José Guilherme Cantor Magnani no artigo “Antropologia Urbana: desafios e perspectivas” publicado na Revista de Antropologia da USP segue o caminho aberto por Gilberto Freyre incluindo como formador da nova cultura nacional a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC 1533).
Isso se dá nos extremos, e temos que buscar o meio se queremos de fato ver o que está acontecendo. Um membro da facção que vive imerso em seus corres tem a mesma possibilidade de ver sua realidade quanto alguém que a analisa apenas através dos livros.
No Brasil graças às nossas origens culturais descritas por Freyre os grupos se mesclam mesmo se perceber, e por mais que os legalistas e os membros das facções insistam, ambos comem e dormem sob o mesmo teto cultural, mesmo falando dialetos diferentes.
(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({}); A constância e força das regras impostas pela facção que há mais de vinte anos impõe de maneira rígida e direta as regras de vida de milhares de brasileiros nos presídios e para seus familiares criou raízes profundas e agora tem sua rede de influência secundária, onde normatiza o modo de viver e pensar de centenas de milhares cidadãos que vivem nas regiões periféricas e em nichos nas regiões centrais e nobres das cidades.
Um exemplo são as pessoas comuns que vão aos estádios assistir aos jogos de futebol. Há quase uma década postado aqui matéria sobre a influência da facção nas torcidas organizadas, e essas são as que ditam as regras gerais dentro dos estádios. Outro grupo são os dos pichadores e esqueitistas que não admitem a influência da facção, mas acabam dentro de seus nichos reproduzindo inconscientemente as regras as suas regras: “lealdade, humildade, e proceder”.
“Seguindo outras pistas, distante de zonas fortemente marcadas pela ilegalidade, em certos movimentos culturais de periferia são feitos contatos e alianças com jovens de outras regiões, alguns universitários, que descobrem novos trajetos mas devem seguir as regras do pedaço que começam a frequentar.”
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Ao que tudo indica o PCC é o responsável pela cisão entre periferia e classe média. Explico: os valores da classe média eram emulados, apropriados pela periferia como valores absolutos a serem perseguidos (a saber, filho na universidade pública, trabalho com carteira assinada, estabilidade, conservadorismo social, valores humanos, artísticos, etc), isto estava claro na década de 80 e 90. Com o surgimento do PCC me parece que a periferia rompeu com a classe média e iniciou um movimento no sentido de ter seus próprios valores intrínsecos, cada vez mais a periferia é um mundo a parte, com vontade própria e valores próprios. O aumento da matança de jovens da periferia por policiais e agentes de segurança retratam esta impossibilidade de diálogo, entre mundo cada vez mais distantes.A periferia busca seus próprios valores e isto choca cada vez mais a classe média. Basta observar o difícil convívio entre professores quase todos oriundos da classe média que trabalham em escolas de periferia.