O presente do Dr. Gazzola e a "Gang dos Manos".

Há alguns meses atrás, entrou todo empertigado o Dr. Aluisio Francisco Gazzola seguido do promotor de justiça Dr. Alexandre Augusto Ricci de Souza no gabinete da Drª. Juliana Moraes Bicudo. O primeiro na condição de advogado decano da comarca e o segundo representando o Ministério Público de Itu.

A missão de ambos era homenagear a jovem magistrada que assumia interinamente a 1ª Vara Criminal da Comarca no lugar da Drª Andrea Ribeiro Borges – em férias.

Não sei se de fato a Drª. Juliana foi a mais jovem a assumir um magistério ou se Dr. Gazola se impressionou com a jovialidade e simpatia da meritíssima juíza, o que sei é que o presente escolhido para marcar o acontecimento foi o livro “Itu 400 Anos” do Prof. Roberto Machado Carvalho.

Também sei que naquele livro não estava escrito a história que o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze contou a ela na tarde desta quinta-feira, 23 de Setembro de 2010, sobre um dos períodos mais negros da história da cidade de Itu: o tempo da Gangue dos Manos da Cidade Nova.

Já no fim do período de domínio deste grupo de criminosos, Eduardo Freitas de Souza matou Mário Cardoso do Nascimento Filho, que seria um dos membros da quadrilha.

Sábado, 20 de Outubro de 2001. 20 horas
Rua José Elias Barbosa, Jardim União, Itu, SP.

Mário naquela noite ia fazer pela última vez o que fazia todos os dias: ameaçar. Eduardo foi escolhido para tal – mas não desta vez – o império do medo estava acabando, e Eduardo arrancou o pau que estava nas mãos de Mário e partiu para cima, batendo até deixar o rapaz em convulsão e espumando sangue pela boca.

No hospital, Mário disse que Eduardo queria obrigá-lo a vender entorpecentes, mas o que se apurou de fato foi apenas o seu próprio envolvimento com a gangue, contra um passado ilibado de Eduardo. Após alguns meses Mário morreu em conseqüência dos ferimentos impostos por Eduardo.

Agora, conhecedora de mais este quadro da história de Itu que não foi retratado naquele livro recebido das mão do Dr. Gazzola, caberia a ela, a jovem juíza de direito, impor uma pena a Eduardo.

O promotor de justiça pediu a desclassificação de “homicídio” para “lesão corporal seguida de morte”, e a juíza suavizou ainda mais a pena ao reconhecer que foi justa a tentativa de defesa e os bons antecedentes do réu. Enfim, a pena de Eduardo foi fixada em dois anos em regime aberto.

Se Deus escreve certo por linhas tortas eu não sei, mas os integrantes da temida Gangue dos Manos da Cidade Nova, estão: mortos, presos ou viraram mendigos. E todos os que foram acusados dos crimes contra eles saíram livres. Destino histórico, talvez para o livro “Itu 500 Anos”.

Não pagou em dinheiro mas pagou com a vida.

Foi como se tivesse morrido – enfim podia sentir um pouco de paz. Sentimento este que a muito lhe fora tirado por aquela família que agora o acusava, justo a ele que tinha sido em verdade vítima, mas agora tudo estava resolvido. Voltaria para o inferno pagar a pena que a sociedade lhe impunha, mas não pensaria mais naquilo.
Há quase dez anos vendeu seu caminhão para João de Oliveira, ambos eram moradores do Bairro Cidade Nova em Itu. Ficou satisfeito ao fechar o negócio e receber aqueles cheques. Alegria injustificada, pois todos eram sem fundo. Fora logrado, enganado, enrolado…

Meses se passaram e uma desculpa substituía outra, até que João de Oliveira disse a ele que não pagaria e que ele buscasse seus direitos. Sidnei Vigatto não aceitou, sabia ele que no Brasil dívida acaba em pizza, graças a uma legislação benesse ao inadimplente.

Começou a cobrar ao João e mandava recados a ele por sua esposa Terezinha Scalafi de Oliveira, mas nem esperança de ver seu dinheiro. Ao contrário o casal manda seu filho Silvio Luis de Oliveira dizer a Sidnei que pare de cobrar: perdeu, já era, dançou

Sidnei justificou na Justiça que Silvio Luis não apenas trouxe o recado, mas ameaçou-o. Se nada fizesse: antes ele do que eu. Pensando assim, naquele domingo, 30 de novembro de 2003 entrou no bar localizado na Rua Campinas 151, por volta das 11 horas da manhã.

Andréa Normandia disse que ambos estavam no bar e Silvio Luis foi em direção de Sidnei dizendo: “chegou a sua vez”. Outra pessoa afirmou que Sidnei nada falou, chegou por trás de Silvio Luis, e atirou de cima para baixo, pois a vítima estava sentada.

Em juízo a dona do bar e seu funcionário disseram que nada viram, mas confessaram ao GCM Josué que viram sim, e contaram com detalhes tudo o que aconteceu. Foi assim que o crime foi solucionado. E agora funcionário e patroa responderão por falso testemunho.

E ele, finalmente poderá dormir em paz. Foi condenado à sete anos de detenção, mas como respondeu preso, praticamente está na rua, faltam poucos meses. Nunca mais verá o dinheiro do caminhão, mas João acabou pagando caro pelo veículo. Sidnei não matou seu filho, mas alguém o fez por ele.

O assassinato do traficante do Jardim Rancho Grande.

Norman Friedman chamou de “onisciência neutra” uma forma de narrativa em que o autor não interronpe a narração colocando sua opinião. Aqui neste blog eu jogo as palavras no teclado de modo a que apareçam no monitor e confirmo apertando a tecla “enter”, fácinho-fácinho, e sendo assim é claro que meu ponto de vista fica patente, mas desta vez tentarei não opinar, confiando que os senhores que me lêem que me digam então qual é a verdade, se é que ela existe…

Na noite de 22 para 23 de abril de 2012 diversas viaturas da polícia militar estavam paradas próximo a residência do traficante Jairão do Rancho Grande, na rua Dr. Deodado Coimbra Galvão. O comentário geral o temido criminoso recebeu os cinco tiros no rosto e um no ombro disparados pelo garupa de uma moto.

Jairão seria um daqueles bandidos que desafiam a polícia e outros criminosos, e levam terror aos “zé povinho” que vacilavam no seu caminho, assim como fazia o Nei do Portal do Éden, morto a poucas semanas.

Mês ruim para os corajosos!

A verdade foi verdade pintada em preto nas alvas folhas do jornal Periscópio: “Vendedor é assassinado com 5 tiros na cabeça”. A leitura da matéria conta que um comerciante havia sido morto por um indivíduo em uma moto, que teria feito os disparos e fugido. Pobre trabalhador – devem ter pensado alguns leitores daquele jornal.

Quando da execução do traficante Nei, o Periscópio grafou que o auxiliar administrativo fulano de tal havia sido morto. Será que estamos vendo o mesmo fenômeno se repetir? Qual será a verdade, ou melhor, será que haverá uma verdade?

No próximo sábado Reginaldo Carlota pintará a verdade em vermelho rubi nas alvas folhas do Jornal Notícia Popular de Itu, mas será que estaremos lendo a “verdadeira verdade”?

Mês Ruim para a verdade!

O que se sabe de fato é que neste caso o homem de 27 anos era uma pessoa que de quando em quando ia até o Bairro Brasil, em um prédio que fica ali atrás da rodoviária ora para explicar sobre um tráfico para a juíza Dr. Andrea Ribeiro Borges, ora sobre dois assassinatos para o Dr. Hélio Villaça Furukawa, além de ter o caso de um terceiro assassinato correndo pelo Tribunal do Júri.

Em diversos textos aqui postados a verdade não está nas matérias que escrevo, e sim nos comentários dos leitores. Então quem sabe, desta vez eu descubra a verdade, se é que ela existe, e de quebra ainda mantenho a tal “onisciência neutra”.

Falta pouco para ele deixar de ser "de menor".

Não que o Jardim Rancho Grande em Itu seja um cadinho do inferno, mas longe está de ser um paraíso. Deus em sua imensa sabedoria colocou o Céu muito longe do Inferno, e ainda colocou o Purgatório entre eles. Ao lado do Rancho estão o Jardim Aeroporto e o Conjunto Habitacional São Judas Tadeu, bairros campeões de crimes relacionados às drogas na Zona Sul da cidade, não é preconceito é dado estatístico.

Naquele ambiente apenas os fortes sobrevivem, o fiscal de loja Nelson Nascimento Souza, um senhor de 65 anos, não era um deles, e naquele dia iria morrer, pois enfrentaria dois frutos protegidos da sociedade, dois criminosos, com todos os seus direitos, inclusive o de matar.

Sexta-feira, 11 de julho 2008.
Papelaria Real do Jardim Rancho Grande
– Av. Francisco Ernesto Fávero 19 – Jd. Rancho Grande

Nelson estava trabalhando quando dois indivíduos chegaram numa moto preta e se dirigiram a ele disparando quatro tiros, fugindo em seguida. A guarnição da Guarda Municipal chegou rapidamente ao local e ainda o levou com vida à Santa Casa de Itu onde veio a falecer.

Na mesma papelaria onde Nelson foi assassinado, na segunda-feira anterior, dia 07 de julho, dois adolescentes, um de 13 e outro de 16 anos, armados de revólver tentaram assaltar o estabelecimento, sendo que ambos acabaram presos após um deles ter disparado contra o próprio pé.

A lei avança cada vez mais em direção ao fundo do poço. Homens de bem não sobrevivem, Nelson resistiu aos apelos do lado negro da sociedade, pagando com a vida. A lei que favorece os menores infratores que são endeusados por pessoas com um oceano de boa vontade e nem um pingo de noção da realidade.

A morte daquele homem foi um aviso para aqueles que pensavam em reconhecer os menores que assaltaram a loja. Nelson não mais se levantará, mas aqueles que o mataram estão soltos, provando que ali “a Justiça somos nóis“.

Poucos dias depois um comerciante foi assassinado em seu estabelecimento a poucas quadras dali, próximo ao Batalhão da Polícia Militar, que por sinal foi alvo de um atentado a bomba, executado por um menor morador no Jd. Aeroporto.

Quem apostava que a Cidade Nova seria o primeiro bairro “dominado” pelo crime, errou. A Guarda Municipal e a Polícia Militar enfrentam todos os dias o desafio de manter a área sob controle, mas até quando vão lutar sem o apoio da população.

Aquele garoto de menor, com semblante inocente, manda um recado, abrindo uma fenda no peito de Nelson e de toda sociedade: aqui em Itu, na Cidade Cinema no Vale do Sol quem domina é um cruel anjo do Vale das Sombras, com seus 13 anos de idade.

Quase foi morto ao procurar uma mulher no forró.

Poucos são os seres que tem o poder de ver as cores, muitos vislumbram formas e tons, mas cores é um privilégio de poucos. Os cães veem um mundo cinza, nem por isso são mais tristes que os homens com seus bilhões de cores.

O Plenário do Tribunal do Júri da Comarca de Itu, dois homens debatiam: um deles defendia que o mundo era preto e branco e o outro que havia tons de cinza…

O Promotor de Justiça, Dr. Luiz Carlos Ormeleze, acusava André Aparecido da Silveira de no domingo, 10 de agosto de 2008, por volta da cinco horas da madrugada, ter tentado matar de maneira covarde Edvaldo Jesus de Almeida.

Contou que André, dono da Comercial AgroAndré no Bairro Potiguara, casado há 12 anos, ao invés de estar em sua casa com sua esposa, foi procurar outras mulheres no forró Caipirão de Itu, na Cidade Nova, mas estando bêbado o que encontrou foi confusão. Alguns menores haviam se incomodado com ele e quebrado seu carro, e daí ele os ameaçou com um facão que trazia no veículo.

Edvaldo chegou para fazer o meio campo, o “deixa para lá”, o “não vale a pena”, e dispersou a confusão. André inconformado com os danos no veículo foi até sua casa pegou uma arma e já desceu do carro atirando para matar: foram cinco tiros e pelo menos um acertou o peito de Edvaldo, perto do coração, mas Edvaldo sobreviveu.

André aterrorizou sim, lesionou sim, tentou matar sim. Por isso os jurados deveriam julgar o fato como ele realmente ocorreu, tentativa de homicídio qualificado, fazendo assim Justiça. O mundo é assim: preto ou branco, dizia Dr. Ormeleze.

A coisa não é bem assim, nos ensina o Dr. Wilson José dos Santos Múscari, nem ele nem o Promotor de Justiça estavam lá quando tudo aconteceu, e mesmo que estivessem, cada pessoa tem um entendimento diferente sobre um mesmo fato.

André alegou que agiu em legítima defesa, afinal eram sete rapazes contra ele, mas como deixou o local e retornou mais tarde para cometer o crime, isso desqualificaria essa linha de defesa, visto que para se configurar a legítima defesa ela deve ocorrer “…logo em seguida a injusta provocação da vítima”. Dr. Múscari afirma no entanto que o réu pode, mesmo assim, pedir o benefício, é um direito dele. No entanto em nenhum momento André teve a intenção de matar, como lhe acusa injustamente o Promotor de Justiça, prova disso é que disparou cinco tiros, mas apenas um em direção ao peito de Edvaldo, e antes poderia ter matado a todos com o facão.

André aterrorizou sim, lesionou sim, mas não tentou matar, e por isso os jurados deveriam julgar o fato como ele realmente ocorreu, lesão corporal, fazendo assim Justiça. O mundo é assim: diversos tons de cinza, dizia Dr. Múscari.

Mesmo que os jurados achassem que ele quisesse mesmo matar, deveriam atenuar a pena. André uma pessoa normalmente calma estava alterado naquele momento, quem é que não ficaria nervoso ao ver o carro sendo destruído por um bando de moleques.

André aterrorizou sim, lesionou sim, e tentou matar sim. Por isso os jurados deveriam julgar o fato como ele realmente ocorreu, tentativa de homicídio executado sob o domínio de violenta emoção, fazendo assim Justiça. O mundo é assim: diversos tons de cinza, dizia Dr. Múscari.

Além disso é um ultraje por parte do Promotor tentar agravar a pena alegando que ele foi covarde e pegou a traição Edvaldo: ambos haviam brigado, e ele disse que iria voltar, se o outro rapaz ficou esperando foi justamente para continuar a briga, portanto Edvaldo não foi pego à traição.

André aterrorizou sim, lesionou sim, tentou matar sim, e por isso os jurados deveriam julgar o fato como ele realmente ocorreu, tentativa de homicídio sem agravante, fazendo assim Justiça. O mundo é assim: diversos tons de cinza, dizia Dr. Múscari.

No grená mundo do Dr. Múscari, muitas possibilidades existem. No mundo preto e branco do Dr. Ormeleze apenas duas.

Os jurados decidiram que André tentou sim, matar Edvaldo mediante ato covarde, e condenaram-no a seis anos de reclusão em regime fechado.

O vermelho do sangue nos olhos apagou os outros bilhões de cores, agora tudo é preto e branco, ou talvez cinza. Os cães veem um mundo cinza, mesmo quando seus olhos estão vermelhos de sangue.

Traficante morto no Jardim Rancho Grande.

Ninguém há de me convencer que Bornai não sonhou noites a fio com aquele momento. Sentia-se pesado ao entrar no Tribunal do Júri da Comarca de Itu, no interior paulista.

Bornai foi retirado da cela do Fórum, onde aguardou sozinho ser chamado frente aos cidadãos que decidiriam se ele havia matado Ozenildo Bezerra Freire e tentado matar Juarez Brito Souza, o Alemão.

Cabeça baixa seguiu um Policial Militar pelo curto corredor estreito e escuro que separa a cela do salão do júri, este um lugar démodé, austero, e com seus cadeirões inquisitoriais.

Ele passou por ali inúmeras vezes nos últimos anos, pois o local é passagem entre a cela e as salas de audiências do Fórum. Sua mente fantasiou os diálogos milhares de vezes, ora ganhava a liberdade, ora não.

Fé em Deus! Não resistiu e deu uma breve olhada em direção aos seus amigos e familiares que foram para assistir o julgamento, mas não olhou para os jurados e para mais ninguém.

Dr. Hélio Villaça Furukawa, juiz presidente do Tribunal do Júri, faz breve narrativa sobre à razão pela qual Luciano Manoel da Silva, o rapaz conhecido como Bornai, está ali para ser julgado.

Madrugada de sábado, 12 de maio de 2007. 3h20
Próximo ao Quiosque do Japa, Praça Segundo Ferreti, Itu, SP.

Bornai conversa com Alemão, os ânimos se acirram. Alemão quer receber o dinheiro da droga que teria vendido e Bornai tenta mais um prazo. “Vou pagar, vou pagar, sê rá ligado que eu pago!” – não suplica pelo prazo, diz de maneira definitiva.

Alemão não baixa a bola, não pode, pois os fracos não sobrevivem no mundo do tráfico. Encara de frente Bornai e manda que pague. Talvez tenha dado uma última chance de acertar suas contas, talvez não.

O fato é que Bornai em algum momento passou a Leandro Henrique Rodrigues, o Neguinho, a arma que matou Ozenildo. Ele estava lá, e fez ver ao traficante que os fortes também morrem.

Juarez deve sua vida a falta de precisão nos tiros dado por Neguinho, e no decorrer do processo negou ter reconhecido Bornai como sendo participante no crime. Se por medo ou por preito a verdade só ele sabe.

In dúbio pro societate” o rapaz ficou preso quase três anos até aquele momento em que entrou no salão do júri, ouviu o juiz presidente e foi ouvido por ele. Poucas perguntas. Queria falar tudo que tinha pensado, mas pouco falou.

O promotor de justiça da comarca de Itu, Dr. Luiz Carlos Ormeleze, pede aos jurados que absolvam o réu por falta de provas. A família e o rapaz exultam em silêncio. A sentença é dada e Bornai volta a liberdade.

Em doze de maio de 2007, dia das mães, Bornai escolheu ficar no convívio de seus amigos, três anos ficou preso por ter tomado esta decisão, agora livre terá chance de escolher novamente.

Já Neguinho, só veio a ser julgado em 26 de agosto de 2010, sendo também considerado inocente pelo Tribunal do Júri de Itu, pelo mesmo motivo que Bornai, falta de provas.

Mulher é morta no São Judas por seu companheiro.

Dr. Carlos Antônio de Oliveira olhava nos olhos daquela senhora, e apontando para ela, gritava: “Fugindo da opressão que sofria na casa da Dona Ana, Renilde voltou a morar com João Ricardo”.

João Ricardo Pereira estava agora sendo julgado por matar de maneira cruel Renilde Moreira das Neves, no dia 21 de fevereiro na Rua Alfredo Rodrigues da Silveira 152, no Bairro São Judas na cidade de Itu.

Ele sempre negou que tenha feito qualquer mal a ela, prova maior é que eles já haviam vivido muito tempo juntos, depois ela ficou fora do lar por mais de um ano, quando ela pediu para que João Ricardo a aceitasse de volta. Todos testemunharam que isso era verdade, assim como que durante a longa ausência de Renilde, seu filhinho pequeno que morava com a avó materna, pedia para ficar com o pai, pois este era carinhoso para com ele.

O promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze mostrou que João Ricardo não era nem de longe o bom pai de família e esposo ideal pelo qual podiam ser levados a pensar aqueles que ouvissem o réu agora. As brigas entre o casal eram violentas e por duas vezes João Ricardo foi condenado na justiça por crimes contra sua mulher: uma vez teria lhe jogado álcool e ateado fogo, e em outra oportunidade cortou-lhe parte da língua.

João Ricardo lembra que naquela noite, quando chegou do serviço e encontrou-a num bar, e de lá foram para casa, juntamente com Antônio Marcos da Silva, o Neguinho, um morador de rua que eles conheciam. Já no lar, Renilde disse que estava com fome e saem novamente para pegar um lanche em um trailler próximo. Quando voltaram para casa: Renilde vai para o quarto; e ele e Neguinho ficam na sala assistindo televisão. Por volta das seis e meia da manhã o Neguinho vai embora e às sete horas a vizinha, dona Marta Josefina Onofre ouviu gemidos na casa.

Dona Marta ao entrar na casa encontra com João Ricardo que diz que a mulher está com cólica no fígado e que não quer ir para o hospital. Ele vai trabalhar deixando-a com a vizinha, que chama a mãe de Renilde, dona Ana, que agora se encontra olhos nos olhos, com aquele advogado que aponta para ela, gritando: “Fugindo da opressão que sofria na casa da dona Ana, Renilde voltou a morar com João Ricardo”.

Dr. Carlos então acrescenta: “… opressão que ela fazia com amor, opressão que ela fazia com o amor de mãe, que não queria nenhuma desgraça para a filha, que queria que Renilde saísse do vício do álcool e tivesse uma vida digna.”

Mas Renilde preferia ficar ao lado daquele que mantinha seu vício, e longe de sua mãe que a oprimia, e foi ao lado dele que ela encontrou sua morte. Sua mãe chora agora sua perda, a criança viu sua família ser destruída pelo álcool e João Ricardo foi condenado pelo Dr. Hélio Villaça Furukawa a doze anos de prisão.

Após ser levada pela mãe para a Santa Casa de Itu, descobriu-se que a mulher não tinha “cólica no fígado”, como dizia João Ricardo, teve seu crânio esmagado por ele. Renilde sobreviveu tempo suficiente para dizer aos médicos a verdade, e agora o Tribunal do Júri da Comarca de Itu, fará com que a sociedade ituana fique sem a companhia de João Ricardo Pereira, por pelo menos alguns anos.

Assassinato no Jardim Santa Laura em Itu.

Normalmente quando policiais prendem alguém, principalmente quando é o caso de um homem que acabou de matar a mulher com facada no peito, o clima é de comemoração e os comentários ficam por conta da façanha e da reação do criminoso, mas naquela madrugada de terça-feira dia 10 de abril de 2012 não era isso que estava acontecendo no plantão da DELPOL.

Até mesmos os policiais falavam com cautela a respeito do crime e sempre o comentário começava da mesma forma: “Ele era trabalhador, evangélico, calmo, não tinha nenhum vício, e ninguém esperava isso dele. Os vizinhos e parentes não entendem como é que ele pode fazer uma coisa dessas, não ele, jamais ele…” – e a conversa seguia só então para o crime e a prisão.

Aquele homem de trinta e um anos matou sim a mulher a facadas, crime passional e aparentemente sem grandes mistérios. A polícia militar chegou ao local faltando dez minutos para as duas da madrugada, pois um homem teria tentado matar a mulher à facadas na frente de sua filha de doze anos, mas ela ainda estava com vida e o resgate foi acionado.

Apesar da eficiência da equipe do Corpo de Bombeiros a Nilza Maria Mendes de trinta anos de idade, auxiliar de produção, acabou falecendo. A polícia militar imediatamente começou as buscas em um matagal que fica no final da rua onde é praticamente impossível se encontrar uma pessoa à noite, daquele ponto é possível acessar: a Represa do Braiaiá; ao terreno de uma cerâmica; e as matas e campos atrás dos bairros São Judas e Jardim Aeroporto.

Uma pessoa poderia seguir por aquelas matas até os municípios de Cabreúva, Jundiaí e Salto, sem passar por áreas urbanas e por essa razão, após fazer uma busca à polícia interrompeu a procura. Mas o assassino não fugiu, ficou ali nas proximidades e uma denúncia anônima deu a localização quase exata de seu paradeiro, e aí os policiais não perderam viagem. O procurado foi capturado e apresentado ao delegado de plantão.

As duas facas utilizadas pelo assassino foram entregues ao escrivão de polícia, e se não aparecerem fatos novos o Tribunal do Júri de Itu e o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze não terão dificuldade em condenar o rapaz pelo crime, cabendo a defesa encontrar alguns DVDs que teriam a prova da traição conjugal da mulher e que teria sido entregues ao irmão do criminoso, para reforçar a teoria de defesa de que ele teria agido sob “forte emoção”, e assim diminuir um pouco a pena.

Jardineiro é preso por estar com roupa molhada.

No 1º DP de Itu, o jardineiro sorocabano, o Pelé, pede para que avisem sua mãe. Ele estava lavando roupa quando a polícia o prendeu, e foi abordado só por estar molhado. Ora, isto lá é crime?


Peço ajuda aos leitores, que mais esclarecidos, me digam:E daí que a roupa do Pelé estava molhada, seca ou passada?”.

César que mora no Jardim Ipiranga em Sorocaba, veio à Itu em busca de trabalho, hospedou-se na casa de seu primo de consideração, Ícaro, também jardineiro, assim o primo poderia passar para ele alguns bicos.

O policial militar que abordou Pelé encontrou com ele duas porções de maconha, e lembra que sua estava roupa molhada. Questionado, Pelé disse que tinha acabado de tomar banho. Seja lá como for Pelé foi preso por tráfico de drogas.

Na Justiça, perante o juiz, Pelé afirma que estava indo comprar cerveja quando uma viatura o abordou e, como estava com a roupa molhada foi abordado e explicou que havia lavado roupa, como os PMs não acreditaram, Pelé levou-os até sua casa.

Peço ajuda aos leitores, que mais esclarecidos, me digam:E daí que a roupa do Pelé estava molhada, seca ou passada?”.

Várias ligações para o disque denúncia alertaram a Polícia Militar que uma pessoa com as características de Pelé estaria traficando por ali. Taí! Talvez a característica passada fosse:um indivíduo molhado, só pode ser.

Iperoense do bairro de George, Ícaro estava residindo no Jardim Santa Laura em Itu, fica em frente ao Campo de Futebol de Areia Santa Laura e da EMEI Profª. Maria Aparecida T. Navarro Dias. Foi no portão que César foi abordado e ao entrar na residência os policiais acharam:
• vinte e três porções de maconha embaladas individualmente em papel alumínio;
• cinco porções de cocaína embaladas em plástico transparente;
• dois rádios walk-talks ligados;
• caderno com anotações e desenhos alusivos à associação ao tráfico;
• desenho doCastelo do Pelé”; e
• R$ 134,00 em dinheiro.

Ícaro já respondeu à Justiça por porte de drogas e é usuário confesso. Veio para Itu para trabalhar, estranhou o movimento naquela casa, mas nunca desconfiou que fosse tráfico – apesar de vinte e duas porções de maconha terem sido encontradas na cama em que ele estava dormindo quando da batida policial.

Pelé nem perdeu tempo em dizer que a droga seria de fulano ou de sicrano, era dele mesmo, assim como o dinheiro que conseguiu no bico de jardineiro. As denúncias anônimas diziam que estaria traficando para o Itamar da Bica d’Água, mas ele nega.

É de saber geral que as pessoas que sofrem com o vício ficam desorientadas, e querem cada vez mais droga em seu poder. (…) ele nada tinha em dinheiro…”, assim argumenta a advogada ituana Drª. Camila Bovolon, concordando com Pelé, que afirma na Justiça que aquela droga era para seu consumo, esclarecendo que os rádios foram deixados pela inquilina anterior, e não fazia parte de um sistema de comunicação com olheiros.

Peço ajuda aos leitores, que mais esclarecidos, me digam:E daí que a roupa do Pelé estava molhada, seca ou passada?”.

Polícia prende, delegado solta para poder prender.

Certamente não há, no Jardim Faculdade em Itu, quem não tenha ouvido falar do tarado que por lá incomoda mulheres e crianças. Há muito a policia busca identificar e prender tal depravado, ou doente, como preferirão os politicamente corretos.

Folgo em ver a notícia no jornal Folha da Cidade, dando conta da identificação do maníaco, trabalho realizado pelas agentes da Polícia Civil da Delegacia da Mulher de Itu, onde foi ouvido perante a autoridade policial e responderá por mais este crime.

Chega-nos às mãos, trazido pelo Dr. Leandro de Campos Bochini, que acompanha o caso a pedido do autor de uma denúncia protocolada na Promotoria de Justiça da Cidade de Itu de data anterior à prisão: 13 horas do dia 09 de julho de 2010, onde se lê:

finalmente no dia 4 de fevereiro ele foi capturado pela Guarda Municipal, mas não ficamos livres do problema, pois em poucas horas já estava o mesmo de volta ao local. Inconformado fui à sede da Guarda Municipal, mas fui informado que a ordem (de liberar o maníaco) veio do delegado de polícia. Se de fato a coisa ocorreu de acordo com o documento que me passaram, realmente foi o delegado que deu a ordem por telefone para soltá-lo sem fazer o boletim de ocorrência.
Fui até o Fórum para ver se tinha dado entrada lá um processo em nome de Egídio Nascimento da Silva, indivíduo que foi reconhecido pelas mulheres. Qual a minha surpresa em ver que ele já respondeu a outros três processos, um pelo menos de natureza sexual
Minha inconformidade é que agora nem mesmo pegando em flagrante o delegado faz o BO. Solicito à Vossas Excelências que avaliem o procedimento de ambas as corporações envolvidas Polícia Civil e Guarda Municipal.
Informo também que em contato com um policial militar que de outra vez me atendeu neste mesmo caso que é comum os delegados de plantões dispensarem as ocorrências que não estão a fim de fazer, por telefone mesmo decide soltar os acusados

Anexo consta um Talão de Ocorrência da Guarda Civil Municipal de 04 de fevereiro, onde o GCM Wederson relata ter prendido Egídio, de 24 anos, funcionário do Restaurante Via Brasil no Bairro Vila Nova, que foi localizado em um terreno baldio na rua Mosteiro da Conceição, vestindo calça jeans e camiseta escura, conforme denúncia de uma vítima. Conduzido á Delegacia Central, “a escripol Renata, em contato com a autoridade de plantão, esta pediu que liberasse o averiguado e que as vítimas prestassem queixa pela DDM em data posterior.”

É cada vez mais comum a recusa na elaboração dos Boletins de Ocorrências por parte da Polícia Civil, reclamação constante na Promotoria de Justiça de Itu. No entanto, as barreiras estariam sendo impostas por recomendação da Seccional de Sorocaba, como forma de minimizar os problemas causados com a falta de pessoal nas delegacias.

Existem razões que a razão não compreende. Prender, soltar e depois investigar para descobrir quem seria e onde estaria um criminoso que já tinha sido preso, nos parece ser o caso.

De qualquer forma a DDM conseguiu sua manchete no jornal Folha da Cidade: “Policiais da Delegacia da Mulher descobrem quem é o ‘tarado do Jardim Faculdade'”.

A prisão do irmão Preto será o elo perdido PCC CV?

A prisão do irmão Preto preso no Rio de Janeiro está sendo assunto em algumas rodas na cidade de Itu no interior paulista, mas será que estão falando do mesmo cara? Não terá sido um homônimo que foi encarcerado no Rio? E se não for, o que isso pode significar?

Há tempos a imprensa vem dando notícias da migração de criminosos cariocas ligados às facções que tiveram suas bases desestruturadas pela pacificação dos complexos de favelas, o interior do estado de São Paulo e a periferia de sua capital seriam dois destinos preferenciais…

A cidade de Itu no interior paulista não desmentiu esta teoria, nem a provou, no entanto um novo dado poderá ser um desses possíveis elos ocultos entre o CV – Comando Vermelho e o PCC 1533 – Primeiro Comando da Capital.

Após a ocupação dos morros cariocas, alguns casos indicariam a presença migratória em Itu. Tênues, é fato. Até agora nenhum dado conseguiu ligar Itu ao crime organizado carioca, apenas existem indícios, e no caso de organizações criminosas ou secretas, nenhum indício pode ser desprezado.

Sempre na Região Sul ( Jardim Aeroporto / São Judas )…

O primeiro caso teria sido de quatro homens que oriundos do Rio teriam tentado sem sucesso dominar biqueiras pela região, intitulando-se da facção carioca AA – Amigo dos Amigos. Não se sabe ao certo o destino dos mesmos, conta-se que após o fracasso no tráfico teriam optado por se dedicar ao assalto com armas pesadas na região, e parece que um deles teria morrido em uma destes assaltos.

Outro caso seria que um membro do Comando Vermelho que estaria na região fazendo a integração entre as facções, mas o que se sabe ao certo é que a garotada da região de fato passou a curtir mais as músicas e a cultura do CV, no entanto isso pode apenas ser fruto da difusão da cultura das favelas pela Net, ou de fato ser fruto da tal integração.

Até agora nenhum dado comprovado ligava as lideranças da cidade a qualquer organização de outros estados. Até agora.

A possível prisão do traficante irmão Preto, um dos principais líderes do PCC local e provavelmente o mais violento, na cidade carioca de Itaperuna talvez venha a ser esta ligação.

O PCC não é uma organização com uma rígida estrutura organizacional, ao contrário, seu sucesso está justamente na flexibilidade e informalidade de sua malha. Desta forma não se pode esperar que exista o envio formal de um representante das organizações para um intercâmbio oficial para troca de experiências e abertura de negócios. O que de fato existe é a circulação e o contato entre pessoas e lideranças e negócios e acordos reais sendo fechados. E funciona.

Não existe ponto de drogas na cidade de Itu que não esteja ligado direta ou indiretamente ao PCC, está é, portanto, uma organização de sucesso. Nenhuma outra empresa conseguiu em nenhum outro ramo de comércio ou serviço na contemporaneidade o monopólio, e esta facção, apesar de ilegal conseguiu. Imaginemos um quadro onde poder já conquistado através dos negócios gerenciados pela facção paulista seja adicionado os arranjos políticos e sociais desenvolvidos pela facção carioca.

Agora vem a notícia da prisão por tráfico de entorpecentes no Rio de Janeiro do irmão Preto. Este homem já foi preso por diversas vezes em Itu, e depois de ter sido libertado do sistema carcerário, optou por não ficar no Jardim Vitória, onde seria alvo fácil para policiais que poderiam querer vingar o espancamento de um colega numa de suas biqueiras.

Mas o que estaria fazendo o famoso criminoso ituano em terras itaperunenses?

Talvez tenha ido visitar sua famosa estátua do Cristo Redentor com vinte metros de altura, sem ter que temer se assaltado na subida da encosta; talvez tenha sido a situação geográfica do município que além de ser fora do estado de São Paulo e longe da polícia paulista, fica na fronteira entre três estados: Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais; ou talvez seja a primeira ligação do crime organizado do Rio com o de São Paulo; ou finalmente algum parente ou amigo que o levou para aquelas bandas.

Como disse, até agora nenhum dado conseguiu ligar Itu ao crime organizado carioca, apenas existem indícios, e no caso de organizações criminosas ou secretas, nenhum indício pode ser desprezado. Por outro lado, quem sabe nem é o mesmo irmão Preto que por lá foi preso, afinal estão falando por aí, mas… até papagaio fala não é mesmo? Eu particularmente acredito ser outro o cara, mas não deixaria também de falar… assim como os demais papagaios.

Já estará nas ruas o Tenente Júlio César Gabarron?

Júlio César Gabarron foi considerado inimputável do assassinato de sua esposa grávida de sete meses Miriam de Castro Gabarron e da tentativa de homicídio contra o GCM Rovaldo e o GCM Edmur Pessoa, devendo ser internado em manicômio judiciário para tratamento. Decisão tomada às 15:30 do dia 29 de abril de 2010, pelo Tribunal do Júri de Itu, presidido pelo juiz de direito Dr. Hélio Villaça Furukawa.

Tanto a Promotoria de Justiça, representada pelo Dr. Luiz Carlos Ormeleze, quanto os advogados de defesa, Dr. Daniel Gustavo Pita Rodrigues e Drª. Valéria Perruchi, sustentaram a tese que o 2º tenente da Polícia Militar Júlio César Gabarron é uma pessoa de alta periculosidade que sofre de paranoia, uma doença mental incurável, e pediram sua internação e afastamento do convívio da sociedade, mas não a sua condenação, pois no momento do crime agiu inconscientemente, pois estava mentalmente deformado, sendo movido por sua mente delirante, persecutória, que o fez agir pensando estar agindo em “legítima defesa”, defendendo-se de uma injusta e imaginária perseguição. E esta tese foi aceita pelo corpo de jurados.

Sexta-feira, 4 de agosto de 2006. 13:00
Hotel Vila do Conde, Itu, SP

Gabarron efetuou mais de cinquenta disparos contra Miriam, tendo acertado vinte e duas vezes e provocando sua morte e a do bebê. O oficial estava em trajes civis mas usando colete balístico e armado com duas pistolas, cercado pela Policia Militar e pela Guarda Civil Municipal, reagiu à tiros em direção do GCM Edmur Pessoa e do GCM Rovaldo, ferindo o primeiro na perna.

Após negociação acabou se rendendo aos seus colegas de farda, tentou inicialmente enganar aos colegas dizendo que o hotel havia sido alvo de uma organização criminosa, mas logo confessou a execução dos crimes, alegando que não estava em seu estado normal quando atirou contra a esposa, mas não apresentou as razões de sua atitude para a delegada Drª. Lia Limongi Arruda Matuck Feres, posteriormente na Justiça explicou que por trabalhar no P2 da Polícia Militar recebeu informações sobre possíveis assassinatos e de vereadores e outras autoridades pelo PCC na onda de atentados de 2006 e da presença do irmão de Marcola em Mairinque, oportunidade em que passou a fazer levantamentos e centenas de mandados de busca e apreensão, e todo este clima acabaram por abalar seu equilíbrio.

Ainda segundo ele, os atentados dos dias dos pais de 2006, perpetrados pelo PCC – Primeiro Comando da Capital, levaram-no a um estado de desespero contínuo, pois ele tinha certeza de que ele e sua família seriam alvos de atentados. Miriam teria inconscientemente provocado a sua própria morte ao relatar a ele que teria recebido telefonemas ameaçadores no local de trabalho e ele passou a suspeitar então que seus telefones celular e residencial estavam grampeados. A morte dos dois policiais militares em Salto e do Vereador Paulinho da Lanchonete, que era seu informante, assim como a explosão de bomba no Batalhão da PM, fizeram-no chegar ao ápice em sua paranoia, passando a desconfiar de seus colegas de farda e de seus superiores hierárquicos.

Apesar de todos estes transtornos que passavam pela mente de Gabarron, ele era conhecido por todos que conviviam com ele como uma pessoa boa, pacata e quieta. Policial há nove anos, estava trabalhando há dois anos no 5º Batalhão da Polícia Militar, e na época do crime exercia função de chefe da agência área do 50º BPM/I.

Interessante é ver como Gabarron sendo Policial Militar conseguiu esconder de todos seu ímpeto assassino, trabalhando no meio de profissionais que deveriam conseguir distinguir tais sintomas, mas isto é explicado no próprio comportamento do paranóicos que transmitem à todos uma aparente tranqüilidade e cuidado nas palavras, mas que basta um motivo para que o pior venha à luz e as palavras doces sejam substituídas por sangue em fração de segundos.

Em 2007 quando da decisão dos jurados, o Dr. Ormeleze garantiu que pelo menos por três anos Gabarron ficaria sob a custodia do estado, podendo ser liberado por parecer médico. Cabe agora, já passado estes três anos. Gabarron já está livre vivendo entre nós?

O caso da simpática Baleia Loka da Cidade Nova.

Orson Welles, um mestre entre os mestres, ao ouvir aquela história chamou-me de canto dizendo que era preciso ter dúvidas, pois só os estúpidos tinham confiança absoluta em si mesmos. O mestre teria razão neste caso?

A moça diz a verdade, suas palavras e seu olhar transbordam sinceridade, evidenciando este fato. Viviane Ferreira Silva, conhecida como Baleia Loka, é uma mulher trabalhadora que não mede esforços para ganhar seu dinheiro. Ela é revendedora de lingerie para uma sexy shop, a Oficina dos Prazeres. A empresária Vanessa Cristina de Souza mostra através de documentos os frutos do trabalho de Viviane. Mas não é apenas dali que Viviane tira seu sustento. Suas vizinhas, Fátima Maria de Souza Rosa e Elias Palozin, afirmam que Viviane é uma pessoa muito conhecida e extrovertida, do tipo que só leva alegria a vida dos outros. Seu único problema é ser dependente das drogas.

Terça-feira, 13 de outubro de 2009. 17:30
Avenida Felicidade snCidade Nova, Itu, SP

Viviane é presa. Os policiais patrulhavam as imediações e receberam a informação que uma mulher loira estaria traficando drogas numa área verde com um gramado baixo e perto da rotatória. Lá encontram Viviane senta em uma almofada. Ela nunca negou que estava naquele local e nem que as duas pedras de crack que estavam em sua boca lhe pertenciam, mas não haviam setenta pedras da droga em sua almofada, isso não, os policiais é que entrouxaram para ela.

Viviane contou a juíza da 1ª. Vara Criminal de Itu, Drª. Renata Carolina Casimiro Braga, que ela é sim usuária de crack há cinco anos, e naquele dia tinha saído com três homens para conseguir R$ 90,00 para comprar drogas. Já tinha duas paradas consigo, mas queria mais sete, foi até aquela biqueira e pediu as pedras para a garota de menor que faz as correrias, nisso chegaram os policiais que meteram a mão no seu sutiã pegaram a grana, mandaram a de menor embora, foram até um matinho lá perto e trouxeram um saquinho onde estavam estas drogas.

A Drª. Liliane Gazzola Faus, defensora de Viviane, lembra que os policiais apresentam-na na delegacia como trazendo a droga e não traficando, e o artigo 28 da Lei de 11.343/06 diz que quem … trouxer consigo, … é usuário.Viviane nunca negou ser usuária, ela sempre disse a verdade, suas palavras e seu olhar transbordam sinceridade, evidenciando este fato. Viviane é uma trabalhadora que não mede esforços para ganhar seu dinheiro para sustentar seu vício.Orson Welles que me perdoe, mas não é preciso ter dúvidas, pois só os estúpidos não têm confiança absoluta em si mesmos.

Antigamente o mordomo era sempre o culpado agora nos tempos modernos é a polícia, e ponto final.

Em Itu cachorra é prova que madrasta foi a culpada.

O Tribunal do Júri de Itu julgará aquela mulher, e queira Deus que justiça seja feita, inocentando-a ou condenando-a, pois o crime foi bárbaro. O caso da madrasta que tentou matar enteado com golpes de talhadeira jamais será esquecido. Mas podemos ter certeza que de fato foi ela?

Meu velho amigo Auguste Dupin esclarece que discernimento é uma palavra cujas correspondentes em gregas são “anakrino” e “diakrino”, cujos significados se completam. Anakrino reporta-nos examinar ou julgar bem de perto e diakrino que nos instiga a investigar e examinar. De fato usamos nosso discernimento ao acusá-la?

Trago portanto aos senhores alguns dados tirados de perto das cenas onde os fatos transcorreram, para que possam então investigar e chegar as suas conclusões.

Sábado, 05 de abril de 2009. 3:30
Rua Cerquilho 25, Cidade Nova, Itu, SP.

O corpo do garoto de seis anos, deficiente físico nas mãos e nos pés, foi encontrado envolto sobre um monte de areia de construção no fundo da casa onde mora, envolto em um edredon, e empapado de sangue sobre sua cabeça, um pano de prato branco estampado: “Livrai-nos de Todo o Mal Senhor.”

A madrasta Camila Cristine Estefano de 20 anos, e a companheira de seu sogro Ivone Regina de Oliveira de 29 anos, encontram-no ainda com vida.

Ivone aciona um vigilante de rua que segue rapidamente até o PAM de Vila Martins, uma ambulância chega em dez minutos na residência. Os médicos do Pronto Atendimento Médico encaminham-no para o Hospital São Camilo, e acionam a Guarda Civil Municipal. Enquanto o GCM Rota passou a acompanhar o garoto e seus familiares, o GCM Marcelo preservava o local do crime.

A Dra. Paola Rosa de Queiroz, médica que atendeu o garoto no hospital lembra que ele chegou inconsciente, com fratura craniana e cortes com hemorragia na cabeça, foi entubado e seu estado era crítico. Segundo familiares, um dos médicos da UNICAMP disse que o “só por Deus” o garoto sobreviveria.

As investigações levaram naquela mesma manhã o delegado de polícia do 4º DP de Itu, Dr. José Moreira Barbosa Netto, a prender a madrasta, que acabou por confessar o crime.

O advogado Dr. José Aldo Ribeiro da Silva revolta-se contra a prisão de Camila. Segundo ele, o garoto só não morreu porque ela teria chamado ajuda em seu socorro. Reconhece que a confissão na delegacia tem validade, mas foi conseguida de maneira imprópria. Camila, uma pessoa simples, estava fora de seu estado normal por haver passado a experiência mais traumática de sua vida, vendo seu enteado naquela situação e ela acusada injustamente. Segundo Dr. Aldo ela foi portanto coagida a confessar através de técnicas de pressão psicológica.

Camila contou antes de ir até a delegacia e depois na Justiça que seu marido Fernando Torres exigia que não seja fechado o trinco da porta da casa que fica voltada para o corredor interno, faz isso para que o garoto pudesse ir até a casa do avô a hora que quisesse. Segundo ela, por lá entrou um casal que praticou este crime e ameaçaram Camila, caso ela os delatassem, voltariam fazer o mesmo com a filha dela, de apenas dois anos de idade.

Fernando Torres, o pai do garoto, seria o verdadeiro alvo da vingança, e o menino apenas o meio escolhido para feri-lo. O crime seria na verdade um plano muito bem elaborado engendrado de dentro da prisão por Adriana Lopes Siqueira, condenada por tráfico de drogas e legítima mãe do menino. Conseguindo incriminar Camila, Adriana se vingaria de Fernando e ainda abriria caminho para seu retorno com o garoto.

Em um país onde políticos inescrupulosos não roubam tanto o dinheiro destinado a segurança, saber o autor de um crime como este seria simples. A talhadeira usada para tentar matar o garoto foi recuperado na mesma madrugada pela Guarda Municipal e entregue à Polícia Civil. Digitais e traços de DNA estariam na arma. Mas aqui, neste caso,tanto a acusação e a defesa se baseiam em Neguinha.

Neguinha é uma cachorra vira-latas que mora naquele corredor. Segundo a acusação Camila mente pois se alguma pessoa estranha lá tivesse chegado, Neguinha teria latido. Já Camila conta que a cachorra não late para ninguém. O próprio garoto, hoje recuperado diz perante a juíza: “… a cachorra Neguinha não late não …” e logo em seguida “… eu tinha um pitbull chamado Thor mas morreu depois que Camila foi presa, mas ele não latia não, quem latia era Neguinha …”

A palavra final está então nos latidos de Neguinha. Isto é Brasil.