A facção PCC 1533, a maior organização criminosa brasileira, está expandindo seus negócios para o cultivo de maconha no Paraguai?
Relatórios governamentais paraguaios afirmam que sim, mas, de fato, não há certeza de como o Primeiro Comando da Capital (PCC) está agindo.
As especulações começaram no final de agosto, com a descoberta de seis plantações de maconha em Colônia Estrella, município no departamento oriental de Amambay.
Uma placa informava que os campos eram propriedade do PCC e que invasores seriam mortos, disseram os agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD).
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Em julho, funcionários da SENAD na Colônia Estrella descobriram sacos plásticos cheios de maconha, com as iniciais “PCC” rabiscadas neles.
Então, nas redes sociaism o SENAD afirmou que essas apreensões provavem que o PCC controla o cultivo de maconha na Colônia Estrella.
Os campos desativados “formavam um centro de produção e armazenamento de maconha em grande escala” da organização criminosa paulista em solo paraguaio.
“(O PCC) busca monopolizar o tráfico de drogas desde a fonte”, afirma um agente da SENAD.
Será uma mudança, se confirmado que a facção PCC 1533 que é tradicionalmente um comprador atacadista de maconha, agora cultiva a própria maconha no Paraguai.
Certamente, o departamento de Amambay, que fica na fronteira do Brasil, é uma das principais áreas de produção de maconha da América Latina.
Amambay é também o principal reduto da facção brasileira no Paraguai, que por lá se consolidado como a maior compradora de maconha dos produtores locais.
No entanto, assumir a produção marcaria uma grande mudança na forma como o comércio de maconha funciona no Paraguai.
Carlos Peris, cientista político e especialista em tráfico de drogas da Universidade Católica de Assunção afirma explica como funciona o mercado de drogas no Paraguai:
Os agricultores raramente cultivam exclusivamente para um grupo ou traficante, mas geralmente têm vários clientes.
Podemos dizer que a droga plantada e apreendida pela SENAD era para o PCC? É claro.
Podemos dizer que essa plantação era exclusiva do PCC? Absolutamente não.
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De acordo com Peris, o comércio de maconha de Amambay tem um modelo de cadeia de abastecimento com acordos de longo prazo.
Os agricultores locais cultivam e colhem apenas algumas toneladas do total disponível para vender a intermediários que, posteriormente, vendem o produto na fronteira.
Só nesse ponto do processo é que grupos criminosos brasileiros, como o Primeiro Comando da Capital agem abertamente.
Se o PCC estivesse experimentando sua própria produção de maconha, a quadrilha estaria tentando eliminar os dois primeiros elos dessa cadeia de abastecimento, aumentando potencialmente sua margem de lucro.
A facção paulista aumentou com sucesso o número de membros recrutando nas prisões e ganhou dinheiro com o tráfico de armas e sequestros.
O site InSight Crime revelou anteriormente, e as recentes apreensões por parte de autoridades paraguaias confirmaram que o grupo passou ao cultivo de maconha.
Em síntese, pode ser um fazendeiro usando o nome da temida organização criminosa Primeiro Comando da Capital para afastar invasores e ladrões.
Enfim, mesmo que o PCC não seja proprietário direto das plantações de maconha, afinal, qualquer associação com o grupo pode ajudar os agricultores a proteger suas terras.
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