Tem circulado pelo Youtube e outros meios um vídeo onde o narrador afirma que as crianças estão sendo raptadas pelo Primeiro Comando da Capital. Ora, todos conhecem a atuação do PCC 1533 e sabem que não é essa a praia da facção criminosa paulista, quem repassa só pode estar chamando de idiota quem assiste.
Há algum tempo, quando trombava com esse vídeo comentava colocando o link da Polícia Civil de um estado do Sul que investigou o caso e comprovou a fraude, mas hoje perdi a paciência e simplesmente ignoro.
Agora o Primeiro Comando se pronuncia oficialmente sobre o assunto:
Comunicado do Primeiro Comando da Capital para todos os estados e países data 12/8/2017
Comunicamos mui respeitosamente a toda população do Brasil e dos países vizinhos aonde nos encontramos, seja quaisquer que forem suas etnias, religiões e cor…
Mencionar a todos que surgiu uma grande e insatisfatória acusação apontada para nossa Família PCC 1533 – Primeiro Comando da Capital, dizendo assuntos que não estão coadunados com a mais cristalina e hialina verdade, aonde uma pessoa não identificada por nós ainda, vem dizendo em videos e áudios que o Primeiro Comando esta roubando criancinhas para extrações de órgãos humanos, isso nos trouxe muita indignação.
Estamos aqui para dizer a todo o país e aonde quer que este alcance, que o Primeiro Comando não comete atrocidades como essa – isso é impossível que esteja sendo feito por quaisquer que seja integrante ou companheiro(a) do Primeiro Comando. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Gostaríamos de mencionar aqui o que é o primeiro comando da capital:
Combatemos quaisquer tipo de injustiças e opressões dentro e fora das unidades prisionais aonde nos encontramos; somos seguidores de um comportamento bem diferente que muitos da sociedade imaginam; somos a paz dentro de um sistema carcerário que muitos governadores usão como deposito humano; procuramos sempre por mais pequena ou grande que seja a situação sermos flexíveis a tal ponto visando o elemento mais importante da face da terra e do mundo que se chama vida; e valorizamos nossas crianças com muito amor e carinho seja elas qual forem.
O Primeiro Comando da Capital não admite tais ações contra crianças, somos protetores e vale mencionar que existe um salve estipulado por nós que deixa claro que se chegar ao nosso conhecimento seja qual for a situação que envolve uma criança: maus tratos, abusos, judiações, ou até mesmo a vida – iremos cobrar o envolvido ou autor dentro de nossa disciplina.
O Brasil e todos os países que estamos sabem quem somos, lutamos contra essas situações cometidas por almas sebosas, nunca aceitaremos situações como essas, deixamos bem claro aqui mediante esse comunicado que esse tipo de atitude nunca partira da nossa organização. Deixamos claro que esse acusador ainda será descoberto, pois não admitiremos calunias direcionadas a nossa organização, porque ao invés de nos acusar com insatisfatórias mentiras, deveriam nos aplaudirem por mantermos a paz e cuidarmos dos fracos e oprimidos e de nossas crianças.
Que a paz e luz divina habite em todos e que todos enxerguem a verdadeira realidade.
Guerra entre a facção Primeiro Comando da Capital poderá ocorrer no Rio Grande do Norte, ou não. O mesmo sinal foi dado anteriormente no Acre sem que as autoridades tomassem providência, agora o alerta está sendo dado novamente no nordeste.
O descontrole tomou conta do estado, como comprova os números apresentados no vídeo e dezenas de policiais e agentes da segurança pública foram mortos apenas esse ano. A estratégia do governo no entanto não parece se alterar optando por manter o conflito e somar cadáveres.
Essa semana o Sistema Prisional pela primeira vez desde o Massacre de Alcaçuz permitiu a entrada de crianças no interior do presídio, no entanto essa medida acabou irritando parte da população carcerária ligada ao PCC que não tem tido seus direitos fundamentais respeitados.
Com isso, o governo potiguar estaria tentando quebrar a facção paulista através do sufocamento e a tortura de seus membros, essa acusação corre através de uma mensagem eletrônica pelas redes sociais, onde aparentemente uma mulher de um preso acusa o estado de estar desrespeitando os direitos mínimos dos encarcerados:
Alcaçuz Pavilhão 5 do Rio Grande do Norte pede socorro.
☯ Mais uma vez estamos pedindo a atenção da Família 1533 PCC e aliados, para alguns fatos que estão ocorrendo com nossos guerreiros e irmãos que se encontram no Pavilhão 5 de Alcaçuz no Rio Grande do Norte.
Já se passaram 6 meses após o conflito entre nós, o PCC, e os nossos inimigos do FDN. A situação para nós do Pavilhão 5 piorou a cada dia. Após o ocorrido, nossos guerreiros sofreram as piores torturas tanto físicas como psicológicas, guerreiros passando fome, sede, entre outros ocorridos.
Durante meses ficaram sem visitas de seus familiares. De lá para cá pouca coisa mudou, quando as cunhadas conseguem ver os seus maridos ou parentes, é de chocar, pois temos guerreiros doentes, sem tratamento, e nem remédios. Sem colchão, tendo que dormir todos no chão sujo onde vários estão com coceiras, em uma cela que cabe 8 tem 26 pessoas em situação desumana. Relatos dos guerreiros que ficaram um mês sem banho de sol. Jumbo não entra, o que só pode entrar é pão e um refrigerante. Produtos de limpeza ou tudo que mandem não são entregues a eles.
As reportagens que mostram que estão fazendo melhorias são falsas pois (só tem melhoria coisas dos RNCU) pois para nós do PCC não foi feito nada. Não temos visita íntima e nem podemos dar um abraço ou um beijo nos nossos maridos, pois os muralhas já chamam a atenção nossa. Queremos nossos direitos que são violados a cada visita, torturas constantes, relatos chocantes dos guerreiros, amarram as mãos dos guerreiros do Pavilhão 5 para trás e batem com bastão em suas mãos. O chefe de disciplina do 5 força os irmãos ao trabalho escravo, tem uma agente lá que joga chantilly com pimenta nos olhos dos guerreiros forçando assim eles a falar em voz alta (quem está aqui é a federal) então Direitos Humanos, pergunto, cadê vocês???
Porque se calam pois o que vemos são só melhorias para um lado e para o nosso lado sofrimento e dor. Para os Pavilhões 1, 2, e 3, foram liberadas até visitas das crianças, tudo uva, enquanto os guerreiros do PCC não vem os filhos à meses. Governo e direção do Rio Grande do Norte fecham os olhos para tudo que está ocorrendo em Alcaçuz no Pavilhão 5. Pedimos a união de todos para nos ajudar a divulgar até chegar o mais longe possível, unidos somos uma só voz, um por todos e todos por um.
Nela, Coutinho afirma que comprar é coisa de classe média arrivista. Eu diria mais: é coisa de pobre mesmo. O chique é não comprar ou comprar aquilo que não se vê; o chique mesmo é não ficar ostentando, então decidi que vou andar mais a pé, deixando meu velho fusca parado no mecânico, pelo menos até o próximo pagamento.
Bem, mas não estou aqui para falar sobre ele ou sobre o que ele escreveu; quem quiser saber sobre o assunto, que vá lá e leia a crônica.
Hoje trago uma indicação de leitura para quem quer uma obra com informações sobre a história e os vários modelos de sistemas carcerários e penais, assim como as teorias que os regem, recheada de exemplos reais, além de um capítulo reservado exclusivamente para a análise do Primeiro Comando da Capital PCC 1533.
É pouco? Não. São quase 500 páginas bem redigidas, tudo colocado de maneira bem didática, mas não é algo para qualquer membro da classe média arrivista ou para qualquer pobre acessar. O conteúdo é destinado apenas às pessoas realmente chiques, pois é gratuito. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); La Función Resocializadora en la Fase de Ejecución de la Pena Privativa de Liberdad en el Derecho Brasileño: Una Relectura a Partir del Paradigma de la Ciudadanía, de Pedro Marcondes, é um trabalho acadêmico apresentado à Universidade de Salamanca, portanto, em espanhol, mas que pode complementar, com louvor, muitos livros comprados em português.
Agora, se alguém ainda quiser ostentar, lembro-lhes que sou parceiro da Amazon e disponho de algumas indicações de livros que podem ser comprados.
Em seu estudo, Pedro Marcondes analisa a fundo o sistema carcerário brasileiro e propõe a construção de um modelo de ressocialização penal aplicável ao ambiente democrático do Brasil. Evitando defender a implantação de um sistema utópico e se baseando em exemplos já aplicados na Espanha, o autor não deixa de reconhecer que o agressor, por ser uma pessoa perigosa, deve ser tratado por meio da coerção.
Mesmo entendendo que todos somos pecadores e que um mundo perfeito e justo não existe, Marcondes faz uma crítica aos críticos da ressocialização, ao mesmo tempo que não perdoa aqueles que querem eliminar as penas, substituindo-as por medidas reducionistas, muitas vezes sustentadas por uma visão de direitos humanos sem base na realidade.
O trabalho de Marcondes é bem abrangente, porém, não se aprofunda muito no que tange ao Primeiro Comando da Capital, apresentando conteúdo que, acredito, é de conhecimento de todos. O que estranhei no estudo foi o fato de o autor, que analisa o sistema brasileiro, e não exclusivamente o paulista, não ter sequer citado as dezenas de outras facções, exceto, de passagem, o Comando Vermelho CV. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Todos nós sabemos que essa turma vai passar, por isso não citarei nomes, pois eles vão mudar e esse texto ficará aí, parado, e não mais fará sentido. Sempre houve aquele que seria o salvador, que iria acabar com o crime por meio da força. Esse paladino se chamou, por muito tempo, Paulo Maluf. Qual será o nome daquele de seu tempo, leitor?
Ah! Por outro lado, também existe o defensor dos Direitos Humanos, que quer combater o crime utilizando técnicas e estratégias elaboradas, analisando as condições sociais e políticas do momento, esse paladino se chamou, por muito tempo, Paulo Evaristo Arns. Novamente pergunto: qual será o nome daquele de seu tempo, leitor?
É, de fato, uma discussão típica da sociedade infantilizada em que vivemos, na qual é normal acontecer brigas e mortes entre flamenguistas e fluminenses, ou palmeirenses e corinthianos. São garotos correndo desesperadamente atrás de suas pipas, assim como os facas-na-caveira “correm” contra os ativistas dos direitos humanos e vice-versa.
Cada lado querendo que o Estado assuma o controle moral da sociedade, exigindo um domínio rígido sobre o outro lado.
Integralistas exigem aumento de penas para os infratores da lei e liberdade para polícia e professores exercerem suas funções. Já os humanistas exigem aumento do controle das forças policiais, um ensino mais humano e penas alternativas e socioeducativas. Henry David Thoreau, há duzentos anos, já dizia que não devemos cobrar do Estado a nossa parte.
“O melhor governo é o que não governa. Quando os homens estiverem devidamente preparados, terão esse governo” – ou será que não precisarão mais dele?
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Bem, não estou aqui para trabalhar nem para um nem para outro lado, mas permitam-me entregar, a cada um desses, uma afiadíssima faca para atingir o outro, assim como conceder um tempo para que eles fiquem a sós em uma sala fechada e com a luz apagada.
Lá, a pesquisadora relata os desencontros e a falta de informações sobre o Sistema Carcerário, daqueles que estão lá administrando e trabalhando dentro do sistema, além de apresentar números sobre a mortandade em prisões brasileiras, obtidos com muito custo, muitos deles inéditos, até onde eu saiba.
Amanda apresenta, também, algumas pérolas, como o depoimento de um preso que explica o motivo de ter arrancado as orelhas, a língua e os dedos e, finalmente, matando outro interno com uma escova de dente:
“[…] por ter quebrado uma pia da cela em que moravam no dia anterior […], porque baforou fumaça de maconha no rosto da enfermeira e por constantemente se masturbar na cela.”
Bem, é nesse ambiente que Amanda, citando Graham Willis, destaca o que aconteceu quando o Primeiro Comando da Capital chegou, estabelecendo uma ordem forte do que pode ou não ser feito. Ops… acho que citei um dos nomes que, antes, disse que não iria citar, mas não tem problema, os futuros leitores não saberão quem essa pessoa é ou o que ela pensou, pois terão os seus facas-na-caveira e seus humanistas com os quais se preocupar. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Outro dia, descobri que é possível assistir a filmes da Netflix que não são aqueles que os algoritmos escravizantes nos indicam; beleza, então resolvi escolher algum país diferente, para fugir do arroz com feijão cinematográfico, e optei pelos filmes indianos. Legal, assisti Kabali, Sarkar, Raees, entre outros; esses dois últimos me lembraram muito o Brasil, diferente “pero no mucho”.
Lá, e não aqui, existem gangues às quais a população mais pobre vai recorrer quando precisar que a justiça seja feita. É interessante ver que a estrutura geral de regras, costumes e brigas pelo domínio de áreas lá não é muito diferente daqui.
Em todos os filmes, o tráfico está, de certa forma, aliado aos políticos. Ainda bem que isso não acontece aqui, mas em Raees, que se passa na província de Gujarate, existe uma estrutura organizacional que gere os traficantes e, sendo assim, não existem, a princípio, mortes desnecessárias.
Bem, isso acontece lá na Índia, vamos voltar para nosso assunto aqui no Brasil…
“[…] Na Paraíba, inexiste uma organização equiparável ao Primeiro Comando da Capital, o PCC, cujas estratégias de controle de conflitos e do mercado de drogas minimizam contundentemente os números de mortes nas periferias de São Paulo, como Gabriel Feltran demonstrou. […] Em 2002 e 2012, os números de homicídios em João Pessoa cresceram vertiginosamente. […] Práticas de Estado não são excludentes do crime, não necessariamente se antagonizam ao crime. Pelo contrário, participam do crime, compõem a criminalização, negociam ou cumpliciam com o crime. Mais explicitamente em determinados contextos, como aqueles investigados por Gabriel Feltram, o crime produz governo, governo produz crime.”
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Depois de ler esse trecho final do trabalho de Lima Filho, acho que ele assistiu aos mesmos filmes que eu. Ah! Coloco aqui um gráfico que demonstra a queda do número de homicídios desde o início do período Alckmin. Ei!, isso não é uma afirmação minha, apenas é o que demonstra o gráfico.não sou nem deixo de ser estou mostrando o gráfico.
Dizem alguns que houve um acordo com o Primeiro Comando da Capital para diminuir o número de mortes no estado. Eu não sei se é verdade, mas no vídeo que coloquei no início deste texto é falado sobre a prisão de membros do PCC que executaram um rapaz, pois ele cometeu um assassinato mesmo sabendo que isso é proibido. Cada um que tire suas conclusões, mas o que sei é que Lima Filho tirou a seguinte::
“De acordo com Feltran, a substancial diminuição dos números de homicídios em São Paulo entre os anos de 2006 e 2011 resultou do estabelecimento de um único dispositivo de gestão da violência letal, produzido nas tensões entre políticas estatais e criminais – sendo essas última, sobretudo, as do Primeiro Comando da Capital. Os regimes de governo e crime – distintos e pretensamente autônomos, mas coexistentes – sofreram choques entre si bastante funcionais para ambos: ‘observa-se que deste conflito entre políticas do crime e políticas estatais produz-se uma espécie de ‘terceirização’ da segurança pública, na qual o governo segue sendo o ator central da tomada de decisões e o crime aquele que ordena territórios e grupos específicos nas periferias da cidade”. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Bem, respondo a questão anterior: eu mereço, e todos os que gostam e tem paciência de ler um texto longo e bem elaborado com frases bem construídas também merecem. O capítulo de agradecimentos do trabalho de Lima Filho começa assim:
“Daqui de onde escrevo, ouço os clarins. As linhas do texto se movimentam, talvez mesmo dancem, à ansiedade do seu próprio fim e dos lampejos do carnaval que toda esquina de Recife promete.”
Voltemos ao nosso foco.
O Primeiro Comando da Capital PCC 1533 é um grupo que tem a fé como um de seus pontos fortes. Isso, a meu modo de ver, é consequência pura e simples da proximidade que seus membros têm com a morte e com o sofrimento. É muito mais fácil para um garoto entediado, em seu apê, teclando besteiras, ser ateu que um moleque PCC que está no corre.
Lima Filho, no entanto, coloca dentro da mesna construção as ideias de “família” e de “religião” dentro da facção. Da mesma maneira, alinha a forma carinhosa pela qual os membros se chamam (“irmão”, “cunhada”, “prima”), à questão da religião, como fica claro no vídeo que encabeça essa matéria e que termina assim:
“Se Deus é por nós quem será contra nós? Por que Ele é justo! É o 15 porra!”
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Assim como aconteceu com a incorporação do conceito de família, fatos e costumes da cristandade e do sincretismo também foram absorvidos pelos integrantes do PCC, mas disso falaremos em outro artigo. Lima Filho analisa que os jovens PCCs utilizam-se dessa ferramenta para enfrentar o conflito entre a vida do crime e os “padrões de conduta ligados aos valores da família, da religião, do trabalho e da ascensão”.
O ideal de “família modelo”, de “família operário” ou “família de trabalhadores” (e eu acrescento um termo que já não ouço mais: “família de bem”), citados por Lima Filho não teriam morrido mas apenas sido incorporados na organização:
“… o uso pelo Primeiro Comando da Capital de um léxico que aciona noções de ‘família’ e ‘religião’” teriam o poder de recompor as “‘famílias’ e das ‘casas’, não mais como oposições ao ‘mundo do crime’, agora formadas por trabalhadores e bandidos.”
O trabalho de um PCC não difere de outro qualquer, pelo menos a partir do ponto de vista que foi criado dentro da sociedade em que vive. O garoto, o “vaporzinho”, que está começando a caminhada, busca a conquista do respeito da mãe e da comunidade, além do crescimento profissional:
“… a presença de filhos trabalhadores que preenchem a mãe de orgulho e garantem a estrutura simbólica do grupo familiar enquanto o sustento material da casa acaba sendo garantido pelos filhos do crime; mas, sobretudo, os bandidos que, ao saírem de casa depois do almoço, lembram que precisam “trabalhar’…”, escreve Lima Filho.
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“A todos que estão em privação de liberdade na Colônia Penal Agroindustrial do Paraná e que direta e indiretamente auxiliaram na Capela Ecumênica da Unidade Penal. Em especial ao responsável pela Capela Ecumênica e assistido da Unidade, por sua coragem, dedicação e parceria. ‘“Pedro’”, você nos apresentou ao ‘“mundo do cárcere’.”
Assim Danilo Henrique Martins, mestre em Geografia pela Universidade Federal do Paraná, agradece àqueles que o auxiliaram com seus depoimentos para que, desta forma, pudesse entender como
Chama-me a atenção o método aplicado pelo pesquisador da UFPR, que seguiu o caminho de Erving Goffman e, utilizando-se de conversas informais e atentando-se aos detalhes dos diálogos, pôde testar a franqueza dos entrevistados e observar suas reações. É importante ressaltar que, caso outro método fosse utilizado, esses mesmos detalhes poderiam ter passado batidos.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Danilo, valendo-se da técnica goffmaniana, entrevistou um ex-PCC chamado Paulo, que, no passado, foi um dos líderes da facção. Nessa ocasião, o entrevistado estava como mensageiro da “Palavra de Deus” oficiando o culto, explicando versículos bíblicos, e testemunhando:
“Tava muito frio e fui levar para a ala dois colchão. Tinha dois rapazes lá deitado. Deus segurou eu lá. Não pude deixar de falar que a prática deles estava levando eles para o inferno. Não tava ali para julgar. Eu disse: A verdade vos libertará. Creia na Palavra. Quer ver mudança em sua vida, creia na Palavra. Quer ser discípulo para morar no céu, creia na Palavra. Mas, quem morrer em Cristo será salvo.” (Irmão Paulo, 23 de Setembro de 2016).
“Aleluia! Glória a Deus!”, maravilha, a fé move montanhas e transforma membro de facção em pastor… Mas será mesmo? Outro interno, Vinícius Luiz, explicou que algumas pessoas só abraçam a fé como uma forma de fugir de algo dentro da prisão ou se refugiarem, Seu colega Elio, também interno, completa:
“Tem muita gente que se esconde na religião, por causa do castigo que tá preso, tipo um ‘213’, o que comete estupro. Aqui tem bastante. Tem gente que se esconde, pois sabe que é intocável. Tem bastante gente que sai das facções e que tá na igreja por causa disso. O que aconteceu: o irmão do PCC, ele pede para saí e para isso tem que parar com o crime, vai para a Igreja onde não é cobrado, o abandono da facção no caso. Também tem muitos que é para não ter que pagar dívida de droga. Tem muitos que é falta da família e encontrar um refúgio nos irmãos da igreja que são afetivos.” (19 de Novembro de 2016)”
A qual conclusão Danilo chegou depois de tantas entrevistas? Leia o trabalho dele e descubra por si mesmo. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Caso você venha a dar uma passada por Basingstoke no Reino Unido posso indicar dois lugares para se conhecer: um deles é o Milestones Museum, no qual você pode voltar ao passado e andar nas ruas como elas eram em 1930, mas isso é para os fracos.
Em segundo lugar, indico para os leitores desse site indico darem uma passada pela Editora Palgrave Macmillan, que editou, agora em 2017, um estudo profundo sobre terrorismo e contra-terrorismo onde é analisado, entre outras coisas o envolvimento do Primeiro Comando da Capital PCC 1533 com grupos terroristas islâmicos:
Scott Nicholas Romaniuk, Francis Grice, Daniela Irrera, e Stewart T. Webb examinam diversos tipos de estratégias e práticas terroristas e contra-terroristas em dezenas de países. O lado forte desta obra é sua abordagem multidisciplinar, incluindo, por exemplo, ciências políticas e relações internacionais, sociologia e história, além de examinar a teoria e a prática caso a caso.
Segundo a obra, a facção paulista deixou de ser um “simples bando de criminosos”, pois. devido à ausência do Estado, ela ocupou outras áreas, adquirindo importância política e ganhando significado social. Também é ressaltada a ação do PCC na região da tríplice fronteira” entre Brasil, Paraguai e Argentina.
Nessa região, vários fatores, como lavagem de dinheiro, tráfico de pessoas, drogas, e armas, unidos a comunidade local libanesa xiita, contribuíram para que a facção se aliasse aos grupos terroristas islâmicos na cidade brasileira de Foz do Iguaçu.
A Polícia Federal descobriu o pacto entre traficantes do Hezbollah e do PCC: contrabando e explosivos em troca de proteção para os soldados muçulmanos nas prisões brasileiras. As autoridades do Brasil (que normalmente não se preocupam com os terroristas) durante a Copa do Mundo 2014 temeram que a soma da força do Primeiro Comando e às técnicas do Hezbollah colocassem em risco o evento, caso o líder da facção fosse transferido para uma prisão de segurança máxima.
Em The Palgrave Handbook of Global Counterterrorism Policy, as consequências desses fatos são analisadas, resultando em um levantamento histórico e estratégico sobre a influência dos diversos grupos terroristas árabes, incluindo a Al-Qaeda, dentro do território brasileiro e suas relações com as facções locais.
Marcola está preso, eu, por enquanto, não, e o colunista da Folha de São Paulo é estrangeiro. Bem, nossas histórias se cruzam em diversos momentos, apesar dos dois nunca terem ouvido falar em mim, e do fato de João Pereira Coutinho ser mais inteligente do que eu.
Outro dia uma repórter me questionou acerca de quais fontes privilegiadas que me forneceram informações sobre a opinião de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola do Primeiro Comando da Capital PCC 1533, e citando trechos das matérias que redigi. Bem… eu não queria contar, mas…
Ontem, recebi um trabalho feito por Graziela do Lago Maciel, para o Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, no qual ela abre o bico e conta sua fonte (que é a mesma que a minha) então eu já posso revelar meu segredo.
Pois é, minha fonte é a mesma. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Marcola depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara dos Deputados, e a transcrição do depoimento está disponível para qualquer um ler. Só que poucos querem “perdem tempo” fazendo isso. Eu não ira contar a ninguém, mas como Graziela contou, eu conto também.
A mesma repórter insistiu na razão pela qual eu continuo a escrever se não estou ganhando nada com isso. Seria eu um ativista contra a injustiça de nosso sistema carcerário por possuir uma grande massa de negros e pobres? Seria eu um defensor das minorias?
As minorias que me perdoem, mas não estou nem aí para com elas. Estou mais preocupado com as maiorias que Graziela apresenta em seu trabalho: 99% das pessoas encarceradas no Ceará estão presas há mais de três meses sem terem sido julgadas. E tem muito mais lá!
Enquanto isso, mantemos um sistema que criou a Audiência de Custódia, na qual o preso precisa ser ouvido em até 24 horas após a prisão para ser analisada a legalidade e a necessidade de manutenção da prisão, embora nessa situação o caso em si não seja devidamente analisado.
Pegue ao acaso uma centena de processos criminais e veja quantos defensores, durante o processo, apresentaram fatos que pudessem mudar de verdade o destino dos presos. Vamos ver, me deixe fazer as contas aqui… Quase nenhum!
Bem, Marcola fala disso o tempo todo, mas ele já está preso, eu, por enquanto, não, e o colunista da Folha de São Paulo é estrangeiro e, sendo muito mais esperto do que eu. prefere falar da opressão da minoria LGBT na Inglaterra em vez da inJustiça no Brasil. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Recebo, todos os dias, mensagens e ligações criticando meu trabalho, tanto por parte das forças de segurança quando por parte de integrantes da facção. Parece ser mais fácil o governo federal fechar os quase 248 mil quilômetros de fronteiras do que meus críticos chegarem a um consenso.
Pessoal, se decidam!!!
João Pereira Coutinho, nessa semana estava falando sobre esse tipo de comportamento: são pessoas que criticam o capitalismo, mas não vivem sem seu iPhone ou seus Androids de última geração. Assim se faz quando se fala sobre o Primeiro Comando da Capital PCC 1533: as pessoas criticam o sistema e os métodos, mas não vivem sem eles e não aceitam mudar a receita.
Enquanto os cães ladram, a caravana passa. Vamos aproveitar o mote e falar sobre as fronteiras.
O pesquisador Alex Jorge das Neves, capitão da Polícia Militar de Goiás, apresentou um trabalho para o Programa de Pós-Graduação em Estudos Fronteiriços, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que vale a pena ser lido:
Quando eu vi esse título já imaginei um texto chato e sem pé na realidade, mas, depois, me surpreendi com a facilidade de leitura e com a análise bastante clara do problema e das possíveis soluções. Nas próximas semanas destrincharei aqui esse trabalho, aos poucos.
O pesquisador analisa que o Primeiro Comando da Capital ganhou as ruas e se ramificou para o Paraguai e Bolívia por conta de uma nova configuração das organizações criminosas transnacionais, possibilitada pela globalização.
O Paraguai é hoje o principal produtor de maconha da região e o maior corredor de cocaína da Bolívia para a Europa. A coca boliviana é misturada no Paraguai com precursores químicos ilegais que chegam de outros países.
Em seguida, é escondido em caminhões e contêineres para ser transportado para a África e a Europa. Cabo Verde e Roterdã são os principais portos de destino, segundo a Secretaria Antidrogas do Paraguai (Senad).
Analiso e público trabalhos acadêmicos assim como processos criminais há seis anos nesse site, e isso, por vezes, me deixa triste. Alex que me perdoe, mas esse filme eu já vi. Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma, e agora Michel Temer. Mudam os nomes dos presidentes e dos programas que eles criam, mas na prática…
Assim como eu aqui do meu canto vejo os cães latirem e as caravanas passarem, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, viu a todos esses políticos e burocratas criarem programas e falharem, pois não vivem na realidade das ruas. Ele sim.
“Tenho medo de me anunciar como membro do PCC, quero gritar que sou da facção, mas tem um problema: não faço parte do Primeiro Comando da Capital PCC.”
O irmão Cabuloso perdeu a paciência no grupo de whatsapp da facção. Para ele, é preciso diferenciar quem é ladrão de verdade de quem é “bandinete: bandido da internet”.
Quem nasceu depois de 1990 tem a facção criminosa paulista como modelo de organização. Ficar indiferente a ela é quase impossível: ou se ama ou se odeia, como qualquer outra paixão.
Apaixonar pelo Primeiro Comando é fácil, defender suas causas é louvável, assim como criticar e combater seus atos. Paixão é tudo de bom, e a adrenalina de ser da vida louca é o máximo da rebeldia, uma forma de ganhar status social.
Os criminosos não aceitam a opção dos garotos, que querem entrar nas fileiras do Primeiro Comando pela porta dos fundos. E são reconhecidos pelo cheiro, de longe, e são utilizados pelos integrantes da facção apenas como inocentes úteis, sendo descartados na primeira oportunidade — já viu gato brincando com rato antes de matar? É mais ou menos assim.
Os “cidadãos de bem” não aceitam a opção dos garotos que querem se desviar do caminho da lei e da ordem para se juntar ao mundo do crime. Eles são vistos como rebeldes da classe média, mimados, revoltadinhos, e protegidos pelos pais e por uma sociedade muito liberal.
Aí chegamos à questão levantada pela professora e filosofa Rebecca Tuvel no seu artigo“In Defense of Transracialism” para a revista “Hypatia”. Até onde podemos aceitar a opção pela mudança de sua faixa social, sexual, religiosa, etc.
Tuvel lembra que nossa sociedade obriga todos, por lei, a aceitar que, por exemplo, uma pessoa que nasceu com pênis seja considerada e tratada como mulher se assim ela o desejar, algo impensável para as gerações passadas.
Qual é a sua faixa natural?
Ela cita o caso de Rachel Dolezal ativista americana apaixonada pela causa dos direitos dos afrodescendentes, que foi desmascarada, pois não era de fato negra. Filha de pais brancos, Dolezal, após a repercussão, foi condenada pela comunidade negra e pelos seus pares brancos.
As pessoas são, geralmente, indiferentes a alguém que não seja de seu meio e deseje pertencer ao Primeiro Comando da Capital; mas a não alguém de sua família, de sua vizinhança, ou entre seus amigos. No passado isso também acontecia com as questões de raça, religião, sexo.
Desculpe, a casa caiu e você nem viu.
Seu filho, branco e da classe média, quer ser preto e pertencer ao Primeiro Comando da Capital. Sua “sorte” é que os pretos e o PCC ainda não os aceitam como iguais, mas fique sabendo que isso está mudando.
O texto analisa o medo e o ódio como forças de coesão e expansão do Primeiro Comando da Capital. A partir de uma interpretação hobbesiana, sustenta que conflitos internos e externos alimentam a organização, enquanto interesses individuais de lideranças e integrantes podem, futuramente, conduzi-la a uma ruptura.
O inglês Thomas Hobbes, morto há mais de trezentos anos, volta para nos assombrar. Ele descreveu claramente, em Leviatã, o discurso de medo e ódio que envolve, acusa, mantém e protege a organização criminosa Primeiro Comando da Capital, PCC 1533.
A pesquisadora Yara Frateschi durante o Programa Café Filosófico CPFL definiu a concepção hobbesiana de indivíduo como: “indivíduo individualista”. Era esta a chave que eu precisava para entender o conceito do que é o PCC como um corpo.
A “Família 15.3.3” é um grupo fechado e muito unido, onde todos se veem como irmãos e companheiros, mas que, ao contrário da autoimagem propagada, se constitui de homens e mulheres mobilizados sobretudo pelo princípio do interesse próprio.
Essa seria a grande jogada de domínio por parte da liderança, pois seus integrantes se tornam presas e algozes do medo e do ódio, e essas são as duas grandes turbinas que geram a energia para o crescimento exponencial da organização.
Na medida em que cada um luta dentro da organização para garantir e ampliar seu espaço, encontra forte resistência. A camuflada, mas feroz, luta interna forja seus soldados para a guerra, ao mesmo tempo em que o medo e o ódio fortalecem esse sistema.
Toda essa energia concentrada tem que ser extravasada, mas algumas forças sociais já demonstraram que podem se contrapor, como foi o caso da reação das forças policiais em 2006, que levou à morte pelo menos 505 pessoas, entre integrantes da facção, desafetos e civis envolvidos ou não com o crime.
Dessa forma, a liderança do Primeiro Comando da Capital, não disposta a seguir para seu Waterloo enfrentando as forças públicas diretamente, optou por concentrar o medo e o ódio de seus integrantes contra as outras facções criminosas.
Pudemos sentir a explosão dessa energia na forma como seus membros perseguem e matam os membros do Comando Vermelho, CV, Família do Norte, FDN, e do Sindicato do Crime, SDC. Marcola, assim como o Rei Menelau, utiliza razões emocionais para garantir que o medo e o ódio garantam vantagens estratégicas e econômicas.
A metodologia hobbesiana aproveitada pela equipe de Marcola brecou uma guerra declarada contra o Estado brasileiro e contra a sociedade organizada em 2006, em um momento em que a organização Primeiro Comando ainda estava em vantagem estratégica.
A força moral conquistada durante os ataques não foi perdida, e os lucros foram capitalizados na estruturação da nova estratégia. Em pouco mais de uma década, quase todos os estados brasileiros estão sob o domínio do PCC e agora os países fronteiriços começam a ser invadidos.
O inglês Thomas Hobbes mostrou o caminho para a liderança do Primeiro Comando; no entanto, Isaiah Berlin, outro inglês, diz que é questão de tempo para esse esquema falhar, simplesmente porque nenhum projeto de perfeição sobrevive por muito tempo.
Os interesses individuais de cada um da liderança e de cada um de seus liderados entrarão em conflito constantemente até um ponto de ruptura irreversível; no entanto, até esse momento, o crescimento será vertiginoso.
Da mesma forma, aqueles que se contrapõem e lutam contra a facção paulista também se utilizam do discurso do medo e do ódio.
Análise por IA do texto “O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando”
Análise Crítica do Discurso e Elementos Psicossociais na Obra de Ricard Wagner Rizzi sobre o Primeiro Comando da Capital
A compreensão das dinâmicas operacionais, ideológicas e de expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC) exige uma abordagem interdisciplinar que transponha a mera crônica policial. No artigo intitulado “O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando”, publicado em 21 de maio de 2017 no portal faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org, o autor Ricard Wagner Rizzi propõe uma interpretação ensaística sobre a mecânica de sustentação do grupo criminoso. A reflexão apoia-se em conceitos da filosofia política — especificamente na teoria do Estado de Thomas Hobbes e na crítica ao utopismo de Isaiah Berlin — para argumentar que a coesão e o crescimento da facção são impulsionados pela manipulação do medo e do ódio sobre indivíduos essencialmente movidos pelo interesse próprio. A avaliação analítica deste texto exige um exame rigoroso dos seus acertos fáticos e conclusivos, o desmonte das suas fragilidades teóricas e metodológicas em comparação com o consenso criminológico e socioantropológico, e uma investigação dos fatores psicossociais que moldam a perspectiva do seu autor.
Acertos Fáticos e Conclusivos do Artigo
O texto de Ricard Wagner Rizzi apresenta intuições agudas e correspondências empíricas relevantes sobre a trajetória do crime organizado na região Sudeste e no Brasil. Ao analisar as transformações estratégicas da facção a partir da metade da década de 2000, o autor acerta em pontos fundamentais no tocante à governança e à retórica do grupo.
Um dos pontos mais expressivos do texto é a identificação da virada tática promovida pela cúpula da facção após os confrontos de maio de 2006. O autor observa que a reação violenta do aparelho policial, que resultou na morte de centenas de detentos e jovens periféricos, forçou a liderança do PCC a reconhecer que o confronto direto e ostensivo contra o Estado levaria a organização ao seu “Waterloo” institucional. Essa leitura coincide com análises sociológicas que demonstram como o PCC recalibrou suas ações públicas pós-2006, optando por uma hegemonia silenciosa e pela infiltração e regulação dos mercados ilícitos em vez de insurgências armadas contínuas contra os órgãos de segurança. A transição da violência ostensiva para a acumulação capitalista e a expansão territorial velada permitiu ao grupo consolidar o domínio no sistema carcerário paulista e projetar sua influência nacional e internacional.
Rizzi também acerta ao diagnosticar a reorientação do canal de extravasamento da agressividade da facção para os grupos rivais. A partir do rompimento formal entre o PCC e o Comando Vermelho (CV) em meados de 2016, a liderança da facção paulista passou a projetar discursivamente os afetos de medo e ódio contra organizações concorrentes, como o próprio CV, a Família do Norte (FDN) e o Sindicato do Crime (SDC). A retórica de alteridade radical — em que o rival é figurado como uma ameaça existencial imediata à vida dos detentos — funcionou como o combustível necessário para galvanizar a infantaria carcerária nas rebeliões e massacres ocorridos em presídios das regiões Norte e Nordeste entre 2016 e 2017. A mobilização de emoções primitivas atua, assim, como um elemento contingente de coesão em momentos de fratura do mercado do crime.
Outra observação conclusiva relevante é a identificação do “discurso espelhado” entre a facção e seus opositores institucionais. O artigo destaca que os setores que combatem o PCC recorrem à mesma gramática do medo e do ódio para fundamentar suas políticas públicas e discursos eleitorais. Esta análise alinha-se às pesquisas que investigam o populismo penal e a espetacularização da segurança pública. Enquanto setores conservadores e forças policiais exploram a ameaça do crime organizado para legitimar práticas de encarceramento em massa e execuções extrajudiciais, a liderança da facção instrumentaliza as arbitrariedades e a violência do sistema prisional para reforçar a narrativa de que apenas o grupo pode oferecer proteção, “paz, justiça e liberdade” aos custodiados.
Por fim, o autor desmistifica a imagem idealizada da “Família 15.3.3”, evidenciando que, sob a camada discursiva do companheirismo e da solidariedade irrestrita, reside uma estrutura movida pelo interesse econômico e pela autopreservação individual. Embora o discurso oficial enfatize a cooperação entre “irmãos”, a dinâmica do cotidiano ilícito envolve disputas internas veladas por pontos de venda de drogas, controle de rotas e prestígio hierárquico, onde o não cumprimento das obrigações financeiras e disciplinares resulta em exclusões ou punições sumárias.
Erros Fáticos, Limitações Teóricas e Vieses Metodológicos
Apesar dos acertos analíticos, a tentativa de enquadrar uma organização criminosa contemporânea dentro de esquemas filosóficos clássicos e leituras midiáticas pontuais gera equívocos conceituais e limitações explicativas no texto de Ricard Wagner Rizzi.
O erro epistemológico central do artigo reside na aplicação direta e acrítica da interpretação da filósofa Yara Frateschi sobre o “indivíduo individualista” de Thomas Hobbes para explicar o comportamento dos membros do PCC. Frateschi conceitua esse indivíduo no contexto da crítica às limitações morais do Leviatã e à falta de alteridade nas democracias liberais. Rizzi estende essa noção ao interior da facção, assumindo que os seus integrantes operam puramente como átomos isolados, incapacitados de reconhecer o outro além da utilidade pessoal. Esta visão desconsidera as descobertas da sociologia da violência contemporânea. Pesquisas de campo demonstram que o PCC criou uma complexa rede normativa baseada na noção do “proceder” — um código de ética e conduta comunitária que transcende o puro egoísmo hobbesiano. A organização opera não apenas por coerção ou interesse próprio, mas através de um sistema sofisticado de mediação de conflitos (os “debates”) e de um sentimento de pertencimento identitário que reconfigurou a sociabilidade periférica. Reduzir os membros a meros autômatos egoístas guiados por medo e ódio impede a compreensão do capital social e afetivo que a facção mobiliza para manter sua autoridade social legítima nas quebradas e presídios.
Ao invocar o pensamento do filósofo Isaiah Berlin sobre a inviabilidade dos “projetos de perfeição” para prognosticar o inevitável colapso do PCC, o artigo comete um anacronismo conceitual. Berlin formulou sua crítica direcionada aos regimes totalitários e às utopias ideológicas de engenharia social, as quais tentavam impor uma visão monista de sociedade perfeita. O PCC, contudo, não constitui um “projeto de perfeição” ideológico ou utópico. Trata-se de uma rede empresarial ilícita pragmática, caracterizada por um modelo adaptativo de governança descentralizada sustentado por diversas “sintonias”. A longevidade da facção não depende do cumprimento de um ideal utópico, mas da sua capacidade de gerar renda através do narcotráfico, gerir a violência no ambiente prisional e articular arranjos operacionais com agentes estatais. Projetar uma “ruptura irreversível” iminente com base na contradição utópica é uma simplificação que ignora a resiliência institucional e a capacidade de metamorfose do crime organizado.
Ao comparar Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola) ao Rei Menelau da mitologia grega, argumentando que a cúpula manipula fatores puramente passionais para obter vantagens estratégicas, o texto recorre a um personalismo mítico que obscurece as condicionantes materiais do fenômeno. A expansão do PCC e os confrontos com outras facções foram impulsionados primariamente por dinâmicas econômicas e geopolíticas do narcotráfico internacional — como a necessidade de controle da Rota do Solimões, o domínio das fronteiras com o Paraguai e a Bolívia e a logística de exportação via Porto de Santos. Embora a retórica emocional do medo e do ódio seja utilizada nas bases, a cúpula atua segundo parâmetros de racionalidade empresarial, gestão de risco e otimização de lucros, e não por meras inclinações mítico-apaixonadas.
Finalmente, ao situar o medo e o ódio predominantemente como produtos da dinâmica psíquica interna da facção, a análise de Rizzi secundariza a responsabilidade do próprio Estado como produtor originário dessas violências. A facção surgiu na Casa de Custódia de Taubaté e se consolidou após o Massacre do Carandiru como uma resposta organizada da massa carcerária às condições de tortura, insalubridade e superlotação impostas pelo sistema penitenciário. O medo da morte e o ódio às instituições estatais não são criações abstratas da cúpula do PCC, mas reflexos diretos das condições materiais de custódia e da seletividade do sistema de justiça criminal.
Comparativo Analítico: Premissas do Artigo vs. Evidências Criminológicas
Para sintetizar a discrepância entre as intuições do artigo e o acervo das pesquisas científicas sobre o crime organizado, a tabela abaixo confronta as teses de Ricard Wagner Rizzi com os achados empíricos da criminologia e da sociologia contemporâneas:
Dimensão Analítica
Tese do Artigo (Ricard Wagner Rizzi)
Consenso da Literatura Criminológica e Sociológica
Avaliação Crítica da Tese
Natureza do Membro
Sujeito caracterizado como “indivíduo individualista” hobbesiano, movido exclusivamente pelo interesse próprio e incapacitado de empatia.
Sujeito imerso na ética do “proceder”, que combina cálculo racional econômico com pertencimento e coesão comunitária.
Incompleta: Confunde o individualismo metodológico com a ausência de normas e códigos coletivos legítimos.
Combustível de Sustentação
Medo e ódio instrumentalizados pela liderança para controlar a massa carcerária e mobilizar soldados.
Regulação pragmática da violência, oferta de ordem nos presídios e monopólio dos mercados ilícitos.
Parcialmente Correta: O medo mobiliza em crises, mas a ordem diária baseia-se na mediação de conflitos.
Mudança Tática Pós-2006
Abandono do confronto direto com o Estado para evitar a destruição, direcionando a agressão aos rivais.
Transição do enfrentamento ostensivo para a hegemonia silenciosa, acumulação financeira e cooptação estatal.
Correta: Captura com precisão a reorientação estratégica da cúpula do PCC após a reação estatal de 2006.
Estrutura Organizacional
Comando centralizado sob figura mítica (Marcola comparado ao Rei Menelau) manipulando paixões.
Rede descentralizada coordenada por células autônomas (“Sintonias”), focada na logística ilícita.
Incorreta: Recorre ao mito do líder supremo absolutista, ignorando a estrutura de rede.
Prognóstico de Futuro
Colapso e ruptura iminentes devido às contradições internas intrínsecas a “projetos de perfeição” (Isaiah Berlin).
Resiliência institucional elevada, capacidade adaptativa e integração profunda à economia legal e ilegal.
Incorreta: Aplica teorias sobre utopias políticas a um sindicato criminoso focado em lucro e poder de mercado.
Análise Psicossocial do Autor: Ricard Wagner Rizzi
A compreensão de um texto ensaístico-jornalístico requer a análise das condições de produção do enunciador e das forças psicossociais que atuam sobre a sua postura investigativa. Ricard Wagner Rizzi ocupa uma posição singular no ecossistema da cobertura do crime organizado no Brasil, operando na fronteira entre a burocracia judicial, a crônica policial e o arquivamento digital independente.
A trajetória de Rizzi é marcada por uma transição decisiva: de funcionário no Fórum da Comarca de Itu — onde teve contato direto com os bastidores burocráticos dos processos criminais — para a criação, em 2005, do portal aconteceuemitu.org, focado em narrativas policiais. A partir de 2007 e 2008, o autor redirecionou seu foco analítico exclusivamente para o PCC, culminando na consolidação do portal faccaopcc1533primeirocomandodacapital.org. Essa transição revela um movimento psicossocial de deslocamento: o pesquisador sai da posição de observador institucional passivo do sistema de justiça e passa a atuar como um mediador independente da subcultura criminal. Sua inserção temporária em grupos de mensagens instantâneas habitados por integrantes da facção colocou-o em uma situação de liminaridade — uma zona cinzenta entre a documentação de inteligência de fontes abertas e o contato direto com a alteridade marginal.
Do ponto de vista psicossocial, chama a atenção a rotina diária do autor, que dedica cerca de seis horas por dia à pesquisa, redação, diagramação e manutenção do seu portal, atraindo uma audiência média diária de aproximadamente 1.000 leitores. Essa dedicação sistemática, mantida ao longo de anos, sugere a presença de uma pulsão archivística e de uma fixação pelo tema da criminalidade organizada. Rizzi opera em uma posição de voyeurismo criminológico estruturado: ele consome e traduz diariamente a gramática do universo criminal, acumulando dados, cartas, salvos-gerais e estatutos, enquanto atua isoladamente no seu ambiente privado. O fato de declarar que, por vezes, se sente frustrado com o tema, mas não planeja abandonar a pesquisa, evidencia uma vinculação psicossocial complexa, onde o objeto de estudo passa a constituir a própria identidade pública do analista.
A análise psicossocial do texto revela a necessidade do autor de recorrer a uma “bricolagem teórica” para processar a crueza e o caos do universo da violência extrema. Ao entretecer episódios de execução, massacres e disputas prisionais com a filosofia de Thomas Hobbes, a crítica de Isaiah Berlin e palestras de divulgação cultural, Rizzi busca erguer um arcabouço de racionalização intelectual.
Esse movimento cumpre duas funções psicológicas primordiais. A primeira é a proteção psíquica e o distanciamento cognitivo: a violência bruta do narcotráfico e das execuções em presídios é neutralizada e tornada inteligível quando traduzida em conceitos abstratos como “estado de natureza”, “interesses hobbesianos” e “projetos de perfeição”. O filtro filosófico atua como um escudo psicológico contra a barbárie relatada nos documentos que o autor manuseia diariamente. A segunda função é a busca por legitimação e autoridade intelectual: na ausência de uma vinculação acadêmica formal no campo da criminologia ou de uma credencial do jornalismo investigativo tradicional, o recurso a grandes pensadores serve como um mecanismo de validação do discurso. O autor tenta demonstrar ao seu público que seu trabalho não é um mero compilado de notícias sensacionalistas, mas uma interpretação profunda do fenômeno social do crime organizado.
Apesar de transitar em um espaço de alto risco, declarando atuar no meio do “fogo cruzado” entre as forças policiais e os membros da facção, Rizzi relata nunca ter recebido ameaças diretas. Psicossocialmente, essa situação deriva da postura de equidistância técnica que ele tenta manter no seu portal. Ao adotar uma linguagem que não busca a demonização aberta do faccionado — tratando o PCC sob dimensões políticas, econômicas e jurisdicionais —, ele cria uma zona de neutralidade tática. O autor serve, involuntariamente, aos dois lados do espectro: fornece inteligência de fontes abertas para agentes da lei e acadêmicos, enquanto atua como um espelho documental que a própria facção utiliza para monitorar a repercussão pública do seu poder e das suas diretrizes.
Conclusões
A análise crítica do artigo “O medo e o ódio alimentam o Primeiro Comando” e do perfil do seu autor, Ricard Wagner Rizzi, permite sintetizar conclusões integradas sobre a produção de conhecimento independente acerca do crime organizado no Brasil.
No plano dos acertos analíticos, o texto evidencia agudeza ao identificar as inflexões táticas do PCC pós-2006, compreendendo que a facilidade da liderança em redirecionar as pulsões agressivas dos membros para facções rivais garantiu a preservação da organização frente ao Estado. O autor também acerta ao desnudar o discurso espelhado entre os órgãos punitivos estatais e a facção, apontando como ambas as instâncias utilizam a retórica da ameaça para consolidar suas respectivas formas de poder e controle social.
No plano dos equívocos epistemológicos, o artigo incorre em reducionismos ao importar o modelo hobbesiano do “indivíduo individualista” e a crítica utópica de Isaiah Berlin. Essa estrutura conceitual impede o autor de compreender o PCC como um sistema sociocultural dotado de normatividade própria (o “proceder”), que produz coesão e pertencimento para além da coerção psicológica do medo e do ódio ou do simples interesse egoísta. A projeção de um colapso baseado em incompatibilidades morais ignora a flexibilidade pragmática, a diversificação econômica e a inserção da facção nos ilegalismos do próprio Estado.
No plano da análise psicossocial, a obra de Ricard Wagner Rizzi exemplifica a emergência de cronistas independentes no espaço cibernético que atuam como importantes archivistas da dinâmica criminal brasileira. Sua produção é impulsionada por uma pulsão investigativa e pela necessidade de processar a violência através da bricolagem teórica. Embora destituído do rigor metodológico da pesquisa acadêmica de campo, o trabalho de Rizzi fornece um rico material para o estudo da recepção e da interpretação do crime organizado na sociedade contemporânea, refletindo as angústias, o fascínio e as contradições de uma sociedade marcada pelo encarceramento em massa e pela consolidação de poderes paralelos.
No tempo de meu avô ele sabia que era certo ficar na soleira da porta esperando o dono da casa dar licença para entrar; sabia que quando encontrava um padre devia se pedir a benção; que devia dar o lugar no ônibus ou no trem para uma mulher sentar; e que nunca deveria se referir a um afro descendente de negro, e sim de “pessoa de cor”.
O tempo passou e nem tudo o que meu avô achava que era certo de fato era certo, mas ele acreditava de coração que tinha razão, sempre.
Essa lembrança me veio ao ler críticas feitas em comentários feitos em uma postagem no Facebook sobre a decisão do governador do estado de São Paulo de não transferir para as prisões federais a liderança do Primeiro Comando da Capital.
Pagnan encerra a reportagem com a justificativa para a não transferência de Marcola e outros líderes do Primeiro Comando da Capital para as prisões federais dada por Lourival Gomes, secretário da Administração Penitenciária de São Paulo:
“Eu só gostaria que essas pessoas ponderassem se isso está certo ou errado. (…) Nós só não mandamos 16 por que temos certeza de que isso não vai dar certo”
“Se nós removermos esses presos para prisão federal, tenham a certeza de que todos os órgãos de inteligência sérios não vão saber mais nada, nada, nada. Não vão poder dominar ou controlar o crime organizado e muito menos combater…”
Entendo a linha de raciocínio da atual administração, no entanto Gomes de fato só está apresentando uma parte da verdade, pois ele esconde a que ao meu modo de ver é a principal razão da opção de Alckmin: a quebra do pacto implícito de pacificação.
A quebra do pacto por parte do governo estadual geraria caos com centenas de mortes entre agentes de segurança e justiça, presos, e cidadãos; além de um incalculável prejuízo econômico direto e indireto por conta de ações terroristas como as de 2006.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Eu por mim vejo que há ainda uma razão mais profunda e singular que impede que o Estado corte a cabeça dos líderes do Primeiro Comando da Capital, o efeito Hidra de Lerna.
Existem dois fatores sobre Hidra de Lerna, o monstro de nove cabeças da mitologia grega, que não podemos esquecer:
imortal: uma das cabeças não pode ser destruída. Assim como o Nazismo sempre haverão seguidores do Primeiro Comando, hoje ou daqui cem anos, o Estado no máximo poderá controlar, mas jamais matar; e
mortal: o veneno dessa criatura é mortal, Hércules conseguiu conter a Hidra, mas morreu tempos depois devido ao seu veneno.
Essa criatura da mitologia grega tinha como principal característica o fato de que ao se cortar uma de suas nove cabeças outras duas ou três nasciam no lugar daquela, e esse é o medo de Alckmin, pois o isolamento das lideranças conhecidas do PCC teria um efeito similar agravado por dois fatores:
localização: as agências de inteligência teriam que descobrir quem seriam e a partir de onde atuariam as novas lideranças dificultando as ações de monitoramento de escutas; e
controle social: as novas lideranças espontâneas dentro da facção seria composta de membros mais jovens e inexperientes, mais dispostos a usar de força letal contra a população, policiais, e funcionários da Justiça para se imporem, ao contrário da atual cúpula que profissionalizada opta pelo lucro operacional da venda de drogas e armas.
No tempo de meu avô ele saberia o que era certo: “se tem uma maçã podre ela deve ser separada das outras para que não se apodreça todo o cesto”. Não tenho dúvidas que ele acharia correto separar e isolar as lideranças do Primeiro Comando, mas o tempo passou e nem tudo o que meu avô achava que era certo de fato era certo, mas ele acreditava de coração que tinha razão, sempre. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Vivemos em uma sociedade cristã mas poderíamos não viver e a frase de João Pereira Coutinho continuaria verdadeira para explicar o fracasso do ENAFRON e do SISFRON, se contrapondo ao sucesso do PCC 1533..
“Os órfãos de Moscou não sobrevivem sem uma fé.
E uma fé não sobrevive sem santos e pecadores.”
As siglas ENAFRON e SISFRON significam “Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras” e “Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras” ambas do Governo Federal, e como todos sabem PCC 1533 se refere ao “Primeiro Comando da Capital”.
O ENAFRON nasceu em 2011 para integrar as forças de públicas de segurança brasileiras entre si e com as dos países fronteiriços Paraguai, Bolívia, Argentina, Venezuela, e Colombia, além de agir junto a sociedade fronteiriça diminuindo a pobreza dentro e fora de nossas fronteiras.
Um resumão da história que envolve a ação de Segurança Pública nas regiões de fronteira pode ser encontrado no trabalho “Crimes Transfronteiriços em Cidades Gêmeas do Mato Grosso do Sul” elaborado pela Policial Militar Gleice Aguilar dos Santos.
Se por um lado Gleice não faz uma análise profunda, por outro mostra como as coisas realmente funcionam enquanto dos trabalhos é apenas teórico, graças a sua experiência profissional e as entrevistas que colheu com as pessoas que estão no front.
É belíssima a meta proposta na ENAFRON, de profunda base teórica, mas que na prática apenas brilha na mídia através das ações policiais e militares como as Operações Ágata e Sentinela, tendo tido a primeira grande impacto midiático em 2012 e 2013 segundo dados Google Trends.
Apesar do empenho dos profissionais participantes das operações e planejamento só restou o espetáculo para a mídia que, segundo alguns, é o último reduto dos derrotados. A Operação Ágata afundou junto como o ENAFRON sobrevivendo de apresentar belas imagens para a imprensa. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A causa do fracasso foi a incapacidade dos Estados nacionais de se integrarem vencendo as vaidades locais, e a emaranhada burocracia legal de cada território. A cortina da farsa publicitária se abriu graças aos dois mega-assaltos do Primeiro Comando da Capital:
ao carro forte da Brinks em Santa Cruz na Bolívia em Março (1.3 milhões de dólares),
e ao PROSEGUR em Ciudad del Este no Paraguai em Abril (40 milhões de dólares).
Ora, eles talvez não saibam, mas isso já acontece segundo o SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública da Presidência da República do Brasil há pelo menos cinco anos.
João Pereira Coutinho diz que precisamos de santos e pecadores, mas como fica uma sociedade onde os santos enganam? Como ficamos nós meros pecadores que precisamos e queremos desesperadamente acreditar?
O grito de guerra do Primeiro Comando da Capital é “Fé em Deus que Ele é justo. Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Precisamos de santos e pecadores, mas quem são os santos e quem são os pecadores afinal? (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});