Facções em Vitória: mergulhe neste artigo para compreender a complexa realidade das facções criminosas no Espírito Santo e os fatores que contribuem para a violência na região.
Em 20 de julho de 2021, atendi a um pedido de um leitor e publiquei um artigo intitulado “Haverá guerra entre as facções no Espírito Santo? – A confusa configuração do crime organizado no estado é consequência da política carcerária do governador Renato Casagrande”, e agora, passados quase dois anos retorno sobre o mesmo assunto.
É de conhecimento geral a rivalidade entre a facção paulista Primeiro Comando da Capital (facção PCC 1533) e a facção carioca Comando Vermelho (CV). Entretanto, a complexidade das alianças que cercam esses dois grupos criminosos e sua constante evolução dificultam a compreensão do panorama, e o Espírito Santo foge à regra.
Além das intrincadas manobras no xadrez do crime, agentes externos e eventos fortuitos podem alterar o equilíbrio de poder, e qualquer deslocamento nessa balança pode levar a derramamentos de sangue. Foi o que aconteceu durante o sangrento feriado de Tiradentes em Vitória, marcado por nove assassinatos.
No feriado de Tiradentes, Vitória presenciou uma série de mortes violentas, com nove homicídios a ocorrer em um único dia. Tais fatalidades parecem estar, ao menos em parte, relacionadas à guerra entre facções criminosas. A área da Grande Terra Vermelha, que abarca bairros como Ulisses Guimarães, Barramares e Riviera da Barra, testemunhou um feriado particularmente macabro.
A polícia, em suas diligências na região, confiscou 19 armas, dentre elas um fuzil, e executou 23 mandados de prisão associados ao Primeiro Comando de Vitória (PCV). Entre os detidos, encontram-se líderes como Cleuton Gomes Pereira (Frajola), Claudio Ícaro, Paulo César e Jocimar. A captura desses líderes debilitou o PCV, o que desencadeou disputas territoriais e intensificou a sensação de insegurança pública.
A disputa entre as facções em Vitória pelo domínio dos pontos de drogas, sobretudo na Grande Terra Vermelha, ocorre em razão do enfraquecimento do Primeiro Comando de Vitória, chefiado por Marujo, aliado ao Comando Vermelho.
De olho nesse mercado está a Associação Família Capixaba (AFC), que negocia com os inimigos do PCV e do CV: o Terceiro Comando Puro e o Primeiro Comando da Capital, além de manter alianças com grupos de comunidades locais como Piedade, Fonte Grande, Alagoano e Ilha do Príncipe, e ser respaldada pelo Morro dos Gamas, em Cariacica.
Esta disputa das facções em Vitória pelo mercado de drogas, evidencia a complexidade e a instabilidade do crime organizado no Espírito Santo, em parte decorrente da política carcerária e de Segurança Pública do governo do estado.
Relatos indicam a possibilidade de envolvimento do Primeiro Comando da Capital e outros grupos criminosos na maioria dos óbitos ocorridos no feriado de Tiradentes, em Vitória.
Na sexta-feira (21), uma série de incidentes violentos tomou lugar. O sargento Gustavo foi vítima de um ataque mortal, atingido por sete disparos foi morto no bairro Boa Vista II, e um outro homem, Renan de 23 anos, também foi baleado e faleceu, mas neste caso, um suspeito já encontra-se detido.
Ainda na sexta, um tiroteio próximo a um bar resultou em uma morte e outro ferido no centro de Vitória. A vítima estava envolvida com o tráfico de drogas.
No mesmo dia, um casal foi morto a tiros nas proximidades de uma escola no bairro Santo Antônio. A motivação permanece um enigma. Testemunhas relataram que o casal havia acabado de sair de uma casa de espetáculos. Mais tarde, outro tiroteio em Barramares resultou em uma morte e um ferido.
No sábado (22), a violência prosseguiu com o assassinato do ciclista em São Conrado. No domingo (23), Ítalo Samora, 30 anos, foi alvejado em Bela Vista. Ademais, um adolescente de 17 anos foi morto a tiros no bairro Ataíde. O suspeito evadiu-se após o delito.
Estes eventos alarmantes sugerem um aumento na violência, possivelmente relacionado à atuação da facção PCC e outras facções que disputam o complexo e violento mundo do crime capixaba.
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