Categories: Sem categoria

Surdo-mudo assalta três ônibus em um dia em Itu.

É muita cara de pau, pensou o experiente GCM Camargo ao assumir seu plantão na Guarda Civil Municipal de Itu, naquela noite de oito de agosto de 2009. O mala teve a coragem, ou melhor, a ousadia de fazer três assaltos seguidos: no mesmo lugar, no mesmo dia e usando o mesmo modus operandis. É demais.

O primeiro foi às 5 horas da manhã, ainda estava escuro quando o motorista Gilson Luiz Vagnes parou o ônibus da Linha 79 naquele ponto da Rodovia Valdomiro Corrêa de Camargo, KM 57, a estrada velha Itu – Sorocaba, uma das principais vias de acesso entre o distrito do Pirapitingui e o restante da cidade. Os coletivos começam cedo e vão até muito tarde, servindo diariamente milhares de trabalhadores e estudantes. Mas Gilson sabia que a estrada nem sempre é segura, e aquele passageiro de camiseta vermelha provaria isso.

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); O rapaz deixou clara sua intenção assim que embarcou: puxou a camiseta cobrindo o rosto e sacou uma faca grande de cozinha de cabo preto — apontando para ele. Resmungava algo ininteligível, mas seu gesto já dizia tudo. Rapidamente pega uma nota de dois reais e os saquinhos com as moedas que serviriam de troco e desce do ônibus, fugindo a pé.

Oito horas da manhã. Mesmo no local e com mesma camiseta… lá se vão mais R$ 85,80 de outro ônibus da mesma linha da Viação Avante.

Quase quatro horas da tarde. O motorista Adilson Francisco de Souza, um paranaense da cidade de Rolândia, ao chegar naquele trecho já estava procurando o tal meliante da camiseta vermelha. Se bem que não era possível que ele tenta-se de novo. Parou naquele malfadado ponto, do Km 75, próximo ao Motel Splendour. Um passageiro, trajando calça jeans e camiseta cinza, apresenta a carteirinha de passe livre de deficiente físico e entra pela porta traseira do coletivo, vai rapidamente até Joel dos Santos, o cobrador e aponta-lhe uma faca, tomando o dinheiro, logo em seguida foge em direção às Chácaras Carolina.

Tudo isso havia se passado antes da chegada do GCM Camargo, e tudo foi relatado a equipe que estava entrando naquele plantão noturno. E ao raiar do dia, o guarda municipal localizou escondido em um matagal das Chácaras Carolina, Mateus Fernando Sanches, um rapaz surdo-mudo de 21 anos, e o GCM Savioli os objetos usados por ele para cometer os crimes. A equipe da Guarda Municipal encaminhou o suspeito e o material à delegada de polícia Drª. Ana Maria Gonçales Sola.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});
Coube ao votorantinense Roque de Souza Santos Júnior, inspetor de tráfego da Viação Avante, chamar motoristas e cobradores, vítimas dos assaltos, e estes, de pronto reconheceram Mateus como tendo sendo o autor dos fatos. Avaliando os depoimentos, Drª Ana Maria optou mantê-lo custodiado.

O réu foi defendido na Justiça pela Drª. Elisa Lopes, que tentou apontar as “evidentes contradições” da acusação:
• Mateus é funcionário da Guarani Indústria e Comércio desde fevereiro de 2008, recebendo um salário de R$ 900,00 como ajudante de produção, o que demonstraria que não teria motivos para cometer estes delitos;
• o fato de ser surdo-mudo dificultaria sua ação;
• ser ele conhecido por todos como pessoa de boa índole;
• nunca ter cometido nenhum delito, e
• o meliante agiu em alguns casos com o rosto coberto, o que eliminaria a eficácia de alguns reconhecimentos.

Já a Promotora de Justiça, Drª. Mariane Monteiro Schmid, lembrou um fato importante e inusitado, no caso de um deficiente físico: “os próprios familiares ajudaram os guardas municipais a prendê-lo, (…) o seu genitor se recusou a ficar na delegacia para auxiliá-lo”.

Conseqüência do julgamento, sob a presidência do juiz de direito Dr. Marcelo Barbosa Sacramone, e com o auxílio de João Romão da Silva como intérprete, foi a condenação de Mateus a seis anos de detenção e mais 15 dias multa, mas na realidade ele ficará em liberdade, desde que não caia de novo nas mãos da Justiça. (adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Ricard Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

Recent Posts

Assassinato de Ruy Ferraz Fontes: 3 meses depois

Três meses após o assassinato de Ruy Ferraz Fontes, o texto analisa como do PCC,…

5 meses ago

Francesco Guerra: A Aliança PCC e Clãs Bálcânicos

A aliança entre o Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) e clãs balcânicos na…

5 meses ago

Francesco Guerra: Crime e Política na América Latina

O pesquisador italiano Francesco Guerra e suas análises sobre o Brasil e a América Latina,…

5 meses ago

Do Presídio ao Poder: O Estatuto do PCC 1533 em 3 Fases

O artigo reconstrói a trajetória do Estatuto do PCC 1533, revelando sua origem como pacto…

10 meses ago

Facção PCC 1533 e a visão distorcida da imprensa europeia

Este artigo analisa como a imprensa europeia retrata a facção PCC 1533 sob clichês datados,…

11 meses ago

Ouro e Crime: A Estrutura do PCC na Amazônia

O texto narra o impacto do rompimento entre PCC e CV na Amazônia e revela,…

11 meses ago