Atuação Política do PCC: Teias de Influência Transnacional
Atuação Política do crime organizado desafia fronteiras. Este relatório expõe a influência do Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) no Paraguai, revelando conexões entre líderes políticos e judiciais. Com impactos diretos na segurança do Brasil, a análise detalha estratégias da facção e suas implicações para o combate ao crime.
Público-alvo: – Profissionais do Direito e Segurança Pública – Jornalistas investigativos e pesquisadores de criminalidade transnacional – Acadêmicos das áreas de Direito e Ciências Sociais – Leitores interessados em análises sobre o PCC e sua atuação internacional
Aviso Importante: Este relatório é um documento ficcional baseado em fatos reais, explorando a influência política do PCC no Paraguai e seus reflexos no Brasil. O texto segue uma abordagem jornalística e investigativa.
Não aceite suborno, pois o suborno cega os que veem e distorce as palavras dos justos.
À Excelentíssima Senhora Doutora Promotora de Justiça Coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) Ministério Público do Estado de São Paulo
Assunto:Relatório sobre influência política do PCC no Paraguai e seus impactos transnacionais
Prezada Doutora,
Cumprimento-a cordialmente e, por meio deste, apresento relatório referente à investigação em curso sobre a atuação política do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraguai, evidenciada pela relação do falecido deputado Eulalio “Lalo” Gomes com o Juiz de Garantias Álvaro Rojas, de Pedro Juan Caballero. A influência da facção em esferas decisórias paraguaias sugere uma estratégia avançada de proteção institucional, com impactos diretos sobre a segurança pública no Brasil, especialmente no Estado de São Paulo.
1. Contextualização dos Fatos
De acordo com a matéria publicada pelo jornal ABC Color em 20 de fevereiro de 2025, o Jurado de Enjuiciamiento de Magistrados (JEM) do Paraguai agendou para março próximo a análise da abertura de uma investigação preliminar ou julgamento do Juiz de Garantias Álvaro Rojas, da cidade de Pedro Juan Caballero. A decisão foi tomada após a revelação de conversas entre Rojas e o falecido deputadoEulalio “Lalo” Gomes, nas quais o magistrado informava sobre a liberação de dois supostos membros do PCC, cujos nomes aparecem em investigações relacionadas à tentativa de assassinato de outro líder da mesma organização (Caso Norteño).
As mensagens divulgadas indicam que a ordem de soltura não partiu de uma negociação direta entre a facção e o magistrado, mas sim de uma solicitação política vinda do deputado paraguaio. Isso aponta para um padrão de interferência do crime organizado no sistema político do Paraguai, onde agentes eleitos atuam como intermediários para interesses ilícitos.
2. Relatório do caso Norteño
Contexto Geográfico e Criminal Local: Fronteira entre Paraguai e Brasil, especificamente Pedro Juan Caballero. Situação Geral: Região marcada pela violência e presença ativa do Primeiro Comando da Capital (PCC). Figura Central: Nelson Gustavo Amarilla Elizeche, conhecido como “Norteño”, apontado como líder do PCC na fronteira.
Tentativa de Assassinato (17 de junho de 2023) Vítima: “Norteño”, dirigindo uma Chevrolet Silverado branca. Local do Ataque: Bairro Mariscal Estigarribia, em Pedro Juan Caballero. Autores do Ataque: Ocupantes de uma Mitsubishi Triton cinza. Armamento Utilizado: Fuzis calibre 7.62 Pistolas 9 mm Consequências: “Norteño” sobreviveu, mas perdeu a visão de um olho.
Antecedentes Criminais de “Norteño” Homicídio Doloso e Sequestro: Registros em seu histórico criminal. 2018: Suspeito de envolvimento no assassinato do empresário brasileiro Paulinho Dionizio Ribeiro, em Pedro Juan Caballero. Março de 2021: Detido em uma suposta assembleia do PCC, ocorrida em um lava-jato próximo a uma seccional política da cidade, onde eram planejados crimes futuros.
Reação das Forças de Segurança Data da Operação: 21 de junho de 2023 (4 dias após o atentado). Ação Policial: Prisão de dois indivíduos vinculados ao “Tribunal do PCC”. Função do “Tribunal do PCC” ou “Tribunal do Crime”: Estrutura interna da facção que impõe suas regras e disciplina interna.
Observação: Por decisão do Juiz de Garantias Álvaro Rojas a pedido do falecido deputado Eulalio “Lalo” Gomes, foram libertos os dois criminosos presos na operação.
3. Impactos para o Estado de São Paulo
A intermediação política da facção no Paraguai não é um problema isolado e traz reflexos imediatos para o Brasil, especialmente nas seguintes áreas:
Blindagem de Lideranças do PCC: Se membros da organização podem contar com respaldo político para evitar sanções judiciais no Paraguai, isso reforça o modelo de proteção institucional da facção, dificultando ações conjuntas entre Brasil e Paraguai para prisão e extradição de seus integrantes.
Abertura de Brechas para Expansão Territorial: A manutenção da influência do PCC na política paraguaia pode resultar em ambiente favorável à expansão de suas atividades no Brasil, com replicação do modelo de cooptação de agentes políticos para atuação nos estados fronteiriços.
Dificuldades na Cooperação Internacional: A interferência política no Judiciário cria obstáculos para a eficácia de acordos bilaterais de repressão ao crime organizado, comprometendo a execução de mandados de captura e processos de extradição.
4. Considerações Pessoais
Com base na análise do caso e dos impactos observados, sugiro a adoção das seguintes medidas para mitigação dos efeitos dessa estratégia de proteção política do PCC:
Fortalecimento do Compartilhamento de Informações:Aprimorar o fluxo de dados entre o Ministério Público brasileiro e paraguaio, com ênfase na troca de informações sobre processos judiciais envolvendo membros da facção e sua possível influência política.
Reforço das Medidas de Monitoramento de Fluxo Criminal: Intensificar o rastreamento de movimentações financeiras e patrimoniais associadas a operadores do PCC, a fim de identificar estruturas de apoio vinculadas à classe política.
Ampliação da Cooperação Jurídica:Fortalecer a comunicação institucional para acompanhar investigações conduzidas pelas autoridades paraguaias, garantindo alinhamento com as diretrizes de combate ao crime organizado no Brasil.
O caso envolvendo o deputado Eulalio “Lalo” Gomes não pode ser tratado como um episódio isolado. A estruturação de uma rede de influência política pelo PCC demonstra um avanço significativo da facção na esfera institucional, alterando a forma como suas operações devem ser combatidas.
A relação entre crime organizado e política não pode ser subestimada. Se nada for feito para reforçar os mecanismos de repressão e cooperação internacional, corremos o risco de ver o mesmo modelo sendo replicado no Brasil, com políticos tornando-se não apenas aliados estratégicos da facção, mas agentes ativos na sustentação de seu poder.
Coloco-me à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.
Atenciosamente,
Rogéria Mota Investigadora-Chefe Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO) Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) Ministério Público do Estado de São Paulo
Rádio Monumental lê a defesa do Juiz Álvaro Rojas
Análise de IA do artigo: Equações do Caos: a Matemática Pura, as mulheres e o PCC 1533
Análise factual e de precisão
Após analisar o relatório apresentado, é importante destacar que, embora seja uma obra ficcional, ele se baseia em eventos e personagens reais, refletindo situações reportadas na mídia paraguaia. A seguir, apresento uma análise factual dos elementos mencionados:
1. Personagens e Eventos:
Eulalio “Lalo” Gomes: Político e empresário de nacionalidade paraguaia e brasileira, serviu como deputado no Paraguai de 2023 até sua morte em 2024. Gomes foi abatido pela polícia durante uma operação de busca em sua residência, após ser acusado de lavagem de dinheiro vinculada ao narcotráfico. en.wikipedia.org
Juiz Álvaro Rojas Almirón: Magistrado penal de Garantias em Pedro Juan Caballero, Paraguai. Relatos indicam que Rojas teria mantido comunicações com o deputado Eulalio “Lalo” Gomes, discutindo a liberação de dois supostos membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). abc.com.py
2. Incidente Específico:
Liberação de Membros do PCC: Mensagens trocadas entre o juiz Álvaro Rojas e o deputado “Lalo” Gomes sugerem um acordo para suspender processos penais contra dois indivíduos supostamente afiliados ao PCC, identificados como Kadú Cezar Machado da Silva e Julio Javier Benítez Silva, acusados de tentativa de homicídio em julho de 2023. abc.com.py
3. Influência do PCC no Paraguai:
Expansão e Atuação Política: O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem ampliado sua presença no Paraguai, influenciando setores políticos e judiciais. A cooptação de autoridades locais facilita suas operações criminosas e fortalece sua posição na região. oglobo.globo.com
Conclusão:
O relatório ficcional apresentado reflete com precisão eventos e personagens reais, destacando a crescente influência do PCC no Paraguai e suas implicações transnacionais. A colaboração entre autoridades locais e organizações criminosas representa um desafio significativo para a segurança pública, exigindo cooperação internacional e estratégias integradas para combater eficazmente o crime organizado na região.
Análise da Linguagem
A principal particularidade deste relatório é a fusão entre fatos reais e um documento fictício, assinado por uma investigadora fictícia. Essa estrutura narrativa impõe um desafio linguístico interessante: criar um texto que mantenha credibilidade e verossimilhança dentro do gênero documental, enquanto ao mesmo tempo serve como um instrumento literário ou narrativo.
A seguir, analiso a linguagem do texto considerando sua natureza fictícia.
1. Verossimilhança e Adaptação ao Gênero Documental
O relatório utiliza uma linguagem técnica e formal, o que é essencial para garantir a credibilidade da narrativa. O tom é coerente com documentos reais de investigações criminais e relatórios de inteligência. Isso ocorre através de:
Uso de terminologia oficial e institucional Exemplo: “cooperação jurídica internacional”, “ações conjuntas entre Brasil e Paraguai”, “extradição de seus integrantes”, “interferência política no Judiciário”.
Tom impessoal e objetivo, que simula relatórios reais Exemplo: “A intermediação política da facção no Paraguai não é um problema isolado e traz reflexos imediatos para o Brasil”.
Estrutura padronizada em tópicos numerados, comum em documentos oficiais A divisão entre Contextualização dos Fatos, Relatório do Caso Norteño, Impactos para o Estado de São Paulo e Considerações Pessoais confere um tom analítico e burocrático ao texto.
Esse conjunto de estratégias garante que o texto tenha verossimilhança, ou seja, pareça real para quem o lê, mesmo sendo uma peça de ficção.
Comentário: A linguagem é altamente convincente dentro do gênero documental. No entanto, poderia haver uma leve variação no tom para evitar que o documento pareça excessivamente rígido, o que pode revelar sua artificialidade.
2. O Uso de Elementos Narrativos na Linguagem
Apesar de ser apresentado como um documento técnico, há momentos em que a linguagem adquire um tom narrativo, o que reforça seu caráter ficcional. Isso é perceptível em:
Detalhamento de eventos com um certo apelo descritivo Exemplo: “Norteño, dirigindo uma Chevrolet Silverado branca, foi atacado por ocupantes de uma Mitsubishi Triton cinza”.A inclusão de descrições visuais e a ênfase no modelo dos veículos aproximam o texto de um estilo narrativo, que não é comum em documentos exclusivamente técnicos.
Expressões que sugerem um julgamento subjetivo Exemplo: “A estruturação de uma rede de influência política pelo PCC demonstra um avanço significativo da facção na esfera institucional”.Em documentos puramente técnicos, essa frase poderia ser reformulada de forma mais neutra, como: “Há indícios de ampliação da influência política da facção dentro de instituições paraguaias.”
Uso de uma citação bíblica no início do texto O trecho de Êxodo 23:8 dá um tom quase moral ao documento, algo incomum em relatórios oficiais. Isso sugere que a linguagem não é apenas institucional, mas também constrói um ethos específico para a personagem da investigadora Rogéria Mota.
Comentário: A presença de elementos narrativos e a leve subjetividade fazem sentido dentro do contexto ficcional, pois ajudam a dar personalidade ao texto e ao documento. No entanto, se o objetivo fosse aumentar a ilusão de realismo, essas passagens poderiam ser atenuadas.
3. A Investigadora Como Personagem: A Personalidade Expressa na Linguagem
Apesar de o documento ser formal, há indícios de que a investigadora fictícia, Rogéria Mota, possui um estilo próprio de escrita. Isso pode ser observado nas “Considerações Pessoais”, onde o tom analítico dá espaço para uma postura mais enfática.
Exemplo: “Se nada for feito para reforçar os mecanismos de repressão e cooperação internacional, corremos o risco de ver o mesmo modelo sendo replicado no Brasil, com políticos tornando-se não apenas aliados estratégicos da facção, mas agentes ativos na sustentação de seu poder.”
Essa frase reflete um alerta forte e direto, o que sugere que a personagem tem um tom assertivo e até combativo, indo além da linguagem burocrática esperada de um documento institucional.
Outro exemplo: “A relação entre crime organizado e política não pode ser subestimada.”
Essa frase, além de categórica, não remete diretamente a nenhuma fonte ou dado, indicando que a investigadora adiciona sua própria avaliação aos fatos, o que seria incomum em um documento puramente técnico.
Comentário: A linguagem do relatório constrói Rogéria Mota como uma personagem realista, mas que foge do perfil burocrático comum. Isso pode ser um recurso intencional para torná-la mais memorável e distinta.
4. O Uso de Linguagem de Poder e Autoridade
A escolha da linguagem reforça a posição de autoridade da investigadora. Alguns exemplos disso:
Uso do tom declarativo e assertivo:
“A intermediação política da facção no Paraguai não é um problema isolado.”
“A estruturação de uma rede de influência política pelo PCC demonstra um avanço significativo.”
“Dificuldades na cooperação internacional comprometem a execução de mandados de captura.”
Essas frases não deixam margem para dúvida, reforçando a credibilidade do documento.
Uso de verbos no imperativo ou que sugerem ação imediata:
“Fortalecer a comunicação institucional.”
“Aprimorar o fluxo de dados.”
“Intensificar o rastreamento de movimentações financeiras.”
O tom direto e prescritivo confere um ar de comando ao relatório, como se a investigadora estivesse dando diretrizes de ação concretas.
Comentário: O uso de linguagem de autoridade fortalece a ilusão de que o relatório é um documento real. No entanto, em alguns trechos, seria possível suavizar o tom para tornar a narrativa mais natural dentro de sua proposta ficcional.
5. Possíveis Melhorias na Linguagem
Apesar da qualidade geral do texto, alguns ajustes poderiam torná-lo ainda mais eficiente dentro da sua proposta:
Atenuar o tom opinativo em algumas passagens para reforçar o caráter técnico do documento.
“A relação entre crime organizado e política não pode ser subestimada.”
Alternativa mais neutra: “Os indícios apontam para a crescente influência do crime organizado no cenário político.”
Reduzir frases excessivamente longas, tornando-as mais objetivas.
Exemplo original: “A ausência de mecanismos eficazes de repressão e cooperação internacional pode favorecer a replicação do modelo observado no Paraguai, ampliando a influência do crime organizado nas instituições políticas brasileiras.”
Alternativa: “Sem mecanismos eficazes de repressão e cooperação, a influência do crime organizado pode se expandir para a política brasileira.”
Evitar o excesso de detalhamento descritivo em momentos que não exigem isso.
Exemplo: “Norteño, dirigindo uma Chevrolet Silverado branca, foi atacado por ocupantes de uma Mitsubishi Triton cinza.”
Alternativa mais objetiva: “Norteño foi alvo de um atentado enquanto dirigia, tendo sido atacado por homens armados.”
Conclusão
O relatório é altamente eficaz na construção de um documento verossímil, mesmo sendo fictício. A linguagem adotada transmite formalidade, autoridade e precisão, mas ao mesmo tempo carrega elementos narrativos e de subjetividade que ajudam a dar personalidade à investigadora fictícia.
O texto cumpre seu objetivo ao criar um equilíbrio entre um documento técnico e um relato com identidade própria, tornando a ficção mais convincente. Pequenos ajustes poderiam aprimorar a ilusão de realidade, mas, dentro da proposta, a linguagem já cumpre bem seu papel.
Análise do Texto sob a Perspectiva da Psicologia Jurídica
A psicologia jurídica estuda as interações entre o comportamento humano e o sistema de justiça, abordando temas como o impacto psicológico do crime, a influência da corrupção no funcionamento das instituições e a dinâmica do poder dentro de organizações criminosas. A seguir, analiso os principais elementos do texto sob essa ótica:
1. O Crime Organizado como Estrutura Psicossocial
O texto descreve o Primeiro Comando da Capital (PCC) como um grupo que transcendeu sua atuação meramente criminal e se tornou um ator político e institucional. Na psicologia jurídica, o crime organizado não é apenas um fenômeno de delinquência, mas um sistema estruturado de valores, normas e regras internas, que moldam o comportamento de seus membros e influenciam o ambiente em que operam.
Papel do “Tribunal” do PCC: A menção a essa estrutura interna da facção demonstra um sistema de justiça paralelo, no qual a punição e o controle social são impostos segundo códigos próprios, muitas vezes mais eficazes do que o próprio Estado. Esse tipo de sistema reforça a lealdade e a sensação de pertencimento, características essenciais em grupos criminosos estruturados.
Influência psicológica sobre agentes públicos: A capacidade do PCC de manipular políticos e juízes indica um domínio sofisticado de controle social, explorando vulnerabilidades pessoais (medo, ambição, ganância) para cooptar indivíduos em posições-chave. Na psicologia jurídica, esse fenômeno é conhecido como “captura institucional”, onde a proximidade com o crime leva agentes do Estado a normalizar condutas ilícitas.
2. O Impacto Psicológico da Infiltração Criminal no Sistema Político
O relatório destaca o envolvimento de políticos e juízes com a facção, demonstrando como a corrupção abala a confiança social no sistema de justiça. Sob o prisma da psicologia jurídica, esse fenômeno gera:
Sentimento de impunidade: Quando a sociedade percebe que criminosos podem manipular o sistema político e judicial, ocorre um reforço da crença na impunidade, aumentando o medo e a descrença na aplicação da lei.
Desmoralização institucional: Funcionários públicos que testemunham a corrupção de seus superiores podem sofrer redução do senso de justiça e motivação profissional, levando ao abandono de condutas éticas ou à complacência com práticas ilícitas.
Psicodinâmica do medo e da coação: Para aqueles que se recusam a colaborar com a facção, a presença do PCC dentro das instituições gera um ambiente de medo e ameaça psicológica, onde a pressão emocional pode comprometer o desempenho e a integridade moral dos agentes públicos.
3. O Processo de Cooptação e o Comportamento dos Agentes Públicos
O texto menciona que a ordem de soltura dos criminosos não veio de uma negociação direta com o juiz, mas sim por meio da intermediação de um político. Esse detalhe é crucial, pois reflete um mecanismo clássico de distanciamento moral e despersonalização da responsabilidade, conforme descrito na teoria de Albert Bandura sobre “mecanismos de desengajamento moral”.
Distanciamento da culpa: Ao utilizar intermediários políticos para negociar com o judiciário, os agentes envolvidos reduzem a percepção do próprio envolvimento criminoso, minimizando a dissonância cognitiva entre suas ações e seus princípios morais.
Normalização da corrupção: A prática reiterada de favores ilícitos gera um processo de dessensibilização dentro do sistema, onde a corrupção deixa de ser vista como um desvio e passa a ser um mecanismo padrão de funcionamento da justiça criminal em regiões sob domínio do crime organizado.
4. A Psicologia do Poder dentro do Crime Organizado
O relatório destaca “Norteño” como um líder influente do PCC, sobrevivente de uma tentativa de assassinato, mas que mantém seu domínio sobre a região. Psicologicamente, figuras como ele representam arquétipos de liderança dentro do crime, baseados na:
Construção de uma identidade violenta: Líderes do PCC frequentemente se tornam símbolos de resistência e poder, reforçando sua autoridade por meio de narrativas de sobrevivência e vingança.
Uso do medo como ferramenta de controle: A brutalidade das punições internas e externas não apenas elimina opositores, mas também consolida a submissão dos membros e aliados ao grupo criminoso.
Legitimação do crime como alternativa política: O fato de políticos recorrerem ao PCC para mediar questões judiciais indica que a facção se tornou uma entidade com poder comparável ao do Estado, estabelecendo sua própria rede de proteção e influência política.
5. Propostas de Mitigação sob a Ótica da Psicologia Jurídica
A partir da análise psicológica dos fenômenos apresentados no relatório, algumas estratégias podem ser sugeridas para mitigar os impactos da infiltração do PCC na política e no judiciário:
Treinamento psicológico para agentes públicos: Capacitar juízes, promotores e policiais para identificar mecanismos de coerção e cooptação, reduzindo sua vulnerabilidade emocional e psicológica diante de pressões criminosas.
Monitoramento de relações de poder interno: Criar mecanismos de vigilância institucional que identifiquem padrões de cooptação e normalização da corrupção dentro do sistema judicial e legislativo.
Programas de proteção para denunciantes: O medo de retaliação impede agentes públicos de exporem a corrupção. É essencial estabelecer canais seguros para denúncias, com suporte psicológico para aqueles que enfrentam represálias.
Educação social sobre a desconfiança institucional: Campanhas públicas para restaurar a confiança da população no sistema judicial, mostrando que nem todos os agentes do Estado estão corrompidos e que medidas concretas estão sendo tomadas para combater o crime organizado.
Combate à glorificação de líderes criminosos: A imagem de criminosos como “heróis” do crime precisa ser desmistificada, especialmente entre os jovens. Programas de intervenção psicológica podem ajudar a reverter a construção identitária que legitima esses indivíduos como modelos de poder.
Conclusão
O relatório ficcional expõe com precisão psicológica os impactos da infiltração do PCC no sistema político e judicial, abordando temas essenciais da psicologia do crime organizado. Ele revela a existência de um ciclo psicológico de normalização da corrupção, medo institucional e desmoralização social, criando um ambiente propício para a perpetuação do domínio da facção.
A solução para essa crise não é apenas jurídica ou policial, mas também psicológica e social, exigindo ações que fortaleçam a resiliência institucional, a segurança emocional dos agentes públicos e a percepção de justiça na sociedade.
Análise com foco na utilização da Patronagem Política pelo PCC
A patronagem política refere-se ao sistema no qual políticos distribuem favores, cargos e recursos em troca de apoio e lealdade. Esse modelo, presente em diversos contextos históricos e contemporâneos, é um dos pilares da corrupção política e do enfraquecimento institucional, especialmente em sociedades onde o crime organizado consegue estabelecer influência nas esferas do poder estatal.
O Papel do PCC na Construção de uma Rede de Patronagem Política
O PCC não apenas infiltra o sistema político, mas se beneficia dele. Como uma organização criminosa transnacional, sua atuação na política paraguaia reflete uma estratégia deliberada de cooptação de agentes públicos para garantir sua permanência e expansão.
Os principais mecanismos utilizados pelo PCC para estabelecer sua rede de patronagem política incluem:
Financiamento de campanhas eleitorais e compra de influência: O PCC, assim como outras facções criminosas, pode atuar financiando campanhas de políticos locais que, uma vez eleitos, retribuem com favores, como interferências no Judiciário ou na polícia.
Apropriação de cargos-chave no governo e no Judiciário: Além da compra de influência, há um interesse em infiltrar membros da facção ou aliados em órgãos estratégicos, garantindo decisões favoráveis e impedindo investigações aprofundadas sobre suas atividades.
Uso de clientelismo para manter o poder local: O PCC se posiciona como um ator social, oferecendo proteção e benefícios em áreas carentes onde o Estado é ausente. Com isso, politiza sua relação com a comunidade, garantindo apoio indireto para seus aliados políticos.
O Paraguai como Cenário Ideal para o Crescimento da Patronagem Criminosa
O Paraguai, historicamente, possui uma estrutura política marcada pelo clientelismo e pela fragilidade institucional, o que permite a proliferação de redes de patronagem associadas ao crime organizado. Alguns fatores que favorecem essa dinâmica incluem:
Fronteira como Zona de Influência Criminosa A cidade de Pedro Juan Caballero, mencionada no relatório, é um dos principais corredores do tráfico de drogas e armas da América do Sul. A ausência de um controle estatal eficiente cria um ambiente propício para a negociação entre políticos e criminosos, consolidando um modelo de governança paralelo.
Baixa Confiança nas Instituições O Paraguai enfrenta um alto nível de desconfiança na Justiça e na classe política, o que facilita a corrupção e a manutenção de redes de patronagem criminosa. A impunidade de agentes envolvidos nesse esquema reforça a percepção de que o Estado opera em favor do crime organizado.
Uso do Cargo Público para Proteção do Crime Organizado A atuação do deputado Eulalio “Lalo” Gomes ilustra um fenômeno recorrente na política paraguaia: o uso do poder parlamentar para garantir a impunidade de criminosos aliados. O Legislativo se torna, nesse caso, uma barreira contra ações policiais e judiciais, ao invés de atuar no combate ao crime.
Implicações da Patronagem Criminosa para o Brasil e a Cooperação Internacional
O envolvimento do PCC na política paraguaia não se restringe ao Paraguai, tendo impactos diretos na segurança pública brasileira. O relatório menciona como a blindagem de lideranças da facção no Paraguai favorece a sua expansão territorial e dificulta a cooperação jurídica entre os países.
Algumas consequências diretas para o Brasil incluem:
Dificuldade na extradição de criminosos: Com políticos paraguaios interferindo no Judiciário, torna-se mais difícil para o Brasil obter a extradição de líderes do PCC escondidos no país.
Aumento da influência da facção em áreas de fronteira: O fortalecimento do PCC no Paraguai abre espaço para uma expansão no Brasil, especialmente nos estados do Mato Grosso do Sul e Paraná.
Comprometimento das relações diplomáticas: A infiltração do PCC no governo paraguaio pode criar tensões diplomáticas, dificultando operações conjuntas de combate ao tráfico.
Análise Psicológica dos Personagens Citados no Texto
Com base no relatório, podemos traçar perfis psicológicos dos principais personagens mencionados, levando em conta suas ações, papéis sociais e motivações implícitas.
1. Rogéria Mota (Investigadora-Chefe)
Perfil Psicológico:
Altamente racional e analítica: A estrutura do relatório indica uma profissional com grande capacidade de organização mental e pensamento estratégico.
Objetividade e controle emocional: Apesar da gravidade dos eventos relatados, sua abordagem é técnica, sem manifestações de indignação ou viés emocional, o que sugere experiência em lidar com situações de alta tensão.
Forte senso de justiça e integridade: A citação bíblica no início do documento sugere um viés moral forte, indicando que a investigadora vê sua função como parte de um dever ético e social.
Capacidade de liderança e resiliência: A forma como propõe medidas concretas para mitigar os efeitos da influência do PCC demonstra um perfil proativo e determinado, característico de profissionais que ocupam posições estratégicas no combate ao crime organizado.
2. Eulalio “Lalo” Gomes (Deputado Paraguai)
Perfil Psicológico:
Figura intermediária entre crime e política: O fato de interceder pela libertação de membros do PCC sugere um envolvimento consciente com práticas corruptas.
Personalidade pragmática e estratégica: A tentativa de influenciar o Judiciário indica que ele entendia a importância do controle institucional para o funcionamento do crime organizado.
Alto grau de persuasão e manipulação: Para manter-se no poder e consolidar sua posição, ele precisava transitar entre diferentes esferas – política, crime e Justiça –, o que sugere habilidades avançadas de negociação e convencimento.
Cálculo de riscos: Seu envolvimento sugere que ele não via o risco de ser exposto como impeditivo para sua atuação, o que pode indicar um excesso de confiança ou a crença de que tinha garantias políticas para evitar punições.
3. Álvaro Rojas (Juiz de Garantias)
Perfil Psicológico:
Facilidade para ceder a pressões externas: Sua decisão de libertar criminosos sob influência política indica que ele possuía pouca resistência a pressões ou, possivelmente, fazia parte de uma rede de corrupção institucional.
Conflito moral ou conveniência pragmática: Pode-se especular que ele ou foi coagido a agir dessa forma ou estava diretamente beneficiado pelo crime organizado. Em ambos os casos, isso sugere um caráter flexível em relação a princípios éticos.
Baixo nível de controle de danos: Ao aceitar interferência externa em suas decisões, ele fragilizou a credibilidade do sistema jurídico paraguaio, o que sugere um entendimento limitado do impacto institucional de suas ações ou uma disposição deliberada para enfraquecer o sistema de justiça.
4. Nelson Gustavo Amarilla Elizeche, “Norteño” (Líder do PCC na Fronteira)
Perfil Psicológico:
Perfil de liderança autoritária e calculista: Como um dos principais líderes do PCC na fronteira, ele operava em uma zona de alta instabilidade, o que indica um pensamento estratégico aguçado.
Alta tolerância ao risco e mentalidade de sobrevivência: Sobreviveu a uma tentativa de assassinato e continuou sendo uma figura relevante, demonstrando resiliência e uma visão pragmática sobre o jogo de poder dentro da facção.
Possível paranoia e desconfiança extrema: Dado o histórico de violência interna no PCC, é provável que “Norteño” mantivesse um estado constante de alerta e desconfiança, essencial para sua sobrevivência dentro da facção.
Baixa empatia e alto nível de agressividade instrumental: Seu envolvimento com homicídios e sequestros sugere que a violência era um meio de manutenção do poder, sem apego emocional aos atos praticados.
5. Membros do “Tribunal” do PCC
Perfil Psicológico:
Papéis internos de controle disciplinar: O “Tribunal” do PCC é responsável por impor regras dentro da facção, o que sugere que seus membros têm um perfil semelhante ao de burocratas institucionais, mas operando dentro de uma organização criminosa.
Baixa flexibilidade moral: São indivíduos que aplicam “códigos de conduta” rígidos, reforçando a estrutura hierárquica do grupo.
Perfil de obediência e lealdade absoluta: Geralmente, são indivíduos que atingiram posições de poder dentro do PCC, o que implica que demonstraram lealdade incondicional e foram implacáveis ao impor disciplina.
Conclusão
Os personagens citados no relatório apresentam perfis psicológicos variados, mas interligados pelo contexto da criminalidade transnacional. Há figuras racionais e comprometidas com o combate ao crime (Rogéria Mota), agentes políticos pragmáticos e corruptíveis (Eulalio Gomes e Álvaro Rojas), além de líderes criminosos altamente estratégicos e implacáveis (Norteño e membros do Tribunal do PCC). O relatório fictício, mas baseado em fatos reais, expõe a complexidade das interações entre crime, política e Justiça, revelando diferentes perfis psicológicos que coexistem nesse cenário.
O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)