A advogada do PCC e o conceito de igualdade.

Magníficos, mui honrados, e soberanos senhores;

zelosos e mui dignos, policiais e guardas civis; e
esforçados e comprometidos, moleques dos corres.

Venho diferentemente do que fez Jean-Jacques Rousseau, homenagear a todos vocês, pois não poderia apontar para um ou para outro ignorando que todos buscamos atender nossas necessidades naturais de sobrevivência e da busca pela felicidade.

Rousseau dizia que se tivesse que escolher algum lugar para nascer, escolheria vir ao mundo novamente em Genebra, mas eu escolheria o Brasil, pátria onde a sociedade possui ilimitada paciência com aqueles que infringem as leis por ela mesmo impostas, permitindo que manobras obscuras brinquem com a aplicação da Justiça.

Apesar de se orgulhar de sua terra, acreditava o filósofo que o país ideal seria aquele que “numa situação encantadora, um clima temperado, um país fértil e o aspecto mais delicioso que há sob o céu” no qual ninguém, absolutamente ninguém pudesse dizer-se acima da lei.

Então, e sem querer…
ele descrevia o nosso Brasil.

Hoje, os brasileiros festejam a igualdade existente em nossa nação apontando os petistas processados e presos. Que todos nós possamos nos juntar a eles, seguindo o conselho de Rousseau e não permitindo que “funestos mal entenditos viessem a perturbar a concórdia pública”.

Em 2008 foram condenadas em primeira instância as advogadas Drª. Valéria Dammous e Drª. Libânia Catarina Fernandes Costa por servirem de ligação entre os líderes facção criminosa PCC e os detentos das outras unidades prisionais, distribuindo a ordem de iniciar o motim nos presídios de 2006, entrar com de celulares e dinheiro nas penitenciarias e corromper funcionários.

Custo desse motim: mais que R$ 27 milhões.

As condenadas cumpriram prisão domiciliar temporária e receberam como pena passar quatro anos presas em regime inicial aberto. Aí meus dignos senhores é que temos que atentar para os conselhos do velho filósofo e não nos precipitarmos acusando de sectárias nossas leis. Puro mal entendido.

Esforçados e comprometidos moleques dos corres, que por vezes são condenados a duras penas em regime fechado por algumas porções de drogas, mantenham sua fé que o fato das advogadas terem saído praticamente livres não é um sinal de que não há justiça.

Zelosos e mui dignos, policiais e guardas civis não desamimem em sua missão de conduzir os pequenos delinquentes para as mãos da Justiça, pois alguém deve “impor limites a mocidade imprudente“, dando um lustro de “respeitabilidade a essa virtuosa pátria“.

Magníficos, mui honrados, e soberanos senhores. Parabéns, Rousseau ficaria satisfeito com a nação que os senhores, com a nossa ajuda construíram.

Texto baseado na obra:

Autor: Ricard Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

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