Sherlock Holmes, os militares e a facção PCC 1533

Holmes e Watson debatem um artigo sobre a suposta unificação de forças policiais para combater o PCC. Enquanto Watson expõe as ideias do Major Willians Taurino Moreira, Holmes ironiza as lacunas na proposta. O texto aborda falhas de articulação, militarização e riscos de injustiças.

Sherlock Holmes, em meio a reflexões meticulosas e diálogos instigantes, convida você a explorar esta envolvente narrativa que desvenda os bastidores das forças de segurança e seu confronto com o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533).

Público-alvo
Leitores interessados em literatura de ficção policial, criminologia, segurança pública e temas correlatos, incluindo estudantes, profissionais de justiça e entusiastas de narrativas sobre Sherlock Holmes.

Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.

Matheus 12:25

Dr. Watson e o Brazilian Journal of Development

Na manhã acinzentada em Baker Street, Dr. John Watson adentrou a sala de estar e encontrou Sherlock Holmes imerso em seus pensamentos, absorto em papéis sobre a mesa. Holmes permanecia em silêncio, mas seu olhar crítico denunciava que algo o incomodava. Dr. Watson, ao se sentar numa poltrona próxima, abriu o Brazilian Journal of Development, um renomado periódico que publicava artigos científicos, mas que era menosprezado por Holmes.

— Sherlock — começou Watson, ao folhear as páginas com ar curioso — encontrei aqui um artigo que talvez lhe interesse, apesar do seu tradicional desdém por este jornal.

Holmes, num suspiro reservado, lançou-lhe um olhar intrigado.

— E que tema foi capaz de despertar sua atenção a ponto de me interromper, meu caro Watson?

Watson pousou a ponta dos dedos sobre o artigo, que levava o título “Metodologia de Acompanhamento de Organização Criminosa com foco no Primeiro Comando da Capital – PCC”, de autoria do Major Willians Taurino Moreira.

— A tese deste Major defende a união de todas as forças policiais para fazer frente às facções criminosas que têm se expandido no Brasil, em especial o PCC.

Holmes manteve o semblante neutro, mas seu olhar estava longe de indicar entusiasmo.

— Ah, sim, essa ideia de cooperação entre as instituições de segurança. Uma espécie de panaceia — teorizada, mas nunca de fato aplicada, e nunca será. Por sinal, Watson, o Brasil conta, há 15 anos, com uma Doutrina Nacional de Inteligência e Segurança Pública, e só não é aplicada por sofrer boicote das organizações policiais militares.

Watson, prosseguiu:

— O Major Taurino explora a necessidade de um banco de dados único, alicerçado sobretudo nos batalhões das polícias militares, que receberia e forneceria informações à Polícia Civil para evitar retrabalho e duplicidade de esforços. Ele defende ainda que tanto a esfera federal quanto a estadual deveriam se unir para mapear com mais exatidão os membros do PCC.

Holmes cruzou os braços com ar pensativo:

— E ele menciona, por acaso, o SINESP, o sistema nacional de informações que, em teoria, deveria agregar dados de Segurança Pública? Ou ao menos a SENASP, a Secretaria Nacional de Segurança Pública, que, supostamente, já cumpre esse papel de articulação?

— Não, Sherlock. O autor fala em centralizar informações, mas não faz menção direta ao SINESP ou ao SENASP — respondeu Watson, folheando novamente as páginas do artigo do Major Moreira.

Holmes mostrou o seu costumeiro sorriso sardônico:

— Então temos aqui mais um grande plano de unificação, mas sem sequer mencionar o principal instrumento criado para esse fim. Simplesmente brilhante! E ele ao menos reflete sobre a natureza ostensiva da Polícia Militar, que não é desenhada para conduzir investigações? Fico imaginando como se encaixaria isso no ordenamento jurídico.

— Na verdade, Sherlock, o artigo não traz maiores esclarecimentos sobre essa questão — admitiu Watson. — Porém, o Major alerta para o perigo de rotular um cidadão de forma equivocada. Vou ler o trecho:

Aquele que estiver incumbido de operacionalizar o cadastramento deverá seguir rigoroso entendimento do que é necessário para considerar um indivíduo membro de terminada facção, pois o erro pode levar a graves riscos ao planejamento de futuras operações de combate ou mesmo a uma desproporcionalidade contra o indivíduo considerado erroneamente faccionado.

Holmes recostou-se, esboçando um sorriso que beirava o escárnio:

— Então ele admite, com todas as letras, o risco de injustiças? Curioso, Watson, como quem propõe algo fora das atribuições habituais da Polícia Militar ao menos reconhece o perigo de conduzir tal tarefa com pessoal não preparado para isso. É quase uma confissão de que operam fora do abrigo legal. E, claro, esse plano fabuloso ignora por completo as limitações institucionais e a velha falta de cooperação. Veja São Paulo, berço do PCC, que nem sequer compartilha o banco de dados da Polícia Militar no SINESP. Se o maior estado do país rejeita integrar informações, como esperar uma colaboração ampla entre as forças de segurança?

Watson deixou escapar um suspiro profundo, como se o desânimo tomasse conta de seus ombros:

— Infelizmente, Sherlock, o Major Taurino insiste na união de todas as forças, mas ignora pontos cruciais. Não menciona o Ministério Público, com os dados de sua poderosa GAECO, nem as Guardas Civis Municipais, que têm atuação pulverizada na maioria das grandes cidades e papel fundamental no combate ao crime. Pior ainda, ele faz apenas alusão ao departamento de inteligência dos presídios federais, desconsiderando os mais de 1.500 presídios estaduais, onde cerca de 640.000 detentos seguem em confinamento. É exatamente nesses lugares que o PCC e outras organizações criminosas consolidam seu poder e propagam suas ordens. — Watson balançou a cabeça, lançando um olhar de desalento. — Parece-me apenas mais um esboço em que a esfera militar deseja abarcar algo que, na essência, transcende a sua competência, cabendo também à esfera civil enfrentar essas facções.

Holmes levantou-se e caminhou vagarosamente até a lareira, com o rosto voltado para o pouco fogo que restava.

— Meu caro Watson, se omitimos partes fundamentais como o Ministério Público, as guardas locais, os presídios estaduais e a articulação federal, é óbvio que não haverá qualquer aliança funcional. Cria-se, com toda a pompa, um plano de integração, mas a militarização sugerida no artigo evidencia justamente por que essa convergência não vai acontecer. As barreiras corporativas dos militares parecem intransponíveis.

Ele parou, fitando o canto da parede como se ali pudesse enxergar o futuro.

— É uma tragédia anunciada. A organização criminosa Primeiro Comando da Capital, age de modo estruturado, quase empresarial, expandindo suas bases enquanto as forças de segurança permanecem cada qual em sua própria trincheira. Lamento dizê-lo: nada de novo, nada promissor.

Watson fechou o periódico com ar pesaroso, e não pôde deixar de compartilhar do pessimismo de Holmes.

Então, com um último suspiro de ironia, Sherlock Holmes finalizou:

— Como sempre digo, Watson: enquanto vigorar essa sede de protagonismo e ausência de sistemas de dados verdadeiramente integrados, resta-nos apenas observar o Primeiro Comando da Capital fortalecendo-se. Uma curiosa ironia: quem está em posição de defender a sociedade mal consegue se defender de si mesmo. E por sinal, você já se perguntou a quem interessa mais a intensificação do clima de medo na sociedade?

Análise de IA do artigo: Sherlock Holmes, os militares e a facção PCC 1533

Análise sob o ponto de vista Jurídico

A análise jurídica do texto permite identificar várias questões relevantes relacionadas à segurança pública, às atribuições das forças de segurança e ao ordenamento jurídico brasileiro. A seguir, serão abordados alguns dos principais aspectos:

1. Atribuições das Forças de Segurança e a Constituição

A Constituição Federal de 1988 estabelece claramente as funções das forças de segurança no Brasil:

  • Polícia Militar (PM) – Art. 144, §5º: responsável pelo policiamento ostensivo e pela preservação da ordem pública. Não tem atribuição investigativa.
  • Polícia Civil (PC) – Art. 144, §4º: responsável pela investigação criminal e pela apuração de infrações penais, exceto militares.
  • Polícia Federal (PF) – Art. 144, §1º: atua na repressão de crimes federais e na segurança institucional.
  • Ministério Público (MP) – Art. 129: fiscaliza a atuação das polícias, sendo titular da ação penal pública e coordenando investigações quando necessário.
  • Guardas Municipais – Art. 144, §8º: possuem atribuições limitadas à proteção de bens, serviços e instalações municipais, mas têm desempenhado papel crescente na segurança urbana.

No texto, há uma crítica de Sherlock Holmes sobre o fato de o Major Willians Taurino Moreira propor a unificação de informações e ações policiais sem considerar as atribuições constitucionais de cada instituição. A integração de dados entre as forças de segurança é essencial, mas esbarra em resistências institucionais e limitações legais. A Polícia Militar, por exemplo, não pode conduzir investigações criminais, pois isso configuraria usurpação de função, podendo levar à nulidade das provas obtidas.

2. O SINESP e a Falta de Integração

O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SINESP) foi criado para integrar dados das forças policiais em nível nacional, conforme previsto no artigo 9º da Lei nº 13.675/2018, que estabelece o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). No entanto, Sherlock Holmes ironiza a falta de adesão ao sistema por estados como São Paulo, o que compromete a eficácia da proposta de integração. A resistência das forças estaduais em compartilhar dados com a União reflete um problema estrutural na segurança pública brasileira.

3. O Perigo do Cadastramento de Indivíduos

Um dos pontos sensíveis abordados no texto é o risco de erro no cadastramento de pessoas como integrantes de facções criminosas. O Major Taurino reconhece essa possibilidade ao afirmar que “o erro pode levar a graves riscos ao planejamento de futuras operações de combate ou mesmo a uma desproporcionalidade contra o indivíduo considerado erroneamente faccionado.”

Esse trecho levanta uma preocupação jurídica fundamental: a presunção de inocência e a segurança jurídica. O artigo 5º, inciso LVII da Constituição Federal estabelece que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Caso ocorra a inclusão equivocada de um indivíduo em um banco de dados como integrante do PCC, ele poderá ser vítima de ações repressivas indevidas, violando seus direitos fundamentais. Isso pode gerar implicações civis e criminais para o Estado, incluindo ações por danos morais.

Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018) impõe restrições ao uso de informações sensíveis, exigindo transparência e critérios rigorosos para o armazenamento e processamento de dados pessoais, o que não parece estar contemplado no plano sugerido.

4. O Papel do Ministério Público e das Inteligências Prisionais

Sherlock Holmes aponta a omissão de elementos essenciais para o enfrentamento ao crime organizado, como o Ministério Público, que tem atuação crucial por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). O MP tem autonomia para coordenar investigações e atua de forma mais independente do que as forças policiais, o que lhe permite enxergar estratégias mais amplas.

Outra omissão relevante é a dos presídios estaduais, que são o principal foco de atuação do PCC. A Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984) estabelece que a administração penitenciária deve dispor de um serviço de inteligência próprio, mas, na prática, há grande fragilidade nesse setor. A negligência no monitoramento das comunicações e movimentações internas dos presídios favorece a expansão das facções.

5. A Militarização da Segurança Pública

O texto sugere que a proposta do Major Taurino representa um movimento de militarização excessiva da segurança pública, algo que gera constantes debates jurídicos e políticos. A tentativa de dar maior protagonismo à Polícia Militar pode colidir com as atribuições da Polícia Civil e do Ministério Público. A Constituição Federal estabelece um modelo dual de segurança pública, com funções distintas entre as forças ostensivas e investigativas.

A militarização também é criticada por gerar abordagens mais repressivas do que preventivas, dificultando políticas de segurança baseadas em inteligência e cooperação interinstitucional.

6. O Impacto da Falta de Cooperação

Holmes e Watson concluem que a proposta do Major não apresenta um modelo realista de integração, pois ignora a burocracia, os interesses políticos e a resistência das corporações em compartilhar informações. O trecho final, no qual Holmes ironiza a situação dizendo que “quem está em posição de defender a sociedade mal consegue se defender de si mesmo”, resume a ineficiência estrutural do combate ao crime organizado no Brasil.

A falta de uma política unificada de segurança pública permite que facções como o PCC se fortaleçam. O crime organizado opera como uma estrutura empresarial altamente adaptável, enquanto o Estado permanece fragmentado, com órgãos que competem entre si por recursos e protagonismo.

Conclusão

A proposta apresentada no artigo analisado por Sherlock Holmes e Watson, apesar de ter um objetivo válido – a integração das forças de segurança –, esbarra em diversos obstáculos jurídicos e administrativos:

  1. Conflito de atribuições – A Polícia Militar não pode conduzir investigações, pois essa função cabe à Polícia Civil e ao Ministério Público.
  2. Falta de adesão ao SINESP – A resistência dos estados em integrar seus bancos de dados compromete a eficiência da segurança pública.
  3. Presunção de inocência – A inclusão de pessoas em cadastros de facções criminosas sem critérios claros pode gerar injustiças e ações judiciais contra o Estado.
  4. Omissão de atores fundamentais – O Ministério Público, as guardas municipais e os serviços de inteligência penitenciária são ignorados no plano proposto.
  5. Militarização excessiva – O aumento do protagonismo da Polícia Militar pode prejudicar investigações e a implementação de políticas preventivas.
  6. Falta de colaboração entre órgãos – A cultura de isolamento entre as forças de segurança impede qualquer tentativa real de unificação.

No contexto jurídico, a solução para o enfrentamento ao PCC não está na militarização ou no aumento do poder da Polícia Militar, mas sim na fortalecimento da inteligência policial, na cooperação entre órgãos e na aplicação de uma política integrada e eficiente de segurança pública.

O texto, ao utilizar Sherlock Holmes para ironizar a ineficiência da segurança pública brasileira, expõe um problema jurídico estrutural: a fragmentação das forças de segurança favorece a expansão do crime organizado, enquanto as instituições do Estado insistem em buscar soluções que não respeitam os próprios limites impostos pelo ordenamento jurídico.


Análise do Texto sob a Perspectiva das Ciências Políticas

O texto apresenta uma discussão sobre segurança pública, criminalidade organizada e a atuação das forças de segurança no Brasil, utilizando Sherlock Holmes como um observador crítico do cenário. A partir da ciência política, podemos analisar o texto sob três eixos principais: institucionalismo e burocracia estatal, segurança pública e militarização e o papel da criminalidade organizada na política e na sociedade.

1. A ESTRUTURA BUROCRÁTICA DO ESTADO E O CONFLITO INSTITUCIONAL

A crítica principal feita por Holmes e Watson ao artigo do Major Taurino Moreira é a proposta de integração das forças de segurança sem a devida consideração sobre a rigidez institucional e as disputas burocráticas que dificultam qualquer colaboração significativa entre os órgãos do Estado. Essa questão pode ser analisada à luz da teoria do institucionalismo, especialmente nas vertentes do institucionalismo histórico e do institucionalismo racional.

  • Institucionalismo Histórico: A formação do Estado brasileiro seguiu um modelo de segmentação e superposição de competências. A separação entre Polícia Militar (PM), Polícia Civil (PC) e Ministério Público (MP) reflete um modelo que foi moldado desde a ditadura militar e consolidado na Constituição de 1988. Essas divisões não são apenas técnicas, mas resultado de interesses políticos e históricos que criaram barreiras para a integração entre os órgãos.
  • Institucionalismo Racional: As instituições públicas atuam de acordo com incentivos internos, e a falta de integração entre as forças de segurança é um reflexo da disputa de poder e orçamento entre essas instituições. Se cada força tem sua própria agenda, incentivos e formas de operar, a integração não ocorre simplesmente por vontade política, mas depende de mecanismos concretos de cooperação e alinhamento de interesses, que o artigo do Major Taurino Moreira parece ignorar.

A observação de Holmes sobre a resistência da Polícia Militar em compartilhar informações no SINESP reflete bem essa dinâmica. Como bem nota o detetive, o problema não é técnico, mas político e institucional: as forças policiais resistem à centralização por medo de perder poder, autonomia ou influência.

2. SEGURANÇA PÚBLICA, MILITARIZAÇÃO E CONTROLE SOCIAL

O Major propõe uma maior participação da Polícia Militar na estrutura de combate ao crime organizado, mas isso levanta questões sobre militarização da segurança pública e centralização do poder repressivo do Estado.

  • A Polícia Militar e a Doutrina da Segurança Nacional: A PM no Brasil ainda opera sob os resquícios da Doutrina de Segurança Nacional da ditadura militar, que via a segurança pública sob uma perspectiva militarizada e inimiga. Isso significa que a PM historicamente não foi estruturada para atuar de forma integrada com outros órgãos civis, mas sim para conter o “inimigo interno”, uma lógica que se perpetua mesmo após a redemocratização.
  • Militarização vs. Policiamento Comunitário: Sherlock Holmes aponta que a tentativa de colocar a Polícia Militar no centro das investigações criminais ignora sua natureza ostensiva. A segurança pública moderna trabalha cada vez mais com policiamento de proximidade e inteligência social, enquanto a militarização geralmente leva a abordagens violentas e repressivas. A proposta do Major Moreira parece ignorar essa tendência e insistir em um modelo ultrapassado.
  • Estado Policial e Liberdades Individuais: Um dos trechos mais reveladores da análise de Holmes é quando ele destaca que o próprio Major reconhece os riscos de erro na categorização de cidadãos como faccionados. Isso nos leva à clássica discussão entre segurança e liberdade: até que ponto o Estado pode intervir na vida dos cidadãos em nome da ordem pública? O Estado policial, baseado no cadastramento massivo de indivíduos como potenciais criminosos, pode levar a arbitrariedades e violações de direitos fundamentais.

A conclusão de Holmes é um diagnóstico político claro: a segurança pública brasileira não fracassa por falta de planos ou estratégias, mas porque as instituições não conseguem superar suas barreiras internas e suas disputas de poder.

3. CRIMINALIDADE ORGANIZADA E SUA RELAÇÃO COM A POLÍTICA

O Primeiro Comando da Capital (PCC) aparece no texto como um agente político, não apenas como um grupo criminoso. Holmes nota que enquanto o Estado continua fragmentado e burocratizado, a facção opera de maneira coesa, estratégica e empresarial. Essa observação remete a debates centrais da ciência política sobre o papel das organizações criminosas dentro do Estado e da sociedade.

  • O PCC como ator político: Diferente de gangues desorganizadas, o PCC adota uma estrutura hierárquica e estratégica que se assemelha a uma entidade quase estatal dentro dos presídios e periferias. Ele exerce controle social, impõe regras e até resolve disputas, funções que tradicionalmente caberiam ao Estado. Isso se encaixa na teoria dos Estados paralelos, onde organizações criminosas preenchem lacunas deixadas pela ausência de um Estado eficiente.
  • A Economia Política do Crime: O PCC não sobrevive apenas pela violência, mas pela conexão com setores econômicos e políticos. A organização lida com tráfico de drogas, segurança privada ilegal e corrupção institucional, criando uma rede de interesses que dificulta seu combate efetivo. Como Holmes sugere no final do texto, o combate ao crime organizado não é apenas uma questão de polícia, mas de estruturação política e econômica do próprio Estado.
  • O Medo Como Ferramenta de Controle: A última frase de Holmes é talvez a mais politicamente relevante:
    “Você já se perguntou a quem interessa mais a intensificação do clima de medo na sociedade?”
    Isso remete à teoria política do Estado de Exceção, de Giorgio Agamben. Governos e instituições podem se beneficiar do medo ao usar a insegurança pública como justificativa para expandir o controle estatal, aprovar leis mais repressivas e militarizar ainda mais a sociedade.
Conclusão: Um Estado Fragmentado Contra um Crime Organizado

O texto expõe, com ironia e crítica afiada, um dos maiores dilemas políticos do Brasil: enquanto o Estado permanece fragmentado, burocratizado e com disputas internas, o crime organizado age de maneira coesa e estratégica. O que Sherlock Holmes nos mostra é que o problema não é a falta de planos ou de vontade política, mas sim a incapacidade do Estado de superar suas próprias barreiras institucionais e burocráticas.

  • A militarização da segurança pública não resolve o problema, pois ignora as diferenças entre policiamento ostensivo e inteligência investigativa.
  • A integração entre forças de segurança não ocorre por resistência institucional e política, e não por falta de tecnologia ou planejamento.
  • O crime organizado atua como um ator político e econômico, explorando as falhas do Estado e se consolidando como um poder paralelo.

A mensagem final do texto é uma crítica profunda à forma como o Brasil lida com a segurança pública: um Estado que deveria proteger a sociedade, mas que não consegue nem mesmo se organizar internamente para cumprir essa função.


Análise Sociológica do Texto: Sherlock Holmes, os Militares e a Facção PCC 1533

O texto se vale da figura de Sherlock Holmes para criticar, com ironia e pessimismo, o funcionamento do aparato de segurança pública no Brasil e sua relação com a criminalidade organizada. A análise sociológica pode ser estruturada em três eixos principais: o Estado e a violência institucional, a criminalidade como fenômeno social e estrutural, e a produção do medo como mecanismo de controle social.

1. O Estado e a Violência Institucional

A primeira questão sociológica evidente no texto é a ineficácia do Estado em lidar com o crime organizado, especialmente no que diz respeito à fragmentação das forças de segurança e à falta de cooperação entre elas. Holmes expõe, com sarcasmo, como o artigo do Major Taurino Moreira propõe uma solução já tentada diversas vezes, mas que fracassa devido às barreiras burocráticas e institucionais.

Essa crítica dialoga com a teoria de Max Weber sobre o monopólio da violência legítima. Weber afirma que o Estado moderno é caracterizado pelo controle exclusivo da força e do uso legítimo da violência dentro de seu território. No entanto, no Brasil, a incapacidade das forças de segurança de agir de maneira integrada abre espaço para que organizações como o PCC se apropriem desse monopólio em determinados contextos, como nos presídios e periferias.

  • A crítica de Holmes à falta de integração entre PM, Polícia Civil e outros órgãos reforça a ideia de que o Estado brasileiro não é capaz de exercer plenamente sua soberania sobre a segurança pública, deixando um vácuo que é preenchido por grupos organizados.
  • O fato de São Paulo não compartilhar dados no SINESP reflete uma disputa entre instituições do Estado, revelando que o problema da segurança pública não é apenas técnico, mas político e social.

Outro ponto que remete à sociologia política é a noção de “Estado dual”, como discutido por pesquisadores como Guillermo O’Donnell. No Brasil, convivem um Estado formal, com leis e regras estabelecidas, e um Estado informal, onde diferentes grupos (milícias, facções, agentes corruptos) detêm poder e influência. A ironia de Holmes sobre a “tragédia anunciada” indica que o PCC tem um funcionamento mais estruturado e eficiente do que o próprio Estado.

2. A Criminalidade Como Fenômeno Social e Estrutural

O texto não trata o PCC apenas como uma organização criminosa, mas como um fenômeno sociológico que se expandiu devido a falhas estruturais do Estado e da sociedade. Para compreender isso, podemos recorrer à teoria da anomia de Émile Durkheim e à perspectiva da violência estrutural.

  • Anomia e criminalidade organizada: Durkheim define a anomia como um estado de desordem social causado pela falta de normas e instituições eficazes. A expansão do PCC pode ser vista como um resposta à ausência de um Estado funcional, especialmente nos presídios e periferias, onde a presença estatal é fraca ou repressiva. Nessas condições, o crime organizado se torna uma forma alternativa de ordem, impondo regras e até oferecendo segurança a comunidades desassistidas.
  • A violência estrutural: O PCC não surge no vácuo, mas é produto de uma estrutura social marcada pela desigualdade, pelo abandono estatal e pela exclusão de grande parte da população. O texto sugere isso quando Watson menciona a importância dos presídios estaduais no fortalecimento das facções. Ou seja, as prisões não funcionam como locais de ressocialização, mas como incubadoras do crime organizado. Essa crítica está alinhada com as teorias de Loïc Wacquant, que argumenta que o sistema penal moderno não combate o crime, mas gerencia a marginalização social, concentrando e ampliando desigualdades.
  • A guerra às drogas e a militarização da segurança: A ideia de que a polícia deve centralizar o combate ao crime organizado, defendida pelo Major Taurino, reflete uma perspectiva militarizada da segurança pública, que tem sido fortemente criticada por sociólogos como Vera Malaguti Batista e Luiz Eduardo Soares. A repressão policial, muitas vezes seletiva e voltada às classes mais baixas, não ataca as raízes do problema, mas apenas perpetua ciclos de violência e encarceramento.

Holmes ironiza essa abordagem ao apontar que a Polícia Militar não foi desenhada para investigações, o que indica um descompasso entre as funções institucionais e a realidade do combate ao crime. O fato de a militarização não resolver a questão do PCC evidencia que o problema da segurança pública é social e estrutural, não apenas policial.

3. O Medo Como Ferramenta de Controle Social

A última frase de Holmes – “Você já se perguntou a quem interessa mais a intensificação do clima de medo na sociedade?” – introduz um dos conceitos mais centrais da sociologia contemporânea: o medo como ferramenta de controle social.

  • A “indústria do medo”: Como analisado por Michel Foucault e Zygmunt Bauman, o medo não é apenas uma consequência do crime, mas um instrumento político e midiático poderoso. Governos, mídias e setores da segurança pública se aproveitam da sensação de insegurança para justificar medidas autoritárias, aumentar gastos militares e reforçar estruturas repressivas. Isso leva à aceitação social de práticas como abordagens violentas, monitoramento em massa e endurecimento penal, mesmo quando essas medidas não reduzem efetivamente o crime.
  • O papel da mídia na construção do pânico moral: No Brasil, a mídia frequentemente retrata o crime de maneira espetacularizada, reforçando o pânico moral e criando um ambiente de constante sensação de insegurança. Como Holmes sugere, essa atmosfera de medo beneficia determinados grupos, como políticos que usam o discurso da “lei e ordem” para obter apoio eleitoral, empresas de segurança privada e setores da própria polícia.
  • O Estado de Exceção Permanente: Filósofos como Giorgio Agamben argumentam que sociedades modernas tendem a viver em um estado de exceção constante, onde direitos individuais são sacrificados em nome da segurança pública. A sugestão do Major de um sistema de cadastramento de faccionados, ainda que ele próprio reconheça os riscos de erro, remete a esse processo de criminalização prévia de indivíduos sem garantias plenas de defesa. Isso é típico de Estados que operam em uma lógica de segurança máxima, onde qualquer um pode ser um suspeito.
Conclusão: O Estado Como Fator de Criação e Manutenção do Crime

O texto de maneira irônica e crítica aponta um fato sociológico essencial: o crime organizado não é uma anomalia dentro da sociedade, mas um produto direto de suas estruturas políticas, econômicas e sociais.

  • O Estado fragmentado e burocrático impede ações eficazes de combate ao crime, enquanto o PCC opera de maneira organizada e adaptativa.
  • A violência e a exclusão social criam as condições para que facções como o PCC sejam vistas como alternativas viáveis dentro de comunidades marginalizadas.
  • A militarização da segurança pública e a repressão policial não solucionam o problema, pois atacam os sintomas e não as causas da criminalidade.
  • O medo e a sensação de insegurança são explorados politicamente, justificando medidas autoritárias e reforçando ciclos de violência.

O pessimismo de Sherlock Holmes não vem da falta de soluções, mas do reconhecimento de que a segurança pública brasileira não é um problema técnico, mas um problema social, político e estrutural, perpetuado por interesses que não desejam mudanças reais.


Análise Filosófica do Texto (Excluindo Ética e Moral)

O texto, ao utilizar Sherlock Holmes como crítico da segurança pública brasileira, não apenas problematiza a ineficiência do combate ao crime organizado, mas também levanta questões filosóficas profundas sobre o conhecimento, a racionalidade, o poder e a verdade. Essa análise será dividida nos seguintes eixos:

  1. Epistemologia e a Construção do Conhecimento
  2. A Dialética entre Ordem e Caos
  3. O Poder e suas Estruturas
  4. A Ironia e o Ceticismo como Ferramentas Filosóficas
1. Epistemologia e a Construção do Conhecimento

Sherlock Holmes, ao longo do diálogo, opera dentro de uma epistemologia empirista e racionalista, caracterizando-se como um sujeito que valoriza a lógica, a evidência e a coerência na construção do conhecimento. O Major Taurino Moreira, por outro lado, representa um modelo teórico especulativo, que propõe soluções sem base concreta na realidade.

  • Holmes critica o artigo porque percebe nele um déficit epistemológico: a proposta do Major ignora fatos conhecidos sobre a ineficácia da integração das forças de segurança, desconsidera o SINESP e omite questões fundamentais. Isso lembra a distinção kantiana entre conhecimento a priori e a posteriori – enquanto Holmes exige uma abordagem baseada na experiência e na aplicação prática, o Major parece formular uma tese puramente conceitual, sem evidência empírica.
  • Essa crítica também pode ser relacionada ao Círculo de Viena e à epistemologia positivista: a ciência só avança quando baseia suas premissas em verificações empíricas. Holmes desmonta a argumentação do Major porque percebe que ela não se sustenta dentro desse paradigma. O plano de integração das forças de segurança é uma teoria sem experimentação, um modelo que não se testa na realidade.

Além disso, o trecho sobre o risco de erros na classificação de indivíduos como membros do PCC levanta uma questão central da filosofia da linguagem e da epistemologia foucaultiana: como se constrói a verdade dentro de um sistema de poder? Se a categorização de um criminoso pode ser equivocada, qual é a base do conhecimento em que essa categorização se sustenta? O próprio ato de classificar um indivíduo como criminoso não é neutro, mas uma construção social que pode servir a interesses políticos.

2. A Dialética entre Ordem e Caos

O diálogo entre Holmes e Watson estrutura-se como um embate entre ordem e caos, um dos temas mais fundamentais da filosofia ocidental. Enquanto o Major Taurino Moreira propõe uma solução que presume a possibilidade de controle total (por meio da centralização de informações e da integração policial), Holmes, em tom niilista, argumenta que o caos institucional e a fragmentação das forças de segurança são inerentes ao próprio sistema.

  • Essa visão pode ser relacionada a Heráclito e sua filosofia do fluxo: a realidade é caracterizada por constantes mudanças e tensões. A tentativa de impor uma ordem absoluta (integração policial, centralização de dados) é ilusória, pois a natureza do poder e da sociedade é fluida e mutável.
  • Outra leitura possível está na dialética hegeliana: Holmes e Watson observam que a proposta do Major ignora as contradições estruturais do sistema de segurança pública. Tese (a proposta do Major), antítese (a resistência das corporações policiais) e síntese (a contínua ineficácia do combate ao PCC) demonstram como o sistema se perpetua sem mudanças reais.
  • A referência ao PCC como uma organização estruturada, quase empresarial, enquanto o Estado permanece fragmentado, evoca a visão de Thomas Hobbes sobre o Leviatã. Para Hobbes, o Estado só pode manter a ordem se possuir um poder soberano absoluto. No entanto, no Brasil, esse Leviatã falha, criando um vácuo de poder que permite a ascensão de outras formas de organização, como as facções criminosas.

Holmes, com seu pessimismo, parece flertar com a visão nietzschiana do eterno retorno: o crime organizado cresce, o Estado fracassa, novas políticas são sugeridas, mas nada realmente muda. A “tragédia anunciada” de que o PCC continuará a se fortalecer é um ciclo inescapável, reforçando a visão de que a luta contra o crime não é apenas uma questão operacional, mas uma disputa existencial sobre quem detém o verdadeiro poder.

3. O Poder e suas Estruturas

Sherlock Holmes identifica, ao longo do diálogo, um problema central do pensamento político-filosófico: a ilusão de que o poder estatal pode ser plenamente funcional e eficaz. Sua ironia em relação à militarização da segurança pública revela uma compreensão foucaultiana do poder:

  • O poder não é centralizado, mas disperso. Diferentes instituições (Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público, governo estadual e federal) competem entre si. Essa fragmentação impede qualquer tentativa de ação coordenada, permitindo que o crime organizado se fortaleça.
  • O poder do crime organizado como contra-estrutura. O PCC funciona como um governo dentro do governo, impondo regras e hierarquias que o próprio Estado falha em aplicar. Isso se aproxima da noção de biopoder, na qual instituições extraestatais começam a administrar a vida da população em territórios onde o Estado está ausente.
  • Holmes também sugere que a quem interessa a intensificação do medo? Essa pergunta reflete a tese de Giorgio Agamben sobre o Estado de Exceção. Se a insegurança persiste, os governos têm justificativa para expandir medidas autoritárias e fortalecer forças de repressão, mesmo que essas políticas não sejam realmente eficazes contra o crime organizado.

Em resumo, o texto sugere que o poder não é exercido apenas pelo Estado, mas também pelas facções criminosas, pela burocracia estatal e pelos interesses políticos que lucram com o medo.

4. A Ironia e o Ceticismo como Ferramentas Filosóficas

Sherlock Holmes, ao desmontar as premissas do Major Moreira, utiliza a ironia e o ceticismo como métodos filosóficos.

  • Seu sarcasmo lembra a tradição socrática, onde a ironia serve para expor as fragilidades do argumento oposto. Holmes desmonta a proposta do Major ao questionar lacunas fundamentais, como a ausência de menção ao SINESP e a exclusão de atores essenciais na segurança pública.
  • O pessimismo do detetive ecoa o ceticismo de Montaigne e Hume, segundo os quais a razão humana é frequentemente falha e limitada. Holmes demonstra essa visão ao afirmar que a segurança pública continuará a fracassar, pois as forças policiais operam dentro de estruturas viciadas e ineficazes.
  • O último suspiro de ironia de Holmes, ao perguntar “a quem interessa a intensificação do clima de medo na sociedade?”, também evoca Marx e a crítica ideológica. Se a insegurança não é combatida efetivamente, talvez seja porque o medo seja politicamente útil para certos grupos, justificando o controle social e a expansão do aparato repressivo.
Conclusão: Filosofia, Segurança e Conhecimento

A crítica de Sherlock Holmes à segurança pública brasileira vai além da ineficiência estatal; ela toca questões filosóficas mais amplas:

  1. Epistemologia e verdade – A falta de embasamento empírico na proposta do Major reflete problemas na forma como se constrói o conhecimento sobre segurança pública.
  2. Ordem e caos – A fragmentação das forças de segurança revela uma tensão fundamental entre controle e desordem, típica da dialética política.
  3. Poder e biopolítica – O PCC age como um Estado paralelo porque o verdadeiro Estado falha em centralizar sua soberania.
  4. Ironia e ceticismo – O discurso de Holmes lembra as estratégias filosóficas de questionamento da verdade, do poder e da autoridade.

Em última instância, a visão de Holmes sugere que o combate ao crime não é apenas uma questão policial, mas uma disputa filosófica sobre o próprio conceito de poder, ordem e verdade no Estado moderno.


Análise do Texto sob a Perspectiva da Psicologia Organizacional

A partir da Psicologia Organizacional, que estuda o comportamento humano dentro de estruturas institucionais, podemos analisar o texto em relação a liderança e tomada de decisão, cultura organizacional e burocracia, cooperação e resistência entre instituições e gestão de crises e mudança organizacional.

1. Liderança e Tomada de Decisão: A Fragmentação do Comando na Segurança Pública

A crítica de Sherlock Holmes ao artigo do Major Taurino Moreira revela um problema organizacional clássico: a falta de liderança centralizada e coordenação entre as forças de segurança. O Major propõe um modelo integrador, mas Holmes desmonta essa ideia ao destacar que, na prática, há uma resistência organizacional que impede a colaboração eficaz entre instituições.

Isso pode ser analisado pela teoria da liderança e da tomada de decisão:

  • Falta de uma liderança clara: Como não há um comando único que unifique as forças de segurança, cada instituição opera de forma independente e até concorrente, dificultando a implementação de estratégias unificadas. Esse fenômeno pode ser explicado pelo modelo de tomada de decisão fragmentada, onde diferentes líderes disputam poder e recursos em vez de cooperar para um objetivo comum.
  • Modelo de decisão incremental: Como indicado por Charles Lindblom, decisões em ambientes organizacionais complexos não são tomadas de maneira racional e centralizada, mas sim por meio de pequenos ajustes incrementais. Isso explicaria por que a segurança pública no Brasil não muda drasticamente, mas apenas se adapta dentro das limitações institucionais. O PCC, por outro lado, opera como uma organização flexível, capaz de se adaptar rapidamente a novas situações.
  • Síndrome da Torre de Marfim: O Major Moreira, ao propor uma solução descolada da realidade institucional, pode estar sofrendo do efeito psicológico da racionalização excessiva sem execução prática. Isso ocorre quando líderes ou planejadores estratégicos criam planos grandiosos sem considerar as barreiras culturais, políticas e psicológicas da implementação.
2. Cultura Organizacional e Burocracia: A Resistência à Cooperação

Sherlock Holmes enfatiza a falta de integração entre as instituições policiais como uma barreira insuperável, sugerindo que a cultura organizacional dessas entidades impede a colaboração. Isso pode ser explicado por diversos conceitos da Psicologia Organizacional:

  • Cultura de silo: Quando organizações operam de forma isolada e resistem à colaboração, criam barreiras chamadas de silos organizacionais. Isso ocorre na relação entre Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e outras forças de segurança. Cada uma dessas instituições tem suas próprias regras, seus próprios bancos de dados e sua própria lógica operacional, o que inviabiliza a cooperação.
  • Burocracia e resistência à mudança: Max Weber já analisava como a burocracia cria rigidez organizacional. Holmes aponta que a estrutura de segurança pública não muda porque as próprias corporações sabotam tentativas de integração, pois a mudança pode significar perda de autonomia, controle sobre dados e orçamento. Essa resistência é conhecida na Psicologia Organizacional como viés da aversão à perda: os tomadores de decisão temem mais perder o que já possuem do que ganhar benefícios futuros.
  • Desalinhamento de incentivos: Cada instituição dentro da segurança pública tem objetivos distintos e até conflitantes. A Polícia Militar, focada no policiamento ostensivo, não tem incentivo para compartilhar informações com a Polícia Civil, que faz investigações. O Ministério Público, por sua vez, opera com maior independência e pode ignorar interesses da Polícia Militar. Esse desalinhamento dificulta a criação de um propósito organizacional unificado.
3. Cooperação e Resistência Entre Instituições: O Problema da Integração

Watson menciona a proposta do Major Moreira de criar um banco de dados unificado para centralizar informações sobre o PCC. Holmes, porém, ironiza essa ideia ao lembrar que já existe um sistema similar, o SINESP, que não é utilizado de maneira eficiente.

Isso reflete o paradoxo da cooperação organizacional, estudado na Psicologia Organizacional:

  • Falsa ilusão de colaboração: Muitas organizações afirmam cooperar, mas na prática mantêm dados segregados e evitam compartilhar informações estratégicas. Isso ocorre porque existe um viés de territorialidade, onde cada setor vê seus dados como ativos valiosos e teme perder poder ao compartilhá-los.
  • Desconfiança e competição interna: As forças de segurança atuam não apenas contra o crime, mas também entre si, competindo por recursos, prestígio e influência. Isso é descrito por Kurt Lewin como um fenômeno de dinâmica de grupos, no qual organizações internas competem mais ferozmente entre si do que contra ameaças externas.
  • Falta de integração de dados e processos: A resistência à centralização de informações também pode ser explicada pelo viés da complexidade percebida. Instituições burocráticas evitam grandes mudanças porque acreditam que os custos operacionais de integração são altos demais. Holmes ironiza esse ponto ao sugerir que o Major propõe uma solução sem sequer mencionar os sistemas já existentes, indicando que a falha não está na falta de tecnologia, mas sim na resistência organizacional.
4. Gestão de Crises e Mudança Organizacional: O Caso do PCC como Modelo de Eficiência

Holmes finaliza sua análise destacando que, enquanto o Estado permanece fragmentado, o PCC cresce como uma organização bem estruturada, quase empresarial. Essa comparação é fundamental para entender o contraste entre gestão ineficiente no setor público e gestão eficaz no crime organizado.

  • O PCC como organização resiliente: Diferente do Estado, que enfrenta obstáculos burocráticos e conflitos institucionais, o PCC opera como uma organização adaptável e descentralizada, capaz de ajustar rapidamente suas estratégias. A facção adota um modelo de liderança flexível, com autonomia local para seus integrantes, algo semelhante ao conceito de agilidade organizacional, utilizado por empresas inovadoras.
  • Motivação e engajamento dos membros: Estudos em Psicologia Organizacional mostram que o pertencimento a um grupo com propósito claro aumenta a motivação dos indivíduos. O PCC cria um sentido de identidade e proteção para seus membros, muitas vezes oferecendo mais estrutura do que o próprio Estado.
  • Falta de um modelo de mudança na segurança pública: O Major propõe um plano sem considerar como essa mudança seria implementada na prática. Modelos de gestão organizacional como o Modelo de Mudança de Kotter indicam que para uma mudança bem-sucedida, é necessário:
    1. Criar senso de urgência
    2. Formar uma coalizão poderosa
    3. Desenvolver uma visão clara
    4. Comunicar a visão
    5. Capacitar agentes de mudança
    6. Criar pequenas vitórias
    7. Sustentar as mudanças

O artigo do Major ignora todas essas etapas, sugerindo um plano de cima para baixo sem considerar a resistência cultural e os desafios operacionais.

Conclusão: O Dilema da Gestão Organizacional na Segurança Pública

A análise sob a perspectiva da Psicologia Organizacional revela que o problema da segurança pública não é apenas técnico ou jurídico, mas essencialmente organizacional.

  1. A liderança na segurança pública é fragmentada, sem um comando unificado capaz de implementar mudanças estruturais.
  2. A cultura organizacional das forças policiais cria resistência à integração, reforçando silos burocráticos e interesses concorrentes.
  3. A cooperação entre instituições é mais teórica do que prática, devido a rivalidades, falta de alinhamento de incentivos e desconfiança entre setores.
  4. O PCC funciona como uma organização eficiente e adaptável, enquanto o Estado continua preso a modelos hierárquicos rígidos e ineficazes.

A ironia final de Holmes – “quem está em posição de defender a sociedade mal consegue se defender de si mesmo” – sintetiza a crítica organizacional: o problema não é a falta de planejamento, mas a incapacidade de transformar planos em ações concretas dentro de uma estrutura resistente à mudança.


Analise sob o ponto de vista da Linguagem

A análise da linguagem presente no texto revela, em primeiro lugar, um tom narrativo que mistura elementos de ficção — especialmente ao emular o universo de Sherlock Holmes — com discussões sobre segurança pública no Brasil. Esse contraste gera um efeito dramático que dá ao leitor a sensação de acompanhar um diálogo literário, embora o tema abordado seja altamente realista. A seguir, alguns pontos relevantes:

  1. Uso do diálogo para exposição de ideias
    • O texto é organizado a partir de intervenções diretas dos personagens, o que o aproxima do gênero teatral ou de um conto dialogado. Essa estrutura torna a leitura mais dinâmica, pois a maior parte das informações sobre o artigo, suas críticas e pontos frágeis, é transmitida por meio de perguntas e respostas.
    • A alternância entre as falas de Watson e Holmes confere ritmo ao texto, facilitando o acompanhamento dos argumentos.
  2. Variação tonal e vocabulário
    • Holmes adota uma postura mais cética, com falas que beiram o sarcasmo (“Simplesmente brilhante!”) e termos que insinuam desprezo ou ironia. Essa escolha de palavras contribui para construir a figura do personagem como alguém perspicaz, mas também impaciente com o que considera ingenuidade ou falhas estratégicas.
    • Watson, por outro lado, mantém um tom de curiosidade e de cautela. Sua linguagem é mais descritiva e explicativa, pois ele apresenta o artigo e os argumentos do Major.
    • O vocabulário geral é formal, mas não excessivamente técnico. Expressões como “banco de dados único”, “duplicidade de esforços” e “natureza ostensiva da Polícia Militar” revelam a preocupação em abordar questões institucionais, porém sem se aprofundar em jargões jurídicos ou de segurança.
  3. Estratégias de ênfase e crítica
    • Há frequente uso de perguntas retóricas (“Fico imaginando como se encaixaria isso no ordenamento jurídico?”, “E que tema foi capaz de despertar sua atenção a ponto de me interromper?”), recurso que enfatiza a contestação das ideias apresentadas no artigo.
    • A ironia também se destaca, pois Holmes recorre a expressões como “Simplesmente brilhante!” para criticar implicitamente as lacunas do plano. A escolha de pontos de exclamação e reticências nas falas do detetive dá ao discurso um tom de desdém e ceticismo.
  4. Coerência e coesão textuais
    • O encadeamento das falas segue uma lógica clara: Watson introduz o conteúdo do artigo, Holmes intervém com observações pontuais, e ambos expandem a conversa inserindo novos elementos (SINESP, SENASP, Ministério Público, etc.). Isso cria uma progressão de ideias coerente.
    • As ligações entre frases (“porém”, “por sinal”, “entretanto”, “infelizmente”) facilitam a compreensão e mostram uma progressão argumentativa bem estabelecida.
  5. Uso de descrições e ambientação
    • Embora curto, o parágrafo inicial oferece uma ambientação típica das histórias de Sherlock Holmes: “Na manhã acinzentada em Baker Street…”, “encontrou Sherlock Holmes imerso em seus pensamentos…”. Esse cenário familiar cria um clima “clássico” e prepara o leitor para uma narrativa que, em essência, é crítica e informativa, mas resgata a atmosfera literária original do detetive.
  6. Efeito dramático e persuasivo
    • A forma como o texto finaliza, com a fala de Holmes a respeito do clima de medo na sociedade, fecha o ciclo argumentativo e deixa uma reflexão no ar (“a quem interessa mais a intensificação do clima de medo?”). Esse recurso convida o leitor a ponderar as questões levantadas, mantendo a coerência com o perfil perspicaz do personagem.

Em síntese, a linguagem do texto equilibra um registro formal com toques de ironia e sarcasmo, típicos do estilo de Holmes. A conversação entre os personagens serve tanto para contextualizar o leitor quanto para expor e criticar o teor do artigo discutido, mantendo fluidez narrativa e clareza de propósitos.

Conselho de Pai, sintonia geral da cidade da facção PCC 1533

Este artigo explora o tema “Conselho de Pai” através da lente da história de Júlio César, também conhecido como irmão Preto do Jardim Vitória. Preto, um líder influente da facção PCC 1533, tenta guiar seu filho para longe do mundo do crime, oferecendo uma perspectiva única sobre o impacto da orientação paternal no submundo do crime.

“Conselho de pai” é o fio condutor desta narrativa envolvente, explorando a intersecção entre fé, família e destino. Destacamos a história de Júlio César, conhecido como Preto, um líder influente no Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), que tenta orientar seu filho para um caminho longe do crime. Esta história, embora situada em uma realidade dura, oferece uma perspectiva única sobre o poder e a influência da orientação paterna.

Neste texto, encontramos um contraste fascinante entre a sabedoria bíblica do Rei Salomão e o “conselho de pai” oferecido por Preto a seu filho. Mesmo em circunstâncias adversas, o desejo de guiar e proteger prevalece, proporcionando uma janela para as complexidades humanas dentro do mundo do tráfico de drogas. Através desta perspectiva única, somos convidados a refletir sobre o valor da orientação paternal, independentemente do contexto.

Conselho de Pai: Salomão e Irmão Preto do PCC

O respeito aos pais, uma premissa central da fé cristã, é um pilar frequentemente questionado na sociedade moderna. Atualmente, muitos jovens tendem a dispensar o “conselho de pai”, optando por forjar seu próprio caminho. Em vez de se voltar para a sabedoria da família, eles procuram orientação em seus amigos e na mídia, como a televisão.

Em meio a este contexto, a Bíblia fornece várias advertências sobre as consequências da negligência do “conselho de pai”. Mesmo que a fé religiosa seja deixada de lado, a sabedoria paterna continua a ter valor pelo seu profundo entendimento das complexidades da vida.

Um exemplo marcante dessa sabedoria é encontrado nas palavras do Rei Salomão, personagem bíblico renomado por sua inteligência. Ele aconselhava fortemente seus filhos a honrar as palavras de sua mãe:

Elas serão uma coroa de graça para a tua cabeça e colares para o teu pescoço. Meu filho, se os pecadores quiserem te seduzir, não consintas.

O rei Salomão enfatizava a importância de seguir o “conselho de pai” para garantir “longos dias, anos de vida e paz”.

Primeiro Comando da Capital: O Impacto do Conselho Paternal no Submundo do Crime

Surpreendentemente, essa vontade de guiar e proteger também pode ser encontrada em Júlio César, conhecido como irmão Preto do Jardim Vitória, o sintonia geral de Itu, membro destacado do Primeiro Comando da Capital. Apesar de ser uma figura importante no tráfico de drogas, e comandar Preto tenta manter seu filho longe desse caminho perigoso.

Preto fornece um “conselho de pai” do interior de uma cela de prisão, suas palavras parecendo ecoar as de Salomão.

Aí, a fita é o seguinte mano, se liga só na fita, você não tem tempo não mano, para curtir não. Procura ganhar um dinheiro, daqui uns dias aí, vai estar guardando dinheiro no banco, comprando um carro, reformando sua casa, ou construindo uma casa aí no fundo para você, entendeu mano.

Reflexões sobre o Conselho de Pai: De 2012 até Hoje

A vida de Preto é marcada pelo arrependimento, apesar de sua posição de liderança na organização criminosa. Ele reconhece a brutalidade da vida no tráfico e deseja um destino diferente para seu filho. O filho de Preto parece acolher esse “conselho de pai”, respondendo com esperança:

Essa é minha intenção, aí ó!

No entanto, a história de Roboão, filho de Salomão, serve como um aviso. Ignorando o “conselho de pai”, Roboão sofreu grandes perdas após a morte de Salomão. Assim, o destino pode estar aguardando o filho de Preto, demonstrando que mesmo as melhores intenções podem ser superadas pelo inevitável.

Ficha Psicossocial de Preto

Júlio César, mais conhecido como irmão Preto, é uma figura multifacetada, que ao mesmo tempo em que exerce papel de líder no Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), também é pai preocupado com o futuro de seu filho.

Psicologicamente, Preto apresenta uma combinação de pragmatismo brutal e profundo amor paternal. Apesar de suas ações criminosas, ele é claramente motivado por um forte senso de responsabilidade paternal. Ele é consciente das implicações de suas escolhas e busca fervorosamente desencorajar seu filho de seguir seu caminho. Sua comunicação revela uma tentativa de orientar seu filho a partir de sua própria experiência, provando que, apesar do ambiente brutal em que se encontra, o instinto paternal não é suprimido.

Sociologicamente, Preto é um produto do ambiente em que vive. Ele pertence a uma facção criminosa poderosa e exerce uma posição de liderança dentro dela. No entanto, sua vida no crime o levou a uma existência solitária na prisão, que ele descreve de maneira triste. Essa visão de sua situação indica que ele compreende as implicações de suas ações e o efeito destrutivo que elas tiveram em sua vida e na vida de outros.

Preto, portanto, é um personagem complexo. Enquanto líder criminoso, ele personifica a face dura e inescrupulosa do crime organizado. No entanto, como pai, ele encarna a essência de um homem que quer proteger seu filho dos perigos que ele próprio não conseguiu evitar. Seu perfil psicossocial, portanto, é um estudo sobre as contradições humanas e a complexidade do amor paternal, mesmo nas circunstâncias mais adversas.

Esse texto foi publicado originalmente em 9 de janeiro de 2012 no site aconteceuemitu.org

Aniversário 55 anos de Marcola do PCC

No aniversário de 55 anos de Marcola do PCC, republico uma matéria antiga sobre o líder do Primeiro Comando da Capital.

Marcos Willians Herbas Camacho: mito ou realidade?

Neste ano de 2023, Marcola completa 55 anos bem vividos. Ele mudou o Brasil ao estruturar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 15.3.3).

Foi ele que trouxe para dentro da facção conceitos como a pacificação e a união dos criminosos para trabalharem pelo progresso comum.

Muito falei sobre ele nesses 11 anos de publicações nesse site fiz dezenas de textos, mas qual será o futuro desse líder? Será que ainda lidera?

No entanto, hoje só passo aqui para lembrar a data e para isso estou repostando esse antigo texto publicado originalmente no dia 13 de março de 2017.

Comentando sobre o mito Marcola

Quem são de fato o Marcola e o Gegê do Mangue entre outros líderes do Primeiro comando da Capital PCC 1533?

Hoje é quase impossível separar o mito da realidade, e quem criou esses personagens idolatrados por multidão de fãs por um lado e odiado por outros tantos.

Ludimilla de Lima em um trabalho para a Universidade do Rio de Janeiro chamada “Construção de mitos da criminalidade sob a luz da imprensa carioca” parece ter achado a resposta.

O Marcola da imprensa é real?

O Marcola que conhecemos através da imprensa ou das conversas é um mito, isso é, ele é apenas uma representação exagerada pela imaginação daqueles que contam sua história e relatam seus feitos.

Mas existe algo de real sobre o qual esse mito foi criado e principalmente, essa personalidade criada é aceita por um ou mais grupos de pessoas.

Os deuses da antiguidade greco-romana eram como Marcola, não eram perfeitos, não eram santos, todos tinham seus pontos fortes e pontos fracos.

Marcola preso no Tártaro

Marcola está preso em uma das cavernas do Tártaro, o Mundo Inferior, mas assim como Hades, fez do mundo dos mortos, para onde todos os inimigos do Olimpo e da sociedade são enviados e onde são castigados por seus crimes, o seu reino, no qual criou um exército que assusta o mundo dos humanos e atemoriza os deuses e governantes.

Mito e realidade se cruzando. A mesma história que foi contada no passado é agora novamente contada, coube a imprensa através dos jornais e da televisão, com boa parte de ajuda do governo e da internet a criação desse novo mito.

E mitos não morrem, pior, com a morte daqueles que os encarnam eles se imortalizam e se fortalecem. Antes de Marcola e seus parceiros PCCs, Fernandinho Beira-Mar e seus CVs, houveram muitos outros no Brasil: Lúcio Flávio, Cara de Cavalo, EscadinhaBandido da Luz Vermelha, entre outros.

A grande diferença é que os novos mitos são fortalecidos por não serem isolados, mas pertencerem e liderarem homens fortes e dispostos a morrer.

Marcola não é Hércules

Eles não são como Hércules que enfrentam os inimigos sozinhos, mas sim como Leônidas o general que comandou os 300 contra o grande exército persa de Xerxes. Poucos homens em desvantagem numérica, econômica, e militar, assim como os soldados do PCC e CV, contra um grande governo opressor.

Novamente o mito parece renascido e pode ser claramente visto. O mito foi criado pela imprensa, acolhido pela sociedade em sua cultura e agora imortal continua sendo alimentado pelo tráfico de drogas e passou a ter papel preponderante na política e sobre a própria sociedade que a criou. Bem, durmam todos com essa história e tenham bons sonhos.

Primeiro Comando da Capital: família e religião

Fala pra mim: quem é que merece ler um trabalho acadêmico que só de agradecimentos tem 12 páginas?!!!

Assim é o trabalho de Roberto Cordoville Efrem de Lima Filho, chamado MATA-MATA: reciprocidades constitutivas entre classe, gênero, sexualidade e território

Bem, respondo a questão anterior: eu mereço, e todos os que gostam e tem paciência de ler um texto longo e bem elaborado com frases bem construídas também merecem. O capítulo de agradecimentos do trabalho de Lima Filho começa assim:

“Daqui de onde escrevo, ouço os clarins. As linhas do texto se movimentam, talvez mesmo dancem, à ansiedade do seu próprio fim e dos lampejos do carnaval que toda esquina de Recife promete.”

Voltemos ao nosso foco.

O Primeiro Comando da Capital PCC 1533 é um grupo que tem a fé como um de seus pontos fortes. Isso, a meu modo de ver, é consequência pura e simples da proximidade que seus membros têm com a morte e com o sofrimento. É muito mais fácil para um garoto entediado, em seu apê, teclando besteiras, ser ateu que um moleque PCC que está no corre.

Lima Filho, no entanto, coloca dentro da mesna construção as ideias de “família” e de “religião” dentro da facção. Da mesma maneira, alinha a forma carinhosa pela qual os membros se chamam (“irmão”, “cunhada”, “prima”), à questão da religião, como fica claro no vídeo que encabeça essa matéria e que termina assim:


“Se Deus é por nós quem será contra nós? Por que Ele é justo! É o 15 porra!”

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Assim como aconteceu com a incorporação do conceito de família, fatos e costumes da cristandade e do sincretismo também foram absorvidos pelos integrantes do PCC, mas disso falaremos em outro artigo. Lima Filho analisa que os jovens PCCs utilizam-se dessa ferramenta para enfrentar o conflito entre a vida do crime e os “padrões de conduta ligados aos valores da família, da religião, do trabalho e da ascensão”.

O ideal de “família modelo”, de “família operário” ou “família de trabalhadores” (e eu acrescento um termo que já não ouço mais: “família de bem”), citados por Lima Filho não teriam morrido mas apenas sido incorporados na organização:

“… o uso pelo Primeiro Comando da Capital de um léxico que aciona noções de ‘família’ e ‘religião’” teriam o poder de recompor as “‘famílias’ e das ‘casas’, não mais como oposições ao ‘mundo do crime’, agora formadas por trabalhadores e bandidos.”

O trabalho de um PCC não difere de outro qualquer, pelo menos a partir do ponto de vista que foi criado dentro da sociedade em que vive. O garoto, o “vaporzinho”, que está começando a caminhada, busca a conquista do respeito da mãe e da comunidade, além do crescimento profissional:

“… a presença de filhos trabalhadores que preenchem a mãe de orgulho e garantem a estrutura simbólica do grupo familiar enquanto o sustento material da casa acaba sendo garantido pelos filhos do crime; mas, sobretudo, os bandidos que, ao saírem de casa depois do almoço, lembram que precisam “trabalhar’…”, escreve Lima Filho.
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Erving Goffman e o uso da fé para se livrar do PCC

“A todos que estão em privação de liberdade na Colônia Penal Agroindustrial do Paraná e que direta e indiretamente auxiliaram na Capela Ecumênica da Unidade Penal. Em especial ao responsável pela Capela Ecumênica e assistido da Unidade, por sua coragem, dedicação e parceria. ‘“Pedro’”, você nos apresentou ao ‘“mundo do cárcere’.”

Assim Danilo Henrique Martins, mestre em Geografia pela Universidade Federal do Paraná, agradece àqueles que o auxiliaram com seus depoimentos para que, desta forma, pudesse entender como

Este é o primeiro estudo, de uma série de textos que trarei, sobre a fé dentro da organização criminosa paulista Primeiro Comando da Capital PCC 1533. O trabalho inaugural se chama: “Unidade Prisional como Espaço Total: A Religião na Colônia Penal Agroindustrial do Paraná.”

Chama-me a atenção o método aplicado pelo pesquisador da UFPR, que seguiu o caminho de Erving Goffman e, utilizando-se de conversas informais e atentando-se aos detalhes dos diálogos, pôde testar a franqueza dos entrevistados e observar suas reações. É importante ressaltar que, caso outro método fosse utilizado, esses mesmos detalhes poderiam ter passado batidos.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Danilo, valendo-se da técnica goffmaniana, entrevistou um ex-PCC chamado Paulo, que, no passado, foi um dos líderes da facção. Nessa ocasião, o entrevistado estava como mensageiro da “Palavra de Deus” oficiando o culto, explicando versículos bíblicos, e testemunhando:

“Tava muito frio e fui levar para a ala dois colchão. Tinha dois rapazes lá deitado. Deus segurou eu lá. Não pude deixar de falar que a prática deles estava levando eles para o inferno. Não tava ali para julgar. Eu disse: A verdade vos libertará. Creia na Palavra. Quer ver mudança em sua vida, creia na Palavra. Quer ser discípulo para morar no céu, creia na Palavra. Mas, quem morrer em Cristo será salvo.” (Irmão Paulo, 23 de Setembro de 2016).

“Aleluia! Glória a Deus!”, maravilha, a fé move montanhas e transforma membro de facção em pastor… Mas será mesmo? Outro interno, Vinícius Luiz, explicou que algumas pessoas só abraçam a fé como uma forma de fugir de algo dentro da prisão ou se refugiarem, Seu colega Elio, também interno, completa:

“Tem muita gente que se esconde na religião, por causa do castigo que tá preso, tipo um ‘213’, o que comete estupro. Aqui tem bastante. Tem gente que se esconde, pois sabe que é intocável. Tem bastante gente que sai das facções e que tá na igreja por causa disso. O que aconteceu: o irmão do PCC, ele pede para saí e para isso tem que parar com o crime, vai para a Igreja onde não é cobrado, o abandono da facção no caso. Também tem muitos que é para não ter que pagar dívida de droga. Tem muitos que é falta da família e encontrar um refúgio nos irmãos da igreja que são afetivos.” (19 de Novembro de 2016)”

A qual conclusão Danilo chegou depois de tantas entrevistas? Leia o trabalho dele e descubra por si mesmo.
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Estudo internacional vincula PCC ao Hezbollah

Caso você venha a dar uma passada por Basingstoke no Reino Unido posso indicar dois lugares para se conhecer: um deles é o Milestones Museum, no qual você pode voltar ao passado e andar nas ruas como elas eram em 1930, mas isso é para os fracos.

Em segundo lugar, indico para os leitores desse site indico darem uma passada pela Editora Palgrave Macmillan, que editou, agora em 2017, um estudo profundo sobre terrorismo e contra-terrorismo onde é analisado, entre outras coisas o envolvimento do Primeiro Comando da Capital PCC 1533 com grupos terroristas islâmicos:

The Palgrave Handbook of Global Counterterrorism Policy

Scott Nicholas Romaniuk, Francis Grice, Daniela Irrera, e Stewart T. Webb examinam diversos tipos de estratégias e práticas terroristas e contra-terroristas em dezenas de países. O lado forte desta obra é sua abordagem multidisciplinar, incluindo, por exemplo, ciências políticas e relações internacionais, sociologia e história, além de examinar a teoria e a prática caso a caso.

Segundo a obra, a facção paulista deixou de ser um “simples bando de criminosos”, pois. devido à ausência do Estado, ela ocupou outras áreas, adquirindo importância política e ganhando significado social. Também é ressaltada a ação do PCC na região da tríplice fronteira” entre Brasil, Paraguai e Argentina.

Nessa região, vários fatores, como lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, drogas, e armas, unidos a comunidade local libanesa xiita, contribuíram para que a facção se aliasse aos grupos terroristas islâmicos na cidade brasileira de Foz do Iguaçu.

A Polícia Federal descobriu o pacto entre traficantes do Hezbollah e do PCC: contrabando e explosivos em troca de proteção para os soldados muçulmanos nas prisões brasileiras. As autoridades do Brasil (que normalmente não se preocupam com os terroristas) durante a Copa do Mundo 2014 temeram que a soma da força do Primeiro Comando e às técnicas do Hezbollah colocassem em risco o evento, caso o líder da facção fosse transferido para uma prisão de segurança máxima.

Em  The Palgrave Handbook of Global Counterterrorism Policy, as consequências desses fatos são analisadas, resultando em um levantamento histórico e estratégico sobre a influência dos diversos grupos terroristas árabes, incluindo a Al-Qaeda, dentro do território brasileiro e suas relações com as facções locais.

Marcola, eu, e o português João Pereira Coutinho.

Marcola está preso, eu, por enquanto, não, e o colunista da Folha de São Paulo é estrangeiro. Bem, nossas histórias se cruzam em diversos momentos, apesar dos dois nunca terem ouvido falar em mim, e do fato de João Pereira Coutinho ser mais inteligente do que eu.

Outro dia uma repórter me questionou acerca de quais fontes privilegiadas que me forneceram informações sobre a opinião de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola do Primeiro Comando da Capital PCC 1533, e citando trechos das matérias que redigi. Bem… eu não queria contar, mas…

Ontem, recebi um trabalho feito por Graziela do Lago Maciel, para o Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, no qual ela abre o bico e conta sua fonte (que é a mesma que a minha) então eu já posso revelar meu segredo.

Uma dica: o título do trabalho dela é “Comportamento da Câmara dos Deputados em Relação ao Sistema Penitenciário Brasileiro”, uma análise sobre os projetos votados na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Pois é, minha fonte é a mesma.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Marcola depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, e a transcrição do depoimento está disponível para qualquer um ler. Só que poucos querem “perdem tempo” fazendo isso. Eu não ira contar a ninguém, mas como Graziela contou, eu conto também.

A mesma repórter insistiu na razão pela qual eu continuo a escrever se não estou ganhando nada com isso. Seria eu um ativista contra a injustiça de nosso sistema carcerário por possuir uma grande massa de negros e pobres? Seria eu um defensor das minorias?

Como aconteceu em quase todas as minhas matérias nos últimos meses, Coutinho me instigou com sua crônica “Direitos das Minorias’ nem sempre respeitam os ‘direitos das maiorias”, e, com isso, ele quase me obrigou a publicar a pesquisa da Graziela.

As minorias que me perdoem, mas não estou nem aí para com elas. Estou mais preocupado com as maiorias que Graziela apresenta em seu trabalho: 99% das pessoas encarceradas no Ceará estão presas há mais de três meses sem terem sido julgadas. E tem muito mais lá!

Enquanto isso, mantemos um sistema que criou a Audiência de Custódia, na qual o preso precisa ser ouvido em até 24 horas após a prisão para ser analisada a legalidade e a necessidade de manutenção da prisão, embora nessa situação o caso em si não seja devidamente analisado.

Pegue ao acaso uma centena de processos criminais e veja quantos defensores, durante o processo, apresentaram fatos que pudessem mudar de verdade o destino dos presos. Vamos ver, me deixe fazer as contas aqui… Quase nenhum!

O sistema foi montado para que o preso fique lá, apodrecendo enquanto espera a audiência que poderá ou não provar sua inocência, afinal, alguém tem que sustentar milhares de advogados criminais (mas eu já tinha falado sobre isso aqui).

Bem, Marcola fala disso o tempo todo, mas ele já está preso, eu, por enquanto, não, e o colunista da Folha de São Paulo é estrangeiro e, sendo muito mais esperto do que eu. prefere falar da opressão da minoria LGBT na Inglaterra em vez da inJustiça no Brasil.
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PCC um problema de fronteiras no Brasil.

Recebo, todos os dias, mensagens e ligações criticando meu trabalho, tanto por parte das forças de segurança quando por parte de integrantes da facção. Parece ser mais fácil o governo federal fechar os quase 248 mil quilômetros de fronteiras do que meus críticos chegarem a um consenso.

Pessoal, se decidam!!!

João Pereira Coutinho, nessa semana estava falando sobre esse tipo de comportamento: são pessoas que criticam o capitalismo, mas não vivem sem seu iPhone ou seus Androids de última geração. Assim se faz quando se fala sobre o Primeiro Comando da Capital PCC 1533: as pessoas criticam o sistema e os métodos, mas não vivem sem eles e não aceitam mudar a receita.

Enquanto os cães ladram, a caravana passa. Vamos aproveitar o mote e falar sobre as fronteiras.

O pesquisador Alex Jorge das Neves, capitão da Polícia Militar de Goiás, apresentou um trabalho para o Programa de Pós-Graduação em Estudos Fronteiriços, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que vale a pena ser lido:

Plano Estratégico de Fronteira, rumos e desafios da integração e cooperação em Segurança Pública no contexto dos Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteiras.

Quando eu vi esse título já imaginei um texto chato e sem pé na realidade, mas, depois, me surpreendi com a facilidade de leitura e com a análise bastante clara do problema e das possíveis soluções. Nas próximas semanas destrincharei aqui esse trabalho, aos poucos.

O pesquisador analisa que o Primeiro Comando da Capital ganhou as ruas e se ramificou para o Paraguai e Bolívia por conta de uma nova configuração das organizações criminosas transnacionais, possibilitada pela globalização.

O Paraguai é hoje o principal produtor de maconha da região e o maior corredor de cocaína da Bolívia para a Europa. A coca boliviana é misturada no Paraguai com precursores químicos ilegais que chegam de outros países.

Em seguida, é escondido em caminhões e contêineres para ser transportado para a África e a Europa. Cabo Verde e Roterdã são os principais portos de destino, segundo a Secretaria Antidrogas do Paraguai (Senad).

Catalina Oquendo – El País

Analiso e público trabalhos acadêmicos assim como processos criminais há seis anos nesse site, e isso, por vezes, me deixa triste. Alex que me perdoe, mas esse filme eu já vi. Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma, e agora Michel Temer. Mudam os nomes dos presidentes e dos programas que eles criam, mas na prática…

Assim como eu aqui do meu canto vejo os cães latirem e as caravanas passarem, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, viu a todos esses políticos e burocratas criarem programas e falharem, pois não vivem na realidade das ruas. Ele sim.

Os bandinetes, o irmão Cabuloso, e a profª. Tuvel.

“Tenho medo de me anunciar como membro do PCC, quero gritar que sou da facção, mas tem um problema: não faço parte do Primeiro Comando da Capital PCC.”

O irmão Cabuloso perdeu a paciência no grupo de whatsapp da facção. Para ele, é preciso diferenciar quem é ladrão de verdade de quem é “bandinete: bandido da internet”.

Quem nasceu depois de 1990 tem a facção criminosa paulista como modelo de organização. Ficar indiferente a ela é quase impossível: ou se ama ou se odeia, como qualquer outra paixão.

Apaixonar pelo Primeiro Comando é fácil, defender suas causas é louvável, assim como criticar e combater seus atos. Paixão é tudo de bom, e a adrenalina de ser da vida louca é o máximo da rebeldia, uma forma de ganhar status social.

Os criminosos não aceitam a opção dos garotos, que querem entrar nas fileiras do Primeiro Comando pela porta dos fundos. E são reconhecidos pelo cheiro, de longe, e são utilizados pelos integrantes da facção apenas como inocentes úteis, sendo descartados na primeira oportunidade — já viu gato brincando com rato antes de matar? É mais ou menos assim.

Os “cidadãos de bem” não aceitam a opção dos garotos que querem se desviar do caminho da lei e da ordem para se juntar ao mundo do crime. Eles são vistos como rebeldes da classe média, mimados, revoltadinhos, e protegidos pelos pais e por uma sociedade muito liberal.

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Aí chegamos à questão levantada pela professora e filosofa Rebecca Tuvel no seu artigo “In Defense of Transracialism” para a revista “Hypatia”. Até onde podemos aceitar a opção pela mudança de sua faixa social, sexual, religiosa, etc.

Tuvel lembra que nossa sociedade obriga todos, por lei, a aceitar que, por exemplo, uma pessoa que nasceu com pênis seja considerada e tratada como mulher se assim ela o desejar, algo impensável para as gerações passadas.

Qual é a sua faixa natural?

Ela cita o caso de Rachel Dolezal ativista americana apaixonada pela causa dos direitos dos afrodescendentes, que foi desmascarada, pois não era de fato negra. Filha de pais brancos, Dolezal, após a repercussão, foi condenada pela comunidade negra e pelos seus pares brancos.

As pessoas são, geralmente,  indiferentes a alguém que não seja de seu meio e deseje pertencer ao Primeiro Comando da Capital; mas a não alguém de sua família, de sua vizinhança, ou entre seus amigos. No passado isso também acontecia com as questões de raça, religião, sexo.

Desculpe, a casa caiu e você nem viu.

Seu filho, branco e da classe média, quer ser preto e pertencer ao Primeiro Comando da Capital. Sua “sorte” é que os pretos e o PCC ainda não os aceitam como iguais, mas fique sabendo que isso está mudando.

Para ir para a obra: Rebecca Tuvel.
Para ir para as obras que se referem a: Rachel Dolezal

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O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando.

O inglês Thomas Hobbes, morto há mais de trezentos anos, volta para nos assombrar. Ele descreveu claramente em Leviatã o discurso de medo e ódio que envolve, acusa, mantém, e protege a organização criminosa Primeiro Comando da Capital PCC 1533.

A pesquisadora Yara Frateschi durante o Programa Café Filosófico CPFL definiu a concepção hobbesiana de indivíduo como: “indivíduo individualista”. Era esta a chave que eu precisava para entender o conceito do que é o PCC como um corpo.

A “Família 15.3.3” é um grupo fechado e muito unido, onde todos se vêem como irmãos e companheiros, mas que ao contrário da auto imagem propagada, se constitui de homens e mulheres mobilizados sobretudo pelo princípio do interesse próprio.

Essa seria a grande jogada de domínio por parte da liderança, pois seus integrantes se tornam presas e algozes do medo e do ódio, e essas são as duas grandes turbinas que geram a energia para o crescimento exponencial da organização.

Na medida em que cada um luta dentro da organização para garantir e ampliar seu espaço encontram forte resistência. A camuflada mas feroz luta interna, forja seus soldados para a guerra ao mesmo tempo em que medo e o ódio esse sistema o fortalece.

Toda essa energia concentrada tem que ser extravasada, mas algumas forças sociais já demonstraram que podem se contrapor, como foi o caso da reação das forças policiais em 2006 que ceifaram centenas de integrantes da facção.

Dessa forma a liderança do Primeiro Comando da Capital, não disposta a seguir para seu Waterloo enfrentando as forças públicas diretamente, optou por concentrar o medo e o ódio de seus integrantes contra as outras facções criminosas.

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(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Pudemos sentir a explosão dessa energia na forma com que seus membros perseguem e matam os membros do Comando Vermelho CV, Família do Norte FDN, e do Sindicado do Crime SDC. Marcola, assim como o Rei Menelau, utilizam razões emocionais para garantir que o medo e o ódio garantam vantagens estratégicas e econômicas.

A metodologia hobbesiana aproveitada pela equipe de Marcola brecou uma guerra declarada contra o Estado brasileiro e contra a sociedade organizada em 2006 em um momento em que a organização Primeiro Comando ainda estava em vantagem estratégica.

A força moral conquistados durante os ataques não foi perdido e os lucros foram capitalizados na estruturação da nova estratégia. Em pouco mais de uma década quase todos os estados brasileiros estão sob o domínio do PCC e agora os países fronteiriços começam a ser invadidos.

O inglês Thomas Hobbes mostrou o caminho para a liderança do Primeiro Comando, no entanto, Isaiah Berlin, outro inglês, diz que é questão de tempo para esse esquema falhar simplesmente por que nenhum projeto de perfeição sobrevivem por muito tempo.

Os interesses individuais de cada um da liderança e de cada um de seus liderados entrarão em conflito constantemente até um ponto de ruptura irreversível, no entanto até esse momento o crescimento será vertiginoso.

Da mesma forma aqueles que se contrapõe e lutam contra a facção paulista também utilizam-se do discurso do medo e do ódio.
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O Primeiro Comando da Capital e a Hidra de Lerna.

No tempo de meu avô ele sabia que era certo ficar na soleira da porta esperando o dono da casa dar licença para entrar; sabia que quando encontrava um padre devia se pedir a benção; que devia dar o lugar no ônibus ou no trem para uma mulher sentar; e que nunca deveria se referir a um afro descendente de negro, e sim de “pessoa de cor”.

O tempo passou e nem tudo o que meu avô achava que era certo de fato era certo, mas ele acreditava de coração que tinha razão, sempre.

Essa lembrança me veio ao ler críticas feitas em comentários feitos em uma postagem no Facebook sobre a decisão do governador do estado de São Paulo de não transferir para as prisões federais a liderança do Primeiro Comando da Capital.

Para entender o debate o repórter da Folha de São Paulo, Rogério Pagnan, apresenta diversos dados sobre a facção na matéria: “CLUBE DO CRIME – Em guerra com outras facções, PCC adota estratégia de expansão por domínio nacional do tráfico”.

Pagnan encerra a reportagem com a justificativa para a não transferência de Marcola e outros líderes do Primeiro Comando da Capital para as prisões federais dada por Lourival Gomes, secretário da Administração Penitenciária de São Paulo:

“Eu só gostaria que essas pessoas ponderassem se isso está certo ou errado. (…) Nós só não mandamos 16 por que temos certeza de que isso não vai dar certo”

“Se nós removermos esses presos para prisão federal, tenham a certeza de que todos os órgãos de inteligência sérios não vão saber mais nada, nada, nada. Não vão poder dominar ou controlar o crime organizado e muito menos combater…”

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Entendo a linha de raciocínio da atual administração, no entanto Gomes de fato só está apresentando uma parte da verdade, pois ele esconde a que ao meu modo de ver é a principal razão da opção de Alckmin: a quebra do pacto implícito de pacificação.

O efeito da pacificação do estado imposta pelo Primeiro Comando dentro dos presídios e nas ruas do estado de São Paulo é uma realidade cada vez menos contestada por estudiosos, mídia, e agentes da Segurança Pública e da administração da Justiça.

A quebra do pacto por parte do governo estadual geraria caos com centenas de mortes entre agentes de segurança e justiça, presos, e cidadãos; além de um incalculável prejuízo econômico direto e indireto por conta de ações terroristas como as de 2006.


(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Eu por mim vejo que há ainda uma razão mais profunda e singular que impede que o Estado corte a cabeça dos líderes do Primeiro Comando da Capital, o efeito Hidra de Lerna.

Existem dois fatores sobre Hidra de Lerna, o monstro de nove cabeças da mitologia grega, que não podemos esquecer:

  • imortal: uma das cabeças não pode ser destruída. Assim como o Nazismo sempre haverão seguidores do Primeiro Comando, hoje ou daqui cem anos, o Estado no máximo poderá controlar, mas jamais matar; e
  • mortal: o veneno dessa criatura é mortal, Hércules conseguiu conter a Hidra, mas morreu tempos depois devido ao seu veneno.

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Essa criatura da mitologia grega tinha como principal característica o fato de que ao se cortar uma de suas nove cabeças outras duas ou três nasciam no lugar daquela, e esse é o medo de Alckmin, pois o isolamento das lideranças conhecidas do PCC teria um efeito similar agravado por dois fatores:

  • localização: as agências de inteligência teriam que descobrir quem seriam e a partir de onde atuariam as novas lideranças dificultando as ações de monitoramento de escutas; e
  • controle social: as novas lideranças espontâneas dentro da facção seria composta de membros mais jovens e inexperientes, mais dispostos a usar de força letal contra a população, policiais, e funcionários da Justiça para se imporem, ao contrário da atual cúpula que profissionalizada opta pelo lucro operacional da venda de drogas e armas.

No tempo de meu avô ele saberia o que era certo: “se tem uma maçã podre ela deve ser separada das outras para que não se apodreça todo o cesto”. Não tenho dúvidas que ele acharia correto separar e isolar as lideranças do Primeiro Comando, mas o tempo passou e nem tudo o que meu avô achava que era certo de fato era certo, mas ele acreditava de coração que tinha razão, sempre.
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A Operação Ágata do ENAFRON SISFRON é uma farsa?

Vivemos em uma sociedade cristã mas poderíamos não viver e a frase de João Pereira Coutinho continuaria verdadeira para explicar o fracasso do ENAFRON e do SISFRON, se contrapondo ao sucesso do PCC 1533..

“Os órfãos de Moscou não sobrevivem sem uma fé.
E uma fé não sobrevive sem santos e pecadores.”

As siglas ENAFRON e SISFRON significam “Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras” e “Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras” ambas do Governo Federal, e como todos sabem PCC 1533 se refere ao “Primeiro Comando da Capital”.

O ENAFRON nasceu em 2011 para integrar as forças de públicas de segurança brasileiras entre si e com as dos países fronteiriços Paraguai, Bolívia, Argentina, Venezuela, e Colombia, além de agir junto a sociedade fronteiriça diminuindo a pobreza dentro e fora de nossas fronteiras.

Um resumão da história que envolve a ação de Segurança Pública nas regiões de fronteira pode ser encontrado no trabalho “Crimes Transfronteiriços em Cidades Gêmeas do Mato Grosso do Sul” elaborado pela Policial Militar Gleice Aguilar dos Santos.

Se por um lado Gleice não faz uma análise profunda, por outro mostra como as coisas realmente funcionam enquanto dos trabalhos é apenas teórico, graças a sua experiência profissional e as entrevistas que colheu com as pessoas que estão no front.

É belíssima a meta proposta na ENAFRON, de profunda base teórica, mas que na prática apenas brilha na mídia através das ações policiais e militares como as Operações Ágata e Sentinela, tendo tido a primeira grande impacto midiático em 2012 e 2013 segundo dados Google Trends.

Apesar do empenho dos profissionais participantes das operações e planejamento só restou o espetáculo para a mídia que, segundo alguns, é o último reduto dos derrotados. A Operação Ágata afundou junto como o ENAFRON sobrevivendo de apresentar belas imagens para a imprensa.
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A causa do fracasso foi a incapacidade dos Estados nacionais de se integrarem vencendo as vaidades locais, e a emaranhada burocracia legal de cada território. A cortina da farsa publicitária se abriu graças aos dois mega-assaltos do Primeiro Comando da Capital:

  • ao carro forte da Brinks em Santa Cruz na Bolívia em Março (1.3 milhões de dólares),
  • e ao PROSEGUR em Ciudad del Este no Paraguai em Abril (40 milhões de dólares).

O Ministro do Governo da Bolívia, Carlos Romero, pouco tempo depois de informar que a facção paulista não atuava em seu país, voltou a público para dizer que vai (isso mesmo o verbo no tempo futuro) trocar informações com as agências de seguranças brasileiras. O governo paraguaio também se declarou aberto ao intercâmbio de informações.

Ora, eles talvez não saibam, mas isso já acontece segundo o SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública da Presidência da República do Brasil há pelo menos cinco anos.

João Pereira Coutinho diz que precisamos de santos e pecadores, mas como fica uma sociedade onde os santos enganam? Como ficamos nós meros pecadores que precisamos e queremos desesperadamente acreditar?

O grito de guerra do Primeiro Comando da Capital é “Fé em Deus que Ele é justo. Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Precisamos de santos e pecadores, mas quem são os santos e quem são os pecadores afinal? (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Dicionário – Regimento Disciplinar PCC

Este dicionário é uma ferramenta de extrema importância na condução e na preparação de novos líderes. Deve-se analisar com muita prudência um item antes de aplicar, pois o intuito é facilitar as condições e nas aplicações dos itens, conforme análise da Sintonia.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 1. Ato de Talarico:
Quando o envolvido tenta induzir a companheira de outro e não é correspondido, usa de meios como, mensagens, ligações, ou gestos.
Punição: exclusão sem retorno, fica a cobrança a critério do prejudicado e é analisado pela Sintonia.

2. Ato de Esperteza:
Quando usa de má fé ou abusa da confiança depositada, se parece com ratinagem, muda que o prejudicado confia e acaba sendo lesado.
Punição: exclusão sem retorno, cobrança a ser analisada.

3. Ato de malandrismo:
É caracterizado quando usa de pressão psicológica, força física para subtrair algo de alguém, ou quando usa de força ou poder para agredir fisicamente ou verbalmente.
Punição: exclusão e cobrança dentro da Disciplina do Comando, analisada pela Sintonia.

4. Atitude isolada:
Fica caracterizada quando um integrante ou companheiro age sem buscar a Sintonia ou responsável pela quebrada, sendo agressão, morto, ou algo que venha a prejudicar alguém ou denegrir a imagem do Comando.
Punição: 90 quando de natureza leve ou cobrança com análise da Sintonia.

5. Abandono:
Fica caracterizado quando o integrante falta com Sintonia, deixa de cumprir seus compromissos, desaparece sem deixar algum tipo de vínculo com a organização, continua praticando crimes se estruturando, e não faz valer os compromissos assumidos.
Punição: Exclusão e a cobrança fica a critério da Sintonia.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 6. Abandono de responsa:
Quando fecha em uma responsa e deixa de cumpri-la sem motivos (fora do ar, transferências, saúde, etc…). A Sintonia deve analisar todos que serão cadastrados para evitar esses tipos de situações.
Punição: De 90 dias à exclusão (depende da gravidade analisada pela Sintonia).

7. Calúnia:
Fica caracterizado quando levanta algo de alguém e não prova. Caso seja colocado para provar e não que ele não prove é caracterizado calúnia. Obs: Em caso de ser colocado um prazo e ao final desse não levantar as provas necessárias é excluído! Se tentar provar após esse período e não provar, a cobrança será a altura.
Punição: exclusão, cobrança do prejudicado, analisado pela Sintonia.

8. Caguetagem:
Fica caracterizado quando são exibidas provas concretas ou reconhecimento do envolvido. A sintonia deve analisar todos os ângulos, porque se trata de uma situação muito delicada.
Punição: Exclusão, cobrança a critério do prejudicado.

9. Chantagem:
Fica caracterizado quando uma pessoa descobre algo de outra e usa isso para se beneficiar, ou passe para Sintonia, algo que ele esteja envolvido. Dentro da organização é considerado grave.
Punição: exclusão e fica a análise da Sintonia.

10. Condução de prazo:
Condução ocorre quando se extrapola todas as tentativas de acordo, se for conduzido 2 vezes é punido com 90 dias, na terceira é excluído. Companheiro após o terceiro prazo, fica sem o direito de comprar no prazo. E caso o credor vender, o credor não se beneficia dos trâmites do Comando. Se irmão vencer o prazo é excluído e conduzido no prado de companheiro de 20 dias, após isso a cobrança é pedida pelo prejudicado e analisado pela Sintonia. OBS: o prazo para companheiro é de 20 dias.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 11. Cobrança:
A cobrança disciplinar é aplicada após análise e o OK do Resumo, de se verificado se toma remédio controlado, se tem cirurgia no corpo, se tem parente no crime, e se já foi cobrado alguma vez. A prioridade é que o prejudicado cobre, aí se ele tiver alguém próximo que se responsabilize em cobrar, a responsabilidade é toda dele. Quando envolve a organização a Disciplina da quebrada é responsável pela cobrança.

12. Despreparo:
Fica constatado quando o integrante não consegue desenvolver dentro da organização os compromissos e passa não ser visto como bom exemplo, mesmo que ele não denigra a imagem da organização.
Punição: Até 90 dias de batismo é anulado, após isso, é excluído e deve ser buscado entendimento com os padrinhos, mesmo se foi fortalecimento.

13. Decreto:
Para confirmar um decreto a Sintonia tem que analisar com cautela, por se tratar de uma situação de vida. Tem situações que é claro o decreto, como traição, abandono as demais situações como mão na cumbuca, caguetagem e estupros, a Sintonia analisa num contexto geral. Quando um decretado chegar em uma quebrada nossa tem que ser cobrado de bate pronto.

14. Descumprimento da palavra:
Fica caracterizado quando deixa de cumprir com algum acordo feito perante a sintonia ou demais irmãos, em caso onde é fechado de não usar drogas ou algo prejudicial ao seu desenvolvimento na organização, a Sintonia se coloca como prejudicado, em caso de acordo feito para não ir ao prazo ou para sair do prazo, se o acordo não for cumprido o credor é responsável de levar à Sintonia.
Punição: Exclusão

15. Desrespeito:
Fica caracterizado quando ofende ou se altera perante a outra parte, não pode ser confundido com agressão verbal.
Punição: De 90 dias de suspensão à exclusão, a critério do prejudicado.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 16. Desrespeito à Sintonia:
Fica caracterizado quando em uma condução, se altera, desliga o aparelho, ignora ou ofende outra parte perante a Sintonia.
Punição: de 90 dias à exclusão.

17. Extorsão:
Fica detectado, quando usa algo que se refere a outra pessoa para subtrair dinheiro, drogas, ou favores. Não pode ser confundido com chantagem, em caso de ameaças para subtrair algo, no sistema a Sintonia se posiciona em cima do Estatuto onde nossa organização não admite.
Punição: Exclusão sem retorno, cobrança a critério da Sintonia.

18. Falta de visão:
É caracterizado quando não visiona que sua atitude possa vir trazer algo prejudicial a outros ou até mesmo para a organização. Pode ser caracterizada em opiniões dadas oficialmente tem reuniões desde que seja em uma situação extremamente delicada.

19. Falta de transparência:
Fica caracterizado quando deixa de passar algo para a Sintonia, pode ser caracterizado na hora do batismo em cima das perguntas da Sintonia do Livro Branco, a falta de transparência supre a omissão se for perguntado e ele não passar, agrava a situação.
Punição: exclusão. Suspensão de 90 dias só em caso muito relevante que a Sintonia não ver necessidade de punição maior.

20. Fraqueza:
É caracterizado quando pede para sair da organização, quando recebe uma determinação ou certa missão.
Punição: Exclusão, o retorno após os 2 anos tem que ser analisado pela Sintonia e depende extremamente do dia a dia do envolvido.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 21. Falta de interesse:
É caracterizado, quando não demonstra mais nenhum interesse pela organização, não participa dos trabalhos ou projetos da família, não busca conhecimento ou entendimento do dia a dia da organização.
Punição: Exclusão.

22. Falta de compromisso:
É caracterizado quando deixa de se comprometer com nossa causa e com a organização.
Punição: exclusão.

23. Falta de acompanhamento:
É caracterizado quando passa uma hierarquia abaixo, uma determinação e não acompanha o andamento, o que leva a atrasar ou não acontecer o que lhe foi determinado.
Punição: de 90 dias à exclusão, com análise da Sintonia.

24. Falta de comunicação:
É caracterizado quando deixa de comunicar algo que aconteceu ou que irá fazer, ao quadro ou hierarquia acima ou a sintonia responsável.
Punição: De 90 dias de suspensão à exclusão.

25. Falta de atenção:
É caracterizado quando deixa de dar atenção aos seus afazeres e ocorre um atraso ou não ocorre da forma correta, pelo fato de não ser dado total atenção.
Punição: exclusão

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 26. Falta de sintonia:
É caracterizado quando deixa de cumprir com seu compromisso e encostar na sintonia, e não presta conta para sua regional, e alguém sabe dizer aonde está se não tiver paradeiro é considerado abandono.
Punição: Exclusão.

27. Homossexualismo:
é caracterizado quando mantém relação ou atos obscenos com pessoas do mesmo sexo.
Punição: Exclusão sem retorno.

28. Induzir a erro:
É caracterizado quando simula ou forja provas ao forçar a Sintonia acreditar em algo que não é a realidade do ocorrido.
Punição: exclusão com análise da Sintonia.

29. Largatiage:
É caracterizado quando cobra para segurar flagrantes de outros, drogas, celulares, ou ferramentas que não sejam suas. Fica claro que aquele que segurar flagrantes dos outros, e estiver usufruindo da situação, vai cair a responsabilidade para o mesmo.
Punição: exclusão.

30. Má condução:
É caracterizado quando não conduz com cautela e vem acarretar problemas para si ou para a organização. Se houver atraso ou não vier acontecer o que a hierarquia acima pede para o condutor.
Punição: de 90 a exclusão, com análise da Sintonia.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 31. Mão na cumbuca:
É caracterizado quando rouba algo da organização, dinheiro,, drogas, armas, etc… Trata de uma situação grave.
Punição: exclusão e morte, depende da situação com análise da Sintonia.

32. Manobra:
É caracterizado quando desvia de um fim para outro, quando usa e depois retorna, deve ser analisado todos os ângulos ainda mais quando tem terceiros.
Punição: exclusão e cobrança a análise da Sintonia.

33. Mau exemplo:
Fica caracterizado quando o integrante foge do que rege a nossa disciplina, não passando uma imagem nítida da organização, quando se coloca como faccionário diante da massa, desrespeitando e agindo totalmente oposto ao que é pregado pela facção.
Punição: exclusão e fica sendo analisado pela irmandade local e pela Sintonia.

34. Mentira:
Fica caracterizado quando inventa algo para se beneficiar ou prejudicar a condução.
Punição: exclusão e se não prejudicar ninguém é cabível retorno após 2 anos ou a critério do prejudicado.

35. Oportunismo:
Se caracteriza quando usa algo já ocorrido para justificar um ato seu, ou para tentar prejudicar outros.
Punição: Exclusão sem retorno.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 36. Pederastia:
Se caracteriza quando se pratica sexo com pessoas do mesmo sexo, difere do homossexualismo porque o praticante é ativo somente e não passivo.
Punição: Exclusão e é cabível cobrança com análise da sintonia.

37. Prazo para provar:
É conduzido quando uma parte é acusada de algo e toma iniciativa de conduzir, o irmão é de 15 dias e companheiro é de 20 dias, após o vencimento se não for provado se caracteriza calúnia.
Punição: Exclusão e se o conduzido pedir cobrança fica a análise da sintonia.

38. Prazo vencido:
Após a data, se o credor der continuidade é conduzido a exclusão e é conduzido ao prazo de companheiro, se não houver acordo a cobrança fica a critério do credor e é analisado pela Sintonia.

39. Ratinagem:
Fica caracterizado quando pega algo de outros sem a permissão, no mocó ou em local que o dono deixou, não pode ser confundido no ato de esperteza.
Punição: exclusão sem retorno cobrança a pedido pelo prejudicado e analisado pela Sintonia.

40. Superfaturamento:
Se caracteriza quando em um corre o envolvido acrescenta valores para se beneficiar, não é o caso de negociações de corres particulares onde cada um obtêm seu lucro.
Exemplo do item: É quando a pessoa pega a mercadoria ou objeto e agrega valor para revender, se o corre for de outra pessoa. E outro pega para repassar para frente e aumenta o valor. Lembrando que cada um tem seu corre e tem direito de obter lucro, a Sintonia analisa se tem má fé.
Punição: exclusão.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 41. Talaricagem:
Se caracteriza quando se relaciona com mulher casada, sabendo que ela é comprometida. Deve se analisar se o envolvido não foi ludibriado pela outra parte. Se souber que é casada e insistir em ficar com ela, fica clara a má intenção.
Punição: exclusão e cobrança para as duas partes, a critério do prejudicado.

42. Traição:
Caracterizado quando um integrante da organização leva informações para outras facções ou para a polícia, quando sai do PCC para se integrar a outro grupo. Quando é lhe confiável uma responsabilidade e usa isso para prejudicar a organização ou outros. E quando causa divisão.
Punição: exclusão e morte.

43. Uso abusivo de drogas:
Se caracteriza no efeito da droga ou álcool. É um mau exemplo pois se prejudica, fica paranoico, agressivo, e até mesmo tendo que ser medicado devido ao abuso.
Punição: 90 dias se o mesmo se comprometer a mudar, a exclusão depende da situação.

44. Uso de droga não permitida:
Caracteriza-se quando faz uso do crack ou óxi, que a organização não permite. Em alguns estados foi solto um comunicado em cima do roupinol (comprimido e álcool) o que pode ser também punido.
Punição: no caso do crack e óxi: exclusão de início sem retorno. No caso do roupinol: de 90 a exclusão depende da situação. Deve ser bem analisado pela Sintonia.

45. Punição por afilhado:
Quando o afilhado é batizado no salve, e se for excluído por dívida particular, o padrinho fica um ano sem batizar, se for dívida com o Comando o padrinho toma 90 dias.

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Estatuto do Primeiro Comando da Capital PCC 1533.

Revisto e atualizado em 2017.

A Sintonia Final comunica a todos os irmãos que foram feitas algumas mudanças necessárias em nosso Estatuto. O PCC foi fundado em 1993. Comemoramos esta data no dia 31 de agosto de todos os anos, mas 24 anos se passaram e enfrentamos várias guerras, falsos criminosos foram desmascarados, sofremos duros golpes, fomos traídos inúmeras vezes, perdemos vários irmãos, mas graças a nossa união conseguimos superar todos os obstáculos e continuamos crescendo.

Nós revolucionamos o crime impondo respeito através da nossa união e força que o certo prevalece acima de tudo com a nossa justiça, nós formamos a lei do crime e que todos nós respeitamos e acatamos por confiar na nossa justiça.

Nossa responsabilidade se torna cada vez maior porque somos exemplos a ser seguido.

Os tempos mudaram e se fez necessário adequar o Estatuto à realidade em que vivemos hoje, mas não mudaremos de forma alguma nossos princípios básicos e nossas diretrizes, mantendo características que são nosso lema PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE e UNIÃO acima de tudo ao Comando.

Que o novo Estatuto faça juz a cara que o Comando tem hoje e com o apoio e união de todos almejamos crescer cada vez mais, fortalecendo a ajuda aos que necessitam.
Agradecemos todos os irmãos que se dedicam pela nossa causa e qualquer dúvida procure a Sintonia para que possíveis dúvidas sejam esclarecidas.

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1 Item:
Todos os integrantes devem lealdade e respeito ao Primeiro Comando da Capital, devem tratar todos com respeito, dando bons exemplos a ser seguidos pela massa, acima de tudo ser justo e imparcial.

2 Item:
Lutar sempre pela PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE e UNIÃO, visando sempre o crescimento da organização, respeitando sempre a ética do crime.

3 Item:
Todos os integrantes do Comando tem por direito expressar sua opinião e tem o dever de respeitar a opinião de todos. Sabendo que dentro da organização existe uma hierarquia e uma disciplina a ser seguida e respeitada. Aquele integrantes que vier a causar divisão dentro do Comando, desrespeitando esses critérios, será excluído e decretado.

4 Item:
Aquele integrante que for para rua tem a obrigação de manter o contato com a Sintonia da sua quebrada ou da quebrada que o mesmo estiver. Estar sempre a disposição do Comando, a Organização necessita do empenho e união de todos os integrantes. Deixamos claro que não somos sócios de um clube e sim integrantes de uma Organização Criminosa, que luta contra as opressões e injustiças que surgem no dia a dia e tenta nos afetar. Sendo assim, o Comando não admite acomodações e fraquezas.

5 Item:
Todos os integrantes que estiver na rua, tem a mesma obrigação, sendo ele estruturado ou não, porém os estruturados tem condição de se dedicar ao Comando e quando possível participar de projetos que venham a criar soluções desamparo social e financeiro para apoiar os integrantes desamparados.

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6 Item:
O comando não admite entre seus integrantes, estupradores, pedófilos, caguetas, aqueles que extorquem, invejam, e caluniam, e os que não respeitam a ética do crime.

7 Item:
É dever de todos os integrantes da facção colaborar e participar dos “progressos“ do comando, seja ele qual for, pois os resultados desse trabalhos são integrados em pagamentos de despesas com defensores, advogados, ajuda para trancas, cesta básica, ajuda financeira para os familiares que perderam a vida em prol a nossa causa, transporte para cadeirantes, ou auxílio para doentes com custo de remédio, cirurgia e atendimentos médicos particulares, principalmente na estruturas da luta contra os nossos inimigos, entre várias situações que fortalecem a nossa causa ou seja o crime fortalece o crime, essa é a nossa ideologia.

8 Item:
Os integrantes que estiverem na rua e passando por algum tipo de dificuldade, poderão procurar a Sintonia para que o Comando possa ajuda-lo ir para o corre, deixando claro que o intuito da organização e fortalecer todos os seus integrantes, para que cada um tenha Condições de se empenhar também no progresso do Comando e assim nossos objetivos serem atingidos com total êxito.

9 Item:
Todos os integrantes devem ter a certeza absoluta que querem fazer parte do Comando, pois aquele que usufrui dos benefícios que o Comando conquistou e pedir pra sair pelo fato da sua liberdade estar próxima ou até mesmo aquele que sair para a rua e demonstrar desinteresse por nossa causa, serão avaliados e se constatado que o mesmo agiu de oportunismo o mesmo poderá ser visto como traidor, tendo atitude covarde e o preço da traição é a morte.

10 Item:
Deixamos claro que a Sintonia Final é uma fase da hierarquia do Comando composta por integrantes que tenham sido indicados e aprovados pelos irmãos que fazem parte da Sintonia Final do Comando. Existem várias Sintonias, sendo a Sintonia Final a última instância. O objetivos da Sintonia Final é lutar pelos nossos ideais e pelo crescimento da nossa Organização.

O que falamos neste site sobre Paz, Justiça, e Liberdade → ۞

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11 Item:
Toda missão destinada deve ser concluída. Será feita uma avaliação da capacidade de cada integrante indicado pela Sintonia, e aquele que for selecionado e aprovado tem capacidade de cumprir uma missão, e tem o dever de arcar com as despesas financeira, mas quando for possível todos os gastos ficarão sob a responsabilidade do Comando. Essas missões incluem principalmente ações de resgate e outras operações restritas ao Comando. Todos aqueles que vierem a ser resgatados, terão a obrigação de resgatar outro irmão, aquele irmão que falhar na missão por fraqueza, deslealdade, será excluído e o caso será avaliado pela sintonia, no caso de vazar as idéias poderá ser caracterizado como traição e a cobrança será a morte.

12 Item:
O Comando não tem limite territorial, todos os integrantes que forem batizados são componentes do Primeiro Comando da Capital, independente da cidade, estado ou país, todos devem seguir a nossa disciplina e hierarquia do nosso Estatuto.

13 Item:
O Comando não tem nenhuma coligação com nenhuma outra facção, vivemos em harmonia com facções de outros estados, quando algum integrante de outra facção chegar em alguma cadeia nossa o mesmo será tratado com respeito e terá o apoio necessário, porém queremos o mesmo tratamento quando o integrante do Comando chegar preso em outro estado em cadeias de outras facções e se algum integrante de outra facção de outro estado desrespeitar a nossa disciplina em nossa cadeia vamos procurar a Sintonia responsável pelo mesmo e juntos procurarmos a solução e se ocorrer de um irmão nosso estar desrespeitando, a busca da solução será da mesma forma. Deixamos bem claro que isso se trata de facções de outro estado que seja amiga do Comando.

14 Item:
Todos os integrantes serão tratados com igualdade, sendo que a nossa luta é constante e permanente, seus méritos e atitudes serão avaliadas dando prioridade para aquele que merece, esclarecendo que méritos não é sinônimo de acomodações e impunidade diante da nossa luta, tratando com igualdade para os iguais e desigualdade para os desiguais.

15 Item:
Os ideais do Comando estão acima dos conflitos pessoais, no entanto o Comando será solidário com aquele integrante que esteja certo e em desvantagem para resolver os seus problemas pessoais, o apoio será prestado, a causa será prestado, a causa será aprovada, após a avaliação direta da Sintonia.

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16 Item:
É inadmissível usar o Comando para ter benefício próprio. Se algum integrante vier a subfaturar algo para ganhar dinheiro em cima do Comando, agindo com esperteza em benefício próprio, será analisado pela Sintonia e após ser comprovado os superfaturamento o mesmo será excluído e decretado. Nenhum integrante poderá usufruir do contato do Comando para transações comerciais ou particulares sem o conhecimento da Sintonia, os irmãos que investir o capital em mercadoria ou ferramentas para negociar, podem fazer negócio com a Família e obterem seu lucro desde que não seja abusivos, pois todo o fruto desse trabalho é destinado aos necessitados em prol a nossa ideologia.

17 Item:
O integrante que vier a sair da Organização e fazer parte de outra facção caguetando algo relacionado ao Comando será decretado e aquele que vier a mexer com a nossa família terá a sua família exterminada. O Comando nunca mexeu com a família de ninguém e tais não terão paz. Ninguém é obrigado a permanecer no Comando, mas o Comando não vai ser tirado por ninguém.

18 Item:
Todos os integrantes tem o dever de agir com severidade em cima de opressões, assassinatos e covardias realizados por Policiais Militares e contra a máquina opressora, extermínios de vidas, extorsões que forem comprovadas, se estiver ocorrendo na rua ou nas cadeias por parte dos nossos inimigos, daremos uma resposta a altura do crime. Se alguma vida for tirada com esses mecanismos pelos nossos inimigos, os integrantes do Comando que estiverem cadastrados na quebrada do ocorrido deverão se unir e dar o mesmo tratamento que eles merecem, vida se paga com vida e sangue se paga com sangue.
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