Preso no Paraná Wanderlei Benites, o Bilu do PCC.

Wanderlei Benites, o Bilu, era apontado pela polícia paranaense como articulador da fuga de presos do PCC da PEP 1 e ligado à “gangue da marcha-ré”. Preso após longo período de buscas, já possuía antecedentes criminais. A fuga demonstrou que o PCC permanecia ativo e organizado no Paraná.

O cara era considerado o cara pela polícia do Paraná.

Segundo o Tribuna do Paraná, o delegado Rodrigo Brown atribuía a Wanderlei Benites, conhecido como Bilu, parte da organização da fuga de dezenas de presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) da Penitenciária Estadual de Segurança Máxima de Piraquara, a PEP 1.

A operação de resgate chamou a atenção pelo poder de fogo empregado pelos criminosos. O Major Cesar, do BOPE, elogiou a ação da equipe responsável pela captura e resumiu a situação da seguinte maneira:

“Eles vieram para o arrebatamento bem preparados, vieram com armas de grosso calibre, com grande potencial ofensivo. Com os quatro capturados haviam três fuzis 762, duas pistolas 9mm, e dois coletes balísticos. Eles vieram preparados para a guerra mesmo.”

A geografia da ironia e a força do PCC

A Operação Alexandria, organizada para desarticular as organizações criminosas atuantes no Paraná, tentou durante mais de um ano localizar Bilu, mas sem sucesso. Ele só acabou encontrado no bairro curitibano do Parolin, depois de uma outra operação realizada justamente para identificar os organizadores e participantes da fuga da PEP 1.

Bilu também era apontado como responsável pelas ações da chamada “gangue da marcha-ré”, que vinha atuando em Curitiba.

Além dos novos processos decorrentes dessas investigações, Wanderlei já possuía antecedentes por associação criminosa, homicídios e latrocínio, entre outros artigos.

Curiosamente, o mesmo delegado que comandou a operação que resultou em sua prisão na noite daquela quarta-feira, 1º de fevereiro, já havia prendido Bilu no passado. Na ocasião, ele fora reconhecido por testemunhas como autor de um latrocínio ocorrido no bairro curitibano de Água Verde.

A geografia, nesse caso, parece ter algum gosto particular pela ironia. Apenas a Avenida Presidente Kennedy separava o bairro onde o crime havia sido cometido do local onde Bilu seria preso mais de um ano depois.

Em 2014, a própria Polícia Civil do Paraná, em sua página oficial, afirmou que a prisão de Wanderlei e de outros 22 integrantes da organização criminosa teria desestruturado o grupo naquele estado.

Bem, a fuga da PEP 1, posteriormente atribuída à articulação do mesmo Wanderlei, mostrou que a história não era exatamente essa.

Se a prisão de 2014 deveria ter desestruturado o Primeiro Comando da Capital no Paraná, a fuga da penitenciária de segurança máxima serviu como uma espécie de resposta prática, quase uma nota de rodapé escrita com pólvora: o PCC continuava ativo e demonstrava capacidade de organização no estado.

Autor: Ricard Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

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