Comando Vermelho CV retoma área do PCC-ADA.

Um vídeo divulgado pelo Comando Vermelho mostra o momento em que captura dois jovens e uma mulher que seriam ligados ao ADA após retomada de uma área.

No vídeo om homem segurando um jovem pela camiseta pergunta a este:
Aí parceiro olha aí, mais um também. É ADA, é ADA, é ninho? Vai ver o Comando Vermelho hoje. Você vai ver o Comando Vermelho.

O jovem negou com a cabeça, a câmera se movimenta andando pela rua de uma comunidade, são aproximadamente dez homens sem camisa. Até chegar em uma mulher dizendo enquanto a pega pelo cabelo:
Filha da puta, o que você estava andando encapuzada aí? Tava andando encapuzada aí também, ó.

Continuam andando pela rua.
Vai parceiro, pegamos dentro dentro de casa, cadê o outro? É o retorno dos escri aqui é, Agarramos esse daqui ó. É o Linho, é o Linho né? Não é ADA? Vai ver, vai ver hoje. É o vermelhão porra! O retorno. É nós aqui agora, manda imbicar pa vê. É CV porra.

O vídeo coloca a tarja escrita: “provavelmente foram mortos”.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

O PCC e a derrota da Revolução de 1932.

Erro estratégico da facção Primeiro Comando da Capital com a decretação de guerra ao Comando Vermelho.

O Primeiro Comando da Capital talvez tenha cometido o mesmo erro que a Aliança Liberal quando em julho de 1930 levou a população de São Paulo a pegar em armas contra o governo de Getúlio Vargas.

Assim como acontece hoje, o país vivia uma crise econômica e política nacional e o estado de São Paulo considerou que com apoio de alguns outros estados poderia dominar o cenário.

A facção criminosa PCC 1533 em 2016 abriu várias frentes de batalha para dominar de maneira hegemônica no mercado internacional de drogas e armas, aproveitando a fragilidade econômica e política do país.

PCC repetindo erros da História do Brasil

O estado de São PAulo, há 85 anos contou com aliados em outros estados e acreditou que dominaria rapidamente o país quase sem resistência, mas não foi o que aconteceu.

No ano passado a organização ciminosa PCC 1533:

A soma desses fatores deu a comunidade acadêmica e internacional a ideia de que o Primeiro Comando da Capital estaria prestes a monopolizar o crime organizado no Brasil, no entanto a história se repetiu.

A elite paulista calculou mal seu poder, abriu várias frentes sem se preocupar com seu fortalecimento, contando com uma vitória rápida que não teve.

O massacre de COMPAJ provou isso

A “cabeça de ponte” do PCC do Amazonas não tinha condições de se sustentar tão distante das forças principais, assim como a Rocinha está ilhada, e diversas áreas do país tem oponentes fortes.

Mesmo que uma contra-ofensiva da segunda segunda maior facção do país o Comando Vermelho já fosse esperado, a liderança da organização criminosa PCC de certo não se preparou para a violência com que esse golpe foi dado.

A terceira maior facção o Família do Norte FDN se uniu ao CV em um único dia eliminaram a presença da facção paulista em todo território amazônico.

Se em um primeiro momento se aventou a participação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) facilitando a reentrada do PCC na região.

No entanto, isso parece ser cada vez mais improvável. Segundo informações do Ministério Público Federal, Nelson Flores Collantes, conhecido como Acuário, que controla a “Rota do Tráfico dos Solimões”.

E ele é a ligação entre as FARC e o FDN-CV, e deve se aliar a FCN-CV para evitar ter o mesmo destino que Jorge Raafad que controlava a “Rota do Tráfico do Paraguai”.

O Paraguai é hoje o principal produtor de maconha da região e o maior corredor de cocaína da Bolívia para a Europa. A coca boliviana é misturada no Paraguai com precursores químicos ilegais que chegam de outros países.

Em seguida, é escondido em caminhões e contêineres para ser transportado para a África e a Europa. Cabo Verde e Roterdã são os principais portos de destino, segundo a Secretaria Antidrogas do Paraguai (Senad).

Catalina Oquendo – El País

Encerramento do histórico do acordo PCC e CV.

O PCC 1533 – Primeiro Comando da Capital soube encerrar com estilo o acordo que mantinha como o Comando Vermelho – CV, mas as relações entre as duas facções já vinha se deteriorando pouco a pouco.

María Martín explicou para o brasil.elpais.com as principais razões desse rompimento foram: a diferença de qualidade no estilo administrativo; a visão global do negócio; e a capacidade de fazer alianças com coerência dentro de todo território nacional.

O Comando Vermelho mantinha em outros estados alianças com outras facções rivais ao Primeiro Comando, participando ou permitindo o assassinato de dezenas de irmãos batizados, como foi o caso relatado pelo brasil.elpais.com no qual a facção amazonense “Família do Norte” comandou o episódio que ficou conhecido como “Fim de Semana Sangrento” onde foram mortas 38 pessoas ligadas ao PCC.

O atraso de pagamentos das drogas e armas fornecidas pelo Primeiro Comando e a busca constante em captar para si os fornecedores primários criavam pontos de atritos constantes, mas o toque final foi a tentativa de encarecer os produtos vindos pela fronteira seca do Paraguai pela região de Pedro Juan Caballero controlada por Jorge Rafaat Toumani.

Foi um espetáculo bem organizado o encerramento do acordo entre as facções e se deu na quarta-feira 15 de Julho de 2016 com uma chuva de tiros que culminaram com a morte de Jorge Rafaat, o último chefe do tráfico da fronteira Brasil-Paraguai que se recusava a correr junto com o PCC.

Alguns questionam se a decisão de Marcola e da Sintonia Geral estaria correta, afinal, por muito tempo CVs e PCCs matavam os ADAs, e agora esses passaram a ser os amigos e os CVs se tornaram os alvos, mas analisando o quadro geral não se pode negar que a falta de profissionalismo e organização do Comando Vermelho não deixou outra saída.

O irmão Fantasma disse que não há nenhuma intenção de se declarar uma guerra contra o Comando Vermelho ou contra qualquer outra facção, pois o interesse de todos é o mesmo. Como disse María Martín a visão administrativa da liderança do PCC é profissional e visa lucro e benefícios corporativos.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

A guerra entre o PCC ̸ ADA contra o CV.

A antropóloga carioca Alba Maria Zaluar afirma que há um acordo entre o Governo do Estado de São Paulo e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC 1533, e essa é a razão da queda abrupta dos índices de violência, diferentemente do que acontece no Rio de Janeiro onde várias grupos lutam entre si: Forças de Segurança Pública (UPPs), PCC, CV (Comando Vermelho), ADA (Amigo dos Amigos), e milícias policiais.

Já noticiamos aqui que o PCC deixou de se aliar ao CV e firmou acordo com o ADA para ação conjunta no estado do Rio de Janeiro, Zaluar ratifica essa informação no site ateniense eleftherostypos.gr, e sendo confirmada a mudança de estratégia do líder da facção, o Marcola, a tendência será o acirramento dos conflitos em terras cariocas para os próximos anos até que se alcance um novo ponto de equilíbrio.

A tentativa do Estado de Direito de se impor dentro das comunidades através das UPPs falhou como deixou claro a psicóloga Silvia Ramos, que explica que sem ter as amarras legais que engessam o estado, o crime organizado através de suas facções tem o poder de impor as regras através da força e de ameaças que ninguém duvida que serão sumariamente cumpridas.

A socióloga Camila Nunes Dias também já havia alertado para os efeitos colaterais da reconfiguração de poderes entre as facções que fatalmente levará a um banho de sangue, só que o quadro que ela pinta é muito mais negro do que eu pintei aqui, visto que ela entende que essa guerra se espalhará por todo o território nacional, e cita um exemplo:

“Recentemente, gangues de rua do Ceará e do Rio Grande do Norte celebraram um pacto de paz para não haver mais mortes. Há informações de que esse pacto teria sido costurado pelo PCC e pelo CV. Com essa ruptura, não sabemos se vão manter o pacto. Geralmente as disputas nas prisões acabam reverberando nas ruas, então a situação nos Estados pode tensionar ainda mais.”

Considerando como correta a afirmação da Profª. Zaluar, nossa geração assiste ao nascimento de uma organização paraestatal normativa que atravessará gerações e se incorporando em nossa cultura, como foi o caso da japonesa Yakuza ou da italiana Cosa Nostra.

Mais do que poupar 45.000 vidas, Geraldo Alckmin será lembrado pela história como aquele que graças a sua política de convivência pacífica com um grupo de presos rebelados possibilitou a criação da maior facção criminosa das Américas e um novo modo de relacionamento entre a sociedade legal e a paralela.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

%d blogueiros gostam disto: