Policiais infiltrados entre os Pretos e os Pobres

Não passa de preconceito considerar como organizações criminosas apenas as facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC 1533) e o Comando Vermelho (CV).

Aumentou a quantidade de Ps — Políticos

O conceito de crime organizado mudou. Sou do tempo em que apenas eram presos os 3Ps: preto, pobre, e puta. O tempo passou, e agora podemos afirmar que aumentou a quantidade de Ps, que passou a incluir policiais e políticos. Para alguns isso é um sinal de evolução, mas para mim isso é apenas uma verdade parcial.

A Polícia Federal está me fazendo acreditar novamente no Brasil ao incluir na listagem o P dos políticos. Mas nós, como povo, não nos acostumamos a pensar fora do antigo 3Ps. Um exemplo é o artigo Infiltração Policial à Luz da Nova Lei Nº 12.850/2013 de Organizações Criminosas, de Raquel Corrêa Netto Ribeiro, que destaca os principais pontos da lei, e serve para quem quer conhecer um pouco sobre esse assunto.

Em seu estudo, a pesquisadora ressalta a importância da ferramenta jurídica para vencer os pretos e os pobres do Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Li com cuidado o texto no Jornal Eletrônico das Faculdades Integradas Vianna Júnior, e a acadêmica repete de forma reduzida o que é publicado há tempos por outros, sem nada acrescentar.

A coisa era diferente antes da Lava Jato

Há algum tempo postei um texto intitulado No Brasil existem policiais infiltrados no crime?, no qual exponho e convido o leitor a conhecer o trabalho de Mariana Fávero Rodrigues. Ela conta como funciona esse tipo de ação policial e esmiúça a Lei 12.850/13, o trabalho da advogada, foi bom para aquela época, um Brasil pré-Lava Jato — ainda sem a releitura da lei feita pela Polícia Federal.

O empresário Joesley Batista contou que o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardoso se arrependeu da aprovação da Lei 12.850/13, que foi, antes, uma vitória dele e do governo Dilma Rousseff, e que hoje é usada na Operação Lava Jato em processos contra políticos. Esse é o Brasil pós-Lava Jato, e é neste contexto que Raquel Corrêa publicou o estudo.

Já, o ex-secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), Rogers Jarbas, foi a imprensa indignado que devido a Lei 12,850/13 foi jogado na cela junto com membros do PCC e do CV, o que não pode ser verdade, pois ambos não convivem no mesmo ambiente, são como fogo e água, sabe. Mas se as facções são mantidas separadas, a que ele fazia parte também teria esse direito.

E justamente por estarmos dentro deste contexto, que me decepcionou ver que o artigo ainda está focado na caça ao antigo 3Ps — parece que só a Polícia Federal percebeu que os Políticos podem ser incluídos nessa “regra”, pois a pesquisadora nem aventou esta possibilidade. O tempo está provando que o sempre sábio Antonio Carlos Jobim tinha razão: O Brasil não é para Principiantes.

O preconceito pode mudar de lado

PCC se benefica contra preconceito contra venezuelanos

Você não pode dizer que um negro ou um bicha te assaltaram — ou qualquer outra forma politicamente correta ou não para descrever alguém que seja de outro grupo social.

Todo preconceito é desprezível…

… ou melhor, todo preconceito contra nossos iguais, contra os que não pertencem ao nosso grupo pode:

“Quando alguém relata um assalto em Boa Vista-RR, as outras pessoas logo perguntam: “O bandido era venezuelano?”. Os imigrantes estão na boca de quem reclama do crescimento da criminalidade e também do aumento da demanda por serviços essenciais, como saúde e educação.”

Enquanto isso, no mundo real, que não está nem aí para nossos preconceitos:

“Tem havido um crescimento da violência no Estado por causa do rompimento do acordo entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Amigos do Norte, causando assassinatos nas ruas e rebeliões nos presídios, mas isso é na grande criminalidade. As infrações cometidas por venezuelanos não são a maioria, e geralmente são de menor potencial ofensivo: furtos de pequenas posses, como alimentos e celulares.”

Há pouco tempo, os caminhoneiros e aqueles que eram a favor da intervenção militar eram aplaudidos pelas ruas, bastaram alguns dias para que o preconceito contra esses dois grupos os jogassem pelo menos parcialmente na lama — cuidado você pode ser o próximo.

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