Máquina caça-niqueis furtada de dentro da DP.

Sua mente trabalhava com afinco naquela noite para conseguir justificar o que estava fazendo. Ninguém acreditaria naquela história, fosse ela verdade ou não, afinal quem poria fé em três rapazes que dissessem que entraram no pátio da delegacia e retiraram a máquina caça-níqueis só por curiosidade?

Terça-feira, 07 de Julho de 2009. 22:40
4º Distrito Policial de Itu, Rua Osasco 26, Cidade Nova, Itu, SP.

O cratense Leandro e dois adolescentes carregavam tranquilamente uma máquina caça-níquéis, modelo Halloween, sem suspeitarem que uma viatura da Guarda Civil Municipal de Itu, que estava em patrulhamento de rotina, acompanhava seus movimentos. Apesar da estranheza que a atitude dos rapazes transmitia, os guardas acompanharam por algum tempo a movimentação.

O indaiatubano GCM Oliveira e o missaovelhense GCM Roberto Vicente abordaram o trio ao chegarem a Rua Penápolis. A desculpa dos garotos foi tão fria quanto aquela noite de inverno. Iluminados pelas luzes coloridas do giroflex da viatura que oscilavam na escuridão, contaram que estavam passando e viram o portão da delegacia aberto, entraram e retiraram o equipamento para ver como é que funcionava.

Depois os mesmos jovens contaram na delegacia que uma mulher loira, dona de um bar havia prometido a eles R$ 10,00 cada um para que lá entrassem e jogassem a máquina fora, avisando que o portão estaria aberto. Tudo teria dado certo se aqueles guardas não tivessem interrompido seu trabalho.

Os peritos da Polícia Civil foram chamados para estudar o local. Edna Aparecida das Neves e Ana Ester Pereira de Souza não puderam dizer ao certo se o portão estava realmente aberto, apenas afirmaram que não existem indícios que tenha havido arrombamento.

Drª Liliane Gazzola Faus acompanhou Leandro na audiência onde o promotor de justiça Luiz Carlos Ormeleze pediu ao juiz que beneficiasse o rapaz com a suspensão da pena por seu crime. O juiz Dr. Hélio Villaça Furukawa aceitou o pedido, mas exigiu que Leandro retorne a cada dois meses ao Fórum da Comarca de Itu para justificar suas atividades.

Leandro agora deve prestar um pouco mais de atenção nos seus atos, pai de uma criança de apenas um ano de idade, por pouco não perde a oportunidade de ver seu rebento crescer ao seu lado. Já ao Dr. Antonio Carlos Padilha, que era o delegado que atendeu a esta ocorrência aquele noite ficou a dúvida: será que deixaram o portão aberto mesmo? E a mim ficou outra dúvida: quem é a dona do bar que tinha tanto interesse em que a máquina caça níqueis sumisse?

De Menor agora é preso como De Maior.

Dr. Carlos Antônio de Oliveira é um dos mais brilhantes advogados criminalista da Comarca de Itu. E era ele quem estava à frente da juíza de direito Drª. Andrea Ribeiro Borges na expectativa de liberar o pintor Ivan Vinicius Petrotti da acusação de tráfico.

Na versão do defensor as coisas se deram mais ou menos assim…

Quinta-feira, 7 de maio de 2009. 20:55
Centro de Laser da Bica D’Água, Bairro Santa Tereza, Itu, SP

Ivan acabara de comprar algumas porções de maconha para consumir. Ele é viciado desde os dez anos, e aos quinze esteve em tratamento na antiga Casa Renascer, atual Centro Terapêutico Novo Horizonte, um centro de tratamento para dependentes químicos. Adriano Alves é coordenador da entidade e afirma que o garoto ficou por lá apenas vinte dias, pois não conseguiu seguir o tratamento.

O garoto passou pelo centro de laser, resolveu ficar assistindo uma partida de futebol, e como é conhecido por lá desde os tempos de criança, foi convidado para participar do jogo. Abaixou-se para esconder a droga e entrar no campo, e neste momento foi abordado pelos homens da Guarda Municipal.

Com o rapaz havia quatro porções de maconha e R$ 85,00. O advogado conta que o dinheiro foi dado por sua mãe, oriundo dos bicos que seu pai que fazia.

Drª Andrea ouviu o que o advogado, mas os agentes da segurança pública foram firmes e unânimes na descrição da ação.

Na versão do GCM Eliseu e do GCM Freire as coisas se deram mais ou menos assim….

Havia informações que estaria acontecendo ali trafico de entorpecentes. Os guardas pararam a viatura a certa distância na Rua Cleto Fanchini, e ficaram observando. Ivan já era a conhecido dos meios policiais, seu apelido era “De Menor”, e já tinha sido recolhido duas vezes por tráfico quando inimputável.

De Menor ficava ele em pé próximo a quadra assistindo o jogo, os jovens chegavam até ele e recebiam a droga, ia ele então até a árvore e abaixava-se para pegar uma nova porção. Os guardas acompanharam o movimento quatro ou cinco vezes antes de abordarem.

Na revista pessoal acharam os oitenta e cinco reais e nada de drogas. GCM Eliseu disse a ele que sabiam onde a droga estava, ao que o rapaz respondeu: Já que o senhor está observando há algum tempo, vai lá e pega. E foi o que o guarda fez.

O guarda contou a juíza que o garoto disse que a Blusa Op que ele usava naquele dia tinha sido comprada com o dinheiro do comércio de entorpecentes, tendo custado R$ 560,00. Outro dia foi abordado por ele na Cidade Nova com R$ 400,00, mas sem drogas, e em outra ocasião ao ser abordado “deu pinoti”. A própria mãe do garoto disse à guarnição que ele estava dando problemas.

A delegada Drª Lia Limongi Arruda Matuck Feres ouviu do garoto na presença de sua mãe uma história bem diferente da que o Dr. Carlos contava agora à juíza de direito.

Na versão de Ivan as coisas se deram mais ou menos assim…

Chegou ao Laser com mais de vinte porções de maconha para serem vendidas, escondeu-as próximo à raiz de uma árvore, no interior de um saquinho. Cada pessoa que chegava ele vendia uma e ia então buscar outra. O preço de cada porção era R$ 5,00 e ele pagou no tablete de 50 gramas, R$ 50,00. Na casa de sua mãe no Parque Nossa Senhora da Candelária os policiais acharam dois tubetes do tipo que se usa para passar cocaína, mas ele só tinha usado para colocar farinha dentro para ver quanto cabia.

O perito criminal, Dr. Isaias Wanderley Carvalho declarou depois de examinar os tais tubetes que a farinha usada por Ivan é mais conhecida como cocaína.

Com tudo isso Drª. Andrea não achou crível que as porções de entorpecentes apreendidas se destinassem, exclusivamente ao consumo próprio de Ivan, considerando sua condição financeira, que sequer possuía uma ocupação lícita habitual, evidenciando que a droga, ao menos em parte, se destinava a comercialização.

Ivan foi condenado há três anos e quatro meses e doutor Carlos pode dormir tranqüilo, pois outro cliente que se enrosque sozinho como este só daqui uns dez anos.

Pai utiliza filho como mula no tráfico de drogas.

Não pretendia interromper minhas férias. Jurei ficar de pijama todas estas frias noites, minha maior preocupação seria com a temperatura do chocolate quente. No entanto o Jornal Periscópio de quinta-feira, 10 de julho me fez sair da letargia.

Pai usa o filho para esconder droga da polícia – comerciante escondeu no bolso da calça do filho de 10 anos, cerca de 400 gramas de cocaína e acabou preso no Bairro Santa Tereza.”

Poucas coisas me indignam mais que a covardia de um pai se escondendo atrás de uma criança. O periódico diz que Reinaldo de 42 anos estava em seu Monza vinho quando foi abordado: os policiais desconfiaram da atitude da criança, revistaram-na e encontraram a droga.

Reinaldo é um homem acostumado a bater em mulheres, já tendo sido beneficiado diversas vezes pela nossa legislação. Em Macatuba foi condenado duas vezes por lesão corporal (1989 e 1994) – penas irrisórias, que só o fizeram rir.

O garoto, seu filho, agora usado como mula, foi acordado em uma noite, quando tinha oito anos e juntamente com suas duas irmãs, todas crianças, presenciaram o pai bêbado, “cantando bobagens em voz alta”, tirar as roupas e passar as mãos na sua mãe exigindo sexo ali, na frente de todos.

Sábado, 13 de dezembro de 2008. 2 horas da madrugada
Rua Helena Vilaron Xavier 26, Jardim Oliveira, Itu, SP

A mulher dorme com os três filhos na sala. O frentista chega embriagado, quer sexo ali mesmo, e com sua recusa ele a esbofeteia. Ela quer se separar, mas depende economicamente dele. Foram três socos na cabeça. Esse é o covarde e depravado Reinaldo.

Ele não titubeia, pega suas coisas e sai da casa ameaçando “voltar terminar o serviço que começou”. E o pior para aquelas crianças, sai deixando-os sem nada para comer e nenhum dinheiro para se manterem. Este é o covarde e chantagista Reinaldo.

Gritando na frente de todos que ela era vaca, puta, vagabunda, piranha e biscate. Diz saber que ela tem um amante e diz que matará a ambos se os flagrarem juntos. Ao mesmo tempo assume que tem uma amante, Mônica, em Parelheiros, bairro onde estava morando e trabalhando. Este é o covarde e imoral Reinaldo.

Ele só vinha no final de semana para ficar com as crianças. Mas a mãe se negava a deixá-lo levar os rebentos, visto que segundo ela, ele às levava para os bares, saindo dirigindo bêbado em alta velocidade. Este é o covarde e irresponsável Reinaldo.

Ele disse a ela: “Quer ver como eu calo sua boca, vagabunda”, e desferiu-lhe um soco. Esse homem saiu da casa e retornou logo em seguida para pegar a dentadura que ele havia esquecido. Este é o covarde e ridículo Reinaldo.

O oficial de justiça Rodrigues de Parelheiros teve dificuldade em encontrá-lo por lá, o endereço que dado por ele na polícia, Estrada da Colina 600, não existia, mas graças à dedicação do servidor da justiça, localizou-o morando e trabalhando no Auto Posto Áster.

O Dr. João Teixeira Alves, seu defensor, disse que nada disso foi verdade, que ele ia sair, ela segurou seu braço e que ele levou o braço com força para traz, atingindo-a sem querer. Ele por sua vez fez acusações a ela pelo relaxo com que cuida da casa e dos filhos. Mas prefiro achar que não é verdade o que ele diz, pois um verdadeiro pai jamais permitiria que seus filhos vivessem no ambiente como o que ele descreveu.

Este homem, se é que se pode chamar de homem este ser depravado, foi beneficiado neste processo de 2008, como em todos os outros, com a suspensão por dois anos. Sua pena é ir até o Fórum uma vez a cada dois meses e dizer que está tudo bem, e que não dá nada para ele. Isto é Brasil.

Um país onde os valores são invertidos. Se bobear, e temo até chamar uruca ao dizer isso, o alto-alegrense Reinaldo sairá como usuário, e portando sem pagar nada por este crime também. Os policiais que revistaram a criança, poderão responder pelo seu ato, afinal o menor estava protegido pelo ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, e não poderia ter sido constrangido.

Chamar o Guarda de "Viado" custa 150 reais.

Quando disseram àqueles guardas civis municipais que iriam atender a mais um caso de desinteligência que ocorria pelos lados da Avenida Paz Universal, os homens foram preparados para tudo, ou quase…

O itabiense GCM Gilmar e o careaçuense GCM Almeida chegaram ao local e de pronto tiveram que partir para o socorro dos feridos. Menos mal, em geral a Guarda Municipal tem primeiro que colocar a casa em ordem para só depois socorrer os feridos, estava fácil de mais, não podia ser só isso.

Briga de bêbados, sempre briga de bêbados. Seria até difícil entender o porquê do governo municipal não declara a lei seca como outras comunas já o fizeram se não pela conveniência política, afinal não se pode tirar o circo da plebe. Dar realmente educação e cultura custa caro e não dá para meter a mão no dinheiro, circo é mais barato.

Os homens da guarnição acompanham Daniel Vinícius da Silva, um dos feridos até o PAM da Vila Martins, para receber os primeiros socorros. Também é levado um rapaz que se declarou amigo da vítima, o Ricardo Júlio Ferraz, um jovem que como os outros estava bêbado e assim cheio de coragem etílica.

Aquela noite para Ricardo só deverá terminar dentro de alguns dias, pois foi condenado a pagar R$ 150,00 de multa por uma única palavra dita aquela noite: viado!!! Dr. Hélio Villaça Furukawa, condenou-o a pagar no dia de hoje, 10 de julho de 2010, este valor à GAPISI (Grupo de Apoio, Prevenção e Informação ao Soropositivo de Itu).

A briga já havia terminado, todos estavam esperando apenas a liberação médica do colega para conduzir-lo de volta ao aconchego do lar, quando Ricardo, num rompante de sabedoria declarou: “Hoje é minha mãe que chora, amanhã será a dele!!!” Ameaça gratuita e até agora não entendi bem a quem foi dirigida, mas talvez nem ele soubesse.

Também já havia passado por um dos guardas que ajudaram no socorro, parado e declarado: “Não vou com a sua cara!!!” Procurou, procurou até que achou. Num momento de inspiração shakespeariana virou para um dos policiais e disse: viado!!! Bastou isso para que o jovem corajoso fosse convidado a voltar para dentro da viatura e passasse mais alguns agradáveis momentos conversando com o Dr. Antônio Carlos Padilha, delegado de polícia do 4º distrito policial de Itu.

A mãe de Ricardo talvez tenha estranhado naquela noite a falta de um filho tão preocupado consigo aquela noite, talvez a única na qual ele optou por ir se embriagar no meio dos amigos e arranjar briga em bar, mas talvez já esteja acostumada com isso e tenha uma idéia de onde errou.

Tenha fé senhora mãe do Ricardo, cujo nome prefiro não citar aqui, que enxugará dos teus olhos toda lágrima, não haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. Pena senhora mãe do Ricardo, que até que se cumpra esta palavra que está em Apocalipse 21:4, a senhora tenha ver teu nome usado por um filho que deveria estar ao seu lado e não em um bar buscando levar dor à uma mãe, a sua própria ou a de outros.

Aguardei ansioso durante todo o processo ouvir a voz de Ricardo, sua versão, sua defesa. Mas preferiu o silêncio, diante do delegado, do advogado, e do juiz. Um direito seu, escolher a hora de falar, escolhendo as palavras com cuidado dentro de seu piscoso vocabulário, tipo viado, por exemplo.

Quando disseram àqueles guardas civis municipais que iriam atender a mais um caso de desinteligência que ocorria pelos lados da Avenida Paz Universal, os homens foram preparados quase tudo, menos para isso.

Falsa comunicação de crime e sua punição.

Rodrigo Domingos Sevandija garantiu-me que a morte de Aparecido Donizetti Gobetti poupou Dr. Hélio Villaça Furukawa, juiz de direito da Comarca de Itu, de cometer uma injustiça. Confesso que não me dispus a discordar de Digão, como sempre, ficaria eu de cara emburrada um tempo, não lhe daria razão, mas no fundo sabia que como sempre ele tinha razão.

Terça-feira, 20 de outubro de 2010. – 7 horas e 15 minutos
Rua Lençóis Paulista 96, Cidade Nova, Itu, SP.

Quatro viaturas da Polícia Militar do Estado de São Paulo cercam a residência. Os agentes da segurança pública se preparam para entrar. Será uma ação de risco. O homem que está dentro daquela casa, avisa pelo telefone que está armado.

O torneiro mecânico Aparecido tem trinta e seis anos é o autor das ameaças. Ele passou a noite toda ligando para o telefone de emergência da polícia chamando para a residência. A afirmação era sempre a mesma: estou armado.

Os policiais invadem a casa onde ele mora sozinho. Aparecido está ainda ao telefone com o COPOM. É imobilizado. Era brincadeira. Ele não estava armado e sequer tinha uma arma em sua casa ou seu carro.

Perante o Dr. Antônio Carlos Padilha, delegado do 4º distrito policial de Itu, ele dirá que tem problemas com a bebida e sofre com alucinações. Se Aparecido simplesmente estava brincando, estava bêbado ou alucinado, agora nunca mais saberemos.

O delegado mandou para casa o homem, ele responderia pelos seus atos perante a Justiça, mas Aparecido era com certeza um trabalhador que nunca teve problemas com a Lei. Apenas uma pessoa que causou um baita de um problema.

Digão declarou que a justiça neste caso seria a simples suspensão do processo. Neste caso o juiz não puniria realmente o infeliz que fez a brincadeira seja lá por qualquer que tenha sido o motivo. Comprovando que neste país o crime não tem castigo.

Digão declarou que a justiça neste caso seria a solicitação de exames de quimiodependência e psicológicos. Neste caso o juiz não puniria realmente o infeliz, pois até o processo acabar já estaria extinta a punibilidade, e talvez até fosse considerado inimputável. Comprovando que neste país o crime não tem castigo.

Digão declarou que a justiça neste caso seria a imposição de alguma pena alternativa, como o pagamento de cestas básicas a alguma instituição filantrópica. Comprovando que neste país o crime não tem castigo, tem sim preço. Se eu estiver grana posso cometer qualquer delito, basta querer pagar, o que é de fato injusto.

Como não se aplicariam neste caso penas de prisão ou serviço comunitário, restaria ao Dr. Hélio Villaça Furukawa, juiz de direito da Comarca de Itu, cometer uma injustiça, seja para com o Aparecido, seja para com a sociedade.

Confesso que não me dispus a discordar de Digão, como sempre.

Os flanelões da Praça da Independência em Itu.

Mesmo não tendo dúvidas que ele seja culpado – me respondeu meu amigo Chevalier Auguste Dupin com o seu sangue-frio habitual –, não haverá nenhuma lei que possa puni-lo, mas seria justo deixá-lo livre?

Estávamos nós naquele dia esperando sua esposa, que havia entrado na Igreja Nossa Senhora do Carmo de Itu, um patrimônio histórico sem igual em nossa cidade, quando assistimos aquela cena lamentável.

Ah! Se ele fez besteira, é outra história; – continuou Dupin – mas que ele está acima da Lei, isto lá ele está. E veja, não se nos depara aqui uma razão suficiente para uma condenação. As penas devem ser proporcionais aos delitos.

Ao nosso lado dois artesãos expõem na Feira de Artesanato da Praça do Carmo também apreciavam a cena: Amauri Marquezi e José Denis Moreira, este um orgulhoso filho da cearense Jaguatibe.

A justa cólera que está no seu coração – disse o Dupin apenas para me enervar – deve se curvar ante a generosidade, tão característica do povo brasileiro; que só condena um homem quando é absolutamente necessário.

O meu amigo francês sempre que podia ironizava os excessivos direitos que gozam os criminosos sul-americanos, desde os governantes aos mais simples contraventores  – segundo ele aqui é o paraíso da impunidade.

A cena por nós quatro assistida foi até que cotidiana. Qualquer um que queira ir até a Praça da Independência, um infeliz nome que deram para a Praça do Carmo, poderá encontrar um grupo de pingaiadas nas imediações do Restaurante dos Meninos.

Estes homens não usam de violência para exigir dinheiro dos transeuntes e pessoas que deixam o carro estacionado por lá, apenas se impõe trazendo uma sensação de insegurança e medo. E isso não chega a ser um crime – não há ameaça.

Algum tempo atrás a Guarda Civil Municipal em uma ação conjunta com a Secretaria de Ação Social e o Conselho Tutelar, fizeram um arrastão tentando cadastrar os mesmos e dar condições de recuperação destes indivíduos.

Obviamente eles não aceitariam de bom grado abandonar a farta colheita para se sujeitarem a viver em clínicas de tratamento, ou voltarem ao convívio familiar, e para agir com os relutantes os guardas municipais foram orientados a conduzi-los à delegacia, caso os pedintes demonstrassem condutas anti-sociais, como: embriagueis, vadiagem, perturbação do sossego, desacato…

Tudo deu em nada, apesar de todo o planejamento, ao chegarem os infelizes no distrito policial, foram liberados antes mesmos dos guardas. Afinal, isso é Brasil.

Agora estávamos vendo a conseqüência disso. A briga entre os vadios pelo ponto fez com que a Guarda Civil fosse chamada e um dos envolvidos, Antônio Donizeti Galvão, resolveu chamar os homens do GAP de: lazarentos, filhos da puta e guarda de merda.

O GCM Spinard e o GCM Godoy ouviram e verificaram com a chefia se deviam ou não conduzir para o DP, como o coordenador da equipe achou melhor deixar para lá, os homens liberaram Galvão. Que não se conformou e começou a ameaçar um dos guardas dizendo que iria matá-lo. Daí não teve jeito, DP.

Agora, nem eu mesmo sei se Galvão fez besteira, como afirmou meu amigo Dupin, o que eu sei é que ele tem razão: que este homem está acima da Lei, isto lá ele está.

Tuíze, Neto Beluci e a sabedoria tropeira.

Vale a pena se conhecer a Cultura Tropeira. É incrível como aqueles homens simples eram de tão grande sabedoria, um chute em nossa sociedade pós-moderna, pós-urbanização, e no cume da qual nos sentimos membros orgulhosos.

Os conceitos e preconceitos, partes viscerais de nossa vida e de nossa cultura, foram desnudadas de forma brilhante por Aldous Huxley em seu “Admirável Mundo Novo”, onde os ‘civilizados’ buscam distância dos brutais e boçais povos que viviam fora das muralhas de suas cidades.

Huxley também ensinou que “os homens são animais muito estranhos: uma mistura do nervosismo de um cavalo, da teimosia de uma mula e da malícia de um camelo.” E somar estas características únicas de nossa espécie com a tendência que temos por criar conceitos e preconceitos nos torna animais perigosos e quiçá irracionais.

Saber o quanto estamos agindo com consciência e quanto movidos pela afobação eqüina, a birra muar, e a manha maquiavélica, é um mistério que nossa própria mente jamais poderá julgar, e por isso, venho aqui deixar aos senhores aberto o espaço para seus comentários.

Admiro-me quando vejo que aqui no centro o respeito pelas faixas de segurança e a cortesia no trânsito são coisas tão pouco respeitadas, ao contrário da Cidade Nova. Bastam alguns minutos em frente ao Terminal da Vila Martins para que algum automóvel dê a vez aos pedestres, e isso sem semáforo!!!

Com a valorização da comunidade da Cidade Nova que há muito vinha sendo posta de lado e a criação do PETRANS (projeto da Guarda Civil Municipal – GCM Bellão), fomentou-se um ambiente propicio para que os cidadãos daquele bairro dessem exemplo aos que se intitulam ‘civilizados’.

A sabedoria da Cultura Tropeira ditava que é “pela andadura da besta se conhece o montador”. O tempo passou e os burros, os cavalos e os camelos foram substituídos pelos carros como meio de transporte, mas será que a analogia tropeira será ainda válida nos dias de hoje? 

Para ilustrar esta discussão coloco uma foto onde o candidato Tuize e seu vice Neto Beluci que virtualmente ‘fecham’ a garagem de uma casa em frente a Câmara Municipal, impedindo a entrada e saída do proprietário de sua garagem contradizendo sua própria pregação de respeito às leis e aos cidadãos. (coitado dos conezinhos – até empurrados foram)

Denúncia anônima é colocada em dúvida em Itu.

Perseguição! Três meses fora do sistema e já colocaram-no de volta.
Perseguição! Aqueles Guardas Municipais só o acusam por ter ele, anteriormente, passagem por tráfico, mas aquela droga era só para seu próprio consumo – argumenta o réu perante o Juiz.

Samuel da Silva Jacob foi coerente em suas declarações: as cinco pedras de crack embaladas em papel alumínio, uma a uma, e guardadas em um saco plástico preto estavam em seu bolso e ele estava andando pela rua quando foi abordado pelos Guardas Civis. Até o dinheiro batia: recebeu ele naquela quarta-feira a quantia de R$ 120,00 por um serviço que tinha prestado como servente, comprou as cinco pedras à R$ 10,00 cada uma, pronto, restaram R$ 70,00, e os guardas acharam com ele R$ 69,00. Que dúvida, se prenderam-no foi por perseguição.

Drª. Ana Maria dos Santos, defensora de Samuel, lembra inclusive que a quantia de droga apreendida era muito pequena, seria usada em um único dia. Ela ressaltou que Samuel não teve o amplo direito de defesa, previsto na Carta Magma: ela foi nomeada para acompanhar o caso, mas ele estava preso em Itapetininga, o que inviabilizou uma visita; já no Fórum de Itu não conseguiu uma entrevista privada com seu cliente, visto não ter no local um local próprio para isso.

O caso de Samuel prova que o legislador criou mecanismos para a defesa do cidadão, mas o Estado cuida para que estes direitos sejam apenas maquiagens, de forma a apenas parecer que existe Justiça. O cidadão não tem o advogado ao seu lado quando está sendo acusado na delegacia, e chegando aos tribunais sequer consegue conversar com seu ele.

Drª. Ana Maria também questiona o motivo pelo qual seu cliente teria sido preso: aonde estaria a fundada suspeita?

Segundo o GCM Délcio e o GCM Valdir, estavam eles patrulhando a região da Cidade Nova quando receberam uma informação do Controle da Guarda dizendo que um rapaz trajando blusa preta, calça jeans e boné preto e branco, estaria vendendo drogas na Rua Mauá. Dirigiram-se para lá e encontraram Samuel no local, tal e qual a descrição passada pelo Controle. Os dois guardas disseram na delegacia que a droga estava em um cano de escoamento de água próximo de onde estava Samuel. Disseram inclusive que na hora ele confessou a prática do crime, porém na 4ª DP ele se calou perante o delegado Dr. José Moreira Barbosa Netto.

Agora perante o juiz de direito, o Dr. Hélio Villaça Furukawa, gcm Valdir mantém o que disse, mas inicialmente afirma que a droga estava no bolso e depois lembra que estava no cano. Drª. Ana Maria aproveita para questionar o motivo da abordagem: será que de fato existiu mesmo a denúncia anônima feita ao Controle? Se não existiu tal denúncia estaria provado que de fato seria perseguição contra seu cliente.

Afirma o gcm Valdir que todas as denúncias ficam registradas e é feito relatório sobre eles. Dr. Furukawa determina então à Secretaria de Defesa do Cidadão que lhe envie tais documentos, assim como determina a presença do gcm Délcio para comparecer à próxima audiência e colocar tudo em pratos limpos.

Para Samuel, provar a sua inocência neste caso é de suma importância: além da pena deste crime ele perde também o benefício da Liberdade Provisória que mal tinha começado a aproveita.

Para a sociedade, provar a verdade neste caso é de suma importância, afinal, além da pena que será imposta ou não ao réu, está em julgamento a Guarda Civil Municipal de Itu e seus mecanismos de trabalho.

Flanelões de Itu disputam pontos à bala.

Manhã de domingo, saio eu da feira do Mercado Municipal de Itu, e vejo um homem encostado ao poste. A idade não me permitiu distinguir ao longe quem era, mas sabia ser um guardador de carros, pronto para extorquir.

Poucos sabem o sórdido e violento mundo em que vivem estes flanelões ituanos, defendidos por danas da decência, que não tem coragem de enfrentá-los, e imaginam que eles precisem de sua proteção contra as autoridades e demais cidadãos.

Poucos imaginam que os pontos de mendicância em Itu são disputados na ponta de faca e na mira das armas. Cada trecho do centro tem seu preço, que pode ser vendido, trocado, ou alugado, com pagamento feito em drogas ou dinheiro.

Há alguns anos, a Guarda Municipal, enfrentou estas damas da sociedade (em geral homens) que intervinham quando os guardas importunavam as crianças que guardavam carros, mas graças à persistência da GCM elas deixaram de mendigar naqueles recantos.

Quando a Guarda Civil Municipal tentou enfrentar os flanelões, a sociedade, encabeçada por essas mesmas damas, mobilizaram-se impedindo a intervenção do Estado. Afinal, são apenas uns pobres coitados, que nenhum mal causam à sociedade.

Não entrarei aqui no mérito da questão, só estou me aproximando daquele homem encostado ao poste e pensando nisso. Não darei dinheiro, nunca dou grana para estes chupins da sociedade, prefiro ter meu carro riscado a compactuar com a covardia.

Lembro-me também de um caso julgado há poucos dias pela Drª. Renata Carolina Casimiro Braga, o caso Reginaldo Mattauchi Camargo, o Paraná,  contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo. Ele, para quem não conhece, é um guardador de carros.

O flanelão que usa muletas e fica sempre ali na lateral da Igreja da Matriz, no centro da cidade de Itu. Paraná, como é conhecido, perdeu sua perna por um tiro disparado por um policial, e Reginaldo pediu então: aposentadoria, indenização por danos morais e mais.

O tiroteio se seu às 3:30 da madrugada de domingo, 29 de novembro de 2004, nas proximidades da Rua Dr. Salathiel Vaz de Toledo 190, no Jd. Alberto Gomes. Paraná foi à casa de Hélio, ambos disputavam aquele ponto ao lado da Igreja. Hélio o ameaçou com uma faca, Reginaldo foi com uma arma para garantir seu ponto de mendicância. Algo deu errado, a polícia chega ao local foi recebida a balas por Paraná. Tentou correr e foi alvejado na perna. Assim ele ficou aleijado.

Reginaldo orientado por dois dos mais respeitados nomes do direito ituano, Dr. Watson Roberto Ferreira e Dr. Carlos Roberto de Oliveira, não esperavam que sua linha de defesa fosse minada por Juliana Aparecida de Andrade, a amásia de Reginaldo.

A verdade veio à tona, e a juíza de direito não teve dúvidas, negou totalmente o pedido. Nenhum centavo deveria ser pago a Reginaldo. Os advogados obviamente recorreram da sentença, afinal somos nós contribuintes que pagaremos a tudo.

Quando me aproximo daquele homem encostado ao poste, mais me entristeço. Eu que faço questão de justiça e de pudor, mesmo sendo filho de uma cultura onde Deus ordenou a um que dormisse por dinheiro com mulheres alegres e lhes fizesse filhos, e a outro que matasse seu próprio rebento, não poderia ter cometido o erro, cometi.

Fui injusto, era o erudito Dr. Nicodemos Rocha quem encostado naquele poste. Tudo bem, meus preconceitos fizeram com que pensasse tudo o que lhes descrevi.

Quando cheguei-me até ao veterano advogado, fui recebido com um sorriso e uma questão: “Tá pensando mal de quem agora?“.

Outra injustiça, eu, pensando mal de alguém, veja se pode um negócio desses. Virei-me e segui meu caminho, conjecturando novas realidades.

Deixaram os carros no estacionamento e foram multados.

Nas últimas semanas tenho visto diversos casos de pessoas que nunca estiveram nas mãos da Justiça sentarem-se no banco dos réus. Uma empresária com negócio bastante lucrativo furtou algumas peças de roupa de baixo valor; um gerente de uma antiga e consolidada empresa furtou dois cones de sinalização; e outros casos deste naipe.

Pessoas comuns enfrentando por pequenos deslizes processos judiciais. Prova que nenhum de nós esta realmente livre de um dia passar por este constrangimento. Se alguma das pessoas que citei acima tivesse lido há um mês estas linhas que agora escrevo, provavelmente diriam que eu estaria errado, e que com elas jamais aconteceria.

Não é, no entanto o caso que irei relatar aqui hoje. Dois estudantes da CEUNSP ficaram surpresos ao saberem que seus veículos haviam sido multados naquele dia chuvoso, e tudo por falta de um pouco de bom senso e cortesia. No Brasil falta de educação pode não ser crime, mas gera multa.

Terça-feira, 6 de abril de 2010. 9h50

A cidade de Itu é um centro estudantil regional, todos os dias milhares de estudantes vêm de toda região para frequentar as diversas faculdades e do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio. Como não podia ser diferente a situação do trânsito durante a chegada e a saída dos educandos é crítica.

A viatura de patrulhamento de trânsito da Guarda Civil Municipal contorna a Praça do Patrocínio e se depara com três veículos estacionados em local proibido. Alguns agentes de trânsito preferem neste caso apenas anotar a placa e enviar a multa pelo correio, mas sempre existem exceções. É o caso do GCM Plínio, que prefere orientar antes de multar.

Naquela viatura estava justamente o GCM Plínio, que acionou o sinal de sirene, de modo a que os condutores retirassem seus veículos antes que fossem autuados. Nisto surgiu o manobrista da MR Estacionamento, Romeu Alves Rodrigues, morador do bairro Novo Itu. Informa ao guarda que ele é o responsável pelos veículos e que irá retirá-los.

Romeu sabe que deixar os carros estacionados ali é proibido, ele mesmo declarou isso, mas explica que esta atitude se dá por dois motivos, primeiro porque os próprios alunos deixam os carros fora, para que posteriormente sejam recolhidos pelo manobrista, e também por estando perfilados fora do estacionamento facilita as manobras.

Sua atitude na realidade é repetida por vários outros funcionários de estacionamentos da cidade, que para conseguir maior produtividade e lucratividade para as empresas para as quais trabalham utilizam-se das vias públicas para o lucro privado. A diferença, no entanto foi a maneira com que tratou o agente do trânsito.

Segundo Romeu apenas disse que demoraria um pouco, pois tinha que organizar os carros dentro do pátio, ao que o guarda respondeu que sendo assim multaria os veículos. Retirou um veículo e quando voltou o agente já estava multando os outros dois, ficou enfurecido e partiu para cima, dizendo impropérios.

O guarda conta que foi isso mesmo que aconteceu, Romeu só esqueceu de dizer que quando o agente disse que iria multar ele respondeu estupidamente: Se você quiser multar, multe. Após guardar o primeiro carro viu que o guarda estava multando mesmo e disse que ele estava atrapalhando seu serviço e que ele estava trabalhando na chuva, por sinal ambos estavam..

De fato estava chovendo, mas a água não foi em quantidade suficiente para esfriar os ânimos que ficavam a cada momento mais quente. Todos dormiriam tensos aquela noite, mas nada que não pudesse ser resolvido no dia seguinte. Os proprietários recorreriam das multas e talvez tudo se resolvesse, mas Romeu tinha que soltar essa:

Seu guarda de bosta, aproveita que você é um guarda de bosta e enfie as multas no cú.

O funcionário da MR Veículos depois de demonstrar o nível do treinamento que recebe de seu empregador foi convidado a seguir em uma viatura da guarda municipal até a delegacia de polícia. Romeu disse ao GCM Natalino que não entraria na viatura, mas depois de rolar no chão com os guardas… entrou.

O Dr. Wilson José dos Santos Múscari acompanhou Romeu na delegacia e esclarece que na realidade o rapaz jamais negou-se a ir até a delegacia, apenas disse que aguardaria seu advogado para seguir até lá.

Seja como lá como for, a delegada Drª. Lia Limongi Arruda Matuck Feres achou por bem indiciar o manobrista nos crimes de desobediência, resistência, e lesão corporal. O que poderia ter se resolvido com um sorriso, e um “desculpe seu guarda” se resolverá na sala de audiência do Dr. Hélio Villaça Furukawa, juiz da 2ª Vara Criminal de Itu.

Os jovens que estavam na escola naquela terça-feira sabem agora o porque foram multados, o empresário sabe agora que não mais deve usar a rua como pátio de manobras, e Romeu saberá em breve que faltar com a educação não dá cadeia, mas além de uma baita dor de cabeça custará também uma multa.

Cátedra Indignada – Lázaro José Piunti

Chega-nos a notícia do espancamento de um professor em sala de aula na quartocentenária Itu.

O episódio – triste e desumano – nos remete à frase lapidar do insígne Rui Barbosa:

“Quando os epigramas dos alunos atingem a cátedra dos mestres…”.

O pior é que nestes tempos, não são simplesmente os impropérios que estão constrangendo os professores.

É simplesmente a violência desmedida, a agressão inconsequente, o gesto irascível, que rompem os limites do bom senso e derrubam paradígmas.

Pobre Rui.

Por muito menos, foi malbaratado, destruido politicamente, avacalhado pelos oportunistas da República Velha.

Com isto, perdeu o Brasil, por jamais tê-lo feito Presidente.

Os atos de rebeldia e desfaçatez dos jovens aprendizes (aprendizes de que?), são o reflexo de uma sociedade que viu apodrecer as instituições. E seu povo, apático, não reage.

Bem sentenciou o extraordinário Vitor Hugo:

“Uma sociedade de ovelhas,
acaba gerando um governo de lobos”!
Lázaro Piunti
advogado e escritor
ljpiunti@uol.com.br

Motorista é preso com CNH em branco em biqueira.

Quando mais aquele jovem se afundava na lama, mais fundo percebia que podia chegar, e naquele dia viu quem buscava salvá-lo podia mandá-lo ainda mais para fundo.

Aquele jovem freqüentava aquele antro e pouco a pouco foi se aprofundando na cova. A cada dia novos amigos lhe davam força para ir mais fundo e mais longe de um ponto onde poderia voltar, mas não sentia ele o sinistro daquela força.

Nenhum pai quer ver seu filho perder-se, e o ituano Ademir Rodrigues de Castro Júnior já havia percorrido este caminho que agora estava sendo trilhado pelo filho, ajudado por aquelas mesmas mãos amigas que já o haviam no passado lhe guiado para cada vez mais longe.

Aquele jovem freqüentava aquele antro e pouco a pouco foi explorando aquela caverna profunda. A escuridão sem fim do lugar refletia seus pensamentos, a umidade deixava o ar gelado e aconchegante. Lá os problemas de fora não podiam tocá-lo.

Nenhum bando de miseráveis iria levar o filho de Ademir para longe de sua família. Há quatro dias que o garoto de dezesseis anos não mais aparecia em casa, e ele sabia por onde devia começar a procura, precisava coragem para enfrentar seu passado.

Aquele jovem freqüentava aquele antro e pouco a pouco percebia que não poderia sair daquele abismo. O mundo lá fora não o aceitava como ele queria ser e ele também não aceitava como o mundo era. Melhor para todos, as profundezas eram seu lar.

Nenhum medo impediria Ademir de seguir em busca do filho. Ele sabia que o filho era viciado em crack e freqüentava aquela casa na Rua Luiz Alberto Rodrigues de Oliveira 496, no Bairro São José na cidade de Itu, poucas quadras dali onde estava.

Aquele jovem freqüentava aquele antro, palavra que também tem o significado de local de vício. A casa de Aparecida de Fátima e Júlio Correa se transformou tempo em um templo do mundo inferior, um lar para os viciados que não mais tinham aonde ir.

Nenhum de nós que estamos agora acompanhando este texto imaginaríamos que Ademir ao chegar naquela casa na qual ele apenas “já tinha ouvido falar que vendiam drogas” (mesmo ele conhecendo Aparecida de Fátima há 20 anos) seria preso.

Aquele jovem freqüentava aquele antro, agora decerto freqüenta outro. Naquele dia seu pai foi preso pela Polícia Militar que estourava aquela boca de fumo quando o motorista Ademir chegou, portando seus documentos, um espelho de CNH e um RG em branco, mas contendo a assinatura da autoridade policial.

Quando mais aquele jovem se afundava na lama, mais fundo percebia que podia chegar, e naquele dia viu quem buscava salvá-lo podia mandá-lo mais ao fundo.

O Pla-boy do São Judas e a convicção do delegado.

Alguém twittou: “quem tem seguidores é seita, tenho amigos”. Discordei, pois um amigo vence as barreiras do tempo e das dificuldades da vida para estar ao seu lado e ninguém tem mil e quinhentos amigos, tem: seguidores, conhecidos, colegas ou inscritos.

Cristo não tinha amigos, haviam doze seguidores, escolhidos a dedo por ele, e entre eles houve um traidor. Dos seguidores angariados pelo twitteiro, será que ao menos um enfrentaria as barreiras do tempo e das dificuldades da vida para estar ao seu lado?

Recebi a semana passada a visita de um amigo, Auguste Dupin, que quem o conhece sabe as dificuldades que ele deve ter enfrentado para vir me visitar. Não creio que nem eu mesmo o faria pelos meus melhores amigos.

Estava na DELPOL de Itu quando ele chegou, fui resolver um problema cotidiano. Havia perdido o talão de cheques e resolvi registrar o fato antes que um gaiato me levasse para o buraco, mas o funcionário informou que o documento poderia ser tirado pela internet (neste link).

Antes de sair, assistimos um fato interessante, narrado por um policial militar. Na realidade um simples caso de tráfico de drogas, interessante foi a o comentário feito por Dupin a respeito do delegado. Comentário que sinceramente não entendi.

O PM narrou que recebeu a informação pelo rádio que um cidadão estaria no São Judas traficando drogas em uma moto azul, e ao fazer o patrulhamento viram uma moto azul pilotada por um indivíduo sem capacete, e este que empreendeu fuga.

A perseguição começou na esquina da Rua Benedito Antônio Antunes Bicudo com a Rua João de Deus Ramires, durando três quarteirões. Pela descrição feita pelo policial foi uma fuga cinematográfica, só faltando à troca de tiros para ser filme americano.

Quando chegaram ao comecinho da Rua Prof. Alfredo Gomes, uma viatura conseguiu interceptar o fugitivo. Mesmo assim, este tentou a fuga a pé, entrando em uma casa cujo portão estava aberto. Tirado de lá a força pelos policiais continuou agressivo.

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José Emerson Jairo de Lima Gomes (Jairo ou Pay-boy) já era conhecido pelos policiais, pois ele já respondeu por dois homicídios. Com ele desta vez foi encontrado, no bolso direito de seu shorts 15 pedras de crack, e no esquerdo 60 pedras, além de R$ 270,00.

Na delegacia Pay-boy estava ao lado de sua advogada, a criminalista Drª. Liliane Gazzola Faus, e juravam inocência e perseguição por parte dos policiais envolvidos, que viviam abordando o rapaz sem nunca nada encontrarem.

Após ouvir os policiais e o acusado, o delegado de polícia Dr. José Moreira Barbosa Netto prendeu o rapaz por tráfico. Dupin então comentou que interessante a certeza da autoridade policial, diferente de um delegado que ele havia conhecido no passado.

Aquele, ao contrário deste, chamava de estranho todas as coisas que não compreendia, e não eram poucas. Levado por estes questionamentos, buscava a ajuda de Dupin, e às vezes descobriam que os casos não são tão simples como poderiam ser, no entanto outras vezes o eram.

A grande fuga do pequeno criminoso no Rancho Grande em Itu

“Pequeno Criminoso” explora a saga de Bruno, um jovem infrator que entra numa emocionante fuga após ser flagrado no ato. Uma narrativa que tece comentários profundos sobre criminalidade e justiça.

“Pequeno criminoso” desenterra uma narrativa fascinante de transgressão e justiça. Venha descobrir a complexa jornada de Bruno, um criminoso inusitado.

O comerciante novondradinense Ivanilson parou seu caminhão contendo frutas e verduras na Avenida Ernesto Fávero. Na manhã seguinte começaria a distribuição pelo bairro Rancho Grande.

Sexta-feira, 5 de março de 2010. 00:50 Rua dos Expedicionários 35, Vila Leis, Itu, SP

Estando ele mais próximo agora do caminhão, viu com clareza o movimento vindo da boléia. O rapaz que lá estava olhou para fora e viu o motoqueiro a observá-lo. Pego em flagrante, tentou escapar por entre os telhados e muros mal iluminados. O servente Bruno Ricardo, morador do bairro Itaim, não consegue driblar o vigilante da rua Marivaldo Teotônio da Silva, um caraibense arretado. A Guarda Civil Municipal foi chamada para a perseguição.

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Bruno pulou o muro do estádio, foi pulando nos telados das casas até cair de um muro, machucando a boca e o joelho, e quando estava no quintal de um escritório de contabilidade foi abordado pelo GCM Alexandre. O rapaz ainda jogou a pochete contendo, dinheiro, talões de cheques, cartões de crédito e os documentos de Ivanilson.

As luzes das viaturas estacionadas por toda a rua se apagavam ao encontrar com o rosto triste e cansado de Bruno. Minutos depois via as luzes da cidade passando através das janelas da viatura da Guarda Municipal que o conduziu até a Santa Casa de Itu, onde suas escoriações foram tratadas.

Não perdeu tempo em desmentir aos guardas o furto, ressaltando que o vidro do caminhão estava quebrado, ele enfiou o braço e abriu a porta, segundo ele em busca de alimentos, mas não encontrando se apoderou da pochete que estava no porta-luvas, quando isso fez viu o motoqueiro a observá-lo.

Perante a delegada Drª. Ana Cássia Labronici Gomes resolveu que só falaria em juízo. A advogada Drª. Ana Maria dos Santos conta que apesar de Bruno ter sido preso em flagrante três vezes só no ano de 2009, os crimes de menor potencial ofensivo, sem violência ou ameaça, revelando-se tratar-se de uma pessoa sem periculosidade e pede a soltura a Drª. Andrea Ribeiro Borges achou por bem conceder a liberdade para o rapaz, que poderá aguardar a próxima audiência no aconchego de seu lar.