Tuta é um dos vulgos de Marcos Roberto de Almeida, que ganhou a confiança de Marcola, o Marcos Willians Herbas Camacho, quando estiveram juntos na P2 de Presidente Venceslau.
Hoje Tuta seria o principal líder do Primeiro Comando da Capital fora das trancas, e responsável pela arrecadação da facção do mundo do crime na região da Grande São Paulo e Baixada Santista.
Depois da morte de Gegê do Mangue e a prisão de Fuminho, Tuta também teria assumido a coordenação internacional da facção, podendo estar hoje, tanto no Brasil quanto na Bolívia ou até mesmo na África.
O eixo africano que é cada vez mais importante pois pode permitir ao Primeiro Comando da Capital entregar na Europa diretamente para para os atacadistas, e evitando os portos da Bélgica, Holanda e Itália poderia baixar o custo em 40% do valor da mercadoria que é cobrado pelos cartéis que dominam por lá o fluxo.
Foi ele o integrante do PCC com imunidade diplomática como adido da embaixada de Moçambique em Belo Horizonte, e que deveria fomentar os negócios entre os dois países — só não se sabe exatamente que tipo de “negócios” seriam esses.
O temor dos cartéis internacionais é que a organização paulista tente chegar ao oceano Pacífico e utilizar os portos do Equador para expandir seus negócios para a Ásia — hoje o PCC abastece parte desse mercado através de suas parcerias na África.
Outra alternativa que também está sendo estudada pela facção para chegar aos mercados asiáticos é a conquistar uma saída para o oceano Pacífico integrando os portos do Equador a Rota do Solimões.
Com o isolamento das lideranças mais antigas nas Penitenciárias Federais, o poder dele e dos líderes na liberdade parece estar cada vez maior, podendo, cada um deles, tentar um voo independente a qualquer momento. — Jornal O Vale
Em tempos de Bolsonaro tudo pode se esperar. Tem empresário de escola de inglês que assessora na área de Saúde Pública e tem empresa de aluguel de veículos que cede carro para ações do crime organizado.
A suspeita que a Localiza está envolvida com a quadrilha formada por policiais foi exposta pelo jornalista do UOL Josmar Jozino, que afirma que os agentes utilizaram por mais de um ano um Volkswagen Gol da empresa para cometer crimes.
O caso ficou famoso depois que os investigadores do DEIC, Carlos Henrique dos Santos e José Luís Alves, sequestraram uma liderança do com o Gol locado irregularmente em 2018 no Rio de Janeiro.
Bruno Fernando de Lima Flor, conhecido como PCC Armani, ficou no cativeiro dentro do DEIC até ser resgatado com o pagamento de um resgate.
Quando a casa caiu para os policiais, deu queixa do veículo como qualquer bandidinho começo de carreira faria.
Caberia investigar se foram os funcionários ou os empresários que estavam em conluio com os criminosos. Mas haverá investigação? Será? — Josmar Jozino para o UOL
Alguém sabe se o que deu no Bonde dos Cachorros de Pernambuco? Eram aliados do Primeiro Comando da Capital? Nunca mais ouvi falar .
Há três anos os irmãos do BD estavam agitando os presídios e cadeias, fazendo um movimento forte — pelo que me lembre, até na rua com queima de ônibus e tal, mas o forte mesmo eram os assaltos e tráfico.
“A companhia aqui é independente. Aqui ninguém é mandado por ninguém, não. Se mexer com um de nós, o brinquedo é esse aqui, tô mandando um alô. Tão ameaçando as famílias dos parceiros aí. A gente não tá a fim de guerra não, parceiro. A gente tá a fim de paz. Agora, se quiser guerra, vai ter. Vermelho aqui é só sangue. Aqui quem manda nos bagulho é só nós”
Uma folha de papel pode pesar muito: pode ser uma sentença de morte ou uma ordem para auxiliar uma família.
Em fevereiro de 1998, por menos de 1 Real foi enviada de uma agencia do Correio de Campo Grande uma carta com informações de como funcionava o esquema montado pelo Primeiro Comando da Capital no Mato Grosso do Sul.
A denúncia incluía nomes e telefones de integrantes em Ponta Porã, Amambai, Coronel Sapucaia e Antônio João. A carta caiu como uma bomba no colo da Polícia Federal que nunca mais foi a a mesma depois que recebeu aquelas informações.
A teia envolveu nomes de 33 pessoas e empresas, entre elas o “Cabeça Branca”, como é conhecido Luiz Carlos Rocha, um líder articulador de negócios internacionais.
A investigação se ampliou para12 municípios do Brasil e do Paraguai, desbaratando o complexo mecanismo de lavagem internacional de dinheiro montado por Fernandinho Beira-Mar do Comando Vermelho.
O advogado Dr. Ivan Hildebrand Romero conseguiu se livrar da punição por ter melado a seção do Tribunal do Júri — a OAB solicitou e conseguiu que o Tribunal de Justiça suspendesse a multa que havia sido imposta.
Para brecar o Julgamento de Adriano Lima, integrante do Tribunal do Crime do Primeiro Comando da Capital do Mato Grosso do Sul, o advogado alegou que seu cliente foi prejudicado pois um jurado cochilou e ficaram com seus celulares nas redes sociais durante o julgamento.
Quem acabou com cara de tacho foi o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Carlos Alberto Garcete de Almeida, que não soube administrar o plenário e tentou jogar nas costas do advogado uma multa de 11 mil e as custas de um novo julgamento.
Para quem não lembra do caso, o Alex ficou devendo dinheiro de droga para Adriano, ele carrega o tal para um mocó conhecido como “Barraco do Vô” na Favela B13 em Campo Grande. Durante os debates, descobriram que além de pegar fiado a droga e não pagar, o moleque ainda vendia para integrantes do Comando Vermelho. Foi esquartejado vivo e seus pedaços foram jogados em um duto de agua ao lado do Condomínio Terras do Golfe. — Geisy Garnes para o Campo Grande News
Mais um golpe contra a população carcerária e mais um assalto aos cofres do governo está sendo preparado por Jair Bolsonaro.
Em 2019 ele já havia tentado entregar o controle dos cárceres para a iniciativa privada, mas como o massacre de COMPAJ ainda estava na mente de todos o plano falhou, mas agora volta a tentar de novo.
Sob o argumento que é necessário pensar numa estrutura para conter o avanço das facções criminosas dentro dos presídios, como o Primeiro Comando da Capital que se aproveitam das suas condições subumanas para ganhar poder.
Mas o problema não está no controle público dos presídios e sim de uma política de encarceramento das populações periféricas que inunda os cárceres com mais de 800 mil brasileiros, boa parte sem julgamento. — Blog do Dantro Emerenciano
A socióloga Roberta Fernandes Santos afirma no entanto que a solução não é uma omissão ainda maior do Estado e sim sua presença mais efetiva:
O PCC faz o papel que o Estado deveria desempenhar nos presídios, de diálogo dos presos com a administração. O Estado tem que investir na garantia da assistência aos presos, pois é assim que o PCC ganha adesão.
“Mão de Pedra” matou Edson dos Santos — o integrante do Comando Vermelho foi julgado, morto e seu corpo ficou caído na cela.
“Mão de Pedra” chama Paulo para pendurar o corpo, simulando um suicido, mas a farsa encenada pelo integrante do Tribunal do Crime do Primeiro Comando da Capital não resistiu a investigação e foi desvendada.
O crime aconteceu em dezembro de 2019 e não foi a única morte na guerra entre as facções dentro do sistema prisional do Mato Grosso do Sul, mas depois desse episódio que a direção da Máxima de Campo Grande, o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho EPJFC, passou separar os CVs dos PCCs.
Um integrante do Primeiro Comando da Capital caiu no bairro Porto Alegre em Capivari da maneira mais comum: viatura passando por local conhecido pelo tráfico, aborda e localiza drogas.
A viatura era da Guarda Civil Municipal encontrou as drogas no telhado de uma casa próxima: 52 pinos de cocaína e cinco porções de crack.
Na residência do criminoso encontraram outros 44 pinos e uma porção a granel de cocaína, uma pedra bruta de crack, um celular, 601 pinos vazios além de uma folha de anotações do tráfico de drogas. — Prefeitura de Capivari
Segundo a repórter Cristiane Azanha do Jornal de Piracicaba conta que uma viatura da Polícia Civil estava transportando integrantes do Primeiro Comando da Capital quando “o motorista do Ford Fiesta bateu na viatura”.
Se for isso, os policiais devem ter ficado cabreiros achando que seria uma tentativa de resgate, mas pelo estado do Ford Fiesta, está mais parecendo que a viatura estava em alta velocidade e não parou em um cruzamento.
O que se sabe ao certo é que o Fiesta entrou dentro de uma loja e nenhum dos presos se feriu no acidente.
O presidente Bolsonaro, que vive em seu mundo fora da realidade, ficou possesso, e o assunto acabou tão rápido como começou e as comunidades foram abandonadas para que se virassem.
As pesquisadoras Ana Carvalho, Thais Duarte, Natália Martino, Ludmila Ribeiro e Valéria Oliveira querem saber como os diversos atores sociais supriram a presença do governo no combate à pandemia e seus efeitos nefastos econômicos.
Também será analisado se houve participação do Primeiro Comando da Capital e qual foi seu grau de envolvimento, já que a facção regula o fluxo de pessoas, o comportamento social e o acesso dos serviços públicos em milhares de comunidades marginalizadas.
Se algum dia imaginamos que o Estado atuaria na proteção das populações que vivem em espaços marginalizados em uma emergência, o governo Bolsonaro provou que, ao contrário do que afirmava Max Weber, o Estado não tem e nunca teve a hegemonia do uso legítimo da capacidade de produzir governança.
Como o poder não admite vácuo, nesses territórios sem lei, e agora sem o serviço de Saúde, às organizações criminosas como a facção PCC ganharam espaço, e as pesquisadoras querem saber como aproveitaram essa oportunidade.
Se por um lado sabemos que em algumas regiões integrantes da facção proibiam a circulação de pessoas em respeito ao distanciamento social e organizavam o transporte para os centro de saúde, em outras promoviam festas, eventos, obrigavam o funcionamento do comércio e proibiam o acesso dos funcionários da saúde às comunidades.
O desafio a que se propõe as pesquisadoras não é simples, principalmente porque os meios de comunicação evitam mencionar a facção por medo de represália, tanto por parte do Estado quanto pelo dos integrantes da organização criminosa.
Para conhecer os objetivos, metodologia e cronologia da pesquisa baixe o PDF:
Bozidar Kapetanovic, identificado como elo entre o Primeiro Comando da Capital e o influente clã sérvio chefiado por Darko Šarić — formado por ex‑militares —, permanece no epicentro de negociatas internacionais de drogas.
Até 2009, essa organização operava com envios de cocaína da Colômbia, Bolívia e Paraguai para a Europa, utilizando portos da Colômbia, Argentina e Uruguai. A chamada Operação Brabo desmantelou toda a estrutura e resultou na prisão dos cabeças do grupo.
Em 2016, ainda que reduzido, o clã ressurgiu com novo modus operandi: agora transitando drogas por diversos portos — com destaque para Santos — em colaboração com o PCC, que se encarregava da logística na origem e da entrega ao ponto de embarque.
Kapetanovic cumpre pena desde então. Condenado a 23 anos e 6 meses, seu advogado tenta anular a sentença, alegando violação do direito de defesa: segundo ele, o juiz teria ignorado a ordem de apresentação dos recursos, cerceando sua atuação.
O Ministério Público tenta barrar a anulação alegando que só seria válida se Bozidar tivesse sido elencado como “réu colaborador”. — site do Dr. Aroldo Murá
O Ministério Público de São Paulo, contudo, rebate. Afirma que a nulidade só seria admissível se Kapetanovic tivesse sido considerado um “réu colaborador”. Sem essa classificação, não haveria razão jurídica para rever o processo.
Contextualização adicional:
Operação Brabo (2009): resposta a um esquema sofisticado de transporte de cocaína para a Europa.
Ressurgimento em 2016: marca um movimento deliberado do PCC para expandir atuação internacional, assumindo etapas sensíveis do contrabando.
Disputa jurídica atual: revela o embate entre formas de coerção judicial (nulidade técnica e tentativa de renegociação penal) e a rigidez estatal em manter condenações por crimes transnacionais.
Opinião investigativa
Ao entrelaçar crime organizado nacional e transnacional, este caso expõe um cenário sombrio: a persistência de redes que contornam fronteiras estaduais e internacionais, enquanto se digladiam dentro do sistema judiciário. A tentativa de anulação é, em essência, uma manobra jurídica de players acostumados a flutuar entre legalidade e impunidade. Embora tecnicamente plausível, não há garantia de recuo; tampouco de eventual alívio, a menos que evidências de colaboração efetiva apareçam.
Análise por IA do artigo: MP-SP tenta barrar anulação de sentença de clã envolvida com PCC
A Teia Transnacional do Tráfico de Drogas: Análise Profunda da Rota América do Sul-Europa e os Desafios de Combate
Resumo Executivo
O presente relatório oferece uma análise aprofundada da complexa e interconectada natureza do tráfico transnacional de drogas entre a América do Sul e a Europa. Destaca-se a ascensão de atores criminosos sofisticados, como o Clã Darko Šarić e o Primeiro Comando da Capital (PCC), cujas metodologias operacionais demonstram uma notável capacidade de infiltração estatal e controle logístico global. A análise revela uma crescente profissionalização e alcance transnacional de grupos de crime organizado, que transcendem a mera atividade de contrabando para se tornarem entidades com operações financeiras complexas, infiltração governamental e alianças adaptativas. Esta evolução exige que as abordagens tradicionais de aplicação da lei, focadas puramente na repressão, sejam complementadas por estratégias mais abrangentes, incluindo cooperação multinacional, reformas legais e sociais, e o combate às causas subjacentes que alimentam estas redes. A Operação Brabo é examinada como um estudo de caso significativo dos esforços de combate, ilustrando tanto os sucessos quanto os contínuos desafios legais e operacionais inerentes à luta contra estas organizações.
Introdução: O Cenário em Evolução do Tráfico Transnacional de Drogas
A última década testemunhou uma transformação significativa no cenário global do tráfico de cocaína, com a rota entre a América do Sul e a Europa emergindo como um eixo central para o comércio ilícito. Neste contexto, grupos criminosos da região dos Balcãs e do Brasil consolidaram sua posição como protagonistas incontestáveis. Gangues balcânicas, em particular, passaram a dominar o fornecimento de cocaína na Europa. Paralelamente, o Primeiro Comando da Capital, uma organização que se originou em prisões de São Paulo, expandiu-se de forma notável, controlando mais de 50% das exportações de drogas do Brasil para a Europa até 2023.
A ascensão destas organizações, descritas como um “leviatã criminoso transnacional” pelo governo dos EUA em 2021, sinaliza uma mudança fundamental na dinâmica de poder do comércio global de cocaína. Observa-se que estes grupos não apenas competem com máfias europeias tradicionais em certos mercados, mas também estabelecem parcerias estratégicas para otimizar a distribuição. Esta complexidade nas relações criminosas, que pode envolver tanto a eliminação de concorrentes quanto a colaboração lucrativa, indica uma estratégia altamente adaptativa entre estas empresas ilícitas. A crescente sofisticação e o alcance global destas organizações sublinham a insuficiência das estratégias antinarcóticos puramente nacionais. A natureza interconectada e transfronteiriça das operações criminosas exige uma cooperação internacional robusta, partilha de inteligência e operações coordenadas que transcendam as jurisdições nacionais para serem eficazes no combate a estas redes.
O Clã Darko Šarić: Um Nexus Balcânico no Narcotráfico Global
Darko Šarić, nascido em 1969 em Pljevlja, Montenegro, emergiu como uma figura central no tráfico internacional de drogas, liderando um clã montenegrino que se tornou um dos principais fornecedores de cocaína na Europa. Sua carreira criminosa atingiu um patamar de influência e riqueza impressionantes, com estimativas indicando que ele faturava um bilhão de euros por ano, e os lucros totais de suas operações foram avaliados em cinco bilhões de euros.
As operações de Šarić eram marcadas por uma sofisticação notável. Ele foi um pioneiro em táticas que levaram o cartel balcânico ao topo, incluindo o enraizamento de suas operações na América Latina, a infiltração em empresas de transporte de carga (com potencial envolvimento na Mediterranean Shipping Company, a maior empresa de transporte de contêineres do mundo) e a utilização de células de criminosos pequenas e secretas. Sua ascensão foi descrita como uma “obra-prima de gestão”, com ele próprio tendo sido engenheiro em navios de contêineres em sua juventude. Šarić estabeleceu uma vasta rede de lavagem de dinheiro, criando ruas inteiras de restaurantes e cafés em São Paulo para limpar seus lucros, ao mesmo tempo em que construía intensas redes de contato com narcotraficantes brasileiros e colombianos. No auge de seu poder, em meados dos anos 2000, ele controlava mais da metade do crescente mercado europeu de cocaína, movendo toneladas da droga da América do Sul para a Europa.
Um dos aspectos mais alarmantes da influência de Šarić foi sua capacidade de corromper instituições estatais. Sua riqueza permitiu que ele “perfurasse seu poder na base do estado”. Alegações graves incluíam planos de assassinato de políticos e oficiais de polícia de alto escalão na Sérvia, como o então presidente Boris Tadić, a Ministra da Justiça Snežana Malović, e o Procurador Especial contra o Crime Organizado, Miljko Radisavljević. A extensão de sua influência era tal que a Primeira Agência Bancária de Montenegro, controlada pela família do então Primeiro-Ministro Milo Đukanović, aceitava milhões em dinheiro do clã Šarić, “feliz em fazer vista grossa”. Essa profunda infiltração gerou tensões diplomáticas significativas entre a Sérvia e Montenegro, com acusações mútuas de interferência nas investigações e proteção ao fugitivo.
Apesar de sua vasta rede e influência, o clã Šarić foi alvo de grandes operações policiais internacionais. A “Operação Guerreiro Balcânico” resultou na apreensão de cerca de 2,7 toneladas de cocaína da América do Sul em outubro de 2009. Em 2014, Darko Šarić foi localizado na América do Sul pelo serviço secreto sérvio BIA e preso em uma ação conjunta das polícias sérvia e montenegrina, após a emissão de um mandado de prisão internacional. Ele foi extraditado para a Sérvia, onde enfrentou julgamento. Em 2018, foi condenado a 15 anos de prisão por tráfico de drogas, e em 2020, recebeu uma pena adicional de 9 anos por lavagem de dinheiro. Seu irmão, Duško Šarić, também foi preso em uma operação internacional coordenada, a “Operação Bolas”, que envolveu a Itália, Montenegro, Eslovênia e Sérvia.
O sucesso na perseguição de figuras de alto nível como Šarić demonstra que o combate a redes criminosas tão poderosas e internacionalmente enraizadas exige uma cooperação internacional substancial. Tais esforços, por sua vez, podem expor níveis profundos de corrupção dentro de governos nacionais, resultando em consideráveis tensões diplomáticas e repercussões políticas. A vasta capacidade financeira de Šarić e seu estilo de gestão de “total controle” foram cruciais para estabelecer e manter um controle operacional tão extenso e uma influência tão profunda, permitindo a corrupção sistêmica de instituições estatais.
A expansão estratégica do PCC é um testemunho de sua adaptabilidade. Primeiramente, o grupo se expandiu para outros países latino-americanos, depois para a África Ocidental e, finalmente, para a Europa.6 Atualmente, o PCC está ativo em todo o Brasil, América do Sul, África Ocidental e Europa.2 Essa expansão internacional, impulsionada pelo comércio de cocaína, permitiu ao PCC estabelecer uma parceria lucrativa com a máfia italiana ‘Ndrangheta e, em 2023, controlar mais de 50% das exportações de drogas do Brasil para a Europa. O grupo também é conhecido por suas alianças com outras máfias balcânicas, incluindo o Clã Šarić.
A sofisticação operacional do PCC é evidente em sua estrutura de gestão, organizada em “sintonias” :
Sintonia Geral Final: A liderança suprema, cujos membros, incluindo Marcola, estão encarcerados, mas mantêm contato constante com sintonias subordinadas.
Sintonia dos Gravatas: Responsável pela contratação de advogados e pela rede de apoio jurídico.
Sintonia Restrita: Atua como uma agência de inteligência, realizando vigilância, planejando assassinatos e gerenciando a lavagem e movimentação de grandes somas de dinheiro através de uma rede de comunicação sofisticada e compartimentada.
Sintonia Financeira: Gerencia a contabilidade, finanças e comanda as operações comerciais do grupo, desde pontos de venda de drogas até exportações de cocaína e lavagem de dinheiro.
Sintonia do Cadastro: Responsável pelos registros organizacionais, incluindo a “Lista Negra” de membros expulsos.
Sintonia da Ajuda: Distribui auxílios como pensões e alimentos básicos.
Esta estrutura hierárquica e centralmente comandada, capaz de fazer cumprir decisões em todo o grupo, é um fator crítico para sua dominância. A sofisticação do PCC no contrabando é ilustrada por apreensões em larga escala, como as seis toneladas de cocaína apreendidas pela Marinha Portuguesa de um submarino perto dos Açores em março de 2025, evidenciando a escala do fluxo de narcóticos facilitado por grupos como o PCC para portos europeus em Portugal, Espanha, Itália, Holanda e Bélgica.
O sucesso e a rápida expansão do PCC são atribuíveis à sua evolução altamente adaptativa e estratégica. Sua sofisticada estrutura interna e sua abordagem pragmática para formar alianças, mesmo com grupos que poderiam ter entrado em conflito com outras entidades balcânicas, são facilitadores críticos de sua dominância. A capacidade do PCC de negociar com rivais, em vez de expulsá-los, permitiu ao grupo utilizar redes criminosas pré-estabelecidas e conhecimentos logísticos existentes ao longo da cadeia de valor da cocaína, incentivando a cooperação pacífica.2
A estratégia de recrutamento do PCC, fortemente dependente da crescente população carcerária do Brasil, representa um desafio sistêmico que medidas punitivas por si só não conseguem resolver. O crescimento de mais de 400% na população prisional desde 2000 tem fornecido um terreno fértil para o recrutamento do PCC, implicando que as próprias políticas carcerárias do estado inadvertidamente alimentam o crescimento e o poder desta organização criminosa. Isso aponta para a necessidade de uma mudança fundamental na política, para além da mera repressão.
A notável capacidade do PCC de controlar uma parcela significativa das exportações de drogas do Brasil para a Europa é diretamente facilitada por suas sofisticadas capacidades logísticas. Isso inclui a infiltração no transporte de carga, como sugerido pela apreensão de submarinos, e seu controle estratégico ou influência sobre centros marítimos chave, como o Porto de Santos. Essa maestria dos nós logísticos da cadeia de suprimentos é um facilitador direto de sua dominância internacional.
Operação Brabo: Desvendando um Grande Esforço Antidrogas
A Operação Brabo representa um marco significativo nos esforços da Polícia Federal brasileira para desarticular redes de tráfico internacional de drogas. Embora haja uma menção isolada de uma “Operação BRABO” em 2011 na fronteira Brasil-Bolívia, a vasta maioria e a consistência dos dados apontam para a deflagração da Operação Brabo em setembro de 2017como a grande ação focada no tráfico internacional de cocaína via portos brasileiros para a Europa.
A operação, deflagrada em 4 de setembro de 2017, mobilizou um contingente impressionante de mais de 800 agentes federais em cinco estados (Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul) e no Distrito Federal. Foram cumpridos 127 mandados de prisão e 190 de busca e apreensão. Os resultados iniciais indicaram a prisão de pelo menos 80 pessoas , com 28 delas detidas no Porto de Santos, que funcionava como o principal ponto de envio da droga para a Europa. A Operação Brabo também resultou na apreensão de uma fortuna em dinheiro, totalizando R$ 918 mil em espécie, incluindo R$ 425 mil, US$ 149.200 e 6.700 euros. Mais significativamente, a operação levou à apreensão de aproximadamente seis toneladas de cocaína que seriam remetidas a terminais europeus, com algumas fontes indicando até nove toneladas apreendidas naquele período.
A investigação da Operação Brabo revelou a participação direta de líderes do Primeiro Comando da Capital, que forneciam suporte logístico e financeiro às atividades do grupo. Entre os condenados estavam Ronaldo Bernardo (21 anos e 7 meses), Luís de França e Silva Neto (24 anos e 2 meses) e Patrício da Silva Fausto (13 anos e 6 meses).10 Além do PCC, membros da máfia sérvia também foram identificados como parte da cúpula da organização criminosa. Bozidar Kapetanovic e Miroslav Jevtic, por exemplo, foram condenados a 23 anos e 6 meses e 17 anos e 8 meses de prisão, respectivamente, por sua participação na compra e direcionamento das drogas. Miroslav Jevtic, conhecido como Felipe, atuava como braço direito de Kapetanovic e foi preso na Operação Brabo.
A droga era adquirida em países vizinhos como Bolívia e Colômbia, estocada em São Paulo, e depois remetida para o Porto de Santos, de onde seria distribuída para a Europa através de portos na Itália, Rússia, Bélgica, Espanha e Inglaterra. A Operação Brabo também destacou a colaboração com a Agência Antidrogas dos EUA (DEA). O nome da operação, “Brabo”, faz referência ao Porto de Antuérpia, na Bélgica, um dos destinos da droga.
A Operação Brabo ilustra a importância estratégica e a vulnerabilidade do Porto de Santos como um hub crucial no tráfico internacional de drogas. O uso consistente deste porto por diversos grupos criminosos, incluindo o PCC e a máfia sérvia, ressalta sua função como um nó logístico vital nas cadeias de suprimentos ilícitas globais. Isso implica que esforços eficazes de interdição devem priorizar o controle e a coleta de inteligência nestes gargalos logísticos chave.
Um tema emergente da Operação Brabo é a sofisticação dos mecanismos financeiros empregados por essas organizações criminosas, em particular o uso disseminado de “doleiros” (cambistas ilegais) para lavagem de dinheiro. Esses doleiros facilitavam o recebimento de pagamentos no exterior e o saque de dinheiro no Brasil, utilizando métodos idênticos aos empregados para lavagem de dinheiro e ocultação de bens de políticos corruptos e grandes sonegadores. Isso revela uma infraestrutura financeira paralela e profissionalizada que sustenta o comércio de drogas, muitas vezes interligada a outros fluxos financeiros ilícitos.
Operação Brabo (Setembro de 2017): Estatísticas Chave e Participantes Identificados
Característica
Detalhes
Data da Operação
Setembro de 2017
Número de Prisões
79-80 pessoas (28 no Porto de Santos)
Cocaína Apreendida (aprox. toneladas)
Mais de 6 toneladas; aprox. 9 toneladas
Dinheiro Apreendido (R$, US$, Euros)
R$ 918 mil no total (incluindo R$ 425 mil, US$ 149.200, 6.700 Euros)
Mandados Cumpridos
127 de prisão, 190 de busca e apreensão
Agentes Envolvidos
Mais de 800 policiais federais
Principais Locais
Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Distrito Federal; Porto de Santos (hub principal)
Grupos Criminosos Envolvidos
Primeiro Comando da Capital (PCC), Máfia Sérvia
Indivíduos Chave (Condenados/Presos)
Bozidar Kapetanovic, Miroslav Jevtic, Ronaldo Bernardo, Luís de França e Silva Neto, Patrício da Silva Fausto
Colaboração Internacional
US Drug Enforcement Administration (DEA)
Esta tabela serve como um ponto de referência consolidado, oferecendo uma compreensão clara da escala e do impacto da Operação Brabo. Ao apresentar métricas chave juntamente com os atores criminosos identificados e seus papéis, ela ilustra concretamente o sucesso da operação e a natureza da rede que ela visava. Além disso, a tabela ajuda a estabelecer definitivamente a data da operação, abordando e resolvendo a ambiguidade anterior, o que aumenta a credibilidade e a clareza do relatório.
Interseções de Poder: Alianças e Conflitos no Comércio Global de Drogas
O comércio global de drogas é caracterizado por uma complexa teia de relações entre organizações criminosas transnacionais, que oscilam entre alianças estratégicas e competições por mercados. A análise revela que o Primeiro Comando da Capital estabeleceu uma “parceria lucrativa” com a máfia italiana ‘Ndrangheta 2, facilitando a distribuição de drogas na Europa. Além disso, o PCC mantém alianças com máfias balcânicas, incluindo o Clã Šarić.
No entanto, a relação entre diferentes grupos criminosos não é estática ou universalmente antagônica, mas sim altamente dinâmica e dependente do contexto. Enquanto o PCC desfruta de uma parceria com a ‘Ndrangheta, há informações de que o clã de Darko Šarić “alegadamente expulsou a mais poderosa organização mafiosa calabresa ‘Ndrangheta do mercado italiano de drogas”. Essa aparente contradição pode ser explicada por diversos fatores. Pode refletir diferentes períodos de tempo, com as dinâmicas de poder e as alianças tendo evoluído. O auge da influência de Šarić foi em meados dos anos 2000, enquanto a expansão internacional do PCC se intensificou mais recentemente. Alternativamente, pode indicar especificidades geográficas ou funcionais: Šarić pode ter desafiado a ‘Ndrangheta em mercados regionais italianos específicos (como Milão, Turim, Gênova e Como, mencionados 5), enquanto a parceria do PCC poderia ser para uma distribuição europeia mais ampla ou diferentes pontos de entrada.
Essa complexidade sugere que o comércio global de drogas é cada vez mais caracterizado por redes flexíveis e transacionais, em vez de cartéis rígidos e exclusivos. A capacidade do PCC de “negociar com rivais em vez de expulsá-los” permitiu ao grupo utilizar redes criminosas pré-existentes e conhecimentos logísticos já estabelecidos, incentivando a cooperação pacífica. Essa adaptabilidade e disposição para colaborar entre fronteiras nacionais e organizacionais tornam essas empresas criminosas altamente resilientes aos esforços tradicionais de aplicação da lei que visam principalmente organizações isoladas.
A compreensão desses arranjos é crucial, pois a Operação Brabo, por exemplo, revelou que é “normal que as quadrilhas tenham grandes fornecedores em comum ou até mesmo usem o mesmo esquema de lavagem de dinheiro”. A Operação Brabo especificamente mencionou o uso compartilhado de “doleiros” pela máfia sérvia (ligada a Kapetanovic) e outros grandes fornecedores. Isso demonstra uma infraestrutura financeira subjacente e comum que transcende as afiliações específicas das gangues, facilitando colaborações flexíveis e oportunistas. Essa interconexão e flexibilidade inerente os tornam muito mais robustos e desafiadores de desmantelar, exigindo uma abordagem mais holística e centrada na rede por parte das autoridades.
Estruturas Legais e Desafios: O Contexto Brasileiro
O Brasil tem implementado diversas ferramentas legais para combater o crime organizado, sendo a “delação premiada” (ou colaboração premiada) um dos mecanismos mais proeminentes. Este instituto jurídico permite que um investigado ou réu receba benefícios em troca de sua colaboração efetiva com o Estado, seja para evitar a prática de novos crimes, produzir provas sobre crimes já ocorridos ou identificar coautores. A delação premiada está prevista em várias leis brasileiras, incluindo a Lei das Organizações Criminosas, a Lei de Drogas e a Lei de Lavagem de Dinheiro. Os benefícios podem variar desde o perdão judicial e a redução da pena de prisão em até dois terços, até a substituição por pena restritiva de direitos.
A principal vantagem da delação premiada é sua capacidade de romper os “pactos de silêncio” dentro das organizações criminosas, fornecendo informações cruciais que seriam difíceis de obter por outros meios. No entanto, a implementação da delação premiada não é isenta de desafios e debates significativos, especialmente no que diz respeito à salvaguarda dos direitos fundamentais de defesa e ao devido processo legal. A legislação brasileira, e a jurisprudência, enfatizam a necessidade de garantir o “contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal”.
O caso de Bozidar Kapetanovic, o sérvio condenado pelos fatos investigados na Operação Brabo, ilustra a complexidade desses desafios legais. Sua defesa impetrou um Habeas Corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando excesso de prazo para o exame das apelações e a inobservância da necessidade de reavaliação periódica da prisão. Embora o ministro Dias Toffoli tenha rejeitado o HC de Kapetanovic, o caso destaca o papel crucial do judiciário brasileiro na navegação e no equilíbrio entre a necessidade de combater o crime organizado e a garantia dos direitos individuais.
A própria existência da delação premiada, conforme reconhecido em documentos legais, “pressupõe… que os mecanismos institucionais de reação ao crime… estão debilitados”. Isso sugere uma admissão de fraquezas sistêmicas no combate ao crime. Quando combinada com a observação de que soluções puramente punitivas podem exacerbar o crescimento de grupos como o PCC (ao alimentar o recrutamento em prisões superlotadas), fica claro que a eficácia dos esforços contra o crime organizado não depende apenas das operações policiais e prisões. É profundamente influenciada pela robustez e equidade do sistema legal mais amplo, incluindo a supervisão judicial, a proteção do devido processo e a abordagem de questões sistêmicas que, inadvertidamente, alimentam o recrutamento criminoso.
Mecanismos Legais Brasileiros para Combater o Crime Organizado: Foco na “Delação Premiada”
Característica
Detalhes
Nome do Mecanismo
Colaboração Premiada (Delação Premiada)
Base Legal
Lei nº 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas), Lei nº 8.072/90 (Crimes Hediondos), Lei nº 9.613/98 (Lavagem de Dinheiro), Lei nº 11.343/06 (Drogas), etc.
Perdão judicial, redução de pena (até 2/3), substituição por pena restritiva de direitos, não oferecimento de denúncia (se não for líder e primeiro a colaborar)
Salvaguardas dos Direitos do Réu
Contraditório, ampla defesa, devido processo legal; acesso integral aos elementos da investigação; direito de inquirir o colaborador; direito de impugnar depoimento do colaborador
Desafios/Debates
“Semelhança com a tortura”; “blindagem” para acordos; equilíbrio entre eficácia e direitos constitucionais
Esta tabela oferece uma visão estruturada da delação premiada, uma ferramenta legal complexa, mas crucial. Ela esclarece sua base legal, benefícios operacionais, e as salvaguardas e desafios inerentes. Ao consolidar essas informações, a tabela auxilia na compreensão do contexto legal em que grandes operações como a Brabo ocorrem e o intrincado equilíbrio que a lei brasileira busca alcançar entre a repressão agressiva ao crime e a proteção dos direitos humanos fundamentais.
Conclusão: Observações Estratégicas e Perspectivas Futuras
A análise aprofundada do tráfico transnacional de drogas entre a América do Sul e a Europa revela um cenário dominado por empresas criminosas altamente sofisticadas, interconectadas e transnacionais, exemplificadas pelo Clã Darko Šarić e o Primeiro Comando da Capital. Estes grupos demonstram uma capacidade notável de adaptação, desde a infiltração em instituições estatais e a corrupção de altos funcionários até a maestria de cadeias logísticas globais e a gestão financeira complexa. A Operação Brabo, em setembro de 2017, ilustra a escala dessas operações e a necessidade de esforços coordenados para combatê-las, confirmando a participação tanto do PCC quanto da máfia sérvia em um esquema que utilizava o Porto de Santos como um hub central para o envio de cocaína para a Europa.
A evidência sugere uma clara tendência em direção a um modelo criminoso “em rede”, caracterizado por alianças fluidas e transacionais, e uma profunda infiltração no Estado. O PCC, por exemplo, demonstrou uma capacidade estratégica de negociar e colaborar com rivais, incluindo a ‘Ndrangheta e outras máfias balcânicas, aproveitando redes e conhecimentos logísticos pré-existentes. Essa maleabilidade e a disposição para cooperar em vez de se engajar em conflitos constantes conferem a essas organizações uma resiliência notável. Isso implica que as estratégias de combate ao narcotráfico devem ir além de visar grupos isolados, focando na desarticulação de ecossistemas criminosos inteiros, incluindo seus facilitadores financeiros, logísticos e políticos.
Além disso, a forma como o PCC recruta seus membros, fortemente ligada ao crescimento da população carcerária brasileira, destaca um desafio sistêmico. As políticas punitivas, por si só, podem inadvertidamente alimentar o crescimento dessas organizações, ao criar um ambiente propício para o recrutamento dentro do sistema prisional. A própria existência de mecanismos como a “delação premiada”, embora eficazes na obtenção de informações, é um reconhecimento implícito de que as instituições tradicionais de combate ao crime enfrentam limitações significativas.
Diante desse cenário, é imperativa a adoção de respostas políticas abrangentes e multidimensionais que transcendam as medidas puramente punitivas. Isso inclui a necessidade de abordar as causas-raiz, como as condições prisionais, que servem como terreno fértil para o recrutamento criminoso. É igualmente crucial fortalecer a integridade judicial e garantir o devido processo legal, pois a legitimidade e a eficácia a longo prazo do sistema de justiça dependem de sua capacidade de equilibrar a repressão com a proteção dos direitos fundamentais. Finalmente, a colaboração internacional sustentada e a partilha de inteligência são essenciais para desmantelar redes que operam sem fronteiras. Somente uma abordagem integrada, que combine a aplicação da lei com reformas legais, medidas anticorrupção e intervenções sociais, poderá minar efetivamente o poder e a resiliência dessas ameaças criminosas globais em constante evolução.
Concedido Habeas Corpus para um preso acusado de ser “gerente do tráfico de drogas em Peruíbe“ e integrante do Primeiro Comando da Capital.
O réu que está preso desde fevereiro de 2018, ainda não foi julgado, e após a última audiência em março de 2021 o processo não mais andou e não tem nenhuma audiência agendada, já que a testemunha do caso não é localizado há mais de anos.
O colegiado reconheceram que o crime, mesmo que provado, é um crime sem violência e com ilegalidades no processo acusatório.
Apesar de ter sido concedido o HC, pela acusação de ser integrante do PCC, o colegiado pede que o juiz determine a liberação com algum tipo de restrição ou controle do réu. — Jusbrasil
Cada um sabe seus caminhos. Fornecedores não faltam, mas o preço varia. Se na ponta tem salve do Primeiro Comando da Capital regulamentando o preço ao varejo, no atacado é cada um por si e Deus por todos.
Na capital paulista, nas regiões da classe média como Higienópolis, Itaim Bibi ou Pinheiros, o quilo do crack sai para o varejista a 30 mil Reais o quilo, já na região da Cracolândia no centro é vendido por 45 mil (e lá são vendidos 12 quilos por dia).
Muitos usuários, pouca concorrência e sem a presença da polícia inflaciona seria a razão do preço inflacionado na Cracolândia. — Metrolopes
Em 2017 na Cachoeira do Ceuzinho em Campo Grande em Mato Grosso do Sul o corpo decapitado do integrante de Coroa foi encontrado.
Acreditava-se que ele havia sido mais um integrante de facção morto na guerra entre o PCC e o Comando Vermelho.
Kaio, que é companheiro no PCC, no entanto, contou ao Tribunal do Júri que Coroa morreu por ter atacado o menor Tio Patinhas com uma faca por uma dívida de drogas, mas que ele acabou ferindo a filha do garoto.
Pezão, o pai de Tio Patinhas que estava preso pediu para Kaio intermediar entre os dois essa questão, então ele conduziu Coroa para uma cantoneira para um debate.
No fim, Kaio matou coroa com duas facadas no pescoço, Puro Ódio arrancou a cabeça, Nicolas Kelvin colocou o corpo no carro de Henrique Leandro, Pamella só tirou as fotos, Carolina e Denilson limparam o chão e Luan só estava dormindo na casa.
Para Kaio, no entanto, sua versão que estava vingando a criança ferida a faca não teve o efeito de diminuir sua pena que acabou cravada em 26 anos de prisão.