CV, FDN e CRBC — táticas de guerrilha em São Paulo

Censura na Imprensa no século XIX e a facção PCC 1533

Escolhendo o que você pode saber

A imprensa tem esse poder, mas o quanto você acha que eu, você, a imprensa ou o governo tem direito de esconder a verdade, mesmo que ela possa causar a morte ou salvar a sua vida ou a de outras pessoas?

A decisão de esconder que a guerra entre facções chegou a São Paulo nada mais é que isso aí.

No fim do ano passado, coloquei em destaque um alerta passado pelo Primeiro Comando da Capital para que todos os seus membros ficassem preparados para a virada do ano.

A Família do Norte e o Comando Vermelho haviam planejado ataques ao PCC em seu próprio território, o estado de São Paulo.

CV e FDN mudando a estratégia

Naquele momento, ao analisar as mensagens, acreditei que eles não estavam apenas alertando os faccionados do norte e nordeste, mas que o salve seria nacional, inclusive para o estado de São Paulo.

A princípio não consegui acreditar, me senti como um americano no 11 de Setembro, vendo um grupo rebelde atacar a maior potência militar do mundo.

Logo no primeiro dia do ano recebi as primeiras mensagens narrando as atrocidades que estavam sendo cometidas, principalmente contra os garotos da facção aliada, Guardiões do Estado, GDE 745.

Dezenas de facciosos tiveram seus dedos cortados, mas o que mais me assombrou foram as mutilações dentro do território paulista de PCCs: mãos cortadas.

A guerra chegou a São Paulo.

A princípio achei que seria apenas o Comando Revolucionário Brasileiro do Crime (CRBC) buscando retomar áreas, mas as informações chegavam indicando que era uma ação conjunta entre o Comando Vermelho (CV) e a Família do Norte (FDN).

O CV e a FDN que teriam enviado células para atacar alvos aleatórios, com método de guerrilha: chegavam, atacavam e seguiriam para a próxima cidade.

Se o CRBC estaria atuando em conjunto ou apenas aproveitando o momento, ainda é um mistério.

O que se viu no entanto foi uma operação bem planejada dos CVs e FDNs — os primeiros dias de ataque fizeram os números de whatsapp da facção fervilhar de alertas

O terror para preparar a invasão e a resistência

O terror chegou as quebradas paulistas, para só então, em alguns pontos, principalmente da região metropolitana, a iniciou-se a tomada de alguma biqueiras para servirem como cabeça-de-ponte.

A caça às bruxas começou.

Todos os que foram à região norte, nordeste ou Rio de Janeiro e poderiam ter alguma ligação com os atentados e passaram a ser vistos como possíveis infiltrados.

Se você é do mundo do crime, sabe de tudo isso; se for das forças policiais talvez, mas essa informação quase não chegou à população.

A informação chega à imprensa

O silêncio foi quebrado pela primeira vez pela repórter Tânia Campelo, do site de notícias Meon do Vale do Paraíba, no artigo Homicídios em São José podem ter relação com briga entre facções.

Nele, pela primeira vez é noticiada a ação das facções do norte, e é descrito o ataque de guerrilha de forma bastante clara:

A repórter questionou o delegado Célio José da Silva, responsável pelo caso que lhe respondeu que “isso não existe” — dias depois algumas coisas que não existiam foram capturadas e mortas pela facção PCC 1533 em Guarulhos.

As autoridades policiais ainda não sabiam o que estava acontecendo dentro do estado, ou não quiseram admitir?

Em 1995, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que a imprensa estaria “vendo fantasmas” ao dizer que existia uma facção criminosa chamada PCC em São Paulo.

O assunto volta à tona com mais força

O assunto voltou com a matéria de Ivan Longo da Revista FórumPeriferias de São Paulo vivem nova onda de terror com guerra entre facções.

Mas coube ao repórter Lucas Simões do pouco conhecido site O Beltrano trazer um artigo repleto de fatos reais e, por incrível que possa parecer, inéditos: Estoura guerra de facções em SP.

Dizem que as bruxas não existem, mas devemos acreditar nelas. Como a história provou, não acreditar em fantasmas não os fizeram desaparecer ou ficarem menos perigosos.

Até quando as autoridades e a imprensa continuarão plagiando o querido Padre Quevedo? “Isso non ecziste”.

Vídeo com coisas que non eczistem capturados pelos PCCs na capital  paulista — note que enquanto nega ser CV, o primeiro deles faz o símbolo da facção com a mão. 

Informar para salvar vidas

Lucas Simões nos deixa a dúvida: será que a imprensa tem esse direito? O quanto você acha que eu, você, a imprensa ou o governo temos o direito de esconder a verdade, mesmo que ela possa causar a morte ou salvar a sua vida ou a de outras pessoas?

A decisão de esconder que a guerra entre facções chegou a São Paulo nada mais é que isso aí.

Nos últimos dias, alguns garotos que vendem umas paradinhas, para sustentar seu vício e ganhar uns trocos, morreram ou tiveram as mãos ou os dedos cortados, agora faltam os policiais, a dona Luíza, eu e você — quando você vai começar a se interessar pelo assunto?

Um setor de Inteligência da SSPDS considera que as tentativas de negar o avanço do crime organizado no Ceará só deram tempo e espaço para as facções se fortalecerem. — reportagem de Márcia Feitosa para o Diário do Nordeste: Crime organizado: um problema nacional que aflige o Ceará.

Não há guerra entre facções em São Paulo
R7 Notícias
São Paulo — Guerra entre Facções
O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, garante que aqui esse tipo de ação não tem vez, o governo paulista aposta na eficiência dos setores de inteligência das polícias civil e militar.

Autor: Rícard Wagner Rizzi

O problema do mundo online, porém, é que aqui, assim como ninguém sabe que você é um cachorro, não dá para sacar se a pessoa do outro lado é do PCC. Na rede, quase nada do que parece, é. Uma senhorinha indefesa pode ser combatente de scammers; seu fã no Facebook pode ser um robô; e, como é o caso da página em questão, um aparente editor de site de facção pode se tratar de Rícard Wagner Rizzi... (site motherboard.vice.com)

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