Artigo

Os militares e a facção PCC 1533 (Primeiro Comando da Capital)

Os militares e a facção PCC — o mito da origem

O arrepio se apodera de meu corpo ao pensar nos militares e na facção PCC 1533. Poucos sabem a razão de meu tremor, mas para você eu quero contar:

paz entre os ladrões nas vielas silenciosas e escuras, assim como nos ensurdecedores bailes das avenidas iluminadas das sujas periferias das metrópoles.

Os Disciplinas do poderoso grupo criminoso controlam as comunidades sob o lema da “Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade e União” (PJLIU).

É o Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa que passou a assombrar os cidadãos de bem da metrópole após garantir a paz no Mundo do Crime.

Sua presença é sentida em todos os lugares, como uma lufada de vento frio que sopra nas ruas fazendo as pessoas tremerem ao seu passar.

Aqueles que ousam desafiar a autoridade da facção criminosa são julgados pelo Tribunal do Crime do PCC.

Quem são os Disciplinas do PCC 1533? Como e onde atuam?

Mas qual é a origem desses criminosos tão temidos?

Ninguém sabe ao certo, mas rumores dizem que a organização criminosa teve sua origem nos sombrios porões da Ditadura Militar, e que seria fruto de sonhos de sádico erotismo de um general.

Uma negra alma, cujo nome é melhor nem pensar alto, em uma noite escura teria sussurrado para aquele general que jogasse os prisioneiros políticos nas celas dos mais perigosos e violentos presos comuns: ladrões de bancos, traficantes, sequestradores e assassinos.

Dizem que aquele general era apenas mais um, entre tantos sem escrúpulos, com mentes sem inteligência, corações frios como gelo e de almas perversas e sádicas.

As consequências da decisão daquele insano general reverbera até hoje nas vielas silenciosas e escuras e nos ensurdecedores bailes das avenidas iluminadas das sujas periferias das metrópoles…

Desde a Ilha Grande em Angra dos Reis onde tudo começou até Europa, África e Ásia: nas escolas, nos comércio, na política, na polícia…

A Facção PCC e a “Paz entre ladrões”

Maldito general. Malditos generais que semeiam ódio de dentro de seus bem passados e remunerados uniformes verde-oliva.

Generais que por baixo de suas estrelas brilhantes e douradas escondem seus espíritos sem brilho e sem cor.

Aqueles prisioneiros políticos convivendo nas celas dos mais perigosos e violentos presos comuns, ensiraram à eles que só com a paz no Mundo do Crime dominariam as vielas silenciosas e escuras, assim como os ensurdecedores bailes das avenidas iluminadas das sujas periferias das metrópoles.

Aquele garboso e sério militar, defensor da tradicional família brasileira, ao mandar aqueles prisioneiros políticos para a Ilha Grande jogou uma semente em um solo fértil.

Hoje, a família que impera é a Família 1533. E os cidadãos de bem da Metrópole ainda sonham que os militares vão desafiar o poder do Primeiro Comando da Capital.

Cidadãos de bem, travestidos de verde e amarelo, clamam alto olhado para o firmamento acima do verde-oliva dos gramados dos quartéis.

Em vão buscam no escuro firmamento da noite o brilho das estrelas douradas, mas elas não se atreveriam sair de trás das escuras núvens para enfrentar um inimigo real e armado: a organização criminosa Primeiro Comando da Capital.

Pesquisa sobre o Primeiro Comando da Capital

Os Crias do 15, assim como Aquiles, filho de Peleu e Tétis nada temem, ao contrário dos homens que se escondem embaixo das estrelas douradas.

Eles enfrentam a escuridão, derramam seu próprio sangue, e não temem o brilho ofuscado de estrelas cadentes.

Os Crias do 15 gritam “até a última gota de sangue” nas antes silenciosas e escuras vielas.

Os Crias do 15 gritam “até a última gota de sangue” silenciando os até então ensurdecedores bailes das avenidas iluminadas das sujas periferias das metrópoles.

Enquanto o Primeiro Comando da Capital exercer seu poder, haverá quem grite; haverá quem acredite na Paz, na Justiça, na Liberdade, na Igualdade, e na União; e haverá quem resista ao ódio travestido de verde-oliva e verde e amarelo.

As vielas e avenidas das metrópoles são o misterioso mundo do Primeiro Comando da Capital, uma organização criminosa cujo poder é sentido por todos, mas cujos segredos são conhecidos por poucos.

O Primeiro Comando da Capital, a força sombria, perigosa e sinistra que assombra o coração dos cidadãos de bem é sangue do mesmo sangue dos militares.

Um arrepiante sussurro no ouvido daquele general carente e mal amado, que em sua cama fria tinha sonhos de sádico erotismo onde se via jogando no mesmo leito presos políticos e os mais perigosos e violentos presos comuns.

Em seu sadismo, aquele general sentia o calor do sangue escorrendo e as agressões sexuais daqueles cordeiros nos dentes e nas garras daqueles lobos, mas deu errado, essa estranha relação gerou um rebento poderoso.

O filho dessa depravação nasceu no Rio de Janeiro e foi chamado por seus pais de Falange Vermelha, que por sua vez, ao seu tempo, teve também um filho que recebeu o nome de batismo de Comando Vermelho, que por sua vez, ao seu tempo, ensinou tudo o que sabia para seu amigo de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital.

Até depois da última gota de sangue — invencível

Enquanto Cidadãos de bem, pobres almas inocentes que se recusam a acreditar na paternidade verde-oliva da poderosa organização criminosa, uma negra alma, cujo nome é melhor nem pensar alto, e que em uma noite escura teria sussurrado para aquele general que jogasse os prisioneiros políticos nas celas dos mais perigosos e violentos presos comuns, suspira satisfeito:

Há paz entre os ladrões nas vielas silenciosas e escuras, assim como nos ensurdecedores bailes das avenidas iluminadas das sujas periferias das metrópoles.

Ricard Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

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