PCC ataca mas o SDC RN reage.

De todas as rebeliões que ocorreram até o momento essa foi a do Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na cidade de Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal no Rio Grande do Norte foi a mais estranha de todas.

Três facções disputam o poder no Rio Grande do Norte: Primeiro Comando da Capital PCC, Sindicato do Crime SDC, e o Primeiro Comando de Natal PCN. Os cinco pavilhões de Alcaçus estariam assim divididos:

1 – Sindicato do Crime RN – SDC
2 – Sindicato do Crime RN – SDC
3 – População – neutros – massa – sem facção
4 – Sindicato do Crime RN – SDC
5 – Primeiro Comando da Capital

Já fazia algum tempo que o Governo perdeu o controle sobre o que acontece dentro dos pavilhões, já não existem mais grade na maioria das celas e nem controle sobre os presos, apenas é feita a segurança das muralhas, o gerenciamento interno é feito pelas facções que controlam cada área.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Na tarde do sábado dia 14 de Janeiro, veículos jogaram armas por sobre os muros para os presos do Pavilhão 5. Os PCCs invadiram o Pavilhão 3. Agora os presos desses dois pavilhões invadem juntos o Pavilhão 4 onde matam mais de uma dezenas de SDCs, mas a coisa complica quando os SDCs dos Pavilhões 1 e 2 invadem também o Pavilhão 4 e começam um contra-ataque cercando os PCCs e os neutros.

A situação ficou crítica para todas as partes, pois chegaram a um equilíbrio de forças. O que se viu foi desespero por parte dos presos e seus familiares implorando para que a polícia entrasse no complexo.

Essa é a primeira vez na história, principalmente depois do Carandiru, que se vê presos chorando pedindo para que a polícia invada um complexo para acabar com uma rebelião. e as tropas nunca esperaram chegar sob aplausos dos familiares dos presos.

As primeiras notícias é que apenas SDCs teriam sido mortos e decapitados. O governo do Rio Grande do Norte alega já ter identificado os líderes do PCC local que iniciaram a rebelião e providenciado sua transferência. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

O PCC, o massacre de Natal, e a superpopulação.

Ninguém nega que a Guerra entre as facções tenha sido o estopim que fez explodir a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta no Rio Grande do Norte, mas enquanto o Governo não agir com profissionalismo, deixando ideologias de lado e fazendo o seu trabalho isso irá sempre acontecer.

Essa é a principal bandeira do Primeiro Comando da Capital e de várias facções que sabem que não existiriam se o Sistema Penitenciário funcionasse, mas o próprio governo afirma em cadeia nacional que tem 650 mil presos em menos de 300 mil vagas.

O Ministro da Justiça Alexandre Moraes disse que é um verdadeiro barril de pólvora pronto para explodir, e disse que vai criar comissões em todos os estados para avaliar o problema. Esses grupos seriam formados por policiais, agentes penitenciários, e representantes do governo.

No entanto essa é mais uma medida que não levará a lugar algum, visto que não existem representantes daqueles que de fato tem o poder nas mãos, é necessário haver a participação de outros representantes para que essa comissão não venha a causar mais revoltas e mortes dentro do Sistema.

O problema todos sabem ser crônico, e não será com medidas simples e de curto prazo que irão resolver. É necessário fazer uma alteração na legislação para que haja mais justiça e menos injustiça. A prisão é uma medida necessária, mas extrema. Muitos, se não a maioria que estão no Sistema poderiam estar cumprindo penas alternativas, mas no Brasil elas não funcionam.

É necessário que haja uma ação efetiva do estado para a punição dos criminosos, e nem o Primeiro Comando da Capital e nenhuma das outras facções do país é contra a aplicação da lei, mas sim lutam contra a injustiça.

O sistema de prisão domiciliar, horário limite para ficar fora de casa, e de trabalho comunitário não são desrespeitados e nunca são fiscalizados. Seriam medidas alternativas que não apenas desafogaria o Sistema mas só poderiam ser aplicados se de fato o Judiciário de fiscalizasse a aplicação.

Enquanto isso não acontece o PCC e as outras facções agradecem ao governo por mandar cada vez mais cidadãos para serem treinados dentro da hierarquia e disciplina do Sistema e saírem soldados formados e por vezes graduados.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Veja o que declara um preso de uma facção rival ao Primeiro Comando enquanto mantém um refém no Motim de Manaus:

Nós só estamos avisando para vocês o seguinte, ele vai morrer, ele vai morrer, só no sapatinho, vamos negociar, nós só quer melhoria, só quer melhoria, por que o preso passou mal aqui e vocês não atenderam. Nós só quer a melhoria.

Esse fato aconteceu no Nordeste do país e se repete em todo o território nacional. Esse é um trecho que nos foi enviado anteontem de dentro do Presídio de Umuarama no Sul do país:

Aq nessa unidade ta carente de irmao tamos em mais 150 presos e tem um unico ir ai gual o ponto de vista dos integrante sobre essa situação tamos sem corre na comarca aberta tamos sendo opremido pelo dirtor ta fazendo oq ele que temos que tomar uma atitude assim fica difícil…

Aí a coisa explode e tem que vir Ministro na televisão explicar o por quê. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

O PCC está mantendo no controle.

O Primeiro Comando da Capital está intensificando sua presença no estado do Piauí onde diversas facções atuam, sendo que o Bonde dos 40 é aliado fiel, além desse ainda atuam por lá o Primeiro Comando de Esperantina, o Primeiro Comando de Campo Maior, e a Facção Criminosa de Teresina. Apesar de tensa a situação dentro do Sistema, o que está chamando a atenção para a região essa semana são as ameaças divulgadas por um agente penitenciário que foi feito refém durante uma rebelião comandada pelo PCC:

“Fui feito refém e o Primeiro Comando da Capital disse que só não ia me matar um a um caso o Estado atendesse às reivindicações que eles pleiteavam. Eles queriam ser transferidos para seus estados de origem. Depois dessa rebelião eles conseguiram o que queriam, que foi a volta para seus estados.”

O ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão afirmou que o atual ministro Alexandre de Moraes deverá manter uma política de acordos com o PCC dentro de sua linha de “conchavos com setores que são de alto risco para a sociedade, como a facção criminosa Primeiro Comando da Capital.”

O presidente da república Michel Temer reconheceu que o Primeiro Comando é uma organização que organização que tem regras jurídicas próprias e eficazes: “Veja que eles têm até preceitos próprios e, para nossa surpresa, até quando fazem aquela pavorosa matança, o fazem baseado em códigos próprios.”
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Uma prova dessa organização é o fato de não terem tido mortos entre os integrantes do Comando Vermelho CV e da Família do Norte FDN dentro dos presídios paulistas. A represália só poderia ocorrer depois da liberação passada pelo “salveiro” o que ainda não ocorreu. As duas únicas mortes ocorridas dentro do sistema paulista foram na Penitenciária de Regime Fechado de Tupi Paulista que é considerado neutro, e os mortos não pertenciam a facção e teriam rixa pessoal com seus assassinos.

Enquanto a ordem se mantém no sistema em São Paulo o governo do Amazonas confirmou que perdeu mais 41 presos, provavelmente os foragidos teriam ligação com a facção Família do Norte FDN.

O Rio de Janeiro está com 50.000 presos dividindo as 27.500 vagas do sistema, agora começa a dividir mais claramente os presos por facção. Segundo declarou um agente prisional, o CV são os mais complicados de se trabalhar: “Eles vão para o combate. As outras facções, ADA, Terceiro Comando Puro, vêm de outra origem, nunca tiveram uma política de enfrentamento com a polícia. … Os cabeças não dão trabalho, cumprem tudo direito. Eles jogam os presos na hierarquia mais baixa para te provocar, agredir, testar, ver até onde você vai.” (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

PCC enforca CV em Campo Grande.

Na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, vídeo mostra um preso enforcado enquanto o narrador informa que este pertenceria ao Comando Vermelho, o fato aconteceu no último dia 05 de janeiro no banheiro do pavilhão 2, ala B..

Um outro preso narra enquanto filma o morto:
Sem vergonha aí ó, CVezão, pindurado, olha que bunitinho que ele tá.
Pilantra do caralho, narizão dele, vai bocó.

O injuriado respondia por tráfico internacional de drogas e armas. Sua morte é mais um lance na Guerra entre PCC X CV. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Comando Vermelho CV retoma área do PCC-ADA.

Um vídeo divulgado pelo Comando Vermelho mostra o momento em que captura dois jovens e uma mulher que seriam ligados ao ADA após retomada de uma área.

No vídeo om homem segurando um jovem pela camiseta pergunta a este:
Aí parceiro olha aí, mais um também. É ADA, é ADA, é ninho? Vai ver o Comando Vermelho hoje. Você vai ver o Comando Vermelho.

O jovem negou com a cabeça, a câmera se movimenta andando pela rua de uma comunidade, são aproximadamente dez homens sem camisa. Até chegar em uma mulher dizendo enquanto a pega pelo cabelo:
Filha da puta, o que você estava andando encapuzada aí? Tava andando encapuzada aí também, ó.

Continuam andando pela rua.
Vai parceiro, pegamos dentro dentro de casa, cadê o outro? É o retorno dos escri aqui é, Agarramos esse daqui ó. É o Linho, é o Linho né? Não é ADA? Vai ver, vai ver hoje. É o vermelhão porra! O retorno. É nós aqui agora, manda imbicar pa vê. É CV porra.

O vídeo coloca a tarja escrita: “provavelmente foram mortos”.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

PCC sofre deserções, assassinatos, e isolamento.

Vídeo divulgado por um canal ligado ao Comando Vermelho divulgam vídeo de quatro batizados na facção Primeiro Comando da Capital desertando:

O narrador que está filmando diz:
“Os irmãos do 15 aqui que vão rasgar a camisa, entendeu? Por que os irmãos vão pelo certo. Esse aqui é o irmão.”

O primeiro deles começa a falar mas alguém fala junto no início dificultando entender, de vez em quando não é possível entender pois o mesmo nóia não cala a boca, mas o que deu para pegar foi:
“… eu sou pelo certo, sou pelo correto, e não vou pagar pelos erros dos outros não, (…) com a vivência aqui eu vou espirrar ,,,”

O segundo diz:
“… para todos 1533, estou rasgando a camisa minha camisa porque não concordo com o errado, certo?”

O terceiro diz algo assim:
“Sou o irmão Milene da família 15 estou aqui tirando minha camisa porque eu apoio o justo e o correto. E tão fazendo todo tipo de injustiça e não estamos tendo nenhum tipo de resposta. Esperei aí vários dias por uma resposta, e eu já não tenho mais forças (para com o barulho de uma rajada de tiros). Já não temos mais força aqui, para segurar o tom da situação, e estou aqui rasgando a camisa.”
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); O quarto homem que ficou um bom tempo falando ao celular:
“E aí meu irmão, aqui é o irmãozinho Branquinho 1533 e eu tô rasgando a camisa pois não tô vendo a satisfação do crime, como é o PCC de verdade como a gente conhece, entendeu? Essa atitude foi tomada aí várias vezes, a gente tentou aí acreditando num cara aí, que o cara tava mentindo para todos nós aí, entendeu? Decepcionou muito a mim e o que eu vejo pelo crime não é dessa forma não, entendeu. Então estou rasgando minha camisa aí com relação a isso aí, entendeu?”

No mesmo dia em que foi divulgado esse vídeo a polícia de Capitan Bado, uma cidade paraguaia que faz fronteira com brasileira Coronel Sapucaia encontrou em uma plantação de soja o corpos de dois brasileiros ligados ao Primeiro Comando: Raul Torales Portilho Amaral e Jofer Jefersos Dales.

No estado de São Paulo dezenas de presos já foram transferidos para evitar que a guerra entre facções chegue ao sistema paulista, a SAP estava há mais de três meses cadastrando os presos por ganges para poder isolar os grupos, outros estados. Os principais ponto de atrito deverão ser nos estados do Amazonas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, e Santa Catarina. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

A vingança do PCC começou por Roraima.

Apesar dos termos moderados do Comunicado Oficial do PCC sobre as mortes no COMPAJ, a onda de violência dentro dos presídios começou pela Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na zona Rural de Boa Vista (RR) com a morte de pelo menos 33 presidiários, possivelmente sendo 10 ligados ao Comando Vermelho CV e os demais ligados a Família do Norte FDN.

Em um trecho de um vídeo divulgado pelos detentos enquanto filmava o corpo dos mortos um preso com um facão diz:
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Isso aqui é o que nóis fais. Aqui ó caraio!
Isso aqui é o que nóis fais. Aqui é s Segoni, safado.
Vocês mataram nossos irmãozinhos, não foi?
Aí é o que vai acontecer com vocês também.
Aqui é a resposta pelo que vocês fizeram com nossos irmãos.
Bando de canalhas safados.
(entre os corpos encontram um dos presos ainda vivo)
Tá vivo, o que? Aqui! Aqui!. Péra aí mano. Vai mano.
(corta a cabeça do preso sobrevivente enquanto diz)
Aí está a resposta buceta. Aqui tem criminoso, caralho.
Aqui tem resposta caralho. Vira a cabeça para lá mano.
Só que é isso aí do jeito que tá mano. Agora sim.
(separa a cabeça do corpo)
Aí está a resposta, que queriam caralho.
Nós somos o crime, porra. Olha aí porra, é FDN.
Caralho, e aí safado?
(encontra outro vivo entre os corpos e começa a estocar o olho do sobrevivente com a ponta de uma faca)
Tá fechando o olho caralho?
Bando de caralho, aí seus filhos das putas. Teu olho aqui, vou tirar teu olho desgraçado.
Vou te matar filho da puta, morre filho da puta.
(Aí termina se afastando dos corpos e grita)
Agora é nóis, caralho.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Comunicado Oficial do PCC à Chacina do COMPAJ.

Diante dos fatos que aconteceram no dia 01/01/2017 em Manaus/Am, o Alto Conselho do Primeiro Comando da Capital, para região Norte, vem a público mostrar a sua indignação e revolta diante da barbárie contra nossos 28 irmãos. Além disso, aproveitar para expressar os sentimentos de pesar as Famílias de nossos irmãos. Adiantamos que essa chacina jamais vai ser esquecida, os irmãos todos do Brasil inteiro e nossos parceiros em outros países estão se mobilizando para dar uma resposta à altura a essa facção, auto denominada FDN, cujo reduto se concentra na Região Norte. Nossa Organização vai além de uma região, vai além do Brasil. Estamos em todos os lugares e, no momento certo, a resposta vai ser dada.

Durante muito tempo tivemos uma convivência harmoniosa com nossos inimigos, pois a nossa meta sempre foi lutar contra o Estado e não contra nossos irmãos, mesmo que de outras Organizações. Saibam que vcs declaram guerra não só ao PCC, mas a todos aqueles que lutam contra o Estado corrupto brasileiro. Estamos fechados com a ADA, Bonde dos 40, até mesmo nosso rivais CVRL, CRBC, TCC, SS, CDL,TCP, PGC, SDC demonstraram apoio nesse momento. Repetimos essa chacina foi uma declaração de guerra contra o Tráfico de Drogas de Todo o Brasil e de todas as Organizações e Facções parceiras.

Uma FACÇÃO sozinha não será capaz de destruir anos de Aliança de Irmãos. Essa Dita Facção FDN será dizimada da face da terra. Uma guerra silenciosa travada nos morros, nas periferias do Brasil, nas favelas do Nordeste e Norte ganharão as ruas. Nossos 28 irmãos serão vingados. A mesma bandeira que desfraldaram com o sangue deles, escrita FDN no dia 01/01, será queimada e terá cravada a cabeça de todos aqueles fizeram isso com o crime no Brasil.

Aos familiares dos nossos irmãos, estamos prestando toda solidariedade e ajuda como sempre fizemos e comunicamos aos parceiros que toda ajuda financeira é bem vida nessa empreitada. Parte da indenização que nossos irmãos irão receber está sendo negociada com as famílias e com o alto comando. No entanto, sabemos que não é suficiente. Contamos com a solidariedade e o apoio de todos os parceiros. Paz, Justiça e Liberdade PCC- Regional Norte. A união vai prevalecer.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

O PCC e a derrota da Revolução de 1932.

Erro estratégico da facção Primeiro Comando da Capital com a decretação de guerra ao Comando Vermelho.

O Primeiro Comando da Capital talvez tenha cometido o mesmo erro que a Aliança Liberal quando em julho de 1930 levou a população de São Paulo a pegar em armas contra o governo de Getúlio Vargas.

Assim como acontece hoje, o país vivia uma crise econômica e política nacional e o estado de São Paulo considerou que com apoio de alguns outros estados poderia dominar o cenário.

A facção criminosa PCC 1533 em 2016 abriu várias frentes de batalha para dominar de maneira hegemônica no mercado internacional de drogas e armas, aproveitando a fragilidade econômica e política do país.

PCC repetindo erros da História do Brasil

O estado de São PAulo, há 85 anos contou com aliados em outros estados e acreditou que dominaria rapidamente o país quase sem resistência, mas não foi o que aconteceu.

No ano passado a organização ciminosa PCC 1533:

A soma desses fatores deu a comunidade acadêmica e internacional a ideia de que o Primeiro Comando da Capital estaria prestes a monopolizar o crime organizado no Brasil, no entanto a história se repetiu.

A elite paulista calculou mal seu poder, abriu várias frentes sem se preocupar com seu fortalecimento, contando com uma vitória rápida que não teve.

O massacre de COMPAJ provou isso

A “cabeça de ponte” do PCC do Amazonas não tinha condições de se sustentar tão distante das forças principais, assim como a Rocinha está ilhada, e diversas áreas do país tem oponentes fortes.

Mesmo que uma contra-ofensiva da segunda segunda maior facção do país o Comando Vermelho já fosse esperado, a liderança da organização criminosa PCC de certo não se preparou para a violência com que esse golpe foi dado.

A terceira maior facção o Família do Norte FDN se uniu ao CV em um único dia eliminaram a presença da facção paulista em todo território amazônico.

Se em um primeiro momento se aventou a participação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) facilitando a reentrada do PCC na região.

No entanto, isso parece ser cada vez mais improvável. Segundo informações do Ministério Público Federal, Nelson Flores Collantes, conhecido como Acuário, que controla a “Rota do Tráfico dos Solimões”.

E ele é a ligação entre as FARC e o FDN-CV, e deve se aliar a FCN-CV para evitar ter o mesmo destino que Jorge Raafad que controlava a “Rota do Tráfico do Paraguai”.

O Paraguai é hoje o principal produtor de maconha da região e o maior corredor de cocaína da Bolívia para a Europa. A coca boliviana é misturada no Paraguai com precursores químicos ilegais que chegam de outros países.

Em seguida, é escondido em caminhões e contêineres para ser transportado para a África e a Europa. Cabo Verde e Roterdã são os principais portos de destino, segundo a Secretaria Antidrogas do Paraguai (Senad).

Catalina Oquendo – El País

O futuro do PCC a FARC pertence.

Gostamos de pensar que o futuro a Deus pertence, no entanto não é bem assim…

Estamos vivendo um momento histórico onde um grupo de homens estão decidindo o futuro das pessoas que viverão no Brasil pelas próximas décadas, e não são brasileiros e nem foram eleitos para isso.

Não adianta “achar” que isso não deve ser assim, pois a realidade não está nem aí para o que eu ou você achamos. A realidade apenas é o que é, sem achar, nem pensar.

Román D. Ortiz no artigo”El concepto de guerra híbrida y su relevancia para América Latina” publicada na Revista Ensayos Militares alerta para que abandonemos nossos conceitos se queremos entender a guerra entre o Primeiro Comando da Capital PCC, o Comando Vermelho CV, e o Família do Norte FDN.

Essas facções utilizam-se “de técnicas de guerrilha convencional, táticas e formações irregulares, atos terroristas que compreendem coerção, violência indiscriminada, e desordem criminal” que caracterizam a “Guerra Híbrida” conceituada por Frank G. Hoffman. E não podemos tentar prever os movimentos desse jogo pois não podemos sequer entender como ele está sendo jogado, é muito mais fácil aceitar o que os noticiários nos apresentam ou então os comentários feitos pelos programas policialescos, mas não sabemos de fato seus resultados ou o seu impacto.

Caberá a liderança do Primeiro Comando da Capital decidir se haverá ou não retaliação pelas mortes em COMPAJ pela Família do Norte, e se houver qual será o nível de violência e abrangência. E esses homens que estão presos e pelo menos na teoria sequer poderiam ter contato com o mundo exterior, mas nosso futuro estará sendo decidido por eles.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Caso optem pela ação ela deverá se dar pela fronteira norte, área dominada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia FARC, organização sustentada pelo tráfico internacional de drogas e com fortes ligações com o Primeiro Comando da Capital, mas que mantêm laços comerciais com o Comando Vermelho e com a Família do Norte.

Já o Ministério Público Federal aposta que o megatraficante Nelson Flores Collantes, um peruano conhecido como Acuário, que controla a entrada de armas e drogas para o Brasil do Peru e da Bolívia através da “Rota dos Solimões”, é a ligação entre as FARC e o FDN-CV que fará diferença.

Faltando apenas dois dias para o histórico acordo entre a FARC e o Governo da Colômbia a liderança da guerrilha, que deixará de ser considerada criminosa e passará atuar como um partido político legítimo, está enfrentando problemas em sua base que se recusa a abandonar o gerenciamento de armas e drogas.

Bem, chegamos ao ponto. O futuro pode estar nas mãos de Deus, mas quem irá decidir se haverá possibilidade de sucesso na represália que será ou não planejada pelos líderes do PCC são alguns colombianos que não querem se manter na FARC após o acordo. No entanto não podemos deixar de pensar que os laços comerciais mantidos pelo CV e FDN não façam com que as FARC permaneça neutra, impedindo ou dificultando um contra-ataque paulista.

Manter a guerra PCC X FDN CV poderá ser um desafio muito acima das possibilidades técnicas do Primeiro Comando da Capital, e nesse caso deverá aceitar seu papel regional pelas próximas décadas, ou por outro lado caso consiga eliminar a coalizão FDN CV se consolidará como força única na América Latina e como a Colômbia está nos mostrando, um futuro partido político.

A dominação cultural do PCC 1533.

José Guilherme Cantor Magnani no artigo “Antropologia Urbana: desafios e perspectivas” publicado na Revista de Antropologia da USP segue o caminho aberto por Gilberto Freyre incluindo como formador da nova cultura nacional a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).

Freyre indicou como o modo que vivemos nosso dia a dia foi influenciado diretamente por usos e costumes de diversos povos graças a “cordialidade” de nossa matriz portuguesa, Magnani nos dá uma ideia de como mensurar hoje a influência da facção paulista.

O antropólogo Magnani nos lembra que não podemos ver uma cidade como um todo, a visão distante do global nos impediria de ver o que de fato acontece, assim como não podemos nos deter em um único indivíduo ou grupo pois também ficaríamos cegos.

Isso se dá nos extremos, e temos que buscar o meio se queremos de fato ver o que está acontecendo. Um membro da facção que vive imerso em seus corres tem a mesma possibilidade de ver sua realidade quanto alguém que a analisa apenas através dos livros.

Não ficando nem muito perto e nem muito distante podemos ver melhor e percebemos que o Primeiro Comando da Capital deixou de ser uma “mancha cultural” limitada a pequenos nichos como os presídios para se tornar um sistema integrado com o restante da sociedade.

No Brasil graças às nossas origens culturais descritas por Freyre os grupos se mesclam mesmo se perceber, e por mais que os legalistas e os membros das facções insistam, ambos comem e dormem sob o mesmo teto cultural, mesmo falando dialetos diferentes.

Podemos tentar estabelecer os limites da influência que cada um dos grupos tem sobre a formação global da sociedade e como cada um dos personagens passam a ser influenciado por esta.


(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A constância e força das regras impostas pela facção que há mais de vinte anos impõe de maneira rígida e direta as regras de vida de milhares de brasileiros nos presídios e para seus familiares criou raízes profundas e agora tem sua rede de influência secundária, onde normatiza o modo de viver e pensar de centenas de milhares cidadãos que vivem nas regiões periféricas e em nichos nas regiões centrais e nobres das cidades.

O impacto do código de conduta da facção, o Estatuto do Primeiro Comando da Capital, permeia de maneira sutil e acaba sendo incorporado por outros entes da sociedade que se imaginam longe da sua influência através da convivência com pessoas que tem contato mais próximo.

Um exemplo são as pessoas comuns que vão aos estádios assistir aos jogos de futebol. Há quase uma década postado aqui matéria sobre a influência da facção nas torcidas organizadas, e essas são as que ditam as regras gerais dentro dos estádios. Outro grupo são os dos pichadores e esqueitistas que não admitem a influência da facção, mas acabam dentro de seus nichos reproduzindo inconscientemente as regras as suas regras: “lealdade, humildade, e proceder”.

Esses grupos assim como outros citados por Magnani são emblemáticos, no entanto o sistema não se espalha apenas através dos setores estanques mas também geograficamente e através das relações comerciais e sociais: pessoas que moram em um bairro com forte influência da facção manterão relações sociais e econômicas fora das fronteiras do bairro, e tendo internado as regras acabam as repassando.

“Seguindo outras pistas, distante de zonas fortemente marcadas pela ilegalidade, em certos movimentos culturais de periferia são feitos contatos e alianças com jovens de outras regiões, alguns universitários, que descobrem novos trajetos mas devem seguir as regras do pedaço que começam a frequentar.”

E essas novas regras incorporarão ao seu conceito de normalidade social, e por fim passarão a defender essas novas regras de conduta lutando pelos Direitos Humanos ou Legalização das Drogas, afinal como diz Mc Keke:


“… Obediente no que eu digo e não faz o que eu faço,
treinado virô talibã e hoje é nosso soldado…
… fechamos as lojas colocamos fogo nos buzão,
sem atingir os inocentes, aqui não tem covarde,
a nossa guerra todos sabem é contra as autoridades.”

A sociabilidade leva a nós como seres humanos a viver em sociedade e cada um de nós criou seu próprio processo de socialização de modo a sobreviver nessa selva, para isso nos integramos a grupos assimilando sua cultura, e para nos protegermos de outros grupos mais fortes por vezes mesmo que inconscientemente transformamos nossos valores culturais justificando o injustificável, mas garantindo nossa sobrevivência.

O PCC em Porto Seguro e o mundo líquido.

A facção Mercado do Povo Atitude MPA existe?

Acho que terei que, na humildade, pedir permissão para chegar no privado do Geral dos Estados e Países para que ele deixe claro o posicionamento da facção Mercado do Povo Atitude (MPA) em relação ao Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).

Ninguém duvida que a MPA é uma das facções ligadas ao PCC na Bahia, no entanto, ela não aparece na listagem de aliados e inimigos do final de 2017. Confira comigo:

ALIADOS DO PCC NA BAHIA
Bonde do Maluco (BDM)
Outro de Ouro
A geita
FAL
BNT
PCA

INIMIGOS DO PCC NA BAHIA
Comando da Paz (CP)
Comando Vermelho (CV)
Terceiro Comando de Itabuna (TCI)

FACÇÕES EM PAZ COM O PCC
APE
Katiara
MTA
Os cavera
PG
Suave Jorge

veja a lista de facções, grupos e bondes aliados e inimigos completa atualizada

Algumas são muito conhecidas, outras, para a maioria das pessoas, nem existem. A dúvida permanece: cadê a facção Mercado do Povo Atitude? Será que ela ainda existe ou será que Gilberto estava falando a verdade?

Fiéis desde que eram pequenininhos lá na Bahia

Faz tempo que ouço falar dessa tal facção Mercado do Povo Atitude. A primeira pessoa que me trouxe notícias desses criminosos baianos foi Mário Bittencourt, repórter do A Tarde, em dezembro de 2011. Isso já faz mais de cinco anos, e a organização criminosa já estava com a Família 1533:

Edilson Pereira Vianna, 33, o Aleluia, morto domingo a cerca de 100 metros da delegacia, era do grupo de Buiú, líder do MPA, e teria ajudado na fuga, sábado passado, do traficante Rivaldo Freitas Oliveira, o Maicão, que teria ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa paulista.

Naquele tempo, já se sabia que a MPA tinha nascido nas ruas próximas ao Mercado do Povo, no Baião em Porto Seguro, e que já havia se expandido para os bairros do Paraguai e do Ubaldinão, sob o comando de André Marcos dos Santos, o tal do Buiú. Mário conta um caso que mostra que a facção MPA, mesmo no começo, já corria pelo lado certo do lado errado da vida:

les mandam aqui. Certa vez, roubaram roupas que vendo e me queixei com um deles; à noite, as roupas foram devolvidas em minha casa.

contou um morador do Ubaldinão

No entanto, já nasceram com sangue de cangaceiros nos olhos:

Com os traficantes rivais, porém, as ações são bem incisivas: tocam fogo em casas, matam, ameaçam familiares e fazem rondas armadas perto da casa dos inimigos.

Gilberto, mesmo sendo político, falou a verdade?

Sei que é difícil acreditar em um político, eu sei, mas têm alguns que falam a verdade, e talvez tenha sido esse o caso. Isso explicaria o porque de o nome da facção aliada MPA não constar na lista de 2017 — como diria o padre Quevedo: “non ecziste”.

O repórter Pedro Ivo Rodrigues, do site O Xarope, relata que o prefeito de Porto Seguro, Gilberto Abade, se reuniu com as autoridades alguns dias após a morte de Alelúia. Entre outras coisas, o político afirmou:

Nós vamos garantir a segurança dos cidadãos, a integridade das famílias de bem. A ação do Estado foi para mostrar aos bandidos que aqui tem lei e tem ordem. As pessoas honestas não podem defender criminosos […] Eles também assassinam as crianças… [e] O governador Jaques Wagner está firme comigo.

Segundo Gilberto, já não são nem as bruxas e nem os comunistas que matam criancinhas, agora são os facciosos do MPA. O preço a ser pago pela segurança pública é agora a eterna vigilância de toda a sociedade contra esses homens maus.

As declarações do prefeito de Porto Seguro foram feitas há mais de cinco anos, e nos esclarece a omissão do nome da facção Mercado do Povo Atitude na lista de aliados e inimigos do PCC.

O trabalho não acabou. O policiamento ostensivo foi reforçado em Porto Seguro. Há mais de 20 equipes especializadas da Polícia Militar e efetivos da Polícia Civil na cidade. Também contamos com o apoio da Polícia Federal.

delegado Evy Pedroso

Gilberto Abade, Jaques Wagner e toda força policial municipal, estadual e federal já devem ter acabado com meia dúzia de semi-analfabetos sem capacidade e estrutura.

… Subestimado pelo governo, que não conhece a realidade das cadeias, o PCC criou raízes em todo o sistema carcerário paulista.

Nas prisões, diretores ultrapassados, da época repressão [no regime
militar], tentavam resolver o problema de maneira que em foram doutrinados: porretes, choques, água fria, porrada…

Não foi suficiente.

Em menos de três anos, já eram três mil. Em menos de dez anos, 40 mil.

Carlos Amorim

O PCC e o mundo líquido de Zygmunt Bauman

Enquanto Gilberto aposta no discurso macartista, Marcola, que já cansou de dizer que não é chefe do PCC, surfa em no mundo líquido de Bauman — em que as fronteiras se dissolvem, seja entre as nações ou entre as organizações criminosas.

Antônio Mateus Soares, Matheus Reis de França e Claudemir Santana acreditam que isso é uma característica dessa era de transição, na qual os limites ainda não estão claramente estabelecidos — afinal, não há mais o certo ou o errado, tudo agora é relativo.

O certo é que devido a insustentabilidade social dessa época, jovens que não conseguem se adaptar às necessidades de um mundo globalizado busquem estabilidade no mundo do crime, mais simples, em que o certo é o certo e quem corre pelo errado morre — simples assim.

Os pesquisadores abordam essa questão e falam sobre a Mercado do Povo Atitude e sua arquirrival, a facção Comando da Paz (CP), no estudo A economia do ilegalismo: tráficos de drogas e esvaziamento dos direitos humanos em Porto Seguro, BA, apresentado no IX ENCONTRO DA ANDHEP.

Falando sobre quem “non ecziste”

Nesse mundo construído por Gilberto Abade e Jaques Wagner, no qual estão garantidas a segurança dos cidadãos e a integridade das famílias de bem, não há espaço para facções criminosas como as descritas pelos pesquisadores.

No entanto, Antônio Matheus e seus colegas afirmam que a facção não só se manteve viva e forte mas também estava ombro à ombro com a facção paulista:

O MPA — Mercado do Povo Atitude —, facção que atua no sul e extremo sul da Bahia e, segundo depoimento de membro da facção e de policiais, possui vinculação com o PCC — Primeiro Comando Capital —, que, além de emprestar os princípios ideológicos de funcionamento, operacionaliza a distribuição de armas de fogo e de drogas no atacado para a comercialização.

Os autores também fazem uma síntese comparativa entre o MPA e o CP:

MERCADO DO POVO ATITUDE MPA. — Bairro Baianão.
Ligação: PCC-SP — Símbolo: Caveira e Cruz (1533 MPA) — Estratégia: queima de ônibus; bloqueio de vias; toque de recolher; e celebração de luto; — Grupo coeso e hierárquico. Produto de consumo da marca Cyclone (bonés, camisas e bermudas).

COMANDO DA PAZ CP — Área do Campinho.
Ligação: CP-Salvador — Símbolo: Escorpião (315 CP) — Estratégia: esquartejamento de corpos — Grupo pulverizado com ritos de execução, mas primam pela discrição no seu cotidiano. Produto de consumo da marca Nike (bonés, camisas e bermudas).

O MPA e o PCC como fenômeno social

Normalmente, quem defende que as facções criminosas, assim como o próprio crime, são questões policiais e devem ser enfrentadas com o uso da força são pessoas ligadas à área da Segurança Pública ou a seus admiradores. Essa, no entanto, é uma defesa incoerente.

Acredito que Gilberto Abade, Jaques Wagner e o delegado Evy Pedroso, assim como as “mais de 20 equipes especializadas da Polícia Militar e efetivos da Polícia Civil na cidade e a Polícia Federal”, tenham se esforçado por derrotar as facções baiana e paulista nesses últimos cinco anos.

Porém, ambas estão maiores e mais fortes que há cinco anos — talvez, seja a hora de abandonar a abordagem positivista e macartista e seguir o exemplo daquele que nem é da facção, o Marcola, e mergulhar no mundo líquido para combater o crime organizado.

Antônio Matheus e seus colegas destacam que quem morre de fato são os garotos dos corres e aqueles que se envolvem no crime sem se adequarem às suas regras, seja pelas mãos da polícia ou dos próprios colegas. Apesar disso, o grupo continua se fortalecendo.

A ética do crime e a ética da polícia

Inocente não vira presunto, não se mata gente da gente! Não se mata turista da orla. Aqui no baianão só morre quem corre pelo errado, que trai a facção e a parceria, e os boca aberta, mas antes passa a caminhada.

Matar polícia é cabuloso, o bagulho lombra a parada, atrapalhação na certa, a gente respeita a farda e eles nos respeita. É moral, parceria! Polícia não mata traficante patrão, depende do horário, do momento e da situação, mata ‘noía’ e ‘comédia’, traficante de verdade, só dança se não tiver moeda, ou se dê azar. A polícia mata ‘nóia’ e ‘otário’, tem tempo que entra na favela e mata três, quatro e cinco, só para falar que estar fazendo seu trabalho.

Juntos somos fortes, unidos somos invencíveis — PCC MPA

Seis de março de 2018, seis anos e quatro meses após Gilberto ter afirmado que os porto-segurenses podiam dormir tranquilos, são os eunapolitanos que acordam em meio a uma guerra — prova que nem sempre político mente!

A Mercado do Povo Atitude não foi desestruturada como Gilberto fez crer em 2011. A facção manteve-se fiel ao 15, e tornou-se uma organização criminosa profissional, aproveitando-se da política paulista de fortalecimento e profissionalização das alianças locais.

A Operação Costa do Descobrimento, da Polícia Federal, provou que os homens do Primeiro Comando participaram da ação armada em março e garantiram a infra-estrutura para a operação, com o aluguel de um galpão para ser utilizado como base operacional, com documentos falsos e com a constituição de uma empresa em São Paulo para abrigar contas bancárias.

Acho que será melhor eu nem chegar no privado do Geral dos Estados e Países para que ele deixe claro o posicionamento da facção Mercado do Povo Atitude (MPA) em relação ao Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) — a Polícia Federal já respondeu a questão.

Ataques em 2006 do PCC pouparam 25.000 vidas

O número de pessoas mortas no estado de São Paulo comparado com outros índices brasileiros e os principais fatos políticos que possam ter influenciado o índice.

Violência e polícia: três décadas de políticas de segurança no Rio de Janeiro é o título de um estudo publicado pela socióloga Silvia Ramos, no qual é discutida a política de polícia pacificadora e a falta de continuidade nas políticas de segurança pública — e olha que quando ela escreveu esse trabalho a casa ainda estava apenas começando a ruir.

A pesquisadora elaborou um gráfico comparativo no qual coloca os índices do estado do Rio de Janeiro e o nacional — eu gostei da ideia, e acrescentei os dados do estado de São Paulo. Para ficar ainda mais interessante, incluí números mais antigos, do final do Regime Militar, e só não fui mais atrás pois os dados não seguiam os mesmos parâmetros.

Assim, eu não me preocupo se você é de direita, de esquerda, ou fica no meinho. Você mesmo pode chegar a suas próprias conclusões: se a vida era menos violenta nos tempos do “Rota na Rua” e “bandido bom é bandido morto”, ou agora com maior controle sobre as corporações policiais.

Concomitante ao índice histórico e político, marquei fatos importantes que tiveram influência direta na questão da mortandade: a aprovação da Constituição Cidadã de 1988, a Lei do Desarmamento, a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e os Ataques do PCC em 2006.

Assim, eu não me preocupo se você é de direita, de esquerda, ou fica no meinho. Você mesmo pode chegar a suas próprias conclusões: se a vida era menos violenta nos tempos da Constituição outorgada pelos militares em 1969, ou agora com a Constituição promulgada pela Constituinte.

Se você defende ou critica o ECA e a Lei de Desarmamento, pode ver através dos números se o que você acha se reflete na realidade. “Contra fatos não há argumentos”, então você poderá:

  • reafirmar seu ponto de vista, agora com convicção empírica;
  • mudar de posição (duvido); o
  • reafirmar seu ponto de vista baseado no achômetro, apoiado em um conceito especulativo, com sólido argumento teórico.
  • Uma política de Segurança Pública baseada em achômetros leva à morte de policiais e guardas civis e militares. Silvia Ramos e eu acreditamos que por vezes as políticas internas dos governadores têm mais influência que as grandes questões nacionais. Ela cita como exemplo o caso das UPPs no Rio de Janeiro — queda de 26,5% na taxa de homicídios.

Só que, analisando com cuidado os dados, vemos que a taxa já caía 3,25% ao ano no período anterior aos UPPs (2002 a 2007). Com o desenrolar do projeto (2008 e 2009) houve, de imediato, uma redução de 6,1%, e um decréscimo anual de 1,45% até 2012, quando começou seu processo de entropia devido a corrupção e descontinuidade.

Índice de Capacidade de Combate à Corrupção 2021 nos países com maior influência da facção Primeiro Comando da Capital:

Índice de Capacidade de Combate à Corrupção na Tríplice Fronteira

Silvia Ramos e eu acreditamos que a personalidade do governador influencia de maneira direta o número de pessoas assassinadas, mas os dados de São Paulo não concordam conosco, pois o linha dura Paulo Maluf, e seu sucessor, o humanista Franco Montoro, tiveram um número crescente das taxas de homicídios em seus respectivos governos.

Na sequência os governadores paulistas foram pró uso da força (Orestes Quércia e Fleury Filho) e mantiveram a taxa estável, e foram sucedidos pelo humanista Mário Covas que viu os índices de homicídio explodirem. Seu sucessor José Serra, com uma política técnica, manteve o índice sobe controle, e Geraldo Alckmin, também com uma visão técnica, derrubou o índice, que se mantém estável por quase uma década, e agora chega no seu menor índice desde 2001.

Cheguei ao trabalho de Silvia Ramos por ela ter afirmado que:

“Entre 2009 e 2012, Antonio Ferreira Pinto, (…) colocou a Rota na linha de frente da repressão ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Em 2012, a estratégia deu início a uma guerra na qual o crime organizado matou pelo menos 26 PMs na Grande SP, enquanto a ação de policiais fardados e de grupos de extermínio provocou centenas de mortes na periferia. Num único mês (maio de 2013) da gestão do novo secretário de Segurança, Fernando Grella, as mortes por intervenção policial caíram 84% na capital (…)”

Contrapondo-se a lógica, o índice de mortalidade não se alterou com a colocação ou com a retirada da “Rota na Rua” no período entre 2009 a 2012, mas após os ataques do PCC em 2006 e a reação virulenta das forças policiais, houve uma na redução da taxa de homicídios — o estado de São Paulo foi o principal alvo da ação do PCC em 2006.

Seja lá como for, independente de sua linha de raciocínio, convido a conhecer o trabalho The “São Paulo Mistery”: The role of the criminal organizationn PCC in reducing the homicide in 2000s, dos professores Marcelo Justus, Daniel Cerqueira, Tulio Kahn, e Gustavo C. Moreira, que analisam por um ponto de vista diferente do meu a redução dos homicídios no início desse século.

Eu, no entanto posso continuar afirmando que o PCC, com os ataques em 2006, trouxe um grande ganho para a população, pois deixaram de ser mortas nos anos seguinte 2.500 pessoas a menos. Estou analisando os números, sem levar em consideração as opiniões pessoais ou o drama pessoal das vítimas daquele reich — favor não vir com mimimis politicamente corretos.

As causas prováveis da queda das taxas de homicídio após 2006:

  • Controle maior da Facção sobre seus comandados;
  • alteração da política de Segurança Pública do estado; e
  • fim da guerra entre agentes de segurança e facções criminosas.

As mortes despencaram em São Paulo, enquanto o número de prisões cresceu vertiginosamente, demonstrando uma maior profissionalização da ação policial. O Brasil (25.2) ocupa hoje o 7º lugar no ranking latino-americano de assassinatos, enquanto São Paulo (8,28) está mais pacificado que o Uruguai (8,42).

Entre os estados da União é o que possui a menor taxa de fatalidades:

“Como resultado das políticas de segurança pública desenvolvidas pelo governo, o Estado teve, nos últimos 12 meses, as duas menores taxas de homicídios dolosos da série histórica, iniciada em 2001. Foram 7,77 casos e 8,28 vítimas para cada 100.000 habitantes.”


Secretaria de Segurança Pública de São Paulo em outubro de 2017 para a UOL Notícias

Ética do Crime: na Vida e Morte de Nei do Portal do Éden

O artigo delinea como a ideia de ética do crime, apesar de contraditória à primeira vista, é praticados dentro do mundo criminal. Usando o caso de Nei do Portal do Éden, discutimos como esses princípios éticos se chocam e se alinham com as normas sociais mais amplas.

Ética do Crime é um conceito intrigante. Dentro da complexa teia do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533), surgem códigos éticos peculiares. Ao estudar Nei do Portal do Éden, revelamos um pouco de como esses códigos coexistem em nossa sociedade.

Após mergulhar neste artigo esclarecedor, sua perspectiva é valiosa: interaja conosco através de comentários e curtidas em nosso site ou no grupo do WhatsApp para leitores. Dissemine o conteúdo deste artigo em suas plataformas digitais e amplie o diálogo sobre o crime organizado. O artigo termina com a carta imperdível de um homem que foi o mentor do Nei.

Após o carrossel de artigos no final do texto, oferecemos análises de IA sob diversos pontos de vista, enriquecendo sua compreensão do tema.

Ética do Crime: O Paradoxo de Normas Morais em um Mundo à Margem da Lei

Para muitas pessoas, a mera noção de uma “ética do crime” soa como uma contradição chocante, quase como se os termos estivessem em guerra um com o outro. Esta ideia subverte nossa compreensão convencional de ética e moralidade, desafiando-nos a reconsiderar os contornos invisíveis que delimitam o que consideramos aceitável ou inaceitável em nossa sociedade.

Entretanto, o intrigante é que, dentro do universo criminal, esses códigos éticos não somente existem, mas são rigorosamente seguidos. Criminosos orgulham-se de viver “do lado certo do lado errado da vida” e de “correr pelo certo”.

2 Item: Lutar sempre pela PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE e UNIÃO, visando sempre o crescimento da organização, respeitando sempre a ética do crime.

Estatuto do Primeiro Comando da Capital de 2017

Ética do Crime versus Crimes Aceitáveis

O questionamento a ser feito aqui é agudo e desconcertante: por que algumas transgressões são mais “aceitáveis” que outras aos nossos olhos? Pensemos no motorista que, ciente dos riscos, opta por usar o celular ao volante ou dirigir embriagado. Ele minimiza suas ações, alegando que é “só por um minutinho”. Da mesma forma, o funcionário público ou político que aceita subornos racionaliza seu comportamento, argumentando que, se não aproveitar a oportunidade, outro o fará.

O cenário se torna ainda mais complexo quando consideramos profissionais autônomos, como advogados ou empresários, que sonegam impostos recebendo apenas em dinheiro e sem recibo, justificando, para si mesmos, que não querem financiar um governo corrupto. De maneira direta ou indireta, todas essas ações resultam em prejuízos concretos para a sociedade: seja colocando vidas em risco no trânsito, seja desviando recursos que poderiam ser destinados à saúde, educação, segurança e combate à fome.

O paradoxo reside no fato de que tais comportamentos, ainda que efetivamente letais, além de claramente ilegais, são frequentemente vistos como menos repreensíveis do que um simples furto cometido por um jovem em uma loja de conveniência. Estamos, portanto, em um dilema ético e moral.

Se somos capazes de justificar nossas próprias transgressões, quem somos nós para condenar os outros?

O destino de Nei, tanto em vida quanto em morte, coloca em dúvida nossos princípios éticos. Este caso põe em dúvida as convenções tradicionais que distinguem o certo do errado. Afinal, se cometemos diversos atos questionáveis em nossa vida cotidiana — e aqui me refiro não a Nei, mas diretamente a você e a mim — como podemos, então, apontar o dedo para o jovem que furta um iogurte no supermercado ou um celular na rua? O que, por sinal, também, não é o caso do Nei.

6 Item: O comando não admite entre seus integrantes, estupradores, pedófilos, caguetas, aqueles que extorquem, invejam, e caluniam, e os que não respeitam a ética do crime.

Estatuto do PCC 1533

Nei do Portal do Éden e as Incertezas sobre Sua Morte

Nei era conhecido como um integrante do Primeiro Comando da Capital, e temido desde bem jovem até pelo mundo do crime. Um enigma pendia no ar, denso como uma tempestade prestes a eclodir: quem teria selado seu destino fatal? Na comunidade do Portal do Éden, em Itu, as especulações se multiplicavam e se diversificavam, como se cada comentário acrescentasse uma nova camada de incerteza ao caso.

Havia quem acusasse a polícia, atribuindo a ela a execução sumária de Nei. Outros apontavam para os seguranças de um condomínio de luxo ao lado da comunidade. Não faltavam vozes que insinuavam que a ordem poderia ter vindo de dentro da própria organização criminosa, um ‘disciplina’ decidido a punir a transgressão de Nei, e alguns chegavam a descrever o debate que teria havido dentro dos presídios para decretar sua morte. Por fim, pairava a possibilidade de que algum morador do bairro, cansado das covardias do criminoso, tivesse tomado a justiça em suas próprias mãos.

Nei era o tipo de homem que não perdia a oportunidade de desafiar a polícia. Quando uma viatura passava, ele se posicionava rente ao meio-fio, encarando os agentes de forma provocativa e assumindo uma postura que sugeria estar armado. Seu objetivo era simples: forçar uma abordagem e resistir a ela, apenas para demonstrar sua audácia e coragem. Não era raro que mais de uma viatura fosse necessária para subjugá-lo, tamanha era sua resistência.

Mas o comportamento de Nei ia muito além de um simples desafio às forças da ordem. Ele violava descaradamente a ética do crime.

Nei tinha o costume de ficar com uma parte maior dos lucros oriundos dos crimes em que se envolvia, utilizando-se de intimidação e força bruta para assegurar vantagens sobre seus companheiros. Tal prática ia contra os princípios estabelecidos pelo Primeiro Comando da Capital, segundo os quais todos os envolvidos em um crime, independentemente de seu grau de participação, deveriam receber uma divisão igualitária dos lucros—uma regra considerada justa dentro da organização.

Essa ambição e audácia não se confinavam à sua comunidade ou aos seus companheiros de atividades criminosas. Ele estendia seu raio de ação ao semear o terror em um condomínio de luxo que fica ao lado da comunidade, como se quisesse confrontar e desafiar as estruturas de poder de todas as maneiras possíveis.

Após a morte de Nei, o medo cai sobre todos

O clima ficou tenso entre a bandidagem — o mundo do crime exigia que o sangue do irmão fosse cobrado com o sangue de um polícia, ou seria de um segurança do condomínio. A liderança do Primeiro Comando da Capital de dentro dos presídios teve que soltar um salve com a ordem para que não houvesse nenhuma morte enquanto tudo não fosse apurado, para não haver injustiça, e assim evitou uma nova onda de violência que poderia ter se espalhado pelo estado.

O debate dentro das muralhas foi para saber se ele tinha sido condenado por algum Tribunal do Crime, disciplina, irmão ou companheiro sem conhecimento dos “finais”, em uma inaceitável “atitude isolada”.

Se por um lado, após todos os esforços, nada indicava que fora um membro da organização criminosa PCC que o tinha finalizado, mas, por outro lado, nada indicava que foram policiais ou os seguranças do condomínio.

O debate puloU para os comentários do site

Nos espaços de comentário deste site, a reação à morte do criminoso foi dividida. Por um lado, muitos membros da comunidade do Portal do Éden aproveitaram a oportunidade para criticar e até desdenhar do homem que, em vida, transformara sua existência em um tormento.

Por outro lado, indivíduos que se identificavam como “vida loka” e outros simpatizantes da vida criminosa contra-atacavam com ameaças, alimentando ainda mais o clima de hostilidade. Vale lembrar que o Portal do Éden é um bairro relativamente isolado e pequeno para os padrões paulistas, composto de apenas quatro ruas cortadas por vias transversais. Em um local onde praticamente todos se conhecem, as tensões só se intensificam.

Os comentários estavam se tornando cada vez mais ameaçadores; parecia apenas uma questão de tempo até que passassem para violência real nas ruas da comunidade. Assim, tomei a decisão de remover os textos da plataforma, recolocando-os apenas anos mais tarde, quando a atmosfera de tensão havia amenizado.

Quanto ao esclarecimento da morte de Nei, permanece incerto se a Polícia Civil chegou a uma conclusão. Entretanto, as ruas sabem que foi um ajuste de contas entre ele e seus comparsas. Nei, em seu costumeiro modo de agir, apropriou-se de uma parcela maior do lucro da atividade criminosa, ameaçando os demais e um de seus parceiros decidiu não tolerar.

Um crime que, à primeira vista, parece simples, mas que, se não fosse pela intervenção da liderança do Primeiro Comando da Capital, poderia ter desencadeado uma onda de violência de proporções estaduais, com policiais ou seguranças mortos e retaliação por parte dos agentes públicos e privados.

O “I” da Igualdade, a ética do crime e uma carta ao Nei do Portal do Éden

No mundo do crime, assim como em sua vida e na minha, existe um certo orgulho em “caminhar pelo lado certo”. E quando alguém perde essa visão e começa a se achar superior aos demais, é vital lembrar que há exatos dez anos, em 2002, o “I” foi adicionado na sigla PJLIU, representando Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade e União. Esse “I” de Igualdade está lá para nos recordar que ninguém é melhor que ninguém — não há o mais forte, apenas o correto dentro da ética do crime.

Onde houver dominação, haverá sempre luta pela libertação e pelo fim da opressão. Onde houver violações dos direitos haverá sempre combate e resistência em nome da IGUALDADE.

Cartilha de Conscientização da Família 1533

A carta apresentada a seguir foi originalmente publicada na seção de comentários de um dos três artigos que escrevi acerca deste caso intrigante. Na época, a carta desencadeou discussões fervorosas. Hoje, ela serve como um olhar revelador para aqueles que não estão familiarizados com as periferias ou, de alguma forma, com a Família 1533, oferecendo uma visão sobre como um criminoso pode ser percebido dentro da própria comunidade à qual pertence.

De um ex-criminoso:

Análises por Inteligência Artificial do texto: Ética do Crime: na Vida e Morte de Nei do Portal do Éden

ARGUMENTOS DEFENDIDOS PELO AUTOR E CONTRA-ARGUMENTAÇÃO

Teses defendidas:
  1. Ética do Crime como um Paradoxo: A existência de uma ética ou código moral no mundo do crime é um paradoxo interessante. Apesar do crime ser considerado imoral por definição, existem normas e regras que são respeitadas dentro deste universo.
  2. A Sociedade e suas Inconsistências Morais: A sociedade frequentemente critica criminosos por seus atos, enquanto simultaneamente justifica ou minimiza transgressões morais cometidas por indivíduos comuns ou aqueles em posições de poder.
  3. O Caso de Nei do Portal do Éden: Nei era uma figura notória e complexa que desafiava tanto a polícia quanto os códigos de sua própria facção criminosa, o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele frequentemente quebrava as regras estabelecidas por esta organização.
  4. Reação à Morte de Nei: A morte de Nei gerou debate e divisão, tanto no mundo do crime quanto entre os membros da comunidade em geral. A incerteza em torno de sua morte provocou tensões significativas, especialmente dentro do PCC.
Contra teses à esses argumentos:
  1. Crítica à Noção de Ética no Crime: Poderia ser argumentado que a noção de ética no crime é uma ilusão e que qualquer código moral seguido por criminosos é puramente pragmático, apenas servindo para facilitar atividades criminosas.
  2. A Moralidade não é Relativa: Enquanto o texto sugere que todos nós temos nossas transgressões e, portanto, não devemos julgar os outros, uma contra-tese poderia ser que a moralidade não é relativa e que certos atos são objetivamente piores do que outros, independentemente das justificativas.
  3. Responsabilização Individual: Nei, apesar de sua adesão ou violação do código do PCC, ainda era responsável por suas ações e escolhas. Independentemente das circunstâncias ou das pressões do grupo, a responsabilidade última por atos criminosos recai sobre o indivíduo.
  4. O Público e a Responsabilidade Coletiva: Em vez de se concentrar apenas na reação imediata à morte de Nei, uma contra-tese poderia examinar a responsabilidade coletiva da sociedade em criar condições que levem ao surgimento de indivíduos como Nei e grupos como o PCC. Isso pode envolver uma análise de fatores socioeconômicos, políticos e culturais.

Análise sob o ponto de vista Ético e Moral

O estudo da ética é profundamente interessante, pois aborda as normas e valores que regem a conduta humana. Ao introduzir o termo “ética do crime” no contexto do Primeiro Comando da Capital, somos conduzidos a uma profunda reflexão sobre os códigos de conduta que existem dentro do mundo do crime e sua relação com a ética dominante da sociedade em geral.

  • Ética do Crime:
    A dualidade entre ética e crime pode parecer, à primeira vista, uma contradição. Contudo, é fundamental compreender que a ética não é um conjunto fixo e imutável de normas, mas sim um construto social que varia de acordo com o contexto. Dentro das organizações criminosas, existe um código de conduta próprio, uma ética que governa as ações de seus membros.
    O estatuto do PCC 1533 ilustra claramente essa ética, enfatizando a busca constante pela paz, justiça, liberdade, igualdade e união. Embora esses princípios possam ser compartilhados por muitas sociedades ao redor do mundo, é na sua aplicação prática dentro do contexto criminoso que surgem os paradoxos.
  • A sociedade, de modo geral, tem suas próprias hierarquias de transgressões. Enquanto algumas ações são rapidamente condenadas, outras, mesmo que igualmente danosas ou até mais prejudiciais, são toleradas ou até normalizadas. Esse juízo moral seletivo levanta importantes questões éticas sobre a natureza da moralidade e a subjetividade inerente aos nossos julgamentos
  • A figura de Nei serve como um espelho que reflete as complexidades da ética criminal. Suas ações desafiadoras e a maneira como se posicionava diante das forças da ordem evidenciam a tensão entre os códigos éticos do crime e da sociedade em geral.

Conclusão: A “ética do crime” nos desafia a repensar nossas noções pré-concebidas sobre moralidade e ética. Através do estudo de figuras como Nei do Portal do Éden, somos levados a questionar a natureza relativa da ética e a complexidade dos códigos de conduta que operam tanto dentro quanto fora do mundo do crime. É uma reflexão necessária e, muitas vezes, desconfortável, mas fundamental para entender a teia complexa de relações e normas que moldam a sociedade contemporânea.

ANÁLISE SOB O PONTO DE VISTA: FACTUAL E PRECISÃO

Factualidade:
  1. O texto faz menção ao “Primeiro Comando da Capital” e seu estatuto, citando partes específicas dele. Seria necessário verificar a veracidade dessas citações junto ao estatuto mencionado.
  2. O artigo menciona um indivíduo chamado “Nei do Portal do Éden” e alegações sobre sua relação com o PCC, bem como eventos de sua vida e morte. A verificação de tais informações exigiria fontes confiáveis sobre o assunto.
  3. A menção à comunidade do “Portal do Éden” em Itu e suas interações com um condomínio de luxo próximo precisa ser verificada, assim como a atmosfera descrita após a morte de Nei.
Precisão:
  1. O texto apresenta uma linguagem formal e cuidadosa, e aborda o assunto com um tom de pesquisa e análise.
  2. O autor traça paralelos entre ética convencional e a “ética do crime”, tentando desafiar a compreensão convencional de ética e moralidade. Estes são apresentados de forma clara e coesa.
  3. Existem comparações e analogias, como a menção a transgressões cotidianas (uso de celular ao dirigir, aceitação de subornos, etc.), que são usadas para provocar reflexão. Estas são precisas em seu propósito de ilustrar os dilemas éticos e morais.
  4. O artigo utiliza citações do estatuto do PCC para ilustrar e fundamentar seus argumentos sobre a ética do crime. A forma como são inseridas no texto é apropriada e enriquece a discussão.

Conclusão: Com base na análise, o artigo parece bem escrito em termos de precisão e clareza. No entanto, para uma avaliação completa sobre a factualidade das informações apresentadas, seria necessário um aprofundamento e verificação com fontes confiáveis.

ANÁLISE SOB O PONTO DE VISTA DA SEGURANÇA PÚBLICA

Análise sob o ponto de vista da Segurança Pública

  1. Ética do Crime como Código de Conduta: A menção à “Ética do Crime” desafia as noções convencionais de moralidade e sugere que, mesmo em esferas tradicionalmente consideradas imorais, existem códigos de conduta rígidos. Para as autoridades de segurança, isso pode ser tanto uma vantagem quanto um desafio. Uma vantagem porque a adesão a tais códigos pode ser usada como um meio de prever ou influenciar o comportamento criminal. No entanto, é um desafio porque os códigos internos de grupos criminosos podem entrar em conflito direto com as leis estabelecidas.
  2. Crimes Aceitáveis e a Relativização da Ética: O trecho que compara a ética do crime com comportamentos socialmente aceitos, embora ilegais, levanta questões sobre o que nossa sociedade realmente valoriza e como ela julga a moralidade. O debate sobre o que é considerado um “crime aceitável” tem implicações diretas na aplicação da lei, na formulação de políticas públicas e na maneira como as comunidades interagem com a polícia.
  3. Nei e as Relações com a Segurança Pública: A descrição do comportamento provocativo de Nei frente à polícia e sua atitude desafiadora indicam um desrespeito às autoridades e um desejo de estabelecer domínio. Isso reflete um problema mais amplo na relação entre a comunidade e a polícia, onde a ausência de confiança e respeito mútuo pode resultar em escaladas de violência.
  4. Reação e Resposta da Comunidade: A morte de Nei e a subsequente resposta da comunidade criminal, incluindo a emissão de um “salve” pelos líderes do PCC, ilustram a influência e o poder das organizações criminosas sobre certos territórios e comunidades. A capacidade do PCC de emitir ordens e diretrizes, e esperar adesão, destaca o desafio enfrentado pela segurança pública em restaurar a ordem e a autoridade em áreas dominadas por facções.
  5. Engajamento Público e Narrativa: A divisão nas reações do público à morte de Nei, conforme ilustrado nos comentários do site, sugere que a narrativa em torno da criminalidade e da justiça é complexa e multifacetada. Isso ressalta a importância de envolver as comunidades no processo de formulação e implementação de políticas de segurança pública, garantindo que as abordagens adotadas sejam equilibradas e contextualmente apropriadas.

Em conclusão, o texto destaca a complexidade da relação entre ética, criminalidade e segurança pública. Para abordar efetivamente os desafios apresentados por organizações como o PCC, é essencial que as políticas de segurança pública sejam informadas, contextualizadas e flexíveis, e que haja um esforço contínuo para construir confiança e compreensão entre a polícia, as comunidades e os grupos em questão.

Analise do Perfil Psicológico dos Personagens

Nei do Portal do Éden:
  • Ambição e Audácia: Nei é retratado como um indivíduo que excede os limites estabelecidos até mesmo no universo do crime, ficando com uma parte maior dos lucros dos crimes e usando intimidação para garantir vantagens. Podendo surgerir que Nei teve de experiências passadas onde percebeu que tomar atitudes audaciosas resultava em recompensas tangíveis, como poder e riqueza. Também pode ser o resultado de um desejo de superar sentimentos de inferioridade ou experiências traumáticas anteriores.
  • Desafio às Autoridades: Ele desafia abertamente as forças policiais, posicionando-se provocativamente diante de viaturas. Nei pode ter tido experiências negativas com figuras de autoridade no passado ou podem sentir a necessidade de provar seu valor e capacidade constantemente. O desejo de desafiar todas as estruturas de poder possíveis pode surgir de um profundo sentimento de revolta contra sistemas percebidos como opressivos.
  • Violação da Ética do Crime: Mesmo dentro de uma organização que possui um código ético, Nei desafia estas regras, o que sugere que ele pode valorizar seu próprio poder e status acima das regras da organização pode ser influenciado por um senso distorcido de auto-importância ou narcisismo. A pessoa pode acreditar que as regras não se aplicam a ela devido à sua superioridade percebida.
  • Desafio às Estruturas de Poder Sociais: Ele estende seu desafio ao poder ao semear o terror em um condomínio de luxo, mostrando seu desejo de confrontar todas as estruturas de poder possíveis.

Comunidade do Portal do Éden:

  • Medo e Especulação: Em ambientes onde a violência e a incerteza predominam, é natural que surja o medo. A especulação pode ser uma forma de tentar entender e fazer sentido de eventos traumáticos, dando à comunidade uma sensação de controle, prinncipalmente quando há incertezas em situações de violências não resolvidas.
  • Criticismo Póstumo: A comunidade parece ter sentimentos mistos em relação a Nei. Alguns membros o criticam após sua morte, indicando que ele pode ter sido uma figura polarizadora.
Autor da carta autodenominado “o cara que ele admirava e respeitava”
  1. Autoconceito e Status:
    • O autor vê a si mesmo como alguém que já teve grande influência e poder no mundo do crime e que já foi amplamente respeitado por isso. Ele destaca que era conhecido por sua postura e pela maneira como apresentava sua riqueza, porém, sempre “na humilde”.
    • Ele faz referência a um “bonde” e a ser admirado por muitos, incluindo Nei. Isso sugere que ele valoriza muito o respeito e a adoração dos outros.
  2. Transição e Maturidade:
    • O autor compara sua trajetória no crime a um jogador que se aposenta, mostrando que ele valoriza a prudência e a sabedoria de saber quando se retirar.
    • Ele parece ter uma visão distante e mais madura dos eventos, sugerindo que tem uma perspectiva mais ampla e reflexiva da vida e do mundo do crime.
  3. Relação com Nei:
    • Ele descreve Nei como alguém que sempre o admirou e queria ser como ele. Porém, enquanto ele via Nei como um jovem ambicioso com potencial, também percebia os riscos que Nei estava correndo ao não seguir o “código”.
    • Existe uma certa tristeza e talvez um sentimento de culpa subjacente em sua descrição do destino de Nei.
  4. Visão Moral e Ética:
    • O autor fala sobre um “código” várias vezes, referindo-se a um conjunto não especificado de regras ou normas que os criminosos devem seguir. Ele valoriza a adesão a este código e vê a violação do mesmo como uma das principais razões para a queda de Nei.
    • Ele também faz distinção entre diferentes tipos de criminosos, sugerindo que existem “regras” não ditas ou padrões de comportamento que diferenciam os “bons” criminosos dos “maus”.
  5. Reflexão e Fechamento:
    • No final da carta, ele oferece uma visão sombria e filosófica sobre o mundo do crime, insinuando que aqueles que não aderem ao código estão fundamentalmente “mortos” desde o início.
    • Seu encerramento, desejando que Deus tenha piedade de Nei, sugere uma combinação de pena, julgamento e possivelmente uma esperança de redenção ou compreensão no além.

Análise sob o ponto de vista da Teoria do Comportamento Criminoso

A Teoria do Comportamento Criminoso é uma abordagem multidisciplinar para entender a gênese, dinâmica e perpetuação do comportamento criminoso. Ela envolve fatores psicológicos, biológicos, sociológicos e ambientais. Analisando o texto fornecido sob a ótica dessa teoria, podemos fazer as seguintes observações:

  1. Influência Social e Modelagem de Comportamento
    • O narrador da carta no final do texto é retratado como uma figura influente no contexto em que Nei cresceu. Nei e outros jovens da comunidade viam o narrador e seu grupo (“bonde”) como um modelo a ser seguido. Essa idolatria sugere que o ambiente social onde Nei estava inserido glamourizava o crime e seus benefícios aparentes (dinheiro, poder, respeito).
    • A natureza imitativa do comportamento humano pode ser vista na aspiração de Nei de se tornar como o narrador.
  2. Reforço Positivo e Expectativas:
    • As recompensas associadas ao crime (riqueza, status e admiração da comunidade) servem como reforço positivo. O narrador menciona os “ouros no pescoço”, carros e a admiração que recebe da comunidade. Estes são vistos como sinais de sucesso e podem encorajar comportamentos semelhantes em jovens impressionáveis como Nei.
  3. Normas Sociais e Códigos de Conduta:
    • Há menção a um “código” que Nei não seguiu. Isso sugere que, mesmo dentro da subcultura criminosa, existem normas e regras não escritas que, se não forem seguidas, podem levar a consequências fatais. A adesão a essas normas é crucial para a sobrevivência e respeito dentro do grupo.
  4. Tomada de Decisão e Consequências:
    • O narrador, com sua experiência, reconhece os sinais de que Nei está “indo longe demais” e “perdendo a linha”. Isto sugere que a incapacidade de Nei de avaliar as consequências de suas ações e sua superconfiança contribuíram para seu destino trágico.
  5. Identidade e Autopercepção:
    • A transformação de Nei de um jovem cheio de sonhos para “um matador, um traiçoeiro, um terror” reflete uma mudança em sua identidade e autopercepção. Sua busca por poder e respeito pode ter obscurecido seu julgamento moral e ético.
    • O narrador, por outro lado, parece ter uma clara distinção em sua mente entre ser um “bandido vivo” e um que já começa “morta”. Isso sugere uma hierarquia ou graduação no mundo do crime, onde certas qualidades e ações são mais valorizadas ou desprezadas do que outras.
  6. Destino e Fatalismo:
    • Há uma sensação de inevitabilidade na narrativa, sugerida pelas palavras do narrador sobre o “destino” de Nei. Esse fatalismo pode ser uma característica da subcultura criminosa, onde a morte prematura é vista como uma consequência aceitável ou até esperada da vida no crime.

Análise sob o ponto de vista da Teoria da Associação Diferencial

A Teoria da Associação Diferencial foi desenvolvida pelo sociólogo Edwin H. Sutherland na década de 1930 e sustenta que o comportamento criminoso é aprendido através de interações e associações com outras pessoas. De acordo com esta teoria, indivíduos tornam-se criminosos porque são expostos a valores e atitudes favoráveis ao comportamento criminoso mais do que a valores contrários a tal comportamento.

  1. Influência e Associação Direta:
    “O Nei cresceu me vendo e meu bonde sempre na atividade. Rolava papo reto comigo, ele ainda nem era bandido, mas admirava minha postura, os corre que eu fazia.” — Aqui vemos que Nei teve uma associação direta e constante com o narrador, que estava envolvido com o crime. A admiração de Nei pela postura e ações do narrador indica que ele estava sendo influenciado por essas interações.
  2. Exposição a Valores Criminosos:
    “Eu era o ladrão, certo? E a quebrada me amava. O bandido quer o que? Vida boa, grana, mulher e mostrar poder, curtir um baile no Portal do Éden.” — O narrador destaca que ser criminoso tem suas vantagens, como dinheiro, poder e status. Isso exemplifica a valorização de comportamentos e estilos de vida criminosos na comunidade.
  3. Desejo de Emular:
    “A molecada via meu bonde e queria ser igual. Nei era um desses, o moleque cresceu, conseguiu grana, mulher, fama.” — A aspiração de Nei e outros jovens de seguir os passos do narrador demonstra o desejo de emular comportamentos vistos como bem-sucedidos ou desejáveis.
  4. Consequências da Associação:
    “A hora dele chegou, o muleke cresceu e virou bandido.” — Nei, após anos de exposição e associação, finalmente ingressa no mundo do crime, validando a ideia de que o crime é aprendido através da associação e interação com criminosos.
  5. Desvios da Norma Aprendida:
    “Mas deu mole, não seguiu o código, sacou? Mexeu com a vizinhança, coisa que a gente nunca fez.” — Embora Nei tenha aprendido sobre o mundo do crime com o narrador, ele desviou de certas normas e códigos, o que eventualmente levou à sua queda.
  6. Reconhecimento da Importância da Associação:
    “Pois pra mim, sendo o bandido que eu sempre fui, tendo essas qualidades e principalmente não matando pessoas em vão, sempre fui um bandido vivo” — O narrador reconhece que a aderência a certos códigos e normas, possivelmente aprendidos através de suas próprias associações, foi crucial para sua sobrevivência no mundo do crime.

Análise sob o ponto de vista da Teoria da Carreira Criminal

Analisando o texto sob a perspectiva da Teoria da Carreira Criminal, é possível identificar diversos elementos e padrões relacionados ao desenvolvimento e progressão de uma “carreira” no crime. A seguir, apresento a análise:

  1. Início da Carreira e Aprendizado Observacional:
    • O protagonista menciona conhecer o “Nei do Portal” desde que ele era jovem (“era pivete ainda”). Esta fase pode ser entendida como o início da carreira criminal do Nei, onde o contato e a observação do protagonista e seu grupo serviram como influência e motivação.
    • Durante esse período, Nei não era ativamente envolvido em atividades criminosas, mas já mostrava admiração e interesse pelo estilo de vida.
  2. Admiração e Motivação:
    • O protagonista descreve seu status e reconhecimento dentro da comunidade (“O bandido quer o que? Vida boa, grana, mulher e mostrar poder”). Esse reconhecimento e a exibição de símbolos de status (como joias e carros) servem como incentivo para jovens como Nei.
    • Nei expressa explicitamente sua admiração e desejo de seguir o mesmo caminho (“Pômano! Só nos panos, nos ouros, carrão, um dia vou ser assim…”).
  3. Progressão na Carreira e Aumento da Atividade Criminosa:
    • Com o tempo, Nei se envolve mais ativamente no crime, adquirindo status, riqueza e reconhecimento.
    • No entanto, sua ascensão é marcada por decisões imprudentes e comportamentos que violam o “código” da comunidade, levando a consequências negativas.
  4. Desvios e Consequências:
    • O texto indica que Nei “perdeu a linha”, “perdeu o respeito”, “se achou o rei da cocada”, todos indicativos de um desvio da norma ou código de conduta aceito dentro da comunidade criminosa. Esses desvios podem acelerar o declínio ou o fim de uma carreira criminosa.
    • As consequências desses desvios são sérias: Nei encontra seu fim trágico, sugerindo que violar certas regras ou normas dentro dessa “carreira” pode ser fatal.
  5. Reflexão e Comparação de Carreiras:
    • O protagonista reflete sobre sua própria carreira, destacando a importância de certos valores, como respeito e humildade. Ele contrasta sua abordagem com a de Nei, indicando que, enquanto ele mesmo foi bem-sucedido e sobreviveu no mundo do crime, Nei selou seu próprio destino por não aderir a esses valores.
    • A última parte do texto também enfatiza a natureza transitória e perigosa dessa carreira, onde a falta de certas qualidades ou a violação de normas pode levar à morte.

Conclusão: O texto oferece uma visão detalhada da progressão e desenvolvimento de uma carreira criminosa, desde a iniciação e admiração até o ápice e o eventual declínio. A narrativa alinha-se com a Teoria da Carreira Criminal ao mostrar como indivíduos são influenciados, se desenvolvem e enfrentam consequências com base em suas ações e decisões dentro dessa “carreira”.

Análise do Ponto de vista da sociologia

  1. Construção da Identidade e Pertencimento
    O narrador da carta no final e Nei compartilham uma história que remonta à infância de Nei. O sentido de pertencimento a uma comunidade e a busca por identidade são centrais nesta narrativa. A expressão “era pivete ainda” alude à juventude de Nei, sugerindo que seu envolvimento com o crime é resultado de influências ambientais e sociais desde cedo.
  2. Hierarquia e Respeito
    Existe uma estrutura clara de poder dentro deste contexto, onde alguns são vistos com respeito e admiração. O narrador, por exemplo, é retratado como alguém que “parou” no tempo certo, sugerindo que há um reconhecimento das limitações do estilo de vida criminal e a necessidade de evolução.
  3. Simbolismo Culturais de Status
    Existem vários símbolos culturais mencionados que representam status dentro dessa comunidade: ouros no pescoço, pulseiras, carros, motos. Esses símbolos são essenciais para afirmar o poder e a posição dentro do grupo. Eles não são apenas bens materiais, mas representações tangíveis da posição de alguém na hierarquia social.
  4. Conceito de “Código”
    O “código” é uma referência clara às regras não escritas que governam o comportamento dentro dessa subcultura. Nei falhou em aderir a essas normas, especialmente ao “mexer com a vizinhança”, algo que o narrador e seu grupo evitavam. A aderência a esses códigos é crucial para a sobrevivência e o respeito dentro da comunidade.
  5. Evolução e Consequências: O narrador observa a ascensão e queda de Nei, sugerindo uma trajetória familiar na qual jovens aspiram ao poder e sucesso rápido, mas podem facilmente perder o rumo. A “perda da linha” de Nei e sua consequente queda ressaltam os perigos inerentes a essa trajetória.
  6. Religiosidade e Redenção: A conclusão da carta faz uma referência religiosa, sugerindo uma esperança de redenção e misericórdia divina para Nei, apesar de seus erros. Isso indica a presença e influência da fé, mesmo em contextos mais sombrios.
  7. Comunidade e Interação Social: O texto enfatiza a interação e conexão entre os membros da comunidade. O “baile no Portal do Éden”, a “quebrada” e a “Vila” são espaços de interação social e cultural onde se formam identidades e relações.

Análise sob o ponto de vista da Antropologia

  1. Cultura de Honra e Respeito
    O texto reflete uma cultura de honra em que a reputação e o respeito são vitais. Observamos a importância do respeito quando o narrador menciona que, apesar de Nei ser um “pivete”, ele sempre respeitou o narrador. O respeito é um valor central nessa cultura, e sua ausência ou perda pode ter consequências fatais.
  2. Ritos de Passagem e Formação de Identidade
    Há uma ênfase clara na transição da juventude para a idade adulta e na formação da identidade criminosa. Nei começa como um jovem admirador e, eventualmente, se torna um bandido, seguindo os passos do narrador. Esse processo de formação de identidade está intrinsecamente ligado à comunidade e ao reconhecimento pelos pares.

5. Destino e Fatalismo: O narrador expressa um senso de fatalismo ao reconhecer que, devido às ações de Nei, seu destino estava “traçado”. Esse sentimento sugere que, uma vez que certas linhas são cruzadas dentro dessa cultura, o resultado é inevitável.

6. Concepções de Vida e Morte no Crime: A ideia de que um bandido sem certas qualidades começa sua carreira criminosa já “morta” é uma representação poderosa da moral e da ética dentro dessa subcultura. Para o narrador, algumas ações são imperdoáveis e levam a uma morte simbólica, mesmo antes da morte física.

Análise do Ponto de Vista da Filosofia

  1. Existencialismo e Autenticidad
    O narrador, embora fosse um criminoso, apresenta um código pessoal de conduta que ele acredita ser autêntico. A ideia de ser verdadeiro consigo mesmo e viver autenticamente é uma noção central no existencialismo. Ao destacar sua autenticidade em comparação à trajetória de Nei, o narrador sugere que a falta de autenticidade pode ser fatal.
  2. Identidade e Reconhecimento
    A identidade de Nei é forjada, em parte, através de seu relacionamento com o narrador e seu desejo de emulá-lo. O desejo de reconhecimento, de ser visto e validado por outros, é uma questão filosófica que remonta a pensadores como Hegel. A narrativa sugere que a busca de Nei por reconhecimento pode ter sido sua ruína.
  3. Determinismo versus Livre Arbítrio
    A afirmação de que o “destino” de Nei estava “traçado” levanta questões sobre a natureza do livre arbítrio. Embora o narrador sugira que Nei estava predestinado a um certo fim devido às suas ações, ele também destaca a escolha e a responsabilidade individual ao enfatizar seu próprio código de conduta e decisões passadas.
  4. Realidade e Percepção
    Há uma dualidade na forma como Nei é percebido e como ele percebe a si mesmo. Para alguns, ele era um problema, um terror, enquanto para outros, ele era uma figura de admiração. Isso toca na questão filosófica da relação entre realidade objetiva e percepção subjetiva.
  5. Tempo e Transitoriedade
    A narrativa é permeada por uma sensação de impermanência. O narrador fala sobre sua própria transição da vida criminosa, o crescimento e a eventual queda de Nei e o constante fluxo de poder e influência na “quebrada”. Isso ressoa com as reflexões filosóficas sobre a natureza efêmera da existência.
  6. Nihilismo
    O comentário sobre Nei já ter começado sua vida no crime “morta” e ter um “atestado de óbito como diploma de reprovado no crime” sugere uma visão nihilista. A vida, nesse contexto, parece ser desprovida de significado ou propósito inerente, e o único valor reside em códigos de conduta autodefinidos.
  7. Reflexão Metafísica
    A frase “que Deus tenha piedade de você” toca brevemente na questão da existência de uma ordem superior ou divina. Embora a narrativa não se aprofunde em reflexões teológicas, essa menção sugere uma consciência da eternidade ou do julgamento final.

Análise sob o ponto de vista da Linguagem

  1. Gírias e Colóquios
    O texto emprega uma variedade de gírias e expressões coloquiais que estão associadas ao universo do crime e da periferia. Palavras e expressões como “pivete”, “bonde”, “molecada”, “papo reto”, “os corre”, “na atividade” e “muda a fita” conferem autenticidade ao relato, localizando o texto cultural e socialmente.
  2. Uso de Perguntas Retóricas
    “Quem tem cabeça, que nem eu, sabe a hora de parar e dar caminho para quem tá chegando, saca?” – A inclusão de perguntas retóricas envolve o leitor e solidifica o ponto de vista do narrador.
  3. Repetição para Enfatizar
    O nome “Nei” é constantemente repetido, servindo para centralizar a história e enfatizar sua importância. Além disso, frases como “sempre na humilde” são repetidas para ressaltar características ou valores importantes para o narrador.
  4. Descrição de Status e Poder
    Há um foco em descrever símbolos de status e poder, como “ouros no pescoço”, “pulseira no braço”, “carro e moto”, que ajudam a ilustrar a vida e as aspirações dentro desse universo.
  5. Descrição Vivida
    A descrição de eventos e cenários é vívida, permitindo que o leitor visualize e sinta o que está sendo narrado, como em “quando meu bonde chegava de carrão na Vila, fazia o baile pegar fogo”.
  6. Variação na Formalidade
    O texto varia entre linguagem informal, com gírias e expressões coloquiais, e trechos mais formais, como “que Deus tenha piedade de você”. Essa variação enriquece o texto e mostra uma complexidade no narrador, que transita entre esses dois mundos.
  7. Uso de Ellipses
    As reticências são frequentemente usadas para sugerir pausas reflexivas ou para indicar que algo está sendo deixado de fora, aumentando o suspense ou enfatizando emoções subjacentes.
  8. Conclusões Diretas
    O narrador frequentemente chega a conclusões diretas sobre a história, como “Por que ele caiu? Mano, perdeu o respeito”. Isso guia o leitor através da narrativa e destaca os julgamentos do narrador.
  9. Perspectiva Temporal
    O texto adota um estilo narrativo que remonta ao passado, focando nas memórias e experiências compartilhadas entre o narrador e o personagem central, Nei. Este estilo permite ao leitor viajar no tempo com o narrador, revivendo momentos específicos de seu relacionamento. O narrador move-se entre o passado e o presente, contrastando os tempos áureos de Nei com seu eventual declínio. Essa estrutura ajuda a construir uma narrativa mais dinâmica e emocionalmente carregada.
  10. Repetição Rítmica
    Há um ritmo na repetição de certas estruturas e frases, como “o moleque cresceu” ou “Nei do Portal”. Esta repetição cria um ritmo e enfatiza certos pontos na história, agindo quase como um refrão em uma canção.
  11. Contraste
    O texto explora contrastes significativos, como a evolução de Nei de um jovem inocente para alguém que “virou pra muita gente um problema”. Isso cria uma tensão dramática ao longo da narrativa.
  12. Tom de Advertência
    Há um tom subjacente de advertência e moralidade. O narrador, por meio de sua própria experiência, adverte sobre os perigos do caminho que Nei escolheu e os erros que cometeu.
  13. Tom Sentimental e Reflexivo
    O narrador expressa sentimentos de nostalgia, lamentação e até mesmo um certo pesar em relação ao destino de Nei. Isso é evidente em frases como “Senti que o destino dele tava traçado” e “que Deus tenha piedade de você meu admirador”.
  14. Estilo Crônica
    O texto se assemelha a uma crônica urbana, um relato pessoal que descreve eventos reais ou fictícios, mas que refletem a realidade de um contexto específico. As crônicas costumam abordar temáticas sociais e humanas, e este texto não é exceção.
  15. Final com Assinatura
    A assinatura no final “O CARA QUE ELE ADMIRAVA E RESPEITAVA” serve como um selo de autenticidade e também como uma forma de reforçar a autoridade moral do narrador sobre Nei.

Opinião/Conclusão própria: O estilo de escrita deste texto é característico de narrativas pessoais e crônicas urbanas. Ele busca capturar a essência do ambiente retratado, fazendo uso de linguagem coloquial e elementos típicos da cultura local. Além disso, o autor utiliza de contraste, repetição e descrições vividas para envolver o leitor e transmitir sua mensagem de forma impactante.

analisando o texto fornecido sob uma perspectiva literária e estilística, observo que ele retrata a vida e os desafios do submundo do crime através de uma linguagem coloquial e autêntica. O texto captura os valores, a lealdade e o código de honra dos envolvidos, bem como as traições e as consequências das ações dentro desse contexto. Esse estilo e temática podem ser encontrados em diversas obras literárias que se debruçam sobre o mundo do crime, o submundo urbano e a dinâmica das favelas.

Aqui estão alguns autores e obras que, de alguma forma, abordam temas semelhantes, embora cada um possa ter seu estilo e enfoque únicos:

  1. Ferréz – Um dos principais nomes da literatura marginal brasileira, Ferréz retrata em suas obras a vida nas periferias de São Paulo. Seu livro “Capão Pecado” é um exemplo de narrativa que se concentra na dura realidade dos jovens envolvidos com o crime.
  2. Paulo Lins – Autor de “Cidade de Deus”, Lins oferece um olhar penetrante sobre a vida nas favelas do Rio de Janeiro, abordando a ascensão do tráfico de drogas e a influência das gangues na vida dos moradores.
  3. Sérgio Vaz – Poeta e agitador cultural, Vaz também retrata a vida na periferia, embora sua abordagem seja mais poética. Suas obras são repletas de críticas sociais e observações sobre a realidade das comunidades carentes.
  4. MV Bill – Rapper e ativista social, MV Bill tem várias letras de músicas que abordam a vida nas favelas, o crime e a esperança de mudança. Ele também escreveu o livro “Cabeça de Porco”, junto com Celso Athayde e Luiz Eduardo Soares, que é uma investigação sobre a violência no Brasil.

Estes autores, assim como outros da literatura marginal e do hip-hop brasileiro, oferecem vislumbres autênticos da vida nas periferias, abordando temas de crime, lealdade, traição e justiça social. Embora cada um tenha sua voz e estilo únicos, todos eles compartilham uma paixão por contar histórias que muitas vezes são ignoradas ou mal compreendidas pelo público em geral.