero por justiça social e dignidade no meio da falência moral do continente.

Em meio a um Uruguai dividido entre facções, Estados e traições, este relato pessoal revela o impacto brutal da guerra por controle das drogas — com menções diretas ao Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Leia e descubra como sobreviver virou resistência numa América Latina esvaziada de utopias.


Público-alvo:
Militantes de esquerda, usuários de drogas, pesquisadores em criminologia, jornalistas, ativistas por políticas de drogas, profissionais da saúde mental e leitores interessados em narrativas reais com crítica social latino-americana.

Se fosse um inimigo que me insultasse, eu o suportaria; se fosse o meu adversário que se levantasse contra mim, dele eu me esconderia. Mas és tu, meu igual, meu companheiro, meu amigo íntimo.

Salmo 55:12-13

Vou contar minha história.

Sou de família de comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores, e tenho aprendido muito com todos eles nesses meus trinta e oito fevereiros vividos.

Lido com os códigos da velha escola da consciência de classe. Sou de esquerda e, embora tenha crescido entre bandidos, fui abençoado e muito cuidadoso, e nunca esperei que a traição viesse de um irmão, de um oprimido, pois para mim o inimigo eram os opressores, eram os fascistas.

Nestes últimos dois anos vivi coisas horríveis!

Pela primeira vez sofri a traição daqueles, sendo meus irmãos, cantavam canções revolucionárias comigo, e acredite, dos quais eu nunca teria imaginado sofrer uma traição que quase me matou, mas cuja dor me ceifou minha fé no homem.

Nasci em fevereiro de 1984, não tenho antecedentes criminais, morei em São Paulo, Bahia, Romênia, e muitos outros lugares sem nunca ter traficado. Respeito quem o faça, mas não é meu bastão — amo demais a classe trabalhadora, não poderia agir assim.

Apesar eu mesmo ser usuário de drogas, me recuso a escravizar nas drogas os filhos dos pobres trabalhadores.

Eu e muitos outros, militamos pela legalização da maconha no meu país, o Uruguai. Conseguimos. A ideia era, com a legalização haver maior controle sobre o comércio desses produtos.

No final nada disso aconteceu. Como o governo não estatizou ou nacionalizou as empresas, nós apenas regularizamos o mercado para as empresas estrangeiras exportarem nossa produção — passamos a ser vacas de ordenha para sermos sugados por investidores estrangeiros.

Se eu planto, eles roubam, não tem brotos de qualidade na periferia, só prensagem paraguaia, e um bom broto vale tanto quanto cocaína. Tudo para o lucro dos capitalistas dos narcóticos. Entendo agora o porquê, poucos dias depois da legalização, os EUA ameaçaram o presidente José Mujica de congelar as contas bancárias uruguaias em território americano: queriam que a produção não pudesse ser nacionalizada e por isso o Uruguai só regulamentou o comércio.

Nós que militamos pela legalização de nossa produção fomos espancados pela polícia e agora, as empresas estrangeiras podem explorar esse mercado e nos deixar com as migalhas, colhendo os frutos de nossa luta.

No Uruguai a guerra continua! Na periferia, a direita perdeu o mercado de drogas, mas encontrou o caminho perfeito para virar o jogo: usam cavalos de Tróia!

A estratégia é procurar um consumidor ou parceiro de negócios e ao menor deslize ou crime, estes são presos e o preço de sua liberdade é pago com a traição de seus colegas, amigos ou familiares.

Muitos aceitam participar desse novo mercado que antes pertenciam as organizações criminosas argentinas ou a facções brasileiras como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mais cedo ou mais tarde esses que aceitaram participar desse novo mercado acabam sendo presos por algum motivo e negociam sua liberdade com a condição de se infiltrarem para entregar seus antigos comparsas de facção.

Eu nunca pertenci ao tráfico de drogas, sou apenas um usuário, jornalista, cabeleireiro, e anarquista ligado às lutas sociais. Cresci em um bairro de trabalhadores e estudei no bairro de La Blanqueada. Tenho amigos do Nacional, do Penarol e do Cerro, criminosos, traficantes, crianças, políticos, militantes de esquerda, universitários, ateus, católicos, brasileiros, argentinos, e todo o tipo de gente boa e ruim.

Eu não me importo como cada um escolhe viver sua vida, desde que não seja fascista, nem policial, nem vote na direita, se tem códigos antiquados e a consciência de classe é a única coisa que me interessa.

Há dois anos minha vida se tornou um inferno.

Sou da escola onde um criminoso não voltava para casa para não colocar em risco a sua família ou os seus companheiros — só voltaria depois de avisar a todos do risco e da família ou os companheiros decidirem que queriam se arriscar.

Se alguém em risco me avisasse, eu correria o risco, mas sem avisar! Cagando para minha segurança e a da minha família, aí não! Isso para mim não é a ética de um bom criminoso — o certo pelo certo!

Há dois anos aluguei de um amigo uma pequena estância, lugar onde eu vendo artesanato com meu pai de coração, um ex-prisioneiro político pelo Partido Comunista da Argentina, um homem que merece o céu, incorruptível.

Eu com esse amigo cantávamos as músicas revolucionárias da banda argentina Los Redondos, e entoávamos o hino “Violencia es Mentir”! E foi esse amigo quem colocou em risco a vida e a liberdade minha e a de toda a minha família.

Eu havia alugado um quarto em uma fazenda para usarmos para nossa diversão. Como cresci na selva, eu sei como os macacos se movem e, de repente, em uma noite de muita tensão, eu que conhecia a linguagem do crime percebi que algo de errado estava acontecendo.

Não estávamos só nós dois, haviam outros amigos e eles falavam muito, e descobri que eles roubaram drogas de alguma das facções e para pagar tinham que roubar outro traficante que ia descarregar a mercadoria de uma embarcação.

Eu e minha família não tivemos nada com isso! Eu e minha família fomos colocados por eles na linha de tiro de grupos criminosos poderosos — eu matei, mas morreria por minha família.

Imagine meu avô de 88 anos, seguindo os antigos códigos de conduta, onde se uma chave de fenda é roubada da loja de móveis ele não chamaria a polícia, preferia ele mesmo ir procurar o ladrão e lhe quebrar o joelho. Imagine se ele descobre o roubo da cocaína!

Pequei um dos que estavam metidos nessa enrascada. O derrubei e coloquei seu pescoço debaixo de minha perna. Ele me ameaçou dizendo que era da facção brasileira Comando Vermelho.

A mãe desse CV chamou um amigo dela da polícia, mas para sua surpresa veio a Guardia Republicana criada por Mujica, que me levou para o Comissário de Castillos, onde inventaram uma falsa ordem para abordar minha família — ou eu aceitaria participar do esquema de denúncia ou a ordem seria cumprida.

Foi aí que entendi o que estava acontecendo. Como os negócios se davam entre o Uruguai, a Argentina e o Brasil; e entre os grupos criminosos Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC).

O Primeiro Comando da Capital pelo menos administra muito bem a empresa: dá tranquilidade e não obriga ninguém que não pertence ao mundo do crime de se integrar a facção.

A partir daí minha vida foi um inferno.

As pessoas descobriram ao longo do tempo que ninguém de fato é livre. Todos pagam por sua liberdade às autoridades e às facções. Quiseram me prender de várias maneiras e me silenciar.

Um antigo amigo do papai que há muito não aparecia veio com a desculpa de comer um churrasco, mas depois de um tempo apareceu com uma van que parecia ter sido puxada: com vidros quebrados e com muita droga.

Ele me convidou para participar de um esquema e eu exigi que ele fosse embora. Inconformado com a resposta, ele me sequestrou por dois dias durante o inverno. Enquanto fiquei cativo, minha cabeça era enfiada minha cabeça gelo enquanto me torturava, para no fim, plantar a van na porta da minha casa e me entregar para a Polícia de Azul, denunciando que eu estava com as chaves, sendo que, essas vans são destravadas por um sistema eletrônico!

Um pesadelo sem fim.

Depois de um tempo, apreenderam um caminhão de um paraguaio e eu estaria envolvido; depois foi algo haver com um estuprador que continuava foragido; e assim como essas, outras denúncias apareciam — toda vez que começo a me recuperar, eles invadem minha casa e roubam meus telefones.

Eles esperam que eu cometa um erro ou desista de resistir e negocie como outros fizeram minha paz e liberdade, mas eu prefiro morrer a ser um miserável traidor.

Não é minha guerra!

Eu obviamente prefiro o Primeiro Comando da Capital onde se corre pelo certo, mas meu lugar de militância é no social e não quero me envolver com o crime.

Espero que essa guerra termine e que eu e meus avós, que dedicamos nossas vidas pelo socialismo, não mais sejamos torturados pelo fascismo ou pela guerra por domínio de drogas!

Se eu morrer amanhã, não foi ajuste de contas, pois nada vendi. Não é que sou incorruptível, mas não deram nem o preço, mas meu lugar é na imprensa ou trabalhando com as crianças para tirá-las das mãos dos tiranos que agem com violência e mentira.

somos filhos de trabalhadores viciados em oxi

Se usássemos a mesma energia para encontrar uma dose para fazer a revolução, a realidade da América seria diferente. As utopias de esquerda morreram na periferia, você não sente cheiro de revolução, você só sente cheiro de crack, chumbo, abuso, paramos a exportar ladrões de primeira linha e ao invés de jogadores de futebol, hoje os garotos não jogam mais bola em bairros populares, todos querem ser traficantes, sem importa que envenenar seu colega de classe faz parte.

Traição é pão de cada dia, te vendem por um segundo fogo e nem por 3 gramas. Não há garantias de resistência real para o viciado, não há lugar em clínicas ou prazo inferior a 6 meses em psiquiatria. A droga é cortada cada vez mais, e com uma qualidade cada vez menor.

Só consigo pensar em uma solução, que os Estados de cada país latino nacionalizem o mercado de drogas, eu disse nacionalizar não regulamentar. É a humilde opinião de uma filha de trabalhadores viciada em oxi.


Análise de IA do artigo: “Um Estranho Caso no Uruguai”.

🔍 Dados fáticos e temas centrais

TemaAfirmação
Identidade e trajetóriaNasceu em fevereiro de 1984; morou em São Paulo, Bahia, Romênia e outros locais; não tem antecedentes criminais; é usuário de drogas, jornalista, cabeleireiro e anarquista.
Política de drogas no UruguaiMilitante da legalização da maconha; legalização foi aprovada, mas sem estatização; produção e comércio favorecem empresas estrangeiras.
Ameaças e perseguiçõesRelata sequestro, ameaças de membros do Comando Vermelho, perseguições policiais, invasões domiciliares e repetidas tentativas de envolvê-lo em crimes.
Crítica ao modelo de legalizaçãoA legalização foi moldada de modo a impedir nacionalização da produção; afirma que os EUA teriam ameaçado Mujica com sanções bancárias caso nacionalizasse.
Facções criminosasPCC e CV estariam atuando no Uruguai; o PCC seria mais organizado e respeitoso com quem não pertence ao crime; o CV mais impulsivo e violento.
Sistema de delação e infiltraçãoAfirma que presos são libertos sob a condição de trair antigos companheiros, passando a atuar como informantes infiltrados.
Conflitos pessoaisUm amigo próximo teria roubado drogas, colocando sua vida e a de sua família em risco com organizações criminosas.
Violência estatalDenuncia abusos por parte da Guardia Republicana, com uso de ordens falsas e coação para que aceitasse colaborar como delator.
Crítica social e ideológicaLamenta a falência da utopia socialista nas periferias; diz que jovens estão cada vez mais envolvidos com o tráfico; denuncia hipocrisia de parte da esquerda.
Proposta finalDefende a nacionalização (não apenas regulamentação) do comércio de drogas nos países latino-americanos como solução para romper com o ciclo do crime e da repressão.
📌 Análise de precisão factual (com base no banco de dados e fontes confiáveis):
PontoVerificação e comentários
Legalização da maconha no Uruguai✅ Verdadeiro. Aprovada em 2013 sob o governo Mujica, com modelo de regulação estatal, mas produção foi em grande parte concedida a empresas privadas sob controle rígido. O Estado não estatizou a produção.
Ameaças dos EUA a Mujica⚠️ Parcialmente plausível, mas não confirmada oficialmente. Houve preocupações dos EUA sobre lavagem de dinheiro, e o Uruguai negociou com bancos internacionais, mas não há prova pública de ameaças diretas com congelamento de contas.
Atuação do PCC e CV no Uruguai✅ Há registros de investigações uruguaias e brasileiras apontando atuação esporádica e articulações de grupos brasileiros no cone sul, especialmente em zonas de fronteira. Porém, sua presença não é estrutural como no Brasil ou Paraguai.
Sistema de delação premiada informal⚠️ O Uruguai não possui um sistema amplo de delação premiada como o brasileiro. Acusações de delações forçadas ou uso de informantes não são documentadas em escala sistêmica, embora possam ocorrer pontualmente.
Guardia Republicana criada por Mujica✅ Verdadeiro. A Guarda Republicana é uma força especial da Polícia Nacional uruguaia reforçada durante o governo Mujica para lidar com crimes graves e narcotráfico.
Exploração por empresas estrangeiras após legalização✅ Real. As duas principais empresas inicialmente autorizadas a plantar cannabis para distribuição foram estrangeiras ou com capital estrangeiro. Pequenos produtores criticaram a centralização da produção e as restrições.
Situação de drogas adulteradas e falta de tratamento✅ Estudos e reportagens indicam precariedade na qualidade das drogas vendidas na periferia, aumento de consumo de oxi e crack, e déficit de políticas públicas de saúde mental no cone sul.

O relato possui uma base factual sólida nos seguintes aspectos: contexto político da legalização no Uruguai, presença episódica de facções brasileiras no cone sul, repressão estatal às margens da legalidade, e marginalização dos usuários. Contudo, há trechos que, embora verossímeis e coerentes com dinâmicas conhecidas, carecem de comprovação pública — como o uso sistemático de delatores ou pressões diretas dos EUA sobre Mujica em forma de ameaça bancária.

Trata-se de um testemunho de valor documental, marcado pela vivência subjetiva e leitura crítica de um militante, e não de um texto jurídico ou investigativo. Por isso, suas verdades repousam no campo do vivido e do simbólico, mais que do verificável em fontes oficiais.


Análise do texto sob o prisma da Teoria da Associação Diferencial

📌 1. O comportamento criminoso é aprendido — não herdado biologicamente

Texto: “Sou de família de comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores, e tenho aprendido muito com todos eles.”

Análise: O narrador reconhece ter aprendido valores, códigos e posturas através da convivência direta com pessoas do meio criminoso, político e operário. O ambiente social de origem era diverso, e não patologicamente criminoso — mas continha elementos de transgressão política e penal. Esse aprendizado é social, não genético.

📌 2. A aprendizagem ocorre em interações com pessoas próximas

Texto: “Eu e esse amigo cantávamos as músicas revolucionárias da banda argentina Los Redondos […] e foi esse amigo quem colocou em risco a minha vida e de minha família.”

Análise: A traição vem de dentro da rede de convivência. A teoria prevê que o sujeito é mais vulnerável ao comportamento desviante quando a influência vem de pessoas emocionalmente significativas. A proximidade afetiva foi um vetor de risco.

📌 3. A aprendizagem inclui técnicas e racionalizações do crime

Texto: “Como cresci na selva, eu sei como os macacos se movem […] eu que conhecia a linguagem do crime percebi que algo de errado estava acontecendo.”

Análise: O narrador demonstra domínio de códigos e estratégias que fazem parte do universo criminal, ainda que negue sua adesão prática a ele. Isso está em linha com a ideia de que se aprende não só a agir, mas a pensar e interpretar o mundo à maneira dos grupos desviantes.

📌 4. O contato com definições favoráveis ou desfavoráveis ao crime determina a inclinação para delinquir

Texto: “Apesar de ser usuário de drogas, me recuso a escravizar nas drogas os filhos dos pobres trabalhadores.”

Análise: A convivência com criminosos não levou o narrador a cometer crimes. Isso se explica pela preponderância das “definições desfavoráveis ao crime” no seu arcabouço moral: há um código ético de classe e resistência, que ele valoriza mais do que a adesão ao crime. Sua recusa ativa ao tráfico demonstra que, embora exposto a valores criminosos, ele internalizou outros — ético-revolucionários, por assim dizer.

📌 5. O comportamento criminoso é aprendido como qualquer outro comportamento — pelas mesmas formas de comunicação e experiência

Texto: “Sou da escola onde um criminoso não voltava para casa para não colocar em risco a sua família ou os seus companheiros.”

Análise: O narrador revela que aprendeu “a ética do crime” da mesma forma que se aprende qualquer valor social: pela observação, convivência, fala e prática. Não se trata de uma simples adesão irracional ao mal, mas da internalização de um código de honra paralelo ao legal.

📌 6. A intensidade, frequência e duração das associações influenciam na aprendizagem

Texto: “Tenho amigos do Nacional, do Penarol e do Cerro, criminosos, traficantes, crianças, políticos, militantes de esquerda…”

Análise: A grande diversidade de contatos indica que o narrador foi amplamente exposto a múltiplas influências ideológicas, criminosas e sociais. Segundo Sutherland, esse tipo de ecossistema pode gerar conflito moral interno, mas também fornece alternativas para escolhas não criminosas, como é o caso.


📌 7. A associação diferencial pode explicar tanto o crime quanto a resistência a ele

Texto: “Prefiro morrer a ser um miserável traidor […] Meu lugar é na imprensa ou trabalhando com crianças.”

Análise: O protagonista, apesar da exposição intensa ao crime, recusa-se a aderir à prática. Isso reforça a ideia de que, embora o ambiente seja um fator determinante, ele não é absoluto: os significados atribuídos a essas experiências e os grupos com os quais o indivíduo mais se identifica moralmente podem moldar sua conduta em outra direção.

Conclusão da análise com base na Teoria da Associação Diferencial

O relato é um exemplo claro da aplicação da teoria de Sutherland. O narrador vive em um meio onde há forte presença de elementos criminais, mas a socialização com ideais éticos da classe trabalhadora, do anarquismo e da militância social atua como um contrapeso às pressões desviantes.

Ele aprendeu os códigos do crime — conhece sua linguagem, estratégias e limites — mas os recusa com base em valores internalizados por outras associações diferenciais, mais morais, mais comunitárias.

Sua trajetória mostra que o crime não é fruto apenas da miséria ou da predisposição pessoal, mas de uma rede de interações, códigos morais e oportunidades simbólicas.


Análise do perfil psicológico do autor

A análise psicológica do autor do texto “Um estranho caso no Uruguai” revela um perfil singular, estruturado por três dimensões centrais: vivência de conflito crônico, rigor moral fora da legalidade institucional e resistência política de base afetiva. Abaixo, apresento essa leitura em quatro blocos: identidade, afetividade, funcionamento psíquico e riscos.

🧠 1. Identidade psicossocial

✓ Identidade combativa e marginal-ética
O autor constrói uma narrativa de vida marcada pela convivência com marginais — “comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores” — mas reafirma que a criminalidade nunca foi seu caminho. Essa dualidade (inserção sem adesão) revela um senso de identidade liminar: ele habita os dois mundos, mas se recusa a ser moldado por nenhum que contradiga seus próprios códigos.

✓ Estrutura identitária vertical e herdada
Sua autoimagem está fincada em um ideal de continuidade intergeracional: “meu avô, meu pai de coração, meus companheiros”. Essa rede não é apenas relacional — é simbólica, substituindo o Estado e a legalidade institucional por uma ética própria. Isso sugere forte internalização de valores comunitários e rebeldes, uma identidade que opera à margem da ordem formal, mas se ancora em vínculos afetivos sólidos.

❤️ 2. Afetividade e códigos emocionais

✓ Raiva moral canalizada como crítica social
Há uma fúria constante no texto — contra o sistema, contra os traidores, contra a falsidade institucional — mas que não se desorganiza. Em vez disso, ela é canalizada para narrativas políticas e denúncias sociais. Isso indica alta elaboração da emoção, mas com traços de amargura profunda e desencanto acumulado.

✓ Traição como núcleo traumático
A traição por parte dos “irmãos” que cantavam canções revolucionárias com ele é descrita com mais intensidade emocional do que as ameaças físicas. Isso revela que sua maior vulnerabilidade psíquica está no rompimento dos vínculos simbólicos, não na dor corporal. O trauma relacional o desestrutura mais que a violência estatal.

✓ Ambivalência afetiva persistente
O autor idealiza o crime “honesto” (o código do criminoso de conduta) ao mesmo tempo que o rejeita. Ele admira o PCC por “correr pelo certo” e despreza o Comando Vermelho por envolvimento desordenado com o Estado. Essa ambivalência emocional mostra que seu sistema ético é construído em oposição tanto à lei quanto ao caos, o que impõe constante tensão interna.

🧩 3. Funcionamento psíquico

✓ Estrutura de pensamento discursiva e política
A escrita é coerente, articulada, com raciocínio encadeado por causa e consequência, mesmo sob carga emocional elevada. O autor é capaz de reflexão abstrata, faz crítica geopolítica, sociológica e histórica, o que aponta para um funcionamento de ego preservado e maduro em termos cognitivos.

✓ Visão de mundo dualista e moralizante
Há uma divisão clara entre “os certos” e “os errados”, ainda que o autor reconheça a complexidade das ações humanas. Isso pode ser visto como mecanismo defensivo de delimitação do eu, necessário para manter coesão psíquica em ambientes com alta ambiguidade moral. Ele não se perde nos cinzas: opta pelos extremos, mas consciente disso.

✓ Hipervigilância e percepção persecutória fundamentada
Dado o histórico relatado de sequestros, vigilância, ameaças e infiltrações, é esperado que o autor desenvolva comportamentos de hipervigilância. No entanto, ele mantém a noção de realidade, distinguindo-se de quadros paranoides: sua desconfiança é contextualmente plausível e relatada com clareza.

⚠️ 4. Indicadores de risco psicológico

RiscoEvidência no textoInterpretação
Trauma relacional“…ceifou minha fé no homem”Provável vivência de ruptura traumática de confiança, com impacto em vínculos futuros.
Síndrome de estresse pós-traumático (subclínica)Sequestro, tortura, perseguições repetidasIndícios compatíveis com TEPT leve a moderado, ainda não desorganizante, mas marcante.
Pensamento sacrificial“Prefiro morrer a ser um miserável traidor.”Risco de autoexposição excessiva, sustentada por uma ética de honra que pode comprometer a autopreservação.
Uso de substâncias“Sou usuário de drogas.”Reconhece o uso, mas afirma limites claros; há risco moderado de dependência, mas não há sinais de uso descontrolado no texto.
Isolamento social funcional“Minha vida virou um inferno.”Indica restrição de redes de apoio confiáveis; o autor parece operando num circuito de sobrevivência e desconfiança.

✅ Conclusão do perfil psicológico

O autor é um indivíduo de estrutura psíquica preservada, alta capacidade reflexiva e com uma ética pessoal profundamente enraizada na justiça de classe e na lealdade afetiva. Ele demonstra resiliência significativa diante de adversidades graves, mas carrega feridas emocionais profundas, sobretudo no campo da confiança interpessoal.

Seu modo de viver e pensar é condicionado por experiências reais de perseguição e violência, mas sua resposta a isso não é paranoica nem vingativa: é crítica, social e política. Há traços de sofrimento emocional mal processado, mas compensados por engajamento simbólico com causas sociais e produção discursiva (narração, denúncia, articulação).

Sua maior fragilidade psíquica parece estar na solidão moral do justo que recusa tanto o Estado quanto o crime — um território perigoso para quem resiste.

O PCC e a curva de homicídio no Triângulo Mineiro

Um estudo do impacto na sociedade mineira do PCC que começou em abril de 2021 e deve se encerrar em setembro de 2022.

Gabriel Feltran, é o autor dos livros Irmãos: Uma história do PCCFronteiras de tensão: Política e violência nas periferias de São Paulo, além de ter colaborado em vários outros, é reconhecidamente um dos maiores especialistas quando o assunto é Primeiro Comando da Capital.

Atualmente, Gabriel é o pesquisador responsável por um estudo sobre o impacto da facção paulista no Triângulo Mineiro, no qual orienta Thalia Giovanna Marques de Sousa pelo Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR):

Tragédia e transformação: o PCC e as curvas de homicídio no Triângulo Mineiro/MG

Há vinte anos, o Primeiro Comando da Capital, passou dominar hegemonicamente o mundo do crime no estado de São Paulo, o que reduziu em mais de 66% as taxas de homicídio no estado.

A facção nasceu e se fortaleceu sob um Estado policialesco que utilizou como política de segurança pública o encarceramento em massa das populações periféricas.

Que a facção PCC 1533 também modificou as dinâmicas criminais de modo notável em Minas Gerais não resta dúvida, mas como e quais foram as consequências, como era e no que se tornou o mundo do crime, e como se dará essa expansão, são algumas questões que serão estudadas para se buscar, enfim a resposta para algumas perguntas:

  • Qual a relação entre a flutuação das taxas de homicídios no Triângulo Mineiro e a presença do PCC na região?
  • Como a expansão do PCC para o Triângulo Mineiro impacta as taxas de homicídios da região, comparando três municípios: Uberlândia, Uberaba e Araguari? — Biblioteca Virtual FAPESP

A facção PCC 1533 e Aarão do Complexo de Israel

O que se pode esperar da estratégia de crescimento da Comunidade do Complexo de Israel no intrincado tabuleiro do crime organizado.

O ativista russo de direitos humanos Artemiy Semenovskiy (Артемий Семеновский) comentou no grupo de WhatsApp do site que recebeu informações que Manaus teria sido dominada pelo Comando Vermelho (CV).

Fiquei intrigado.

Há muito rola por lá a guerra entre as facções, mas a definição do conflito não me parecia estar próxima, apesar de me preocupar com a postura de grupos que antes se aliavam ao PCC: Guardiões do Estado GDE e o Bonde dos 40 B-40.

O GDE passou para a neutralidade e o B-40 tornou-se inimigo, matando integrantes e saqueando suas biqueiras do PCC, enquanto a antes poderosa Família do Norte FDN se dissolve.

Fabrício dos Santos Chaves, um dos líderes da Família do Norte, se escondeu com a família em Teresina após a FDN ter desmoronado, mas acabou sendo preso juntamente com sua mãe dele e outras seis pessoas por homicídios cometidos no Maranhão.

A resposta para essa intrincada e bilionária disputa pelo poder e pelos negócios nas regiões Norte e Nordeste pode estar nas comunidades do Complexo de Israel CDI no Rio de Janeiro, como me fez ver o canal Band Net News.

O Complexo de Israel é um grupo criminoso carioca, contrário ao Comando Vermelho, e que, apesar de manter parceria com Primeiro Comando da Capital, é considerado um grupo neutro e não aliado, assim como o GDE.

Comandado pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa (Peixão ou Aarão), o Complexo de Israel tem suas bases nas comunidades da Zona Norte do Rio de Janeiro: Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas, e Pica-pau.

fonte: Canal Band Net News

O futuro do PCC nas mãos do Complexo de Israel

Aarão está mudando o desenho do crime organizado no Brasil.

A neutralidade de Aarão em relação ao PCC, permite que:

  • acesse seus produtos como drogas, armas e cigarros;
  • aproveite sua logística de distribuição e conhecimento;
  • contato com sua liderança do crime em todos os estados e países; e
  • feche parceria com o Terceiro Comando Puro TCP, aliado fiel dos paulistas no Rio de Janeiro.

Essa situação favorece o Primeiro Comando da Capital pois enfraquece o Comando Vermelho em sua base sem ter o custo de manter uma guerra direta no território onde seu inimigo está melhor estruturado.

No entanto, o Complexo de Israel demonstra que pretende despontar como uma força nacional e para isso fechou aliança com duas facções de fora do estado:

Aarão não faz segredo que pretende criar uma rota de transporte de drogas, armas e outros ilícitos a partir do Rio de Janeiro em direção ao Norte e fazer o caminho inverso com outros produtos oriundos da Rota dos Solimões.

Com a derrocada da Família do Norte, esperava-se que o PCC tomasse com certa facilidade a Rota dos Solimões, pois enfrentaria um Comando Vermelho enfraquecido por estar sendo atacado em seu território pelo Terceiro Comando Puro e demais aliados locais da facção paulita, e milicianos que usam as polícias Militar e Civil como tropas de apoio.

A integração da Rota do Solimões e da Rota Caipira sob o monopólio do PCC concentraria o abastecimento de ilícitos dos grupos, bondes, facções e vendedores individuais, e portos para exportação em todo o país.

É possível que a pretensão de Aarão se encaixe nesse plano, pois ao unir o Terceiro Comando Puro (Rio de Janeiro), Guardiões do Estado (Ceará), e Cartel do Norte (Amazonas), cria uma rota ligando Rio de Janeiro à Manaus, ao mesmo tempo em que auxilia os paulistas no enfraquecimento do CV.

Um ex-aliado (GDE), um antigo aliado (TCP), e um novo aliado (CDN) do Primeiro Comando da Capital passam agora a girar em torno do Complexo de Israel, que se torna uma nova força aglutinadora.

Aarão do Complexo de Israel seria o novo Marcola do PCC?

O Marcola era homicida, sequestrador, roubava banco, não tinha nada a ver com a facção, mas é um homem articulado. E quando ele foi levado para o presídio de Tremembé [no interior de SP] começa a conversar com os últimos presos políticos no sistema prisional e aprende com eles sobre como estruturar o tráfico, a gerenciar como uma empresa, ao mesmo tempo em que vende internamente para os detentos a ideia de uma irmandade revolucionária.

desembargadora Ivana David

A prisão e morte das antigas lideranças do Primeiro Comando da Capital podem ter desarticulado seus negociadores, ou as novas lideranças paulistas estão perdendo o contato e o respeito da tropa na base.

O canal Band Net News coloca o dedo na ferida ao afirmar que “as crias do Terceiro Comando Puro … tem o estado de espírito bastante semelhante dos crias do Guardiões do Estado e do Cartel do Norte.

Renato Alves Pereira, o Carioca, um dos líderes do Primeiro Comando Puro, perseguido no Rio de Janeiro, deu fuga para Fortaleza no Ceará, mocozando-se no bairro Vicente Pinzon e nas comunidades de Rosalina, Passaré e Itaperi.

Carioca caiu no campo em que guerreavam o Comando Vermelho e os Guardiões do Estado, e estava junto a eles quando perderam o território para o CV, e teve que retornar ao Rio de Janeiro, mas levou consigo 30 GDEs.

Com esse reforço, o Terceiro Comando Puro e as tropas do Complexo de Israel buscaram expandir seus territórios, assinando na prática um pacto de sangue entre os grupos cariocas e o cearense.

A disputa pelo território no Norte do Brasil Carioca também seguiu então para Manaus, para unir forças com o Cartel do Norte de João Branco, o vulgo JB, já corria com os crias do Primeiro Comando da Capital, para derrotarem juntos o Comando Vermelho que está nas mãos de Gelson Carnaúba, o Mano Gê.

Como em toda a guerra, a disputa pela capital do Amazonas é fundamental para quem quer ter o domínio sobre a Rota dos Solimões e o canal Band Net News mostra como está a divisão do território:

  • Zona Leste
    • Comando Vermelho domina com focos de resistência do Cartel do Norte em: Mozinha, Gilberto Mestrinho, São José e Tancredo Neves;
  • Zona Norte
    • Comando Vermelho domina o bairro Novo Aleixo com uma pequena área sob o domínio de um cria da Família do Norte,
    • Comando Vermelho domina a Cidade Deus e Cidade Nova com poucos focos de resistência do Cartel do Norte, e permanece em disputa o Conjunto Habitacional Viver Melhor e a Comunidade Monte Olimpo;
  • Zona Sul
    • Cartel do Norte controla com pouca resistência do Comando Vermelho em partes do: Alvorada, Morro da Liberdade, Santa Luzia, São Lázaro, São Jorge, e Vila da Prata, Parque 10 de Novembro, Colônia Oliveira Machado;
  • Zona Oeste
    • Comando Vermelho domina em especial no bairro Compensa, local onde a organização criminosa teve origem, mas tem sofrido ataques do Cartel do Norte no Carbraz, Parque São Pedro, Redenção e Bairro da Paz; e
  • Centro
    • Comando Vermelho controla com resistência no Bairro do Céu controlado por um cria chamado Marcelinho da extinta Família do Norte.

O Coroado de Manaus tem uma posição estratégica, é o bairro da Zona Leste que faz fronteira com a região central e é cheio de becos e vielas, que dificultam a a ação da polícia e facilita. — Ayrton Senna Gazel para o emtempo

“Agora é CDN. O coroado é CDN”, gritam eles. Os bandidos ainda aparecem ameaçando os jovens que estavam na quadra.

Um segundo vídeo, gravado no mesmo espaço, feito como “direito de resposta”, mostra membros da facção criminosa rival, Comando Vermelho, apagando as pichações e pintando a própria sigla no muro, também usando armas.

Graças as vitórias do Comando Vermelho sobre os crias dos Guardiões do Estado, vários deles foram para o Rio de Janeiro, onde se somaram aos crias do Complexo de Israel e do Terceiro Comando Puro atacando o CV em sua base.

Agora, com o enfraquecimento do CV carioca, os crias cearenses estão começando a buscar a independência. Nas penitenciárias de segurança máxima do Ceará já houve entrega de camisa de integrantes que se declararam “população”.

A neutralidade valeria também para as comunidades fortalezenses de : Curió, Alagadiço Novo, Lagoa Redonda, Guajerú, Coaçu e Paupina, todos na Grande Messejana, além de Moura Brasil e Itaoca; e para os municípios como Maranguape, Caucaia, Aracati, Crato, Sobral e Barreira. — BenditoJor

Ódio, Limpeza, Repetição — O Ciclo Fútil da Raiva na Polícia do Rio

O caso da chacina do Jacarezinho e uma análise sobre as possíveis consequências.

Artigo de Chris Dalby para o InSight Crime (livre tradução)

Mesmo o que parece ser um massacre liderado pela polícia dificilmente mudará a dinâmica da violência extrajudicial policial no Rio de Janeiro.

A violência é uma instituição tão natural como a própria vida humana. Decorre do nosso instinto de sobrevivência, sendo o grande motivo para o homem ter dominado a natureza. Mas essa afirmação não pretende trazer glamour à violência.

Talvez no último estágio da existência humana, a evolução definitiva seja exatamente vencer o instinto natural que nos propala a nos destruirmos mutuamente.

Conexão Teresina: uma crônica sobre a atuação do PCC no Piauí

O estranho entrou na casa, cambaleando e deixando um rastro de sangue atrás de si. Ele correu para os fundos, para o quarto da menina de nove anos. A polícia não estava muito atrás, gritando para saber onde ele estava. Eles haviam seguido o sangue. As crianças se esconderam atrás da mãe. Os policiais foram para a sala dos fundos e tiros foram disparados.

“Minha filha nunca mais vai querer dormir lá”, disse mais tarde a mãe não identificada aos jornalistas, com pesados ​​rastros de sangue visíveis atrás dela.

Os relatos dos moradores do Jacarezinho são anônimos e difíceis de verificar. Mas todos eles parecem apontar para a mesma conclusão: este foi um massacre.

Em 6 de maio, pelo menos 25 pessoas foram mortas neste bairro da zona norte do Rio de Janeiro, incluindo um policial, no que foi chamado de a pior operação policial da cidade.

No início da manhã, cerca de 200 policiais, apoiados por um helicóptero que transportava um franco-atirador, entraram na favela . A operação foi baseada em “informações concretas de inteligência” de que o Comando Vermelho (CV), uma das maiores gangues do Jacarezinho no Brasil, vinha recrutando menores para suas fileiras, segundo nota da polícia.

Mas, de acordo com depoimentos de testemunhas coletados pela mídia brasileira e internacional, muitos dos mortos foram baleados dentro de casas, muitas vezes não nas suas próprias, enquanto tentavam fugir sem oferecer resistência.

O membro da comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Joel Luiz Costa, postou no Twitter que visitou várias casas no Jacarezinho e viu evidências semelhantes de execuções extrajudiciais em cada uma: “Casas derrubadas, tiros, execução. Não havia sinal de troca de tiros. Um menino morreu sentado em uma cadeira. Isso foi uma execução.”

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Outras organizações internacionais chegaram a uma conclusão semelhante.

“Embora as vítimas fossem suspeitas de associação criminosa (o que não foi provado), execuções sumárias como esta são totalmente injustificadas. A polícia tem o poder de prender, mas os tribunais têm o dever de processar e julgar os suspeitos de cometer crimes”, disse a Anistia Internacional em um comunicado.

Análise de crime InSight

As mortes no Jacarezinho não devem fazer diferença, apesar do grande clamor local e internacional.

Existe um padrão escuro. Em junho de 2018, Marcos Vinicius, 14, foi morto a tiros de um helicóptero da polícia enquanto vestia seu uniforme escolar no bairro carioca da Maré . Uma investigação foi iniciada, mas nada aconteceu.

Em setembro de 2019, uma menina de 8 anos foi baleada nas costas e morreu enquanto voltava para casa em uma van com sua mãe no bairro do Alemão. Uma investigação foi iniciada, mas nada aconteceu.

Esses incidentes de fogo cruzado são comuns, assim como a falta de investigação que se segue. Em 2021 até agora, o Rio viu 30 casos em que três ou mais pessoas foram mortas a tiros, para um total de 139 mortos, de acordo com o Instituto Fogo Cruzado do Brasil. Mas as autoridades se recusam a controlar a polícia.

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Vários fatores consagraram uma cultura de impunidade nas forças de segurança do Rio de Janeiro.

Em primeiro lugar, as declarações de certos políticos e jornalistas glorificaram o assassinato como uma medalha de honra para a polícia. O presidente Jair Bolsonaro deu carta branca às forças de segurança, e o ex-governador do Rio, Wilson Witzel, certa vez disse que a polícia deveria ter permissão para “massacrar … bandidos” de helicópteros.

Mesmo depois dos assassinatos do Jacarezinho, Tino Junior, apresentador do Balanço Geral RJ, programa popular da cidade, deu início a uma tempestade no Twitter, parabenizando os policiais por suas ações, incentivando-os a realizar mais batidas e até sugerindo às mães de as vítimas devem ser “aliviadas”.

“Devido à postura belicosa de “durão com o crime” do presidente, muitos políticos de direita, policiais e membros do público se sentem encorajados, pedindo mais repressão, não menos. Há uma proporção considerável de brasileiros que apoia a repressão aos bandidos . De fato, há um número desconcertante de cidadãos que apoiam chacinas como as que ocorrem no Jacarezinho”, disse à InSight Crime Robert Muggah, fundador e diretor de pesquisa do Instituto Igarapé, um think-tank brasileiro que pesquisa segurança no Brasil.

A palavra chacina não tem uma conotação jurídica como homicídio ou latrocínio, sendo representada no âmbito jurídico como “homicídios múltiplos”. Chacina, portanto, é uma expressão popular que desencadeou um acúmulo de violência contra um grupo de pessoas estereotipadas, seja pela classe social, cor da pele ou ação política.

Camila de Lima Vedovello e Arlete Moysés Rodrigues+

De acordo com Muggah, somente uma mudança real na liderança política pode trazer ações substanciais para melhorar a situação.

“É necessária uma comissão de inquérito sobre o massacre, incluindo a destruição de provas. Ao mesmo tempo, deve haver uma reinstalação dos mecanismos de supervisão da polícia, incluindo restrições mais fortes ao uso discricionário da força, penas disciplinares mais duras, o uso de câmeras corporais e treinamento e apoio para policiais que sofrem de doenças psicológicas. Estes são imensamente desafiadores devido à força das associações policiais, bem como à oposição política mais ampla”, acrescentou.

Em segundo lugar, os esforços dos tribunais para reprimir a violência são rotineiramente ignorados ou rejeitados. Em junho de 2020, o Supremo Tribunal Federal do Brasil proibiu as batidas policiais no Rio de Janeiro durante a pandemia COVID-19. O Ministro Edson Fachin determinou que os ataques só poderiam acontecer em “casos absolutamente excepcionais”.

Embora as operações policiais tenham diminuído significativamente por alguns meses, agora elas voltaram aos níveis anteriores à pandemia. As incursões caíram 64% com relação ao ano anterior entre junho e setembro de 2020, mas a partir de outubro de 2020, aumentaram rapidamente para pelo menos um por dia. Entre junho e março de 2021, a polícia do Rio matou 797 pessoas, segundo relatório da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“É um absurdo. A mais alta corte toma uma decisão e as autoridades políticas não a respeitam, violam-na deliberadamente. Isso é um risco para o Estado de Direito no Brasil”, disse Daniel Hirata, professor de sociologia e autor do relatório, ao Guardian.

De acordo com Benjamin Lessing, professor da Universidade de Chicago que examina o crime organizado, a decisão da Suprema Corte ainda foi um passo na direção certa.

“É difícil imaginar uma decisão judicial que proibisse totalmente os policiais de entrar nas favelas. Devia haver exceções. Mas a violência caiu meses após a decisão. De modo geral, o método que mais consistentemente reduz a violência no Rio é limitar as operações policiais”, disse Lessing à InSight Crime.

“É difícil provar que a operação foi feita deliberadamente para beneficiar as milícias. Mas isso os beneficia, e se em alguns meses o Jacarezinho virar território de milícia, devemos olhar para trás para esse massacre como um passo importante”, disse Lessing.

“Independentemente disso, milícias em todos os lugares podem usar isso como uma forma de obter apoio civil. Esses tiroteios não acontecem em áreas controladas por milícias. Assim, as milícias podem prometer aos moradores que os tiroteios não acontecerão mais”, acrescentou.

“Acho que elas são piores do que as facções. No caso da facção fica muito claro quem é o bandido e quem o mocinho, a milícia transita entre o Estado e o crime, o que é bem pior.”

desembargadora Ivana David

No Jacarezinho, os protestos começaram, com moradores indignados exigindo uma investigação. A polícia afirmou que a operação foi justificada, que os protocolos foram seguidos e coordenados com a Delegação de Proteção à Criança e ao Adolescente do Rio (DPCA). A proteção deles pode não ser muito consoladora para a menina de nove anos que viu um homem morto a tiros em seu quarto.

Com certeza, há uma longa história de crianças sendo recrutadas por grupos do crime organizado no Brasil, na maioria das vezes usadas como mensageiros de drogas. Já em 2002, a Organização Internacional do Trabalho informou sobre crianças sendo recrutadas em gangues de drogas no Rio e usadas como traficantes, vigilantes ou para embalar drogas. Em 2020, o governo do estado de Goiás informou que foram interceptadas mensagens dentro de um centro de detenção de jovens, mostrando adolescentes recrutados pelo CV e seus rivais do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mas é incerto qual impacto essa invasão terá na capacidade do CV de fazê-lo no futuro, se houver.

Artigo de Chris Dalby para o InSight Crime (livre tradução)

O PCC Koringa desacreditou que seria preso

O PCC acreditava estar protegido pelo poder da facção Primeiro Comando da Capital.

Chris Dalby para o InSigh Crime — em tradução livre

O suposto líder do PCC no Paraguai, conhecido como “Koringa”, foi extraditado ao Brasil depois de alguns dias tumultuosos nos quais membros da organização criminosa paulista encenaram uma tentativa ousada, mas sem sucesso, de livrá-lo da prisão.

Giovanni Barbosa da Silva, vulgo “Koringa”, foi detido no dia 9 de janeiro pela polícia paraguaia na cidade fronteiriça de Pedro Juan Caballero. Segundo nota da Procuradoria-Geral da República, ele vinha sendo procurado por autoridades do Paraguai desde junho de 2020 sob a acusação de organização criminosa, narcotráfico e tráfico de armas. Barbosa da Silva era considerado o comandante paraguaio do Primeiro Comando da Capital (PCC), informaram as autoridades.

Sua importância para a organização ficou evidente quando, poucas horas após sua prisão, na manhã de 10 de janeiro, cerca de 40 assaltantes armados atacaram a instalação policial onde Barbosa da Silva estava detido. Inicialmente, eles fizeram três policiais como reféns, mas as forças de segurança conseguiram revidar, resgatar seus colegas e capturar dois dos agressores, de acordo com um relatório da EFE citando fontes policiais.

leia também: A ascensão do PCC: Expansão no Brasil e além

Mais tarde naquele dia, Barbosa da Silva foi entregue às autoridades brasileiras na ponte que separa os dois países em Foz do Iguaçu e depois transferido para uma penitenciária federal. Os outros dois membros do PCC presos foram mantidos sob custódia no Paraguai.

Na noite de 11 de janeiro, autoridades brasileiras rastrearam vários integrantes do PCC que participaram do ataque para libertar Barbosa da Silva até uma casa em Ponta Porã, cidade próxima à fronteira com Pedro Juan Caballero, segundo informações da mídia. Houve um tiroteio que acabou se espalhando pelas ruas e deixou oito membros da facção mortos.

A violência continuou ao longo da fronteira com um policial sendo baleado e morto em 12 de janeiro em Pedro Juan Caballero. O mesmo oficial, Fredy César Diaz, teria ajudado a repelir a tentativa de resgate alguns dias antes.

Segundo informes da polícia brasileira, Barbosa da Silva é muito próximo de Anderson Lacerda Pereira, vulgo “Gordão”, suspeito de ser um grande narcotraficante do PCC, responsável por lavar dinheiro da facção e aficionado por arte — já esteve ligado ao furto de obras de Pablo Picasso.

Antes de se instalar no Paraguai, Barbosa da Silva residia em São Paulo, onde supostamente dirigia as operações do PCC na zona norte da cidade e onde foi ferido em um tiroteio em 2017, segundo reportagem do UOL.

Análise de crime InSight

A longa investigação das autoridades brasileiras e paraguaias que levou à identificação e prisão de Barbosa da Silva, bem como à tentativa de resgatá-lo, deixa poucas dúvidas de que ele era um dos principais operadores do PCC no Paraguai.

Koringa ignorou os contínuos e significativos golpes que a facção vinha colecionando, crente que estaria protegido pelo poder da facção Primeiro Comando da Capital.

Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, vulgo “Minotauro”, outro líder do PCC no Paraguai foi preso em fevereiro de 2019, se bem que continuava a exercer influência significativa sobre as operações da organização criminosa de dentro da prisão.

leia também: São Paulo, Paraguai e além: o poder de crescimento do PCC

As forças de segurança paraguaias prenderam dezenas de integrantes do Primeiro Comando da Capital, muitas vezes graças à inteligência de seus colegas brasileiros, mas a organização criminosa paulista costuma aproveitar as prisões para estender sua influência e recrutar novos membros dentro das prisões.

Em janeiro de 2020, 75 faccionados do PCC conseguiram abrir um túnel para fora de uma prisão em Pedro Juan Cabellero — o ministro da Justiça do país acredita que a gangue pode ter pago US $ 80.000 a funcionários da prisão para permitir a fuga.

A incapacidade do Paraguai em avançar na luta contra o Primeiro Comando da Capital permitiu a organização criminosa transformar grande parte do país em base de operações, a partir da qual supre de cocaína o mercado brasileiro.

Hoje, o Brasil se tornou o segundo maior mercado do mundo depois dos Estados Unidos, com dois milhões e oitocentos mil consumidores, obrigando o Primeiro Comando da Capital a desenvolver uma cadeia logística que garantisse o fluxo constante, seguro e em grande escala do produto.

Com integrantes do PCC operando através da fronteira com virtual impunidade, o próximo Bonitão pode não demorar muito para surgir.

Escuta telefônica do PCC — um registro histórico

Diálogo entre integrantes do Primeiro Comando da Capital são um registro histórico de como se deu a expansão da facção paulista.

Há exatos quatorze anos, o repórter Fábio Serapião do jornal O Estado de São Paulo, trouxe a público escutas telefônicas envolvendo presos do Primeiro Comando da Capital.

Não é apenas uma reportagem, é um registro de histórico incluído e disponibilizado na Biblioteca Digital do Senado Federal — os diálogos ocorreram em março de 2014.

Inimigos tiveram tempo para fugir, trocar a camisa ou se converter

Um dos diálogos ocorre entre Sumô e Taylor e mostra que antes de atacar os inimigos dentro do Presídio de Monte Cristo em Roraima, foi dado um prazo de 40 dias para que os inimigos decidissem deixar o presídio — e 145 aproveitaram para fugir.

PCC Sumô (Ozélio de Oliveira) o “geral do estado de Roraima” que estava preso na Casa de Custódia de Piraquara no Paraná, e o PCC Taylor (Diego Mendes de Andrade) que tinha a missão de “pregar a filosofia da família 1533” e arregimentar novos integrantes dentro da Penitenciária Federal de Mato Grosso do Sul, e uma outra com o PCC

Sumô: Quando nós banimos ali o Estado (das prisões de Roraima) a gente pregou a nossa ideologia, que é a paz, justiça, liberdade, igualdade e união, muitos ali tiveram o direito de pular o muro, o outro saiu até aqui no Fantástico irmão, pularam. Quantos que pularam no total ali em 40 dias ali, oh Taylor?

Taylor: 145 irmãos, 145 meu padrinho.

Sumô: 145 só pros irmão ter uma ideia como o barato foi louco. Hoje é … uns quartel do lado porque o barato ficou louco mermo.

Em outra conversa no fim do mês de março daquele ano, Sumô fala com Wax Nunes de Lima, um “salveiro” do PCC, responsável pela transcrição, transmissão e salvaguarda dos “salves” emitidos pelo comando da facção. Os dois falam sobre como conseguir celulares nas prisões. Sumô comenta a facilidade para se conseguir telefone nos presídios de Roraima e diz que onde está preso, no Paraná, são “somente” dois celulares por galeria.

“Eu morro de inveja de vocês aí que todo mundo tem um, isso aqui custa 5 mil real (sic) um aqui dentro moleque”, explica Sumô. “Caro que só né! Padrinho, aqui 5 mil é que nós paga pro cara comprar pra nós aparelho”, responde Wax.

Outra conversa de maio, de um integrante da facção criminosa apontado como “Vandrinho”, revelou a negociação de armas de dentro da cadeia. Segundo a PF, o traficante usa os termos “abacaxi” e “canetas” para se referir a granada e pistolas, respectivamente.

Na mesma interceptação, Vandrinho afirma que a facção criminosa precisa medir forças com a polícia. “Porque parceiro nós tem de somar contra a opressão, contra esses bota preta aí parceiro (sic)”, afirma o traficante.

leia a reportagem na íntegra no site do Senado Federal

Covid-19: O tráfico de drogas na quarenta, no Brasil e no mundo

O Primeiro Comando da Capital e outras organizações criminosas se fortaleceram durante os fechamentos das cidades por conta do Coronavírus.

Douglas Farah, presidente da consultoria americana IBI Consultant, afirma que o crime organizado sairá fortalecido e capitalizado dessa crise, e terá melhores condições de adquirir negócios legais e ampliar suas atividades ilícitas se aproveitando da desorganização das forças políticas e de repressão ao crime…

… incluindo as áreas onde tradicionalmente essas organizações criminais transnacionais (TOC) não atuam, como Chile e Argentina. Entre as TOC que devem se consolidar com a Covid-19 estão a MS-13, uma gangue de rua que nasceu em Los Angeles (EUA), mas tem raízes em El Salvador, e o PCC (Primeiro Comando da Capital), no Brasil e também no Paraguai.

site blog do Nélio

As biqueiras seguiram abastecidas, e os clientes não foram impedidos de comparecer. Graças ao presidente Bolsonaro não houve lockdown e o fechamento do comércio foi frouxo, parcial e por pouco tempo.

Governadores avisaram que fariam barreiras nas estradas, mas o governo federal bloqueou a iniciativa, impedindo a ação nas estradas federais, e contando com apoio tácito dos policiais estaduais e do movimento dos caminhoneiros, bases do bolsonarismo, que inviabilizaram a iniciativa nas estradas estaduais.

Enquanto as atividades legais e os indivíduos tiveram interrupção em seus empreendimentos, as organizações criminosas mantiveram seus negócios, as organizações criminosas mantiveram-se ativas.

Juntou-se a essa facilidade logística que não ocorreu em outros países que implantaram um rígido lookdown controle nas estradas, à natural experiência em burlar as restrições e negociar: prazos e formas de recebimento.

O Promotor de Justiça Lincoln Gakiya confirmou que as exportações gerenciadas pela facção Primeiro Comando da Capital a partir do porto de Santos para a Europa e África não tiveram significativa interrupção por problemas logísticos…

… mas como ficaram os negócios em outros locais onde o presidente da República não deu uma mãozinha para os irmãos?

Os pesquisadores do Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP) respondem no artigo What Lockdown? World’s Cocaine Traffickers Sniff at Movement Restrictions, disponibilizado pelo site InSight Crime (leia no original).

Fechamento? Fala sério! O comércio internacional de drogas em tempos de pandemia.

Quando uma onda de infecções por coronavírus atingiu a Itália no final de março, Rocco Molè, um membro da organização criminosa ‘Ndrangheta, enfrentou um dilema.

Ele tinha um estoque 537 kg de cocaína, contrabandeados recentemente para o porto de Gioia Tauro, no sul da Itália, que seu clã controla. Mas, devido aos bloqueios trazidos para controlar o vírus, ele só podia mover pequenas quantidades da droga de cada vez para o norte, em direção aos usuários europeus de cocaína.

Então ele decidiu enterrar o esconderijo em um bosque de limão.

O incidente relatado em uma declaração da polícia italiana mostra a situação enfrentada pelos contrabandistas de cocaína, já que a pandemia global aumentou as fiscalizações nas rotas de transporte, forçando a interrupção das redes usuais de contrabando e distribuição, mas também demonstra a flexibilidade do comércio ilegal, que manteve os negócios em expansão, enquanto muitas atividades legais do mundo estavam impedidas de trabalhar.

No caso de Molè, a aposta acabou sendo um erro caro, de acordo com o comunicado de 28 de março. A polícia italiana, realizando verificações de bloqueio, viu quando um motorista desviou da barreira e o seguiu até o bosque onde ele havia enterrado os tijolos embrulhados em plástico. Ele agora está preso, acusado de tráfico de drogas.

Mas os repórteres da OCCRP descobriram que a indústria de cocaína do mundo – que produz cerca de 2.000 toneladas por ano e produz dezenas de bilhões de dólares — se adaptou melhor do que muitas outras empresas legítimas. A indústria se beneficiou dos enormes estoques de drogas e insumos que havia antes da pandemia e de sua ampla variedade de métodos de contrabando. Os preços de rua em toda a Europa aumentaram em até 30%, mas não está claro quanto disso se deve a problemas de distribuição e quanto às quadrilhas de traficantes que tiram proveito dos clientes locais.

O que está claro é que a cocaína continuou a fluir da América do Sul para a Europa e a América do Norte. As rotas de tráfico fechadas foram substituídas por novas e as vendas nas ruas e eventos foram substituídas por entregas de porta em porta.

Na Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína, bloqueios e esforços de erradicação do governo reduziram parte da produção, enquanto as restrições de viagens fecharam algumas rotas de exportação significativas, como lanchas. Nos mercados de destino na Europa e nos Estados Unidos, as autoridades ainda estão apreendendo grandes quantidades com frequência notável – um sinal de que os traficantes de drogas ainda estão fazendo um comércio vigoroso.

Por mais de um mês, os repórteres da OCCRP na Europa e na América Latina acompanharam anúncios de apreensões e conversaram com policiais, analistas e fontes do comércio de cocaína.

Eles descobriram que o um setor se mostrou ágil em encontrar maneiras de contornar as medidas globais sem precedentes de bloqueio e quarentena. O comércio de cocaína está prosperando em um mundo onde até mesmo os pilares do petróleo estão enfrentando grandes interrupções.

Como muitos países começam a reabrir parcialmente suas economias, os traficantes estão em posição de se tornarem mais poderosos do que nunca. Com as economias em perigo e muitas empresas enfrentando a ruína, os narcotraficantes estão capitalizados e serão capazes de comprar negócios legais.

Um helicóptero da polícia colombiana patrulha uma região produtora de coca no departamento de Nariño, no sudoeste do país. Crédito: Juan Manuel Barrero Bueno, c / o OCCRP

Os esconderijos estão em toda parte

A pandemia afetou inicialmente a produção nos países da América do Sul, onde as folhas de coca são cultivadas e transformadas em cocaína. Mas essa queda na produção nunca reduziu o comércio, porque a maioria das quadrilhas de traficantes tem grandes quantidades de drogas armazenadas em mãos.

No Peru, onde aproximadamente 20% da cocaína é produzida no mundo, os bloqueios de saúde pública impostos pelas comunidades locais paralisaram o cultivo e a produção de coca, de acordo com Pedro Yaranga, analista de segurança peruano.

“O que em quase quatro anos a agência de controle de drogas não conseguiu, o coronavírus fez em poucas semanas”, disse ele.

Na Bolívia, onde se produz cerca de um décimo da coca do mundo, o quadro é invertido, de  acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime  (UNODC). Nesse país, “o COVID-19 está limitando a capacidade das autoridades estatais de controlar o cultivo de coca, o que pode levar a um aumento na produção de coca”, disse o UNODC em um relatório de 7 de maio.

Na Colômbia, onde 70% da cocaína do mundo é produzida, o quadro é mais confuso. A polícia antinarcóticos erradicou mais de 1.969 hectares de plantações de coca nas três semanas após os bloqueios entrarem em vigor em todo o país em 25 de março, informou a polícia antidrogas do país ao OCCRP.

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“A percepção da população é que [o governo] está aproveitando a quarentena e as pessoas presas em suas casas para erradicar a coca”, disse Jorge Elías Ricardo Rada, chefe de um sindicato que representa os interesses dos pequenos agricultores na região de Córdoba. “Eles tiram o pouco que as pessoas têm.”

Em Catatumbo, uma região próxima à fronteira com a Venezuela, “os negócios estão praticamente paralisados”, disse Giovanny Mejía Cantor, jornalista independente sediada em Ocaña, a principal cidade da região. Normalmente, a área produz coca suficiente em um ano para produzir 84 toneladas de cocaína pura, mas isso diminuiu para um pouco.

“As comunidades entraram na estrada e criaram bloqueios para impedir que as pessoas entrassem em sua vila por medo de coronavírus”, disse Mejía, acrescentando que isso impediu o movimento de matérias-primas necessárias na produção, incluindo folhas de coca e produtos químicos.

Um fazendeiro de coca recolhe folhas de coca em Guaviare, Colômbia. Crédito: Juan Manuel Barrero Bueno, c / o OCCRP

O maior cartel de exportação do país, no entanto, não parece ter sofrido. Membros do clã do Golfo da Colômbia disseram que puderam recorrer aos estoques guardados antes da pandemia, bem como folhas de coca de fazendas menores que ainda estão funcionando e não exigem uma grande força de trabalho.

O reduto do Clã do Golfo fica em Urabá, no noroeste da Colômbia, uma região estratégica com plantações de coca, laboratórios e portos de exportação. O grupo normalmente tem cerca de 40 a 45 toneladas de cocaína processada armazenada naquela área, cerca de dois meses de exportações, de acordo com um membro do Clã do Golfo, que pediu para ser identificado como “Raúl”. Ele se recusou a ser identificado porque isso o colocaria em perigo físico e legal.

“Sempre houve um estoque, é uma cadeia muito organizada. É a maneira de controlar tudo, especialmente o preço. Os estoques estão em praias como Tarena [perto da fronteira com o Panamá], plantações de banana, na selva. Os esconderijos estão por toda parte”, disse Raúl.

Um relatório de inteligência da Marinha colombiana de abril obtido pelo OCCRP também concluiu que os cartéis provavelmente estavam exportando cocaína armazenada antes da crise do COVID-19.

A marinha colombiana também descobriu que os produtores de cocaína se adaptaram facilmente aos desafios na movimentação de seus produtos. Os Estados Unidos, no norte, são o maior cliente individual.

Tradicionalmente, os contrabandistas usavam lanchas pequenas e muito rápidas, bem como embarcações de pesca e submarinos, para percorrer sua rota norte. Os bloqueios tornaram esses métodos mais difíceis de usar, principalmente por razões logísticas. Então, em vez disso, os contrabandistas estão voltando para rotas mais antigas e lentas, que geralmente são divididas em partes.

Com base em várias fontes no norte da Colômbia, incluindo Raúl e um plantador de coca, a OCCRP conseguiu traçar aproximadamente seis rotas novas ou revividas que se acredita serem atualmente usadas pelos traficantes. Isso inclui rotas para o Panamá através de áreas indígenas.

Membros do povo indígena Kuna estão trazendo drogas por terra, fazendo pequenos barcos subirem as águas costeiras. No Darien Gap, uma selva espessa e montanhosa na fronteira da Colômbia e Panamá, a cocaína está sendo transportada por caravanas de até duas dúzias de carregadores de mochila.

Credit: Elena Mitrevska, c/o OCCRP

As exportações para o outro maior mercado de cocaína do mundo, a Europa, sofreram ainda menos interrupções. Diferentemente das exportações para os Estados Unidos, a cocaína com destino à Europa normalmente é transportada em cargas aéreas e marítimas legais, especialmente junto a produtos frescos de movimento rápido, como flores e frutas. Este último, como alimento, continuou a se mover desimpedido durante a pandemia, ajudando a alimentar o hábito de cocaína da Europa, com 9,1 bilhões de euros por ano.

A indústria de banana da Colômbia, por exemplo, foi isenta de medidas locais de bloqueio, permitindo que a cocaína continue se movendo pela cadeia de suprimentos da colheita.

[Qualquer pessoa] nas autoridades ou na segurança que se intromete nessa rota cai”, disse Rául, membro do Clã do Golfo, acrescentando que as pessoas que são pagas para facilitar o contrabando de cocaína têm um incentivo para manter as drogas fluindo.

“Todo mundo come”, disse ele.

A terceira principal rota de exportação da América do Sul – na qual cocaína da Colômbia, Peru e Bolívia é transportada por terra e depois enviada do outro lado do Atlântico a partir do porto brasileiro de Santos – ainda está em operação, disse Lincoln Gakyia, promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo encarregado de combater o crime organizado.

O Primeiro Comando da Capital – facção PCC 1533, conseguiu manter alguns de seus suprimentos, mas não está claro quanto tempo seu estoque vai aguentar, disse Gakyia.

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No México, os cartéis que controlam o tráfico para o norte nos Estados Unidos floresceram sob condições de bloqueio. As apreensões na fronteira dos EUA aumentaram mais de 12% nas duas semanas após a imposição das restrições de viagem, indicando tráfego intenso contínuo, segundo dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA.

Os traficantes de drogas “abandonaram o método tradicional de enviar remessas frequentes, porém pequenas, através da fronteira sudoeste, para remessas menos freqüentes, mas maiores”, disse a DEA em resposta às perguntas dos repórteres, acrescentando que não está claro se esse foi o resultado do COVID-19 ou outros fatores.

Os cartéis mexicanos usaram a crise como uma oportunidade de relações públicas. As pessoas associadas aos cartéis, incluindo a filha do chefe do cartel de Sinaloa, Joaquín “Guzmán, conhecido como El Chapo, distribuíram publicamente alimentos e outros itens essenciais para os pobres.

Enquanto isso, a violência contra as drogas do país continua inabalável, com uma média de 80 vidas por dia.

“Eles podem estar dando compras para as amigas da mãe de Chapo, mas isso não significa que se importem com o bem do país”, disse Guillermo Valdés, ex-chefe da agência nacional de inteligência do México.

A Marinha da Colômbia mostra o resultado de uma apreensão de cocaína no Oceano Pacífico em 17 de abril de 2020. Crédito: Marinha da Colômbia, c / o OCCRP

Recordes de apreensões de drogas na Europa

Na Europa, a pandemia provocou um aumento nas grandes apreensões nos portos e acelerou uma tendência que está tornando a Espanha um ponto de entrada cada vez mais importante para o suprimento de cocaína no continente. Apesar de um grande número de apreensões, os traficantes de drogas na Europa não estão vendo grandes interrupções no fornecimento de cocaína.

Em março e abril, a Espanha apreendeu mais de 14 toneladas de cocaína em remessas de entrada – um número seis vezes maior que o mesmo período do ano anterior, disse Manuel Montesinos, vice-diretor de vigilância aduaneira da Agência Espanhola de Impostos.

“Estamos muito impressionados com o ritmo frenético”, disse Montesinos. “Quase todos os dias recebemos alertas de detecções de operações suspeitas.”

Em um exemplo, as autoridades espanholas apreenderam quatro toneladas de cocaína de um navio a cerca de 555 km da costa. O navio com bandeira do Togo era um navio de suprimento offshore, não projetado para uma viagem em alto mar. No entanto, o navio havia sido ancorado no Panamá pela última vez e navegou através do Atlântico, em direção à costa galega da Espanha, com 15 pessoas a bordo.

Pelo menos sete outras grandes remessas de mais de 100 kg foram apreendidas na Espanha, principalmente em frete de entrada. Quatro deles pesavam mais de uma tonelada.

Um homem adiciona cal às folhas de coca, juntamente com outros produtos químicos, para fazer pasta de coca em Guaviare, Colômbia. Crédito: Juan Manuel Barrero Bueno, c / o OCCRP

Ramón Santolaria, chefe de narcóticos da polícia nacional da Espanha na Catalunha, disse que os traficantes de cocaína podem ter assumido erroneamente que a pandemia reduziria o monitoramento nos portos.

Os cartéis “precisam continuar exportando”, afirmou Santolaria. “Eles são como uma empresa. Eles não podem armazenar tudo em seus países, pois seria muito arriscado.”

Enquanto os portos da Espanha tiveram um boom de cocaína, a Itália ficou em silêncio como ponto de chegada, apesar de abrigar grupos da máfia que dominam o comércio de cocaína na Europa.

As apreensões caíram 80% nos meses de março e abril em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com Riccardo Sciuto, diretor da Direção Central dos Serviços Antidroga (DCSA), a agência antidrogas da Itália.

A cocaína destinada ao mercado local agora está chegando por estrada do resto da Europa. “A Itália não recebeu muito via portos ou aeroportos e é porque durante o bloqueio os controlamos muito”, disse Marco Sorrentino, chefe do departamento anti-máfia da polícia financeira da Itália, a Guardia di Finanza.

Grupos criminosos italianos transferiram suas operações para a Espanha, onde possuem grandes “colônias”, segundo Sorrentino.

“As máfias italianas e seus parceiros enviaram cocaína principalmente para Algeciras ou Barcelona, ​​e de lá a transportaram sobre rodas para o resto da Europa e para a Itália”, disse ele. “Como cobertura, eles usavam caminhões cheios de frutas frescas ou também farinha de soja”, que se assemelha a cocaína.

Nos grandes portos do norte da Europa de Roterdã, na Holanda, e Antuérpia, na Bélgica, a cocaína continua chegando como antes, escondida em remessas de bens de consumo legais, segundo as autoridades locais.

“Não vamos ter ilusões, os criminosos continuarão sem piedade”, disse Fred Westerbeke, chefe de polícia de Roterdã.

“Vemos ainda mais atividade no porto. Nas últimas semanas, prendemos muitas pessoas que esvaziam os contêineres onde as drogas estão ocultas”, disse ele, acrescentando que houve mais de 40 prisões desde que os bloqueios entraram em vigor.

Talvez como resposta ao aumento das apreensões, o preço de venda da cocaína tenha aumentado de 20 a 30% durante o período de bloqueio, de meados de fevereiro até o final de abril, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Sciuto da DCSA. Seis meses atrás, grupos criminosos na Europa pagavam de 25.000 a 27.000 euros por um quilo de cocaína; agora eles desembolsam entre 35 mil e 37 mil euros, disse ele, acrescentando que a polícia espanhola notou a mesma tendência.

Credit: Elena Mitrevska, c/o OCCRP

Disque drogas em tempos de pandemia e a Dark Web

Nas ruas, os bloqueios causaram estragos nas vendas de cocaína – mas também não conseguiram parar o comércio. Mas, em alguns casos, pelo menos, as adaptações dos traficantes podem realmente colocá-los em uma posição mais lucrativa do que antes, pois os usuários de cocaína estão desesperados e confinados em casa.

“Embora não faltem produtos, aumentaram um pouco os preços e estão reduzindo mais”, disse Sorrentino, da Guardia di Finanza, da Itália, referindo-se ao processo de diluição da cocaína com substâncias mais baratas.

Os traficantes de cocaína e usuários regulares em Roma disseram que demorou várias semanas para que novos métodos de distribuição entrassem em vigor depois que medidas rigorosas de bloqueio tornaram o comércio regular muito arriscado.

A solução? Entregá-lo aos clientes sob a forma de pedidos de alimentos ou transportados por trabalhadores essenciais, carregando documentos que lhes dão permissão para circular livremente. Os revendedores também mantiveram posições em filas socialmente distanciadas fora dos supermercados – um dos únicos lugares permitidos para se reunir em público sob as rígidas regras de bloqueio da Itália, que começaram a diminuir no início de maio.

As restrições de bloqueio também levaram a um aumento no comércio pela dark web, parte da internet que não é visível aos mecanismos de pesquisa e deve ser acessada usando um software especial que oculta as identidades dos usuários.

“Vimos um aumento da dark web sendo usado também na Itália e existe a regra da ‘coronasale’ – descontos para a pandemia do COVID-19”, explicou Sorrentino, acrescentando que as grandes quantidades oferecidas indicaram que os descontos eram destinado a revendedores e não a usuários individuais.

As mãos de um apanhador de folhas de coca em Guaviare, Colômbia. Crédito: Juan Manuel Barrero Bueno, c / o OCCRP

As propagandas de “cocaína colombiana” aumentaram junto com o número de vendedores nos dois mercados, onde os traficantes oferecem um grama de 80% de cocaína pura por US $ 80. O preço de um grama é o mesmo, mas a pureza tende a ser muito menor.

Muitos clientes pareciam satisfeitos: “Excelente serviço em tempos difíceis”, escreveu um deles.

Os principais mercados da Dark Web registraram um aumento nas vendas de aproximadamente 30% desde que as medidas de bloqueio começaram a entrar em vigor em todo o mundo, mas não é possível identificar a origem dos vendedores, de acordo com Giovanni Reccia, chefe da Unidade Especial de Prevenção de Crimes Online da Guardia di Finanza da Itália. A maioria deles declara estar sediada na Holanda, Alemanha e Reino Unido.

Assim como antes da crise, a cocaína representava cerca de 15% de todas as vendas de drogas da Dark Web, atrás da maconha, que possui um quarto do mercado on-line de drogas ilegais.

O resultado do comércio contínuo de cocaína, segundo Sorrentino, da Guardia Finanza, é que os grupos do crime organizado provavelmente sairão da crise com muito dinheiro em uma economia onde muitos outros estão lutando para sobreviver.

“Cidadãos particulares que precisam e não têm acesso a um empréstimo bancário serão vítimas de agiotas”, disse ele. “Mas o que mais nos preocupa é que as empresas lícitas possam estar em necessidade e ser abordadas por organizações da máfia que se propõem a se tornar acionistas minoritários”.

“E quando isso acontece, eles realmente assumem a empresa inteira”, alertou Sorrentino.


O artigo original da OCCRP foi escrito por Cecilia Anesi, Giulio Rubino, Nathan Jaccard, Antonio Baquero, Lilia Saúl Rodríguez, Aubrey Belford; com reportagem adicional de Koen Voskuil, Raffaele Angius, Bibiana Ramirez, Juan Diego Restrepo E. e Luis Adorno. Esta história foi feita em colaboração com o jornal Algemeen Dagblad, na Holanda, e o VerdadAbierta.com, na Colômbia.

Leia no original no site InSigth Crime

Google Trends 2019: Facção PCC 1533

O que o Google Trends 2019 pode nos dizer sobre as mudanças pelas quais passou o Primeiro Comando da Capital no Brasil de Bolsonaro?

A facção PCC 1533 na era Bolsonaro

Se até 2018 não se podia falar em “crime organizado” sem mencionar a facção PCC 1533, neste ano ela ficou somente em 14º lugar entre os “principais assuntos relacionados” e sequer apareceu no quadro das “principais pesquisas relacionadas”.

Além disso, os usuários do Google, pela primeira vez, não vincularam o nome da facção paulista ao termo “organização criminosa” ― em 2018 o PCC estava em 16º lugar nos “principais assuntos relacionados”.

Nada acontece por acaso, e essa invisibilidade e desinteresse do usuário do Google é consequência do amadurecimento da organização e da ascensão ao poder do presidente Jair Bolsonaro e do fortalecimento das milícias pelo Brasil.

Os links no decorrer deste texto encaminham para o gráfico Treds específicos; e os índices estão na escala de 0 a 100, mesmo que sejam fruto da análise de termos independentes que se completam, como: “guerra entre facções” e “PCC vs CV” ou “Primeiro Comando da Capital”, “PCC 1533” e “facção PCC”.

Homem passa em frente aos símbolos do Primeiro Comando da Capital e dos milicianos sob o título "Promotor de Justiça confirma".
Aliança: facções PCC TCP e milicia

O fim da era das guerras entre facções

Bolsonaro e Wilson Witzel enfraqueceram a facção carioca Comando Vermelho (CV), e com isso a facção paulista Primeiro Comando da Capital pôde se dedicar aos negócios longe dos holofotes midiáticos.

As cruéis execuções que ocorreram corriqueiramente até 2018, tanto nas ruas quanto dentro dos presídios, quase que desapareceram dos noticiários e das redes sociais, tendo sido substituídas pela “violência policial”. 

Em janeiro de 2017, no ápice da guerra entre o PCC e o CV, o interesse público alcançou 100 pontos, mas 2019 fechou com o índice médio em 3,2 pontos.

O PCC e seu aliado carioca, o Terceiro Comando Puro (TCP), teriam fechado acordos com grupos milicianos evitando o confronto direto com seus inimigos, que passaram a morrer em “confronto com a polícia”, diminuindo a atenção pública sobre a organização criminosa.

O crime organizado estaria ainda mais organizado: agora passa a utilizar as forças de segurança do Estado.

A tradicional aliada do PCC no Rio, a facção Amigo dos Amigos (ADA), quase foi varrida do mapa em 2018 pelos grupos rivais, mas o interesse público sobre ela e sobre o TPC ganhou novo fôlego em 2019.

Em 2018, enquanto a “guerra entre facções” alcançou 90 pontos, a busca por “violência policial” chegou a zero. Já em 2019 a posição se inverteu, e para cada pesquisa pelo termo “guerra entre facções” foram feitas quatro por “violência policial”.

Quem te via e quem te vê:

Até meados de 2018 o brasileiro que pesquisava sobre “guerra entre facções” procurava saber sobre o PCC, o CV e a facção Família do Norte (FDN). Já em 2019 o interesse dos usuários focava-se mais sobre filmes do que sobre a realidade.

Miniaturas das imagens mais buscadas na internet em 2019 sobre a facção "Primeiro Comando da Capital"
Imagens mais buscadas 2019: “Primeiro Comando da Capital”

A “facção PCC 1533” já é de casa

Cada vez mais o usuário do Google trata com intimidade a facção paulista.

Historicamente 67% das pesquisas são para o termo “Primeiro Comando da Capital”, mas em 2019, pela primeira vez, as consultas com os termos abreviados “PCC 1533” e “Facção PCC” foram mais utilizadas (60%).

A forma como se faz a consulta reflete o tipo de usuário: se o termo completo é, por um lado, mais utilizado por profissionais como jornalistas, pesquisadores ou agentes públicos, por outro, os termos curtos são buscados pela garotada.

O uso da facção como argumento político fica claro quando analisamos as buscas feitas nos últimos 10 anos. Em 2019, com as eleições nacional e estaduais, mesmo não havendo ataques da facção, o índice de busca ficou muito acima da média.

A garotada quer saber sobre “frases do PCC” ou “o que significa 1533” e navegar pelas imagens dos símbolos; já os que pesquisam pelo nome completo buscam informações sobre o Estatuto, Marcola e o Comando Vermelho.

As principais perguntas feitas na rede mundial sobre o PCC 1533 foram: “quando surgiu?”, “qual é o lema?” e “qual é a maior facção criminosa do Brasil?”.

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, voltou a ser lançado ao estrelato em 2019, mantendo o mesmo índice de audiência de sua transferência de 2014 (49 pontos). O interesse público por ele só foi superior em 2006 durante os ataques do PCC (100 pontos).

As pesquisas por imagens da facção utilizando-se o Coringa superaram Yin Yang (Town & Country), Marcola, carpa e Bob Marley somados, só ficando atrás do “palhaço” (não obrigatoriamente o Coringa) ― consequência do filme lançado em 2019.

Segundo o Google, outras pesquisas relacionadas à facção são: favelas, penitenciária, grupo musical Facção Central, arma, mal e, por incrível que pareça, curriculum vitae.

Para minha maior surpresa:

Os usuários do Google não vincularam o Primeiro Comando da Capital aos termos “sistema prisional”, “opressão carcerária”, e “tráfico de drogas”. Nas buscas relacionadas a “presídio” o PCC ficou apenas em 16ª posição.

Miniaturas das 10 imagens mais relevantes segundo o buscador sob a frase 2019 Top 10 - "facção PCC"
Imagens mais buscadas 2019: “facção PCC”

A facção PCC 1533 no mundo

A falta de ações espetaculares derrubou o interesse pela organização criminosa no exterior, que passou quase despercebida. As principais pesquisa foram feitas em Portugal, Taiwan, Países Baixos, Argentina e Itália.

Em língua espanhola se consolidou “Primer Comando Capital”, sendo o termo “Primer Comando de la Capital” utilizado apenas raramente na Argentina. Os países onde houve mais buscas foram: Uruguai, Paraguai, Argentina, Peru e Chile.

Assim como no Brasil, a facção também foi utilizada como ferramenta em campanha política, como demonstra os dados do Trends: o Uruguai alcançou 100 pontos em 2019, enquanto que no restante da década a média foi inferior a 1 ponto.

A soma de todas as pesquisas em língua espanhola feita pelo mundo (excetuado o Uruguai) seguiu a proporção usual: para cada quatro pesquisas feitas no Paraguai, uma é feita em outro local da América do Sul.

Em inglês, as pesquisas têm duas origens: Inglaterra e Estados Unidos. Sendo que na terra da Rainha todas as pesquisas utilizam o termo “First Capital Command”, enquanto que nos EUA 57% delas seguem a grafia “First Command of the Capital”.

Miniatura das 10 imagens mais relevantes segundo o Google para a frase "PCC 1533"
Imagens mais buscadas 2019: “PCC 1533”

A facção PCC 1533 nos estados

Historicamente Alagoas é o estado em que mais se pesquisa a respeito do termo “Primeiro Comando da Capital”, e neste ano não foi diferente, mas o que salta aos olhos é o aumento que se deu nas pesquisas vindas do Distrito Federal, do Espírito Santo e do Maranhão.

Se na maioria dos estados da federação não houve alteração significativa de interesse a respeito da facção, nos estados da Bahia, do Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Norte as buscas caíram pela metade.

Agradecimento aos mais de 130.000 visitantes que nos prestigiaram em 2019 com 265.000 visualizações.

O que explica a diminuição de homicídios no Brasil?

O governo Bolsonaro, com mão dura contra o crime, incentivou a polícia a usar força letal. Terá sido essa a causa da redução da taxa de homicídios?

Robert Muggah para o OpenDemocracy (versão editada pelo InSight Crime)

O Brasil é a capital do crime no mundo.

É por isso que foram ótimas notícias quando o Ministro da Justiça anunciou recentemente que a taxa de homicídios caiu mais de 20% em 2019 em comparação com o mesmo período do ano passado.

O que ele não mencionou, no entanto, foi que a taxa de homicídios no país vinha caindo continuamente desde o início de 2018, muito antes da eleição do presidente de Jair Bolsonaro.

Embora Bolsonaro e seus seguidores tenham tentado “apropriar-se” de melhorias recentes na segurança pública, a diminuição de assassinatos tem pouco a ver com seus esforços.

Leitura obrigatória para quem quer entender sobre o tema: “Evolução e Determinantes da Taxa de Homicídios no Brasil”

Portanto, o que explica a redução de homicídios?

Antes de tudo, é importante lembrar que 2017 foi um annus horribilis no Brasil, uma orgia de violência letal. Mais pessoas foram violentamente assassinadas – quase 64.000 – do que em qualquer outro momento da história da nação.

A violência é uma instituição tão natural como a própria vida humana. Decorre do nosso instinto de sobrevivência, sendo o grande motivo para o homem ter dominado a natureza. Mas essa afirmação não pretende trazer glamour à violência.

Talvez no último estágio da existência humana, a evolução definitiva seja exatamente vencer o instinto natural que nos propala a nos destruirmos mutuamente.

Conexão Teresina: uma crônica sobre a atuação do PCC no Piauí

Primeiro: fim da pacificação entre PCC e CV

A explosão da violência ocorreu em grande parte devido à quebra de uma trégua entre duas facções de traficantes de drogas rivais no país – Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) – e disputas pelo controle do tráfico de drogas no país . A violência entre facções coincidiu com um boom na produção de cocaína na Colômbia e no Peru. A diminuição gradual do homicídio em 2018 e 2019 pode ser interpretada como uma espécie de “correção”.

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Segundo: ações da gestão anterior de combate ao crime

Um conjunto de medidas implantadas durante a administração do presidente Michel Temer em 2017 e 2018 também pode ter desempenhado um papel na redução de assassinatos. Isso inclui melhorias na coordenação e gestão das forças policiais e o aprimoramento das capacidades de investigação nos níveis nacional e estadual.

As autoridades federais também começaram a separar ativamente os líderes das facções violentas de outros prisioneiros nas prisões estaduais. Operações policiais militares e federais em larga escala foram lançadas em alguns estados para aplacar a violência urbana. Mesmo assim, essas medidas não devem ser exageradas: as taxas de homicídios também começaram a cair em estados como Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que não receberam muita atenção federal.

Terceiro: programas estaduais de treinamento e gestão

Possivelmente mais importante para a redução da taxa de homicídios foram os vários programas e projetos de segurança pública foram lançados pelos estados brasileiros muito antes da eleição presidencial de 2018, como o trabalho policial orientado a problemas e medidas de prevenção social em lugares como Ceará, Espírito Santo, Pará e Pernambuco.

Essas intervenções focaram na melhoria do treinamento policial, concentrando os recursos policiais nas áreas mais pobres e a participação das comunidades locais mais diretamente no planejamento e execução da segurança. Além disso, controles mais rigorosos foram impostos em algumas prisões estaduais, embora isso não tenha impedido massacres em 2019 em algumas partes do país.

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Quarto: demografia e crescimento econômico

Fatores estruturais, como mudanças na economia e demografia do Brasil influíram no resultado: é concebível que a desaceleração da economia brasileira entre 2014 e 2016 possa ter aumentado os crimes contra a propriedade, enquanto melhorias marginais desde 2018 contribuíram para sua redução.

Enquanto isso, a redução de longo prazo na população jovem do país – mais de 12% desde 2000 – também pode desempenhar um papel. Embora esses e outros fatores possam ter contribuído em graus variados, é necessário um estudo mais aprofundado para entender melhor sua influência específica.

O Brasil ainda é o país mais violento do mundo

A redução contínua de homicídios em 2019, embora sem dúvida positiva, tenha sido precificada. Embora os níveis gerais de homicídios tenham diminuído nos últimos vinte meses, os assassinatos policiais aumentaram 23% em 2019, um recorde.

Além disso, os casos de violência sexual e abuso racial dispararam. Ainda mais alarmante, os desaparecimentos aumentaram e foram descobertas sepulturas clandestinas , indicando a probabilidade de operações de limpeza social cometidas pela polícia e pelas milícias.

“Acho que elas são piores do que as facções. No caso da facção fica muito claro quem é o bandido e quem o mocinho, a milícia transita entre o Estado e o crime, o que é bem pior.”

desembargadora Ivana David

Embora as taxas de homicídios tenham caído, o Brasil ainda tem um recorde de homicídios em 2019. O Ministro da Justiça informou que houve “apenas” 21.289 assassinatos nos primeiros seis meses do ano. Isso se compara a 27.371 pela mesma época do ano passado, de acordo com o Violence Monitor.

Embora as reduções de homicídios tenham sido registradas em todo o país, a maior redução foi no Nordeste, onde a violência entre facções disparou nos últimos anos. Não se engane: o Brasil ainda é o país mais violento do mundo e, de longe.

A forte retórica contra o governo Bolsonaro, com mão dura contra o crime, incentivou a polícia a usar força letal excessiva.

A lei é: Cinco tem que morrer para cada policial morto

A polícia brasileira matou 6.220 cidadãos em todo o país em 2018, em comparação com 5.179 em 2017. Desde que Wilson Witzel, governador do Rio, lançou sua “guerra ao crime” em 2019, os assassinatos da polícia aumentaram para níveis não observados desde o final dos anos 90, com pelo menos 1.075 vítimas registradas nos primeiros sete meses do ano, seu ponto mais alto em 20 anos.

Pelo menos 120 franco-atiradores foram implantados em toda a região metropolitana, com ordens para atirar em qualquer um que esteja armado, sem fazer perguntas. De fato, ao considerar os assassinatos policiais, a “redução” de homicídios no Rio foi de apenas 1% no ano.

Quando os mesmos policiais morrem em um confronto, a violência em represálias também aumenta. Havia 343 policiais mortos em serviço e fora de serviço em 2018, 87 em serviço e 256 fora de serviço.

Isso se compara a 373 policiais mortos em 2017. Um estudo do Rio de Janeiro descobriu que um assassinato policial poderia aumentar as mortes de civis cinco vezes na área no mês seguinte. Uma análise do Ministério Público, da Polícia Civil e dos dados do ISP no Rio detectou um aumento de 70% nas mortes por armas de fogo cometidas pela polícia em áreas onde um policial havia sido morto.

VEJA TAMBÉM: Polícia brasileira exerce sua licença para matar no Rio de Janeiro

Ninguém sabe quantos estão morrendo

O presidente pede mais impunidade policial e sua determinação em simplificar as leis sobre armas também incentiva o “vigilantismo”. Desde 2018, centenas de milhares de armas de fogo foram registradas em todo o país, embora ninguém saiba o número exato devido a relatórios conflitantes das autoridades públicas.

No pequeno estado de Santa Catarina, por exemplo, uma nova arma de fogo era registrada a cada 35 minutos em 2019. Isso é perigoso em um país onde quase três quartos de todas as mortes já envolvem uma arma de fogo.

O trabalho duro da polícia pode gerar um efeito temporário de “esfriamento” em crimes violentos. Porém, estudos de intervenções duras na América Latina indicam que esses impactos tendem a ser transitórios e de curta duração. Eles também são frequentemente seguidos por um aumento da violência letal, enquanto as facções adotam táticas cada vez mais violentas em resposta.

Eles não são apenas dolorosamente ineficazes a médio prazo, mas são economicamente ineficientes. Com a economia do Brasil em dificuldades e o país enfrentando austeridade, isso é algo que o governo deve pensar.

Robert Muggah para o OpenDemocracy (versão editada pelo InSight Crime)

Transferência de Marcola: o Apocalipse chegou?

A transferência de Marcola para uma prisão federal e a análise comparativa sobre o PCC e sua evolução em relação às principais organizações criminosas latino-americanas.

Marcos Willians Herbas Camacho transferido

Facção PCC 1533: estará ativo o salve geral do apocalipse?

Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola do PCC, foi transferido para um presídio federal. E agora? O que se pode esperar como resultado disso? Haverá represálias por parte de integrantes da facção?

Há alguns anos, o Apocalipse foi previsto. Não pelos profetas de Israel ou pelos apóstolos cristãos, mas pelos líderes da Família 1533, prisioneiros da P2 de Presidente Venceslau – e já se vão mais de cinco anos…

O fim do mundo planejado pelos chefes do Primeiro Comando da Capital se daria no exato momento em que Marcola, o líder maior da facção, fosse impedido de sair do encarceramento após cumprir o seu tempo normal de prisão.

O Marcola era homicida, sequestrador, roubava banco, não tinha nada a ver com a facção, mas é um homem articulado. E quando ele foi levado para o presídio de Tremembé [no interior de SP] começa a conversar com os últimos presos políticos no sistema prisional e aprende com eles sobre como estruturar o tráfico, a gerenciar como uma empresa, ao mesmo tempo em que vende internamente para os detentos a ideia de uma irmandade revolucionária.

desembargadora Ivana David

Aconteceu com Gegê do Mangue e teria que acontecer com Marcola

Rogério Jeremias Simone, o Gegê do Mangue, acabou saindo pela porta da frente do presídio, dentro das normas legais, e assim também se esperava que acontecesse com Marcola. Contudo, temia-se que a Justiça encontrasse subterfúgios para mantê-lo preso.

A prorrogação do período de prisão de Marcola seria o gatilho do Apocalipse: ataques à ordem pública e às forças de segurança, que, diferentemente de 2006, em que estiveram à frente dos ataques os crias do 15, esses seriam orquestrados pelos profissionais da facção.

O tempo passou, e cada vez menos se ouvia falar dentro da facção sobre o Apocalipse, afinal outras condenações estavam a caminho de Marcola, que não mais contava com a saída a curto prazo. Assim, um novo gatilho foi criado: a transferência de Marcola para a federal.

Princípio básico da ação policial: uso progressivo da força

Até hoje, os governos paulistas utilizaram a técnica de endurecimento paulatino para a retomada do controle do sistema carcerário, algo assim como quando se coloca uma rã na água e esta é colocada em fogo brando, e ela assim, vai se deixando ficar até morrer.

Hoje, a revista das visitas nos presídios é feita através de sistemas eletrônicos, e o serviço de inteligência das Secretarias de Segurança e da Administração Penitenciária (SASP), assim como a Promotoria Pública de São Paulo (MP-SP), têm conseguido interceptar e bloquear as comunicações dos presos.

O governo do Ceará, logo no começo da mais recente administração, optou por quebrar a ideologia de paulatinidade no endurecimento do tratamento dado aos prisioneiro — deu no que deu, e foi necessário o envio de forças federais para o estado.

Ao escolher agir de forma abrupta e não seguir com um processo gradual, o governo João Dória abandonou o bom senso e escolheu o caminho mais perigoso e ao alertar a rã a colocou em movimento.

O recado no entanto foi mandado.

Transferir Marcola para um presídio federal é um fato histórico e uma aposta do governador João Dória que tem poucas chances de não lhe ser vantajosa politicamente:

  • se houver reação por parte dos facciosos, ele ganhará com o aumento do medo da população que reforçará sua estratégia de combate rígido às organizações criminosas.
  • se não houver uma reação dos criminosos, ele terá demonstrado que venceu a facção criminosa ao enfrentá-la de frente, o que os seus antecessores não tiveram coragem ou falta de senso de fazer.

Dentro da facção, não se acreditava que João Dória, assim como seus antecessores, resolveria arriscar o embate, pois o número de mortos entre os agentes públicos e as ações de terror desgastariam o governo.

O erro de cálculo dos faccionados se deu ao acreditar que o governador estaria preocupado com a vida dos policiais e seus familiares, que ao contrário do salve de 2006, também seriam alvo no Apocalipse, no entanto…

Um novo tempo, um novo Primeiro Comando da Capital

Já se vão mais de cinco anos desde que o Apocalipse foi planejado. O mundo e a facção não são mais os mesmos, contudo, a imagem que a população tem do que é uma facção criminosa pode não ter acompanhado essa evolução.

Se aproveitando da ingenuidade da maioria, políticos e parte da imprensa vendem soluções se coadunam com o imaginário popular, como a política de aprisionamento e a transferência das lideranças criminosas para os presídios federais.

No entanto, hoje, o Primeiro Comando da Capital é uma organização mais horizontal e formada por subgrupos que não terão sua vida alterada pelo envio de Marcola e outros líderes para fora do estado e sua colocação no regime disciplinar diferenciado.

A estrutura da organização criminosa dentro e fora dos presídios continua existindo e me parece natural que haverá uma disputa interna para ocupar o lugar dessas lideranças que conseguimos isolar nos presídios federais. Não tenho nenhuma esperança que o PCC acabou

Lincoln Gakiya para a Revista Isto É

Nesse novo horizonte, o Apocalipse passou a ser apenas uma opção. Se será colocada em marcha ou não, será uma decisão tomada levando em conta os interesses políticos, econômicos e sociais da maioria dos integrantes da facção.

Será que justamente no momento em que se está sendo colocado em pauta uma nova legislação penal seria interessante para o mundo do crime uma onda de atentados?

A mim parece claro. A facção Primeiro Comando da Capital retaliará apesar de não ser a melhor solução técnica, pois assim como João Dória, sabe que deve agir pensando em sua platéia mesmo que seus homens sejam mortos.

A questão não é se, mas sim quando e se estamos preparados para contar os mortos e o prejuízo, mas o importante é que o governador cumpriu sua promessa de campanha.

Todo cuidado é pouco quando se mexe com a Família 15

Esperando uma possível onda de ataques o governo do estado de São Paulo colocou em prontidão 100 mil policiais militares e o governo federal autorizou a utilização da Força Nacional para guardar os presídios federais de: Brasília, Porto Velho (RO) e Mossoró (RN).

Apesar de Marcola e os demais líderes transferidos terem deixado de ser uma peças fundamentais para o bom funcionamento da facção os faccionados podem optar pela retaliação para impedir que outras medidas venham a ser implementadas.

Esperando uma possível onda de ataques o governo de São Paulo colocou em prontidão 100 mil policiais militares e fez operações em 3.300 pontos em todo o estado.

O governo federal autorizou a utilização da Força Nacional para guardar os presídio federal de Brasília e efetivos das forças armadas para guardarem o entorno dos presídios federais de Porto Velho (RO) e Mossoró (RN).

Leia mais detalhes sobre a transferência dos presos e as ações preparatórias das forças públicas no G1.

Lista com o nome dos 22 integrantes do PCC transferidos

  1. Lourinaldo Gomes Flor (‘Lori’)
  2. Marcos Williams Camacho (‘Marcola’)
  3. Pedro Luís da Silva (‘Chacal’)
  4. Alessandro Garcia de Jesus Rosa (‘Pulft’)
  5. Fernando Gonçalves dos Santos (‘Colorido’)
  6. Patric Velinton Salomão (‘Forjado’)
  7. Lucival de Jesus Feitosa (‘Val do Bristol’)
  8. Cláudio Barbará da Silva (‘Barbará’)
  9. Reginaldo do Nascimento (‘Jatobá’)
  10. Almir Rodrigues Ferreira (‘Nenê de Simone’)
  11. Rogério Araújo Taschini (‘Taschini’/’Rogerinho’)
  12. Daniel Vincius Canônico (‘Cego’)
  13. Márcio Luciano Neves Soares (‘Pezão’)
  14. Alexandre Cardoso da Silva (‘Bradok’)
  15. Julio Cesar Guedes de Moraes (‘Julinho Carambola’)
  16. Luis Eduardo Marcondes Machado de Barros (‘Du da Bela Vista’)
  17. Celio Marcelo da Silva (‘Bin Laden’)
  18. Cristinao Dias Gangi (‘Crisão’)
  19. José de Arimatéia Pereira Faria de Carvalho (‘Pequeno’)
  20. Alejandro Juvenal Herbas Camacho Marcola Júnior (‘Marcolinha’)
  21. Reinaldo Teixeira dos Santos (‘Funchal’)
  22. Antonio José Muller Junior (‘Granada’)

Leia mais detalhes sobre os principais líderes transferidos no G1.

Entre as facções que mais se destacaram em 2018, o Primeiro Comando da Capital foi a vencedora.
Facção PCC 1533 Criminal Winner 2018

PCC o “vencedor” do crime na América Latina (GameChangers 2018)

Os especialistas em crimes transnacionais do site InSight Crime, Jeremy McDermott, Mimi Yagoub, Victoria Dittmar e Mike LaSusa, analisaram as principais organizações criminosas que se fortaleceram em 2018 e ranquearam, após investigarem as estratégias e a virulência de sua expansão territorial e econômica durante o ano, sua capacidade de resistir às investidas das forças públicas e sua capacidade de domínio fora de suas fronteiras.

O Primeiro Comando da Capital, segundo esses especialistas é a que melhor resultado teve, ficando à frente do Exército de Libertação Nacional (ELN)da Colômbia e do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) do México. Essa resiliência se deve à adaptação às novas realidades e ao uso racional da força, por isso não houve nenhuma reação imediata à transferência de sua lideranças.

A seguir passo as principais conclusões desses especialistas, publicado aqui de acordo com as exigências do “Creative Commons” (clique neste link para acessar o texto original):

Embora a tendência geral durante a última década na América Latina tenha sido a fragmentação de estruturas criminosas, três grupos quebraram esse paradigma e ganharam grande visibilidade, crescendo em número e influência territorial dentro e fora das fronteiras de seus países.

Enquanto muitos criminosos buscavam agir nas sombras, atuando em operações cada vez mais longes dos olhos do público, esses grupos foram para as ruas e apresentaram-se abertamente como organizações criminosas.

A exposição pública de sua força e marca são o segredo de seu sucesso? Ou será que a atenção que as facções estão atraindo com suas ações resultará na fúria e no poder de repressão das autoridades nacionais e internacionais, motivando sua fragmentação e desaparecimento definitivo?

Breve histórico da facção Primeiro Comando da Capital e de Marcola seu líder.

Primeiro Comando da Capital (Primeiro Comando da Capital – PCC)

A gangue prisional mais poderosa do Brasil em 2018, se aproveitou a total falta de vontade política para enfrentá-la:um governo fraco, paralisado e aparentemente corrupto do presidente Michel Temer gastou seu limitado capital político simplesmente agarrando-se ao poder. Foi nesse ambiente que o então candidato Jair Bolsonaro, um extremista em questões de segurança, concorreu e ganhou as eleições para presidente da República de 2018.

O PCC passou vários anos em expansão, mas em 2018 houve uma aceleração de seu crescimento, e sua estrutura estava muito mais coesa do que as estimativas levavam a crer: com operações agressivas no Paraguai e na Bolívia, e tentáculos que alcançam Colômbia, Argentina, Uruguai e Venezuela. A participação da quadrilha no comércio internacional de cocaína também revela uma capacidade de obter maiores lucros e se expandir para fora da América do Sul.

Um dos fatores que teriam influenciado o crescimento acelerado da facção seria a quebra, em 2016, da aliança que havia firmado com o Comando Vermelho (CV). Seu fortalecimento permitiu que a organização carioca fosse enfrentada, e esse enfrentamento não só não a enfraqueceu como levou o PCC ao domínio tanto de fontes primárias quanto de rotas.

Arquivos apreendidos pelas autoridades em 2018 elucidam fontes de renda, táticas de lavagem de dinheiro e aumento de recrutas do PCC. Os documentos indicaram que a receita anual do grupo pode chegar a US $ 200 milhões. De acordo com os arquvios, os membros do PCC pagam uma taxa de afiliação de até R$ 950,00 por mês, que é usada principalmente para manter os membros do grupo que estão na prisão.

A expansão do PCC no exterior tem sido mais evidente no Paraguai. O crescimento nesse país e a vontade do grupo para agir em desafio aberto a qualquer resposta paraguaia ficaram claros após o assalto cinematográfico na sede da Prosegur, uma empresa de carros blindados em Ciudad del Este. Com precisão militar, 60 homens armados explodiram as portas da sede da empresa e pacificamente levaram US$ 11,7 milhões, passaram em carreata atirando para em direção à fronteira e terminaram a fuga em barcos pelo rio Paraná em direção ao Brasil.

Desde então, as raízes do PCC no Paraguai, principal produtor de maconha na América do Sul e paraíso dos contrabandistas, se tornaram arraigadas e disseminadas. Acredita-se que o PCC agora domine a cidade fronteiriça paraguaia de Pedro Juan Caballero, onde exerce o controle total dos negócios de maconha e cocaína que passam por lá.

Todas as organizações criminosas brasileiras querem acesso à farta produção de cocaína colombiana e peruana, tanto para abastecer o mercado interno quanto para baratear o preço de venda e para conseguirem se inserir no comércio internacional de drogas — o que só é possível com o controle de custo, pegando a mercadoria direto do fornecedor externo.

A presença do PCC na zona trilateral, entre o Brasil, a Colômbia e o Peru, outro país produtor de cocaína, intensificou-se nos últimos anos, muitas vezes acompanhada de massacres e extrema violência. A Bolívia não foi isenta de uma dinâmica semelhante, embora em 2018 fosse o Comando Vermelho, mais do que o PCC, que tinha uma presença mais óbvia naquele país .

A Venezuela, com corrupção generalizada e fracasso econômico, tornou-se uma fonte de armas para grupos criminosos, e o PCC procurou estocar armas pesadas para lá.

Embora alguns dos principais líderes do PCC tenham morrido, o grupo conseguiu manter sua direção e controle graças a sua estrutura de atuação, que mais se parece como uma franquia com um conselho de administração do que com uma estrutura verticalmente integrada. Esse conselho de diretores é conhecido como “Sintonia Geral Final”, e é formado por cerca de oito a dez membros, e seriam eles quem tomariam as decisões mais importantes sobre estratégia e diretrizes gerais para as atividades dos membros do PCC.

Ironicamente, a eleição de Bolsonaro pode ser um estímulo para o PCC, sem dúvida, em termos de recrutas, porque estão previstos mais confrontos e prisões de membros, segundo a retórica de campanha do presidente.

Especificamente, o motor de crescimento do PCC são as prisões. As prisões são os lugares onde o PCC ancora sua base e cria sua força e suas bases sociais. Quanto mais a política de aprisionamento for promovida como uma resposta à violência, mais o PCC será fortalecido e expandido. Paradoxalmente, o estado acaba atuando para fornecer mais membros ao PCC.

Camila Nunes Dias

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 700 mil presos, e segue de perto os Estados Unidos e a China, ambos com populações totais muito maiores. E esse número parece destinado a crescer durante o ano de 2019.

É opinião do InSight Crime que o PCC em breve se tornará uma das estruturas criminais mais importantes do continente americano, juntando-se aos colombianos e aos mexicanos. A expansão futura, especialmente no nível transnacional, dependerá de quanto o PCC está envolvido no negócio da cocaína, aproveitando a posição do Brasil como uma das principais pontes de tráfico da droga para a Europa e além.

“O PCC está no Brasil, Bolívia, Paraguai e está entrando no Uruguai e na Argentina. Eles vão nessa direção. Existe um vácuo e eles vão se expandir e expandir. E dominar “.

Márcio Sérgio Christino

Para ler a análise do InSight Crime sobre as outras duas organizações criminosas que se destacaram em 2018, Exército de Libertação Nacional (ELN da Colômbia) e o Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), acesse este link.