O PCC ameaça a estabilidade latino-americana?

Talvez você se imagine como uma pessoa inteligente e pense que é difícil alguém enganar você. Bem, se você for assim, bem vindo ao clube: eu também tinha muitas “certezas” até ler o artigo do analista em economia, política e segurança latino-americana Robert Evan Ellis, La stratégie des États-Unis pour l’Amérique latine et les Caraïbes.

Apesar de não ser um trabalho que chame a atenção por sua qualidade, profundidade ou conteúdo, ele fez com que eu questionasse minhas certezas.

Robert me quebrou logo de cara, pois começa dizendo que o Donald Trump não tem nenhum fundamento em ver ameaça aos Estados Unidos vinda da América Latina. Então, eu deduzi, que o texto seguiria nesse caminho, mas… Ledo engano (e esse foi apenas meu primeiro e menor engano).

O analista, no decorrer de seu trabalho, derrubou minha crença em um mundo no qual a Guerra Fria foi substituída por outro pós-história (Fukuyama), quando apontou para uma melhora na segurança no Cone Sul com Temer na presidência do Brasil, se contrapondo ao governo boliviano de Morales, que estaria recebendo armas e recursos da China e da URSS (ops… Da Rússia).

O trabalho de Robert também apontou que eu estava errado ao acreditar que o Primeiro Comando da Capital tinha uma matiz diferente das Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), do Exército de Libertação Nacional (ELN), e do Sendero Luminoso. Há, segundo Robert, uma característica que une essas organizações criminosas que também está presente no PCC 1533:

“Cometem ataques em nome de objetivos políticos” – no caso da organização paulista, é a luta pelo fim da opressão carcerária e desigualdade social.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A última certeza que Robert derrubou foi a mais intrigante e preocupante, pois eu nunca levei em consideração que a democracia e a segurança de toda América poderiam estar em risco por causa do Primeiro Comando da Capital, mas pesquisador aponta para as semelhanças entre o que está acontecendo aqui e o que acontecia no oriente antes da Primavera Árabe:

“Não foi devido a conflitos internos, mas como na América Latina, as tensões sócio-econômicas alimentadas pela dinâmica da globalização, instituições fracas e passivas que se mostraram incapazes de gerenciar a crise. […] escondem a mesma capacidade explosiva, podendo pôr em risco a segurança nacional dos Estados Unidos.” (tradução e negrito meus)

Ellis diz ter chegado a essa conclusão devido à incapacidade dos governos de vencerem o crime organizado e à rápida transmissão dos efeitos pelo mundo por uma possível perda de controle sobre o criminalidade, pois, assim como aconteceu na Primavera Árabe, o caos se espalharia rapidamente para os países vizinhos até invadir as fronteiras americanas.

Ainda batendo na tecla desse cenário de Guerra Fria em um mundo globalizado, o analista adverte que o crime organizado aumentou a vulnerabilidade , como na época da Guerra Fria, levando à instabilidade das políticas conservadoras e ao avanço das populistas. Ele não cita nomes, mas no ano que vem tem eleições por aqui.

Talvez você imagine que é uma pessoa inteligente, que é difícil alguém enganá-lo. Bem, se você for assim, Robert vai provar que você, assim como eu, está errado. Aposto que você acreditou quando alguém na escola lhe ensinou que o Macartismo tinha morrido na metade do século passado. Só que não. O analista, no mais puro estilo Macartista, declara:

“Conscientes das percepções do poder e da autoridade moral dos Estados Unidos no mundo, o país deve atuar para o estabelecimento de instituições regionais fortes para o rígido cumprimento das leis do Estado de Direito, para atingir a maioria dos seus objetivos na região, incluindo a promoção da democracia e dos direitos humanos, o desenvolvimento e a justiça social ou para combater a influência maliciosa de certos atores estrangeiros. As instituições fracas são mais vulneráveis ​​à exploração de empresas estrangeiras e elites nacionais, bem como à deriva de líderes populistas…”

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Autor: Ricard Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Primeiro Comando da Capital ☯ Facção PCC 1533 ☯

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading