A facção PCC chegou mostrando força na década de 1990 defendendo uma ideologia de luta contra a opressão do Estado, com uma bandeira, com um estatuto que oferece proteção aos presos e a suas famílias, que avançou onde o Estado falhou, isso é um fato, mas logo começaram a aparecer os primeiros presos degolados, sem língua, sem coração — ninguém me contou, vi com meus próprios olhos.
Falo com muita intimidade sobre crime organizado porque vi o PCC nascer dentro dos presídios de São Paulo.
O Marcola era homicida, sequestrador, roubava banco, não tinha nada a ver com a facção, mas é um homem articulado. E quando ele foi levado para o presídio de Tremembé começa a conversar com os últimos presos políticos no sistema prisional e aprende com eles sobre como estruturar o tráfico, a gerenciar como uma empresa, ao mesmo tempo em que vende internamente para os detentos a ideia de uma irmandade revolucionária. Hoje, após invadir o Paraguai, o PCC virou uma organização transnacional que vende drogas para África e Ásia.
