A transferência do líder do PCC para o RDD.

Tio Zenão tentou me ensinar autocontrole e firmeza.

Segundo ele, antes de chegar a qualquer conclusão eu deveria ver o fato de maneira imparcial, pois as emoções deturpariam meu julgamento, aceitando que todas as pessoas são iguais e devem ser assim tratadas, e que não permitisse sob nenhum pretexto outra atitude se não essa. Isso foi fácil de entender e concordar, principalmente se sou eu que pleiteio o direito a igualdade.

Todos concordamos que as todas as pessoas são iguais!!!
Sério? Será mesmo?

A decisão da transferência da Penitenciaria II de Presidente Venceslau de Francisco Tiago Augusto Bobo, conhecido no PCC como Cérebro, para um presídio que esteja sob o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) foi tomada após ele planejar via celular uma espetacular fuga que contava inclusive carros blindados ─ não era novidade que ele fazia uso de celulares de dentro do presídio, aliás, não só ele como parte da massa carcerária.

O fato desse líder do Primeiro Comando da Capital estar sofrendo uma punição acima do que a pena que lhe foi imposta pela Justiça com base em nossa legislação no entanto não parece que estar incomodando a ninguém.

Todos concordamos que as todas as pessoas são iguais!!!
Sério? Será mesmo?

O que está ocorrendo em nosso país e está ilustrado nesse caso é preocupante, pois deixa claro que a situação de insegurança está nos fazendo pensar e agir dentro dos padrões mais primitivos, onde lutamos por nossa sobrevivência independente do direito alheio.

O Estado a guisa de garantir a liberdade de livre expressão de pensamento permitiu que parte de nossa sociedade tenha sido criada e influenciada pela ideologia dos guetos que claramente aponta como solução para os jovens a vida marginal quando idealiza a vida bandida.

Assim sendo, a sociedade através de seu governo eleito apóia e por vezes incentiva as manifestações culturais que endeusam a criminalidade, e depois a sociedade através de seu governo eleito apóia e por vezes incentiva a repressão acima das leis que a sociedade através de seu governo eleito apoiou e por vezes incentivou a aprovação no Legislativo.

Gamil Föppel El Hireche de certo não conheceu Zenão pessoalmente, mas concordou com ele, e uma frase dele se encaixaria perfeitamente nesse caso do Cérebro: “As pessoas têm medo: medo dos crimes que verdadeiramente ocorrem, medo dos fatos que jamais ocorreram. Este medo, … , é visceralmente ligado ao apelo feito pela mídia em relação à violência.

Zenão de Cítio tentou me ensinar autocontrole e firmeza, mas convenhamos, é melhor torcer para que Cérebro seja transferido e todos os ladrões sejam mortos em conflito com a polícia, afinal isso é muito mais fácil do que tentar proibir a cultura do gueto ou mudar nosso cabedal de leis.

“O RDD foi criado com o intuito de versar sobre as organizações criminosas nas prisões, uma vez que estas não foram abordadas mediante instrumentos que de fato coibissem sua existência, mas, todavia, por ferramentas que intensificaram a violência estatal, agravando a indeterminação entre segurança e disciplina que as políticas penitenciárias têm sido detentoras. Por conseguinte, não conquistou-se, de fato, o declínio das organizações criminosas mediante o instituto referido, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo. Tem-se atingido, todavia, a sua expansão, bem como a concretização da tese de que a violência institucional é um instrumento relevante no que se refere à gênese e fortalecimento destas facções criminosas.” Danler Garcia Silva

A advogada do PCC e o conceito de igualdade.

Magníficos, mui honrados, e soberanos senhores;

zelosos e mui dignos, policiais e guardas civis; e
esforçados e comprometidos, moleques dos corres.

Venho diferentemente do que fez Jean-Jacques Rousseau, homenagear a todos vocês, pois não poderia apontar para um ou para outro ignorando que todos buscamos atender nossas necessidades naturais de sobrevivência e da busca pela felicidade.

Rousseau dizia que se tivesse que escolher algum lugar para nascer, escolheria vir ao mundo novamente em Genebra, mas eu escolheria o Brasil, pátria onde a sociedade possui ilimitada paciência com aqueles que infringem as leis por ela mesmo impostas, permitindo que manobras obscuras brinquem com a aplicação da Justiça.

Apesar de se orgulhar de sua terra, acreditava o filósofo que o país ideal seria aquele que “numa situação encantadora, um clima temperado, um país fértil e o aspecto mais delicioso que há sob o céu” no qual ninguém, absolutamente ninguém pudesse dizer-se acima da lei.

Então, e sem querer…
ele descrevia o nosso Brasil.

Hoje, os brasileiros festejam a igualdade existente em nossa nação apontando os petistas processados e presos. Que todos nós possamos nos juntar a eles, seguindo o conselho de Rousseau e não permitindo que “funestos mal entenditos viessem a perturbar a concórdia pública”.

Em 2008 foram condenadas em primeira instância as advogadas Drª. Valéria Dammous e Drª. Libânia Catarina Fernandes Costa por servirem de ligação entre os líderes facção criminosa PCC e os detentos das outras unidades prisionais, distribuindo a ordem de iniciar o motim nos presídios de 2006, entrar com de celulares e dinheiro nas penitenciarias e corromper funcionários.

Custo desse motim: mais que R$ 27 milhões.

As condenadas cumpriram prisão domiciliar temporária e receberam como pena passar quatro anos presas em regime inicial aberto. Aí meus dignos senhores é que temos que atentar para os conselhos do velho filósofo e não nos precipitarmos acusando de sectárias nossas leis. Puro mal entendido.

Esforçados e comprometidos moleques dos corres, que por vezes são condenados a duras penas em regime fechado por algumas porções de drogas, mantenham sua fé que o fato das advogadas terem saído praticamente livres não é um sinal de que não há justiça.

Zelosos e mui dignos, policiais e guardas civis não desamimem em sua missão de conduzir os pequenos delinquentes para as mãos da Justiça, pois alguém deve “impor limites a mocidade imprudente“, dando um lustro de “respeitabilidade a essa virtuosa pátria“.

Magníficos, mui honrados, e soberanos senhores. Parabéns, Rousseau ficaria satisfeito com a nação que os senhores, com a nossa ajuda construíram.

Texto baseado na obra:

Tentativa de sequestro do Datena do Brasil Urgente.

Fiquem tranqüilos poderosos que têm medo do PCC: ninguém irá tocar em vocês.

Não que vocês não merecessem passar uma noite no Circo dos Horrores que é a vida que vocês com sua hipocrisia criaram. Não Sr. José Luiz Datena, apresentador do programa “Brasil Urgente” da rede da TV Bandeirantes, o senhor mereceria sim sentir na pele o que é ser um moleque sem esperança e sem futuro, mas não passará por isso levado pelas mãos da facção que o senhor está acusando em alto e bom som.

Não houve um plano engendrado por mentes brilhantes para seu seqüestro. Balela de circo, do seu circo, para seu público. Aqueles que crêem no senhor são os mesmos que acreditaram no Gugu. Ora, imagine meu amigo, o seu seqüestro tinha dia e hora para acontecer e usaria apenas uma moto Suzuki roubada com placas de Belém do Pará. Começa aí o absurdo. Nem para levar um papo reto com um desafeto se faz um planinho assim chinfrim.

Fere a lógica, fere o bom-senso, mas nada disso impedirá que sua audiência vá às alturas. Novamente sob um cadáver, mais um. E os mais fracos sempre são carne farta para ser entregue aos abutres – que não questionam! E o Primeiro Comando da Capital hoje é a matéria prima deste corpo que você quer distribuir.

Então vá, o faça. O PCC está mais estruturado hoje que em 2006 e não precisa e não quer manifesto. Tudo ao seu tempo e agora a organização está colhendo os frutos de suas conquistas. Conquistas, aliás, maiores que a do seu programa:

Qual é a audiência que seu programa tem 50%? Oras, em várias cidades do estado a facção domina 100% de um nicho de mercado muito mais rentável que o do seu programa – os entorpecentes. Os clientes estão em toda a parte, inclusive nas emissoras de televisão e nas festas requintadas da alta sociedade.

Millor Fernandes dizia que o homem é o único animal que ri, e é rindo que ele mostra o animal que é. E creio que aqueles que fizeram para o senhor essa denúncia estão agora rindo, rindo de como foste crédulo. E creio que o senhor quando divulgou essa denúncia sabia que não tinha cabimento, mas mesmo assim divulgou, pois isso lhe daria mais IBOPE, e riu por dentro daqueles ingênuos que acreditaram, riu, pois o homem é o único animal que ri.

A imprensa, inclusive o senhor, é peça fundamental em todos os setores da sociedade humana, já o ostracismo tem sido a chave do crescimento da facção, onde longe das câmeras todos os negócios são resolvidos e áreas dominadas, mas é necessário haver glamour. Os garotos das correrias gostam de mulheres, dinheiro e fama. Humildade é palavra chave na comunidade, mas na vida real o dinheiro e as mulheres vêm sozinhos, mas a fama, bem, aí é que o senhor entra.

Pelos próximos meses a fama está garantida graças a essa reportagem. Millor também dizia que o otimista é aquele que não sabe o que espera, e tenho que confidenciar por esta eu não esperava.

A prisão do irmão Preto será o elo perdido PCC CV?

A prisão do irmão Preto preso no Rio de Janeiro está sendo assunto em algumas rodas na cidade de Itu no interior paulista, mas será que estão falando do mesmo cara? Não terá sido um homônimo que foi encarcerado no Rio? E se não for, o que isso pode significar?

Há tempos a imprensa vem dando notícias da migração de criminosos cariocas ligados às facções que tiveram suas bases desestruturadas pela pacificação dos complexos de favelas, o interior do estado de São Paulo e a periferia de sua capital seriam dois destinos preferenciais…

A cidade de Itu no interior paulista não desmentiu esta teoria, nem a provou, no entanto um novo dado poderá ser um desses possíveis elos ocultos entre o CV – Comando Vermelho e o PCC 1533 – Primeiro Comando da Capital.

Após a ocupação dos morros cariocas, alguns casos indicariam a presença migratória em Itu. Tênues, é fato. Até agora nenhum dado conseguiu ligar Itu ao crime organizado carioca, apenas existem indícios, e no caso de organizações criminosas ou secretas, nenhum indício pode ser desprezado.

Sempre na Região Sul ( Jardim Aeroporto / São Judas )…

O primeiro caso teria sido de quatro homens que oriundos do Rio teriam tentado sem sucesso dominar biqueiras pela região, intitulando-se da facção carioca AA – Amigo dos Amigos. Não se sabe ao certo o destino dos mesmos, conta-se que após o fracasso no tráfico teriam optado por se dedicar ao assalto com armas pesadas na região, e parece que um deles teria morrido em uma destes assaltos.

Outro caso seria que um membro do Comando Vermelho que estaria na região fazendo a integração entre as facções, mas o que se sabe ao certo é que a garotada da região de fato passou a curtir mais as músicas e a cultura do CV, no entanto isso pode apenas ser fruto da difusão da cultura das favelas pela Net, ou de fato ser fruto da tal integração.

Até agora nenhum dado comprovado ligava as lideranças da cidade a qualquer organização de outros estados. Até agora.

A possível prisão do traficante irmão Preto, um dos principais líderes do PCC local e provavelmente o mais violento, na cidade carioca de Itaperuna talvez venha a ser esta ligação.

O PCC não é uma organização com uma rígida estrutura organizacional, ao contrário, seu sucesso está justamente na flexibilidade e informalidade de sua malha. Desta forma não se pode esperar que exista o envio formal de um representante das organizações para um intercâmbio oficial para troca de experiências e abertura de negócios. O que de fato existe é a circulação e o contato entre pessoas e lideranças e negócios e acordos reais sendo fechados. E funciona.

Não existe ponto de drogas na cidade de Itu que não esteja ligado direta ou indiretamente ao PCC, está é, portanto, uma organização de sucesso. Nenhuma outra empresa conseguiu em nenhum outro ramo de comércio ou serviço na contemporaneidade o monopólio, e esta facção, apesar de ilegal conseguiu. Imaginemos um quadro onde poder já conquistado através dos negócios gerenciados pela facção paulista seja adicionado os arranjos políticos e sociais desenvolvidos pela facção carioca.

Agora vem a notícia da prisão por tráfico de entorpecentes no Rio de Janeiro do irmão Preto. Este homem já foi preso por diversas vezes em Itu, e depois de ter sido libertado do sistema carcerário, optou por não ficar no Jardim Vitória, onde seria alvo fácil para policiais que poderiam querer vingar o espancamento de um colega numa de suas biqueiras.

Mas o que estaria fazendo o famoso criminoso ituano em terras itaperunenses?

Talvez tenha ido visitar sua famosa estátua do Cristo Redentor com vinte metros de altura, sem ter que temer se assaltado na subida da encosta; talvez tenha sido a situação geográfica do município que além de ser fora do estado de São Paulo e longe da polícia paulista, fica na fronteira entre três estados: Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais; ou talvez seja a primeira ligação do crime organizado do Rio com o de São Paulo; ou finalmente algum parente ou amigo que o levou para aquelas bandas.

Como disse, até agora nenhum dado conseguiu ligar Itu ao crime organizado carioca, apenas existem indícios, e no caso de organizações criminosas ou secretas, nenhum indício pode ser desprezado. Por outro lado, quem sabe nem é o mesmo irmão Preto que por lá foi preso, afinal estão falando por aí, mas… até papagaio fala não é mesmo? Eu particularmente acredito ser outro o cara, mas não deixaria também de falar… assim como os demais papagaios.

Já estará nas ruas o Tenente Júlio César Gabarron?

Júlio César Gabarron foi considerado inimputável do assassinato de sua esposa grávida de sete meses Miriam de Castro Gabarron e da tentativa de homicídio contra o GCM Rovaldo e o GCM Edmur Pessoa, devendo ser internado em manicômio judiciário para tratamento. Decisão tomada às 15:30 do dia 29 de abril de 2010, pelo Tribunal do Júri de Itu, presidido pelo juiz de direito Dr. Hélio Villaça Furukawa.

Tanto a Promotoria de Justiça, representada pelo Dr. Luiz Carlos Ormeleze, quanto os advogados de defesa, Dr. Daniel Gustavo Pita Rodrigues e Drª. Valéria Perruchi, sustentaram a tese que o 2º tenente da Polícia Militar Júlio César Gabarron é uma pessoa de alta periculosidade que sofre de paranoia, uma doença mental incurável, e pediram sua internação e afastamento do convívio da sociedade, mas não a sua condenação, pois no momento do crime agiu inconscientemente, pois estava mentalmente deformado, sendo movido por sua mente delirante, persecutória, que o fez agir pensando estar agindo em “legítima defesa”, defendendo-se de uma injusta e imaginária perseguição. E esta tese foi aceita pelo corpo de jurados.

Sexta-feira, 4 de agosto de 2006. 13:00
Hotel Vila do Conde, Itu, SP

Gabarron efetuou mais de cinquenta disparos contra Miriam, tendo acertado vinte e duas vezes e provocando sua morte e a do bebê. O oficial estava em trajes civis mas usando colete balístico e armado com duas pistolas, cercado pela Policia Militar e pela Guarda Civil Municipal, reagiu à tiros em direção do GCM Edmur Pessoa e do GCM Rovaldo, ferindo o primeiro na perna.

Após negociação acabou se rendendo aos seus colegas de farda, tentou inicialmente enganar aos colegas dizendo que o hotel havia sido alvo de uma organização criminosa, mas logo confessou a execução dos crimes, alegando que não estava em seu estado normal quando atirou contra a esposa, mas não apresentou as razões de sua atitude para a delegada Drª. Lia Limongi Arruda Matuck Feres, posteriormente na Justiça explicou que por trabalhar no P2 da Polícia Militar recebeu informações sobre possíveis assassinatos e de vereadores e outras autoridades pelo PCC na onda de atentados de 2006 e da presença do irmão de Marcola em Mairinque, oportunidade em que passou a fazer levantamentos e centenas de mandados de busca e apreensão, e todo este clima acabaram por abalar seu equilíbrio.

Ainda segundo ele, os atentados dos dias dos pais de 2006, perpetrados pelo PCC – Primeiro Comando da Capital, levaram-no a um estado de desespero contínuo, pois ele tinha certeza de que ele e sua família seriam alvos de atentados. Miriam teria inconscientemente provocado a sua própria morte ao relatar a ele que teria recebido telefonemas ameaçadores no local de trabalho e ele passou a suspeitar então que seus telefones celular e residencial estavam grampeados. A morte dos dois policiais militares em Salto e do Vereador Paulinho da Lanchonete, que era seu informante, assim como a explosão de bomba no Batalhão da PM, fizeram-no chegar ao ápice em sua paranoia, passando a desconfiar de seus colegas de farda e de seus superiores hierárquicos.

Apesar de todos estes transtornos que passavam pela mente de Gabarron, ele era conhecido por todos que conviviam com ele como uma pessoa boa, pacata e quieta. Policial há nove anos, estava trabalhando há dois anos no 5º Batalhão da Polícia Militar, e na época do crime exercia função de chefe da agência área do 50º BPM/I.

Interessante é ver como Gabarron sendo Policial Militar conseguiu esconder de todos seu ímpeto assassino, trabalhando no meio de profissionais que deveriam conseguir distinguir tais sintomas, mas isto é explicado no próprio comportamento do paranóicos que transmitem à todos uma aparente tranqüilidade e cuidado nas palavras, mas que basta um motivo para que o pior venha à luz e as palavras doces sejam substituídas por sangue em fração de segundos.

Em 2007 quando da decisão dos jurados, o Dr. Ormeleze garantiu que pelo menos por três anos Gabarron ficaria sob a custodia do estado, podendo ser liberado por parecer médico. Cabe agora, já passado estes três anos. Gabarron já está livre vivendo entre nós?

A Madrasta Assassina da Cidade Nova de Itu fala.

Há anos que tenho conhecimento destes fatos, coisa boba, que não publiquei aqui pelo simples fato de que considerava águas passadas, e só me disponho agora a falar o que sei aos senhores por ter chegado novamente o nome deste homem aos meus ouvidos.

Sábado, 5 de dezembro de 2009. 3:25
Rua Cerquilho 25, Cidade Nova, Itu, SP

Durante a madrugada por algum motivo obscuro um garoto de cinco anos é agredido com golpes de talhadeira na cabeça quando estava dormindo em sua cama, e já desacordado e praticamente morto é abandonado enrolado em um edredom sobre um monte de areia de construção no quintal de sua casa.

Por pouco que seja, minha mente agora é avassalada por uma dúvida cruel: será que realmente a madrasta Camila, grávida no quarto mês de gestação, tentou matar seu enteado? Novas investigações a respeito da suposta participação da mãe biológica da criança deixam algumas dúvidas.

Serei breve, muito breve, pois tudo aquilo ainda me assusta deveras e neste momento estou sozinho, é tarde da noite, e a escuridão grassa nos cantos ocultos do lado de fora. Henry Evaristo

Camila não era uma santa, mas ninguém esperava dela uma agressão: não existiam antecedentes de distúrbios mentais ou de agressões contra quem quer que seja. Agora, é claro, aparecem dedos acusatórios de todos os lados, mas só agora!

Desde o primeiro momento ela afirmou que Adriana havia engendrado o crime de dentro da prisão, para fazer com que ela perdesse o amor e a confiança de seu companheiro Fernando. Ninguém acreditou naquela história.

Que mãe mandaria agredir de tal forma seu próprio filho?

O brilhante investigador Moacir Cova demonstrou que Adriana, mãe de quatro filhos, pertencia a facção criminosa Primeiro Comando da Capital PCC, e na época das investigações policiais tinha pouco mais de um ano de idade. Adriana já era naquele momento companheira de Donizete, o Careca, um irmão do Partido, hoje falecido. Estamos chegando aonde interessa.

Camila acusou de serem mandantes Adriana e Careca, o segundo estava morto e a primeira estava presa. Estava? Mesmo que estivesse, os contatos que mantinha com o irmão Preto, possibilitariam a execução deste crime sem a menor dificuldade.

Há anos é de conhecimento dos meios policiais que irmão Preto comanda o crime organizado na cidade, coisa boba, que não publiquei aqui pelo simples fato de que considerava águas passadas. Júlio César está preso na Penitenciária de Avaré e de lá controla o que se passa no mundo daqueles que o sustentam, nós meros trabalhadores.

Só me disponho agora a falar o que sei aos senhores por ter chegado novamente o nome do irmão Preto aos meus ouvidos. Seu nome aparece agora ligado ao de Adriana.

Publicarei neste blog nos próximos dias, se me sobrar algum tempo, informações sobre sua atuação na cidade de Itu, a influência do PCC, divisão algumas divisões de áreas da cidade e outros fatos interessantes.

Faço-o agora também porque não sei se poderei fazê-lo no futuro, alguém me disse que o irmão Preto já está na rua, beneficiado por uma dessas saidinhas não mais voltou. Bem, eu de fato não fui lá prá conferir, mas não duvido nada. Antes de sair ele deixou um recado que coloco aqui nas palavras dele:

“Tô loco pra mim sair mano, pra mim mete o revolver cara, puta…”

Juíza resolve problema de moradia de garota.

Diz que deu, diz que dá, diz que Deus dará, não vou duvidar. E se Deus não dá, como é que vai ficar? Só por Deus, o que ela estava fazendo ali? Como chegou naquela situação? Será que um dia foi melhor? Teve em algum momento esperança, de outro futuro se não aquele?

Ela acredita piamente em Deus, mas ele só pode ser um cara gozador, que adora brincadeira, pois tinha o mundo inteiro para jogá-la, mas achou muito engraçado botá-la na barriga da miséria, na Favela do Isaac em Itu, e por isso agora os homens queriam condená-la.

Mônica Aparecida Della Paschoa é apenas uma das garotas de programa que atuam por ali. Não bastou ter sido tão mal alojada, tão mal vestida, tão mal alimentada durante toda sua vida, nascendo sem estrutura econômica e familiar, entre enganadoras esperanças e de sofrimentos reais. Seu corpo não se formou, se degradou, assim como sua alma que foi tomada pelos vícios da sociedade.

Da peste e da escória humana recolhe seu sustento, e se alimentando dos frutos do lixo ituano ― envenenou-se. Seu pálido brilho é suficiente para encantar alguns daqueles que se escondem nas sombras do submundo, sob o Império de Bola de Fogo, que tem a “sintonia geral” garantida pelo PCC – Primeiro Comando da Capital.

Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010, aos 48 minutos da madrugada.

Mônica pediu para as guardas municipais que foram revistá-la para que a levassem até um lugar mais reservado, não queria passar carão ali na frente de todos. GCM Surian foi quem solicitou a presença da guarnição feminina para a revista-la e as outras garotas.

Em uma viela próxima a GCM Ana Maria a revistou encontrando em sua calcinha vinte e duas porções de maconha em um plástico azul. A garota diz às guardas femininas que tem mais em sua residência. Vão até lá e a GCM Rosemary recolhe três porções de crack embaladas em papel alumínio e um cigarro parcialmente consumido.

A máquina de repressão ao tráfico começa a andar. O delegado Dr. Antônio Carlos Padilha prende Mônica, o promotor de justiça Dr. Luiz Carlos Ormeleze declarou que “…a quantidade e a forma de acondicionamento das substâncias apreendidas, o local e as condições em que a ação se desenvolveu, as condições sociais e pessoal, bem como a conduta da agente revelam a intenção de traficância.”
Mônica tenta explicar, que não á nada daquilo… muita gente… ela se lembra que tinha muita gente… todos bebendo, todos usando drogas. Assim é a noite na Favela do Issac, assim é a vida que ela conhece. Risos, brigas, drogas. Todos estavam lá. Ela ganhou dinheiro, faz programas, faz limpeza em casas, e comprou um pouco de droga. Um pouco, o resto ela achou no chão e guardou com ela, se o dono aparecesse ela devolveria, se não ela vendia. Mas ela achou, mas se deu assim, ela diz assim que se deu. O que ela estava fazendo ali? Como chegou naquela situação? Será que um dia foi melhor?

Seu advogado Dr. Aldo Ribeiro da Silva afirma que aquelas drogas eram apenas para seu uso, pois ela costumava mesclá-los, inclusive com bebidas alcoólicas. Lembra inclusive às claras e objetivas afirmações das Guardas Civis Municipais: apenas encontraram com ela as drogas, nada sabendo sobre comercialização ou a associação.

O local é de fato conhecido como ponto de drogas, mas ora, ela não escolheu viver ali, ela teve que morar lá, é sua residência, pode ser Mônica condenada por ter sido lançada na miserabilidade, padecer sob uma pena gravíssima imputada ao tráfico, um crime considerado hediondo?

Mônica acredita piamente em Deus, mas ele só pode ser um cara gozador, que adora brincadeira, pois de uma hora para outra fez com que seu defensor fosse substituído pela Dra. Adriana Dini Schimm Elpfeng, que abandonou o tom suplicante do Dr. Aldo e passou a buscar nulidades técnicas ― que foram uma a uma derrubadas pelo promotor de justiça e pela juíza.

Tenta ainda Dr. Adriana escudar-se no testemunho de duas garotas, Aline Ribeiro dos Santos e Natalina Aparecida de Souza Carvalho, que com ela trabalhavam e com o cliente que teria comprado às drogas para ela, um tal de Salvador, não apareceu para fazer sua parte. Tudo em vão.

Assim como Mônica, sou temente a Deus, nosso Salvador, e tocado pelas palavras de Dr. Aldo vejo quão justa foi a sentença de Drª. Andrea Ribeiro Borges. Esta magistrada deu uma oportunidade para que a garota viva em melhores condições de vida pelo período de dois anos e seis meses, com alimentação digna, sem ter necessidade de prostituir-se ou passar por mais humilhações da vida em liberdade.

Auguste Dupin, o PCC, e o Apocalípise.

“Com efeito, meu caro Dupin, se o ser a que chamam Diabo tivesse querido montar sua estrutura aqui na terra, acaso a teria formado de outro modo diferente que a organização criminosa Primeiro Comando da Capital?”

Discutíamos em uma roda de amigos sobre o Armagedom e a vinda do Anti-Cristo, e meu amigo Rodrigo Domingos Sevandija tentava persuadir Auguste Dupin que a estrutura demoníaca era o próprio PCC ou talvez algo congênere.

Os argumento de Rodrigo colocaram alguns da mesa a seu favor. Confesso que temi pelo amigo Dupin; eis no entanto como ele respondeu, sem perturba-se citando um caso ocorrido aqui em Itu, como sempre direto e prosaico:

“Não me parece que o Deus teria que mobilizar legiões de anjos para a Batalha Final caso sua ridícula teoria fosse verdadeira. Uma guerra onde bilhões de almas terão seu destino definido, não pode pela primariedade que é esta organização criminosa.

Alguns dos senhores aqui conhecem a GCMf Furlan. Uma guarda civil municipal profissional e competente, mas longe está de ser uma legionária apocalíptica, mas que participou da operação da prisão de um dos líderes do PCC de Itu.

A ação coordenada pela Polícia Civil de Itu e pelo DEIC, com apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal, culminou com a prisão de Adelson, conhecido como Irmão Itu, e de sua companheira Cleonice.

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Enquanto Furlan e os demais policiais seguiram para Araçariguama, local onde estava vivendo o casal de criminosos, outros agentes seguiram para uma casa no Alberto Gomes em Itu para prender outros membros da organização.

Quando Cleonice alugou a residência de Paulo para ser a central de distribuição de drogas na cidade de Itu, ele não tinha ideia da dor de cabeça que teria ao aceitar aquela simpática senhora como sua locatária, muito menos suas intenções com a casa.

Os policiais fizeram um bom trabalho, mas convenhamos, todos nós aqui conhecemos os meios precários de que dispõem o nosso pobre aparelho policial, e se o PCC fizesse parte de um estratagema demoníaco, podem os senhores estarem certos que tão fácil não cairiam e com tanta facilidade. Uma legião demoníaca teria crivado de balas Furlan e todos os agentes da lei.

Mas algo eu convenho contigo Rodrigo, uma batalha apocalíptica começou naquele dia. A operação terminou, os algozes estavam presos, mas foi apenas o começo da guerra.

Passados anos o processo judicial ainda está patinando e ninguém foi julgado. O Dr. Milton Bonelli, advogado de defesa de Cleonice, desafia o investigador de polícia Moacir Cova que alegou durante uma audiência que teria filmagens confirmando o tráfico: ‘.. as referidas filmagens podem constituir-se em provas cabais contra, ou a favor, da acusada, a confirmar ou infirmar, as versões do policial.’ Será que a guerra entre Deus e o Diabo dependerá da batalha entre Dr. Bonelli e do investipol Moacir Cova?
O Armagedon e a vinda do Anti-Cristo, meu amigo Rodrigo, está sim próximo, pois assim está escrito, mas nada irá me dissuadir que a estrutura demoníaca é o próprio sistema político. Não existem outra organização criminosa tão eficiente. O demônio estava inspirado quando sugeriu àquele grego que batizasse tal sistema político de democracia – talvez foi piada ou egocentrismo, não arrisco a dizer.”
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A organização criminosa expande sua atuação.

Você me coloca em uma posição difícil ao exigir que eu escolha. Não é um direito seu me obrigar a me declarar ingênuo ou idiota. Na realidade talvez eu não seja nem uma coisa nem outra. Agora, se o senhor disser que eu sou hipócrita, alegando que de tudo eu sabia, mas nada fiz para acabar com aquela barbaridade por pura comodidade, talvez seja justo.

O Governador Mário Covas, que Deus o tenha em Seu Reino, bradou aos sete ventos que não existia a facção criminosa que dominava presídios, impondo aos detentos uma lei de cão… Foram sete anos negando até que a realidade chutou sua porta. Muita gente morreu e sofreu enquanto ele tapava o sol com a peneira, e nós, todos nós, incluindo você não queríamos ver.

Agora, o governo nega o restabelecimento do Primeiro Comando da Capital, pois segundo a Secretaria de Segurança Pública, a partir da queda do Geleião sobraram apenas membros isolados trabalhando de maneira desarticulada. No entanto o que se percebe é um crescimento efetivo do poder deste grupo, e todos nós, incluindo você não queremos ver.

São raras as cidades no estado em que alguma facção não tenha completo domínio dos pontos de vendas em seu território, mas a população ainda não conseguiu ver esta realidade, pois aparentemente são os pequenos e pobres rapazes que fazem as correrias que são presos no dia-a-dia policial, exatamente como o governo afirmou, e é o que nós queremos acreditar.

Recente um membro da facção foi preso enquanto agia no Jardim Araras, em Alta Floresta ao Norte de Cuiabá. Segundo o noticioso 24horasnews.com.br o nome do integrante seria Júlio Cézar de Souza, conhecido por Polaco ou Bruxo, que tinha em seu poder um quilo de pasta base, e estaria atuando como garimpeiro na região. Será que um dia saberemos o que de fato lá ocorreu?

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Provavelmente não. A polícia busca condenar o indivíduo e esclarecer outros casos correlatos, não tendo interesse em estudar a estruturação social do crime, e é esta fragilidade do sistema de segurança permite que a facção criminosa expanda seus domínios, não de forma estudada e orquestrada, mas de maneira natural e intuitiva, conforme apregoou o governo de São Paulo.

Não é apenas em Cuiabá que membros da facção se infiltram entre os garimpeiros. Aqui em Itu, uma tradicional cidade paulista com quatrocentos anos de história e berço dos colonizadores que formaram Cuiabá, passa pelo mesmo problema. Há alguns anos o Ministério Público do Meio Ambiente de Itu tentou desocupar um bairro chamado Pedreira…

O local é uma pequena favela formada principalmente de pessoas ligadas à lavra. A polícia militar não garantiu a segurança da equipe que faria as intimações sem um planejamento de ocupação, pois aquela era uma área de risco – de fato pedras eram jogadas nas guarnições que por lá apareciam. No fim foi a Guarda Civil Municipal quem convocou a população.

Era sabido que no bairro Pedreira em Itu haviam membros da facção criminosa que utilizavam o local por ser de fácil acesso e ao mesmo tempo longe do controle da polícia. Mas quem é que se preocupava ou se preocupa com a segurança das pessoas que viviam e vivem naquele bairro? Os governadores que negavam a existência da facção? Eu e você? Ninguém!

Não há quem possa resistir às hordas dos criminosos organizados. Os garimpeiros honestos de Cuiabá, os proprietários de Vans que servem o litoral, os flanelinhas dos principais centros urbanos, a população do bairro Pedreira… são dominados como se fossem crianças de berço, enquanto isso, eu e você vamos fazer de conta que acreditamos que a facção está decadente.

Mas na humildade e disciplina cada soldado do PCC está chegando chegando, representando os irmãos do crime, e por tudo isso não é um direito seu me obrigar a me declarar ingênuo ou idiota. Na realidade talvez eu não seja nem uma coisa nem outra, só esteja tentando viver minha vida, mesmo sabendo que pessoas estão chorando em um vale de lágrimas, aqui ao lado.
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O garoto e o chefe do Primeiro Comando da Capital.

Chevalier Auguste Dupin divertiu-se em sustentar a opinião daquele meu desafeto. Meu amigo sempre que podia tentava me tirar do sério defendendo pontos de vista opostos aos meus. Puro exercício de semântica. Só relato aqui, pois um dia os dados contidos neste diálogo podem ser de alguma importância no estudo dos fatos relativos aos PCC (Primeiro Comando da Capital) de Itu.

Disse ele que o consumo e o comércio de substâncias psicotrópicas são tão antigos quanto à própria sociedade humana, e o mais natural, pois já o haviam encontrado presente em ambos na antiguidade de ambos os hesmiférios; algumas civilizações incorporaram seu uso aos rituais sagrados; outras se tanto controlavam sua distribuição, mas nenhuma em verdade a proibia.

Afirmou que nos países muçulmanos se encontram bebidas em casas dos xeiques, mas a plebe é duramente castigada quando da mesma posse. Aqui um garoto em um bairro é condenado com duas paradas enquanto o filho de um industrial é liberado como usuário quando é flagrado em seu veículo de luxo com dois tijolos ou pacotes de êxtase.

Cita que as bebidas alcoólicas e as demais drogas são usadas pelas às camadas sociais mais favorecidas e imputadas como más para as outras. Lembrou que no nosso Livro Sagrado diz que é mais fácil um rico passar pelo buraco de uma agulha que entrar no Reino dos Céus. Segundo ele uma forma da antiga classe dominante fazer com que as outras valorizassem a pobreza e não buscassem tomar seus bens.
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Eu rebati dizendo que na verdade era mais fácil colher algumas folhinhas que ir à caça de lobos; o traficante nada mais é no meu modo de ver que um homem que não quer trabalhar, achou um caminho muito mais fácil que é usar da força a encarar a labuta diária: cansativa e interminável. Catar algumas folhas e deitar sob a sombra de uma arvore, como os antigos índios faziam.

Citei eu um caso que conheço e acompanho a anos:

Um garoto morador do Jardim Aeroporto é tido por muitos com extremamente perigoso. Ele e seus irmãos de fato conhecem não é de hoje o mundo do crime. Não creio que o jovem tenha mais que uns dezesete anos, mas em 2006 quando dos atentados do PCC, foi ele quem executou a única ação em Itu, a bomba caseira jogada no 50º Batalhão da Polícia Militar. Era então apenas uma criança e é claro que não estava sozinho.

Muitos acreditaram que ele fez por pura zoeira, outros que seria prova de coragem para ganhar moral junto ao partido, mas o que o tempo provou é que realmente ele não agiu ao léu. Outro dia desses estava um dos irmãos dele conversando com Júlio César dos Santos, o Preto, chefe do tráfico em quase toda cidade de Itu e líder do PCC local. O garoto resolveu montar uma biqueira no bairro São Camilo para vender “verdinhas” (maconha).
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Júlio César fechou com o garoto, mas alertou para tomar cuidado com quem ia colocar nas correrias (vendedores): “…só que é o seguinte cara, se esses moleques der perdido em mim, nós vai matar…”. É a palavra do garoto que sustentou a transação: “não, não, o moleque que eu tenho lá irmão, não dá perca não, é certinho.”

Este garoto tem de tudo para se tornar um dos futuros líderes do partido na cidade, pois seu trabalho tem se destacado em várias áreas. Se Júlio César levou três anos para em um 27 de janeiro se tornar irmão, o jovem já está chegando ao tempo. As regras mudaram e hoje a ascensão dentro da estrutura é cada vez mais difícil, mas o destaque de suas ações é notória dentro e fora do mundo do crime.

Este garoto encaixa-se perfeitamente no exemplo que eu queria dar a Dupin, não tenho a menor dúvida que com seu espírito empreendedor, audacioso e com liderança nata, teria chances de ascensão em qualquer empresa que ingressasse. No entanto além do glamour do mundo negro, junta-se a falta de concorrência e a liberdade de horário. Como disse é mais fácil pegar umas folhinhas que encarar o trabalho duro do dia a dia. Não tendo nada de “costume natural” da sociedade humana como dizia Dupin, apenas preguiça.

O movimento na Praça da Matriz naquela noite estava acima do normal, uma viatura da polícia militar passou por nós e acenou, descendo a rua Sete de Setembro. Dupin foi até um garoto que descia de bicicleta vindo da Praça do Carmo. Logo volta e mostra duas porções que havia comprado. Entendi como Watson devia se sentir quando Holmes se deleitava com seu ópio e sua cocaína.

Não fiquei para a réplica de Dupin. Deixei-o lá com meu desafeto e suas drogas de idéias. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Menino assiste estarrecido o julgamento do pai.

Quando eu era pequeno às vezes ouvíamos casos de pais de colegas nossos que teriam sido presos. Era sempre igual, não adiantava perguntar para nossos amigos, filhos de detentos onde estava o pai. Invariavelmente vinha a resposta: viajando.

Nossos amigos não mentiam para nós, acreditavam sinceramente que seus pais estivessem viajando, seja lá a trabalho ou visitando algum parente. As mães não diziam jamais que eles eram filhos de bandidos ou presidiários.

Veio a política de humanização dos presídios e com ele o costume de levar as crianças para dentro dos cárceres, afinal os pais têm todo o direito de ver seus rebentos queridos e vice-versa. Com isso criamos a cultura do crime.

O Dr. José Maria de Oliveira chamou de lado aquela família e pediu para que tirasse do plenário do Júri o garoto cujo pai seria julgado aquele dia. Qual o quê? Os parentes exigiram o sacrossanto direito de o menino ver o pai.

Será uma lembrança que aquela criança levará para o resto de sua vida. Marcelo Lima, seu pai, um criminoso reconhecido, condenado por vários crimes ouviu do promotor de justiça, Dr. Luiz Carlos Ormeleze desfilar toda a sua vida pregressa, seu envolvimento com o PCC, seu relacionamento conturbado e sua participação no crime. Seu rebento também acompanhou a tudo com olhos arregalados, sob a guarda de seus entes queridos que deveriam tê-lo poupado de tudo isso.
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Se alguém tentasse tirar novamente o garoto no mínimo apelariam a força da Lei, feita por pessoas covardes que temem aos prisioneiros e não respeitam o direito mais fundamental da infância: a inocência.

É triste vermos crianças passando os vexames que nem um adulto deveria passar, e é por isso que milhares de crianças passam todos os finais de semana para satisfazer os desejos sádicos de criminosos sem escrúpulos e parentes sem escrupulos. Sem as humilhantes revistas impostas às crianças a situação ficaria ainda pior, pois em suas partes íntimas por vezes são enfiados os objetos de desejos dos prisioneiros: drogas e chips…

Mas imaginem privar os detentos de um momento tão em família. Marcelo Lima, durante um intervalo pede aos policiais militares que faziam sua escolta que peçam ao juiz a retirada de seu filho do plenário. Só com a intervenção do magistrado é que a família retirou o garoto, mas era tarde, ele já tinha ouvido a tudo, e Deus queira que pelo menos sirva de exemplo para que outros casos não voltem a ocorrer.

A prisão de Marcelo se deu baseado nas informações colhidas pelo guarda civil municipal GCM Rosival e de uma testemunha que só se apresentou na delegacia e depois nunca mais foi encontrada. Enzo Roberto Osti e Maria Auxiliadora Fernandes contaram também o que sabiam do crime, mas pouco esclareceram.

A versão contada pelo Dr. Ormeleze no júri foi a de que Marcelo Lima e Cleber de Carvalho, conhecido por Biu, pertenciam ao mundo do crime, à mesma facção criminosa (PCC), mas não se aceitavam, viviam em atrito e um prometia matar o outro. Marcelo Lima não esperou para ver.
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Após Biu ter dito que mataria ao rival na frente de seu filho, Marcelo apareceu com mais dois rapazes na Rua Lençóis Paulista 43, no bairro Cidade Nova, na cidade de Itu, arrebentou a porta e arrastaram para fora Biu. Ainda sendo puxado levou dois tiros, após o que teve seu corpo jogado por cima de um muro, caindo por quase seis metros, até o local onde foi encontrado morto pelo GCM Rosival, minutos após o crime ter sido cometido.

Seu defensor, o advogado criminalista Dr. José Maria de Oliveira tentou quatro teses para sua defesa, mas os jurados não se comoveram com os argumentos do defensor e o réu foi condenado com tudo o que tinha direito, doze anos de detenção, mas que pelas contas do promotor significa exatamente nada. Afinal ele está preso aguardando o julgamento há dois anos… hum sexto de doze anos é dois anos… pronto, já vai para o regime semi-aberto e em mais dois anos estará na rua, a menos que tenha que pagar por outros crimes que tenha cometido.

Neste caso quem sofreu a pena mais longa foi o garoto, que terá para sempre a lembrança de tudo o que ouviu a respeito de seu pai e seu herói. Por sinal, o pessoal dos direitos carcerários manda lembrança e um salve para o irmãozinho. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Ele preferiu não participar dos atentados de 2006.

É preciso ser cego para não ver que o problema do tráfico é um problema de cunho social, e Chacrinha não foge a regra  ― pertenceu a uma família desestruturada mas seguiu satisfeito seu destino, tão satisfeito com a sua condição que jamais desejou outra vida que não aquela. Claro, de bom grado moraria em um condomínio com jardins floridos, mas nunca negou suas origens e seu orgulho de ser quem era.

Se a Fortuna não lhe recebeu quando neste mundo chegou, tão pouco deu sua graça pelos caminhos percorridos por ele. Mas ele se consolava apesar dos malefícios de sua profissão (não passava naquele tempo de um traficante), mas feliz estava em estar vivo e fora do Sistema Carcerário ― dois tesouros que poucos colegas de sua profissão podem se gabar, pois por melhores que sejam um dia acabam vendo a casa cair.

O dinheiro vinha sempre que precisava, era só fazer algumas correrias e tudo estava certo. Trabalhava com o afinco de quem quer viver e dormia com a alegria de estar livre ao lado da vida que a Fortuna escolheu para ele, e considerava cada dia como uma vida à parte, sem se preocupar com o futuro ou com o passado, pois estes tempos verbais não existem na vida do crime, bastando apenas o hoje.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Eram tempos difíceis, ele era o “irmão Chacrinha”, um membro batizado do Primeiro Comando da Capital, e agora era tempo de guerra. O PCC havia decretado uma onda de atentados contra alvos policiais e judiciários. Agora, lá fora estava o paulistano Willian, o “irmão Sinistro”, afilhado na facção de Marcelo, o Tio ou “M”, um dos generais do Partido.

Chacrinha não quer entrar naquela guerra, não aquele dia. Diz ao Sinistro que não está com a namorada em casa e fará os corres por conta. Esta história será por ele explicada mais tarde para quem de direito, mas o buchixo correu…

Sinistro ligou para Edson, o “irmão Cara de Bola”, um torre no PCC (Primeiro Comando Capital) e esculachou o irmão que fugiu da raia:

“Chacrinha é bunda mole e tinha uns moleques com ele, tudo bunda mole. Você entendeu irmão, e aí eu fiquei com medo dos caras me deixa na mão e aí e pá, e o Chacrinha também é outro bunda mole, Chacrinha aí, entendeu, na época das missões, fui na goma chamá prá uma força e lá e tal, os irmãos marco uma reunião, pá lá, ele falo que estava com a namorada dentro da casa.”


Cara de Bola confirma que ele também ligou para Chacrinha entrar junto na caminhada mas não foi também.


Seja lá como for, Chacrinha sobreviveu àquela guerra, pobre, traficante, e agora sem moral junto aos seus, mas vivo e livre. Pelo menos por algum tempo.
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Como se faz para entrar como membro do PCC.

Eu não concordei com o velho François-Marie Arouet ao dizer que se olharmos com os dois olhos, enxergaremos melhor: com um olho veríamos as coisas boas, com o outro as coisas ruins. Por isso, segundo ele, seria importante evitar fechar um para abrir bem o outro.

Meu velho François, leia com seus dois olhos bem abertos como se pode ingressar no Primeiro Comando e me diga: onde está o lado bom? Eu só conseguir ver o lado negro, mesmo sem ser caolho, por isso vou lhe contar o caso do irmão Cara de Bola.

Ele, que era torre do PCC e responsável pela distribuição das drogas na cidade de Indaiatuba, explicou com detalhes como se ingressa na facção, pois caiu em uma escuta ao ligar para o irmão Boquinha. Foi assim que ficamos sabendo de tudo:

Nepotismo

O irmão X tornou-se membro da facção por ser irmão de sangue do Tio, ou irmão M, um general na hierarquia do Primeiro Comando da Capital forte em em Indaiatuba, na época. Essa é uma das formas de ingresso: sendo parente de outros membros. Nem pense em reclamar que isso é nepotismo.
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Indicação

Passado um tempo, o irmão X foi transferido para o Hortolândia III. Lá, o irmão Miltinho disse que havia um rapaz que queria “fechar a caminhada com a facção”, mas que, para ingressar, o garoto precisava ser indicado por dois padrinhos: um seria ele mesmo, irmão Miltinho, que pediu para que o irmão X fosse o outro.

Verificação

O irmão X pediu, então, para que o irmão Cara de Bola verificasse as caminhadas do garoto, vendo se ele realmente era do crime, se era de confiança ou se tinha algum impedimento para o batismo da facção.

Prova de fogo
O irmão Bola de Fogo, para ser batizado, jogou, durante os atentados de 2005,  uma bomba no Quinquagésimo Batalhão de Polícia Militar do Interior como prova de lealdade.


As ruas como caminho de acesso:

Um recado que não é meu é do Arnaldo Antunes e do Inquérito: “Aí moleque esquecido na quebrada, eu sou mais você que a Ana Maria Braga. Muita fé e muita luz na caminhada. Cada um por si não vai dar em nada, com menos ódio e mais amor nessa estrada.”


A internet como caminho de acesso:

Acorda molecada! O Primeiro é uma organização criminosa profissional e não trocam ideias com bandinetes – o irmão Cabuloso estava falando sobre isso outro dia.

Resumindo: o caminho para ser um irmão batizado do PCC é por meio da confiança mútua entre o ingressante e os outros irmãos batizados (e depois de muito tempo de [re]conhecimento pessoal), seja pelos corres da rua ou dentro do Sistema Carcerário.

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Um caso de extorsão em delegacia de Campinas.

Atuar na segurança pública não é fácil, mas tão pouco é difícil. Se por um lado alguns membros insistem em agir como a velha estratégia policial, onde se misturam corrupção e violência, por outro existe a grande maioria que mesmo recebendo um salário muito inferior ao risco que correm não aceitam se vender.

Eu sou cidadão ituano há mais de cem anos, pois meus avós vieram para cá no final do século XIX e provavelmente estarão meus descendentes por aqui vivendo daqui há um ou dois séculos, desde que eu faça minha parte e ajude minha terra a ser um lugar bom para se viver.

Talvez seja esta a grande diferença que existe entre a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal: enquanto o foco da PM é o combate ao crime, a Guarda Municipal visa melhorar a sociedade onde vive através do seu trabalho.

Outras diferenças existem, ora a favor de uma corporação ora a favor da outra. A GCM por ser oriunda da comunidade em que atua, tende a aproximar-se de políticos: honestos ou não. Que acabam desviando os agentes da lei do cumprimento rígido de suas funções, seja por razões lícitas ou não. O que pode ser positivo ou não.

Por outro lado, esta proximidade afasta-os das negociatas com o tráfico e dos atos de violência, pois sua atuação é cobrada tanto pelas forças políticas quanto por seus próprios membros. Ambos os grupos formados cidadãos da terra, que viverão na pele os erros e os acertos de sua atuação.

Esta introdução, longa por sinal, vem apenas esclarecer que existem diferenças e similaridades entre todas as força policiais brasileiras, havendo homens e mulheres ilibados em todas elas, mas também existem corruptos.
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A Polícia Civil não foge a regra, com bons e maus exemplos. Outro dia me surpreendi com a correria feita na Penitenciária de Avaré pelo detento Keiti Luiz Von Ah Toyama, traficante conhecido como “irmão Japa” no PCC, teve que mover mundos e fundos para conseguir grana para tirar de dentro de uma DP de Campinas um comparsa seu.

Terça-feira, 14 de novembro de 2006. 15 horas
Presídio de Avaré – Interior de São Paulo

Japa recebe uma ligação dizendo que os policiais haviam preso Fernando, um peixe grande de Indaiatuba. Poucas informações chegaram, ele não sabia o motivo da prisão, ou melhor, sabia. De outra vez já teve que chorar com algum dinheiro para soltar o colega e desta não seria diferente – era a mesma equipe que estava no DP.

Ele não perde tempo e conversa com Márcia, a mulher de Fernando que lhe pede dez mil reais para ser entregue na casa dela em Indaiatuba, ela apenas sabe que ele foi preso na frente de sua loja, e conta que os policiais exigiram sessenta mil para libertá-lo. Ela entregaria o Audi dele no valor de cinqüenta mil e precisa de mais dez em dinheiro.
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Japa suspira, desta vez saiu barato, da outra eles garfaram duzentos mil. O próprio Fernando de dentro da DP fala com o Japa que está no presídio e pede para agilizar o negócio, mas Japa está com dificuldades pois o banco agora já está fechado. Um tal de Luiz entra na linha, cujo telefone é de prefixo 11, e vai tentar arranjar a grana.

Não sei se Fernando no fim foi solto ou não, mas que a correria existiu, isso lá existiu. E vamos convir, que não se deve estranhar quando se houve que determinada entidade sofre represarias do PCC, pois tem gente que faz tudo para merecer.

Por graça Divina ou por bom-senso da população, parte dos profissionais da segurança são muito bem vistas na maioria dos lugares onde atuam de maneira mais efetiva, tanto pelas raízes históricas de seus membros quanto ao número insignificante de denúncias de corrupção. Quiçá isso venha a se propagar por todas as outras corporações.

Atuar na segurança pública não é fácil, mas tão pouco é difícil. Se por um lado alguns membros insistem em agir como a velha estratégia policial, onde se misturam corrupção e violência, por outro existe a grande maioria que mesmo recebendo um salário muito inferior ao de outras corporações não aceitam se vender. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});