Em meio a um Uruguai dividido entre facções, Estados e traições, este relato pessoal revela o impacto brutal da guerra por controle das drogas — com menções diretas ao Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533). Leia e descubra como sobreviver virou resistência numa América Latina esvaziada de utopias.
Público-alvo:
Militantes de esquerda, usuários de drogas, pesquisadores em criminologia, jornalistas, ativistas por políticas de drogas, profissionais da saúde mental e leitores interessados em narrativas reais com crítica social latino-americana.
Aviso importante:
Este relato cru expõe vivências marcadas por violência, drogas e traições em um cenário latino-americano. Não romantiza o crime nem simplifica a dor. Leitura recomendada para quem busca compreender as contradições de uma militância sobrevivente num continente partido entre utopias e guerras invisíveis.
Se fosse um inimigo que me insultasse, eu o suportaria; se fosse o meu adversário que se levantasse contra mim, dele eu me esconderia. Mas és tu, meu igual, meu companheiro, meu amigo íntimo.
Salmo 55:12-13
Sou de família de comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores, e tenho aprendido muito com todos eles nesses meus trinta e oito fevereiros vividos.
Lido com os códigos da velha escola da consciência de classe. Sou de esquerda e, embora tenha crescido entre bandidos, fui abençoado e muito cuidadoso, e nunca esperei que a traição viesse de um irmão, de um oprimido, pois para mim o inimigo eram os opressores, eram os fascistas.
Pela primeira vez sofri a traição daqueles, sendo meus irmãos, cantavam canções revolucionárias comigo, e acredite, dos quais eu nunca teria imaginado sofrer uma traição que quase me matou, mas cuja dor me ceifou minha fé no homem.
Nasci em fevereiro de 1984, não tenho antecedentes criminais, morei em São Paulo, Bahia, Romênia, e muitos outros lugares sem nunca ter traficado. Respeito quem o faça, mas não é meu bastão — amo demais a classe trabalhadora, não poderia agir assim.
Apesar eu mesmo ser usuário de drogas, me recuso a escravizar nas drogas os filhos dos pobres trabalhadores.
Eu e muitos outros, militamos pela legalização da maconha no meu país, o Uruguai. Conseguimos. A ideia era, com a legalização haver maior controle sobre o comércio desses produtos.
No final nada disso aconteceu. Como o governo não estatizou ou nacionalizou as empresas, nós apenas regularizamos o mercado para as empresas estrangeiras exportarem nossa produção — passamos a ser vacas de ordenha para sermos sugados por investidores estrangeiros.
Se eu planto, eles roubam, não tem brotos de qualidade na periferia, só prensagem paraguaia, e um bom broto vale tanto quanto cocaína. Tudo para o lucro dos capitalistas dos narcóticos. Entendo agora o porquê, poucos dias depois da legalização, os EUA ameaçaram o presidente José Mujica de congelar as contas bancárias uruguaias em território americano: queriam que a produção não pudesse ser nacionalizada e por isso o Uruguai só regulamentou o comércio.
Nós que militamos pela legalização de nossa produção fomos espancados pela polícia e agora, as empresas estrangeiras podem explorar esse mercado e nos deixar com as migalhas, colhendo os frutos de nossa luta.
No Uruguai a guerra continua! Na periferia, a direita perdeu o mercado de drogas, mas encontrou o caminho perfeito para virar o jogo: usam cavalos de Tróia!
A estratégia é procurar um consumidor ou parceiro de negócios e ao menor deslize ou crime, estes são presos e o preço de sua liberdade é pago com a traição de seus colegas, amigos ou familiares.
Muitos aceitam participar desse novo mercado que antes pertenciam as organizações criminosas argentinas ou a facções brasileiras como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Mais cedo ou mais tarde esses que aceitaram participar desse novo mercado acabam sendo presos por algum motivo e negociam sua liberdade com a condição de se infiltrarem para entregar seus antigos comparsas de facção.
Eu nunca pertenci ao tráfico de drogas, sou apenas um usuário, jornalista, cabeleireiro, e anarquista ligado às lutas sociais. Cresci em um bairro de trabalhadores e estudei no bairro de La Blanqueada. Tenho amigos do Nacional, do Penarol e do Cerro, criminosos, traficantes, crianças, políticos, militantes de esquerda, universitários, ateus, católicos, brasileiros, argentinos, e todo o tipo de gente boa e ruim.
Eu não me importo como cada um escolhe viver sua vida, desde que não seja fascista, nem policial, nem vote na direita, se tem códigos antiquados e a consciência de classe é a única coisa que me interessa.
Sou da escola onde um criminoso não voltava para casa para não colocar em risco a sua família ou os seus companheiros — só voltaria depois de avisar a todos do risco e da família ou os companheiros decidirem que queriam se arriscar.
Se alguém em risco me avisasse, eu correria o risco, mas sem avisar! Cagando para minha segurança e a da minha família, aí não! Isso para mim não é a ética de um bom criminoso — o certo pelo certo!
Há dois anos aluguei de um amigo uma pequena estância, lugar onde eu vendo artesanato com meu pai de coração, um ex-prisioneiro político pelo Partido Comunista da Argentina, um homem que merece o céu, incorruptível.
Eu com esse amigo cantávamos as músicas revolucionárias da banda argentina Los Redondos, e entoávamos o hino “Violencia es Mentir”! E foi esse amigo quem colocou em risco a vida e a liberdade minha e a de toda a minha família.
Eu havia alugado um quarto em uma fazenda para usarmos para nossa diversão. Como cresci na selva, eu sei como os macacos se movem e, de repente, em uma noite de muita tensão, eu que conhecia a linguagem do crime percebi que algo de errado estava acontecendo.
Não estávamos só nós dois, haviam outros amigos e eles falavam muito, e descobri que eles roubaram drogas de alguma das facções e para pagar tinham que roubar outro traficante que ia descarregar a mercadoria de uma embarcação.
Eu e minha família não tivemos nada com isso! Eu e minha família fomos colocados por eles na linha de tiro de grupos criminosos poderosos — eu matei, mas morreria por minha família.
Imagine meu avô de 88 anos, seguindo os antigos códigos de conduta, onde se uma chave de fenda é roubada da loja de móveis ele não chamaria a polícia, preferia ele mesmo ir procurar o ladrão e lhe quebrar o joelho. Imagine se ele descobre o roubo da cocaína!
Pequei um dos que estavam metidos nessa enrascada. O derrubei e coloquei seu pescoço debaixo de minha perna. Ele me ameaçou dizendo que era da facção brasileira Comando Vermelho.
A mãe desse CV chamou um amigo dela da polícia, mas para sua surpresa veio a Guardia Republicana criada por Mujica, que me levou para o Comissário de Castillos, onde inventaram uma falsa ordem para abordar minha família — ou eu aceitaria participar do esquema de denúncia ou a ordem seria cumprida.
Foi aí que entendi o que estava acontecendo. Como os negócios se davam entre o Uruguai, a Argentina e o Brasil; e entre os grupos criminosos Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC).
O Primeiro Comando da Capital pelo menos administra muito bem a empresa: dá tranquilidade e não obriga ninguém que não pertence ao mundo do crime de se integrar a facção.
As pessoas descobriram ao longo do tempo que ninguém de fato é livre. Todos pagam por sua liberdade às autoridades e às facções. Quiseram me prender de várias maneiras e me silenciar.
Um antigo amigo do papai que há muito não aparecia veio com a desculpa de comer um churrasco, mas depois de um tempo apareceu com uma van que parecia ter sido puxada: com vidros quebrados e com muita droga.
Ele me convidou para participar de um esquema e eu exigi que ele fosse embora. Inconformado com a resposta, ele me sequestrou por dois dias durante o inverno. Enquanto fiquei cativo, minha cabeça era enfiada minha cabeça gelo enquanto me torturava, para no fim, plantar a van na porta da minha casa e me entregar para a Polícia de Azul, denunciando que eu estava com as chaves, sendo que, essas vans são destravadas por um sistema eletrônico!
Depois de um tempo, apreenderam um caminhão de um paraguaio e eu estaria envolvido; depois foi algo haver com um estuprador que continuava foragido; e assim como essas, outras denúncias apareciam — toda vez que começo a me recuperar, eles invadem minha casa e roubam meus telefones.
Eles esperam que eu cometa um erro ou desista de resistir e negocie como outros fizeram minha paz e liberdade, mas eu prefiro morrer a ser um miserável traidor.
Eu obviamente prefiro o Primeiro Comando da Capital onde se corre pelo certo, mas meu lugar de militância é no social e não quero me envolver com o crime.
Espero que essa guerra termine e que eu e meus avós, que dedicamos nossas vidas pelo socialismo, não mais sejamos torturados pelo fascismo ou pela guerra por domínio de drogas!
Se eu morrer amanhã, não foi ajuste de contas, pois nada vendi. Não é que sou incorruptível, mas não deram nem o preço, mas meu lugar é na imprensa ou trabalhando com as crianças para tirá-las das mãos dos tiranos que agem com violência e mentira.
Se usássemos a mesma energia para encontrar uma dose para fazer a revolução, a realidade da América seria diferente. As utopias de esquerda morreram na periferia, você não sente cheiro de revolução, você só sente cheiro de crack, chumbo, abuso, paramos a exportar ladrões de primeira linha e ao invés de jogadores de futebol, hoje os garotos não jogam mais bola em bairros populares, todos querem ser traficantes, sem importa que envenenar seu colega de classe faz parte.
Traição é pão de cada dia, te vendem por um segundo fogo e nem por 3 gramas. Não há garantias de resistência real para o viciado, não há lugar em clínicas ou prazo inferior a 6 meses em psiquiatria. A droga é cortada cada vez mais, e com uma qualidade cada vez menor.
Só consigo pensar em uma solução, que os Estados de cada país latino nacionalizem o mercado de drogas, eu disse nacionalizar não regulamentar. É a humilde opinião de uma filha de trabalhadores viciada em oxi.
| Tema | Afirmação |
|---|---|
| Identidade e trajetória | Nasceu em fevereiro de 1984; morou em São Paulo, Bahia, Romênia e outros locais; não tem antecedentes criminais; é usuário de drogas, jornalista, cabeleireiro e anarquista. |
| Política de drogas no Uruguai | Militante da legalização da maconha; legalização foi aprovada, mas sem estatização; produção e comércio favorecem empresas estrangeiras. |
| Ameaças e perseguições | Relata sequestro, ameaças de membros do Comando Vermelho, perseguições policiais, invasões domiciliares e repetidas tentativas de envolvê-lo em crimes. |
| Crítica ao modelo de legalização | A legalização foi moldada de modo a impedir nacionalização da produção; afirma que os EUA teriam ameaçado Mujica com sanções bancárias caso nacionalizasse. |
| Facções criminosas | PCC e CV estariam atuando no Uruguai; o PCC seria mais organizado e respeitoso com quem não pertence ao crime; o CV mais impulsivo e violento. |
| Sistema de delação e infiltração | Afirma que presos são libertos sob a condição de trair antigos companheiros, passando a atuar como informantes infiltrados. |
| Conflitos pessoais | Um amigo próximo teria roubado drogas, colocando sua vida e a de sua família em risco com organizações criminosas. |
| Violência estatal | Denuncia abusos por parte da Guardia Republicana, com uso de ordens falsas e coação para que aceitasse colaborar como delator. |
| Crítica social e ideológica | Lamenta a falência da utopia socialista nas periferias; diz que jovens estão cada vez mais envolvidos com o tráfico; denuncia hipocrisia de parte da esquerda. |
| Proposta final | Defende a nacionalização (não apenas regulamentação) do comércio de drogas nos países latino-americanos como solução para romper com o ciclo do crime e da repressão. |
| Ponto | Verificação e comentários |
|---|---|
| Legalização da maconha no Uruguai | ✅ Verdadeiro. Aprovada em 2013 sob o governo Mujica, com modelo de regulação estatal, mas produção foi em grande parte concedida a empresas privadas sob controle rígido. O Estado não estatizou a produção. |
| Ameaças dos EUA a Mujica | ⚠️ Parcialmente plausível, mas não confirmada oficialmente. Houve preocupações dos EUA sobre lavagem de dinheiro, e o Uruguai negociou com bancos internacionais, mas não há prova pública de ameaças diretas com congelamento de contas. |
| Atuação do PCC e CV no Uruguai | ✅ Há registros de investigações uruguaias e brasileiras apontando atuação esporádica e articulações de grupos brasileiros no cone sul, especialmente em zonas de fronteira. Porém, sua presença não é estrutural como no Brasil ou Paraguai. |
| Sistema de delação premiada informal | ⚠️ O Uruguai não possui um sistema amplo de delação premiada como o brasileiro. Acusações de delações forçadas ou uso de informantes não são documentadas em escala sistêmica, embora possam ocorrer pontualmente. |
| Guardia Republicana criada por Mujica | ✅ Verdadeiro. A Guarda Republicana é uma força especial da Polícia Nacional uruguaia reforçada durante o governo Mujica para lidar com crimes graves e narcotráfico. |
| Exploração por empresas estrangeiras após legalização | ✅ Real. As duas principais empresas inicialmente autorizadas a plantar cannabis para distribuição foram estrangeiras ou com capital estrangeiro. Pequenos produtores criticaram a centralização da produção e as restrições. |
| Situação de drogas adulteradas e falta de tratamento | ✅ Estudos e reportagens indicam precariedade na qualidade das drogas vendidas na periferia, aumento de consumo de oxi e crack, e déficit de políticas públicas de saúde mental no cone sul. |
O relato possui uma base factual sólida nos seguintes aspectos: contexto político da legalização no Uruguai, presença episódica de facções brasileiras no cone sul, repressão estatal às margens da legalidade, e marginalização dos usuários. Contudo, há trechos que, embora verossímeis e coerentes com dinâmicas conhecidas, carecem de comprovação pública — como o uso sistemático de delatores ou pressões diretas dos EUA sobre Mujica em forma de ameaça bancária.
Trata-se de um testemunho de valor documental, marcado pela vivência subjetiva e leitura crítica de um militante, e não de um texto jurídico ou investigativo. Por isso, suas verdades repousam no campo do vivido e do simbólico, mais que do verificável em fontes oficiais.
Texto: “Sou de família de comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores, e tenho aprendido muito com todos eles.”
Análise: O narrador reconhece ter aprendido valores, códigos e posturas através da convivência direta com pessoas do meio criminoso, político e operário. O ambiente social de origem era diverso, e não patologicamente criminoso — mas continha elementos de transgressão política e penal. Esse aprendizado é social, não genético.
Texto: “Eu e esse amigo cantávamos as músicas revolucionárias da banda argentina Los Redondos […] e foi esse amigo quem colocou em risco a minha vida e de minha família.”
Análise: A traição vem de dentro da rede de convivência. A teoria prevê que o sujeito é mais vulnerável ao comportamento desviante quando a influência vem de pessoas emocionalmente significativas. A proximidade afetiva foi um vetor de risco.
Texto: “Como cresci na selva, eu sei como os macacos se movem […] eu que conhecia a linguagem do crime percebi que algo de errado estava acontecendo.”
Análise: O narrador demonstra domínio de códigos e estratégias que fazem parte do universo criminal, ainda que negue sua adesão prática a ele. Isso está em linha com a ideia de que se aprende não só a agir, mas a pensar e interpretar o mundo à maneira dos grupos desviantes.
Texto: “Apesar de ser usuário de drogas, me recuso a escravizar nas drogas os filhos dos pobres trabalhadores.”
Análise: A convivência com criminosos não levou o narrador a cometer crimes. Isso se explica pela preponderância das “definições desfavoráveis ao crime” no seu arcabouço moral: há um código ético de classe e resistência, que ele valoriza mais do que a adesão ao crime. Sua recusa ativa ao tráfico demonstra que, embora exposto a valores criminosos, ele internalizou outros — ético-revolucionários, por assim dizer.
Texto: “Sou da escola onde um criminoso não voltava para casa para não colocar em risco a sua família ou os seus companheiros.”
Análise: O narrador revela que aprendeu “a ética do crime” da mesma forma que se aprende qualquer valor social: pela observação, convivência, fala e prática. Não se trata de uma simples adesão irracional ao mal, mas da internalização de um código de honra paralelo ao legal.
Texto: “Tenho amigos do Nacional, do Penarol e do Cerro, criminosos, traficantes, crianças, políticos, militantes de esquerda…”
Análise: A grande diversidade de contatos indica que o narrador foi amplamente exposto a múltiplas influências ideológicas, criminosas e sociais. Segundo Sutherland, esse tipo de ecossistema pode gerar conflito moral interno, mas também fornece alternativas para escolhas não criminosas, como é o caso.
Texto: “Prefiro morrer a ser um miserável traidor […] Meu lugar é na imprensa ou trabalhando com crianças.”
Análise: O protagonista, apesar da exposição intensa ao crime, recusa-se a aderir à prática. Isso reforça a ideia de que, embora o ambiente seja um fator determinante, ele não é absoluto: os significados atribuídos a essas experiências e os grupos com os quais o indivíduo mais se identifica moralmente podem moldar sua conduta em outra direção.
O relato é um exemplo claro da aplicação da teoria de Sutherland. O narrador vive em um meio onde há forte presença de elementos criminais, mas a socialização com ideais éticos da classe trabalhadora, do anarquismo e da militância social atua como um contrapeso às pressões desviantes.
Ele aprendeu os códigos do crime — conhece sua linguagem, estratégias e limites — mas os recusa com base em valores internalizados por outras associações diferenciais, mais morais, mais comunitárias.
Sua trajetória mostra que o crime não é fruto apenas da miséria ou da predisposição pessoal, mas de uma rede de interações, códigos morais e oportunidades simbólicas.
A análise psicológica do autor do texto “Um estranho caso no Uruguai” revela um perfil singular, estruturado por três dimensões centrais: vivência de conflito crônico, rigor moral fora da legalidade institucional e resistência política de base afetiva. Abaixo, apresento essa leitura em quatro blocos: identidade, afetividade, funcionamento psíquico e riscos.
✓ Identidade combativa e marginal-ética
O autor constrói uma narrativa de vida marcada pela convivência com marginais — “comunistas, tupamaros, criminosos e trabalhadores” — mas reafirma que a criminalidade nunca foi seu caminho. Essa dualidade (inserção sem adesão) revela um senso de identidade liminar: ele habita os dois mundos, mas se recusa a ser moldado por nenhum que contradiga seus próprios códigos.
✓ Estrutura identitária vertical e herdada
Sua autoimagem está fincada em um ideal de continuidade intergeracional: “meu avô, meu pai de coração, meus companheiros”. Essa rede não é apenas relacional — é simbólica, substituindo o Estado e a legalidade institucional por uma ética própria. Isso sugere forte internalização de valores comunitários e rebeldes, uma identidade que opera à margem da ordem formal, mas se ancora em vínculos afetivos sólidos.
✓ Raiva moral canalizada como crítica social
Há uma fúria constante no texto — contra o sistema, contra os traidores, contra a falsidade institucional — mas que não se desorganiza. Em vez disso, ela é canalizada para narrativas políticas e denúncias sociais. Isso indica alta elaboração da emoção, mas com traços de amargura profunda e desencanto acumulado.
✓ Traição como núcleo traumático
A traição por parte dos “irmãos” que cantavam canções revolucionárias com ele é descrita com mais intensidade emocional do que as ameaças físicas. Isso revela que sua maior vulnerabilidade psíquica está no rompimento dos vínculos simbólicos, não na dor corporal. O trauma relacional o desestrutura mais que a violência estatal.
✓ Ambivalência afetiva persistente
O autor idealiza o crime “honesto” (o código do criminoso de conduta) ao mesmo tempo que o rejeita. Ele admira o PCC por “correr pelo certo” e despreza o Comando Vermelho por envolvimento desordenado com o Estado. Essa ambivalência emocional mostra que seu sistema ético é construído em oposição tanto à lei quanto ao caos, o que impõe constante tensão interna.
✓ Estrutura de pensamento discursiva e política
A escrita é coerente, articulada, com raciocínio encadeado por causa e consequência, mesmo sob carga emocional elevada. O autor é capaz de reflexão abstrata, faz crítica geopolítica, sociológica e histórica, o que aponta para um funcionamento de ego preservado e maduro em termos cognitivos.
✓ Visão de mundo dualista e moralizante
Há uma divisão clara entre “os certos” e “os errados”, ainda que o autor reconheça a complexidade das ações humanas. Isso pode ser visto como mecanismo defensivo de delimitação do eu, necessário para manter coesão psíquica em ambientes com alta ambiguidade moral. Ele não se perde nos cinzas: opta pelos extremos, mas consciente disso.
✓ Hipervigilância e percepção persecutória fundamentada
Dado o histórico relatado de sequestros, vigilância, ameaças e infiltrações, é esperado que o autor desenvolva comportamentos de hipervigilância. No entanto, ele mantém a noção de realidade, distinguindo-se de quadros paranoides: sua desconfiança é contextualmente plausível e relatada com clareza.
| Risco | Evidência no texto | Interpretação |
|---|---|---|
| Trauma relacional | “…ceifou minha fé no homem” | Provável vivência de ruptura traumática de confiança, com impacto em vínculos futuros. |
| Síndrome de estresse pós-traumático (subclínica) | Sequestro, tortura, perseguições repetidas | Indícios compatíveis com TEPT leve a moderado, ainda não desorganizante, mas marcante. |
| Pensamento sacrificial | “Prefiro morrer a ser um miserável traidor.” | Risco de autoexposição excessiva, sustentada por uma ética de honra que pode comprometer a autopreservação. |
| Uso de substâncias | “Sou usuário de drogas.” | Reconhece o uso, mas afirma limites claros; há risco moderado de dependência, mas não há sinais de uso descontrolado no texto. |
| Isolamento social funcional | “Minha vida virou um inferno.” | Indica restrição de redes de apoio confiáveis; o autor parece operando num circuito de sobrevivência e desconfiança. |
O autor é um indivíduo de estrutura psíquica preservada, alta capacidade reflexiva e com uma ética pessoal profundamente enraizada na justiça de classe e na lealdade afetiva. Ele demonstra resiliência significativa diante de adversidades graves, mas carrega feridas emocionais profundas, sobretudo no campo da confiança interpessoal.
Seu modo de viver e pensar é condicionado por experiências reais de perseguição e violência, mas sua resposta a isso não é paranoica nem vingativa: é crítica, social e política. Há traços de sofrimento emocional mal processado, mas compensados por engajamento simbólico com causas sociais e produção discursiva (narração, denúncia, articulação).
Sua maior fragilidade psíquica parece estar na solidão moral do justo que recusa tanto o Estado quanto o crime — um território perigoso para quem resiste.
Três meses após o assassinato de Ruy Ferraz Fontes, o texto analisa como do PCC,…
A aliança entre o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) e clãs balcânicos na…
O pesquisador italiano Francesco Guerra e suas análises sobre o Brasil e a América Latina,…
O artigo reconstrói a trajetória do Estatuto do PCC 1533, revelando sua origem como pacto…
Este artigo analisa como a imprensa europeia retrata a facção PCC 1533 sob clichês datados,…
O texto narra o impacto do rompimento entre PCC e CV na Amazônia e revela,…
View Comments
Volvi a ser atacada en 6 mese por dis personas un d ellas me dejo n coma, me cvolvieron a violar, comuna mujer no quiere que declare corrupcion policial de la comisaria 25 omicion de asistencia falsa declaracion, , complicidad de abusos , vivo en custodia de mides a bajo riesgo ahora quieren volverme a trasladar de vivienda a una de mas seguridad ... no quiere comuna mujer que declre c yo ontra el minixterio del interior particularmente contra el comisario de la 25 que falseo mi declaracion en la primera violacion y no me quiso prestar asistencia en la dos ultimas. no voy a mudarme a otro trefugio de mides ,,,,, necesito un abogado como estomba o alguno del mpp, o un padrino del pcu ya van 5 anos y si es por nomser criminal q no se hacerca el zorro a mi,,recuerden que no tengo delito alguno cualquier cosa pregunten a magadan
En uruguay en las carceles el pcc no ha logrado lo que logro en brasil osea la union de presos en base a la do trina disiplina y estatutos del pcc en la mauoria de la poblacion carcelaria . Si a reclutado referentes importantes como beto y algunosnotros funcionales a la fraccion. Pero no ha logrado reclutar jovenes porque el oxi consumido en carceles genera caos . Porque manda el que vende droga no hay un referente como marcola . Los pibes estan tan envisiados que solo piensan en consumir . No luchan por sus derechos. Se matan entre ellos. Eso es porque el.uriguayo necesita primeramente politicas sociales en carceles . Las visitas entran oxi .la policia entra oxi . Se mueve mucho dinero con el oxi en carceles. Hubo in tiempo estaba mujica que en la carvel de punta rieles vieja hubo intervencion cultural con organizaciones . Clases de rap. Muralismo. Radio . Pero eso se termino . Estudiar para reducir pena tambien se termino. Si no sacan el.oxi de las carceles iruguay perdera grandes talentos para el crimen . Gtandes padrinos . Grandes pensadores. Con marset van a ganar deguidores. Pero recuerden que marcola uso otra tecnica para unir a losnpresos . Si aca todos son marset no va a haber union va a ver solo sicarios y el pcc aca necesita gente dedicada al lavado la logistica el trabajo social para unir los barrios . La policía está dividida entre si se están matando por lo poco que les queda . Inteligencia junto a una comisaría y a una fracción de las pocas que quedan enemigas de pcu son personas relacionadas a la banda del parque de nacional y a políticos blancos . Después la milicia es funcional al pcc y tenés zona tres narcóticos etc hasta el sindicato de policías . Lo que se ve acá es que hubo una excelente estrategia de guerra del pcc contra los rojos . El pcc se dejó comer el negocio del oxi y luego fueron hallanados le llevaron las armas la droga y la plata . Mientras lamprensa declaraba que las bocas eran de Beto Suárez y los vehículos también parece ser que no . A Beto se lo investiga por lavado de activos Pero laneealida es que Beto tiene solo una camioneta de 80 mil y un depa de 400 enedidicio . Para tener supermercado y carnicerías y automotora no es para causa de un gran narco . Sale en 6 meses limpio. Sin embargo lamfraccion enemiga que queda Los Bartolo y todos sus socios de inteligencia de la 25 y perros de la banda del parque les salió el tironpor la culta están pegando manotazo de ahogado están matando adolecentes están armando adolecentes . Están perdiendo, ellos los que fueron monopolio de la cocaína en la blanqueada de socios argentinos y empresarios italianos y rusos y alemanes . Están perdiendo y están enojados y son peligros.
Ellos quieren el menudeo interno de la pasta Pero eso lleva a tener el control social . Si quieren un aliado tienen que sacar el oxi . Después el orden viene solo.
Aclaro y
para mí la expropiación de los medios de producción hecha por la clase obrera cansada de explotación no es crimen es justicia .
Los ladrones de bancos anarquistas que repartían el dinero entre los pobres con hambre no son criminales son solidarios .
Los anarcos de la cnt no eran criminales eran valientes luchadores contra la tiranía .
La expropiación de la tierra alambrada por terratenientes no es crimen es justicia para los pueblos originarios.
Para mí el muralismo cultura hip hop no es crimen es arte para todos .
Para mí crimen es un término sujeto a debate . Ahora crimen organizado del narcotráfico hay que ver quien lo organiza. Crimen es que siga siendo un crimen la producción de coca y la cocaína en países como peru colombia bolivia sumergidos en la pobreza matándose pobres contra pobres mientras grandes potencias se enriquecen con cocaína que compran a menos de un dólar y venden a 300 , venta de armamento, fortalecimiento del dólar y el euro cobre y bronce control de la población pobre por medio del hambre la sed y el miedo.
Aclaro un error.....yo soy una romántica del crimen si se le dice crimen a la expropiación de fábricas burguesas que explotan L obrero o expropiación de tierra a extranjeros terratenientes o los anarquistas que robaban bancos y repartían al pueblo o el chueco Maciel que por hambre se volvió delincuente robo el banco y repartió en el cantegril o el robo de las monjitas en Uruguay que repartió alimentos y armamento o los porteños ocupando liberay o durruty y el enfrentamiento obrero. Alas fuerzas de la milicia . O el robo de ganado a los dueños de la carne . O el asalto a blindados onel saqueo de super mercados en época de 2001 o el robo de la.mano Maradona contra Inglaterra .en cuanto al.crimen vinculado al.narcotrafico yo creo que no debería ser un crimen . América latina productora de coca tendría que organizar un tratado con china para fortalecer el yen África también debería participar en ese tratado . La tecnología de china, el oro y demás recursos para fabricar tecnología que tiene África, la coca el cobre gas petroleo , armamento y grandes mentes de América latina , con una milicia única adoctrinada por el pcc que controle el.mercado y de seguridad a la población. Armamento producción colombiana. Podrían cambiar radicalmente la economía mundial podrían erradicar la pobreza de América y de África podrían destronar el dólar podrían fundir la industria del armamento de Rusia y EEUU podría palestina siria Kurdistán ver por fin la paz . Crimen es que bolivia voto a la derecha y apoya el fortalecimiento del dólar.
Sou novo nesse site e não entendi. Quem é o(a) autor(a) do texto? Foi mesmo o Sr. Rizzi?
Fui yo
Sim, de fato
MUCHAS GRACIAS
HASTA QUE LOS TIRANOS TIEMBLEN