Comando Vermelho acusa PCC e B13 por crise.

 imagem: Luciano Tavares, da redação ac24horas

Semana passada uma mulher pedia ajuda no Acre:

Aqui o bagulho tá feio mesmo.
Eu sou do Acre, só que os irmãos não estão muito unidos não.
Mataram meus companheiros lá.
Até perder meu filho já perdi.
Tudo por causa dessa guerra.

Agora os irmãos tem que tomar atitude aí.Tem Irmão encurralado aí.Tem que ajudar Irmão.

A resposta veio feroz  e o governador encurralado entre uma guerra entre facções tentou se livrar da culpa de ter perdido o controle da segurança pública jogando a responsabilidade para o Governo Federal.

Por anos o estado teve um dos piores e mais desumano sistema carcerário, agora toma governador, cuida que o filho é seu — quem planta lobos não colhe cordeiros. O mundo do crime endurece o espírito, e o sistema darwiniano aplicado nos presídios acrianos, deixou apenas os mais duros, fortes e ferozes nas lideranças, e são eles que estão agora dando as ordens dentro e fora dos presídios.

*🌐👉🏿Rio Branco, Acre, 6 de agosto de 2017* 🗣👉🏿Luciano Tavares, da redação ac24horas

🌐👉🏿Após a noite de terror em Rio Branco, com a ocorrência de assassinatos e incêndios a ônibus comandados por facções criminosas, o governador Sebastião Viana disse em sua página no Facebook que alguns dos autores dos atentados foram presos graças ao esforço das polícias do Acre, mas acrescentou que enquanto não houver uma “força tarefa nacional” o Estado continuará “enxugando gelo”.…“A cada covarde tentativa de intimidação por criminosos, mais firme será a resposta do Estado”, promete Viana *INF:🌐GIRO NEWS🌐/GN*

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); O governo quer fazer crer que toda essa situação foi criada exclusivamente como represália do crime a transferência de 22 presos d de Rio Branco, 22 detentos que estavam na Unidade a penitência Francisco de Oliveira Conde (FOC), para o Presídio Antônio Amaro Alves, no entanto, como indica o áudio a decisão do ataque já estava sendo acalentada bem antes disso.

É atribuído ao Comando Vermelho um comunicado que circula nas redes sociais onde acusa o Primeiro Comando da Capital PCC 1533, o Bonde dos 13 B13, o a Irmandade Força Ativa do Acre IFARA pelas ações de terror na capital Rio Branco:

🏡FAMÍLIA VC RL🏡
🚩 *SOCIEDADE ACREANA* 🚩

O COMANDO VERMELHO DO ESTADO DO ACRE VEM PASSAR TOTAL TRANSPARÊNCIA Á TODA A NOSSA SOCIEDADE ACREANA EM RELAÇÃO AO QUE ESTÁ ACONTECENDO EM NOSSO QUERIDO ESTADO.

DEIXAMOS CLARO DE QUE ESTES ATOS DESRESPEITOSO QUE ESTÁ AFETANDO TODA A SOCIEDADE ACREANA, NÃO ESTÁ PARTINDO DE NOSSA ORGANIZAÇÃO.

QUEIMADAS DE ÔNIBUS, OU QUALQUER OUTRO ATO QUE POSSA VIR A AFETAR DIRETAMENTE A POPULAÇÃO, O COMANDO VERMELHO JAMAIS COMPACTUARÁ COM TAIS COISAS.

ESSAS QUEIMADAS AFETAM SOMENTE A POPULAÇÃO, QUE SOFRE PARA IR A SUA LUTA DIÁRIA, QUE DEPENDEM ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE DOS COLETIVOS. ESTA POPULAÇÃO DEVERÁ SER SEMPRE PRESERVADA, ESTA POPULAÇÃO DEVERÁ SEMPRE SER RESPEITADA, ESTA POPULAÇÃO NUNCA DEVERÁ SER O ALVO DE UM PROTESTO.

TODOS E QUAISQUER ATOS OU PROTESTOS QUE SEJA ORIUNDO DE NOSSA ORGANIZAÇÃO, DEIXAMOS CLARO DE QUE NUNCA SERÁ PARA AFETAR A NOSSA QUERIDA SOCIEDADE.

O COMANDO VERMELHO DEIXA CLARO DE QUE SOFRE JUNTO COM TODA A SOCIEDADE ACREANA, POIS NOSSAS FAMÍLIAS TAMBÉM DEPENDEM DOS COLETIVOS PARA IREM A LUTA DE CADA DIA.

A ORGANIZAÇÃO COMANDO VERMELHO DO ESTADO DO ACRE, DEIXA PARA TODA A SOCIEDADE ACREANA OS NOSSOS MAIS SINCEROS REPÚDIO AO QUE ESTÁ ACONTECENDO.

*OS 5 PILARES DO CV SÃO: LIBERDADE, RESPEITO, LUTA, JUSTIÇA E UNIÃO. (L.R.L.J.U). NESTES PRINCÍPIOS BÁSICOS SE RESUME O GRAU DE NOSSA CONVIVÊNCIA HARMONIOSA QUE IDEALIZAMOS ENTRE TODOS AQUELES DIGNOS DE CONSIDERAÇÃO NO QUAL NOS RELACIONAMOS.*

QUE DEUS VENHA A ABENÇOAR TODA A NOSSA QUERIDA SOCIEDADE ACREANA.

*RIO BRANCO AC, 07 DE AGOSTO DE 2017*

*CONSELHO FINAL CV-AC*

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Primeiro Comando da Capital: família e religião

Fala pra mim: quem é que merece ler um trabalho acadêmico que só de agradecimentos tem 12 páginas?!!!

Assim é o trabalho de Roberto Cordoville Efrem de Lima Filho, chamado MATA-MATA: reciprocidades constitutivas entre classe, gênero, sexualidade e território. 

Bem, respondo a questão anterior: eu mereço, e todos os que gostam e tem paciência de ler um texto longo e bem elaborado com frases bem construídas também merecem. O capítulo de agradecimentos do trabalho de Lima Filho começa assim:

“Daqui de onde escrevo, ouço os clarins. As linhas do texto se movimentam, talvez mesmo dancem, à ansiedade do seu próprio fim e dos lampejos do carnaval que toda esquina de Recife promete.”

Voltemos ao nosso foco.

O Primeiro Comando da Capital PCC 1533 é um grupo que tem a fé como um de seus pontos fortes. Isso, a meu modo de ver, é consequência pura e simples da proximidade que seus membros têm com a morte e com o sofrimento. É muito mais fácil para um garoto entediado, em seu apê, teclando besteiras, ser ateu que um moleque PCC que está no corre.

Lima Filho, no entanto, coloca dentro da mesna construção as ideias de “família” e de “religião” dentro da facção. Da mesma maneira, alinha a forma carinhosa pela qual os membros se chamam (“irmão”, “cunhada”, “prima”), à questão da religião, como fica claro no vídeo que encabeça essa matéria e que termina assim:


“Se Deus é por nós quem será contra nós? Por que Ele é justo! É o 15 porra!”

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Assim como aconteceu com a incorporação do conceito de família, fatos e costumes da cristandade e do sincretismo também foram absorvidos pelos integrantes do PCC, mas disso falaremos em outro artigo. Lima Filho analisa que os jovens PCCs utilizam-se dessa ferramenta para enfrentar o conflito entre a vida do crime e os “padrões de conduta ligados aos valores da família, da religião, do trabalho e da ascensão”.

O ideal de “família modelo”, de “família operário” ou “família de trabalhadores” (e eu acrescento um termo que já não ouço mais: “família de bem”), citados por Lima Filho não teriam morrido mas apenas sido incorporados na organização:

“… o uso pelo Primeiro Comando da Capital de um léxico que aciona noções de ‘família’ e ‘religião’” teriam o poder de recompor as “‘famílias’ e das ‘casas’, não mais como oposições ao ‘mundo do crime’, agora formadas por trabalhadores e bandidos.”

O trabalho de um PCC não difere de outro qualquer, pelo menos a partir do ponto de vista que foi criado dentro da sociedade em que vive. O garoto, o “vaporzinho”, que está começando a caminhada, busca a conquista do respeito da mãe e da comunidade, além do crescimento profissional:

“… a presença de filhos trabalhadores que preenchem a mãe de orgulho e garantem a estrutura simbólica do grupo familiar enquanto o sustento material da casa acaba sendo garantido pelos filhos do crime; mas, sobretudo, os bandidos que, ao saírem de casa depois do almoço, lembram que precisam “trabalhar’…”, escreve Lima Filho.
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Erving Goffman e o uso da fé para se livrar do PCC

“A todos que estão em privação de liberdade na Colônia Penal Agroindustrial do Paraná e que direta e indiretamente auxiliaram na Capela Ecumênica da Unidade Penal. Em especial ao responsável pela Capela Ecumênica e assistido da Unidade, por sua coragem, dedicação e parceria. ‘“Pedro’”, você nos apresentou ao ‘“mundo do cárcere’.”

Assim Danilo Henrique Martins, mestre em Geografia pela Universidade Federal do Paraná, agradece àqueles que o auxiliaram com seus depoimentos para que, desta forma, pudesse entender como

Este é o primeiro estudo, de uma série de textos que trarei, sobre a fé dentro da organização criminosa paulista Primeiro Comando da Capital PCC 1533. O trabalho inaugural se chama: “Unidade Prisional como Espaço Total: A Religião na Colônia Penal Agroindustrial do Paraná.”

Chama-me a atenção o método aplicado pelo pesquisador da UFPR, que seguiu o caminho de Erving Goffman e, utilizando-se de conversas informais e atentando-se aos detalhes dos diálogos, pôde testar a franqueza dos entrevistados e observar suas reações. É importante ressaltar que, caso outro método fosse utilizado, esses mesmos detalhes poderiam ter passado batidos.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Danilo, valendo-se da técnica goffmaniana, entrevistou um ex-PCC chamado Paulo, que, no passado, foi um dos líderes da facção. Nessa ocasião, o entrevistado estava como mensageiro da “Palavra de Deus” oficiando o culto, explicando versículos bíblicos, e testemunhando:

“Tava muito frio e fui levar para a ala dois colchão. Tinha dois rapazes lá deitado. Deus segurou eu lá. Não pude deixar de falar que a prática deles estava levando eles para o inferno. Não tava ali para julgar. Eu disse: A verdade vos libertará. Creia na Palavra. Quer ver mudança em sua vida, creia na Palavra. Quer ser discípulo para morar no céu, creia na Palavra. Mas, quem morrer em Cristo será salvo.” (Irmão Paulo, 23 de Setembro de 2016).

“Aleluia! Glória a Deus!”, maravilha, a fé move montanhas e transforma membro de facção em pastor… Mas será mesmo? Outro interno, Vinícius Luiz, explicou que algumas pessoas só abraçam a fé como uma forma de fugir de algo dentro da prisão ou se refugiarem, Seu colega Elio, também interno, completa:

“Tem muita gente que se esconde na religião, por causa do castigo que tá preso, tipo um ‘213’, o que comete estupro. Aqui tem bastante. Tem gente que se esconde, pois sabe que é intocável. Tem bastante gente que sai das facções e que tá na igreja por causa disso. O que aconteceu: o irmão do PCC, ele pede para saí e para isso tem que parar com o crime, vai para a Igreja onde não é cobrado, o abandono da facção no caso. Também tem muitos que é para não ter que pagar dívida de droga. Tem muitos que é falta da família e encontrar um refúgio nos irmãos da igreja que são afetivos.” (19 de Novembro de 2016)”

A qual conclusão Danilo chegou depois de tantas entrevistas? Leia o trabalho dele e descubra por si mesmo.
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Estudo internacional vincula PCC ao Hezbollah

Caso você venha a dar uma passada por Basingstoke no Reino Unido posso indicar dois lugares para se conhecer: um deles é o Milestones Museum, no qual você pode voltar ao passado e andar nas ruas como elas eram em 1930, mas isso é para os fracos.

Em segundo lugar, indico para os leitores desse site indico darem uma passada pela Editora Palgrave Macmillan, que editou, agora em 2017, um estudo profundo sobre terrorismo e contra-terrorismo onde é analisado, entre outras coisas o envolvimento do Primeiro Comando da Capital PCC 1533 com grupos terroristas islâmicos:

The Palgrave Handbook of Global Counterterrorism Policy

Scott Nicholas Romaniuk, Francis Grice, Daniela Irrera, e Stewart T. Webb examinam diversos tipos de estratégias e práticas terroristas e contra-terroristas em dezenas de países. O lado forte desta obra é sua abordagem multidisciplinar, incluindo, por exemplo, ciências políticas e relações internacionais, sociologia e história, além de examinar a teoria e a prática caso a caso.

Segundo a obra, a facção paulista deixou de ser um “simples bando de criminosos”, pois. devido à ausência do Estado, ela ocupou outras áreas, adquirindo importância política e ganhando significado social. Também é ressaltada a ação do PCC na região da tríplice fronteira” entre Brasil, Paraguai e Argentina.

Nessa região, vários fatores, como lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, drogas, e armas, unidos a comunidade local libanesa xiita, contribuíram para que a facção se aliasse aos grupos terroristas islâmicos na cidade brasileira de Foz do Iguaçu.

A Polícia Federal descobriu o pacto entre traficantes do Hezbollah e do PCC: contrabando e explosivos em troca de proteção para os soldados muçulmanos nas prisões brasileiras. As autoridades do Brasil (que normalmente não se preocupam com os terroristas) durante a Copa do Mundo 2014 temeram que a soma da força do Primeiro Comando e às técnicas do Hezbollah colocassem em risco o evento, caso o líder da facção fosse transferido para uma prisão de segurança máxima.

Em  The Palgrave Handbook of Global Counterterrorism Policy, as consequências desses fatos são analisadas, resultando em um levantamento histórico e estratégico sobre a influência dos diversos grupos terroristas árabes, incluindo a Al-Qaeda, dentro do território brasileiro e suas relações com as facções locais.

Marcola, eu, e o português João Pereira Coutinho.

Marcola está preso, eu, por enquanto, não, e o colunista da Folha de São Paulo é estrangeiro. Bem, nossas histórias se cruzam em diversos momentos, apesar dos dois nunca terem ouvido falar em mim, e do fato de João Pereira Coutinho ser mais inteligente do que eu.

Outro dia uma repórter me questionou acerca de quais fontes privilegiadas que me forneceram informações sobre a opinião de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola do Primeiro Comando da Capital PCC 1533, e citando trechos das matérias que redigi. Bem… eu não queria contar, mas…

Ontem, recebi um trabalho feito por Graziela do Lago Maciel, para o Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, no qual ela abre o bico e conta sua fonte (que é a mesma que a minha) então eu já posso revelar meu segredo.

Uma dica: o título do trabalho dela é “Comportamento da Câmara dos Deputados em Relação ao Sistema Penitenciário Brasileiro”, uma análise sobre os projetos votados na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Pois é, minha fonte é a mesma.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Marcola depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, e a transcrição do depoimento está disponível para qualquer um ler. Só que poucos querem “perdem tempo” fazendo isso. Eu não ira contar a ninguém, mas como Graziela contou, eu conto também.

A mesma repórter insistiu na razão pela qual eu continuo a escrever se não estou ganhando nada com isso. Seria eu um ativista contra a injustiça de nosso sistema carcerário por possuir uma grande massa de negros e pobres? Seria eu um defensor das minorias?

Como aconteceu em quase todas as minhas matérias nos últimos meses, Coutinho me instigou com sua crônica “Direitos das Minorias’ nem sempre respeitam os ‘direitos das maiorias”, e, com isso, ele quase me obrigou a publicar a pesquisa da Graziela.

As minorias que me perdoem, mas não estou nem aí para com elas. Estou mais preocupado com as maiorias que Graziela apresenta em seu trabalho: 99% das pessoas encarceradas no Ceará estão presas há mais de três meses sem terem sido julgadas. E tem muito mais lá!

Enquanto isso, mantemos um sistema que criou a Audiência de Custódia, na qual o preso precisa ser ouvido em até 24 horas após a prisão para ser analisada a legalidade e a necessidade de manutenção da prisão, embora nessa situação o caso em si não seja devidamente analisado.

Pegue ao acaso uma centena de processos criminais e veja quantos defensores, durante o processo, apresentaram fatos que pudessem mudar de verdade o destino dos presos. Vamos ver, me deixe fazer as contas aqui… Quase nenhum!

O sistema foi montado para que o preso fique lá, apodrecendo enquanto espera a audiência que poderá ou não provar sua inocência, afinal, alguém tem que sustentar milhares de advogados criminais (mas eu já tinha falado sobre isso aqui).

Bem, Marcola fala disso o tempo todo, mas ele já está preso, eu, por enquanto, não, e o colunista da Folha de São Paulo é estrangeiro e, sendo muito mais esperto do que eu. prefere falar da opressão da minoria LGBT na Inglaterra em vez da inJustiça no Brasil.
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Os bandinetes, o irmão Cabuloso, e a profª. Tuvel.

“Tenho medo de me anunciar como membro do PCC, quero gritar que sou da facção, mas tem um problema: não faço parte do Primeiro Comando da Capital PCC.”

O irmão Cabuloso perdeu a paciência no grupo de whatsapp da facção. Para ele, é preciso diferenciar quem é ladrão de verdade de quem é “bandinete: bandido da internet”.

Quem nasceu depois de 1990 tem a facção criminosa paulista como modelo de organização. Ficar indiferente a ela é quase impossível: ou se ama ou se odeia, como qualquer outra paixão.

Apaixonar pelo Primeiro Comando é fácil, defender suas causas é louvável, assim como criticar e combater seus atos. Paixão é tudo de bom, e a adrenalina de ser da vida louca é o máximo da rebeldia, uma forma de ganhar status social.

Os criminosos não aceitam a opção dos garotos, que querem entrar nas fileiras do Primeiro Comando pela porta dos fundos. E são reconhecidos pelo cheiro, de longe, e são utilizados pelos integrantes da facção apenas como inocentes úteis, sendo descartados na primeira oportunidade — já viu gato brincando com rato antes de matar? É mais ou menos assim.

Os “cidadãos de bem” não aceitam a opção dos garotos que querem se desviar do caminho da lei e da ordem para se juntar ao mundo do crime. Eles são vistos como rebeldes da classe média, mimados, revoltadinhos, e protegidos pelos pais e por uma sociedade muito liberal.

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Aí chegamos à questão levantada pela professora e filosofa Rebecca Tuvel no seu artigo “In Defense of Transracialism” para a revista “Hypatia”. Até onde podemos aceitar a opção pela mudança de sua faixa social, sexual, religiosa, etc.

Tuvel lembra que nossa sociedade obriga todos, por lei, a aceitar que, por exemplo, uma pessoa que nasceu com pênis seja considerada e tratada como mulher se assim ela o desejar, algo impensável para as gerações passadas.

Qual é a sua faixa natural?

Ela cita o caso de Rachel Dolezal ativista americana apaixonada pela causa dos direitos dos afrodescendentes, que foi desmascarada, pois não era de fato negra. Filha de pais brancos, Dolezal, após a repercussão, foi condenada pela comunidade negra e pelos seus pares brancos.

As pessoas são, geralmente,  indiferentes a alguém que não seja de seu meio e deseje pertencer ao Primeiro Comando da Capital; mas a não alguém de sua família, de sua vizinhança, ou entre seus amigos. No passado isso também acontecia com as questões de raça, religião, sexo.

Desculpe, a casa caiu e você nem viu.

Seu filho, branco e da classe média, quer ser preto e pertencer ao Primeiro Comando da Capital. Sua “sorte” é que os pretos e o PCC ainda não os aceitam como iguais, mas fique sabendo que isso está mudando.

Para ir para a obra: Rebecca Tuvel.
Para ir para as obras que se referem a: Rachel Dolezal

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O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando

O texto analisa o medo e o ódio como forças de coesão e expansão do Primeiro Comando da Capital. A partir de uma interpretação hobbesiana, sustenta que conflitos internos e externos alimentam a organização, enquanto interesses individuais de lideranças e integrantes podem, futuramente, conduzi-la a uma ruptura.

O inglês Thomas Hobbes, morto há mais de trezentos anos, volta para nos assombrar. Ele descreveu claramente, em Leviatã, o discurso de medo e ódio que envolve, acusa, mantém e protege a organização criminosa Primeiro Comando da Capital, PCC 1533.

A pesquisadora Yara Frateschi durante o Programa Café Filosófico CPFL definiu a concepção hobbesiana de indivíduo como: “indivíduo individualista”. Era esta a chave que eu precisava para entender o conceito do que é o PCC como um corpo.

A “Família 15.3.3” é um grupo fechado e muito unido, onde todos se veem como irmãos e companheiros, mas que, ao contrário da autoimagem propagada, se constitui de homens e mulheres mobilizados sobretudo pelo princípio do interesse próprio.

Essa seria a grande jogada de domínio por parte da liderança, pois seus integrantes se tornam presas e algozes do medo e do ódio, e essas são as duas grandes turbinas que geram a energia para o crescimento exponencial da organização.

Na medida em que cada um luta dentro da organização para garantir e ampliar seu espaço, encontra forte resistência. A camuflada, mas feroz, luta interna forja seus soldados para a guerra, ao mesmo tempo em que o medo e o ódio fortalecem esse sistema.

Toda essa energia concentrada tem que ser extravasada, mas algumas forças sociais já demonstraram que podem se contrapor, como foi o caso da reação das forças policiais em 2006, que levou à morte pelo menos 505 pessoas, entre integrantes da facção, desafetos e civis envolvidos ou não com o crime.

Dessa forma, a liderança do Primeiro Comando da Capital, não disposta a seguir para seu Waterloo enfrentando as forças públicas diretamente, optou por concentrar o medo e o ódio de seus integrantes contra as outras facções criminosas.

Pudemos sentir a explosão dessa energia na forma como seus membros perseguem e matam os membros do Comando Vermelho, CV, Família do Norte, FDN, e do Sindicato do Crime, SDC. Marcola, assim como o Rei Menelau, utiliza razões emocionais para garantir que o medo e o ódio garantam vantagens estratégicas e econômicas.

A metodologia hobbesiana aproveitada pela equipe de Marcola brecou uma guerra declarada contra o Estado brasileiro e contra a sociedade organizada em 2006, em um momento em que a organização Primeiro Comando ainda estava em vantagem estratégica.

A força moral conquistada durante os ataques não foi perdida, e os lucros foram capitalizados na estruturação da nova estratégia. Em pouco mais de uma década, quase todos os estados brasileiros estão sob o domínio do PCC e agora os países fronteiriços começam a ser invadidos.

O inglês Thomas Hobbes mostrou o caminho para a liderança do Primeiro Comando; no entanto, Isaiah Berlin, outro inglês, diz que é questão de tempo para esse esquema falhar, simplesmente porque nenhum projeto de perfeição sobrevive por muito tempo.

Os interesses individuais de cada um da liderança e de cada um de seus liderados entrarão em conflito constantemente até um ponto de ruptura irreversível; no entanto, até esse momento, o crescimento será vertiginoso.

Da mesma forma, aqueles que se contrapõem e lutam contra a facção paulista também se utilizam do discurso do medo e do ódio.


Análise por IA do texto “O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando”

Análise Crítica do Discurso e Elementos Psicossociais na Obra de Ricard Wagner Rizzi sobre o Primeiro Comando da Capital

A compreensão das dinâmicas operacionais, ideológicas e de expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) exige uma abordagem interdisciplinar que transponha a mera crônica policial. No artigo intitulado “O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando”, publicado em 21 de maio de 2017 no portal faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org, o autor Ricard Wagner Rizzi propõe uma interpretação ensaística sobre a mecânica de sustentação do grupo criminoso. A reflexão apoia-se em conceitos da filosofia política — especificamente na teoria do Estado de Thomas Hobbes e na crítica ao utopismo de Isaiah Berlin — para argumentar que a coesão e o crescimento da facção são impulsionados pela manipulação do medo e do ódio sobre indivíduos essencialmente movidos pelo interesse próprio. A avaliação analítica deste texto exige um exame rigoroso dos seus acertos fáticos e conclusivos, o desmonte das suas fragilidades teóricas e metodológicas em comparação com o consenso criminológico e socioantropológico, e uma investigação dos fatores psicossociais que moldam a perspectiva do seu autor.

Acertos Fáticos e Conclusivos do Artigo

O texto de Ricard Wagner Rizzi apresenta intuições agudas e correspondências empíricas relevantes sobre a trajetória do crime organizado na região Sudeste e no Brasil. Ao analisar as transformações estratégicas da facção a partir da metade da década de 2000, o autor acerta em pontos fundamentais no tocante à governança e à retórica do grupo.

Um dos pontos mais expressivos do texto é a identificação da virada tática promovida pela cúpula da facção após os confrontos de maio de 2006. O autor observa que a reação violenta do aparelho policial, que resultou na morte de centenas de detentos e jovens periféricos, forçou a liderança do PCC a reconhecer que o confronto direto e ostensivo contra o Estado levaria a organização ao seu “Waterloo” institucional. Essa leitura coincide com análises sociológicas que demonstram como o PCC recalibrou suas ações públicas pós-2006, optando por uma hegemonia silenciosa e pela infiltração e regulação dos mercados ilícitos em vez de insurgências armadas contínuas contra os órgãos de segurança. A transição da violência ostensiva para a acumulação capitalista e a expansão territorial velada permitiu ao grupo consolidar o domínio no sistema carcerário paulista e projetar sua influência nacional e internacional.

Rizzi também acerta ao diagnosticar a reorientação do canal de extravasamento da agressividade da facção para os grupos rivais. A partir do rompimento formal entre o PCC e o Comando Vermelho (CV) em meados de 2016, a liderança da facção paulista passou a projetar discursivamente os afetos de medo e ódio contra organizações concorrentes, como o próprio CV, a Família do Norte (FDN) e o Sindicato do Crime (SDC). A retórica de alteridade radical — em que o rival é figurado como uma ameaça existencial imediata à vida dos detentos — funcionou como o combustível necessário para galvanizar a infantaria carcerária nas rebeliões e massacres ocorridos em presídios das regiões Norte e Nordeste entre 2016 e 2017. A mobilização de emoções primitivas atua, assim, como um elemento contingente de coesão em momentos de fratura do mercado do crime.

Outra observação conclusiva relevante é a identificação do “discurso espelhado” entre a facção e seus opositores institucionais. O artigo destaca que os setores que combatem o PCC recorrem à mesma gramática do medo e do ódio para fundamentar suas políticas públicas e discursos eleitorais. Esta análise alinha-se às pesquisas que investigam o populismo penal e a espetacularização da segurança pública. Enquanto setores conservadores e forças policiais exploram a ameaça do crime organizado para legitimar práticas de encarceramento em massa e execuções extrajudiciais, a liderança da facção instrumentaliza as arbitrariedades e a violência do sistema prisional para reforçar a narrativa de que apenas o grupo pode oferecer proteção, “paz, justiça e liberdade” aos custodiados.

Por fim, o autor desmistifica a imagem idealizada da “Família 15.3.3”, evidenciando que, sob a camada discursiva do companheirismo e da solidariedade irrestrita, reside uma estrutura movida pelo interesse econômico e pela autopreservação individual. Embora o discurso oficial enfatize a cooperação entre “irmãos”, a dinâmica do cotidiano ilícito envolve disputas internas veladas por pontos de venda de drogas, controle de rotas e prestígio hierárquico, onde o não cumprimento das obrigações financeiras e disciplinares resulta em exclusões ou punições sumárias.

Erros Fáticos, Limitações Teóricas e Vieses Metodológicos

Apesar dos acertos analíticos, a tentativa de enquadrar uma organização criminosa contemporânea dentro de esquemas filosóficos clássicos e leituras midiáticas pontuais gera equívocos conceituais e limitações explicativas no texto de Ricard Wagner Rizzi.

O erro epistemológico central do artigo reside na aplicação direta e acrítica da interpretação da filósofa Yara Frateschi sobre o “indivíduo individualista” de Thomas Hobbes para explicar o comportamento dos membros do PCC. Frateschi conceitua esse indivíduo no contexto da crítica às limitações morais do Leviatã e à falta de alteridade nas democracias liberais. Rizzi estende essa noção ao interior da facção, assumindo que os seus integrantes operam puramente como átomos isolados, incapacitados de reconhecer o outro além da utilidade pessoal. Esta visão desconsidera as descobertas da sociologia da violência contemporânea. Pesquisas de campo demonstram que o PCC criou uma complexa rede normativa baseada na noção do “proceder” — um código de ética e conduta comunitária que transcende o puro egoísmo hobbesiano. A organização opera não apenas por coerção ou interesse próprio, mas através de um sistema sofisticado de mediação de conflitos (os “debates”) e de um sentimento de pertencimento identitário que reconfigurou a sociabilidade periférica. Reduzir os membros a meros autômatos egoístas guiados por medo e ódio impede a compreensão do capital social e afetivo que a facção mobiliza para manter sua autoridade social legítima nas quebradas e presídios.

Ao invocar o pensamento do filósofo Isaiah Berlin sobre a inviabilidade dos “projetos de perfeição” para prognosticar o inevitável colapso do PCC, o artigo comete um anacronismo conceitual. Berlin formulou sua crítica direcionada aos regimes totalitários e às utopias ideológicas de engenharia social, as quais tentavam impor uma visão monista de sociedade perfeita. O PCC, contudo, não constitui um “projeto de perfeição” ideológico ou utópico. Trata-se de uma rede empresarial ilícita pragmática, caracterizada por um modelo adaptativo de governança descentralizada sustentado por diversas “sintonias”. A longevidade da facção não depende do cumprimento de um ideal utópico, mas da sua capacidade de gerar renda através do narcotráfico, gerir a violência no ambiente prisional e articular arranjos operacionais com agentes estatais. Projetar uma “ruptura irreversível” iminente com base na contradição utópica é uma simplificação que ignora a resiliência institucional e a capacidade de metamorfose do crime organizado.

Ao comparar Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola) ao Rei Menelau da mitologia grega, argumentando que a cúpula manipula fatores puramente passionais para obter vantagens estratégicas, o texto recorre a um personalismo mítico que obscurece as condicionantes materiais do fenômeno. A expansão do PCC e os confrontos com outras facções foram impulsionados primariamente por dinâmicas econômicas e geopolíticas do narcotráfico internacional — como a necessidade de controle da Rota do Solimões, o domínio das fronteiras com o Paraguai e a Bolívia e a logística de exportação via Porto de Santos. Embora a retórica emocional do medo e do ódio seja utilizada nas bases, a cúpula atua segundo parâmetros de racionalidade empresarial, gestão de risco e otimização de lucros, e não por meras inclinações mítico-apaixonadas.

Finalmente, ao situar o medo e o ódio predominantemente como produtos da dinâmica psíquica interna da facção, a análise de Rizzi secundariza a responsabilidade do próprio Estado como produtor originário dessas violências. A facção surgiu na Casa de Custódia de Taubaté e se consolidou após o Massacre do Carandiru como uma resposta organizada da massa carcerária às condições de tortura, insalubridade e superlotação impostas pelo sistema penitenciário. O medo da morte e o ódio às instituições estatais não são criações abstratas da cúpula do PCC, mas reflexos diretos das condições materiais de custódia e da seletividade do sistema de justiça criminal.

Comparativo Analítico: Premissas do Artigo vs. Evidências Criminológicas

Para sintetizar a discrepância entre as intuições do artigo e o acervo das pesquisas científicas sobre o crime organizado, a tabela abaixo confronta as teses de Ricard Wagner Rizzi com os achados empíricos da criminologia e da sociologia contemporâneas:

Dimensão AnalíticaTese do Artigo (Ricard Wagner Rizzi)Consenso da Literatura Criminológica e SociológicaAvaliação Crítica da Tese
Natureza do MembroSujeito caracterizado como “indivíduo individualista” hobbesiano, movido exclusivamente pelo interesse próprio e incapacitado de empatia.Sujeito imerso na ética do “proceder”, que combina cálculo racional econômico com pertencimento e coesão comunitária.Incompleta: Confunde o individualismo metodológico com a ausência de normas e códigos coletivos legítimos.
Combustível de SustentaçãoMedo e ódio instrumentalizados pela liderança para controlar a massa carcerária e mobilizar soldados.Regulação pragmática da violência, oferta de ordem nos presídios e monopólio dos mercados ilícitos.Parcialmente Correta: O medo mobiliza em crises, mas a ordem diária baseia-se na mediação de conflitos.
Mudança Tática Pós-2006Abandono do confronto direto com o Estado para evitar a destruição, direcionando a agressão aos rivais.Transição do enfrentamento ostensivo para a hegemonia silenciosa, acumulação financeira e cooptação estatal.Correta: Captura com precisão a reorientação estratégica da cúpula do PCC após a reação estatal de 2006.
Estrutura OrganizacionalComando centralizado sob figura mítica (Marcola comparado ao Rei Menelau) manipulando paixões.Rede descentralizada coordenada por células autônomas (“Sintonias”), focada na logística ilícita.Incorreta: Recorre ao mito do líder supremo absolutista, ignorando a estrutura de rede.
Prognóstico de FuturoColapso e ruptura iminentes devido às contradições internas intrínsecas a “projetos de perfeição” (Isaiah Berlin).Resiliência institucional elevada, capacidade adaptativa e integração profunda à economia legal e ilegal.Incorreta: Aplica teorias sobre utopias políticas a um sindicato criminoso focado em lucro e poder de mercado.

Análise Psicossocial do Autor: Ricard Wagner Rizzi

A compreensão de um texto ensaístico-jornalístico requer a análise das condições de produção do enunciador e das forças psicossociais que atuam sobre a sua postura investigativa. Ricard Wagner Rizzi ocupa uma posição singular no ecossistema da cobertura do crime organizado no Brasil, operando na fronteira entre a burocracia judicial, a crônica policial e o arquivamento digital independente.

A trajetória de Rizzi é marcada por uma transição decisiva: de funcionário no Fórum da Comarca de Itu — onde teve contato direto com os bastidores burocráticos dos processos criminais — para a criação, em 2005, do portal aconteceuemitu.org, focado em narrativas policiais. A partir de 2007 e 2008, o autor redirecionou seu foco analítico exclusivamente para o PCC, culminando na consolidação do portal faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org. Essa transição revela um movimento psicossocial de deslocamento: o pesquisador sai da posição de observador institucional passivo do sistema de justiça e passa a atuar como um mediador independente da subcultura criminal. Sua inserção temporária em grupos de mensagens instantâneas habitados por integrantes da facção colocou-o em uma situação de liminaridade — uma zona cinzenta entre a documentação de inteligência de fontes abertas e o contato direto com a alteridade marginal.

Do ponto de vista psicossocial, chama a atenção a rotina diária do autor, que dedica cerca de seis horas por dia à pesquisa, redação, diagramação e manutenção do seu portal, atraindo uma audiência média diária de aproximadamente 1.000 leitores. Essa dedicação sistemática, mantida ao longo de anos, sugere a presença de uma pulsão archivística e de uma fixação pelo tema da criminalidade organizada. Rizzi opera em uma posição de voyeurismo criminológico estruturado: ele consome e traduz diariamente a gramática do universo criminal, acumulando dados, cartas, salvos-gerais e estatutos, enquanto atua isoladamente no seu ambiente privado. O fato de declarar que, por vezes, se sente frustrado com o tema, mas não planeja abandonar a pesquisa, evidencia uma vinculação psicossocial complexa, onde o objeto de estudo passa a constituir a própria identidade pública do analista.

A análise psicossocial do texto revela a necessidade do autor de recorrer a uma “bricolagem teórica” para processar a crueza e o caos do universo da violência extrema. Ao entretecer episódios de execução, massacres e disputas prisionais com a filosofia de Thomas Hobbes, a crítica de Isaiah Berlin e palestras de divulgação cultural, Rizzi busca erguer um arcabouço de racionalização intelectual.

Esse movimento cumpre duas funções psicológicas primordiais. A primeira é a proteção psíquica e o distanciamento cognitivo: a violência bruta do narcotráfico e das execuções em presídios é neutralizada e tornada inteligível quando traduzida em conceitos abstratos como “estado de natureza”, “interesses hobbesianos” e “projetos de perfeição”. O filtro filosófico atua como um escudo psicológico contra a barbárie relatada nos documentos que o autor manuseia diariamente. A segunda função é a busca por legitimação e autoridade intelectual: na ausência de uma vinculação acadêmica formal no campo da criminologia ou de uma credencial do jornalismo investigativo tradicional, o recurso a grandes pensadores serve como um mecanismo de validação do discurso. O autor tenta demonstrar ao seu público que seu trabalho não é um mero compilado de notícias sensacionalistas, mas uma interpretação profunda do fenômeno social do crime organizado.

Apesar de transitar em um espaço de alto risco, declarando atuar no meio do “fogo cruzado” entre as forças policiais e os membros da facção, Rizzi relata nunca ter recebido ameaças diretas. Psicossocialmente, essa situação deriva da postura de equidistância técnica que ele tenta manter no seu portal. Ao adotar uma linguagem que não busca a demonização aberta do faccionado — tratando o PCC sob dimensões políticas, econômicas e jurisdicionais —, ele cria uma zona de neutralidade tática. O autor serve, involuntariamente, aos dois lados do espectro: fornece inteligência de fontes abertas para agentes da lei e acadêmicos, enquanto atua como um espelho documental que a própria facção utiliza para monitorar a repercussão pública do seu poder e das suas diretrizes.

Conclusões

A análise crítica do artigo “O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando” e do perfil do seu autor, Ricard Wagner Rizzi, permite sintetizar conclusões integradas sobre a produção de conhecimento independente acerca do crime organizado no Brasil.

No plano dos acertos analíticos, o texto evidencia agudeza ao identificar as inflexões táticas do PCC pós-2006, compreendendo que a facilidade da liderança em redirecionar as pulsões agressivas dos membros para facções rivais garantiu a preservação da organização frente ao Estado. O autor também acerta ao desnudar o discurso espelhado entre os órgãos punitivos estatais e a facção, apontando como ambas as instâncias utilizam a retórica da ameaça para consolidar suas respectivas formas de poder e controle social.

No plano dos equívocos epistemológicos, o artigo incorre em reducionismos ao importar o modelo hobbesiano do “indivíduo individualista” e a crítica utópica de Isaiah Berlin. Essa estrutura conceitual impede o autor de compreender o PCC como um sistema sociocultural dotado de normatividade própria (o “proceder”), que produz coesão e pertencimento para além da coerção psicológica do medo e do ódio ou do simples interesse egoísta. A projeção de um colapso baseado em incompatibilidades morais ignora a flexibilidade pragmática, a diversificação econômica e a inserção da facção nos ilegalismos do próprio Estado.

No plano da análise psicossocial, a obra de Ricard Wagner Rizzi exemplifica a emergência de cronistas independentes no espaço cibernético que atuam como importantes archivistas da dinâmica criminal brasileira. Sua produção é impulsionada por uma pulsão investigativa e pela necessidade de processar a violência através da bricolagem teórica. Embora destituído do rigor metodológico da pesquisa acadêmica de campo, o trabalho de Rizzi fornece um rico material para o estudo da recepção e da interpretação do crime organizado na sociedade contemporânea, refletindo as angústias, o fascínio e as contradições de uma sociedade marcada pelo encarceramento em massa e pela consolidação de poderes paralelos.

O Primeiro Comando da Capital e a Hidra de Lerna.

No tempo de meu avô ele sabia que era certo ficar na soleira da porta esperando o dono da casa dar licença para entrar; sabia que quando encontrava um padre devia se pedir a benção; que devia dar o lugar no ônibus ou no trem para uma mulher sentar; e que nunca deveria se referir a um afro descendente de negro, e sim de “pessoa de cor”.

O tempo passou e nem tudo o que meu avô achava que era certo de fato era certo, mas ele acreditava de coração que tinha razão, sempre.

Essa lembrança me veio ao ler críticas feitas em comentários feitos em uma postagem no Facebook sobre a decisão do governador do estado de São Paulo de não transferir para as prisões federais a liderança do Primeiro Comando da Capital.

Para entender o debate o repórter da Folha de São Paulo, Rogério Pagnan, apresenta diversos dados sobre a facção na matéria: “CLUBE DO CRIME – Em guerra com outras facções, PCC adota estratégia de expansão por domínio nacional do tráfico”.

Pagnan encerra a reportagem com a justificativa para a não transferência de Marcola e outros líderes do Primeiro Comando da Capital para as prisões federais dada por Lourival Gomes, secretário da Administração Penitenciária de São Paulo:

“Eu só gostaria que essas pessoas ponderassem se isso está certo ou errado. (…) Nós só não mandamos 16 por que temos certeza de que isso não vai dar certo”

“Se nós removermos esses presos para prisão federal, tenham a certeza de que todos os órgãos de inteligência sérios não vão saber mais nada, nada, nada. Não vão poder dominar ou controlar o crime organizado e muito menos combater…”

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Entendo a linha de raciocínio da atual administração, no entanto Gomes de fato só está apresentando uma parte da verdade, pois ele esconde a que ao meu modo de ver é a principal razão da opção de Alckmin: a quebra do pacto implícito de pacificação.

O efeito da pacificação do estado imposta pelo Primeiro Comando dentro dos presídios e nas ruas do estado de São Paulo é uma realidade cada vez menos contestada por estudiosos, mídia, e agentes da Segurança Pública e da administração da Justiça.

A quebra do pacto por parte do governo estadual geraria caos com centenas de mortes entre agentes de segurança e justiça, presos, e cidadãos; além de um incalculável prejuízo econômico direto e indireto por conta de ações terroristas como as de 2006.


(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Eu por mim vejo que há ainda uma razão mais profunda e singular que impede que o Estado corte a cabeça dos líderes do Primeiro Comando da Capital, o efeito Hidra de Lerna.

Existem dois fatores sobre Hidra de Lerna, o monstro de nove cabeças da mitologia grega, que não podemos esquecer:

  • imortal: uma das cabeças não pode ser destruída. Assim como o Nazismo sempre haverão seguidores do Primeiro Comando, hoje ou daqui cem anos, o Estado no máximo poderá controlar, mas jamais matar; e
  • mortal: o veneno dessa criatura é mortal, Hércules conseguiu conter a Hidra, mas morreu tempos depois devido ao seu veneno.

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Essa criatura da mitologia grega tinha como principal característica o fato de que ao se cortar uma de suas nove cabeças outras duas ou três nasciam no lugar daquela, e esse é o medo de Alckmin, pois o isolamento das lideranças conhecidas do PCC teria um efeito similar agravado por dois fatores:

  • localização: as agências de inteligência teriam que descobrir quem seriam e a partir de onde atuariam as novas lideranças dificultando as ações de monitoramento de escutas; e
  • controle social: as novas lideranças espontâneas dentro da facção seria composta de membros mais jovens e inexperientes, mais dispostos a usar de força letal contra a população, policiais, e funcionários da Justiça para se imporem, ao contrário da atual cúpula que profissionalizada opta pelo lucro operacional da venda de drogas e armas.

No tempo de meu avô ele saberia o que era certo: “se tem uma maçã podre ela deve ser separada das outras para que não se apodreça todo o cesto”. Não tenho dúvidas que ele acharia correto separar e isolar as lideranças do Primeiro Comando, mas o tempo passou e nem tudo o que meu avô achava que era certo de fato era certo, mas ele acreditava de coração que tinha razão, sempre.
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A Operação Ágata do ENAFRON SISFRON é uma farsa?

Vivemos em uma sociedade cristã mas poderíamos não viver e a frase de João Pereira Coutinho continuaria verdadeira para explicar o fracasso do ENAFRON e do SISFRON, se contrapondo ao sucesso do PCC 1533..

“Os órfãos de Moscou não sobrevivem sem uma fé.
E uma fé não sobrevive sem santos e pecadores.”

As siglas ENAFRON e SISFRON significam “Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras” e “Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras” ambas do Governo Federal, e como todos sabem PCC 1533 se refere ao “Primeiro Comando da Capital”.

O ENAFRON nasceu em 2011 para integrar as forças de públicas de segurança brasileiras entre si e com as dos países fronteiriços Paraguai, Bolívia, Argentina, Venezuela, e Colombia, além de agir junto a sociedade fronteiriça diminuindo a pobreza dentro e fora de nossas fronteiras.

Um resumão da história que envolve a ação de Segurança Pública nas regiões de fronteira pode ser encontrado no trabalho “Crimes Transfronteiriços em Cidades Gêmeas do Mato Grosso do Sul” elaborado pela Policial Militar Gleice Aguilar dos Santos.

Se por um lado Gleice não faz uma análise profunda, por outro mostra como as coisas realmente funcionam enquanto dos trabalhos é apenas teórico, graças a sua experiência profissional e as entrevistas que colheu com as pessoas que estão no front.

É belíssima a meta proposta na ENAFRON, de profunda base teórica, mas que na prática apenas brilha na mídia através das ações policiais e militares como as Operações Ágata e Sentinela, tendo tido a primeira grande impacto midiático em 2012 e 2013 segundo dados Google Trends.

Apesar do empenho dos profissionais participantes das operações e planejamento só restou o espetáculo para a mídia que, segundo alguns, é o último reduto dos derrotados. A Operação Ágata afundou junto como o ENAFRON sobrevivendo de apresentar belas imagens para a imprensa.
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A causa do fracasso foi a incapacidade dos Estados nacionais de se integrarem vencendo as vaidades locais, e a emaranhada burocracia legal de cada território. A cortina da farsa publicitária se abriu graças aos dois mega-assaltos do Primeiro Comando da Capital:

  • ao carro forte da Brinks em Santa Cruz na Bolívia em Março (1.3 milhões de dólares),
  • e ao PROSEGUR em Ciudad del Este no Paraguai em Abril (40 milhões de dólares).

O Ministro do Governo da Bolívia, Carlos Romero, pouco tempo depois de informar que a facção paulista não atuava em seu país, voltou a público para dizer que vai (isso mesmo o verbo no tempo futuro) trocar informações com as agências de seguranças brasileiras. O governo paraguaio também se declarou aberto ao intercâmbio de informações.

Ora, eles talvez não saibam, mas isso já acontece segundo o SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública da Presidência da República do Brasil há pelo menos cinco anos.

João Pereira Coutinho diz que precisamos de santos e pecadores, mas como fica uma sociedade onde os santos enganam? Como ficamos nós meros pecadores que precisamos e queremos desesperadamente acreditar?

O grito de guerra do Primeiro Comando da Capital é “Fé em Deus que Ele é justo. Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Precisamos de santos e pecadores, mas quem são os santos e quem são os pecadores afinal? (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Dicionário – Regimento Disciplinar PCC

Este dicionário é uma ferramenta de extrema importância na condução e na preparação de novos líderes. Deve-se analisar com muita prudência um item antes de aplicar, pois o intuito é facilitar as condições e nas aplicações dos itens, conforme análise da Sintonia.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 1. Ato de Talarico:
Quando o envolvido tenta induzir a companheira de outro e não é correspondido, usa de meios como, mensagens, ligações, ou gestos.
Punição: exclusão sem retorno, fica a cobrança a critério do prejudicado e é analisado pela Sintonia.

2. Ato de Esperteza:
Quando usa de má fé ou abusa da confiança depositada, se parece com ratinagem, muda que o prejudicado confia e acaba sendo lesado.
Punição: exclusão sem retorno, cobrança a ser analisada.

3. Ato de malandrismo:
É caracterizado quando usa de pressão psicológica, força física para subtrair algo de alguém, ou quando usa de força ou poder para agredir fisicamente ou verbalmente.
Punição: exclusão e cobrança dentro da Disciplina do Comando, analisada pela Sintonia.

4. Atitude isolada:
Fica caracterizada quando um integrante ou companheiro age sem buscar a Sintonia ou responsável pela quebrada, sendo agressão, morto, ou algo que venha a prejudicar alguém ou denegrir a imagem do Comando.
Punição: 90 quando de natureza leve ou cobrança com análise da Sintonia.

5. Abandono:
Fica caracterizado quando o integrante falta com Sintonia, deixa de cumprir seus compromissos, desaparece sem deixar algum tipo de vínculo com a organização, continua praticando crimes se estruturando, e não faz valer os compromissos assumidos.
Punição: Exclusão e a cobrança fica a critério da Sintonia.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 6. Abandono de responsa:
Quando fecha em uma responsa e deixa de cumpri-la sem motivos (fora do ar, transferências, saúde, etc…). A Sintonia deve analisar todos que serão cadastrados para evitar esses tipos de situações.
Punição: De 90 dias à exclusão (depende da gravidade analisada pela Sintonia).

7. Calúnia:
Fica caracterizado quando levanta algo de alguém e não prova. Caso seja colocado para provar e não que ele não prove é caracterizado calúnia. Obs: Em caso de ser colocado um prazo e ao final desse não levantar as provas necessárias é excluído! Se tentar provar após esse período e não provar, a cobrança será a altura.
Punição: exclusão, cobrança do prejudicado, analisado pela Sintonia.

8. Caguetagem:
Fica caracterizado quando são exibidas provas concretas ou reconhecimento do envolvido. A sintonia deve analisar todos os ângulos, porque se trata de uma situação muito delicada.
Punição: Exclusão, cobrança a critério do prejudicado.

9. Chantagem:
Fica caracterizado quando uma pessoa descobre algo de outra e usa isso para se beneficiar, ou passe para Sintonia, algo que ele esteja envolvido. Dentro da organização é considerado grave.
Punição: exclusão e fica a análise da Sintonia.

10. Condução de prazo:
Condução ocorre quando se extrapola todas as tentativas de acordo, se for conduzido 2 vezes é punido com 90 dias, na terceira é excluído. Companheiro após o terceiro prazo, fica sem o direito de comprar no prazo. E caso o credor vender, o credor não se beneficia dos trâmites do Comando. Se irmão vencer o prazo é excluído e conduzido no prado de companheiro de 20 dias, após isso a cobrança é pedida pelo prejudicado e analisado pela Sintonia. OBS: o prazo para companheiro é de 20 dias.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 11. Cobrança:
A cobrança disciplinar é aplicada após análise e o OK do Resumo, de se verificado se toma remédio controlado, se tem cirurgia no corpo, se tem parente no crime, e se já foi cobrado alguma vez. A prioridade é que o prejudicado cobre, aí se ele tiver alguém próximo que se responsabilize em cobrar, a responsabilidade é toda dele. Quando envolve a organização a Disciplina da quebrada é responsável pela cobrança.

12. Despreparo:
Fica constatado quando o integrante não consegue desenvolver dentro da organização os compromissos e passa não ser visto como bom exemplo, mesmo que ele não denigra a imagem da organização.
Punição: Até 90 dias de batismo é anulado, após isso, é excluído e deve ser buscado entendimento com os padrinhos, mesmo se foi fortalecimento.

13. Decreto:
Para confirmar um decreto a Sintonia tem que analisar com cautela, por se tratar de uma situação de vida. Tem situações que é claro o decreto, como traição, abandono as demais situações como mão na cumbuca, caguetagem e estupros, a Sintonia analisa num contexto geral. Quando um decretado chegar em uma quebrada nossa tem que ser cobrado de bate pronto.

14. Descumprimento da palavra:
Fica caracterizado quando deixa de cumprir com algum acordo feito perante a sintonia ou demais irmãos, em caso onde é fechado de não usar drogas ou algo prejudicial ao seu desenvolvimento na organização, a Sintonia se coloca como prejudicado, em caso de acordo feito para não ir ao prazo ou para sair do prazo, se o acordo não for cumprido o credor é responsável de levar à Sintonia.
Punição: Exclusão

15. Desrespeito:
Fica caracterizado quando ofende ou se altera perante a outra parte, não pode ser confundido com agressão verbal.
Punição: De 90 dias de suspensão à exclusão, a critério do prejudicado.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 16. Desrespeito à Sintonia:
Fica caracterizado quando em uma condução, se altera, desliga o aparelho, ignora ou ofende outra parte perante a Sintonia.
Punição: de 90 dias à exclusão.

17. Extorsão:
Fica detectado, quando usa algo que se refere a outra pessoa para subtrair dinheiro, drogas, ou favores. Não pode ser confundido com chantagem, em caso de ameaças para subtrair algo, no sistema a Sintonia se posiciona em cima do Estatuto onde nossa organização não admite.
Punição: Exclusão sem retorno, cobrança a critério da Sintonia.

18. Falta de visão:
É caracterizado quando não visiona que sua atitude possa vir trazer algo prejudicial a outros ou até mesmo para a organização. Pode ser caracterizada em opiniões dadas oficialmente tem reuniões desde que seja em uma situação extremamente delicada.

19. Falta de transparência:
Fica caracterizado quando deixa de passar algo para a Sintonia, pode ser caracterizado na hora do batismo em cima das perguntas da Sintonia do Livro Branco, a falta de transparência supre a omissão se for perguntado e ele não passar, agrava a situação.
Punição: exclusão. Suspensão de 90 dias só em caso muito relevante que a Sintonia não ver necessidade de punição maior.

20. Fraqueza:
É caracterizado quando pede para sair da organização, quando recebe uma determinação ou certa missão.
Punição: Exclusão, o retorno após os 2 anos tem que ser analisado pela Sintonia e depende extremamente do dia a dia do envolvido.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 21. Falta de interesse:
É caracterizado, quando não demonstra mais nenhum interesse pela organização, não participa dos trabalhos ou projetos da família, não busca conhecimento ou entendimento do dia a dia da organização.
Punição: Exclusão.

22. Falta de compromisso:
É caracterizado quando deixa de se comprometer com nossa causa e com a organização.
Punição: exclusão.

23. Falta de acompanhamento:
É caracterizado quando passa uma hierarquia abaixo, uma determinação e não acompanha o andamento, o que leva a atrasar ou não acontecer o que lhe foi determinado.
Punição: de 90 dias à exclusão, com análise da Sintonia.

24. Falta de comunicação:
É caracterizado quando deixa de comunicar algo que aconteceu ou que irá fazer, ao quadro ou hierarquia acima ou a sintonia responsável.
Punição: De 90 dias de suspensão à exclusão.

25. Falta de atenção:
É caracterizado quando deixa de dar atenção aos seus afazeres e ocorre um atraso ou não ocorre da forma correta, pelo fato de não ser dado total atenção.
Punição: exclusão

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 26. Falta de sintonia:
É caracterizado quando deixa de cumprir com seu compromisso e encostar na sintonia, e não presta conta para sua regional, e alguém sabe dizer aonde está se não tiver paradeiro é considerado abandono.
Punição: Exclusão.

27. Homossexualismo:
é caracterizado quando mantém relação ou atos obscenos com pessoas do mesmo sexo.
Punição: Exclusão sem retorno.

28. Induzir a erro:
É caracterizado quando simula ou forja provas ao forçar a Sintonia acreditar em algo que não é a realidade do ocorrido.
Punição: exclusão com análise da Sintonia.

29. Largatiage:
É caracterizado quando cobra para segurar flagrantes de outros, drogas, celulares, ou ferramentas que não sejam suas. Fica claro que aquele que segurar flagrantes dos outros, e estiver usufruindo da situação, vai cair a responsabilidade para o mesmo.
Punição: exclusão.

30. Má condução:
É caracterizado quando não conduz com cautela e vem acarretar problemas para si ou para a organização. Se houver atraso ou não vier acontecer o que a hierarquia acima pede para o condutor.
Punição: de 90 a exclusão, com análise da Sintonia.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 31. Mão na cumbuca:
É caracterizado quando rouba algo da organização, dinheiro,, drogas, armas, etc… Trata de uma situação grave.
Punição: exclusão e morte, depende da situação com análise da Sintonia.

32. Manobra:
É caracterizado quando desvia de um fim para outro, quando usa e depois retorna, deve ser analisado todos os ângulos ainda mais quando tem terceiros.
Punição: exclusão e cobrança a análise da Sintonia.

33. Mau exemplo:
Fica caracterizado quando o integrante foge do que rege a nossa disciplina, não passando uma imagem nítida da organização, quando se coloca como faccionário diante da massa, desrespeitando e agindo totalmente oposto ao que é pregado pela facção.
Punição: exclusão e fica sendo analisado pela irmandade local e pela Sintonia.

34. Mentira:
Fica caracterizado quando inventa algo para se beneficiar ou prejudicar a condução.
Punição: exclusão e se não prejudicar ninguém é cabível retorno após 2 anos ou a critério do prejudicado.

35. Oportunismo:
Se caracteriza quando usa algo já ocorrido para justificar um ato seu, ou para tentar prejudicar outros.
Punição: Exclusão sem retorno.

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Se caracteriza quando se pratica sexo com pessoas do mesmo sexo, difere do homossexualismo porque o praticante é ativo somente e não passivo.
Punição: Exclusão e é cabível cobrança com análise da sintonia.

37. Prazo para provar:
É conduzido quando uma parte é acusada de algo e toma iniciativa de conduzir, o irmão é de 15 dias e companheiro é de 20 dias, após o vencimento se não for provado se caracteriza calúnia.
Punição: Exclusão e se o conduzido pedir cobrança fica a análise da sintonia.

38. Prazo vencido:
Após a data, se o credor der continuidade é conduzido a exclusão e é conduzido ao prazo de companheiro, se não houver acordo a cobrança fica a critério do credor e é analisado pela Sintonia.

39. Ratinagem:
Fica caracterizado quando pega algo de outros sem a permissão, no mocó ou em local que o dono deixou, não pode ser confundido no ato de esperteza.
Punição: exclusão sem retorno cobrança a pedido pelo prejudicado e analisado pela Sintonia.

40. Superfaturamento:
Se caracteriza quando em um corre o envolvido acrescenta valores para se beneficiar, não é o caso de negociações de corres particulares onde cada um obtêm seu lucro.
Exemplo do item: É quando a pessoa pega a mercadoria ou objeto e agrega valor para revender, se o corre for de outra pessoa. E outro pega para repassar para frente e aumenta o valor. Lembrando que cada um tem seu corre e tem direito de obter lucro, a Sintonia analisa se tem má fé.
Punição: exclusão.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); 41. Talaricagem:
Se caracteriza quando se relaciona com mulher casada, sabendo que ela é comprometida. Deve se analisar se o envolvido não foi ludibriado pela outra parte. Se souber que é casada e insistir em ficar com ela, fica clara a má intenção.
Punição: exclusão e cobrança para as duas partes, a critério do prejudicado.

42. Traição:
Caracterizado quando um integrante da organização leva informações para outras facções ou para a polícia, quando sai do PCC para se integrar a outro grupo. Quando é lhe confiável uma responsabilidade e usa isso para prejudicar a organização ou outros. E quando causa divisão.
Punição: exclusão e morte.

43. Uso abusivo de drogas:
Se caracteriza no efeito da droga ou álcool. É um mau exemplo pois se prejudica, fica paranoico, agressivo, e até mesmo tendo que ser medicado devido ao abuso.
Punição: 90 dias se o mesmo se comprometer a mudar, a exclusão depende da situação.

44. Uso de droga não permitida:
Caracteriza-se quando faz uso do crack ou óxi, que a organização não permite. Em alguns estados foi solto um comunicado em cima do roupinol (comprimido e álcool) o que pode ser também punido.
Punição: no caso do crack e óxi: exclusão de início sem retorno. No caso do roupinol: de 90 a exclusão depende da situação. Deve ser bem analisado pela Sintonia.

45. Punição por afilhado:
Quando o afilhado é batizado no salve, e se for excluído por dívida particular, o padrinho fica um ano sem batizar, se for dívida com o Comando o padrinho toma 90 dias.

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Estatuto do Primeiro Comando da Capital PCC 1533.

Revisto e atualizado em 2017.

A Sintonia Final comunica a todos os irmãos que foram feitas algumas mudanças necessárias em nosso Estatuto. O PCC foi fundado em 1993. Comemoramos esta data no dia 31 de agosto de todos os anos, mas 24 anos se passaram e enfrentamos várias guerras, falsos criminosos foram desmascarados, sofremos duros golpes, fomos traídos inúmeras vezes, perdemos vários irmãos, mas graças a nossa união conseguimos superar todos os obstáculos e continuamos crescendo.

Nós revolucionamos o crime impondo respeito através da nossa união e força que o certo prevalece acima de tudo com a nossa justiça, nós formamos a lei do crime e que todos nós respeitamos e acatamos por confiar na nossa justiça.

Nossa responsabilidade se torna cada vez maior porque somos exemplos a ser seguido.

Os tempos mudaram e se fez necessário adequar o Estatuto à realidade em que vivemos hoje, mas não mudaremos de forma alguma nossos princípios básicos e nossas diretrizes, mantendo características que são nosso lema PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE e UNIÃO acima de tudo ao Comando.

Que o novo Estatuto faça juz a cara que o Comando tem hoje e com o apoio e união de todos almejamos crescer cada vez mais, fortalecendo a ajuda aos que necessitam.
Agradecemos todos os irmãos que se dedicam pela nossa causa e qualquer dúvida procure a Sintonia para que possíveis dúvidas sejam esclarecidas.

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1 Item:
Todos os integrantes devem lealdade e respeito ao Primeiro Comando da Capital, devem tratar todos com respeito, dando bons exemplos a ser seguidos pela massa, acima de tudo ser justo e imparcial.

2 Item:
Lutar sempre pela PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE e UNIÃO, visando sempre o crescimento da organização, respeitando sempre a ética do crime.

3 Item:
Todos os integrantes do Comando tem por direito expressar sua opinião e tem o dever de respeitar a opinião de todos. Sabendo que dentro da organização existe uma hierarquia e uma disciplina a ser seguida e respeitada. Aquele integrantes que vier a causar divisão dentro do Comando, desrespeitando esses critérios, será excluído e decretado.

4 Item:
Aquele integrante que for para rua tem a obrigação de manter o contato com a Sintonia da sua quebrada ou da quebrada que o mesmo estiver. Estar sempre a disposição do Comando, a Organização necessita do empenho e união de todos os integrantes. Deixamos claro que não somos sócios de um clube e sim integrantes de uma Organização Criminosa, que luta contra as opressões e injustiças que surgem no dia a dia e tenta nos afetar. Sendo assim, o Comando não admite acomodações e fraquezas.

5 Item:
Todos os integrantes que estiver na rua, tem a mesma obrigação, sendo ele estruturado ou não, porém os estruturados tem condição de se dedicar ao Comando e quando possível participar de projetos que venham a criar soluções desamparo social e financeiro para apoiar os integrantes desamparados.

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6 Item:
O comando não admite entre seus integrantes, estupradores, pedófilos, caguetas, aqueles que extorquem, invejam, e caluniam, e os que não respeitam a ética do crime.

7 Item:
É dever de todos os integrantes da facção colaborar e participar dos “progressos“ do comando, seja ele qual for, pois os resultados desse trabalhos são integrados em pagamentos de despesas com defensores, advogados, ajuda para trancas, cesta básica, ajuda financeira para os familiares que perderam a vida em prol a nossa causa, transporte para cadeirantes, ou auxílio para doentes com custo de remédio, cirurgia e atendimentos médicos particulares, principalmente na estruturas da luta contra os nossos inimigos, entre várias situações que fortalecem a nossa causa ou seja o crime fortalece o crime, essa é a nossa ideologia.

8 Item:
Os integrantes que estiverem na rua e passando por algum tipo de dificuldade, poderão procurar a Sintonia para que o Comando possa ajuda-lo ir para o corre, deixando claro que o intuito da organização e fortalecer todos os seus integrantes, para que cada um tenha Condições de se empenhar também no progresso do Comando e assim nossos objetivos serem atingidos com total êxito.

9 Item:
Todos os integrantes devem ter a certeza absoluta que querem fazer parte do Comando, pois aquele que usufrui dos benefícios que o Comando conquistou e pedir pra sair pelo fato da sua liberdade estar próxima ou até mesmo aquele que sair para a rua e demonstrar desinteresse por nossa causa, serão avaliados e se constatado que o mesmo agiu de oportunismo o mesmo poderá ser visto como traidor, tendo atitude covarde e o preço da traição é a morte.

10 Item:
Deixamos claro que a Sintonia Final é uma fase da hierarquia do Comando composta por integrantes que tenham sido indicados e aprovados pelos irmãos que fazem parte da Sintonia Final do Comando. Existem várias Sintonias, sendo a Sintonia Final a última instância. O objetivos da Sintonia Final é lutar pelos nossos ideais e pelo crescimento da nossa Organização.

O que falamos neste site sobre Paz, Justiça, e Liberdade → ۞

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11 Item:
Toda missão destinada deve ser concluída. Será feita uma avaliação da capacidade de cada integrante indicado pela Sintonia, e aquele que for selecionado e aprovado tem capacidade de cumprir uma missão, e tem o dever de arcar com as despesas financeira, mas quando for possível todos os gastos ficarão sob a responsabilidade do Comando. Essas missões incluem principalmente ações de resgate e outras operações restritas ao Comando. Todos aqueles que vierem a ser resgatados, terão a obrigação de resgatar outro irmão, aquele irmão que falhar na missão por fraqueza, deslealdade, será excluído e o caso será avaliado pela sintonia, no caso de vazar as idéias poderá ser caracterizado como traição e a cobrança será a morte.

12 Item:
O Comando não tem limite territorial, todos os integrantes que forem batizados são componentes do Primeiro Comando da Capital, independente da cidade, estado ou país, todos devem seguir a nossa disciplina e hierarquia do nosso Estatuto.

13 Item:
O Comando não tem nenhuma coligação com nenhuma outra facção, vivemos em harmonia com facções de outros estados, quando algum integrante de outra facção chegar em alguma cadeia nossa o mesmo será tratado com respeito e terá o apoio necessário, porém queremos o mesmo tratamento quando o integrante do Comando chegar preso em outro estado em cadeias de outras facções e se algum integrante de outra facção de outro estado desrespeitar a nossa disciplina em nossa cadeia vamos procurar a Sintonia responsável pelo mesmo e juntos procurarmos a solução e se ocorrer de um irmão nosso estar desrespeitando, a busca da solução será da mesma forma. Deixamos bem claro que isso se trata de facções de outro estado que seja amiga do Comando.

14 Item:
Todos os integrantes serão tratados com igualdade, sendo que a nossa luta é constante e permanente, seus méritos e atitudes serão avaliadas dando prioridade para aquele que merece, esclarecendo que méritos não é sinônimo de acomodações e impunidade diante da nossa luta, tratando com igualdade para os iguais e desigualdade para os desiguais.

15 Item:
Os ideais do Comando estão acima dos conflitos pessoais, no entanto o Comando será solidário com aquele integrante que esteja certo e em desvantagem para resolver os seus problemas pessoais, o apoio será prestado, a causa será prestado, a causa será aprovada, após a avaliação direta da Sintonia.

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16 Item:
É inadmissível usar o Comando para ter benefício próprio. Se algum integrante vier a subfaturar algo para ganhar dinheiro em cima do Comando, agindo com esperteza em benefício próprio, será analisado pela Sintonia e após ser comprovado os superfaturamento o mesmo será excluído e decretado. Nenhum integrante poderá usufruir do contato do Comando para transações comerciais ou particulares sem o conhecimento da Sintonia, os irmãos que investir o capital em mercadoria ou ferramentas para negociar, podem fazer negócio com a Família e obterem seu lucro desde que não seja abusivos, pois todo o fruto desse trabalho é destinado aos necessitados em prol a nossa ideologia.

17 Item:
O integrante que vier a sair da Organização e fazer parte de outra facção caguetando algo relacionado ao Comando será decretado e aquele que vier a mexer com a nossa família terá a sua família exterminada. O Comando nunca mexeu com a família de ninguém e tais não terão paz. Ninguém é obrigado a permanecer no Comando, mas o Comando não vai ser tirado por ninguém.

18 Item:
Todos os integrantes tem o dever de agir com severidade em cima de opressões, assassinatos e covardias realizados por Policiais Militares e contra a máquina opressora, extermínios de vidas, extorsões que forem comprovadas, se estiver ocorrendo na rua ou nas cadeias por parte dos nossos inimigos, daremos uma resposta a altura do crime. Se alguma vida for tirada com esses mecanismos pelos nossos inimigos, os integrantes do Comando que estiverem cadastrados na quebrada do ocorrido deverão se unir e dar o mesmo tratamento que eles merecem, vida se paga com vida e sangue se paga com sangue.
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Geral da cidade aconselhando um companheiro.

Há muitos anos atrás, o gerente de uma biqueira em frente ao Oliver Lanches próximo a Anzu Club foi chamado para conversar com geral do Primeiro Comando da Capital –  PCC 1533 em Itu.

Conversa vai, conversa vem, e o geral que hoje nem mais irmão é pergunta ao rapaz se ele ainda estava usando drogas e lhe dá alguns conselhos:

Gerente: Só que, eu parei.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Geral: Então, tem que parar meu, vai ganhar dinheiro! Se um tênis está apertando seu pé, tira o tênis! Se a tose tá te prejudicando, toma um xarope! Lógico, procurar melhorar né, meu! Pô, você é um cara bom, e vai deixar a droga.

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Gerente: Tendeu.

Geral: Ela vai acabar com você. Então, acaba com ela enquanto você tá dominando ela, pela ordem, depois que ela começou a dominar você, ah!, opa!, péra aí!… É igual quando eu bebia, o que acontecia? Enquanto eu tava bom eu subia a escada sozinho, eu tava perfeito, depois que nêgo carregou eu prá subir a escada, eu falei: “Não bebo mais! Tá loco meu, tô dando trabalho prá outro. Prá mim não. Beleza.”

Gerente: Isso mesmo!

Geral: Aí eu parei. E a gente… Ah, vâmo internar prá… eu falei, não a gente tem pulso. Eu falei que parei de beber e parei de beber! Hoje em dia eu vou a um monte de festa por aí cara, nossa, cachaça é o que mais oferece, não bebo. Compro cachaça, tenho na geladeira, cerveja, esses baguios, porque tem visitantes, eu não bebo. Bebo guaraná, você entendeu? Bébe prá dar trabalho pros outros!?! Entendeu?
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Cartilha do Primeiro Comando da Capital PCC 1533.

PROCEDIMENTO PARA A LEITURA NOS GRUPOS.

Inicialmente o “sintonia” que for transmitir para os “irmãos” e “companheiros” deve com respeito lembrar a todos que só com a conscientização é possível alcançar a PAZ, mesmo que dentro das muralhas, dos difíceis ambientes e situações que os soldados da facção e suas famílias estejam.

Antes de começar a leitura deve lembrar que as famílias daqueles que estão privados de liberdade devem ser apresentados a Cartilha, para que tenham consciência e apoiem a luta, que a vida no recluso é penosa, e para superar esse momento os familiares devem estar ao lado com consciência, só assim os presos poderão

O “sintonia” deve lembrar que cada um deve ler, analisar, e discutir a Cartilha, para que haja uma constante evolução do entendimento e a disseminação aconteça dentro e fora de cada unidade prisional em todos os estados brasileiros e nos países onde a facção esteja presente.

CARTILHA DE CONSCIENTIZAÇÃO, UNIÃO, E FAMÍLIA.
Para uma Geração Consciente

O que buscamos para um melhor sistema carcerário não são regalias e sim inovações, mudanças e direitos como preso. Embora seja extremamente longa, árdua e difícil a estrada que nos conduz a esta realidade não se pode mas adiar os fatos dessa caminhada.

O primeiro passo tem início na conscientização de nossos familiares que sofrem com as injustiças desigualdade, descasos do abandono em que vivemos. Unidos lutaremos pelo cumprimento da justiça e de nossos direitos, mas para isso será precisamos estar unidos e mobilizados pela construção de uma novo amanhã.

Essa é a evolução para uma geração consciente, aperfeiçoando nossas deficiências, suprindo a carência do conhecimento, nos apoiando maciçamente na família 15.3.3 e na nossa família de sangue. Assim superamos nossas dificuldades e conquistamos o que é nosso por direito.

Nem mesmos as armas nucleares podem trazer uma PAZ sólida e duradoura sem que a humanidade enfrente as injustiças sociais. Onde houver dominação, haverá sempre luta pela libertação e pelo fim da opressão. Onde houver violações dos direitos haverá sempre combate e resistência em nome da IGUALDADE, por isso a dificuldade em se manter uma PAZ sólida e duradoura.

Por isso nossa luta consciente, nosso lema é PAZ, JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE, e UNIÃO.

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CARTILHA DE CONSCIENTIZAÇÃO, UNIÃO, E FAMÍLIA
Original revisto e corrigido 2017.

Tudo começou no cárcere no ano de 1992 com o fato mas bárbaro, cruel, e covarde: o massacre de 111 detentos no Carandiru, por Policiais Militares a mando de governo e da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

PAZ

Lembrar e analisar o antes e o agora basta para sabermos o sentido dessa paz:

Antes ao chegar na prisão, fora as injustiças sofrida pela “Justiça”, o preso tinha que lutar dia a dia pela sua própria vida e moral arriscando-se a matar ou morrer a todo instante. Hoje através da PAZ no cárcere, as facas se tranformaram em ganchos para a fuga, o craque foi expressamente proibido nas prisões, os presos malandrões que cometiam assaltos, extorsões, estupros, e conflitos foram assinados, mandados para cadeias de seguros, ou estão fora do alcance do crime que corre em favor do certo pelo certo.

Essa foi uma das nossas primeiras evoluções no crime em prol a todos, por isso à importância da PAZ e o seu significado no Sistema Penitenciário.

JUSTIÇA

Justiça é o combate na luta pelos nossos direitos, pelo nosso respeito, por tudo que no crime é justo e certo. Lutar pela Justiça, é empenhar-se na conquista dos nossos espaços, respeitando para sermos respeitados. Sempre conscientes no aprendizado, no desenvolvimento, e no amadurecimento completo: corpo, alma, e coração. Sempre visando nossa causa: a luta justa que acreditamos e que vivemos.

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LIBERDADE

Libertação dos dominadores,dos exploradores, e das injustiças. Liberdade pela porta da frente ou pelas dos fundos, e o nosso principal objetivo é o que todos nós dentro de um cárcere almejamos dia e noite, ganhar a liberdade e estando na rua lutaremos para não perdê-la.

UNIÃO

Já existe e seria muito mais espontânea se as antigas diretrizes visassem o idealismo da causa em prol a todos para condições de dias melhores, mas em vez disso o que eles queriam era se aproveitar de sua lealdade por dinheiro para uso próprio, essa ganância e egoísmo só poderiam levar a um caminho, o da divisão de pensamentos e atitudes, como não poderia ser diferente ou de outra forma, o certo vence e prevalece, e foi a primeira parte dessa divisão, que a família criou, e a nossa principal evolução para o crime em geral implantando também como lema a palavra.

IGUALDADE

É o significado consolidado e espontâneo dessa União que temos hoje já conquistado significa o trabalho de todos. A Família funcionando como uma engrenagem rotativa de ajuda e assistência à todos, de amparo para presos e familiares, e um conhecimento pela luta e pelo crime certo e justo, e é essa Igualdade que de forma extraordinária nos trouxe essa UNIÃO que tanto nos fortalece para sobrevivência e superação.

Igualdade também significa a valorização da vida humana no cárcere porque foi através dela que foi conquistado o direito de falar e ouvir a verdade, o errado e a mentira e mesmo assim para que uma vida seja tirada só por motivos de naturezas graves, como traição ou pilantragem.

Por tudo isso o lema do Primeiro Comando da Capital é Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade, e União – PJLIU.

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PERSISTIR E RESISTIR

Não temos tempo para lamentações e pensamentos negativos, estes só servem para enfraquecer nosso espírito, temos que persistir e acreditar com determinação e coragem, por que nossa luta é justa e temos que seguir em frente.

Os momentos mais difíceis não são para lamentar, pelo contrário são para fortalecer, para superar, e por isso persistam e resistam com força, com coragem, com dignidade, com hombridade e com consciência. Lembrando que a luta é por todos. O preso que agir de forma contrária a essa luta não pode ser considerado um guerreiro, ou ele se auto corrige respeitando a todos com a verdade e a coragem ou encontrará sua própria ruína.

Sem preparação a superioridade não é realmente superioridade, sendo assim não haveria iniciativa própria e nem criatividade no momento de crise. O conhecimento poderá vencer com ações inteligentes e atitudes inesperadas, surpreendendo o inimigo e o vencendo, e por isso a importância da preparação, e da conscientização.

Um exército sem cultura é um exército de ignorantes e não poderá vencer o inimigo, e nada é mais importante que a compreensão, o apoio, e a lealdade que motiva em todas as circunstâncias, sejam elas boas ou ruins, fáceis ou quase insuperáveis. Com essas atitudes estaremos sempre nos fortalecendo, mas que essas atitudes sejam espontâneas, um por todos e todos por um.

OBJETIVOS E METAS

A luta pelos direitos de cidadania abrangerá todo o país ou seja será uma luta que se iniciará em São Paulo que contará com todo o sistema prisional de todos os estados, mas para chegarmos a este ponto, temos que mover toda uma preparação primeiro, por hora lutamos é pela dignidade, respeito e direitos do preso e por um sistema humanizado.

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LUTA POR DIGNIDADE E RESPEITO
  • presídios sem superlotação, com trabalho que nos deem oportunidade de profissionalização, sem a exploração hoje existente;
  • cursos profissionalizantes sérios, com mais tempo e qualidade para as aula, e o reconhecimento na Secretaria de Ensino dos diplomas após a formação;
  • sistema judiciário interno e externo com acompanhamento de profissionais sérios e responsáveis para assistência ao preso e a sua família;
  • possibilidade de integração de outras pessoas além de nossos filhos, irmãos, e esposas, temos outros entes queridos que podem nos ajuda em nossa reabilitação, e reintegração a sociedade;
  • direito de comprir pena perto da nossa casa e de nossos familiares; e
  • fim dos maus tratos, degradantes, desumanos, humilhantes, e cruéis por parte de funcionários, diretores, e polícias ao fazerem as revistas.

Quando conquistarmos nossas reivindicações, acreditem, teremos maiores chances de mudar nossas vidas com dignidade e respeito. Com essas conquistas, outros descasos e abandonos também serão vencidos automaticamente. Todas essas mudanças afetam diretamente nosso futuro por quê como profissionais ao sairmos da prisão teremos como escolha caminhos que não nos levarão novamente para a criminalidade.

Dentro dos presídios com essas mudanças já começaram. A humanização já está começando ali, os estados e as autoridades são obrigados a suprirem nossas necessidades e respeitarem nossos direitos.

A criminalidade funciona como uma rotação cada vez maior, vai e vem cada vez mais rápido e com mais violência. Todos os esforços que o preso fizer para se recuperar são anulados pela injustiça, pela opressão, pelo castigos, pelos abusos, pelo descasos, pelo abandono, e pela injustiça que residem no sistema carcerário, só nos restando ao preso ao sair retornar ao mundo do crime.

Nossos familiares que de maneira igual sofrem as mesmas injustiças sociais pelo desumano sistema carcerário.  A família que está lá para nos ajudar e apoiar pois o sistema carcerário brasileiro só mata as expectativas para o futuro do preso, sofre, e esse sofrimento causa mais revolta, mais ódio, e mais violência.

Isso precisa mudar, queremos respeito pelos nossos direitos, dignidade como seres humanos, e chance de crescimento, conseguindo maliciosamente aprender o que não compreendemos, conseguiremos destruir o mundo velho e construir um mundo novo, com aperfeiçoamento e consciência para se tornar um sistema carcerário humanizado.

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AUTORIDADES OMISSAS

Os políticos que promovem candidaturas baseando seu discurso no combate ao crime e só constroem presídios como depósitos de homens, mentindo para a sociedade, dizendo que estão acabando com a criminalidade e resolvendo o problema de superlotação. Mentem descaradamente: os governos dos estados, as secretarias de segurança pública, as administrações penitenciárias, os serviços de inteligência da polícia e da promotoria pública,  o Denarc, e o GAECO.

Políticos que querem votos nos atacam promovendo mais injustiças e opressões dentro dos presídios, esperando nossas reações e revolta, com isso aparecem como salvadores da pátria, e sempre usando a força e a violência descontrolada dentro e fora dos presídios para acabar com a revolta que eles mesmo causaram, em seguida eles usam o poder da mídia contra nós, precisamos aprender urgentemente a lutar contra a conotação e vencer as formas de estratégias que as autoridades usam contra nós, assim os superaremos conhecendo seus métodos de agir.

Muitos braços que nos apoiam estão no Poder Judiciário, através de sua intelectualidade,da sua coerência, e da sua sensatez, tentam conter a opressão e fazer valer os direitos dos encarcerados, combatendo a superlotação dos presídios fazendo valer a justiça para os pobres e para os miseráveis, não só para para os ricos endinheirados.

Ao poder judiciários pedimos justiça e respeito aos nossos diretores, ou vocês não perceberam todas essas perseguições e injustiças que estamos sofrendo? Esse recado tem que ser dado dentro um poder judiciário.

Muitos exploram o trabalho do detento se aproveitando de mão de obra barata. Precisamos de instrumentos de trabalho para nossa profissionalização de maneira responsável e eficiente. Um preso fica décadas dentro do Sistema Carcerário e quando ele sai não tem nem uma profissão, não tem nem um estudo, nao tem nada, como vai competir no mercado de trabalho?

As portas se fecham para aquele de deixa o sistema, o que nos resta é o crime novamente, isso tem que mudar. Temos que exigir condições de trabalho e crescimento humano melhor, se for preciso lutar por essas mudanças, acreditem a luta será justa e valiosa não se lamentem, resistam e persistam.

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AQUELES QUE NOS PREJUDICAM

Esses são os opressores que mentem e exploram através da mídia, provocam e perseguem a nós e nossas famílias, são essas pessoas que tem o poder para mudar o sistema carcerário falido e desumano, mas não fazem nada por ganância e interesses pessoais pois lucram com a violência seja por poder, ou por dinheiro:

  • Secretarias de Administração Penitenciária,
  • a Secretarias de Segurança Pública,
  • os governadores dos estado,
  • o ministério público,
  • o poder judiciário,
  • os executivos da empresas que exploram nosso serviço, e as
  • as direções dos presídios.

São eles os maiores responsáveis pelo aumento da criminalidade, que com suas mentiras e articulações levaram o sistema carcerário e a segurança pública ao caos que vivemos hoje.

Clareza aos nossos objetivo, que as metas ativem a consciência de todos, não queremos regalias mas sim um sistema humanizado para um futuro melhor para toda a sociedade, pois nossas famílias, nossos filhos, assim como as famílias e filhos de todos aqueles que estão fora dos muros depende do respeito aos nossos direitos.

Mas o nosso sacrifícios é pela consciência da nossa luta, e que tem o significado de tudo por que lutamos e acreditamos que esse significado é pela mais bela prova de amor, a liberdade, coragem e crença pela luta.

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MINIMIZANDO AS PERDAS

Aposte e acredite no aperfeiçoamento e na conscientização para diminuir as perDas nas lutas, para vencer procurem estudar, procurem conhecimento e principalmente procurem aprender essa nova mudança, essa nova era.

Acompanhem as trocas dos cargos políticos: quem sao são essas autoridades, governos, secretários de segurança, administração penitenciário. Fiquem sempre atentos a política deles pois são essas pessoas as diretamente responsáveis pelo sistema penitenciário. Exponham nossas dificuldades e com isso conquistaremos nossos direitos como presos usando as mesmas armas que eles usam contra nós.

A propaganda, a divulgação, a mídia vamos maciçamente nos expressar à sociedade, mostrar esse lado esquecido, em cenário de tantas injustiças e violência.

DIVULGAÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR

Através desta união que já é conquistada a arma mais poderosa e a que temos é através de nossos familiares, juntamente com a conscientização nos tornamos mais forte, ainda que a longo prazo afirmo, que conseguimos tudo que pretendemos e almejamos, vamos maciçamente nos juntarmos com nossos familiares buscando de todas as formas mostrar para a sociedade os motivos que lutamos e o porquê da nossa luta, o que queremos, e só assim vamos conseguir o apoio e simpatia da sociedade que muito nos interessa e nos importa.

Precisamos fazê-los entender que não somos os monstros que a mídia divulga propositalmente, deixar todos cientes que somos usados e o que pretendemos conquistar somente nossos direitos e sermos tratados como seres humanos por isso precisamos compreender também que para essa propaganda e divulgação surtirem efeitos, temos que nos unir para que a sociedade entenda nossos motivos e nos apoiem, cobrando das autoridades e do governo procedências e o fim desse sistema carcerário falido e apreensivo.

Vamos acompanhar as TVs educativas, informativas, culturais e os debates. Conseguiremos vários nomes e endereços, a família pode ajudar também para que possamos enviar cartas com textos explicativos, nossos motivos o que queremos contar conscientes, e só seguir essa cartilha como base, à partir disso a criatividade é infinita, mas seguindo uma linha de mensagens positivas.

Que nossas cartas sejam divulgadas pelas visitas e pela sociedade, podemos também escrever para vários personalidades, artistas, escritores, jornalistas, jogadores, médicos, sociólogo, psicólogos, empresários, em faculdades, escolas, órgãos internacionais, consulados, embaixadas de países democráticos, mas tudo isso será feito com democracia determinações e consciência de nossas necessidades e para que nossas mensagens e cartas sejam aceitas, e entendidas.

Temos que enviar cartas contando exemplos para conseguirmos espaço nos rádios, e nas emissoras de televisão. Cada um dos órgãos possíveis, OAB, pastoral carcerária, ONU, direitos humanos, e a cúpula que pertence ao “MV Bill”.

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TEREMOS GRANDES CHANCES DE MUDAR ESSA HISTÓRIA.

Os sindicato dos agentes penitenciários, dos empregados no comércio, nos serviços, e nas indústrias também poderão ser conscientizados de nossa luta, que não é contra a sociedade e sim contra o sistema que oprime a eles tanto quanto oprime a nós mesmos.

Nossos familiares devem se portar com coerência e personalidade, não podem manchar nossa imagem ao mesmo tempo que tem que se expor ao máximo, todos os dias e em todos os lugares. Nosso lugar não é nas sombras escondidos da sociedade, mas ao lado dela.

Todos os meios de divulgação devem ser aproveitados: texto por manifesto, faixas escritas, redes sociais, mas nunca se esqueçam que as mensagens tem q ser educativos, mostrando o que a cartilha está ensinando temos q mostrar para a sociedade os problemas que vivemos

PLANTANDO UM NOVO FUTURO

Seguindo esta carta informativa e educativa vamos refletir e analisar, o que conseguimos através dessa nossa luta, e se nos unirmos nesse propósito tivermos bons resultados, nos jornais escritos e revistas como conscientização de um sistema humanizado, e que respeitem nossos direitos como presos, nos dando oportunidade de crescimento humano, teremos uma história linda e merecida, porque com essas renovações e mudanças, podemos de uma forma consciente escolher outros caminhos para nossas vidas e seremos felizes juntamente com nossos familiares, após a conquista do sistema humanizado continua a luta por cidadania.

Analisem e reflitam nessas duas pequenas palavras: PERSISTIR e RESISTIR.

Nelas se encontram a grandeza da nossa luta e a importância de vencermos, mesmo que sejam sacrifícios, resistir e lutar com coragem, lealdade e determinação, união e consciência.

Que a partir dessa nova era, busquem mais conhecimento e aprendizado, compreensão para entender os nossos problemas, principalmente para superá-los, lutando todos de forma igual consciente e responsável.

OUSAR, LUTAR E VENCER.
Conscientização união e família.
UNIDOS VENCEREMOS – população carcerária do país.
PRIMEIRO COMANDO DA CAPITAL – PCC 15.3.3.

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Guidebook of First Command of the Capital PCC.

The Guidebook of the First Command of the Capital is mandatory for all those who have an interest in the faction, regardless of the level in which it is within the group or if it is outside the system if it belongs to the blood family of those who are inside the walls.

He runs the system through Whatsapp, messages, and is read in courtyards, cells, and meetings as a motivational program for group unity and to demonstrate that the First Command is the legitimate representative of resistance to an oppressive system that prevents insertion of the poorest.

The guidebook explains in detail how the organization works, and how its members should think and act. The Statute and the hornbook are two separate documents. The first is the Code of Right of the PCC, the second is the anti- discourse against an oppressive system and aims to explain and legitimize for its members and for society both the existence of the organization and its acts.

This document was studied by some professionals but I leave here for those who have interest the link of the work of the Postgraduate Program in Social Anthropology of the Federal University of São Carlos: “Ethnography in the Movement: Territory, Hierarchy, and Law in the PCC” de Karina Biondi.

As is to be expected in an oral culture, there are numerous variations, and with each new discovery a new universe and a new portrait of reality is presented, as shown in the hornbook found in Licorice and published in its entirety by the North Tribune .

The version that I present here is the magazine and updated in 2017 and circulates in groups of Whatsaap is a variation of the one divulged by the “general attunement of Mato Grosso do Sul”.

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PROCEDURE FOR READING IN GROUPS.

Initially, the “attunement” that is to be transmitted to the “brothers” and “companions” should respectfully remind everyone that it is only through awareness that PEACE can be achieved, even within the walls, of the difficult environments and situations that faction soldiers And their families are.

Before beginning to read, you must remember that the families of those who are deprived of liberty must be presented to the hornbook, so that they are aware and support the struggle, that life in the prisoner is painful, and to overcome this moment the relatives should be next With conscience, only then will prisoners be able to

The “tuning” must remember that each one must read, analyze, and discuss the hornbook, so that there is a constant evolution of the understanding and the dissemination happens inside and outside each prison unit in all the Brazilian states and in the countries where the faction is presented.

CONSCIENTIZATION, UNION, AND FAMILY.
For a Conscious Generation

What we seek for a better prison system are not perks but innovations, changes and rights as prisoners. Although the road leading to this reality is extremely long, arduous and difficult, no one can postpone the facts of this journey anymore.

The first step begins in raising awareness of our families who suffer from the inequities, inequalities and abandonment in which we live. Together we will fight for the fulfillment of justice and our rights, but for this we will need to be united and mobilized for the construction of a new tomorrow.

This is the evolution for a conscious generation, perfecting our shortcomings, supplying the lack of knowledge, massively supporting us in family 15.3.3 and our family of blood. Thus we overcome our difficulties and conquer what is ours by right.

Not even nuclear weapons can bring a solid and lasting PEACE without humanity facing social injustices. Where there is domination, there will always be a struggle for liberation and an end to oppression. Where there are violations of rights there will always be combat and resistance in the name of EQUALITY, hence the difficulty in maintaining a solid and lasting PEACE.

Therefore our conscious struggle, our motto is PEACE, JUSTICE, FREEDOM, EQUALITY, and UNION.

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CONSCIENTIZATION, UNION, AND FAMILY
Original revised and corrected 2017.

It all started in prison in 1992 with the most barbarous, cruel, and cowardly act: the massacre of 111 detainees in Carandiru, by Military Police Officers under the command of the government and the Public Security Secretariat of the State of São Paulo.

PEACE

Remembering and analyzing the before and the now is enough to know the meaning of this peace:

Previously it was the injustices and oppressions to which all prisoners were subjected by the security organs and the administration of the penitentiary system; The prisoners also faced violence, abuses, cowardice, mischief on the part of other prisoners, the law of the strongest, who could cry the least, rapes, robberies, extortions, unexplained deaths, beatings, and wars between gangs. Most of these abuses, conflicts and cowardice were generated as a result of drugs, the crack, but mainly because of ignorance and lack of awareness of the fight.

Before arriving in prison, apart from the injustices suffered by “Justice”, the prisoner had to fight day by day for his own life and moral risking to kill or to die at any moment. Today through PEACE in jail, the knives were transformed into hooks for the escape, the crack was expressly forbidden in the prisons, the big tricksters prisoners who committed assaults, extortions, rapes, and conflicts were signed, sent to chains of insurance, or they are out Of the reach of the crime that runs in favor of right for sure.

This was one of our first developments in crime for all, and therefore the importance of PEACE and its significance in the Penitentiary System.

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JUSTICE

Justice is the fight in the fight for our rights, for our respect, for everything that in the crime is just and right. To fight for justice, is to commit ourselves to the conquest of our spaces, respecting to be respected. Always conscious in learning, in development, and in complete maturation: body, soul, and heart. Always aiming at our cause: the just fight that we believe and that we live.

FREEDOM

Liberation from dominators, exploiters, and injustices. Freedom from the front door or the back door, and our main goal is what we all in a prison we crave day and night, gain freedom and being on the street we will fight not to lose it.

UNITY

It already exists and would be much more spontaneous if the old guidelines aimed at idealism of the cause in favor of all for better days’ conditions, but instead what they wanted was to take advantage of their loyalty for money for their own use, this greed and selfishness could only lead to a path, the division of thoughts and attitudes, how it could not be different or otherwise, the certain wins and prevails, and was the first part of this division, which the family created, and our main evolution for Crime in general also implanting as a motto the word.

EQUALITY

It is the consolidated and spontaneous meaning of this Union that we have now conquered means the work of all. The Family working as a rotating gear of assistance and assistance to all, of protection for prisoners and relatives, and a knowledge for the fight and for the right and just crime, and it is this Equality that brought us this extraordinary union that so much strengthens us to Survival and overcoming.

Equality also means valuing human life in prison because it was through it that the right to speak and hear truth, wrong and lies was won, and even so that a life is taken only for reasons of serious nature, such as treason or pilanage.

For all this the motto of the First Command of the Capital is Peace, Justice, Freedom, Equality, and Union – PJLIU.

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PERSIST AND RESIST

We do not have time for regrets and negative thoughts, these only serve to weaken our spirit, we have to persist and believe with determination and courage, because our struggle is fair and we have to move forward.

The most difficult moments are not to regret, but rather to strengthen, to overcome, and therefore persist and resist with strength, courage, dignity, manliness and conscience. Remembering that the fight is for everyone. The prisoner who acts contrary to this struggle can not be considered a warrior, or he corrects himself respecting everyone with truth and courage or will find his own ruin.

Without preparation the superiority is not really superiority, so there would be no initiative of its own and no creativity at the moment of crisis. Knowledge can overcome with intelligent actions and unexpected attitudes, surprising the enemy and winning, and therefore the importance of preparation, and awareness.

An army without culture is an army of the ignorant and can not defeat the enemy, and nothing is more important than the understanding, the support, and the loyalty that motivates in all circumstances, whether good or bad, easy or almost insurmountable. With these attitudes we will always be strengthening, but that these attitudes are spontaneous, one for all and all for one.

GOALS AND OBJECTIVES

To achieve through our UNION, together with the support of our families, a humanized prison system that grants our rights in full. After conquering this part, we will fight for the rights of citizenship that will surely be the solution to all prison problems.

The fight for citizenship rights will cover the whole country or it will be a struggle that will start in São Paulo that will have the entire prison system of all states, but to get to this point, we have to move a whole preparation first, per hour We fight for the dignity, respect and rights of the prisoner and for a humanized system.

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FIGHT FOR DIGNITY AND RESPECT

It is to conquer a humanized system in which we respect our rights as prisoners, we want revolution and changes with:

  • medical treatment of humans and not animals, with suitable medicines, competent professionals, dentists who do their job, and do not simply tear our teeth;
  • prisons without overcrowding, with work that gives us an opportunity for professionalization, without the exploitation that exists today;
  • serious vocational courses, with more time and quality for the classes, and recognition in the Teaching Department of diplomas after training;
  • internal and external judicial system with accompaniment of serious and responsible professionals to assist the prisoner and his family;
  • possibility of integration of other people besides our children, brothers, and wives, we have other loved ones who can help us in our rehabilitation, and reintegration into society;
  • the right serve the sentence near our house and our relatives; and
  • end of maltreatment, degrading, inhuman, humiliating, and cruel treatment by officials, directors, and police when making magazines.

When we win our claims, believe me, we will have a better chance of changing our lives with dignity and respect. With these achievements, other descalings and abandonments will also be automatically defeated. All of these changes directly affect our future because as professionals when we get out of prison we will have as our choice paths that will not take us back to criminality.

Inside the prisons with these changes have already begun. Humanization is already beginning there, states and authorities are obliged to supply our needs and respect our rights.

Crime works as an ever-increasing spin, comes and goes faster and more violently. All the efforts that the prisoner makes to recover are annulled by injustice, oppression, punishment, abuse, neglect, and injustice that reside in the prison system, only remaining to the prisoner when leaving to return to the world of crime.

Our relatives who equally suffer the same social injustices by the incarcerated prison system. The family that is there to help us and support because the Brazilian prison system only kills expectations for the future of the prisoner, suffers, and this suffering causes more revolt, more hate, and more violence.

This needs to change, we want respect for our rights, dignity as human beings, and chance of growth, maliciously managing to learn what we do not understand, we can destroy the old world and build a new world with perfection and awareness to become a humanized prison system .

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AUTHORITIES OMISSION

Persons, authorities, and sectors who are directly responsible for giving the professions, conditions, aid and assistance to prisoners and do not cause the rights of prisoners to be respected.

Politicians who promote candidacies based on their discourse on crime and only build prisons as deposits of men, lying to society, saying they are putting an end to crime and solving the problem of overcrowding. They lie shamelessly: state governments, public security secretariats, penitentiary administrations, police and public prosecution services, DENARC, and GAECO.

Politicians who want vows attack us by promoting more injustice and oppression within the prisons, waiting for our reactions and revolt, they appear as saviors of the country, and always using the force and uncontrolled violence inside and outside the prisons to end the revolt they And then they use the power of the media against us, we need to learn urgently to fight the connotation and overcome the forms of strategies that the authorities use against us, so we will overcome them knowing their methods of acting.

Many of the arms that support us are in the Judiciary, through their intellectuality, their coherence, and their wisdom, they try to contain oppression and assert the rights of the prisoners, fighting the overcrowding of prisons by asserting justice for the poor and for The miserable, not only to the wealthy rich.

To the judiciary we ask for justice and respect for our directors, or do not you realize all these persecutions and injustices that we are suffering? That message has to be given within a judiciary.

Many exploit the detainee’s work by taking advantage of cheap labor. We need working tools for our professionalization in a responsible and efficient way. A prisoner stays decades inside the Prison System and when he leaves he does not even have a profession, he does not have a study, he has nothing, how will he compete in the labor market?

The doors close to the one leaving the system, what we have left is the crime again, that has to change. We must demand working conditions and human growth better, if we must fight for these changes, believe the struggle will be fair and valuable do not regret, resist and persist.

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THOSE WHO HURT US

These are the oppressors who lie and exploit through the media, provoke and persecute us and our families, are these people who have the power to change the broken and inhuman prison system, but do nothing for greed and personal interests because they profit from Violence is by power, or by money:

  • Secretaries of Penitentiary Administration,
  • to Secretaries of Public Security,
  • the state governors,
  • the public prosecutor,
  • the judiciary,
  • the executives of the companies that operate our service, and the
  • the directions of the prisons.

They are the ones most responsible for the increase in crime, which with their lies and articulations have taken the prison system and public security to the chaos we are experiencing today.

Clarity to our goal, that the goals activate the conscience of all, we do not want perks but a humanized system for a better future for the whole society, because our families, our children, as well as the families and children of all those who are out Depends on respect for our rights.

But our sacrifices are for the awareness of our struggle, and that has the meaning of everything we fight for and believe that this meaning is by the most beautiful proof of love, freedom, courage and belief in the struggle.

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MINIMIZING THE LOSSES

Bet and believe in the improvement and awareness to reduce the losses in the struggles, to overcome seek to study, seek knowledge and especially seek to learn this new change, this new age.

Accompany the exchanges of political positions: who are these authorities, governments, secretaries of security, prison administration. Always be aware of their policy because they are those directly responsible for the penitentiary system. Expose our difficulties and we will conquer our rights as prisoners using the same weapons they use against us.

Advertising, publicity, the media we will massively express to society, show this forgotten side, in the scene of so many injustices and violence.

DISCLOSURE FOR A BETTER WORLD

Through this union that is already achieved the most powerful weapon and that we have is through our families, together with the awareness we become stronger, although in the long term I affirm, that we achieve everything we want and want, we will massively join with Our families trying in every way to show society the reasons we fight and the reason for our struggle, what we want, and only then will we get the support and sympathy of the society that interests us very much and we care.

We need to make them understand that we are not the monsters that the media purposefully divulge, make everyone aware that we are used and that we want to conquer our rights only and be treated as human beings so we must also understand that for this advertising and disclosure to have effects, We must unite so that society understands our motives and supports us, charging the authorities and the government with provenances and the end of this broken and apprehensive prison system.

Let’s follow the educational, informational, cultural TVs and debates. We will get several names and addresses, the family can also help us to send letters with explanatory texts, our motives what we want to count conscious, and only follow this hornbook as a base, from this the creativity is infinite, but following a line of messages Positive results.

Let our letters be spread by visits and by society, we can also write to various personalities, artists, writers, journalists, players, doctors, sociologists, psychologists, businessmen, colleges, schools, international agencies, consulates, embassies of democratic countries, but All this will be done with democratic determinations and awareness of our needs and for our messages and letters to be accepted, and understood.

We have to send letters telling examples to get space on the radios, and on the television stations. Each of the possible bodies, OAB, pastoral prison, UN, human rights, and the summit that belongs to the “MV Bill.”
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We will have a great chance to change this story.

The unions of penitentiary agents, employees in commerce, services, and industries may also be aware of our struggle, which is not against society but against the system that oppresses them as much as oppresses ourselves.

Our family should behave with consistency and personality, can not tarnish our image while having to expose itself to the maximum, every day and everywhere. Our place is not in the hidden shadows of society, but next to it.

All means of communication should be used: text by manifest, written banners, social networks, but never forget that the messages have to be educational, showing what the book is teaching we have to show society the problems we live

PLANTING A NEW FUTURE

Following this informative and educational letter, we will reflect and analyze what we have achieved through this struggle, and if we unite in this purpose we will have good results, in the written and magazines journals as an awareness of a humanized system, and that respect our rights as prisoners, Giving us the opportunity for human growth, we will have a beautiful and deserved history, because with these renovations and changes, we can consciously choose other paths for our lives and we will be happy together with our families, after the conquest of the humanized system continues the struggle for citizenship .

Analyze and reflect on these two small words: PERSIST and RESIST.

In them lies the greatness of our struggle and the importance of winning, even if they are sacrifices, to resist and fight with courage, loyalty and determination, union and conscience.

That from this new era, seek more knowledge and learning, understanding to understand our problems, mainly to overcome them, fighting everyone equally consciously and responsibly.

DARING, FIGHTING AND WINNING. Awareness raising marriage and family.

Together we will win. – prison population of the country.
FIRST COMMAND OF THE CAPITAL – PCC 15.3.3.

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