Quem matou Cabelo Duro e o que vai acontecer?

A história não é dividida, ela uma constante.

A Queda da Bastilha, a Proclamação da Independência, o fim do Regime Militar, o massacre do Carandiru e o assassinato de Jorge Rafaat Toumani, foram apenas momentos onde a tensão atingiu seu ponto de ruptura, marcando o ponto onde uma força, que aos poucos crescia passou assumiu uma posição.

Com a facção Primeiro Comando da Capital não poderia ser diferente, e para quem estuda a história da facção o momento é de muita atenção, se não tensão.

Enquanto pessoas que não tem a mínima condições de entender o que está acontecendo postam “kkk um a menos”, a história está tomando um outro rumo, e ninguém pode com certeza para qual direção seguirá.

Pessoas morrerão nos próximos anos por que Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue e Fabiano Alves de Souza, o Paca, morram, por outro lado, outras que morreriam vão ser poupadas.

Não fique certo que você ou alguém que você conheça talvez não viva ou morra por isso, pois todos nós estamos no mundo sob a influência do que aconteceu durante a Queda da Bastilha, da Proclamação da Independência, do fim do Regime Militar, do Massacre do Carandiru e do assassinato de Jorge Raffat Roumani.

Alguns apenas não tem consciência disso, mas esses fatos históricos ditam querendo ou não o dia a dia de todos os brasileiros e influência parte das decisões política e de segurança pública de vários países latino-americanos.

Apenas mudanças de logística e comando.

A morte de Gegê do Mangue, a princípio trouxe a todos a certeza que havia sido uma decisão dentro da organização criminosa, apenas mais um acerto de lideranças entre os lobos, mas que a alcateia seguiria o mesmo caminho.

Mas “um coisa” talvez tenha mostrado que há algo mais.

“Coisa” é o nome dado a quem não tem moral dentro da organização. São os excluídos, os pederastas, talaricos, policiais presos, enfim, tudo que não presta. Nos presídios, os “coisas” não ficam junto com os presos, é assim em todo o sistema paulista, inclusive em Venceslau, e em geral são eles quem fazem a faxina.

“O bilhete, apreendido no domingo (18), está sob análise do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), órgão do MP (Ministério Público). Ele foi encontrado na subportaria da Penitenciária 2 de Presidente Vencenceslau, a 600 km da capital paulista, na hora da limpeza.”

Quanto podemos confiar que no que diz o bilhete?

Não se perdem bilhetes como esse, ele foi entregue por alguém por alguma razão, ou pelo menos deixou para que fosse encontrado pelo “coisa“. Claro que isso é apenas especulação que entre quem não tem o que fazer enquanto espera os dias passarem, e que em Venceslau, hoje sejam funcionários públicos concursados que peguem no cabo da vassoura e varram o chão sob uma câmara de vigilância, mas… eu acho que não.

O bilhete segue as normas da facção, o que dá credibilidade:

O irmão Cabelo Duro é Wagner Ferreira da Silva, liderança do PCC no litoral paulista, e foi morto poucos dias depois da divulgação do bilhete em frente ao Hotel Blue Tree Towers em São Paulo.

A polícia trabalha com a hipótese de que Cabelo Duro tenha sido morto por aliados de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e de Fabiano Alves de Souza, o Paca.

Se confirmada essa hipótese, talvez estejamos assistindo um daqueles momentos da história onde a tensão atingi seu ponto de ruptura, marcando o ponto onde uma força, que aos poucos crescia passou assumiu uma posição.

Se de fato a morte de Cabelo Duro foi armada contra a vontade da liderança que se consolidou no comando do Primeiro Comando da Capital, mesmo após a morte de Gegê e Paca, existe a possibilidade de que parte da facção esteja disposta ao confronto ou a troca de camisa.

Algo assim pode chegar as ruas trazendo violência e mortes nas biqueiras, entre a população das comunidades, e policiais. Até o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Mágino Barbosa, veio a público para falar sobre essa possibilidade.

Mágino Barbosa tem acertado todas quando fala sobre a facção, e afirma que…

Essa declaração reforça a hipótese de que Cabelo Duro tenha sido morto a mando da liderança por ter vazado a informação de que ele próprio a mando do seu padrinho Marcola teriam executado o Gegê e Paca. O repórter Luiz Adorno jura que não vai contar qual foi o promotor de justiça que lhe garantiu que:

“Cabelo Duro estava dentro do helicóptero. Isso já foi identificado, assim como as outras pessoas que estavam na aeronave. O que é investigado agora é se a morte de Cabelo Duro foi uma queima de arquivo determinada pela cúpula do PCC ou se foi uma retaliação de criminosos ligados a Gegê.”

Karina Biondi, talvez um dia escreva algumas linhas em uma nova edição de seu livro, ou talvez abra um novo capítulo, descrevendo que a morte de Gegê transformou a facção em algo totalmente diferente da que conhecemos hoje… … assim como aconteceu no passado, com a morte de Jorge Raffat Roumani e a transformação, do dia para a noite do Comando Vermelho (CV) de fiel aliado para inimigo mortal. Enquanto esperamos para saber o que será, acompanhamos a investigação sobre o caso Gegê, que parece ser prioridade para as secretarias de segurança pública, já tendo sido decretada a prisão preventiva de cinco suspeitos do assassinato: Francisco Cavalcante Cidro Filho, José Cavalcante Cidro, Samara Pinheiro de Carvalho, Magna Ene de Freitas e Felipe Ramos Morais. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

A Terceira Geração da facção PCC 1533

Não há quem acredite em outra hipótese para a morte de Gegê do Mangue que não a de uma disputa dentro da estrutura do Primeiro Comando da Capital, a facção PCC 1533. Há divergência quanto as razões, mas não quanto aos possíveis mandantes.

O que representa essa morte para futuro político da facção?

O texto a seguir já estava pronto antes do assassinato, trata em resumo da tendência do Primeiro Comando de se infiltrar discretamente e utilizando contatos pessoais na estrutura política, administrativa e social — com a retirada de Gegê do tabuleiro, essa tendência da facção paulista ficaria fortalecida, se contrapondo as ações de guerrilha.

Essa é a chamada Terceira Geração do PCC

Artemiy Semenovskiy, Luis Carlos Valois, Geraldo Alckmin e eu temos ligações com o PCC — pelo menos é o que aqueles policiais comentavam nos grupos de WhatsApp e Facebook; no entanto a diferença entre nós e eles é que nós continuamos em liberdade, e eles, agora, estão presos.

Diorgeres de Assis Victorio foi a primeira pessoa que tenho conhecimento de ter dado destaque ao termo Terceira Geração do PCC, em 24 de janeiro de 2018, no artigo PCC: Terceira Geração, no site Ciências Criminais. No dia seguinte, no site Small Wars Journal, os pesquisadores John P. Sullivan, José de Arimatéia da Cruz e Robert Bunker publicaram a matéria Third Generation Gangs Strategic Note No. 9.

Falta um elo entre ambas as publicações.

O texto do Ciências Criminais apresenta a mudança que se deu com a elaboração do chamado Terceiro Estatuto do PCC para uma nova realidade, menos confrontante e mais voltada ao lucro, à estruturação organizacional e às relações com a comunidade. Já o texto do Small Wars Journal atenta para a estratégia de infiltração na política e na estrutura social adotada pela facção paulista. A ligação entre os dois trabalhos é a Cartilha do PCC — documento chave da organização, que instiga seus membros e suas famílias a estudar e buscar apoio da sociedade para as justas reivindicações da facção:

Aposte e acredite no aperfeiçoamento e na conscientização para diminuir as perdas nas lutas, para vencer procurem estudar, procurem conhecimento e principalmente procurem aprender essa nova mudança, essa nova era.
Os políticos que promovem candidaturas baseando seu discurso no combate ao crime e só constroem presídios como depósitos de homens, mentindo para a sociedade, dizendo que estão acabando com a criminalidade e resolvendo o problema de superlotação. Mentem descaradamente: os governos dos estados, as secretarias de segurança pública, as administrações penitenciárias, os serviços de inteligência da polícia e da promotoria pública, o Denarc e o GAECO.
Acompanhem as trocas dos cargos políticos: quem são são essas autoridades, governos, secretários de segurança, administração penitenciário. Fiquem sempre atentos a política deles pois são essas pessoas as diretamente responsáveis pelo sistema penitenciário. Exponham nossas dificuldades e com isso conquistaremos nossos direitos como presos usando as mesmas armas que eles usam contra nós.
A propaganda, a divulgação, a mídia vamos maciçamente nos expressar à sociedade, mostrar esse lado esquecido, em cenário de tantas injustiças e violência.

Artemiy Semenovskiy, um russo que certa vez esteve preso em COMPAJ, ninho do Comando Vermelho (CV), lembrou-me que o juiz Dr. Luis Carlos Valois, que negociou com o FDN e CV o fim das matanças nos presídios de Manaus e hoje é ameaçado de morte pelo PCC, o governador Geraldo Alckmin, que bateu todos os recordes de prisão de PCCs, mas que a oposição lhe atribui um acordo com a facção, e eu estamos no mesmo barco…

… nós temos ligações com o Primeiro Comando da Capital.

Já alguns daqueles policiais que comentavam nos grupos de WhatsApp e Facebook sobre nós estão presos por corrupção e envolvimento com a facção criminosa. Como isso se deu?

Nós e nossas verdades vivemos em um mundo imaginário.

Para entender o mundo todos nós analisamos os fatos que nos chegam utilizando nosso raciocínio, mas ele não consegue dar significado às conclusões; para isso utilizamos uma outra ferramenta que temos: a imaginação — não vou me alongar nesse ponto, em caso de dúvidas procure Gilbert Durand.

A leitura do artigo do Small Wars Journal reflete a realidade do envolvimento do crime organizado na política como é apresentado em todas as culturas: filmes como o brasileiro Tropa de Elite II, os indianos Raees e Kabali, o francês Marseille, o russo Ladrões na Lei [Воры в законе (фильм)], e séries de TV como a Brigada (Бригада).

No entanto, aqueles policiais que foram presos enquanto nós outros ficamos em liberdade não se conformam, afinal, eles não tinham envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, e, sim, nós — pelo menos dentro do imaginário que nossa sociedade criou através de suas produções cinematográficas.

A vida é diferente do que nos mostra o cinema.

Em verdade, a facção Primeiro Comando da Capital não organiza ações políticas como são mostradas no cinema e no artigo citado. Não existe um poder controlador supremo que articula as candidaturas: pela própria natureza e estrutura da organização o envolvimento com a política se dá de outra forma, muito mais celular, muito mais pessoal…

… o jornalista Renato Oliveira do site Verbo Online que o diga!

Os policiais foram presos por aceitarem uns trocos de conhecidos para passarem informações ou pegarem dinheiro de garotos ou de gerentes de biqueira. Eles jamais imaginariam (pois não faz parte do imaginário popular sobre o envolvimento com uma organização criminosa) que seus nomes seriam lançados na contabilidade da facção — o mesmo se dá com alguns políticos, mas isso rende outro artigo.

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A guerra não chegou a São Paulo, mas as armas sim

Tem muita gente que é a favor de que as “pessoas de bem” se armem para se defenderem, afinal não se pode mais confiar na polícia para sua proteção.

Eu só não entendo quando um policial defende essa tese, é como assinar um atestado que não tem condições de fazer seu trabalho e quer que cada um cuide de seu próprio traseiro – além de ser um tiro no pé para quem faz bico (bravo).

No mundo do crime não é diferente, durante muito tempo os moleques e gerentes das biqueiras confiaram sua segurança a proteção da facção e de seus disciplinas, depois da ameaça de ataque (e alguns sofreram na pele) dentro do estado de São Paulo, o clima de insegurança chegou até as quebradas.

“A guerra entre as facções fez com que até as biqueiras se armassem em São Paulo”, afirmou o delegado Ruy Ferraz Fontes

A molecada que antes trabalhava desarmada começou a andar trepada. Agora a polícia paulista começa a sentir o efeito. Sempre que chegava em uma biqueira não encontrava resistência, agora já não é bem assim, pelo menos é o que conta Marcelo Godoy na reportagem:

Até pequenos traficantes já buscam armamentos

Lembrando, que ao contrário dos polícias que defendem que a população ande armada, a facção não retirou o salve para , moleque ficar mostrando arma para a população, e se tiver morte não autorizada…

“Em São Paulo, … há um oligopólio oferecendo proteção às biqueiras: o PCC.” Michel Misse professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em Segurança Pública.

Só para lembrar a fita de como era antes do PCC resolver o caso das armas em São Paulo…

Naquele tempo a situação era outra, não tinha disciplina. Era tudo na faca, na bala. Cobravam água, luz, tudo dos moradores. E ai de quem reclamar! Não tinha respeito. Qualquer fita já chegavam intimidando, dando tapa na cara, mostrando arma. Hoje ninguém mais anda armado, a não ser quando precisa, mas é raro. Porque tudo hoje se resolve na ideia. E o morador fica mais tranquilo também, porque ele sabe que nóis tem uma ética e não vai expulsar ele do barraco sem mais nem menos. Porque nóis age pelo certo.  (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Como se faz para sair do PCC?

Se tá de sacanagem né, você acha que o Primeiro Comando da Capital é putaria? Entra quando quer, sai a hora que quer, de boa? Não é bem assim não, se virou crente e quer tirar a camisa, ou tem alguma coisa com tua família…

Vou falar pra você, essas são as perguntas que mais aparecem por aqui, e eu falo para procurar o sintonia e trocar ideia, é assim que se faz.

Mas por que não escrevi sobre isso antes? Por que eu fico na minha, só que agora fui cobrado, alguém leu no site do Terra que é putaria e acharam que fui eu:

Quando sair, tem que rasgar a camisa e ficar de boa”, diz um homem por telefone, após ser retrucado por uma mulher investigada: “Não tem que rasgar a camisa, não; tem que arrancar a cabeça dele”

Meu, quem falou essa idiotice foi o site Terra que começa mais ou menos assim:

“Pela primeira vez desde que surgiu nas prisões paulistas, no início da década de 1990, a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) permite que seus integrantes deixem a facção sem sofrer retaliações. A informação consta em um salve – carta endereçada a seus participantes -, apreendida em uma penitenciária no interior do Estado.”

A reportagem é boa, fala muita coisa certa e outras que já não valem mais, diz por exemplo que a facção “decretou perseguição aos homossexuais“, pare, é verdade que a facção não aceita gay como irmão, mas não tem perseguição não.

O cara que quiser seguir esse caminho e viver a sua vida, desde que: tenha respeito dentro do sistema sem ficar se insinuando ou praticando o que não deve, ou faltando com respeito na hora das visitas, ou nas ruas denegrindo o nome da facção.

Então não tem isso que falou na reportagem não.

O que é verdade é só que tem que chegar no sintonia, aí ele vai consultar quem tem que consultar e vai te dizer se pode ou não seguir sua caminhada tranquila, e também é verdade que se ele deixar sair não tem volta não. Já era, no PCC e no mundo do crime.

Se pensa em sair da facção e continuar nos corres, esquece, vai ser chamado para conversar, primeiro de boa, depois nem tanto. É assim que funciona, e se triscar do lado errado da vida errada, a conversa é de alto nível, é assim que funciona.

Mas pensa bem antes de procurar o sintonia, por que ele não vai esquecer que você foi falar com ele, e se depois você resolver sair pela porta dos fundos, a pilantragem vai ser cobrada.

Tem alguns irmãos que resolveram sair pela porta dos fundos, vou te explicar como se faz isso, mas cada um sabe o que pode acontecer se der errado.

Para sair só tem dois jeitos, ou o sintonia libera ou se é expulso.

Tem ladrão que entra no PCC para usar a máquina, os contatos, aí ganha dinheiro e quer sair, como sabe que o sintonia não vai liberar, o irmão passa a contrair dívidas com aliados e companheiros, daí não paga, foge da responsabilidade, deixa de atender os chamados dos outros irmãos, ou dar explicação para o disciplina.

O prejudicado, mesmo não sendo irmão, pede para o disciplina ou para o sintonia providência, e como o cara não responde os contatos é excluído. Tem outras formas de ser excluído sem que haja uma cobrança muito rígida em cima do irmão, e é esse caminho que muitos tem feito.

Virei crente e quero sair da camisa.

Não é bem por aí, a facção aceita que alguém que virou evangélico deixe de boa depois de acertar suas contas, mas sabe que nunca mais vai poder entrar na vida do crime, de nem um jeito, se Deus vai cuidar da alma do cara, o PCC vai cuidar que ele não se desvie ou poderá seguir mais cedo para o seio de Abraão.

Meu filho nasceu e quero sair da facção.

Aqui é Crime Organizado, é o respeito no mundo do crime, se vestiu a camisa tem que honrar, a família de quem entra na Família 1533 é a família 1533, tua família de sangue tem todo o respeito, mas quem sustenta ela é o crime, então pensa bem antes de sair, pois quem vai sustentar ela se você morrer ou ficar sem emprego?

Tudo passa pelo sintonia

Eu nem ia escrever aqui sobre isso, mas como a matéria do Terra está dando ideia errada eu vim esclarecer, essa não é a voz da facção, se quer ouvir o que ela diz vai perguntar para o Marcola, eu só falo o que está aí e todo mundo sabe.

Tem muito moleque que quer entrar no crime, sai fora, o crime é um lixo, todo ladrão sonha em sair do crime mesmo quando está em liberdade, sonha em ter uma vida normal, chegando em casa e vendo seus filhos crescerem, e quando estão dentro das muralhas é só sofrimento.

Nem entra, pois o mundo do crime não tem volta, taí disse, agora vou deixar para outro cara terminar, alguém que você deve conhecer e tem que respeitar, por que ele sabe do que fala e só fala a verdade:

Tô cansado dessa porra
de toda essa bobagem
Alcoolismo,vingança treta malandragem
Mãe angustiada filho problemático
Famílias destruídas
fins de semana trágicos
O sistema quer isso
a molecada tem que aprender
Fim de semana no Parque

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UPA Morada do Ouro — quem causou: PCC ou CV?

Estou acompanhando o debate entre as reportagens que apontam de um lado a possibilidade de que o culpado pelo sangue dos inocentes escorrido no chão do UPA Morada do Sol em Cuiabá sejam membros das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) ou Comando Vermelho (CV).

Se por um lado o PCC teria razão para resgatar um líder da facção, por outro o CV tinha motivos para matá-lo, portanto, qualquer um dos dois poderia ser o responsável pelo bebê, a enfermeira, o agente penitenciário, e por todos que foram baleados na unidade de saúde.

A Polícia Militar pegou um garoto que havia assaltado uma residência, e como ele havia nascido na mesma cidade que o PCC José Edmilson Bezerra Filho e o entregou na delegacia todo arrebentado, os policiais acreditaram que ele estaria envolvido com o caso.

A repórter Celly Silva da Gazeta Digital explica que o buraco é mais embaixo.

Link para o artigo “Bloqueador de sinal de R$ 2,5 milhões não funciona e CGE investiga”

Quem causou o derramamento de sangue foram aqueles que sumiram com os dois milhões e meio de reais que deveriam estar impedindo a comunicação dos presos, seja do PCC ou do CV com seus comparsas do lado de fora do presídio, e que esse dinheiro que já foi pago no ano passado virou pó, pelo menos até o momento.

A repórter até que tentou contato com a empresa responsável pela instalação, mas os caras vazaram, agora seria a hora de mandar a equipe que conduziu o garoto que nasceu na mesma cidade que José Edmilson Bezerra Filho até o escritório da empresa para levarem os responsáveis, para a delegacia, afinal está nas mãos deles o sangue dos inocentes…

… mas não é assim que as coisas funcionam no Brasil, razões técnicas farão que esse dinheiro venha um dia a sumir dentro de um túnel insondável. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

O PCC ameaça a estabilidade latino-americana?

Talvez você se imagine como uma pessoa inteligente e pense que é difícil alguém enganar você. Bem, se você for assim, bem vindo ao clube: eu também tinha muitas “certezas” até ler o artigo do analista em economia, política e segurança latino-americana Robert Evan Ellis, La stratégie des États-Unis pour l’Amérique latine et les Caraïbes.

Apesar de não ser um trabalho que chame a atenção por sua qualidade, profundidade ou conteúdo, ele fez com que eu questionasse minhas certezas.

Robert me quebrou logo de cara, pois começa dizendo que o Donald Trump não tem nenhum fundamento em ver ameaça aos Estados Unidos vinda da América Latina. Então, eu deduzi, que o texto seguiria nesse caminho, mas… Ledo engano (e esse foi apenas meu primeiro e menor engano).

O analista, no decorrer de seu trabalho, derrubou minha crença em um mundo no qual a Guerra Fria foi substituída por outro pós-história (Fukuyama), quando apontou para uma melhora na segurança no Cone Sul com Temer na presidência do Brasil, se contrapondo ao governo boliviano de Morales, que estaria recebendo armas e recursos da China e da URSS (ops… Da Rússia).

O trabalho de Robert também apontou que eu estava errado ao acreditar que o Primeiro Comando da Capital tinha uma matiz diferente das Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), do Exército de Libertação Nacional (ELN), e do Sendero Luminoso. Há, segundo Robert, uma característica que une essas organizações criminosas que também está presente no PCC 1533:

“Cometem ataques em nome de objetivos políticos” – no caso da organização paulista, é a luta pelo fim da opressão carcerária e desigualdade social.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A última certeza que Robert derrubou foi a mais intrigante e preocupante, pois eu nunca levei em consideração que a democracia e a segurança de toda América poderiam estar em risco por causa do Primeiro Comando da Capital, mas pesquisador aponta para as semelhanças entre o que está acontecendo aqui e o que acontecia no oriente antes da Primavera Árabe:

“Não foi devido a conflitos internos, mas como na América Latina, as tensões sócio-econômicas alimentadas pela dinâmica da globalização, instituições fracas e passivas que se mostraram incapazes de gerenciar a crise. […] escondem a mesma capacidade explosiva, podendo pôr em risco a segurança nacional dos Estados Unidos.” (tradução e negrito meus)

Ellis diz ter chegado a essa conclusão devido à incapacidade dos governos de vencerem o crime organizado e à rápida transmissão dos efeitos pelo mundo por uma possível perda de controle sobre o criminalidade, pois, assim como aconteceu na Primavera Árabe, o caos se espalharia rapidamente para os países vizinhos até invadir as fronteiras americanas.

Ainda batendo na tecla desse cenário de Guerra Fria em um mundo globalizado, o analista adverte que o crime organizado aumentou a vulnerabilidade , como na época da Guerra Fria, levando à instabilidade das políticas conservadoras e ao avanço das populistas. Ele não cita nomes, mas no ano que vem tem eleições por aqui.

Talvez você imagine que é uma pessoa inteligente, que é difícil alguém enganá-lo. Bem, se você for assim, Robert vai provar que você, assim como eu, está errado. Aposto que você acreditou quando alguém na escola lhe ensinou que o Macartismo tinha morrido na metade do século passado. Só que não. O analista, no mais puro estilo Macartista, declara:

“Conscientes das percepções do poder e da autoridade moral dos Estados Unidos no mundo, o país deve atuar para o estabelecimento de instituições regionais fortes para o rígido cumprimento das leis do Estado de Direito, para atingir a maioria dos seus objetivos na região, incluindo a promoção da democracia e dos direitos humanos, o desenvolvimento e a justiça social ou para combater a influência maliciosa de certos atores estrangeiros. As instituições fracas são mais vulneráveis ​​à exploração de empresas estrangeiras e elites nacionais, bem como à deriva de líderes populistas…”

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Preço da cocaína no atacado para biqueira – 2021

Eu detestava números e sofria com eles até que o livro O Homem que Calculava caiu em minhas mãos, um office boy trabalhando no Edifício Winston Churchill, na Avenida Paulista em São Paulo. Malba Tahan mudou por um tempo a minha relação com os números.

Uma leitura viciante. Fiquei íntimo dos números e dos cálculos: bastava ver um prédio e rapidamente sabia quantas janelas ele tinha, assim como o número de rebites em um vagão do metrô ou o número aproximado de todos os rebites de todo o trem – aos meus olhos, tudo no mundo passou a ser mensurável.

Depois de um tempo, abandonei os números e os cálculos, mas agora eles voltaram para me assombrar. O professor Mariano Bartolomé, em seu trabalho La Criminalidad Organizada, un Severo Problema de Seguridad para el Hemisferio, demonstrou que os números e o poder do crime organizado superaram a minha capacidade de calcular e, talvez, até a de Beremiz Samir, o homem que calculava de Malba Tahan.

Eis alguns dados obtidos sobre o tráfico internacional de drogas a partir da pesquisa de Bartolomé:

A Cocaína, que é comprada por 1 dólar por quilo na produção, é oferecida já dentro do território brasileiro próximo a Bolívia por 8.500 dólares, chega a granel na capital paulista por 12.000 dólares e é distribuído no atacado por 18.000 dólares e revendido para os donos das bocas entre 25.000 e 30.000. A cocaína chega no sul dos EUA por 15.000 dólares e nas capitais europeias por até 70.000 dólares, mas a Bartomé não esclarece se esse é o preço a granel ou entregue para o comerciante final, mas o Ministério Público de São Paulo afirma que o valor na Europa e África chega à 80.000 US$.

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Se a matemática dos preços é espantosa, as quantidades produzidas pelas organizações são ainda mais surpreendentes: pelos números divulgados pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (ONODC), podemos crer que hoje são produzidos anualmente mais de 1.000 toneladas de cocaína, oriundas de mais de 300 mil hectares de cultivo ilegal de coca.
Com essa matemática, as organizações criminosas, entre elas o Primeiro Comando da Capital, movimentam US$ 2 bilhões anuais, isto é, 3,5% de tudo que foi produzido no mundo, incluindo os bens e serviços – dados da ONODC; pior: enquanto o PIB mundial cresce 2,7%, a área de cultivo da coca aumenta entre 10% e 38% e a produção de cocaína a estratosféricos 50%.

E as drogas são apenas uma das diversas operações das facções criminosas. Segundo o relatório da Global Financial Integrity (GFI) apresentado em Davos, no Fórum Econômico Mundial (FEM), as operações econômicas ilegais geram mais de 1 trilhão de dólares, sendo 320 bilhões com as drogas ilegais, 250 bilhões com falsificação e contrabando, 31,5 bilhões com o tráfico de pessoas, e os outros 40% dividido nas outras atividades menores.

Abandonei os números, mas eles não me abandonaram e agora voltam para me assombrar. Graças ao professor Mariano Bartolomé, passo a desconfiar que Malba Tahan estivesse errado: nem tudo no mundo pode ser mensurado.

O garoto do Bonde dos 13 (B13) e o SISFRON/ENAFRON

Alguém se lembra do esperanto? Sei que quando eu era moleque, cheguei a me inscrever em um curso dessa desconhecida língua, em uma suja e secundária rua do bairro da Lapa e, para minha surpresa, dando uma olhada no Google Street View, vi que a escola ainda está lá, e a rua está ainda mais suja e secundária.

A ideia por trás do esperanto é fazer com que as pessoas de todo o mundo fiquem mais próximas umas das outras, “acabando com conflitos e criando um sentimento compartilhado de humanidade que garantiria a paz”. Legal, né? Mas não funcionou, assim como não funcionaram o Plano Estratégico Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (ENAFRON) e o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) para combater os crimes transnacionais.

Bem, o ENAFRON e o SISFRON são programas que integram nossas forças de segurança às dos países vizinhos, e já funcionam há mais de uma década, “só que não” – essa semana, o PCC arrebentou nos noticiários de nossos vizinhos sul-americanos com ações de sucesso e alguns fracassos.

Pela enésima vez, o Ministro do Governo boliviano Carlos Romero Bonifaz tentou se entender com as autoridades brasileiras:

“Hemos insistido mucho en tener oficiales de alta graduación de la Policía Federal de Brasil y se aceptó la designación para una lucha conjunta contra el crimen”. 

Não quero falar nada, não, mas a coisa, provavelmente, não sairá do papel. Quem, de fato, combate o crime organizado das facções criminosas no Brasil não é a Polícia Federal ou as Forças Armadas, mas, sim, a Polícia Militar e a Promotoria de Justiça por meio de seu braço investigativo: a Polícia Civil. São os estados, não a União, que combatem, de verdade, as facções. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Enquanto a alta cúpula civil, militar e policial reuniam-se com Romero, assim como foi feito no passado com o Rei Luiz XVI, o Primeiro Comando da Capital infiltrou-se , utilizando-se de pessoas simples, nas ruas sujas e escuras, assim como os revolucionários franceses fizeram no passado.
Na pequena cidade de Cobija, um dos líderes pego pelas autoridades sequer era do Primeiro Comando da Capital, mas do Bonde dos 13 (B13), facção aliada do estado do Acre. Os garotos estão dominando as ruas, enquanto a cúpula, há décadas, se reúne.

A ideia por trás do esperanto, assim como a sede na rua da Lapa e o sonho da União por uma polícia de fronteira efetiva continuam aí, mas os governos caem antes de alcançar seus objetivos, afinal, são divididos, loucos para provarem que suas perucas são mais importantes que as dos outros.

Polícia Federal, Forças Armadas, Polícia Civil, Policiais Militares, Guardas Civis, Polícias Rodoviárias, Ministério Público (isso só dentro do Brasil)… enquanto isso, Jorge Pisco da Silva, o rapaz do Bonde dos 13, invade a Bolívia com ou sem o SISFRON/ENAFRON.

“Cada governo deve adotar uma política de cooperação bilateral e multilateral sincera e profunda, isso é crucial para alcançar os resultados desejados.” – Mariano Bartolomé, Profesor Titular, Licenciatura en Relaciones Internacionales en Universidad Austral, Argentina.

O lado bom é que a Bolívia ainda é um dos países com as menores taxas de insegurança cidadã na América Latina, de acordo com dados estatísticas das Nações Unidas, como lembrou o Secretário Romero. Agora, se ele não conseguir resultados rápidos o lado bom mudará de lado.

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Os garotos do PCC são tão bons quanto pensam ser?

“…Infectado por um complexo de superioridade insalubre. […] Antes de continuar a prosar sobre esse “nobilíssimo” povo, muito gostaria eu de saber em que é que ele nos beneficiou até hoje. Naturalmente que muitos irão objectar sobre que bicho me mordeu para começar desta maneira tão contundente e sarcástica.”

Assim começa António Figueiredo e Silva sua crônica O egocentrismo de um povo, e da mesma forma que quero começar este texto.

Na crônica, Figueiredo e Silva se refere aos ingleses, mas o conteúdo, palavra por palavra, serve também para os integrantes do Primeiro Comando da Capital, que são, sim, um povo, pois vivem sob leis, regras, costumes e linguagem própria.

Agora, esses seriam motivos para que eles se achem superiores?

Segurança Internacional e Defesa da Universidade Nacional de Lanús (UNLA), Mariano Bartolomé, dá uma ideia da resposta:

“Os protagonistas do crime organizado forjam organizações complexas e disciplinadas, extremamente eficientes e com impressionantes recursos econômicos, com estruturas sólidas e ao mesmo tempo altamente adaptáveis às mudanças. E estas entidades constituem nós de uma rede de alcance planetário com múltiplas ramificações. […] exibem uma alta capacidade de adaptação e diversificação horizontal, gerando um duplo efeito: por um lado, tem acesso rapidamente a muito dinheiro; e por outro, se colocam sempre um passo adiante dos esforços do governo pelo qual são combatidos.” (tradução minha)

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Bartolomé não está se referindo especificamente aos membros do PCC, pois adverte, logo no início de seu artigo – La Criminalidad Organizada, un Severo Problema de Seguridad para el Hemisferio, para a Revista del Colegio Interamericano de Defensa –, que as regras servem, basicamente, para todas as organizações que se inter-relacionam pontualmente.

No entanto, o pesquisador acaba citando o Primeiro Comando, apenas uma vez, para ressaltar que não temos ideia do que poderá acontecer no futuro com a incorporação da cultura guerrilheira, trazida para dentro da facção paulista pelos membros incorporados nos últimos anos da antiga FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Assim como o mais humilde súdito de Sua Majestade Elizabeth II sente como sendo seu todo o poder do Império Britânico, os vaporzinhos, que vendem baseado na esquina, também se orgulham de ser do PCC e sentem, como se fosse deles, todo o poder da facção criminosa. Bem, só que não.

Esse sentimento compartilhado por ingleses e PCCs nada mais é que o conceito de nação, de povo, que nós brasileiros deixamos de ter; o orgulho de pertencer a algo maior: patriotismo. Eles estão errados, não são tudo que pensam. Bem, só que não!

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Vídeo PCC Crianças Raptadas para Retirada de Órgãos

Tem circulado pelo Youtube e outros meios um vídeo onde o narrador afirma que as crianças estão sendo raptadas pelo Primeiro Comando da Capital. Ora, todos conhecem a atuação do PCC 1533 e sabem que não é essa a praia da facção criminosa paulista, quem repassa só pode estar chamando de idiota quem assiste.

Há algum tempo, quando trombava com esse vídeo comentava colocando o link da Polícia Civil de um estado do Sul que investigou o caso e comprovou a fraude, mas hoje perdi a paciência e simplesmente ignoro.

Agora o Primeiro Comando se pronuncia oficialmente sobre o assunto:

Comunicado do Primeiro Comando da Capital para todos os estados e países data 12/8/2017

Comunicamos mui respeitosamente a toda população do Brasil e dos países vizinhos aonde nos encontramos, seja quaisquer que forem suas etnias, religiões e cor…

Mencionar a todos que surgiu uma grande e insatisfatória acusação apontada para nossa Família PCC 1533 – Primeiro Comando da Capital, dizendo assuntos que não estão coadunados com a mais cristalina e hialina verdade, aonde uma pessoa não identificada por nós ainda, vem dizendo em videos e áudios que o Primeiro Comando esta roubando criancinhas para extrações de órgãos humanos, isso nos trouxe muita indignação.

Estamos aqui para dizer a todo o país e aonde quer que este alcance, que o Primeiro Comando não comete atrocidades como essa – isso é impossível que esteja sendo feito por quaisquer que seja integrante ou companheiro(a) do Primeiro Comando.
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Gostaríamos de mencionar aqui o que é o primeiro comando da capital:

Combatemos quaisquer tipo de injustiças e opressões dentro e fora das unidades prisionais aonde nos encontramos; somos seguidores de um comportamento bem diferente que muitos da sociedade imaginam; somos a paz dentro de um sistema carcerário que muitos governadores usão como deposito humano; procuramos sempre por mais pequena ou grande que seja a situação sermos flexíveis a tal ponto visando o elemento mais importante da face da terra e do mundo que se chama vida; e valorizamos nossas crianças com muito amor e carinho seja elas qual forem.

O Primeiro Comando da Capital não admite tais ações contra crianças, somos protetores e vale mencionar que existe um salve estipulado por nós que deixa claro que se chegar ao nosso conhecimento seja qual for a situação que envolve uma criança: maus tratos, abusos, judiações, ou até mesmo a vida – iremos cobrar o envolvido ou autor dentro de nossa disciplina.

O Brasil e todos os países que estamos sabem quem somos, lutamos contra essas situações cometidas por almas sebosas, nunca aceitaremos situações como essas, deixamos bem claro aqui mediante esse comunicado que esse tipo de atitude nunca partira da nossa organização. Deixamos claro que esse acusador ainda será descoberto, pois não admitiremos calunias direcionadas a nossa organização, porque ao invés de nos acusar com insatisfatórias mentiras, deveriam nos aplaudirem por mantermos a paz e cuidarmos dos fracos e oprimidos e de nossas crianças.

Que a paz e luz divina habite em todos e que todos enxerguem a verdadeira realidade.

Atenciosamente: Resumo Disciplinar dos Estados

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A guerra no Rio Grande do Norte pode ser evitada?

Guerra entre a facção Primeiro Comando da Capital poderá ocorrer no Rio Grande do Norte, ou não. O mesmo sinal foi dado anteriormente no Acre sem que as autoridades tomassem providência, agora o alerta está sendo dado novamente no nordeste.

O descontrole tomou conta do estado, como comprova os números apresentados no vídeo e dezenas de policiais e agentes da segurança pública foram mortos apenas esse ano. A estratégia do governo no entanto não parece se alterar optando por manter o conflito e somar cadáveres.

Essa semana o Sistema Prisional pela primeira vez desde o Massacre de Alcaçuz permitiu a entrada de crianças no interior do presídio, no entanto essa medida acabou irritando parte da população carcerária ligada ao PCC que não tem tido seus direitos fundamentais respeitados.

Com isso, o governo potiguar estaria tentando quebrar a facção paulista através do sufocamento e a tortura de seus membros, essa acusação corre através de uma mensagem eletrônica pelas redes sociais, onde aparentemente uma mulher de um preso acusa o estado de estar desrespeitando os direitos mínimos dos encarcerados:

Alcaçuz Pavilhão 5 do Rio Grande do Norte pede socorro.

☯ Mais uma vez estamos pedindo a atenção da Família 1533 PCC e aliados, para alguns fatos que estão ocorrendo com nossos guerreiros e irmãos que se encontram no Pavilhão 5 de Alcaçuz no Rio Grande do Norte.

Já se passaram 6 meses após o conflito entre nós, o PCC, e os nossos inimigos do FDN. A situação para nós do Pavilhão 5 piorou a cada dia. Após o ocorrido, nossos guerreiros sofreram as piores torturas tanto físicas como psicológicas, guerreiros passando fome, sede, entre outros ocorridos.

Durante meses ficaram sem visitas de seus familiares. De lá para cá pouca coisa mudou, quando as cunhadas conseguem ver os seus maridos ou parentes, é de chocar, pois temos guerreiros doentes, sem tratamento, e nem remédios. Sem colchão, tendo que dormir todos no chão sujo onde vários estão com coceiras, em uma cela que cabe 8 tem 26 pessoas em situação desumana.

Relatos dos guerreiros que ficaram um mês sem banho de sol. Jumbo não entra, o que só pode entrar é pão e um refrigerante. Produtos de limpeza ou tudo que mandem não são entregues a eles.

As reportagens que mostram que estão fazendo melhorias são falsas pois (só tem melhoria coisas dos RNCU) pois para nós do PCC não foi feito nada.

Não temos visita íntima e nem podemos dar um abraço ou um beijo nos nossos maridos, pois os muralhas já chamam a atenção nossa.

Queremos nossos direitos que são violados a cada visita, torturas constantes, relatos chocantes dos guerreiros, amarram as mãos dos guerreiros do Pavilhão 5 para trás e batem com bastão em suas mãos.

O chefe de disciplina do 5 força os irmãos ao trabalho escravo, tem uma agente lá que joga chantilly com pimenta nos olhos dos guerreiros forçando assim eles a falar em voz alta (quem está aqui é a federal) então Direitos Humanos, pergunto, cadê vocês???

Porque se calam pois o que vemos são só melhorias para um lado e para o nosso lado sofrimento e dor. Para os Pavilhões 1, 2, e 3, foram liberadas até visitas das crianças, tudo uva, enquanto os guerreiros do PCC não vem os filhos à meses. Governo e direção do Rio Grande do Norte fecham os olhos para tudo que está ocorrendo em Alcaçuz no Pavilhão 5.

Pedimos a união de todos para nos ajudar a divulgar até chegar o mais longe possível, unidos somos uma só voz, um por todos e todos por um.

PJLIU

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Obra gratuita sobre o Sistema Carcerário e Penal

Já defini uma de minhas metas para o ano que vem: parar de ler.

Esse português vive me obrigando a citá-lo aqui e isso já está me enchendo. Esta semana, ele publicou na Folha uma crônica intitulada Quando foi que os nossos supermercados se transformaram em farmácias?

Nela, Coutinho afirma que comprar é coisa de classe média arrivista. Eu diria mais: é coisa de pobre mesmo. O chique é não comprar ou comprar aquilo que não se vê; o chique mesmo é não ficar ostentando, então decidi que vou andar mais a pé, deixando meu velho fusca parado no mecânico, pelo menos até o próximo pagamento.

Bem, mas não estou aqui para falar sobre ele ou sobre o que ele escreveu; quem quiser saber sobre o assunto, que vá lá e leia a crônica.

Hoje trago uma indicação de leitura para quem quer uma obra com informações sobre a história e os vários modelos de sistemas carcerários e penais, assim como as teorias que os regem, recheada de exemplos reais, além de um capítulo reservado exclusivamente para a análise do Primeiro Comando da Capital PCC 1533.

É pouco? Não. São quase 500 páginas bem redigidas, tudo colocado de maneira bem didática, mas não é algo para qualquer membro da classe média arrivista ou para qualquer pobre acessar. O conteúdo é destinado apenas às pessoas realmente chiques, pois é gratuito.
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La Función Resocializadora en la Fase de Ejecución de la Pena Privativa de Liberdad en el Derecho Brasileño: Una Relectura a Partir del Paradigma de la Ciudadanía, de Pedro Marcondes, é um trabalho acadêmico apresentado à Universidade de Salamanca, portanto, em espanhol, mas que pode complementar, com louvor, muitos livros comprados em português.

Agora, se alguém ainda quiser ostentar, lembro-lhes que sou parceiro da Amazon e disponho de algumas indicações de livros que podem ser comprados.

Em seu estudo, Pedro Marcondes analisa a fundo o sistema carcerário brasileiro e propõe a construção de um modelo de ressocialização penal aplicável ao ambiente democrático do Brasil. Evitando defender a implantação de um sistema utópico e se baseando em exemplos já aplicados na Espanha, o autor não deixa de reconhecer que o agressor, por ser uma pessoa perigosa, deve ser tratado por meio da coerção.

Mesmo entendendo que todos somos pecadores e que um mundo perfeito e justo não existe, Marcondes faz uma crítica aos críticos da ressocialização, ao mesmo tempo que não perdoa aqueles que querem eliminar as penas, substituindo-as por medidas reducionistas, muitas vezes sustentadas por uma visão de direitos humanos sem base na realidade.

O trabalho de Marcondes é bem abrangente, porém, não se aprofunda muito no que tange ao Primeiro Comando da Capital, apresentando conteúdo que, acredito, é de conhecimento de todos. O que estranhei no estudo foi o fato de o autor, que analisa o sistema brasileiro, e não exclusivamente o paulista, não ter sequer citado as dezenas de outras facções, exceto, de passagem, o Comando Vermelho CV. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Dados inéditos da mortandade dentro de presídios

Todos nós sabemos que essa turma vai passar, por isso não citarei nomes, pois eles vão mudar e esse texto ficará aí, parado, e não mais fará sentido. Sempre houve aquele que seria o salvador, que iria acabar com o crime por meio da força. Esse paladino se chamou, por muito tempo, Paulo Maluf. Qual será o nome daquele de seu tempo, leitor?

Ah! Por outro lado, também existe o defensor dos Direitos Humanos, que quer combater o crime utilizando técnicas e estratégias elaboradas, analisando as condições sociais e políticas do momento, esse paladino se chamou, por muito tempo, Paulo Evaristo Arns. Novamente pergunto: qual será o nome daquele de seu tempo, leitor?

É, de fato, uma discussão típica da sociedade infantilizada em que vivemos, na qual é normal acontecer brigas e mortes entre flamenguistas e fluminenses, ou palmeirenses e corinthianos. São garotos correndo desesperadamente atrás de suas pipas, assim como os facas-na-caveira “correm” contra os ativistas dos direitos humanos e vice-versa.

Cada lado querendo que o Estado assuma o controle moral da sociedade, exigindo um domínio rígido sobre o outro lado.

Integralistas exigem aumento de penas para os infratores da lei e liberdade para polícia e professores exercerem suas funções. Já os humanistas exigem aumento do controle das forças policiais, um ensino mais humano e penas alternativas e socioeducativas. Henry David Thoreau, há duzentos anos, já dizia que não devemos cobrar do Estado a nossa parte.

“O melhor governo é o que não governa. Quando os homens estiverem devidamente preparados, terão esse governo” – ou será que não precisarão mais dele?

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Bem, não estou aqui para trabalhar nem para um nem para outro lado, mas permitam-me entregar, a cada um desses, uma afiadíssima faca para atingir o outro, assim como conceder um tempo para que eles fiquem a sós em uma sala fechada e com a luz apagada.

Mais informações sobre esse tema podem ser lidas gratuitamente clicando no link do trabalho de Amanda Assis Ferreira e Roberto Barbosa de Moura, intitulado Mortos nos Cárceres de Alagoas entre 2012 e 2015: a dinâmica prisional e a função de morte no Biopoder.

Lá, a pesquisadora relata os desencontros e a falta de informações sobre o Sistema Carcerário, daqueles que estão lá administrando e trabalhando dentro do sistema, além de apresentar números sobre a mortandade em prisões brasileiras, obtidos com muito custo, muitos deles inéditos, até onde eu saiba.

Amanda apresenta, também, algumas pérolas, como o depoimento de um preso que explica o motivo de ter arrancado as orelhas, a língua e os dedos e, finalmente, matando outro interno com uma escova de dente:

“[…] por ter quebrado uma pia da cela em que moravam no dia anterior […], porque baforou fumaça de maconha no rosto da enfermeira e por constantemente se masturbar na cela.”

Bem, é nesse ambiente que Amanda, citando Graham Willis, destaca o que aconteceu quando o Primeiro Comando da Capital chegou, estabelecendo uma ordem forte do que pode ou não ser feito.

Ops… acho que citei um dos nomes que, antes, disse que não iria citar, mas não tem problema, os futuros leitores não saberão quem essa pessoa é ou o que ela pensou, pois terão os seus facas-na-caveira e seus humanistas com os quais se preocupar.
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O PCC faz segurança terceirizada em São Paulo

Outro dia, descobri que é possível assistir a filmes da Netflix que não são aqueles que os algoritmos escravizantes nos indicam; beleza, então resolvi escolher algum país diferente, para fugir do arroz com feijão cinematográfico, e optei pelos filmes indianos. Legal, assisti Kabali, Sarkar, Raees, entre outros; esses dois últimos me lembraram muito o Brasil, diferente “pero no mucho”.

Lá, e não aqui, existem gangues às quais a população mais pobre vai recorrer quando precisar que a justiça seja feita. É interessante ver que a estrutura geral de regras, costumes e brigas pelo domínio de áreas lá não é muito diferente daqui.

Em todos os filmes, o tráfico está, de certa forma, aliado aos políticos. Ainda bem que isso não acontece aqui, mas em Raees, que se passa na província de Gujarate, existe uma estrutura organizacional que gere os traficantes e, sendo assim, não existem, a princípio, mortes desnecessárias.

Bem, isso acontece lá na Índia, vamos voltar para nosso assunto aqui no Brasil…

O pesquisador Roberto Cordoville Efrem de Lima Filho, em seu trabalho MATA-MATA: reciprocidades constitutivas entre classe, gênero, sexualidade e território, afirma:

“[…] Na Paraíba, inexiste uma organização equiparável ao Primeiro Comando da Capital, o PCC, cujas estratégias de controle de conflitos e do mercado de drogas minimizam contundentemente os números de mortes nas periferias de São Paulo, como Gabriel Feltran demonstrou. […] Em 2002 e 2012, os números de homicídios em João Pessoa cresceram vertiginosamente.
[…]
Práticas de Estado não são excludentes do crime, não necessariamente se antagonizam ao crime. Pelo contrário, participam do crime, compõem a criminalização, negociam ou cumpliciam com o crime. Mais explicitamente em determinados contextos, como aqueles investigados por Gabriel Feltram, o crime produz governo, governo produz crime.”

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Depois de ler esse trecho final do trabalho de Lima Filho, acho que ele assistiu aos mesmos filmes que eu. Ah! Coloco aqui um gráfico que demonstra a queda do número de homicídios desde o início do período Alckmin. Ei!, isso não é uma afirmação minha, apenas é o que demonstra o gráfico.não sou nem deixo de ser estou mostrando o gráfico.

Dizem alguns que houve um acordo com o Primeiro Comando da Capital para diminuir o número de mortes no estado. Eu não sei se é verdade, mas no vídeo que coloquei no início deste texto é falado sobre a prisão de membros do PCC que executaram um rapaz, pois ele cometeu um assassinato mesmo sabendo que isso é proibido. Cada um que tire suas conclusões, mas o que sei é que Lima Filho tirou a seguinte::

“De acordo com Feltran, a substancial diminuição dos números de homicídios em São Paulo entre os anos de 2006 e 2011 resultou do estabelecimento de um único dispositivo de gestão da violência letal, produzido nas tensões entre políticas estatais e criminais – sendo essas última, sobretudo, as do Primeiro Comando da Capital. Os regimes de governo e crime – distintos e pretensamente autônomos, mas coexistentes – sofreram choques entre si bastante funcionais para ambos: ‘observa-se que deste conflito entre políticas do crime e políticas estatais produz-se uma espécie de ‘terceirização’ da segurança pública, na qual o governo segue sendo o ator central da tomada de decisões e o crime aquele que ordena territórios e grupos específicos nas periferias da cidade”.
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