O ex-Ministro boliviano e a facção PCC

Carlos Romero, ex-Ministro de Evo Morales, questiona qual seria o verdadeiro papel em território boliviano de organizações criminosas estrangeiras como o Primeiro Comando da Capital (Facção PCC 1533). Segundo ele, estes grupos não disputam espaço dentro do país, mas integram-se às estruturas já existentes: familiares, de agricultores ou gangues.

Ele atribui o incremento dessa participação ao desmonte das políticas de combate, de treinamento e intercâmbio com organismos internacionais, facilitando a . A falta sofisticação e diversificação da influência dos grupos criminosos:

É por isso que existem subjugações de terras com homens encapuzados e armados como Las Londra, no narcotráfico e na agricultura, mas ao mesmo tempo que estão ligados a exploração ilegal de minérios, madeira e terras.

Reportagem completa em Pagna Siete:

Exministro Romero: El narcotráfico se fortalece y lava dinero hasta en conciertos

A complexa rota do tráfico da facção PCC 1533

A Rota Caipira do PCC e o roubo de aviões nos países fronteiriços.

Avião roubado na Argentina chega à Bolívia

Nem sempre o caminho mais curto é o melhor.

O Paraguai é hoje o principal produtor de maconha da região e o maior corredor de cocaína da Bolívia para a Europa. A coca boliviana é misturada no Paraguai com precursores químicos ilegais que chegam de outros países.

Em seguida, é escondido em caminhões e contêineres para ser transportado para a África e a Europa. Cabo Verde e Roterdã são os principais portos de destino, segundo a Secretaria Antidrogas do Paraguai (Senad).

Catalina Oquendo – El País

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) tem como uma das principais portas de entrada do tráfico de drogas e armas a cidade brasileira de Corumbá no Mato Grosso do Sul.

O tráfico internacional de drogas no Cone Sul não é para amadores e o caso do roubo da aeronave Cessna 206 Stationair LV-KEY pode servir como exemplo:

A cidade sul-mato-grossense é de fácil acesso tanto por terra quanto por ar, no entanto, é altamente vigiada pelas autoridades brasileiras. Uma das opções dos traficantes é levar a droga do Paraguai para o Norte da Argentina, onde roubaram o Aeroclub Chaco, o Cessna, sobrevoaram o Paraguai até o Leste da Bolívia quase na fronteira com o Brasil e de lá enviaram por terra para Corumbá, de onde foi jogado na Rota Caipira com destino aos principais mercados consumidores no Sudeste ou para algum porto para exportação.

 O artigo do Diário Norte cita o site InSight Crime que aponta, por fim, que o estado do Mato Grosso do Sul, onde fica Corumbá, “é vital” para o empreendimento criminoso transnacional com suas redes fluviais e suas densas florestas, “que oferecem a cobertura ideal para a circulação de pessoas, animais , armas e drogas”, destacando que a principal quadrilha que atua na área é o temível Primeiro Comando da Capital (PCC).

O periódico La Nacion alerta sobre o perigo das movimentações na fronteira do Primeiro Comando da Capital, a temível e sanguinária quadrilha de narcocriminosos.

No Chaco, o roubo de dois pequenos aviões sugere a entrada do Primeiro Comando da Capital, o grupo de drogas mais poderoso do Atlântico sul-americano.

deputado provincial e Ex-Secretário de Gestão Federal do Ministério da Segurança Nacional Enrique Thomas.

últimas notícias do Primer Comando Capital na Argentina

Cocaína barata da Bolívia é com o irmão da facção PCC 1533

Existem oportunidades de mercado para a compra de cocaína da Bolívia e do Paraguai por um preço quase um terço abaixo das rotas atacadistas do Primeiro Comando da Capital.

Uma lembrança de quando eu era garoto

O assunto deste artigo é o Primeiro Comando da Capital, a compra de cocaínatribu pura no atacado, a trairagem dentro da facção e o Regime Disciplinar ou Dicionário do PCC, mas nada disso de fato para mim importa, como pretendo demonstrar aqui.

Ernesto Sabato está certo ao afirmar que “viver consiste em construir futuras lembranças, [e eu, assim como ele, sabia que estava] preparando lembranças minuciosas que algum dia [haveriam] de me trazer melancolia e desesperança”.

E a pedido do próprio Ernesto, eu não vou me alongar no assunto, mesmo porque é tudo bastante simples, como você mesmo verá, e por isso não farei que você perca tempo lendo “palavras ao vento” ― hoje será papo-reto, resumo.

Só vou contar para você como eu fiquei sabendo de tudo, para que você não precise me chamar de novo na delegacia para dar explicações, assim, já fica tudo dito e pronto ― ah! antes que me esqueça, neste texto há trechos do livro do Ernesto: O Túnel.

Esfiha como te quero

A minha tão sonhada esfiha do Habib’s

Eu era office-boy em São Paulo, trabalhava no prédio da Jovem Pan na Avenida Paulista, e na esquina da Alameda Joaquim Eugênio de Lima com a Alameda Santos havia um Habib’s ― isso foi no começo da década de 1990.

Na empresa em que eu trabalhava, o pessoal do Departamento de Arte mandava que eu fosse comprar esfihas no Habib’s todos os dias. Era caro demais para meu bolso, então fiquei por meses só sentindo o cheiro e vendo os caras comendo.

É verdade me que ofereciam, mas eu dava uma desculpa e ia comer minha marmita de arroz, arroz, arroz, feijão e uma mistura (uma mistura era como minha mãe chamava o ovo).

Foi assim por meses, até que em um dia de pagamento, depois de acertar todas as minhas contas, fui ao Habib’s e me sentei sozinho para experimentar com gosto a tal da tão cheirosa e tentadora esfiha.

Só contei isso para que você entendesse o porquê de, naquela noite do ano passado, eu estar sozinho no Habib’s, degustando esfihas e lembranças minuciosas que sempre me fazem sentir melancólico e desesperançado ― eu curto esses momentos de solidão e deprê.

Basta de efusões. Eu disse que relataria esta história de forma enxuta, e assim o farei.

Dando um tempo no Habib's

Uma operação policial próxima ao Habib’s

Eu estava sentado junto à janela, e uma barreira policial havia sido montada no final do quarteirão, então, quem entrava na rua, obrigatoriamente teria que passar pelos policiais ― só que não.

Para minha surpresa, entram no restaurante dois conhecidos meus, que, ao verem as viaturas policiais fechando a via, entraram no estacionamento do Habib’s e resolveram esperar lá dentro pelo fim da operação policial.

Vieram para minha mesa ― pronto, acabou meu sossego, lá se foi minha paz e minha degustação deprê.

Pediram de cara duas pizzas, uma de calabresa e outra portuguesa ― ai, meu Deus, só falta pedirem que eu rache a conta e eu nem gosto dessas pizzas!

A barreira não se encerrava, o assunto fluía. Os garotos estavam indo buscar dois quilos de cocaína pura, puríssima, vindos diretamente da Bolívia por meio de um contato em Santa Cruz de La Sierra ― pense em dois garotos empolgados.

O interesse do PCC na Bolívia começou em 2007 com o objetivo de estabelecer relações com narcotraficantes bolivianos e foi implementada inicialmente por aproximadamentes 100 integrantes da facção.

jornalista Allan de Abreu
cinco mil na mesa do Habib's

Cocaína da Bolívia e o negócio da China

Iam faturar uma boa grana sem o risco de pegar dois mil quilômetros de estradas e fazer negócio em um país estrangeiro com um contato que não conheciam pessoalmente.

Garotos espertos, não marcaram a entrega na cidade deles, e sim em Campinas ― cidade grande, com muito fluxo de veículos e muitas entradas e saídas.

Colocaram sobre a mesa os pacotinhos de dinheiro totalizando cinco mil Reais.

Empolgados, me contaram que já haviam, no ato da encomenda, depositado em uma conta da Caixa quatro mil. Quinze dias depois de pegarem a mercadoria, depositariam outra parcela de cinco mil.

Para falar a verdade eu estava mais preocupado com a conta do Habib’s, mas algo me incomodou na conta dos garotos: 5+4+5=14, tudo bem, é um bom preço, afinal o preço da cocaína em São Paulo gira em torno de 18 mil, só que, sempre tem o “só que…”

O preço de mercado da cocaína pura, gira em torno de 18 mil DÓLARES o quilo, à vista, e eles estavam comprando por 14 mil REAIS dois quilos, parcelado! ― pense em dois garotos empolgados e um tiozinho olhando com cara de “Oh! Coitados!”.

acompanhando a entrega da droga via google maps

Os garotos do corre e a garota do transporte

Bem, eu prometi que seria breve, que não iria me alongar, mas é importante que você saiba de tudo para entender que eu não tive nada a ver com isso, e só fiquei sabendo dos nomes, da história e dos locais por puro acaso.

Tocou o celular de um deles, era a garota que transportava a mercadoria, e como não tinha nenhuma mesa por perto ocupada, eles colocaram no viva-voz.

Ela falava com bastante naturalidade, e os garotos tentaram fazer com que que ela levasse a mercadoria para o estacionamento do Habib’s, ali mesmo, mas ela insistia em outro ponto.

Nunca tinha imaginado que o transporte funcionava assim. Eles haviam acompanhado o trajeto pelos Google Maps, legal essa tecnologia, só que, sempre tem o “só que…”

Reparei que não estava sincronizado on-line, que ela atualizava manualmente a localização ― estranhei isso.

Ela insistia em que eles fizessem o depósito da segunda parcela antes que a mercadoria fosse entregue ― estranhei isso também.

Só eu parecia achar que era muita coisa estranha para um negócio, mas cada um com seus problemas, a minha preocupação era que eles saíssem do Habib’s sem pagar as pizzas que por sinal, só eles estavam comendo.

Eu devia estar demonstrando nervosismo porque os garotos me intimaram a dar explicação para minha agitação.

Conferência de Cara Crachá no Sistema PCC

Buscando cara crachá dentro do Sistema

Não ia dizer para eles que estava preocupado que não pagassem a conta do Habib’s, então disfarcei, e disse que o preço da droga estava incompatível, a atualização do localizador estava sendo feito manualmente e não senti firmeza na voz e no método da garota.

Vieram com aquela enxurrada de afirmações que tudo estava certo, que não tinham dúvidas, que era um irmão conhecido da facção, para depois de alguns momentos de silêncio, ficarem tensos e olhando um para o outro.

Pensei até que não tinham acreditado na minha história, e haviam percebido minha preocupação sobre quem iria pagar as pizzas, mas aí os dois foram para os celulares e esqueceram da minha presença ― eu deveria ter saído sem pagar naquele momento.

Começaram a ligar para o contato que estava intermediando o negócio, era um irmão de outro estado, mas que estava respondendo só em texto e, quando soltava a voz, dava para perceber que era gravação antiga ― só os garotos na empolgação não tinham manjado.

Dei o toque e, então, eles começaram a correr em busca de informações dentro do Sistema Carcerário ― um liga para um Sintonia, outro para um Cadastro, e começou o debate e a agitação dentro das trancas para conseguir informação do tal irmão.

Ameaçando mandar para o Tribunal do Crime do PCC

A confirmação vem do Cadastro do MS

Veja, não estou tentando alongar o assunto, pelo contrário, estou resumindo ao máximo, pois assim eu havia dito a você que o faria, no entanto é importante que você entenda todos os detalhes para ver que fui apenas um mero observador nessa história.

O cadastro do Mato Grosso do Sul passou o Cara Crachá do tal irmão. De fato ele existia e não era excluído, porém, alguém estaria usando o nome dele para aplicar golpes, e eles estavam sendo vítimas de uma armação.

Imagine a cara dos dois quando receberam essa resposta das trancas. Planos maléficos foram feitos na hora, e pelo celular armaram rapidamente uma equipe para pegarem a garota, com ou sem drogas.

Engrossaram a voz quando ela ligou novamente, ameaçaram usar o Tribunal do Crime do PCC para pegar tanto ela quanto os outros envolvidos ― ela desligou. A barreira policial a essa altura já havia ido embora, e eu pensei em pedir um café.

2. Ato de Esperteza:
Quando usa de má fé ou abusa da confiança depositada, se parece com ratinagem, muda que o prejudicado confia e acaba sendo lesado.
Punição: exclusão sem retorno, cobrança a ser analisada.

Eu sei onde você mora, vou mandar a polícia aí

Eu sei quem você é e onde você mora

Desisti do café. Se eles não pagassem a pizza, ia sobrar para mim, e teria que rezar para que o saldo no cartão desse para pagar a conta ― eu só tinha 10 reais em dinheiro. Será que daria para tirar os 10% do garçom? Às vezes por causa de cinco reais o cartão não passa.

Toca o celular, uma mensagem escrita, dizendo que eles deviam deixar quieto o bagulho e engolirem o prejuízo em paz, que eles sabiam quem os garotos eram. Mandaram até as fotos das casas dos dois rapazes, dizendo que fariam uma denúncia para a polícia caso insistissem.

Vi que a foto era do Google Street View, mas ficava evidente que o golpista tinha informações sobre os garotos e poderia causar problemas se quisesse.

Para acusarem o irmão no Tribunal do PCC, eles precisariam de provas 100% confiáveis, e eles só tinham textos e gravações de voz do WhatsApp, que eram trechos gravados e repetidos ― o processo viraria contra eles.

Segundo Raymundo Juliano Feitosa cobrança mais cruel pelo Código Penal do PCC é o chamado xeque-mate: esquartejamento do infrator enquanto ele ainda está vivo, e só depois ele é morto e todo esculacho é filmado e jogado nas redes – essa condenação é aplicada aos estupradores e pedófilos, também, tem por finalidade servir de exemplo para outros que teriam interesse em fazer o mesmo.

Construindo uma nova lembrança para o futuro

Um golpe esperado, uma proposta inesperada

O tal do irmão ainda propôs um negócio para os garotos: ele pagaria 50% do lucro em outros golpes se eles indicassem possíveis compradores e dessem dados para ele poder chegar nos caras, assim como alguém tinha feito com eles.

Esse encontro no Habib’s aconteceu há um ano, e só agora me lembrei de contar essa história, pois fiquei sabendo que o mesmo golpe, utilizando o nome do mesmo irmão continua sendo aplicado, com alguma variação.

Fui àquela noite reviver uma lembrança do passado, mas acabei construindo mais uma futura lembrança, minuciosa, que hoje já me traz certa melancolia e desesperança.

Mas o importante é que consegui cumprir o que prometi: não me alonguei no assunto mais que o estritamente necessário ― como acaba de me lembrar Ernesto.

O grupo criminoso Primeiro Comando da Capitalassim como as bruxas e o comunismo, é utilizado para que grupos políticos, que estão no poder ou desejam chegar a ele, criem um ambiente de terror com alguma finalidade específica.

Aparentemente é o que voltou a acontecer agora na Bolívia, onde parte do governo do presidente Luis Arce deseja facilitar a ação no país da  Drug Control Administration (DEA), apesar de há muito a facção PCC 1533 ter caído no esquecimento pela população boliviana.

Os números do Google Trends não deixam dúvidas de que o fantasma está sendo alimentado artificialmente para então poder ser combatido.

Facção PCC: os dois lados da questão

Quem se opõe a essa narrativa para justificar uma intervenção americana no país, que no geral não acaba bem, é o vice-ministro de Substâncias Controladas, Jaime Mamani Espíndola, que afirma que se fosse significativa a presença da facção paulista no país as autoridades não poderiam circular livremente como o fazem.

Quem apoia e alimenta essa narrativa e pede a presença do DEA, que no geral acaba trazendo dólares para o país e holofotes para políticos e agentes do Estado através de políticas de “intercâmbio”, é a oposição de direita que há poucos anos tentou tomar o país a força e a Comunidad Ciudadana (CC), uma coligação política de centro liderada pelo ex-presidente Carlos Mesa.

Em San Matías, capital da Província boliviana de Ángel Sandóval no departamento de Santa Cruz, situado na fronteira com o Brasil, é comum a prisão de estrangeiros com ligação com as facções brasileiras, mas segundo o ministro de Governo, Carlos Eduardo Del Castillo Del Carpio, nada que a polícia boliviana já não esteja preparada para atuar.

Já seus opositores, mesmo contrariando os dados estatísticos, apresentam exceções como regra, como a execução de duas pessoas naquela cidade em um confronto entre criminosos e, a morte de um sargento durante uma operação da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) em San Ignacio de Velasco, Santa Cruz. e um colombiano ex-combatente das FARC no Parque Noel Kempff.

Bolívia quer combater o PCC, mas não o narconegócio

O recém formado Primer Gabinete Binacional de Seguridad Bolivia-Brasil, questionando as intenções dos governos envolvidos. O autor menciona o caso de um juiz suspenso na Bolívia por beneficiar um membro do PCC.

Peço a todos que me perdoem, mas não consigo sentir firmeza no recém formado Primer Gabinete Binacional de Seguridad Bolivia-Brasil. Talvez seja a forte luz vinda dos holofotes que estão iluminando o palco, ou as sombras que estão por detrás dele, mas algo está me impedindo de ver com clareza aonde esse Gabinete Binacional vai nos levar.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

O inferno está repleto de boas intenções, e tenho acompanhado pelas últimas décadas a formação de inúmeras comissões, reuniões, sistemas, planos – se bem que com nome de gabinete é o primeiro. Será que realmente há uma boa intenção por parte dos governos?

Quem coloca essa dúvida não sou eu, é Robert Evan Ellis no artigo La stratégie des États-Unis pour l’Amérique latine et les Caraïbes, no qual apresenta o governo boliviano como um ávido combatente dos interesses norte-americanos e aliado militar e comercial da China e da Rússia. Conjuntamente com esse último país, segundo Ellis, o governo da Bolívia estaria montando um reator nuclear experimental, perto de El Alto.

O pesquisador faz crer que a recusa boliviana em aceitar apoio do governo americano na luta contra o narcotráfico foi uma forma discreta de manter o país como um dos principais produtores mundiais de coca. A agência noticiosa Vise publicou a declaração de um camponês produtor da folha, que demonstra a ação do Estado:

Agora é diferente. A polícia é nossa amiga. Antigamente, nós desviávamos os olhos quando eles passavam. Agora paramos sempre para dizer um ‘olá’.

afirma o agricultor

Quando incentivou uma economia baseada no narconegócio, Evo Morales não contava com o ingresso do Primeiro Comando da Capital no país: a facção paulista está conseguindo desconstruir os acordos feitos pelo governo com as diversas etnias e grupos sociais, o que está colocando em risco o mandato do presidente da Bolívia.

O interesse do PCC na Bolívia começou em 2007 com o objetivo de estabelecer relações com narcotraficantes bolivianos e foi implementada inicialmente por aproximadamente 100 integrantes da facção.

jornalista Allan de Abreu

Peço a todos que me perdoem, mas se for para ter minha vista ofuscada pela forte luz vinda dos holofotes, que seja aquela que está iluminando Luana, a belíssima modelo brasileira que é a mensageira do Primeiro Comando da Capital – e nem vou me preocupar com as sombras que estão por detrás dela.

Já o juiz suspenso de San Pedro de La Paz, que beneficiou com a prisão domiciliar um possível brasileiro integrante do Primeiro Comando da Capital, não conseguiu provar que sua vista estava ofuscada pelo brilho do processo, e o Ministério Público da Bolívia solicitou formalmente sua prisão preventiva. Pelo menos é o que nos conta o noticioso El Deber.

O PCC ameaça a estabilidade latino-americana?

Talvez você se imagine como uma pessoa inteligente e pense que é difícil alguém enganar você. Bem, se você for assim, bem vindo ao clube: eu também tinha muitas “certezas” até ler o artigo do analista em economia, política e segurança latino-americana Robert Evan Ellis, La stratégie des États-Unis pour l’Amérique latine et les Caraïbes.

Apesar de não ser um trabalho que chame a atenção por sua qualidade, profundidade ou conteúdo, ele fez com que eu questionasse minhas certezas.

Robert me quebrou logo de cara, pois começa dizendo que o Donald Trump não tem nenhum fundamento em ver ameaça aos Estados Unidos vinda da América Latina. Então, eu deduzi, que o texto seguiria nesse caminho, mas… Ledo engano (e esse foi apenas meu primeiro e menor engano).

O analista, no decorrer de seu trabalho, derrubou minha crença em um mundo no qual a Guerra Fria foi substituída por outro pós-história (Fukuyama), quando apontou para uma melhora na segurança no Cone Sul com Temer na presidência do Brasil, se contrapondo ao governo boliviano de Morales, que estaria recebendo armas e recursos da China e da URSS (ops… Da Rússia).

O trabalho de Robert também apontou que eu estava errado ao acreditar que o Primeiro Comando da Capital tinha uma matiz diferente das Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), do Exército de Libertação Nacional (ELN), e do Sendero Luminoso. Há, segundo Robert, uma característica que une essas organizações criminosas que também está presente no PCC 1533:

“Cometem ataques em nome de objetivos políticos” – no caso da organização paulista, é a luta pelo fim da opressão carcerária e desigualdade social.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A última certeza que Robert derrubou foi a mais intrigante e preocupante, pois eu nunca levei em consideração que a democracia e a segurança de toda América poderiam estar em risco por causa do Primeiro Comando da Capital, mas pesquisador aponta para as semelhanças entre o que está acontecendo aqui e o que acontecia no oriente antes da Primavera Árabe:

“Não foi devido a conflitos internos, mas como na América Latina, as tensões sócio-econômicas alimentadas pela dinâmica da globalização, instituições fracas e passivas que se mostraram incapazes de gerenciar a crise. […] escondem a mesma capacidade explosiva, podendo pôr em risco a segurança nacional dos Estados Unidos.” (tradução e negrito meus)

Ellis diz ter chegado a essa conclusão devido à incapacidade dos governos de vencerem o crime organizado e à rápida transmissão dos efeitos pelo mundo por uma possível perda de controle sobre o criminalidade, pois, assim como aconteceu na Primavera Árabe, o caos se espalharia rapidamente para os países vizinhos até invadir as fronteiras americanas.

Ainda batendo na tecla desse cenário de Guerra Fria em um mundo globalizado, o analista adverte que o crime organizado aumentou a vulnerabilidade , como na época da Guerra Fria, levando à instabilidade das políticas conservadoras e ao avanço das populistas. Ele não cita nomes, mas no ano que vem tem eleições por aqui.

Talvez você imagine que é uma pessoa inteligente, que é difícil alguém enganá-lo. Bem, se você for assim, Robert vai provar que você, assim como eu, está errado. Aposto que você acreditou quando alguém na escola lhe ensinou que o Macartismo tinha morrido na metade do século passado. Só que não. O analista, no mais puro estilo Macartista, declara:

“Conscientes das percepções do poder e da autoridade moral dos Estados Unidos no mundo, o país deve atuar para o estabelecimento de instituições regionais fortes para o rígido cumprimento das leis do Estado de Direito, para atingir a maioria dos seus objetivos na região, incluindo a promoção da democracia e dos direitos humanos, o desenvolvimento e a justiça social ou para combater a influência maliciosa de certos atores estrangeiros. As instituições fracas são mais vulneráveis ​​à exploração de empresas estrangeiras e elites nacionais, bem como à deriva de líderes populistas…”

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Preço da cocaína no atacado para biqueira – 2021

Eu detestava números e sofria com eles até que o livro O Homem que Calculava caiu em minhas mãos, um office boy trabalhando no Edifício Winston Churchill, na Avenida Paulista em São Paulo. Malba Tahan mudou por um tempo a minha relação com os números.

Uma leitura viciante. Fiquei íntimo dos números e dos cálculos: bastava ver um prédio e rapidamente sabia quantas janelas ele tinha, assim como o número de rebites em um vagão do metrô ou o número aproximado de todos os rebites de todo o trem – aos meus olhos, tudo no mundo passou a ser mensurável.

Depois de um tempo, abandonei os números e os cálculos, mas agora eles voltaram para me assombrar. O professor Mariano Bartolomé, em seu trabalho La Criminalidad Organizada, un Severo Problema de Seguridad para el Hemisferio, demonstrou que os números e o poder do crime organizado superaram a minha capacidade de calcular e, talvez, até a de Beremiz Samir, o homem que calculava de Malba Tahan.

Eis alguns dados obtidos sobre o tráfico internacional de drogas a partir da pesquisa de Bartolomé:

A Cocaína, que é comprada por 1 dólar por quilo na produção, é oferecida já dentro do território brasileiro próximo a Bolívia por 8.500 dólares, chega a granel na capital paulista por 12.000 dólares e é distribuído no atacado por 18.000 dólares e revendido para os donos das bocas entre 25.000 e 30.000. A cocaína chega no sul dos EUA por 15.000 dólares e nas capitais europeias por até 70.000 dólares, mas a Bartomé não esclarece se esse é o preço a granel ou entregue para o comerciante final, mas o Ministério Público de São Paulo afirma que o valor na Europa e África chega à 80.000 US$.

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Se a matemática dos preços é espantosa, as quantidades produzidas pelas organizações são ainda mais surpreendentes: pelos números divulgados pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONODC), podemos crer que hoje são produzidos anualmente mais de 1.000 toneladas de cocaína, oriundas de mais de 300 mil hectares de cultivo ilegal de coca.
Com essa matemática, as organizações criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital, movimentam US$ 2 bilhões anuais, isto é, 3,5% de tudo que foi produzido no mundo, incluindo os bens e serviços – dados da ONODC; pior: enquanto o PIB mundial cresce 2,7%, a área de cultivo da coca aumenta entre 10% e 38% e a produção de cocaína a estratosféricos 50%.

E as drogas são apenas uma das diversas operações das facções criminosas. Segundo o relatório da Global Financial Integrity (GFI) apresentado em Davos, no Fórum Econômico Mundial (FEM), as operações econômicas ilegais geram mais de 1 trilhão de dólares, sendo 320 bilhões com as drogas ilegais, 250 bilhões com falsificação e contrabando, 31,5 bilhões com o tráfico de pessoas, e os outros 40% dividido nas outras atividades menores.

Abandonei os números, mas eles não me abandonaram e agora voltam para me assombrar. Graças ao professor Mariano Bartolomé, passo a desconfiar que Malba Tahan estivesse errado: nem tudo no mundo pode ser mensurado.

O garoto do Bonde dos 13 (B13) e o SISFRON/ENAFRON

Alguém se lembra do esperanto? Sei que quando eu era moleque, cheguei a me inscrever em um curso dessa desconhecida língua, em uma suja e secundária rua do bairro da Lapa e, para minha surpresa, dando uma olhada no Google Street View, vi que a escola ainda está lá, e a rua está ainda mais suja e secundária.

A ideia por trás do esperanto é fazer com que as pessoas de todo o mundo fiquem mais próximas umas das outras, acabando com conflitos e criando um sentimento compartilhado de humanidade que garantiria a paz”. Legal, né? Mas não funcionou, assim como não funcionaram o Plano Estratégico Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (ENAFRON) e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) para combater os crimes transnacionais.

Bem, o ENAFRON e o SISFRON são programas que integram nossas forças de segurança às dos países vizinhos, e já funcionam há mais de uma década, “só que não” – essa semana, o PCC arrebentou nos noticiários de nossos vizinhos sul-americanos com ações de sucesso e alguns fracassos.

Pela enésima vez, o Ministro do Governo boliviano Carlos Romero Bonifaz tentou se entender com as autoridades brasileiras:

“Hemos insistido mucho en tener oficiales de alta graduación de la Policía Federal de Brasil y se aceptó la designación para una lucha conjunta contra el crimen”. 

Não quero falar nada, não, mas a coisa, provavelmente, não sairá do papel. Quem, de fato, combate o crime organizado das facções criminosas no Brasil não é a Polícia Federal ou as Forças Armadas, mas, sim, a Polícia Militar e a Promotoria de Justiça por meio de seu braço investigativo: a Polícia Civil. São os estados, não a União, que combatem, de verdade, as facções. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Enquanto a alta cúpula civil, militar e policial reuniam-se com Romero, assim como foi feito no passado com o Rei Luiz XVI, o Primeiro Comando da Capital infiltrou-se , utilizando-se de pessoas simples, nas ruas sujas e escuras, assim como os revolucionários franceses fizeram no passado.
Na pequena cidade de Cobija, um dos líderes pego pelas autoridades sequer era do Primeiro Comando da Capital, mas do Bonde dos 13 (B13), facção aliada do estado do Acre. Os garotos estão dominando as ruas, enquanto a cúpula, há décadas, se reúne.

A ideia por trás do esperanto, assim como a sede na rua da Lapa e o sonho da União por uma polícia de fronteira efetiva continuam aí, mas os governos caem antes de alcançar seus objetivos, afinal, são divididos, loucos para provarem que suas perucas são mais importantes que as dos outros.

Polícia Federal, Forças Armadas, Polícia Civil, Policiais Militares, Guardas Civis, Polícias Rodoviárias, Ministério Público (isso só dentro do Brasil)… enquanto isso, Jorge Pisco da Silva, o rapaz do Bonde dos 13, invade a Bolívia com ou sem o SISFRON/ENAFRON.

“Cada governo deve adotar uma política de cooperação bilateral e multilateral sincera e profunda, isso é crucial para alcançar os resultados desejados.” – Mariano Bartolomé, Profesor Titular, Licenciatura en Relaciones Internacionales en Universidad Austral, Argentina.

O lado bom é que a Bolívia ainda é um dos países com as menores taxas de insegurança cidadã na América Latina, de acordo com dados estatísticas das Nações Unidas, como lembrou o Secretário Romero. Agora, se ele não conseguir resultados rápidos o lado bom mudará de lado.

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A Operação Ágata do ENAFRON SISFRON é uma farsa?

Vivemos em uma sociedade cristã mas poderíamos não viver e a frase de João Pereira Coutinho continuaria verdadeira para explicar o fracasso do ENAFRON e do SISFRON, se contrapondo ao sucesso do PCC 1533..

“Os órfãos de Moscou não sobrevivem sem uma fé.
E uma fé não sobrevive sem santos e pecadores.”

As siglas ENAFRON e SISFRON significam “Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras” e “Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras” ambas do Governo Federal, e como todos sabem PCC 1533 se refere ao “Primeiro Comando da Capital”.

O ENAFRON nasceu em 2011 para integrar as forças de públicas de segurança brasileiras entre si e com as dos países fronteiriços Paraguai, Bolívia, Argentina, Venezuela, e Colombia, além de agir junto a sociedade fronteiriça diminuindo a pobreza dentro e fora de nossas fronteiras.

Um resumão da história que envolve a ação de Segurança Pública nas regiões de fronteira pode ser encontrado no trabalho “Crimes Transfronteiriços em Cidades Gêmeas do Mato Grosso do Sul” elaborado pela Policial Militar Gleice Aguilar dos Santos.

Se por um lado Gleice não faz uma análise profunda, por outro mostra como as coisas realmente funcionam enquanto dos trabalhos é apenas teórico, graças a sua experiência profissional e as entrevistas que colheu com as pessoas que estão no front.

É belíssima a meta proposta na ENAFRON, de profunda base teórica, mas que na prática apenas brilha na mídia através das ações policiais e militares como as Operações Ágata e Sentinela, tendo tido a primeira grande impacto midiático em 2012 e 2013 segundo dados Google Trends.

Apesar do empenho dos profissionais participantes das operações e planejamento só restou o espetáculo para a mídia que, segundo alguns, é o último reduto dos derrotados. A Operação Ágata afundou junto como o ENAFRON sobrevivendo de apresentar belas imagens para a imprensa.
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A causa do fracasso foi a incapacidade dos Estados nacionais de se integrarem vencendo as vaidades locais, e a emaranhada burocracia legal de cada território. A cortina da farsa publicitária se abriu graças aos dois mega-assaltos do Primeiro Comando da Capital:

  • ao carro forte da Brinks em Santa Cruz na Bolívia em Março (1.3 milhões de dólares),
  • e ao PROSEGUR em Ciudad del Este no Paraguai em Abril (40 milhões de dólares).

O Ministro do Governo da Bolívia, Carlos Romero, pouco tempo depois de informar que a facção paulista não atuava em seu país, voltou a público para dizer que vai (isso mesmo o verbo no tempo futuro) trocar informações com as agências de seguranças brasileiras. O governo paraguaio também se declarou aberto ao intercâmbio de informações.

Ora, eles talvez não saibam, mas isso já acontece segundo o SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública da Presidência da República do Brasil há pelo menos cinco anos.

João Pereira Coutinho diz que precisamos de santos e pecadores, mas como fica uma sociedade onde os santos enganam? Como ficamos nós meros pecadores que precisamos e queremos desesperadamente acreditar?

O grito de guerra do Primeiro Comando da Capital é “Fé em Deus que Ele é justo. Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Precisamos de santos e pecadores, mas quem são os santos e quem são os pecadores afinal? (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

A missão do PCC Mariano Luiz Tardelli começou.

Mariano Luiz Tardelli era um líder do PCC 1533 e da comunidade de El Naranjo em Santana de Chiquitos na Bolívia, e foi esse homem que foi preso, mas o que isso de fato significará para o futuro do Primeiro Comando da Capital e do Sistema Penitenciário boliviano?

Ao chegar em El Naranjo não tentou ser didático ou pedagógico na doutrinação da comunidade, apenas estava lá, ouvia o que diziam e ajudava no que era preciso, sem querer impor nada, sem tomar uma posição de ruptura da cultura local que pudesse ser classificada como invasão ideológica ou revolucionária.

Mariano não ficou se questionando se aquelas pessoas eram boas ou más, se o povo daquela comunidade era fruto da civilização ocidental ou da eram “homens da natureza” com seu pressuposto ideológico do “bom selvagem”. Não, Mariano apenas fez amizades, e ajudou a quem pediu.

Nas veias dos PCCs corre o sangue dos antigos Bandeirantes que utilizando de violência ímpar eliminou os povos das “Sete Missões”. Passados 250 anos o sangue das comunidades missionárias ainda escorrem das mãos de todos os paulistas, mas a lição foi aprendida e hoje as bandeiras paulistas se dão de forma pacífica.

O interesse do PCC na Bolívia começou em 2007 com o objetivo de estabelecer relações com narcotraficantes bolivianos e foi implementada inicialmente por aproximadamentes 100 integrantes da facção.

jornalista Allan de Abreu

últimas notícias do Primer Comando de la Capital na Bolívia

O “Primer Comando de la Capital” ao chegar na Bolívia não se impôs, colocou à disposição das pessoas carentes, e Mariano passou a ser considerado “el padrino” de la comunidad”. O Ministro de Governo da Bolívia, Carlos Romero, declarou que o PCC foi “protegido pelos habitantes locais, eu diria que por toda a comunidade”.

Assim como os indígenas catequizados das missões no passado protegeram os jesuítas da violência dos ancestrais dos PCCs, os Bandeirantes paulistas.

É atribuída a essa única célula do Primeiro Comando da Capital quase 60 assaltos a bancos e carros fortes dos dois lados da fronteira, assim como a participação no esquema internacional de tráfico de armas e drogas, e para desbaratar o grupo o governo boliviano mobilizou mais de mil agentes policiais e militares.

Vitória para o governo boliviano que colocou para dentro de suas grades um dos maiores líderes do PCC e vários dos integrantes da facção.

O Comando Vermelho nasceu e se desenvolveu quando o governo colocou presos políticos misturados com os presos comuns no Rio de Janeiro. O Primeiro Comando da Capital nasceu e se desenvolveu depois o governo misturou presos paulistas com os da facção Comando Vermelho. Agora o governo boliviano leva para dentro de suas muralhas “el capo” do Primeiro Comando da Capital.

Manifesto del Primer Comando Capital — el organización criminal brasileña PCC 1533

Mariano Luiz Tardelli e seus comparsas não tentarão ser didáticos ou pedagógicos na doutrinação da comunidade carcerária boliviana, apenas foram levados para lá, onde ouvirão o que os presos dizem e os ajudarão no que for preciso, sem querer se impor, sem tomar uma posição de ruptura da cultura local que possa ser classificada como invasão ideológica ou revolucionária, mas serão mais uma semente missionária da facção paulista.

Nas veias dos PCCs corre o sangue dos antigos Bandeirantes que não se esqueceu de como utiliza de violência ímpar para eliminar seus inimigos.

Passados 250 anos do massacre das missões jesuíticas, a lição ainda é lembrada e hoje as bandeiras paulistas se infiltram pacificamente, seja na comunidade de de El Naranjo em Santana de Chiquitos, seja no Sistema Carcerário boliviano.

Estatuto del Primer Comando Capital PCC 1533— el banda criminal brasileña PCC 1533

Retorna ao Brasil o líder do PCC Carlos Caballero.

Ao contrário de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que sempre negou ter ligação com a facção Primeiro Comando da Capital PCC 1533, Carlos Antonio Caballero, o Capillo, em vídeo assume ser um dos líderes da facção tanto no Paraguai quanto no Brasil.

Ele e Pavão, Jarvis Chimenes Pavão, foram presos juntos em 2009 e juntos também teriam arquitetado um plano para assassinar Horacio Manuel Cartes Jara, o presidente do Paraguai, que após o assassinato de Jorge Rafaat Toumani retirou os privilégios que eles tinham dentro do sistema prisional paraguaio:

“O pavilhão vip de Pavão era equipado com três suítes, camas de casal e televisores, além de contar com uma biblioteca, uma cozinha e um escritório onde ele despachava com seus comandados.” (Revista Veja)
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Após a queda da Ministra da Justiça do Paraguai, Carla Bacigalupo o Primeiro Comando da Capital teria oferecido uma recompensa de cinco milhões de dólares pela morte de Horacio Jara. A intenção seria suavizar a situação carcerária dos PCCs presos e impedir as extradições para o Brasil.

A extradição de Capillo demonstra que a facção não obteve êxito em pressionar o governo paraguaio. Durante o período que Capillo atuou pelo PCC nos países da fronteira sul do Brasil ele diminuiu o preço pago pelas drogas no exterior diminuindo as margens dos atravessadores paraguaios criando uma linha de fornecimento concorrente direta da Bolívia.

Nesse novo ambiente criado por Capillo a facção paulista pode se contrapor ao Comando Vermelho e seus aliados no Sul, já que os paraguaios negociavam com ambas as facções e poderiam a qualquer momento cortar ou diminuir o fornecimento de uma das gangues. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

O Primeiro Comando da Capital PCC 1533 na Bolívia.

A FELCN, grupo especializado no combate ao tráfico de drogas da Bolívia, nega a presença do PCC e do CV em presídios bolivianos. O Ministro do Governo da Bolívia, Carlos Gustavo Romero Bonifaz, afirma que a Bolívia é apenas uma rota de passagem para drogas, com cocaína vindo do Peru e maconha do Paraguai. A Bolívia faz parte da “Rota do Solimões”, controlada por sucessores de Nelson Flores Collantes e possivelmente ligada à facção amazonense Família do Norte. Algumas fontes brasileiras mencionam a possível presença de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, na Bolívia, mas as autoridades locais citam outros negociadores do PCC no país.

A Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico FELCN, grupo especializado no combate ao tráfico de drogas da polícia boliviana, descarta a possibilidade o Primeiro Comando da Capital PCC 1533 e do Comando Vermelho CV de estarem implantado dentro da Bolívia um sistema de domínio dentro e fora dos presídios como acontece hoje no Brasil.

Essa informação foi passada pelo Ministro do Governo da Bolívia Carlos Gustavo Romero Bonifaz, explicando que não existe interesse por parte das organizações criminosas brasileiras em se estabelecer no país por ser aquela nação apenas uma rota para a passagem das drogas para outros países.

Em entrevista para o noticioso El Deber, Carlos Romero informou que as facções brasileiras possivelmente mantenham em seu território representantes com a missão de gerenciar os interesses das gangues.

últimas notícias do Primer Comando de la Capital na Bolívia

Romero ainda explica que a cocaína comercializada na Bolívia é de origem peruana e é levada para o Brasil, a Europa, e Ásia; já a maconha vem do Paraguai e segue para o Chile e a Argentina. Cita como exemplo da lucratividade desse negócio a compra e o transporte para o México, onde há aproximadamente 380% de sobrepreço no destino.

A Bolívia faz parte da “Rota do Solimões” que segundo o Ministério Público Federal do Brasil é um dos principais caminhos de entrada das drogas no país pelo Norte e é controlado pelo sucessor de Nelson Flores Collantes agindo conjuntamente com o grupo Frente Primero, uma dissidência das Farc, e possivelmente com ligações com a facção amazonense Família do Norte FDN.

O narcotráfico está ganhando esta batalha contra o Estado, demonstrando supremacia no controle do território (…) Esses cartéis de drogas são organizados no exterior por grupos como Los Chapitos (um grupo de narcotraficantes do México), o PCC (Primeiro Comando da Capital), grupos combinados com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e, claro, eles têm equipamentos e armas de melhor qualidade do que as forças de ordem.

coronel do Exército da Bolívia Jorge Santistevan

Parte da mídia brasileira informa que hoje pode estar no país para comandar as ações da organização Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, mas as autoridades bolivianas afirmam que os últimos negociadores do “Primer Comando de la Capital” foram Maximiliano Dorado Munhoz Filho e Ozzie Dorado Lozadas.