A violência do Estado e a violência da facção PCC nas periferias

Os grupos social e economicamente vulneráveis costumam conviver com a instabilidade e a expectativa de que, a qualquer momento, um tiroteio ou uma abordagem policial violenta pode romper sua suposta tranquilidade, ceifando suas vidas. Por isso, termos como “terrorismo de Estado”, “violência de Estado”, “brutalidade de Estado”, “genocídio” e “violência política” foram mobilizados pelos nossos informantes para caracterizar as violações cometidas reiteradamente por atores públicos contra pessoas empobrecidas.

Nesta mesma lógica, ganhou destaque nas narrativas dos/as entrevistados/as a ação de grupos criminais em espaços de periferia. No caso paulista, por exemplo, se sobressaiu a ação da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) nas áreas de periferia. O grupo impõe um conjunto de valores e regras de ordem moral às populações marginais. E esse código de comportamentos se relaciona aos debates, conhecidos pela imprensa como “tribunais do crime”, cujo objetivo final é o julgamento extralegal de pessoas acusadas de transgredir as normas do grupo. Ou seja, esta forma de administração de conflitos, inaugurada inicialmente entre os presos para regular as condutas no cárcere, ganhou legitimidade em parcelas pobres da população que passaram a acionar o PCC para resolver rixas interpessoais, evitando uma solução por via letal. E, mais ainda, evitando recorrer ao Estado para a solução de seus problemas.

No site Justificando, leia o artigo completo das pesquisadoras de Segurança Pública da UFMG Maria Gorete Marques de Jesus, Giane Silvestre e Thais Lemos Duarte

Comunicado do PCC para os cidadãos e para o GDE de São Benedito

“Comunicado” que corre nas redes sociais da cidade de São Benedito no Ceará atribuída ao sintonia do PCC na cidade

DATA 06/08/2021

A TODOS OS CIDADÃOS  DA CIDADE  DE SÃO BENEDITO  NÓS DO PRIMERO COMANDO DA CAPITAL (PCC) DEIXAMOS UMA BOA TARDE É UM FORTE ABRAÇO. QUE  DEUS ABENÇOE CADA UM DE VOCÊS QUE MORAM NA NOSSA CIDADE. 

Quero agradecer a todos pelo apoio que vocês estão dando a nós em toda cidade. Quero falar pra vocês que estamos na cidade para proteger vocês como prometido, então vocês não precisam ficar com medo desses lixos do chamado Guardiões do Estado GDE que estão vendo que já perderam a cidade pra nós.

É que a população  da cidade não quer mais esses lixo na cidade, e estão fazendo fake ameaçando os moradores, cidadãos  da nossa cidade.

Vocês não precisam temer, porque nós do Primeiro Comando da Capital estamos com vocês cidadãos, e esses lixos da GDE aí não assustam ninguém.

Vocês querem ser tão brabo entra no Ipiranga ou na cachoeira ou no Abc ou no Chora ou no mirandinha, seus comédias. Nós já estamos na toca e no Morro e também fomos bem recebido pelos moradores da toca, que deram um apoio para nós, porque vocês que vivem oprimindo os moradores.

Tá ficando meio complicado pra vocês e esses comédias que ficam lá fora do Ipiranga, tirando fotos pra dizer que tá dentro das nossas quebradas é mais comédia que os outros, porque todo mundo sabe que vocês não entram lá.   

Vocês que gostam de ficar decretando os outros, saibam que o  decreto de vocês não vão servir pra nada, então podem ficar nos fake de vocês tentando fazer medo a nos.

Só estão perdendo tempo, enquanto isso nós estamos na luta — esses lixos da GDE estão roubando os moradores da cidade e a população que trabalha todo dia pra sustentar a família.

Esse lixo ainda vem querer tirar o pouco que os trabalhadores tem. Eu peço a cada um dos moradores que se sentem oprimidos por esses lixos da GDE que procurem a gente do Primeiro Comando da Capital PCC que nós vamos proteger vocês também.

Estamos em toda cidade e estamos a disposição de vocês moradores.

Policiais de São Paulo caçam PCC na Bahia e o matam

Integrante do Primeiro Comando da Capital da região de Sorocaba no interior de São Paulo foi morto em confronto com a polícia no povoado do Trapuca, no município de Tucano na Bahia quando resistiu a abordagem policial.

Policiais do DEIC paulista estavam no seu encalço e contaram com o apoio das polícias locais para a abordagem. Na Ranger XLT foram localizados  uma pistola com carregador e 10 munições de calibres 9mm, sendo 6 intactas e 4 deflagradas; um “tijolo” de maconha; um saco preto contendo com maconha; e cem envelopes com a figura do “pica-pau” desenhados, contendo cocaína.

Segundo a equipe paulista, além de drogas, o homem era um dos líderes da facção estava indo para a Bahia para coordenar um ataque a caixa eletrônicos. — Polícia é Viola para o Folha do Estado

Acusados de tráfico nada declaram ao MP do Paraguai

Levi Adriani e Candonga, como é conhecido Marcio Gayoso, tinham seu negócio de venda de drogas em Pedro Juan Caballero, e atendendo tanto o Primeiro Comando da Capital quanto o Comando Vermelho.

Segundo o Ministério Público do Paraguai, Levi comandava e Candonga providenciava para que suas ordens fossem cumpridas desde as plantações até os postos de distribuição.

Na audiência no MP ambos entraram quietos e saíram calados. — fonte: MP-PY

Polícia e PCC, personagens de uma mesma tragédia: as chacinas

Pessoas morrendo à rodo. Chacinas acontecem sobre nosso olhar bovino enquanto continuamos mastigando calmamente nosso pasto. Qual a razão da nossa indiferença? Qual a razão da existência desse fenômeno em nosso país?

O sociólogo Eduardo Armando Medina Dyna tenta responder essas questões em um artigo no site observatório de segurança, no qual, além de analisar seus motivos, efeitos e relações, busca olhar o impacto que o emprego da chacina como método tem sobre a Segurança Pública no Brasil.

A chacina como método de controle

O pesquisador lembra vários eventos, entre eles três envolvendo a organização criminosa Primeiro Comando da Capital:

2002 – Chacina da Castelinho

A operação Castelinho em 2002 foi outro exemplo da letalidade da PM que proporcionou mais uma chacina em São Paulo. Em uma emboscada, policiais civis deixaram veículos no meio da rodovia estadual e cercaram 12 homens suspeitos de serem da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), que estavam viajando em veículos. Esses indivíduos foram assassinados sem confronto direto, gerando críticas dos grupos dos direitos humanos e da oposição pela forma de atuação dessa operação.

2012 – Chacina de Várzea Paulista

A chacina em Várzea Paulista, cidade da região metropolitana de São Paulo, foi um massacre promovido pela tropa de elite da polícia militar de São Paulo, a Ronda Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), por causa de um suposto conflito entre os policiais e criminosos ligados a facção paulista, o PCC (G1, 2012). Nesse confronto, 9 indivíduos foram mortos (todos tidos como criminosos), o que acarretou muitas críticas das organizações dos direitos humanos pela forma da ação do trabalho policial, em razão de ter apenas uma única narrativa proposta pela ROTA sobre o ocorrido, algo diferente dos elogios recebidos pelos setores conservadores e do poder do Estado de São Paulo.

2017 e 2018 – Chacinas das Guerras entre Facções

As chacinas nas prisões no norte e nordeste em 2017 e 2018 inauguraram uma nova fase dos desdobramentos das organizações dos presos. Por causa da guerra entre facções como o PCC, Comando Vermelho (CV), Família do Norte (FDN), Sindicato do Crime (SIN-RN) entre outras, foi cometido um banho de sangue com dezenas de mortos e decapitados nas prisões do Amazonas, Acre, Rio Grande do Norte, chocando a opinião pública pelos suplícios, a espetacularização das mortes e do evento.

O estopim para essa guerra foi o fim da união entre o PCC e o CV por conta do controle de drogas na fronteira entre o Brasil e o Paraguai em 2016. Assim, nos primeiros dias de 2017 e posteriormente em 2018, houve uma reorganização nas cadeias direcionada às facções, separando presos que eram membros ou simpatizantes dessas organizações, o que culminou com rebeliões a fim de invadir os pavilhões opostos nos quais se encontrariam os inimigos de outros comandos.

Para ler a análise completa acesse ao site do Observatório de Segurança, artigo: Da violência aos massacres: reflexões sobre o fenômeno das chacinas no Brasil.

Moçambique continua como entreposto de distribuição da facção PCC

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital continua utilizando Moçambique como entreposto para distribuição de seus produtos para quatro continentes: América do Norte, Europa, Oceania e a própria África.

Segundo Nicholas Norbrook editor chefe do Africa Report, a corrupção no governo de Felipe Nyusi impede o combate aos grupos criminosos com influência em sua administração.

A prisão de Fuminho por ação do DEA americano não desmontou o esquema da facção PCC no país — em janeiro de 2021, cinco homens foram presos quando cobravam o pagamento de drogas vindas do Brasil e revendidas na África do Sul no valor de quase 300 mil Dólares.

Cantar o Hino do PCC não pode na prisão, diz TJ-SP

Tribunal de Justiça de São Paulo nega que presos tenham o direito de cantarem o Hino do Primeiro Comando da Capital e, aqueles que o fazem, podem ser punidos com a perda de 1/3 dos dias remidos até a data da infração.

Wandeson e outros presos, durante o procedimento de entrada de visitantes entoaram o hino da facção PCC 1533. A direção deu ordens para que os funcionários retirassem os internos do pátio e os recolhessem no Regime Diferenciado de Cela RDC, mas ele e os colegas se resistiram:

Daqui ninguém nos tira, aqui é o Primeiro Comando da Capital, se mexer com nós, vamos matar esses vermes, PCC 1533, esse é nosso grito de guerra.

O TJ-SP considerou que ao cantar o hino os presos exaltavam a facção criminosa, fazendo “apologia ao crime, divinizando seus membros e mandamentos e, com isso, a fortalecendo, em atitude deveras perniciosa à sociedade”. — fonte: TJ-SP

Os Piratas da Fronteira do Primeiro Comando da Capital continuam ativos

Os PCCs denominados “Piratas da Fronteira” usam uniforme. É. Uniforme da Polícia Federal.

O líder é um cabra conhecido como Peu e ataca contrabandistas, traficantes e compristas em um esquema bem organizado — quando param um veículo já sabem de quem é o que tem.

A polícia acreditou ter desmontado a quadrilha quando prendeu seu principal receptador que distribuía o butim no Paraná e São Paulo, mas não.

Os criminosos que pertencem ao Primeiro Comando da Capital atacam até criminosos que não são ligados ao seu núcleo e continuam atuando firmes e fortes próximo a fronteira no Mato Grosso do Sul.

PCC Geral do País no Uruguai seria Zorro que já está preso

A polícia até que desconfiava que Zorro ou Tuerto, como é conhecido Diogo de la Vega era integrante de um grupo criminoso, mas a forma como ela descobriu que ele, não só era integrante mas no Uruguai era o “Geral do País” da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, chegou por uma cena de violência familiar.

Zorro, queira que seu filho aproveitasse a oportunidade do tráfico na fronteira: “Rivera é uma terra fértil ou uma mina de ouro” já que a cidade fica na divisa de Santana do Livramento no Rio Grande do Sul.

O vídeo do espancamento do filho de Zorro por ordem dele foi encontrado no celular de uma mulher apreendido durante a Operação Génere da Brigada Antidrogas da Raviera e abriu um novo leque de investigações.

Graças ao vídeo, Zorro teve 18 meses acrescidos a pena que já estava cumprindo por ter confirmada sua vinculação ao grupo criminoso.— fonte: Guillermo Lorenzo para o El País

Condenados PCCs do Tribunal do Crime de Araguaína

Essa história aconteceu em 2019.

Quatro homens seguiram em um carro roubado em uma missão: encontrar e matar Elias no setor Costa Esmeralda em Araguaína no Tocantins.

Elias era do Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital estava limpando os vermelhos do território, e foi pego de surpresa andando por uma rua.

Disparos são dados. Elias corre e mesmo baleado se abriga em uma casa.

Amaurir, João Vítor, Ricardo e Lucas não vão atrás para conferir, aceleram deixando o bairro, mas por azar, quando caem na pista trombam com uma patrulha da Força Tática.

Perseguição. Perdem a direção e batem na parede de uma igreja.

João Vítor não consegue fugir e é preso na hora, os outros caem depois na investigação, e nessa segunda-feira foram todos condenados com penas entre 15 e 17 anos de prisão.

Elias, o CV, sobreviveu ao ataque. — fonte: AF Notícias

Acusado de ter participado do Tribunal do Júri perde no tapetão

O tiro foi disparado em 8 de abril de 2018 por ordem do disciplina do Primeiro Comando da Capital em Capão Bonito em São Paulo, atingiu as costas de Adriano, que o deixou hospitalizado por 307 dias até sua morte por pneumonia.

Alan era um dos cinco rapazes que atacaram Adriano e agora foi julgado pelo Tribunal do Júri, só que…

Um dos seus colegas, sendo menor de idade, não foi a julgamento e os outros três, maiores de idade, foram condenados a penas que variaram de 12 a 15 anos de prisão, só que no caso de Alan a coisa ficou meio indefinida.

A defesa alegou em sua defesa que de fato Adriano não morreu do tiro, mas pela fragilidade de sua saúde acabou falecendo de uma doença, que o reconhecimento feito do réu foi através de uma fotografia mostrada ao Alan em um celular enquanto ele estava hospitalizado e medicado sem, talvez, domínio completo de suas capacidades, também provou que ele sequer conhecia a vítima e que só estava naquele local por pura e infeliz coincidência.

Todos esses argumentos devem ter sensibilizado os jurados que votaram pela confirmação que ele participou do crime, mas que deveria ser perdoado. Só que o juiz acolheu o pedido do Promotor Público e mandou que os jurados votassem novamente e o resultado mudou.

Na segunda votação ele foi condenado e o juiz para confirmar fez uma terceira votação no qual ele foi condenado novamente.

Pode isso, Arnaldo? Mudar o resultado no tapetão?

Segundo os advogados que estavam na defesa de Adriano, não. Não pode. A decisão do Tribunal do Júri deve ser soberano e incontestável, e prometem recorrer. Enquanto isso, Adriano, é o único deste Tribunal do Crime do PCC que ainda tem esperança. — vadenews.com.br

Polícia Civil tenta conter guerra entre facções prendendo um dos lados

O delegado geral Luccy Keiko do Piauí descobriu o que ninguém sabia: a maioria dos que estão morrendo por morte violenta na guerra entre as facções criminosas estado são… criminosos envolvidos em facções criminosas.

Para evitar que fossem mortas, resolveu colocá-las atrás das grades e deflagrou a Operação Contraordem III, afinal, se os criminosos ligados as facções estão sendo mortos nas ruas, talvez a melhor forma de protegê-los é colocando-as atrás dos muros dos presídios — deve ter sido esta a conclusão do delegado.

Foram emitidos pela Justiça vinte e quatro mandados de prisão no Piauí e no Mato Grosso do Sul contra integrantes da facção PCC, sendo que sete já estavam presos, restando capturar catorze.

Após fazerem buscas em Teresina, Floriano, Castelo do Piauí e Campo Grande, no Mato Grosso do Sul e não localizarem os integrantes do PCC, a polícia publica o nome e as fotos dos sete procurados: Kelson Ferreira de Freitas, Gabriel Mateus das Neves Pereira, Davi de Sousa, Lindomar Antônio Barbosa, Lucas Raynam Morais Ramos, Victor Jorge da Silva Bisauchet e Gabriel da Silva Costa. — fonte: Geyson Morais para o GP1

É delegado, já deve estar sentido saudades dos tempos em que imperava no Piauí a paz imposta pelo Primeiro Comando da Capital: sem mortes nos noticiários e com a taxa de de homicídios caindo e afirmando que o estado estava mais seguro graças ao seu bom trabalho. Bons tempos, né não? — fonte: São Miguel Agora

Líder do grupo criminoso gaúcho Anti Bala é preso no Paraguai

Tem estados que são zica. Rio de Janeiro talvez seja o pior, mas o Rio Grande do Sul também não é para amadores.

O Primeiro Comando da Capital preferiu entrar no sapatinho no estado depois que viu muitos dos seus integrantes morrem por lá.

Hoje a estratégia principal da facção paulista é fazer coligações com os criminosos locais — o grupo Anti Bala é uma dessas parcerias.

Nego Léo, como é conhecido Leonardo de Souza, foi preso em Pedro Juan Caballero de onde comandava as ações da facção gaúcha em nome do líder do grupo, Nego Jackson, que já estava preso juntamente com toda a cúpula do grupo.

Só Nego Léo não tinha perdido a liberdade… agora nem ele. — fonte: UOL Notícias

PCC coloca fogo nos barracos e queima provas

Enquanto a polícia civil do Mato Grosso do Sul fazia bonito mostrando para a imprensa que estava usando um condutivímetro, um equipamentos que detecta a variação magnética em até dois metros de profundidade no solo, os crias do 15 foram até o cemitério clandestino e colocaram fogo em cinco barracos de madeira que teriam sido usadas para mocosar e torturar antes de matar as vítimas do Tribunal do Crime. — fonte: Danielle Errobidarte para o MidiaMax

É claro que essas casas já tinham sido periciadas pela polícia… ou será que não?

Cemitério clandestino atribuído ao Primeiro Comando da Capital foi encontrado na Vila Santo Eugênio em Campo Grande no Mato Grosso do Sul.

Talvez seja um exagero das autoridades, afinal só foi encontrado um corpo com resquícios de peças de roupas, mas os cães farejadores procuram outras ossadas. — Danielle Errobidarte para o MidiaMax

Havia um afundamento no crânio e também foram recolhidos ossos dos braços, caixa torácica e pernas. Outros ossos foram encontrados já a cerca de 1,5 metro de distância. — conta Renata Portela do MidiaMax

As repórteres Thatiana Melo e Dayene Paz contam no MidiaMax que os moradores da região sabem que se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro e declaram a polícia:

Quando a gente vê alguma coisa, a gente finge que não vê.

O site acritica.net atualiza a informação e diz que foram dois os corpos encontrados, o outro estava a apenas um metro e meio de distância do primeiro e lembra também que há cinco anos foi descoberto o “Cemitério do Nando” no bairro Danúbio Azul.