A vingança do PCC começou por Roraima.

Apesar dos termos moderados do Comunicado Oficial do PCC sobre as mortes no COMPAJ, a onda de violência dentro dos presídios começou pela Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na zona Rural de Boa Vista (RR) com a morte de pelo menos 33 presidiários, possivelmente sendo 10 ligados ao Comando Vermelho CV e os demais ligados a Família do Norte FDN.

Em um trecho de um vídeo divulgado pelos detentos enquanto filmava o corpo dos mortos um preso com um facão diz:
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); Isso aqui é o que nóis fais. Aqui ó caraio!
Isso aqui é o que nóis fais. Aqui é s Segoni, safado.
Vocês mataram nossos irmãozinhos, não foi?
Aí é o que vai acontecer com vocês também.
Aqui é a resposta pelo que vocês fizeram com nossos irmãos.
Bando de canalhas safados.
(entre os corpos encontram um dos presos ainda vivo)
Tá vivo, o que? Aqui! Aqui!. Péra aí mano. Vai mano.
(corta a cabeça do preso sobrevivente enquanto diz)
Aí está a resposta buceta. Aqui tem criminoso, caralho.
Aqui tem resposta caralho. Vira a cabeça para lá mano.
Só que é isso aí do jeito que tá mano. Agora sim.
(separa a cabeça do corpo)
Aí está a resposta, que queriam caralho.
Nós somos o crime, porra. Olha aí porra, é FDN.
Caralho, e aí safado?
(encontra outro vivo entre os corpos e começa a estocar o olho do sobrevivente com a ponta de uma faca)
Tá fechando o olho caralho?
Bando de caralho, aí seus filhos das putas. Teu olho aqui, vou tirar teu olho desgraçado.
Vou te matar filho da puta, morre filho da puta.
(Aí termina se afastando dos corpos e grita)
Agora é nóis, caralho.
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Comunicado Oficial do PCC à Chacina do COMPAJ.

Diante dos fatos que aconteceram no dia 01/01/2017 em Manaus/Am, o Alto Conselho do Primeiro Comando da Capital, para região Norte, vem a público mostrar a sua indignação e revolta diante da barbárie contra nossos 28 irmãos. Além disso, aproveitar para expressar os sentimentos de pesar as Famílias de nossos irmãos. Adiantamos que essa chacina jamais vai ser esquecida, os irmãos todos do Brasil inteiro e nossos parceiros em outros países estão se mobilizando para dar uma resposta à altura a essa facção, auto denominada FDN, cujo reduto se concentra na Região Norte. Nossa Organização vai além de uma região, vai além do Brasil. Estamos em todos os lugares e, no momento certo, a resposta vai ser dada.

Durante muito tempo tivemos uma convivência harmoniosa com nossos inimigos, pois a nossa meta sempre foi lutar contra o Estado e não contra nossos irmãos, mesmo que de outras Organizações. Saibam que vcs declaram guerra não só ao PCC, mas a todos aqueles que lutam contra o Estado corrupto brasileiro. Estamos fechados com a ADA, Bonde dos 40, até mesmo nosso rivais CVRL, CRBC, TCC, SS, CDL,TCP, PGC, SDC demonstraram apoio nesse momento. Repetimos essa chacina foi uma declaração de guerra contra o Tráfico de Drogas de Todo o Brasil e de todas as Organizações e Facções parceiras.

Uma FACÇÃO sozinha não será capaz de destruir anos de Aliança de Irmãos. Essa Dita Facção FDN será dizimada da face da terra. Uma guerra silenciosa travada nos morros, nas periferias do Brasil, nas favelas do Nordeste e Norte ganharão as ruas. Nossos 28 irmãos serão vingados. A mesma bandeira que desfraldaram com o sangue deles, escrita FDN no dia 01/01, será queimada e terá cravada a cabeça de todos aqueles fizeram isso com o crime no Brasil.

Aos familiares dos nossos irmãos, estamos prestando toda solidariedade e ajuda como sempre fizemos e comunicamos aos parceiros que toda ajuda financeira é bem vida nessa empreitada. Parte da indenização que nossos irmãos irão receber está sendo negociada com as famílias e com o alto comando. No entanto, sabemos que não é suficiente. Contamos com a solidariedade e o apoio de todos os parceiros. Paz, Justiça e Liberdade PCC- Regional Norte. A união vai prevalecer.

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Preso do FDN relata assassinato dos PCCs;

Tá tudo tranquilo, já tem mais de cento e poucos mortos, mas é tudo PCC. Matemos tudo PCCs.

Morreu alguns amigos nossos, uns irmãos nossos. A cadeia tá tomada entendeu mano? O bagulho é louco entendeu?

Tá tudo tranquilo com o Caroço, comigo, tá tudo tranquilo mano. Não dá para (?) por que está cercado entendeu mano?

Mas o PCC tudo se fuderam. Matemo tudinho. Tendeu meu parceiro, é nóis, sempre, tâmo junto. Falou meu irmão?

Não esquecemos da sua moeda não, entendeu. Mais eu estava me preparando para esse negócio aqui mano, tá ligado mano? Aí eu precisei meu parceiro, mas é nóis entendeu, já é?

O futuro do PCC a FARC pertence.

Gostamos de pensar que o futuro a Deus pertence, no entanto não é bem assim…

Estamos vivendo um momento histórico onde um grupo de homens estão decidindo o futuro das pessoas que viverão no Brasil pelas próximas décadas, e não são brasileiros e nem foram eleitos para isso.

Não adianta “achar” que isso não deve ser assim, pois a realidade não está nem aí para o que eu ou você achamos. A realidade apenas é o que é, sem achar, nem pensar.

Román D. Ortiz no artigo”El concepto de guerra híbrida y su relevancia para América Latina” publicada na Revista Ensayos Militares alerta para que abandonemos nossos conceitos se queremos entender a guerra entre o Primeiro Comando da Capital PCC, o Comando Vermelho CV, e o Família do Norte FDN.

Essas facções utilizam-se “de técnicas de guerrilha convencional, táticas e formações irregulares, atos terroristas que compreendem coerção, violência indiscriminada, e desordem criminal” que caracterizam a “Guerra Híbrida” conceituada por Frank G. Hoffman. E não podemos tentar prever os movimentos desse jogo pois não podemos sequer entender como ele está sendo jogado, é muito mais fácil aceitar o que os noticiários nos apresentam ou então os comentários feitos pelos programas policialescos, mas não sabemos de fato seus resultados ou o seu impacto.

Caberá a liderança do Primeiro Comando da Capital decidir se haverá ou não retaliação pelas mortes em COMPAJ pela Família do Norte, e se houver qual será o nível de violência e abrangência. E esses homens que estão presos e pelo menos na teoria sequer poderiam ter contato com o mundo exterior, mas nosso futuro estará sendo decidido por eles.
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Caso optem pela ação ela deverá se dar pela fronteira norte, área dominada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia FARC, organização sustentada pelo tráfico internacional de drogas e com fortes ligações com o Primeiro Comando da Capital, mas que mantêm laços comerciais com o Comando Vermelho e com a Família do Norte.

Já o Ministério Público Federal aposta que o megatraficante Nelson Flores Collantes, um peruano conhecido como Acuário, que controla a entrada de armas e drogas para o Brasil do Peru e da Bolívia através da “Rota dos Solimões”, é a ligação entre as FARC e o FDN-CV que fará diferença.

Faltando apenas dois dias para o histórico acordo entre a FARC e o Governo da Colômbia a liderança da guerrilha, que deixará de ser considerada criminosa e passará atuar como um partido político legítimo, está enfrentando problemas em sua base que se recusa a abandonar o gerenciamento de armas e drogas.

Bem, chegamos ao ponto. O futuro pode estar nas mãos de Deus, mas quem irá decidir se haverá possibilidade de sucesso na represália que será ou não planejada pelos líderes do PCC são alguns colombianos que não querem se manter na FARC após o acordo. No entanto não podemos deixar de pensar que os laços comerciais mantidos pelo CV e FDN não façam com que as FARC permaneça neutra, impedindo ou dificultando um contra-ataque paulista.

Manter a guerra PCC X FDN CV poderá ser um desafio muito acima das possibilidades técnicas do Primeiro Comando da Capital, e nesse caso deverá aceitar seu papel regional pelas próximas décadas, ou por outro lado caso consiga eliminar a coalizão FDN CV se consolidará como força única na América Latina e como a Colômbia está nos mostrando, um futuro partido político.

A dominação cultural do PCC 1533.

José Guilherme Cantor Magnani no artigo “Antropologia Urbana: desafios e perspectivas” publicado na Revista de Antropologia da USP segue o caminho aberto por Gilberto Freyre incluindo como formador da nova cultura nacional a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).

Freyre indicou como o modo que vivemos nosso dia a dia foi influenciado diretamente por usos e costumes de diversos povos graças a “cordialidade” de nossa matriz portuguesa, Magnani nos dá uma ideia de como mensurar hoje a influência da facção paulista.

O antropólogo Magnani nos lembra que não podemos ver uma cidade como um todo, a visão distante do global nos impediria de ver o que de fato acontece, assim como não podemos nos deter em um único indivíduo ou grupo pois também ficaríamos cegos.

Isso se dá nos extremos, e temos que buscar o meio se queremos de fato ver o que está acontecendo. Um membro da facção que vive imerso em seus corres tem a mesma possibilidade de ver sua realidade quanto alguém que a analisa apenas através dos livros.

Não ficando nem muito perto e nem muito distante podemos ver melhor e percebemos que o Primeiro Comando da Capital deixou de ser uma “mancha cultural” limitada a pequenos nichos como os presídios para se tornar um sistema integrado com o restante da sociedade.

No Brasil graças às nossas origens culturais descritas por Freyre os grupos se mesclam mesmo se perceber, e por mais que os legalistas e os membros das facções insistam, ambos comem e dormem sob o mesmo teto cultural, mesmo falando dialetos diferentes.

Podemos tentar estabelecer os limites da influência que cada um dos grupos tem sobre a formação global da sociedade e como cada um dos personagens passam a ser influenciado por esta.


(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A constância e força das regras impostas pela facção que há mais de vinte anos impõe de maneira rígida e direta as regras de vida de milhares de brasileiros nos presídios e para seus familiares criou raízes profundas e agora tem sua rede de influência secundária, onde normatiza o modo de viver e pensar de centenas de milhares cidadãos que vivem nas regiões periféricas e em nichos nas regiões centrais e nobres das cidades.

O impacto do código de conduta da facção, o Estatuto do Primeiro Comando da Capital, permeia de maneira sutil e acaba sendo incorporado por outros entes da sociedade que se imaginam longe da sua influência através da convivência com pessoas que tem contato mais próximo.

Um exemplo são as pessoas comuns que vão aos estádios assistir aos jogos de futebol. Há quase uma década postado aqui matéria sobre a influência da facção nas torcidas organizadas, e essas são as que ditam as regras gerais dentro dos estádios. Outro grupo são os dos pichadores e esqueitistas que não admitem a influência da facção, mas acabam dentro de seus nichos reproduzindo inconscientemente as regras as suas regras: “lealdade, humildade, e proceder”.

Esses grupos assim como outros citados por Magnani são emblemáticos, no entanto o sistema não se espalha apenas através dos setores estanques mas também geograficamente e através das relações comerciais e sociais: pessoas que moram em um bairro com forte influência da facção manterão relações sociais e econômicas fora das fronteiras do bairro, e tendo internado as regras acabam as repassando.

“Seguindo outras pistas, distante de zonas fortemente marcadas pela ilegalidade, em certos movimentos culturais de periferia são feitos contatos e alianças com jovens de outras regiões, alguns universitários, que descobrem novos trajetos mas devem seguir as regras do pedaço que começam a frequentar.”

E essas novas regras incorporarão ao seu conceito de normalidade social, e por fim passarão a defender essas novas regras de conduta lutando pelos Direitos Humanos ou Legalização das Drogas, afinal como diz Mc Keke:


“… Obediente no que eu digo e não faz o que eu faço,
treinado virô talibã e hoje é nosso soldado…
… fechamos as lojas colocamos fogo nos buzão,
sem atingir os inocentes, aqui não tem covarde,
a nossa guerra todos sabem é contra as autoridades.”

A sociabilidade leva a nós como seres humanos a viver em sociedade e cada um de nós criou seu próprio processo de socialização de modo a sobreviver nessa selva, para isso nos integramos a grupos assimilando sua cultura, e para nos protegermos de outros grupos mais fortes por vezes mesmo que inconscientemente transformamos nossos valores culturais justificando o injustificável, mas garantindo nossa sobrevivência.

A Rebelião no COMPAJ, o PCC X FDN / CV

O Comando Vermelho CV enquanto mantinha acordos com o Primeiro Comando da Capital no Rio de Janeiro e em São Paulo fazia em outros estados alianças com outras facções rivais ao Primeiro Comando, participando ou permitindo o assassinato de dezenas de irmãos batizados, como foi o caso relatado pelo brasil.elpais.com no qual a facção amazonense “Família do Norte” comandou o episódio que ficou conhecido como “Fim de Semana Sangrento” onde foram mortas 38 pessoas ligadas ao PCC.

A rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim de Manaus é mais um capítulo dessa batalha entre as facções para o domínio dentro dos presídios, e a Família do Norte que anteriormente já havia eliminado aqueles ligados a facção paulista que estavam em liberdade agora eliminaram aos que estavam reclusos. No total já passam de 100 o número de integrantes do PCC eliminados pela FDN/CV.

Entre os mortos estariam o líder do PCC local conhecido como “Nego Sabá” foi esquartejado e também foi morto o ex-PM Moacir Jorge Pessoa, o “Moa”, que em 2008 denunciou Wallace Souza como comandante do esquadrão da morte e como um dos líderes do crime organizado no Amazonas. Segundo o correiodaamazonia.com.br o Primeiro Comando da Capital prometeu retalhação contra os membros da FDN e seus familiares.

Encerramento do histórico do acordo PCC e CV.

O PCC 1533 – Primeiro Comando da Capital soube encerrar com estilo o acordo que mantinha como o Comando Vermelho – CV, mas as relações entre as duas facções já vinha se deteriorando pouco a pouco.

María Martín explicou para o brasil.elpais.com as principais razões desse rompimento foram: a diferença de qualidade no estilo administrativo; a visão global do negócio; e a capacidade de fazer alianças com coerência dentro de todo território nacional.

O Comando Vermelho mantinha em outros estados alianças com outras facções rivais ao Primeiro Comando, participando ou permitindo o assassinato de dezenas de irmãos batizados, como foi o caso relatado pelo brasil.elpais.com no qual a facção amazonense “Família do Norte” comandou o episódio que ficou conhecido como “Fim de Semana Sangrento” onde foram mortas 38 pessoas ligadas ao PCC.

O atraso de pagamentos das drogas e armas fornecidas pelo Primeiro Comando e a busca constante em captar para si os fornecedores primários criavam pontos de atritos constantes, mas o toque final foi a tentativa de encarecer os produtos vindos pela fronteira seca do Paraguai pela região de Pedro Juan Caballero controlada por Jorge Rafaat Toumani.

Foi um espetáculo bem organizado o encerramento do acordo entre as facções e se deu na quarta-feira 15 de Julho de 2016 com uma chuva de tiros que culminaram com a morte de Jorge Rafaat, o último chefe do tráfico da fronteira Brasil-Paraguai que se recusava a correr junto com o PCC.

Alguns questionam se a decisão de Marcola e da Sintonia Geral estaria correta, afinal, por muito tempo CVs e PCCs matavam os ADAs, e agora esses passaram a ser os amigos e os CVs se tornaram os alvos, mas analisando o quadro geral não se pode negar que a falta de profissionalismo e organização do Comando Vermelho não deixou outra saída.

O irmão Fantasma disse que não há nenhuma intenção de se declarar uma guerra contra o Comando Vermelho ou contra qualquer outra facção, pois o interesse de todos é o mesmo. Como disse María Martín a visão administrativa da liderança do PCC é profissional e visa lucro e benefícios corporativos.
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A guerra entre o PCC ̸ ADA contra o CV.

A antropóloga carioca Alba Maria Zaluar afirma que há um acordo entre o Governo do Estado de São Paulo e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC 1533, e essa é a razão da queda abrupta dos índices de violência, diferentemente do que acontece no Rio de Janeiro onde várias grupos lutam entre si: Forças de Segurança Pública (UPPs), PCC, CV (Comando Vermelho), ADA (Amigo dos Amigos), e milícias policiais.

Já noticiamos aqui que o PCC deixou de se aliar ao CV e firmou acordo com o ADA para ação conjunta no estado do Rio de Janeiro, Zaluar ratifica essa informação no site ateniense eleftherostypos.gr, e sendo confirmada a mudança de estratégia do líder da facção, o Marcola, a tendência será o acirramento dos conflitos em terras cariocas para os próximos anos até que se alcance um novo ponto de equilíbrio.

A tentativa do Estado de Direito de se impor dentro das comunidades através das UPPs falhou como deixou claro a psicóloga Silvia Ramos, que explica que sem ter as amarras legais que engessam o estado, o crime organizado através de suas facções tem o poder de impor as regras através da força e de ameaças que ninguém duvida que serão sumariamente cumpridas.

A socióloga Camila Nunes Dias também já havia alertado para os efeitos colaterais da reconfiguração de poderes entre as facções que fatalmente levará a um banho de sangue, só que o quadro que ela pinta é muito mais negro do que eu pintei aqui, visto que ela entende que essa guerra se espalhará por todo o território nacional, e cita um exemplo:

“Recentemente, gangues de rua do Ceará e do Rio Grande do Norte celebraram um pacto de paz para não haver mais mortes. Há informações de que esse pacto teria sido costurado pelo PCC e pelo CV. Com essa ruptura, não sabemos se vão manter o pacto. Geralmente as disputas nas prisões acabam reverberando nas ruas, então a situação nos Estados pode tensionar ainda mais.”

Considerando como correta a afirmação da Profª. Zaluar, nossa geração assiste ao nascimento de uma organização paraestatal normativa que atravessará gerações e se incorporando em nossa cultura, como foi o caso da japonesa Yakuza ou da italiana Cosa Nostra.

Mais do que poupar 45.000 vidas, Geraldo Alckmin será lembrado pela história como aquele que graças a sua política de convivência pacífica com um grupo de presos rebelados possibilitou a criação da maior facção criminosa das Américas e um novo modo de relacionamento entre a sociedade legal e a paralela.
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O Primeiro Comando pacifica São Paulo?

Há alguns dias postei aqui um artigo apontando a drástica redução da taxa de homicídios após os atentados de 2006 praticados pelo Primeiro Comando da Capital. Afirmamos através da avaliação dos números estatísticos que algo em torno de 25 mil vidas teriam sido poupadas no estado de São Paulo nos dez anos que se seguiram.

Danilo Freire, apresentou um trabalho ao Department of Political Economy, King’s College London onde cita que há um grupo de pesquisadores que afirma que desde a ascensão do PCC até o final do período por ele pesquisado (2002 à 2012) teriam sido poupadas 30 mil vidas só no estado de São Paulo.

Em seu trabalho “Evaluating the E‚fect of Homicide Prevention Strategies in Sao Paulo, Brazil: A Synthetic Control Approach” Danilo Freire analisa os dados através do Método de Controle Sintético e conclui que a queda das taxas de mortalidade por homicídio se deu graças a uma soma de fatores onde a mediação da liderança do Primeiro Comando não foi um fator importante.

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É fato que desde 1999 a taxa de homicídio no estado vem caindo drasticamente saindo da estratosférica marca de 41,8% homicídios para cada grupo de 100.000 habitantes para se estabilizar em torno de 13,6% entre os anos de 2010 à 2014, em quinze anos deixaram de morrer 45.000 pessoas em sua maioria jovens.

O pesquisador afirma e demonstra através de várias tabelas comparativas que a atuação do governador Geraldo Alckmin com uma política específica de longo prazo no combate a criminalidade somado ao controle ao desemprego e da desigualdade social e econômica foram os fatores que mais influíram no resultado positivo.

Ele cita algumas medidas de política de segurança pública que deram certo em São Paulo mas que são questionáveis: o aumento da certeza e uma maior intensidade da punição para desencorajar potenciais criminosos; política rigorosa de controle de armas; taxas de encarceramento levantadas; e sentenças mais duras contra condenado por um crime.

Danilo Freire diz que essas medidas governamentais assim como a normatização e hierarquização do crime determinada pelo PCC não podem justificar sozinhas a queda do índice, ao contrário de outros fatores foram fundamentais: queda no número de homens na faixa 15-25 anos; estratégia espacial de combate a criminalidade; segregação das lideranças e criminosos das ruas; diminuição da desigualdade social; e o contestado Regime Disciplinar Diferenciado.

O pesquisador disponibiliza em seu trabalho as tabelas comparativas, as equações, e detalhamento das  conclusões.

As discussões sobre esse tema estão disponíveis no grupo do Face: https://www.facebook.com/groups/608016342715976
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A Força Nacional de Segurança é filha do PCC.

Um filho bastardo e pouco querido. Assim pode ser a visão que o PCC 1533 tenha de um de seus filhos, a FNSP – Força Nacional de Segurança Pública.

O Primeiro Comando da Capital negará sempre que foi ele quem concebeu essa criança, mas vamos aos fatos, vamos analisar o DNA dessa criança: A FNSP foi criada por que a casa estava caindo e o crime organizado estava dominando cada vez mais, e para piorar a situação havia o Marcola. Ou melhor, o que fazer com o Marcola, pois não havia prisão suficientemente forte para manter a ele e aos outros líderes da facção.

Os estados sempre quiseram ficar com a Segurança Pública em suas mãos, mas e agora que a coisa complicou estavam dando para trás. Kafka nos contou que foi mais ou menos assim:

“O governo com sua politica antidrogas jogou para dentro do sistema os chefes e os soldados do tráfico, mas não foi capaz de mantê-los lá dentro, apesar dos portões permanecem fechados; a polícia e o governo, que antes saíam arrogantes mostrando sangue dos bandidos, mantêm-se escondidos atrás de suas fortalezas. Muita coisa foi negligenciada na defesa da nossa pátria, como os roubos dos cofres públicos e o crescimento do crime organizado, assim juntos e misturados. Até então não havíamos nos importado com isso, entregues como estávamos ao nosso trabalho, a tv, e ao futebol… mas os acontecimentos dos últimos tempos nos causam preocupações. Mal abro a porta no crepúsculo da manhã e já vejo ocupadas por homens armados as entradas de todas as ruas, não são policiais, são os soldados de uma facção.”

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Então o governo federal para ajudar os estados sem que os governadores tivessem que abrir mão de seu poder teve a ideia de criar a tal “Força Nacional de Segurança Pública”. Mas ter uma ideia não engravida e sendo assim não nasce um filho, para isso é necessário tomar uma atitude, e o PCC agiu.

Comandou as revoltas nos presídios na segunda metade da década de oitenta e assim deram as condições para que o Governo Federal acalentar no ventre essa criança e o esperma que viria a se tornar o FNSP foi gozado na Penitenciaria de Urso Branco em Rondônia, no exato momento em que um preso durante uma rebelião exibiu a cabeça de outro detento que havia sido degolado em rede nacional.

Assim a Força Nacional de Segurança Pública nada mais é que um filho bastardo e pouco querido do Primeiro Comando da Capital.

Abaixo deixo um link para uma análise da história e dos resultados práticos de algumas ações desse setor de nossa Segurança Pública.

Esse texto foi baseado no trabalho “Avaliação de Operações da Força Nacional de Segurança Pública”, uma compilação de diversos autores que estudaram a atuação da FNSP em diversas comunidades.

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PCC e ADA, antigos inimigos agora são um só.

A estratégia de administração do Primeiro Comando da Capital surpreende novamente e inova ao mudar sua estratégia de atuação no Rio de Janeiro.

Seu velho inimigo o ADA – Amigo dos Amigos passa agora a atuar como aliado. Já estão atuando nas “comunidades cariocas” diversos profissionais da facção criminosa paulista.

A troca de informações e tecnologia deve fazer com que o PCC 1533, supere os números que conseguiu em 2016 apesar da desarticulação de parte de sua rede.

A poeta e palestrante Viviane Mosé cita Marcola como um mestre na administração descentralizada e sua grande capacidade de mudança.

Bem, está aí algo que surpreendeu a todos e explica as recentes transferências para o Regime de Detenção Diferenciada da liderança da Facção, mas que pelo jeito não conseguiu conter a implementação da nova estratégia.
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Nuremberg, Coronel Ubiratan, e a justiça ou injustiça.

“Nuremberg às Avessas”: o Massacre do Carandiru e as decisões de responsabilidade em casos de violações de direitos humanos, é um estudo publicado por Marta Rodrigues de Assis Machado, Maria Rocha Machado, e Luisa Moraes de Abreu Ferreira, no qual discorrem sobre a divisão individual de responsabilidade e os direitos humanos no caso do Massacre do Carandiru. Um belo trabalho publicado na Revista Cultura Jurídicas para o qual deixo um link.

Em determinado ponto elas lembram que o PCC 1533 foi inicialmente acusado de ser o mandante do assassinato do Coronel Ubiratan, hipótese prontamente negada pelo governo e depois descartada nas investigações policiais, o caso é que o Cel. Ubiratan está morto e sua ex-namorada Carla Cepollina, que foi acusada do homicídio foi inocentada. Um crime sem punição.

Sob o título de “A morte da Justiça”, Daniela Arbex escreve: “Dói assistir a morte da Justiça. Precisamos, urgentemente, de esperança e de magistrados que definam a pena não pela cor dos réus e sua condição social, mas pelo critério único da aplicação de uma lei que valha para todos”. (link)

Faço minha suas palavras, mas Daniela Arbex busca justiçamento e não justiça.

Ela reclama que a Justiça faz distinção da condição social dos réus, quando os policiais e presos pertencem a mesma classe social. Cobra um único critério de aplicação para a normas legais, no entanto pede a condenação dos policiais não por critério jurídico mas por conveniência social pois devido a impunidade desse caso “o país assistiu ao recrudescimento da violência… a criação do PCC, nascido exatamente um ano depois do massacre…”. Acabando por se contradizer ao afirmar que “ficamos a mercê de julgadores sem a mínima isenção para realizar seu oficio”. Ora, o argumento da autora para pedir a punição não foi jurídico, e sim a pressão feita por criminosos sobre toda a sociedade.

Daniela Arbex cita o jornalista Bruno Paes Manso para justificar esse ponto de vista, que contradiz os números de um estudo feito sobre a taxa de homicídios no período entre 1980 e 2014, e contra fatos não resistem os argumentos. (link)

O crescimento das taxas manteve paulatino crescimento no governo seguinte ao que aconteceu o Massacre do Carandiru e não durante este, e só vieram a cair após a onda de ataques do PCC em 2006 e a dura reação das forças policiais. Um dado interessante é que o crescimento das taxas de homicídio explodiram justamente durante o governo humanista de Mario Covas.

Outro que em nome dos direitos humanos que se revoltou com a impunidade dos policiais foi Dráuzio Varela (link) que não citou razões jurídicas ou técnicas para seu posicionamento.

A centenário IASP – Instituto dos Advogados de São Paulo se contrapôs ao posicionamento dos dois:

A violação dos Direitos Humanos das vítimas do Massacre do Carandiru não pode justificar a violação dos direitos humanos destas dezenas de policiais militares”. (link)

Agora, voltando ao assunto inicial: Coronel Ubiratan foi morto e ninguém está preocupado em encontrar seu assassino ou lutar pelos seus direitos humanos.

A análise técnica e jurídica que faltou aos comentários achistas de Dráuzio Varela e Daniela Arbex transbordam no trabalho das colegas autoras de “Nuremberg às Avessas”: o Massacre do Carandiru e as decisões de responsabilidade em casos de violações de direitos humanos.

Um estudo em Rosa – fundamento jurídio

Não é o foco desse blog discutir filmes, no entanto o “Estudo em Rosa” nos traz um questionamento que me parece pertinente. Em determinado ponto do filme o taxista alega que não poderá ser condenado pelos assassinatos visto que todas as vítimas se suicidaram.

Não conheço a legislação inglesa, no entanto creio que pela tupiniquim exista a possibilidade de condenação. Veja, em nenhum momento o assassino disse que questionaria o fato de ele as pessoas ao suicídio, então vamos considerar que não teremos que provar sua participação, nos atendo apenas a analise a possibilidade de condenação pelo fato em si.

Se por um lado ele seria condenado com certa facilidade por ameaça, o seria como mandante, co-autor, ou até autor do homicídio qualificado?

Agradeço os comentários, no entanto peço que apenas o façam com embasamento jurídico. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

A tese do professor do Seminário Arquidiocesano da Paraíba.

A verdade nunca foi fácil de ser encontrada, mas ultimamente tenho me surpreendido com os absurdos que tenho visto.

O site acadêmico coopex.fiponline.edu.br o professor Antônio Carlos Costa Moreira da Silva hospeda sua tese de doutorado onde ele declara ainda no rodapé da primeira página ser da disciplina de Sociologia no Curso Intensivo de Doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA): http://coopex.fiponline.edu.br/pdf/cliente=3-2447d6ff133a5038079b6b36cd39e1b4.pdf

Se bem que não consegui encontrar o nome do doutorando na listagem de aprovados:
http://www.derecho.uba.ar/academica/posgrados/doc_tesis_aprobadas_tabla.php

Tão pouco encontrei a disciplina de Sociologia dentro da grade da UPA: http://www.derecho.uba.ar/academica/posgrados/doc_areas.php

Antônio Carlos Costa Moreira da Silva tem segundo o site acadêmico escavador um currículo invejável: http://www.escavador.com/sobre/7013880/antonio-carlos-costa-moreira-da-silva

E aí é que vem o problema…

Ao ler o trabalho publicado fiquei impressionado com o uso de algumas expressões como: “… Estado Paralelo pra prover…”. Quanto ao uso da língua pátria e da pontuação deixo a análise para os demais leitores.

Em determinado ponto o mestre utiliza o termo: “hanseniáticos morais”. Apesar da construção ser plausível é no mínimo estranho visto que não ajuda no esclarecimento ou na ilustração do trecho no qual está inserido:

“Há um comportamento novo no ar. Não há tempo; não há sentimentos, luto, lágrimas, emoções. Tornamo-nos “hanseniáticos morais”, frente à insensibilidade do espírito humano neste século XXI. É a chamada Pós-modernidade, definida como a tentativa infrutífera de estabelecer dogmas de certeza sobre a condição humana. É a afirmação da incerteza.”

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Tentei ver qual a imagem que o autor tentou dar ao adjetivar esse sujeito. Hanseniano é a pessoa que sofre de hanseníase, e por muito tempo essas pessoas sofreram injustamente um grande preconceito. Será então que nos tornamos pessoas que estão sofrendo de preconceito indevido? Não, acho que não.

Talvez então fosse um outro significado. Por muito tempo se acreditou que partes das pessoas que sofriam com essa doença caiam podres de seus corpos. Aí, se ignorarmos o fato que estamos reforçando um preconceito, podemos ver uma certa lógica, afinal estaríamos nos tornando pessoas moralmente podres perdendo paulatinamente parte de nossa consistência ética. Tá. No entanto mesmo assim esse trecho destoa com as demais orações do mesmo parágrafo.

Nesse mesmo parágrafo fiquei intrigado se um ponto e vírgula utilizado após a palavra “tempo” onde talvez fosse uma vírgula, mas sou ruim de pontuação então deixo para os especialistas.

Ainda nesse mesmo parágrafo há uma definição de “pós-modernidade” colocada como absoluta verdade absoluta mas que mal arranha as mais toscas definições sociológicas ou filosóficas do conceito: Pós-modernidade seria “como a tentativa infrutífera de estabelecer dogmas de certeza sobre a condição humana”.

Esse trecho lá está para explicar a linha anterior que afirma “à insensibilidade do espírito humano neste século XXI.” Ora, o mundo pós-moderno ou “mundo líquido” é caracterizado justamente por uma busca informe mas em sentido da justiça social, étnica, sectária, ecológica…

Talvez um dos contrapontos principais entre a Modernidade que o separa da Pós-modernidade talvez seja a falta de certezas, mas essas se dão pela busca da verdade que pode estar em qualquer nuance de uma matiz, ao contrário do pensamento dogmático.

Bem, esse não é um estudo profundo da dissertação “O CRIME ORGANIZADO NO BRASIL : UM CASO DE OMISSÃO DO ESTADO, SUBSTITUÍDO PELO ESTADO PARALELO”, mas apenas uma leitura crítica de dois parágrafos.

Coloquei aqui alguns links de sites confiáveis. No trabalho apontado existem alguns links, que não levam a lugar nenhum, mas o que me pareceu mais absurdo foi onde ao citar “Sternick” (quem sabe seja o cirurgião plástico fazendo uma consideração sociológica) apresenta o link de um medidor de velocidade da web: http://www.rjnet.com.br/ !!!

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