Denúncia anônima é colocada em dúvida em Itu.

Perseguição! Três meses fora do sistema e já colocaram-no de volta.
Perseguição! Aqueles Guardas Municipais só o acusam por ter ele, anteriormente, passagem por tráfico, mas aquela droga era só para seu próprio consumo – argumenta o réu perante o Juiz.

Samuel da Silva Jacob foi coerente em suas declarações: as cinco pedras de crack embaladas em papel alumínio, uma a uma, e guardadas em um saco plástico preto estavam em seu bolso e ele estava andando pela rua quando foi abordado pelos Guardas Civis. Até o dinheiro batia: recebeu ele naquela quarta-feira a quantia de R$ 120,00 por um serviço que tinha prestado como servente, comprou as cinco pedras à R$ 10,00 cada uma, pronto, restaram R$ 70,00, e os guardas acharam com ele R$ 69,00. Que dúvida, se prenderam-no foi por perseguição.

Drª. Ana Maria dos Santos, defensora de Samuel, lembra inclusive que a quantia de droga apreendida era muito pequena, seria usada em um único dia. Ela ressaltou que Samuel não teve o amplo direito de defesa, previsto na Carta Magma: ela foi nomeada para acompanhar o caso, mas ele estava preso em Itapetininga, o que inviabilizou uma visita; já no Fórum de Itu não conseguiu uma entrevista privada com seu cliente, visto não ter no local um local próprio para isso.

O caso de Samuel prova que o legislador criou mecanismos para a defesa do cidadão, mas o Estado cuida para que estes direitos sejam apenas maquiagens, de forma a apenas parecer que existe Justiça. O cidadão não tem o advogado ao seu lado quando está sendo acusado na delegacia, e chegando aos tribunais sequer consegue conversar com seu ele.

Drª. Ana Maria também questiona o motivo pelo qual seu cliente teria sido preso: aonde estaria a fundada suspeita?

Segundo o GCM Délcio e o GCM Valdir, estavam eles patrulhando a região da Cidade Nova quando receberam uma informação do Controle da Guarda dizendo que um rapaz trajando blusa preta, calça jeans e boné preto e branco, estaria vendendo drogas na Rua Mauá. Dirigiram-se para lá e encontraram Samuel no local, tal e qual a descrição passada pelo Controle. Os dois guardas disseram na delegacia que a droga estava em um cano de escoamento de água próximo de onde estava Samuel. Disseram inclusive que na hora ele confessou a prática do crime, porém na 4ª DP ele se calou perante o delegado Dr. José Moreira Barbosa Netto.

Agora perante o juiz de direito, o Dr. Hélio Villaça Furukawa, gcm Valdir mantém o que disse, mas inicialmente afirma que a droga estava no bolso e depois lembra que estava no cano. Drª. Ana Maria aproveita para questionar o motivo da abordagem: será que de fato existiu mesmo a denúncia anônima feita ao Controle? Se não existiu tal denúncia estaria provado que de fato seria perseguição contra seu cliente.

Afirma o gcm Valdir que todas as denúncias ficam registradas e é feito relatório sobre eles. Dr. Furukawa determina então à Secretaria de Defesa do Cidadão que lhe envie tais documentos, assim como determina a presença do gcm Délcio para comparecer à próxima audiência e colocar tudo em pratos limpos.

Para Samuel, provar a sua inocência neste caso é de suma importância: além da pena deste crime ele perde também o benefício da Liberdade Provisória que mal tinha começado a aproveita.

Para a sociedade, provar a verdade neste caso é de suma importância, afinal, além da pena que será imposta ou não ao réu, está em julgamento a Guarda Civil Municipal de Itu e seus mecanismos de trabalho.

Autor: Ricard Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Primeiro Comando da Capital ☯ Facção PCC 1533 ☯

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading